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Fernando Cezar Lee Tavares e Mauro Monteiro

(Thyssen Fundições)
Gloria de Almeida Soares
(Coppe / URJ)

EFEITO DO MATERIAL DE CARGA NA OBTENÇÃO DE FERROS FUNDIDOS


NODULARES FERRÍTICOS.
(Trabalho apresentado no CONAF 97).

Para analisar influência da composição da carga na microestrutura e nas propriedades em


tração de um ferro fundido nodular ferrítico, variou-se o teor de gusa da carga de 0 a 70% -
mantendo-se a porcentagem de retorno fixa e igual a 20%, - sendo o restante de carga – base
constituída por sucata de aço. Adições de ferro silício e grafite foram feitas com o objetivo de
manter a mesma composição química em todas as corridas. Matrizes com porcentagem de ferrita
superior a 80% - sem tratamento térmico – foram obtidas para composições com até 35% de gusa na
carga. A composição com 35% de gusa, 29% de retorno e 45% de sucata de aço atendeu aos
requisitos de diversas normas utilizadas na especificação desses materiais. As diferenças observadas
no comportamento mecânico foram atribuídas principalmente às diferenças na porcentagem de
ferrita contida na matriz do ferro, já que a morfologia, tamanho e distribuição da grafita não variou
sensivelmente.

INTRODUÇÃO.

A carga para produção de um ferro fundido nodular geralmente é composta de gusa; sucata de
aço; retorno e ferro - ligas. A quantidade de ferro gusa utilizada na carga para fabricação de ferro
fundido nodular tem se mantido aproximadamente constante – 40 a 60% - nos últimos anos
possivelmente devido à maior sensibilidade do fero fundido nodular – em relação ao ferro cinzento –
à contaminação por certos elementos residuais.
O uso de uma quantidade maior de gusa pode se traduzir por uma redução de custos em uma
fundição pela possibilidade de se diminuir as adições de grafite e FeSi e pela redução no consumo
específico de energia devido ao abaixamento do ponto de fusão da carga.
Este trabalho se propõe a avaliar o efeito da variação da porcentagem de gusa na carga sobre a
microestrutura (forma e tamanho da grafita; tipo de matriz) e as propriedades mecânicas (resistência
mecânica e ductilidade) de um ferro nodular ferrítico.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A escolha da composição química de um ferro nodular depende do tipo de matriz que se deseja
obter, ou em última análise, do requisito mecânico da peça. Basicamente os teores de carbono e
silício podem ser fixos para todas as matrizes desejadas, devendo-se trabalhar com os outros
elementos, em função das suas características. (1)
Propriedades mecânicas elevadas são favorecidas pela matriz metálica perlítica, que é obtido
em função da espessura de parede de peça (velocidade de resfriamento), pela adição de elementos
perlitizantes ou pelo próprio controle do tempo de resfriamento da peça no molde. Ao contrário, a
formação de uma matriz ferrítica é favorecida pela menor velocidade de resfriamento da peça, pois
com isso se tem um tempo maior para difusão do carbono para a grafita. (2) Além desses fatores,
também afetam a formação de ferrita a composição química do ferro e a forma, quantidade e
distribuição da grafita existente antes da reação eutetóide. (3)
Para se obter maior ductilidade do material, a matriz metálica deve tender a uma maior
quantidade de ferrita, que será limitada de acordo com as propriedades mecânicas, ou seja, quanto à
quantidade de ferrita, maior o alongamento e menor a resistência mecânica obtida. Para a mesma
matriz metálica a variação no número de nódulos interfere nas propriedades mecânicas, no sentido
de que quanto maior o número de nódulos, maior o alongamento. (2)
No que se refere à morfologia da grafita, esta não sofre modificação sensível nos nodulares,
uma vez que é alterado apenas o número e conseqüentemente, o tamanho de nódulos, o que não
modifica significativamente o efeito de entalhe. Ocorre, porém, uma diminuição do carbono durante
a reação eutetóide, o que favorece a formação da ferrita. A resistência mecânica praticamente não
será alterada, se a matriz metálica não sofrer modificações sensíveis, isto é quando a variação da
proporção perlita / ferrita for pouco significativa. (2,4)
Nos ferros nodulares a formação de ferrita livre é favorecida pela existência de um grande
número de nódulos de grafita. Nestes casos, a existência de muitos locais para a nucleação da ferrita
e as pequenas distâncias de difusão para o carbono permitem que a reação estável predomine. Em
termos práticos, resulta que se pode utilizar a técnica de inoculação como meio de promover a
formação de matrizes ferríticas em ferros fundidos nodulares. (3) Quanto maior à distância entre os
nódulos de grafita maior é a quantidade de perlita na matriz, visto a maior distância para a difusão
do carbono, resultando num decréscimo na ductilidade. (5)
Embora se associe boa propriedade mecânica a um elevado número de nódulos (6), deve-se
evidenciar que um aumento excessivo no número de nódulos, provocado por qualquer que seja a
fonte nucleante (gusa, grafite, Ferro-silício, etc.), pode acarretar uma ampliação do caráter pastoso
da solidificação, aumentando à tendência a formação de porosidades. (7)
Nos ferros nodulares, a quantidade padrão poderá ser produzida em a formação de ligas e,
se necessário, a partir de um ferro gusa mediante tratamento térmico. A formação de ligas é útil na
obtenção de uma matriz totalmente perlítica no estado bruto de fusa, para níveis de resistência à
tração além de 800 MPa, no caso de ferros endurecíveis e de feros a serem utilizados a temperatura
elevadas.(8)
De um modo geral se aceita que os materiais metálicos da carga podem interferir nas
características finais do produto, embora não constituam um fator decisivo. (8)
A importância da escolha do material de carga reside, adicionalmente, na possível
contaminação do banho com elementos químicos residuais, como, Poe exemplo, os que ocasionam a
formação de defeitos associados a gases, ou a degenerescência da grafita em ferros fundidos
nodulares. (9)
O gusa constitui a melhor meteria-prima de que se dispõe para a produção de ferros fundidos,
qualquer que seja o equipamento de fusão disponível. É uma excelente fonte de carbono e de silício,
além de ser em geral homogêneo denso e com baixa concentração de elementos residuais,
principalmente quando é obtido através do uso de carvão vegetal como agente redutor. Suas
vantagens residem no fato de possuir alta densidade, favorecer a dissolução da sucata de aço, servir
como fonte de carbono e também favorece a grafitização, por incrementar a intensidade de
nucleação do banho. (9,10) Foi observado que com a utilização de uma quantidade maior de gusa, há
uma redução considerável no percentual de nitrogênio e um decréscimo no nível de porosidade. (11)
Além de todas as vantagens apontadas, Deiker (10) indica que uma modificação na composição
da carga, com um aumento no teor de gusa permite uma redução considerada no consumo específico
de energia, uma vez que o ponto de fusão da carga é reduzido. Esta redução no consumo pode vir a
compensar o preço mais elevado do gusa quando comparado ao da sucata de aço, o que aumenta o
custo da carga fria.Outro fator que limitaria o uso de sucata é que com esse tipo de carga as adições
serão maiores e em conseqüência devem-se esperar maiores dispersões nos resultados. Ainda assim,
a proposta do autor é de utilizar 45% de gusa acompanhado de 15% de sucata e 40% de retorno.
Segundo s. Okada (apud 12), quando a sucata de aço excede a 40% não é mais possível obter
produtos livres de defeitos. Isso se deve a necessidade de recarburação, que aumenta a percentagem
de nitrogênio e uma tendência à formação de microporosidades.
Pieske e colaboradores (8), contrariamente a outros autores afirmam que ferros fundidos de
composição químicos semelhante, obtidos em fornos de indução, tendem a apresentar melhores
resultados aqueles obtidos a partir de sucata de aço recarburada ou a partir de cavacos de fero
fundido do que aqueles obtidos a partir de gusa. Não há uma explicação completa para essa
diferença. Desprezando-se uma possível variação na composição química final e do grau de
nucleação do banho, uma explicação que tem sido apresentada seria a diferença nos teores de
nitrogênio e oxigênio que seria maior quando se usa sucata de aço e cavacos. Dessa forma o
nitrogênio estaria atuando de forma benéfica.
O emprego de carburante em grande escala em fornos de indução tem se verificado,
principalmente, em virtude do uso cada vez mais pronunciado de aço na fabricação de ferros
fundidos. A vantagem deste processamento reside na obtenção de um material algumas vezes com
menores custos relativos à matéria-prima, conseguindo-se mais baixos teores de enxofre e fósforo
no banho metálico, o que é, como já foi citado, essencial na fabricação de materiais como os ferros
fundidos nodulares. (9)
A prática da carburação é, da carburação é, todavia, considerada vantajosa sob outros
aspectos. Cita-se, por exemplo, a possibilidade do uso de maiores quantidades de retorno, em
decorrência dos baixos existentes de enxofre e fósforos, e, ainda, a possibilidade de obtenção de
ferros fundidos de classe diferentes numa mesma operação, através de carburações do banho após
vazamentos sucessivos. (9)
Relativamente à influência dos carburantes na qualidade dos ferros fundidos, Fuller (apud 9)
verificou que, em gera, as propriedades mecânicas do metal fundido em fornos de indução, a partir
de cargas compostas principalmente por sucatas de aço e retorno de ferro fundido, são superiores às
do metal fabricado com maior quantidade de ferro gusa, ou às dos ferros fundidos de composição
similar, proveniente de cubilô. (9)
Os carburantes podem apresentar também efeito inoculante no banho metálico. Foi observado,
por exemplo, que em ferros fundidos cinzentos com teor de enxofre superior a 0,03%, os
carburantes “grafíticos” apresentaram um efeito inoculante sensível, comparativamente a adições de
“não grafíticos”. A explicação para este fato pode estar ligada ao mecanismo de dissolução do
carbono no banho. Como o enxofre diminui a velocidade de difusão do carbono, ele favorecia o
comportamento inoculante de carburantes, sugerindo-se que a nucleação ocorreria nos cristais de
grafita não dissolvidos. (9)

MATERIAIS E MÉTODOS.

Foram projetados cinco (5) composições de cargas com teor de gusa crescente – acompanhado
pela diminuição no teor da sucata de aço - sendo que o percentual de retorno foi mantido constante.
A Tabela 1 mostra o teor de gusa, sucata e retorno para cada uma das composições projetadas.
Tabela 1 – Carregamento Utilizado em cada uma das composições Projetadas.

CARGA TEOR (% em peso)


Gusa 0 10 35 55 70
Sucata de aço 80 70 45 25 10
Retorno de F.F. 20 20 20 20 20

As ligas foram denominadas pelo teor de gusa previsto, ou seja, a liga 35 foi produzida a partir
de uma carga contendo 35% de gusa, 45% de sucata e 20% de retorno. Foi escolhida como
composição química alvo a mostrada na Tabela 2. As correções com FeSi e grafite feitas no próprio
forno, visando a análise final, já descontando, entretanto, o incremento de silício proveniente do
nodulizante e da inoculação na transferência. As correções foram feitas em duas etapas: parte na
carga fria e parte a 1450°c (quando necessário).

Tabela 2 – Composição Química Alvo para as Ligas Projetadas.

%C %Si %Mn %Cr %Cu %Mg %P


3,60–3,70 1,80-1,85 0,20 máx. 0,03 máx. 0,20 máx. 0,03-0,05 0,08 máx.

A elaboração das ligas – 2 corridas por composição - foi feita em fornos a indução de média
freqüência (600 Hz) em capacidade de 3,0 toneladas e para cada corrida foram vazados três corpos
de prova Y 1”. Os moldes para vazamento desses corpos de provas foram confeccionados em areia
pelo processo “cold box” segundo norma ASTN A 536.
Para determinação do Limite de Resistência, Limite de Escoamento e % de Elongação foi
realizado ensaios de tração à temperatura ambiente na Máquina Universal de Ensaio
LOSENHAUSEWERKE – 35 toneladas, seguindo as normas ASTM E 8 e A 536.
A análise microestrutura foi feita num MICROSCÓPIO METALOGRÁFICO PME –
OLYMPUS segundo a norma alemã VDG – P 441 onde foi identificadas a matriz metálica (em
termos de % de ferrita) e a morfologia e o tamanho da grafita.

RESULTADO E DISCUSSÃO.

A analise química das ligas produzidas é apresentada na tabela 3. a variação nos valores de
carbono equivalente – que se manteve entre 4,237 4,342 – pode ser considerada aceitável, uma que
foram fundidas 3 toneladas por corrida, em forno industrial, provocando variações no tempo de
elaboração e nas correções efetuadas.
Tabela 3 – Análise Química das corridas Realizadas.

LIGA EXP. %C %Si %P %S %Mn %Cr %Ni %Sn %Cu %Mg C.E.
0 1ª 3,70 1,725 0,027 0,01 0,269 0,022 0,019 0,005 0,073 0,027 4,244
2ª 3,78 1,784 0,03 0,011 0,291 0,019 0,020 0,005 0,070 0,029 4,342
10 1ª 3,73 1,847 0,022 0,009 0,226 0,019 0,015 0,005 0,075 0,041 4,314
2ª 3,67 1,807 0,021 0,008 0,221 0,017 0,012 0,006 0,043 0,030 4,237
35 1ª 3,71 1,894 0,042 0,009 0,184 0,014 0,016 0,005 0,081 0,027 4,316
2ª 3,66 2,060 0,044 0,012 0,183 0,016 0,013 0,006 0,089 0,025 4,237
55 1ª 3,67 1,963 0,062 0,009 0,125 0,012 0,016 0,007 0,057 0,031 4,304
2ª 3,65 1,843 0,064 0,010 0,128 0,010 0,015 0,006 0,42 0,029 4,246
70 1ª 3,71 1,888 0,051 0,010 0,119 0,013 0,012 0,005 0,061 0,027 4,317
2ª 3,64 1,903 0,053 0,007 0,099 0,009 0,011 0,005 0,084 0,036 4,253

Observa-se que, embora o teor de fósforo aumente com a maior participação do gusa na carga
metálica, a quantidade de residuais total diminui – Figura 1 – devido, principalmente, à diminuição
do teor de manganês. O teor dos elementos enxofre, estanho, cobre e magnésio sofreram pequenas
variações corrida à corrida, mas sem que pudesse ser estabelecida uma correlação com o
carregamento utilizado em cada uma delas.

Figura 1 – Variação do Teor de Residuais com o Teor de Gusa na carga.

O aumento do teor de fósforo com o aumento do percentual de gusa na carga já era esperado,
pois o gusa traz em sua composição %P máx. igual a 0,12% (9) enquanto que na sucata de aço esses
valores são bem mais baixos (0,04% máx.). enquanto, segundo Oliveira (13) o fósforo só apresenta
interferência negativa em ferros fundidos quando presente em teores superiores a 0,1%, sendo que
no presente trabalho o teor de fósforo final não ultrapassou 0,064%.
Da mesma forma, como o emprego de mais gusa, a quantidade de manganês, cromo e níquel –
residuais na sucata de aço – tendeu a diminuir. Ainda assim o teor de manganês, mesmo para a liga
sem gusa, não ultrapassou o valor de 0,30% que é considerado o valor máximo para se manter
estrutura ferrítica. (4,9) Os demais elementos apresentaram percentuais que não interferem nas
características do material. (4,8,9)
A identificação da matriz metálica – medida através de padrões de comparação – cujos
resultados estão apresentados na figura 2 mostra que houve um decréscimo quase contínuo da
porcentagem de ferrita na matriz, sendo que as ligas com 55% ou mais de gusa o teor máximo de
ferrita não ultrapassou 80%. A curva foi traçada para os valores médios entre a primeira e a segunda
experiência.

Figura 2 – Variação da Porcentagem de Ferrita na Matriz em Função do Teor de Gusa na


Carga.

A principio poder-se-ia esperar que as ligas com menor porcentagem de gusa e


conseqüentemente teor de manganês mais elevado possuíssem matriz mais perlítica, entretanto,
ocorre exatamente o oposto. Isso pode ser explicado primeiramente com base no fato de que o
manganês se situa numa faixa que – como dito anteriormente – não compromete a matriz ferrita.
Por outro lado corridas com menor porcentagem de gusa necessitaram de adições de maiores
quantidades de FeSi e grafite sendo que essas adições foram realizadas parte na carga fria e parte a
1.450°C. Assim é possível se atribuir a essas adições um poder nucleante que promoveria uma maior
quantidade de ferrita. Neste caso o poder de inoculação dessas adições estaria sendo maior do que o
do gusa e se traduziria por uma maior quantidade de ferrita nas ligas com menor teor de gusa, como
visto na figura 2.
Esses elementos – FeSi e grafite – são reconhecidamente bons inoculantes, sendo o silício
usado extensivamente para esse fim. (8,9,13,14) além disso, segundo Souza Santos (15), o grafite é
considerado um inoculante mais efetivo do que o próprio FeSi e com um tempo de “fading” superior
(cerca de 30 min.). Também o carbeto de silício é considerado mais eficiente como inoculante do
que o FeSi(16).
Alguns autores reportam o gusa como matéria prima ideal devido, que ouros aspectos, ao
aumento na intensidade de nucleação no banho (9) e por se evitar adições já que a composição do
gusa é muito próxima a do banho. O uso excessivo de sucata de aço poderia resultar numa maior
dispersão nos resultados. Ainda assim o máximo de gusa utilizado pelo autor é de 45% de gusa
acompanhado por 40% de retorno e 15% de sucata.
A verificação da forma e tamanho da grafita realizada, em amostras não atacadas, de acordo a
norma alemã VDG P 441 que usa padrões de comparação, mostrou que esses parâmetros
praticamente não variam com a alteração do carregamento. Essa análise indicou para todas as
amostra grafita com morfologia V – VI e tamanho entre 6-7-8 e 7-8, sendo que a maioria se
enquadrou no tamanho 6-7-8. A verificação da forma e tamanho da grafita segundo a norma alemã
VDG PH 41 mostrou que esses parâmetros praticamente não foram afetados pela alteração na
composição da carga.
Segundo Castelo Branco(4) no que se refere à morfologia da grafita, esta não sofre modificação
sensível nos nodulares, uma vez que é alterado apenas o número e conseqüentemente, o tamanho de
nódulos, o que não modifica significativamente o efeito de entalhe. Ocorre, porém, uma diminuição
do carbono durante a reação eutetóide, o que favorece a formação de ferrita. A resistência mecânica
praticamente não será alterada, se a matriz metálica não sofrer modificações sensíveis, isto é,
quando a variação da proporção perlita / ferrita for pouco significativa.
As figuras 3 a 5 apresentam, respectivamente, a variação do Limite de Resistência (MPa),
Limite de Escoamento (MPa) e Elongação (%) em função da quantidade de gusa na carga, para a
primeira e a segundo experiências. Nesses gráficos as curvas traçadas foram as referentes às médias
de todos os ensaios realizados em corpos de prova da 1ª e a 2ª experiências. Pode-se observar que
com o aumento da quantidade de gusa na carga metálica, há uma tendência ao acréscimo do limite
de resistência à tração e do limite de escoamento, acompanhado de um decréscimo de elongação.

Figura 3 – Efeito da Quantidade de Gusa na Carga sobre o Limite de Resistência.

Figura 4 – efeito da Quantidade de Gusa na Carga sobre o Limite de Escoamento.


Figura 5 – Efeito da quantidade de Gusa na Carga sobre Elongação Percentual.

A similaridade das curvas da figura 2 e 5 que representam, respectivamente, a variação na


porcentagem de ferrita na matriz e a variação na elongação percentual com o aumento do teor de
gusa permitem concluir a matriz determinante no comportamento mecânico em tração. Pequenos
desvios podem ser atribuídos a outros fatores como composição química, quantidade e morfologia
de nódulos, etc.
A Tabela 4 mostra adequação dos resultados de tração às normas mais comumente utilizadas
para essa classe de material.

Tabela 4 – Adequação dos Resultados de Tração a diversas Normas.

NORMAS L0 L 10 L 35 L 55 L 70
1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª
DIN GGG 40 T T T T T T A T T N
DIN GGG 40.3 A T A T T T N N A N
SAE D 4018 A A A A T T N N A N
SAE D 4512 N N N N T T T T T A
ASTM 60-40-18 A A A A T T N N A N
ASTM 65-45-12 N N N N T T T T T A
ABNT FE 38017 T T T T T T N N A N
ABNT FE 42012 T A T A T T T T T T

T – Todos os corpos de prova atendem a norma.


A – Alguns corpos de prova atenderam a norma.
N – Nenhum corpo de prova atendeu a norma.

As ligas 35 (35% gusa; 45% sucata de aço; 20% retorno) foi a única cujos resultados de todos
os corpos de prova (da 1ª e 2ª experiência) atenderam às especificações mínimas de todas as norma.
As composições com microestrutura mais ferrítica (teor de gusa máximo igual a 35%) atenderam
bem às classes GGG 40 e ABNT FE 38017, com os resultados de todos os corpos de prova
enquadrados nessas classes. Já classe ABNT FE 42012 que combina resistência elevada com
moderada elongação é atendida parcialmente pelas ligas 0 (zero) e 10 e por todos os corpos de prova
das demais composições.

CONCLUSÕES.

Dentre o espectro de condições abordadas neste trabalho pode-se concluir que:


 A matriz do ferro fundido pode se alterada com o tipo de carregamento utilizado no forno.
Matrizes com porcentagem de ferrita superior a 80% foram obtidas para composições com
até 35% de gusa sendo que em todas as composições o teor de retorno foi de 20% e o
restante sucata de aço.
 O efeito da composição da carga sobre a matriz atribuído principalmente às adições de FeSi
e grafite efetuadas durante a fusão que promoveram ema intensa nucleação.
 O comportamento mecânico em tração refletiu principalmente as diferenças observadas na
quantidade de ferrita presente nas diversas ligas. Os nódulos apresentaram morfologia,
tamanho e distribuição dentro de uma faixa relativamente estreita não tendo influência
marcante sobre as propriedades em tração.
 A liga 35 (35% gusa; 45% sucata de aço; 20% retorno) foi a única cujos resultados de todos
os corpos de prova (da 1ª e 2ª experiências) atenderam às especificações mínimas de todas as
norma mais utilizadas para essa classe de material. As composições com microestrutura mais
ferrítica (teor de gusa máximo igual a 35%) atenderam bem às classes GGG 40 e ABNT FE
38017.

AGRADECIMENTOS:

Os autores agradecem o apoio financeiro da THYSSEN FUBDIÇÕES, do CNPq e da fundação


Universitária José Bonifácio (FUJB).

BIBLIOGRAFIA:

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