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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do

Estado

OS DIREITOS FUNDAMENTAIS COMO VETOR DE ATUAÇÃO DO ESTADO


Fundamental rights as a vector of the State’s performance
Revista de Direito Constitucional e Internacional | vol. 125/2021 | p. 137 - 156 | Maio -
Jun / 2021
DTR\2021\8755

Rúbia Zanotelli Alvarenga


Doutora em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
Professora I-nível A de Direito Previdenciário e de Direito Processual do Trabalho das
Faculdades Integradas de Aracruz – FAACZ. Professora de Direitos Humanos e de Direito
Internacional e Constitucional do Trabalho em cursos de Pós-graduação. Advogada.
rubiazanotelli1@gmail.com

Gabriel Biondes Nascimento


Pós-graduado em Direito Público pela Damásio Educacional S/A. Advogado.
gabriel.iondes@gmail.com

Área do Direito: Constitucional


Resumo: Muito se discute na doutrina e na jurisprudência sobre a eficácia e aplicação
dos direitos fundamentais, inclusive sobre a responsabilidade do Estado em concretizar
tais direitos, especialmente os de cunho programático. Destarte, o presente artigo tem
por escopo traçar um panorama geral sobre os direitos fundamentais para, por fim,
discutir sobre sua eficácia e sobre a chamada dimensão objetiva desses direitos, na
medida em que podem ser considerados limites de racionalização do poder e como vetor
para a atuação estatal.

Palavras-chave: Direitos fundamentais – Eficácia dos direitos fundamentais –


Aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais – Dimensão objetiva dos direitos
fundamentais
Abstract: Much is discussed in the doctrine and in the jurisprudence on the effectiveness
and application of fundamental rights, including on the State’s responsibility in realizing
such rights, especially those of a programmatic nature. Thus, the purpose of this article
is to outline a general overview of fundamental rights to, finally, discuss their
effectiveness and the so-called objective dimension of these rights, insofar as they can
be considered limits of rationalization of power and as a vector for state action.

Keywords: Fundamental rights – Effectiveness of fundamental rights – Immediate


applicability of fundamental rights – Objective dimension of fundamental rights
Para citar este artigo: Alvarenga, Rúbia Zanotelli; Nascimento, Gabriel Biondes. Os
direitos fundamentais como vetor de atuação do Estado. Revista de Direito
Constitucional e Internacional. vol. 125. ano 29. p. 137-156. São Paulo: Ed. RT,
maio/jun. 2021. Disponível em:
<http://revistadostribunais.com.br/maf/app/document?stid=st-rql&marg=DTR-2021-8755>.
Acesso em: DD.MM.AAAA.

Sumário:

1. Introdução - 2. Delimitação conceitual de direitos fundamentais - 3. Eficácia dos


direitos fundamentais - 4. Dimensão objetiva dos direitos fundamentais e a atuação do
estado - 5. Conclusão - 6. Bibliografia

1. Introdução

Quanto se trata dos Direitos Fundamentais e a vinculação do Estado a esses direitos, há


um campo de batalha, na qual o combate parece não conhecer um fim, e que orbita em
torno dele diversos valores e interesses. Esse combate é marcado por avanços e
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retrocessos em razão de momentos históricos específicos, contudo, percebe-se que,


após os períodos de retrocesso, há uma afirmação mais intensa e vigorosa dos Direitos
Fundamentais, fato que possibilita uma sistematização progressiva.

O Estado, por sua vez, não deve ser considerado um fim em si mesmo, devendo ter
como finalidade precípua a realização material dos Direitos Fundamentais, isto é, não
deve se limitar em não violar os Direitos Fundamentais, devendo atuar positivimente
para efetivá-los.

Nesse sentido, além da eficácia dos Direitos Fundamentais, a doutrina moderna vem
reconhecendo uma dupla dimensão, haja vista que esses direitos podem assumir uma
posição jurídica subjetiva em relação à proteção da pessoa, bem como são valores
norteadores da atuação estatal, necessitando atender as promessas feitas no texto
constitucional.

2. Delimitação conceitual de direitos fundamentais

Na doutrina e na jurisprudência há uma profusão de conceitos para se referir aos direitos


da pessoa humana. Por vezes, alguns desses conceitos são utilizados de forma atécnica.

Por conseguinte, cumpre desde logo salientar que, dentre todas as terminologias
utilizadas, as mais usuais são Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, razão pela
qual merecem maior atenção do que as demais. Ambos se referem aos direitos do ser
humano, a diferença reside no local em que estão consagrados, haja vista que os
Direitos Fundamentais são aqueles positivados na ordem constitucional interna de
determinado Estado, enquanto que os Direitos Humanos são aqueles consagrados em
tratados internacionais.

Nesse mesmo sentido, salienta Marcelo Novelino (2017, p. 277):

“A expressão direitos fundamentais surgiu na França durante o movimento político e


cultural que originou a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, de
1789. Apesar da inexistência de um consenso acerca da diferença em relação aos
direitos humanos, a distinção mais usual na doutrina brasileira é no sentido de que
ambos, com o objetivo de proteger e promover a dignidade da pessoa humana,
abrangem direitos relacionados à liberdade e à igualdade, mas positivados em planos
distintos. Enquanto os direitos humanos se encontram consagrados nos tratados e
convenções internacionais (plano internacional), os direitos fundamentais são os direitos
humanos consagrados e positivados na Constituição de cada país (plano interno),
podendo o seu conteúdo e conformação variar de acordo com cada Estado”.

Ainda sobre a diferença entre Direitos Fundamentais e Direitos Humanos, Carlos


Henrique Bezerra Leite traz explicação similar (2011, p. 33-34):

“O termo ‘Direitos Fundamentais’ aplica-se aos direitos do ser humano reconhecidos e


positivados na esfera do direito constitucional positivo de determinado Estado. Já a
expressão ‘Direitos Humanos’ diz respeito aos direitos solenemente proclamados nos
documentos de direito internacional, por referir-se às posições jurídicas reconhecidas ao
ser humano como tal, independentemente de mera positivação, assumindo um caráter
supranacional e aspira validade universal para todos os povos e em todos os tempos”.

Na oportunidade, não se pode olvidar que, de acordo com a Constituição Federal de


1988, os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais (CF/88
(LGL\1988\3), art. 5º, § 3º). Caso não seja aprovada com o quórum descrito no § 3º,
ela ingressará no ordenamento pátrio como norma supralegal, conforme entendimento
do Supremo Tribunal Federal nos precedentes da Súmula Vinculante 25.

Destarte, a ordem constitucinal brasileira, na prática, acabou aproximando mais os


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Direitos Fundamentais e os Direitos Humanos, na medida que estes podem ser


absorvidos pelo Direito Constitucional interno como equivalentes às emendas
constitucionais.

Dentre outras terminalogias utilizadas estão: I) Direitos Individuais, que representam


uma parcela mais restrita dos Direitos Fundamentais, adstrita ao indivíduo considerado
de forma isolada; II) Direitos do Homem, que representam, de forma abrangente, os
direitos naturais aptos à proteção global do homem e válidos em todos os tempos,
justificado no plano jusnaturalista, mesmo que não tenha sido reconhecido por nenhum
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documento; III) Liberdades Públicas que, de acordo com Dirley da Cunha Júnior , a
expressão não compreende os direitos sociais e econômicos, sendo utilizado pela
doutrina francesa para designar um conjunto de direitos de defesa do homem contra
qualquer interferência do Estado.

Dentre as terminologias encontradas no texto constitucional, destacam-se: I) Direitos


Humanos (art. 4º, II); II) Direitos e Garantias Fundamentais (epígrafe do título II); III)
Direitos e Liberdades Constitucionais (art. 5º, inc. LXXI) e; IV) Direitos e Garantias
Individuais (art. 60, § 4º, IV).

Além disso, conforme lembra Ingo Wolfgang Sarlet, o termo “Direitos e Garantias
Fundamentais” previsto no texto constitucional abrange os direitos e deveres individuais
e coletivos (capítulo I), os direitos sociais (capítulo II), a nacionalidade (capítulo III), os
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direitos políticos (capítulo IV) e o regramento dos partidos políticos (capítulo V).

Independente da nomenclatura utilizada, todos esses direitos derivam de uma fonte


única: a dignidade humana. A CF/88 (LGL\1988\3), inclusive, erigiu a dignidade da
pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil (CF/88
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(LGL\1988\3), art. 1º, III).

Por fim, é imprescindível salientar que a consagração dos aludidos direitos, seja na
ordem constitucional interna ou em tratado internacional, possui cunho meramente
declaratório e não constitutivo, isso porque o direito já era preexistente, bastando que
fosse reconhecido. Nesse diapasão, exemplifica Salvetti Netto (apud FILOMENO, 2016,
p. 261):

“O fato de um pai não reconhecer o estado de filiação a quem o reclama não significa a
inexistência do vínculo natural que o prende ao filho; o que existe se destaca na
realidade, na essência das coisas, independentemente da ignorância e do
desconhecimento que sobre ele possa ocorrer, existe em si e não foi em outro sentido
que Santo Tomás de Aquino se valeu do termo para definir a subsistência própria da
substância enquanto ‘existe não em outra coisa mas em si mesma’”.

Destarte, a doutrina e a jurisprudência vêm reconhecendo uma série de direitos que não
estão previstos explicitamente no texto constitucional, como o direito à boa
administração, a proporcionalidade e razoabilidade etc.

O título II da CF/88 (LGL\1988\3) que dispõe sobre os Direitos e Garantias


Fundamentais, traz um rol de direitos em seu art. 5º, todavia, esse rol é meramente
exemplificativo. Tal entendimento é roborado pelo § 2º, do art. 5º, que consigna que os
direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a
República Federativa do Brasil seja parte.

2.1. Gerações ou dimensões de direitos fundamentais

Inicialmente, cumpre lembrar que o reconhecimento e conquista dos Direitos


Fundamentais é coisa recente. José Afonso da Silva, quando tratou sobre os
antecedentes desses direitos, consignou (2006, p. 149): “mais que conquista, o
reconhecimento desses direitos caracteriza-se como reconquista de algo que, em tempos
primitivos, se perdeu, quando a sociedade se dividira entre proprietários e não
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proprietários”.

Tendo por escopo obter um conhecimento mais preciso sobre o tema, mostra-se
imprescindível buscar a gênese dos Direitos Fundamentais, a fim de entender as
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condições de surgimento, ou melhor, de reconhecimento de determinados direitos.

Na atual dogmática constitucional, há uma indissociável ligação entre os Direitos


Fundamentais e a própria Constituição, inclusive, lembra-se que na Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, em seu art. 16, consignou que: “A sociedade
em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos
poderes não tem Constituição”. Por conseguinte, a temática dos Direitos Fundamentais
só ganhou relevo com seu reconhecimento pelas primeiras Constituições, sendo
nomeada sua transformação no tempo como “gerações” ou “dimensões”.

Há uma crítica doutrinária acerca da utilização do termo “geração” de direitos


fundamentais, aduzindo que uma geração tenderia a substituir a anterior. Portanto, o
termo “dimensões” passaria uma ideia de coexistência entre elas. Nesse diapasão, Bruna
Pinotti Garcia Oliveira e Rafael de Lazari salientam (2017, p. 137):

“As dimensões de direitos humanos não são estanques, mas, sim, complementares.
Somam-se e dialogam uma com a outra, formando um completo sistema de proteção da
pessoa humana. Toma-se o pressuposto de que todos os bens jurídicos garantidos à
pessoa humana devem ser preservados e respeitados, sob pena de uma proteção
defeituosa. Por isso mesmo, a nomenclatura dimensão é mais adequada do que
geração”.

A despeito de na antiguidade não ter sido consagrado nenhum direito fundamental, é


inegável que nessa “pré-história” dos Direitos Fundamentais, surgiram diversas
ideias-chave que influenciariam o pensamento jusnaturalista da modernidade. Os valores
de dignidade da pessoa humana, liberdade e igualdade encontram suas raízes na
filosofia clássica e na religião.

De acordo com Ingo Wolfgang Sarlet, a partir do século XVI, especialmente nos séculos
XVII e XVIII, a doutrina jusnaturalista chega ao seu ponto culminante de
desenvolvimento. Paralelamente, ocorre um processo de laicização do direito natural,
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que atinge seu apogeu no Iluminismo, de inspiração jusracionalista.

No século XVIII, a Primeira Dimensão de Direitos Fundamentais se solidificou com a


Declaração do Bom Povo da Virgínia de 1776, bem como pela Declaração Francesa dos
Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Tal dimensão privilegiou a liberdade e os
direitos políticos, conforme destaca Pedro Lenza (2017, p. 1100):

“Os direitos humanos da 1ª dimensão marcam a passagem de um Estado autoritário


para um Estado de Direito e, nesse contexto, o respeito às liberdades individuais, em
uma verdadeira perspectiva de absenteísmo estatal. […]

Tais direitos dizem respeito às liberdades públicas e aos direitos políticos, ou seja,
direitos civis e políticos a traduzir o valor liberdade”.

Assim, a Primeira Dimensão era marcada pelo individualismo, preceituando uma atuação
negativa por parte do Estado, que deveria intervir o mínimo possível na vida dos
particulares. Com a ascensão desse Estado Liberal, surgiram novas relações objetivas
baseadas no domínio da burguesia em face do proleteariado.

Com a dogmática do liberalismo clássico, o Estado deveria se abster de intervir, todavia,


diante da vulnerabilidade de determinadas camadas sociais. A elevada desigualdade
presente nas relações sociais, e a impossibilidade de sua retificação pela “mão invisível”
do mercado, mostrou ser necessária uma atuação mais positiva (interventiva) do Estado.
Diante dessa atuação positiva, surgem os direitos sociais, culturais e econômicos.

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De acordo com José Afonso da Silva (2006, p. 175), as fontes de inspiração dos direitos
de segunda dimensão são:

“(1) o Manifesto Comunista e as doutrinas marxistas, com sua crítica ao capitalismo


burguês e ao sentido puramente formal dos direitos do homem proclamados no século
XVIII, postulando liberdade e igualdade materiais num regime socialista; (2) a doutrina
social da Igreja, a partir do Papa Leão XIII, que teve especialmente o sentido de
fundamentar uma ordem mais justa, mas ainda dentro do regime capitalista, evoluindo,
no entanto, mais recentemente, para uma Igreja dos pobres que aceita os postulados
sociais marxistas; (3) o intervencionismo estatal, que reconhece que o Estado deve
atuar no meio econômico e social, a fim de cumprir uma missão protetora das classes
menos favorecidas, mediante prestações positivas, o que é ainda manter-se no campo
capitalista com sua inerente ideologia de desigualdades, injustiças e até crueldades”.

Nesse sentido, cumpre destacar que o fator histórico mais importante que deu ensejo
aos direitos de segunda dimensão foi a Revolução Industrial europeia, a partir do século
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XIX. Como documentos marcantes desse período, a doutrina costuma arrolar :
I) Constituição do México, de 1917; II) Constituição de Weimar, de 1919, na Alemanha;
III) Tratado de Versalhes, 1919 e; IV) no Brasil, a Constituição de 1934.

Diante dos eventos da Segunda Guerra Mundial, em especial, relacionados ao avanço


bélico e o massacre de determinados povos, mostrou-se necessária a proteção não
somente dos homens individualmente considerados, mas do homem em coletividade
social. Destarte, surgem os direitos de terceira dimensão, sendo usualmente
denominados direitos de solidariedade ou fraternidade.

Sobre a terceira dimensão de direitos fundamentais, salienta Ingo Wolfgang Sarlet


(2007, p. 58):

“Os direitos fundamentais da terceira dimensão, também denominados de direitos de


fraternidade ou de solidariedade, trazem como nota distintiva o fato de se
desprenderem, em princípio, da figura do homem-indivíduo como seu titular,
destinando-se à proteção de grupos humanos (família, povo, nação), e
caracterizando-se, consequentemente, como direitos de titularidade coletiva ou difusa.
[…] Dentre os direitos fundamentais da terceira dimensão consensualmente mais
citados, cumpre referir os direitos à paz, à autodeterminação dos povos, ao
desenvolvimento, ao meio ambiente […]”.

Alguns desses direitos encontraram seara constitucional como o direito à


autodeterminação dos povos (CF/88 (LGL\1988\3), art. 4º, III), direito à paz (CF/88
(LGL\1988\3), art. 4º, VI e VII) e o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado
(CF/88 (LGL\1988\3), art. 225).

Quanto à suposta quarta dimensão de direitos, Norberto Bobbio salienta que se referem
aos efeitos cada vez mais traumáticos da pesquisa biológica, que permitirá manipulações
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do patrimônio genético de cada indivíduo. Destarte, os ditos Direitos Biológicos ou
Direitos ao Patrimônio Genético surgem como direitos de quarta dimensão.

Por outro lado, Paulo Bonavides (apud OLIVEIRA; LAZARI, p. 147) defende que a quarta
dimensão refere-se aos direitos inerentes à globalização política, notadamente composta
por democracia, informação e pluralismo. Bonavides também diverge ao falar de uma
quinta dimensão, composta precipuamente do direito à paz.

Independente das controvérsias doutrinárias sobre as dimensões de Direitos


Fundamentais, é possível verificar que tais direitos não são estanques, mas se sujeitam
a constante aperfeiçoamento.

2.2. Abertura material da Constituição de 1988

A CF/88 (LGL\1988\3) previu expressamente a abertura material dos Direitos


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Fundamentais, de modo que reconheceu a existência dos Direitos Fundamentais


implícitos, decorrentes daqueles já adotados pela Carta Magna. Nesse diapasão, o § 2º
do art. 5º, trouxe a seguinte disposição:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros


decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja parte”.

De acordo com Hewerstton Humenhuk, os Direitos Fundamentais, dentro do


ordenamento constitucional brasileiro, têm o sentido de uma “cláusula aberta”,
respaldando o surgimento de “direitos novos” não expressos na Constituição de 1988,
mas nela implícitos, seja em decorrência do regime e princípios por ela adotados, ou em
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virtude de tratados internacionais em que o Brasil seja parte.

A doutrina costuma salientar que os Direitos Fundamentais podem ser vistos no sentido
formal (aqueles explicitamente incorporados na Constituição escrita) e material (aqueles
que possuem conteúdo de Direito Fundamental, mas, não necessariamente foram
incorporados na Constituição escrita). Nesse sentido, salienta Dirley da Cunha Júnior
(2019, p. 582):

“Importa saber se a Constituição brasileira contém cláusula aberta que permita acolher
os chamados direitos materialmente fundamentais, ou direitos fundamentais em sentido
material, que são aqueles não previstos expressamente por ela, mas que, por força de
sua essencialidade, ou seja, de seu conteúdo e importância para sobrevivência e
convivência digna do homem em sociedade, são direitos fundamentais, detentores da
mesma dignidade dos direitos constitucionalizados. […]

Em face dela, entendemos que a Constituição brasileira reconhece a fundamentalidade


material dos direitos fundamentais, na medida em que se associou a um conceito
materialmente aberto de direitos fundamentais”.

Na verdade, a mera consignação da dignidade da pessoa humana como fundamento da


República Federativa do Brasil já conclama essa abertura material. Cumpre lembrar,
inclusive, que o rol presente no art. 5º não é taxativo, mas meramente exemplificativo.

Ingo Wolfgang Sarlet (2019, p. 115), nesse contexto, salienta que o princípio da
dignidade da pessoa humana “assume posição de destaque, servindo como diretriz
material para a identificação de direitos implícitos (tanto de cunho defensivo como
prestacional) e, de modo especial, sediados em outras partes da Constituição”. O mesmo
autor alerta que a dignidade da pessoa humana, em razão do seu elevado grau de
indeterminação e cunho polissêmico, pode fazer com que qualquer posição jurídica
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estranha ao catálogo poderia ser guindada à condição de materialmente fundamental.
Portanto, é necessário ter cautela.

Por fim, cumpre lembrar que a disposição prevista no § 2º do art. 5º não é inovação da
Constituição de 1988, sendo previstas em outras Constituições. A Constituição de 1891
foi a primeira na história do Brasil que trouxe tal disposição, conforme seu art. 78, in
verbis: “Art. 78. A especificação das garantias e direitos expressos na Constituição não
exclui outras garantias e direitos não enumerados, mas resultantes da forma de governo
que ela estabelece e dos princípios que consigna”.

Essa abertura material dos Direitos Fundamentais também encontrou guarida nas
Constituições de 1934 (art. 114), 1937 (art. 123), 1946 (art. 144), 1967 (art. 150, § 35)
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e na Emenda 01/69 (art. 153, § 36).

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3. Eficácia dos direitos fundamentais

O termo “eficácia” é, por vezes, empregado em contextos diversos com sentidos


diversos. De acordo com José Afonso da Silva (Apud KUNRATH), o termo eficácia deve
ser entendido em dois sentidos: o primeiro, da eficácia social da norma, ou seja, a
aplicação da norma constitucional no mundo dos fatos. O segundo diz respeito à eficácia
jurídica da norma constitucional, ou seja, à qualidade de produzir efeitos jurídicos ao
regular situações e comportamentos positivados. Nesse sentido, a eficácia refere-se à
aplicabilidade, exigibilidade e executoriedade da norma constitucional.

Nesse sentido, aduz Ingo Wolfgang Sarlet que a expressão “eficácia” costuma ser
vinculada à noção de aplicabilidade das normas jurídicas. Salienta ainda que a eficácia
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social identifica-se com o conceito de efetividade.

Para sistematizar a questão da eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais,


foram criadas classificações. A primeira classificação que surgiu no Brasil foi proposta
por Ruy Barbosa, que importou a teoria dos Estados Unidos, criando uma distinção entre
as normas autoaplicáveis e normas não autoaplicáveis. Sobre o tema, explica Ingo
Wolfgang Sarlet (2007, p. 252-253):

“No que diz com o primeiro grupo, o das normas auto-aplicáveis (ou auto-executáveis),
Ruy Barbosa firmou posição no sentido de que normas auto-aplicáveis seriam aquelas
que estariam aptas a gerar seus efeitos independentemente de qualquer atuação do
legislador, já que seu conteúdo se encontra devidamente determinado. […] Já no que
concerne às normas não-auto-aplicáveis (ou não-auto-executáveis), Ruy Barbosa, aqui
também valendo-se das lições do constitucionalista norte-americano G. Tucker, salienta
que muitas normas constitucionais requerem uma ação do legislador para tornar efetivos
os seus preceitos […]”.

A doutrina italiana, por sua vez, classificou as normas constitucionais, quanto à sua
eficácia e aplicabilidade, em: a) normas diretivas ou programáticas; b) normas
preceptivas, obrigatórias, de aplicabilidade imediata, e c) normas preceptivas,
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obrigatórias, mas não de aplicabilidade imediata.

A despeito das demais classificações brasileiras, a que ganhou maior destaque foi a
classificação de José Afonso da Silva, que dividiu as normas constitucionais em três
grandes grupos: I) normas constitucionais de eficácia plena; II) normas constitucionais
de eficácia contida; III) normas constitucionais de eficácia limitada ou reduzida.

De acordo com Dirley da Cunha Júnior as normas constitucionais de eficácia plena são
(2019, p. 154): “normas que, desde a entrada em vigor, incidem direta e imediatamente
sobre a matéria que lhes constitui objeto, independentemente de integração legislação,
eis que dotada de normatividade suficiente para atuar. Assim, são de aplicabilidade
direta, imediata e integral.”

Na Constituição Federal de 1988, são exemplos de normas constitucionais de eficácia


plena: normas de definidoras de competência da União (art. 21 da CF/88 (LGL\1988\3)),
dos Estados (arts. 25 a 28) e dos Municípios (arts. 29 e 30); normas que dispõem sobre
imunidade tributária (art. 150, I a VI); normas que dispõem sobre as imunidades
parlamentares (art. 53).

A despeito de não ser o posicionamento da maioria da doutrina, Dirley da Cunha Júnior,


buscando uma dogmática constitucional emancipatória, ressalta seu posicionamento em
reconhecer maior eficácia e aplicabilidade às normas constitucionais, inclusive as de
caráter sócio-ideológico, indicando como normas de eficácia plena todas as normas
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definidoras de direitos e garantias em razão do art 5º, § 1º, da CF/88 (LGL\1988\3).

Sobre as normas constitucionais de eficácia contida, embora possuam aplicabilidade


direta e imediata, reclamam uma norma de contenção por parte do legislador ordinário,
conforme aduz Marcelo Novelino (2017, p. 113):
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“São normas de aplicabilidade direta, imediata, mas possivelmente não integral. Apesar
de aptar a regular de forma suficiente os interesses relativos ao seu conteúdo, desde sua
entrada em vigor, reclamam a atuação legislativa no sentido de reduzir o seu alcance.
Em outras palavras, embora admitam limitação por norma infraconstitucional, sua
aplicação ao caso concreto não está condicionada à existência de normatização
infraconstitucional ulterior”.

De acordo com Michel Temer, é preferível denominá-las de normas constitucionais de


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eficácia redutível ou restringível. Sendo exemplos de tais normas dentro da
Constituição Federal: o direito de greve dos empregados da iniciativa privada (art. 9º,
§ 1º); a liberdade profissional (art. 5º, XIII); acesso aos cargos, empregos e funções
públicas (art. 37, I); a liberdade de exercício de qualquer atividade econômica (art. 170,
parágrafo único).

Por fim, as normas de eficácia limitada são aquelas que, no momento que a Constituição
é promulgada, não têm o condão de produzir todos os seus efeitos, precisando de uma
lei integrativa infraconstitucional, ou até mesmo de integração por meio de emenda
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constitucional, sendo portanto de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida.

As normas de eficácia limitada, por sua vez, são divididas em dois grupos: a) normas
constitucionais de princípio institutivo ou organizativo, que são aquelas que criam
organismos ou entidades, traçando linhas gerais sobre a estruturação e atribuição do
órgão; b) normas constitucionais de princípio programático, pois veiculam políticas
públicas ou programas a serem realizados pelo governo.

São exemplos de normas constitucionais de eficácia limitada de princípio institutivo


presentes na Constituição Federal: criação e transformação de Território Federal
(art. 18, § 2º); organização administrativa e judiciária dos Territórios (art. 33);
organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional (art. 91, § 2º).

As normas constitucionais de princípio programático podem ser encontradas nos títulos


VII e VIII da CF/88 (LGL\1988\3), disciplinando relações econômico-sociais. Por serem
normalmente rebaixadas à simples “programas futuros”, Catotilho (apud NOVELINO,
p. 115) aponta a necessidade de se declarar a “morte” da referida espécie normativa, a
fim de estabelecer uma ruptura definitiva com a doutrina clássica.

3.1. Aplicação imediata dos direitos e garantias fundamentais

A Constituição Federal de 1988 inovou na história das constituições brasileiras quando


inseriu o § 1º do art. 5º em seu texto, que diz: “as normas definidoras dos direitos e
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garantias fundamentais têm aplicação imediata”.

Cumpre desde logo salientar que o dispositivo constitucional utilizou a terminologia


“direitos e garantias fundamentais”, abarcando em seu âmbito de aplicação os demais
direitos, inclusive sociais, que estão fora do art. 5º, por conseguinte, não logra êxito o
argumento que restringe o âmbito de aplicação do parágrafo ao art. 5º, citando a
posição topográfica do dispositivo.

Não obstante, salienta Ronaldo Poretti sobre o § 1º do art. 5º (2009, p. 93): “Parágrafo
Irreal. No entanto, nem todas as normas do art. 5º são auto-executáveis. Muitas
dependem, expressamente, de regulamentação legal.” Quanto ao alcance da referida
norma, consigna Manoel Gonçalves Ferreira (apud Poretti, p. 93) que: “o alcance
razoável desta norma consiste em fazê-la sugerir que se deve procurar dar à regra
definidora de direito ou garantia aplicação imediata, dentro do possível, incluindo recurso
à analogia”.

A questão normalmente levantada é a incidência do § 1º do art. 5º às normas


constitucionais programáticas que, conforme tratado alhures, possuem aplicabilidade
mediata. Nesse sentido, essa espécie normativa alcancaria sua eficácia apenas nos
termos e na medida da lei. De outro lado, conforme consigna Ingo Wolfgang Sarlet
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(2007, p. 276) há aqueles que “advogam o ponto de vista segundo o qual até mesmo as
normas de cunho nitidamente programático podem ensejar, em virtude de sua imediata
aplicabilidade, o gozo do direito subjetivo individual […]”.

Reforçando a tese ora defendida, Maurício de Carvalho Góes, em primoroso artigo, aduz
(2008):

“É possível afirmar, assim, que os direitos fundamentais sociais não se configuram como
mero capricho de um constitucionalismo dirigente, mas sim como uma efetiva
“necessidade”, razão pela qual a sua desconsideração e ausência de implementação
atentam contra os valores da vida e da dignidade da pessoa humana. O princípio da
aplicação imediata, nesse sentido, acaba por envolver não só os direitos fundamentais
de defesa como os direitos fundamentais a prestações, na forma do art. 5º, § 1º, da CF
40”.

Nesse sentido, a jurisprudência tem determinado a aplicação imediata de diversos


direitos, inclusive os sociais que, normalmente, possuem caráter programático,
entendendo que, do contrário, transformaria o texto constitucional em “letra morta”,
veja-se:

“MANDADO DE SEGURANÇA. FORNECIMENTO DE CADEIRA DE RODAS NÃO RECLINÁVEL.


OMISSÃO DO ESTADO. DIREITO FUNDAMENTAL À SAÚDE. APLICAÇÃO IMEDIATA.
ORDEM CONCEDIDA. 1. A impetrante, diagnosticada com síndrome de lennox gastaut
(Cid g40.3), apresentando epilepsia de difícil controle e encefalopatia crônica, e
encontrando-se impossibilitada de locomover-se por apresentar atraso e sequelas no
desenvolvimento neurológico e psicomotor, alega necessitar de uma cadeira de rodas
não reciclável. 2. Embora tenha solicitado o referido equipamento a Secretaria de Saúde
do Estado do Ceará, por meio da secretaria de planejamento e gestão do Estado do
Ceará, em 25 de janeiro de 2019, não obteve, mesmo passando lapso considerável de
tempos, qualquer resposta do poder público estadual, o que evidenciaria omissão poder
público do dever de prestar de prestar atendimento de saúde. 3. Explico, o caso
consubstancia-se no direito fundamental à saúde previsto no art. 6º da Constituição
Federal, cuja aplicação deve ser imediata, conforme preceitua o parágrafo primeiro do
art. 5º do mesmo diploma constitucional, senão vejamos: “1º as normas definidoras dos
direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. “ nada justifica que o estado
seja omisso diante de requerimentos desta natureza sob a justificativa de que não há
regulamentação por parte do legislador ordinário. Entendimento contrário poderia
implicar na falta de efetividade da referida norma, e, por via de consequência, a tornaria
letra morta no corpo da Constituição Federal. 4. Mais a frente, no art. 196 do mesmo
diploma constitucional a saúde é tratada como um “direito de todos e dever do estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação. “ a referida norma constitucional impõe ao
estado o dever de garantir aos cidadãos o acesso aos serviços de saúde, o que inclui,
evidentemente, o direito a receber o equipamento em questão, haja vista ser uma
necessidade indispensável para que a impetrante possa ter uma vida digna. Negar tal
direito é, inclusive, negar o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana,
ainda que se respalde na alegação de que a norma em comento possui natureza
programática. Precedentes do STF. 5. Portanto, a saúde é um direito de todos e um
dever do estado, devendo este garantir todas as condições necessárias para a sua plena
concretização, inclusive para fornecer equipamento médico indispensável para garantir
uma vida digna aqueles que dele necessitam, como é o caso em análise. 6. Dessa forma,
resta caracterizado o direito da parte impetrante, haja vista se encontrar amparado na
Constituição Federal e nas jurisprudências do pretório Excelso e deste tribunal de justiça,
devendo os impetrados garantir a mesma o fornecimento de cadeira de rodas não
reclinável especificada no documento de pp. 43, oriundo da secretaria municipal de
saúde de porteiras e subscrito pelo Dr. Ebenone Silva, ortopedista/ traumatologista (crm
15.122). 7. Ordem concedida. (TJCE; MSCiv 0627219-33.2019.8.06.0000; Órgão
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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

Especial; Rel. Des. Maria Edna Martins; j. 16.07.2020; DJCE 30.07.2020)”. (grifo nosso).

Alguns, mais radicais, defendem a inexistência, na Constituição Federal de 1988, de


normas programáticas, em razão do § 1º do art. 5º. Todavia, é inegável a existência de
normas constitucionais programáticas. O que o constituinte quis garantir foi não
submeter a efetividade de determinados direitos ao alvedrio do legislador
infraconstitucional, tanto que criou mecanismos para combater as omissões (art. 5º,
LXXI, e art. 103, § 2º, ambos da CF/88 (LGL\1988\3)).

Por fim, cumpre transcrever o ensinamento de Ingo Wolfgang Sarlet (2007, p. 281):

“O Constituinte de 1988, além de ter consagrado expressamente uma gama variada de


direitos fundamentais sociais, considerou todos os direitos fundamentais como normas
de aplicabilidade imediata. Além disso, já se verificou que boa parte dos direitos
fundamentais sociais (as assim denominadas liberdades sociais) se enquadra, por sua
estrutura normativa e por sua função, no grupo dos direitos de defesa, razão pela qual
não existem maiores problemas em considerá-los normas auto-aplicáveis, mesmo de
acordo com os padrões da concepção clássica referida. Cuida-se, sem dúvidas, de
normas imediatamente aplicáveis e eficazes, o que, por outro lado, não significa que a
elas não se aplique o disposto no art. 5º, § 1º, da nossa Constituição, mas, sim, que
17
este preceito assume, quanto aos direitos de defesa, um significado diferenciado”.

Destarte, a norma contida no art. 5º, § 1º, impõe ao Estado e seus agentes a tarefa de
maximizar a eficácia dos direitos fundamentais, investindo os poderes públicos na
atribuição constitucional de promover as condições para que os direitos e garantias
fundamentais não estejam presentes apenas no texto formal da Constituição.

4. Dimensão objetiva dos direitos fundamentais e a atuação do estado

Conforme salientado, o Estado Constitucional encontra sua razão de ser na efetivação


dos Direitos Fundamentais e Humanos. Nas palavras de Carlos Alexandre de Azevedo
Campos (2016, p. 65): “É com a realização concreta dos direitos fundamentais, a ser
alcançada pela atuação adequada da correspondente norma constitucional, que o
Estado, a começar pelo Poder Legislativo, está comprometido de forma irrenunciável e
incontornável”. O referido autor, inclusive, salienta que todas as normas constitucionais
18
giram em torno dos direitos fundamentais.

Manifestações similares podem ser encontradas em diversas doutrinas, veja o que


dispõe Marcelo Ribeiro Uchôa (2014, p. 48-49):

“Com efeito, um Estado verdadeiramente democrático, que considera o povo como razão
de sua existência, deve inserir como limite de sua atuação, tanto positiva quanto
negativamente, os direitos humanos, já que voltados inteiramente ao bem comum. Além
disso, porque são multiculturais, imprescritíveis e universalmente aplicáveis, casando
bem em qualquer lugar, tempo e circunstância do planeta. Por fim, porque dele
decorrem outros direitos e garantias que vêm reforçar cada vez mais a existência de um
Estado do povo, pelo povo e para o povo”.

Cumpre consignar que a ausência de atuação estatal para consagrar tais direitos ou a
atuação incompleta sempre configuraram grave violação à Carta Magna, independente
19
da eficácia jurídico-formal dos dispositivos constitucionais envolvidos.

Em razão da dupla perspectiva dos Direitos Fundamentais, que podem ser considerados
em relação às posições jurídicas subjetivas criadas por esses direitos, bem como
concernente aos valores objetivos trazidos pelas normas constitucionais, é possível falar
20
em uma dupla dimensão: subjetiva e objetiva.

Sobre o tema, salienta Dirley da Cunha Júnior (2019, p. 558-559):

“Essa dupla dimensão – subjetiva e objetiva – dos direitos fundamentais está bem
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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

delineada na precisa e apurada decisão proferida em 1958, no caso Luth, pelo Tribunal
Constitucional Federal Alemão (Bundesverfassungsgericht), muito evocada em doutrina
e jurisprudência alemãs, segunda a qual os direitos fundamentais não se limitam à
função precípua de serem direitos subjetivos de defesa do indivíduo contra atos de poder
público, mas que, além disso, constituem decisões valorativas de natureza
jurídico-objetiva da Constituição, com eficácia em todo o ordenamento jurídico, e que
fornecem diretrizes para os órgãos legislativos, judiciários e executivos”.

Na dimensão subjetiva, os Direitos Fundamentais são tratados sob a perspectiva dos


indivíduos, sendo titulares de direitos subjetivos que permitem exigir determinados
comportamentos em face do Estado ou de outros indivíduos.

Assim, para complementar a dimensão subjetiva, surge a dimensão objetiva que, além
de limitar o poder estatal, leva em conta a carga axiológica dos Direitos Fundamentais
que servem como diretriz para a ação estatal no sentido de que o poder público deve
promovê-los.

Ainda sobre a diferenciação entre as duas dimensões citadas, Hewerstton Humenhuk


explica (2016, p. 95):

“A tarefa do Estado Constitucional é a concretização dos direitos fundamentais nos


planos formal e material, que por sua vez vinculam a ordem jurídica pelo prisma do
conteúdo de tais direitos. Esse núcleo do Estado Constitucional é traduzido na dimensão
objetiva desses direitos fundamentais, que são identificados como um conjunto de
valores básicos e fins diretivos da atuação estatal positiva, ao passo que a perspectiva
subjetiva se revela na pretensão de um cidadão ou de um grupo em requerer, do Estado
Constitucional, uma atividade ou uma omissão para o reconhecimento e a proteção de
um determinado interesse ou bem”.

A dimensão objetiva, de modo geral, denota o caráter vinculante e diretivo da


Constituição, impondo ao Estado, inclusive, em razão do art. 5º, § 1º, da CF/88
(LGL\1988\3), o dever de realizar materialmente os direitos fundamentais, ou melhor,
ter essa premissa como alicerce do próprio Estado.

O reconhecimento da dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais tem implicado


consequências importantes. Nesse sentido, Paulo Bonavides (apud JUNIOR, Dirley da
Cunha. Op. cit., p. 559-560) enumera algumas:

“a) a irradiação e a propagação dos direitos fundamentais a toda a esfera do Direito


Privado; […] b) a elevação de tais direitos à categoria de princípios, de tal sorte que se
convertem no mais importante polo de eficácia normativa da Constituição; c) a eficácia
vinculante, cada vez mais enérgica e extensa, com respeito aos três Poderes,
nomeadamente o Legislativo; d) a aplicabilidade direta e a eficácia imediata dos direitos
fundamentais, com perda do caráter de normas programáticas; e) a dimensão
axiológica, mediante a qual os direitos fundamentais aparecem como postulados sociais
que exprimem uma determinada ordem de valores e ao mesmo passo servem de
inspiração, impulso e diretriz para a legislação, a administração e a jurisdição; f) o
desenvolvimento da eficácia inter privatos, ou seja, em relação a terceiros
(Drittwirkung), com atuação no campo dos poderes sociais, fora, portanto, da órbita
propriamente dita do Poder Público ou do Estado, dissolvendo, assim, a exclusividade do
confronto subjetivo imediato entre o direito individual e a máquina estatal; confronto do
qual, nessa qualificação, os direitos fundamentais se desataram; g) a aquisição de um
‘duplo caráter’ […], ou seja, os direitos fundamentais conservam a dimensão subjetiva –
da qual nunca se podem apartar, pois, se o fizessem, perderiam parte da sua
essencialidade – e recebem um aditivo, uma nova qualidade, um novo feitio, que é a
dimensão objetiva, dotada de conteúdo valorativo-decisório, e de função protetora tão
excelentemente assinalada pelos publicistas e juízes constitucionais da Alemanha.

Na prática, a dimensão objetiva tem sido invocada para sustentar a implementação de


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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

políticas públicas por parte do Poder Judiciário, conforme se verifica nos seguintes
julgados: 1) TJDFT, Rec 2003.01.3.001374-0, Ac. 830.930, Terceira Turma Cível, Rel.
21
Des. Flavio Rostirola, DJDFTE 17.11.2014 ; 2) TJDFT, Acórdão 649760,
20070111422399RMO, Relator GILBERTO PEREIRA DE OLIVEIRA, 5ª Turma Cível, data
22
de julgamento 23.01.2013, publicado no DJE 01.02.2013 ; 3) TJPR, 4ª C.Cível de
Cascavel, 0036635-13.2011.8.16.0021, Rel. Juiz Hamilton Rafael Marins Schwartz,
23
j. 01.03.2019.

Conforme ressaltado, a dimensão objetiva dos direitos fundamentais dá ensejo a um


dever de proteção do Estado, ao qual incumbe zelar, inclusive, preventivamente, pela
defesa contra eventuais ações ou omissões que agridam tais direitos, por conseguinte,
deve adotar medidas positivas para concretizar os Direitos Fundamentais, por meio de
medidas legislativas, procedimentos organizacionais, realização de políticas públicas
específicas etc.

Todavia, a realidade pode mostrar a dura diferença entre prescrever direitos


fundamentais em documentos solenes e o efetivo gozo desses direitos por toda
sociedade, na medida em que há diversas situações nas quais há violações reiteradas e
massivas de direitos fundamentais, como nas penitenciárias.

4.1. Estado de coisas inconstitucional

A omissão inconstitucional pode se dar em diversos planos: I) o legislativo, quando não


promove a regulamentação de algum direito; II) o administrativo, quando não é
implementada determinada política pública prevista em lei ou até mesmo quando o
Poder Executivo não destina recursos suficientes para garantir a proteção de um núcleo
mínimo de determinado direito; III) o judicial, quando o Poder Judiciário, mesmo
chamado a resolver a questão, esquiva-se de alguma forma.

Assim, tendo por escopo suprir a omissão inconstitucional e proteger a dimensão


objetiva dos Direitos Fundamentais, deve-se reconhecer, em casos excepcionais, a
vigência de um “Estado de Coisas Inconstitucional”.

Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 347, em 2015,


mencionou, quando se referia às prisões brasileiras, um “estado de coisas
inconstitucional”, registrando que diante do presente quadro de violação massiva e
persistente de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de
políticas públicas e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza
normativa, administrativa e orçamentária, deve o sistema penitenciário nacional ser
caracterizado como estado de coisas inconstitucional (STF, ADPF 347, Rel. Min. Marco
Aurélio, Pleno, j. 09.09.2015).

Assim, o Poder Judiciário depara-se com uma realidade social que necessita de uma
transformação urgente, com falhas estruturais e impasses políticos que implicam, além
do estado inconstitucional, a improbabilidade do governo superar esse estágio de coisas
contrário ao sistema de direitos fundamentais, sem que o seja a partir de uma forte e
24
ampla intervenção judicial. Nesse sentido, quando vigente o “Estado de Coisas
Inconstitucional” explica Carlos Alexandre de Azevedo Campos (2016, p. 98):

“Surge a possibilidade de o juiz interferir e determinar a confecção de leis e políticas


públicas, voltadas à superação do estado permanente de violação a direitos. Em vez de
deixar o Governo livre para decidir se e quando dirigir esforços normativos e
orçamentários para enfrentar o quadro de inconstitucionalidades, cortes constitucionais,
reconhecendo a inexistência ou deficiência de medidas para reverter essa realidade
insuportável, declaram o ECI e chamam para si o impulso e a supervisão do processo de
superação da situação. Trata-se, sem dúvida, de postura das mais ambiciosas que cortes
constitucionais podem assumir. Inevitavelmente, decisões desse calibre levantam
suspeitas de usurpação de poder e atuação democraticamente ilegítima”.

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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

O referido autor, o qual elaborou obra específica sobre o tema, cita o desenvolvimento
dessa doutrina ativista por parte da Corte Constitucional Colombiana, que se tornou
paradigma na América Latina. Todavia, há quem questione a doutrina ativista alegando
que o Poder Judiciário, normalmente, não tem legitimidade conferida pelo povo para
promover as políticas públicas.

Citando o exemplo da Corte Constitucional Colombiana, David Landau (apud CAMPOS,


p. 100) salienta que a popularidade da Corte Colombiana sugere uma ligação direta com
a população, bem como sua habilidade de estimular discussão e engajamento por grupos
da sociedade civil sobre questões proeminentes sugere que ela pode não ser tão
25
antidemocrática quanto a teoria (constitucional norte-americana) padrão afirmaria.

Tendo por escopo o desenvolvimento de uma sistematização clara e objetiva dos


pressupostos autorizadores do ECI, assegurando sua excepcionalidade, a Corte
Colombiana consigna a existência de três pressupostos principais, conforme citado pelo
STF na ADPF 347, sendo eles: I) situação de violação generalizada de direitos
fundamentais; II) inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades
públicas em modificar a situação; III) a superação das transgressões exigir a atuação
não apenas de um órgão, e sim de uma pluralidade de autoridades.

Carlos Alexandre de Azevedo, por sua vez, traz quatro pressupostos (2016, p. 180-185):

“O primeiro pressuposto é o da constatação de um quadro não simplesmente de


proteção deficiente, e sim de violação massiva e continua de diferentes direitos
fundamentais, que afeta um número amplo de pessoas. […]

O segundo pressuposto é o da omissão reiterada e persistente das autoridades públicas


no cumprimento de suas obrigações de defesa e promoção dos direitos fundamentais.
[…]

O terceiro pressuposto, relacionado de perto com o segundo, tem a ver com as medidas
necessárias à superação das inconstitucionalidades, especialmente se considerarmos
falhas estruturais como deficiências no ciclo das políticas públicas. […]

O quarto e último pressuposto diz respeito à potencialidade de um número elevado de


afetados transformarem a violação de direitos em demandas judiciais, que se somariam
às já existentes, produzindo grave congestionamento da máquina judiciária”.

Cumprido os pressupostos, cabe a declaração do Estado de Coisas Inconstitucional, que


se trata, na verdade, de uma técnica decisória por meio da qual se declara “uma
realidade inconstitucional”. Conforme consignar Carlos Alexandre de Azevedo, não é uma
ação judicial propriamente dita, e sim uma ferramente processual pela qual as cortes
produzem uma norma declaratória da contradição insuportável entre o texto
26
constitucional e a realidade social.

Todavia, a despeito do Supremo Tribunal Federal já ter reconhecido judicialmente a


doutrina do ECI, esta ainda necessita de avanços e delimitações melhores por parte da
doutrina e jurisprudência nacionais, a fim de que se possa superar o descaso dos
poderes públicos em relação à consagração material dos Direitos Fundamentais.

5. Conclusão

Diante do exposto, verificou-se que os Direitos Fundamentais estão umbilicalmente


ligados à dignidade da pessoa humana e, por conseguinte, não estão limitados aos
direitos expressamente previstos no texto constitucional, inclusive, na dicção do § 2º do
art. 5º da CF/88 (LGL\1988\3), os direitos e garantias expressos na Constituição não
excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.

Além disso, os Direitos Fundamentais, mesmo aqueles que consagram princípios


programáticos, possuem aplicação imediata, devendo o Estado se abster de criar
Página 13
Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

entraves puramente doutrinários para aplicar os Direitos Fundamentais ao caso concreto.

Na atual dogmática constitucional, surge o que se chama de “dimensão objetiva” dos


Direitos Fundamentais, consignando a função de limitar o poder do Estado e servir de
vetor para a atuação deste. Assim, os Direitos Fundamentais assumem o papel de
alicerce da própria função estatal, constituindo sua razão de ser.

Por fim, diante do descaso reiterado em relação aos Direitos Fundamentais, o Poder
Judiciário não pode se esquivar em aplicar esses direitos, com base nas velhas
concepções da reserva do possível, da separação dos poderes, ou de outras que servem
de base para manter determinadas situações violadoras. Nesse sentido, surgiu a
doutrina do “Estado de Coisas Inconstitucional”, na qual o Poder Judiciário declara uma
triste realidade inconstitucional, chamando para si a incumbência de mudar tal realidade,
a fim de privilegiar a dimensão objetiva dos Direitos Fundamentais.

6. Bibliografia

BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Nova Edição. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2004.

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atual. Rio de Janeiro: Forense, 2016.

GÓES, Maurício de Carvalho. Os Direitos Fundamentais nas Relações de Emprego: da


Compreensão às Novas Tendências. Revista Magister de Direito Trabalhista e
Previdenciário. Porto Alegre: Magister, ano 4, n. 27, nov.-dez. 2008.

HUMENHUK, Hewerstton. Responsabilidade Civil do Estado Constitucional por Omissão e


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Disponível em:
[https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-constitucional/eficacia-dos-direitos-fundamentais/#_ftn
Acesso em: 17.09.2020.

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2011.

LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

OLIVEIRA, Bruna Pinotti Garcia; LAZARI, Rafael de. Manual de Direitos Humanos –
Volume Único. 3. rd. rev., atual. e ampl. Salvador: JusPodivm, 2017.

POLETTI, Ronaldo. Constituição Anotada. Rio de Janeiro: Forense, 2009.

SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 7. ed. rev., atual. e ampl.
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007.

SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade (da Pessoa) Humana e Direitos Fundamentais na


Constituição Federal de 1988. 10. ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do
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SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 25. ed. rev. e atual. São
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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
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TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2009.

UCHÔA, Marcelo Ribeiro. Justiça, Direito e Cidadania. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014.

Legislação

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília/DF:


Senado Federal, 1988.

1 .CUNHA JUNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 13. ed. rev., ampl. e atual.
Salvador: Editora JusPodivm, 2019. p. 499.

2 .SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 7. ed. rev., atual. e
ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p. 34.

3 .Ingo Wolfgang Sarlet formula o seguinte conceito sobre dignidade da pessoa humana
(2019, p. 70-71): “a qualidade intrínseca e distintiva reconhecida em cada ser humano
que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da
comunidade, implicando, nesse sentido, um complexo de direitos e deveres
fundamentais que asseguram a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho
degradante e desumano, como venham a garantir as condições existenciais mínimas
para uma vida saudável, além de propiciar e promover sua participação ativa e
corresponsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os
demais seres humanos, mediante o devido respeito aos demais seres que integram a
rede da vida.”

4 .De acordo com Norberto Bobbio (2004, p. 05): “[…] os direitos do homem, por mais
fundamentais que sejam, são direitos históricos, ou seja, nascidos em certas
circunstâncias, caracterizadas por lutas em defesa de novas liberdades contra velhos
poderes, e nascidos de modo gradual, não todos de uma vez e nem de uma vez por
todas”.

5 .SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 7. ed. rev., atual. e
ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p. 46.

6 .LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 21. ed. São Paulo: Saraiva,
2017. p. 1101.

7 .BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Nova Edição. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2004. p. 05-06.

8 .HUMENHUK, Hewerstton. Responsabilidade Civil do Estado Constitucional por Omissão


e a Efetividade dos Direitos Fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora,
2016. p. 70.

9 .SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade (da Pessoa) Humana e Direitos Fundamentais na


Constituição Federal de 1988. 10. ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2019. p. 114.

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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

10 .A Constituição de Portugal de 1976, que inspirou grande parte da Constituição


Brasileira de 1988, inseriu em seu art. 16, n.1, que “Os direitos fundamentais
consagrados na Constituição não excluem quaisquer outros constantes das leis e das
regras aplicáveis de direito internacional.”

11 .SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 7. ed. rev., atual. e
ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p. 247.

12 .CUNHA JUNIOR, Dirley da. Op. cit., p. 152.

13 .CUNHA JUNIOR, Dirley da. Op. cit., p. 154.

14 .TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. 22. ed. São Paulo: Malheiros,
2009. p. 26.

15 .LENZA, Pedro. Op. cit., p. 225.

16 .Regra similiar pode ser encontrada na Constituição Portuguesa que, em seu art. 18º,
1, dispõe: “Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias
são diretamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas”.

17 .Quanto aos direitos sociais de natureza prestacional, deve-se atentar à certos limites
como o da reserva do possível, desde que devidamente provada, e até a falta de
qualificação dos tribunais para implementar determinados programas socioeconômicos.

18 .CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Estado de Coisas Inconstitucional. Salvador:


JusPodivm, 2016. p. 67.

19 .CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Op. cit., p. 65.

20 .Ingo Wolfgang Sarlet (2019, p. 93) alude também à dimensão objetiva e subjetiva
da dignidade da pessoa humana.

21 .O objeto da respectiva ação era o fornecimento, por parte do Distrito Federal, ao


conselho tutelar de recursos humanos e materiais, a fim de viabilizar o funcionamento
dele. Citando em sua emenda que: “A dimensão objetiva dos direitos fundamentais deve
ter a sua eficácia ressaltada não apenas sob o ponto de vista individual, mas também
perante o Estado e a sociedade como um todo, já que são valores cujos fins devem ser
respeitados e concretizados.”

22 .Tratava-se de ação de obrigação de fazer referente ao direito à saúde,


especificamente vaga em leito de UTI. Foi utilizado como um dos fundamentos a
dimensão objetiva e consignando que: “Por isso, e afastando a tese do Procurador de
Justiça de que o direito à vida não é absoluto, se o núcleo do direito à vida, que é a
saúde e a sua recuperação, forem violados, restará esvaziada por completo a própria
dignidade humana, porque amplamente conectadas.”

23 .Tratava-se de ação proposta pelo Ministério Público do Paraná, objetivando a


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Os direitos fundamentais como vetor de atuação do
Estado

Reforma e a realização de Adaptações de Escola Pública Estadual. No Acórdão, foi dito


que o direito à educação corresponde a um direito subjetivo à educação de qualidade,
além de, na perspectiva objetiva, ser um dever do Estado e da sociedade de prover
políticas e arranjos institucionais e organizacionais, incluindo a provisão de recursos
financeiros e humanos para tanto.

24 .CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Op. cit., p. 96.

25 .CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Op. cit., p. 100.

26 .CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Op. cit., p. 185.

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