DOENÇAS TRANSMITIDAS POR PESCADO NO BRASIL Carlos A M Lima dos Santos, dossantoscarlos@globo.

com INTRODUÇÃO As doenças transmitidas por alimentos (DTA) constituem um dos problemas de saúde pública mais freqüentes do mundo contemporâneo. No Brasil, somente alguns estados e/ou municípios dispõem de estatísticas e dados sobre a ocorrência de surtos de DTA, agentes etiológicos mais comuns, alimentos mais freqüentemente implicados, população de maior risco e fatores contribuintes. Por outro lado, a maioria dos casos de DTA não é notificada, pois muitos agentes etiológicos das DTA causam sintomas brandos, fazendo com que a vítima não busque auxílio médico. Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde, ocorreram mais de 3.400.000 internações por DTA no Brasil, de 1999 a 2004, com uma média de cerca de 570 mil casos por ano Presume-se alta morbidade, entretanto como poucas DTA estão incluídas no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, não se conhece sua magnitude (CARMO et al. 2005). Ainda segundo CARMO et al. (2005) no Brasil os custos com os casos internados por DTA, de 1999 a 2004, foram de 280 milhões de reais, com média de 46 milhões de reais por ano. Dados recentes da Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS (SIQUEIRA, 2009) indicam que os surtos de DTA no Brasil durante o período de 1999 a 2008 foram 6.602 envolvendo 117.330 pessoas doentes e 64 óbitos. Segundo a SVS estes números (>5%) estariam muito aquém do quadro real. Os dados disponíveis indicam que o agente etiológico era ignorado em 51% dos surtos e o veículo (alimento) era desconhecido em 34,3% dos surtos. As informações disponíveis apontam que a maior parte dos surtos de DTA (84%) é causada por bactérias patogênicas e/ou suas toxinas, predominando Salmonella spp (42,9%), Staphylococcus sp (20,2%), Bacillus cereus (6,9%), Clostridium perfringens (4,9%), Salmonella enteritidis (4,0%), Shigella sp (2,7%), e outros (18,4%), seguidas por vírus (13,6%), contaminantes químicos (1,2%) e parasitos (1%) (SIQUEIRA, 2009). A Figura 1 mostra os alimentos envolvidos nestes surtos: dentre os 6.602 surtos o pescado teria causado 69 deles. Segundo dados do Sistema Regional de Informação sobre Vigilância Epidemiológica das Enfermidades Transmitidas por Alimentos (SIRVETA), coordenado pelo Instituto Panamericano de Proteção de Alimentos e Zoonoses (INPPAZ) da Organização Panamericana de Saúde (OPS/OMS), e apesar do subregistro, ocorreram 6.930 surtos de DTA em países da América entre 1993 e 2002, dos quais 17,8% foram devidos ao pescado, 16,1% à água, 11,7% às carnes vermelhas e 2.6% às frutas e hortaliças (OPS/OMS, 2005). Trabalho apresentado no 37º. Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária, Rio de Janeiro, RJ, 26-30 de julho de 2010.

1

químicos e físicos. Brasil 1999-2008 Apesar de que os períodos associados aos dados da OPS/OMS (1993 a 2002) e aqueles da SVS Brasil (1999 a 2008) não permitirem uma comparação direta. Dentre as bactérias podemos dividi-las em dois grupos: o primeiro compreenderia aquelas bactérias associadas ao ambiente aquático habitado pelo pescado. Surtos de DTA por tipo de alimento contaminado. a Listeria spp. Para sua preparação foram consultadas bases de dados especializados tais como BIREME. cholerae).Figura 1. V. DTA TRANSMITIDAS POR PRODUTOS DA PESCA E DA AQUICULTURA As doenças transmitidas pelo pescado são causadas por agentes biológicos. compilando-se informações oficiais e não-oficiais ocorridas principalmente nos últimos 25 anos (1985-2010). os números descritos indicam uma incidência das DTA por pescado no Brasil (>5%) bem inferior aquela do total para as Américas (17. parasitoses. e intoxicações causadas por biotoxinas e contaminantes químicos. particularmente os víbrios (V. viroses. O trabalho abarca doenças bacterianas. vírus e parasitas patogênicos são os agentes patogênicos biológicos. parahaemolyticus. oferecendo uma referência até então inexistente no país. Bactérias. o Clostridium botulinum. SCIELO e PUBMED.8%) Este trabalho visa oferecer uma análise qualitativa e quantitativa das doenças transmitidas pelo pescado no Brasil. e 2 ..

sendo também detectada na água de consumo. e Escherichia coli. em pescado. medicamentos veterinários e de aditivos alimentares. (1996) analisaram um total de 4. 2003). Paragonimidae (trematóides). o segundo grupo incluiria as bactérias de contaminação como a Salmonella.000 amostras fecais durante os 2 (dois) anos que se seguiram a chegada da cólera ao Recife. (1998). em um surto de gastroenterite ocorrido em 1974. nem tampouco em outra investigação correlata (LIMA. A bactéria foi isolada de 5 pessoas. a tetraodontoxina. 3 . não foi possível evidenciar V. Nenhuma informação epidemiológica do evento foi obtida. CE. DOENÇAS BACTERIANAS Apesar de que as bactérias sejam indicadas pelos dados oficiais disponíveis como as principais causas de DTA no Brasil e da bibliografia especializada conter inúmeras descrições da presença de bactérias patogênicas para o homem em pescado e derivados em diferentes produtos e regiões do país. A primeira referência de isolamento de V. Dentre as principais biotoxinas associadas às doenças transmitidas pelo pescado figuram a histamina. e o veneno amnésico por moluscos (HUSS et al. sem sintomas de infecção sistêmica. Vibrioses O Vibrio cholerae não-01 foi associado à infecção humana no Estado da Bahia (HOFER. 1987). metschnikovii em 6 (seis) casos de diarréia humana. sua transmissão por veiculação hídrica. Heterophyidae. existem somente raras indicações de surtos causados por Vibrio e pela toxina botulínica. parahaemolyticus (sorotipo 05:K17 e Kanagawa positiva. Dentre os parasitas patogênicos para o homem transmitidos pelo consumo de pescado sobressaem os helmintos pertencentes as famílias Opisthorchiidae. a maior pare deles carecendo de confirmação científica. agrotóxicos. provavelmente. PE e descreveram a presença de V. como uma conseqüência natural das descargas de esgotos em rios e canais. Anisakidae. MAGALHÃES et al. apesar do isolamento da bactéria em água do mar (praias) em Recife e arredores. o veneno paralisante por moluscos..outros. a Shigella. No caso dos perigos químicos estão as biotoxinas e os resíduos de metais pesados. Gnathostomidae (nematóides) e Diphyllobothridae (cestóides). no Estado de Pernambuco. 1995). entre outros. durante a fase epidêmica do surto de cólera que afetou o Brasil. e o Staphylococcus aureus. a não ser o consumo frequente de peixes salgados de origem marinha e de água doce. Dentre os vírus os principais são o vírus da hepatite tipo A (VHA) e o vírus de Norwalk ou norovírus. Segundo COLAÇO et al. confirmada por Laboratório especializado no Japão) de origem humana no Brasil foi realizada por HOFER (1983) de fezes diarréicas (aquosas) de uma criança de 6 anos de Cascavel. cholerae 01. indicando.

Não há indicação do alimento associado ao surto estudado. Nesse período. somente em outubro de 2001. foi confirmado e notificado ao CVESP em Sorocaba. fluvialis e V. 77. SP: a vítima foi curada e sobreviveu (DDTHA/CVE/SES-SP. a taxa de letalidade foi de 31. No Brasil. O pescado não foi associado a nenhum dos casos. com 75 óbitos. Nesta ocorrência. Em 2007 um caso esporádico de botulismo. e.O V. não há qualquer indicação de sua associação com casos de toxi-infeccção estafilocócica. até 2004. A presença de vibrios patogênicos para o homem foi determinada em várias espécies de pescado brasileiro. nove pessoas morreram após consumirem conserva caseira de peixe. apenas 31 (24. Dentre os 125 casos. Sua menção nesta revisão prende-se unicamente ao frequente envolvimento destas espécies de Vibrio com o pescado. Botulismo Segundo SANTIAGO (1972) a primeira epidemia de botulismo do Brasil. (2002) construíram o perfil epidemiológico do botulismo e uma série histórica de casos diagnosticados no Brasil de 1979 até 2002.8%) foram notificados. dentre estes.8% dos surtos de botulismo alimentar. fumissii foram descritos em casos de diarréia infantil em crianças com menos de um (1) ano (MAGALHÃES et al. 2009). Apesar de representar uma emergência em Saúde Publica. tornou-se uma doença de notificação compulsória no Brasil (EDUARDO et al. 11. em diversas regiões do Brasil. A toxina botulínica tipo A foi responsável por 77. confirma a ocorrência de surtos/casos de botulismo no Brasil.. foram registrados 125 casos. não havia legislação e vigilância da doença no Estado de São Paulo. muitas são as descrições da presença de Staphylococcus em pescado e derivados. Assim.. EDUARDO et al. sendo que 79% ocorreram em 2001 e 2002. até 1999. houve 41 casos suspeitos notificados. (2002) a investigação laboratorial de botulismo durante 1982 2001. teria ocorrido em 1958. no Estado do Rio Grande do Sul. Segundo GELLI et al.6%. a toxina botulínica tipo A foi encontrada em 7 ocasiões.1%. Dos casos de botulismo alimentar. o alimento não foi identificado.8% foram causados por alimentos de origem suína. 2002). não obstante.1% por palmito em conserva e. 1990). Em onze episódios (69%) foi identificada a toxina tipo A. Intoxicação estafilocócica As estatísticas oficiais apontam o Staphylococcus aureus como um dos principais causadores de toxi-infecções alimentares no Brasil. em 11. o primeiro caso de botulismo notificado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde ocorreu em 1999 e. Dentre os 19 casos confirmados. também causado por uma conserva caseira de peixe. sendo confirmado um caso de botulismo por ferimento e 18 casos de botulismo alimentar. 4 . predominantemente em bivalves. com letalidade de 60%.

QUIJADA et al. e norovírus (VICTORIA et al.. 20 Fagicolose CHIEFFI et al. Tratava-se de paciente de 29 anos. (1990) descreveram um caso de uma mulher no distrito municipal de Cananéia. 2 da Coréia do Sul e um de Hong-Kong).. Não há quaisquer indicações de casos autóctenes desta parasitose no Brasil. A sorologia foi realizada para diferentes antígenos. Não houve o encontro da larva no tecido de biópsia. 2007). diagnosticada através de exame coprológico realizado pelo Instituto Adolfo Lutz. onde ingeriu ceviche. somente em uma única instância há menção de uma associação (não comprovada) com tres (3) casos humanos de anisakíase em indivíduos que consumiram pescado cru na Ilha de Bananal. Diante do quadro clínico e epidemiológico. 2006). O paciente informou haver viajado ao Perú.. 2003. nos anos recentes já existem evidências científicas da determinação da presença de vírus patogênicos para o homem em moluscos bivalves no sul do país. adenovírus (RIGOTTO et al. em 15 (quinze) imigrantes asiáticos (12 de Formosa. Não há descrição da presença de Gnasthostoma spp.. parasitada por Ascocotyle sp (Phagicola). 1999. Entretanto. A histopatologia da lesão mostrava celulite eosinofílica compatível com a suspeita diagnosticada. além dos exames laboratoriais compatíveis foi feito o diagnóstico de gnastostomíase. 2010) PARASITOSES Anisakíase A bibliografia especializada mostra a constatação da presença de nematóides Anisakidae em várias espécies de pescado brasileiras (KNOFF et al. SINCERO et al. 2007). TO (AMATO et al.VIROSES Não há qualquer indicação de uma associação entre surtos ou casos de viroses no Brasil associadas ao consumo de pescado.. SP.. Clonorquíase LEITE et al. Gnastostomíase Existe uma descrição recente na bibliografia para um caso de gnastostomíase no Brasil (CASTRO DANI et al. 2009). com lesão cutânea pruriginosa eritematoedematosa.. em espécies de pescado no território brasileiro. (1989) descrevem a infecção assintomática por Clonorchis sinensis. a saber: vírus da hepatite A (COELHO et al.. 2006). Entretanto. O paciente havia ingerido em 5 . do sexo masculino. tres semanas antes do surgimento dos sintomas. Exames laboratoriais mostraram eosinofilia de 17% (1530/mm3).. Tampouco há constatações da presença deste parasita em espécies de pescado capturadas ou cultivadas no Brasil (OKUMURA et al. Houve positividade de apenas uma das bandas (34-35Kda) dos quatro peptídios imunogênicos testados para a larva terciária de Gnathostoma binucleatum pelo Western Blot. São Paulo. SP.

TAVARES et al.. Salmão importado do Chile foi o único veículo implicado nestes casos. RJ (5).. 2005 (39).. LLAGUNO et al.82%) de infecção por Phagicola longus. nove (9) casos de heterofidíase em humanos. LACERDA et al..várias ocasiões filés crus de tainha. Difilobotríase No Brasil não havia casos autóctones esporádicos ou de surtos de difilobotríase até o ano de 2003. PB (1).) no Sudeste. revelou que 25 dos pacientes (55.. CHIEFFI et al. e descreveram 10 casos positivos (8. SP. foram notificados vários casos ao Sistema de Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DDTHA-CVE) do Estado de São Paulo (EDUARDO et al. 2005. 2009a) indicam os seguintes números de casos de difilobotríase naquele estado por ano: 2004 (16). Rio de Janeiro. (2007). Posteriormente.. (2006).. pois restringem-se exclusivamente aos peixes analisados (EDUARDO et al. apesar da incapacidade de detectar a presença de larvas do cestóide em amostras de peixe (SÁ LÍRIO et al. SP. Sul e Norte do país. O inquérito epidemiológico demonstrou que salmão importado do Chile e consumido em pratos crus tipo sushi e sashimi foi a espécie responsável pelo surto. João Pessoa. principalmente membros da colônia japonesa de Registro. Salmão importado do Chile (procedente de Puerto Montt) seria o veículo associado a estes casos. com um total de 68 casos identificados por diagnóstico laboratorial por meio de exames de ovos e/ou estróbilo.. DF (1). 2006 (9). 2005.. MEZZARI et al. 2008 (3). 2008). sempre com uma elevada incidência (SIMÕES et al. 2008. o que não fornece base científica para descartar os achados epidemiológicos no estudo dos pacientes. 2007 (1). sem comprovação da presença da larva de parasita nas amostras de peixe analizadas (SANTOS & FARO. causado por Phagicola sp. Os demais casos foram confirmados para difilobotríase através das amostras de fezes com ovos do parasita. A identificação laboratorial do parasita com base no exame helmintológico do parasita e/ou de seus ovos foi confirmada por SAMPAIO et al. perfazendo um total de 82 casos de difilobotríase no país. 2006. com 33 casos com investigação concluída.. DIAS & WOICIECHOVSKI (1994) realizaram 102 exames de fezes de pessoas suspeitas de comerem peixe cru (sashimi). O estudo epidemiológico dos 45 notificados. diagnosticado pelo exame de fezes dos pacientes que haviam consumido carne crua de tainha.. 2007. Amostras de salmão foram analisadas microscopicamente para a presença de larvas de D.6%) eliminaram fragmentos ou o parasita inteiro que foi diagnosticado como Diphyllobothrium latum. A presença de metacercarias de Phagicola sp foi descrita em tainhas (Mugil spp. 2009). 2005). SP (1). 2004. e Brasília. BA (1). 2004). Dados oficiais mais recentes do Estado de São Paulo (DDTHA. Porto Alegre (5). EMMEL et al. latum com resultado negativo. CAPUANO et al. aos casos oficialmente notificados em São Paulo devem ser somados aqueles descritos para outros estados na bibliografia especializada: Salvador. (1992) relataram no município de Registro. Durante o período 2004-2008. No final de 2004 e primeiro trimestre de 2005. Ribeirão Preto. 6 .

Posteriormente o consumo de ostras foi também ligado aos casos de envenenamento.. Esta foi a primeira descrição de casos comprovados de VDM e a primeira vez que um plano de contingência foi posto em prática. (2010) descrevem 27 casos de envenenamento humano resultante da ingestão de baiacú em pacientes tratados em Centros Toxicológicos dos Estados de Santa Catarina e Bahia. Considerando trabalhos anteriores (PROENÇA et al. Entretanto. No caso da toxina amnésica o risco poderia ser considerado baixo. Na bibliografia especializada não há um só caso de intoxicação por histamina devido ao consumo de pescado descrito no Brasil. mas sim pelo número reduzido de pesquisadores e de pesquisas específicas nesta área. E para toxinas diarréicas o risco de intoxicação seria alto. de mais de 150 casos provocados pela toxina diarréica (Veneno Diarréico por Moluscos. em janeiro de 2007. 1999) e o período estudado em suas pesquisas (fevereiro de 2006 e julho de 2007). 1998. SCHRAMM (2008) concluiu que existe risco de intoxicação alimentar associada às ficotoxinas marinhas através do consumo de moluscos bivalvos do litoral de Santa Catarina. confirmados por bioensaios específicos (“mouse bioessay”).. segundo as normas do novo Comitê Nacional de Controle Sanitário de Moluscos Bivalves (PROENÇA et al. muitas são as descrições da presença de histamina em pescado em nosso país (MORENO et al. 2003). 2007). Envenenamento pela ingestão de baiacú (“puffer fish”) O baiacú (“puffer fish”) pode ser um peixe venenoso devido a neurotoxinas potentes tais como a tetradotoxina (TTX) e a saxitoxina (STX) presente em seus tecidos. No caso de intoxicação causada pelo consumo de moluscos bivalves contaminados por biotoxinas existe uma única descrição no Estado de Santa Catarina. SILVA et al. Estes trabalhos foram realizados principalmente com o mexilhão Perna perna. 7 . no Brasil. Não pela inexistência de fatos. PROENÇA e OLIVEIRA. O molusco incriminado foi o mexilhão (Perna perna) cultivado naquele Estado..INTOXICAÇÕES POR BIOTOXINAS Histamina Os casos de intoxicação pela histamina devido à ingestão de pescado e derivados não são notificados oficialmente em nosso país. VDM – em inglês “Diarrhoeic Shellfish Poisoning – DSP”) associados à alga Dinophysis acuminata e ao ácido ocadáico. Para toxinas paralisantes o risco seria moderado. Intoxicações por algas nocivas (biotoxinas marinhas) Segundo SCHRAMM (2008). poucos são os dados de ocorrência de algas nocivas e são quase inexistentes os registros de intoxicações alimentares provocadas por ficotoxinas.

A principal fonte desta poluição negativa seria o uso indiscriminado do mercúrio em operações de garimpo contaminando o ambiente aquático e o pescado. Desde os últimos anos 80 vários estudos confirmaram a presença de mercúrio no ambiente da Bacia Amazônica. cádmio. Existe uma das mais altas exposições ao mercúrio no caso de várias comunidades e o consumo médio foi estimado em aproximadamente 1-2µg/kg/dia. 2010). (2000) descreveram danos citotóxicos.23µg/kg/dia (PASSOS & MERGLER. entre outros autores. A presença de sintomas neuromusculares é sugestiva de ação de neurotoxinas. que surgiu após o consumo da carne de polvo comum (Octopus sp. Ocorreram duas mortes. Em populações ribeirinhas da Amazônia com alto consumo de peixe. Pernambuco (SANTANA NETO et al. AMORIM et al. LEBEL et al. Os envenenamentos foram classificados como moderados (52%) e severos (33%). 2008). Para outros metais pesados (chumbo. Resíduos de metais pesados O SINITOX não possui dados que associem o envenenamento por metais pesados com o consumo de pescado. cobre) não existem evidências desta associação. principal fonte de proteínas de origem animal na região.. análise e divulgação dos casos de intoxicação e envenenamento registrados pela Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica – RENACIAT. (2000). observaram efeitos neurotóxicos relacionados ao Hg. como redução do campo visual e do desempenho psicomotor.). As toxinas dos polvos do gênero Octopus são pouco conhecidas INTOXICAÇÕES POR CONTAMINANTES QUÍMICOS O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX – criado em 1980 e vinculado à Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ – é responsável pela coleta. o que seria consideravelmente superior à recomendação da OMS de 0. e. merece destaque o caso particular da Amazônia. Mercúrio Com referência ao mercúrio e seu risco potencial para a saúde pública no Brasil. Existe uma descrição recente de um caso de envenenamento fatal por tetrodotoxina causado pelo consumo de baiacú (Tetradontidae) em Goiana.durante o período 1984 a Janeiro de 2008. comprovadamente existentes em muitos gêneros de polvos. Envenenamento por ingestão de polvo (Octopus spp) HADDAD JR & MOURA (2007) relataram um quadro manifestado por sintomas neurológicos e musculares em uma mulher de 45 anos. 8 . (1998) e DOLBEC et al. inclusive no pescado. sutis porém quantificáveis. A bibliografia especializada reúne grande número de informações que associam efeitos nocivos do mercúrio com o consumo de pescado. compilação.

2000. raticidas e agrotóxicos de modo geral (somatório das quatro categorias anteriores).. Os dados disponíveis indicam que contrastando com as estatísticas disponíveis para outros alimentos. FARIA et al. as DTA causadas pelo pescado teriam uma etiologia diferente: para o pescado as intoxicações superariam em muito as doenças infecciosas provocadas por bactérias patogênicas. MAXIMIANO et al. 9 . agrotóxicos de uso doméstico. contrariamente ao descrito para a Amazônia. produtos veterinários.. CONCLUSÕES A revisão mostra uma carência séria de dados epidemiológicos sobre a ocorrência de doenças transmitidas pelo pescado no Brasil. seriam aquelas DTA cuja prevenção e controle mereceriam uma maior concentração de esforços.outros autores também observaram efeitos imunológicos e cardiovasculares negativos tanto em adultos quanto em crianças (BOSCHIO & HENSHEL. 2007. 2007.. Resíduos de agrotóxicos Foram construídas séries históricas para casos e óbitos de intoxicação por agrotóxicos registrados pelo SINITOX. seguidas por doenças parasitárias (difilobotríase e fagicolose). Apesar dos vários estudos sobre a presença de mercúrio em espécies marinhas e de água de doce em outras regiões do país. para o período iniciado em 1985 para casos e em 1986 para óbitos e indo até 2003. 2000). vis-a-vis à contaminação do pescado por mercúrio. medicamentos veterinários e/ou resíduos de aditivos alimentares (CALDAS & SOUZA. A Tabela 1 mostra o quadro sumário das DTA causadas por pescado no Brasil. BOCHNER. 2005. as intoxicações por biotoxinas (veneno diarréico dos moluscos bivalves e tetradontoxina) e pela toxina botulínica. 2000a). discriminados em agrotóxicos de uso agrícola. O assunto se reveste de grande complexidade tendo em vista o elevado consumo de pescado na região e os benefícios para a população local. distribuídos por região e ano Não existem evidências que associem casos de envenamento por resíduos de agrotóxicos. Assim. Os prós e contras uma intervenção de comunicação de risco e suas alternativas fazem parte de um excelente estudo sobre os riscos para as populações ribeirinhas do Rio Madeira (BOSCHIO & HENSHEL. ALERGIAS Não foram encontrados dados oficiais ou não-oficiais sobre a ocorrência de alergia alimentar no Brasil associada ao consumo de pescado. não há constatações de problemas de saúde associados ao consumo destas espécies.

.Tabela 1. 2009 Difilobotríase 10 82 Intoxicações bacterianas Botulismo Conserva caseira de peixe 2 10 9 Santiago. 2010.. 1992. Llagano et al... parahaemolyticus) Parasitoses Anisakíase Gnastostomíase Clonorquíase Fagicolose Veículo (Alimento) N/I Surtos Casos Óbitos Referência 1 1 Hofer. 1989 Chieffi et al. 2004. & Moura (2007) 10 ... 1958 DDTHA-CVE. 1987 Peixe de rio (Bananal) Ceviche (Perú) N/I Tainha (Mugil spp) Salmão importado 1 1 1 2 3 1 15 20 Amato et al. 1990.. 2007. 2007 Baiacu 7 (Tetradontidae) Polvo (Octopus spp) 1 28 3 1 Silva et al. .. 1994 Eduardo et al. 2008. 2004. 2006. Lacerda et al. Santana Neto et al. 2009 Intoxicações por biotoxinas Envenenamento diarréico por moluscos bivalves Envenenamento por peixes Envenenamento por moluscos cefalópodos Mexilhão (Perna perna) 1 150 Proença et al.. Capuano et al. 2010 Haddad Jr. Dias & Woiciechovski... 2005. 2009 Leite et al. Tavares et al.. DDTHA-CVE. Santos & Faro. 2005. 2009 Castro Dani et al. DTAs causadas por pescado e derivados no Brasil (dados extraídos da literatura especializada) Doença Infecções Gastroenterite (V. Emmel et al.

Gnatostomíase no Brasil – relato de caso. Med. An. E D. Sec. R R. Acad. 84: 108-126. MAIA. Fish consumption.. Linear regression models of methyl mercury exposure during prenatal and early postnatal life among Riverside People along Upper Madeira River. A. Dermatol. Diphyllobothriasis: a case report of a human infection in Ribeirão Preto. CARMO. CHIEFFI. OKINO. R (2007). Ci. V. CARMO.. M I M. P. BOISCHIO. Inst. HENSHEL. A. 11 . D. 34 (5): 529-537.. (Trematoda. R. D. V. D A. C. SP. São Paulo State. D M. G. HENSHEL. 72 (4): 497-507. Journal of Tropical Medicine and Hygiene. OLIVEIRA. M O. M. LUCOTTE (2000). M. Paulo. H. H R M de. Res. BAHIA. ALMEIDA. L C K de (2000). Gorla. O. D M A G (2007). ALVES. K F. S. VIZCAICHIPI. Monteiro. LEBEL. E H (2005). 1999 . P S. fish lore. D. Boletim Eletrônico Epidemiológico. M. A.pdf> CASTRO DANI. M G. AMATO.. J. Environ. A A. Trop. 12 (1): 73-89.. D (2000). Saúde Pública. Souza Dias. Bras. Brazil. Environ. Mangini. Res. BOCHNER. C. L H. A A P.2004. PIÑEIROMACEIRA. A 83: 150-161. and mercury pollution – Risk communication for the Madeira River People..gov. (1992). Amazon. Revista Brasileira AC.saude. A A P. CAPUANO.br/portal/arquivos/pdf/bol_epi_6_2005_corrigido.7(disponível Internet) : <http://portal. E.REFERÊNCIAS AMATO NETO. MATTOS. São Paulo. SOUZA. S. Heterophyidae) in the municipality of Registro. DIMECH. 5 (6): 1. 1992:346-348. V S (2007). D (2000a). CALDAS. SANTOS. Ciênia & Saúde Coletiva. Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). A. Rev. C M. C P. Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas – SINITOX e as intoxicações humanas por agrotóxicos no Brasil. Vieira Torres. R M S. AMATO. MOTA. J (2009). BURBANO. Bras. 84 (4): 400-404.. 39 (3): 163-164. Probable recognition of human anisakiasis in Brazil. J G P. Rev. AMORIM. MIRANDA. D. BOISCHIO. 49 (4): 261-262. G M I.. Avaliação de risco crônico da ingestão de resíduos de pesticidas na dieta brasileira. Cytogenetic damage related to low levels of methyl mercury contamination in the Brazilian Amazon. 95. Sect. P. M H T. MERGLER. C P A. Brazil. BERTO. VIEIRA TORRES. Human infection by Phagicola sp. & Woiciechovski. Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA): Vigilância epidemiológica das Doenças Transmitidas por Alimentos no Brasil. An.. DUBEAU.

Methylmercury exposure affects motor performance of a riverine population of the Tapajos river. Surtos de difilobotríase . PIMENTA. DIAS. D. M B P. S. BARARDI. Estado de São Paulo – 2004 a 2008. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES): Tabela Excel DDTHA (2009a). 66 (3): 507-511. TORRES. Heterophyidae) em mugilídeos e no homem. DDTHA (2009). EDUARDO. W C . C. EDUARDO. H. 1997 a 2008. (2002). ATUÍ. 73: 195-203. PAVANELLI. Revista do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo. MANTESSO. Hepatitis A virus detection in oyster (Crassostrea gigas) in Santa Catarina State. RODRIGUES. Fd. Brazilian Amazon. BEPA . & Mangini. Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). E. A P. SUZUKI. Human parasitism by Phagicola sp. Brazilian Amazon.. Investigação epidemiológica do surto de 12 . S S. E P. A. CASTILHO. ESP. J. 2 (15):1-5. P. J (2000). E (1994). C M O. C. V. M. PAVANELLI. RODRIGUES. V L P. R. THIAGO. HEINERT. GONÇALVES. V. C. C R M (2003). Int. Torres. Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DDTHA). Environ. COELHO. SIMÕES. D M A G V (2005). M B. DE MORAIS. Higiene Alimentar. O. PASSOS. LEBEL. Protection. Arch. I S . E M N. E R A.: um parasita emergente em São Paulo. D A P . Centro de Controle de Doenças. VIGILATO. SP. D M A G V. MERGLER. Tapajos river. FORTALEZA. SAMPAIO. M B P.Casos confirmados notificados ao CVE. SP. D. WOICIECHOVSKI. Paulista. Epidemiol. R M M S . Leite. Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DDTHA). S. RANDI. M L V . O . P. M B P et al. CASTILHO. E. Botulismo . Health. E I. 8 (31): 43-46. M A N.C M C B (2005). Brazil. Manual das doenças transmitidas por alimentos e água: Clostridium botulinum/Botulismo. Dias. DOLBEC J. C J S. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES): Tabela Excel. (Trematoda: Heterophyidae) in Cananéia. associado ao consumo de peixe cru: sushis e sashimi. E M N. em Registro e Cananéia. Ocorrência da Phagicola longa (Trematoda. by reverse transcription-polymerase chain reaction. VIGILATO. M. EDUARDO. D A P. A P. J L M. M A N. S M S R. J L M. MARSIGLIA. MARSIGLIA. Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). ALBUQUERQUE. CESAR. Diphyllobothrium spp. GONÇALVES. ZENEBON. SÁ LÍRIO. Brazil. D. São Paulo: Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo: 41p.Casos identificados por diagnóstico laboratorial por meio de exame de ovos e/ou estróbilo. G. Centro de Controle de Doenças. V L P. E I. A. M B. R S M. (1990). 32(4):285-288. TORN.. E .CHIEFFI. Occup. ATUI. COLLEONE.Bol. SAMPAIO. LATORRE. R P..

M C. São Paulo 18:1-4. T C Z. ALMEIDA FILHO. Rev. GIUDICE DE ANDRADA. Sec A: 20–32. M. Rev. F. INAMINE. M C O. 39 (1): 82-84. V. V V. R (2007) Acute neuromuscular manifestations in a patient associated with ingesting octopus (Octopus sp. Vibrio cholerae não-O1 associado à infecção humana no Estado da Bahia.(1): 59-61. N M X. H D M (2007). M. 12 (1): 25-38. A (2002). Revista Médica Ana Costa. L A (2007). Med.. LACERDA. SAKUMA. Res. Paulo. Inst. J (1998). S C. D S. 39: 61-66. A G. Ocorrência de V. D. Anisakidae parasitos de congro-rosa. BRODT. AMARO. H H.). KNOFF. E. GELLI. Revista do Instituto de Medicina Tropical. HOFER. Rev. SPALDING (2006). SOUZA. Paulista. 12 (3): 1-4. M. GELLI. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 1903 comercializados no estado do Rio de Janeiro.. F. R. L. GONÇALVES DA FONSECA. 44 (6): 321-324. Escherichia coli e de bactérias mesófilas em ostras. J U V. M. HADDAD JR. T. Intoxicação por agrotóxicos no Brasil: os sistemas oficiais de informação e desafios para realização de estudos epidemiológicos. SECCHI. MERGLER. HUSS. Primeiro isolamento e identificação de Vibrio parahaemolyticus no Brasil de infecção gastrointestinal humana. São Paulo. Trop. MOURA. ESPÍRITO SANTO PADOVANI. D S. C del. Botulism: a laboratory investigation on biological and food samples from cases and outbreaks in Brazil (1982-2001). G G. maio de 2005. GRAM. CORRÊA GOMES. E (1983). Ocorrência de difilobotríase na Paraíba não relacionada a viajantes. Brasil de interesse na saúde pública. Microbiol. 13 .difilobotríase. Latinoam 62: 127-133. C. 49. DOLBEC. HOFER. Adolfo Lutz. 444: 230pp. Diphyllobothrium latum: relato de caso no Brasil. V E. E (1987). LUCOTTE. Epidemiol. EMMEL. TACHIBANA. AMORIM. FARIA. Neurotoxic effects of low-level methyl-mercury contamination in the Amazonian Basin. SÃO CLEMENTE. ABABOUCH. Environ. L (2003). D (2007). JAKABI. Ciência & Saúde Coletiva. CANTARELLI. Parasitol. H (1979). 2 (17) : 112. FACCHINI. Assessment and management of seafood safety and quality. Inst. Genypterus brasiliensis Regan. São Paulo. BRANCHES. LEBEL J. S. COUTINHO. BEPA – Bol. parahaemolyticus. Revista de Microbiologia. FAO Fisheries Technical Paper. LARRIBE. FASSA. 14: 174-182.

M P (2008). R. A. 41 (3): 301-303. Y. OLIVEIRA FILHO. G P. 23: 1-4. M G. MAGALHÃES. LIMA. DIAS. J. Diphyllobothriasis in Southern Brazil. CHIEFFI. V. J M (2003). A. Med. Vibrio fluvialis and Vibrio fumissii associated with infantile diarrhea. E F S. Avaliação dos níveis de histamina em sardinhas frescas comercializadas na CEAGESP de São Paulo (2003). Saúde Pública. Rev. BRANCO. Inst. MAGALHÃES. NUNES. Inst. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. J. R A. CASTRO. M A. MAGALHÃES. São Paulo. REV NET-DTA. 22: 83-88. SERPENTINI. MAGALHÃES. MAXIMIANO. HIGAKI. Med. CORTEZ-ESCALANTE. M G. Infecção por Clonorchis sinensis em imigrantes asiáticos no Brasil: tratamento com praziquantel. MAGALHÃES. V. FERNANDES. V. F P. Rev. S (1992). MOITA NETO. Human mercury exposure and adverse health effects in the Amazon: a review.. MERGLER. 27 (3): 141-143. D M. S A. F P. V. MAGALHÃES. S (1991). 38 (1): 1-3. ANDRADE LIMA. D (2008). M G. FALEIROS. A C G. Revista de Microbiologia. C G S. F. M. SILVA. BARBOSA. Ciência & Saúde Coletiva. Clinical Microbiology Newsletter. MAGALHÃES. 24: 295-298. Brazil. Use of veterinary drugs and pesticides in the aquatic environment: demands. CARVALHO. PASSOS. Gasteroenterologia. E C (2005). TATENO. 31 (6): 416-422. PE. M (1996). ANTAS. ANTAS. Brazil. 10 (2): 483-491. Arq. M. Brasil. S L P. Trop. M (1990). MAGALHÃES. Vibrio cholerae non-O1 isolated from sporadic cases of diarrhea in Recife.. M. DAS CHAGAS. TATENO. E. Diphyllobothrium latum infection in a nonendemic country: case report. P P (1989). 24 (Sup 4): S5503-5520. C (2008). M M. regulation and concerns on risks to human and environmental health. Rev. V. E C (1990). 3 (5): 151-159. R B. 30 (4): 28-29. MEZZARI. São Paulo. Trop. O H M. MAGALHÃES. R M. São Paulo. Cad. ANTAS. Human gastroenteritis associated with Vibrio fluvialis in Recife. WAIKAGUL. LLAGUNO. 14 . MAGALHÃES. V. MATOS. Microbiol.LEITE. Revista de Microbiologia. Caracterização bacteriológica e sorológica de linhagens de Vibrio parahaemolyticus isoladas de humanos e ostras em Recife. MORENO. TORRES. AMATO NETO. C J S. TATENO. TORRES. WIEBBELLING. ANDRADE. MAGALHÃES. A A. ASSIS. R O. Vibrio metschnikovii among diarrheal patients during cholera epidemic in Recife. R V.

M S. S.. M L. PORTO AMORIM. C R. 39: 297-304. C M O. paralisantes e diarréicas na carne de moluscos cultivados em Santa Catarina: Segurança alimentar e saúde pública. C M O. IOC/UNESCO. SCHRAMM. Inst. TAMANAHA. V (2010).. 15 . Mem.PROENÇA. T. RÖRIG. L A O.. SILVA. 1972: 276p. CORREA. BARARDI. HADDAD JR. TAMANAHA. A. L. BARARDI. Harmful algae news. F. C C P. M. L (1998). SIMÕES. Med. The first confirmed case of Diphyllobothrium latum in Brazil. Envenenamento fatal por baiacú (Tetradontidae) – relato de um caso em criança. C. Brazil. nested-PCR. Produção de ácido okadaico. Ocorrência de toxinas amnésicas. o r g / i m a g e s / 0 0 1 5 / 0 0 1 5 2 8 /152834e. A. E C. SCHRAMM. L. 40: 895-902. Ministério da Agricultura. Trop. L. ALVES. I. PROENÇA. M A. Rio de Janeiro. Brazil. Diarrhoetic shellfish poisoning (DSP) outbreak in Subtropical Southwest Atlantic. Ciência e Cultura . LEVIN. ZANNIN.. O. SINCERO. Inst. SINCERO. Tese de Doutorado em Ciência dos Alimentos. S. T CM. F. Acesso em: 2008. RÖRIG. Just a diarrhea? Evidence of diarrhetic shellfish poisoning in Santa Catarina. Rev. DIPOA. Atlântica. u n e s c o . UNIVALI. COSTA. Rev... SANTIAGO. O. 21:121-127. Soc. J A. PROENÇA. 100 (6). OLIVEIRA JR. HADDAD JR (2010). C R M (2006). RIGOTTO. Brasília: Departamento Nacional de Inspeção de Produtos de Origem Animal. 33:19-20. Detection of hepatitis A virus (HAV) in oysters (Crassostrea gigas). 52 (1): 51-55. Paulo. Water Research. A E. SANTOS. Detection of adenoviruses in shellfish by means of conventional-PCR. SIMÕES. T P (2007). SANTANA NETO. M.. C R M (2005).Journal of the Brazilian Association for the Advancement of Science. RODRIGUES. L B de (2005). O (1972). P L. SC: 112p. Toxi-infecções produzidas por alimentos. Clinical and epidemiological study of 27 poisonings caused by ingesting puffer fish (Tetrodontidae) in the States of Santa Catarina and Bahia.. Trop. MOREIRA DE AQUINO. uma toxina diarréica. SCHMITT. Oct 2005 : 685-686. 50 (6): 458462. T C M. Water Research. F L N . GUIMARÃES. and integrated cell culture PCR (ICC/PCR). S.pdf. Med. por Dinophysis acuminata em Santa Catarina. SANTOS. Itajaí. Disponível em: h t t p : / / u n e s d o c . Oswaldo Cruz. SCHMITT. Bras. M A (2008). D B. D A. 43 (1): 92-94. (1999)... FARO. SILVA.

BARARDI. A (2009). Assessment of norovirus contamination in environmental samples from Florianopolis City. LEITE. 109 (1): 231-238. Vet. 16 . L E R. V. Análise epidemiológica dos surtos de doenças transmitidas por alimentos no Brasil. C. VICTORIA. C. M. ABREU CORRÊA. Human diphyllobothriasis: reports from Rio de Janeiro. RIGOTTO. Bras. MORESCO. C R M (2000). Rev. Apresentação Power Point: 15 slides. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brazil. KOLESNIKOVAS. J P G. J L. LUQUE. A de. Ministério da Saúde. BOMFIM.SIQUEIRA. M P. 14: 85–87. MIAGOSTOVICH. Applied Microbiology. TAVARES. Southern Brazil. T C B (2005).. Parasitol. J.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful