Você está na página 1de 3

ARTIGO ACADÉMICO

A PROBLEMATICA DA
ATRIBUIÇÃO DO CARÁCTER
ALEATÓRIO NOS CONTRATOS
- Risco da desigualdade das prestações
- Direito de crédito
. O incumprimento
JOSÉ MALONDE
Objetivos da pesquisa: elucidar quais os tipos contratuais e negócios em que se podem
verificar a incidência preliminar da aleatoriedade contratual, Quais os riscos inerentes e
as soluções jurídicas apresentadas pelo legislador, o regime jurídico e previsão legal do
carater aleatório, considerando a venda de bens futuros, a atribuição de eficácia real, a
questão da obrigatoriedade de pagar o preço mesmo se o facto que deu origem a relação
jurídica e ao negócio não se verificar.
LIVRO II - DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
TÍTULO II - Dos contratos em especial
CAPÍTULO I - Compra e venda
SECÇÃO II - Efeitos da compra e venda
----------
Artigo 880.º - (Bens futuros, frutos pendentes e partes componentes ou integrantes)

       1. Na venda de bens futuros, de frutos pendentes ou de partes componentes ou


integrantes de uma coisa, o vendedor fica obrigado a exercer as diligências necessárias
para que o comprador adquira os bens vendidos, segundo o que for estipulado ou
resultar das circunstâncias do contrato.
       2. Se as partes atribuírem ao contrato carácter aleatório, é devido o preço, ainda que
a transmissão dos bens não chegue a verificar-se.

O que é um contrato aleatório?


Trata-se do contrato bilateral e oneroso em que pelo menos um dos contraentes não
pode antever a vantagem que receberá, em troca da prestação fornecida. Caracteriza-se
pela incerteza, para as partes, sobre as vantagens e sacrifícios que dele podem advir. É
que a perda ou lucro dependem de um fato futuro e imprevisível.

São aleatórios os contratos em que a prestação de uma das partes não é precisamente


conhecida e suscetível de estimativa prévia, inexistindo equivalência com a da outra
parte. Além disto, ficam dependentes de um acontecimento incerto.
Qual a diferença entre contrato comutativo e o contrato aleatório?
Enquanto no contrato comutativo a equivalência é das prestações, objetivamente
consideradas, no contrato aleatório a equivalência é justamente do risco da
desigualdade das prestações, razão pela qual nele pode ocorrer a desigualdade objetiva
das prestações, porque a ideia de risco compõe a noção de álea.
Impossibilidade superveniente não imputável ao devedor • 790º - 800º O que é uma
obrigação impossível de cumprir? A verdadeira impossibilidade é objetiva, absoluta e
definitiva. Deste modo, uma impossibilidade relativa à pessoa do devedor, só vale como
impossibilidade quando certos requisitos são cumpridos: prestação infungível ou sendo
fungível, o motivo da impossibilidade tem de se estender à substituição. À partida, a
impossibilidade só o é se for objetiva, ou seja, se aquela obrigação não pode ser
cumprida por ninguém. A infungibilidade tem graus, sendo que apenas conta como
impossibilidade quando todas as pessoas que podem cumprir, não o conseguem fazer.
Em princípio, as obrigações pecuniárias não são impossíveis. Para uma obrigação
pecuniária ser impossível ou as partes fixaram que teria de ser apenas o devedor a
cumprir a obrigação, ou todo o dinheiro do mundo desapareceria. Quando algo é
fisicamente impossível, como entregar a lua, a obrigação é impossível. Há a discussão
se a impossibilidade jurídica, conta como impossibilidade. Considera-se que sim; se a
lei passa, por exemplo, a proibir um certo ato, uma obrigação que dependa do mesmo,
passa a ser impossível. Não se deve, porém, considerar uma obrigação que se tornou
muito mais difícil de cumprir, impossível. Artigo 790º, nº1: a obrigação extingue-se por
impossibilidade não imputável ao devedor Para distinguir causas imputáveis das não
imputáveis devemos confrontar o 790º com o 801º. O critério é a culpa. Se entendermos
que houve culpa, a impossibilidade é imputável. A culpa tem duas modalidades: dolo,
quando houve intenção, ou negligência, que é a falta de cuidado. Nesta matéria, a culpa
presume-se, pelo 799º. Ou é possível demonstrar que o devedor não teve culpa, ou na
dúvida, entendemos que é imputável. A medida da culpa remete para o 487º, nº2, para a
figura do bom pai de família.

Você também pode gostar