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Dulce Filomena

Maida Guambe
Marta Jéssica Cubai
Rosalina Mutevula
Télcia Hilário Chipe

O Impacto Sócio Económico dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Mega Projectos
Caso Mozal (2010-2020)
Licenciatura em Contabilidade e Auditoria
LABORAL
4º ANO

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2021
ii

Dulce Filomena
Maida Guambe
Marta Jéssica Cubai
Rosalina Mutevula
Télcia Hilário Chipe

O Impacto Sócio Económico dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Mega Projectos
Caso Mozal (2010-2020)
Licenciatura em Contabilidade e Auditoria
LABORAL
4º ANO

O presente relatório será apresentado no


departamento da FEG orientado pelo
Docente Mestre Hilário Bambamba, da
disciplina de Estágio Técnico Profissional
para efeitos de avaliação.

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2021
iii

I. Resuno
O papel económico dos mega projectos (e de quaisquer outros projectos económicos) depende
das suas ligações com a economia (isto é, de como é quea economia comoum todo retém a
riqueza produzida e a distribui).

Sem ligações estabelecidas a riqueza gerada pertence aos mega projectos e não à economia–as
exportações dos mega projectos pagam as suas importações e financiam o repatriamento dos
seus lucros.

Este relatório aborda o impacto sócio-económico dos beneficios fiscais concedidos aos mega
projectos, que para tal, toma como estudo o caso do projecto Mozal, na Matola.

No entanto, os benefícios fiscais concedidos pelo GdM às multinacionais no âmbito dos


acordos estabelecidos estão a prejudicar ao Estado moçambicano, sobretudo, se se considerar
que as perdas em receitas seriam uma fonte importante de recursos para financiar aos sectores
prioritários, tal como é o caso da educação, cujo orçamento apresenta um défice crónico.

Ou seja, arrecadar mais impostos através dos megaprojectos aumentaria o bolo orçamental e,
consequentemente a percentagem alocada ao sector da educação seria maior.

Palavras-chave: Mega Projectos; investinmentos; tecnologia, benefícios fiscais.


iv

Índice
I. Resuno..................................................................................................................................i

1. Introdução............................................................................................................................1

1.1. Objectivos....................................................................................................................1

1.1.1. Objectivo geral......................................................................................................1

1.1.2. Objectivos específicos..........................................................................................1

1.2. Descrição da Mozal......................................................................................................1

Determinantes do investimento: Mozal...............................................................................2

2. Contextualização.................................................................................................................4

2.1. Mega Projecto..............................................................................................................4

2.2. Características Económicas dos Mega Projectos.........................................................4

2.3. Contributo económico dos mega projectos..................................................................6

2.4. Contributo fiscal dos mega projectos...........................................................................7

3. Metodologia de Pesquisa.....................................................................................................9

4. O Impacto Sócio Económico dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Mega Projectos -
Caso Mozal (2010-2020)..........................................................................................................10

5. Conclusão..........................................................................................................................14

Referências Bibliográficas........................................................................................................15
1

1. Introdução
A dinâmica dos megas projectos em Moçambique é notória, existem cada vez mais
investimentos de vulto privado a surgir ou a expandir-se, principalmente na primeira década
do século XXI.

O primeiro projecto do grande investimento privado em Moçambique foi a Mozal com um


investimento inicial segundo Massingue (2013) de USD 1.340 Milhões.

Existem em Moçambique, cada vez mais descobertas de reservas de recursos minerais, com
maior incidência na província de Tete. O clima de entrada de novos investimentos em
Moçambique é favorável, sobre tudo no que tange a isenções fiscais.

São grandes as espectativas em torno dos mega projectos, sobre tudo no que diz respeito a
geração de emprego, arrecadação fiscal. Se bem utilizados e geridos os recursos que o país
dispõe, a economia pode sobressair-se no pnorama económico mundial.

O presente relatório visa debruçar sobre o impacto sócio-económico dos beneficios fiscais
concedidos aos mega projectos.

1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo geral
Estudar o Impacto Sócio Económico dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Mega Projectos.

1.1.2. Objectivos específicos


 Identificar as caracteísticas e o contributo económico dos mega projectos;
 Analisar o contributo económico e fiscal dos mega projectos.
 Analisar o impacto sócio económico dos benefícios fiscais concedidos aos mega
procectos.

1.2. Descrição da Mozal


A Mozal é um projecto conjunto de fundidor de alumínio no Parque Industrial Beluluane,
Maputo, Moçambique.

O projecto é uma instalação de fundição que iniciou suas operações como produtora de
alumínio exclusivamente para exportação. O projecto teve início em 1998 como parte de um
programa de recuperação liderado pelo desejo ativo do governo moçambicano de
investimento estrangeiro para ajudar a reconstruir a nação após a guerra civil do país no início
de 1990.
2

A fundição da Mozal foi inaugurada oficialmente em setembro de 2000. Foi o primeiro


grande investimento estrangeiro em Moçambique e é o maior projeto do setor privado no país.

A empresa foi considerada a maior empresa de Moçambique, segundo a lista das 100 maiores
empresas do país em 2009, divulgada pela consultora KPMG. A fábrica situa-se na cidade da
Matola, nos arredores da capital Maputo. Ela consome uma boa parte da energia elétrica
gerada em Moçambique. Nos primeiros anos, recebeu uma ajuda da cooperação alemã através
do banco público alemão DEG.

Figura 1: Mozal

Determinantes do investimento: Mozal


Mozal

Relacionada ao subsidio no custo de energia eléctrica concedido pela ESKOM à Mozal, caso
a Mozalse estabelecesse em Moçambique, que por um lado, permitiu a Mozalreduzir seus
custos de produção e, por outro lado, permitiu expandir a área de operacionalidade da
ESKOM, isto é, seu nível de integração, produção e de domínio de mercado ao nível da
África Austral:

Esquema de fornecimento de Energia Eléctrica à Mozal:Acordo de fornecimento de energia


elétricaà Mozal(uma taxa abaixo da taxa normal), durante 12 anos. Nos primeiros 6 anos a
taxa é particularmente reduzida e fixa, depois aumenta progressivamente até ao 12º ano.
Fonte:Pretorius(2005)

Segundo Castel-Branco (2005), a Mozalfoi concebida como parte da estratégia de expansão


energética da Eskon, por causa da sua intensidade energética, que melhora radicalmente a
3

viabilidade e a rentabilidade do investimento privado no sector energético moçambicano.


Assim, a motivação para o estabelecimento da Mozalem Moçambique, particularmente no Sul
do país, passa por integrar a energia moçambicana à grelha da Eskom, um quadro estratégico
que combina as capacidades interesses e estratégias da Eskom BHP-Billiton sistema
financeiro e complexo mineral energético quadro estratégico que combina as capacidades,
interesses e estratégias da Eskom, BHPBilliton, sistema financeiro e complexo mineral
energético sul-africano. Enquanto, a IDC (sul-africana) está interessada em expandir sua
representação ao nível da África Austral.

A disponibildadede infra-estruturas como o porto da Matola, que é largamente usado pela


Mozalna importação de matérias-primas e exportação do seu produto, e ainda relacinado com
este aspecto, está associada a recuperação dos custos incorridos pela empresa na reabilitação
e/ou construção de infraestruturas de domínio público de infra-estruturas de domínio público

A legislação ambiental tornou o país um autêntico paraíso ambiental para o projecto. Além
disso, o projecto faz a avaliação do impacto ambiental, a monitoria, o tratamento dos resíduos
e a reposição do meio ambiente, consequentemente, não existem grandes constrangimentos
e/ou penalizações
4

2. Contextualização
2.1. Mega Projecto
Os mega projectos são considerdos investimentos de grande porte, por seus investimentos
ascenderem 500 milhões de dólares norte americanos, porém estes beneficiam-se de
generosos benefícios fiscais.

A lei 4/2009, de 12 de janeiro criou um código de benefícios fiscais, na sua secção VII
"projectos de grande dimensão" art. 36º, são investimentos abrangidos, os investimentos
autorizados cujo investimento exceda o equivalente a 12.500.000,00 meticais, bem como
investimentos em infraestruturas de domínio público levados cabo sbre o regime de
concessões gozam dos benefícios fiscais.

Segundo a mesma lei os projectos de grande dimensão são isentos de:

 Direitos aduaneiros e do imposto sobre o valor acrescentado, na importação de


materiais de consstrução, máquinas, equipamentos, acessórios, peças sobressalentes
acompanhantes e outros bens destinados a prossecução de suas actividades.
 Os investimentos levados a cabo na Cidade de Maputo beneficiam durante cinco
exercícios fiscais, de dedução de 5% do total de investimento efectivamente realizdo
na colecta do IRPC, até à concorrência deste na parte respeitante à actividade
desenvolvida no âmbito do projecto.
 No caso dos projectos de investimento realizado nas restantes províncias, a
percentagem estabelecida é de 10%.
 Os demais incentivos fiscais são descontados na Amortização e reitegrações
aceleradas, Modernização e introdução de novas tecnologias Formação Profissional.

2.2. Características Económicas dos Mega Projectos.


De acordo com Castel-Branco (2008) os mega projectos são actividades de investimento e
produção com características especiais:

i. A sua dimensão, definida pelos montantes de investimento (acima de USD 500


milhões) e impacto na produção e comércio, é enorme;
ii. Os mega projectos são geralmente intensivos em capital e, portanto, não geram
emprego directo proporcional ao seu peso no investimento, produção e comérci;
iii. São geralmente concentrados em torno de actividades minerais e energéticos
como, carvão de Moatize, gás de Pande e Temane, areias minerais de Moma e
5

Chibuto, Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), e a Mozal (intensiva em energia),


são alguns exemplos;
iv. São estruturas das dinâmicas fundamentais de acumulação e reprodução
económica em Moçambique por causa do seu peso no investimento privado, na
produção e no comércio. Dado que são poucos e concentrados sobretudo na
indústria extrativa e de energia, as dinâmicas assim gerados são estruturantes de
uma economia excessivamente concentrada, produtora de produtos primários,
pouco diversificada em termo de produção, comércio, qualificações tecnologias e
ligações, e de base social e regional estreita;
v. Os mega projectos são área quase exclusiva de intervenção de grandes empresas
multinacionais por causa dos elevados custos, das qualificações e especialização
requeridas, da magnitude, das condições competitivas e especialização dos
mercados fornecedores e consumidores, geralmente dominados por oligapólios e
monopólios;
vi. Os custos de insucesso (ou sunk cots) sõ altos por causa da dimensão e
complexidade destes investimentos. Deste modo, estes empreendimentos são
pouco sensíveis a incentivos de curto prazo ou de ocasião, e muito sensiveis às
estratégias corporativas globais, dinâmicos dos mercados, condições logísticas e
de infra-estruturas, acesso barato e seguro a recursos produtivos e custos do
capital. Em Moçambique estes projectos sejam orientados para mercados externos
maiores e com acordos futuros,invistam massivamente na infra-estrutura e
logística que necessitam, exijam livre repatriamento de capitais, negoceiem preços
baixos para as matérias-primas e outros principais insumos locais e isenções de
direitos nas importações de equipamentos e materias-primas.

A implantação dos mega projectos segundo Castel-Branco são levados a debate como solução
para diversos problemas de desenvolvimento económicos e sociais.

 Acesso de capital, via investimento directo estrangeiro, sem pôr pressóes sobre os
alvos do programa de estabilidade macroeconómica de Moçambique;
 Acesso a tecnologia, capacidade de gestão e força de trabalho qualificada;
 Acesso a boas práticas de organização da produção e de gestão competitivas ao nível
dos standerds internacionais mais altos;
 Acesso a mercados;
 Ligações com a economia nacional;
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 Imagem (marketing) de Moçambique no panorama dos fluxos internacionais de


capitais.

2.3. Contributo económico dos mega projectos.


A contribuição dos mega projectos para a economia nacional, segundo Caste-Branco (2008)
está obviamente, relacionada com o seu peso de investimento, emprego, produção e comércio.
Porém, tal riqueza não pertence a economia como um todo, mas sim as companhias que a
possuem. O impacto da riqueza produzida pelos mega projectos na economia nacional
depende de como é que a economia retém e absorve parte do valor de produção e das vendas
dessas empresas, e não meramente avaliar os impactos sob os percentuais de exportação dos
mega projectos.

Mega projectos são grandes operações isoladas, geralmente de capital estrangeiro e intensivas
em capital, que dependem da extração de recursos e/ou de bens intermédios importados e que
exportam a quase totalidade da sua produção.

Castel-Branco (2008) estabelece entre os mega projectos e a economia nacional que permitem
reter parte da riquez os mega projectos , tais ligações permitem multiplicar os investimentos;
redistribuir o rendimento; promover o consumo; melhorar as capacidades produtivas.

O autor aponta duas visões opostas dessa ligação, por um lado, caso os mega projectos
estiverem como uma ilha sem fortes ligações com a economia a retenção sera mínima ou nula,
por outro lado se houver pontes de ligações fortes e retençã aumentará e tal retenção
aumentará o impacto social do projecto.

As principais ligações económicas que se desenvolvem a partir de mega projectos minerais e


energéticos são: produtivas, tecnológicas, de emprego, investimento/poupança e fiscais
(Castel-Branco, 2008).

Ligações produtivas são difíceis de desenvolver por causa da sofisticação tecnológica dos
mega projectos, da magnitude da sua produção e da fraqueza estrutural da base produtiva
nacional e as exigências relaciondas com a sofisticação dos standards de qualidade e
certificação que caracteriza a procura de bens e serviços industriais dos mega projectos. A
capacidade produtiva e logística para fornecer bens e serviços aos mega projectos exige
investimento em tecnologia, formação e aprendizagem e em gestão e logística (Castel-Branco,
2008).
7

Ligações tecnológicas são problemáticas. Por um lado, os mega projectos em Moçambique


não produzem produtos tecnológicos, ou capacidade produtiva. Produzem produtos primários,
os quis, em si, não permitem transferir tecnologia e ganhos tecnológias para empresas
consumidores a jusante. Ligações tecnológicas também podem surgir por cusa da mobilidade
de tyrabalhadores, gestores e técnicos dos mega projectos onde o nível e os standrds são mais
altos para outras empresas a jusante e a montante (Castel-Branco. 2008).

Ligações por via de empregos podem ser directas ou indirectas. As directas estão relacionadas
com o emprego gerado nos mega projectos. Dado que todos eles são intensivos em capital, as
oportunidades de emprego directo são relativamente escassas.

Por sua vez, o emprego indirecto não é o resultado directo e automático do mega projecto.
Para que o emprego indirecto aconteça é necessário desenvolver ligações produtivas a
montante (fornecedores) e jusante (consumidores) do mega projecto. Ora, estas ligações
requerem novo investimento, capacidades adicionais. Quanto muito o projecto proporciona
uma oportunidade de ligações mas a concretização dessa ligação depende de outras empresas,
dos seus interesses e capacidade (Castel-Branco, 2008).

Ligações de investimento e poupança, estes dependem por um lado inteiramente das ligações
arroladas acima, pois a oportunidade de investimento ode atrair poupança para esse
investimento. No entanto, as ligações produtivas e tenológicas ainda não se estão a
desenvolver intensivamente. Estas dependem de como é que o mega projecto afect o nível de
excedente disponível para financiamento de outras empresas e da economia como um todo.

Ligações fiscais, os megas projectos reúnem todas as condições para serem fonte privilegiada
de receitas fiscais. Isto acontece porque, por um lado, estes projectos são enormes e os seus
custos de insucesso (sunk costs) são extremamente altos, que diminui a sua mobilidade e os
torna pouco sensíveis a incentivos ocasionais, de curto prazo e não estrururais (Castel-Branco,
2008).

2.4. Contributo fiscal dos mega projectos.


O governo Moçambicano atribui incentivos fiscais muito generosos aos mega projectos já
aprovados, apesar de ter revisto a legislação fiscal para novos mega projectos.

Os megas projectos estão todos no grupo das 10 maiores empresas de Moçambique, mas
nenhuma delas se situa entre os 10 maiores contribuintes para o fisco (Castel-Branco, 2008).
8

Para Castel-Branco (2008) são vários os argumentos sobre as motivações que conduziram à
concessão de incintivos fiscais tão generosos aos mega projectos. O que é mais provará é que
tenha havido vários factores em conjugação, entre os quais:

 Inexperiência e falta de informação;


 Ansiedade com os indicadores macroeconómicos (investimentos, crescimento e défice
da balança comercial);
 Restrições monetárias que obrigaram o Governo a virar-se para uma política de portas
abertas ao investimento directo estrangeiro,
 Pressão de orgnizações financeiras internacionais para o estabelecimento de um
sistema de incentivos ao investimento não discricionário, o que conduziu o Governo a
ajustar a legislação das Zonas Francas Industriais (destinada a indústrias pequenas
móveis e intensivas em trabalho) aos mega projectos.
 Crença mo potencial de desenvolvimento de projectos âncora de grande envergadura
sem entendimento real das condições necessárias para a materialização de ligações.

A contribuição dos mega projectos para as receitas fiscais foi baixa no passado. O regime de
tributação dos mega projectos e das indústrias extractiva foi evoluindo ao longo do tempo. O
principal motivo das autoridades para lançar os primeiros mega projectos foi consolidar
Moçambique como um destino atraente do investimento estrangeiro após uma longa guerra
civil e, portanto, as condições tributárias aproimaram-se das normas favoráveis às empresas
estrangeiras.
9

3. Metodologia de Pesquisa
Segundo Canastra Fernando, at all. (2012: 18), metodologia é “o conjunto de métodos e
técnicas utilizadas para a execução de uma pesquisa”.

Para Marconi e Lakatos (2003:83), “método é o conjunto de actividades sistemáticas e


racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objectivo –
conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e
auxiliando as decisões da ciência”.

Para a realização da presente pesquisa optou-se pelo método descritivo, com enfoque
qualitativo.

Segundo Gil (2007:44) a pesquisa descritiva tem como objectivo primordial a descrição das
características de determinada população ou fenómeno, ou o estabelecimento de relações
entre variáveis. Uma das suas características mais significativas está na utilização de técnicas
padronizadas de colecta de dados.

Para a recolha de dados foram usadas duas técnicas, nomeadamente a pesquisa bibliográfica e
a análise documental.

“Pesquisa bibliográfica reafirma um conjunto de procedimento metodológicos importantes


na produção do conhecimento científico capaz de gerar, especialmente a postulação de
hipóteses ou interpretação que servirão de ponto de partida para pesquisa” (Lakatos &
Marconi, 2001:140)

Pesquisa documental

(Lakatos & Marconi, 2001:29) trata-se de fontes primárias toda a informação recolhida em
primeira mão pelo pesquisador não retrabalhada (arquivos públicos e particulares, estaticistas
oficiais, recenseamento, etc.). A técnica documental foi efectuada para reforçar a pesquisa
bibliográfica e também aprofundar o conhecimento sobre os Mega Projectos, especificamente
a Mozal.
10

4. O Impacto Sócio Económico dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Mega


Projectos - Caso Mozal (2010-2020).

Quadro resumo do Projecto Mozal

Características dos mega projectos: Dimensão e propriedade Mozal


Tipo de Princiapais Principais Garantia de Projectos Sociais
Projecto Investidores Financiadores Riscos
Greenfiel BHP-Billiton IDC, DBSA. MIGA (US$ US$ 5 milhões
investmen (66%) IFC, CDC, EIB e 110 milhões anuais
IDC (20%) Proparc
Mitsubishi
(12%)
Estado
Moçambicano
(2%)
Características dos mega projectos: Mercado de Factores Mozal
Capital Energia Matéria- prima Mão-de- Infra- estruturas
Físico obra criadas
Tecnologia
Tecnologia 800MW anuais Coque, Piche de Gerou cerca Porto Matola(novo
AP30 da fornecidos pela Alcatrãode Hulha e de 1,000 cais), Subestações
Pechiney de Motraco, um Alumina trabalho eléctricas, Central
França consórcio entre importados da directo (650 Telecom, Estradas
a ESKOM Austrália, Índia, nacionais), de acesso, Estação
EDM SE Brasil e África do com a de tratamento de
Sul expansão em esgotos, parques
2000, o industriais e bairros
nopode ter residenciais
aumentad
Características dos mega projectos: Mercado de Produtos Mozal
Principais Principais Acordos de venda
Produtos Mercados de Longo Prazo
512,000 União Europeia
11

toneladas/ ano e Indústria Possui


de Alumínio Automobilística
Ásiática
Características dos mega projectos: Incentivos Fiscais (1/2) Mozal
Isenções e IRPC,SISA e CP, Imposto de Selo,
Deduções Imposições Aduaneiras, IVA, ICE, Taxa de Serviços Aduaneiros, Isenção do
IRPS aos Expatriados na fase de construção e isenção nos primeiros 5 anos
de operação eoutras
Outros Dedução de custos com infra-estruturas de domínio público, Staff
Benefícios e moçambicano e imposto de petróleo, Livre Repatriamento até 100% de lucro
Garantias e dividendos
Isenções e IRPC de 15%, Direitos sobre Importações, IRPS e Livre Repatriamento até
Garantias à 100% de lucro e diidendos e outras
Fornecedoras
e Prestadoras
de Serviços
Factos Taxa Liberatória Imposto sobre Produção
Tributários
1% das vendas líquidas -
Sujeitos
trimestrais
Fonte: elaboração dos autores

Os Benefícios Fiscais totalizaram o montante de 20.968,0 milhões de Meticais, tendo


registado um decréscimo nominal de 29,5% ao ano 2016.

O decréscimo do valor dos benefícios fiscais concedidos explicou-se pela redução do número
de projectos de investimento que deram entrada no exercício económico de 2016,
comparativamente ao ano anterior.

A maior parte dos benefícios fiscais foram concedidos no Imposto sobre o Valor
Acrescentado, como resultado de isenções nas importações realizadas pelos projectos de
investimento.

Neste resultados, a Mozal participou 6,6 milhões de meticais em 2015 de receitas de


dividendos e 98,7 milhões de meticais em 2016 de receitas de dividendos.
12

Segundo Castelo-branco (2008), o facto de os Mega Projectos serem geralmente intensivos


em capital e, portanto, não gerarem emprego directo proporcional ao seu volume de
investimento, ou relaivamente à produção e comércio, numa situação em que a economia
moçambicana é caracterizada pela afluência de uma significativa parte da população
analfabeta, por um lado, e o facto dos mega- projectos exigirem um alto uso de tecnologias
bem como qualidade do capital humano, por outro, obrigam o Governo a implementar uma
política de portas abertas ao investimento directo estrangeiro e importação de capital nas suas
diversas formas.

A contribuição dos Mega-Projectos no PIB é de cerca de 33%, porém o seu contributo fiscal é
inferior a 5% do PIB. A contribuição fiscal do sector extractivo é uma reflexão clara de que os
ganhos reais para uma economia não estão apenas relacionados a quantidade de riqueza
produzida espelhada nos bons indicadores macroeconómicos, mas sim com o grau de retenção
e absorção dessa riqueza pela economia nacional e potenciar o investimento em sectores
produtivos de geração de renda e de emprego.

Estes dados indicam que os benefícios fiscais não têm estado a desempenhar a real função
para a qual foram têm sido designados, nomeadamente, a de atrair e reter investimentos. A
maioria das empresas não considera isenções fiscais como factores críticos de tomada de
decisão para o investimento, excepto quando estrategicamente assim exigem, para não perder
uma oportunidade soberba de reter mais dividendos. Pelo contrário, nota-se que a sua
existência tem contribuído negativamente na capacidade de arrecadação de receitas por parte
do estado.

Os lucros declarados pela Mozal só em 2010 situaram-se em cerca de USD 121.125.000,00 o


que significa que USD 38, 76 do IRPC não pagos (AAM, 2017).

Com os incentivos fiscais, até 2013 Moçambique perdeu cerca de 1.640.000.000,00 Mt (1,64
mil milhões de meticais). Por outro lado, os Megaprojectos sob regimes especiais na
tributação, em 2014, contribuíram para a Receita total do Estado com 13,191.80 milhões de
meticais, o equivalente a 8.44% do total da Receita arrecadada pela Autoridade Tributaria.

Contudo, as mesmas empresas tinham o nível de fiscalidade situado em 2.4% em 2014 contra
os 1.67% em 2013. Com as isenções, o estado perdeu cerca de 390,477,2 milhões de meticais
correspondente á 29.6% do total de receitas que deveria arrecadar-se em 2014.
13

Esta situação em que empresas explorando recursos em Moçambique beneficiam de um rácio


fiscal abaixo da média adequada, verifica se também na industria de exploração de recursos
minerais em que comparativamente ao período de 2014, neste ramo o rácio fiscal em % do
PIB estava situado em 0.36% contra 0.52% de 2013, revelando que há cada vez mais
empresas que exploram recursos com tendência de reduzir o ónus fiscal que recai sobre eles
(GMD, apud AAM, 2016).

Um estudo actualizado da AAM (2017), estima que Moçambique perde anualmente, 562
milhões de dólares por causa dos benefícios fiscais relacionados com os mega-projectos.

No entanto, os benefícios fiscais concedidos pelo GdM às multinacionais no âmbito dos


acordos estabelecidos estão a prejudicar ao Estado moçambicano, sobretudo, se se considerar
que as perdas em receitas seriam uma fonte importante de recursos para financiar aos sectores
prioritários, tal como é o caso da educação, cujo orçamento apresenta um défice crónico.

Ou seja, arrecadar mais impostos através dos megaprojectos aumentaria o bolo orçamental e,
consequentemente a percentagem alocada ao sector da educação seria maior.
14

5. Conclusão
Para os mega projectos, a maior parte dos incentivos são redundantes. Quer dizer, se não os
tivessem, fariam o investimento na mesma. Logo, dado que esses incentivos não afectam as
decisões dos mega projectos apenas representam um custo fiscal não afectam as decisões dos
mega projectos, apenas representam um custo fiscal.

O interesse estratégico dos mega projectos em se localizarem em Moçambique (por causa dos
recursos que exploram ou por causa de uma estratégia de expansão causa dos recursos que
exploram ou por causa de uma estratégia de expansão oligopolista), dá a Moçambique uma
vantagem negocial. Se eles têm interesse estratégico, podemos usar isso a nosso favor para
negociar melhores condições.

Nas condições actuais de crise económica global é muito mais difícil negociar. Mas é
possível. Além disso, é no momento de maior expansão que é importante negociar a “parte
leonina” da riqueza gerada.

Sendo Moçambique um país com quantidades consideráveis de recursos naturais de capital


importância nos mercados, e pela sua privilegiada localização na rota dos principais mercados
asiáticos e europeus, deve-se considerar seriamente a necessidade do país corrigir o problema
concernente aos contratos com as grandes multinacionais, tanto os existentes como os do
futuro. A renegociação de contratos bem sucedidas não tornaria Moçambique pioneio.

Em relação ao tema e aos conhecimentos adquiridos durante a formação académica, foi


encontrado diversos factores cujo são preponderantes para atração de grandes investimentos
dentro do país. Com isso, o grupo teve uma pequena experiência no análise bibliográfico e
documental para a materialização deste relatório, sendo um factor chave na disciplina de
Estágio Técnico Profissional.
15

Referências Bibliográficas
1. A Lei 4/2009, de 12 de Janeiro; Código de benefícios fiscais; Boletim da República;
Maputo.
2. Castel-Branco, Carlos Nuno; Os mega projectos em Moçambique: que contributo
para a economia Nacional?; Maputo; 2008
3. CONTA GERAL DO ESTADO ANO 2010; Maputo;2011
4. CONTA GERAL DO ESTADO ANO 2016; VOLUME I; Maputo;2017
5. Gil, A. Métodos e técnicas de pesquisa social; 5ª Edição. Editora Atlas. São Paulo;
2007.
6. Marconi, M., e Lakatos, E. Fundamentos de metodologia científica; 5ª.Ed.Editora
Atlas,S.A. São Paulo. 2003
7. GONÇALVES, Firmino; Tributação dos mega-projectos como alternativa para o
financiamento da melhoria das condições de trabalho do professor em Moçambique;
2020

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