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A saúde na escola: um breve resgate histórico

ARTIGO ARTICLE
Health at school: a brief history

Túlio Alberto Martins de Figueiredo 1


Vera Lúcia Taqueti Machado 2
Margaret Mirian Scherrer de Abreu 2

Abstract It involves the historical birth of school Resumo Discute o nascimento histórico da saú-
health in the world and Brazil. It shows a region- de escolar no mundo e no Brasil. Apresenta a Ini-
al initiative of Health Promoting Schools – a dis- ciativa Regional Escolas Promotoras de Saúde –
course of multiple viewings and joint work among um discurso de múltiplos olhares e trabalho arti-
education, health and society -, as an alternative culado entre a educação, saúde e sociedade -, como
model of attention to school health, recommend- modelo alternativo de atenção à saúde na escola
ed by Pan American Health Organization, to the recomendado, pela Organização Pan-Americana
Caribbean and Latin American Countries. Fi- de Saúde, para os países do Caribe e da América
nally, it takes into account that a detailed obser- Latina. Considera que o olhar atento aos Parâ-
vation of the National Curriculum Parameters is metros Curriculares Nacionais é condição fun-
an essential condition so that health profession- damental para que os profissionais de saúde sen-
als, who are sensitive to the school health educa- síveis à questão da educação em saúde na escola
tion issue, can contribute to its inclusion in the contribuam para que a mesma compareça na edu-
fundamental education with a critical, interdis- cação fundamental com um enfoque crítico, in-
ciplinary and transversal approach, presenting terdisciplinar e transversal e, finalmente, apre-
the guidelines of a new national health polices at senta as diretrizes da nova política nacional de
public schools. saúde na escola pública.
Key words School health, Health Promoting Palavras-chave Saúde escolar, Escolas Promoto-
Schools, Health promotion ras de Saúde, Promoção à saúde

1
Centro de Ciências da
Saúde, Universidade Federal
do Espírito Santo. Av.
Marechal Campos 1468,
Maruípe. 29040-090
Vitória ES.
tulioamf@npd.ufes.br
2
Secretaria Municipal de
Saúde de Vitória.
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Figueiredo TAM et al.

O nascimento (histórico) Há de se considerar que, na prática, o referi-


da saúde na escola do código proposto por Mai não chegou a vigo-
rar plenamente em face de questões de ordem
Os avatares da política de atenção à saúde esco- tanto econômica quanto política. Como já foi
lar remontam o final do século XVIII e o início exposto, na Europa, o primeiro país a institucio-
do século XIX, quando o médico alemão Johann nalizar a polícia médica – que, dentre muitos cam-
Peter Frank (1745-1821) elaborou o System einer pos de atuação, exerceu influência também sobre
Vollständigen Medicinischen Politizei que ficou a saúde escolar -, foi a Alemanha. Mas as idéias
conhecido posteriormente como Sistema Frank. do Sistema Frank logo se difundiram por todo o
O Sistema Frank foi um guia publicado na continente europeu e os Estados Unidos da Amé-
Alemanha, a partir de 1779, em nove volumes rica: [...] Em 1779, os volumes deste trabalho enci-
(sendo os dois últimos póstumos). Na avaliação clopédico começaram a ser lançados, provocando,
de Rosen1, “este trabalho hoje é considerado um em muitas direções, um impacto evidente. Natu-
marco no pensamento a respeito das relações ralmente, este efeito foi sentido com maior inten-
sociais da saúde e da doença”. O Sistema Frank sidade na área de língua germânica e em áreas,
contemplava não apenas a saúde escolar, mas, como a Itália, que estavam em contato estreito,
também, múltiplos aspectos da saúde pública e tanto político quanto cultural, como os Estados
individual, tais como demografia, casamento, alemães. Entretanto, não se pode negar a impor-
procriação, puerpério, saúde infantil, medicina tância de Frank na difusão do termo e da idéia de
militar, doenças infecto-contagiosas, vestuário, “polícia médica” não somente na Alemanha, Áus-
esgotos, suprimento de água e prevenção de aci- tria e Itália, mas também na França, Grã-Breta-
dentes2. Enfim, tal guia deveria mesmo ser abran- nha e Estados Unidos. Na verdade foi usado na
gente, visto que foi escrito sob a inspiração do Itália, até 18901.
pensamento político e econômico vigente no fi- No Brasil, pontua Moncorvo Filho3, os pri-
nal do século XVII e início da maior parte do meiros estudos sobre saúde escolar se deram a
século XVIII, na Alemanha, no qual, segundo partir de 1850. Lima2 observa, no entanto, que
Heckscher, citado por Rosen, foi “marcante a embora um decreto do Barão do Lavradio, em
admiração pelas virtudes de uma população cres- 1889, tratasse de regulamentar a inspetoria das
cente e o intenso desejo de aumentar o número escolas públicas e privadas da Corte, de fato, a
de habitantes de um país”1. questão da higiene escolar somente ganhou im-
A referida obra – o Sistema Frank –, legou a pulso, no país, a partir do início do século XX.
Johan Peter Frank o reconhecimento como o pai Naquele contexto histórico-social, marcado pela
da saúde escolar visto que, no tocante ao tema, intensa imigração – essencial à expansão da ca-
[...] dispunha detalhadamente sobre o atendimen- feicultura -, o país vivenciava uma crítica situa-
to escolar e a supervisão das instituições educacio- ção de saúde pública. A varíola – uma doença
nais particularizando desde a prevenção de aci- atualmente erradicada em todo o mundo –, era
dentes até a higiene mental, desde a elaboração de um grande problema para a saúde pública e epi-
programas de atletismo até a iluminação, aqueci- demias de cólera e peste bubônica comprometi-
mento e ventilação das salas de aula”2. am as atividades de comércio exterior do país. A
O Sistema Frank resultou na proposição de isso se somava uma epidemia de febre amarela
um código elaborado por Franz Anton Mai. Ro- urbana e a alta incidência de doenças ainda hoje
sen1 observa que “Mai estava totalmente famili- comuns à realidade brasileira, tais como malá-
arizado com o Medicinische Politizei de Frank, ria, sífilis, tuberculose e hanseníase. Tal quadro
pelo qual tinha grande respeito, complementan- nosológico tinha como tradução uma alta mor-
do-o graças ao seu esforço de encorajar a aplica- talidade da população em geral, obviamente agra-
ção do conhecimento sócio-médico disponível vada nas crianças, vitimizadas também pela des-
em sua época”. Tratava-se de um código de saúde nutrição, por diarréias ou por doenças hoje imu-
de caráter abrangente e que dava grande ênfase à nopreveníveis, tais como sarampo, tétano, co-
educação. De fato, [...] A primeira lei do código, queluche e difteria.
tratando dos deveres de um oficial de saúde, pro- Na avaliação de Lima2, a saúde escolar – ou
punha que este oficial agisse nos colégios, instruin- higiene escolar –, como então usualmente era
do tanto as crianças quanto os professores a respei- denominada, se deu na intercessão de três dou-
to da manutenção e promoção da saúde. Além dis- trinas: a da polícia médica, a do sanitarismo e a
so, o oficial de saúde devia esclarecer o adolescente da puericultura. O termo “polícia médica” aqui
a respeito dos excessos sexuais1. utilizado tem a sua gênese no grego “politéia” e
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está relacionado a uma teoria prática e adminis- Iniciativa Regional
trativa do estado absolutista alemão. Assim pos- Escolas Promotoras de Saúde (IREPS)
to, Novaes4 avalia que a polícia médica foi o me-
canismo através do qual o Estado assumiu a fun- Desde 1995, a Organização Pan-Americana de
ção de zelar pela saúde da população, cabendo Saúde (OPAS) tem estimulado a IREPS com o
aos médicos não somente a responsabilidade de objetivo de fortalecer a capacidade dos países da
tratar os doentes mas, também, controlar todos América Latina e do Caribe na área de saúde es-
os aspectos da vida dos indivíduos. colar. A implantação de escolas promotoras de
Para Lima2, na saúde escolar, o exercício da saúde implica um trabalho articulado entre a
polícia médica “se deu pela inspetoria das condi- educação, a saúde e a sociedade e demanda a ação
ções de saúde dos envolvidos com o ensino”; o protagonista da comunidade educativa na iden-
sanitarismo, “pela prescrição a respeito da salu- tificação das necessidades e dos problemas de
bridade dos locais de ensino” e a puericultura, saúde e na definição de estratégias e linhas perti-
“pela difusão de regras de viver para professores nentes para abordá-los e enfrentá-los. Trata-se
e alunos...”. de uma estratégia de promoção da saúde no es-
No transcorrer do século XX, a saúde escolar paço escolar com enfoque integral, tendo três
no Brasil experimenta avanços em sintonia com componentes relacionados entre si, a saber:
a evolução técnico-científica, deslocando o dis- 1) Educação para a saúde com enfoque inte-
curso tradicional – de lógica biomédica –, para a gral, incluindo o desenvolvimento de habilida-
concepção da estratégia Iniciativa Regional Esco- des para a vida;
las Promotoras de Saúde (IREPS), um discurso 2) Criação e manutenção de ambientes físi-
de múltiplos olhares que surge no final da déca- cos e psicossociais saudáveis e,
da de oitenta, “como parte das mudanças concei- 3) Oferta de serviços de saúde, alimentação
tuais e metodológicas que incorporam o concei- saudável e vida ativa.
to de promoção de saúde na saúde pública, es- Na avaliação de Ippolito-Shepherd5 a escola
tendendo-o ao entorno escolar”5. promotora de saúde é a instituição educacional
O conceito de promoção da saúde, no qual se que:
baseia a IREPS, foi cunhado a partir da Carta de Implementa políticas que:
Ottawa como o processo destinado a capacitar - Apóiem a dignidade e o bem estar individual
os indivíduos para exercerem um maior contro- e coletivo;
le sobre sua saúde e sobre os fatores que podem - Ofereçam múltiplas oportunidades de cresci-
afetá-la, reduzindo os fatores que podem resul- mento e desenvolvimento para crianças e adoles-
tar em risco e favorecendo os que são protetores centes.
e saudáveis. Segundo tal concepção, [...] É essen- Implementa estratégias que fomentam e
cial proporcionar meios para que, ao longo de sua apoiam aprendizagem e saúde:
vida, a população se prepare para as diferentes eta- - Permitindo a participação dos setores saúde e
pas da mesma e enfrente as enfermidades e lesões educação, da família e da comunidade;
crônicas. Isto só será possível através das escolas, - Oferecendo educação para saúde em forma
lares, lugares de trabalho e ambiente comunitário, integral e treinamento em habilidades para a vida;
no sentido de que exista uma participação ativa - Reforçando os fatores de proteção e de dimi-
por parte das organizações profissionais, comerci- nuição de risco;
ais e beneficentes, orientada tanto ao exterior com - Permitindo o acesso aos serviços de saúde,
ao interior das próprias instituições6. nutrição e atividade física.
Na opinião de Harada7, ao adotar a estratégia Envolve todos os membros da escola e da
IREPS, “a saúde escolar passa, necessariamente, comunidade:
por uma revisão de seu conceito e de sua prática - Na tomada de decisões
higienista e assistencialista” e, desta forma, “tem a - Na execução das decisões.
possibilidade de avançar e ampliar a sua concep- Tem um plano de trabalho para:
ção e práticas com uma visão integral e interdisci- - Melhorar o ambiente físico e psicossocial;
plinar do ser humano, dentro de um contexto - Criar ambientes livres de fumo, drogas, abu-
comunitário, ambiental e político mais amplo”. sos e qualquer forma de violência;
- Garantir o acesso a água limpa e instalações
sanitárias;
- Possibilitar a escolha de alimentos saudáveis;
- Criar um ambiente escolar saudável;
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Figueiredo TAM et al.

- Promover atividades que se estendam para No entanto, a relação entre a Saúde e Educa-
fora da escola. ção, no que diz respeito à saúde escolar, nem sem-
Implementa ações que conduzam a melho- pre tem sido harmoniosa. Quando pensada
rar a saúde de seus membros e trabalha com os numa perspectiva exclusivamente médica e foca-
lideres da comunidade para assegurar: lizada no controle e prevenção de doenças, a edu-
- Acesso à nutrição; cação em saúde tem sido pouco efetiva para pro-
- Atividade física; vocar mudanças de atitudes que levem a opções
- Condições de higiene e limpeza; mais saudáveis de vida. A este respeito, Cerquei-
- Serviços de saúde e respectivos serviços de re- ra10 pontua que [...] a escola, na maioria dos casos
ferência. tem sido lugar de aplicação de controle e prevenção
Oferece treinamento efetivo a professores e de doenças, porque o setor saúde costuma ver a
educadores escola como um lugar onde os alunos seriam um
Tem Comissão Local de Educação e Saúde: grupo passivo para a realização de ações de saúde.
- Associação de pais; Os professores frequentemente se queixam de que o
- Organizações não governamentais; setor saúde usa a escola e abusa do tempo disponí-
- Organizações comunitárias. vel com ações isoladas que poderiam ser mais pro-
Segundo a avaliação de Silva et al.8, a Escola veitosas, com um programa mais participativo e
Promotora de Saúde se traduz como importante protagonista de atenção à saúde”10.
estratégia para uma cidade mais saudável, numa De acordo com os referidos PCN, através do
ótica de inclusão e participação. Assim posto, [...] trabalho rotineiramente realizado pelos profes-
como espaço de referência para a comunidade, re- sores e especialistas em educação do nosso país,
presentada por familiares, responsáveis, profissio- os educandos – dentre muitas outras habilida-
nais de educação e outros, a escola pode exercer um des – deveriam ser capazes de situar-se no mun-
papel protagonista de práticas educativas na in- do como cidadãos conscientes de seus direitos e
tercessão com outros equipamentos sociais, entre deveres políticos, civis e sociais, capazes de ado-
os quais se destacam, nessa iniciativa, os serviços tar no dia-a-dia atitudes de solidariedade, coo-
de saúde e, particularmente, a pediatria8. peração e repúdio às injustiças e que, especifica-
Os referidos autores ainda nos alertam que mente em relação à saúde, estejam aptos a “co-
“as práticas educativas em saúde não se restrin- nhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizan-
gem ao profissional de saúde e aos serviços de saú- do e adotando hábitos saudáveis como um dos
de, mas devem ter neles o seu lócus”8. No entanto, aspectos básicos da qualidade de vida e agindo
os mesmos advertem que tais práticas devam ser com responsabilidade em relação à sua saúde e à
construídas junto com os educadores e inseridas saúde coletiva”9.
no projeto político pedagógico da escola. Assim posto, em vez de ações pontuais e iso-
ladas, a melhor contribuição que a saúde pode-
ria oferecer à educação reside na possibilidade de
O lugar da atenção à saúde na educação básica uma ação integrada e articulada, que de maneira
crítica e reflexiva possa significar oportunidade
Usualmente, os técnicos da área de saúde têm de atualização dos educadores, capacitando-os
compreendido a educação em saúde na escola para a tarefa de ministrar o discurso sobre ori-
como intervenções pontuais, a respeito de con- entação à saúde de forma transversal e interdis-
teúdos afeitos a questões nosológicas do momen- ciplinar na escola. Outra relevante participação
to. Técnicos de saúde falam, por exemplo, de den- dos técnicos de saúde se justifica na dinâmica
gue na escola para crianças e adolescentes porque escolar do ensino básico, fomentando junto à
uma epidemia de dengue assola a sociedade. Tra- associação de pais a criação de comissões locais
ta-se, a nosso ver, de uma intervenção, no míni- de educação e saúde que dêem conta de interagir
mo, equivocada, visto que, conforme preconizam junto ao núcleo familiar e comunitário na cria-
os parâmetros curriculares nacionais (PCN), os ção de condições favoráveis da qualidade de vida
conteúdos de saúde devem comparecer no currí- da comunidade adscrita ao entorno escolar.
culo da formação de crianças e adolescentes como Soma-se a isso, por fim, a atenção integral à saú-
uma abordagem transversal e interdisciplinar: tais de de cada um dos educandos.
conteúdos constituem objeto da atenção de to- Todas as ações anteriormente descritas pas-
dos os níveis e séries escolares, integrados a todas sam a constituir, na atualidade, as diretrizes da
as disciplinas como um discurso cotidiano do nova política de atenção à saúde do escolar no
processo ensino/aprendizagem9. Brasil. Nesse sentido, foi instituído em todo o
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território nacional o Decreto nº 6.286, de 5 de Considerações finais
dezembro de 2007, que cria o Programa Saúde
na Escola (PSE), e dá outras providências11. Entendida, de início, como uma prática que se
Trata-se de um programa cuja finalidade é situava na intercessão da polícia médica, do higie-
“contribuir com a formação integral dos estu- nismo e da puericultura, a atenção à saúde esco-
dantes da rede pública de educação básica por lar evoluiu em fina sintonia com o conceito de
meio de ações de prevenção, promoção e atenção promoção da saúde. Especificamente no espaço
à saúde”11 e que visa promover a saúde e a cultu- latino-americano e caribenho, a OPAS recomen-
ra da paz; articular as ações do Sistema Único de da este paradigma como forma – principalmen-
Saúde (SUS) às ações da educação básica públi- te – de subsídio à superação de problemas de
ca; contribuir para a constituição de condições saúde da população infanto-juvenil. Há de se
para a formação integral de educandos; contri- considerar, no entanto, que a atuação da pro-
buir para a construção de sistema de atenção moção de saúde escolar – na perspectiva da su-
social, com foco na promoção da cidadania e pervisão à saúde –, supera os limites desse grupo
nos direitos humanos; fortalecer o enfrentamen- humano, ocupando-se também da família, do
to das vulnerabilidades no campo da saúde e que espaço físico escolar e dos profissionais que fa-
comprometem o desenvolvimento escolar; pro- zem a educação, numa perspectiva de assistir e
mover a intercomunicação escola/saúde e forta- também capacitar os indivíduos para um mode-
lecer a participação comunitária nas políticas de lo de vida cada vez mais saudável.
educação básica e saúde11. No tocante à realidade brasileira, especifica-
Em fina sintonia com o paradigma de saúde mente no que diz respeito à educação em saúde
vigente, o PSE deverá ser implementado com a na escola, entendemos ser necessário ao profissi-
participação efetiva das equipes de Estratégia em onal de saúde sensível à questão de planejar/im-
Saúde da Família, respeitando-se todos os prin- plementar/avaliar tais ações junto com os educa-
cípios do SUS. Dessa forma, as ações em saúde dores, além do domínio da IREPS enquanto es-
previstas no âmbito do PSE, a serem desenvolvi- tratégia, ter um olhar crítico da estrutura e funci-
das em articulação com a Saúde e a Educação, onamento do ensino básico. Nessa perspectiva,
deverão considerar a integralidade dos educan- se inserem as recomendações dos Parâmetros
dos, o que significa garantir a cada um deles o Curriculares Nacionais9, ao prescreverem os te-
direito à avaliação clínica, oftalmológica, auditi- mas afeitos à saúde como transversais e interdis-
va, psicossocial, saúde e higiene bucal, avaliação ciplinares, portanto como um discurso do coti-
nutricional, promoção da alimentação saudável, diano escolar, a ser feito pelos educadores, sob
bem como o acesso a ações educativas que lhes múltiplos olhares.
garantam educação permanente em saúde - aqui Assim, cabe aos protagonistas da saúde en-
incluídas a atividade física e saúde -, através de tender que a participação dos mesmos no pro-
uma cultura da prevenção no âmbito escolar. cesso de educação em saúde na escola só se justi-
Dessa forma, a Saúde e a Educação Básica inte- fica se implementado, menos como ações pon-
gradas deverão oferecer à criança e ao adolescen- tuais de educação à saúde na escola, porém, na
te escolarizados uma tutoria de resiliência que potencialização da ação do educador em sala de
lhes confira proteção contra a dependência quí- aula – o que se dá através da oferta de cursos de
mica, o risco de câncer, acidentes e violência, doen- formação continuada ou atualização voltada
ças sexualmente transmissíveis/aids, gravidez e para os mesmos.
doenças crônicas11 No entanto, conforme recomenda o PSE, as
equipes de saúde da família deverão realizar visi-
tas periódicas e permanentes às escolas, no senti-
do de avaliarem as condições de saúde dos edu-
candos, proporcionando, dessa forma, o atendi-
mento à saúde ao longo do ano letivo, conforme
as necessidades locais.
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Figueiredo TAM et al.

Colaboradores Referências

TAM Figueiredo, VLT Machado e MMS Abreu 1. Rosen G. Da polícia médica à medicina social: en-
participaram igualmente da concepção do arti- saios sobre a história da assistência médica. Rio de
go. TAM Figueiredo redigiu a primeira versão do Janeiro: Graal; 1979.
artigo, a qual recebeu contribuições dos outros 2. Lima GZ. Saúde escolar e educação. São Paulo: Cor-
tez; 1985.
autores. Todos os autores revisaram e aprova-
3. Moncorvo Filho CAA. Higiene escolar: seu históri-
ram a versão final. co no Brasil. In: Anais do Primeiro Congresso Médi-
co Paulista. Vol. 3 São Paulo: Seção de Obras d’O
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âmbito escolar: a iniciativa regional escolas pro-
motoras de saúde. In: Sociedade Brasileira de Pe-
diatria. Escola promotora de saúde. Brasília: Socie-
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novembro de 1986. [acessado 2006 mar 18]. Dispo-
nível em: http://www.saudeemmovimento.com.br
7. Harada J. Introdução. In: Sociedade Brasileira de
Pediatria. Escola promotora de saúde. Brasília: Socie-
dade Brasileira de Pediatria; 2003.
8. Silva CS. Escola promotora de saúde: uma nova for-
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Junior D. Tratado de pediatria. Barueri: Manole; 2007.
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metros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos:
apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/
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2007. [acessado 2008 abr 15]. Disponível em: http:/
/www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/
2007/Decreto/D6286.htm

Artigo apresentado em 12/05/2008


Aprovado em 10/11/2008
Versão final apresentada em 22/11/2008

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