UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

KIMBERLITO
MORFOLOGIA, FORMAÇÃO E KIMBERLITOS DIAMANTÍFEROS EM MINAS GERAIS
--- Rodrigo Correia Barbosa --(27/04/2006)

ÍNDICE

PÁGINA

1 – INTRODUÇÃO............................................................................................................ 04 2 – MORFOLOGIA............................................................................................................ 05 2.1 – KIMBERLITO DE CRATERAS................................................................... 05 2.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS................................................................. 06 2.3 – KIMBERLITO ABISSAL.............................................................................. 06 3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS........................................... 07 4 – MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO..................................................... 09 4.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO................................................ 09 4.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO)................................................. 09 4.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA)........................ 12 5 – PETROLOGIA.............................................................................................................. 14 5.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I...................................................................... 15 5.2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II.................................................................... 15 6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS......................................... 16 7 – CONCLUSÃO............................................................................................................... 18 8 – BIBLIOGRAFIA........................................................................................................... 19 ANEXO I............................................................................................................................. 20 ANEXO II........................................................................................................................... 22 ANEXO III.......................................................................................................................... 23 ANEXO IV.......................................................................................................................... 24

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Os diamantes de Kimberley foram encontrados originalmente em kimberlito laterizado. Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. clinopiroxênio.INTRODUÇÃO O kimberlito é uma rocha ígnea intrusiva. um peridotito composto por olivina (normalmente serpentinizada) com quantidades variáveis de flogopita. porções da crosta terrestre estáveis desde o período Pré-Cambriano. encontrado em profundidades variáveis. carbonatos e cromita. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. Classifica-se grosseiramente.1 . ortopiroxênio. Página 4 . porém nele. Os depósitos da região de Kimberley na África do Sul foram os primeiros reconhecidos e deram origem ao nome. O cráton do São Francisco ocupa grande parte de Minas Gerais e destaca-se na região sudeste do Brasil. porém sua existência só se tornou conhecida no ano de 1866. No Brasil existem três áreas cratônicas. Os kimberlitos são a mais importante fonte de diamantes. O cráton Amazônico é a principal delas. porém ao sul de Rondônia e norte do Mato Grosso também encontra-se kimberlitos. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. não se conhecem rochas kimberlíticas mineralizadas. com exceção dos kimberlitos pobres da Serra da Canastra. O kimberlito ocorre principalmente nas zonas de crátons.

KIMBERLITO DE CRATERAS A morfologia de superfície de kimberlitos intemperizados é caracterizada por uma cratera de até dois quilômetros de diâmetro cujo piso pode estar a centenas de metros abaixo da superfície. piropo titaniano pobre em cromo. enstatita e cromita pobre em titânio. Rochas Epiclásticas: Estes sedimentos representam retrabalho fluvial no material piroclástico do anel de tufa no lago formado no topo da diatrema. Os minerais da matriz incluem olivina e/ou flogopita juntamente com perovskita.1 . espinélio. calcita e serpentina. flogopita. Os depósitos são normalmente acamados. Apresentam-se dispersas quanto mais afastadas do centro e das paredes rochosas. diopsídio. apatita. monticellita e apatita por serpetina e calcita é comum. retrabalhadas por água. resultando na presença de macro-cristalizações inseridas em uma matriz de grãos finos. Página 5 .2 .MORFOLOGIA Os kimberlitos são um grupo de rochas ultrabásicas ricas em voláteis (principalmente dióxido de carbono). depositadas por forças eruptivas e epiclásticas. Sulfetos de níquel e rutilo são minerais acessórios comuns. monticellita. flogopita. Os anéis possuem pequena relação altura por diâmetro da cratera e são preservados em muito poucos kimberlitos. o kimberlito pode ser dividido em três unidades. Alguns kimberlitos contém flogopita-estonita poiquilítica em estágio avançado. Rochas Piroclásticas: Encontradas preservadas em anéis de tufa no entorno da cratera ou dentro da cratera. Membros desenvolvidos do grupo do kimberlito podem ser pobres ou desprovidos de macro-cristalizações e compostos essencialmente de calcita. olivina. A cratera é geralmente mais profunda no meio. Normalmente apresentam textura inequigranular característica. A substituição de olivina. em referência a Clement e Skinner (1985). Os únicos locais com anéis de tufa bem preservados no mundo são Igwisi Hills na Tanzânia e Kasami em Mali. vesiculares e carbonizados. baseadas em sua morfologia e petrologia: 2. apatita e perovskita. serpentina e magnetita juntamente com flogopita. sendo que a olivina é o membro dominante. Considerando a raridade de kimberlitos de crateras é difícil desenvolver um modelo para determinar com certeza que todos os kimberlitos serão conformados segundo as características observadas acima. os últimos em menor quantidade. A montagem destas macro-cristalizações consistem em cristais anédricos de ilmenita magnesiana. No entorno da cratera há um anel de tufa relativamente pequeno (em geral com menos de 30 metros) quando comparado com o diâmetro da cratera. Segundo Kopylova (2005). Duas categorias principais de rochas são encontradas em kimberlitos de crateras: piroclásticas. clinopiroxênio pobre em cromo.

3 – KIMBERLITO ABISSAL Estas rochas são formadas pela cristalização de magma kimberlítico quente e rico e voláteis. 2.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS Diatremas kimberlíticas possuem de 1 a 2 quilômetros de profundidade e geralmente apresentam-se como corpos cônicos que são circulares ou elípticos na superfície e afinam com a profundidade.2. O contato com a rocha hospedeira é dado usualmente entre 80 e 85 graus. A zona é caracterizada por material kimberlítico vulcanoclástico fragmentado e xenólitos agregados de vários níveis da crosta terrestre durante a subida do kimberlito à superfície. São notáveis as segregações de calcita-serpentina e as segregações globulares de kimberlito em uma matriz rica em carbonato. Página 6 . Geralmente não possuem fragmentação e parecem ígneos.

Classificação dos Kimberlitos Crater-Facies De Clement e Skinner 1985 Página 7 . O termo “tufisítico” significa presumir que o kimberlito foi formado através de processo de fluidização. O modelo mais conhecido e geralmente bem aceito foi proposto por Clement e Skinner (1985). Esta classificação é largamente utilizada. no entanto é importante notar aqui as implicações genéticas neste modelo.3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS Vários modelos de classificação foram desenvolvidos para os kimberlitos e as grandes variações de textura e mineralogia apresentadas por estas rochas implicam em dificuldades para classificá-los. porém ainda existem controvérsias com relação à formação dos kimberlitos.

Qualquer rocha com mais de 15% do volume de fragmentos visíveis é denominada “breccia”. Kimberlitos abissais são comumente reconhecidos pela presença abundante de calcita e textura segregada com macro/mega-cristalizações. A denominação aqui é baseada no volume percentual dos fragmentos visíveis macroscopicamente. As subdivisões da terceira coluna envolvem características específicas discutidas em detalhes por Clement e Skinner. Kimberlitos de diatremas são reconhecidas por formações geodésicas do magma cristalizado e formações semelhantes geradas durante a perda dos gases. Vale ressaltar que não existem classificações inteiramente aceitas para o kimberlito.As subdivisões das fácies principais são determinadas por diferenças na textura. As características diferenciadoras podem ser resumidas: Kimberlitos de crateras são reconhecidos por características sedimentares. O diagrama proposto por Clement e Skinner é o mais comumente aceito utilizado e por isto é apresentado aqui. Página 8 . mas que fogem do escopo deste texto. Fragmentos podem ser acidentados ou cognatos. A divisão entre “breccia” e “não breccia” (coluna dois – Tipo de Rocha) denomina rochas fragmentadas e é comumente aportuguesada do italiano pelo termo “brecha”. 1985.

Mitchell (1986) apresenta em detalhes as diferentes teorias. 1971). Estudos do ponto original das explosões revelaram que a taxa deveria estar perto de 1:1.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO) Segundo Kopylova. Mitchell. Em termos gerais a teoria aponta que o magma kimberlítico sobe à superfície em diferentes pulsos. Não foi encontrada nenhuma câmara intermediária nas profundidades sugeridas.MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO Desde a descoberta de diamantes em kimberlito muitas teorias surgiram a respeito do processo de formação desta rocha. que é suficientemente rápido para “fluidizar” o kimberlito e a rocha hospedeira fragmentada de modo que as partículas são carregadas em um meio sólido-líquido-gasoso.4 . serão apresentadas as três mais conhecidas e discutidas. perfazendo assim uma taxa de 1:2.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO Esta teoria envolve o apontamento de magma kimberlítico em baixas profundidades e o subseqüente acúmulo de voláteis. Isto envolve o movimento ascendente dos voláteis. Além disso o ângulo de mergulho da grande maioria é muito alto (80-85 graus) para ter sido formado em tais profundidades. Subseqüentemente foi desenvolvida por Clement (1982) e vem sendo estudada atualmente por Field e Scott Smith (1999). enquanto crateras têm geralmente cerca de 1km de largura. A fronte fluidizada move-se descendentemente a partir da profundidade inicial. formando o que é denominado de “embryonic pipes” (chaminés embrionárias. a relação entre o raio na superfície e a profundidade é muito pequena. Fácies de transição entre diatremas e fácies abissais têm cerca de 2km de profundidade. Fragmentos da rocha encaixante que se encontrem neste sistema fluidizado podem afundar dependendo de sua densidade. Com a fuga dos voláteis um breve período de fluidização ocorre. A superfície não é rompida e os voláteis não escapam. Quando a pressão confinada é suficiente para romper a rocha superior segue-se uma erupção. 1986). Página 9 . ou seja. 4. Acredita-se que a fluidização seja muito breve pois os fragmentos normalmente são angulares. Acreditava-se que epicentro da erupção encontravase no contato da fácie abissal com a diatrema. Destas. a proposição original desta teoria foi feita por Dawson (1962. O resultado é uma rede complexa de chaminés embrionárias sobrepostas de fácies abissais de kimberlito. Um algum ponto as chaminés embrionárias alcançam uma profundidade rasa o suficiente (cerca de 500 metros) na qual a pressão dos voláteis é capaz de vencer o peso da rocha que o recobre e os voláteis escapam. Através da extensiva atividade mineradora desenvolvida nas regiões kimberlíticas tornou-se claro que esta teoria não é sustentável. 4.

Eles consideram que a Página 10 . Field e Scott Smith não negam que a água pode desempenhar um papel na vasta variedade de chaminés de kimberlitos obervados.Desenvolvimento da Chaminé Embrionária De Mitchell 1986 Esta teoria supostamente explica as características observadas em chaminés kimberlíticas tais como: fragmentos de rocha encaixante encontrados até 1km abaixo do nível estratigráfico através de fluidização. a transição de fácies abismais para fácies de diatremas. Rede complexa de chaminés de fácies abismais encontradas em profundidade. dado que a explosão inicial acontece a profundidades relativamente baixas. chaminés íngremes com ângulos de ~80-85 graus. Descobertas recentes de chaminés de kimberlitos em Fort a la Corne no Canadá sugerem uma re-avaliação da teoria magmática. Eles acreditam que em alguns casos os magmas kimberlíticos possam entrar em contato com aqüíferos e neste caso a morfologia resultante será significantemente diferente das chaminés encontradas em outros lugares. particularmente na África do Sul.

As paredes da chaminé possuem mergulho especialmente raso e são preenchidas com rochas vulcanoclásticas ou sedimentos das fácies da cratera. De especial interesse é a morfologia da chaminé de kimberlitos de Fort a la Corne em Saskatchewan no Canadá. Field e Scott Smith atribuem a diferença na morfologia observada nas chaminés de Saskatchewan ao hidrovulcanismo. Rochas bem consolidadas. Exemplos de Chaminés Kimberlíticas De Field e Scott Smith 1998 Página 11 . promovem a formação de chaminés muito inclinadas com 3 fácies kimberlíticas distintas. A geologia local apresenta sedimentos pouco consolidados. enquanto existe ausência de kimberlitos de diatremas. A figura abaixo é baseada no esquema montado por Field e Scott Smith 1998. que cobrem a maior parte da África do Sul. o quais são preenchidos com kimberlitos de crateras.configuração geológica em que o kimberlito está inserido desempenha um papel significante na sua morfologia. tais como basaltos. que são aqüíferos pobres. Sedimentos mal consolidados são excelentes aqüíferos e podem promover a formação de chaminés com ângulo de mergulho suave.

que desenvolveu o modelo hidrovulcânico por 3 décadas. que agem como foco de água. Pode ocorrer de o magma kimberlítico encontrar-se em falhas estruturais.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA) O principal propositor desta teoria é Lorenz (1999).4. Outro pulso de magma kimberlítico segue a mesma fraqueza estrutural da rocha até a superfície e novamente entra em contato com a água produzindo outra explosão. Pulsos subseqüentes reagem com a água da mesma maneira enquanto a fronte de contato move-se para baixo até alcançar a profundidade média da transição entre a fácie abismal e a diatrema. A rocha brechada satura-se novamente com a água superficial. Magmas kimberlíticos ascendem à superfície por fissuras estreitas (~1m). De Mitchell 1986 Página 12 . Em qualquer um dos casos o ambiente próximo à superfície é rico em água e a interação do magma quente com a água fria produz uma explosão freatomagmática. A explosão tem curta duração. ou a “brechação” resultante da exsolução (desmescla) dos voláteis pela ascensão do kimberlito pode atuar como foco para água.

A teoria hidrovulcânica tem seus méritos e é aceita como o processo de formação dos kimberlitos encontrados em Saskatchewan pelos propositores da teoria da fluidização (Field e Scott Smith. 1999). a descontinuidade que forma um anel no entorno da cratera e o soerguimento da rocha encaixante associado à explosão. Página 13 . No entanto não explica as características observadas na maior parte das outras chaminés kimberlíticas. A formação de “maares” são associadas a explosões hidrovulcânicas e possuem estrutura interna diferente dos kimberlitos.Críticas a esta teoria apontam os seguintes problemas: I) A teoria não explica porque toda erupção ocorre em contato com água. IV) A ausência de soerguimento associado com as chaminés kimberlíticas. II) A complexa rede de chaminés encontradas na área de transição da fácie abismal e da diatrema não é explicada. certamente algumas erupções teriam ocorrido em regiões pobres em água. sendo as principais características a estrutura interna com subsidência em forma de disco. III) A falta de características que apontem para a subsidência através da chaminé.

A mineralogia dos kimberlitos do Grupo I é considerada como a representação do derretimento do lherzolito e harzburgito. porém a diferença é a preponderância de água ao invés de dióxido de carbono. Esta divisão é feita através de bases mineralógicas. eclogito e peridotito no manto inferior. A mineralogia dos kimberlitos do Grupo II podem representar um ambiente semelhante ao do Grupo I.5 – PETROLOGIA Kimberlitos dividem-se em Grupo I (basáltico) e Grupo II (micáceo). Diagrama de Rochas Plutônicas Ultramáficas Página 14 .

Macrocristalizações de olivina ou cristais euédricos primários de olivina reabsorvidos são comuns mas não são constituintes essenciais. que apresenta com maior propriedade a composição de uma rocha ígnea. apatita.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e predomina a mistura de olivina forsterítica.2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II Kimberlitos do Grupo II (ou orangeítos) são ricos em H2O. ilmenita magnesiana.5-10mm) a megacristalizações (10-200mm). perovskita. juntamente com presença de micas que variam em composição de flogopita até tetraferroflogopita (flogopita anomalamente rica em Fe). Kimberlitos do Grupo I exibem textura inequigranular distintiva com macrocristalizações (0.5. minerais do grupo do espinélio. piropo. A composição mineralógica da matriz de micro-cristalizações. Página 15 . diopsídio cromiano. fosfatos. ilmenita magnesiana e espinélio. granada piropo. piropo cromiano. piropo-almandina. ilmenita magnesiana e flogopita em uma massa de grãos finos a médios. Cr-diopsídio. A característica distintiva dos orangeítos são as macro e megacristalizações de flogopita. flogopita. rutilo e ilmenita. diopsídio cromiano (em alguns casos subcálcico). 5. enstatita e cromita pobre em titânio. fenocristais de olivina. Fases primárias características na matriz microcristalina incluem piroxênios zonados (núcleos de diopsídio circulados por aegirina-Ti). contém olivina forsterítica.

Depósitos de Diamantes do Brasil Página 16 . Os diamantes foram descobertos no Brasil em 1729. em profundidade superior a 150km. porém especula-se que a extração de diamantes no Brasil seja um pouco mais antiga. Duas rochas são responsáveis pelo transporte do diamante até a superfície: kimberlitos e lamproítos. Segundo CHAVES (1999) em Minas Gerais pode-se identificar duas macro-regiões nas quais se concentram os principais depósitos do estado: a província mineral do Espinhaço e a do Alto Parnaíba. Durante toda a história do Brasil a extração de diamante tem sido feita em aluviões. na região de Diamantina-MG.6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS Os diamantes são formados no manto.

A fonte original e os processos responsáveis pelo transporte dos diamantes à província do Espinhaço é objeto de inúmeros debates e foge do escopo deste texto. lagunas e mares rasos. ao contrário do Espinhaço. é caracterizada pela presença de várias chaminés de rochas kimberlíticas. filitos e conglomerados. incluindo quartzitos. Embora existam kimberlitos na região. até o início do projeto Canastra 1 a extração de diamantes era realizada em aluviões por garimpeiros. o que é muito pouco. A Serra do Espinhaço é constituída de rochas metamórficas dobradas. A chaminé kimberlítica “Canastra 1” é atualmente o maior projeto de mineração para os diamantes da província do Alto Paranaíba. A província do Alto Parnaíba. O projeto Canastra 1 concentra-se sobre uma chaminé de cerca de 1 hectare de tamanho onde os teste indicaram uma concentração de 4 ct por tonelada. taludes serranos. Constatou-se recentemente a presença de kimberlito mineralizado na Serra da Canastra.A província do Espinhaço engloba a região de Diamantina e é marcada pela Serra do Espinhaço. Embora a lavra de Canastra 1 seja pouco interessante economicamente o projeto prevê a exploração de boa parte da área kimberlítica da Serra da Canastra e é provável que alguma das chaminés kimberlíticas finalmente coloque o Brasil entre os produtores de diamantes primários (diamantes extraídos diretamente de kimberlitos ou lamproítos). que produz 18 ct por metro cúbico ou aos kimberlitos sul-africanos com cerca de 6 ct por metro cúbico. desertos. que representam originalmente sedimentos depositados em rios. Se os diamantes são sempre associados a kimberlitos e lamproítos fica aparente o paradoxo da província do Espinhaço. As chaminés mais promissoras na região são Canastra 8 e Tucano 1. Página 17 . O projeto vem sido conduzido pela empresa canadense “Brazilian Diamonds”. principalmente se comparado ao lamproíto de Argyle na Austrália.

A descoberta de uma única chaminé kimberlítica mineralizada na Austrália a colocou como maior produtora mundial de diamantes e existe possibilidade que no Brasil descoberta semelhante possa modificar todo o mercado mundial de diamantes. embora aceitos em termos gerais. porém todos os modelos de formação atuais. Página 18 . Sabe-se no entanto que lineamentos de chaminés kimberlíticas indicam com boa precisão a posição dos crátons em diversas eras geológicas e este tipo de conhecimento possibilita um melhor entendimento da formação da Terra e possue aplicações práticas na prospecção de minerais.7 – CONCLUSÃO A importância do kimberlito para toda a sociedade fica clara quando se analisa o impacto que a descoberta de kimberlito mineralizado causa sobre a economia das províncias minerais. É consenso que as chaminés kimberlíticas não possuem relação com riftes e que a água desempenha um papel importante nas características da rocha. possuem falhas e exatamente por isso é impossível apontar um modelo como o “mais correto”. Apesar de toda a sua importância o kimberlito é uma rocha ainda pouco conhecida e por isso mesmo alvo de opiniões divergentes principalmente com relação a sua formação.

C. 1999. Barbara H. R. Revista Brasileira de Geociências. n 1.C. Arquivo capturado em 21 de abril de 2006. R. e SMITH. URL: http://www. M./Mar.it/progetti/cev/Web%20CEV%20folder/99-01/999news. H. URL: http://host. South Africa n 88: p 403-409.html. GALEMBECK. A. geol. n 2. South Africa.it/progetti/cev/Web%20CEV%20folder/99-01/999news. Arquivo capturado em 22 de abril de 2006.. Near-Surface Emplacement of Kimberlites by Magmatic Processes. 1986. Università degli studi Roma Tre. Northern Arizona University – Comission on Explosive Volcanism.L. URL: http://host.html.. A. geochemistry and petrology.B. Arquivo capturado em 21 de abril de 2006. Università degli studi Roma Tre.8 – BIBLIOGRAFIA CHAVES. Enciclopédia Multimídia de Minerais e Atlas de Rochas. p 3-10. C. Scott. MITCHELL. Cape Town. Disponível na Internet via WWW. Northern Arizona University – Comission on Explosive Volcanism. Ralf. Kimberlites: mineralogy.R. H.ca/research/diamonds/kopylova. Paulo Roberto Gomes. v 25 n 150. SMITH. C. REM: Revista Escola de Minas. M. DUSSIN.uniroma3.F. Disponível na Internet via WWW. New York.M.C. LORENZ. Disponível na internet via WWW.de. OLIVEIRA. Mario Luiz de Sá C... 1998. Diamante variedade carbonado na serra do Espinhaço (MG/BA) e sua enigmática gênese. University of British Columbia. FIELD.. SVISERO. v 57. The source of the Espinhaço diamonds: evidences from SHRIMP U-Pb zircon ages of the and Pb-Pb zircon evaporation ages of metavoncanic rocks. Diamantes de Minas Gerais: Qual terá sido o caminho das pedras?. F. Darcy Pedro. Maya G. p 11-17.. 7th International Kimberlite Conference. T. 2004. Soc. SANO.M. Arquivo capturado em 22 de abril de 2006. URL: http://www.A.rc. SKINNER (1985). CHAVES. A. v 30. e BRANDAO.ubc. MOREIRA. CHAVES.uniroma3. W. J. MACHADO. Jan. NARDY. BUETTNER. p 265-269. A. Scott. Trans.. Y. KOPYLOVA. and E.. ARTUR.eos. Mário Luiz de Sá Carneiro. FERREIRA. A. M.. Volker. A. Kimberlite. B.A. CLEMENT. 2000. [on-line]. p 22-29. Disponível na internet via WWW. Página 19 .unesp. M. Red Roof Designs. A Textural-Genetic Classification of Kimberlites.br/museudpm. Diamond Exploration Lab.J. ZIMANOWSKI. ZANARDO. p 33-38. T. Contrasting Geology and Near-Surface Emplacement of Kimberlite Pipes in Southern Africa and Canada.GODOY. Bernd. Discussion on the Formation of Kimberlite Pipes: the Phreatomagmatic Model. Ciência Hoje.. ANDRE.S. Plenum Press.

tendo em vista as discrepâncias que kimberlitos de diferentes regiões apresentam. encontrado em profundidades variáveis. no fundo do cone e nos entornos do dique de alimentação da chaminé. carbonatos e cromita. É comum que estas crateras se apresentem como maares. A origem do nome deu-se em função da descoberta de kimberlitos diamantíferos na região de Kimberley na África do Sul em 1866. Todos os peritotitos possuem mais de 40% de sua composição de olivina. ortopiroxênio. No caso do kimberlito. Os Kimberlitos Abissais são formados na região abaixo das diatremas. que é a região cônica da chaminé kimberlítica. que numa adaptação livre podem ser denominados simplesmente por “Kimberlitos de Crateras”. existem três teorias mais conhecidas e aceitas: a Teoria do Vulcanismo Explosivo. Quanto à sua formação. que sugere que os voláteis (principalmente CO2) do magma formador do kimberlito dilatem entre a fácie abissal e a diatrema. embora usual.ANEXO I RESUMO O kimberlito é uma rocha magmática plutônica de grande interesse econômico por sua associação com diamantes. É consensual a proposição de que os kimberlitos são formados de um magma rico em voláteis. que são resquícios de chaminés vulcânicas. criando uma zona de pressão contida pela rocha encaixante e que em um certo ponto explodiria gerando uma erupção. Esta nomenclatura. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. Classifica-se grosseiramente. a olivina componente é comumente serpentinizada. Estas discrepâncias entre os kimberlitos levou à teoria que haveriam diferenças em sua formação. As chaminés kimberlíticas apresentam-se geralmente com pouco soerguimento da área ao redor e com crateras muito largas. clinopiroxênio. Kimberlitos de Diatremas” e “Kimberlitos Abissais”. Diatreme Facies Kimberlites e Hyperabyssal Facies Kimberlites. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. Os diamantes são transportados pelo magma kimberlítico partindo de seu local de formação a cerca de 100km de profundidade. Os Kimberlitos de Diatremas são formados nas diatremas. A Teoria Magmática sugere que somente existam explosões próximas à superfície e nestas explosões a energia liberada fluidizasse a rocha encaixante fazendo com que Página 20 . O kimberlito trata-se de um peridotito composto por olivina com quantidades variáveis de flogopita. O kimberlito é encontrado em chaminés kimberlíticas. Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. não caracteriza o kimberlito satisfatoriamente. Baseado nesta premissa. Os Kimberlitos de Crateras são formados na porção superior da chaminé kimberlítica em profundidades muito rasas. o modelo de classificação dos kimberlitos mais aceito hoje em dia foi proposto por Clement e Skinner em 1985 e classifica os kimberlitos segundo três grandes grupos relativos ao seu local de formação na chaminé kimberlítica: Crater Facies Kimberlites.

Sua característica distintiva são as macro e megacristalizações de flogopita. tendo em vista que a Serra do Espinhaço é composta basicamente por rochas sedimentares e metamórficas. sendo que a Teoria do Vulcanismo explosivo é praticamente descartada. Recentemente a descoberta de kimberlitos mineralizados. Os três modelos apresentam falhas e a formação do kimberlito ainda é objeto de estudo. embora com teores muito baixos. No estado de Minas Gerais a lavra de diamantes foi historicamente realizada em aluviões. despertou o interesse de mineradoras e a região vem sendo alvo de pesquisas em busca de kimberlitos diamantíferos. porém é tido como consenso que um modelo definitivo será algo muito próximo da Teoria Magmática e da Teoria Hidrovulcânica.pedaços desta afundassem no magma enquanto o kimberlito alcança a superfície. Os kimberlitos podem ser dividos em dois grupos segundo sua petrologia. outra rocha relacionada ao transporte de diamantes) Por outro lado. sem nenhuma relação com kimberlitos (ou com lamproítos. a Província do Alto Parnaíba possue presença marcante de kimberlitos. Kimberlitos do Grupo II são ricos em H2O e são também chamados “orangeítos”. com destaque especial para a região de Diamantina. na Província do Alto Parnaíba. São chamados genericamente de kimberlitos basálticos. Província Diamantífera do Espinhaço. Devido a isto são genericamente chamados de kimberlitos micáceos. A verdadeira origem dos diamantes da Província do Espinhaço ainda é alvo de debates. mas até pouco tempo não se conheciam kimberlitos mineralizados na região. Página 21 . Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e apresentam textura inequigranular. juntamente com presença de micas. na Serra da Canastra. A Teoria Hidrovulcânica aponta a água superficial como fator causador das explosões do magma kimberlítico.

ANEXO II MAPA: OCORRÊNCIAS DE DIAMANTES NO BRASIL Lineamentos das Principais Ocorrências de Diamantes no Brasil Página 22 .

ANEXO III DIAGRAMA: KIMBERLITO DIAMANTÍFERO Diagrama de Formação de Kimberlito Diamantífero Página 23 .

ANEXO IV FIGURA: ESQUEMA DE UMA CHAMINÉ KIMBERLÍTICA Chaminé Kimberlítica Página 24 .

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