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UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

ÁREA DO CONHECIMENTO DE CIÊNCIAS DA VIDA


CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA

NELSON HENRIQUE PANTE

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO NA ÁREA DE


BOVINOCULTURA DE CORTE

CAXIAS DO SUL
2018
2

NELSON HENRIQUE PANTE

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO NA ÁREA DE


BOVINOCULTURA DE CORTE

Relatório de Estágio Curricular


Obrigatório apresentado como
requisito parcial para obtenção do
título de Médico Veterinário pela
Universidade de Caxias do Sul na
área de Bovinocultura de Corte.

Orientação Prof. Dr. Fábio Antunes


Rizzo.

CAXIAS DO SUL
2018
3

NELSON HENRIQUE PANTE

RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO NA ÁREA DE


BOVINOCULTURA DE CORTE

O presente relatório de estágio curricular obrigatório, apresentado como


requisito parcial para obtenção do título de Médico Veterinário pela Universidade de
Caxias do Sul – RS na área de Bovinocultura de Corte, foi aprovado pelos membros
da banca examinadora abaixo nominados, na data de ______ de __________ de
2018.

Banca Examinadora:

________________________________
Prof. Dr. Fábio Antunes Rizzo (orientador)
Universidade de Caxias do Sul

________________________________
Prof. Me. Fernando Paixão Lisboa
Universidade de Caxias do Sul

________________________________
Prof. Dr(a). Luciana Laitano Dias de Castro
Universidade de Caxias do Sul
4

AGRADECIMENTOS

Nesses momentos, torna-se difícil nomear cada pessoa que de uma maneira
ou de outra me auxiliaram a finalizar mais essa etapa.
Porém, algumas pessoas foram fundamentais. Agradeço primeiramente aos
meus pais, Nelson Pante Júnior (in memorian) por ter me aconselhado em tantos
momentos, por ter me ensinado preceitos que hoje me tornaram um homem íntegro
e, principalmente, por ter formado em mim, bases sólidas para que me tornes, a cada
dia, um profissional melhor. À minha mãe, Juçara Maria Fedrizzi Pante, todo meu
respeito e gratidão pelo apoio, suporte e dedicação sem os quais não seria possível
atingir este sonho.
Aos meus irmãos, Guilherme, Marina e Letícia, obrigado por me auxiliarem
em todas as decisões, dividirem sonhos e por andarem sempre comigo.
Aos meus amigos, que prefiro chamar de irmãos que a vida deixou escolher,
muito obrigado por todos os momentos.
Aos colegas e professores da UCS, esta caminhada não teria sido a mesma
sem todos vocês, obrigado pelo companheirismo e pela troca de ensinamentos.
Aos amigos, Diego Garcia Kasali e Leandro Morais Pacheco, obrigado pela
paciência e conselhos durante o estágio, foram de grande valia e levarei comigo para
a vida profissional.
“Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado la risa y me ha dado el
llanto”, Mercedes Sosa.
5

RESUMO

Este relatório de estágio curricular obrigatório do curso de Medicina


Veterinária da Universidade de Caxias do Sul, foi realizado no Grupo Pitangueira, nos
municípios de Itaqui, Maçambará e São Borja, todos no estado do Rio Grande do Sul,
totalizando 600 horas, no período de 05/02/20018 a 30/05/2018, sob supervisão do
Médico Veterinário Diego Garcia Kasali, e sob orientação do Prof. Dr. Fábio Antunes
Rizzo. Durante este período, foi possível o acompanhamento do manejo sanitário de
todas as categorias bovinas, manejo de pastagens, avaliação racial, diagnóstico de
gestação e IATF, sendo de grande valia para o aprimoramento do estagiário.

Palavras-chave: Estágio Curricular. Manejo Nutricional. Manejo Sanitário. Avaliação.


Desmame. Conexão Delta G.
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ABSTRACT

This report on mandatory curricular internship in Veterinary Medicine at the University


of Caxias do Sul, was held at the Pitangueira Group, in the cities of Itaqui, Maçambará
and São Borja, all in Rio Grande do Sul state, totaling 600 hours, from 02/05/2018 to
05/30/2018, under supervision of Veterinarian Diego Garcia Kasali and under
orientation of Professor Dr. Fábio Antunes Rizzo. During this period, it was possible to
monitor the sanitary management off all cattle categories, pasture management, racial
evaluation, pregnancy diagnosis and FTAI, being of great value for the improvement
of the trainee.

Keywords: Curricular Internship. Nutritional Management. Sanitary Management.


Evaluation. Weaning. Delta G Connection.
7

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Avaliação parâmetros raciais. .................................................................. 16


Figura 2 – Banho de Imersão .................................................................................... 20
Figura 3 – Animal com alta infestação ...................................................................... 21
Figura 4 – Implantação das Pastagens ..................................................................... 25
Figura 5 – Resteva de arroz ...................................................................................... 26
Figura 6 – Campo destinado a vacas com cria ao pé e vacas prenhas .................... 27
8

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Procedimentos realizados e/ou acompanhados durante atividades de


fomento e medicina veterinária ................................................................................. 14
Tabela 2 – Calendário de Vacinação do Grupo Pitangueira ..................................... 22
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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABHB Associação Brasileira de Hereford e Braford


BVD Diarreia Viral Bovina
Ha Hectares
IA Inseminação Artificial
IATF Inseminação Artificial por Tempo Fixo
IBR Rinotraqueíte Infecciosa Bovina
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Med. Vet. Médico Veterinário
TBP Tristeza Parasitária Bovina
10

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .......................................................................................... 11
2. LOCAL DE ESTÁGIO ............................................................................... 12
3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ............................................................. 14
4. MANEJO DA FAZENDA........................................................................... 15
4.1 DESMAME ................................................................................................ 15
4.2 RECRIA ..................................................................................................... 17
4.3 ANIMAIS DE SOBREANO ........................................................................ 17
5. MANEJO SANITÁRIO .............................................................................. 19
6. MANEJO NUTRICIONAL ......................................................................... 24
7. AVALIAÇÃO PARA CONEXÃO DELTA G .............................................. 28
CONCLUSÃO ........................................................................................................... 30
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 31
11

1. INTRODUÇÃO

O Brasil, assim como o mundo, vem enfrentando uma recessão econômica, o


que força todas as atividades econômicas a se reestruturarem, a fim de tornarem-se
competitivas. Isto inclui a pecuária de corte, que deve primar por animais de elevada
bagagem genética, para alcançar níveis satisfatórios de conversão alimentar,
precocidade sexual, ganho de peso e cobertura de gordura, enfim, animais que
possam atender às demandas cada vez mais exigentes de um mundo globalizado que
não para de crescer.
Segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (2014),
o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, algo em torno de 210 milhões
de bovinos.
O Rio Grande do Sul possui cerca de 14 milhões de bovinos, alcançando o
título de 6° maior rebanho do Brasil (MAPA, 2014). Por ser um estado que mantém
forte sua tradição, cerca de 90% da produção de carne é feita em campo nativo, o que
lhe confere um sabor único. Entretanto, a demanda cada vez maior por novilhos jovens
e precoces vem exigindo do produtor a adoção de tecnologias e melhorias tais como
a implantação de pastagens artificiais e a aquisição de animais cada vez melhores.
A maior parte do rebanho bovino do Brasil é composta por animais zebuínos
(Bos indicus), devido em grande parte à sua rusticidade e adaptação aos solos
relativamente pobres e clima quente das regiões do sudeste e centro-oeste. Já na
região Sul, por ter clima mais ameno e solos mais férteis, o predomínio é por animais
de origem europeia (Bos taurus), que se desenvolvem mais rapidamente e atingem
ponto de abate mais cedo.
Atentos a isso, criadores do Rio Grande do Sul, ainda nos anos 60,
objetivaram desenvolver uma raça que unisse as melhores características de raças
zebuínas e europeias, surgindo assim a raça Braford, oriunda do cruzamento do Zebu
(rusticidade e adaptabilidade) com o Hereford (precocidade e fertilidade). (ABHB,
2016).
O objetivo do estágio curricular supervisionado em Medicina Veterinária foi
vivenciar e acompanhar os processos de avaliação e melhoramento genético do
criatório Grupo Pitangueira, bem como o manejo sanitário, reprodutivo e nutricional
das diversas categorias animais nas propriedades rurais pertencentes a esse grupo.
12

2. LOCAL DE ESTÁGIO

O presente estágio curricular em medicina veterinária na área de manejo de


bovinos de corte foi realizado junto ao Grupo Pitangueira, nos municípios de Itaqui,
Maçambará e São Borja, tendo iniciado no dia 05/02/20018 se estendendo até a data
de 30/05/2018, sob supervisão do Médico Veterinário Diego Garcia Kasali, perfazendo
um total de 600 horas
A empresa Grupo Pitangueira possui sede na Avenida Borges de Medeiros,
1462, na cidade de Itaqui, estado do Rio Grande do Sul, cidade essa distante cerca
de 640 quilômetros da capital do estado. No setor da pecuária, possui destaque para
a criação de bovinos da raça Braford, onde possui extensa lista de premiações,
sagrando-se por 10 vezes consecutivas campeã do ranking nacional junto à
Associação Brasileira de Hereford e Braford. Outros destaques são para a criação de
equinos da raça Percheron, e de ovinos das raças Crioula e Ile de France.
A empresa possui outros ramos de atividade, dentre os quais o Posto
Pitangueira (posto de combustíveis), Rádio Pitangueira AM e FM (emissoras de rádio)
e a loja Itapemasa (comercio de peças e ferramentas agrícolas). Destaca-se também
na produção de arroz irrigado, possuindo uma das maiores áreas de lavoura do
referido município.
O grupo possui 7 (sete) propriedades rurais, perfazendo um total de
aproximadamente 15.000 ha, possuindo em torno de 6.000 animais, sendo divididas
para diversos objetivos:
- Fazenda Chalé (Itaqui/ RS) - Cria e Recria de animais Braford, Hereford;
- Fazenda Fundo Grande (Itaqui/ RS) - Cria de animais Braford;
- Fazenda Espinilho (Maçambara/ RS) - Cria e Recria de animais Braford;
- Fazenda Cortado (Maçambara/ RS) - Preparo de touros Braford para
comercialização;
- Fazenda Tigre (Itaqui/ RS) - Recria de futuros touros e touros Braford para
comercialização;
- Fazenda 3 de Outubro (Itaqui/ RS) - Terminação de machos Braford;
- Fazenda Coxilha Negra (São Borja/ RS) – Doadoras e receptoras Braford e
Cabanha de equinos e ovinos.
A administração das fazendas fica a cargo dos gerentes da pecuária, sendo o
Med. Vet. Diego Garcia Kasali, juntamente com o Med. Vet. Leandro Morais Pacheco,
13

encarregados das fazendas de cria, recria e preparo de touros. Já as fazendas de


terminação, ficam a cargo de outro gerente.
Cada fazenda conta com um responsável interno, denominado capataz, que
reside na propriedade, onde junto com outros colaboradores, e através das
orientações e supervisões do gerente, realizam o manejo com os animais.
Algumas destas fazendas possuem áreas denominadas “granjas”, onde se
desenvolve a plantação de arroz, possuindo estruturas, gerentes e colaboradores
específicos.
14

3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

A seguir, na tabela 1, são demonstradas as atividades acompanhadas e/ou


desenvolvidas durante o Estágio Curricular Supervisionado no Grupo Pitangueira, no
período de 26/02/2018 a 30/08/2018, perfazendo um total de 600 horas, envolvendo
atividades de manejo sanitário e reprodutivo, além de práticas ligadas à medicina
veterinária preventiva.

Tabela 1 - Procedimentos realizados e/ou acompanhados durante atividades de


fomento e medicina veterinária

Procedimento Número %

Aplicação de Antiparasitários 2036

Palpação Retal para Diagnóstico de Gestação 368

Protocolo de IATF 113

Inseminação Artificial 113

Avaliação Programa Delta G 1032

Total 3662

Fonte: Produção do Autor.


15

4. MANEJO DA FAZENDA

4.1 DESMAME

Segundo EMBRAPA (2000), considera-se como desmama tradicional quando


ocorre em terneiros de 6 a 8 meses, quando existe a plena condição de utilizarem
apenas forragem como alimento, sendo considerados ruminantes.
O desmame adotado na propriedade é o denominado tradicional, ocorre nos
terneiros entre os seis a oito meses, sendo desmamados machos e fêmeas,
independente do peso. Todos animais são marcados a fogo no posterior esquerdo,
com a marca da Pitangueira e o número final do ano de nascimento, com exceção dos
machos destinados à reprodução, onde a marcação ocorre no membro anterior direito.
Neste momento, também são avaliados e anotados os parâmetros visuais
CPM- Conformação, Precocidade e Musculosidade. Também são avaliados a
presença de chifres, pelagem, pelame e pigmentação, além do peso. Estes itens serão
confrontados com a mesma avaliação quando o animal atingir o sobreano.
16

Figura 1 – Avaliação parâmetros raciais.

Fonte: Produção do Autor.


17

Após estas avaliações, os animais são separados entre machos e fêmeas, em


duas mangueiras, ficando machos destinados ao abate em uma e machos e fêmeas
destinados à reprodução em outra durante 2 ou 3 dias, recebendo alimentação à base
de feno de arroz e água.
Após esse período, os machos para abate e reprodução são transportados via
caminhão para outras propriedades do grupo Pitangueira, permanecendo unicamente
as fêmeas na propriedade, estas recebendo a vacina de brucelose, mas, por ser a
propriedade livre de casos e por possuir animais de registro, não recebem a marca a
fogo na face.

4.2 RECRIA

A recria das fêmeas é feita em pastagens de azevém durante o inverno, após


em campo nativo recebendo suplementação mineral.
Machos para abate são recriados à campo nativo, com suplementação
mineral.
Machos para reprodução são recriados em pastagens de azevém, recebendo
ração formulada na própria empresa, além de suplementação mineral.

4.3 ANIMAIS DE SOBREANO

Animais com a idade de sobreano são os considerados entre um ano e meio,


até os dois anos, considerando-se que nasceram na primavera. Após essa idade,
passam a serem considerados novilhos ou novilhas.
Ao sobreano, os animais passam por nova avaliação, onde se apartam
animais que irão receber o registro definitivo, sendo excluídos animais com pelagens
atípicas, com características indesejadas, como defeitos congênitos e ausência de
pigmentação ocular. Outro fator excludente para registro é a falta do comunicado de
padreação.
Os animais são separados por sexo, e a avaliação é feita de forma individual,
sempre pelo mesmo avaliador, afim de evitar disparidades.
18

Preconiza-se a criação de grupos contemporâneos, ou seja, animais nascidos


na mesma época, mantidos em mesmo regime alimentar e manejo sanitário, afim de
que possam demonstrar suas características pessoais.
Segundo De Oliveira (1995), são considerados contemporâneos os animais
criados no mesmo manejo, com idade inferior a 90 dias entre si, sendo todos de
mesma raça, rebanho, ano, estação de nascimento e sexo.
As fêmeas aceitas, seguem então para campos onde serão posteriormente
inseridos em lotes para IATF.
As fêmeas que não foram aceitas, serão inseridas em lotes de gado
denominado geral, produzindo terneiros para abate.
Machos aceitos seguem no lote onde recebem alimentação, onde são
negociados em remates ou venda direta, assim que atingirem idade de 03 anos, assim
que passarem por uma temporada de monta, onde são testados.
Já os machos refugados, não permanecem no lote, sendo transferidos para
outra propriedade do grupo, onde são destinados para o abate.
19

5. MANEJO SANITÁRIO

O manejo sanitário é de suma importância para uma criação competitiva e


rentável, devido às diversas enfermidades que podem acometer o rebanho, dentre as
quais podemos citar a febre aftosa, TPB, carbúnculo e brucelose. Outro fator levado
em conta são as vacinas ditas reprodutivas, que protegem contra IBR, BVD e
leptospirose.
As fazendas do Grupo Pitangueira seguem um rigoroso calendário de
vacinação, desenvolvido pelos veterinários do grupo, que abrangem estas doenças.
Todo o gado passa por esse manejo, afim de manter a sanidade em dia, e poder
extrair todo o potencial dos animais.
Segundo Pettres et al. (2007), a febre aftosa é considerada como grande
impactante a nível econômico, haja visto que o sacrifício é a forma ideal de controle e
erradicação para animais infectados.
A vacinação da febre aftosa é obrigatória para bovinos de todas as idades no
mês de maio e reforço em animais de até 02 anos em novembro, conforme
determinação do MAPA.
Para Sacco (2001), a TPB é um complexo de doenças, que incluem a
babesiose e a anaplasmose. O agente causador da babesiose é um protozoário do
gênero Babesia (Babesia bovis e Babesia bigemina) e a anaplasmose por uma
rickettsia do gênero Anaplasma (Anaplasma marginale).
Para a TPB, o Grupo Pitangueira utiliza-se da exposição moderada ao
carrapato (Rhipicephalus (Boophilus) microplus) nos animais jovens, afim de que
obtenham resistência, que persiste durante toda a vida do animal. Este contato é
interrompido em torno dos 3 meses de idade, onde os animais recebem uma dose de
antiparasitário, geralmente à base de ricobendazole, por ser mais seguro para animais
jovens.
Banhos de imersão, com produtos à base de cipermetrina, são utilizados em
todo o rebanho, com intervalo de 30 a 60 dias, variando conforme a carga de
infestação, temperatura e umidade.
20

Figura 2 – Banho de Imersão

Fonte: Produção do Autor


21

Eventualmente, devido a impossibilidade de utilizar os banhos de imersão, ou


para evitar o estresse, utilizava-se de produtos pour-on, a base de fipronil e fluazuron.

Figura 3 – Animal com alta infestação

Fonte: Produção do Autor


22

O carbúnculo é uma doença infectocontagiosa, causada por um Clostridium,


ocorrendo principalmente em animais jovens e nos meses mais quentes. Denomina-
se popularmente como Manqueira. (NUNES, 2005)
Para o controle do carbúnculo, a empresa adota a vacinação de todos os
terneiros e terneiras com mais de 60 dias de idade, sendo duas doses com intervalo
de 30 dias, entre os meses de janeiro a maio. Animais com mais de 1 ano recebem
reforço vacinal no mês de setembro.
A brucelose é controlada com a vacinação conforme recomendações do
MAPA, somente em fêmeas com idade entre 3 a 8 meses de idade, com vacinas da
cepa B19. Machos não são vacinados, pois pode causar orquite. (BRASIL, 2006)
As fêmeas em idade reprodutiva recebem vacinação para IBR/BVD e
leptospirose nos meses de maio e novembro, coincidindo com a estação de monta.
Touros recebem uma dose em agosto, com reforço da leptospirose em fevereiro.

Tabela 2 – Calendário de Vacinação do Grupo Pitangueira


(continua)
Leptospirose
Mês/Vacina Aftosa Clostridioses Brucelose Carbúnculo
IBR/BVD
Janeiro

Todos os Leptospirose
Fevereiro
terneiros da nos touros
Março produção (2
doses,
intervalo de 60 Todas as
dias) fêmeas
Abril
entre 3 a 8
meses)
Ventres para
Conforme
reprodução
Maio orientação
(IBR, BVD e
MAPA
leptospirose)
Junho
Julho
IBR, BVD e
Agosto leptospirose nos
touros
23

(conclusão)

Leptospirose
Mês/Vacina Aftosa Clostridioses Brucelose Carbúnculo
IBR/BVD
Todos animais Todos animais
Setembro com mais de 1 com mais de 1
ano ano
Outubro
Ventres para
Reforço
reprodução
Novembro animais até
(IBR, BVD e
2 anos
leptospirose)

Dezembro

Fonte: Grupo Pitangueira, 2018

Dentre os fatores que mais atravancam a pecuária de corte a nível mundial,


podemos citar as verminoses, que acarretam em perda de peso ou menor ganho (Grisi
et al., 2014).
Segundo Vieira (2003), deve-se, principalmente, pela má utilização dos
antiparasitários, seja pela subdose ou por não respeitar os períodos de carência entre
uma aplicação e outra. Outro fator determinante no insucesso deste controle
parasitário é a não utilização de rotatividade nos princípios ativos, seguindo orientação
do médico veterinário
A partir destes fatos, deve-se implantar um plano para combate das
verminoses, barato e seguro. No grupo Pitangueira, administrou-se, durante o estágio,
medicamentos à base de ricobendazole em todo o rebanho. A dose utilizada foi de
1ml/40 kg de peso vivo, por via subcutânea, atingindo assim uma dosagem de amplo
espectro.
24

6. MANEJO NUTRICIONAL

Segundo Flores et al. (2008), o pastoreio é a principal fonte de alimentação


da pecuária de corte no Brasil, devido à sua economia e praticidade. No RS não é
diferente, sendo o campo nativo muito utilizado na terminação de animais para abate,
sobretudo na primavera e verão, onde supre com folga as demandas nutricionais de
todas as categorias de animais.
Os campos da região são quase que completamente formados por capim
Annoni (Eragrostis plana), uma gramínea de origem sul-africana, de baixa
palatabilidade, escassos nutrientes e alta produção de sementes, o que ocasiona uma
alta taxa de expansão, girando em torno de 14.000 hectares por ano (CARVALHO,
2010).
Outro capim que merece grande atenção é o capim caninha (Andropogon
lateralis Ness), uma espécie perene que se mal manejada, torna-se seca devido ao
seu rápido crescimento, atingindo até 1,20 metros (NABINGER, 2006).
Nos meses mais frios, o campo nativo fica envelhecido, queimado pela geada,
e não cresce, não suprindo assim as demandas dos animais. Torna-se imprescindível
a adoção de pastagens artificiais, dentre as quais a mais utilizada é o avezem (Lolium
multiflorum), devido a sua alta produtividade, baixo custo e facilidade de implantação,
ressemeadura natural e resistência moderada as geadas (VEIGA et al. 2015).
No Grupo Pitangueira, por possuírem produtos de alto valor genético, sempre
que possível, os animais permanecem em pastagens cultivadas, sobretudo animais
que estejam necessitando um aporte nutricional mais intensivo, tais como fêmeas com
cria ao pé e terneiros e terneiras recém desmamados.
A implantação das pastagens segue orientação do Engenheiro Agrônomo da
empresa, e por serem grandes extensões de terra, faz-se uso do avião para
semeadura.
25

Figura 4 – Implantação das Pastagens

Fonte: Produção do Autor

Ao final da colheita do arroz, após a elaboração de fenos de palha de arroz,


para eventuais necessidades de vazio forrageiro, restam as denominadas restevas,
onde ocorre o rebrote da cultura, sendo um alimento grosseiro e rico em fibras. Estes
campos são destinados preferencialmente as vacas com cria ao pé e vacas prenhas.
26

Figura 5 – Resteva de arroz

Fonte: Arquivo pessoal


27

Figura 6 – Campo destinado a vacas com cria ao pé e vacas prenhas

Fonte: Produção do Autor

Outro ponto que recebe total atenção nas fazendas é a disponibilidade de


água de boa qualidade para os animais, sendo todos os campo e potreiros com rios
ou barragens, além de tanques australianos abastecendo cochos de água onde não
há a ocorrência natural. Mangueiras também recebem esta atenção, evitando jejum
hídrico desnecessário.
A determinação do pastoreio nas propriedades do Grupo Pitangueira ainda se
dá pelo método antigo, ou seja, de cabeças por hectares, em detrimento do sistema
adotado atualmente na pecuária de corte a nível de Brasil e de mundo, que é a de
unidades animais por hectare.
28

7. AVALIAÇÃO PARA CONEXÃO DELTA G

Objetivando uma maior visibilidade no cenário da pecuária de corte, o Grupo


Pitangueira aderiu a uma parceria formada pelo Conexão Delta G, Embrapa e
GenSys, contando com o apoio da ABHB, afim de certificar que seus animais possuem
elevada adaptação aos mais variados ambientes de criação.
De acordo com Conexão Delta G (2011), os critérios a serem avaliados,
recebendo notas de 1 a 5 são:
Conformação - influenciada diretamente pelo tamanho corporal, tanto na
altura quanto no comprimento e grau de musculosidade. Deve-se imaginar o animal
no frigorífico.
Precocidade - avalia-se o deposito de gordura no animal, ou seja, o
acabamento do animal. Animais mais esguios e altos devem receber notas mais
baixas, por serem mais tardios.
Musculatura - leva-se em conta o desenvolvimento da massa muscular,
principalmente nas áreas de carnes nobres, como o quarto traseiro e área de lombo.
Animal que se movimenta bem, com a musculatura bem definida, ao contrário da
gordura, que não apresenta formato definido.
Tamanho - levando em conta a idade do animal, avalia-se a altura e
comprimento do animal.
Prepúcio (Umbigo) – nos machos avalia-se o tamanho e forma de umbigo e
prepúcio, e umbigo nas fêmeas. Desta forma, evita-se lesões causadas pela
vegetação. Animais com umbigos e prepúcios maiores ou pendulares, recebem maior
nota.
Caracterização racial - levando-se em conta os critérios morfológicos da
raça, avalia-se o selo racial, sendo os animais mais próximos do ideal, os de maiores
notas.
Chifres - o animal pode ser mocho, aspado ou batoque, que são estruturas
semelhantes a pequenos chifres, porem soltos.
Pelagem - na raça Braford a variabilidade é grande, podendo-se encontrar
exemplares com pelagem vermelha, baia, fumaça, oveira, bragada, brazina, osca,
branca e até preta.
29

Pelame – avalia-se o comprimento do pelo, o que indica adaptação do


indivíduo ao ambiente. São atribuídas as notas 1 para pelo curto, 2 para médio e 3
para comprido e grosso.
Pigmentação ocular – classifica-se como pigmentação ausente (A),
pigmentação total (T) ou pigmentação parcial (P).
Perímetro escrotal - característica facilmente mensurada e de grande
importância por ser altamente herdável, indicando precocidade sexual (BERGMANN
et al., 1996). Para Boligon (2007), a medição do perímetro escrotal não pode ser
considerada a única correlação entre a precocidade sexual de touros com suas filhas.
Segundo Dias et al (2008) o tamanho testicular indica alta correlação com a qualidade
de sêmen, sendo indicativo para seleção de touros aptos.
Temperamento – são avaliados de 1 a 5, excluindo-se o 3. Os escores são
atribuídos de acordo com a seguinte orientação: 1 - para animais que não apresentam
nenhum sinal de agressividade, mantendo movimentos vagarosos, permitindo
extrema aproximação de pessoas; 2- para animais vivazes, sem expressar sinais de
agressividade, permitindo relativa aproximação; 4 – animais que apresentam algum
sinal de agressividade, nervos e que não permitem a aproximação, preferindo fugir; 5
-animais que apresentam nervosismo extremo e intenção agressiva em relação as
pessoas.
Contagem de carrapatos – são contadas as fêmeas adultas (teleóginas) em
um dos lados do animal. Característica muito forte da raça Braford é a alta resistência
ao carrapato, devido ao sangue zebuíno.
De acordo com Biegelmeyer (2012), desta forma otimiza-se a utilização dos
produtos comerciais, evitando aplicações desnecessárias e evitando o manejo com
os animais, o que acarretaria em estresses e custos a mais.
30

CONCLUSÃO

O estágio realizado mostrou-se de grande importância para a conclusão


acadêmica do curso de Medicina Veterinária, pois a vivencia com profissionais
experientes, acarreta em grandes conhecimentos práticos, unindo o conhecimento
acadêmico com o conhecimento prático. Outro fator é que esta vivência instiga o
graduando a seguir sempre se aprofundando nos temas, pois somente assim a
experiência se torna completa.
Por ser uma área ampla, a pecuária de corte abre um leque enorme de
possibilidades ao Médico Veterinário, o que exige que siga sempre em busca de
conhecimentos, afim de manter-se sempre competitivo e atualizado.
Outro fator de extrema importância é a inserção do novo profissional ao
mercado de trabalho, pois as propriedades estão sempre em busca de novos
conhecimentos e tecnologias, fator este que propicia ao graduando uma chance de se
inserir neste mercado tão competitivo.
O Médico Veterinário não atua sozinho em uma propriedade de criação de
bovinos de corte, sempre existe a necessidade de ter uma ótima equipe no suporte,
formada por profissionais focados nas boas práticas de produção animal e no bem-
estar animal, fatores estes exigidos pelo mercado consumidor.
31

REFERÊNCIAS

BERGMANN, J. A. et al. Estimativas de parâmetros genéticos do perímetro escrotal


e do peso corporal em animais da raça Nelore. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec, v. 48,
n. 1, p. 69-78, 1996.

BIEGELMEYER, Patrícia. Resistência genética à infestação natural e artificial


por Rhipicephalus (Boophilus) microplus em bovinos das raças Hereford e
Braford. 2012. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pelotas.

BOLIGON, Arione Augusti; RORATO, Paulo Roberto Nogara; ALBUQUERQUE,


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