UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

KIMBERLITO
MORFOLOGIA, FORMAÇÃO E KIMBERLITOS DIAMANTÍFEROS EM MINAS GERAIS
--- Rodrigo Correia Barbosa --(27/04/2006)

ÍNDICE

PÁGINA

1 – INTRODUÇÃO............................................................................................................ 04 2 – MORFOLOGIA............................................................................................................ 05 2.1 – KIMBERLITO DE CRATERAS................................................................... 05 2.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS................................................................. 06 2.3 – KIMBERLITO ABISSAL.............................................................................. 06 3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS........................................... 07 4 – MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO..................................................... 09 4.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO................................................ 09 4.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO)................................................. 09 4.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA)........................ 12 5 – PETROLOGIA.............................................................................................................. 14 5.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I...................................................................... 15 5.2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II.................................................................... 15 6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS......................................... 16 7 – CONCLUSÃO............................................................................................................... 18 8 – BIBLIOGRAFIA........................................................................................................... 19 ANEXO I............................................................................................................................. 20 ANEXO II........................................................................................................................... 22 ANEXO III.......................................................................................................................... 23 ANEXO IV.......................................................................................................................... 24

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carbonatos e cromita. Classifica-se grosseiramente. Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. porém ao sul de Rondônia e norte do Mato Grosso também encontra-se kimberlitos. porém sua existência só se tornou conhecida no ano de 1866. No Brasil existem três áreas cratônicas. clinopiroxênio.INTRODUÇÃO O kimberlito é uma rocha ígnea intrusiva. O cráton do São Francisco ocupa grande parte de Minas Gerais e destaca-se na região sudeste do Brasil. porém nele. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. encontrado em profundidades variáveis.1 . não se conhecem rochas kimberlíticas mineralizadas. porções da crosta terrestre estáveis desde o período Pré-Cambriano. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. Os depósitos da região de Kimberley na África do Sul foram os primeiros reconhecidos e deram origem ao nome. O kimberlito ocorre principalmente nas zonas de crátons. ortopiroxênio. O cráton Amazônico é a principal delas. Os kimberlitos são a mais importante fonte de diamantes. com exceção dos kimberlitos pobres da Serra da Canastra. Os diamantes de Kimberley foram encontrados originalmente em kimberlito laterizado. um peridotito composto por olivina (normalmente serpentinizada) com quantidades variáveis de flogopita. Página 4 .

Página 5 . espinélio. Apresentam-se dispersas quanto mais afastadas do centro e das paredes rochosas. Os anéis possuem pequena relação altura por diâmetro da cratera e são preservados em muito poucos kimberlitos. monticellita e apatita por serpetina e calcita é comum. Os únicos locais com anéis de tufa bem preservados no mundo são Igwisi Hills na Tanzânia e Kasami em Mali. o kimberlito pode ser dividido em três unidades. diopsídio. vesiculares e carbonizados. monticellita. Os minerais da matriz incluem olivina e/ou flogopita juntamente com perovskita. A cratera é geralmente mais profunda no meio. Alguns kimberlitos contém flogopita-estonita poiquilítica em estágio avançado. enstatita e cromita pobre em titânio. olivina. apatita. flogopita. apatita e perovskita. Segundo Kopylova (2005). em referência a Clement e Skinner (1985).1 . A montagem destas macro-cristalizações consistem em cristais anédricos de ilmenita magnesiana. clinopiroxênio pobre em cromo. serpentina e magnetita juntamente com flogopita. Considerando a raridade de kimberlitos de crateras é difícil desenvolver um modelo para determinar com certeza que todos os kimberlitos serão conformados segundo as características observadas acima. Duas categorias principais de rochas são encontradas em kimberlitos de crateras: piroclásticas. retrabalhadas por água. sendo que a olivina é o membro dominante. Rochas Epiclásticas: Estes sedimentos representam retrabalho fluvial no material piroclástico do anel de tufa no lago formado no topo da diatrema.2 . Normalmente apresentam textura inequigranular característica. A substituição de olivina. Sulfetos de níquel e rutilo são minerais acessórios comuns. Os depósitos são normalmente acamados. baseadas em sua morfologia e petrologia: 2. depositadas por forças eruptivas e epiclásticas. Membros desenvolvidos do grupo do kimberlito podem ser pobres ou desprovidos de macro-cristalizações e compostos essencialmente de calcita.KIMBERLITO DE CRATERAS A morfologia de superfície de kimberlitos intemperizados é caracterizada por uma cratera de até dois quilômetros de diâmetro cujo piso pode estar a centenas de metros abaixo da superfície. Rochas Piroclásticas: Encontradas preservadas em anéis de tufa no entorno da cratera ou dentro da cratera. piropo titaniano pobre em cromo. resultando na presença de macro-cristalizações inseridas em uma matriz de grãos finos. calcita e serpentina. os últimos em menor quantidade. No entorno da cratera há um anel de tufa relativamente pequeno (em geral com menos de 30 metros) quando comparado com o diâmetro da cratera.MORFOLOGIA Os kimberlitos são um grupo de rochas ultrabásicas ricas em voláteis (principalmente dióxido de carbono). flogopita.

3 – KIMBERLITO ABISSAL Estas rochas são formadas pela cristalização de magma kimberlítico quente e rico e voláteis. Página 6 . 2. A zona é caracterizada por material kimberlítico vulcanoclástico fragmentado e xenólitos agregados de vários níveis da crosta terrestre durante a subida do kimberlito à superfície.2. Geralmente não possuem fragmentação e parecem ígneos. O contato com a rocha hospedeira é dado usualmente entre 80 e 85 graus. São notáveis as segregações de calcita-serpentina e as segregações globulares de kimberlito em uma matriz rica em carbonato.2 – KIMBERLITO DE DIATREMAS Diatremas kimberlíticas possuem de 1 a 2 quilômetros de profundidade e geralmente apresentam-se como corpos cônicos que são circulares ou elípticos na superfície e afinam com a profundidade.

Classificação dos Kimberlitos Crater-Facies De Clement e Skinner 1985 Página 7 . Esta classificação é largamente utilizada. no entanto é importante notar aqui as implicações genéticas neste modelo.3 – MODELOS DE CLASSIFICAÇÃO DE KIMBERLITOS Vários modelos de classificação foram desenvolvidos para os kimberlitos e as grandes variações de textura e mineralogia apresentadas por estas rochas implicam em dificuldades para classificá-los. O modelo mais conhecido e geralmente bem aceito foi proposto por Clement e Skinner (1985). porém ainda existem controvérsias com relação à formação dos kimberlitos. O termo “tufisítico” significa presumir que o kimberlito foi formado através de processo de fluidização.

Fragmentos podem ser acidentados ou cognatos. As subdivisões da terceira coluna envolvem características específicas discutidas em detalhes por Clement e Skinner. As características diferenciadoras podem ser resumidas: Kimberlitos de crateras são reconhecidos por características sedimentares. Página 8 . mas que fogem do escopo deste texto. A denominação aqui é baseada no volume percentual dos fragmentos visíveis macroscopicamente. O diagrama proposto por Clement e Skinner é o mais comumente aceito utilizado e por isto é apresentado aqui.As subdivisões das fácies principais são determinadas por diferenças na textura. Vale ressaltar que não existem classificações inteiramente aceitas para o kimberlito. Qualquer rocha com mais de 15% do volume de fragmentos visíveis é denominada “breccia”. A divisão entre “breccia” e “não breccia” (coluna dois – Tipo de Rocha) denomina rochas fragmentadas e é comumente aportuguesada do italiano pelo termo “brecha”. 1985. Kimberlitos de diatremas são reconhecidas por formações geodésicas do magma cristalizado e formações semelhantes geradas durante a perda dos gases. Kimberlitos abissais são comumente reconhecidos pela presença abundante de calcita e textura segregada com macro/mega-cristalizações.

A fronte fluidizada move-se descendentemente a partir da profundidade inicial. a relação entre o raio na superfície e a profundidade é muito pequena. 1971). Um algum ponto as chaminés embrionárias alcançam uma profundidade rasa o suficiente (cerca de 500 metros) na qual a pressão dos voláteis é capaz de vencer o peso da rocha que o recobre e os voláteis escapam.MODELOS DE FORMAÇÃO DO KIMBERLITO Desde a descoberta de diamantes em kimberlito muitas teorias surgiram a respeito do processo de formação desta rocha. Em termos gerais a teoria aponta que o magma kimberlítico sobe à superfície em diferentes pulsos. Isto envolve o movimento ascendente dos voláteis. Além disso o ângulo de mergulho da grande maioria é muito alto (80-85 graus) para ter sido formado em tais profundidades. Mitchell (1986) apresenta em detalhes as diferentes teorias. a proposição original desta teoria foi feita por Dawson (1962. Mitchell. serão apresentadas as três mais conhecidas e discutidas. Destas. Fácies de transição entre diatremas e fácies abissais têm cerca de 2km de profundidade. ou seja. Estudos do ponto original das explosões revelaram que a taxa deveria estar perto de 1:1. Acreditava-se que epicentro da erupção encontravase no contato da fácie abissal com a diatrema. O resultado é uma rede complexa de chaminés embrionárias sobrepostas de fácies abissais de kimberlito. Com a fuga dos voláteis um breve período de fluidização ocorre. perfazendo assim uma taxa de 1:2. Página 9 . Quando a pressão confinada é suficiente para romper a rocha superior segue-se uma erupção.1 – TEORIA DO VULCANISMO EXPLOSIVO Esta teoria envolve o apontamento de magma kimberlítico em baixas profundidades e o subseqüente acúmulo de voláteis. que é suficientemente rápido para “fluidizar” o kimberlito e a rocha hospedeira fragmentada de modo que as partículas são carregadas em um meio sólido-líquido-gasoso.4 . 4. Acredita-se que a fluidização seja muito breve pois os fragmentos normalmente são angulares. enquanto crateras têm geralmente cerca de 1km de largura. A superfície não é rompida e os voláteis não escapam. Não foi encontrada nenhuma câmara intermediária nas profundidades sugeridas. Através da extensiva atividade mineradora desenvolvida nas regiões kimberlíticas tornou-se claro que esta teoria não é sustentável. Subseqüentemente foi desenvolvida por Clement (1982) e vem sendo estudada atualmente por Field e Scott Smith (1999). Fragmentos da rocha encaixante que se encontrem neste sistema fluidizado podem afundar dependendo de sua densidade. formando o que é denominado de “embryonic pipes” (chaminés embrionárias.2 – TEORIA MAGMÁTICA (FLUIDIZAÇÃO) Segundo Kopylova. 4. 1986).

particularmente na África do Sul. a transição de fácies abismais para fácies de diatremas. Field e Scott Smith não negam que a água pode desempenhar um papel na vasta variedade de chaminés de kimberlitos obervados. Rede complexa de chaminés de fácies abismais encontradas em profundidade.Desenvolvimento da Chaminé Embrionária De Mitchell 1986 Esta teoria supostamente explica as características observadas em chaminés kimberlíticas tais como: fragmentos de rocha encaixante encontrados até 1km abaixo do nível estratigráfico através de fluidização. Eles consideram que a Página 10 . chaminés íngremes com ângulos de ~80-85 graus. dado que a explosão inicial acontece a profundidades relativamente baixas. Eles acreditam que em alguns casos os magmas kimberlíticos possam entrar em contato com aqüíferos e neste caso a morfologia resultante será significantemente diferente das chaminés encontradas em outros lugares. Descobertas recentes de chaminés de kimberlitos em Fort a la Corne no Canadá sugerem uma re-avaliação da teoria magmática.

A geologia local apresenta sedimentos pouco consolidados.configuração geológica em que o kimberlito está inserido desempenha um papel significante na sua morfologia. De especial interesse é a morfologia da chaminé de kimberlitos de Fort a la Corne em Saskatchewan no Canadá. o quais são preenchidos com kimberlitos de crateras. Field e Scott Smith atribuem a diferença na morfologia observada nas chaminés de Saskatchewan ao hidrovulcanismo. A figura abaixo é baseada no esquema montado por Field e Scott Smith 1998. Exemplos de Chaminés Kimberlíticas De Field e Scott Smith 1998 Página 11 . promovem a formação de chaminés muito inclinadas com 3 fácies kimberlíticas distintas. tais como basaltos. Sedimentos mal consolidados são excelentes aqüíferos e podem promover a formação de chaminés com ângulo de mergulho suave. que cobrem a maior parte da África do Sul. As paredes da chaminé possuem mergulho especialmente raso e são preenchidas com rochas vulcanoclásticas ou sedimentos das fácies da cratera. que são aqüíferos pobres. Rochas bem consolidadas. enquanto existe ausência de kimberlitos de diatremas.

A rocha brechada satura-se novamente com a água superficial. Pulsos subseqüentes reagem com a água da mesma maneira enquanto a fronte de contato move-se para baixo até alcançar a profundidade média da transição entre a fácie abismal e a diatrema. que desenvolveu o modelo hidrovulcânico por 3 décadas.4.3 – TEORIA HIDROVULCÂNICA (FREATOMAGMÁTICA) O principal propositor desta teoria é Lorenz (1999). ou a “brechação” resultante da exsolução (desmescla) dos voláteis pela ascensão do kimberlito pode atuar como foco para água. A explosão tem curta duração. que agem como foco de água. Em qualquer um dos casos o ambiente próximo à superfície é rico em água e a interação do magma quente com a água fria produz uma explosão freatomagmática. Pode ocorrer de o magma kimberlítico encontrar-se em falhas estruturais. Magmas kimberlíticos ascendem à superfície por fissuras estreitas (~1m). Outro pulso de magma kimberlítico segue a mesma fraqueza estrutural da rocha até a superfície e novamente entra em contato com a água produzindo outra explosão. De Mitchell 1986 Página 12 .

A formação de “maares” são associadas a explosões hidrovulcânicas e possuem estrutura interna diferente dos kimberlitos. II) A complexa rede de chaminés encontradas na área de transição da fácie abismal e da diatrema não é explicada. certamente algumas erupções teriam ocorrido em regiões pobres em água.Críticas a esta teoria apontam os seguintes problemas: I) A teoria não explica porque toda erupção ocorre em contato com água. IV) A ausência de soerguimento associado com as chaminés kimberlíticas. III) A falta de características que apontem para a subsidência através da chaminé. No entanto não explica as características observadas na maior parte das outras chaminés kimberlíticas. A teoria hidrovulcânica tem seus méritos e é aceita como o processo de formação dos kimberlitos encontrados em Saskatchewan pelos propositores da teoria da fluidização (Field e Scott Smith. Página 13 . 1999). a descontinuidade que forma um anel no entorno da cratera e o soerguimento da rocha encaixante associado à explosão. sendo as principais características a estrutura interna com subsidência em forma de disco.

porém a diferença é a preponderância de água ao invés de dióxido de carbono. A mineralogia dos kimberlitos do Grupo I é considerada como a representação do derretimento do lherzolito e harzburgito. Esta divisão é feita através de bases mineralógicas. A mineralogia dos kimberlitos do Grupo II podem representar um ambiente semelhante ao do Grupo I.5 – PETROLOGIA Kimberlitos dividem-se em Grupo I (basáltico) e Grupo II (micáceo). eclogito e peridotito no manto inferior. Diagrama de Rochas Plutônicas Ultramáficas Página 14 .

apatita. A característica distintiva dos orangeítos são as macro e megacristalizações de flogopita. Página 15 . fosfatos. minerais do grupo do espinélio. ilmenita magnesiana e espinélio. 5. diopsídio cromiano. piropo. Macrocristalizações de olivina ou cristais euédricos primários de olivina reabsorvidos são comuns mas não são constituintes essenciais. enstatita e cromita pobre em titânio. perovskita. piropo cromiano. fenocristais de olivina.1 – KIMBERLITOS DO GRUPO I Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e predomina a mistura de olivina forsterítica. ilmenita magnesiana e flogopita em uma massa de grãos finos a médios. diopsídio cromiano (em alguns casos subcálcico). Cr-diopsídio. Fases primárias características na matriz microcristalina incluem piroxênios zonados (núcleos de diopsídio circulados por aegirina-Ti).2 – KIMBERLITOS DO GRUPO II Kimberlitos do Grupo II (ou orangeítos) são ricos em H2O. rutilo e ilmenita.5. flogopita.5-10mm) a megacristalizações (10-200mm). A composição mineralógica da matriz de micro-cristalizações. ilmenita magnesiana. contém olivina forsterítica. juntamente com presença de micas que variam em composição de flogopita até tetraferroflogopita (flogopita anomalamente rica em Fe). que apresenta com maior propriedade a composição de uma rocha ígnea. Kimberlitos do Grupo I exibem textura inequigranular distintiva com macrocristalizações (0. granada piropo. piropo-almandina.

em profundidade superior a 150km.6 – KIMBERLITO E OS DIAMANTES DE MINAS GERAIS Os diamantes são formados no manto. Durante toda a história do Brasil a extração de diamante tem sido feita em aluviões. porém especula-se que a extração de diamantes no Brasil seja um pouco mais antiga. Depósitos de Diamantes do Brasil Página 16 . Segundo CHAVES (1999) em Minas Gerais pode-se identificar duas macro-regiões nas quais se concentram os principais depósitos do estado: a província mineral do Espinhaço e a do Alto Parnaíba. Os diamantes foram descobertos no Brasil em 1729. Duas rochas são responsáveis pelo transporte do diamante até a superfície: kimberlitos e lamproítos. na região de Diamantina-MG.

filitos e conglomerados. Constatou-se recentemente a presença de kimberlito mineralizado na Serra da Canastra. A fonte original e os processos responsáveis pelo transporte dos diamantes à província do Espinhaço é objeto de inúmeros debates e foge do escopo deste texto. Página 17 . que representam originalmente sedimentos depositados em rios. ao contrário do Espinhaço. As chaminés mais promissoras na região são Canastra 8 e Tucano 1. principalmente se comparado ao lamproíto de Argyle na Austrália. desertos. A província do Alto Parnaíba. O projeto vem sido conduzido pela empresa canadense “Brazilian Diamonds”. incluindo quartzitos. O projeto Canastra 1 concentra-se sobre uma chaminé de cerca de 1 hectare de tamanho onde os teste indicaram uma concentração de 4 ct por tonelada. o que é muito pouco. que produz 18 ct por metro cúbico ou aos kimberlitos sul-africanos com cerca de 6 ct por metro cúbico. Embora a lavra de Canastra 1 seja pouco interessante economicamente o projeto prevê a exploração de boa parte da área kimberlítica da Serra da Canastra e é provável que alguma das chaminés kimberlíticas finalmente coloque o Brasil entre os produtores de diamantes primários (diamantes extraídos diretamente de kimberlitos ou lamproítos). A Serra do Espinhaço é constituída de rochas metamórficas dobradas. até o início do projeto Canastra 1 a extração de diamantes era realizada em aluviões por garimpeiros. taludes serranos.A província do Espinhaço engloba a região de Diamantina e é marcada pela Serra do Espinhaço. Se os diamantes são sempre associados a kimberlitos e lamproítos fica aparente o paradoxo da província do Espinhaço. Embora existam kimberlitos na região. lagunas e mares rasos. A chaminé kimberlítica “Canastra 1” é atualmente o maior projeto de mineração para os diamantes da província do Alto Paranaíba. é caracterizada pela presença de várias chaminés de rochas kimberlíticas.

Página 18 .7 – CONCLUSÃO A importância do kimberlito para toda a sociedade fica clara quando se analisa o impacto que a descoberta de kimberlito mineralizado causa sobre a economia das províncias minerais. É consenso que as chaminés kimberlíticas não possuem relação com riftes e que a água desempenha um papel importante nas características da rocha. Apesar de toda a sua importância o kimberlito é uma rocha ainda pouco conhecida e por isso mesmo alvo de opiniões divergentes principalmente com relação a sua formação. possuem falhas e exatamente por isso é impossível apontar um modelo como o “mais correto”. A descoberta de uma única chaminé kimberlítica mineralizada na Austrália a colocou como maior produtora mundial de diamantes e existe possibilidade que no Brasil descoberta semelhante possa modificar todo o mercado mundial de diamantes. Sabe-se no entanto que lineamentos de chaminés kimberlíticas indicam com boa precisão a posição dos crátons em diversas eras geológicas e este tipo de conhecimento possibilita um melhor entendimento da formação da Terra e possue aplicações práticas na prospecção de minerais. embora aceitos em termos gerais. porém todos os modelos de formação atuais.

. CHAVES. MOREIRA. Northern Arizona University – Comission on Explosive Volcanism. Red Roof Designs. p 265-269. ZANARDO. NARDY.. Arquivo capturado em 21 de abril de 2006. Darcy Pedro.. Mario Luiz de Sá C.uniroma3. Barbara H. KOPYLOVA.br/museudpm. SKINNER (1985). H. 7th International Kimberlite Conference. Página 19 . University of British Columbia..it/progetti/cev/Web%20CEV%20folder/99-01/999news. Bernd. SVISERO. 1999.M. ANDRE. Diamantes de Minas Gerais: Qual terá sido o caminho das pedras?. M. ZIMANOWSKI. ARTUR. W. 1998.uniroma3. p 22-29. GALEMBECK. M. A. e BRANDAO. Plenum Press.C. REM: Revista Escola de Minas. A Textural-Genetic Classification of Kimberlites. Arquivo capturado em 21 de abril de 2006.de. C. MITCHELL. New York. Diamond Exploration Lab.ubc. J. Scott.html. URL: http://www... Maya G.GODOY. B. F.A. 2004. Arquivo capturado em 22 de abril de 2006. M.C.it/progetti/cev/Web%20CEV%20folder/99-01/999news. LORENZ. Kimberlites: mineralogy.A.J.8 – BIBLIOGRAFIA CHAVES. A. OLIVEIRA. n 2.B. M. v 25 n 150. Y.ca/research/diamonds/kopylova. geochemistry and petrology. CLEMENT. Contrasting Geology and Near-Surface Emplacement of Kimberlite Pipes in Southern Africa and Canada. Diamante variedade carbonado na serra do Espinhaço (MG/BA) e sua enigmática gênese. Cape Town. Scott.unesp. URL: http://www. South Africa n 88: p 403-409. The source of the Espinhaço diamonds: evidences from SHRIMP U-Pb zircon ages of the and Pb-Pb zircon evaporation ages of metavoncanic rocks.L. p 33-38.R. Enciclopédia Multimídia de Minerais e Atlas de Rochas. A. T. Ralf.F. Revista Brasileira de Geociências. A. n 1.eos. Discussion on the Formation of Kimberlite Pipes: the Phreatomagmatic Model.C.. v 57. MACHADO. v 30. URL: http://host. CHAVES. Paulo Roberto Gomes.. Università degli studi Roma Tre.. C.html. R.rc. H. R. p 11-17. 2000. T. Disponível na Internet via WWW. Università degli studi Roma Tre.M. Mário Luiz de Sá Carneiro../Mar. Trans. Soc. e SMITH. Disponível na internet via WWW. p 3-10. DUSSIN. Northern Arizona University – Comission on Explosive Volcanism. 1986. A. Ciência Hoje. South Africa. Arquivo capturado em 22 de abril de 2006. A. Disponível na internet via WWW.S. SMITH. Volker. BUETTNER. and E. Jan. URL: http://host. FIELD. FERREIRA. Near-Surface Emplacement of Kimberlites by Magmatic Processes. [on-line]. Disponível na Internet via WWW. geol. Kimberlite. SANO.

No caso do kimberlito. que numa adaptação livre podem ser denominados simplesmente por “Kimberlitos de Crateras”. a olivina componente é comumente serpentinizada. Os Kimberlitos de Diatremas são formados nas diatremas. Quanto à sua formação. que sugere que os voláteis (principalmente CO2) do magma formador do kimberlito dilatem entre a fácie abissal e a diatrema. A Teoria Magmática sugere que somente existam explosões próximas à superfície e nestas explosões a energia liberada fluidizasse a rocha encaixante fazendo com que Página 20 . ortopiroxênio. Classifica-se grosseiramente. Yellow ground é relativo ao kimberlito intemperizado que se encontra na superfície. não caracteriza o kimberlito satisfatoriamente. que são resquícios de chaminés vulcânicas. carbonatos e cromita. A origem do nome deu-se em função da descoberta de kimberlitos diamantíferos na região de Kimberley na África do Sul em 1866. o modelo de classificação dos kimberlitos mais aceito hoje em dia foi proposto por Clement e Skinner em 1985 e classifica os kimberlitos segundo três grandes grupos relativos ao seu local de formação na chaminé kimberlítica: Crater Facies Kimberlites. Os Kimberlitos Abissais são formados na região abaixo das diatremas. Baseado nesta premissa. tendo em vista as discrepâncias que kimberlitos de diferentes regiões apresentam. As chaminés kimberlíticas apresentam-se geralmente com pouco soerguimento da área ao redor e com crateras muito largas. É comum que estas crateras se apresentem como maares. em função das características do kimberlito de Kimberley o kimberlito como sendo “yellow ground” e “blue ground”. Esta nomenclatura. É consensual a proposição de que os kimberlitos são formados de um magma rico em voláteis. Diatreme Facies Kimberlites e Hyperabyssal Facies Kimberlites. no fundo do cone e nos entornos do dique de alimentação da chaminé. O kimberlito é encontrado em chaminés kimberlíticas. O kimberlito trata-se de um peridotito composto por olivina com quantidades variáveis de flogopita. Kimberlitos de Diatremas” e “Kimberlitos Abissais”.ANEXO I RESUMO O kimberlito é uma rocha magmática plutônica de grande interesse econômico por sua associação com diamantes. Os Kimberlitos de Crateras são formados na porção superior da chaminé kimberlítica em profundidades muito rasas. Os diamantes são transportados pelo magma kimberlítico partindo de seu local de formação a cerca de 100km de profundidade. clinopiroxênio. criando uma zona de pressão contida pela rocha encaixante e que em um certo ponto explodiria gerando uma erupção. embora usual. Blue ground é relativo ao kimberlito não intemperizado. encontrado em profundidades variáveis. existem três teorias mais conhecidas e aceitas: a Teoria do Vulcanismo Explosivo. Todos os peritotitos possuem mais de 40% de sua composição de olivina. Estas discrepâncias entre os kimberlitos levou à teoria que haveriam diferenças em sua formação. que é a região cônica da chaminé kimberlítica.

juntamente com presença de micas. São chamados genericamente de kimberlitos basálticos. Província Diamantífera do Espinhaço.pedaços desta afundassem no magma enquanto o kimberlito alcança a superfície. com destaque especial para a região de Diamantina. tendo em vista que a Serra do Espinhaço é composta basicamente por rochas sedimentares e metamórficas. Página 21 . No estado de Minas Gerais a lavra de diamantes foi historicamente realizada em aluviões. Devido a isto são genericamente chamados de kimberlitos micáceos. Kimberlitos do Grupo II são ricos em H2O e são também chamados “orangeítos”. embora com teores muito baixos. A verdadeira origem dos diamantes da Província do Espinhaço ainda é alvo de debates. mas até pouco tempo não se conheciam kimberlitos mineralizados na região. a Província do Alto Parnaíba possue presença marcante de kimberlitos. Os três modelos apresentam falhas e a formação do kimberlito ainda é objeto de estudo. sendo que a Teoria do Vulcanismo explosivo é praticamente descartada. A Teoria Hidrovulcânica aponta a água superficial como fator causador das explosões do magma kimberlítico. na Província do Alto Parnaíba. porém é tido como consenso que um modelo definitivo será algo muito próximo da Teoria Magmática e da Teoria Hidrovulcânica. na Serra da Canastra. sem nenhuma relação com kimberlitos (ou com lamproítos. Sua característica distintiva são as macro e megacristalizações de flogopita. Os kimberlitos podem ser dividos em dois grupos segundo sua petrologia. outra rocha relacionada ao transporte de diamantes) Por outro lado. Recentemente a descoberta de kimberlitos mineralizados. despertou o interesse de mineradoras e a região vem sendo alvo de pesquisas em busca de kimberlitos diamantíferos. Kimberlitos do Grupo I são ricos em CO2 e apresentam textura inequigranular.

ANEXO II MAPA: OCORRÊNCIAS DE DIAMANTES NO BRASIL Lineamentos das Principais Ocorrências de Diamantes no Brasil Página 22 .

ANEXO III DIAGRAMA: KIMBERLITO DIAMANTÍFERO Diagrama de Formação de Kimberlito Diamantífero Página 23 .

ANEXO IV FIGURA: ESQUEMA DE UMA CHAMINÉ KIMBERLÍTICA Chaminé Kimberlítica Página 24 .

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