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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE LETRAS E ARTES


FACULDADE DE LETRAS
DEPARTAMENTO DE LETRAS NEOLATINAS
Especialização em Literaturas Hispano-americanas

Disciplina: Metodologia do Trabalho Científico


Código: LEN 607

EMENTA: Tópicos específicos de narrativa Hispano-Americana contemporânea. Tipos e abordagens de pesquisa.


Fichamento, resumo e resenha. Normalização dos trabalhos acadêmicos segundo a ABNT. Aspectos
teórico-práticos sobre planejamento de pesquisa. Análise e reflexão de textos acadêmico-científicos com
a finalidade de aplicar conhecimentos referentes à metodologia da pesquisa na produção de artigo
científico sobre os processos de representação envolvidos nos Estudos. Noções gerais sobre a estrutura
de resenha crítica. Definição e justificativa de Projeto de Pesquisa Tese. Recorte do objeto de estudo.
Apresentação do problema. Construção de hipóteses. Determinação dos objetivos, linha teórica e proposta
metodológica. Levantamento bibliográfico. Estabelecimento de um cronograma.

PROPOSTA DO CURSO: Tópicos específicos de narrativa Hispano-Americana contemporânea. Pensar A


LITERATURA DE SUJEITOS E GRUPOS ALTERIZADOS: figuração dos infames (trabalhadores, mulheres e
crianças, pobres, negros, loucos e migrantes). Marginais, periféricos e subalternos.

“Como outros objetos de investigação recentes, o quotidiano tem também uma história, no
seio da ciência histórica. (...) Nasce, como a «pequena história», do desejo de encontrar um
contraponto para os fatos da «grande história», da tendência para dar lugar na história aos homens
sem qualidade, do gosto por um certo exotismo.” LE GOFF, Jacques. A história do quotidiano. In: DUBY,
Georges et al. História e Nova História. Trad. Carlos da Veiga Ferreira. 3ª ed. Lisboa: Teorema, 1994, p. 87. (85-
96)

“No âmbito do movimento de renovação e redescobertas que marcou os caminhos do


conhecimento histórico a partir dos anos 1960, Michel Foucault desempenhou, sem dúvida, papel
decisivo na incorporação de temas e abordagens ausentes ou secundarizados pelos historiadores. Sua
contribuição foi fundamental para que o louco, a prostituta, o prisioneiro, enfim, os personagens à
margem da história passassem a ser reconhecidos entre seus protagonistas.” (ENGEL, Magali Gouveia.
Prefácio. In: LOBO, Lilia Ferreira. Os infames da história: pobres, escravos e deficientes no Brasil. Rio de Janeiro:
Lamparina, 2008, p. 15.)

“Existências infames: sem notoriedade, obscuras como milhões de outras que desapareceram
e desaparecerão no tempo sem deixar rastro – nenhuma nota de fama, nenhum feito de glória,
nenhuma marca de nascimento, apenas o infortúnio de vidas cinzentas para a história e que se
desvanecem nos registros porque ninguém as considera relevantes para serem trazidas à luz. Nunca
tiveram importância nos acontecimentos históricos, nunca nenhuma transformação perpetrou-se por
sua colaboração direta. Apenas algumas vidas em meio a uma multidão de outras, igualmente infelizes,
sem nenhum valor.” (LOBO, Lilia Ferreira. Os infames da história: pobres, escravos e deficientes no Brasil. Rio
de Janeiro: Lamparina, 2008, p. 17.)

1a AVALIAÇÃO (1,5 ponto)

FICHAMENTO de 7 dos textos listados a seguir. (Data de entrega: 6 de JUNHO de 2022).


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ACHUGAR, Hugo. Espaços incertos, efêmeros: reflexões de um planeta sem boca. In: Planetas sem boca: escritos efêmeros
sobre arte, cultura e literatura. Trad. Lyslei Nascimento. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006, p. 9-26.

ACHUGAR, Hugo. Sobre o “balbucio teórico” latino-americano. In: Planetas sem boca: escritos efêmeros sobre arte, cultura
e literatura. Trad. Lyslei Nascimento. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006, p. 27-51.

BERNARDINO-COSTA, Joaze, GROSFOGUEL, Ramón. Decolonialidade e perspectiva negra. Sociedade e Estado, vol.
31, n. 1, p. 15-24, jan. /abr. 2016.

DALCASTAGNÈ, Regina. A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-2004. Estudos de Literatura Brasileira
Contemporânea, n. 26. Brasília, julho-dezembro de 2005, p. 13-71.

DALCASTAGNÈ, Regina. Quando o preconceito se faz silêncio: relações raciais na literatura brasileira contemporânea.
Gragoatá, n. 24. Niterói, 1. sem. 2008, p. 203-219.

KILOMBA, Grada. A máscara. Trad. Jessica Oliveira de Jesus. Cadernos de Literatura em Tradução (Especial “Negritude e
Tradução”), n. 16, p. 171-180, 2016.

KRAPP, Juliana. A invisibilidade do subúrbio carioca na prosa contemporânea. In: NOVAES, Aline da Silva, KRAPP,
Juliana, LOBO, Rosana Corrêa, org. Rio circular: a cidade em pauta. Rio de Janeiro: Autografia, 2016, p. 308-323.

LUDMER, Josefina. Literaturas pós-autônomas. Ciberletras - revista de crítica literaria y de cultura, n. 17, p. 01-06, julho de
2007.

LUDMER, Josefina. La ciudad: en la isla urbana. In: ___. Aquí América Latina: una especulación. Buenos Aires: Eterna
Cadencia, 2010, pp. 127-148.

PIMENTEL, Ary. Editoras cartoneras e a literatura fora do cânone: um olhar crítico para as margens do mundo editorial.
Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 62, p. 1-14, 2021. Disponível em:
https://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/37421

PISANO, Margarita. El triunfo de la masculinidad. Santiago de Chile: Surada Ediciones, 2001. (“O triunfo da masculinidade”.
Texto em português traduzido pelo grupo Estudos no Brejo.)

SARLO, Beatriz. A cidade vista: mercadorias e cultura urbana. Trad. Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2014. (1
capítulo)

SARLO, Beatriz. Jorge Luis Borges, um escritor na periferia. Trad. Samuel Titan Jr. São Paulo: Iluminuras, 2008. (1 capítulo)

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Central do Brasil: uma linha simbólica que separa e une subúrbios e centro. In: ___. Lima
Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia da Letras, 2017, p. 162-187.

XAVIER, Giovana. Entre personagens, tipologias e rótulo da “diferença”: a mulher escrava na ficção do Rio de Janeiro
no século IX. In: XAVIER, Giovana, FARIAS, Juliana Barreto, GOMES, Flavio, orgs. Mulheres negras no Brasil escravista e
no pós-emancipação. São Paulo: Selo Negro, 2012, p. 67-83.

VANOLI, Hernán; VECINO, Diego. Subrepresentación del conurbano bonaerense en la “Nueva Narrativa Argentina”:
Ciudad, peronismo y campo literario en la Argentina del bicentenario. Apuntes de investigación del CECYP, n. 16-17, p. 259-
274, 2010.

ZEA, Leopoldo. Discurso desde a marginalização e a barbárie; seguido de A filosofia latino-americana como filosofia pura simplesmente.
Trad. Luis Gonzalo Acosta et al. Rio de Janeiro: Garamond, 2005. (1 capítulo)

2ª AVALIAÇÃO (2,5 pontos)

RESENHA CRÍTICA sobre o romance Cometerra, de Dolores Reyes. Formato: 3 a 4 páginas em formato A-4, espaço
1,5, fonte Times New Roman, corpo 12. (Limites: de 1.250 a 1.600 palavras). Os limites propostos, número mínimo e
3

máximo de palavras, devem ser rigorosamente respeitados. (Data limite de envio do trabalho: 23 DE MAIO DE 2022.
NÃO SERÃO RECEBIDOS OS TRABALHOS ENVIADOS APÓS ESSA DATA.). As características gerais da resenha
serão discutidas em aula, devendo o trabalho ser elaborado obrigatoriamente a partir das instruções dadas nos encontros
remotos.

OBS.:
Enviar a resenha, segundo as instruções dadas em aula, para o e-mail informado a seguir. O texto deve ser enviado em
arquivo “doc” ou “docx”, obrigatoriamente como anexo ao e-mail, para o endereço sycoraxcaliban2018@gmail.com,
até o dia 23 de MAIO de 2022, impreterivelmente.
O arquivo a ser anexado, que corresponderá ao texto integral e final do trabalho a ser a apresentado, deverá ser nomeado
com a seguinte estrutura: nome e sobrenome principal do autor, separados por underline, seguido de número de DRE,
como por exemplo:
<Nome+underline+Sobrenome+DRE+ponto+doc> ou <Bruno_Melo_108092959.doc>.
Em assunto, na mensagem, indicar: RESENHA LIT HISP 2022 I - BRUNO MELO.

OBS.: Os trabalhos que não forem enviados até a data limite de 23 DE MAIO DE 2022 não serão considerados para
a composição da nota.

3ª AVALIAÇÃO (6 pontos)

PROJETO DE PESQUISA construído em torno da sub-representação de grupos alterizados no conto, no


romance ou na poesia falada hispano-americana. (Data limite para entrega: 25 de JULHO de 2022. Não serão
recebidos os trabalhos enviados após essa data.)

(FORMATO PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHO FINAL: 10 a 15 laudas em papel A-4, espaço 1,5, fonte Times
New Roman, corpo 12, seguindo as normas da ABNT. Os limites propostos (número mínimo e máximo de páginas)
devem ser respeitados.
Enviar a Projeto de Pesquisa, segundo as instruções dadas em aula, para o e-mail informado a seguir. O Projeto deve ser
enviado em arquivo “doc” ou “docx”, obrigatoriamente como anexo ao e-mail, para o endereço
sycoraxcaliban2018@gmail.com )

OBS. 1: Cada estudante deve procurar o professor durante os dois primeiros meses de aula para discutir o tema
da pesquisa. No meio do período, deve ser enviado ao professor um esboço com a ideia central a ser
desenvolvida no trabalho e a bibliografia selecionada para o mesmo. A data limite para o envio do primeiro
esboço do Projeto é 6 de JUNHO de 2022, e a versão final deverá ser entregue no máximo até o dia 25 de
JULHO de 2022. A não apresentação do esboço do Projeto no prazo devido deriva na perda de um terço
(dois pontos) da nota final da monografia. O tema, a abordagem, a primeira versão da Apresentação, a
primeira versão dos Objetivos e a bibliografia devem integrar o esboço do Projeto.

OBS. 2: Os trabalhos que não forem enviados até a data limite não serão considerados para a composição da
nota.

1º semestre de 2022

Professor: Ary Pimentel


sycoraxcaliban2018@gmail.com

A função da arte / 1

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
4

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na
frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
— Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano (O livro dos abraços, p. 15)

Celebração das contradições / 2

Desamarrar as vozes, dessonhar os sonhos: escrevo querendo revelar o real maravilhoso, e descubro o real
maravilhoso no exato centro do real horroroso da América.
Nestas terras, a caça do deus Elegguá leva a morte na nuca e a vida na cara. Cada promessa é uma ameaça: cada
perda, um encontro. Dos medos nascem as coragens; e das dúvidas, as certezas. Os sonhos anunciam outra realidade
possível e os delírios, outra razão.
Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha
na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia.
Nessa fé, fugitiva, eu creio. Para mim, é a única fé digna de confiança, porque é parecida com o bicho humano,
fodido mas sagrado, é a louca aventura de viver no mundo.
Eduardo Galeano (O livro dos abraços, p. 123)

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