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A HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA DE ACORDO COM A RESOLUÇÃO N° 09/05 DO STJ
FLÁVIA PEREIRA HILL Mestranda em Direito Processual (UERJ) e Tabeliã

1.

Introdução A homologação de sentença estrangeira consiste em ato

formal de reconhecimento de julgado estrangeiro, a fim de que este produza seus efeitos em território nacional. Com efeito, trata-se de instrumento de cooperação jurídica internacional. Isso porque a função jurisdicional, por ser uma emanação da soberania estatal, é informada pelo princípio da aderência ao território. Diante disso, cada Estado está investido de poder jurisdicional nos limites de seu território, competindo às autoridades judiciárias nacionais, em princípio, conhecerem das causas que nele tenham sede. Essa é a razão pela qual a sentença estrangeira, a princípio, não possui eficácia em território diverso do qual foi prolatada. No entanto, em decorrência da necessidade de coexistência entre Estados soberanos, bem como devido a questões práticas, a maioria dos ordenamentos jurídicos, dentre eles o ordenamento jurídico brasileiro, confere eficácia às sentenças estrangeiras 1 .

Cumpre esclarecer que se utilizou a expressão "a maioria dos ordenamentos jurídicos", tendo em vista a existência de países que tradicionalmente rejeitavam eficácia a julgados estrangeiros, mas que vêm paulatinamente cedendo ao movimento de cooperação internacional. Esse é, de fato, o caso da Suécia e da Holanda, em que a jurisprudência cuida de atenuar o rigor da lei. A par da jurisprudência, o direito internacional convencional (tratados) também tem contribuído para o verdadeiro arejamento dos ordenamentos mais refratários ao reconhecimento de sentenças estrangeiras. Com efeito, há dois sistemas de reconhecimento de sentenças estrangeiras: 1°) os sistemas que recusam eficácia equiparável às decisões judiciais internas, cabendo ao interessado instaurar novo processo, havendo em favor do litigante vencedor como que uma presunção. É típico do common law; 2°) os sistemas que reconhecem eficácia propriamente sentenciai ao julgado estrangeiro, subordinando-lhe apenas a prévio ato praticado por órgão nacional. Aqui, há dois grupos, quanto à extensão dos efeitos que

1

HILL, FLÁVIA PEREIRA. A homologação de sentença estrangeira de acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ. Revista Dialética de Direito Processual (RDDP), n. 53, p. 56-73, ago. 2007.

A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ

A competência para a homologação de sentença estrangeira no Brasil era tradicionalmente atribuída ao Supremo Tribunal Federal, desde a edição da Lei n° 221, de 1894. A Constituição de 1934, por sua vez, previu expressamente, no artigo 76, inciso I, alínea “g”, a competência do Supremo Tribunal Federal, previsão esta mantida nas Constituições posteriores. A Constituição Federal de 1988, em sua redação original, manteve a previsão contida nas Cartas anteriores, estabelecendo, no artigo 102, inciso I, alínea “h”, a competência do Supremo Tribunal Federal para a homologação de sentenças estrangeiras e concessão de exequatur às cartas rogatórias. O Código de Processo Civil de 1973, por seu turno,

estabeleceu, no parágrafo único do artigo 483, que o processo de homologação de sentença estrangeira observará o procedimento previsto no Regimento Interno da Corte Suprema. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal alterou o Regimento Interno, a fim de regular a matéria nos artigos 215 a 229. Todavia, principalmente em resposta ao verdadeiro clamor por celeridade na prestação jurisdicional, verificado na sociedade atual, a Emenda Constitucional n° 45/04 previu a competência do E. Superior Tribunal de Justiça para a homologação de sentença estrangeira e concessão de exequatur às cartas rogatórias, ao inserir a alínea “i” no inciso I do artigo 105.

concedem: a) os sistemas que permitem ampla revisão, inclusive quanto ao mérito da decisão estrangeira homologanda. Ex.: França; b) os sistemas que apenas verificam a presença de certos requisitos na sentença estrangeira. Ex.: Itália, Portugal e Brasil. Trata-se do chamado juízo de delibação. No mesmo sentido, MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. Vol. V. 10ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. pp. 50 e ss.

A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ

Diante da competência que lhe fora atribuída, o E. Superior Tribunal de Justiça editou a Resolução n° 09/05, a fim de regulamentar a matéria em caráter provisório. De fato, a análise da Resolução n° 09/05 demonstra que, ao lado de disposições que mantêm basicamente a regulamentação anterior, existem significativas modificações e avanços que foram introduzidos em nosso ordenamento, os quais merecem exame. Assim sendo, no presente artigo, iremos analisar brevemente as principais modificações trazidas pela aludida Resolução ao procedimento de homologação de sentença estrangeira, especialmente frente à regulamentação anterior, constante dos artigos 215 a 229 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 2. Custas. Valor da Causa. Honorários Advocatícios A primeira alteração trazida pela Resolução n° 09/05 do STJ consiste na previsão de sobrestamento do pagamento de custas nos processos de homologação de sentenças estrangeiras e concessão de exequatur às cartas rogatórias, constante do parágrafo único do artigo 1º. A utilização do termo sobrestamento revela, desde já o caráter provisório da medida. De fato, não se trata de isenção, mas apenas da suspensão provisória da cobrança de custas judiciais referentes aos processos de homologação que venham a ser instaurados até a entrada em vigor das alterações ao Regimento Interno do E. Superior Tribunal de Justiça, que irão regulamentar a matéria, inclusive, no que concerne às custas judiciais. Todavia, impende destacar que a ausência de cobrança de custas judiciais não possui o condão de dispensar o requerente de indicar o valor a ser dado à causa. Embora o valor da causa, por vezes, repercuta no cálculo das despesas devidas pelas partes, como ocorre quanto às taxas judiciárias e outros tributos calculados com base no valor da causa, o sobrestamento provisório da cobrança de custas não exime o requerente de indicá-lo na petição inicial.

gov.será adotado como base para a fixação dos honorários advocatícios devidos. De fato. determina a indicação do valor da causa na petição inicial. julgado em 02/08/06. de acordo com o entendimento adotado pelo E. na medida em que estabelece que o valor da causa deverá consistir justamente no valor da condenação prevista na sentença homologanda 4 .stj. Luiz Fux. sepultando qualquer dúvida acerca da necessidade do preenchimento de tal requisito. Min. Rel.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Com efeito. Nesse 2 No mesmo sentido ora esposado. adotado como base de cálculo do valor dos honorários advocatícios devidos nos processos de homologação de sentença estrangeira impugnada 3 . em regra. José Delgado. por isso atender às exigências legais respectivas 2 . José Carlos Barbosa. julgado em 17/08/05. MOREIRA.stj. No caso de sentença estrangeira condenatória.br. disponível no endereço eletrônico: www. Rel. e não mero procedimento administrativo. . especialmente nos processos de homologação de sentenças arbitrais. por refletir o conteúdo econômico da sentença homologanda. fixando os honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa. 4 QO na SEC 879/EX. em que o valor da causa muitas vezes é elevado. mantém o Superior Tribunal de Justiça a regra antes destacada. vide SEC 802/EX. devendo. por sua vez. Corte Especial. STJ. Superior Tribunal de Justiça. Comentários ao Código de Processo Civil. Por outro lado. do Código de Processo Civil. Op. o E. a homologação de sentença estrangeira possui natureza jurídica de processo judicial de jurisdição contenciosa. Nesse passo. V. O artigo 282. coerentemente o artigo 3° da Resolução estabelece expressamente que a petição inicial deve preencher os requisitos constantes da lei processual.gov. 3 Nesse sentido. o valor atribuído à causa deverá ser.que se identifica com o valor da condenação . inciso V. STJ. Vol. sendo certo que o valor da causa . disponível no endereço eletrônico: www. Superior Tribunal de Justiça ressalva que. Min. cit.br. este excepcionalmente não deve ser adotado como base de cálculo dos honorários advocatícios. Corte Especial.

julgado em 18/10/06. inciso I. que será designado Relator. naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública. Todavia. "Nas causas de pequeno valor.br. os honorários advocatícios deverão ser fixados na forma do artigo 20. ao prever. e nas execuções. a Resolução n° 09/05 do STJ manteve a sistemática procedimental constante do RISTF. Artigo 20. A Emenda Constitucional n° 45/04. Min. em sua redação anterior à Emenda Constitucional n° 45/04. no artigo 2°. Inobstante isso. parágrafo 4°. 3. b e c do parágrafo anterior. não previu disposição semelhante na alínea “i”. Atribuição do Presidente do Superior Tribunal de Justiça A Constituição de 1988. parágrafo 4º. o Presidente do STJ irá presidir todos os atos praticados ao longo do processo e. do CPC 5 . Gilson Dipp.gov. a competência do Presidente para a homologação de sentença estrangeira e concessão de exequatur. podendo o magistrado arbitrá-los equitativamente 6 . embargadas ou não. autorizava textualmente. STJ. atendidas as normas das alíneas a. contudo. todos os processos de homologação de sentença estrangeira instaurados são diretamente remetidos ao Presidente do STJ. que o Regimento Interno do STF conferisse ao Presidente da Corte a competência para a homologação de sentença estrangeira e concessão de exequatur. silenciando a esse respeito.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ caso. nas de valor inestimável. Somente no caso de oferecimento de contestação pelo requerido ou impugnação pelo Ministério Público será o processo distribuído para um dos Ministros integrantes da Corte Especial do STJ. os honorários serão fixados consoante apreciação eqüitativa do juiz. do CPC. não havendo impugnação. 5 . alínea “h”. disponível no endereço eletrônico: www." 6 SEC 507/EX. Corte Especial. passou a constar no artigo 2° do Regimento Interno do STF. na forma do parágrafo 1° do artigo 9° da Resolução. passando a presidir o processo. no artigo 102. julgá-lo. o que.stj. Rel. de fato. inserida do inciso I do artigo 105 da Constituição Federal. ao final. Com efeito.

contribuindo para o seu pronto desfecho. Tribunal se encontra igualmente assoberbado. Rio de Janeiro: UERJ. "A Emenda Constitucional n° 45 e o Processo. 181191. de resto. José Carlos Barbosa. nesse caso. uma vez que esse E. Em suas palavras. vol. outrora previsto no RISTF. decerto comprometerá a almejada celeridade dos processos de homologação de sentença estrangeira. para uma maior sobrecarga do órgão máximo do STJ. 8 No mesmo sentido. "despiu-se um santo para vestir outro". a solução no sentido de distribuir os processos de homologação de sentença estrangeira contestados para um dos Ministros integrantes da Corte Especial. pp. anterior à impugnação. Daniel. entendemos que a situação se agrava ainda mais ao se verificar que a Resolução n° 09/05 mantém a solução adotada pelo RISTF de concentrar os processos na Presidência do Tribunal. tampouco contribui para a celeridade do processo. 383. afirmando que. que já concentra inúmeras outras funções. COELHO. ano 102. constatou que a transferência da competência para a homologação de sentença estrangeira para o STJ. em prejuízo da celeridade processual. e. O Processo de Homologação da Sentença Arbitral Estrangeira no Superior Tribunal de Justiça. Monografia apresentada ao Mestrado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. dificilmente logrará alcançar seus objetivos. Superior Tribunal Justiça. Nesse caso. De fato. ainda não publicada. enseja inegável sobrecarga da Presidência do Tribunal. que será designado relator do processo. 2006.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Assim sendo." Revista Forense. embora tenha sido movida pela busca por celeridade. STJ 8 . assim. o número de Ministros competentes para o julgamento dos processos seria maior. será observada a competência do E. cumpre destacar que a concentração de todos os processos de homologação de sentença estrangeira . Do mesmo modo.assim como as cartas rogatórias . melhor seria que a Resolução tivesse previsto a distribuição dos processos de homologação para uma das Turmas do E. ao se debruçar sobre o tema. Com isso. MOREIRA. o jurista invoca antigo ditado popular. contribuindo. De fato. sendo certo que não há qualquer restrição na Emenda Constitucional n° 45/04. que obste o julgamento dos processos de homologação de sentença estrangeira pelos 7 O eminente processualista José Carlos Barbosa Moreira. . Rio de Janeiro: Forense. ainda que seja em sua fase inicial.sob a direção do Presidente do STJ. A manutenção desse mecanismo. o que poderia ser evitado com a nova regulamentação dispensada à matéria 7 . 2006. na Constituição Federal.

p. a celeridade processual. Do contrário. No entanto. a ponto de instituir. 183. cit. entendemos que a interpretação sistemática da Emenda Constitucional n° 45/04 conduz justamente à solução ora esposada. sem quaisquer ressalvas ou restrições. insta observar que a Resolução não traz a previsão contida no artigo 219 do RISTF. deixando de estabelecer prazo 9 "A Emenda Constitucional n° 45 e o Processo". sendo. tendo em vista que prestigiou. inválida. devidamente traduzidos e autenticados. 4. em última análise.. . como norma programática. Diante disso. no novo inciso LXXVIII do artigo 5° da Constituição Federal. a garantia da duração razoável do processo. a norma constitucional acabará perdendo efetividade e sendo tratada.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Ministros integrantes da aludida Corte Superior. portanto. em diferentes dispositivos. além de não ferir a competência constitucional atribuída ao STJ. o que deve ser evitado 9 . seja instruída com a certidão ou cópia autêntica do texto integral da sentença estrangeira e com outros documentos indispensáveis. Indeferimento da Petição Inicial A Resolução n° 09/05 mantém os requisitos da petição inicial exigidos no artigo 218 do RISTF. O ilustre jurista José Carlos Barbosa Moreira chega a afirmar que qualquer lei cuja aplicação venha a atuar em detrimento da garantia constitucional da duração razoável do processo deve ser tida como incompatível com a Constituição Federal. Op. STJ consiste em solução consentânea com os escopos da Emenda Constitucional onde se encontra inserida a alteração ora em comento. determinando que a exordial contenha as indicações constantes da lei processual (artigo 282 do CPC). Ao contrário. entendemos que o julgamento dos processos pelos Ministros integrantes das Turmas do E.

Agravo regimental improvido. ao admitir a concessão de prazo para que o requerente junte documentos. Documentação. Homologação de Sentença Estrangeira. Rel. atribuíram no Brasil. Dilação Probatória. As regras processuais. 10 . 2. STJ. não atenta contra o direito da parte contrária. Min. mais abrangentes como entendendo ser homologável todo ato que tenha conteúdo e efeitos que." Disponível no endereço eletrônico: www. desde que AgRg EC 349/EX. na medida em que não serão homologáveis apenas os atos emanados de órgãos integrantes do Poder Judiciário do país de origem. Agravo Regimental. por serem instrumentais. religiosas e até mesmo indígenas. somente após o transcurso do prazo concedido seria autorizado indeferir a petição inicial.gov. ao conceito de tribunais estrangeiros foi igualmente atribuída interpretação ampliativa. mas também os atos emanados de autoridades administrativas. considerados independentemente do nome ou da forma de que se revista no país de onde proveio. Ementa: "Processo Civil. Atendimento ao pedido de diligência para apresentação de documentos. 5. não devem ser interpretadas de forma rigorosa. contornos sejam A doutrina e o entendimento ao sendo conceito típicos jurisprudencial de de sentença. Eliana Calmon. o próprio Superior Tribunal de Justiça teve a oportunidade de examinar tal questão. Todavia. Homologação Parcial O objeto da homologação consiste na sentença proferida por tribunal estrangeiro. muitos dos quais redigidos em idioma estrangeiro.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ para que o requerente emende a inicial ou complemente a documentação anexa. Diante disso.stj. entendemos ser admissível a concessão de prazo de 10 (dez) dias para que o requerente emende a petição inicial ou complete a documentação anexa. posicionando-se no mesmo sentido ora esposado. a ponto de prejudicar o direito material. julgado em 04/05/05.br. eis que tal medida não atenta contra direito da parte contrária 10 . Corte Especial. sentença. 3. Do mesmo modo. 1. inobstante o silêncio da norma. Com efeito. Objeto da Homologação.

devem ser examinados os capítulos que compõem a sentença estrangeira homologanda.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ sejam competentes para a prática do ato segundo a lei do país de origem 11 . No mesmo viés de orientação. 133 e ss. ser homologado o capítulo restante . por ser esta a autoridade competente naquele País. prefeitos e outras autoridades que fossem competentes para tanto. pp. 13 A propósito. Barros Monteiro. ainda.ou capítulos restantes -.br. o E. mesmo assim. o parágrafo 1° do artigo 4° da Resolução agasalha os entendimentos doutrinário e jurisprudencial desenvolvidos antes da edição da Emenda Constitucional n° 45/04 13 . Caso um ou alguns dos capítulos da sentença não sejam passíveis de homologação.gov. segundo a lei brasileira. Exemplo disso encontra-se na homologação pelo STF de divórcios decretados por reis. deverá. julgado em 23/11/06. de acordo com a lei do país de onde provieram 12 . ao admitir a homologação de divórcio decretado por autoridade administrativa do Japão. Assim sendo. ainda que não judiciais. Rel. AgRg na SE 456/JP. portanto. 12 KALICHSZTEIN. que teriam natureza de sentença. A Resolução reproduz. Corte Especial. desde que Cumpre aduzir que será considerado tribunal estrangeiro aquele composto por autoridades estrangeiras. Assim é que o Supremo Tribunal Federal vinha equiparando à sentença estrangeira o ato emanado de órgão administrativo ou legiferante que contivesse conteúdo sentencial. Juliana. Rio de Janeiro: Lumen Júris. disponível no endereço eletrônico: www.stj. outro entendimento consagrado pela doutrina e pela jurisprudência. sentença proferida no exterior por autoridade brasileira não será considerada sentença estrangeira. a homologação para produzir efeitos no Brasil. o Superior Tribunal de Justiça optou por fazer constar expressamente na Resolução n° 09/05 que serão homologados os provimentos. ainda que a sentença tenha sido proferida no Brasil. STJ inclusive teve a oportunidade de ratificar o entendimento outrora adotado pelo STF. no parágrafo 2° do artigo 4°. dispensando. Trata-se da homologabilidade parcial da sentença estrangeira. Homologação de Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros no Brasil. Com efeito. Por outro lado. 2002. STJ. 11 . Min. por não preencherem os requisitos previstos em lei. que serão adiante examinados.

pois registra um rompimento com a postura refratária antes criticada. Trata-se. deixando íntegro o mais. com propriedade. segundo o qual "há relação de dependência entre capítulos sentenciais 'quando um não pode logicamente subsistir se o outro tiver sido negado'"." (Op. O renomado processualista Cândido Rangel Dinamarco criticou. afirma o ilustre jurista: "Os tribunais brasileiros relutam enormemente a pronunciar a nulidade apenas parcial de uma sentença (ou seja. 15 Nesse sentido. 84. p. assim. Mais à frente. essa contaminação não ocorre (princípio da conservação). 2002. 43-44 e p. homologou o capítulo da sentença estrangeira que reconheceu a paternidade. contudo. e apliquem-no não apenas na homologação de sentença estrangeira. consagrando. no artigo 248 do Código de Processo Civil. Capítulos de Sentença. 84) 14 . deixando. a disposição em comento possui o mérito de contribuir para que os magistrados e os operadores do Direito em geral se familiarizem com o exame dos capítulos da sentença.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ atenda às exigências legais e. na verdade. invoca o insigne processualista Cândido Rangel Dinamarco a lição de Giuseppe Chiovenda. a relutância dos magistrados brasileiros em resguardar a integridade de alguns capítulos da sentença quando outros que deles não sejam dependentes . sob o A respeito do conceito de capítulos da sentença dependentes. por óbvio. entendemos que a opção feita pelo E. consiste em solução louvável. aplicando o teor do parágrafo 2°. a possibilidade de homologação parcial da sentença estrangeira. mas nos julgamentos em geral. Com isso. previsto.estejam viciados 15 . inclusive. ainda quando a causa de invalidade atinja somente um ou alguns de seus capítulos e não todos. São Paulo: Malheiros. de algum ou alguns de seus capítulos). a esse respeito. não seja dependente dos capítulos da sentença que não foram homologados 14 . no parágrafo 2° do artigo 4° da Resolução n° 09/05." Vide. Superior Tribunal de Justiça. in verbis: "A correta colocação e solução dos casos de nulidade de sentença composta por capítulos exige a prévia distinção entre casos em que um deles deve receber reflexos do vício de outro (contaminação) e casos em que por se tratar de capítulos independentes. o entendimento no sentido de distinguir os capítulos autônomos da sentença. em julgamento recente. afirma o ilustre processualista paulista o seguinte. cit. Por essa razão. de homologar o capítulo que fixou alimentos em favor do filho. pp. O E.. Superior Tribunal de Justiça de prever expressamente. da aplicação do brocardo utile per inutile non vitiatur.

Min. STF. e mesmo que estivesse formalmente comprovado o trânsito em julgado da decisão homologanda. Min.stj. antecipar-lhe os efeitos.gov.br. a competência da Justiça Federal para a execução de sentenças estrangeiras homologadas 19 . Rel. Rel. Celso de Mello. julgado em 26/03/99. (.069/FR. ainda assim não seria lícito ao Presidente do Supremo Tribunal Federal.069/FR. 6. usurpando. disponível no endereço eletrônico: www. Celso de Mello. Disponíveis no endereço eletrônico: www. julgado em 26/10/04. Diante disso. vem sendo aplicada pelo E.br) 16 . e sem que se observe a disciplina ritual estabelecida pela legislação brasileira. o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal não continha disposição semelhante. ao argumento de que.gov. verifica-se que a homologabilidade parcial da sentença estrangeira. STF.stf. assim. sem prévia e definitiva homologação do ato sentencial estrangeiro. 18 Nesse sentido. Min.. Rel. disponível no endereço eletrônico: www. o STF transmudar-se-ia em verdadeira instância de execução. provisoriamente. STJ. não se torna possível antecipar. STJ. o que atentaria contra o princípio da ordem pública16 . Min. Rel.br.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ fundamento de que este último capítulo não continha fundamentação suficiente. julgado em 15/03/2006. ao prever a admissibilidade da tutela de urgência nos procedimentos de homologação de sentença estrangeira. Celso de Mello: "Sem que se demonstre a irrecorribilidade do ato sentencial (Súmula 420/STF).br.stj. e SE 8. Superior Tribunal de Justiça 17 . vide: SE 6. SEC 57/DF. O Supremo Tribunal Federal. disponível no endereço eletrônico: www.) De outro lado.stf.990/EU. Corte Especial. a se admitir a concessão de tais medidas. firmara jurisprudência no sentido de negar a admissibilidade da concessão de medida cautelar ou tutela antecipada em sede de homologação de sentença estrangeira 18 . julgado em 26/03/99. Fernando Gonçalves.. demais de receber expressa previsão na Resolução n° 09/05. por seu turno. Corte Especial. 17 Vide. Tutela de Urgência Talvez a mais importante inovação contida na Resolução n° 09/05 encontre-se no parágrafo 3° do artigo 4°. qualquer dos efeitos emergentes da sentença estrangeira ainda dependente de homologação." (SE 6. Laurita Vaz. SEC 880/EX. ainda. De fato. STF. julgado em 18/10/2006.gov. 19 Cumpre transcrever a seguinte passagem do aresto proferido pelo Min.gov.

Isso porque. ou seja. Superior Tribunal de Justiça conceder a medida adequada. na verdade. que sequer tenha examinado o mérito daquele processo. quando comprovado. pois. contemplou tanto a concessão de tutela cautelar quanto de tutela antecipada. Trata-se. assim. será cabível a concessão de tutela cautelar. que curiosamente consistirá na homologação de sentença estrangeira que extinguiu o processo de origem sem julgamento do mérito. São Paulo: RT. sentença estrangeira terminativa. inclusive. até mesmo porque será homologável. ao aludir à tutela de urgência no parágrafo 3° do artigo 4°. ainda que o autor requeira medida cautelar quando. MOREIRA. tem-se que a Resolução n° 09/05 do STJ. a medida tenha natureza antecipatória. 2006. a sentença terminativa pode condenar o vencido ao reembolso de despesas processuais e honorários advocatícios ou ao pagamento de sanção pecuniária. fazendo emergir o interesse do vencedor em executá-la. STF. ou viceversa. que trata da fungibilidade entre medida cautelar e antecipatória. Luiz Guilherme. o risco à efetividade do processo. Antecipação da Tutela. 21 MARINONI. Comentários ao Código de 20 . será cabível quando estiver em risco de perecimento o próprio direito material alegado pelo autor. a esse respeito. Dito isso. será prolatada sentença com julgamento do mérito. A tutela antecipada.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Todavia. possuindo. Processo Cautelar. 131. dentre outros possíveis efeitos. poderá o Relator ou o Presidente do E. modificando o entendimento antes firmado pelo E. por seu turno. o mérito do processo de homologação de THEODORO JÚNIOR. se procedente o processo de homologação. além de fumus boni iuris. 22 O mérito do processo estrangeiro e do processo brasileiro de homologação de sentença estrangeira não se confundem. 9ª ed. de tutela satisfativa. São Paulo: Leud. 23ª ed. José Carlos Barbosa. Vide. satisfação do direito material que se pretenda tutelar. De fato. valendo-nos da clássica distinção entre os conceitos 20-21 . p. do Código de Processo Civil. assim. Nesse caso. p. 79. Assim sendo. caso sejam preenchidos os requisitos legais exigidos para o seu deferimento. Humberto. Aplica-se ao processo de homologação de sentença estrangeira o disposto no parágrafo 7° do artigo 273. 2006. através da qual serão antecipados os efeitos de futura sentença de procedência do mérito. cumpre destacar que a homologação de sentença estrangeira consiste em processo de jurisdição contenciosa. Assim sendo. mérito próprio 22 . não havendo.

José Carlos Barbosa. Op. Op. Gilson Dipp. independentemente da natureza da sentença ou homologanda mandamental). II. Outrossim. É por essa razão que a decisão proferida pelo E.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ sentença estrangeira não se confunde com o mérito do processo estrangeiro que ensejou a prolação da sentença homologanda. notadamente possibilitar que a sentença estrangeira produza seus regulares efeitos no Brasil 23 . V. o mérito do processo de homologação de sentença estrangeira consiste na chamada atribuição ou. do CPC) e a tutela antecipada baseada na “incontrovérsia do pedido” (artigo 273. importação de efeitos à sentença estrangeira. será antecipada a permissão para que algum ou alguns dos efeitos da sentença estrangeira se produzam imediatamente no território nacional. a concessão de tutela antecipada pelo Superior Tribunal de Justiça implicará a antecipação dos efeitos de futura decisão que julgar procedente o mérito do processo de homologação. 23 MOREIRA. Corte Especial. ou apenas aquela calcada na urgência (artigo 273. Diante disso. Em outras palavras. Comentários ao Código de Processo Civil. Nesta sede. Cabe questionar se o parágrafo 3o abrange todas as modalidades de tutela antecipada .. parágrafo 6o). Rel. Vol. cit. ainda.. STJ que homologa sentença estrangeira é sempre constitutiva. para aqueles que admitem a classificação quinária. cit. está em permitir que a eficácia original da sentença estrangeira se projete no território nacional. (declaratória. V. Isso porque condenatória.inclusive a chamada tutela de evidência (artigo 273. Vol.stj. 92. disponível no endereço eletrônico: www.br. I. a sentença constitutiva ou. Com efeito. 67. executiva lato sensu homologatória irá sempre criar uma situação jurídica nova. Min. STJ. ou seja. . mais tecnicamente.gov. entendemos que o texto da norma se mostra extremamente claro ao aludir a “tutela de Processo Civil. SEC 507/EX. do CPC). julgado em 18/10/06. p. p. Vide.

razão pela qual a reputamos mais adequada do que a opção constante da atual redação do parágrafo 3° do artigo 4° da Resolução. entendemos que a solução ora defendida mostra-se mais consentânea como ideal de celeridade valorizado pela Emenda Constitucional n° 45/04. consideramos recomendável o cabimento da medida. Assim sendo.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ urgência”. reputamos de todo conveniente que por ocasião da inserção do regramento no Regimento Interno do STJ. ponderando-se sempre. STJ. mostra-se de todo justificável a concessão de tutela antecipada. inciso I. será competente o Ministro da Corte Especial designado para a relatoria. 7. mantém-se a competência do Presidente do STJ para a apreciação de eventuais medidas urgentes requeridas pelos interessados. De fato. Caberá ao Presidente do E. não sendo mais passível de modificação no país de origem. o periculum in mora inverso decorrente do deferimento da medida. caso a impugnação do requerido seja meramente protelatória ou. nos termos do artigo 273. Decorrido o prazo e apresentada a contestação. antes do decurso do prazo para contestar. Decorrido in albis o prazo para a apresentação de contestação. parágrafo 4°. a nosso ver. que deslocou a competência para o E. refere-se a Resolução apenas à hipótese de tutela antecipada consagrada no artigo 273. Assim sendo. . Requisitos da Homologação de Sentença Estrangeira No Brasil. quis o STJ permitir apenas a concessão de tais providências quando houver risco iminente. Superior Tribunal de Justiça apreciar o pedido de concessão de tutela de urgência na fase inicial de todos os processos de homologação. Isso porque a sentença estrangeira homologanda consiste em ato emanado da autoridade estrangeira competente. Com efeito. A medida antecipatória concedida poderá ser revista pelo presidente ou pelo relator a qualquer tempo. do Código de Processo Civil 24 . inclusive. do Código de Processo Civil. sendo certo que a clareza do texto legal consiste em limite interpretativo irretorquível ao operador do Direito. incumbe ao Tribunal competente para a homologação de sentença estrangeira verificar a presença dos requisitos 24 De lege ferenda. caso se some a esse fator uma das hipóteses autorizadoras da concessão de tutela antecipada. passe a ser admitida a concessão de tutela antecipada sob suas diferentes modalidades. após a distribuição do processo. torne incontroverso o pedido de homologação. Isso posto. ou seja. de outra parte.

sendo certo que. o que não abarca a previsão dos requisitos indispensáveis que. mantendo. 58-59 e 89-90. antes mesmo da Emenda Constitucional n° 45/04. 27 MOREIRA. 26 Cumpre registrar o pertinente questionamento suscitado em sede doutrinária a respeito da constitucionalidade da previsão dos requisitos em sede de ato administrativo. No entanto. Op. vide item precedente. que a Constituição Federal. Op. não fazendo referência nem mesmo à competência normativa do STJ. por sua vez.1. V. 25 Ato estrangeiro emanado de autoridade . com o advento da Emenda Constitucional n° 45/04.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ legais necessários para a homologação. 7. por isso. A Resolução n° 09/05 do STJ mantém essencialmente os requisitos previstos no artigo 217 do Regimento Interno do STF. consistem naqueles cuja presença obsta a homologação do julgado alienígena 27 . cit. A esse respeito. tendo em vista que a Resolução n° 09/05 do STJ reproduz. pp. Requisitos positivos 7. Os requisitos negativos. Comentários ao Código de Processo Civil. Trata-se do chamado juízo de delibação (giudizio di delibazione). V. estabelecia a sua competência normativa somente no que concerne a "processo e julgamento". José Carlos Barbosa. assim. Vol. assim como fazia o RISTF. os requisitos previstos na Lei de Introdução ao Código Civil. Com efeito. uma vez que todos os requisitos previstos no ato administrativo têm. na vigência da norma anterior. ao rito do processo de homologação. Comentários ao Código de Processo Civil. competente Sobre a distinção entre o mérito da ação estrangeira e o mérito da ação de homologação de sentença estrangeira. não sendo autorizado o reexame do mérito da ação estrangeira 25 . Os requisitos positivos são aqueles cuja presença afigura-se indispensável para que seja homologada a sentença estrangeira. José Carlos Barbosa. vide MOREIRA. em linhas gerais. abalizada doutrina já ponderava. possui texto legal ainda mais sucinto. suporte legal. a atualidade da crítica outrora tecida pela doutrina. Vol. a questão da constitucionalidade perde eficácia prática. Abalizada doutrina pátria já traçava. ou seja. ao prever a competência do STF para a homologação de sentença estrangeira. em última análise. A Emenda Constitucional n° 45/04. o E. a classificação dos requisitos da homologação em positivos e negativos.1. devem ser estabelecidos por lei. O Regimento Interno do STF estabelecia os requisitos necessários para a homologação de sentença estrangeira. de sua parte. Superior Tribunal de Justiça cuidou de estabelecê-los na Resolução n° 09/05 26 .1. cit.

uma vez que. do RISTF dispõem de forma semelhante.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ A Resolução n° 09/05 do STJ prevê os requisitos positivos em seu artigo 5°. alínea “a”. do CPC) ou se configura competência exclusiva da Justiça brasileira. Vale dizer. assim como o artigo 217. O inciso I exige que a sentença estrangeira tenha sido proferida por autoridade competente. segundo a lei do país de origem. do Código de Processo Civil. da Lei de Introdução ao Código Civil. portanto. artigo 88. que o ato estrangeiro tenha emanado da autoridade estrangeira competente. são homologáveis os atos estrangeiros decretados não apenas por juízes. verifica-se que a Resolução do STJ procurou corrigir imprecisão técnica. sendo necessário. o artigo 15. Todavia. uma vez que a questão somente poderia ser dirimida pelo Judiciário brasileiro. Insta observar que cabe ao E. aludindo. inciso I. substancialmente. ou seja. mas por outras autoridades administrativas. ao aludir à autoridade competente. no exercício do juízo de delibação. a sentença estrangeira não poderá ser homologada. inclusive. tribais. Nesse passo. conforme exposto anteriormente. de acordo com a legislação alienígena aplicável. a juiz competente. competirá ao Judiciário brasileiro examinar se a matéria poderia ter sido solucionada por autoridade de país estrangeiro (competência concorrente. Neste último caso. desde que sejam competentes para a prática do ato. manteve a Resolução o requisito outrora exigido. apenas verificar se foi observada a competência internacional. religiosas ou. . contudo. por membros integrantes do Poder Judiciário do país de origem. Diante disso. Com efeito. de acordo com o artigo 89. Superior Tribunal de Justiça. forçoso convir que a menção a autoridade competente mostra-se mais correta.

internalizado pelo Decreto n° 18. No mesmo viés de orientação posiciona-se Guilherme Pena de Moraes. a princípio. tendo em vista que o processo no exterior não terá conferido o mínimo de garantias às partes 29 . 2002. sendo a competência concorrente. pp. Temas de Direito Processual. de acordo com o disposto nos artigos 321 e 322 do Código de Bustamante. São Paulo: Saraiva. disponha de competência especial ou interna para tanto. de acordo com a ordem normativa do Estado na qual foi prolatada. mormente se o ato homologando não é mais passível de modificação de acordo com a legislação do país de origem 28 . O eminente processualista José Carlos Barbosa Moreira entende que. em detrimento da nacional. 1994. exige-se seja demonstrada a submissão voluntária das partes à jurisdição estrangeira. caberá ao requerente demonstrar que ambas as partes do processo estrangeiro concordaram com o julgamento da causa pela autoridade estrangeira. em conformidade com as normas brasileiras sobre competência internacional.sem colchetes no original) 29 "Problemas Relativos a Litígios Internacionais". Com efeito." (Homologação de Sentença Estrangeira à Luz da Jurisprudência do STF. 5ª Série. STJ deixe de homologar a sentença alienígena. 28 . p. Assim sendo. de 13 de agosto de 1929. ao apreciar o pedido de homologação. será autorizado ao Judiciário brasileiro invocar a cláusula da ordem pública como óbice à homologação do julgado estrangeiro. a fim de averiguar se a autoridade estrangeira que decretou o ato homologando se afigura competente para a sua prática. à Corte Suprema cumpre examinar se. veiculadas pelos arts. a jurisdição a que se encontra vinculado o órgão que exarou a sentença possuía competência geral ou internacional para fazê-lo. somente em casos excepcionais de manifesta incompetência da autoridade estrangeira será razoável admitir que o E.871. Desse modo. em regra. 34 . mas. in verbis: "Vale dizer: ao Supremo Tribunal Federal [antes da EC 45/04]. não caberá ao Superior Tribunal de Justiça analisar a legislação interna do país de origem. 139-162. nessa hipótese excepcional. ao reverso. Indo além. 88 e 89. Rio de Janeiro: Lumen Júris.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Sendo a competência concorrente. não cabe verificar se a sentença foi proferida por órgão que. do Código de Processo Civil. não incumbe ao Judiciário brasileiro zelar pela correta aplicação da legislação interna de país estrangeiro.

a decretação da revelia do réu depende justamente de sua prévia e regular citação. que já constava nos diplomas anteriores. assim como no inciso II do artigo 217 do RISTF. nesse caso. Assim é que dispõe o inciso II ser exigida a comprovação. eis que. nesse caso. sendo. Com feito. será legalmente decretada a revelia. estará o réu justamente opondo-se ao julgamento da causa pelo Judiciário de outro país. salvo se a manifestação cingirse a declinar a competência da autoridade estrangeira. 38.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Poderá a submissão ser expressa. em caso de revelia. o que resta demonstrado a partir da existência de cláusula de eleição de foro. . uma vez citado o réu e deixando ele de apresentar contestação no prazo legal. Homologação de Sentença Estrangeira. de que as partes foram regularmente citadas no processo estrangeiro ou haver-se legalmente verificado a revelia. 7. cumpre aduzir que. na verdade. Em prosseguimento. cumulativos os requisitos. aferível a partir de atos praticados pelas partes que atestem a sua concordância com o julgamento pela autoridade estrangeira. prevalece o 30 MORAES. Decretação da revelia O inciso II do artigo 5° da Resolução em comento praticamente reproduz a redação contida na alínea “b” do artigo 15 da Lei de Introdução ao Código Civil. Primeiramente. Citação regular. ou tácita. será inadmissível a submissão tácita. uma vez que o réu sequer terá se manifestado regularmente nos autos. cit. pelo autor da ação de homologação.1. Por outro lado. p. Do mesmo modo.. tais como a manifestação do réu nos autos do processo estrangeiro. caso a citação do processo estrangeiro tenha sido realizada no exterior. a ausência de citação válida impede a decretação da revelia do réu 30 . Isso porque. merece ser observado que a Resolução do STJ manteve o emprego inadequado da conjunção alternativa “ou”.2. Op. Guilherme Pena de.

A esse respeito. restando cediço na Corte que a citação por rogatória deve deixar estreme de dúvidas que a comunicação chegou ao seu destino. Assim sendo. Ausência de Citação Válida. Imprescindibilidade. julgado em 20/09/06. litteris: “Processual Civil. Isso porque. a subseqüente decretação da revelia. Corte Especial. Homologação. Rel. Réu domiciliado no Brasil. 1. Carta Rogatória. deve ser observada a legislação brasileira. Superior Tribunal de Justiça vem mantendo. No entanto. caso a citação tenha sido realizada em país diverso daquele onde esteve em curso o processo que ensejou a sentença homologanda. STJ entende que a citação de pessoa domiciliada no Brasil deve ser feita através de carta rogatória. Deveras. caso o réu do processo estrangeiro. deve ser considerado preenchido o requisito exigido no inciso II do artigo 5° da Resolução do STJ. impunha-se a carta rogatória no afã de se considerar válida a vocatio in iudicium da pessoa jurídica brasileira e.stj. a rigor. In casu. ainda que. Todavia. 2. domiciliada no Brasil. em linhas gerais. Supremo Tribunal Federal. a fortiori. 31 Nesse passo. que impõe equivalência formal da citação. o entendimento outrora esposado pelo E. e não há a prova inequívoca da convocação. A citação da pessoa jurídica nacional. Submetendo as partes a convocação do demandado conforme a Convenção Interamericana. o processo correu à revelia. o E. STJ. razão não há para invocar requisito legal criado justamente para proteger os seus interesses." (SEC 842/EX. merece transcrição o seguinte trecho de recente julgado do STJ. Sentença Judicial Estrangeira Contestada. opera-se via rogatória. o E. domiciliado no Brasil. Min. De fato. a sua citação naquele processo pudesse ser considerada inválida à luz da legislação pátria. prevalecerá o princípio da lex diligentiae. 3.gov. se o próprio réu daquele processo possui interesse em executar a sentença estrangeira no Brasil. segundo o qual deverá ser aplicada a lei do local onde a citação foi realizada.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ princípio da lex fori. sendo inválida sua realização através de affidavit ou outras formas de citação admitidas em legislações estrangeiras 31 . a homologação da Sentença Estrangeira pressupõe a obediência ao contraditório consubstanciado na convocação inequívoca realizada alhures.br) . caso a parte citada no processo estrangeiro esteja domiciliada no Brasil. disponível no endereço eletrônico: www. venha a promover a ação de homologação de sentença estrangeira perante o Superior Tribunal de Justiça. Luiz Fux. promulgada pelo Decreto Legislativo 93/95. devendo ser observada a lei em vigor naquele país estrangeiro.

julgado em 02/08/06. O E. entendemos que a sentença estrangeira que não seja passível de execução no país de origem.stj. será válida a citação feita por edital. Disponível no endereço eletrônico: www. além de transitada em julgado.br. Min." No mesmo sentido.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Coerentemente. Essa matéria somente poderá ser argüida e apreciada pela Justiça brasileira por ocasião da instauração do processo de homologação delibação 33 . A simples citação da empresa para responder à ação intentada perante a Justiça estrangeira não apresenta situação de afronta à soberania nacional e à ordem pública.1. "Hipótese de competência relativa da Justiça brasileira. as questões de fundo envolvidas na ação em trâmite na Justiça rogante. que exige que a sentença estrangeira. STJ. Trânsito em julgado O inciso III do artigo 5° da Resolução n° 09/05 do STJ prevê o trânsito em julgado da sentença estrangeira como requisito indispensável à homologação. Barros Monteiro.br. Laurita Vaz. para a citação de réu domiciliado no Brasil não consiste na sede adequada para questionar a competência relativa da Justiça estrangeira. Superior Tribunal de Justiça manifestou o posicionamento no sentido de que a carta rogatória. vide: Edel na CR 807/EX. STJ. razão pela qual deve ser considerado preenchido o requisito exigido no inciso II do artigo 5° 32 . no cumprimento de cartas rogatórias. Corte Especial. 33 AgRg na CR 500/EX. Precedentes do STF. STJ. expedida nos autos de processo estrangeiro em curso. seguida da nomeação de curador especial. não impedindo a concessão da ordem a recusa do interessado a submeter-se à Justiça rogante. por não observar as formalidades exigidas no ordenamento jurídico daquele local. se revista das formalidades necessárias à sua execução no lugar onde foi proferida. disponível no endereço eletrônico: www. o E. O citado dispositivo omite a parte final constante do inciso III do artigo 217 do RISTF. 7. Min. pois não ofende a ordem pública tampouco a soberania nacional. estando o réu em local ignorado. SEC 57/DF. Superior Tribunal de Justiça entendeu que. Rel.stj. julgado em 30/06/06. Rel. julgado em 15/03/06. Corte Especial. Min.gov. Corte Especial. Barros Monteiro. 32 de sentença estrangeira. Não cabe examinar. no exercício do juízo de .gov.3. Inobstante o silêncio da norma. Rel.

A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ não poderá ser executada no Brasil. Diante disso. ser homologada. atribuindo à sentença estrangeira (novos) efeitos. por isso. portanto. Nesta hipótese. o inciso III deve ser interpretado no sentido de exigir que o ato estrangeiro homologando. e não apenas de membros do Poder Judiciário do país de origem. não podendo. a partir da atuação do Judiciário brasileiro. na medida em que. ultrapassando a noção de cooperação jurídica internacional. religiosas e tribais. seja qual for a sua natureza. que pressupõe a existência de sentença judicial revestida da qualidade de coisa julgada material. compatibiliza-se o teor do inciso III com o disposto no parágrafo 1° do artigo 4°. a sentença estrangeira produziria mais efeitos no Brasil (exterior) do que em seu próprio país de origem. . teria conteúdo de sentença.todos ou alguns deles . no Brasil. Superior Tribunal de Justiça estaria. que minus dixit lex quam voluit. mister reiterar que o conceito de sentença estrangeira homologável é abrangente. Tecidas tais considerações. antes analisado. que reconhece ser homologável provimento não judicial estrangeiro que. deve ser temperado. os efeitos . o conceito técnico de trânsito em julgado. que não poderiam sequer ser produzidos no país de origem. não seja mais passível de modificação segundo a lei do país de origem. Tal entendimento afrontaria toda a sistemática da homologação de sentença estrangeira. De fato. o E. se a sentença estrangeira homologanda não está apta a produzir quaisquer efeitos no país de origem. abarcando outros atos emanados de autoridades políticas. Com isso. entendemos. Isso porque a homologação de sentença estrangeira visa a importar. Do contrário. para o âmbito interno.que a sentença estrangeira possui o condão de produzir em seu país de origem. por deixar de se revestir das formalidades necessárias. logo. Diante disso. não há efeitos a serem importados. na verdade.

Rel. Homologação de Sentença Estrangeira. tais como o dos Estados Unidos.995/EP. Guilherme Pena de. 35 Nesse sentido. STJ. Min. Em outras palavras. 7. sob pena de violar a soberania nacional 37 .gov. julgado em 11/03/88. em alguns ordenamentos jurídicos. esta não deverá ser homologada. Superior Tribunal de Justiça vem mantendo o entendimento firmado pelo STF. 41. STF. Por outro lado. STJ.stj. julgado em 19/06/06. MORAES.gov.. Min. 36 No mesmo sentido.br. STJ. Rel. ao admitir que.gov.de julgado estrangeiro no Brasil 36 . Corte Especial. Felix Fischer. Rel. o cumprimento provisório . a prova do arquivamento do processo consiste em elemento indicativo suficiente do trânsito em julgado no país de origem. julgado em 30/06/06.4. Supremo Tribunal Federal adotara posicionamento flexível a respeito da comprovação do trânsito em julgado da sentença homologanda 34 . tendo a sentença brasileira transitado em julgado antes da homologação da sentença estrangeira. esta não deverá ser homologada.br. e SEC 32/EX. disponíveis no endereço eletrônico: www. SEC 819/EX. Rafael Mayer. vide SEC 756/EX. julgado em 05/10/05. Min.stj. Humberto Gomes de Barros. Min. tecnicamente. o E.br.ou. .1. cit. Diante da exigência do trânsito em julgado no inciso III. disponível no endereço eletrônico: www. Autenticação pelo cônsul brasileiro e tradução por tradutor público oficial ou juramentado no Brasil 34 Conforme SE 3. disponível no endereço eletrônico: www. Não obsta a homologação de sentença estrangeira transitada em julgado a existência de processo em curso perante o Judiciário brasileiro sobre a mesma questão. Fernando Gonçalves. no qual entendeu que estando em vigor liminar concedida pela Justiça brasileira que conflite com o teor da sentença estrangeira. Rel. Op. 37 O STJ proferiu interessante julgado. conclui-se não ser admissível a execução provisória . p. não há litispendência no âmbito internacional (artigo 90 do CPC). Corte Especial.stf. conforme se depreende dos julgados proferidos 35 .A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Com efeito. O E. por ofender a soberania nacional.

Bons costumes consistem em valores essenciais à vida dos povos cultos no que se refere precipuamente à moral 38 . Todavia. a sentença estrangeira que ofenda aos bons costumes não deverá ser homologada pelo STJ.2. Op.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ O inciso IV do artigo 5o da Resolução n° 09/05 exige que a sentença estrangeira homologanda esteja autenticada pelo cônsul brasileiro e traduzida por tradutor público juramentado no Brasil. que não foi expressamente contemplada no artigo 6o da Resolução do STJ. Ofensa à soberania nacional ou à ordem pública Os requisitos negativos. . Assim sendo. 7. O RISTF exigia o preenchimento de tais requisitos no inciso IV do artigo 217. 46. obstam a homologação da sentença estrangeira pelo E. ainda. Guilherme Pena de. a observância aos bons 38 MORAES. inobstante a ausência de menção expressa. De igual sorte. alínea “c”. que. Trata-se da ofensa à soberania nacional ou à ordem pública. Requisitos negativos. De fato. cit.. da Lei de Introdução ao Código Civil. vem a Resolução do STJ ratificar exigência que já era consagrada em outros diplomas. entendemos que. p. os artigos 156 e 157 do Código de Processo Civil prevêem o uso do vernáculo nos atos processuais. A tradução para o vernáculo da sentença estrangeira já encontrava previsão no artigo 15. estando presentes. à ofensa aos bons costumes. Superior Tribunal de Justiça encontram-se previstos no artigo 6o da Resolução n° 09/05. O artigo 17 da Lei de Introdução ao Código Civil bem como o artigo 216 do RISTF referem-se. O autor recorre ao magistério de Clóvis Beviláqua ao formular o conceito. determinando a tradução para a língua portuguesa de documentos redigidos em idioma estrangeiro que venham a ser juntados aos autos.

leciona Carmen Tibúrcio. Min. inclusive. São Paulo: RT. Rel. há certo consenso no sentido de que o conceito compreende princípios fundamentais jurídicos. em seus julgados 40 .gov. assim define o conceito de soberania o constitucionalista José Afonso da Silva.br. 'na ordem internacional. Ratificando o entendimento ora esposado. in verbis: "Embora não se tenha chegado a uma lista definitiva apta a impedir o reconhecimento de decisões estrangeiras. José Delgado. 41 MORAES. Superior Tribunal de Justiça continua invocando. prevendo que a citação do réu para contestar o processo de homologação deverá ser realizada mediante Nesse sentido. como observa Marcello Caetano: supremo. jurídica. litteris: "Soberania significa poder político supremo e independente. cit. econômicos. moral do país onde será executada a sentença estrangeira 39 . 22ª ed. Processo e Constituição. Estudos em Homenagem ao Professor José Carlos Barbosa Moreira. 43. 8. independente. 2006. Corte Especial. o que demonstra que a sua omissão no texto da Resolução n° 09/05 não importa em sua desconsideração. p. julgado em 01/08/06. 2003.stj. social e. não reconhecendo poder superior ou concorrente ao seu 41 . no meio em que é constituído. São Paulo: Malheiros. No mesmo viés de orientação. porque 'não está limitado por nenhum outro na ordem interna'. Min. morais e sociais do foro em que se pretenda executar a sentença. A soberania nacional. consiste na autoridade que possui o Estado. STJ. Contestação O artigo 8° da Resolução n° 09/05 dispõe que a parte interessada será citada.. Rel. José Delgado." ("A Ordem Pública na Homologação de Sentenças Estrangeiras". a fim de apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias. STJ. Guilherme Pena.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ costumes está inserta no conceito maior de ordem pública. porque. cabe ressaltar que o E. o qual abarca princípios fundamentais de ordem econômica. e SEC 829/EX. a observância aos bons costumes como requisito para a homologação de sentença estrangeira. quanto às relações que regula. não tem de acatar regras que não sejam voluntariamente aceitas e está em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos'. 104) 39 . 211) 40 Vide SEC 573/EX. Corte Especial. p." (Curso de Direito Constitucional Positivo. Supremo Tribunal Federal regulava a citação no parágrafo 1° do artigo 220. por seu turno. disponíveis no endereço eletrônico: www. p. julgado em 15/02/06. O Regimento Interno do E. Op.

Refere-se a norma. uma vez que o interessado será citado para contestar a ação de homologação que se encontra em curso no Brasil. tendo em vista que o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Caso o país onde esteja domiciliado o réu se recuse a dar cumprimento à carta rogatória de citação. em verdade. notadamente aqueles insertos nos artigos 5° e 6°. A Resolução do STJ impõe restrições à matéria impugnável. em razão do princípio da lex fori. entendemos serem aplicáveis as regras antes descritas. deverá ser expedida carta rogatória.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ a expedição de carta de ordem para citação por oficial de justiça. dispunha no mesmo sentido. o que não pode ser considerado uma inovação. conforme previsto no parágrafo 3° do artigo 9° da Resolução. permitindo. se domiciliado no Brasil. se o réu for domiciliado no Brasil. na forma do artigo 231. a expedição de edital de citação. em seu artigo 221. tal hipótese equipara-se à do réu que se encontra em local ignorado. ou carta de ordem. Embora a Resolução n° 09/05 não regule expressamente a citação. parágrafo 1°. ou. mediante a expedição de carta rogatória. Decretada a revelia ou sendo o réu incapaz. se domiciliado o réu no exterior. a inteligência da decisão homologanda e a observância dos requisitos previstos na própria Resolução. examinados nos itens precedentes. Diante disso. o artigo 9o estabelece que a defesa somente poderá versar sobre a autenticidade dos documentos apresentados pelo autor. assim. à . A previsão de impugnação do réu sobre a “inteligência da decisão” merece algumas ponderações. deverá ser nomeado curador especial. do Código de Processo Civil. Com efeito. se domiciliado o réu no exterior.

VILLAR. a todas as luzes. Diante disso. cabe ao réu alegar apenas que a sentença homologanda não se mostra minimamente clara. Rio de Janeiro: Objetiva. esta poderá ser homologada pelo STJ. se a sentença estrangeira se mostra manifestamente contraditória ou incompreensível. preenchendo. é a tradução para o vernáculo da sentença estrangeira. 1. o requisito ora analisado. Nesse caso poderá a parte impugnar a tradução e até mesmo. Isso porque. Antônio.631) 43 Afigura-se importante que os interessados se certifiquem se o que se mostra incompreensível. compreensibilidade. A inteligibilidade situa-se. na verdade. ou seja.Qualidade do que é inteligível. e não propriamente a sentença homologanda em sua redução original. p. assim. compreensível. será autorizado ao réu suscitar o debate acerca da interpretação mais adequada. mostra-se absolutamente incompreensível e equívoco. 2001. ser Em outras clara e minimamente compreensível para que possa ser homologada. apresentar uma nova tradução realizada por outro tradutor público juramentado. embora comporte interpretações diversas. em que a sentença homologanda afigura-se compreensível (inteligível). claro. do que pode ser compreendido. deve da a sentença sentença estrangeira estrangeira homologanda. Nesse caso. A inteligibilidade da sentença homologanda não se confunde em absoluto com o fato de tal decisão comportar interpretações quanto ao seu cumprimento. ." (HOUAISS. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.que se compreende bem. Somente em momento posterior. por ocasião de seu cumprimento perante a Justiça Federal."Inteligível . Até mesmo porque uma decisão manifestamente incompreensível e contraditória não permite sequer a formulação de interpretações plausíveis e minimamente sustentáveis. a ser executado no Brasil. portanto. Isso porque ao 42 "Inteligibilidade . quando já estiver homologada a sentença estrangeira. em patamar antecedente e consiste em pressuposto para a formulação de interpretações possíveis acerca do comando da sentença.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ inteligibilidade 42 palavras. Mauro de Salles. torna-se inviável a sua adequada execução no território nacional. que é fácil de entender. pois o seu texto não oferece um grau mínimo de segurança e clareza 43 . que o seu comando.

decidindo a forma como deverá ser executada perante a Justiça Federal. no processo de homologação. Atuação do Ministério Público Será obrigatória a atuação do Ministério Público Federal como custos legis no processo de homologação de sentença estrangeira. aplicável ao processo de homologação de sentença estrangeira. Inobstante isso. será cabível a apresentação de réplica pela parte autora no prazo de 5 (cinco) dias. Verificando o órgão do Ministério Público Federal que a sentença estrangeira não atende os requisitos indispensáveis para a sua homologação. poderá apresentar impugnação. Tal prerrogativa justifica-se em razão de a homologação de sentença estrangeira encerrar valores de suma importância. 10. Desse modo. mas apenas exercer o juízo de delibação. no parágrafo 2° do artigo 221. A Resolução n° 09/05 não alude à réplica. Réplica O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal previa expressamente a abertura de prazo de 5 (cinco) dias para réplica. da CF). decidir acerca das medidas adequadas para o seu fiel cumprimento (artigo 12 da Resolução). conforme disposto no artigo 10 da Resolução n° 09/05 do STJ. em homenagem ao contraditório (artigo 5°. inciso LV. entendemos que. . em momento posterior. não compete interpretar a decisão estrangeira. cabendo à Justiça Federal. o interesse privado das partes diretamente envolvidas. transcendendo. cumprirá ao STJ homologar a sentença estrangeira. em razão do disposto no artigo 327 do Código de Processo Civil. 9.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Superior Tribunal de Justiça. assim. examinando a presença dos requisitos exigidos. como a soberania nacional e a ordem pública.

87. n° 2. Comentários ao Código de Processo Civil. . cit. uma vez contestada a ação e distribuída para um dos Ministros integrantes da Corte Especial. V. da Convenção de Nova Iorque. mas contra todas as decisões por ele proferidas ao longo do processo de homologação. O agravo regimental será cabível não apenas contra o provimento final do Presidente do STJ que homologar ou não a sentença estrangeira. prevista no parágrafo 3° do artigo 5° da Resolução. p. ainda. Isso porque o artigo 11 prevê o cabimento de recurso contra as decisões na homologação de sentença estrangeira.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Tratando-se de sentença estrangeira concessiva de alimentos. função 44 MOREIRA. com isso. entendemos que será igualmente cabível agravo regimental contra as decisões proferidas monocraticamente pelos Ministros Relatores. Vol. Recurso Prevê o artigo 11 da Resolução n° 09/05 o cabimento de agravo regimental contra as decisões proferidas pelo Presidente do STJ na homologação de sentença estrangeira. Isso porque. c/c o artigo 26 da Lei Federal n° 5. o cabimento de recurso contra todas as decisões monocráticas proferidas ao longo do processo. Op. se torna o relator competente para exercer naquele processo a função de direção do processo. 11. cabendo-lhe promover a homologação do julgado alienígena 44 . nos processos em que tenha havido contestação da parte interessada ou impugnação do Ministério Público. atuará o Ministério Público Federal. Embora o citado dispositivo refira-se às decisões proferidas pelo Presidente do Superior Tribunal de Justiça. deixando claro..478/68. na qualidade de “instituição intermediária” prevista no artigo II. inclusive contra a decisão que apreciar o pedido de concessão de tutela de urgência. José Carlos Barbosa.

A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ esta que compete ao Presidente do STJ no julgamento das ações não contestadas. . igualmente. Conclusão A Resolução n° 09/05 do STJ manteve. a distribuição dos processos de homologação contestados apenas para os Ministros integrantes da Corte Especial tampouco contribui para o alcance dessa finalidade. STJ disponha diversamente. considerando-se que a previsão da competência do STJ para a homologação de sentença estrangeira encontra-se prevista na EC n° 45/04. ainda resta a expectativa de que. decerto a manutenção da competência do Presidente do Tribunal Superior para o julgamento de todos os processos de homologação em que não haja contestação ou impugnação compromete o ideal de celeridade. do RISTJ. em linhas gerais. 12. O agravo regimental deverá ser interposto pela parte interessada no prazo de 5 (cinco) dias e será julgado pela Corte Especial do STJ. conforme artigo 15. A jurisprudência do E. c/c o artigo 258. a sua tendência a prestigiar o entendimento pacificado pelo STF no trato da matéria. Do mesmo modo. a disciplina prevista no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal relativa ao processo de homologação de sentença estrangeira. o E. Com efeito. Diante disso. STJ devesse ter ousado um pouco mais no trato de algumas questões. inciso I. não há razão plausível para negar a recorribilidade das decisões proferidas monocraticamente pelos Ministros Relatores e colocá-las a salvo de revisão pela Corte Especial. No entanto. procedendo a modificações. principalmente no que tange à competência do Presidente da Corte. tendo em vista que a Resolução n° 09/05 regula a matéria em caráter provisório. ao disciplinar a matéria em seu Regimento Interno. Talvez o E. STJ vem demonstrando. a mesma que estabeleceu a garantia da duração razoável do processo.

espera-se que. Todavia. De fato. com a previsão da competência do STJ. como principal modificação trazida pela Resolução n° 09/05 pode ser apontada a admissibilidade da concessão de tutela de urgência pelo Presidente do Tribunal ou pelo Ministro Relator. todos os processos de homologação de sentença estrangeira recebam tratamento ágil e sejam julgados em tempo razoável. representando um verdadeiro avanço. independentemente da concessão de tutela de urgência nos casos em que for cabível.A Homologação de Sentença Estrangeira de Acordo com a Resolução n° 09/05 do STJ Por fim. tal medida se coaduna com o escopo de celeridade que inspirou a edição da Emenda Constitucional n° 45/04. como foi o ideal perquirido pelo constituinte derivado e como esperam os operadores do Direito e os jurisdicionados. .

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