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METODOLOGIA DA

PESQUISA:
Abordagens qualitativas

VERSÃO ELETRÔNICA

Marco A.F. da Costa


Maria de F.B. da Costa

DosAutores

2019
Copyright © 2019 por Marco Antonio F. da Costa e Maria de Fátima
Barrozo da Costa.

Editoração: Amazon USA (produção independente)

Capa: Marco Costa e Fátima Costa

C874b
Metodologia da Pesquisa: abordagens qualitativas. 1. Edição /
Marco Antonio F. da Costa e Maria de Fátima Barrozo da Costa. –
Rio de Janeiro: DosAutores, 2019.

ISBN: 9781793846907
ASIN: BO7PXSVZK5

1.Projeto de Pesquisa. 2. TCC. 3. Monografia


Sobre os Autores
Marco Antonio F. da Costa

Engenheiro Químico (UERJ), ex-bolsista de pós-graduação da


Fundação Alfried Krupp (Alemanha/CNPq) em qualidade e
segurança no trabalho em laboratórios. Estágios de
aperfeiçoamento no Institut Mérieux (Lyon/França), Paul Erlich
Institute (Frankfurt/ Alemanha), Giessen Universitat
(Giessen/Alemanha) e FDA (USA). Mestre em Educação (UNESA),
Mestre em Psicopedagogia (Univ. de La Habana/Cuba). Doutor em
Ciências (IOC/FIOCRUZ). Professor e Pesquisador da Escola
Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio / FIOCRUZ. Docente-
Orientador no Programa de Pós-Graduação em Ensino em
Biociências e Saúde do IOC/FIOCRUZ. Autor de livros e artigos
sobre biossegurança e metodologia da pesquisa.

Email: marco.costa@fiocruz.br
https://www.facebook.com/Biosseguran%C3%A7a-
132695280180099/

Maria de Fátima Barrozo da Costa

Engenheira Química (UERJ), ex-bolsista de pós-graduação da


Fundação Alfried Krupp (Alemanha / CNPq) em controle de
qualidade e da JICA / Japão, em avaliação ambiental. Mestre em
Gestão Ambiental (UNESA). Doutora em Saúde Pública (ENSP).
Pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca
(CESTEH-FIOCRUZ). Autora de livros e artigos sobre
biossegurança, monitoramento biológico e ambiental e metodologia
da pesquisa.

Email: mafa@ensp.fiocruz.br

Esta obra foi produzida com dedicação e vontade de


disponibilizar um material adequado e útil aos seus leitores. Porém,
por maior que seja o cuidado, é sempre possível que alguns ajustes
sejam feitos. Se você, leitor, observar algo inadequado, por favor,
entre em contato conosco pelo e-mail:

E-mail: marco.costa@fiocruz.br

Os autores
Sumário

Iniciando

INTRODUÇÃO

AS DIMENSÕES OU ABORDAGENS DE UMA PESQUISA


CAMINHOS DAS PESQUISAS COM ABORDAGENS
QUALITATIVAS
Que situações, na sua visão, merecem uma investigação? Que
título dar ao trabalho?

O que se conhece sobre o problema?

Como a pesquisa proposta contribuirá para o avanço do


conhecimento?
Quais são os objetivos a serem alcançados?

Qual o melhor quadro teórico para se analisar os resultados?


DESENHO METODOLÓGICO
Qual o desenho metodológico mais adequado para se alcançar
os objetivos propostos?

Qual é ou quais são os instrumentos mais adequados para se


coletar dados?

Onde coletar dados para estudos com abordagem qualitativa?

Qual a ferramenta mais adequada para ser utilizada na análise


dos dados?

Quais são as limitações da pesquisa?


EXEMPLO DE DESENHO METODOLÓGICO
Quais são as condições éticas que devem ser observadas na
investigação?

Como planejar o cronograma na fase de projeto?

Apresentação e defesa da monografia

Como os resultados do estudo serão divulgados?

Que referências serão utilizadas na proposta de pesquisa?


A Redação Científica

Sobre Elementos Ilustrativos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS-outros livros dos autores


Iniciando,

Este livro visa oferecer subsídios e sugestões para alunos,


docentes e profissionais, que de alguma forma, lidam com a
Metodologia da Pesquisa, especificamente com abordagens
qualitativas. Apresentamos uma descrição detalhada de todos os
elementos e fases desse caminhar metodológico, em um contexto
didático e objetivo.

Fonte: https://www.significados.com.br/reflexao-critica/

Lembre-se:

Para se pesquisar é necessário conhecer aquilo que é


pesquisado, sem nenhum tipo de preconceito (intolerância,
discriminação), ou pré-conceito (julgamento feito antecipadamente),
e posicionar-se a partir dos dados gerados com a pesquisa.

Falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por


falta de métodos.
Albert Einstein
INTRODUÇÃO

Quando o homem começa com


certezas, termina com dúvidas,
porém, quando se contenta em
começar com dúvidas, terminará com
certezas.

Francis Bacon

Este é um livro que pressupõe que o leitor tenha certa


familiaridade com a Metodologia da Pesquisa, ou seja, com seus
conceitos e técnicas, e tem como objetivo maior, discutir questões
básicas sobre estudos com abordagens qualitativas.

1 - A Metodologia da Pesquisa ou Metodologia Científica estuda os


métodos científicos e suas aplicações na ciência. Aragão et al.
(2005: p. 20) dizem que:

Tem-se associado a concepção


de metodologia à utilização de
estratégias formais que têm como
modelo o campo das ciências
naturais ou exatas. Mas o que
entendemos por metodologia? A
metodologia fala do como pesquisar.
Mais do que uma descrição formal
dos métodos e técnicas a serem
utilizados, indica as opções e a
leitura operacional que o pesquisador
fez do quadro teórico utilizado. Fala
de uma forma de trabalhar que se
relaciona com uma postura ética, no
sentido de visões de mundo.
2 - Método (do grego methodos), nada mais é do que um caminho
para se chegar a um fim (objetivo).

Esse caminho é percorrido pelo que chamamos de pesquisa,


que é uma busca metódica e organizada para encontrar resposta ou
respostas a algum problema, ou questão de pesquisa. Portanto,
toda pesquisa deve ser iniciada por um questionamento inicial, e o
pesquisador deve ter uma noção muito clara de que existem
condições intelectuais (inerentes às suas competências e do grupo
envolvido com o estudo), além de materiais e recursos financeiros
adequados.

3 - Ciência

Ciência é a busca metódica da verdade para ampliação dos


limites do conhecimento ou melhoria do conhecimento existente.

4 - Conhecimento

É uma relação que se estabelece entre o sujeito que conhece ou


deseja conhecer e o objeto ou fenômeno a ser conhecido, alvo da
pesquisa. O conhecer é fruto de uma experiência.

O conhecimento pode ser sistematizado da seguinte forma:

Conhecimento popular (senso comum): é o


que comumente chamamos de conhecimento do povo.
É o acúmulo de tradições e experiências vividas. Não
leva em conta a fundamentação científica (COSTA e
COSTA, 2018; LACATOS e MARCONI, 2010)

Valorativo – baseia-se em tradições


Verificável – limitado ao que se pode perceber
Falível e Inexato – conforma-se com a aparência e com o que
se ouviu dizer
Conhecimento científico: é um conhecimento
sistemático. Caracteriza-se pela capacidade de
analisar, de explicar, de desdobrar, de justificar, de
induzir e de predizer.

Real – lida com fatos


Verificável – limitado às hipóteses que podem ou Não ser
comprovadas
Sistemático – logicamente ordenado
Falível – pelo fato de não ser definitivo
Aproximadamente exato – novas hipóteses podem alterá-lo

Conhecimento Teológico: se apoia em


doutrinas que contêm proposições sagradas. É um
conhecimento sistemático, porém, suas evidências
não são verificáveis.

Valorativo – apoiado em doutrinas, crenças


Infalível e Exato – suas evidências não são verificáveis

Conhecimento Filosófico: é caracterizado


unicamente na própria razão humana, ou seja, procura
discernir entre o certo e o errado, tendo esta razão
humana como fundamentação.

Valorativo – apoiado na razão


Não Verificável – seus resultados não podem ser confirmados
nem refutados
Racional – enunciados logicamente organizados e
correlacionados
Infalível e Exato – suas hipóteses não são verificáveis

Temos ainda outros tipos de conhecimento, como (COSTA e


COSTA, 2019):
Conhecimento técnico: é o saber fazer, a
operacionalização. Tem como objeto o domínio do
mundo e da natureza.

Conhecimento artístico: são os saberes que


valorizam os sentimentos, a emoção e a intuição.

Conhecimento linguístico: É um tipo de


conhecimento que abarca no geral, os idiomas.

Aragão et al. (2005: 19) dizem que “o conhecimento científico é


sempre produção de uma verdade em certas condições de
observação.”

O conhecimento é algo inerente ao próprio sujeito, é produzido


pelo próprio sujeito. Não pode ser “passado para outro”
(transportado).

As informações contidas nesse conhecimento é que podem ser


“passadas para outro”, a isso chamamos ENSINO.
https://www.dreamstime.com/stock-photo-knowledge-your-
hands-power-power-image60669612

5 – Fenômeno

É um fato tal como é percebido por alguém. Para que um fato se


torne fenômeno é necessário a presença de uma consciência. Fatos
ocorrem independentemente da percepção de alguém. As
percepções podem ser diferentes sobre um mesmo fato.

Que pode interferir na nossa percepção?

Linguagem / Ideologia / Envolvimento com o tema /


Distanciamento do tema

6 - Lei

É uma hipótese que passou pelo crivo das verificações e tem por
função resumir grande quantidade de fatos e permitir prever novos
fatos.

7 – Conceitos

São representações mentais de um conjunto de realidades, em


função de suas características comuns e essenciais (LAVILLE e
DIONNE, 1999). Da reunião dos conceitos, surge a teoria.

8 - Teoria

Diz respeito à relação entre fatos ou, em outros termos, à ordenação


significativa desses fatos, consistindo em conceitos, classificações,
correlações, generalizações, princípios, leis, regras, etc. (LAKATOS
e MARCONI, 2010). Toda teoria é válida, desde que não surja outra
que a contradiga ou a invalide.
9 - Pesquisa

Fonte: Dos Autores

O valor de uma pesquisa pode ser fundamenta em sete itens:


Fonte: Dos Autores

Atenção:

Todos os processos monográficos envolvem alunos e orientadores,


e aqui cabem algumas considerações:

Deve ser uma parceria;


Cabe ao orientador mostrar caminhos e apontar
alternativas, jamais impor qualquer coisa;
A decisão final deve ser sempre do aluno;
Quando a parceria não vai bem, o melhor caminho é
uma separação amigável.
AS DIMENSÕES OU ABORDAGENS DE UMA PESQUISA

Suspeito que nossas escolas


ensinem com muita precisão a
ciência de comprar as passagens e
arrumar as malas. Mas tenho sérias
dúvidas de que elas ensinem os
alunos a arte de ver enquanto viajam.

Rubem Alves

Uma pesquisa pode ser desenvolvida com abordagem


qualitativa, quantitativa ou mista, também denominada de quali-
quanti.

1 - Pesquisa com Abordagem Quantitativa

Considera que tudo pode ser quantificável, o que significa


traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e
analisá-las. Requer testagem de hipótese e o uso de recursos e de
técnicas estatísticas de inferência, como, coeficiente de correlação,
análise de regressão, entre outras. É orientada aos resultados, é
replicável e generalizável.

Pesquisas com abordagens quantitativas tem como finalidade a


EXPLICAÇÃO, trabalha com fatos.

FATO: É um evento mensurável (objetivo), possível de ser


investigado cientificamente.

Observação Importante:

O simples fato de uma pesquisa apresentar números,


percentuais, histogramas, entre outros aspectos numéricos, não
confere o caráter quantitativo ao estudo. Há necessidade de que a
mesma tenha HIPÓTESE, e que essa seja testada.

Hipótese: É uma afirmação ou negação provisória a respeito de


determinado fenômeno em estudo (é uma resposta prévia à questão
formulada). Deve ser testada e confirmada ou rejeitada. .

2 - Pesquisa com Abordagem Qualitativa

Considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o


sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números.

A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados


não requerem testagem de hipótese, e nem o uso de técnicas
estatísticas de inferência, apenas o uso de elementos da estatística
descritiva, como: percentual, desvio padrão, médias, entre outros. O
ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados.

Analisa o comportamento humano, do ponto de vista do autor,


utilizando a observação naturalista e não controlada. É holística e
não generalizável, porém, seus resultados podem ser transferidos*.

*TRANSFERIBILIDADE – capacidade dos resultados do estudo


de serem aplicados em outros contextos.

Pesquisas com abordagens qualitativas tem como finalidade a


COMPREENSÃO, e está no contexto das “Ciências
Compreensivas”. Minayo (2010: p. 252) aponta que:

A expressão “ciências
compreensivas” deriva de uma
atitude epistemológica iniciada pelo
filósofo historicista Dilthey, em sua
obra “Introducción al estudio de las
Ciencias Humanas” escrita em 1883.
Este autor expressa uma reação
contra a concepção positivista e
empirista do conhecimento baseada
em uma relação causal entre fatos
observados [...].

A pesquisa com abordagem qualitativa trabalha com fenômenos.

FENÔMENO: É a interpretação subjetiva de um fato.

A palavra “fenômeno” é derivada do latim “phaenomenon”, que


significa o que é visto, o que surge aos olhos.

Observação Importante:

Em pesquisas com abordagens qualitativas não se usa hipótese


(não tem necessidade de testagem, de comprovação), mas sim,
PRESSUPOSTO (não tem essa característica).

Pressuposto: Parâmetro básico que permite desenvolver a


pesquisa qualitativa. É a hipótese sem a sua dinâmica formal
comprobatória.

Em síntese:

Pesquisas com abordagens qualitativas estudam a Realidade


Social, ou seja, seus valores, crenças, representações, hábitos,
atitudes e opiniões, buscando seus significados. Ela é específica, e
está condicionada pelo momento histórico e pela organização
política e econômica de tal momento.

A investigação com abordagem qualitativa é descritiva, os dados


recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números
(embora possam ser utilizados); incluem transcrição de entrevistas,
notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais,
memorandos e outros registros oficiais, o mundo é examinado com
a ideia de que nada é trivial, que tudo tem potencial para constituir
uma pista que nos permita estabelecer uma compreensão mais
esclarecida do nosso objeto de estudo (CAETANO, 2012).

3 - Pesquisa Qualitativa-Quantitativa (mista)

É aquela que busca compreender um determinado fenômeno


(fase qualitativa), e depois buscar, por meio de testagem de
hipótese (s) explicá-lo (fase quantitativa). São estudos complexos e
longos, e que requerem experiência do pesquisador.

No Quadro 2 constam as principais características das


abordagens quantitativas e qualitativas:

Quadro 2 - Elementos Característicos das Abordagens


quantitativas e qualitativas

Quantitativa Qualitativa
Hard Science Soft Science
Testa a Teoria Desenvolve a Teoria
Uma realidade: o foco é Múltiplas realidades: o foco é
conciso e limitado complexo e amplo
Descoberta, descrição,
Redução, controle, precisão compreensão, interpretação
partilhada
Mensuração Interpretação
Mecanicista: partes são Organicista: o todo é mais do que as
iguais ao todo partes
Possibilita análises Possibilita narrativas ricas,
estatísticas interpretações individuais
Os elementos básicos da Os elementos básicos da análise são
análise são os números palavras e ideias
O pesquisador mantém
O pesquisador participa do processo
distância do processo
Sujeitos Participantes
Independe do contexto Depende do contexto
Gera ideias e questões para
Teste de hipóteses
pesquisa
O raciocínio é lógico e
O raciocínio é dialético e indutivo
dedutivo
Descreve os significados,
Estabelece relações, causas
descobertas
Busca generalizações Busca particularidades
Preocupa-se com as Preocupa-se com a qualidade das
quantidades informações e respostas
Utiliza instrumentos
Utiliza a comunicação e observação
específicos
Fonte: Costa e Costa, 2018

Para iniciar qualquer processo de produção do conhecimento,


como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), dissertações ou
teses, há necessidade de se definir um protocolo de pesquisa ou
projeto de pesquisa, onde consta a seguinte sequência lógica para o
desenvolvimento do estudo (adaptado de Fontelles et al., 2009)

Fase 1 – De Decisão

Escolha do Tema – definição do campo da pesquisa e delimitações.

Definir Questão da Pesquisa ou Questões – definir claramente o que


se quer.

Definir a Justificativa – mostrar a importância do estudo e suas


contribuições sociais e para a área do conhecimento, e possíveis
aplicações.
Definir Revisão de Literatura / Referencial Teórico – selecionar a
base de sustentação teórica para análise dos dados coletados.

Definir Objetivos – mostrar onde a pesquisa quer chegar.

Fase 2 – De Execução

Elaboração do Projeto de Pesquisa – mostrar a organicidade do


estudo.

Execução operacional e coleta dos dados – executar os


procedimentos previstos.

Fase 3 – De Análise

Tabulação e apresentação dos dados – compor e organizar os


dados coletados.

Análise e Discussão dos Resultados - Apreciar e comparar os dados


coletados, à luz do referencial teórico adotado.

Fase 4 – De Redação

Redação e Revisão do TCC, Dissertação ou Tese

Fase 5 – Apresentação e Defesa

Apresentar e Defender a monografia diante de uma banca


acadêmica.

Fase 6 – Pós Apresentação e Defesa

Publicar os resultados como artigos, livros, entre outros e apresenta-


los em eventos científicos.
4. Temporalidade das Pesquisas

A pesquisa de acordo com o período de tempo em que se


desenvolve, pode ser:

Horizontal ou Longitudinal – quando se estende por um


período de tempo. Estudos de acompanhamento.

Vertical ou Transversal – quando é realizada em um


período definido do tempo.
CAMINHOS DAS PESQUISAS COM ABORDAGENS
QUALITATIVAS

Não deve haver nenhuma barreira à


liberdade de investigação. Não há
lugar para o dogma na ciência. O
cientista é livre, e deve ser livre de
fazer qualquer pergunta, de duvidar
de qualquer asserção, de procurar
toda a evidência, de corrigir
quaisquer erros.

Robert Oppenheimer

A pesquisa com abordagem qualitativa responde a questões


muito particulares. Ela se preocupa com um nível de realidade que
não pode ser quantificado (MINAYO, 1995).

A principal característica das pesquisas com abordagens


qualitativas é o fato de que estas seguem a tradição compreensiva
ou interpretativa (GERHARDT e SILVEIRA, 2009; PATON, 1990).

A pesquisa qualitativa observa o fato no meio natural, por isso é


também denominada “pesquisa naturalística”.

Esse tipo de pesquisa é específico, condicionado pelo momento


histórico, social, político e econômico.

O planejamento do estudo

Para se desenvolver um estudo com abordagem qualitativa é


necessário que a proposta de pesquisa (projeto) seja delineada da
seguinte forma, conforme o quadro 3:
Quadro 3 - Etapas para uma proposta de pesquisa com abordagem
qualitativa
1 Que situações, na sua visão,
Escolha do tema e merecem uma investigação?
do título Que título dar ao trabalho?
2 O que se conhece sobre o
Contexto da problema?
situação observada
(problema)
3 Como a pesquisa proposta
Importância do contribuirá para o avanço do
estudo – conhecimento?
Justificativa
4 Quais são os objetivos a
Objetivos da serem alcançados?
pesquisa
5 Qual o melhor quadro teórico
Fundamentação para se analisar os
teórica resultados?
6. DESENHO METODOLÓGICO
6.1 Qual o tipo de pesquisa mais
Tipo de pesquisa, adequado para se alcançar os
local e sujeitos objetivos propostos? Qual o
local do estudo? Quais são e
quantos são os sujeitos?
6.2 Qual é ou quais são os
Instrumentos de instrumentos mais adequados
coleta de dados para se coletar dados?
6.3 Qual a ferramenta mais
Análise dos dados adequada para ser utilizada
na análise dos dados?
6.4 Quais são as limitações do
Limitações da estudo?
pesquisa
6.5 Quais são as condições éticas
Questões éticas que devem ser observadas na
investigação? A questão do
plágio e do autoplágio.

7 Como o cronograma da
Cronograma pesquisa será planejado?
8 Como fazer a apresentação e
Apresentação e defender a monografia?
defesa da
monografia
9 Como os resultados da
Divulgação dos pesquisa serão divulgados?
resultados
10 Que referências serão
Referências utilizadas na proposta de
bibliográficas pesquisa?
11 Características redacionais de
A Redação uma monografia.
Científica
12 O que são tabelas, quadros,
Sobre Elementos figuras, entre outros?
Ilustrativos
Fonte: Adaptado de Vivar et al. (2013)

Atenção:

Os projetos de pesquisa com abordagem qualitativa não são


“fechados”, pelo contrário, podem, dependendo do contexto e do
momento da sua execução, ser modificado, principalmente no seu
desenho metodológico.
Que situações, na sua visão, merecem uma investigação? Que título dar
ao trabalho?
Adaptado de Costa e Costa, 2018).

O começo de todas as ciências é o


espanto de as coisas serem o que são.

Aristóteles

Fonte:http://noticias.universia.com.br/vida-
universitaria/noticia/2013/12/12/1069455/5-dicas-vo-ajuda-lo-escolher-
tema-tcc.html#

Essa é a fase da escolha do tema. Escolher um tema nada mais é


do que escolher um assunto sobre o qual será definido um problema de
pesquisa. É aconselhável que o tema selecionado reflita o ambiente do
pesquisador, ou seja, a empatia entre o tema e o indivíduo que vai
desenvolvê-lo é ponto primordial para a qualidade da pesquisa.
Exemplos:

Desenvolvimento de software para o ensino da química;


Avaliação de livros didáticos de ciências;
Aprimoramento de processos de gestão educativa;
Produção de vídeo para o ensino de ciências;
Nova estratégia para avaliação de softwares educativos;
Avaliação de estratégias didáticas.

O tema escolhido deve:

Representar uma questão relevante, cujo melhor modo de


solução se faz por meio de uma pesquisa científica;

Ser factível em relação a competência do pesquisador, a


infraestrutura disponível, e ao tempo e recursos para a
pesquisa;

As fontes de consulta para o desenvolvimento da pesquisa


devem se acessíveis.

O que fazer para definir um tema?

Em primeiro lugar:

O tema selecionado deve fazer parte, de preferência, do


cotidiano do pesquisador;

Temas em que o pesquisador não tenha nenhuma


vivência, pode se tornar um tormento, que será minimizado
com a dedicação e envolvimento do pesquisador com o
estudo;

De maneira geral, o passo inicial é de muita leitura em


livros, artigos científicos, e sites confiáveis da internet.

Procure conhecer as fronteiras do conhecimento na sua


área de pesquisa. Para isso, participe de congressos e
outros eventos ou leia os seus anais. Essa é uma boa
prática para se conhecer os rumos da pesquisa em
determinado campo do conhecimento e conhecer novas
abordagens.

Converse sobre o tema com outras pessoas


Delimitação do tema

Delimitar é indicar a abrangência do estudo, estabelecendo os


limites extencionais e conceituais do tema. Para que fique clara e
precisa a extensão conceitual do assunto, é importante situá-lo em sua
respectiva área de conhecimento, possibilitando, assim, que se visualize
a especificidade do objeto no contexto de sua área temática (LEONEL,
2002).

Procure reduzir o seu tema ao tempo adequado ao seu período


disponível para a realização do TCC, dissertação ou tese. Demo (2000,
p.13) diz que “quanto mais algo está definido entre limites, mais claro se
torna”.

Com a delimitação adequada do tema/assunto, passamos a ter o


nosso objeto de estudo, ou objeto de pesquisa, que é exatamente a parte
da realidade que vamos pesquisar.

Fonte: Dos autores

Que título dar ao trabalho?


A palavra título tem origem no latim “titulus”, com o significado de
rótulo ou etiqueta. Portanto, é um
elemento de identificação de um texto, livro, capítulo, jornal, artigo,
música, filme, entre outros. Ele é a expressão inicial que mostra ou
apresenta o tema e o seu posicionamento no texto. Exemplos de tema e
título:

Tema
A crescente evolução dos processos biotecnológicos, requer um
aperfeiçoamento profissional constante.

Título
A importância da capacitação profissional no mundo contemporâneo: o
caso das biotecnologias

Os títulos devem ser objetivos, breves e atrativos. No exemplo acima


temos um título composto, que é uma técnica bastante utilizada no meio
acadêmico, e que permite facilitar a compreensão do tema. O título, na
maioria das vezes, não contém um verbo, já o tema, quando for uma
oração, deve ter, pelo menos, um verbo.

Tradicionalmente, por não ter verbo, não se finalizam os títulos (não


apenas o título do trabalho, mas os títulos de tabelas, quadros, figuras,
entre outros) com ponto final. Os sinais de pontuação admitidos são os
de interrogação, exclamação, reticências.

DICA: Escolha o título após o término do texto, já que você terá a visão
total do que escreveu, e nesse caso, o título poderá ter uma melhor
representatividade do trabalho.
O que se conhece sobre o problema?
Adaptado de Costa e Costa, 2018.

A ciência nunca resolve um problema


sem criar pelo menos outros dez.

George Bernard Shaw

Toda pesquisa tem início com algum tipo de problema, ou seja,


alguma coisa que você tenha vontade de solucionar ou contribuir
para a sua solução, ou, apenas compreender porque acontece.
Nessa linha:

O problema pode ser resolvido pelo processo de


pesquisa científica?

O problema é suficientemente relevante?

A pesquisa é factível?

Tenho competência para planejar e executar um


estudo desse tipo?

Os dados que a pesquisa exige, podem ser realmente


obtidos?

Existem recursos financeiros disponíveis para a


realização da pesquisa?

O tempo é adequado para a execução do projeto?

A palavra “problema” tem vários significados:


Conflito afetivo que impede ou afeta o equilíbrio
psicológico do indivíduo.

Questão não resolvida e que é desejo de discussão,


em qualquer domínio do conhecimento.

Questão proposta para que se dê uma solução.

Proposta duvidosa que pode ter diversas soluções.

Um problema é de natureza científica quando envolve variáveis


que podem ser tidas como testáveis (abordagem quantitativa), ou
possibilita uma análise interpretativa metodologicamente
fundamentada (abordagem qualitativa).

Em um projeto, o problema, ou seja, a sua caracterização, os


seus antecedentes e a sua delimitação, devem ser descritos na
Introdução.

Atenção:

Todo problema, principalmente em pesquisas com abordagens


qualitativas, deve ser finalizado com uma pergunta.

Uma pergunta é uma ação que visa encaminhar o alcance de um


objetivo.

Perguntas mal formuladas podem conduzir a sérios desvios


metodológicos. Antes de definir uma pergunta, procure responder:

A linguagem está clara?


A pergunta é relevante?

A pergunta é realística?
O assunto é amplo ou limitado?
Pessoa (2005, p.47) utiliza a expressão pergunta de partida, e
diz que ela “sugere o mote, a impulsão de todo o processo, tal qual
o motor de arranque de um veículo é responsável por dar a partida e
provocar o seu movimento. [...] sem uma pergunta de partida válida,
funcional, o percurso da dissertação torna-se mais árduo, cansativo
e susceptível a postergação e desistência.”

Atenção:

Um problema pode ter mais de uma pergunta, mas, CUIDADO,


todas as perguntas formuladas devem ser devidamente respondidas
pela pesquisa.

Atenção:

Não confunda problema com tema. O problema é uma pergunta, o


tema é uma oração.
Como a pesquisa proposta contribuirá para o avanço do conhecimento?

A razão é o passo, o aumento da ciência o


caminho, e o benefício da humanidade é o
fim.

Thomas Hobbes

A palavra “justificativa” é derivada do latim “justificare”, que significa fazer


direito, certo, legal. A palavra “relevância” possui sua origem etimológica no
latim “relevare” que significa realçar, levantar. Um fato relevante é aquele que
possui importância em determinada circunstância, sendo, portanto, importante
ser realçado.

Justificar uma pesquisa significa explicitar razões para a sua realização,


como:

a) O que levou o autor a pesquisar tal tema, de onde nasceu a ideia?;

b) Relevância da pesquisa: prática e intelectual;

c) Contribuições para a compreensão ou solução do problema colocado;

d) O estudo tem potencial para gerar inovação?

e) Como o tema vem sendo discutido na literatura.

Não existe um modelo padrão para elaboração de justificativa, mas é


importante, no contexto da credibilidade acadêmica, estabelecer um diálogo com
autores ou correntes relacionadas ao tema.

Todo projeto é socialmente relevante quando contribui de alguma forma,


para a melhoria da compreensão do mundo em que vivemos. A justificativa é o
elemento metodológico mais importante no processo de análise de um projeto
para fins de seleção a um mestrado ou doutorado, ou, simplesmente na tentativa
de se obter recursos financeiros de uma agência de fomento à pesquisa, como
por exemplo, CNPQ, FAPERJ, entre várias outras.

Em algumas instituições e também em projetos para obtenção de recursos


financeiros, podemos encontrar o item “Resultados Esperados”, que são os
possíveis contribuições ou produtos que poderão ser gerados a partir do estudo
proposto.

Atenção:

Essas possíveis contribuições ou produtos NÃO SÃO OBJETIVOS, porque


somente poderão ser verificados se ocorreram ou não a partir de outros estudos.
Quais são os objetivos a serem alcançados?

A felicidade, a riqueza e o sucesso, são


subprodutos dos nossos objetivos. Não podem ser
os próprios objetivos.

Denis Waitley

A palavra “objetivo” deriva do latim “objectivus” que significa algo colocado à frente. Já a
palavra “meta” deriva do latim “meta” que significa medida de um final de algo.

Tanto objetivo como meta são pontos onde queremos chegar, a diferença é que uma
meta é a quantificação de um objetivo, em um período pré-fixado (prazo), por exemplo:

Objetivo: Diminuir a evasão escolar de uma determinada escola.

Meta: Diminuir a evasão escolar de uma escola em 50%, em um período de 12 meses.


Os objetivos podem ser:

Geral – Identifica claramente onde queremos chegar ao final do estudo. Deve ser elaborado
com um único verbo (sempre no infinitivo), exemplo:

Desenvolver uma História em Quadrinhos (HQ) para uso na disciplina de


química no Ensino Médio.

Específicos – Nada mais são do que etapas que temos que cumprir para se chegar ao
objetivo geral, exemplos relacionados ao objetivo geral anterior:

Descrever as peculiaridades da disciplina de química no Ensino Médio.

Descrever o processo de construção de uma HQ.

Discutir estudos pertinentes ao uso de HQ no Ensino Médio.

Analisar percepções docentes/discentes sobre a HQ desenvolvida.

Atenção:

Os objetivos específicos 1, 2 e 3 seriam capítulos (referenciais teóricos) na monografia


(TCC, Dissertação ou Tese), enquanto o 4, faria parte do capítulo de Resultados e
Discussão.

Os objetivos devem ser formulados com uma linguagem compreensiva e precisa,


devem ter uma lógica com o problema da pesquisa e também, devem ser factíveis de serem
alcançados ao longo da pesquisa, portanto, é importante que a seleção dos verbos seja a
mais adequada possível. Uma das estratégias para a obtenção dessa lógica e coerência é o
uso da Taxonomia de Bloom, que é uma metodologia que permite uma redação clara de
objetivos.

Essa classificação (BLOOM e RATHWOHL, 1956) surgiu durante o desenvolvimento do


paradigma construtivista (LOUSADA, 2012) e, embora ela seja aplicada nos processos de
ensino-aprendizagem, já que classifica níveis e formas de aquisição do conhecimento, nada
impede o seu uso na formulação dos objetivos de uma dissertação ou tese. Segundo a
Taxonomia de Bloom, a aprendizagem ocorre em três domínios: cognitivo, psicomotor e
afetivo.

O Cognitivo envolve a aquisição de um novo conhecimento, do desenvolvimento


intelectual, de habilidade e de atitudes. O afetivo está relacionado a sentimentos e posturas.
O psicomotor está relacionado a habilidades físicas específicas.

O domínio cognitivo, que possui seis níveis: conhecimento, compreensão, aplicação,


análise, síntese, e avaliação, pode, a nosso ver, sustentar de forma adequada a elaboração
dos objetivos de uma monografia, como apontam Costa et al. (2014), ao relacionar alguns
verbos característicos de cada nível:

Nível de Conhecimento: Baseado na memorização, no armazena mento de informações.


Comporta vários graus de complexidade, desde uma simples informação isolada, como uma
data, um nome, e até o conhecimento de uma teoria ou estrutura. O que se deseja é a
lembrança ou a retenção da informação apropriada. Verbos que devem ser utilizados:
Definir, identificar, nomear, repetir, inscrever, listar, apontar, descrever (e outros).

Nível de Compreensão: Baseado no entendimento. Inclui a translação (passagem de uma


mensagem de uma linguagem para outra), a interpretação (envolve o entendimento de
interpelação das partes ou estrutura da mensagem) e a extrapolação (envolve predição de
consequências da mensagem). Verbos que devem ser utilizados: descrever, discutir,
organizar, interpretar, definir, debater (e outros).

Nível de Aplicação: Envolve a utilização dos conteúdos dos níveis de conhecimento e


compreensão. Refere-se à capacidade de utilizar um material (conteúdo) apreendido em
situações novas e concretas. Verbos que devem ser utilizados: Aplicar, demonstrar,
descrever (e outros).

Nível de Análise: Envolve o desdobramento do material em suas partes consecutivas, a


percepção de suas inter-relações e os modos de organização. Verbos que devem ser
utilizados: Analisar, comparar, investigar, descrever (e outros).

Nível de síntese: Envolve a organização de conteúdos trabalhados nos níveis de


conhecimento, compreensão, aplicação e análise. Capacidade de combinar as partes para
formar um todo. Neste nível deseja-se a projeção e criação de um produto original, valendo-
se dos assuntos abordados. Verbos que devem ser utilizados: Propor, explicar, planejar,
demonstrar (e outros).

Nível de Avaliação: É o nível de maior complexidade, pois implica em atividades de


julgamento, isto é: uso de critérios e de padrões que permitam apreciar o grau de precisão,
efetividade, economia ou suficiência de pormenores. Neste nível, o sujeito apresenta seu
ponto de vista, o seu julgamento particular sobre o assunto tratado. Capacidade de julgar o
valor de um material (conteúdo) com um dado propósito. Verbos que devem ser utilizados:
Julgar, apreciar, comparar, avaliar, validar, analisar, demonstrar (e outros).
Qual o melhor quadro teórico para se analisar os resultados?

Os que desejam tudo conhecer de uma ciência


devem necessariamente ler tudo o que se ache
escrito sobre a matéria, ou, pelo menos, o que
haja de principal, não se limitando a um único
autor.

A Revisão da Literatura e o Referencial Teórico são elementos metodológicos que


permitem ao pesquisador e leitores um maior domínio sobre o tema em questão, o que
facilita a análise dos resultados de um estudo científico. Existem diferenças entre Revisão
de Literatura e Referencial Teórico.

Revisão de Literatura

É uma busca, em periódicos científicos e livros da área, de trabalhos já publicados


sobre o tema. É também chamada de Revisão Bibliográfica. Ela pode ser ampla, em termos
de tempo, ou delimitada, isto é, restrita a um determinado período. No caso desta última
opção, o autor deve justificá-la. É interessante que se descreva posicionamentos diversos e
contraditórios sobre o tema em estudo, ou seja, não é uma boa prática, elaborar uma
Revisão de Literatura que tenha apenas uma visão da questão, principalmente em temas
com grande fundo ideológico. Com a Revisão da Literatura pode-se identificar tendências de
pesquisa na área, eventuais lacunas, e os conceitos importantes que estão sendo usados.

Lembre-se que o radicalismo ideológico pode interferir, sobremaneira, no


desenvolvimento de uma dissertação ou tese.

Referencial Teórico

É a definição de uma base teórica ou filosófica para sustentar o estudo. É também chamada
de Quadro Teórico, Base Conceitual, Embasamento teórico, entre outros.

A Revisão de Literatura é mais ampla e o Referencial Teórico, é mais específico e ligado


diretamente ao problema de pesquisa.

Em um trabalho monográfico de qualquer nível pode haver Revisão de Literatura e


Referencial Teórico, embora essa seja uma configuração rara. Normalmente se adota um ou
outro elemento.
DESENHO METODOLÓGICO

Desenho Metodológico deve conter:

6.1. Tipo de
pesquisa, local e
sujeitos
6.2. Instrumentos
de coleta de dados
6.3. Análise dos
dados
6.4. Limitações da
pesquisa
6.5. Questões
éticas

Etapa 6.1
Qual o desenho metodológico mais adequado para se alcançar os
objetivos propostos?

Em algum lugar, alguma coisa


incrível está esperando para ser
descoberta.

Carl Sagan

No projeto de pesquisa, nas monografias de cursos técnicos,


graduação ou especialização, ou na dissertação ou tese, pode-se
substituir a expressão “Desenho metodológico” por “Caminho
Metodológico”, “Quadro metodológico”, entre outros. Quando o
estudo não envolver sujeitos, o adequado seria “Materiais e
métodos”.

Tipos de Pesquisa

Em diferentes livros de Metodologia da Pesquisa, existem


variadas formas de classificação de tipos de pesquisa. Neste livro,
optamos por utilizar a proposta de Costa e Costa (2018):

Trata-se da pesquisa que é "dedicada a reconstruir teoria,


conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos
imediatos, aprimorar fundamentos teóricos" (DEMO, 2000, p. 20).
É a mais tradicional das pesquisas. Ela descreve as
características de uma determinada população ou um determinado
fenômeno, e os interpreta. Não busca interferir e nem modificar a
realidade estudada (RUDIO, 1998).

É a pesquisa que busca esclarecer que fatores, contribuem de


alguma forma, para a ocorrência de algum fenômeno.

Atenção:

Descrever é narrar o que acontece, e explicar, é dizer por que


acontece (RUDIO, 1998, p.71).

Tanto a pesquisa descritiva quanto a explicativa pode ser


realizada sob a forma de:

ESTUDO DE CASO – é um estudo limitado a


uma ou poucas unidade, que podem ser uma pessoa,
uma família, um produto, uma instituição, uma
comunidade ou mesmo um país. É uma pesquisa
detalhada e profunda.

PESQUISA DOCUMENTAL – é aquela


realizada em documentos oficiais, ou seja, em atas,
regulamentos, memorandos, balancetes, CD-ROM,
internet (quando o site for oficial), entre outros.

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA – é aquela


realizada em livros, revistas, jornais, etc. Ela é básica
para qualquer tipo de pesquisa, mas, também, pode
esgotar-se em si mesma.

PESQUISA EX-POST-FACTO – quando o


estudo se realiza depois do fato, ou seja, o fato a ser
pesquisado já ocorreu.

PESQUISA AÇÃO - um tipo de pesquisa com


base empírica que é concebida e realizada em estreita
associação com uma ação ou com a resolução de um
problema coletivo e no qual os pesquisadores e
participantes representativos da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou
participativo (THIOLLENT, 1986, p.14).

PESQUISA PARTICIPANTE - Para Brandão


(1984), trata-se de um tipo de pesquisa por meio do
qual se busca a plena participação da comunidade na
análise de sua própria realidade, com objetivo de
promover a participação social para o benefício
coletivo.

Atenção:

Thiollent (1997) destaca que toda pesquisa ação é participante,


porém, nem toda pesquisa participante é pesquisa ação.

Uma pesquisa participante pode ser usada antes da pesquisa


ação, como instrumento para se conhecer a realidade aonde se faz
necessária uma intervenção.
PESQUISA EXPERIMENTAL – é aquela em
que o pesquisador manipula variáveis com o objetivo
de observar fenômenos. São trabalhos laboratoriais,
isto é, realizados, em ambientes controlados e com
alto rigor científico. Constituição de dois grupos: um
grupo de experimento e um grupo de controle, a
inclusão dos indivíduos nos grupos deve ocorrer de
modo aleatório. Após a definição dos grupos,
submete-se o grupo de experimento a certos aspectos
ou condições (ambientais, por ex.), enquanto o grupo
de controle permanece em condições normais.

Atenção:

Quando o tema escolhido, ainda não foi detalhadamente estudado,


portanto ainda não existem muitos dados, dizemos que é uma
pesquisa de caráter exploratório, e aplica-se a qualquer tipo de
pesquisa.

Local da Pesquisa

O local onde será realizado o estudo deve ser explicitado de


forma clara. Dependendo do tema pode se colocar a localização
gráfica (mapa) da região, fotos, dados demográficos, entre outros. A
inclusão de nomes de instituições deve ser feita apenas se houver o
consentimento por escrito dos seus responsáveis.
Sujeitos da Pesquisa

O Sujeito de pesquisa ou participante, é um indivíduo,


voluntário, que decide contribuir com o estudo na condição de
fonte de dados. A sua participação será efetivada, somente após a
assinatura do TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido).
No caso de menor ou indivíduo vulnerável, a assinatura deve ser
dos responsáveis.
No TCLE deverão constar informações sobre os objetivos, o
desenho metodológico, os riscos e benefícios do estudo, e
endereço completo do pesquisador, para o caso de quaisquer
esclarecimentos sobre a pesquisa.

Como são selecionados os sujeitos para a realização de um


estudo com abordagem qualitativa?

Nesses estudos não se busca:

REPRESENTATIVIDADE ESTATÍSTICA (característica básica das


amostras em abordagens quantitativas, mas sim,
REPRESENTATIVIDADE SOCIAL (crenças, valores, opiniões,
simbologias, costumes, e outros)

Observação:

Amostragem
É o processo de determinação de uma amostra a ser pesquisada.

Amostra
É uma parte selecionada de uma população.

Nos estudos com abordagem qualitativa é mais adequado,


epistemologicamente, falar de número de participantes, do que de
amostra (repito, não é errado, apenas, inadequado), porque essa
seleção não é feita por um processo estatístico, mas sim, na
maioria das vezes, intencionalmente ou por conveniência. É um
grupo de indivíduos que atende os critérios de seleção e que são
de fácil acesso do investigador.

Etapa 6.2
Qual é ou quais são os instrumentos mais adequados para se
coletar dados?

Assim como casas são feitas de


pedras, a ciência é feita de fatos.
Mas uma pilha de pedras não é uma
casa e uma coleção de fatos não é,
necessariamente, ciência.

Jules H. Poincare

Coletar dados é um processo de obtenção de dados, por meio


de instrumentos específicos, para uso em pesquisas. Esse
processo deve levar em consideração os objetivos do estudo, para
que a escolha dos instrumentos seja adequada.

Atenção:

Em relação ao local de coleta de dados:

Local de Coleta de Dados: É o local onde os sujeitos da pesquisa


se encontram, e não o pesquisador.

Campo: Local onde os dados são coletados em situações onde


não existe um controle rígido. Locais onde os sujeitos encontram-
se naturalmente.

Laboratório: Local onde os dados são coletados em situações


controladas.

Controle: É o monitoramento pelo pesquisador de variáveis


ambientais, emocionais, políticas, entre outras, que podem
interferir nas situações de coleta de dados.

Mas, o que são dados?


Dados são palavras e números sem significado. Quando
adquire significado, temos uma informação. Os dados sempre são
extraídos de uma determinada realidade, por exemplo, uma ida a
campo para aplicação de questionários, ou entrevistas, ou mesmo
apenas observações. O processo de coleta de dados e a produção
e uso da informação pode ser explicado da seguinte forma:

Fonte: Dos autores

Os dados, segundo a origem podem ser:

• Dados primários: são aqueles gerados pelo


pesquisador por meio de uma pesquisa. As suas fontes
são pessoas, principalmente em pesquisas com
abordagem qualitativa. Em estudos com abordagem
quantitativa, as fontes são instrumentos de medidas
(verificação, por exemplo, de peso, altura, dados
laboratoriais, entre outros, e também, pessoas). De um
texto ou uma narrativa também podem ser extraídos
dados quantitativos.

• Dados secundários: são aqueles já produzidos por


pesquisas anteriores. Eles podem auxiliar na pesquisa
em desenvolvimento, e servir, também, para uma
comparação com os dados primários. Na realidade, os
dados secundários, na maioria das vezes, já se tornaram
informações, porque já foram analisados. Exemplos de
fontes: IBGE, livros, artigos, e vários outros.

Os dados, para efeito de análise metodológica (COSTA e


COSTA, 2018), podem ser:

Qualitativos: São as palavras, sinais, gestos,


sons, imagens, silêncios, entre outros.

Quantitativos: Os dados quantitativos se


dividem em dados de medição e dados numéricos.

Os dados de medição são formados por um valor numérico e


por uma unidade de medida (10m; 30s; 4h). Os dados numéricos
possuem um valor numérico e uma característica (3 alunos; 8
entrevistados, 9 questionários).

A transformação de informações em texto científico deve ocorrer


de forma ética e confiável, ou seja, os dados, que são as menores
partículas de uma informação, devem ser coletados
adequadamente, para que as informações, que são os dados
relacionados e contextualizados, sejam cientificamente
reconhecidas. Resumo:
Fonte: Dos Autores
Onde coletar dados para estudos com abordagem qualitativa?

Nessas abordagens podemos usar: documentos, observações,


entrevistas, questionários, observações, e atividades lúdicas.
Aragão et al. (2005: 25) salientam que:

Os instrumentos escolhidos
apontam uma direção ético-política.
O que distingue os diferentes
processos metodológicos é, portanto,
a postura assumida na análise dos
dados e não os instrumentos
utilizados. O olhar sobre o material
coletado é o que diferencia,
principalmente, os métodos de
pesquisa. Como trabalhar com os
dados obtidos no campo investigado?

Em Documentos

Documentos - A palavra “documento” é derivada do latim


“documentum”, que por sua vez, deriva do latim “docere”, que
significa ensino. É qualquer suporte material ou informático que
possibilite a transmissão de informações. Os documentos podem
ser classificados como:

Textuais: Documentos impressos e manuscritos


(jornais, revistas, obras literárias, científicas e técnicas,
cartas, memorandos, relatórios, entre outros).

Cartográficos: Documentos com representações


geográficas.
Iconográficos: Documentos que contém imagens estáticas (fotos).

Filmográficos: Documento audiovisual.


Sonoros: Documentos contendo registros fonográficos.

Micro gráficos: Microfilme e microficha.

Informáticos: Sites, HD, pendrives, CD, DVD, entre


outros.

Os documentos, no contexto da Metodologia da Pesquisa,


podem ser:

Oficiais: quando emitidos por governo federal, governos estaduais,


governos municipais, instituições e empresas públicas ou privadas,
estabelecimentos de ensino em geral, associações de classe,
condomínios, entre outros. A característica desses documentos é de
que as suas informações (impressas ou virtuais) podem ser
acessadas e checadas a qualquer instante.

Não Oficiais: àqueles que não atendem às características acima.


Geralmente são provenientes de pessoas físicas.

A coleta de dados no campo

Essa é a fase a que chamamos de “entrar no campo”. Significa


buscar a informação diretamente com os sujeitos envolvidos no
estudo (população pesquisada), no local onde o fenômeno ocorre ou
ocorreu. Essa busca pode envolver os seguintes instrumentos:

1. Observações

A palavra “observação” é derivada do latim “observatio”, que


significa dirigir o olhar sobre um objeto por meio do sentido da visão,
de modo consciente e orientado para um fim, é ter a atenção
direcionada para algo específico, com o intuito de posteriormente
julgar, analisar ou investigar determinado fenômeno, prática,
conduta, entre outros.
A observação pode ser:

Não-estruturada (ou Livre): O pesquisador é simplesmente um


expectador, que observa determinada situação sem um devido
planejamento. As observações devem ser anotadas, e o processo
em si, pode ser gravado ou filmado, desde que devidamente
autorizado pelos sujeitos envolvidos. Essa observação é útil na fase
inicial da pesquisa, para a definição de pressupostos.

Estruturada: O pesquisador planeja detalhadamente a situação a ser


observada. Também devem ser anotadas, e o processo em si, pode
ser gravado ou filmado, desde que devidamente autorizado pelos
sujeitos envolvidos.

Esses dois tipos de observação podem ter as seguintes


características:

Ser não-participante (passiva): Sem qualquer tipo de


interferência por parte do pesquisador.

Ser participante (ativa): Quando o pesquisador tem um


posicionamento e se envolve diretamente em relação a
situação observada.

Sobre o rigor desse tipo de coleta de dados, Lüdke e André


(1986, p. 25) descrevem que:

[...] para que se torne um


instrumento válido e fidedigno de
investigação científica, a observação
precisa ser antes de tudo controlada
e sistemática. Isso implica a
existência de um planejamento
cuidadoso do trabalho e uma
preparação rigorosa do observador.
A observação pode ser uma técnica vantajosa se utilizada
juntamente com a entrevista. Para isso, porém, há necessidade de
que o pesquisador seja experiente em processos de pesquisa.
Ressalta-se que a observação pode ser realizada pelo viés
qualitativo e/ou quantitativo. Entre as vantagens e desvantagens
das observações, podemos citar:

Vantagens das Observações

Favorece a descoberta de aspectos novos de um


problema;

Independe da comunicação pesquisador - sujeitos da


pesquisa;

Permite o registro do comportamento em seu contexto


natural;

Permite o estudo de uma ampla variedade de


fenômenos;

Fácil aplicação.

Desvantagens das Observações

Presença do pesquisador pode provocar alterações no


comportamento dos observados;
Eventos que ocorrem fora do período de observação
não são registrados

A duração dos acontecimentos é variável dificultando a


coleta de dados;

Vários aspectos da vida cotidiana, particular podem


não ser acessíveis ao pesquisador;
Se os registros não forem adequados, pode gerar
interpretações parciais da realidade observada.

Ludke e André (1986: p. 45) apontam que:

Dentre as limitações atribuídas à


técnica da observação, estão a de
provocar, às vezes, alterações no
ambiente ou no comportamento da
população estudada e a de que o
método leva em si a influência da
interpretação pessoal

Atenção:

Antes de observar qualquer situação de pesquisa, lembre-se de


que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, deve
estar assinado pelo sujeito do estudo ou do seu responsável, no
caso de menor ou de pessoas com necessidades especiais ou de
pessoas consideradas vulneráveis.

2. Entrevistas

A entrevista é o principal instrumento usado para coletar dados


em pesquisas com abordagem qualitativa. A palavra “entrevista” é
derivada do francês “entrevue”, que significa o ato de ver um ao
outro, e do latim “intervedere”, significando ver entre si.

Tipos de entrevistas

Entrevista Estruturada - Nessa entrevista, o entrevistador segue um


roteiro de perguntas previamente estabelecido, que não deve ser
alterado ou adaptado. O roteiro pode conter perguntas abertas e
fechadas.
Entrevista Não Estruturada ou Aberta – É aquela em que não existe
um roteiro fechado, apenas uma pauta. As perguntas são abertas e
é desenvolvida no contexto de uma conversação. Ela é flexível tanto
para o entrevistador, quanto para o entrevistado.

Entrevista Semi Estruturada ou Semi Aberta – É aquela em parte da


entrevista segue um roteiro fechado e parte aberto.

Grupo Focal (GF) – É um tipo de entrevista coletiva realizada sob a


forma estruturada, ou não estruturada ou semi estruturada, com
um grupo de 8 a 12 pessoas participantes (pode variar). Esse
grupo de participantes deve ser homogêneo. É uma entrevista que
requer experiência e habilidade do entrevistador.

Atenção:

O GF não busca consenso, mas as percepções dos participantes


sobre determinada realidade em estudo. Cabe ao mediador avaliar
o atingimento do PONTO DE SATURAÇÃO ou PONTO DE
RECORRÊNCIA: quando as respostas (PERCEPÇÕES) começam
a se repetir. Nesse momento a atividade deve ser interrompida. O
processo em si, pode ser gravado ou filmado, desde que
devidamente autorizado pelos sujeitos envolvidos (válido, também,
para as outras modalidades de entrevistas).

A questão do PONTO DE SATURAÇÃO, ou PONTO DE


RECORRÊNCIA

Ponto de Saturação ou de Redundância é um conceito polêmico


utilizado em estudos com abordagem qualitativa. Ele diz que o
processo de entrevistas pode ser interrompido quando as respostas
dos sujeitos se tornam redundantes, ou seja, já não acrescentam
informações importantes para o estudo.

O entrevistador (mediador) tem o importante papel de provocar


questionamentos, controlar possíveis desvios do objeto de estudo
em foco e de posicionamentos ideológicos radicais que possam
tumultuar a atividade. A escolha dos participantes deve ser
criteriosamente realizada, levando-se em conta o problema
pesquisado, os objetivos da pesquisa e o tipo de público envolvido.
O local escolhido deve ser adequado, restrito ao grupo, para que
não haja interferência de terceiros.

Segundo Adler e Adler (2012 apud VIEIRA, 2014), em relação


ao número adequado de entrevistas, o aluno deve:

Trabalhar em lugares onde conhece as pessoas, onde


tem familiaridade com a situação e transita com
facilidade, ou seja, trabalhar com o que de fato
consegue administrar.

Evitar assuntos altamente polêmicos ou fazer


entrevistas de pessoas em situações ilegais, com
populações vulneráveis ou que tenham grandes
diferenças com eles próprios, ou seja, num primeiro
trabalho de entrevista não se lançar demais. Fazer isso
quando tiver um pouco mais de experiência.

Entrevistar cerca de doze pessoas. Esse número


permite ganhar experiência no planejamento das
entrevistas, de transcrevê-las e tirar conclusões. Mais
do que isso, pode ser difícil devido à limitação de
tempo para desenvolver uma dissertação. Numa tese
de doutorado, pode-se chegar a 30, ou um número
pouco maior, de entrevistas.

Atenção:

Antes de realizar qualquer entrevista, lembre-se de que o Termo de


Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, deve estar assinado
pelo sujeito do estudo ou do seu responsável, no caso de menor
ou de pessoas com necessidades especiais ou de pessoas
consideradas vulneráveis.

3. Questionários

Questionário é uma palavra derivada do latim “quaestionarius”,


que significa ação de buscar, interrogar.
O questionário é um das técnicas mais utilizadas, tanto em estudos
com abordagem qualitativa, quanto naqueles com abordagem
quantitativa. É um instrumento de coleta de dados, aplicado
quando se quer atingir um grande número de indivíduos.

Um questionário não deve ser muito longo para não cansar o


respondente, e, além disso, não favorecer a respostas rápidas,
muitas vezes sem significado. Os questionários podem ser
enviados pelo Correio, mas nesse caso, devem acompanhá-los,
todas as instruções básicas para seu preenchimento.

A grande vantagem do questionário, como instrumento de coleta


de dados, é a sua capacidade de atingir um grande número de
pessoas. Como desvantagem, temos a ausência da observação do
pesquisador, no ato do preenchimento, o que faz do questionário um
instrumento frio.

Outra desvantagem é que muitas vezes as pessoas preenchem


um questionário, com o intuito não de colaborar com a pesquisa,
mas sim, de se ver livre do pesquisador. Os questionários devem
ser elaborados em uma linguagem simples e objetiva. Quando
houver termo de difícil compreensão deve ser colocado seu
significado.

Todo questionário deve ser validado, ou seja, antes de aplicá-lo


aos sujeitos da pesquisa, deve ser feito um pré-teste com um grupo
menor, no sentido de identificar possíveis falhas de linguagem e de
compreensão. Esses dados obtidos no pré-teste, não devem ser
considerados no processo de análise.
Um questionário pode ser estruturado com perguntas abertas,
fechadas ou de múltipla escolha:
Aberta: O respondente tem total liberdade para responder.
Entretanto, o seu processamento analítico e estatístico, quando for
o caso, pelo pesquisador requer habilidade. Em estudos com
abordagem qualitativa, é o tipo de pergunta mais indicado.
Exemplo:

Qual a sua opinião sobre o uso de atividades lúdicas no Ensino


Médio?

Vantagens das Perguntas Abertas:

Preza o pensamento livre e a originalidade;


Surgem respostas mais variadas, em função das
diferentes interpretações;
Vantajoso para o investigador, pois permite coletar
variadas informações sobre o tema em questão.

Desvantagens das Perguntas Abertas:

Dificuldade em organizar e categorizar as respostas;


Requer mais tempo para responder às questões;
Muitas vezes a caligrafia é ilegível;
Em caso de baixo nível de instrução dos respondentes,
as respostas podem não representar a opinião real do
próprio.

Fechada: O respondente seleciona a resposta entre duas opções.


Como as respostas são objetivas, o trabalho do pesquisador é
facilitado. Em pesquisas com abordagem qualitativa, o seu uso
deve ser restrito.

Exemplo:
Em qual nível educacional você atua?

( ) Fundamental ( ) Médio ( ) Superior ( ) Pós-Graduação

Vantagens das Perguntas Fechadas:

Rapidez e facilidade de resposta;


Maior uniformidade, rapidez e simplificação na análise
das respostas;
Facilita a categorização das respostas para posterior
análise;
Permite contextualizar melhor a questão.

Desvantagens das Perguntas Fechadas:

Dificuldade em elaborar as respostas possíveis a uma


determinada questão;
Não estimula a originalidade e a variedade de
resposta;
Não preza uma elevada concentração do respondente
sobre o assunto em questão;
O respondente pode optar por uma resposta que se
aproxima mais da sua opinião não sendo, esta, uma
representação fiel da realidade.

Múltipla Escolha: O respondente tem a sua disposição, várias


possíveis opções. Em pesquisas com abordagem qualitativa, o
ideal é a combinação de perguntas abertas, de múltipla escolha e
fechadas.

Exemplo:

Os problemas da educação no Brasil são decorrentes da:

( ) Falta de política
( ) Falta de interesse
( ) Despreparo docente
( ) Gestão deficiente
( ) Nenhum deles

Vantagens das Perguntas Múltipla Escolha:

Exigem pouco tempo para serem respondidas e os


dados recolhidos são processados com facilidade.

Desvantagens das Perguntas Múltipla Escolha:

Existe a possibilidade de receber respostas


incompletas e também facilitam o “famoso Chute”.
Os alunos podem ser induzidos a erro.

Atenção:

A ordem das perguntas, e a quantidade, são fatores importantes, já


que podem afetar o interesse do respondente, afetando, dessa
forma, a qualidade da informação.

Antes de elaborar um questionário para uso em estudos com


abordagem qualitativa, pense sobre os seguintes pontos:

Essa pergunta é necessária?


A pergunta não está ampla?
A pergunta não está excessivamente detalhada?
A pergunta poderia ser dividida em outras perguntas
menores?
As pessoas possuem informações necessárias para
responder a essa pergunta?
As instruções para o preenchimento do questionário
estão claras?
Essa pergunta pode incomodar o respondente?
A pergunta induz a resposta?
Não formule perguntas ambíguas (mais de um significado), pois
isso pode gerar interpretações diferentes. As questões devem ser
elaboradas atendendo ao princípio CCN (AMARO et al., 2005):
Princípio da Clareza – devem ser claras, concisas e unívocas.

Princípio da Coerência – devem corresponder à intenção da própria


pergunta.

Princípio da Neutralidade - não devem induzir uma dada resposta,


mas sim, liberar o respondente para o seu próprio juízo de valor.

Todo questionário deve ser acompanhado de uma Carta


Explicação, que deve conter:

A proposta da pesquisa;
Instruções de preenchimento;
Instruções para devolução;
Incentivo para o preenchimento;
Agradecimento.

Para que as respostas possam ter maior significação é


interessante não identificar diretamente o respondente com
perguntas do tipo NOME, ENDEREÇO, TELEFONE etc., a não ser
que seja necessário.

Questionários pautados na Escala Likert

A Escala Likert é um tipo de instrumento de medição utilizado


em investigações sociais, de marketing e também em estudos com
abordagem quantitativa. Ela mede atitudes. Ela disponibiliza
afirmações, negações ou juízos sobre determinado tema, e solicita
ao respondente uma reação. Exemplos:

Por favor, marque com um X a sua resposta:


A sua escola disponibiliza as facilidades necessárias para o
desenvolvimento das tarefas docentes?

Alternativa A, com as devidas pontuações:


(5) Muito de acordo
(4) De acordo
(3) Nem de acordo, nem em desacordo
(2) Em desacordo
(1) Muito em desacordo

Alternativa B, com as devidas pontuações:

(5) Totalmente de acordo


(4) De acordo
(3) Neutro
(2) Em desacordo
(1) Totalmente m desacordo

Alternativa C, com as devidas pontuações:

(5) Definitivamente sim


(4) Provavelmente sim
(3) Indeciso
(2) Provavelmente não
(1) Definitivamente não

Alternativa D, com as devidas pontuações:

(5) Completamente verdadeiro


(4) Verdadeiro
(3) Nem falso, nem verdadeiro
(2) Falso
(1) Completamente falsa

Para se obter as pontuações na Escala Likert, os valores


apontados em cada frase devem ser somados e multiplicados pelo
valor da escala. Por exemplo:

Imagine que você quis medir a satisfação das pessoas em


relação a uma determinada disciplina. Você usou uma escala de
Likert e pediu para elas dessem uma nota em uma escala de 1 a 5,
em que 1 é muito insatisfeito, 2 é insatisfeito, 3 é nem insatisfeito e
nem satisfeito, 4 é satisfeito e 5 é muito satisfeito. Vamos supor que
você obteve os seguintes resultados:

Nota 1: 10%
Nota 2: 7%
Nota 3: 23%
Nota 4: 48%
Nota 5: 12%

Apenas 12% dos entrevistados deram a nota máxima para a


disciplina. No entanto, se você somar a nota 4 com a nota 5, temos
60% das pessoas dando notas positivas. Ainda que não seja um
resultado muito alto, é um resultado mais positivo do que se você
avaliasse apenas a nota máxima, isoladamente. Portanto, ao
avaliar os resultados de uma escala Likert, leve em conta o bom
senso.

Atenção:

Antes de aplicar o questionário, lembre-se de que o Termo de


Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, deve estar assinado
pelo sujeito do estudo ou do seu responsável, no caso de menor
ou de pessoas com necessidades especiais ou de pessoas
consideradas vulneráveis. É importante conhecer algumas
diferenças relativas à comunicação dos instrumentos “questionário”
e “entrevista”, apresentadas no Quadro 4.

Quadro 4 – Características comunicacionais entre os


instrumentos “entrevistas” e “questionários”
Característic Entrevist Entrevist Questionári
a a Pessoal a por o Fonte: Mattar, 2005
Telefone
Versatilidade Alta Média Baixa 4. Atividades
Custo Alto Médio Baixo Lúdicas
Tempo para Alto Baixo Médio
aplicação Em pesquisas
Controle Alto Médio Baixo com abordagem
amostral
qualitativa, pode-
Quantidade Alta Média Média
se fazer uso de
de dados
atividades lúdicas,
Garantia de Baixa Baixa Média
anonimato como instrumento
Habilidade Alta Alta Baixa para obtenção de
exigida para dados. Entre elas
aplicação destacamos:
Uniformidade Baixa Média Alta
da Vídeo: Apresentar
mensuração um filme sobre
Índice de Alto Alto Baixo determinada
resposta temática
Nível Baixo Baixo Alto relacionada ao
educacional
tema estudo e
exigido dos
respondentes discutir com o
Possibilidade Alta Baixa Baixa grupo envolvido
de na pesquisa. Pode
verificação ser usado em
da Grupos Focais,
sinceridade por exemplo.
das
respostas
Fotografias:
Tamanho da Pequena Grande Grande
Mostrar
amostra
fotografias e fazer
perguntas ou pedir que tirem fotografias que reflitam
determinada situação social.
Teatro: Montar pequenas apresentações teatrais
relacionadas ao tema estudado e depois discutir.

Desenhos: Pedir aos sujeitos da pesquisa que


desenhem algo que represente uma determinada
situação.

Outras

Essas atividades nada mais são do que produtos da vida em


sociedade, daí a sua importância em estudos com abordagem
qualitativa.

No Quadro 5 apresentamos os pontos fortes e fracos das


fontes e instrumentos anteriormente descritos.

Quadro 5 – Pontos fortes e fracos das fontes de dados e


instrumentos de coleta em pesquisas com abordagem qualitativa

Fontes de Dados Pontos Fortes Pontos Fracos


DOCUMENTAÇÃ Estável – pode ser revisada Capacidade de
O várias vezes. recuperação pode ser
Exata – contém nomes, baixa.
referências e detalhes exatos Seletividade
de um evento. tendenciosa, se a
coleta de dados não
Ampla Cobertura – longo for completa.
espaço de tempo, muitos
eventos e ambientes variados. Acesso pode ser
deliberadamente
negado.
OBSERVAÇÕES Realidade – tratam de fatos Consomem muito
em tempo real. tempo.

Contextuais – tratam do Pode gerar dados


contexto do evento. inadequados, pelo
fato do sujeito estar
sendo observado.
Eliminação de dúvidas- pode
ser aprofundada até a
completa eliminação de
qualquer dúvida.
ENTREVISTAS Direcionadas – enfocam Visão tendenciosa,
diretamente o objeto em caso as perguntas
questão. sejam mal
elaboradas.
Perceptivas – fornecem
inferências causais Ocorrem
percebidas. imprecisões, devido a
não lembrança de
algum fato.

Pode ocorrer
reflexibilidade – o
entrevistado fornece
ao entrevistador
aquilo que ele quer
ouvir.
QUESTIONÁRIOS Amplitude – atingimento de Perguntas mal
maior população de estudo. elaboradas podem
levar a um
Conjugação de percepções – desinteresse por
o fato de conter perguntas parte do
abertas e fechadas possibilita respondente.
uma melhor análise do objeto
em questão… Baixo retorno pelo
fato da devolução
não ser obrigatória.
ATIVIDADES Maior percepção – agregada Imprecisão devido a
LÚDICAS a outras fontes, pode gerar não vontade do
maior compreensão sobre sujeito em participar
uma determinada questão. da atividade.
Fonte: Adaptado e ampliado, a partir de YIN (2001).

Principais fontes de erro na coleta de dados:


Fonte: Autores
ETAPA 6.3
Qual a ferramenta mais adequada para ser utilizada na análise dos
dados?

A má informação é mais
desesperadora que a não-
informação.

Charles Colton

Após a coleta de dados, vem a fase muito importante da análise


desses dados. Entre elas destacamos:

Estatística – Aplicada aos estudos com abordagem


quantitativa. Não entraremos em detalhes, por não
estar no contexto do livro.

https://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=7ylrDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT22&dq=m%C3%A9todos
+estatisticos&ots=Kwq1MWE_85&sig=uiJHQxq_8pyOdPJ4FSWpML
wof9s#v=onepage&q=m%C3%A9todos%20estatisticos&f=false

Análise de Conteúdo – o que está sendo dito no texto*


(BARDIN, 2008).

(*) Existem dois tipos de textos: àqueles construídos no processo de


pesquisa, tais como transcrições de entrevista e protocolos de
observação, e textos já produzidos, como notícias de jornais,
revistas, documentos, ou artigos.

A análise de conteúdo é um método que pode ser aplicado tanto na


pesquisa quantitativa como na investigação qualitativa, sendo que,
na primeira, o que serve de informação é a frequência com que
surgem certas características do conteúdo, enquanto na segunda é
a presença ou a ausência de uma dada característica de conteúdo
ou de um conjunto de características num determinado fragmento
de mensagem que é levado em consideração.

Para se aprofundar, ver o artigo:

CAMPOS, C.J.G. Método de Análise de Conteúdo: ferramenta para


a análise de dados qualitativos no campo da saúde. Revista
Brasileira de Enfermagem, Brasília, v.57, n.5, p. 611-640, 2004.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0034-
71672004000500019&script=sci_abstract&tlng=pt

Análise de Discurso – é o como está sendo dito.

A análise do discurso (AD) é uma técnica que consiste em analisar


a estrutura de um discurso, e, a partir disto, compreender as
construções ideológicas presentes no mesmo. As ideologias
presentes em um discurso, oral ou escrito, são diretamente
construídas e influenciadas pelo contexto político-social em que o
seu autor está inserido (ORLANDI, 2005).

Para se aprofundar, ver o artigo:

ORLANDI, E.P. A análise de discurso e seus entremeios: notas a


sua história no Brasil. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas,
SP, v. 42, p. 21-40, 2011

https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8637
139

Discurso do Sujeito Coletivo - visa expressar o


pensamento de uma coletividade, como se esta fosse
a emissora de um discurso (LEFRÈVE et al, 2000).
O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é uma técnica de tabulação e
organização de dados qualitativos, desenvolvido por Lefevre e
Lefevre no fim da década de 1990, e tem como fundamento a
teoria da Representação Social. O DSC é um discurso-síntese
elaborado com partes de discursos de sentido semelhante, por
meio de procedimentos sistemáticos e padronizados . Ele
representa uma mudança nas pesquisas qualitativas porque
permite que se conheça os pensamentos, representações, crenças
e valores de uma coletividade sobre um determinado tema
utilizando-se de métodos científicos.

Para se aprofundar, ver o artigo:

LEFEVRE, F.; LEFEVRE, C.A. Discurso do Sujeito Coletivo:


representações sociais e intervenções comunicativas. Texto &
Contexto Enfermagem, v. 23, n.2, p. 502-507, 2014.

http://www.scielo.br/pdf/tce/v23n2/pt_0104-0707-tce-23-02-
00502.pdf

Interpretação das Falas – interpretação das falas dos


sujeitos, à luz das percepções do pesquisador, tendo
como pano de fundo a revisão de literatura e/ou
referencial teórico adotado. Não segue regras pré-
estabelecidas, como nas técnicas anteriores. A
experiência e expertise do pesquisador são elementos
essenciais para o uso dessa técnica.

Outras.

Qualquer que seja a técnica adotada para a análise dos dados,


não esqueça, de justificá-la, tanto no projeto, como na dissertação
ou tese.

É importante que nessa etapa (análise dos dados), sejam


definidas as categorias analíticas, que têm como objetivos:

Construir uma interface entre a coleta de dados e a


análise;
Delimitar o conjunto da informação que se pretende
analisar;
Rotular as unidades de informação tendo em vista as
necessidades do tratamento analítico.

As categorias podem ser definidas previamente, a partir de


percepções do pesquisador sobre a realidade a ser estudada, ou,
posteriormente, já com os dados disponíveis.

Na interpretação é importante lembrar que o analista é um


intérprete, que faz uma leitura também discursiva influenciada pelo
seu afeto, sua posição, suas crenças, suas experiências e
vivências; portanto, a interpretação nunca será absoluta e única,
pois também produzirá seu sentido.

ETAPA 6.4
Quais são as limitações da pesquisa?

O homem com percepção suficiente


para admitir suas limitações é o que
mais se aproxima da perfeição.

Johann Goethe

Um elemento metodológico importante, e que muitas vezes


passa em branco (não é colocado) por alunos e orientadores no
desenvolvimento de uma dissertação ou tese, é o que chamamos de
“Limitações do Estudo”. Esse elemento deve fazer parte do capítulo
“Desenho Metodológico” e ser adicionado ao seu final, ou seja,
complementando o capítulo.
A descrição detalhada das limitações de um estudo referentes
às características dos sujeitos pesquisados, momento político do
país, ou da instituição pesquisada, que possam de alguma forma,
influenciar nos procedimentos de coleta de dados, alcance dos
resultados, além das dificuldades gerais encontradas ao longo do
estudo, entre outras, são pontos importantes que devem estar
presentes no elemento “Limitações do Estudo”.
A inclusão desse elemento no capítulo “Desenho Metodológico”
não diminui em nada o valor do estudo, pelo contrário, agrega
validade, honestidade e rigor aos procedimentos adotados na
pesquisa.

Atenção:

Sua limitação pode ser a inspiração para outra pessoa (ZANOTTO,


2018).

Para integrar os conteúdos, descritos até aqui, relativos a etapa


6, apresentamos um exemplo de Desenho Metodológico aplicado a
estudos com abordagem qualitativa (COSTA, 2005):
EXEMPLO DE DESENHO METODOLÓGICO

Este capítulo apresenta a metodologia de investigação utilizada.


Optou-se por um estudo teórico-empírico, transversal, que buscou,
por etapas, facilitar o alcance dos objetivos propostos. Ele está
inserido na metodologia descritiva, com abordagem qualitativa, visto
que, pretende construir interpretações a partir das visões que os
sujeitos envolvidos atribuem as suas ações.

O Tipo de Pesquisa

A pesquisa, realizada na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de


Janeiro, no período 2004-2005, constou de um estudo teórico-
empírico, transversal e descritivo. Do ponto de vista epistemológico,
e em função dos objetivos deste estudo e da sua natureza sócio
pedagógica, a opção metodológica adotada enquadra-se no
paradigma qualitativo, apoiado em dados quantitativos que
emergiram ao longo do trabalho.

Foi um estudo teórico-empírico porque visou construir


conhecimento teórico a partir de dados coletados na realidade
estudada (Dencker e Da Viá, 2002; Demo, 2000). Vieira (2002, p.15)
diz que “este é de longe, o caminho mais trilhado para ampliar as
fronteiras do conhecimento...”.

Triviños (1987, p.111) aponta que “a análise qualitativa, pode ter


apoio quantitativo, mas geralmente se omite a análise estatística ou
o seu emprego não é sofisticado”.

Demo (1999, p.36) diz que:

Não faz nenhum sentido desprezar o lado da


quantidade, desde que bem feito. Só tem a ganhar a
avaliação qualitativa que souber cercar-se
inteligentemente de base empírica, mesmo porque
qualidade não é a contradição lógica da quantidade,
mas a face contrária da mesma moeda.

Entendemos que os dados numéricos de uma abordagem


qualitativa, também possuem significados agregados, sendo,
portanto, passíveis de serem interpretados.

O caráter descritivo justifica-se, em função de que a pesquisa


buscou identificar e descrever os significados que os grupos
investigados dão a biossegurança, ou seja, compreender o “vivido”
no seu próprio ambiente, e, além disso, empregou diferentes
métodos para a coleta de dados, ou seja, apreendeu várias
linguagens sobre o objeto de estudo.

A escolha da abordagem qualitativa (Martins, 2004; Turato,


2003; Víctora et al., 2000) deve-se ao fato de estar o tema
selecionado, imbricado com os fatores sociais, políticos, ideológicos,
além dos técnicos, que cercam os seres humanos no interior dos
ambientes de saúde.

Com isto, pudemos apreender os significados que as próprias


pessoas dão à disciplina biossegurança (intenções, atitudes,
crenças, entre outras), o que nos permitiu entrar em dimensões tais
como a subjetividade e a individualidade, características nem
sempre presentes em estudos envolvendo educação e saúde no
campo ocupacional.

Na pesquisa qualitativa, essas dimensões podem ser


apreendidas, e nesse sentido, Freitas (2002, p.24) aponta que
nesse tipo de pesquisa, podemos ter a arte da descrição
complementada pela explicação, e acentua que:

Nessa abordagem a compreensão dos fenômenos se


dá a partir de seu acontecer histórico no qual o
particular é considerado uma instância da totalidade
social. A pesquisa é vista como uma relação entre
sujeitos, portanto dialógica, na qual o pesquisador é
uma parte integrante do processo investigativo”.

Chizzotti (2000, p.80) também aponta para esse sentido, ao


afirmar que “o pesquisador é um ativo descobridor do significado
das ações e das relações que se ocultam nas estruturas sociais”.

A vivência do autor em processos educacionais de


biossegurança em várias instituições de saúde do Brasil, como
docente e coordenador de cursos, também teve um importante
papel no desenvolvimento do processo metodológico.

Bunge (1980) denomina esta vivência pessoal de


“conhecimento ordinário”, não especializado, adquirido mediante a
experiência e que se enriquece ou refuta através da investigação. É
um conhecimento importante em função de haver sido estruturado
no cotidiano do indivíduo, como fruto de observações e reflexões.

Locais da Pesquisa

O ensino da biossegurança foi pesquisado em 6 (seis) cursos da


Fiocruz: Curso Técnico de Laboratório em Biodiagnóstico em
Saúde, Curso Técnico em Vigilância Sanitária e Saúde Ambiental,
Curso de Desenvolvimento Profissional em Boas Práticas de
Laboratório, Curso de Desenvolvimento Profissional em
Biossegurança, Curso de Atualização em Segurança e Saúde em
Almoxarifados, todos esses da Escola Politécnica de Saúde
Joaquim Venâncio (EPSJV), e o Curso Técnico de Pesquisa em
Biologia Parasitária, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A opção por esses locais prende-se ao fato de ser a Fiocruz


uma instituição onde encontramos uma grande variedade de cursos
voltados para o ensino médio na área de saúde e de ser a principal
instituição não-universitária de formação de recursos humanos em
saúde do país.
A Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio é hoje, uma
referência nacional na formação profissional em saúde. Além disso,
é centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para
a educação de técnicos em saúde. O Curso Técnico de Biologia
Parasitária do IOC tem raízes históricas na formação de nível médio
para atividades de pesquisas.

Além disso, a diversidade de perfil dos alunos, a facilidade


operacional e o interesse na pesquisa que os coordenadores dos
cursos selecionados demonstraram, também contribuíram para
essas escolhas.

Sujeitos

Os sujeitos pesquisados compreenderam: alunos dos cursos


selecionados que já cursaram biossegurança, professores de
biossegurança e de outras disciplinas onde a biossegurança estava
de alguma forma, presente transversalmente, e coordenadores dos
cursos envolvidos.

A escolha desses sujeitos foi baseada na procura por indivíduos


sociais que tivessem uma vinculação significativa com o objeto de
estudo.

Participaram também, como fontes de informação, profissionais


de notório saber do campo da educação-trabalho-saúde que
pudessem, de alguma forma, contribuir para o desenvolvimento da
pesquisa.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da


Fundação Oswaldo Cruz (Parecer 260/05), sendo todos os sujeitos
informados sobre as motivações, os objetivos e possíveis aplicações
do estudo, através do próprio pesquisador. Todos concordaram em
participar, não havendo nenhuma recusa.

Amostras / Participantes
A amostra usada (tabela 1), de cunho intencional, e compatível
com a pesquisa qualitativa, foi considerada suficiente, na medida em
que a riqueza do material se mostrou adequada para os
procedimentos metodológicos adotados, e, além disso, os discursos
se tornavam recorrentes, o que Lincoln & Guba (1985, p.235)
denominam de "ponto de redundância”.

Tabela 3.1- Amostras Utilizadas na Pesquisa

Sujeitos Quantidade Fonte: Autores


(n)
Alunos 97 Para Minayo (1995), a
amostra ideal na pesquisa
Professores 12 qualitativa, é a que reflete
Coordenadores 03 o conjunto de suas
múltiplas dimensões, o que
é atendido nesta pesquisa, em função da diversidade de formação e
práticas sociais, dos sujeitos participantes.

Dos 97 alunos pesquisados, 15 oriundos do Curso Técnico em


Vigilância Sanitária e Saúde da EPSJV, participaram da dinâmica
relativa à prática do desenho e não responderam ao questionário e
nem foram entrevistados.
Dos 82 alunos restantes, 24 (29,3%) eram oriundos de cursos
técnicos, 38 (46,3%) de cursos de desenvolvimento profissional, e
20 (24,4%) de cursos de atualização.

Instrumentos de Coleta de Dados

Foram utilizados questionários (Apêndice 1) com perguntas


abertas e fechadas, com o objetivo de apreender as dimensões
pessoais, pedagógicas e profissionais dos sujeitos envolvidos, em
um total de 24 questões, aplicados nos 82 alunos dos cursos
selecionados, no próprio local de aula, e com uma apresentação
prévia dos objetivos do instrumento feita pelo próprio pesquisador, e
algumas vezes pelo coordenador.

A validação do modelo de questionário utilizado foi realizada


com os orientadores e com 7 alunos de um dos cursos técnicos
pesquisados (alunos sem vínculo empregatício) e por 5 alunos de
um dos cursos de desenvolvimento profissional (trabalhadores da
área de saúde), e teve como objetivos, avaliar o nível de
compreensão e operatividade do instrumento.

Os dados oriundos desse pré-teste, não foram considerados


para análise, o que segundo Marconi & Lakatos (2010) é um
procedimento adequado para se evitar “contaminações”.

Os problemas identificados geraram alterações em algumas


questões, o que contribuiu, sobremaneira, para o alcance dos
objetivos da tese.

Utilizou-se, também, entrevistas semiestruturadas (Apêndices 2


e 3), aplicadas a 10 alunos, selecionados aleatoriamente, sendo que
5 alunos eram estudantes e os outros 5, já estavam inseridos no
mercado de trabalho na área de saúde, e também aplicadas a 12
professores envolvidos de alguma forma com o ensino de
biossegurança, e, entrevistas abertas, a 3 coordenadores de cursos.

A entrevista é uma prática discursiva, onde se constroem


versões da realidade. Ela permite a interação do pesquisador com o
entrevistado, o que possibilita captar atitudes e reações,
principalmente os sinais não verbais, como: gestos, risos e silêncios,
que podem possuir significados importantes para a pesquisa
(Duarte, 2004; Minayo, 1995).

A entrevista semiestruturada (Bleger, 1993), oferece ao


pesquisador maior flexibilidade, já que permite intervenções, de
acordo com o seu desenvolvimento.
Minayo (1995) considera a entrevista semiestruturada um
instrumento que possibilita a coleta de informações objetivas, e mais
do que isto, permite captar a subjetividade embutida em valores,
atitudes e opiniões.

Tanto o questionário, quanto a entrevista semiestruturada, foram


elaborados a partir da leitura dos referenciais utilizados, e de
situações que o pesquisador considerou importantes, e
merecedoras de maior entendimento.

Utilizamos também, a técnica do “desenho livre” (Costa et al.,


2004b; Bauer e Gaskell, 2003) em 15 alunos do Curso Técnico de
Vigilância Sanitária e Saúde Ambiental da EPSJV, através da
solicitação a cada um deles, para que desenhasse algo que
representasse a importância da biossegurança. Esses alunos não
participaram do processo de coleta de dados através de
questionários e entrevistas. A aplicação desse instrumento teve
como objetivo a identificação de conceitos importantes apreendidos
pelos alunos sobre a biossegurança.

Não tivemos a intenção de fazer uma análise dos desenhos no


contexto psicológico, mas sim, buscamos identificar representações
sociais, ideológicas, econômicas e técnicas, relacionadas a
biossegurança, ou seja, procuramos analisar os significados, tal
qual, eles se expressavam através da linguagem em questão.

De acordo com Barlow (1994), a linguagem não serve apenas


para a comunicação, ela, também reflete o mundo conceitual do
homem, ou seja, nos impõe uma determinada maneira de ver as
coisas, o que no caso do desenho é visível.

Além desses instrumentos e de observações simples, foram


analisados, documentos oficiais, artigos, livros, revistas, avaliações
de cursos já realizados, entre outras fontes, que, de alguma forma,
pudessem contribuir para o desenvolvimento da tese.
Essa multidiversidade de técnicas de coleta de dados tem sido
indicada como fator de maior agregação de credibilidade às
pesquisas qualitativas (Mays e Pope, 2000).
Análise dos Dados

A característica básica do “dado qualitativo” é a sua inserção no


ambiente natural, isto é, eles não são coletados em ambientes
artificiais, preparados especificamente para estudos ou
experimentos, mas sim, nos próprios locais onde o objeto de estudo
é vivenciado – o seu “habitat”.

Sendo esta pesquisa de cunho qualitativo, torna-se necessário


esclarecer o termo “dados”. Patton (1986, p.22) considera que:

Os dados qualitativos consistem em descrições


detalhadas de situações, eventos, pessoas, interações
e comportamentos observáveis; citações diretas das
pessoas sobre suas experiências, atitudes, crenças e
pensamentos; e resumos ou trechos inteiros de
documentos, correspondência, gravações e história de
vida.

É importante ressaltar, e nessa tese isso é visível, que existem


dados já existentes e os dados produzidos pela pesquisa. Nos
capítulos 1 e 2, trabalhamos com dados já existentes, e que não
estavam devidamente acessíveis e sistematizados. Foi um processo
de busca documental e de experiências vividas pelo próprio autor e
outros profissionais da área. No capítulo 4, trabalhamos com os
dados gerados pelo estudo, a partir do desenho metodológico
estabelecido.

Este portfólio de informações obtidas, através de várias fontes e


instrumentos, favoreceu, sem dúvida, o processo de atingimento dos
objetivos propostos. Triviños (1987, p.138) chama essa combinação
de “triangulação”, que objetiva “abranger máxima amplitude na
descrição, explicação, e compreensão do foco em estudo”.
A análise dos dados, oriundos dos questionários, entrevistas,
observações simples e desenho livre, assim como dos dados já
existentes (capítulos 1 e 2) foi realizada à luz do contexto
multirreferencial (Arduíno, 1998, p.205), o que enriqueceu,
sobremaneira, a base de sustentação da tese, já que possibilitou o
cruzamento de múltiplos pontos de vista para a compreensão do
objeto de estudo. Para este autor, multirreferencialidade é:

Pluralidade de visões dirigidas a uma


realidade e, em segundo lugar, uma
pluralidade de linguagens para
traduzir esta mesma realidade e os
olhares dirigidos a ela”.

Esta forma analítica está de acordo com Lefebvre (citado por


Tavares, 1998) que "recomenda a articulação de referenciais
teóricos com dados extraídos do campo para um trabalho
consistente que aponta para o novo e que contém o possível (p.65)”.

Gore (citado por Moreira 1999, p.28) aponta para o fato de que:
Qualquer projeto educativo se
materializa em atividades
localizadas, vivenciadas por sujeitos
específicos, espacial e
temporalmente situados, e que
contempla, além das desigualdades,
as múltiplas vozes.

A análise desses dados foi realizada buscando-se identificar


sempre o mais significativo dentre as respostas obtidas com os
sujeitos da pesquisa. Não foi nosso objetivo realizar uma análise de
discurso, mas sim, sucessivas leituras interpretativas dos dados
gerados.
Como dito anteriormente, objetivamos compreender o “vivido” tal
como ele se apresenta na sua “vivência”, através das relações
dialógicas estabelecidas entre os sujeitos, e onde o pesquisador se
insere (Bakhtin, 1997; Ludke e André, 1986).

Categorias Analíticas Selecionadas

A categorização, ou seja, a integração de elementos que


possuem atributos comuns, permitindo, dessa forma, a organização
das informações e consequentemente uma melhor compreensão do
objeto de estudo, foi realizada a partir de três conjuntos analíticos,
cada um deles composto de subcategorias:

Perfil pessoal e profissional dos alunos - gênero, faixa


etária, formação profissional, área de atuação, vínculo
empregatício, e características docentes.

Aspectos pedagógicos sobre ensino-aprendizagem da


biossegurança – carga horária, percepções sobre a
biossegurança, objetivos de ensino, conteúdos,
metodologia, meios de ensino, atividades de
experimentação, processo comunicacional, discursos
utilizados, dificuldades de aprendizagem, e avaliação.

Ensino da biossegurança e linguagem gráfica –


desenho livre

Víctora et al. (2000, p. 123) dizem que:

Quando uma pesquisa propõe


categorias de análise que ajudam na
compreensão da realidade, a ciência
avança. Mesmo que essas
categorias possam ser provisórias e
que possam brevemente ser
substituídas por outras mais
exaustivas e adequadas, elas
qualificam e conferem sentido à
pesquisa.

Em todos os momentos da pesquisa, buscamos identificar


o que estava por trás dos conteúdos manifestados pelos
sujeitos investigados, ou seja, procuramos ir além das
aparências daquilo que estava sendo comunicado. Além disso,
a criatividade do pesquisador, isto é, a marca pessoal e
específica na maneira de articular teoria e métodos, também foi
respeitada.

As Limitações da Pesquisa

Em nenhum momento, tivemos a intenção de avaliar


e/ou comparar os cursos selecionados, mas sim,
estudar as características do ensino de biossegurança
nesses cursos;

Os resultados obtidos neste estudo, embora não


tenham características de generalização, podem ser
usados como elementos norteadores para novas
pesquisas no campo do ensino-aprendizagem da
biossegurança em espaços formais e não formais, já
que o rigor da pesquisa qualitativa vem da solidez dos
laços estabelecidos entre nossas interpretações
teóricas e nossos dados empíricos (Martins, 2004);

A metodologia utilizada articulou o corpo teórico com


os procedimentos adotados, o que consideramos
adequado para a apreensão da realidade social
constituída como objeto de estudo, embora, as
incertezas contidas em seu interior, que fazem parte da
própria complexidade temática investigada, possam
estar presentes.
Obs.: Para acesso a tese integral, acessar:

https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/19555

ETAPA 6.5
Quais são as condições éticas que devem ser observadas na investigação?

Nosso caráter é o resultado da nossa conduta.

Aristóteles

Características que deve possuir uma pesquisa:

Essas características são básicas em qualquer desenvolvimento de uma pesquisa, e também


estão no rol daquelas pertinentes a ÉTICA, expresso nos seguintes princípios:

Autonomia – Proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes.

Não Maleficência – Garantia de que danos previsíveis serão evitados.

Beneficência – Riscos e benefícios serão expressamente declarados.

Justiça – Garantir a igual consideração dos interesses envolvidos.

Alguns exemplos da ética na pesquisa:

1. Na elaboração do projeto

Apropriação de ideias alheias, sem o devido crédito; iniciar o estudo sem aprovação de um
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP), ou Comitê de Ética no Uso de Animais
(CEUA), se for o caso.

Sobre CEP e CEUA

Todo estudo para ser iniciado deve passar antes pela avaliação de um Comitê de Ética em
Pesquisas com Seres Humanos (CEP).

A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP- é uma comissão do Conselho Nacional de


Saúde - CNS, criada através da Resolução 196/96 e com constituição designada pela Resolução
246/97, com a função de implementar as normas e diretrizes regulamentadoras de pesquisas
envolvendo seres humanos, aprovadas pelo Conselho. Tem função consultiva, deliberativa, normativa
e educativa, atuando conjuntamente com uma rede de Comitês de Ética em Pesquisa - CEP-
organizados nas instituições onde as pesquisas se realizam.
A CONEP e os CEP têm composição multidisciplinar com participação de pesquisadores,
estudiosos de bioética, juristas, profissionais de saúde, das ciências sociais, humanas e exatas e
representantes de usuários.

Se a pesquisa envolver animais, deve passar antes pela avaliação de uma Comissão de Ética no
Uso de Animais (CEUA).

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – CONCEA no âmbito do Ministério


da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC, foi criado pela Lei n.º 11.794, de 08 de
outubro de 2008, como instância colegiada multidisciplinar de caráter normativo, consultivo,
deliberativo e recursal, a quem compete normatizar o uso de animais em ensino ou pesquisa
científica, principalmente, no que concerne ao controle das instituições que criam, mantêm ou utilizam
animais para ensino ou pesquisa científica no País.

RESOLUÇÃO CNS Nº 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012

Esta Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, referenciais da bioética,
tais como, autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade, dentre outros, e visa a
assegurar os direitos e deveres que dizem respeito aos participantes da pesquisa, à comunidade
científica e ao Estado. Projetos de pesquisa envolvendo seres humanos deverão atender a esta
Resolução.

RESOLUÇÃO CNS Nº 510, DE 7 DE ABRIL DE 2016

Esta Resolução dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e


Sociais, cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos
com os participantes ou de informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores do
que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nesta Resolução. Aplica-se a estudos com
abordagem qualitativa.

2. No desenvolvimento da pesquisa

Produção de resultados não pautados em dados da pesquisa; citações sem as devidas fontes
(plágio); uso inadequado de recursos financeiros.

Autoplágio é Plágio? (Adaptado de GIMENEZ et al., 2015)

A palavra autoplágio é um oximoro, isto é, representa a união de termos contraditórios,


conflitantes, pois significa plagiar a si mesmo, e também não figura no Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Além disso, no campo jurídico não existe essa
figura.

No Brasil, o plágio (WACHOWICZ; COSTA, 2016) é a violação aos direitos de autor e aos direitos
conexos prevista no artigo 184 do Código Penal, conforme segue:

Violar direitos de autor e os que lhe são conexos e cuja sanção é a detenção de 3
meses a 1 ano, ou multa.

No entanto, segundo o artigo 5º, inciso XXVII, da Constituição Federal:

Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de


suas obras [...].
Enquanto o artigo 22 da Lei nº 9.610/1998 (Lei de Direitos Autorais) dispõe que

Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.

Portanto, à luz da interpretação dos dispositivos legais anteriormente citados, é possível


concordar com Chrousos et al. (2012) e entender que o autoplágio realmente representa um
paradoxo conceitual, pois o autor detém os direitos sobre as suas criações, e ao se autoplagiar, ele
é ao mesmo tempo a vítima e o ofensor.

Spinak (2013: s.p.) diz que:

Pode um autor “plagiar” a si mesmo? Isso soa um pouco absurdo, é como se uma
pessoa entrasse em sua casa pela janela e fosse acusado de roubar sua própria
casa. Do ponto de vista dos direitos do autor, não parece ser um crime, mas do
ponto de vista da integridade acadêmica é considerado antiético ou má conduta.

Algumas orientações, de acordo com Miguel Roig (2010, 2005, 2002) para que os autores
evitem o autoplágio:

O autor deve indicar no manuscrito se os dados, revisões e conclusões já foram


publicados em outro artigo ou apresentação em conferência, tese, ou pela Internet;.

Estabelecer um mínimo de inovação para um trabalho em relação aos trabalhos


anteriores do mesmo autor. Ou seja, o “autoplágio” não deve exceder a 30% do
novo trabalho.
Como planejar o cronograma na fase de projeto?

Com organização e tempo, acha-se o


segredo de fazer tudo e bem feito.

Pitágoras

A palavra cronograma tem origem no grego, onde khronos


significa "tempo" e gramma significa "alguma coisa escrita ou
desenhada". É uma ferramenta de gestão de atividades
normalmente em forma de tabela, que também contempla o tempo
em que as atividades vão se realizar. É uma representação gráfica
do tempo investido em uma determinada ação.

Um cronograma, portanto, é a previsão dos passos que serão


dados para se localizar as fontes de informação, selecionar as
técnicas de coleta de dados realizar o trabalho de campo, processar
a informação, entre outros procedimentos.

É o último item a ser apresentado no projeto, e deve conter uma


adequada distribuição de tempo, especificar as diferentes etapas do
trabalho de forma – mensal, trimestral ou anual, e permitir a
realização de ajustes, sempre que for necessário. Exemplo de um
cronograma de TCC:
Fonte: http://sqconsultoria.blogspot.com/
Apresentação e defesa da monografia

Comunicação não é o que você fala,


mas o que o outro compreende do
que foi dito.

Claudia Belucci

A apresentação deve ser realizada de forma sintética,


procurando realçar as partes mais importantes do trabalho. Não
perca tempo falando coisas que a banca de avaliação já conhece.
Se detenha mais nos resultados e na sua análise. Quanto ao tempo
de exposição, também é variado, em função de cada instituição.
Geralmente em cursos de especialização a apresentação deve ser
realizada em até 20 minutos. Para cursos de mestrado e doutorado,
varia entre 30 e 50 minutos.

Lembre-se de que às apresentações via Power-Point ou outro


software similar, não devem conter muito texto, mas sim, parágrafos
curtos, roteiros, esquemas, gráficos, entre outros. Não coloque
tabelas com muitos dados (a legibilidade torna-se difícil). Utilize
tamanho de letra compatível (nunca inferior à caixa 14). Imagens
animadas podem ser usadas, desde que não haja excesso, para
não tirar a atenção.
Como os resultados do estudo serão divulgados?

[...] sem informação, a ciência não


pode se desenvolver e viver. Sem
informação a pesquisa seria inútil e
não existiria o conhecimento. Logo,
[...] a informação só interessa se
circula, e, sobretudo, se circula
livremente (Le COADIC, 1996, p. 27
– extraído de TARGINO, 1999/2000).

A divulgação de resultados de uma pesquisa, por qualquer meio


que seja, deve respeitar os princípios éticos que regem a prática da
atividade de pesquisa.

No caso de dissertações e teses, a divulgação pode ocorrer via


participação em eventos científicos, como congressos, seminários,
entre outros, na forma de resumos, artigos completos,
apresentações orais, entre outras, e também na forma de artigos
científicos, publicados em revistas indexadas na área do estudo.
Que referências serão utilizadas na proposta de pesquisa?

É bom ter livros de citações.


Gravadas na memória, elas inspiram-
nos bons pensamentos.

Winston Churchill

Os projetos de trabalhos monográficos de graduação,


especialização, mestrado (dissertação) e doutorado (tese), além de
artigos, livros, relatórios, entre outros, devem, necessariamente,
trazer listados todos os documentos pesquisados e que tenham sido
citados pelo autor ao longo do texto.

Outras fontes que tenham sido consultadas, mas que não


tenham sido citadas, poderão constar como Bibliografia Consultada,
ou simplesmente Bibliografia, e devem ser colocadas depois da
seção Referências Bibliográficas.

Referências: Conjunto padronizado de elementos descritivos


retirados de um documento que permite a sua identificação (NBR
6023, 2018, p. 2).

Existem várias formas (modelos) de apresentação das referências


bibliográficas:

Modelo ABNT 6023 / 2018 (Associação Brasileira de


Normas Técnicas)

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão


responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base
necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É uma
entidade privada, sem fins lucrativos, e reconhecida como Fórum
Nacional de Normalização, através da Resolução Nº 07 do
CONMETRO, de 24.08.1992. É membro fundador da ISO
(International Organization for Standardization), da COPANT
(Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN
(Associação MERCOSUL de Normalização).

Modelo APA (American Psychological Association)

O modelo APA (American Psychological Association) é um estilo de


normalização também bastante utilizado no Brasil, principalmente
em trabalhos na área das ciências humanas

Modelo MLA (Modern Language Association

O modelo MLA (Modern Language Association) é um estilo de


normalização de citações e referências bibliográficas adotado nas
áreas de ciências humanas. É pouco utilizado no Brasil.

Modelo ISO 690-2 (International Standardization


Organization)

Pela sua especificidade, os documentos eletrônicos, como:


páginas Web, listas de discussão, artigos de newsgroups,
mensagens de correio eletrônico, entre outros, não se
enquadravam bem nos modelos de normalização existentes.
Visando harmonizar os procedimentos de referenciação, a
International Standardization Organization (ISO) criou em 1997 a
norma para as referências bibliográficas de documentos
eletrônicos, designada por ISO 690-2. Atualmente os demais
modelos de normalização de referências já incorporaram esses
critérios.

Modelo Vancouver
O modelo Vancouver foi elaborado pelo Comitê Internacional de
Editores de Revistas Médicas (ICMJE) e baseia-se no padrão
ANSI, adaptado pela U.S. National Library of Medicine, e adotado
em inúmeros periódicos de pesquisas biomédicas.

Obs. ANSI - American National Standards Institute (Instituto


Nacional Americano de Padronização)

Outras

Atenção:
Para acesso a essas normas, entrar no Google e colocar os
respectivos descritores.
A Redação Científica

Uma palavra escrita é semelhante a


uma pérola.

Johann Goethe
Uma monografia deve ser escrita com:

OBJETIVIDADE

Evite termos jornalísticos ou frases de efeito.

ESTILO

Não utilize gírias ou expressões populares.

CLAREZA E CONCISÃO

Evite frases longas. Prefira frases curtas.

MODÉSTIA E CORTESIA

Críticas a autores devem ser feitas com cortesia.


Agradeça a quem colaborou em seu trabalho.

Alguns Cuidados Gerais:

Bloque os parágrafos, isto é, dê um espaço maior


entre a última linha de um parágrafo e a primeira de
outro. Essa disposição descansa a vista do leitor;

Evite palavras inteiras com letras maiúsculas no meio


do texto, ou em negrito, ou sublinhada, como forma de
chamar a atenção do leitor. Esta deve ser aguçada
pelo conteúdo do texto;

Evite o uso de parênteses, que cansam o leitor;

Evite o uso da expressão etc., porque nela cabe tudo e


seu trabalho perde muito da precisão perseguida;
Siglas devem ser grafadas com letras maiúsculas
quando não formam um acrônimo. Exemplo: FGV,
DNER, ONGs. Se formarem um acrônimo, apenas a
inicial deve ser maiúscula. Exemplo: Sudene, Unesco,
Ebape, Petrobras.

Obs.: Características estéticas (formatação), modelos de citação e


referenciação, e número de páginas, variam em função do periódico
científico selecionado e/ou da instituição do programa, no caso de
monografias. A revisão final do português é acentuadamente
recomendável.
Sobre Elementos Ilustrativos

A criatividade é a inteligência se
divertindo.

Albert Einstein

Tabelas quadros e figuras (fotos, gráficos, mapas, desenhos,


plantas, gravuras) são elementos ilustrativos que servem para
organizar e possibilitar a interpretação do trabalho desenvolvido, de
forma clara e objetiva (IBGE, 1993).

IMPORTANTE: Mesmo sendo esses elementos ilustrativos, os


mesmos devem ser discutidos no texto.

Tabela: As tabelas geralmente mostram valores numéricos, e os


dados são ordenadamente dispostos em linhas e colunas,
facilitando sua comparação.

O título da tabela deve ser breve, claro e explicativo. Deve ser


colocado acima da tabela.

As tabelas devem ser citadas no parágrafo anterior à sua


apresentação, com algarismos arábicos (exemplo: conforme Tabela
1).

Todas as tabelas devem ter as fontes (origem dos dados), colocados


na parte inferior. Quando os dados forem do próprio autor, colocar
“Dados da pesquisa”.

As laterais de uma tabela devem ser abertas. Caso utilize alguma


abreviatura, unidade de medida, símbolos, ou escalas na tabela,
colocar o seu significado, também na parte inferior.
Exemplo de Tabela:
Outro exemplo:

Quadro: Os quadros são arranjos de palavras dispostas em linhas e


colunas, com ou sem indicação de dados numéricos.
Diferenciam-se das tabelas por apresentarem um teor esquemático
e descritivo, e não estatístico. A apresentação dos quadros é
semelhante à das tabelas, exceto pela colocação dos traços
verticais em suas laterais. Todas as tabelas devem ter as fontes
(origem dos dados), colocados na parte inferior. Quando os dados
forem do próprio autor, colocar “Dados da pesquisa”.

Exemplo de Quadro:

Quadro 4.2 - Objetivos e Respectivos Métodos e Técnicas de


Ensino

Transmitir Aula Expositiva


Informações
Conseguir que os Perguntas e
alunos Respostas
expressem suas Trabalho em
opiniões Grupo
Brainstorming
Solucionar Técnica de
Problemas Solução de
Problema
Trabalho em
Grupo
Brainstorming
Desenvolver a Estudo Dirigido
Capacidade Trabalho em
Analítica e de Grupo
Compreensão
Desenvolver a Perguntas e
Capacidade de Respostas
Verbalização Trabalho em
Grupo
Formar Instrução
Conceitos Programada
Estudo Dirigido
Brainstorming
Desenvolver a Estudo Dirigido
Capacidade de
Compreensão de
Textos
Desenvolver Estudo Dirigido
Habilidades Trabalho em
Criativas Grupo
Fonte: Piletti, 2000.

Outro exemplo:

Quadro 1.1 - Definições de Biossegurança em Diversos Contextos

A biossegurança é o Teixeira &


conjunto de ações Valle, 1996
voltadas para a
prevenção,
minimização ou
eliminação de riscos
inerentes às atividades
de pesquisa,
produção, ensino,
desenvolvimento
tecnológico e
prestação de serviços,
visando à saúde do
homem, dos animais, a
preservação do meio
ambiente e a
qualidade dos
resultados.
Segurança no manejo Brener,
de produtos e técnicas 1996
biológicas.
Conjunto de medidas Costa, 1996
técnicas,
administrativas,
educacionais, médicas
e psicológicas,
empregadas para
prevenir acidentes em
ambientes
biotecnológicos.
Procedimentos Fontes et
adotados para evitar al., 1998
os riscos das
atividades da biologia
Fonte: Costa (2005)

Figuras: As figuras podem ser: um desenho, um gráfico, uma foto,


um diagrama, entre outros O título da figura deve ser colocado
embaixo da figura, numerado com algarismos arábicos (exemplo:
Figura 1).

Quaisquer outras informações necessárias para esclarecimentos da


figura (como unidade de medida, símbolos, escalas e abreviaturas),
devem ser colocadas na parte inferior. Todas as tabelas devem ter
as fontes (origem dos dados), colocados na parte inferior. Quando
os dados forem do próprio autor, colocar “Dados da pesquisa”.

Exemplo de Figura:
Outro exemplo:
Figura 2 – Capas dos livros publicados pelos profissionais
do Latec / EPSJV, no período de
1996 a 2005
Fonte: Costa (2005)

Finalizando

Este livro, compacto e objetivo, foi idealizado pelos autores, com


o intuito de favorecer a compreensão dos principais elementos
metodológicos que devem estar presentes em um trabalho
monográfico, seja de cursos técnicos, de graduação, especialização,
mestrado ou doutorado.

Seu foco na abordagem qualitativa, buscou atender a inúmeras


dúvidas de alunos vivenciadas ao longo da nossa experiência
docente.

Portanto, é um livro básico que propicia aos leitores informações


úteis para o desenvolvimento dos seus trabalhos de pesquisa, e
para àqueles que desejam se aprofundar no tema, recomendamos a
leitura de obras específicas.

Os Autores
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ELETRÔNICOS – E-BOOKs
(Disponíveis em www.amazon.com.br)

Biossegurança de A a Z
Entendendo a Biossegurança
Metodologia da Pesquisa: perguntas e respostas
Elaboração de Textos Científicos: um guia prático
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