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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

TEMA: Teorias Sociológicas Contemporâneas E Teorias Sociológicas da Interacção


Social

Nome da docente: Lurdes João Jeque Vasco

Nome do estudante: Nelson Pedro Tomas,

Curso: Licenciatura em Administração Publica

Disciplina: Sociologia Geral


Ano de frequência: 1˚ Ano

Chimoio, Novembro de 2021


Folha de feedback

Classificação
Categorias Indicadores
Padrões Pontuação Nota
do Subtotal
máxima
tutor
Capa 0.5

Índice 0.5

Aspectos Introdução 0.5


Estrutura
organizacionais Discussão 0.5

Conclusão 0.5

Bibliografia 0.5

Conteúdo Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Introdução
Descrição dos objectivos 1.0

Metodologia adequada ao
2.0
objecto do trabalho
Análise e Articulação e domínio do
discussão discurso académico
(expressão escrita
cuidada, coerência / 2.0
coesão textual)

Revisão bibliográfica
nacional e
internacionais 2.
relevantes na área de
estudo

Exploração dos dados 2.0

Página 2
Contributos
Conclusão 2.0
teóricos práticos

Paginação, tipo e tamanho


Aspectos de letra, paragrafo,
Formatação 1.0
gerais espaçamento entre
linhas
Normas APA 6ª
Referências edição em Rigor e coerência das
4.0
Bibliográficas citações e citações/referências
bibliografia bibliográficas

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Recomendações de melhoria:

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Índice
I. Introdução.................................................................................................................................6
1.1. Objectivo Geral.................................................................................................................6
1.2. Objectivos específicos.......................................................................................................6
1.3. Metodologia......................................................................................................................7
1.4. Estrutura do Trabalho............................................................................................................7
II. Revisão Bibliográfica...............................................................................................................8
2.1. Teoria Sociológica Contemporânea......................................................................................8
2.1.1. A Teoria Funcionalista..............................................................................................9
2.1.2. Teoria Voluntarista da Acção..................................................................................13
2.1.3. Teoria de voluntarista de acção de acordo com Durkheim......................................13
2.1.4. Teoria de voluntarista de acção de acordo Parsons.................................................16
2.2. Teorias Sociológicas da Interacção Social......................................................................18
2.3. A Importância da interacção social no dia á dia nas relações entre os indivíduos..........18
2.4. Interacionismo simbólico................................................................................................19
2.5. Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman...............................................21
III. Conclusão...........................................................................................................................24
IV. Referências Bibliográfica........................................................................................................25

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I. Introdução
O presente trabalho visa abordar sobre as teorias sociológicas contemporâneas e teorias
sociológicas de interacção. Sociologia contemporânea nos remete a um constante diálogo com as
teorias sociais fundadoras das ciências sociais, mostrando-nos que se o conhecimento
sociológico costuma se construir em sintonia com as inquietações de seu tempo, ele não pode
prescindir da História das Ideias para seu crescimento. Portanto, interessa-nos, aqui, pensar não
só como se dá a interpretação, absorção e superação dos clássicos na teoria social
contemporânea, mas também como sã o tratadas as questões teórico - metodológica s clássica s
das ciência s sociais tais como a relação indivíduo e sociedade, teoria e prática, objectividade e
subjectividade na compreensão: dos fenómenos sociais contemporâneos. Enquanto que teorias
sociológicas de interacção social é um conceito que determina as relações sociais desenvolvidas
pelos indivíduos e grupos sociais,  a partir dela que os seres humanos desenvolvem a
comunicação, estabelecendo o contacto social e criando redes de relações, as quais resultam em
determinados comportamentos sociais. A interacção social tem sido um dos temas mais
discutidos da actualidade nas áreas da sociologia, antropologia e filosofia, isso porque, na
sociedade contemporânea, dominada pelos meios de comunicação e as novas tecnologias, a
interacção social adquire uma nova aparência, ou seja, é também desenvolvida pela internet, de
maneira virtual.

Importa salientar que para elaboração do presente trabalho recorreu-se a manuais


disponibilizados na internet, e tanto como o módulo da disciplina que serviu como guia na
elaboração deste trabalho

I.1. Objectivo Geral


 Conceitualizar Teorias Sociológicas Contemporâneas E Teorias Sociológicas da
Interacção Social

I.2. Objectivos específicos


 Apresentar a evolução das duas teorias sociológicas;
 Apresentar as principiais ideias assentes nas duas teorias sociológicas;
 Apresentar os principais pensadores das duas escolas sociológicas;

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 Compreende a ideia primordial dessas duas escolas.

I.3. Metodologia
Para GIL (2006:22), pesquisa bibliográfica é aquela que utiliza material já publicado, constituído
basicamente de livros, artigos de periódicos [...]. Sua principal vantagem é possibilitar ao
investigador a cobertura de uma gama de acontecimentos muito mais ampla do que aquela que
poderia pesquisar directamente. No entanto, este trabalho recorre basicamente ao Manual do
Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa, cadeira de Sociolinguística e outras
fontes impressas e digitais…

1.4. Estrutura do Trabalho


I. Introdução
II. Revisão Bibliográfica
III. Conclusão
IV. Referências Bibliográficas

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II. Revisão Bibliográfica

II.1. Teoria Sociológica Contemporânea


Ao pensarmos em ciências naturais, é de praxe vir à tona as ideias de objectividade e
neutralidade na busca do conhecimento. “O progresso da ciência é cumulativo, progressivo e
unilinear”.
Tal assertiva faz parte, há muito, de um imaginário social que decorre em grande medida de
transformações sociais e históricas ocorridas com o advento da modernidade e com os debates da
filosofia iluminista. Isso fez com que, em meados do século XIX, as ciências sociais herdassem
um legado objectivo, pragmático e monológico das ciências naturais. Por assim dizer, haveria
uma continuidade entre as ciências naturais e sociais, ou seja, a descoberta de “leis”, ou de
relações causais necessárias, existentes para a natureza poderiam também ser descobertas para o
estudo da acção humana e da organização social, haja vista, como um bom exemplo, a força de
um projecto positivista nesta época.

Com efeito, nem mesmo em seu nascimento as ciências sociais se constituíram como um corpo
teórico homogéneo. Se nos remetermos aos clássicos, observamos que Durkheim, Weber e Marx
utilizam-se de teorias que em seus fundamentos filosóficos têm implicações muito diversas a
respeito do que seja o ser humano e a vida social, isto é, cada teoria social deriva de uma
perspectiva filosófica particular, ou de várias, embora possuam pontos de intercessão. Após a
metade do século XX, diversas abordagens sociológicas começam a coexistir, procurando
responder ao baque do projecto positivista e do empirismo lógico e é, pois, a partir de
considerações de ordem epistemológica que se delineiam diferentes correntes da actual teoria
social.

Em síntese, partimos do pressuposto de que a teoria sociológica não possui um paradigma


dominante exclusivista - mesmo porque a própria ideia de paradigma foi quebrada - e de que ela
é composta de uma grande variedade de teorias paralelas, muitas vezes com matrizes e pontos
em comum, o que a leva à grande pluralidade.

Em sua própria constituição, a sociologia nasce como instrumento de análise e conhecimento que
possibilitam uma intervenção na organização social. Nesse sentido, como já mencionado, a visão

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de ciências sociais se aproxima da de ciências naturais e de sua instrumentalidade, a gerar um
dos principais problemas que tocam as ciências sociais: sua vinculação (e o tipo) com as ciências
naturais. É possível que Merton tenha sido um dos principais incentivadores para uma vinculação
entre as duas ciências no século XX. Esse acreditava que o facto das ciências sociais ainda
necessitarem de um retorno aos clássicos deriva da sua imaturidade ou adolescência.

Apesar de Merton observar ciência social e ciência natural como basicamente a mesma coisa e
analisar trabalhos antigos como uma série de antecipações, esboços e pré-descobertas daquilo
que conhecemos hoje, não é nessa perspectiva sobre os clássicos que nos apoiamos. Inclusive,
como bem demonstra Alexander: “as teses de Merton agora são teses clássicas!”
(ALEXANDER, 1999, p. 30).

Ao utilizarmos um clássico actualmente não buscamos meramente concordar ou discordar de sua


obra, mas sim, realizar um apanhado teórico que contribuirá para o entendimento de um projecto
actual, pois se fôssemos apenas reler Parsons (que consideramos como um ‘contemporâneo
clássico’), por exemplo, de forma crítica, findaríamos por detectar um emaranhado de pontos
falhos em seus textos e na base de sua teoria geral da acção, sem compreendermos em que
contexto suas obras foram criadas, suas conjunturas e espaço de produção.

Após as contribuições parsonianas à sociologia ao longo do século XX, vários autores


compuseram um corpo teórico contemporâneo diversificado que, embora nem sempre tenha
todas essas correntes em diálogo, não é um corpo impermeável, ou seja, as teorias circulam,
delas se criam releituras a fim de que seja reconstruída a interpretação sociológica do social
quotidianamente.

II.1.1. A Teoria Funcionalista


O funcionalismo marcou fortemente as teorias sociais até os anos 1980, se constituindo neste
período como método hegemónico na sociologia. Seus maiores pensadores na teoria social foram
Émile Durkheim, Talcott Parsons e Robert Merton. Muito além do impacto na própria
constituição da sociologia como disciplina académica, estes autores influenciaram a maneira
como as relações sociais foram vistas e as questões que surgiram desta visão. Sem dúvida o
funcionalismo exerceu grande influência sobre as teorias que buscaram explicar o processo de
modernização dos países “menos desenvolvidos” ou “em desenvolvimento”. Levando-se em

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conta esta forte influência, principalmente de Parsons, nas Teorias da Modernização, podemos
perceber que os grandes problemas postos por esta teoria remetem às questões da ordem, da
integração e da internalização de normas.

As teorias funcionalistas na análise da sociedade são caracterizadas, pelo facto de se


considerarem que quer conscientemente ou não as instituições e fenómenos sociais
desempenham uma determinada função na própria sociedade ou contexto do qual provém, e que
só pode m ser devidamente entendidos se tivermos em conta este contexto de emergência. Para
alguns autores, este conceito de função elaborado por esta teoria é considerado problemático em
dois sentidos, visto que por um lado quando se fala de função tem-se a ideia que todo e qualquer
elemento e instituição neste meio é útil, necessário e indispensável a sobrevivência ou
manutenção da sociedade como um todo.

Neste sentido, o funcionalismo admite por hipótese que os diferentes elementos da sociedade
encontram-se em relação uns com os outros e que cada um destes quer de modo consciente ou
não desempenha uma função para a sobrevivência da própria sociedade, ou seja, cada elemento
pode parcialmente ajudar a explicar os outros e simultaneamente ser explicados por estes.

Por conseguinte, seguindo este argumento funcionalista percebemos que qualquer mudança num
dos elementos do sistema social, leva invariavelmente a alteração de toda sociedade, visto que
este elemento desempenha uma função que pode ser manifesta ou oculta e contribui para
subsistência da totalidade.

Desde sua formulação inicial a respeito desse instrumento teórico, nosso autor foi muito claro em
relação ao que acreditava estar aí representado. Embora, como veremos, Parsons pretendia reter e
retraçar algumas categorias básicas já avançadas no período anterior, frisa ele que um sistema
funcionalista-estrutural é essencialmente distinto de um sistema analítico, perdendo muito da
flexibilidade que se poderia atingir com este. (Parsons, 1967).

A utilidade e necessidade de tal tipo de abordagem derivava de nosso fragmentário


conhecimento da dinâmica social. Em outras palavras, na ausência de leis que desvelassem os
segredos dos processos sociais, haveríamos de nos contentar com uma “segunda melhor
alternativa” .

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De acordo com Parsons (1967), esta seria composta pelos seguintes tipos de categorias
generalizadas :
 Categorias básicas do quadro de referência da acção: no caso, elas referem-se ao
binómio actor-situação, que modifica alguns traços da teoria voluntarista.
 Categorias estruturais: essas seriam uma derivação daquelas primeiras, permitindo, por
seu escopo, uma completa e adequada descrição de um sistema empírico determinado.
 Categorias funcionais dinâmicas: articulando-se directamente com as categorias
estruturais, elas forneceriam o elemento fundamental para a descrição dos processos
pelos quais essas estruturas são mantidas ou transformadas.

O pensamento funcionalista é internamente muito diverso, por isso é comum que se encontre
diferenças e até divergências entre os pensadores desta corrente. Nosso foco, no entanto, será
justamente nas características que fazem desta corrente uma unidade. O primeiro ponto a ser
ressaltado sobre o pensamento funcionalista se caracteriza por sua noção de sistema e pela
concepção de sociedade como sistema social. Em segundo lugar, o pensamento funcionalista
recorre a paralelos com os sistemas orgânicos das ciências naturais buscando, tal como as
ciências naturais, leis gerais que regem a sociedade. E em terceiro lugar, tal pensamento centra-
se na categoria função que explicaria a manutenção da estabilidade dos sistemas sociais.
(SOUZA, 2001).

Talcott Parsons em A Estrutura da Ação Social (2010) inicia sua discussão apresentando a morte
de Spencer através da citação de Crane Brinton:
“Quem lê Spencer hoje em dia? Para nós é difícil compreender a grande
agitação que ele causou no mundo... Spencer era um confidente íntimo
de um Deus estranho e um tanto insatisfatório a quem ele chamava de o
princípio da Evolução. Seu Deus o havia traído. Nós evoluímos e
ultrapassamos Spencer.”

Herbert Spencer pode ser considerado como um autor pré-funcionalista, o primeiro pensador na
sociologia a considerar a sociedade como um sistema. A estabilidade, para Spencer, era uma das
características fundamentais da sociedade. Neste sentido, em seu modelo evolucionista, os
grupos mutáveis formados pelo “homem primitivo” não poderiam ser chamados de sociedade.
Outra contribuição de Spencer, que mais tarde será apropriada pelo funcionalismo, tanto por

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Durkheim quanto por Parsons, é a ideia de que a sociedade como organismo se diferencia à
medida que cresce, fica mais complexa e suas partes diferenciadas assumem funções cada vez
mais específicas. Claramente podemos reconhecer esta ideia de diferenciação e complexificação
presentes na Teoria da Modernização.

Uma segunda contribuição de Spencer que podemos identificar posteriormente nas teorias
funcionalistas é a concepção de que a sociedade, como organismo, é regida por leis sociais
naturais. A principal consequência da analogia entre organismo e sociedade é a noção de
evolução humana, conhecida como ‘darwinismo social’. Posteriormente, Parsons irá desenvolver
uma versão do evolucionismo social cujo método de análise será o método comparativo.

Émile Durkheim é considerado o fundador do método sociológico empirista-funcionalista. A


principal temática de sua obra se constituiu na busca pela reconciliação da concepção de Comte
do “estágio positivo” da sociedade com a exposição parcialmente divergente das características
do “industrialismo” de Saint-Simon. (GIDDENSs, 2005)

De caordo Durkheim (2007), o seu método que é tratar os fatos sociais como “coisas”. No
método proposto por ele podemos visualizar claramente a influência do positivismo. O
pressuposto durkheimiano é que a sociologia deve apreender uma realidade que é dada e que é
externa ao observador.

A influência de Durkheim em Talcott Parsons é visível, mas segundo o próprio Parsons


argumenta, a sua teoria buscava ultrapassar a noção durkheimiana de coerção, de externalidade
da sociedade e se aprofundar nos mecanismos de internalização das normas. Apesar desta
diferença, ambos os autores se preocupam com a questão da ordem social, da estabilidade social.
Além da influência de Durkheim no pensamento de Parsons, podemos identificar a influência de
Weber.

Quintaneiro (2003) define o modelo de Parsons como uma síntese de Freud com Durkheim. Ele
assume que Freud, no entender de Parsons, não levava suficientemente em conta o facto de que a
interacção entre indivíduos, inclusive nas relações entre pais e filhos, é moldada pelo sistema
social. Durkheim, por sua vez, tende a exagerar a importância da regra coercitiva, ignorando a
acção do contacto entre personalidades, de que é feito o convívio social. A síntese parsoniana se

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funda no conceito de papel, que é ao mesmo tempo exterior ao indivíduo, como parte de uma
instituição, e integrante da estrutura de sua personalidade, por meio da socialização.

II.1.2. Teoria Voluntarista da Acção


Talcott Parsons produziu uma vasta obra, que tem como marco inicial A estrutura da acção
social, de 1937, e se estende até o final dos anos setenta, portanto, ao longo de mais de quarenta
anos. Entre seus intérpretes e críticos não existe um consenso sobre possíveis periodizações da
obra parsoniana. Há, entretanto, uma concordância, que consiste em considerar, mesmo sob
ângulos diversos, que existiriam fases distintas e mudanças teóricas nessas quatro décadas.

O primeiro livro de Parsons alcançou grande repercussão apenas após a Segunda Guerra
Mundial. No pós-guerra, a ascensão da hegemonia política, económica e cultural dos Estados
Unidos foi acompanhada pela influência mundialmente preponderante da sociologia norte-
americana. A teoria de Parsons esteve no fulcro desse movimento e seu grande prestígio
académico perdurou até os anos sessenta, quando abordagens alternativas se contrapuseram
criticamente à parsoniana.

A estrutura da ação social tem um caráter marcadamente teórico e trata de quatro autores
europeus: Alfred Marshall, Vilfredo Pareto, Émile Durkheim e Max Weber. Na sociologia
estadunidense, a predominância de Parsons, um sociólogo de Harvard voltado à discussão teórica
que procurou, em seu trabalho inaugural, abarcar diferentes tradições da teoria social europeia,
edificou-se ganhando o terreno até então ocupado pela tradição sociológica da Escola de
Chicago.

II.1.3. Teoria de voluntarista de acção de acordo com Durkheim


Émile Durkheim contribui de forma única para a consolidação da sociologia como ciência
empírica e como disciplina académica. Sua obra marcou a tentativa de estabelecer a sociologia
como ciência em oposição a outras ciências do homem já consolidadas, como a psicologia e a
economia, buscando consolidar a especificidade do objecto sociológico. (Quintaneiro; 2003).

O contexto social vivido por Durkheim, a Europa em vias de modernização, conturbada por
guerras, era ideal para se pensar a ruptura de valores e instituições tradicionais e a emergência de
novas estruturas sociais ainda em formação. A atmosfera intelectual da época, na qual

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pensadores como Saint-Simon e Comte estavam inseridos, era marcada pela crença no progresso
da humanidade, crença esta herdada do iluminismo. Tudo isto influenciou o pensamento
durkheimiano, mas Durkheim não só reproduziu tais ideias, sua principal contribuição foi pensar
a sociedade para além da reunião de indivíduos, combatendo fortemente o individualismo
utilitarista de Hebert Spencer.

O inicio da carreira de Durkheim se orienta para o diálogo com uma ciência da vida moral da
Alemanha, representada por Schäffle, Lilienfeld, dentre outros pensadores alemães. Apesar de
fazer algumas críticas a Schäffle, Durkheim está de acordo com os principais pontos de sua obra,
tal como a necessidade de se montar um modelo de análise morfológica das principais partes
constituintes da estrutura de diversos tipos de sociedades. Na construção de tal modelo o autor
alemão utiliza-se de analogias orgânicas sem, no entanto, pretender reduzir as propriedades da
organização social às da vida orgânica. (Giddens, 2005).

A influência da obra de Schärffle sobre o pensamento de Durkheim é ainda mais clara com
relação ao lugar do individualismo na interpretação da sociedade. Schärffle diz: “a sociedade não
é apenas um agregado de indivíduos, mas antes um ser cuja existência é anterior à daqueles que a
compõem hoje, e que lhes sobreviverá; que os influencia mais do que eles a influenciam e que
tem vida e consciência própria, os seus próprios interesses e destinos.”

Tal embate influenciou a maneira como Durkheim se contrapôs ao cânone da teoria económica,
ou seja, a concepção utilitarista. Os fenómenos económicos não podem ser estudados
separadamente das normas e crenças morais, isto é, as relações económicas estariam assentadas
nas regras consuetudinárias e legais. Assim, de nada adiantariam os contratos económicos se não
houvesse as normas sociais para alicerçá-los, afirma Durkheim. Tais regras e ações morais, que
produzem normas, deveriam ser estudadas, não como princípios abstractos que estão dentro da
cabeça dos indivíduos, e sim cientificamente, a partir da realidade, de forma concreta. Daí surge
a inspiração da metodologia sociológica durkheimiana: “tratar os fatos sociais como coisas”.

A diferenciação das profissões e a multiplicação das atividades industriais exprimem a


diferenciação social da qual Durkheim retrata em sua obra. A divisão do trabalho é resultado da
combinação do aumento populacional com o adensamento material e moral (intensidade das
comunicações e trocas entre os indivíduos). Tal divisão diferencia as funções executadas pelos

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indivíduos e aumenta as diferenças individuais, característica central da modernidade, na
interpretação Durkheimiana.

Neste sentido, a questão central é: como, no contexto de solidariedade orgânica, de diferenciação


social, se forma a consciência coletiva? Lembrando que a consciência coletiva é definida como o
conjunto das crenças, dos sentimentos, comuns à média dos membros de uma sociedade, ela
evolui segundo suas próprias leis, acima das consciências individuais e vincula as gerações que
se sucedem.

Se há uma maior complexificação social nas sociedades modernas, também há uma redução da
esfera de existência que cobre a consciência coletiva e uma margem maior de interpretação
individual dos imperativos sociais. Neste contexto de pluralismo social cuja “variação individual
e inovação social” são mais intensa, como é possível a integração? Como é possível a ordem e a
estabilidade?

A observação de Durkheim sobre este período de transição o qual ele observava e vivia na
Europa o preocupava pela intensificação dos conflitos, da violência e da desordem no mundo
económico. Como ele explicava esse problema? Anomia jurídico e moral em que se encontrava a
vida económica nas recentes sociedades modernas. Nessa situação o mais forte está em
vantagem, esmagando os mais fracos. A violência, entretanto, não é capaz de gerar um equilíbrio
estável, sendo necessária para travar as paixões humanas uma força moral que seja respeitada
pelos indivíduos. Se o objectivo de toda sociedade é procurar evitar a guerra entre os homens, é
subordinar a lei física do mais forte a uma lei mais alta, a anarquia da vida económica e os
constantes conflitos contrariavam esse objectivo.

Só a regra social pode combater os abusos de poder e possibilitar que os indivíduos sejam livres
de fato, entretanto o sentimento de dever só é fixado nos indivíduos se for permanentemente
desperto, esta é a função do ritual. O Estado, como observa Durkheim, se mostrava muito
distante dos indivíduos; “suas relações com eles são ‘externas’ e ‘intermitentes’ em excesso para
serem efetivas: ele não podia penetrar suas consciências adequadamente.” (Domingues, 2002).

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O que seria uma sociedade moderna sob esta ótica? Uma Sociedade complexa, com alta divisão
do trabalho, coesa, organizada na diferença e na complementaridade de funções sociais, com
primazia de leis restaurativas e manutenção da ordem.

Apesar das diferenças entre Durkheim e Parsons, como elucido a seguir, a questão da ordem
continua a ser central e os modelos de desenvolvimento, em seu entender, continuam os mesmos.
A semente para a teoria de Parsons já havia sido plantada por Durkheim e, portanto, os dois
autores podem ser relacionados à Teoria da Modernização.

II.1.4. Teoria de voluntarista de acção de acordo Parsons


Se, todavia, diferentes leituras da obra parsoniana não chegam a um acordo sobre a trajectória
que essa obra percorreu, Luhmann, (1996) é enfático em afirmar: “Toda a obra de Parsons pode
ser catalogada como variações sem fim da fórmula compacta: action is system. Esta fórmula
sintética poderia ser tomada como a quintessência de sua mensagem”.

De acordo com Luhmann, em Parsons, “a acção só é possível sob a forma de sistema”. Essa
conclusão, Luhmann a depreende do muito conhecido esforço teórico de Parsons, realizado por
meio da incorporação de elementos da teoria de distintos autores clássicos, em conciliar a
liberdade de acção dos homens com o aspecto normativo da ordem social.

No que diz respeito ao atomismo na teoria social do século XIX, a crítica parsoniana é
direcionada à concentração no ato-unidade. Segundo Parsons, ao concentrarem suas análises nas
acções dos indivíduos, em suas buscas por metas particulares, os utilitaristas não conseguem
explicar uma das grandes questões da teoria social: a questão da ordem. A consequência de
indivíduos se relacionando sem seus vínculos com as normas colectivas seria, provavelmente, o
caos e não a ordem.

A segunda crítica de Parsons é: a interpretação utilitarista sobre a racionalidade da acção. O


conhecimento científico ou aquele aceito pela ciência como válido era considerado o
determinante da acção racional. A limitação desta perspectiva, segundo Parsons, é que a teoria
não consegue medir os desvios quando os indivíduos não possuem o conhecimento adequado
cientificamente para alcançar seus objetivos. Tal situação é explicada negativamente, isto é, os
utilitaristas dizem que a conduta deste indivíduo é irracional. Neste sentido, o utilitarismo fica

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restrito a enxergar o conhecimento científico como única forma, do ponto de vista cognitivo, de
estabelecer uma relação forte entre o agente e a realidade externa.

Com relação ao empirismo na teoria utilitarista, Parsons diz que tal esquema conceitual pretende
incluir todos os factos e suas relações se constituindo, consequentemente, como um sistema
fechado na empiria resultando em um determinismo empírico. Por fim, sobre a última
característica da teoria utilitarista, a abordagem utilitária da acção meio fim, Parsons afirma que
tal teoria não consegue explicar os fins. Neste sentido, o autor expõe o paradoxo da vertente
positivista do utilitarismo, chamando de “o dilema utilitário” com relação ao estatuto dos fins.
(Parsons, 2010).

Ao se confrontar com o positivismo Parsons entra em atrito com o pensamento de Durkheim.


Durkheim é criticado por sua concepção externa da moral, das regras sociais. Ao contrário do
pressuposto durkheimiano de que a moral poderia ser apreendida na realidade objectiva, Parsons
busca compreender o processo psicológico de internalização das normas, isto é, o carácter
interno e subjectivo destas.

Neste sentido, a Teoria Voluntarista da Acção trabalha para a tarefa de encontrar as formas de
interpenetração entre princípios normativos gerais e individuais. As definições de Parsons partem
da concepção de que as normas ao mesmo tempo limitam as acções dos indivíduos e permitem
aos indivíduos atribuir significados a elas. Tais normas estariam dentro do indivíduo concreto,
existindo não somente como coerção, mas também como liberdade.

Levando-se em conta tais concepções, podemos sintetizar a Teoria Voluntarista da Acção de


Parsons como aquela em que os indivíduos actuam de maneira limitada, isto é, suas acções são
condicionadas pelas normas do mundo social e estas dariam sentido aos fins buscados pelos
atores. As normas romperiam com o carácter arbitrário destes fins permitindo uma realidade
orgânica que não poderia ser reduzida à suas partes. Desta forma, o tema do individualismo e
suas consequências e o tema da ordem são centrais para a teoria da acção.

A Teoria Voluntarista da Acção, elaborada por Parsons, buscou justamente romper com a ideia
de que a unidade seria mantida somente através da coerção, como formulou Durkheim. Neste
sentido, Parsons procura sintetizar aquilo que considerava mais interessante nos seus autores

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referência, construindo uma “abordagem multidimensional da acção”. O objectivo desta teoria
geral é levar em conta tanto a subjectividade do actor quanto o meio em que este actua.

Por meio da comparação, Parsons definiu uma tendência geral na evolução. Negando o
relativismo, o autor afirma que a sua teoria depende de juízos evolutivos, isto é, considerar que
uma sociedade intermediária é mais adiantada que as sociedades primitivas, e que as sociedades
modernas são mais adiantadas do que as intermediárias. Segundo Parsons a sua busca foi por um
critério coerente de avaliação das sociedades, tal foi apropriado da teoria biológica: as sociedades
mais adiantadas são aquelas que apresentam maior capacidade adaptativa. (Parsons, 1969).

O desfecho da teoria parsoniana da unidade a partir da noção de sociedade total foi a construção
de um contínuo de sociedades, em que cada sociedade se encontraria em uma estágio de
evolução. O critério de posição neste contínuo seria a capacidade adaptativa da sociedade e,
portanto, a capacidade dela de manter a estabilidade e a ordem. O objectivo último das
sociedades em desenvolvimento deveria ser, consequentemente, tomar a imagem da Europa e
Estados Unidos como ideal a ser alcançado.

II.2. Teorias Sociológicas da Interacção Social


As interacções sociais acontecem no encontro de duas pessoas distintas pois, para Silva e Arce
(2010), estas são: um processo que se dá a partir e por meio de indivíduos com modos histórica e
culturalmente determinados de agir, pensar e sentir, sendo inviável dissociar as dimensões
cognitivas e afectivas dessas interacções e os planos psíquico e fisiológico do desenvolvimento
decorrente.

Por sua vez, Arezes e Colaço (2014), definem interacção como sendo o comportamento de um
indivíduo perante a participação de outro, como numa conversa, numa troca de gestos, num jogo
ou num conflito. Assim, é facilmente constatável que para existir uma interacção social têm de
haver sempre dois ou mais participantes, ainda que esta não implique obrigatoriamente a
comunicação oral pois, desde muito cedo, que é possível observar diversas interacções entre os
bebés, seja através de sorrisos, gestos ou vocalizações.

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II.3. A Importância da interacção social no dia á dia nas relações entre os
indivíduos

O aspecto mais importante da interacção social é que ela provoca uma modificação
de comportamento importante nos indivíduos envolvidos, como resultado do contacto e da
comunicação que se estabelece entre eles. Desse modo, fica claro que o simples contacto físico
não é suficiente para que haja interacção social. Por exemplo, se alguém se senta ao lado de outra
pessoa num autocarro, mas ambos não conversam, não está havendo interacção social (embora
presença de uma das pessoas influencie, às vezes, o comportamento da outra).

Os contactos sociais e a interacção constituem condições indispensáveis à associação humana.


Os indivíduos se socializam através dos contactos e da interacção social. A forma mais típica de
interacção social é aquela em que há influência recíproca entre os participantes. Mas alguns
autores falam de interacção social quando apenas um dos elementos influencia o outro. Isso
acontece quando um dos pólos de interacção está representado por um meio de comunicação
apenas físico, como a televisão ou o livro. Ocorre, nesse caso, uma interacção não recíproca.
Neste tipo de interacção, apenas um dos lados influencia o outro.

A interacção pode assumir diferentes formas. Uma dessas formas é a relação social. Relações
sociais podem ser políticas, religiosas, culturais, familiares etc. Do ponto de vista sociológico,
uma interacção social representa uma troca elementar, de curta duração, enquanto uma social
envolve uma sequência de interacções entre as mesmas pessoas ao longo do tempo.

II.4. Interacionismo simbólico


Para Mead (1967), o interacionismo simbólico pretende compreender como ocorre o surgimento
de significados dentro das relações entre pessoas ou objectos na vida quotidiana. Esta corrente
teórica teve sua original no final do século XIX para início do século XX, nos estudos de
behaviorismo social de Georg Herbert Mead, para ele o comportamento ou a conduta é o que
deveria ser analisado no estudo social, "Behaviorismo é este sentido mais amplo de uma
abordagem para o estudo da experiência do indivíduo, do ponto de vista de sua conduta". Mead
enfatizou a importância de compreender os símbolos gerados a partir da comunicação entre os
indivíduos.

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Este pensador tem a particularidade de começar a sua teoria se opondo ao behaviorismo e para
tal faz uma clara distinção entre formas de comportamento dos infra-humanos (que se refere aos
animais irracionais e crianças) e formas de comportamento capacidade reflexiva dos indivíduos.

Nas palavras do autor “a pessoa tem um carácter distinto do organismo fisiológico propriamente
dito. A pessoa é algo que possui desenvolvimento: não está inicialmente presente no nascimento,
mas surge nos processos da experiência e das actividades sociais, quer dizer, desenvolve-se na
sequência das suas relações…”.

Nesta corrente teórica afirma-se que durante a interacção é que ocorrem as mudanças de sentido,
em consideração que "nós mudamos a partir do que começamos a fazer por causa da respostas
que os outros fazem (sic)" (Mead 1967) . Isto quer dizer que, no processo de interacção,
conforme se desenvolve a comunicação entre os sujeitos envolvidos, alguns aspectos são
modificados e alterados conforme a comunicação transcorre. Consequentemente, os símbolos são
gerados e redignificados no próprio acto social em si. Cabendo ao sociólogo, pesquisar quais são
estes signos que tecem a acção social entre os sujeitos específicos. Elaborando assim, uma
análise processual de um fenómeno social.

Mead opera a partir de três conceitos fundamentais nomeadamente:


i. Mind;
ii. Self;e
iii. Society.
 Self seria o próprio indivíduo,
 Mind a consciência reflexiva; e
 Society seria o contexto em que acção se desenvolve, ou seja, society era a actividade
social.
Sua questão fundamental era a de perceber como é que se forma e se desenvolve o self, pelo qual
os indivíduos adquirem a consciência reflexiva e de que modo é que actividade social é
determinante nesta construção.
A socialização dava-se na perspectiva de Mead em três fases distintas:
i. Construção do self e caracteriza pela imitação de papéis sociais, em que a criança
busca imitar as pessoas que lhes são próxima e normalmente são os pais.

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ii. Fase de jogo, em que a criança adquire a capacidade interpretativa, em que a partir
da aprendizagem das diferentes expressões da linguagem ele é capaz de diferenciar
os objectos a sua volta rotulando-os, e ao fazer partilha com os demais o significado
e sentido destes objectos.
iii. Representação em que se caracteriza pela necessidade de organizar e assumir dentro
da experiência individual a perspectiva dos outros. Quer isto dizer que o indivíduo
deve saber qual é o seu papel social e que este deve ser reconhecido em si pelos
demais membros da sociedade. A sociedade não passaria de um processo
comunicacional desenvolvido pela interacção simbólica dos indivíduos. É aqui onde
os indivíduos partilham significados comuns.

II.5. Teoria Dramatúrgica do Quotidiano de Erving Goffman


Este pensador apresenta uma perspectiva relativamente diferente de Mead, pois que ele busca ver
como é que se organiza a experiência do quotidiano, ou seja, o modo como um actor social pode
colocar na sua mente em termos de experiência e não da organização da sociedade. Isto não
implica dizer de modo algum que Goffman ignore as dimensões macroestruturas da sociedade,
mais pelo contrário, que seu objectivo era pura e simplesmente analisar a estrutura de relação
entre dois ou mais indivíduos numa situação de co-presença física.

Portanto, seu objectivo é tornar analiticamente viável o estudo dos fenómenos de interacção face
a face, por serem questões reais e não abstractas e tal como qualquer fenómeno social merecia
ser estudado cientificamente. Goffman considerava que na interacção social em situações de co-
presença física os aspectos tidos como do domínio meramente íntimo, privado e de natureza
singular do indivíduo, é algo que é regulado socialmente.

Goffman considera que a interacção social não é necessariamente uma simples actividade
cooperativa entre os indivíduos, que garante a adaptação do indivíduo a sociedade, mais pelo
contrário é a representação pela qual o eu (o indivíduo singular) se transforma em vários eu
(outros indivíduos). Segundo ele, a vida em sociedade era equiparada ao teatro em que os
indivíduos quando actuam desempenham determinados papéis de várias personagens; pelo que
estes usariam diferentes estratégias e técnicas de actuação. Assim, ele diz que existem níveis do
palco onde decorre a fachada/encenação, nomeadamente:

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i. Front que é conjunto de elementos que permite a quem assiste a peça/cena identificar
concretamente a acção, que dependem dos adereços pessoais (personal front) para
identificação da personagem, a aparência (appearence) que tem a ver com postura, tipo
de roupa, etc. que indica claramente o estatuto social da personagem e os modos
(manners) que mostram o tipo de papel que actor irá desempenhar.
ii. Settings que são as características físicas do cenário que serve para sustentar a
credibilidade dos adereços pessoais. Quer dizer, se o cenário de encenação sugere uma
igreja, é suposto que pelo modo de estarem vestidos e agir, se possa reconhecer nos
actores um padre, acólito, e crentes.
iii. Backstage que é o local em que o público não tem acesso e personagem pode agir a seu
belo prazer, pois já não tem que usar máscara por se encontrar longe do olhar do público.

Neste sentido, para Goffman, a interacção social para além de ser essencialmente um processo de
acção comunicativa, depende do modo como o indivíduo interpreta o universo simbólico por
forma a preservar a sua própria identidade. Pode-se então resumir a perspectiva deste autor
mostrando que:
a) A sociedade organiza-se segundo o princípio de que todo indivíduo que possui certas
categorias sociais, tem o direito moral de esperar que os outros o valorizem e o tratem
de modo adequado.
b) O indivíduo que implícita ou explicitamente pretende ter certas categorias sociais deverá
comportar-se na realidade de acordo com aquilo que diz ser.
c) O indivíduo tem sempre um conhecimento tácito das normas e das regras que regem uma
determinada situação social.
d) O indivíduo interage consigo e com os outros através de um processo comunicativo
mediatizado pela sua capacidade interpretativa do seu universo simbólico em que se
insere.”
Assim, para este autor a cada situação de co-presença física poderíamos encontrar diferentes
tipos de interacção social que podem ser ocasião social que é um acontecimento que se percebe
como uma unidade que se dá no momento e lugar específico, tal como num espectáculo.
Situação social que é o controlo recíproco que surge no momento em que dois ou mais
indivíduos se encontram em co-presença física tal como durante uma reunião de trabalho ou
aula.
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E por último o encontro social que resulta de uma situação em que sem que os indivíduos a
tenham previsto se reparam mutuamente, tal como acontece num autocarro. O que faz a
interacção social para este autor vai ser portanto a necessidade de interagir com os demais em
sociedade por um lado e por outro a de se distinguir e singularizar dos demais, ou seja, é um
processo de gestão da própria identidade social, através da adequação da imagem virtual/ideal á
imagem real/efectiva (que é aquilo que o indivíduo acredita ter de diferente em relação e que o
diferencia dos outros).

Daqui resulta um aspecto importante também abordado por Goffman e também pela Sociologia
em grande medida que é o estigma, que corresponde a um atributo que para além de pessoal é
igualmente uma forma de designação social, na medida em que corresponde a uma relação entre
um atributo e um estereótipo social que permite estabelecer diferenças entre indivíduos.

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III. Conclusão
Após a elaboração do presente trabalho conclui-se que, se existe algum ponto de convergência
nas sociologias contemporâneas é a noção de que a realidade social é essencialmente dotada de
historicidade. Embora de formas distintas, todas as chamadas "novas sociologias" lidam com
questões da historicidade e, com isso, privilegiam em suas análises a temática da ação. Neste
sentido, o ponto de partida destas abordagens diz respeito ao fato de que é propriedade humana a
faculdade de agir, de iniciar processos novos e sem precedentes (embora necessariamente
assentados em "contextos" preexistentes), cujo resultado é incerto e imprevisível. A historicidade
é a condição ontológica do ser humano e a sua descoberta é um fato central de onde toda a teoria
social se alimenta.

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IV. Referências Bibliográfica
 QUINTANEIRO, Tânia; OLIVEIRA, Márcia Gardênia. Labirintos Simétricos:
Introdução à Sociologia de Talcott Parsons. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.
 DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes,
2007.
 PARSONS, Talcott. Sociological Theory and Modern Society. Nova York: Free Press,
1967.
 PARSONS, Talcott. A estrutura da ação social: um estudo de teoria social com
especial referência a um grupo de autores europeus recentes. Vol. 1. Rio de Janeiro:
Editora Vozes, 2010.
 GIDDENS, Anthony. Capitalismo e Moderna Teoria Social. Lisboa: Editora Presença,
2005.
 DOMINGUES, J. Maurício. A Sociologia de Talcott Parsons. Niterói: Editora da
Universidade Federal Fluminense, 2001.
 Silva, J., & Arce, A.. Infância, conhecimento e função docente nos documentos dos
MEC destinados a educação infantil: Uma análise à luz da psicologia histórico-
cultural. Revista HISTEDBR On-line,. (2010).
 Arezes, M., & Colaço, S. A interacção e a cooperação entre pares: Uma prática em
contexto de creche. Interacções. 2014

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