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Abordagens e Métodos Estatísticos em Ecologia • Por que não apenas “métodos estatísticos”? Existe mais
Abordagens e Métodos
Estatísticos em Ecologia
• Por que não apenas “métodos estatísticos”?
Existe mais de um abordagem aos métodos
estatísticos
A estatística tem um papel fundamental na
produção do conhecimento científico. Qual?
Prof. Marcus Vinícius Vieira - Instituto de Biologia UFRJ
• Variação na natureza e em experimentos cuidadosos e controlados: – Indivíduos – Locais –
• Variação na natureza e em
experimentos cuidadosos e
controlados:
– Indivíduos
– Locais
– Tempo
• “O objetivo da estatística é dizer-nos o quanto
devemos ficar surpresos com os nossos
resultados” (George Estabrook, University of
Michigan).
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• Exemplo comum: há uma hipótese a ser testada e coletam-se dados para testá-la (ou
• Exemplo comum: há uma hipótese a
ser testada e coletam-se dados para
testá-la (ou mais corretamente,
falsificar uma hipótese nula).
• Embaúbas (gênero Cecropia) e
formigas associadas: relação seria
mutualística, as formigas
protegendo a planta contra
herbívoros.
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Abordagem de hipótese nula • A presença de herbivoria nas folhas foi avaliada em embaúbas
Abordagem de hipótese nula
• A presença de herbivoria nas folhas foi avaliada em
embaúbas (Cecropia pachystachia) com e sem formigas,
e foram encontrados os seguintes resultados:
Com formigas
Sem formigas
Praticamente
34
4
ausente
Com herbivoria
72
12
Os resultados apóiam a hipótese, ou melhor, falsificam a
hipótese nula de não haver diferenças reais entre ter
formigas ou não?
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• Podemos determinar a chance de obter estes resultados dada a hipótese nula. • A
• Podemos determinar a chance de obter
estes resultados dada a hipótese nula.
• A frequência de obter estes resultados
devido a processos aleatórios é definida
como a probabilidade de obter os
resultados dada a hipótese nula.
• No caso anterior, esta probabilidade é de
0,19.
• Podemos dizer então que a hipótese nula
é correta?
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Outra abordagem: hipóteses múltiplas A herbivoria em embaúbas pode ser afetada também pela distância à
Outra abordagem: hipóteses
múltiplas
A herbivoria em embaúbas pode ser afetada também pela
distância à borda da mata ou da trilha.
Hipótese 2:
Próxima à borda
da mata ou trilha
Interior da mata
Praticamente
6
32
ausente
Com herbivoria
71
13
Pode ainda ser afeta pela idade da planta, ou por uma
combinação destes fatores. Quantas hipóteses formuladas
a priori podemos ter?
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• Podemos calcular a chance então de cada uma destas hipóteses ser verdadeira, considerando os
• Podemos calcular a chance então de cada
uma destas hipóteses ser verdadeira,
considerando os resultados obtidos.
• É um raciocínio inverso: considerando os
dados (não a hipótese nula), qual a
chance de cada uma das hipóteses
alternativas ser verdadeira?
• Para diferenciar de probabilidade como
definida antes, vamos chamar esta
chance de verossimilhança (likelihood).
• Segundo um critério definido, podemos
então ordenar as hipóteses em termos de
seu ajuste aos dados e dizer quais as
mais apoiadas.
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• Dentro de cada uma destas duas abordagens podem haver formas diferentes para estimar as
• Dentro de cada uma destas duas
abordagens podem haver formas
diferentes para estimar as
probabilidades dos valores
observados segundo uma hipótese
nula (1ª. abordagem),
• ou a verossimilhança (likelihood) de
cada hipótese aos dados obtidos.
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• De onde vem a abordagem tradicional da estatística, de teste de hipóteses através da
• De onde vem a abordagem
tradicional da estatística, de teste
de hipóteses através da tentativa de
falsificação de uma hipótese nula?
• “O” método científico, ou mais
precisamente, o método hipotético-
dedutivo da ciência.
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Métodos científicos: combinações de raciocínio indutivo e dedutivo • O que é um método científico?
Métodos científicos:
combinações de raciocínio
indutivo e dedutivo
• O que é um método científico?
– Um método que compare e decida
entre hipóteses (não teorias!)
baseando-se em observações e
previsões baseadas nas hipóteses.
– Não há apenas um único método de
fazer isso.
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• Dedução: parte do geral para o específico. – Em ciência, parte afirmações ou teorias
• Dedução: parte do geral para o específico.
– Em ciência, parte afirmações ou teorias gerais para
formular hipóteses específicas para uma situação.
• Indução: parte do específico
para o geral.
• Na sua forma mais simples, a
partir do acúmulo de
observações em casos
específicos formula-se uma
hipótese geral para explicar os
dados.
• Seria o Inducionismo de Francis
Bacon (1561-1626).
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• Dedução: 1. Todas as aranhas papa-moscas e saltadoras pertencem à família Salticidae. 2. Coletei
• Dedução:
1. Todas as aranhas papa-moscas e saltadoras
pertencem à família Salticidae.
2. Coletei uma aranha saltadora.
3. Esta aranha é da família Salticidae.
• Indução:
1. Todas estas 25 aranhas são da família
Salticidae.
2. Todas estas 25 aranhas são papa-moscas e
saltadoras.
3. Todas as aranhas papa-moscas e saltadoras
pertencem à família Salticidae.
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• Alguns filósofos definem dedução como inferência certa, e indução como inferência provável. Concordam? –
• Alguns filósofos definem dedução como
inferência certa, e indução como
inferência provável. Concordam?
– A dedução para ser inferência certa assume
que a afirmação é totalmente confirmada e
sem exceções, o que em geral não é verdade.
– Se a inferência é feita a partir de uma
afirmação ou teoria bem estabelecida, a
dedução será mais restrita, em geral a um
sistema ou organismo específico de estudo.
– A indução pode gerar novas afirmações ou
teorias mais amplas.
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Os métodos estatísticos são indutivos ou dedutivos? • Podem ser ambos, mas quando há um
Os métodos estatísticos são
indutivos ou dedutivos?
• Podem ser ambos, mas quando há
um teste de hipótese baseado em
hipótese nula e alternativa, é o
tradicional “hipotético-dedutivo”
• Quando estimamos parâmetros de
um modelo a partir dos dados,
estamos fazendo indução.
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O método indutivo de Francis Bacon • Enfatizava que a hipótese deveria ser sugerida, ou
O método indutivo de Francis
Bacon
• Enfatizava que a hipótese deveria ser sugerida, ou mais
corretamente, implicada a partir dos dados.
• A partir da hipótese assim gerada seriam feitas previsões
a serem testadas com novos dados (dedução!).
• Caso as previsões fossem corretas, a hipótese seria
corroborada; caso não, a hipótese tinha que ser
modificada para acomodar as novas observações, e novas
dados eram coletados para testar novas previsões.
• Este ciclo de hipótese-previsão-observação é repetido e a
cada ciclo a hipótese ser torna mais “verdadeira”, ou
geral.
• Assim, uma característica do inducionismo de Bacon é
trabalhar com uma única hipótese, que muda
continuamente com novas observações.
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O método hipotético- dedutivo de Karl Popper • Ênfase na dedução como método científico se
O método hipotético-
dedutivo de Karl Popper
• Ênfase na dedução como método científico se inicia partir de Isaac
Newton e outros cientistas do séc. XVII
• Atinge seu maior status atual com os trabalhos do filósofo Kark
Popper e do “círculo de Vienna” em torno de 1935, formulando o
método hipotético-dedutivo.
• Talvez a maior inovação de Popper tenha sido a formulação de
hipóteses múltiplas como passo inicial da investigação científica.
• Estas hipóteses seriam todas elaboradas para explicar observações
iniciais, sendo testáveis e gerando previsões distintas umas das
outras.
• Haveria então tentativas de falsificá-las através de experimentos
que permitiriam testar suas previsões.
• Apenas as que sobrevivessem ao teste (não falsificadas) seriam
mantidas.
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Quais a limitações dos métodos indutivo e hipotético-dedutivo? • É preciso haver uma hipótese “correta”
Quais a limitações dos
métodos indutivo e
hipotético-dedutivo?
• É preciso haver uma hipótese “correta” entre as
alternativas, isto é, uma não-falsificável. No
método indutivo pode-se começar com
hipóteses incorretas, que serão alteradas com
novas observações.
• As hipóteses têm efeitos distintos. Não é
possível testar hipóteses como efeitos
redundantes em algum grau. Com a indução é
possível incorporar efeitos múltiplos numa
hipótese complexa.
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• O teste de hipóteses a partir da tentativa de falsificação de hipóteses nulas é
• O teste de hipóteses a partir da tentativa
de falsificação de hipóteses nulas é a
implementação do método hipotético-
dedutivo de Popper.
• De forma geral, a hipótese nula é uma
hipótese estatística, que tentamos
refutar, ou melhor, falsificar. Idealmente,
deve haver apenas uma hipótese
alternativa, que seria então aceita.
• Se houver mais de uma hipótese, estas
devem fazer previsões distintas sobre os
resultados, permitindo falsificar todas
menos a “verdadeira”.
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• É isto o que acontece? – Em geral, são necessários novos experimentos, com delineamentos
• É isto o que acontece?
– Em geral, são necessários novos
experimentos, com delineamentos distintos,
para distinguir cada uma (cada experimento
com uma hipótese nula).
• O que implica dizer que um valor de P é
significativo?
– que a probabilidade dos resultados
ocorrerem dada a hipótese nula é menor que
o valor arbitrado (em geral 0,05).
– Que a hipótese nula foi falsificada pelos
resultados.
– Se houver mais de uma hipótese alternativa
terá que haver algum critério para decidir
entre elas (frequentemente não é possível
sem novos experimentos)
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• E que um valor de P não é significativo? – que a probabilidade dos
• E que um valor de P não é
significativo?
– que a probabilidade dos resultados
ocorrerem dada a hipótese nula é
maior que o valor arbitrado, em geral
0,05.
– Que a hipótese nula é verdadeira?
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Métodos científicos e a construção de teorias científicas • Teorias no sentido científico são um
Métodos científicos e a
construção de teorias científicas
• Teorias no sentido científico são um conjunto de
conceitos e relações entre eles, construídos a partir de
métodos científicos, que fornecem uma explicação para
um conjunto de fenômenos.
• Hipóteses são explicações possíveis para fenômenos
específicos. Podem ser geradas a partir de teorias ou
conhecimento empírico, mas para serem científicas
precisam ser testáveis com um método científico.
• Uma área de conhecimento para ser chamada de científica
precisa de dois elementos básicos: usar um método
científico e ter teorias construídas para explicar os
fenômenos.
• Usar métodos científicos para decidir entre hipóteses é
uma atividade científica, mas para ser parte de uma
ciência é preciso que as hipóteses sejam geradas a partir
de um corpo teórico.
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• Uma teoria pode ser testada com um único experimento ou observação? – Diferença entre
• Uma teoria pode ser testada com
um único experimento ou
observação?
– Diferença entre método científico e
método de construção de uma teoria
científica
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• Thomas Kuhn (1922-1966) a ciência e suas teorias não são construídas segundo as prescrições
• Thomas Kuhn (1922-1966) a ciência e suas
teorias não são construídas segundo as
prescrições do círculo de Vienna.
• O corpo teórico não pode ser testado por
experimentos ou observações simples, que
mesmo que estejam discordando do corpo
teórico podem ser acomodadas.
• Constituiria um paradigma, um conjunto de
premissas que seriam feitas para a
construção de hipóteses.
• Só quando o conjunto e observações
conflitantes e a comunidade científica como
um grupo social estivessem prontos, haveria
substituição do corpo teórico por um novo,
resultando em “revoluções científicas”.
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Imre Lakatos (1922-1974) • Lógica semelhante a de Thomas Kuhn, mas definindo a atividade científica
Imre Lakatos (1922-1974)
• Lógica semelhante a de
Thomas Kuhn, mas
definindo a atividade
científica através de
Programas de Pesquisa
Científicos
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• Onde se encaixa a estatística contemporânea neste contexto? • Estatística frequentista e alternativas: –
• Onde se encaixa a estatística
contemporânea neste contexto?
• Estatística frequentista e
alternativas:
– Seleção de modelos
– Estatística Bayesiana
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Probabilidade e Estatística • Estatística é necessária devido à existência de variação na natureza, entre
Probabilidade e Estatística
• Estatística é necessária devido à existência de
variação na natureza, entre indivíduos, entre locais, e
no tempo, mesmo sob as mesmas condições e
tratamento experimental.
• Esta variação gera incerteza quanto a um resultado
ou previsão. Se não houvesse variação saberíamos
exatamente o que aconteceria e não precisaríamos
de estatística.
• Como medir probabilidade?
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Eventos e resultados • A probabilidade de um evento único: captura de presas por plantas
Eventos e resultados
• A probabilidade de um evento único: captura de presas
por plantas carnívoras
• Evento – processo simples em que há um início e fim bem
definidos
• Exemplo:
– Plantas carnívoras: apenas alguns dos insetos que visitam a planta
caem em sua armadilha. Como estimar a probabilidade de um
inseto que visita a planta cair em sua armadilha?
– Evento – visita a planta
– Resultados possíveis – captura ou fuga ( resultado discreto )
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• O resultado é discreto porque podemos designar um número inteiro positivo para cada um:
• O resultado é discreto porque podemos designar um
número inteiro positivo para cada um: 1 – captura; 2 ‐
fuga.
• O conjunto de todos os possíveis resultados é o espaço
amostral.
• No caso, o espaço amostral é um conjunto discreto.
• Cada inseto que visita a planta consiste em uma tentativa
ou replica.
• O conjunto de replicas forma um experimento (no sentido
estatístico, mais amplo).
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• Visitas (= tentativas) = 3000 • Capturas = 30 • Probabilidade que um inseto
• Visitas (= tentativas) = 3000
• Capturas = 30
• Probabilidade que um inseto visitando a planta seja
capturado: 30/3000 = 0.01
• Esta probabilidade no entanto, é limitada ao espaço
amostral analisado.
• Como podemos tornar o resultado mais geral? Como
inferir se esta a probabilidade real na população como um
todo?
→ Delinear um experimento para inferir a
probabilidade na população que um inseto visitando uma
planta seja capturado
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Problemas com a definição de probabilidade • Restrita à forma como determinamos, medimos o evento
Problemas com a definição de
probabilidade
• Restrita à forma como determinamos,
medimos o evento
• Ex.: sensores nas faces da moeda
• Plantas carnívoras: variação entre
indivíduos, tipos de presas, época, etc.
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Matemática das Probabilidades • Definindo o espaço amostral • Visita = {(Captura ), ( Fuga
Matemática das Probabilidades
• Definindo o espaço amostral
• Visita = {(Captura ), ( Fuga )}
• Primeiro axioma de probabilidade:
• Axioma 1: A soma de todas as probabilidades
de resultados dentro de um espaço amostral =
1,0
• Os eventos têm que ser mutuamente
exclusivos e o espaço amostral completo
( exhuastive) para que seja verdadeiro
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Besouro de manchas laranjas (hipotético): • ao longo da vida tem apenas duas proles, digamos
Besouro de manchas
laranjas (hipotético):
• ao longo da vida tem apenas duas proles,
digamos a e b
• a = primeira prole b = segunda‐ feira
• Como representar o espaço amostral da aptidão
deste besouro?
• Ω = { a, b }
• Digamos que a e b podem ser 2, 3 ou 4
• Como seria o espaço amostral então?
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 {(2, 2), (2, 3), (2, 4), (3, 2), (3, 3), (3, 4), (4, 2),
 {(2, 2), (2, 3), (2, 4), (3, 2), (3, 3), (3, 4), (4, 2), (4, 3), (4, 4)}
• Assumindo que a probabilidade de cada um é
igual
• e seguindo o Axioma 1, qual a probabilidade
de cada resultado?
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Eventos complexos x eventos compartilhados ou Adição x multiplicação de probabilidades • Eventos complexos :
Eventos complexos x eventos compartilhados ou Adição
x multiplicação de probabilidades
• Eventos complexos : Evento X pode ser resultado do Evento A
ou Evento B ou Evento C
• Portanto, o Evento X poder ocorrer de mais de uma forma ou
caminho
• Ex. Besouros de manchas laranjas (Gotteli & Ellison). Número
total de filhotes ao longo da vida, sendo que tem apenas duas
proles (litters), com um mínimo de 2 e um máximo de 4
filhotes por prole.
• Qual a probabilidade de ter um sucesso reprodutivo ao longo
da vida de 6 filhotes? (5 min. para resolver)
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• {(2,4), (3,3), (4,2)} Aptidão 6 proles (2,2) (2,3) (3,4) (2,4) (3,3) (4,3) (4,4) (4,2)
• {(2,4), (3,3), (4,2)}
Aptidão
6 proles
(2,2)
(2,3)
(3,4)
(2,4)
(3,3)
(4,3)
(4,4)
(4,2)
(3,2)
•6 proles é um subconjunto próprio do conjunto
Aptidão
•6 proles  Aptidão
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Eventos complexos • Segundo axioma de probabilidade: • Axioma 2: a probabilidade de um evento
Eventos complexos
• Segundo axioma de probabilidade:
• Axioma 2: a probabilidade de um evento
complexo é igual à soma das
probabilidades dos resultados que
compõem este evento.
• O evento “6 proles ao longo da vida” é
complexo.
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Eventos compartilhados ou simultâneos • Qual a probabilidade de ocorrência do Evento A e Evento
Eventos compartilhados ou
simultâneos
• Qual a probabilidade de ocorrência do
Evento A e Evento B e Evento C?
• Probabilidade simultânea de dois ou mais
eventos.
• SE FOREM INDEPENDENTES, PREMISSA
CRUCIAL, basta multiplicar suas
probabilidades.
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Eventos independentes • Dois eventos são independentes se o resultado de um evento não é
Eventos independentes
• Dois eventos são independentes se o resultado de um
evento não é afetado pelo resultado do outro.
• Ex. Qual a probabilidade de um indivíduo do besouro ter
proles de 2 e 4 filhotes ao longo da vida? Basta multiplicar
a probabilidade de ter uma primeira prole de 2 pela de ter
uma prole de 4 na segunda.
• Sendo 1/3 cada uma (Diagrama de Venn), então 1/9.
• Se forem independentes, a multiplicação é igual à
interseção entre dois conjuntos de eventos:
P(A  B) = P(A).P(B)
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• {(2,4), (3,3), (4,2)} Aptidão 6 proles (2,2) (2,3) (3,4) (2,4) (3,3) (4,3) (4,4) (4,2)
• {(2,4), (3,3), (4,2)}
Aptidão
6 proles
(2,2)
(2,3)
(3,4)
(2,4)
(3,3)
(4,3)
(4,4)
(4,2)
(3,2)
•6 proles é um subconjunto próprio do conjunto
Aptidão
•6 proles  Aptidão
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Asclepias e largartas de borboletas Monaca Prof. Marcus Vinícius Vieira - Instituto de Biologia UFRJ
Asclepias e largartas de borboletas
Monaca
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• P(R) = 0,20 • P(não R) = 1 – P(R) = 0,80 • P(C)
• P(R) = 0,20
• P(não R) = 1 – P(R) = 0,80
• P(C) = 0,70
• P(não C) = 1 – P(C) = 0,30
• Todas as plantas e lagartas podem dispersar e
alcançar todas as manchas de habitat,
independentemente uma da outra.
• Populações locais de Asclepias sempre persistem
na ausência de lagartas,
• mas quando lagartas estão presentes só
populações resistentes persistem.
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Probabilidades de eventos compartilhados (mas independentes!) Evento Cálculo Asclepias compartilhado presente ?
Probabilidades de eventos compartilhados
(mas independentes!)
Evento
Cálculo
Asclepias
compartilhado
presente ?
Lagartas
presentes ?
População
suscetível e
nenhuma lagarta
[1 - P(R)] x [1 - P(C)] =
(1,0 - 0,2) x (1,0 - 0,7) =
Sim
Não
0,24
População
suscetível e
lagartas presentes
[1 - P(R)] x [P(C)] =
(1,0 - 0,2) x (0,7) = 0,56
Não
Sim
População
resistente e
nenhuma lagarta
[P(R)] x [1 - P(C)] =
(0,2) x (1,0 - 0,7) = 0,06
Sim
Não
População
resistente lagartas
presentes
[P(R)] x [P(C)] =
(0,2) x (0,7) = 0,14
Sim
Sim
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• Quatro eventos compartilhados. Formam um conjunto fechado? • 0,24 + 0,56 + 0,06 +
• Quatro eventos compartilhados. Formam
um conjunto fechado?
• 0,24 + 0,56 + 0,06 + 0,14 = 1,00
• Qual a probabilidade de persistência de
Asclepias com estas probabilidades?
• 0,24 + 0,06 + 0,14 = 0,44
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Regras para combinar conjuntos de eventos complexos e compartilhados • Retornando ao besouro de manchas
Regras para combinar conjuntos de eventos
complexos e compartilhados
• Retornando ao besouro de manchas laranjas: duas proles
ao longo da vida, mas
• E se o número de filhotes da segunda prole tem alguma
relação com o número produzido na primeira prole?
• Isto mudaria a probabilidade de obter 6 proles ao longo
da vida?
• Suponha que o espaço amostral contenha dois eventos:
– besouros que tenham exatamente dois filhotes na primeira prole
– Besouros que tenham quatro filhotes na segunda prole
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Aptidão = {(2,2) (2,3) (2,4) (3,2) (3,3) (3,4) (4,2) (4,3) (4,4)} F = {1a. Prole
Aptidão = {(2,2) (2,3) (2,4) (3,2) (3,3) (3,4) (4,2) (4,3) (4,4)}
F
= {1a. Prole com 2 filhotes}
S
= (2a. Prole com 4 filhotes}
F  S = ?
F  S =?
F
= {(2,2) (2,3) (2,4)}
S
= {(2,4) (3,4) (4,4)}
F  S = {(2,2) (2,3) (2,4) (3,4) 4,4)}
F  S = {(2,4)}
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F c = complemento de F • F c = {(3,2) (3,3) (3,4) (4,2) (4,3)
F c = complemento de F
• F c = {(3,2) (3,3) (3,4) (4,2) (4,3) (4,4)}
• Diagrama de Venn
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Probabilidades de eventos combinados ou simultâneos • P(A B) = P(A) + P(B) – P(A
Probabilidades de eventos
combinados ou simultâneos
• P(A B) = P(A) + P(B) – P(A B)
• P (6 proles) = 3/9 = 1/3
• 6 proles = {(2,4), (3,3), (4,2)}
• P (6 proles | 1a. Prole = 2) = ?
• (6 proles | 1a. Prole = 2) = { (2,4) }
• P (6 proles | 1a. Prole = 2) = 1/3
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Probabilidades condicionais • P (A | B) • P (A | B) = P (A
Probabilidades condicionais
• P (A | B)
• P (A | B) = P (A B) / P(B)
• P (A B) = P (A | B) x P(B) =
• = P(B | A) x P(A)
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Teorema de Bayes P (B) = P(B  A) + P(B  A c )
Teorema de Bayes
P (B) = P(B  A) + P(B  A c )
P(B) = P(B|A). P(A) + P(B|A c ).
P(A c )
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Viés da moeda favorecendo Cara Cara 0,1 0,3 0,5 0,7 0,9 0 0,59 0,17 0,03
Viés da moeda favorecendo Cara
Cara
0,1
0,3
0,5
0,7
0,9
0 0,59
0,17
0,03
0,00
0,00
1 0,33
0,36
0,16
0,03
0,00
2 0,07
0,31
0,31
0,13
0,01
3 0,01
0,13
0,31
0,31
0,07
4 0,00
0,03
0,16
0,36
0,33
5 0,00
0,00
0,03
0,17
0,59
http://www.rasch.org/rmt/rmt1237.htm
Suponha que em 5 jogadas da moeda foram
obtidas 5 caras. Qual o deve ser o viés da moeda?
Prof. Marcus Vinícius Vieira - Instituto de Biologia UFRJ
O ambiente R de programação • Um conjunto integrado de ferramentas de software para manipulação
O ambiente R de
programação
• Um conjunto integrado de ferramentas de software para
manipulação de dados, cálculos e apresentação gráfica.
• O R não é um software do tipo aplicativo, a preocupação não
é com amigabilidade, mas com flexibilidade e capacidade de
manipulação de dados e realização de análises.
• Notar que na definição não se usou o termo Estatística.
Embora a maioria das pessoas usem o R como um software
estatísticos, seus definidores (Venables et al., 2007) preferem
definí-lo como um ambiente onde muitas técnicas
estatísticas, clássicas e modernas, podem ser implementadas.
• Algumas dessas técnicas estão implementadas no ambiente
básico do R (R base), mas muitas estão implementadas em
pacotes adicionais (packages).
Prof. Marcus Vinícius Vieira - Instituto de Biologia UFRJ