Você está na página 1de 148

Calor Da Meia-Noite

Mercury Rising 01
Lynn Hagen

Jason não faz ideia de que a pacata cidade de Mercury guarda


tantos segredos obscuros. Mas esses segredos são revelados, e Jason
mergulha em um mundo que ele nunca soube existir. Os homens para
quem ele trabalha são shifters urso. O cara que ele cobiçou por meses é
um lobo. E agora Jason se encontra correndo de um demônio que está
decidido a usá-lo como isca para matar o seu companheiro. Para piorar
as coisas, ele está carregando o filho de Matt.
Matt nunca pensou que o destino lhe daria um companheiro.
Não depois que a sua mãe morreu no parto e o seu pai o amaldiçoou.
Depois que o seu último relacionamento deixou um gosto ruim na sua
boca, Matt decide namorar o garçom, um Grizzly, sem saber que Jason é
seu companheiro. Mas quando as coisas complicam e Matt tem que
salvar um dos seus, a vida de Jason é colocada em risco e ele deve fazer
tudo ao seu alcance para manter Jason seguro.
Capítulo Um

— Pronto para derrubar algumas portas?


Colton apoiou o ombro no batente da porta do escritório de Matt
enquanto segurava os papéis.
— De quem serão?
Matt Romero deixou de lado os arquivos que estava lendo e
recostou-se na cadeira. Para os humanos, Mercury Rising não era nada
mais do que uma agência de investigação particular pateticamente
subvalorizada que aceitava casos de pessoas desaparecidas.
Nos livros, sua taxa de sucesso para encontrar pessoas
desaparecidas era de menos de 20%. Eles gostavam dessa forma. Eles
evitavam que os humanos tentassem contratá-los para um trabalho que
tecnicamente não faziam.
Fora dos livros, o seu sucesso em capturar ou matar aqueles
com um mandado era de mais de 90%. Eles eram muito bem pagos para
rastrear o mais cruel do sobrenatural. Matt e os seus homens eram os
melhores no que faziam.
— O primeiro é para um shifter leopardo chamado Zack Taylor.
Ele derrubou três jovens universitários e fugiu depois de matar um
guarda de segurança do campus. Os humanos acreditam que o leopardo
escapou do zoológico e ainda estão procurando por ele. O outro é para
Eric Dunham, um vampiro que pensa que um bufê inclui os seres
humanos.
Colton enfiou os papéis no bolso de trás.
— O Conselho emitiu um mandado de morte para Zack, mas
Eric deve ser capturado vivo e retornar ao seu coven onde Magnus lidará
com ele.
— Você está falando sério?
— Sobre Eric? — Colton assentiu com a cabeça. — Temo que
sim.
Matt saiu da sua mesa e pegou a sua Beretta do seu arquivo
trancado. Ele precisaria disso para o shifter leopardo. As balas tinham
uma ponta oca que estava cheia de prata líquida altamente potente. Era
a única maneira de derrubar uma fera poderosa, ou isso, ou eles
poderiam perder tempo lutando contra o leopardo. Como isso poderia
atrair ainda mais atenção do que o leopardo já tinha, Matt queria que
isso fosse feito rápido e limpo.
Ele enfiou a arma no coldre amarrado ao redor dos seus
ombros, em seguida, pegou sua jaqueta das costas da cadeira.
— Vamos pegar Zack primeiro, já que o vampiro não sairá até a
escuridão total.
Matt viu Nick na recepção. Os caçadores de recompensas
geralmente trabalhavam sozinhos, mas havia momentos em que a
equipe era necessária. E Zack feroz seria dez vezes mais forte e duro
como o inferno para derrubar sozinho.
Ele olhou Nick flertando com o secretário, enquanto este o
ignorou completamente. Quando Matt parou na mesa, Stuart olhou para
cima, seus dedos continuaram a voar pelo teclado. Ele sempre se
perguntou como o humano poderia dividir sua atenção assim.
Stuart havia sido espancado por um shifter leão que ficou feroz.
Matt e Colton estavam rastreando a fera, mas chegaram depois do fato.
Matt levou Stuart para o hospital e foi embora, mas de alguma forma o
cara conseguiu localizá-lo. Stuart continuou chegando até que Matt
finalmente o contratou.
— Preciso que você...
— Transfira quaisquer chamadas importantes para o Rio,
enquanto você está fora.
Stuart disse enquanto continuou a digitar.
O cara era magro, com olhos azuis e cabelo louro-arenoso, e às
vezes Matt jurou que Stuart poderia ler a sua mente. Ele também estaria
perdido sem Stuart. O homem administrava a agência como uma
máquina bem oleada. Se ele partisse, Matt não teria ideia de como
manter o lugar.
Matt fazia o trabalho de campo. Isso era o que ele fazia melhor.
Stuart trabalhava no escritório. Era um equilíbrio harmonioso que era
completamente apreciado.
— Você consegue adivinhar o que eu estou pensando?
Nick piscou para Stuart com um brilho de luxúria nos seus
olhos. Ele claramente queria Stuart, e Matt só esperava que ele não
tivesse que colocar Nick para baixo se ele machucasse o secretário. E
Matt sim, ele faria isso.
— Não posso. — Stuart sorriu docemente para Nick. — Você
precisaria de um cérebro antes que eu pudesse tentar.
Matt deu uma risada fácil para Stuart voltando para o que ele
estava fazendo. Só que desta vez, ele colocou seus fones de ouvido.
Nick ficou ao lado de Matt.
— Ele gosta de mim. Ele está apenas se fazendo de difícil.
Colton riu quando deixaram o edifício e foram em direção ao
carro de Matt.
— Tudo bem. — Nick reclamou. Seus olhos seguravam uma
sugestão de escuridão antes que ele sorrisse e a escuridão
desaparecesse. Quando ele se virou para Colton, o sorriso tinha
desaparecido e a sua boca estava apertada em raiva. — Pelo que ouvi
você não transa há mais de um mês.
— Estou feliz que você está de olho na minha vida sexual. —
disse Colton. — É meio assustador, no entanto. Talvez você devesse
considerar outro hobby, como a arte de perseguir. Você tem uma boa
vantagem inicial com Stuart.
Nick mostrou seus caninos.
Colton revirou os olhos.
Matt deslizou para o Hummer e esperou que eles entrassem
antes que saisse do estacionamento.
— Você ainda está namorando aquele pequeno muito sensual
que trabalha no Toca do Leão? — Nick perguntou casualmente do banco
de trás. Expressão de Nick era séria quando seus olhos se encontraram
pelo retrovisor, mas Matt não queria falar sobre Miles. Ele não queria
ouvir esse nome novamente.
— Sua sensibilidade é simplesmente surpreendente. — disse
Colton por cima do ombro.
— Sério? — Nick perguntou.
— Podia jurar que nasci sem isso.
— Fique tranquilo, você não tem, e se eu fosse você, eu
deixaria Matt em paz. Ele pode te matar em vez do leopardo.
Matt estava grato quando Nick seguiu o conselho do Colton.
Com o humor que ele estava, ele poderia atirar no lobo. Claro, iria se
arrepender mais tarde, pelo menos até Nick abrir a boca novamente.
Ele namorou Miles por três meses antes de decidir contar ao
cara que ele era um lobo. Matt pensou que o humano pudesse lidar com
isso. Ele estava errado. Miles disse a qualquer pessoa que quisesse ouvir
que todos os empregados da Mercury Rising eram animais que poderiam
se transformar em humanos.
Manter sua existência em segredo era a prioridade número um
entre os não humanos. O Conselho entrou em cena e Miles desapareceu.
A situação deixou um gosto ruim na boca de Matt. Nunca mais ele
revelaria o que era não importa o quanto ele gostasse do cara.
Os três passaram o resto do dia caçando Zack. Por volta das
seis da tarde, eles foram a algumas casas onde ele poderia estar se
escondendo.
A casa estava localizada em uma rua abandonada onde gangues
moravam. As casas pareciam ter sido condenadas anos atrás.
— Eu vou pela parte de trás. — Nick disse quando Matt
estacionou. Nick deslizou do banco de trás e desapareceu em um quintal
de algumas casas abaixo do Zack.
Matt e Colton saíram e se aproximaram da casa de Zack. Era à
única casa com tinta verde-e-branca desgastada. Algumas persianas
estavam faltando ou pendiam quase caindo, e o gramado da frente
continha mais terra do que grama.
Depois de subir a varanda, Matt se moveu para a direita quando
Colton foi para a esquerda. Nenhum dos dois queria ser abatido se
alguém explodisse pela porta da frente. A porta de tela se foi e um lençol
pendurado na janela.
— Pronto? — Matt perguntou.
— Vamos fazer isso. — Disse Colton.
Matt se moveu na frente da porta, levantou o pé e chutou.
Quando a porta abriu, Matt correu para o homem de pé no vestíbulo e
arrancou a espingarda das mãos de Zack quando ele derrubou o cara.
Zack rosnou quando ele virou Matt nas suas costas, bateu Colton na
parede, então correu em direção à cozinha.
Nick entrou pela porta dos fundos, seu sorriso brincalhão,
substituído por uma expressão sinistra. Ele segurava sua Desert Eagles
com as duas mãos na frente dele.
— Pare aí, Romeu.
Zack caiu no chão, quase levando a bala que Nick disparou. Ele
se levantou e atravessou a janela da cozinha, mudando no ar. Matt
amaldiçoou quando ele saiu correndo pela porta, Nick e Colton logo atrás
dele. O quintal era um ferro-velho virtual. Eles tiveram que pular sobre
pilhas de lixo e sair em torno de aparelhos quebrados enquanto saíram
em perseguição.
Matt parou, levantou sua arma e disparou quando Zack saltou
por cima do muro vizinho. A bala atingiu a sua marca, e o leopardo caiu.
Matt pulou o muro para ver que Zack tinha voltado para sua forma
humana.
Matt guardou a sua Beretta. Colton e Nick a ajudaram a puxar
Zack de volta pela cerca. Colton pegou o Hummer e o colocou na calçada
estreita, impedindo que alguém visse o corpo sendo jogado no banco de
trás.
— Você pode cuidar do corpo do Zack? — Colton perguntou
enquanto se afastava. — Eu preciso ser dispensado de ir à agência.
Tenho algo que preciso cuidar.
— Você quer ir ao Grizzly quando terminarmos? — Nick
perguntou a Matt enquanto eles se afastavam.
— Preciso de uma bebida. — Matt caiu ligeiramente no seu
lugar enquanto dirigia. Tinha sido um dia muito longo. Ele poderia usar
um chuveiro e descansar um pouco, mas isso teria que esperar. Eles
ainda tinham uma recompensa a mais para pegar.
Depois de deixar Colton, Nick virou-se para Matt.
— Você sabe qual é o seu problema?
Matt gemeu enquanto ele foi em direção ao bar. Nick não ia
deixar ele esquecer o assunto.
— Não, qual?
— Você precisa parar de sair com aqueles homens
extravagante, ultrajantes. Eles não são nada além de problemas. Em vez
de ir para o bolo chique no buffet, o que você precisa é de um donut
simples.
— Não faço ideia do que você está falando, mas de repente
tenho uma vontade de comer doce.
Nick olhou furiosamente para ele.
— Você precisa namorar alguém chato.
— Como um contador? — Matt estremeceu com a ideia de
namorar alguém tão nerd. Além disso, o contador que ele conhecia era
um homem de meia-idade careca que parecia ter consumido muitos
donut era simples casado. Não que Kent Goodwell não fosse um cara
legal. Ele só não era o tipo de Matt.
— Não é esse tipo de chato, mas alguém que não está saindo
com você pelo seu dinheiro. Alguém que não vai brincar com os seus
sentimentos.
Talvez o Nick esteja certo. Ele não tinha sorte com seus
encontros. Talvez fosse hora de mudar as coisas.

Depois que ele tinha saído da Agência, Colton foi para casa da
mãe dele. Assim que entrou pela porta, ela beijou sua bochecha, o fez
sentar e colocou um prato de comida na frente dele.
— Você está muito magro. — Ela disse, em seguida, sentou-se
à mesa com ele.
Colton estava longe de ser magro, mas ele tinha aprendido há
muito tempo a não discutir com ela. Ele também tinha aprendido a lê-la,
e algo estava se passando na mente dela. Um nó formou-se na sua
barriga. Apenas uma coisa a faria se curvar ligeiramente para frente
enquanto suas mãos descansavam entre os joelhos.
— Onde está o Anthony? — Ele perguntou, ignorando
completamente o seu prato. Da forma como ela estava tensa, ele sabia
que tinha adivinhado corretamente. Seu irmão mais novo sempre estava
causando algum tipo de problema.
— Seu irmão deve estar aqui em breve.
Ela passou uma mão sobre os seus cabelos ruivos uma vez
brilhantes, que agora eram maçantes e finos. A inquietação disse a
Colton que a sua suposição anterior sobre o seu irmão tinha sido exata.
Sua mãe sempre ficava inquieta quando Anthony estava em apuros Ela
remexeu-se no seu assento, olhando em direção ao balcão, evitando o
olhar dele.
— O que ele fez agora? — Perguntou-lhe, inseguro se ele
realmente queria saber. Seu pai tinha sido morto quando Colton tinha
sete anos e Anthony três. Ao longo dos anos Colton tinha ajudado a criar
o seu irmão mais novo, mas Anthony tinha uma propensão não só para
arranjar problemas, mas um talento especial para esconder a merda
obscura que fazia. Ele era um mestre em encobrir a sua bunda.
Colton tentou endireitar Anthony, mas nada funcionou por muito
tempo. Ele conseguiu um trabalho para Anthony e o seu irmão perdeu.
Ele emprestou dinheiro ao seu irmão uma vez para começar um negócio,
mas Anthony jogou tudo fora.
Colton não tinha certeza de onde ele tinha errado, mas algo
estava seriamente fodido na cabeça do seu irmão.
Pelo jeito que a sua mãe torcia as mãos no colo, Colton sabia
que Anthony tinha realmente estragado tudo desta vez.
— O que ele fez? — Ele repetiu.
— Ele diz que não foi culpa dele. — Ela disse com lágrimas nos
olhos e a voz tensa. Olhos azuis imploravam a ele. — Você tem que falar
com ele, Colton. Ele te ouve.
Anthony não dava ouvidos a ninguém, mas Colton não discutiu
com ela.
— O que. É. Que ele. Fez?
Ela mordeu o lábio inferior e olhou para longe.
— Ele disse que estava indo a mercearia Galati ontem à noite,
quando três leopardos o atacaram. Foi legítima defesa.
Colton tinha medo de fazer a próxima pergunta, mas já sabia a
resposta.
— Ele matou algum deles?
— Não foi culpa dele!
Lidar com um irmão rebelde tinha sido ruim o suficiente. A mãe
dele sempre tinha inventado desculpas para Anthony. Tanto quanto ele a
amava, ela era omissa em relação ao irmão.
— Ele matou alguém? — Colton perguntou um pouco mais
firme.
Lágrimas escorreram dos seus olhos quando ela assentiu com a
cabeça.
— Todos os três. Você tem que tirá-lo disso.
Ela saltou da mesa e apertou o braço firmemente. Havia pânico
e um pouco de histeria na voz dela.
— Promete-me, Colton. Prometa que você vai ajudá-lo a sair
dessa situação.
Se ele prometesse, então Colton teria que manter a sua palavra.
Ele era um homem de honra. Ele mantinha suas promessas. Ela estava
colocando-o em uma situação muito difícil.
Ele fechou os olhos enquanto seu peito apertava com força.
Apesar de todos os problemas em que o seu irmão tinha entrado Colton
realmente amava o cara, mas ele não podia ajudar Anthony dessa vez.
Ele tinha assinado à sua sentença de morte.
— Promete-me! — Ela levantou sua mão frágil e ele deu-lhe um
tapa na cara. — Seu pai gostaria que cuidasse dele. Não pode tirá-lo de
mim!
Colton apertou os dentes. Era sempre sobre Anthony. Nunca
tinha mostrado interesse no que ele fez, a menos que ela precisasse da
sua ajuda. Como agora. Ele amava sua mãe, mas uma parte dele se
ressentia dela.
Ela também era a única pessoa no planeta que poderia levantar
a mão para ele. Se alguém mais fizesse isso estaria morto.
Maldito seja. Ele não podia recusá-la, não quando ela parecia
que iria desmoronar a qualquer segundo. Colton sempre cedeu às
exigências da sua mãe. Ele nunca foi capaz de dizer não para ela, mas
desta vez essa fraqueza poderia matá-lo.
— Prometa-me. — Ela sussurrou.
Rangendo os dentes até ele se preocupar que eles iriam
quebrar, Colton assentiu com a cabeça.
— Eu prometo.

Capítulo Dois

Jason pegou dois pratos de torta antes de se dirigir a uma das


mesas. A lanchonete estava lotada durante toda a noite e ele não tinha
sido capaz de fazer uma pausa até agora.
Durante a última hora, seu amigo esteve esperando. Ele e
Benjamin se conheciam há dois meses, e o chefe de Jason nunca
reclamou quando Benjamin ia até a lanchonete.
Ele colocou um dos pratos na frente de Benjamin e sentou-se.
Jason comeu um pedaço da sua torta de maçã antes de dizer:
— Eu juro que os homens aqui ficam mais quente a cada dia.
Benjamin olhou ao redor, ignorando a sua fatia. Sem dúvida o
cara estava analisando o lugar em busca de alguém para levar para
casa.
— Você deveria deixar um deles te foder. Não há nada como
um ótimo sexo para ajudá-lo a superar Derrick.
Toda vez que Jason ouvia o nome do seu ex-namorado, ele
queria esfaquear algo. De preferência Derrick.
— Você não namora um cara para esquecer outro.
Benjamin fixou seus olhos cor de avelã em Jason, dando-lhe um
olhar divertido quando uma das suas sobrancelhas loiras se ergueu.
— Você é adorável. Não estou falando sobre namorar alguém.
Estou falando de sexo. Do tipo que te faz gritar por Deus e incendeia o
seu sangue. — Benjamin se abanou. — Merda, eu preciso parar de me
excitar assim.
— Há algo seriamente errado com você. — Jason murmurou.
— Querido, não há nada de errado comigo, exceto pelo fato de
que eu não tenha nenhum pau no momento. Sério. Você devia pensar
sobre um encontro.
Jason não fazia sexo casual, ou pelo menos essa nunca foi a sua
intenção. Ele tinha o mau hábito de deixar seus sentimentos se
envolverem, mesmo quando ele sabia que não deveria. Benjamin deu
uma palmada impaciente e suspirou.
— Você tem que aprender a não ficar emocional quando um
cara está interessado em você. Tudo o que eu estou dizendo é que a
maioria dos homens só quer uma coisa.
Jason empurrou o prato para longe, sem fome.
— Eu não sou aventureiro. — Argumentou Jason.
Benjamin riu, depois respirou fundo enquanto seu sorriso
desaparecia nas bordas.
— Querido, não há nada de errado em querer se estabelecer.
Você só tem que aprender a diferenciar entre alguém interessado em
compromisso e alguém apenas querendo foder você.
Olhando ao redor, Jason tinha certeza de que nenhum dos
homens na lanchonete estaria interessado nele. Cada cara que
trabalhava no Grizzly era lindo, mas ele não namorava pessoas com
quem trabalhava. Por que ele não poderia encontrar um cara gostoso
interessados em mais do que sexo?
— Eu não posso diferenciar entre os dois. — Admitiu o Jason. —
Acho que nasci sem esse talento.
— Merda, eu posso. — Benjamin, bufou. — Eu acho que nunca
me apaixonei por um cara que já transei. Pare de procurar cercas
brancas e vá para o esfrega-esfrega, chupar, foder e coisas do tipo.
Confie em mim, Jason. Você vai me agradecer depois.
Jason se desligou de Benjamin quando ele caiu no seu lugar.
Toda aquela conversa sobre sexo estava deixando-o excitado e ele nem
tinha um namorado.
Ele começou a olhar ao redor, imaginando se Benjamin estava
certo, quando dois deuses entram pela porta. Bom Deus todo-poderoso.
Os dois homens eram impressionantes, mas o mais alto roubou o fôlego
de Jason. Seu coração bateu um pouco mais rápido quando comia o cara
com os olhos.
O estranho não era bonito como Derrick. Ele era o epítome da
testosterona. Seu andar era sexy como pecado, um corpo de morrer. Ele
era todo escuro e tinha um sorriso de matar. E também tinha os olhos
mais lindos que já tinha visto e Jason era um otário para olhos bonitos.
Eles eram da cor das nuvens de tempestade, acentuados pelos grossos
cílios pretos que qualquer mulher invejaria.
Jason daria seu testículo esquerdo para estar com alguém
assim.
Ele mordeu seu lábio inferior, enquanto observava os dois
sentarem em uma das mesas. Se pensava que os homens à sua volta
estavam fora do seu alcance, o forasteiro bonitão estava a anos luz de
distâncias.
Benjamin bufou:
— Você deve estar brincando comigo. Eu conheço esses dois. É
Matthew Romero e Nick Steele. O que você está babando é Matt, e ele só
namora homens exóticos. Ele estava namorando um cara chamado Miles,
mas eu não tenho os visto juntos em um mês. — Ele franziu a testa. —
Na verdade, eu não vi Miles por perto.
Ele gostava de Benjamin, mas às vezes seu amigo era o idiota
mais insensível, mesmo que ele estivesse dizendo a verdade.
— Eu posso ser exótico — Jason exclamou.
— Detesto ser o portador de más notícias, mas não, você não
pode. — Disse Benjamin. — Matt gosta de strippers. A menos que você
decida mudar de carreira, desista.
Jason franziu o cenho.
— Você acabou de me chutar a bunda?
— Eu só estou sendo realista. — Benjamin defendeu-se.
Jason estava começando a acreditar que ele não estava
destinado a encontrar a felicidade. Ele ia acabar velho e sozinho com
uma horda de gatos. Ele ficou parado, seu humor azedou, e agarrou o
prato.
— Meu intervalo acabou. Eu vou pensar em me tornar um
monge.
Benjamin revirou os olhos.
— Pense no que eu disse. Escolha um cara aleatório e faca
sexo.
— Obrigado pelo Conselho, Dr. Phil. — Jason disse secamente
antes de caminhar através das mesas e voltar ao bar.
Ele jogou a torta não consumida no lixo antes de colocar o prato
de lado. Quando se virou, o garçom piscou para ele. Jason franziu a
testa e, em seguida, olhou para trás.
Ninguém estava de pé ali. Essa piscadela tinha sido para ele?
Ele trabalhava no Grizzly há dois meses e, embora Darius fosse sempre
legal com ele, nunca flertara com Jason.
Talvez o barman tivesse algo nos seus olhos.
Ignorando o comportamento estranho de Darius, Jason colocou
seu avental de volta e se dirigiu para a mesa de Matt. Quando ele se
aproximou, quase perdeu a coragem.
Os dois homens estavam conversando e nenhum deles notou
Jason parado ali. Ele se remexeu e depois tentou falar, mas sua garganta
ficou seca. Matt olhou para cima, e os seus olhos cinza-esfumaçados
roubaram a respiração de Jason.
Ele teve que se forçar a não ficar de boca aberta. Seu pulso
acelerou quando ele imaginou como seria sexo com Matt. Jason apostou
que seria fantástico.
Nick apenas ficou lá olhando para Jason com um leve interesse.
O cara lembrou Jason de um assassino frio como pedra.
Jason respirou fundo e lentamente. Ele forçou um sorriso e
perguntou a Matt:
— Posso me entregar a você?
Assim que as palavras saíram dos seus lábios, Jason desejou
que um buraco se abrisse e o engolisse. Nunca na sua vida ele estivera
mais envergonhado do que estava agora
— Eu quis dizer, no que posso ser útil?
O brilho de riso nos olhos de Matt, só o fez querer fugir ainda
mais.
Nick cutucou Matt e empurrou a cabeça em direção a Jason. Ele
tinha certeza do que se tratava. Talvez Nick estivesse silenciosamente
zombando. O idiota balançou a cabeça disse:
— Você acredita nesse perdedor?
O olhar intenso de Matt fez Jason corar.
— Gosto mais da primeira oferta.
Jason piscou algumas vezes quando ele deu um passo para trás.
Ele tinha que ter ouvido Matt errado. Nenhum modo
enlouquecedor esse homem estava interessado nele. Ele riu
nervosamente enquanto colocava o lápis sobre o bloco.
— Bebidas para começar?
Depois que os dois fizeram os seus pedidos, Jason girou e quase
quebrou o pescoço para ficar longe deles.
— Ursos são os melhores. — Darius disse com um sorriso
quando Jason pisou atrás do bar.
Jason não sabia o que ele estava falando.
— Com licença?
O garçom encolheu os ombros enormes como seu sorriso largo.
— Só dizendo...
As coisas estavam ficando muito estranhas. Tudo estava bem
antes do seu intervalo. Poderia a torta de maçã estar ruim? Jason só deu
uma mordida. Ele passou o pedido de bebidas para Darius antes de
cuidar das suas outras mesas, ignorando propositadamente a de Matt.
Jason observou os trigêmeos LaSalle entrando na lanchonete.
Eles eram os irmãos de Darius, os três homens lembravam a Jason do
seu pai - tipos grandes e corpulentos, tipo motoqueiros. Todos os dez
filhos de Devin eram lindos e todos os intimidavam, embora nunca
tivessem feito nada para deixar Jason desconfiado deles.
Eles pararam para falar com Matt e Nick antes de seguirem o
caminho de Jason. O filho mais velho de LaSalle, Raphael, olhou para ele
e piscou antes de desaparecer na cozinha.
Quando os pedidos de bebidas de Matt e Nick estavam prontos,
Jason as pegou, levou os copos e depois puxou seu traseiro longe. Ele
não precisava se envergonhar mais do que ele já tinha.
E ficou aliviado quando Matt e Nick finalmente saíram. Talvez
agora a noite pudesse voltar ao normal e o universo pudesse se
realinhar.

— Derrube-o. — Matt gritou enquanto contornava o Hummer,


mas Eric passou por ele antes que pudesse agarrar o vampiro.
Colton fingiu ir para a esquerda e foi para a direita quando Nick
checou a fêmea deitada no chão. Mesmo de onde Matt estava ele já
sabia que ela estava morta. Se eles tivessem ido atrás de Eric vinte
minutos antes, talvez Matt pudesse ter salvado a vida dela. Sua morte
foi um desperdício trágico e uma das razões pelas quais ele estava tão
irritado que Eric era uma captura e não uma morte. Matt adoraria
arrancar o coração do bastardo.
— Cuidado! — Nick gritou. Eric pegou um cano longo e
balançou na cabeça do Colton. Colton deixou a fêmea no chão quando
ele ficou de pé, apontou sua arma e disparou, errando Eric por um fio de
cabelo.
Nick e Colton foram atrás de Eric e o perseguiram na parte de
trás do armazém que ficava na periferia de Mercury. Matt estava dando a
volta. Em vez de entrar, ele pegou um atalho para a frente.
Posicionou-se junto à porta aberta da baia, tirou a Beretta do
coldre e esperou. As balas foram mergulhadas em um produto químico
que derrubaria o vampiro por um tempo, o que lhes daria tempo para
devolvê-lo a Magnus antes que ele acordasse.
Eric correu pela porta da baía, rindo dos seus perseguidores
antes de avistar Matt. Seus olhos se arregalaram e ele parou tão rápido
que quase caiu de cara no chão.
— Espere. — Eric disse quando levantou as mãos. — Foi uma
armadilha!
— Guarde suas explicações para Magnus. — Matt apontou sua
arma no peito do Eric.
— Não! — Eric girou quando Matt atirou. O vampiro caiu antes
que ele pudesse dar outro passo.
Estava francamente chateado que não poderia colocar um
buraco permanente no bastardo. Eric saboreou a matança. A centelha de
excitação estava nos olhos do vampiro quando Matt rolou o cara. Eric
sentia prazer em se alimentar do medo das suas vítimas mais do que o
seu sangue, e isso fazia dele o pior tipo de monstro.
Os shifters ficavam da mesma maneira quando esqueciam sua
humanidade e deixavam sua fera assumir o controle. Matt uma vez
matou um leão porque o cara gostava da sensação de rasgar a garganta
da vítima, apreciou o terror, o implorar, a luta. O leão admitiu antes que
Matt o matasse.
Algumas pessoas eram muito retorcidas para viver.
Colton e Nick estavam na porta, Colton ofegando fortemente
enquanto seu olhar passava de Eric para Matt.
— Como diabo chegou aqui tão rápido? — Nick perguntou.
Matt sorriu enquanto ele guardava sua arma no coldre.
— É por isso que eu sou o chefe.
Nick fez uma careta e Colton permaneceu quieto. Ele tinha
estado assim desde que voltou da sua tarefa. Matt não era de bisbilhotar,
então ele não perguntou o que estava errado, mas algo estava
definitivamente errado.
— Odeio perseguir vampiros. — Matt disse a Nick. — Trabalhe
de maneira mais inteligente, não mais difícil. Aprenda a ler o próximo
movimento do seu oponente e contra-ataque.
Colton pegou Eric e levou o corpo inconsciente para o Hummer.
— Pura sorte. — Nick reclamou quando Matt abriu a traseira do
veículo para que Colton pudesse jogar Eric dentro.
— Agarre a fêmea. — Disse Matt. — Não podemos deixá-la
deitada lá para que alguém a descubra.
Quando Colton foi na sua direção, Nick perguntou:
— Você vai resolver as coisas com Jason?
Ele se afastou para que Colton pudesse deitá-la ao lado de Eric,
então ele cruzou as mãos sobre o peito.
Matt estava sob a lâmpada da rua enquanto vislumbrava a
ternura nos olhos de Colton. Embora seu trabalho não fosse bonito, era
bom saber que os seus homens tinham compaixão pelas vítimas.
— O garçom do Grizzly? — Colton perguntou quando ele
endireitou e virou-se para Nick.
— Matt está pensando em sair com o cara.
Colton franziu a testa.
— Por quê?
— Agora quem não tem sensibilidade? — Nick perguntou.
Colton franziu o cenho.
— O que diabos a sensibilidade tem a ver comigo, perguntando
a Matt por que ele quer sair com o cara do Grizzly?
— Quem eu namoro ou não namoro não está aberto a
discussão. — Matt disse fechando a parte de trás do Hummer. — Vocês
precisam de uma vida.
— O que precisamos é sair daqui. — Nick olhou ao redor. — Se
está tudo bem para você, prefiro não ser pego com dois cadáveres. A tez
pálida do Eric o faz parecer morto.
— Nem me diga. — Colton disse.
Matt bateu a traseira do Hummer fechada antes de saírem dali.
Capítulo Três

Eram três da manhã quando Jason finalmente saiu do trabalho.


Ele estava pronto para ir para casa e plantar o rosto na sua cama depois
de trabalhar doze horas.
Seu prédio de apartamentos ficava a apenas seis quarteirões de
distância, mas odiava andar nas primeiras horas da manhã. Era por isso
que carregava uma lata de spray de pimenta.
Havia se aproximado do segundo quarteirão quando uma
sensação desconfortável o dominou. Olhou ao redor das ruas escuras,
mas ninguém estava lá. Andou mais três quarteirões e não conseguiu
afastar a sensação de estar sendo seguido. Parou, virou e examinou
todas as lojas e buracos, e os espaços entre os prédios, mas não viu
ninguém.
Não tinha certeza se a sensação era real ou se as ruas escuras e
desertas estavam bagunçando a sua mente. Esperava que alguém
aparecesse e o perseguisse pela rua.
─ Não seja idiota ─ murmurou para si mesmo.
Virou e correu diretamente para uma parede de carne dura.
Jason começou a cair, mas um braço se apoderou dele. Sem pensar,
enfiou o dedo no bico do spray de pimenta.
─ Ah Merda! ─ Jason gritou quando uma brisa leve soprou no
seu rosto. Caiu nas suas mãos e joelhos, sentindo como se o seu rosto
estivesse em chamas. Apertou as palmas das mãos nos olhos enquanto
lágrimas rolavam por suas bochechas. ─ Deus, isso queima!
─ O que diabos você estava fazendo?
A voz rica e melodiosa era familiar.
─ Matt?
─ Levante a cabeça.
Eu sou um perdedor.
Jason fez o que lhe foi dito e se sacudiu quando algo frio e
molhado derramou nos seus olhos. Água. Não parou a queimadura, mas
ele queria que o máximo de material pudesse sair dos seus olhos. Piscou
rapidamente quando Matt continuou a derramar.
─ Melhor?
─ Defina melhor.
Usou a ponta da camisa para limpar os olhos.
─ Eu posso não ficar cego, mas meus olhos parecem que estão
caindo da minha cabeça. O que você está fazendo aqui tão tarde?
─ Verificando se todos os postes de luz estão acesos ─
respondeu. Quando olhou para cima, tudo o que viu foi uma mancha alta
na frente dele.
Sentiu dedos segurarem o seu queixo e depois inclinar a cabeça
de um lado para o outro.
─ Você fez um número em si mesmo.
─ Eu deveria fazer esse número com você ─ ele reclamou,
sentindo-se um completo idiota. Esta era a segunda vez esta noite que
fez uma idiotice na frente de Matt.
─ Essa é a coisa sobre sprays. Sempre verifique de que lado o
vento está soprando. ─ Matt soltou o seu queixo. ─ Andando para casa
do trabalho?
Jason assentiu. Estava feliz por não poder vê-lo. Com a sua
sorte, um olhar para o lindo rosto do cara o faria terminar sua noite com
um grande final de estupidez.
─ Você não pode andar para casa assim. Diga-me onde mora e
eu vou levá-lo.
Ele abriu a boca para recusar e depois fechou. Se Matt não o
ajudasse, então ficaria parado ali até que pudesse ver de novo. O
pensamento não era atraente. Pela maneira como as coisas estavam
indo, um bando de cães raivosos o atacaria enquanto esperava.
─ Os apartamentos em cima da Sweetie Pies.
─ Eu sei onde fica a padaria.
Matt segurou seu braço e o guiou até que Jason ouviu a porta
de um carro abrindo. Música rock flutuava de dentro. Não era alto, mais
como um ruído de fundo.
─ Suba e depois deslize para o banco.
Jason mais uma vez fez o que lhe foi dito. Outra porta se abriu e
fechou, e um segundo depois eles estavam se movendo.
─ Sobre o que eu disse antes, ─ Ele começou, sentindo a
necessidade de suavizar as coisas.
Ouviu uma risada suave e masculina.
─ Não pense nada disso. Como eu disse, gostei mais da sua
primeira oferta.
Não sabia o que fazer com Matt.
─ Mas por que? ─ Perguntou quando sentiu o carro virar à
esquerda. ─ Eu realmente não sou o seu tipo.
─ Como você sabe disso?
─ Porque não sou um stripper. ─ Jason ofegou. ─ Quero dizer...
─ Eu sei o que você quer dizer. ─ Havia humor na voz dele. ─
Mas as pessoas envelhecem e os seus gostos mudam.
Jason franziu a testa.
─ Você parou de namorar Miles, o que, quatro semanas atrás?
Quanto mais conseguiu em vinte e oito dias? ─ Se o que Benjamin lhe
contara fosse verdade.
A risada profunda e melodiosa encheu o carro mais uma vez.
─ Você vai parar de me interrogar?
Essa era a última coisa que estava tentando fazer.
Simplesmente não entendia o interesse repentino de Matt. Por que
diabos um cara como ele gostaria de alguém como Jason?
Pensou no conselho de Benjamin e se perguntou se ele estava
procurando por uma noite só. A ideia o emocionou como o assustou até
a morte. Estava acostumado a lidar com garotos bonitos ou nerds.
Embora Matt fosse francamente lindo, era um homem viril, robusto e
intimidante.
─ Parar de interrogar você para quê?
Queria ser claro sobre as intenções de Matt.
─ Para nos conhecermos ─ disse Matt, deixando-o ainda se
perguntando o que o cara queria dele. Perguntaria imediatamente, mas
já se envergonhou o suficiente por uma noite.
O carro desacelerou e parou, mas Jason ainda não conseguia
enxergar com muita clareza. Pegou a maçaneta e estalou os dedos na
porta. Não ia chegar ao seu apartamento em um pedaço. Fez uma nota
mental para subir as escadas dos fundos para não cair para a morte. Não
que houvesse muitos degraus, mas provavelmente o derrubaria e
quebraria o pescoço.
Era embaraçosamente óbvio que se tornou um idiota ao redor
de Matt.
─ Eu vejo que vou ter que te levar até a porta.
Antes que pudesse protestar, ele o tirou do carro e o conduziu
pela entrada dos fundos.
─ Qual apartamento é o seu?
─ Número quatro ─ respondeu.
O deixou guiá-lo pelos degraus. Sua visão estava começando a
clarear, embora seus olhos ainda doessem como o inferno. O silêncio era
estranho, mas não conseguia pensar em nada para dizer. Nenhum
homem estonteante o levara a sua porta antes.
Não é um encontro, tolo.
Eles entraram pela porta de entrada no topo dos degraus e
Jason pôde ver o vaso de plantas e a arte brega na parede do corredor.
─ Eu acho que minha visão está clareando.
─ Só para ter certeza, eu ainda quero andar com você todo o
caminho.
Seu pulso bateu mais forte. Ele falou com Benjamin sobre ser
aventureiro, mas não era quem era. Era construído de forma diferente e
sabia disso. A maioria dos caras não se importava de ter um romance de
uma noite, mas Jason não conseguia separar seus sentimentos do sexo.
Você é um caso sem esperança.
─ Obrigado por me ajudar depois que eu me agredi ─ disse
quando chegaram à sua porta. Aparentemente, a dose de spray de
pimenta acabara de prejudicar sua visão, não sua habilidade de dizer
coisas estúpidas.
Via o suficientemente claro agora, e inalou bruscamente quando
Matt sorriu. Não deveria ser legal alguém parecer tão sexy.
─ Não tem problema. Acho que devo dar outra olhada nos seus
olhos, só para estar seguro.
Jason mordeu o lábio inferior enquanto abria a porta. Não tinha
o hábito de convidar estranhos para a sua casa. Oscilou na incerteza
antes de olhar por cima do ombro. O aroma masculino de Matt encheu a
pequena entrada dentro de seu apartamento. Pensou sobre o conselho
de Benjamin mais uma vez e depois levou-o para dentro.

Colton passou a noite procurando pelo seu irmão. Rastreava


pessoas para ganhar a vida, mas estava chegando a um beco sem saída
hoje à noite com Anthony. Seu irmão era o maior idiota que conhecia,
mas ainda era seu irmão. Queria que ele explicasse o que aconteceu
antes que o Conselho emitisse o mandado.
E eles emitiriam.
Era só uma questão de tempo.
Estacionou a uma quadra do armazém na Dunham Avenue. O
prédio de tijolos tinha sido remodelado em uma boate. Todas as janelas
haviam sido pintadas de preto por um motivo.
Black Dragon era de propriedade de vampiros.
Era sexta-feira à noite e o lugar estava repleto de seres
humanos, uma miscelânea virtual para os mortos-vivos. Enquanto os
vampiros de Magnus limpassem as memórias daqueles de quem se
alimentavam, ninguém os incomodava.
─ Você ficou louco aparecendo aqui depois do que você fez com
o Eric ─ disse Andreas. O vampiro estava sentado em um banquinho,
com os braços cruzados sobre o peito enquanto eliminava o indesejável
da fila que esperava para entrar no clube. Colton havia lidado com ele e
o seu ego antes e nunca foi agradável.
─ Ele matou cinco pessoas ─ respondeu, mantendo a calma.
Precisava entrar e irritar o cara que cuidava da porta seria
contraproducente.
Sabia que Anthony lidava com alguns negócios obscuros de vez
em quando para os vampiros. Precisava ver se o irmão tinha ido
procurá-los em busca de abrigo.
Andreas deu de ombros casual.
─ Prove isto.
Não estava prestes a ter um concurso de mijo com o
sanguessuga.
─ Eu tenho permissão para entrar?
Andreas olhou de lado para Colton, dando-lhe uma olhada.
─ Você está aqui para começar um problema?
─ Eu pareço o tipo de começar alguma merda?
Ele sorriu. As pontas das suas presas apareceram, e Colton
sabia que tinha feito isso de propósito. Vampiros eram arrogantes pra
caralho.
─ Vá para dentro por sua conta e risco ─ disse Andreas, depois
desviou o olhar, como se não fosse mais uma fonte de diversão.
Dentro da porta havia um longo corredor com portas duplas no
final. À direita, havia uma bilheteria atrás da qual havia um vampiro de
aparência entediada. À esquerda estavam os banheiros.
Parou na janela para carimbar as costas da mão com um M.
Magnus não era nada se não vaidoso. Agradeceu a garota e se dirigiu
para as portas duplas, empurrando-as para entrar.

Matt olhou ao redor do apartamento. A sala de estar era


decorada com móveis de segunda mão, ainda que contraditórios.
─ Posso trazer-lhe alguma coisa para beber?
Sentiu o desconforto do macho. Era tão potente quanto antes,
quando Jason anotou seu pedido no Grizzly. Entrou mais no
apartamento. A sala de estar se abria para uma cozinha com apenas um
balcão estilo bar que separava os cômodos. O lugar era pequeno, mas
agradável.
─ Água. ─ Ele sorriu. ─ Desde que parece que usei a minha
para lavar os seus olhos.
O macho corou antes de pegar um copo no armário e enchê-lo
com água da torneira. Deixou cair alguns pedaços de gelo antes de girar.
Matt colocou as mãos na borda do balcão, prendendo Jason.
─ Mas provar você seria ainda melhor.
O aroma exótico de Jason, mel grosso e fogo selvagem,
penetrou na pele de Matt, se enrolando em torno dos seus sentidos.
Podia dizer que o humano o queria. Seus belos olhos verdes estavam
arregalados enquanto o olhava. Mergulhando a cabeça, seus lábios
pairaram perto de Jason, atraindo a respiração do macho enquanto
esperava.
O copo escorregou da mão dele e se espatifou no chão quando
agarrou sua camisa e o puxou. Merda, Matt não esperava que o cara
assumisse o controle, mas não se importou quando os lábios colidiram
com sua língua antes dele morder o lábio inferior de Jason e puxar um
pouco para trás.
Seu lobo se aproximou da superfície, mas o forçou de volta,
impedindo que o animal tentasse assumir o controle. Jason não sabia
nada sobre o seu mundo, e não ia cometer o mesmo erro com ele que
cometeu com Miles.
Agarrando a bainha da camisa dele, puxou o material sobre a
cabeça do macho, jogando-a de lado. O peito de Jason subiu e caiu em
arquejos rápidos, sua respiração superficial.
Pegou o homem, e ele passou as pernas ao redor da sua cintura
enquanto caminhava até a sala de estar, depois deixou-o de costas no
sofá. Seu corpo era duro e apertado quando mordeu, lambeu e chupou a
boca de Jason antes de se agarrar ao seu ombro.
Tinha um forte desejo de morder e teve mais uma vez que
forçar o seu lobo a voltar. Nunca havia agido assim com um homem
antes.
Mas, novamente, Jason era diferente dos homens com quem
estava acostumado. Ele não exigiu que lhe comprasse um presente caro
ou um novo guarda-roupa para conseguir transar. Estava
voluntariamente se doando sem pedir nada em troca.
Era uma mudança refrescante que deixou Matt excitado. A
maioria achava que namorava strippers por causa da sua beleza, mas os
namorava para preencher um vazio. Ele era um alfa, dono de uma
empresa, e tão solitário que em alguns dias queria se afastar de tudo.
Por trezentos anos, esteva procurando por aquele homem que
poderia tomar o lugar da solidão que era sua companheira constante.
Matt diminuiu a velocidade, tomando seu tempo enquanto
beijava um caminho por cima do ombro de Jason e depois pelo seu peito
magro, onde chupou um mamilo entre os dentes. As mãos dele estavam
em toda parte, e o seu toque sutil estava deixando-o louco.
Jason ofegou, arqueando as costas enquanto passava as mãos
pelo seu cabelo. Matt alcançou entre eles, tirou-lhe a calça e separou o
material. Serpenteou a mão sob a roupa de baixo dele e envolveu seu
punho ao redor da ereção do seu amante.
─ Oh Deus ─ disse Jason em um gemido suave. Seus quadris
empurraram quando Matt lentamente o acariciou, rolando o mamilo duro
entre os dentes. Seu próprio pau esticado latejava contra a sua calça,
desesperado para ser libertado.
Empurrou seus quadris, e o leve atrito fez um grunhido baixo
vibrar no seu peito. Queria muito estar dentro dele. Seu lobo uivou de
acordo.
Em um movimento fluido, virou os dois até que estava sentado
e Jason estava sentado no seu colo. Segurou o rosto dele e puxou-o para
baixo para que pudesse beijá-lo.
─ O que você precisa que eu faça para agradar você? ─ Jason
perguntou na boca de Matt.
A questão o surpreendeu. Ninguém nunca lhe perguntou isso
antes. Foi pego de surpresa, incapaz de pensar por um momento.
Afastou-se, olhando para Jason e viu a verdade nos seus olhos verdes.
Ele não estava apenas incerto, mas nervoso.
─ Seja aquele que se encaixa.
Rugas fracas se formaram entre os olhos de Jason.
─ Eu não tenho certeza se entendi.
─ Só sendo você já me agrada ─ disse Matt e depois piscou. ─
Mas tirar o resto das suas roupas seria legal.
Ele se levantou e se despiu. Matt tirou a camisa antes de
desafivelar a calça e abaixá-la. Jogou os sapatos e as meias na beira do
sofá, depois tirou a calça.
Escondeu o sorriso quando o olhar de Jason foi direto para sua
virilha.
─ Eu vou pegar o lubrificante.
Matt observou o traseiro dele enquanto o homem se afastava.
Seu pênis estremeceu, ansioso para sentir o corpo de Jason em volta
dele. Os lobos tinham seu próprio lubrificante natural, mas desde que
estava tentando esconder o que era, não o impediu de sair da sala.
Inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto, soltando um
suspiro profundo. Pela primeira vez adoraria ser ele mesmo com um
amante sem estar preocupado se aquele amante se voltaria contra ele e
tentaria expor o que era para o mundo.
Quando Jason voltou, parou no final do sofá.
─ Você me quer de volta no seu colo?
A ternura floresceu dentro de Matt enquanto olhava para a
postura nervosa de Jason. O olhar do seu amante disparou ao redor,
nunca pousando nele.
Abrindo os braços, assentiu.
─ Vem cá, querido.
Ele montou seu colo, e Matt passou os braços ao redor dele.
Segurou Jason enquanto o beijou, sem pressa, permitindo que o calor
fervente se transformasse em um incêndio crepitante.
Enquanto continuava a ajuda-lo a relaxar, retirou o lubrificante
da mão dele. Abriu a tampa e serviu uma quantidade generosa ao longo
de seu comprimento. Colocando a garrafa de lado, juntou um pouco do
lubrificante e circulou seus dedos ao redor da abertura de Jason.
Ele assobiou antes de enterrar o rosto no seu ombro. Sua
respiração saiu em suspiros quando Matt deslizou dois dedos dentro do
calor apertado. Seus caninos ameaçaram alongar enquanto trabalhava
para soltar os músculos.
─ Foda-me, Matt ─ Jason sussurrou no seu ouvido.
Retirando a mão, agarrou seu pênis e guiou-o até o ânus dele.
Seu punho quase estrangulou sua ereção.
─ Leve-me para dentro do seu corpo, Jason.
Apertou os dentes enquanto ele lentamente o trabalhou para
dentro. Ambos gemeram quando a cabeça do seu pênis o violou. Seus
quadris instintivamente empurraram. Matt trancou seus músculos no
lugar, permitindo que Jason se ajustasse ao seu comprimento enquanto
a umidade suave rodeava seu pênis.
Agarrou os quadris dele, inclinando a cabeça para trás enquanto
o prazer o envolvia. Um longo e profundo gemido lhe escapou enquanto
balançava para cima e para baixo.
Matt lutou com o grunhido ameaçando entrar em erupção. O
incrível prazer da carne de Jason contra a dele era quase enlouquecedor.
Incapaz de aguentar mais tempo, empurrou com força, gemendo a cada
golpe no calor apertado que o segurava.
O instinto o guiou agora. Não conseguiu controlar. Empurrou seu
pênis dentro de Jason, o prazer tão bom que ele queria uivar com isso.
─ Matt, não pare.
O apelo foi um suspiro duro, um gemido ofegante quando suas
mãos foram para os ombros dele e as suas unhas morderam a pele.
─ Não planejo isso, querido ─ Matt sussurrou enquanto movia a
mão para o pênis inchado de Jason e acariciava suavemente.
Não planejou parar até que ambos estivessem gastos e suados.
Esta era a primeira vez que esteve no ponto de perder o controle tão
rapidamente. Suas bolas apertaram contra o seu corpo e ele sabia que
não demoraria.
Ficou impressionado com o calor apertado em torno do seu eixo
rígido e o olhar de puro êxtase no rosto de Jason. Seu amante gemeu,
chamando seu nome quando gozou. O sêmen quente se espalhou entre
eles, e o seu ânus apertou em torno do pênis de Matt.
Seu rosnado ecoou pela sala, e a necessidade de morder era tão
forte que não conseguiu se conter. Afundou seus caninos na carne entre
o pescoço e o ombro dele. Algo poderoso se soltou dentro dele. Uma
necessidade primordial de proteger e cuidar de Jason o embalou, junto
com o seu orgasmo. Seu coração parou de bater por um microssegundo
antes de começar de novo, ecoando o coração de Jason com batimentos
sincronizados, batendo como um só.
Soltou o pescoço dele e lambeu a ferida enquanto Jason caía
contra ele. Matt lutou para recuperar o fôlego, ainda com o
conhecimento de que encontrou seu companheiro.
Olhou para baixo para ver os olhos de Jason fechados. O
homem tinha adormecido. O pensamento de compartilhar uma vida com
o seu companheiro o fez doer. A possibilidade de que ele pudesse vir a
amá-lo era um sonho idiota, considerando que o seu próprio pai não
podia tolerá-lo. Embora soubesse que os seus amigos se importavam
com ele, isso não era o mesmo que ter o amor de um companheiro.
─ Jason, ─ Matt sussurrou suavemente enquanto alisava a mão
pelas costas úmidas do macho. Virou e o colocou no sofá antes de se
enrolar atrás dele. Nunca pensou que encontraria seu companheiro. As
probabilidades eram astronômicas, mas ali estava o macho que o destino
escolheu apenas para ele.
Parou o rugido se formando quando seu telefone tocou. Fale
sobre um mau momento. Pegou a calça descartada e o desenterrou do
bolso. O nome de Nick estava no identificador de chamadas.
─ É melhor que isso seja bom. ─ Matt manteve a voz baixa
para que não acordasse Jason.
─ É melhor ir para o Black Dragon antes que os vampiros
acabem com a vida de Colton.

Capítulo Quatro

Matt chegou ao Black Dragon em tempo recorde. Andreas, que


normalmente usava um sorriso superior sempre que o via, não o olhou
quando passou por ele. Entrou no vestíbulo para encontrar Colton em pé
no meio de Magnus e meia dúzia dos seus vampiros. O lobo parecia
querer matar cada um deles.
O olho esquerdo dele estava inchado e um corte no lábio ainda
estava sangrando. Alguns dos vampiros não pareciam ter saído ilesos da
luta, mas olhavam para o seu lábio como se o cheiro de sangue os
derrubaria a qualquer momento. Se algum deles atacasse, Matt iria
arrancar seus malditos corações.
─ Você tem cinco segundos para me dizer por que não deveria
matar esse filhote ─ Magnus disse para Matt, apesar do seu olhar
assassino nunca ter se desviado de Colton.
Matt ficou irritado com a demanda de Magnus. Passou pelo
círculo de vampiros para se posicionar ao lado de Colton.
─ Pela mesma razão que passei o Eric para você. Ordem de
capturar ou não, eu deveria ter terminado a maldita vida dele e você
sabe disso.
─ Mas você tinha uma ordem de captura para Eric ─ Magnus
disse acaloradamente.
─ Só porque o seu Mestre faz parte do Conselho.
Matt sentiu satisfação presunçosa quando os olhos de Magnus
se arregalaram levemente. O bastardo não sabia que ele estava a par
daquela informação.
─ Eu não tenho ideia do que você está falando ─ disse Magnus.
─ Mas você precisa colocar uma coleira no seu menino. Ele destruiu o
balcão e começou uma briga com cinco dos meus vampiros.
Matt queria colocar o pé no traseiro de Colton. O lobo sabia
melhor do que brigar em público. Se ele tinha que mostrar algum ponto,
deveria ter feito essa merda no mínimo. Nenhum alfa competente
permitiria que alguém escapasse desse tipo de desrespeito. Magnus
tinha que salvar sua reputação na frente do seu coven, e agora Matt
tinha que jogar legal para difundir a situação.
Mercury não sobreviveria a uma guerra entre lobos e vampiros.
─ Envie-me a conta pelos danos. ─ Sua voz era tão suave
quanto mel. Até lançou um sorriso apertado. ─ E eu vou lidar com o meu
menino.
─ Você pode sair com ele ─ Magnus disse com um aceno
desconsiderado. ─ Mas diga aos seus lobos que não são mais bem-vindos
no meu clube por causa das ações de Colton. Da próxima vez que eu
tiver um problema com a sua espécie, não serei tão complacente.
Este pomposo idiota falava a sério?
─ Você está me ameaçando?
As intenções de Matt de bancar o legal foram embora agora.
Estava pronto para rasgar Magnus em pedaços. Alfas e egos eram uma
combinação mortal, e ele teve que respirar fundo antes de fazer algo que
iria se arrepender.
Como queimar o Black Dragon até o chão.
─ Estou meramente declarando um fato ─ Magnus disse,
embora suas palavras calmas desmentissem a raiva nos seus olhos. Os
vampiros se aproximaram, como se estivessem se preparando para um
ataque. Matt mostrou seus caninos antes de se virar e sair, dizendo a si
mesmo que não estava escondendo a cauda, mas salvando Mercury de
um apocalipse.
Deslizou no seu Hummer e bateu a porta, fervendo quando
Colton entrou do outro lado. Quando estava a alguns quarteirões longe
da Black Dragon, pisou no freio e virou para ele, o pulso na têmpora
latejando.
─ Que porra foi essa?
─ Foi um mal-entendido.
Colton passou a mão pelo rosto e soltou um longo suspiro.
─ Eu perdi a paciência.
Matt segurou o volante enquanto contava até dez, lembrando a
si mesmo que iria se arrepender se o matasse. Também tentou lembrar
que nenhum dos seus homens era realmente estável e que os tirou de
merda pior que isso.
Esses lembretes não funcionaram, porque a raiz da sua raiva era
dupla. Primeiro, teve que ir embora depois que Magnus falou merda.
Estava completamente chateado que o idiota do Colton não tinha lidado
com a situação melhor. O cara nem parecia grato por ter tirado sua
bunda podre do fogo.
Em segundo lugar, Matt ficou lívido por ter que deixar seu
companheiro para lidar com essa besteira.
Poderia estar acordando Jason para a segunda rodada agora.
Em vez disso, estava sentado em uma rua vazia com sua noite atirada
para o inferno.
─ Você deve ficar no Pit e não deve sair até eu dizer que pode.
─ Mas...
─ A menos que esteja prestes a me dizer o que diabos está
acontecendo com você, sugiro fortemente que engula o que está prestes
a dizer.
Matt dirigiu para a agência em silêncio. Entrou no
estacionamento e observou quando Colton saiu e atravessou a porta da
frente.
Incomodava-o que ele estivesse passando por algo e não tivesse
procurado ajuda em Matt. Conhecia o cara há mais de cem anos e
achava que eles eram amigos íntimos.
Suspirou enquanto voltava para o apartamento de Jason. Seus
homens vinham de origens sórdidas e eram o grupo mais sujo e mais
áspero. Essa era uma das razões pelas quais exigiu que Colton não
saísse do Pit. O cara iria voltar para o Black Dragon para terminar o que
começou.
O Pit era mais do que apenas sua sala de descanso. Com o
passar do tempo, os homens haviam acrescentado a ela, e agora tinha
um bar, uma mesa de sinuca, uma televisão e móveis. Alguns até
consideravam a parte do edifício sua segunda casa. Ainda tinha quartos
em um corredor onde os homens poderiam descansar entre os
mandados.
Matt estacionou o hummer atrás da padaria e subiu os degraus
de dois em dois, ansioso por voltar para Jason.

Andreas endureceu quando Magnus saiu do clube. Ele poderia


dizer que o seu líder estava de mau humor.
─ Esses lobos precisam aprender uma lição ─ disse Magnus.
Andreas não concordou, mas não era suicida o suficiente para
protestar. Antes de ter sido transformado vinte anos atrás, era um
assistente social, lutando para manter irmãos de lares desfeitos juntos.
Sentiu que as ações de Colton foram justificadas.
Sim, ele deu ao lobo um tempo difícil, mas Andreas nunca
gostou do peludo. Independentemente de como se sentia em relação aos
lobos, a única coisa que Colton queria era pegar seu irmão e ir embora.
Sabia como era o carinho de um irmão mais novo, embora nunca mais o
viu.
Trey cresceria acreditando que ele o abandonou quando isso
estava longe da verdade.
─ Summon Bael ─ Magnus olhou as ruas como se estivesse
com vontade de derramar sangue. ─ O demônio me deve e eu estou
ligando para cobrar a dívida dele.

Jason sorriu quando se espreguiçou. Não sabia por que Matt


tinha desenvolvido um interesse repentino por ele, mas não estava
reclamando, não quando doia em todos os lugares certos. Talvez
Benjamin estivesse certo e o sexo fosse a cura para tudo.
Virou, pronto para se aconchegar quando percebeu que era o
único no sofá. Espreitando a borda, viu que as roupas de Matt tinham
sumido. Nem mesmo uma meia perdida foi deixada para trás.
Fale sobre o bater e correr.
Embora uma parte dele soubesse que Matt só queria sexo, a
decepção se instalou no seu peito. Por que teve a pior sorte com os
homens? Por que não encontrou alguém que queria ficar por perto? Não
era tão lindo quanto os homens do Grizzly, mas também não era
medonho. O que estava tão errado com ele que todos os homens
queriam dele apenas uma rápida transa?
─ Não se atreva a deixar seus sentimentos se envolverem. ─
Jason se levantou e foi até o banheiro. Depois de esvaziar a bexiga e
lavar as mãos, se olhou no espelho.
Suas sobrancelhas franziram quando viu a marca da mordida no
seu ombro. Os buracos estavam enrugados, vermelhos e pareciam que
já tinham começado a sarar. Ficou surpreso que Matt era um mordedor.
Nunca tinha sido mordido durante o sexo ou qualquer outra hora para
esse assunto. Que fetiche estranho para ter. Embora Matt fosse o sexo
com duas pernas, esperava que o homem não tivesse nenhuma doença
porque ele definitivamente tinha quebrado a pele.
Tocou as marcas e estremeceu. Não tinha doído, não muito,
quando Matt o mordera, mas agora doía. O que lhe pareceu estranho foi
o fato das marcas não serem uma fileira de dentes, mas sim buracos de
furos. Não lembrava dele ter nada menos do que um conjunto perfeito
de dentes brancos perolados.
Talvez uma única noite fosse boa quando se tratava de Matt.
Jason não gostou da ideia de se tornar no seu brinquedo de mastigar.
Imaginar marcas de mordida em todo o corpo o fez estremecer. O sexo
foi memorável, mas não haveria repetição.
Começou a apagar a luz quando a bílis subiu para o fundo da
garganta, fazendo-o engolir repetidamente para não vomitar. Agarrando
a borda da pia, Jason se firmou. Que diabos? Isso era algum efeito
colateral retardado do spray de pimenta?
Lembrando como atacou a si mesmo, concluiu que Matt tinha
que ser muito duro para ter sexo com ele depois daquele movimento
idiota. Mas isso não se encaixou. Ele era tão bonito que podia conseguir
qualquer homem que quisesse.
Quando uma onda mais forte fez o seu estômago apertar, Jason
caiu de joelhos, abraçou o vaso sanitário e esvaziou o seu estômago. A
dor aguda e dolorosa torceu seu intestino enquanto continuava a
vomitar. Sentiu como se alguém estivesse esfaqueando-o no intestino.
Cuspiu no banheiro enquanto seu corpo tremia como se os seus
membros se transformaram em macarrão molhado. Mal teve força para
se afastar do banheiro, então caiu no chão.
A campainha tocou, mas não teve forças para levantar. Quem
quer que fosse, poderia voltar. Só estava dormindo por uma hora, depois
de trabalhar um longo turno, fazer sexo alucinante, e depois vomitar no
banheiro, honestamente não se importava com quem era.
Danem-se eles. Deslizou para o lado, pressionando a bochecha
contra os azulejos frios.
O som da porta da frente abrindo e fechando mal foi registrado
enquanto passou os braços em torno do seu intestino torcido. Até a
cabeça dele estava pronta para matá-lo enquanto latejava.
Tudo o que queria era que o banheiro parasse de girar por cinco
segundos. A temperatura no seu apartamento deve ter subido vinte
graus porque, porra, estava muito quente. Virou a cabeça e pressionou o
outro lado do rosto contra o chão, esperando se refrescar enquanto
tentava lembrar da última vez que o lavou.
─ Por que você está no chão do banheiro?
Conseguiu virar a cabeça para ver Matt parado na porta. O
mordedor estava de volta. Não tinha certeza de como o homem tinha
entrado e não se importava.
─ Checando duendes atrás do banheiro.
─ Se você encontrar um pote de ouro no banheiro, sugiro que
dê descarga.
Matt o ajudou a levantar, embora estivesse trêmulo. Quando
passaram pela porta, ele o colocou em seus braços e levou-o para o
sofá.
Poderia ter ficado envergonhado por Matt tê-lo carregado ou
que ainda estava nu, mas estava além de se preocupar, já que se sentia
como a morte aquecida.
─ Pode não querer estar perto de mim. Acho que estou com
gripe.
─ E eu acho que é um ponto discutível, considerando que a
minha língua esteve enfiada na sua garganta mais cedo.
Quando Matt o deitou no sofá, Jason se perguntou por que o
cara havia retornado e por que estava olhando-o de uma forma tão
suave. Ficou ainda mais confuso quando ele pegou o cobertor fino da
parte de trás do sofá e o colocou ao redor dele.
─ Você não parece o tipo de babá.
─ Você ficaria surpreso com o que eu sou capaz de fazer.
Matt deu-lhe um sorriso malicioso. A insinuação aqueceu o
rosto, o pescoço e as orelhas de Jason. Ainda assim, ele teve que voltar
por um motivo. Esqueceu alguma coisa?
─ Por que você voltou?
Jason lutou para não ser puxado pela maneira carinhosa que
Matt estava cuidando dele. Lutou para não se apaixonar por um cara que
não ficaria por perto, mas estava falhando miseravelmente. Suas
emoções estavam em ruínas e tudo o que queria era que ele rastejasse
ao seu lado, para ficar mais do que algumas horas.
─ Lá vai você me interrogando de novo. ─ Matt sentou-se na
beira do sofá, roçando os dedos sobre a sua testa. ─ Eu não sabia que
precisava de uma desculpa para te ver.
─ E eu não sabia que você fazia um namoro pro-bono.
Ele poderia ter soado mais contundente? Jason colocou o
cobertor em volta dos ombros, usando o tecido como um escudo. Por um
momento pensou que Matt se tornaria hostil ao seu tom. Em vez disso,
ele parecia irritado.
─ Pro bono. ─ Matt balançou a cabeça. ─ Eu não namoro por
caridade. Por que é tão difícil acreditar que estou genuinamente
interessado em você?
─ Porque caras como você ignoram caras como eu. Você não
sai com eles.
Olhou para longe, desejando que Matt fosse embora. Se sentia
uma porcaria e não estava com vontade de tentar desvendar o cara.
─ Você é uma merda teimosa. ─ A mão de Matt caiu e Jason
imediatamente sentiu falta da conexão.
Desembarace seus malditos sentimentos, idiota.
─ E você é um mordedor.
Jason disparou as palavras com raiva e imediatamente desejou
que pudesse pegá-las de volta. Não era do tipo que zombava das
idiossincrasias de alguém, mas estava lutando contra a forte atração que
sentia por Matt. Nunca deveria ter aceitado o conselho de Benjamin. Não
era material de uma noite. Era sempre um tipo de cara que acabava se
apaixonando por alguém que provavelmente fez uma arte de sair e fugir.
Em vez de ficar com raiva, Matt puxou o cobertor, depois
deslizou os dedos sobre as marcas que deixara. O toque não fez as
marcas picarem como quando as tocou no banheiro. Em vez disso, seu
corpo voltou à vida quando um gemido desesperado passou por seus
lábios. O ponto no seu ombro enviou pequenos impulsos de prazer,
fazendo-o querer se aproximar. Estremeceu, mas parou o segundo
gemido de escapar.
─ Diga-me que você não amou cada maldito segundo. ─ Matt
entregou o desafio com um rosnado baixo.
Jason tentou lutar contra as ondas de prazer sobrepujando sua
dor. Não queria ceder a Matt. Não queria se afogar no homem apenas
para ser deixado de lado.
─ Pare, Matt, por favor ─ implorou.
Matt afastou a mão. O olhou com um olhar de perplexidade que
beirava a tristeza.
─ Meu toque repele você?
Ele não conseguia entender porque Matt parecia tão chateado.
Eles nem sequer se conheciam. Por que estaria tão ferido?
Jason começou a dizer sim, mas não conseguiu mentir.
─ Eu só não entendo o que está acontecendo. Até a noite
passada, eu era invisível para você. Benjamin me disse para não deixar
os sentimentos se envolverem, mas eu preciso saber. Isso é sobre sexo
ou há algo mais para nós... nisso?
Ele queria enterrar a cabeça debaixo do cobertor e não ressurgir
até que Matt fosse embora. Mais uma vez se fez de bobo na frente do
homem. Quando iria aprender que o amor não estava nas cartas para
ele?
─ Com um segundo pensamento, não responda. Eu entendi.
Ontem à noite foi uma única vez. Desculpe por ter tentado pressionar
você.
Jason jogou as cobertas para o lado e sentou-se. Pegou o jeans
que usava na noite passada que ainda estava no chão.
Se estava prestes a ser dispensado, sua dignidade exigia que
usasse calça.
Também pegou a camisa que havia sido jogada de lado na
cozinha e, em seguida, colocou os seus tênis. Voltou para a sala e pegou
as chaves. Não estaria por perto para a rejeição encantadora de Matt.
Jason deu um rangido indigno quando ele agarrou-o pela cintura
e puxou-o para perto. A intensidade nos seus olhos cinza-esfumaçados o
fez engolir bruscamente.
─ Eu não tenho ideia de quem é Benjamin e não me importo. A
noite passada não foi a única e você está certo, há mais nisso do que
sexo. Não vou mentir e dizer que me interessei por você antes da noite
passada, mas falei a verdade quando disse que os gostos de uma pessoa
mudam.
Bem, Jason não foi colocado no seu lugar?
─ Eu fui dispensado muitas vezes para contar. Tudo o que estou
pedindo é a verdade. Se você só queria sexo, tudo bem. Sou um menino
grande e posso lidar com isso. Não há necessidade de me dar esperança,
sério, está tudo bem.
As sobrancelhas de Jason se elevaram no rosnado animalesco e
quase perigoso de Matt.
─ Você é um homem teimoso, Jason.
Estava tentando dar a ele uma saída, mas o homem não
aceitaria.
Queria acreditar nele, realmente acreditava. Mas tudo estava
acontecendo tão rápido que a sua cabeça girou. Foi abandonado por três
caras nos últimos seis meses e nenhum deles era tão bonito quanto o
cara que o segurava. Matt tinha aparecido do nada, o ajudado a chegar
em casa, tinha abalado seu mundo, e agora estava inflexível em querer
mais?
Coisas assim não aconteciam no mundo real. Tudo em Jason
gritava que isso era bom demais para ser verdade, que precisava tirar
Matt da sua vida antes que se machucasse novamente.
─ Você não pode garantir o futuro ─ disse ele.
Por que o cara não dispensaria o que Jason ofereceu?
Matt segurou a parte de trás da sua cabeça, forçando-o a olhá-
lo nos olhos. Quando ele falou, sua voz continha uma nota de
arrogância, bem como pura confiança.
─ Querido, eu posso garantir que a noite passada não foi uma
coisa de uma vez. Você é meu e eu não planejo deixa-lo ir.
Jason se sentiu marcado pelos olhos penetrantes de Matt.
─ Você percebe que soa um pouco assustador, certo?
O sorriso maroto dele retornou e Jason quase derreteu nos seus
braços.
─ Tem um problema em ser meu?
Ele tinha? Tudo o que sonhara ou desejava era pertencer a
alguém. No entanto, uma pequena parte dele ainda não confiava em
Matt, na sua palavra. Seu coração havia sido esmagado muitas vezes e
Jason estava com medo de que ele fosse sua ruína.
─ Eu não compartilho. ─ Pensou nos strippers que Matt tinha
namorado e os seus dentes rangeram.
─ Bom, porque nem eu.
Havia uma promessa sombria no tom dele que não conseguia
entender.
Jason pendurou o lábio inferior. Olhou para Matt quando uma
onda de emoções o varreu. Poderia confiar que ele estava dizendo a
verdade?
─ Eu...
Suas palavras foram cortadas quando um estranho apareceu do
nada, bem no meio da sua sala de estar.
Matt rosnou enquanto jogava Jason no sofá. Ele começou a se
levantar, mas congelou quando Matt lutou com o cara com uma
crueldade e selvageria que nunca tinha visto antes.
A luta caiu na cozinha. Sua mesa quebrou quando o estranho
pegou Matt e bateu-o em cima dela. Eles trocaram golpes brutais quando
ele levantou. As cadeiras foram derrubadas do outro lado da sala, e o
vidro do armário embutido partiu quando Matt jogou o estranho nele.
Eles demoliram sua cozinha enquanto Jason assistia
horrorizado. Não podia fazer nada para detê-los, não quando os dois
homens pesavam mais do que um bom peso físico.
Seu olhar correu para a porta da frente enquanto pensava em
fugir, mas não conseguiu deixar Matt.
Seus olhos arregalaram quando ele pegou uma grande faca de
cozinha do bloco de açougueiro no balcão e enfiou-a até o punho no
peito do estranho. O cara não cambaleou e caiu como qualquer pessoa
normal teria. Em vez disso, seu olhar se fechou com o de Jason quando
puxou a faca e depois lambeu o sangue da lâmina.
Ficou com frio.
Matt mergulhou para Jason, pegou sua mão e o puxou do
apartamento. Eles desceram correndo as escadas e entraram no
estacionamento. Ele tentou desesperadamente recuperar o fôlego
quando sua mente caiu de lado.
─ Que porra é essa! ─ Jason chorou quando Matt o puxou para
o Hummer do homem. Foi praticamente jogado no lado do passageiro
antes dele pular o capô e pular no banco do motorista.
Em vez de responder, Matt pegou o celular. A vida de Jason
tinha acabado de ser ativada e o cara estava ligando para alguém?
─ Nick, eu preciso de todos na casa. Alguém chamou Bael.

Capítulo Cinco

Jason se forçou a não pular no Hummer enquanto tentava ao


máximo entender o que ele tinha visto. Ele não sabia o que fazer com a
situação ou Matt. A única coisa que ele sabia ao certo era que Matt
estava dirigindo como um maníaco enquanto se dirigia para a parte mais
rica da cidade.
Ele disse a Benjamin que poderia ser aventureiro, mas naquele
exato segundo, Jason queria sua vida chata de volta. Ele não queria ser
aventureiro, ou exótico, ou qualquer outra coisa além de quem ele
realmente era. Eles iam cair se o cara não abrandasse. Queria gritar com
Matt para deixá-lo sair quando Matt fez curvas fechadas e ultrapassou o
limite de velocidade. Os músculos de Jason doíam pela tensão.
— Eu não posso te contar tudo a menos que você prometa que
não vai falar uma palavra para outra alma viva.
Matt diminuiu a velocidade, permitindo que o esfíncter de Jason
se abrisse. Ele observou a cidade passar enquanto pensava no que Matt
acabara de dizer.
A única pessoa com quem ele conversava era Benjamin, e o seu
amigo pensaria que ele estava pronto para uma camisa de força se Jason
dissesse a ele que alguém estava no seu apartamento. A questão era,
Jason queria saber tudo? Ele mal estava lidando com o que já tinha
visto.
O que exatamente era tudo?
Jason olhou pela janela, olhando para a cidade que ele chamava
de lar e sentiu um estranho tipo de desapego. Era como se nada mais
lhe fosse familiar.
— Eu não vou contar a ninguém — disse enquanto abaixava a
cabeça para olhar para as mãos. — Mas não tenho certeza se estou
pronto para qualquer outra coisa agora.
Matt pegou uma das mãos de Jason, entrelaçando os dedos.
— Não é assim que eu queria que você descobrisse. — Ele
soltou um longo suspiro. — E eu jurei que nunca mais revelaria essa
merda para ninguém.
— Minha vida nunca mais será a mesma, vai?
Matt olhou para ele e depois para a estrada.
— Não é de tudo ruim. Eu prometo.
Jason assentiu, embora não soubesse o porquê. Ele não tinha
ideia de como as coisas poderiam piorar e não queria saber se podiam.
Mas desejou que Matt fosse dele e tinha conseguido esse desejo.
— Eu vou fazer um acordo — ele disse enquanto olhava para
Matt.
— Estou ouvindo. — Matt parecia hesitante.
— Não despeje tudo em mim de uma vez e eu vou tentar o
meu melhor para manter a mente aberta.
Matt deu um leve aperto na sua mão, como se estivesse aliviado
de Jason estar disposto a pelo menos tentar.
— Você quer saber o que aconteceu no seu apartamento?
Jason estremeceu quando a pergunta evocou as imagens do
homem lambendo seu próprio sangue da lâmina.
— Vamos começar com algo pequeno.
— Quão pequeno?
Jason pensou sobre isso. Se Matt não estivesse chocado que um
homem pudesse aparecer do nada, então deveria haver mais coisas
acontecendo na sua cidade.
— Todos em Mercury são humanos?
— Eles são, mas não são.
— Que tipo de resposta é essa? — Jason argumentou.
— Você queria passos de bebê, lembra? — Matt lembrou a ele.
— Se você quer uma explicação mais profunda, então me diga.
— Tudo bem — disse Jason acaloradamente. — Você é
humano?
Quando Matt não respondeu, Jason sentiu o chão sair debaixo
dos seus pés. Ele puxou a mão de Matt e olhou para o cara. Ele parecia
humano, mas o homem no seu apartamento também parecia.
— Eu quero saber, mas tenho medo de perguntar.
Matt parecia lutar com algo antes dele cautelosamente dizer:
— Eu sou um shifter.
— Eee em que você muda?
A mandíbula de Matt ficou tensa.
— Minha forma básica é lobo.
Jason sentou-se com uma mandíbula afrouxada enquanto
tentava imaginar Matt se transformando em um lobo. Mantenha uma
mente aberta. Mantenha uma mente aberta. Ele repetiu o mantra na sua
cabeça enquanto tentava desesperadamente não surtar. Teria pensado
que Matt era maluco se não tivesse visto o outro homem aparecer
magicamente.
— Os homens para quem você trabalha são ursos pardos —
disse Matt. — Os LaSalle estão em Mercury desde que me lembro.
Tudo isso era fantástico demais para se acreditar. Seu próprio
alicerce de realidade havia quebrado. Estava sendo dito para acreditar no
inacreditável, não, ele não estava sendo informado de nada. A prova foi
empurrada direto para o rosto dele.
Ele levantou a mão e acenou levemente enquanto fechava os
olhos. Sua cabeça doía enquanto ele tentava lidar com a sua nova
realidade.
— Ok, isso é compartilhar o suficiente por agora.
— Você prometeu manter uma mente aberta.
— Ah, está aberta — Jason disse com um toque de histeria na
sua voz. — Está tão aberta que o meu cérebro pode cair.
— Respire — disse Matt. Eles desceram a rua principal
enquanto esfregava a mão de Jason. Jason ficou lá, desejando que ainda
estivesse ignorando o mundo secreto que o rodeava, desejando estar em
casa, dormindo na cama.
Ele soltou respirações rápidas ao ponto de ficar tonto. Apertou a
cabeça e depois sacudiu.
— Eu vou sentar aqui em silêncio e ter um pequeno colapso.
— Eu acho que você é mais forte do que se dá crédito.
Matt virou a direita e puxou para uma longa entrada de carros.
Ele estacionou seu Hummer no lado da casa onde uma dúzia de outros
veículos já estavam.
Jason olhou para cima e percebeu onde ele estava.
— Você mora em Murray Hill?
Era uma rua inclinada com casas caras. A maioria tinha portões
ao redor delas para manter o indesejável fora. Atrás das casas no lado
oeste da rua havia vastos bosques, dando às propriedades mais espaço.
As do lado leste da rua tinham um pequeno lago atrás delas.
Jason saiu e olhou para a casa. A casa de Matt fez o
apartamento de Jason parecer uma caixa de sapatos. Ele seguiu Matt
pela porta da frente.
Homens vieram para a sala de estar de várias partes da casa.
Alguns pareciam familiares e ele definitivamente reconheceu Nick e
Colton.
— Estes são os homens com quem trabalho — disse Matt.
Jason engoliu em seco quando todo e qualquer homem olhou na
sua direção. Eles pareciam uma coleção de bandidos polidos.
— Eles são todos lobos? — ele sussurrou.
Quando Matt assentiu, Jason quase desmaiou.

Depois de deixar Jason confortável na cozinha, Matt voltou para


os seus homens. Eles o olhavam com curiosidade enquanto ele se movia
atrás do bar na parede oposta e se servia de uma bebida.
— Ele não é o garçom do Grizzly? — Pearce Caldwell perguntou.
Como todos os homens de Matt, ele tinha mais de um metro e oitenta de
altura. E parecia o cara todo-americano. Loiro, olhos azuis, com um
sorriso juvenil que enganava aqueles que não sabiam o que ele era ou
quão letal poderia ser.
— Eu sugeri que você namorasse com ele, não o trouxesse para
casa para conhecer a família — disse Nick, enquanto descansava em
uma das poltronas, uma perna jogada para o lado.
— Por que você o trouxe aqui? — Rio perguntou. Seu beta tinha
um sorriso fácil e poderia continuar uma conversa que fazia você se
sentir como velhos amigos. Todo o tempo, por trás daqueles olhos
castanhos, ele estaria contemplando cinquenta maneiras diferentes de
matá-lo.
— O que você quis dizer com alguém soltou Bael? — Colton
perguntou enquanto se inclinava contra a parede.
Matt levantou a mão e todos ficaram em silêncio.
— Duas coisas aconteceram ontem à noite.
Ele voltou sua atenção para Colton.
— Nós tivemos um encontro com os vampiros, e eu acho que
Magnus convocou o demônio em retaliação.
Colton rapidamente olhou para longe.
— Você tem que estar brincando comigo — disse Rio quando
seu olhar disparou para Colton. Ele começou a falar em espanhol e Matt
tinha a sensação de que o Rio estava amaldiçoando uma tempestade na
sua língua nativa.
— Você está falando merda comigo? — Colton perguntou a Rio
quando ele se afastou da parede.
— Fala inglês para que todos possamos saber o que você está
dizendo, Rio — disse Rhys do outro lado da sala com um sorriso de
merda.
— E se eu estou? — Rio disse a Colton quando deu um passo à
frente, mas seu irmão, Landon, agarrou-o e puxou-o. Rio apontou um
dedo para Colton. — Todo mundo sabe que você tem problemas nas suas
costas. Agora você arrasta o nosso alfa na sua merda?
— Foda-se — Colton resmungou quando ele deu a Rio a volta.
— Apenas diga a porra da palavra e é você e eu — ameaçou
Rio.
— Qual é o segundo problema? — Landon perguntou enquanto
empurrava seu irmão para longe de Colton.
Deus, era como ser um encrenqueiro para os jovens. Matt
passou a mão pelo rosto.
— Eu descobri que Jason é meu companheiro.
A sala ficou tão quieta quanto uma tumba. Ninguém se mexeu
ou disse nada. Todos os onze homens olhavam para Matt em estado de
choque. Matt revirou os olhos para o céu enquanto ele balançava a
cabeça.
— Vocês vão parar de olhar como se o apocalipse estivesse
sobre nós?
— Eu entendo que ele sabe sobre nós — disse Rio.
— Ele sabe que somos lobos — disse Matt. — Ele também viu
Bael entrar no seu apartamento.
— O inferno de uma maneira de descobrir sobre o nosso mundo
— disse Landon. — Você acha que ele vai acabar como Miles?
Embora Jason tivesse dado sua palavra de não dizer nada, uma
parte de Matt se perguntara a mesma coisa. Ele só podia esperar que o
seu vínculo de acasalamento fosse mais forte do que qualquer
necessidade de expô-los.
— Acho que não.
— Acho que ele vai ficar aqui até que Bael seja controlado
novamente.
Rhys era construído como um touro, com cabelo ruivo, a mesma
cor de Jason, e olhos castanhos claros e uma cicatriz irregular sob o olho
direito. Matt lembrava quando Rhys conseguiu. O irmão costumava
pertencer a uma gangue de motoqueiros que residia no lado sul. A vida
tinha sido difícil para ele, e Matt teve que puxar um monte de cordas
para tirar o macho dos Grizzly Bastards.
— Jason vai ficar com a gente por enquanto. Por enquanto, eu
quero que todos vigiem suas costas. Eu não sei se o acordo de Magnus
inclui apenas eu ou todos vocês. Eu também quero pelo menos um
homem na agência em todos os momentos. Eu não preciso de Bael indo
atrás de Stuart — disse Matt.
Matt ignorou o rosnado baixo de Nick. Ele saiu da sala e foi para
a cozinha. Seu companheiro estava sentado à mesa, olhando em volta
como se não tivesse ideia do que fazer com ele mesmo.
Matt pegou a mão de Jason e levou-o para cima.
— Sentindo-se melhor?
— Ainda tentando manter a mente aberta — Jason admitiu
quando eles entraram no quarto de Matt. — Eu ainda não posso acreditar
que o seu mundo existia bem debaixo do meu nariz. — Ele esfregou as
têmporas. — E eu ainda estou tentando me ajustar ao fato de que os
homens com quem trabalhei por dois meses não são humanos.
— Os ursos são um bom bando. — Matt abriu a porta da
varanda, permitindo que o ar fresco entrasse no quarto. A brisa trazia as
fragrâncias do jardim. — Não poderia pedir melhores amigos.
— Seus homens ou os ursos?
— Ambos — disse Matt. — Meus lobos levam algum tempo para
se acostumar, mas você é um de nós agora e cada um deles irá protegê-
lo.
— Como eu sou um de vocês se sou humano? — Jason
levantou a cabeça, confusão nos seus olhos verdes.
Matt voltou para Jason e passou os dedos pela marca de
acasalamento. As pálpebras de Jason se fecharam quando um gemido
suave escapou. Sua expressão estava atrapalhando o corpo de Matt.
Baixando a cabeça, Matt beliscou a concha da orelha de Jason e
rosnou baixinho:
— Você é um de nós porque você pertence a mim,
companheiro.
Jason deslizou a língua ao longo do seu lábio inferior, sua
respiração superficial.
— Você continua usando essa palavra. O que isso significa?
— Isso significa que o destino amarrou nossos fios de vida.
Estamos ligados. — Matt passou os dedos pela bochecha macia de Jason.
— Isso significa que a minha busca pela pessoa que se sente em casa
finalmente acabou.
Os olhos de Jason se abriram quando ele deu um passo para
trás. Matt podia ver o pulso profundo no pescoço do seu companheiro,
junto com medo nos seus olhos verdes.
— Namorar é uma coisa. O que você está falando é um
compromisso vitalício com o qual eu não concordei.
Seu humor mudou drasticamente para irritação, mas Matt
lembrou a si mesmo que Jason era humano e não sabia nada sobre o
seu mundo ou como o acasalamento funcionava. Essa situação toda
tinha sido empurrada para ele, então Matt precisava ser mais
compreensivo.
— O que eu estou falando é alguém que nunca vai trair você ou
deixar você. Alguém que vai colocar sua felicidade em primeiro lugar e
protegê-lo com a sua vida.
— E se esse ato do Sr. Bom passar? — Jason perguntou. — E se
você é realmente um idiota?
Matt deu-lhe um sorriso irônico.
— Oh, eu sou um idiota, tudo bem. Pergunte a qualquer um
que me conhece. Mas o jeito que eu tenho tratado você não é um ato.
Eu prefiro mastigar meu próprio braço do que machucá-lo.
Os lábios de Jason se torceram para o lado enquanto olhava
para Matt com desconfiança.
— Sua agência realmente não procura por pessoas
desaparecidas, não é?
O macho era esperto, Matt daria isso a ele.
— Nós caçamos sobrenaturais violentos que têm um mandado
de captura ou morte contra eles.
Jason cambaleou para trás e caiu na cadeira perto das portas da
sacada. Ele olhou para Matt incrédulo.
— Então vocês são basicamente o que?
— Caçadores de recompensas. Cada mandado tem um preço.
Nós executamos o mandado, somos pagos.
— Pela aparência da sua casa, eu diria que os negócios vão
bem — Jason deu uma risada nervosa.
— Isso nunca é uma coisa boa — disse Matt quando ele se
ajoelhou na frente de Jason e pegou suas mãos. — Eu não gosto do fato
de que eu tenho que matar minha própria espécie, mas também não
posso deixá-los vagar livremente para que eles possam matar pessoas
inocentes.
Jason assentiu.
— Eu entendo. O que você faz é provavelmente a única coisa
que faz sentido para mim agora. Eu entendo tirar os criminosos das
ruas. — Ele fez uma pausa e perguntou: — Quem emite os mandados?
— O Conselho. Um ancião de cada espécie.
— Eu entendo que os humanos não são representados — disse
Jason.
— Não, eles não são. Conselho é composto por seres
sobrenaturais. Manter a nossa existência em segredo é a sua prioridade
número um.
Matt colocou uma mão gentil na mandíbula de Jason e o atraiu
para um beijo lento e apaixonado.
Quando alguém bateu na sua porta, Matt rosnou. Ele se afastou
e olhou nos olhos de Jason.
— Diga-me que posso matar quem está do outro lado.
Algo se instalou dentro dele quando viu Jason lutando para não
sorrir.
— Talvez não matar, mas você pode fazê-lo andar mancando.
Matt piscou para ele antes de se levantar e atravessar o seu
quarto. Abriu a porta para ver Rio parado ali.
— É melhor que isso seja importante.
— Stuart ligou — disse Rio, parecendo não se incomodar com o
temperamento de Matt. — Um mandado de morte acabou de ser emitido
para o irmão de Colton.
Matt franziu as sobrancelhas enquanto ele balançava a cabeça
lentamente.
— Você acabou de dizer que Anthony Francisco tem um
mandado contra ele?
— Pior — disse Rio. — Colton acabou de decolar. Eu acho que a
luta ontem à noite no Black Dragon teve algo a ver com Anthony.
Matt sempre soube que Anthony era um problema, mas ele
nunca achou que o cara fosse idiota o suficiente para matar alguém.
Essa seria a única razão para um mandado de morte.
Isso era ruim. Muito ruim.
Matt se virou para o seu companheiro.
— Eu voltarei.
Ele seguiu Rio para baixo, esperando como inferno encontrar
Colton antes do lobo fazer algo que ele não podia desfazer.

Capítulo Seis

Quando Matt não voltou depois de uma hora, Jason foi para o
andar de baixo. Todos pareciam ter desaparecido. Ele não estava
disposto a ficar sentado e pensar na loucura em que ele tinha caído.
Precisava trabalhar um turno completo para resolver as coisas na sua
cabeça.
Ele saiu pela porta da frente. Levou uma hora inteira para ir do
Matt até o Grizzly. Suas pernas doíam e os seus pés pareciam que iam
cair no momento em que ele chegou. Não ajudou o fato de ter corrido a
maior parte do caminho com medo de que Bael aparecesse e tentasse
sequestrá-lo em plena luz do dia.
— Ei, Bo, — ele disse para o jacaré residente que estava a seis
metros da porta da lanchonete. O maldito tinha pelo menos dois metros
de comprimento e tinha a maior boca que Jason já tinha visto em um,
não que tivesse visto muitos jacarés nos dois meses em que esteve em
Mercury. Mas Jason jurou que era o maior, no entanto.
No seu primeiro dia no Grizzly, seu chefe, Devin LaSalle,
assegurou que Bo era inofensivo. Sim, inofensivo com uma boca cheia
de dentes afiados e capaz de um papel da morte. Ele não se importava
com o que alguém dizia. Jason manteve uma boa distância da criatura
toda vez que via a coisa.
Jason olhou ao redor assim que entrou na lanchonete. Viu Devin
e tentou imaginar seu chefe se transformando em um urso. Não pôde.
Era como esperar que uma gota de água se transformasse em Netuno,
totalmente impossível. Ainda assim, tinha todos os motivos para
acreditar no que Matt havia dito, embora Jason não tivesse certeza se
realmente queria que Darius provasse o que ele era.
Definitivamente não.
Assim que Devin avistou Jason, avançou na sua direção. Parecia
um homem em uma missão, e Jason estava meio tentado a virar e sair
correndo pela porta. Não fez nada de errado, mas o olhar no rosto de
Devin assustou-o.
— Me surpreenda dizendo por que você está aqui?
Agora que Jason sabia a verdade, o cara meio que o lembrava
de um urso. Ele era um homem grande e corpulento, com tatuagens e
uma cabeça cheia de cabelos ruivos. Parecia tão rude quanto um urso e
tão durão quanto um motoqueiro.
— Eu pensei que eu trabalhava aqui, — disse Jason.
— Você sabe exatamente o que eu quero dizer.
Devin apontou para a cozinha e Jason foi sem discussão. Assim
que passaram a porta, Devin se aproximou dele.
— Se Matt descobrir que você saiu de casa, vai cagar gatinhos.
Agora essa era uma imagem que Jason poderia ficar sem.
— Então, você está me demitindo?
— Eu não estou te demitindo.
Parecendo exasperado, Devin passou a mão pelo queixo.
— Ninguém sabe quem é Bael. Não é seguro para você estar
aqui.
— E é seguro para mim estar em uma casa vazia? — Jason
atirou de volta. — O cara pode aparecer do nada. O que o impede de
aparecer no Matt?
Devin abriu a boca e depois fechou. Ele rosnou para Jason.
— Tudo bem, mas você fica grudado ao lado de Darius. Só
porque a maioria das pessoas na lanchonete é um shifter não significa
que você está cem por cento seguro.
Jason cutucou Devin no peito.
— Você pode realmente se transformar em um urso?
O pessoal da cozinha olhou na sua direção, mas desde que
Devin foi quem mencionou Bael pelo nome, Jason teve a sensação de
que o pessoal da cozinha ou era shifters ou sabia sobre eles.
— Não me tente, filho.
Devin bateu a palma da mão na porta enquanto saía da cozinha.
Jason entrou e seguiu. Deslizou para trás do bar, onde Darius estava
conversando com alguns dos clientes. Piscou para Jason quando ele o
notou.
— Você cheira como se tivesse sido mergulhado em um barril
de cheiro de Matt. Te disse para experimentar um urso.
Darius passou pelo seu caminho.
— Você só tinha que ir e ficar com um lobo.
Ele mexeu as sobrancelhas.
— Ursos são melhores amantes, cher.
Jason franziu o nariz.
— Você usa essa cantada em todo mundo?
O urso deu-lhe um sorriso largo e brincalhão.
— E isso funciona toda vez.
Ter familiaridade em torno dele fez Jason se sentir um pouco
melhor, como se pudesse lidar com a verdade sem enlouquecer.
— É por isso que você estava agindo de forma estranha ontem
à noite?
— Eu ouvi você conversando com Benjamin. Se você fosse
fazer sexo rebote, eu estava oferecendo meus serviços. — Ele deu um
longo suspiro. — Mas você foi e acasalou com Matt, então eu vou ter que
encontrar alguém que queira um urso.
— Espere, — disse Jason. — Eu estava do outro lado da sala.
Como você ouviu a minha conversa?
Darius bateu em uma das suas orelhas.
— Audição Shifter. É superior a sua.
Jason pensou em todas as conversas que teve com Benjamin
nos últimos dois meses. Queria que o chão se abrisse para poder engoli-
lo.
O largo sorriso de Darius dizia que sabia exatamente o que
Jason estava pensando. Jason deu um soco no braço dele. Foi como
bater em uma parede de tijolos.
— Você poderia ter me avisado.
Darius esfregou o braço como se Jason o tivesse machucado.
— Você não estava autorizado a saber.
— Tudo bem, — disse Jason. — A próxima pessoa que me
perguntar se você é solteiro, vou dizer que você é eunuco.
— Isso é apenas frio.
Darius deixou Jason para anotar os pedidos.
— O que é frio?
Ele se virou para ver Dustin logo atrás dele, um sorriso curioso
no rosto. Jason gostava do cara. Dustin estava lá a mais tempo do que
ele e fez Jason se sentir em casa quando começou no Grizzly. Dustin
tinha a altura e o corpo de Jason, mas seus olhos eram da cor de
chocolate e o seu cabelo era vermelho como fogo. Olhando Dustin, Jason
se perguntou se ele era shifter ou humano.
— O Coração de Darius, — respondeu Jason.
Dustin deu uma risadinha.
— Um bom.
Eles bateram os punhos antes que Jason agarrasse seu avental
e o bloco de pedidos. Olhou para cada pessoa de quem recebia um
pedido, imaginando a mesma coisa que tinha sobre Dustin. Jason deu
uma olhada no Sr. McCray, que trabalhava na madeireira, o Sr. Bennett,
dono da estação Abasteça e vá, e gritou com os adolescentes quando
três ou mais pessoas chegavam ao mesmo tempo. Lafayette, que
trabalhava na lavanderia - que tinha um problema com bebida que
ninguém falava, mas todos sabiam sobre o assunto - e todos os outros
que vieram para o Grizzly ficaram sob o seu escrutínio, para não
mencionar a equipe.
— Você vai parar com isso? — Dustin disse quando ele parou
Jason atrás do bar. — Você vai adquirir uma enxaqueca.
— Parar o que? — Jason não tinha certeza se Dustin sabia
sobre shifters e ele não ia quebrar a sua promessa para Matt.
— Você tem olhado para todos como se eles fossem um
suspeito de assassinato. Você está deixando-os desconfortáveis. —
Dustin deixou cair a mão no quadril quando baixou a voz até um
sussurro. — Esta é Mercury. É uma cidade pequena, e nossa população
shifter não é tão grande quanto em outros lugares. A notícia se espalha
como um incêndio por essas partes. Eu sei que Matt é seu companheiro,
que ele e os seus homens estão procurando por Colton agora, e que a
Sra. Tansy, que trabalha na Quick Pick, não é uma loira natural.
Jason balançou a cabeça em descrença absoluta.
— Eu estou nesta cidade há dois meses e não conheço
nenhuma das fofocas.
Dustin deu-lhe um sorriso brilhante.
— Tudo o que você precisa fazer é me perguntar e eu posso te
dizer o que é o quê.
— Que tipo de shifter é você?
— Leopardo, — disse Dustin com orgulho. — Eu não gostava de
trabalhar no Lounge, onde toda vez que eu me virava, minha bunda
estava recebendo um tapinha. Devin falou com o meu alfa, que me
permitiu trabalhar aqui.
Jason passara pelo Leopard Lounge centenas de vezes e nunca
suspeitara de nada.
— Ele também tem um tio que acha que ainda estamos nos
anos 60, — disse Darius ao se juntar a eles.
— Só porque Leo se veste como um hippie não significa que ele
é desequilibrado, — argumentou Dustin.
Leo, o leopardo. Jason tentou não sorrir. Ele sabia que vir para o
trabalho levantaria o seu ânimo e o ajudaria a lidar com a sua situação.
Embora seus olhos tivessem sido abertos, seus amigos ainda agiam
como eles mesmos, e isso o ajudava a aceitar o que acabara de
aprender.
— Ele ainda dirige aquela maldita van da VW que está pintada
com sinais de paz, — Darius disse com um tremor. — Essa coisa está tão
enferrujada que é unida por fita adesiva. Toda vez que eu o vejo, fico
tentado a parar a Máquina Misteriosa e dar a ele um lanche Scooby.
— Como chegamos ao assunto do meu tio quando eu e Jason
estávamos falando. — Dustin franziu a testa ao olhar para Jason. —
Sobre o que estávamos falando?
— Sobre nos tornarmos escassos, — disse Darius. Seu olhar
disparou para a porta, fazendo Jason se virar.
Matt, Nick e Rio entraram na lanchonete. Os olhos de Matt
brilhavam de fúria. Jason foi pego de surpresa pelo fato do seu corpo
ansiar por se aproximar de Matt. Ele queria estar envolto no braço de
Matt, para ser acariciado e beijado.
Talvez eu seja a pessoa desequilibrada.
— Você está por sua conta.
Dustin girou e foi embora quando Darius se moveu para a
extremidade mais distante do bar para receber pedidos.
Nick e Rio sentaram-se em uma das mesas de madeira, e os
olhos de Matt nunca saíram de Jason enquanto ele olhava para o bar. Os
homens que estavam sentados nas banquetas pegaram suas bebidas e
se espalharam, deixando Jason para lidar com um lobo chateado
sozinho. Não que eles teriam ajudado de qualquer maneira.
Matt bateu as duas mãos no balcão enquanto se inclinava para
perto, com o rosto uma máscara de raiva.
— Você tem cinco segundos para me dizer por que você saiu de
casa.
Jason endireitou os ombros, embora estivesse tremendo por
dentro.
— Eu tenho um emprego, — disse ele, orgulhoso da sua voz
firme. — Além disso, eu não sou seu prisioneiro, e você não me disse
que eu não poderia sair.
— Fora. Agora. — Matt se virou e saiu.
Jason olhou para os clientes, que rapidamente desviaram o
olhar, como se não estivessem ouvindo o tempo todo.
— Você pode querer ir antes de Matt voltar aqui e jogar você
por cima do ombro dele, — disse Darius.
Rangendo os dentes, Jason saiu de trás do bar e foi para o lado
de fora, a porta de tela se fechou atrás dele. Matt estava encostado no
seu Hummer, com os braços cruzados sobre o peito, parecendo furioso.
Jason contornou Bo, que simplesmente ficou ali olhando para
ele com um leve interesse.
— Deixe-me adivinhar, Devin ligou para você.
Jason ia chutar o seu chefe nas bolas.
— O que você esperava que ele fizesse? — Matt perguntou. —
Bael não deve ser tomado subestimado.
Jason foi até a mesa de piquenique e sentou nela.
— E eu não pedi para ser puxado para este mundo louco.
Desculpe por querer me cercar de normalidade para lidar com as coisas.
— Eu não estou tão bravo porque você veio trabalhar como eu
estou por você ter vindo a pé até aqui.
— Desde que eu não tenho um carro e a capacidade de
aparecer em lugares é perdida em mim, andar era a minha única opção.
Jason não iria se desculpar por sua decisão. Estar confinado na
casa de Matt não era uma opção. Ficaria agitado se tivesse que ficar lá
vinte e quatro por sete.
Matt tinha uma bela casa, mas Jason não era influenciado pelo
dinheiro de outras pessoas. Gostava das coisas mais simples da vida
como amigos e se divertir.
Viajou para o sul da Louisiana a partir de Minneapolis para
cuidar de um tio doente que morreu dois dias depois da chegada de
Jason. Se apaixonou pela pequena cidade e decidiu ficar. Não tinha outra
família e Mercury o fez se sentir bem-vindo.
Agora não tinha certeza se tomara a decisão certa. Tinha
trocado uma vida solitária por alguém cheio de perigos que nunca soube
que existiam. Mas era ruim assim? Ele tinha bons amigos e um homem
que o queria por mais do que sexo.
Matt se afastou do seu Hummer e se estabeleceu ao lado de
Jason.
— Você sabe há quanto tempo eu procurava alguém com quem
eu pudesse me relacionar? Eu não vou deixar você nos colocando em
risco porque você é muito teimoso para perceber os perigos ao seu
redor.
Jason passou a mão pelos cabelos.
— Nas últimas vinte e quatro horas eu aprendi que shifters,
demônios e vampiros existem. Eu tive um demônio de repente
aparecendo no meu apartamento, e eu descobri que estou acasalado
com um lobo. Eu acho que posso tentar lidar com isso da melhor
maneira possível.
Matt puxou Jason até que ele escorregou da mesa e ficou entre
as pernas do homem. Matt curvou a mão ao redor da bochecha de
Jason.
— Você sabe o quanto você significa para mim?
— Não, — ele respondeu honestamente enquanto arrastava a
terra com o sapato. Embora eles tivessem apenas dormido juntos na
noite passada, Jason sentiu uma conexão estranha com o lobo, como se
conhecesse Matt para sempre.
— Você sente isso. A conexão entre companheiros.
Matt pressionou a mão no peito de Jason, bem em cima do
coração dele. Seus dedos eram quentes e fortes e ele estava certo. Jason
sentia isso, mas o pensamento de se abrir assim assustou o inferno fora
dele. É verdade que estava procurando alguém disposto a confiar, mas
agora que tinha essa chance, Deus... era tão assustador. Seu coração
batia acelerado no seu peito, deixando Matt saber exatamente como o
homem o afetava.
— Ou isso ou azia, — disse ele enquanto corava.
Matt sacudiu a cabeça enquanto sorria. Era o sorriso mais
inocente e sedutor que Jason já vira, e sentiu-se escorregando para ele.
— Eu acho que você vai se ajustar sem muito problema.
Ele se levantou, inclinando a cabeça de Jason para trás.
Jason olhou nos intensos olhos cinzentos de Matt, sentindo
como se estivesse caindo neles. Suas palmas ficaram molhadas, sua
garganta seca. Mal podia respirar.
Matt baixou a cabeça, mas parou a centímetros de distância. O
sorriso torto que deu a Jason foi tão maravilhoso. Foi um daqueles
sorrisos que dizia olá, e Jason se viu sorrindo também.
— Você pode fazer isso, — disse Matt. — Eu tenho toda a fé no
mundo, você vai ficar bem.
Jason respirou bruscamente pouco antes de Matt beijá-lo. Seus
lábios se tocaram, lentos, doces e macios. Jason se inclinou para Matt,
sentindo como se estivesse sendo derrubado. O braço de Matt deslizou
ao redor dele e a sua mão roçou as suas costas.
Quando eles se separaram, algo dentro de Jason protestou.
— Eu tenho que voltar a procurar por Colton. Fique aqui, eu
venho buscá-lo depois do trabalho.
Matt o beijou rapidamente antes de recuar. Jason ansiava por
fechar a distância. Deus, o que havia de errado com ele? Queria Matt
com uma necessidade que beirava a insanidade.
Jason assentiu antes de seguir Matt de volta para dentro,
incapaz de parar de sorrir. Se sentiu como se estivesse andando em uma
nuvem. Isso soava brega como o inferno, mas mesmo assim era
verdade. Jason mordeu o lábio inferior, tentando o seu melhor para
impedir que o sorriso se alargasse.
Matt piscou para ele antes de sair da lanchonete com Rio e Nick.
Tudo dentro de Jason parecia leve. Se virou para ver Dustin sorrindo
como um pateta. O cara deu a Jason um sinal de positivo. Jason
balançou a cabeça enquanto se lançava no seu trabalho.
A noite voou. Quando foi para a cozinha para o relógio, viu dois
sacos de lixo ao lado da porta dos fundos.
Olhou em volta para o pessoal da cozinha, mas não os viu em
nenhum lugar. Tirar o lixo não era seu trabalho, mas como já estava na
porta dos fundos, pegou os sacos e saiu. Assim que jogou no lixo, sentiu
alguém atrás dele.
Jason se virou e viu o cara do seu apartamento.
Bael
Recuou em passos rápidos e bruscos, colidindo na lixeira antes
que girasse e saísse na direção do final do prédio.
Antes que pudesse gritar por ajuda, algo apertou dolorosamente
ao redor da sua garganta. A pressão aumentou até ele lutar para
respirar. Arranhou sua pele, lutando para aliviar a pressão. Sentiu como
se uma mão estivesse envolvida em torno dele, mas nada estava lá,
como se o demônio estivesse sufocando Jason com a sua mente.
Um terror total tomou conta dele quando o corpo dele voltou
para o demônio. Chutou e balançou os punhos no ar, mas não havia
nada sólido com que pudesse lutar. Quando se aproximou da lixeira,
Jason se agarrou, desesperado para não chegar perto do demônio, mas
foi puxado com mais força e perdeu o controle. Caiu de costas enquanto
estava sendo puxado para mais perto.
Ia morrer. Bael ia matá-lo. Jason chutou os pés para fora,
tentando parar o impulso enquanto continuava a agarrar o seu pescoço,
desesperado por ar e para não chegar mais perto. Tentou gritar por
ajuda, mas suas vias aéreas foi cortada.
Ele finalmente parou e a pressão no pescoço desapareceu. Sua
garganta parecia que estava em chamas quando inalou uma lufada de ar.
Seus olhos lacrimejaram quando tossiu incontrolavelmente. Jason rolou
para o lado, sentindo que vomitaria.
Bael se aproximou. Abaixou-se em um joelho, apoiando os
braços no joelho dobrado. Inclinando-se, ele cheirou Jason. Seus lábios
se curvaram no sorriso mais maligno que Jason já tinha visto.
— Eu posso sentir o cheiro dele em cima de você.
A mente de Jason estava em um turbilhão. Queria correr o mais
rápido e longe deste homem quanto possível, mas em vez disso, estava
deitado no chão tremendo tanto que os seus músculos se contraíram.
— Foda-se. Você. — Sua garganta doeu enquanto falava. Não
tinha certeza porque estava sendo tão corajoso quando o demônio
assustou o inferno fora dele. A única coisa que sabia com certeza era o
fato de que esse estranho pretendia machucá-lo da pior maneira
possível. Viu a promessa de dor nos olhos de Bael.
— Eu tenho medo que você seja a pessoa que está fodida.
O homem se levantou e olhou para ele.
— Ele deveria saber melhor do que deixar para trás uma moeda
de barganha.
A mente de Jason girou mais uma vez. Uma moeda de barganha
para o que?
— Os vampiros me contrataram para matar Matt e Colton, mas
eu acho que usar você como isca será muito mais divertido.
Seus olhos brilhavam como se estivesse ficando com puro
prazer com o terror de Jason.
— Que vergonha, — o estranho continuou enquanto sua voz
ficava escura e profunda. — Era Matt somente, mas entregou-lhe para
mim, e eu pretendo levar o que não conseguiu proteger.
Jason gritou antes que tudo ficasse preto.

Capítulo Sete

A caçada por Colton estava demorando mais do que o esperado.


Matt, Nick e Rio haviam vasculhado cada centímetro quadrado da cidade
e não encontraram nada. Matt não achava que Colton era burro o
suficiente para voltar para a boate, mas, novamente, ele estava falando
sobre um lobo chateado. Como ainda não tinham localizado Colton, valia
a pena, embora tivesse certeza de que encontrariam muita resistência
dos vampiros.
Matt estacionou a poucos quarteirões da Black Dragon e estava
saindo do seu Hummer quando o desconforto escorreu através dele.
Fechou os olhos enquanto tentava sacudir a sensação. A sensação era
como se enfiasse sua língua em uma bateria de nove volts. O
formigamento durou apenas um segundo, mas o suficiente para que Matt
soubesse que ele não tinha imaginado.
— Algo errado?
A mão de Rio permaneceu na porta dos fundos, a mantendo
aberta enquanto olhava para Matt.
Ele começou a rejeitar a sensação como desconforto, mas a
sensação bateu nele desta vez. E de nove volts se transformou em um
Taser dilacerante, fazendo com que Matt apertasse os dentes enquanto
fechava as mãos em punhos.
Merda, isso dói.
Ele esfregou o peito enquanto olhava ao redor. Nada parecia
fora do lugar e ele não podia sentir nenhum perigo imediato. Qualquer
que fosse a sensação, não vinha de ninguém ao seu redor. Era mais
como algo que estivesse vindo através dele.
— O que está errado? — Nick perguntou do outro lado do
Hummer. — Você parece como... eu não sei... como se você tivesse visto
um fantasma ou algo assim.
— Estou me sentindo um pouco estranho.
Matt demorou para sair do veículo, tentando se orientar. Ele não
precisava confrontar nenhum vampiro enquanto se sentia mal. A
sensação não se dissipou, no entanto. Só ficou mais forte.
Um nome sussurrou na sua mente.
Jason.
Algo estava errado. Ele não sabia o que, mas ele sentia até os
ossos.
— Algo está errado com o meu companheiro.
Eles voltaram para o Hummer e Matt partiu para o Grizzly. A
lanchonete estava cheia de shifters. Se Bael tivesse chegado ao seu
companheiro, alguém o teria chamado.
As coisas poderiam ter começado como um sexo casual entre
eles, mas os seus sentimentos pelo humano haviam passado a outro
nível em apenas um dia.
Ele pressionou a mão sobre o coração enquanto a dor se
intensificava. Era quase muito difícil respirar. Ele estava sentindo a dor
de Jason ou a sua própria? Ambas?
Quando avistou o Grizzly, Matt bateu nos freios e saiu, sem se
preocupar em fechar a porta do motorista. Assim que entrou na
lanchonete, ele examinou o local. A mobília não estava destruída como o
inferno e ninguém estava ferido. Não houve uma briga, ainda assim Matt
sentia que algo estava errado.
Devin olhou para ele com um olhar de desculpas enquanto
Dustin e Darius usavam expressões gêmeas de desconforto. Os
trigêmeos de Devin estavam ao lado do bar, os braços cruzados sobre os
peitos enormes, o observando se aproximar do pai. Ele estava
familiarizado com cada um dos filhos de Dario, e embora os ursos
fossem considerados neutros em Mercúrio, Matt estava bem ciente de
quão letais eles eram.
Ninguém cutucava os ursos, a menos que eles quisessem que
todo o clã LaSalle convergisse para eles. Matt não planejava cutucá-los,
mas queria respostas.
— Sua expressão me diz que o meu instinto não está errado. —
Matt disse. Devin era bem respeitado em Mercúrio. Ele era pelo menos
cem anos mais velho que Matt, e Matt, embora ele nunca tenha admitido
em voz alta, sempre considerou o homem como uma espécie de figura
paterna. Todos consideravam.
— Ele simplesmente desapareceu. — Devin disse enquanto
balançava a cabeça. — Ele foi até o relógio de ponto e ninguém o viu
desde então. Eu deveria estar o observando mais de perto, mas não
senti Bael entrar na lanchonete.
Matt deu aos homens na lanchonete um olhar assassino antes
de entrar na cozinha e depois saiu pela porta dos fundos.
O odor sulfúrico queimava suas narinas.
Matt amaldiçoou. Ele nunca deveria ter deixado Jason. O
demônio deve ter agarrado seu companheiro para influencia-lo. Matt não
podia ter certeza se Bael era quem tinha feito isso, no entanto. Ele
caçava criaturas sobrenaturais para ganhar a vida, o que irritava os
sobrenaturais que não andavam na linha. Todos na Mercury Rising
tinham sido alvejados mais de uma vez pelos bandidos, e todos os
caçadores de recompensas sabiam vigiar as suas costas. Ainda assim, o
instinto de Matt dizia a ele que foi Bael.
Quando o ar se moveu atrás dele, Matt girou e soltou sua arma
em um movimento fluido, apenas para encontrar Rio e Nick de pé atrás
dele.
— Vocês quase tiveram suas cabeças arrancadas. — Ele rosnou.
Um dos humanos da lanchonete saiu do lado de fora. Seus olhos
castanhos se arregalaram quando viu a arma de Matt.
— Volte para dentro. — Rio aconselhou.
— Foda-se isso. — O homem de cabelo louro areia disse. — Eu
os ouvi conversando no bar. Jason é meu amigo e eu tenho o direito de
saber o que diabos está acontecendo aqui.
— O que está acontecendo aqui é que você está a cinco
segundos de ter a sua bunda chutada se você não voltar para dentro.
Um sorriso satânico se espalhou pelos lábios do Rio.
— Me bata o quanto quiser. Não vou me mexer até que alguém
me diga onde está Jason.
O homem olhou para cada um deles.
Matt lutou para controlar a sua raiva, mas a fúria quase
explodiu dele enquanto seus caninos tentavam se alongar.
— Vá para dentro.
— Não.
— Jason está com problemas.
Matt se aproximou, um grunhido retumbando no seu peito.
— Não há nada que você possa fazer, então dê o fora daqui.
Ele normalmente tinha paciência quando se tratava de homens
pequenos, mas ele não sabia se Bael voltaria e ele não queria que
ninguém fosse pego no fogo cruzado.
— Então eu quero ajudar.
O humano parecia determinado e Matt não tinha tempo para
isso.
— Qual o seu nome? —Nick perguntou.
— Benjamin.
Matt se lembrou de Jason mencionando ele.
— Você pode ajudar levando sua bunda magra de volta para
dentro, Benjamin. — Rio estalou. Ele se elevou sobre o homem, mas
Benjamin não recuou. Matt teve que dar pontos ao homem sua por pura
estupidez. Não muitos se levantaram conta Rio.
— Você pode ir buscar Devin para mim? — Matt perguntou.
Se alguma coisa acontecesse com Jason, Matt nunca se
perdoaria. Ele também caçaria o bastardo que machucou seu
companheiro e rasgaria a porra da sua coluna antes de empurrá-la pela
garganta.
— Sim, mas não pense que sou idiota. Eu sei que você vai me
largar assim que eu entrar. — Benjamin abriu a porta de tela. — Apenas
o encontre ou você desejará que nunca tenhamos nos encontrado.
— Eu nunca deveria ter deixado o Jason aqui.
Matt se dirigiu para o lado da lanchonete. Ele estragou tudo
sobre isso.
— Precisamos encontrá-lo.
Nick encolheu os ombros.
— Quero dizer, se você o quer de volta, claro.
— Ele é companheiro de Matt, idiota. — Rio disse.
— Eu não sou aquele que deixou ele ser roubado por um
demônio. — Nick disse. — Não fique chateado comigo porque eu não
vejo o significado de um companheiro.
Havia momentos em que Matt queria chutar a sua matilha
inteira e começar de novo. A única coisa que o impedia era o fato de que
ele odiava domar alguém novo, isso e ele realmente gostava de alguns
deles.
Ignorando os homens briguentos, Matt fechou os olhos e abriu a
mente. Desde que Jason era seu companheiro, eles tinham uma
conexão. Ele usou essa conexão para tentar encontrar o homem. Ele
deixou a energia fluir através do seu lobo enquanto procurava
mentalmente por Jason.
Um tremor vibrou ao longo da conexão, e medo e raiva
pulsavam através de Jason. Enquanto tentava distinguir as imagens,
sentiu como se estivesse olhando através de uma nuvem de fumaça.
Luzes laser cortavam o nevoeiro e ele sentia a batida pesada da música.
Pequenas imagens de pessoas, conversando, rindo e dançando
flutuavam através da neblina enquanto o cheiro de álcool, sexo e suor
enchia sua mente. Ele conhecia este lugar, tinha estado lá antes.
— Ele está sendo mantido na Black Dragon.
Matt abriu os olhos e amaldiçoou. Ele tinha acabado de sair de
lá. Esteve tão perto e deixou Jason. Eles subiram no Hummer, e Matt
dirigiu a uma velocidade alucinante de volta ao clube.
Matt estacionou a um quarteirão de distância, depois saiu e foi
em direção à porta da frente. O andar superior estava fora dos limites
para os humanos. Se um demônio quisesse esconder um, esse seria o
lugar perfeito, já que ninguém pensaria em olhar lá.
Andreas levantou a mão.
— Desculpe, lobo. Você e os seus homens foram banidos daqui.
O vampiro olhou para ele como se desafiasse Matt a tentar
passar por ele. Andreas podia ser desumanamente rápido, mas Matt não
era alguém com quem brincar também.
Ele apertou os molares enquanto combinava com o olhar
ameaçador de Andreas.
— Eu não tenho tempo para ter um concurso de mijo com você.
— Não haverá um concurso de mijo, caçador de recompensas.
Eu domino aqui na porta.
Andreas cruzou os braços sobre o peito, o rosto em linhas
teimosas. O homem não iria deixá-lo entrar. Se Matt tivesse tempo, ele
limparia as ruas com o vampiro.
Colocando uma coleira na sua raiva, Matt se virou e voltou para
a rua, deslizando para o beco no último segundo. Ele derrubou os dois
vampiros que guardavam a escada de incêndio e subiu para o telhado.
Ninguém iria impedi-lo de chegar a Jason.
Atravessou a porta no telhado e desceu as escadas até que
virou no corredor escuro do andar de cima. Como ele poderia ter sido
tão descuidado com o seu companheiro? Matt tinha feito uma grande
aposta deixando Jason e agora a vida do homem estava em perigo.
Uma coisa era certa. Ele tinha colocado Jason nessa bagunça e
com certeza conseguiria tirar o seu companheiro dela.
Na metade do corredor, Matt sentiu Jason, mas a conexão era
fraca.
— Você pensou seriamente que poderia festejar sem nós? —
Rio disse atrás dele.
Matt olhou por cima do ombro para ver Rio e Nick se
aproximando.
— Ele está aqui. — Matt acenou com a cabeça para a porta na
frente dele. — Mas ele não está sozinho.
Rio e Nick pegaram suas armas e esperaram que Matt desse o
sinal. Ele chutou a porta, liberando sua Beretta ao mesmo tempo. A
porta se abriu para revelar um pesadelo que o perseguiria pelo resto da
sua vida. Matt jogou a cabeça para trás e uivou antes de correr para
dentro do quarto.
Os três vampiros que estavam se alimentando de Jason voaram
da cama enquanto mostravam suas presas. Os instintos mais básicos de
Matt assumiram como uma necessidade enlouquecedora de rasgar carne
do osso o consumindo.
Ele atirou no sanguessuga, mas o vampiro se esquivou e
balançou as garras para o pescoço de Matt, mas errou. Era uma luta até
a morte e Matt estava determinado a ser o único a ir embora.
— O sangue dele era a mais doce ambrosia. — O vampiro
provocou, então deslizou a língua sobre o lábio inferior. Suas pálpebras
tremeram como se estivesse saboreando o gosto de Jason. — Eu vou ter
que te matar rapidamente para que eu possa me alimentar dele
novamente.
Matt rosnou enquanto circulava o vampiro. Seu estômago se
apertou e a imagem de Jason sendo drenado alimentou sua raiva. Se
algum sangue do vampiro tivesse infectado Jason, seu companheiro se
tornaria um deles. O pensamento quase trouxe Matt de joelhos.
Matt se lançou e enfiou a mão no peito do vampiro. Choque
substituiu o sorriso presunçoso do vampiro quando Matt puxou seu
coração para fora e o jogou de lado.
— Se alimente com isso, seu filho da puta.
O vampiro caiu no chão.
Matt girou e viu Nick e Rio lutando com os outros dois. Seu
olhar foi para a cama onde Jason estava imóvel. Ele pegou seu
companheiro e o segurou.
No instante em que os olhos de Jason se abriram, o cheiro de
terror inundou a sala. Ele gritou quando chutou e empurrou Matt.
— Você está seguro. — Matt o segurou com mais força, com
medo de que o homem se machucasse. — Jason, olhe para mim.
Jason endureceu quando seu olhar se lançou ao redor
descontroladamente.
— Eu peguei você. — Matt disse.
Jason tremeu quando chorou contra o peito de Matt. Ouvir o
desespero nos soluços de Jason rasgou Matt em pedaços. O cheiro forte
de angústia se misturando com o terror que se agarrava a Jason fez Matt
querer matar todos os vampiros do clube.
— Eu sinto muito. — Ele sussurrou. — Eu nunca quis que nada
disso acontecesse com você.
Matt não culparia Jason se o seu companheiro o odiasse. Seus
olhos foram abertos para o mundo sobrenatural da pior maneira
possível. Se Matt pudesse voltar no tempo, ele nunca teria parado
quando viu Jason indo para casa. Ele teria mantido a distância para que
a sua vida não tivesse sangrado na de Jason.
— Como ele está? — Rio perguntou quando se aproximou
deles. Nick ficou ao lado da porta.
— Traumatizado. — Matt disse enquanto passava a mão pelo
cabelo de Jason. — Eu acho que ele está em choque.
Nick deu um passo para trás e olhou pelo corredor, rugas
superficiais se formando entre os olhos.
— Colton?
Os caninos de Matt se alongaram. Se Colton tivesse sido
honesto com ele, Magnus não teria chamado Bael e Jason não teria sido
levado.
Eles não podiam demorar, não importa o quanto Matt queria
bater a merda fora de Colton, em seguida, matar Magnus.
Respirando fundo, Matt entrou no corredor. Parte da sua raiva
fugiu quando ele viu Colton carregando um Anthony inconsciente por
cima do ombro.
— Eu sei que você quer me matar agora, mas eu sugiro que
nós nos movermos muito rapidamente. Um monte de vampiros não está
muito longe de mim.— Colton correu pelo corredor, indo em direção à
escada.
— Você ouviu o homem.
Matt decolou e chutou a porta que estava começando a fechar.
Ele subiu as escadas de dois em dois até chegar ao telhado. Colton já
estava descendo a pequena escada que levava à escada de incêndio.
Matt amaldiçoou quando os vampiros se espalharam pelo
telhado. Havia muitos para Rio e Nick lutarem sozinhos.
— Dê ele para mim. — Colton disse enquanto subia a escada.
— Eu posso levar os dois enquanto você ajuda Nick e Rio.
Matt olhou para Jason. Os olhos do seu companheiro estavam
fechados e ele não estava se movendo. Ele não tinha dúvida de que
Colton poderia levar os dois homens, mas Matt detestava ter que deixar
Jason fora da sua vista novamente. Ele cometeu esse erro uma vez e
Jason quase pagou com a sua vida.
Ele andou em direção a Colton, seus olhos estreitos e os seus
caninos a mostra.
— Deixe que qualquer coisa aconteça com o meu companheiro
e, amigo ou não, eu vou fazer você implorar pela morte.
— Amo você também.
Colton pegou Jason e o colocou sobre o outro ombro antes de
descer a escada.
Com o seu companheiro fora de perigo, Matt girou enquanto
pegava sua arma do coldre.
— Hora do lobo grande e mau jogar.

Capítulo Oito

Horas depois, Matt estava no corredor da sua casa, machucado


e ensanguentado e pronto para rasgar um novo buraco em Colton. Eles
mal conseguiram sair daquele telhado com as suas vidas. A única razão
pela qual eles se afastaram foi porque o amanhecer havia levado os
vampiros de volta para dentro.
— Você poderia ter vindo até mim.
Matt bateu com o punho na parede.
Jason estava dormindo e Matt estava no corredor no andar de
cima com Colton. Ele enrolou as mãos em punhos pela traição do seu
amigo de longa data.
— Você me disse que a sua luta com os vampiros era apenas
um mal-entendido. Você pode não ter mentido, mas reter a verdade de
mim é a mesma coisa.
— Este é meu problema e eu vou lidar com isso.
A voz de Colton era firme, mas Matt viu a preocupação que ele
tentou esconder. O homem não tinha ideia do que fazer e parecia
completamente perdido.
— Nós somos a porra de uma matilha. Não há tal coisa como
lidar com as coisas sozinho. Seus problemas são nossos problemas.
Matt não ia deixar Colton assumir isso sozinho. Eles tinham
passado por muita coisa juntos para permitir que Colton se enforcasse.
Ele estava apenas chateado que Colton estava sendo tão teimoso.
A dor brilhou nos olhos azuis de Colton, mas ele mascarou a
emoção rapidamente.
— Eu não pedi a nenhum de vocês para se envolver.
Matt ficou em silêncio por vários segundos. Ele não queria
perguntar, mas precisava saber a resposta.
— E como você vai cancelar o mandado para matar?
Os olhos de Colton se apertaram quando suas narinas se
alargaram.
— Se Eric pode ser perdoado pelo Conselho, por que Anthony
não pode?
— Porque Eric é o filho de Magnus.
Matt passou a mão pelo rosto. O relacionamento de Magnus e
Eric tinha sido um segredo bem guardado, mas este era Colton. Segure
os segredos se eles trabalharam contra o seu bando. Matt só tinha que
descobrir como fazer esse trabalho secreto para Colton. Ele olhou para o
lobo para ver como ele levaria a informação.
— Eles foram transformados ao mesmo tempo. Seu Mestre não
ia deixar Eric ser destruído.
— Isso ainda não me diz por que Anthony também não pode
ser perdoado. — Ele podia sentir a raiva pulsando de Colton. — Anthony
matou aqueles homens em legítima defesa. Eric propositalmente matou
porque ele é um psicopata doente. O pedaço de merda gosta da
matança, Matt, e acabamos de entregá-lo ao pai dele. Como diabos isso
é justo?
— Porque eu não tenho um conselheiro para me apoiar, Colton.
Eu não tenho amigos em lugares altos como Magnus.
Essa era a verdade fria e dura. Ele entendia as frustrações de
Colton. Ele realmente entendia. Embora pensasse que Anthony deveria
pagar pelo que ele fez, ele também era irmão de Colton.
Família vai te foder mais rápido do que um estranho. Não é a
verdade? Pai e filho seriam poupados da dor da perda, enquanto os
irmãos seriam separados pela mesma coisa, assassinato. Na sua maior
parte, porque Anthony não gostou das mortes.
Favoritismo não deveria ser permitido no Conselho. Eles
deveriam se manter em um padrão mais alto do que isso. O que eles
fizeram por Eric zombou da luta que Matt e os seus homens
empreendiam para manter a violência sobrenatural nas ruas.
Eles basicamente deram a Eric um passe livre para matar
novamente. E ele mataria. Era só uma questão de tempo.
— Então, você só vai matar o meu irmãozinho? — Colton deu
um passo para trás, como se estivesse pronto para tirar Anthony da
casa, se fosse necessário. — E você se pergunta por que eu tentei cuidar
disso sozinho.
— Ninguém disse nada sobre matá-lo. — Matt disse. — Nós
vamos descobrir alguma coisa.
— E se você não descobrir? Eu deveria entregá-lo a você? —
Colton estreitou os olhos. Ele não confiava na palavra de Matt e isso doía
como uma cadela. — Isso não é o mesmo que quando John Matthews
tinha um mandado de matar na sua cabeça. Eu não poderia viver aqui
sabendo que um de vocês o matou.
John Matthews era o pai de Tap e matou sua companheira. Até
hoje, Tap não fazia ideia de quem havia executado o mandado de
matança e ninguém jamais diria a ele. Essa era a parte fodida do
negócio, quando um membro da família tinha que ser morto. Mas Colton
estava certo. Isso não era como John Matthew. Colton era muito próximo
do seu irmão, ao contrário de Tap que odiava o seu pai. Matt tinha que
pensar em uma solução melhor.
— Você vai deixar o mandado ser executado, não é?
— Você duvida de mim porra?
Matt estava com raiva, mas verdade seja dita, ele não tinha a
menor ideia de como iria tirar Anthony disso. Como você conta a alguém
que você conhece há mais de cem anos, alguém que esteve lá com você,
apesar do seu irmão ser o maior fodido do mundo, que você tem que
entregar o cara para ser morto? Como diabos você diz algo assim?
Não era como se ele pudesse dizer ao Conselho para se ferrar.
Se Matt não executasse o mandado, eles mandariam alguém que não
tinha interesse pessoal nisso. Havia agências sobrenaturais em todos os
estados e espalhados pelo globo. Alguém aceitaria o contrato.
De qualquer maneira, Anthony estava tão bom quanto morto.
Era apenas uma questão de quando.
— Não, eu não quero que você lute por Anthony. Eu só acho
que não há esperança de salvá-lo.
Colton desviou o olhar, mas não antes de Matt ver o desespero
nos seus olhos.
— Como está Jason?
A rápida mudança de assunto desnorteou Matt, e levou um
segundo para o seu cérebro recuperar o atraso. Ele balançou a cabeça e
sabia que não havia muito mais que pudessem falar. Matt teria que
mostrar à Colton que ele estava do lado do homem. Independentemente
do que acontecesse, Matt sempre apoiaria seus amigos. Era isso que a
família fazia.
— Eu preciso ir ver como ele está.
Matt entrou no seu quarto para encontrar Jason sentado na
cama, olhando para as portas da varanda.
— Você está acordado. — Ele disse enquanto fechava a porta
atrás de si.
Ele não entendia como pensar em Jason já era natural. Seu
cabelo ruivo era profundo e rico, e o sol da manhã destacava os tons
vermelhos e marrons. Sua pele era pálida e perfeita, e os seus olhos
eram da cor das esmeraldas. Ele era o homem mais bonito que Matt já
tinha visto.
Matt queria ir até Jason, puxar seu companheiro em seus
braços, mas permaneceu ao lado da porta, esperando para ver a reação
de Jason. Apesar de matá-lo, não culparia Jason se ele o afastasse.
Quando seu companheiro olhou para ele, Matt ficou surpreso
com a raiva nos seus olhos.
— Eu quero que Bael seja destruído pelo que ele fez comigo.
Este não era o mesmo homem com quem ele acasalou. Algo
dentro de Jason havia quebrado e, mais do que tudo, esmagou Matt.
Ele sentou na cama e puxou Jason em seus braços, em seguida,
o segurou perto, pressionando sua bochecha no seu cabelo ruivo.
Matt estava agradecido por Jason estar vivo, mas entristecido
que o demônio e os vampiros tivessem tomado sua inocência. Eles
roubaram algo valioso do seu companheiro, e Matt faria com que cada
um deles pagasse.
— Não deixe que eles te transformem em algo que você não é.
— Sua voz era baixa quando roçou os lábios no cabelo de Jason. — Não
os deixe vencer.
— Eu não quero ficar com raiva. — Jason admitiu. — Mas como
eu não posso quando... quando aquilo aconteceu comigo? Eu não quero
ficar com raiva. Eu não quero vingança. Isso não é quem eu sou. Mas eu
não consigo parar de pensar... — Ele balançou a cabeça. — Eu nunca me
encaixei quando morava em Minneapolis, e agora, eu não sinto que eu
me encaixo aqui. Eu estou meio... perdido.
— Eu sei como isso é. — Matt inclinou a cabeça para trás e
olhou para o quarto. — Eu me senti assim mais vezes do que posso
contar. O que ajuda são as pessoas com quem você se cerca.
Matt pensou nos membros da matilha que ele ajudou nos
últimos duzentos anos, em como cada um se perdeu e alguns se
quebraram. Cada um dos seus homens sofreu dificuldades de uma forma
ou de outra. Ele não queria que Jason sofresse ou sentisse que não tinha
uma âncora quando Matt estava bem ali.
— Para shifters, de onde viemos é parte de quem nós somos.
Você pode não se encaixar em Minneapolis, mas você se encaixa aqui.
Você é um de nós agora. Se você quer estabelecer raízes, você sempre
será bem-vindo a adotar os desajustados no andar de baixo.
O coração de Matt inchou quando Jason se sacudiu com uma
risada suave.
— Eu acho que esses homens são um pouco velhos demais
para eu adotá-los.
— Você ficaria surpreso com o que eles estão dispostos a fazer
para pertencer. Eles preferem cortar suas cabeças do que admitir
qualquer ponto fraco, mas todo mundo esteve perdido em algum
momento da sua vida. Nos dê uma chance e não deixe o mal nesta
cidade mudar você.
— Isso vai me mudar. — Jason disse. — Meus olhos foram
abertos.
Matt inclinou a cabeça de Jason para trás e olhou nos seus
olhos. Jason estava rapidamente se tornando seu mundo inteiro. Durante
toda a sua vida ele lutou para encontrar alguém para amá-lo, nunca
encontrando conforto de alguém que se importava com ele, não como
ele encontrou com Jason, e Matt se recusava a deixar isso passar.
Em um movimento, ele girou Jason debaixo dele e esticou os
braços do seu companheiro acima da sua cabeça, prendendo o homem
menor debaixo dele. Acariciou o pescoço do seu companheiro, roçando
os lábios sobre a marca de acasalamento enquanto o cheiro da excitação
de Jason explodia.
—Você é meu refúgio, Jason. Não mude muito. Eu gosto de você
do jeito que você é. — Matt murmurou, se perdendo na doce exploração
do corpo de Jason.

O cheiro de Matt era escuro, sua expressão intensa. O roçar dos


lábios de Matt na marca de mordida sensível deixou Jason
instantaneamente duro.
— Deus, o que você está fazendo comigo?
Jason balançou a cabeça, seus quadris se contorcendo enquanto
lutava para se aproximar de Matt.
— Estabelecendo raízes.
Matt se afastou e piscou para ele.
— Vou te mostrar exatamente onde você pertence.
Jason lutou contra o sorriso que curvou os seus lábios.
— Sexo vai me mostrar?
— Sexo é a maneira física onde eu mostro o que você significa
para mim.
Matt lambeu um caminho sobre a marca de mordida,
arrancando um gemido de Jason.
— Você não tem ideia do que um companheiro significa para
um shifter, mas você vai.
Jason estava começando a ter uma ideia. Sua experiência com
Bael e os vampiros tinha sido verdadeiramente aterrorizante. Ele nunca
queria enfrentar algo assim novamente, mas Matt veio por ele, o salvou
de um destino que ele sabia que teria sido muito pior do que a morte.
Quando Matt entrou na lanchonete depois que Jason saiu de
casa, seus olhos estavam cheios de raiva e preocupação. Era tão genuíno
que Jason sabia que não tinha sido falsificado.
Ele não ia fingir que sabia por que Matt de repente se importava
com ele tão profundamente, mas não iria lutar contra isso também. Por
que deveria? Isso era algo que ele procurou por toda a sua vida. Só
porque Matt não era humano não significava que ele era incapaz de
amar.
O homem definitivamente era capaz de fazer sexo incrível, e
Jason não ia negá-lo. Jason alcançou entre eles e deslizou a sua calça
fora.
— Eu quero sentir você dentro de mim.
Os olhos de Matt se tornaram olhos de lobo. Era a única maneira
de descrever como as íris cinza-escuras que rodeavam as pupilas negras.
A necessidade de pertencer a Matt era uma dor física que pulsava ao
longo da pele de Jason, fazendo o seu coração acelerar. Ele deveria ter
medo da sua necessidade avassaladora por Matt, mas não estava.
Ele engasgou quando Matt o virou sobre o estômago e
pressionou uma perna de cada lado dele, abrangendo suas coxas. Matt
começou a explorá-lo com mãos fortes, fazendo o corpo de Jason rugir
para a vida. Ondas de desejo explosivo pulsavam através dele, o fazendo
se sentir possuído.
Ele estava incrivelmente excitado quando os dedos de Matt se
arrastaram sobre a sua parte inferior das costas e depois no seu traseiro,
tomando tempo para provocar o vinco entre as suas nádegas.
— É aqui que você gostaria de me sentir?
Ele fez da pergunta uma tentação quando um dedo solitário
mergulhou no vinco para circundar o músculo pulsante de Jason.
— Você não deve me provocar quando eu estou pronto para
entrar em combustão.
Matt riu, o som profundo deslizando sobre o corpo de Jason
como seda quente.
— Se eu cedesse a você, acabaria antes de começar. Você tem
que aprender a aproveitar o momento.
Com um suspiro, Jason se acomodou, embora não fosse fácil.
Não quando Matt parecia trazer todas as células do seu corpo para a
vida.
— Melhor.
Matt recuou e pressionou a cabeça do seu pênis contra o ânus
de Jason.
— Parte do prazer é a antecipação.
Os olhos de Jason se arregalaram quando ele sentiu um jorro no
seu ânus.
— Eu tenho lubrificante natural.— O sorriso de Matt era de
destruir corações. — Apenas deixe relaxar os seus músculos tensos.
Jason apertou os dentes, tentando não mexer os quadris. Ele
não queria que Matt parasse, mas ele também precisava de mais. Jason
curvou os dedos enquanto mordia o lábio inferior.
— Você é meu para brincar.
A voz de Matt estava pesada com luxúria quando Jason sentiu
outro jorro de pré-sêmen.
— Eu só… Eu preciso… Mais.
Matt mordiscou a orelha de Jason.
— E eu pretendo te dar mais.
Jason não conseguiu impedir que os seus quadris se movessem,
por mais que tentasse.
A cabeça do pênis de Matt pressionada contra o seu ânus
mandou Jason para a borda. Ele tentou cair, mas a pressão não foi
suficiente. Ele respirou fundo quando Matt mordiscou o seu ombro.
— Você está tentando gozar já?
— Claro que sim. — Jason disse.
O pênis de Matt pulsou, enviando sacudidas de prazer através
de Jason.
— Por favor. — Jason implorou.
Ele quase mordeu o lábio inferior quando Matt recuou, em
seguida, bateu no quadril de Jason.
— De costas.
Quando Jason se virou, Matt se acomodou entre as suas pernas,
posicionou a cabeça do seu pênis contra o ânus de Jason mais uma vez.
Só que desta vez, ele pressionou para dentro.
— Tão apertado e quente.
Matt gemeu quando ele deixou suas mãos se apoiarem em
ambos os lados da cabeça de Jason.
— Perfeito.
A pressão era imensa quando Matt trabalhou sua ereção para
dentro, o esticando. Jason gemeu quando um golpe duro enterrou o
comprimento de Matt completamente.
Eles se moviam em um ritmo tão familiar e ao mesmo tempo
tão novo, considerando que era apenas a segunda vez juntos. Matt
segurou as coxas de Jason, as mantendo separadas enquanto o
penetrava duro e profundo.
Jason se contorceu quando Matt mudou o ângulo e o seu ponto
doce foi atingido de novo e de novo. Ele arqueou as costas, tentando
respirar irregularmente enquanto Matt continuava o ataque ao seu
corpo.
— Meu.
Matt rosnou a única palavra antes de afundar seus caninos no
ombro de Jason. Jason gritou, seu corpo apertando, atingindo,
desesperado. Seu pênis formigou, ansiando por alivio, enquanto suas
bolas se apertavam.
Seu clímax caiu sobre ele quando jogou a cabeça para trás,
gritando o nome de Matt.
Matt não estava muito atrás dele. Ele puxou seus caninos livres
e uivou enquanto jorros quentes de esperma enchiam Jason. Quando
Jason estava desossado, as estocadas de Matt diminuíram.
Matt retirou o pênis e caiu ao lado dele antes de colocar um
braço sobre Jason. Ele acariciou o pescoço de Jason, colocando pequenos
beijos ao longo do ombro.
— E isso é o que eu chamo de estabelecer raízes.
Matt o mordiscou quando um sorriso se espalhou pelo rosto de
Jason.
Matt poderia estabelecer raízes a qualquer hora que o homem
quisesse.
Um baixo rugido vibrou no peito de Matt quando alguém bateu
na porta.
— Eu juro que vou colocar fios na porta para que a próxima
pessoa que bater nela seja eletrocutada.
— Matt. — Colton gritou do outro lado. — Anthony se foi.

Capítulo Nove

Matt se virou da janela para enfrentar Colton.


— Tem certeza de que ele não acabou de sair?
Matt levara Jason para a agência, onde todos os homens haviam
se reunido. Se algo estava prestes a acontecer, ele queria todos em um
só lugar, incluindo Stuart. Ter o inferno em casa não era uma opção.
Linhas apertadas se formaram ao redor dos olhos e da boca de
Colton enquanto ele andava de um lado para o outro.
— Eu tenho certeza. Eu o ouvi gritando por mim, mas quando
cheguei ao quarto dele, ele se foi.
Matt enfiou as mãos nos bolsos enquanto encontrava o olhar de
Colton.
— Eu acho que o Conselho sabia que o mandado não seria
executado, então eles resolveram o problema com suas próprias mãos.
— Nós podemos ir para onde quer que eles o levaram e o
libertar — Jason sugeriu do seu poleiro na cadeira de Matt. — Ou é como
uma espécie de coisa do tipo prisão máxima? Estou a fim de uma
operação secreta. Embora pareça horrível de preto.
Jason deu de ombros quando a matilha se virou para olhá-lo. —
Apenas dizendo.
— Ele não é adorável? — Landon disse com uma risada baixa.
— Podemos ficar com ele, pai?
Matt sacudiu a cabeça quando alguns dos homens riram.
— O Conselho tem que abrir uma porta para nos permitir
passar. Não tem como eles abrirem para um de nós, não quando eles
sabem porque viemos.
— Seu mundo só fica mais e mais estranho — Jason resmungou
antes de vasculhar as gavetas da escrivaninha de Matt.
— Eu sempre posso matar Magnus, mandar um mandado para
mim, e então você não executa — Rhys sugeriu com um sorriso de
satisfação.
Matt olhou incrédulo para ele.
— Como diabos isso vai ajudar quando você estiver sentado ao
lado de Anthony?
— Eu não vejo ninguém mais com um plano.
Rhys desviou o olhar, como se tivesse ajudado.
— O que eu sou, fígado picado? — Jason perguntou. — Pelo
menos meu plano não inclui assassinato... eu acho.
Quando Jason mordiscou seu lábio inferior, Matt imaginou como
aqueles lábios macios se sentiriam ao redor do seu pênis. Ele desviou
sua atenção do seu companheiro, dizendo a si mesmo para se concentrar
no assunto em questão.
Além disso, ele estava começando a se preocupar com a saúde
de Jason. Antes de sair de casa, Jason vomitara no banheiro. Talvez
ligasse para o Dr. Ethan Whitfield. Matt duvidava que Jason ainda
estivesse sofrendo dos efeitos do spray de pimenta, e se algo mais sério
estivesse errado? O fato dos humanos serem tão frágeis só fez com que
Matt se preocupasse mais.
— Poderíamos entrar no nosso próximo mandado de captura —
sugeriu River.
— Mas não sabemos quando será isso — argumentou Colton. —
Pode ser tarde demais até então.
— Talvez não — disse Stuart ao entrar no escritório de Matt
segurando um pedaço de papel. — Tenho um mandado de captura aqui
por...
Colton agarrou antes que Stuart terminasse sua sentença.
Nick rosnou.
— Só porque você é um lobo não significa que você tem que
agir como um animal — Stuart fungou. — Um agradecimento seria
apreciado.
— Obrigado — disse Colton com sincera desculpa em seus
olhos. — Desculpe por pegar isso.
Stuart sorriu e saiu.
— Este é o nosso ingresso — disse Colton.
— Não a menos que você tenha um plano para ir com esse
papel — disse Matt. — O Salão do Conselho é impossível de penetrar.
Como vamos passar por três níveis de segurança, um elevador que exige
uma varredura de retina e palma, e procurar por Anthony entre as
centenas de celas no nível mais baixo do prédio sem ser detectados?
Jason praticamente saltou na sua cadeira.
— Eu me ofereço para ser o cara abaixado em um desses cabos
retráteis.
A sobrancelha esquerda de Matt subiu uma fração.
— O que? — Jason espalhou suas mãos. — Não é como se
qualquer um de vocês fosse leve o suficiente para ser abaixado. Levaria
três de vocês apenas para segurar o peso de um shifter.
Matt escondeu o seu sorriso. Parecia que o verdadeiro Jason
estava aparecendo, não o cara assustado que não conseguia interagir no
mundo deles. Matt gostava do humor do seu companheiro, embora
provavelmente não fosse o melhor momento para isso - embora alguns
dos lobos parecessem estar bem-humorados também.
River sorriu e balançou o dedo duas vezes para Jason.
— Eu concordo com Landon. Podemos mantê-lo?
Jason virou o dedo para River. Isso só fez o sorriso de River ficar
mais largo.
Matt foi até Nick e levantou a cadeira com Nick ainda sentado,
provando que não eram necessários três shifters para lidar com um.
— Esta não é a Missão Impossível.
Jason ficou lá olhando com os olhos arregalados para Matt.
— De repente eu estou excitado.
Matt rosnou quando alguns dos homens começaram a rir. Ele
abaixou a cadeira de Nick e ficou tentado a virar de lado quando Nick
piscou para Jason.
— Se você realmente quer ficar impressionado, então venha se
sentar no meu colo enquanto ele me levanta novamente — disse Nick.
Matt rosnou novamente.
— Não a menos que você queira que eu corte o seu pau.
— Vou contar a Stuart sobre a sua oferta — disse Colton com
um sorriso de merda.
— Por que eu me importaria se você dissesse ao recepcionista?
O ligeiro pânico nos olhos de Nick desmentiu a sua pergunta
blasé.
Talvez houvesse mais em flertar com Nick do que ele deixa
transparecer.
— O que precisamos fazer é pedir ajuda aos leopardos — disse
River. — Eles possuem uma agência especializada em operações
secretas.
— Mesmo? — Jason pareceu atordoado. — Eu pensei que eles
possuíam um lounge.
— Assim como os humanos pensam que administramos uma
agência que localiza pessoas desaparecidas — disse River.
— O lounge é uma fraude? — Jason perguntou quando suas
sobrancelhas se ergueram.
— Ao contrário do Mercury Rising, onde não aceitamos casos
humanos e os leopardos têm clientela de alto nível, eles atendem —
disse Landon.
As sobrancelhas de Jason se enrugaram.
— Como festas para os ricos?
— Em uma maneira de falar.
Matt não ia dizer que os leopardos tinham um serviço de
acompanhantes que atendiam a homens ricos. Essa parte dos negócios
deles era oculto. Mas nem todo o salto de Vane funcionava no salão.
Alguns desses leopardos eram mercenários.
— Vou falar com Vane sobre a nossa necessidade dos irmãos
Dupree — disse Matt. — Mas eu não tenho certeza se ele concordará,
não importa o preço, já que este é o Salão do Conselho que estamos
falando sobre invadir.
Os irmãos Dupree eram os mercenários mais letais que Matt
conhecia.
— Eu sei que Anthony é uma bagunça — disse Colton para os
homens reunidos no escritório de Matt. Ele tinha bolsas sob os olhos e
parecia esgotado, derrotado de uma maneira que vinha do pior tipo de
estresse. — Mas ele é da família.
— A questão é — disse River enquanto olhava para Colton com
uma mistura de simpatia e firmeza, — o que acontece com ele se
conseguirmos fazer isso? Desculpe, mano, mas mesmo que por algum
milagre nós o tiremos, eu duvido muito que ele caia de joelhos em
agradecimento por ter sido salvo da execução.
A sala ficou quieta. River tinha falado sobre o que todos
estavam pensando desde que o mandado foi emitido - provavelmente
até antes disso. Anthony tinha o dom de fazer amizade com as piores
pessoas e fazer escolhas erradas. Matt não diria que as pessoas não
podiam mudar, mas era raro, e a pessoa tinha que estar disposta a fazer
essa mudança. Anthony nunca mostrou remorso pelas coisas que ele fez
ou pelas pessoas que ele enganou. Matt sabia no seu coração que
Anthony voltaria a ser uma bagunça se ele se libertasse.
Isso só significava que Matt teria que intervir e lidar com as
coisas. Colton o odiaria, mas Matt não viu outra opção além de exilar o
seu irmão. Matt desejou que não fosse o caso, mas ele tinha que
proteger os seus homens.

Jason saltou da cadeira enquanto batia as palmas das mãos na


mesa de Matt. O resto dos homens foi embora, deixando Jason sozinho
com o seu companheiro.
— Nem pense em me deixar fora disso! Se você quer que eu
me adapte ao seu mundo, então pare de tentar me deixar com babás. —
Ele ergueu a mão. — Eu não estou pedindo para ir com você quando
você executar mandados. — Embora ele soubesse o que Matt fazia para
viver, Jason não queria testemunhá-lo em primeira mão. — Eu estou
apenas dizendo que não há nada de errado em acompanhá-lo a coisas
que não exigem que você tire a sua arma.
Jason estreitou os olhos quando Matt mostrou seus caninos. A
visão era realmente assustadora, como olhar para um cachorro perigoso
prestes a atacar, mas ele estava começando a aprender como os shifters
trabalhavam. Se ele recuasse agora, Matt nunca o deixaria brincar com
os meninos grandes.
— Quem disse que eu não preciso puxar a minha arma? — Matt
perguntou. — Embora as diferentes raças coexistam, isso não significa
que nos damos bem. Estamos falando de dois alfas na mesma sala. Essa
sempre foi uma receita para o desastre.
— Você e Devin não vão nas gargantas um do outro —
ressaltou Jason. Quão ruim as coisas poderiam ficar se Matt fosse ver
Vane? Eles eram homens adultos que viviam e trabalhavam na mesma
cidade. As coisas não poderiam ficar tão ruins assim, não é?
— Isso é porque os ursos são letais, mas neutros. Devin não
entra em competições de mijo com outros alfas.
Jason tirou a sua carta da manga.
— E você acha que esse Vane arriscaria uma guerra se ele
fizesse alguma coisa enquanto o seu companheiro está lá?
Ele queria bombear o braço em vitória com a surpresa nos olhos
de Matt.
— Isso é muito intuitivo da sua parte — admitiu Matt.
— Você me disse mais de uma vez o quão especial é um
companheiro para um shifter.
— Seja como for, você ainda não está indo.
Jason mostrou seus dentes contundentes.
— Seja como for, se você me parar, você vai foder o seu punho
em vez de mim por um mês inteiro.
Não havia como Jason conseguir desistir do sexo com Matt por
um mês. Ele mal segurou cinco segundos sempre que ele estava perto
do cara. Mas ele tinha um rosto de jogo muito bom e usou quando o seu
companheiro olhou para ele.
— Você não aguentaria.
Mas a julgar pela expressão nos olhos cinzentos de Matt, ele
não tinha certeza se ele tinha certeza do blefe de Jason.
Jason caminhou até o seu companheiro, segurou o pênis
espesso de Matt e deu um aperto no contorno. Matt assobiou quando
seus olhos ficaram pesados. Evocar esse tipo de reação em alguém como
Matt era fortalecedor. Isso fez a confiança de Jason subir.
— Quer me tentar? Você mesmo me chamou de teimoso.
Ele umedeceu o lábio inferior com um deslize da sua língua
enquanto massageava a protuberância pesada.
— Eu estava morrendo de vontade de descobrir o que você
gosta. Seria uma pena se tivéssemos que esperar por causa da sua
teimosia.
Ele não mentiu sobre querer provar Matt. Desde a noite em que
ele colocou os olhos no pênis impressionante do homem, Jason estava
morrendo de vontade de sugar Matt. Se ele não estivesse lutando contra
ser tratado como se precisasse de uma babá, ele cairia de joelhos e
levaria o seu companheiro para a boca agora mesmo.
Matt apertou os dentes e Jason percebeu que estava lutando
contra o desejo de empurrar Jason de joelhos. Aparentemente, Jason
não era a única pessoa obstinada na sala.
Sabendo que ele tinha que ganhar a vantagem, ele abriu o
jeans de Matt, então baixou o zíper lentamente, mantendo o olhar fixo
no seu companheiro. Ele deslizou a mão entre o abdômen de Matt e a
sua boxer, passando os dedos pela cabeça inchada, saboreando a fome
quente no rosto de Matt.
— Posso ir?
Jason deu a Matt o seu melhor olhar enquanto acariciava o pau
do homem. Ele acariciou a carne dura e aquecida apenas uma vez antes
de acrescentar:
— Por favor?
Ele congelou quando Matt soltou a calça de Jason, em seguida,
estendeu a mão e a colocou entre a cintura e as suas nádegas. Matt
mergulhou um dedo entre o vinco de Jason, provocando o seu ânus.
— Bebê, eu vou ter você me implorando para foder essa sua
pequena bunda apertada. Eu vou ter você disposto a me sugar antes de
eu enfiar meu pau profundamente na sua bunda. Não jogue um jogo que
você não pode ganhar.
— Foda-se você e o cavalo em que você montou.
Jason soltou a mão antes de empurrar o peito de Matt. Ele
andou a poucos metros de distância, sabendo que o homem estava
certo. Jason estaria implorando para ser fodido em segundos.
Quando Matt se aproximou dele, Jason recuou e a sua bunda
colidiu com a mesa. Ele estava preso antes que ele pudesse fugir.
Seu coração disparou quando Matt libertou a sua ereção.
— Você acha que por um segundo eu vou deixar você escapar
depois de fazer isso comigo? — Ele segurou o seu pênis.
— Sim?
Matt sacudiu a cabeça lentamente. Seus olhos eram de lobo.
— Pense de novo.
Enquadrando seus ombros, Jason projetou seu queixo em
desafio, lutando contra a necessidade avassaladora de cair na frente do
seu companheiro.
— Não farei nada até que você diga que eu posso ir com você.
— Droga, Jason. — Matt apertou os dentes. — Por que você
está tão empenhado em se colocar em perigo?
— Quanto perigo posso estar em ficar com você? — ele
argumentou. — Eu pensei que nós éramos companheiros?
— Você é humano — rebateu Matt.
— O que significa que eu preciso aprender o meu lugar quando
se trata de shifters?
A expressão feroz de Matt desapareceu.
— Você sabe que não é isso que estou dizendo.
Ele pulou entre Matt e a mesa, empurrando a mão do homem
quando alcançou Jason. Ele procurou por alguém que o queria por algo
mais do que sexo, mas era dolorosamente óbvio que Matt não pensava
muito dos humanos.
Ele podia não ser capaz de se defender contra o sobrenatural,
mas ouvir Matt dizer que Jason não podia ficar ao seu lado porque ele
era inferior aos shifters, isso o cortava profundamente.
— Jason.
Ele ergueu a mão.
— Você está certo. Não há como sermos iguais. Eu sou apenas
um fraco humano que precisa ficar com os seus acompanhantes para
que você possa cuidar dos negócios dos shifters.
Jason saiu do escritório, lutando para conter a sua raiva e dor.
Ele tinha sido um tolo em pensar que a sua sorte com os homens havia
mudado. Matt poderia querer mais do que sexo com ele, mas isso era
porque o destino os havia decretado companheiros, não porque Matt
realmente o queria.
Ele lutou contra as lágrimas doloridas quando avistou Nick na
área de recepção. Jason teve que limpar a garganta duas vezes antes de
poder falar.
— Você pode me levar para o trabalho?
Nick apenas assentiu, como se pudesse sentir que algo estava
errado. Jason deu um sorriso forçado para Stuart, depois virou e saiu
pela porta da frente, deixando seu coração partido no chão do escritório
de Matt.

Matt estava furioso quando deixou o Leopard Lounge. Vane


tinha acabado de recusá-lo.
Ele começou a se perguntar se Jason era realmente seu ajuste
certo. Se o macho era, então Matt não deveria se sentir como um
pedaço de merda. Não era que ele não respeitasse Jason. Ele adorava
seu companheiro. Ele estava com medo de perdê-lo.
Ele apertou os dentes enquanto descia a rua e voltava para a
agência. Acasalamentos não deveriam ser tão complicados assim, e Matt
não sabia como consertar as coisas.
Seu lobo rosnou para estar com Jason, despreocupado com as
suas brigas. Tudo o que queria era se enroscar no cheiro de Jason.
Animal estúpido.
O peito de Matt apertou. Quem ele estava enganando? Ele
queria se aconchegar no cheiro de Jason também. Não só isso, ele
queria o perdão de Jason.
A felicidade de Jason significava tudo para ele. Ele suspirou
quando se sentou no banco vazio em frente à barbearia.
Matt era tão fodidamente sem noção. Ele sabia o quão
importante era um companheiro, mas navegar pela dinâmica de um
relacionamento estava se mostrando mais difícil do que ele pensava.
Independentemente do que alguém disse, ele não podia permitir
que Jason fosse colocado em perigo. Apenas o matou que a sua decisão
machucou o seu companheiro. Ele não tinha ideia de como equilibrar a
sua necessidade de proteger Jason com a necessidade de Jason de se
provar.
Matt recostou-se e agarrou o seu celular quando ele tocou, meio
esperando que Jason estivesse ligando. Ele franziu a testa quando viu o
número do Grizzly.
— Está tudo bem? — ele perguntou quando ele atendeu.
— Você pode querer vir até aqui. Eu já liguei para o Dr.
Whitfield — disse Devin.
— O que há de errado com Jason?
Matt disparou do banco, seu coração se alojando na sua
garganta. Ele não tinha certeza de quanto mais disso ele poderia
suportar. Se mais uma coisa acontecesse a Jason, Matt amarraria seu
companheiro ao seu lado.
Devin limpou a garganta, o que só aumentou a ansiedade de
Matt. Ele disparou em direção à lanchonete, seu telefone pressionado
contra o ouvido.
— Droga, Devin. Me diga.
— Ele desmaiou enquanto trabalhava nas suas mesas. Ele não
se machucou, saiba disso. Mas quando eu o levei para o meu escritório e
o deitei no sofá, a camisa dele deslizou um pouco e eu vi o leve inchaço
da sua barriga.
O impacto dessas palavras deixou Matt tonto. Ele passou a mão
pelo cabelo.
— Eu devo ter ouvido você errado. Você... você acabou de dizer
barriga inchada?
Devin grunhiu.
— Você sabe tão bem quanto eu que não importa o gênero ou a
espécie quando se trata da Katana.
Foda-se, foda-se foda-se.
Matt ficou tão chocado que o destino não o amaldiçoou a viver
sem um companheiro que ele tinha esquecido... Ele estava com falta de
ar, como se alguém o tivesse chutado. De certa forma, Devin tinha.
Devin parecia divertido.
— Você, meu amigo, vai ser pai em quatro meses.
Capítulo Dez

Jason estava sentado no escritório de Devin, com os tornozelos


cruzados, as mãos cruzadas no colo. Uma grande janela estava no lado
oeste da sala. As persianas estavam parcialmente abertas, o brilho do
sol da tarde fazendo com que os padrões de zebra cortassem a mesa
desordenada de Devin. O brilho também tornava a sala quente demais.
Então, novamente, isso poderia ser apenas ele. Desde que ele
foi levado para o escritório, ele sentiu como se a temperatura tivesse
subido vinte graus. Pontos de suor se forravam nos seus braços e
escorriam pelos lados do seu rosto.
Além de Devin, outro homem estava no escritório. Ele ficou do
outro lado da sala de onde Jason estava sentado, casualmente encostado
na parede. Devin o apresentou como dr. Ethan Whitfield, um veterinário.
— É só o calor — disse Jason, enxugando a testa. O que ele
não daria por um copo de água gelada e um ventilador. — Ainda estou
tentando me ajustar a isso. Preciso voltar ao trabalho.
— Apenas relaxe — disse o Dr. Whitfield enquanto se afastava
da parede.
— E como eu devo fazer isso?
Jason estreitou os olhos, silenciosamente avisando o veterinário
para manter distância. Ele tinha deixando um veterinário examiná-lo.
— Nenhum de vocês vai me dizer o que está acontecendo.
Ele podia entender a presença do Dr. Whitfield se um dos
shifters estivesse doente. Isso faria sentido... mais ou menos. Mas Jason
era humano. Se ele precisasse de um médico - que ele não estava
convencido de que ele precisava - então o cara precisava ser um médico
de verdade, alguém que visse humanos no seu consultótio, não criaturas
peludas.
— Posso assegurar-lhe que está tudo está bem — disse o Dr.
Whitfield. Seu rosto era tão ilegível quanto um livro fechado.
— Diga-me mais uma vez porque eu deixei um veterinário me
verificar.
Jason olhou para Devin, que não disse uma palavra depois que
as apresentações foram feitas. Seu chefe estava ali parado como uma
peça de mobília adicional.
— Ele é o médico sobrenatural de Mercury — disse Devin. Os
dois se entreolharam como se compartilhassem um segredo. Jason
estava ficando chateado. Ele não gostava de ser mantido no escuro,
especialmente quando se referia a ele.
— Tudo bem, mantenham seus segredos.
Jason se levantou para sair, mas Devin se moveu em direção à
porta para impedi-lo de sair. Ele lutou contra o desejo de gritar, porque
isso não lhe faria bem algum. O rosto de Devin estava definido em linhas
teimosas. Jason caiu na cadeira, sua raiva aumentando.
E por que diabos a lanchonete não tem ar condicionado? Ele
usou o braço para limpar o rosto. Deus, ele sentiu como se tivesse caído
no inferno. Seu cabelo rebelde estava agora emaranhado no seu rosto
enquanto suor deslizava pelo seu couro cabeludo pingava nas suas
pernas. Para o inferno com um copo de água gelada. Jason daria
qualquer coisa para uma grande piscina agora - ou um freezer.
— Não estamos tentando guardar segredos — disse Whitfield,
— mas acho melhor que Matt explique as coisas para você.
A menção do nome do seu companheiro fez Jason doer pelo
homem que ele ainda estava completamente chateado. Ele não queria
ver Matt agora, mas uma grande parte dele ficou excitado com o
conhecimento de que o seu companheiro logo estaria lá.
O calor definitivamente estava derretendo o seu cérebro. Ele se
levantou quando a porta do escritório abriu e Matt entrou. Mesmo que
ele estivesse zangado com o cara, Jason não podia deixar de querer
Matt. Não foi apenas o seu escuro e masculino olhar, mas toda a sua
aura. Sua presença dominava a sala, exigindo ser notada.
Jason se recompôs, irritado por ter se sentido levado pela
chegada de Matt.
— O que está acontecendo, Matt? — Ele demandou.
Em vez de responder, seu companheiro atravessou a sala,
depois levantou a camisa de Jason. Seu olhar estava fixo no estômago
de Jason.
— É verdade.
— Você pode por favor me diga o que todo mundo está
falando? — Jason disse. — Por que Devin chamou um veterinário?
— Porque os Whitfields vêm tratando shifters e seus
companheiros há sete gerações — disse Matt. Ele ainda estava olhando
para o estômago de Jason com muita curiosidade.
Jason olhou para o Dr. Whitfield.
— Você é humano?
O médico inclinou a cabeça. Ele e Devin se aproximaram da
porta enquanto Matt continuava segurando a camiseta de Jason.
— Você está passando pela Katana.
A explicação de Matt não esclareceu nada. Se qualquer coisa,
Jason estava ainda mais confuso. Não era esse o nome de alguma
espada? Mas como isso não fazia sentido, ele precisava de
esclarecimentos.
— O que é uma Katana? — Jason perguntou. — É uma palavra
que vocês usam quando alguém desmaia pelo calor?
Jason sabia que ele adivinhou errado quando os três homens
pareciam intrigados.
— Isso é tudo, certo? É por isso que eu estou ficando enjoado
também. O calor?
Oh, Jason não gostou do olhar suave que Matt lhe deu.
— Katana não significa exaustão pelo calor.
Matt deslizou as mãos de Jason para ele. Elas se sentiram
firmes e fortes, engolindo o seu medo enquanto Matt roçou os polegares
nas costas das mãos suadas de Jason.
O olhar de Jason disparou para cada homem antes de se decidir
por Matt.
— É algum tipo de câncer? Você consegue diagnosticar isso de
vômito e desmaio? Um vírus? Gripe?
O pânico se instalou. O que ele não contou a Matt foi que, nos
últimos dois dias, o estômago dele estava se contraindo. Ele atribuiu a
dor ao calor e à desidratação.
— Jason — Matt disse, e Jason não gostou do seu tom. Era o
tipo de voz que as pessoas usavam quando diziam que você estava
morrendo. Ele tentou afastar as mãos, mas o aperto de Matt era firme.
— Vocês se importariam em me deixar com o meu companheiro? — Matt
perguntou sem desviar o olhar.
Devin e o Dr. Whitfield saíram do escritório, fechando a porta
silenciosamente atrás deles.
— Eu não gosto do jeito que você disse o meu nome. Estou
morrendo?
A imaginação de Jason foi à loucura com possibilidades. Cada
cenário pior do que o outro quando ele procurou nos olhos de Matt por
uma resposta.
— Vou ter um ataque cardíaco enquanto espero que você me
diga que estou tendo um ataque cardíaco. O que há de errado comigo?
Os olhos cinzentos de Matt suavizaram ainda mais.
— Você está grávido.
Jason congelou por alguns segundos, depois estreitou os olhos.
— Se você quiz fazer uma brincadeira comigo pelo que eu fiz
antes, você deveria ter inventado algo em que eu teria acreditado. Eu
sabia que era o calor.
Quando Matt não sorriu. O alívio de Jason desapareceu.
Não havia como Matt estar falando sério. Os homens não
engravidavam. Eles eram os que engravidavam.
Então, novamente, o mundo em que ele entrou não fazia
absolutamente nenhum sentido. Coisas que não deveriam existir,
existiam. Havia homens que se transformavam em animais, vampiros,
demônios e homens que entravam em quartos sem usar uma porta.
Havia outro reino onde o Conselho presidia uma prisão mágica. O que
era um homem grávido no esquema das coisas?
Quando a verdade da sua realidade se complicou, Jason se
sentiu como se tivesse sido um otário. Ele não tinha visto isso vindo.
Livrando as mãos dele, ele se afastou de Matt. Seu coração
batia descontroladamente, sua garganta estava seca, e ele lutou para
respirar.
— Diga-me que você está brincando. — Foi um pedido.
Matt balançou a cabeça sem nem um sorriso se contrair nos
seus lábios. Ou ele tinha uma cara de jogo melhor que Jason ou ele
estava dizendo a verdade. Isso não era uma brincadeira. Seu
companheiro realmente pensava que Jason estava carregando seu filho.
Matt tinha acreditado na palavra do veterinário.
Jason queria uma segunda opinião de alguém que não enfiasse
a mão na bunda de um cavalo. Ele não podia acreditar que Matt tivesse
ouvido o charlatão.
Sua mão tremulou para o seu estômago enquanto seu olhar
percorreu a sala. Sua mente estava em um turbilhão quando ele tentou
entender o que Matt estava dizendo. Grávido? Como? Bem, ele sabia
como, mas isso era impossível.
— Você tem experimentado cãibras musculares no estômago?
Jason assentiu.
— Esse era o seu corpo se preparando para carregar uma
criança.
A tontura voltou. Jason balançou quando a imagem de uma
criança crescendo dentro dele surgiu. As bordas da sua visão ficaram
cinzas. Ele caiu em direção ao chão, mas Matt o pegou.
— Não — Jason sussurrou enquanto olhava ao redor
desesperadamente. — Isso não pode estar acontecendo.
Matt levou Jason para a cadeira e sentou-se, embalando Jason
em seus braços.
— Não fique meloso comigo agora. — Jason apertou os dentes
enquanto olhava para Matt. — Você sabia que isso poderia acontecer e
você não disse nada! Eu deveria ter tido uma escolha, especialmente
quando um momento de mudança de jogo estava envolvido.
— Você está absolutamente certo — disse Matt.
— Não ouse concordar comigo! Por que diabos você não me
deixou ciente... disso?
— Porque achei que o destino me amaldiçoou — explicou Matt.
— Minha mãe morreu me dando à luz, e o meu pai me culpou pela morte
dela. Ele nunca me deixou esquecer o que eu tinha tirado dele.
Jason fez uma pausa no seu discurso enquanto as palavras de
Matt afundavam. Por mais zangado que ele estivesse, a tristeza nos
olhos de Matt fez Jason querer abraçá-lo.
— Como é sua culpa?
Matt balançou a cabeça e o coração de Jason doeu por ele. Ele
não conseguia entender como um pai poderia culpar uma criança por
algo que ele não tinha feito?
— Eu fiquei tão surpreso quando descobri que você era meu
companheiro que a Katana não tinha entrado em minha mente.
A angústia crua nos olhos de Matt drenou a raiva de Jason,
deixando para trás o medo de não apenas cuidar de uma criança, mas
também de criar uma. Ele não sabia coisa alguma sobre bebês e nunca
pensou em ter uma.
O pensamento de ter outra vida dependendo dele para sua
sobrevivência assustou Jason, mas o pensamento de como a criança iria
nascer aterrorizou a merda fora dele.
— As coisas estão indo rápido demais para mim. As pessoas
geralmente namoram por meses, até anos antes de se comprometerem.
No decorrer de alguns dias, eu acasalei e estou gravido.
Ele estava tão ferrado.
— Nós vamos superar isso — disse Matt. — Eu sei que a maior
parte do que está acontecendo não faz sentido para você. Você não teve
a chance de se ajustar, e agora você tem que lidar com mais um ciclo.
— Esta não é uma merda de loop. Esta é uma montanha-russa
épica.
Jason olhou para o chão enquanto se perguntava quanto mais
louca sua vida poderia ficar.

Capítulo Onze

Na noite seguinte, Matt estava no seu quarto enquanto


observava seu companheiro dormir e se perguntou se estava fazendo a
coisa certa. Sua matilha significava tudo para ele, mas estava prestes a
arriscar uma aposta perigosa por um cara que não apreciaria o sacrifício
que estava prestes a fazer.
Se fossem pegos, nenhum deles jamais veria a luz do dia
novamente. Jason seria deixado para criar o seu filho sozinho. O resto da
sua matilha ficaria sem o alfa.
Suas responsabilidades pesavam nos seus ombros. Matt estava
meio tentado a deixar Anthony apodrecer, mas a sua amizade com
Colton não permitia que ele desse as costas para o cara.
— Está pronto? — Rio perguntou quando passou na porta. —
Os caras estão esperando lá embaixo.
Matt saiu do quarto, fechando a porta atrás dele.
— Não precisa ir. — Disse Rio enquanto seus olhos se
suavizavam. — Todo mundo entenderia. Tem um companheiro grávido
para cuidar. O risco é alto demais.
— Não vou deixar vocês entrarem sem mim. Não posso
escolher quando ser um alfa.
Matt olhou para a porta fechada e o seu coração se contorceu.
— Quero que Nick fique para trás para cuidar do meu
companheiro. Com Bael ainda à solta, não vou deixar nada ao acaso.
O humano se tornou o mundo inteiro de Matt. Jason era
irritantemente teimoso, mas Matt finalmente encontrou onde se
encaixar, onde se sentia em casa.
E você está prestes a arriscar isso por Anthony. Mas muito do
que somos está ligado à família. Colton era da família e Matt estava
ligado a ele por lealdade.
Rio deu a Matt um sorriso diabólico.
— Vou contar a novidade para Nick que ele não foi convidado
para a festa.
Escolheu Nick porque era o mais sombrio e mortal de todos.
Além de Matt, Jason estava mais seguro com ele.
— Só posso ter que atirar nele. — Disse Matt enquanto descia
as escadas. Sua equipe inteira de caçadores de recompensas estava na
sala de estar. Estavam vestidos com uniformes e pareciam a coleção de
homens implacáveis que eram.
Matt parou quando viu Colton e Nick olhando um para o outro
como se estivessem prestes a trocar golpes.
— O que está acontecendo?
— Nick acha que Anthony não vale a pena cumprir pena de
prisão perpétua. — Disse Rio enquanto se inclinava causalmente contra o
corrimão.
Matt sabia que a maioria dos homens se sentia assim, incluindo
ele.
— Nós não temos tempo para essa merda. — Rosnou para eles.
— Vamos nos mexer.
Rio levantou a mão quando Nick tentou andar ao lado dele.
— O Chefe diz que você tem que ficar e tomar conta.
Nick olhou entre Rio e Matt com uma carranca desnorteada.
— Sério?
— Nunca falei tão sério. — Disse Matt. — Suba as escadas e
proteja Jason com a sua vida.
Nick franziu o cenho.
— Claro, vamos pintar nossas unhas e falar sobre os garotos
mais fofos da escola.
Matt estava com uma enxaqueca e ainda nem tinham saído de
casa. O pensamento de Nick, um homem que se parecia com um
bandido malicioso. Pintar as unhas e fofocar fez Matt querer esfregar a
imagem da sua mente.
— Vá e pinte com rosa choque. — Rio falou atrás de Nick. —
Isso trará o assassino aos seus olhos.
Nick mostrou o dedo para Rio antes de desaparecer.
Matt deu a Rio um olhar estranho.
— Realmente quero saber?
Deu a Matt um sorriso maroto.
— Provavelmente não.
Ficou parado por um momento, observando Rio. Matt balançou a
cabeça e começou a andar atrás dos seus homens quando seu telefone
tocou. A ligação era restrita.
Pensou em ignorar isso. Estavam em um cronograma apertado e
já correndo atrás. Pela primeira vez desde que a Mercury começou,
todos os caçadores de recompensas, exceto por Nick, convergiriam em
um mandado de captura. Mesmo que conseguissem capturar o leão, a
entrada para o reino onde o Conselho residia estaria aberta apenas por
alguns segundos.
Seria preciso um milagre para todos passarem antes que o véu
se fechasse.
Matt atendeu o telefone. Se fosse uma emergência, teria um
dos ursos para lidar com isso.
— Matt Romero.
— É uma armadilha. Magnus quer que os lobos sumam. O
Conselho não tem o irmão de Colton. Os vampiros o têm.
Antes que Matt pudesse perguntar quem era, a pessoa desligou.
Olhou para o telefone, questionando se a ligação era real ou não, se
deveria seguir com o seu plano e se perguntando quem sabia sobre o
plano.
Rio voltou para dentro.
— Estamos todos esperando. — Uma carranca franzida entre os
olhos. — O que está errado?
— Acabei de receber uma ligação anônima dizendo que era
uma armadilha. Magnus é quem tem Anthony.
— Acha que é confiável?
Matt não tinha certeza, mas não havia nenhuma maneira no
inferno que achasse que esse resgate fosse uma armadilha.
— Até descobrir, não vamos.
Rio passou a mão pelo rosto.
— Tive um mau pressentimento sobre isso para começar.
Isso fazia dois deles.

Andreas enfiou o celular no bolso segundos antes de Magnus


sair. O homem estava com um sorriso de satisfação, como se tivesse
certeza de que o seu plano de matar os lobos não poderia falhar.
O cara não tinha ideia da tempestade de merda que estava
vindo na sua direção. Andreas gostaria de ver o bastardo cair do seu
trono.
Os olhos frios de Magnus imobilizaram Andreas quando um
sorriso malicioso apareceu.
— Alguns vampiros de nível inferior preparam o Black Dragon
para celebração.
Andreas inclinou a cabeça. Magnus só lhe fez um favor. Não
queria estar na porta quando os lobos viessem.
Ficavam a um quarteirão da Black Dragon. Matt tinha uma
sensação desconfortável sobre isso. Andreas não estava cuidando da
porta da frente. O vampiro sempre cuidava da porta da frente. A rua
também estava deserta, algo inédito para a boate. Festas deveriam ter
pessoas para entrar.
— Devo ir sozinho. — Disse Colton ao lado de Matt. — Esta é a
minha bagunça para limpar.
— Ninguém está sendo forçado a estar aqui. — Disse Matt em
voz baixa, mas alto o suficiente para os outros ouvirem. — Se alguém
quiser sair, eles podem.
Matt esperava que os homens se virassem e fossem embora.
Suas expressões mostravam claramente que não estavam dispostos a ir
com este plano para resgatar Anthony. Mas isso não era sobre Anthony.
Isso era sobre apoiar Colton. O cara sabia que o seu irmão era um idiota,
mas Anthony era da família e todos acreditavam em família, embora a
maioria não tivesse parentes de sangue para defender. Esta matilha era
tudo o que tinham, e matariam por Colton.
E ele faria qualquer coisa por seus homens, mas começar uma
guerra por Anthony fez os molares de trás de Matt se moverem.
— Duvido que possamos usar o telhado. — Disse Rio. —
Provavelmente reforçaram a segurança, já que foi o seu meio de fuga da
última vez.
Havia apenas duas maneiras de entrar, o telhado e a porta da
frente. Qualquer opção teria enfrentando uma horda de vampiros. Uma
dor cresceu no peito de Matt quando pensou em Jason. Pelo menos seu
companheiro teria Nick para ficar ao lado dele se isso desse errado.
Forçou esses pensamentos para longe. Precisava manter a
cabeça no jogo ou simplesmente perdê-lo.
Matt se levantou quando a porta da frente do clube se abriu e
Magnus entrou na rua deserta, com os braços estendidos para fora.
— Estou curioso para saber como descobriu onde Anthony
estava.
Matt empurrou a mão contra o peito de Colton para impedi-lo de
avançar. Seu olhar disparou para o telhado, onde viu mais de duas
dúzias de vampiros em pé. Mais saiu na rua pela porta da frente e
ficaram atrás do líder do grupo.
Estavam em desvantagem de três para um, se não mais, e a
horas do amanhecer. O sol não seria de nenhuma ajuda para eles desta
vez.
— Você é um lixo sujo. — Colton cuspiu enquanto empurrava a
mão de Matt. Os olhos de Colton pareciam assassinos, mas, novamente,
o mesmo aconteceu com o de Magnus. Todo o coven de vampiros
parecia pronto para atacar e se deleitar.
Nem todos, no entanto. Mais do que alguns pareciam que
realmente não queriam estar lá. Olhavam para Magnus com incerteza,
como se quisessem fugir em vez de apoiar o seu líder.
— Você foi quem começou isso. — Magnus apontou. — Foi o
único que entrou no meu clube com a intenção de fazer mal.
— Poderia ter me dado Anthony. — Argumentou Colton.
— Ele não queria sair. — Disse Magnus. Matt ouviu a verdade
na voz do homem e viu nos seus olhos. Merda. Anthony não queria ser
resgatado. Não naquele momento e não agora. Estavam prestes a lutar
por um homem que mais provavelmente retornaria aos vampiros na
primeira chance que tivesse.
Pela primeira vez em muito tempo, Matt não sabia como
proceder. Não podiam recuar agora. Mesmo se decidisse que Anthony
não valia a pena, que decidiu isso cem vezes na sua cabeça, os vampiros
não os deixariam ir. Estavam nisso até o final.
Matt não podia ter certeza de quem começou a luta. Estava
parado lá contemplando a situação e a próxima coisa que percebeu, era
uma briga de rua. Uivos e assobios irromperam e garras, presas,
caninos, pelos voaram. Matt encontrou-se lutando contra dois vampiros
de uma só vez. Não queria lutar contra eles.
Queria Magnus.
Quando Matt olhou para cima para encontrá-lo, o viu deslizando
para a porta da frente. Sem dúvida, assistiria a luta da segurança do
andar superior.
— Vou atrás do Magnus. — Disse Matt ao Rio, que estava
lutando ao lado dele.
Rio deu-lhe um sorriso malicioso.
— Ligue para mim se quiser que eu participe da festa.
— Vou guardar um pouco de festa para você. — Disse Matt
antes de mergulhar as mãos no peito de ambos os vampiros e extrair
seus corações. Deixou cair os órgãos no chão antes de se dirigir à
entrada.
O caminho para a porta não estava livre para ele. Matt teve que
lutar todo o caminho até lá. Parecia que cada vampiro estava
determinado a impedi-lo de ir atrás de Magnus.
Chutou, socou, arranhou, partiu e extraiu corações, usando
todos os meios necessários para chegar ao seu líder. Enquanto lutava,
Matt se perguntou se algum dos seus homens seria responsabilizado
pelos vampiros que mataram. O Conselho pode não ver isso como
autodefesa ou mesmo se importar com o motivo pelo qual essa briga
começou. Seus homens ficariam sob acusação? Seus homens seriam
sentenciados a um mandado de captura ou morte?
E por que diabos não pensara nisso antes?
Se o Conselho queria punir alguém por isso, Matt colocaria o
fardo nos seus próprios ombros. Teria a certeza de que nenhum dos seus
homens sofresse as consequências. A lealdade significava tudo para ele,
e os homens de Matt mostravam isso em espadas.
Landon e Rio finalmente o alcançaram, e o ajudaram a lutar
contra os vampiros para que pudesse entrar. Não tinha certeza de
quanto tempo levara, mas finalmente chegou ao vestíbulo.
O corredor estava vazio. Não havia a garota do ingresso atrás
do vidro à prova de balas. Nenhum dos seguranças em pé na frente das
portas duplas normalmente fechadas no final do corredor. De fato, as
portas estavam abertas.
Magnus sabia que Matt estava vindo e o estava convidando a
entrar no clube. Durante anos, os dois estavam em desacordo e odiavam
a coragem um do outro. Isso não era mais sobre Anthony.
Era sobre um eliminando o outro para sempre.
Matt se moveu devagar, farejando o ar enquanto se aproximava
das portas duplas. Seu pescoço e ombros estavam apertados em nós
doloridos, e a tensão se enrolou em todo o seu corpo. Matt poderia ser
um alfa, mas isso não significava que era invencível. Era tão vulnerável
quanto o próximo shifter quando se tratava de balas ou qualquer coisa
que pudesse quebrar a sua cabeça.
Antes de Jason entrar na sua vida, Matt teria corrido para o
clube, com as armas em punho e um desejo de morte nos seus ombros.
Agora tinha um companheiro e um filhote para considerar. Embora essas
coisas fossem complicadas, nunca se arrependeria de acasalar com
Jason. Nunca.
O pequeno empurrão de Nick até o momento em que o garçom
mudou o mundo inteiro de Matt, e a sua perspectiva sobre ele. Não
queria mais que a sua casa fosse um local deserto. Queria que fosse um
lar, um lugar que poderia criar seu filho, onde seu companheiro e filhote
estariam seguros.
Uau. Seriamente não considerou tudo o que estava em um
acasalamento. Se sobrevivesse, realmente precisava se sentar e resolver
as suas prioridades.
Ainda iria estar a frente da Mercury, mas talvez deixasse os
outros lidarem com os mandados. Estava perseguindo bandidos por mais
anos do que se lembrava. Já era hora de se sentar no banco de trás e
deixar os outros lidarem com o trabalho pesado.
Sua cabeça virou para a direita quando ouviu o rangido de uma
porta. Matt segurou sua Beretta frouxamente, pronto para atirar em
qualquer coisa que se mexesse do jeito errado.
— Você pensa seriamente que pode ser melhor na minha
própria casa?
Matt olhou ao redor. Ouvira Magnus, mas não conseguia
identificar a sua localização. A voz desencarnada parecia vir de qualquer
lugar ao seu redor. Manteve-se encostado na parede, sem vontade de
atravessar a sala e tornar-se um alvo fácil.
Se virou de lado quando algo passou por ele. Tinha se movido
tão rápido que mal teve um vislumbre disso, embora sentisse o
deslocamento do ar bagunçando o seu cabelo.
— Estou melhor, mais forte e mais rápido, Sr. Romero.
— O que você é, o homem biônico? — Matt resmungou
enquanto continuava a verificar os seus arredores. Era muito bom em
rastrear pessoas. Era o seu sustento, mas estava ficando cada vez mais
frustrado por não poder encontrar Magnus.
Aparentemente, Magnus gostava de jogos. Isso significava que
Matt teria que mudar de tática. Não havia como poder perseguir o
homem ou lutar. A velocidade desumana do vampiro faria com que fosse
quase impossível.
Mas isso não significa que não poderia ser feito.
Fechando os olhos, Matt usou sua audição para procurar
Magnus. Quando o rangido voltou, levantou a arma e disparou.
Ouviu um grunhido alto e soube que tinha atingido o alvo. Matt
abriu os olhos e correu em direção ao som. Encontrou Magnus encostado
em uma parede, suas presas arreganhadas enquanto segurava o seu
peito. Sangue passava por seus dedos.
— Você estragou tudo cachorro. — Rosnou. — Como se atreve
a atirar em mim!
Matt agarrou Magnus pela garganta com uma mão e empurrou
o cano da sua arma na têmpora do homem com a outra. Enrolou o lábio
superior.
— Diga-me onde Anthony está.
O sorriso frio de Magnus disse a Matt que não ia gostar da
resposta. Pressionou o metal frio com mais força na têmpora de
Magnus.
— Não pense por um segundo que não vou te matar.
— Você não vai. — Magnus estava um pouco confiante demais.
— Não a menos que queira derrubar todo o peso do conselho na sua
cabeça.
— Acha que eles podem te salvar?
— Não preciso de ninguém para me salvar. — Disse com
desdém. — Mas, se você me matar, vão te caçar e destruir não só você,
mas todos na sua preciosa agência. Tenho certeza que não quer que
nada aconteça com o seu companheiro também.
Matt apertou os dedos ao redor da garganta do vampiro com a
menção de Jason.
— Há coisas muito piores do que a morte.
Magnus o prendeu com aqueles olhos sem alma. Era difícil
ameaçar um homem que parecia não temer nada, que não tinha nada a
perder.
— Eu Sou muito pior que a morte. Pergunte ao meu ninho de
vampiros.
Deus. Matt queria dar um fim nesse filho da puta. O mundo
estaria melhor. Pelo menos seu coven estaria. Foi realmente assustador
saber que essa foda distorcida cuidava de tantos vampiros. Quanto da
sua crueldade havia se espalhado pelo seu povo?
Matt não tinha certeza se queria saber a resposta. Alguém
realmente o culparia por livrar o mundo desse mal?
Magnus rosnou e se empurrou para frente. O movimento foi tão
repentino que Matt perdeu o controle. Voou para trás e bateu na parede
oposta, assim quando Colton correu para Magnus. Tudo aconteceu tão
rápido, mas tudo parecia se mover em câmera lenta.
Matt gritou enquanto tentava alcançar Colton, mas não se
moveu rápido o suficiente. Colton levantou ambos os braços e dirigiu
uma estaca improvisada através do peito de Magnus.
Magnus jogou a cabeça para trás e gritou segundos antes de
cair.
A respiração de Matt falhou quando seu olhar disparou entre o
corpo flácido de Magnus e Colton. Quando falou, sua voz estava cheia de
descrença.
— O que é que você fez?
Não havia nada parecido com humano nos olhos azuis selvagens
de Colton. Deu um passo para trás, largando à estaca, antes de olhar
para as mãos como se nunca as tivesse visto antes. Balançou a cabeça
lentamente enquanto olhava para Matt.
— Ele matou Anthony.
Colton cambaleou para trás, seus olhos mais uma vez se fixando
no vampiro morto.
— Ele matou Anthony.
Repetiu essas três palavras como se o seu cérebro estivesse em
algum loop, sua voz mal acima de um sussurro. Estava em choque. Matt
não o culpou. Também estaria se tivesse se sentenciado à morte.
— Encontrei Anthony em um dos quartos. Estava morto. Eric
estava lá, sorrindo triunfantemente para mim. O matei, mas antes dele
morrer, disse que o seu pai o fez fazê-lo.
Isso era mais que uma mentira, mas Matt não ia apontar isso. O
que foi feito foi feito.
— Temos que tirar você daqui.
Colton assentiu e então balançou a cabeça.
— Não, não vou correr. — O olhar selvagem nos seus olhos
desapareceu. Colton olhou de Magnus para Matt. — Já coloquei a matilha
em perigo o suficiente por Anthony. Não vou deixar isso continuar. Vou
ficar de pé diante do Conselho pelo meu crime.
Matt ficou surpreso.
— Sabe o que está dizendo? Tem alguma ideia do que farão
com você por matá-lo?
— Já é hora de começar a limpar a bagunça do meu
irmãozinho.
A voz de Colton estava tensa de lágrimas. Matt nunca o tinha
visto à beira de chorar antes. Sem dúvida, a cabeça de Colton estava
bem fodida agora. De quem não estaria depois do que passou? Passou
toda a sua vida adulta tentando manter Anthony no caminho certo, tinha
ido salva-lo mais vezes do que Matt poderia contar, e acabara de arriscar
tudo para vingar a sua morte.
Colton se virou e caminhou em direção à saída.
— Colton. — Quando ele se virou, Matt disse: — Você não está
nisso sozinho. Te disse isso. Somos uma matilha.
Colton assentiu antes de sair do clube. Matt tinha a sensação de
que Colton não deixaria nenhum deles se envolver. Iria assumir isso
sozinho, independentemente do que Matt disse.
Capítulo Doze

— Quanto tempo disse que saíram?


Jason não parou de andar desde que acordou para encontrar
Nick sentado no quarto com ele. Como se isso não fosse perturbador o
suficiente, o cara apenas olhava para ele. Jason não era um enigma para
descobrir, mas Nick o fazia se sentir assim. Ele era muito cara de pau.
Jason não conseguia ler uma única emoção no rosto dele.
— Cinco minutos a mais que a última vez que perguntou.
Uma emoção emergiu. Era irritação.
Essa resposta irritada fez Jason querer bater em Nick. Já estava
preocupado o suficiente. Não precisava que Nick agisse como um idiota.
As emoções de Jason estavam em todo lugar também. Não tinha certeza
se queria rir, chorar ou se vestir com uma camisa de força. Eram as
emoções da sua montanha-russa devido a sua preocupação com Matt ou
porque estava grávido? Jason não tinha a menor ideia.
— Não posso simplesmente ficar sentado.
Jason foi para a porta, mas Nick estava fora da cadeira e do
outro lado da sala em uma fração de segundo, impedindo-o de sair.
O lábio superior do homem se curvou.
— Isso é exatamente o que vai fazer.
— Saia do meu caminho!
Jason bateu as mãos no peito sólido de Nick, mas o homem não
se mexeu.
— Não posso esperar enquanto Matt pode estar lutando por sua
vida. Não posso... Não posso...
Jason se virou, lutando para não chorar na frente dele.
— Apenas saia da porta.
— Não sou Matt. — Disse Nick em um tom baixo e sombrio. —
O que faz com que isso não vai funcionar comigo. O que vai fazer é
sentar sua bunda magra em algum lugar e esperar até que Matt retorne.
— Você é um idiota.
Jason se virou e estreitou os olhos para Nick.
— Quem diabos é você para me parar? Não sou um prisioneiro
aqui.
Linhas de raiva se formaram ao redor dos olhos de Nick.
— Pode fazer birra. Querer socar. Faça o que lhe agradar, mas
posso garantir que não está saindo daqui.
Jason considerou aceitar a oferta de Nick, mas seriamente,
como poderia ficar bravo com alguém que só queria protegê-lo? Isso
faria de Jason um bastardo, mas tão preocupado quanto estava, usaria
esse título com orgulho.
— Você não tem um osso para enterrar ou um carro para
perseguir?
Algo escuro se moveu atrás dos olhos de Nick. Jason estava
empurrando a sua sorte. Viu isso. Sabia disso. Então, por que diabos não
calava a boca?
— Há uma lua cheia hoje à noite. Por que não vai uivar no
quintal?
— Rapaz, você está forçando. — Avisou Nick. — Matei homens
por menos que isso.
Jason estava agindo infantil. Normalmente não agia assim. Ok,
talvez agisse. Se virou e se dirigiu para a sacada. A noite começara a
esfriar com a tempestade que se aproximava. Estava escuro demais para
ver nuvens espessas, mas o relâmpago distante serpenteou pelo céu,
dizendo que a tempestade estava se aproximando.
Ficou lá e aproveitou a brisa, imaginando se Matt estava bem.
Jason esfregou a dor surda no seu peito. Embora não conhecesse o alfa
há tanto tempo, doía fisicamente pensar no seu companheiro sendo
machucado.
Tudo o que queria era a certeza de que Matt estava bem, mas o
idiota não lhe daria nem isso. Queria chutar Nick nas suas bolas. Jason
não estava procurando por piedade, mas mostrar um pouco de
compreensão teria ajudado muito a acalmá-lo.
— A menos que pense que vou pular da varanda, tenho certeza
que você pode ficar em outro lugar.
Jason virou as costas para Nick, irritado com o cara. Estava
bravo com o vento por soprar, as estrelas por brilhar, os grilos por tocar
sua música noturna. Oh, quem estava enganando? Estava chateado
porque Matt estava lutando alguma batalha e Jason tinha sido deixado
para trás para se preocupar.
Não era bom em se preocupar. Isso o levou até a parede.
Preferia estar correndo e gritando quando os vampiros o perseguiam do
que se sentar em uma sala roendo as unhas.
Isso realmente era uma merda.
— Você tem uma boca em você. — Quando Jason olhou por
cima do ombro, viu como os olhos de Nick queimavam de raiva. — Você
tem sorte por eu não te ensinar respeito.
— Você está certo. — Disse Jason enquanto esfregava as
têmporas. — Sinto muito. Estou descontando isso em você e não
pretendia isso.
Nick pareceu apaziguado pelo pedido de desculpas de Jason.
Suas desculpas foi o suficiente para que desse um toque de simpatia nos
seus olhos escuros.
— Se algo acontecesse com Matt, Colton ou um dos outros
caras teria ligado.
Isso não acalmou os nervos de Jason, mas foi o melhor que
conseguiu de Nick. A menos que o cara tivesse habilidades psíquicas,
não saberia o que estava acontecendo. Ambos estavam no escuro.
— Ele já foi para a batalha assim antes?
Nick sentou-se do outro lado do quarto de Jason.
— Sim, já foi.
Jason se recusou a ficar com raiva da resposta enigmática de
Nick. Se ficasse esperto, Nick iria se agarrar a ele.
— Como assim?
Balançou sua cabeça.
— Essa não é minha história para contar. Terá que perguntar ao
Matt.
Jason soltou um longo suspiro e revirou os olhos. Cruzando os
braços sobre o peito, se inclinou contra o batente da porta da sacada.
— Tanto faz. — Murmurou em voz baixa.
Fechou o punho e apertou contra o peito. Porra, cara. Como
podia... Jason sacudiu a cabeça. Essa sensação não podia ser amor. Não
tão cedo, não tão forte. Era impossível amar alguém que acabou de
conhecer há uma semana.
Sua mão caiu para o seu estômago e cobriu com a palma da
mão. Ainda não tinha certeza se estava carregando o filho de Matt.
Inclinou a cabeça para o lado, olhando para a floresta escura. Tanta coisa
aconteceu em tão pouco tempo.
Jason endureceu. Era isso... As sombras além das árvores se
moviam? Deus, estava perdendo a cabeça. Agora ele estava começando
a ver coisas. Se deitaria por um tempo, mas Jason sabia que não
conseguiria dormir.
Nick saiu do quarto.
— Nick?
Mas não se virou e não respondeu a Jason. Desapareceu ao
redor do batente da porta, deixando Jason olhar o corredor vazio. Jason
seguiu, mas Nick estava longe de ser visto.
— Nick? — Seguiu pelo corredor, imaginando onde Nick tinha
ido tão rápido. Havia um leve frio no ar, fazendo Jason esfregar os
braços enquanto procurava o lobo.
As luzes do corredor eram fracas, e as tábuas do assoalho sob
os seus pés descalços rangiam enquanto ele caminhava.
— Nick?
Se sacudiu quando ouviu um barulho. Não costumava ser tão
nervoso. Mas desde que descobriu sobre o mundo de Matt...
Estou ficando louco. Se virou e voltou para o seu quarto.
Precisava se recompor e parar de deixar o menor ruído assustá-lo.
Jason fechou a porta e estava do outro lado do tapete quando
parou. Algo estava... errado.
Ficou lá, ouvindo, seu olhar correndo ao redor quando percebeu
que os grilos tinham se calado. Era como se a própria Mãe Natureza
estivesse prendendo a respiração. O que poderia fazê-los ficar quietos?
Oh inferno. Estava prestes a parecer um covarde completo e não se
importava. Jason encontraria Nick e ficaria ao seu lado.
Girou para sair correndo do quarto e correu direto para Bael.

Colton dirigiu para casa da sua mãe, ciente de que tinha pouco
tempo antes que o Conselho viesse atrás dele com tudo o que tinham.
Matou Magnus, que não era apenas um líder do coven, mas um mestre
em pessoa.

Um mestre do caralho. A gravidade do que tinha feito começou


a afundar.
Assim que entrou na sala e viu o corpo sem vida do seu irmão
esparramado no chão, Colton tinha se perdido. Todo raciocínio e
sanidade haviam fugido. Sua visão ficou obscurecida com vingança e
ódio por vampiros. Queria alguém para pagar.
Vai ser você quem paga o preço final de vingança. Agarrou o
volante com tanta força até que o sangue escorregou dos seus dedos,
deixando os nós dos dedos brancos como ossos. E agora estava a
caminho para dizer a sua mãe que perdeu seu filho mais novo.
Sua noite já tinha ido para o inferno, e agora tinha que
enfrentar a única mulher que já conseguiu faze-lo se sentir uma merda
por ser quem era. Anthony tinha sido um bandido e ela o amava de todo
o coração. Colton era integro e isso nunca foi bom o suficiente.
Deveria odiá-la. Realmente deveria. Mas era sua mãe, e Colton
não tinha isso nele para cortá-la da sua vida. Não só era a mulher que
dera à luz a ele, mas uma shifter rara. Os únicos que sabiam isso eram
sua mãe e as duas irmãs LaSalle. Mas esse não era o ponto. Tão justo
quanto seria Colton dar as costas para sua mãe... Porra, simplesmente
não conseguia.
Entrou na garagem e desligou o motor. Apenas ficou lá olhando
para a cabana marrom e branca, enquanto se lembrava de brincar no
jardim da frente com Anthony quando eram mais jovens. A vida tinha
sido muito mais simples naquela época, tão cheia de promessas. Seu
irmão estava cheio de muito potencial...
Até a puberdade bater e Anthony pareceu perder a cabeça.
A cortina da sala se moveu, revelando o rosto murcho da sua
mãe. Costumava ser a mulher mais bonita que Colton já conhecera. A
vida a abalara, debotou os cabelos e os olhos levemente afundados, e as
roupas pendiam no seu corpo. Doía a Colton vê-la assim. Se o seu pai
ainda estivesse vivo, ela ainda seria a mulher feliz, radiante, que tinha
sido uma vez.
Soltando um suspiro pesado, Colton saiu e caminhou em direção
à casa, com medo amarrando o seu estômago em um nó apertado. Ela ia
pirar. A questão era, iria culpá-lo?
A porta da frente se abriu. Sua mãe andou até que ficou na
varanda. Seu olhar estava procurando enquanto olhava para Colton.
Começou a sacudir a cabeça enquanto sussurrava.
— Não.
Sabia sem Colton dizer uma palavra. Supôs que era o instinto
de uma mãe, ou poderia ser o fato de Anthony ser tão fodido que a sua
morte era inevitável. Seu estilo de vida chegara em casa e pagara por
suas transgressões.
Colton esperava que lhe desse um tapa, mas em vez disso, caiu
em seus braços e chorou. Ele a abraçou, incapaz de dizer que ele iria
morrer em seguida. Não conseguiu dizer uma palavra.
Então abraçou sua mãe, dizendo adeus da melhor maneira que
sabia.

Bael olhou Jason com aqueles olhos frios e sem alma. O


demônio deu-lhe um sorriso, aparentemente satisfeito por ter pego
Jason de surpresa e que estava desprotegido.
Aterrorizado, Jason deu alguns passos para trás.
— Não vou deixar você me levar neste momento.
— Vamos ver isso.
As portas da varanda ainda estavam abertas. Jason brevemente
brincou com a ideia de escapar através delas. Mas a queda iria machucá-
lo e não havia como dizer o que faria com o seu filho não nascido. Não
podia correr esse risco.
Com Nick em outro lugar e Matt fora, Bael tinha muito tempo
para torturá-lo, ou fazer o que fosse que veio fazer. Jason estava
ferrado.
Tentou esconder que estava ofegante, seu peito subindo e
descendo em curtos suspiros. Não queria que o demônio visse como
estava verdadeiramente aterrorizado, mesmo quando o medo tomou
conta dele em uma corrida gelada. Bael era poderoso e Jason era apenas
humano. Não tinha chance contra o demônio.
E é por isso que Matt se recusou a deixá-lo ir com ele para ver
Vane. Não estava dizendo que não era seu igual, mas indo para homens
como este, e você é apenas humano... Jason se sentia uma merda agora
por estar tão bravo com Matt. O cara só estava tentando protegê-lo.
Bael ficou ali no meio do quarto. Não tinha que se mover. Não
quando poderia comandar Jason com a sua mente. O demônio estava
vestido impecavelmente, sem um cabelo fora do lugar, sem barba e nada
como Jason se lembrava.
Bael não era mais feio. Havia se transformado em algo... Lindo.
Jason odiava admitir isso, até para si mesmo. Aqueles olhos ainda eram
aterrorizantes, mas o próprio demônio era lindo. Isso só o fez dez vezes
mais assustador. Tudo o que Jason queria fazer era se afastar dele.
— Não fiz nada para você. Por que está atrás de mim?
Jason sentiu um impulso na sua mente. Uma sonda. O demônio
estava procurando por... Alguma coisa. Jason não tinha certeza do que o
cara estava procurando, mas a intrusão o irritou. Não gostava de
ninguém cutucando seus pensamentos particulares, muito menos esse
cara.
O pé direito de Jason deslizou para a frente por conta própria,
dando um passo. Jason não se permitiria ir.
— Não!
— Isso não é nada pessoal. Fui contratado para matar Matt e
Colton, e pretendo fazê-los sofrer antes que acabe com as suas vidas. Te
matar será o maior sofrimento de Matt.
O demônio deu um passo e depois outro.
Este era um jogo para ele. Mas Jason tinha que fazer algo para
se salvar.
— Estou grávido.
Jason caiu para frente nas suas mãos, ofegando fortemente
quando o aperto foi arrancado. O demônio o levantou do chão e deixou
Jason balançar no ar.
— O que você disse?
Seus olhos caíram para o estômago de Jason, como se a ideia o
intrigasse.
Jason sentiu o sangue se acumulando no seu rosto quando sua
garganta foi lentamente esmagada. Bael puxou-o para perto até os
lábios deles estarem a centímetros de distância.
— Acha que isso vai me influenciar?
Jason não conseguia responder, mesmo se quisesse. O ar foi
cortado e mal conseguia respirar, quanto mais falar.
Onde diabos estava Nick? Por que não ouviu nada disso? E
então Jason percebeu que nenhum deles havia falado acima de um
sussurro. Teria gritado por Nick, mas a sua via aérea estava sendo
esmagada.
Bael o jogou no chão. Jason deitou de costas, agarrando sua
garganta, arranhando para trazer o ar de volta para os seus pulmões.
Sua garganta queimava quando o ar entrou na sua boca e ele ofegou.
Bael se agachou ao lado de Jason e cheirou-o.
— Ah, sim. Posso sentir o cheiro do filhote dentro de você.
A porta se abriu e Matt estava lá. Ou o que assumiu ser Matt.
Os caninos do lobo estavam arreganhados, e os cabelos do corpo de
Jason estavam em pé quando um rosnado baixo e retumbante encheu o
peito de Matt. Jason apoiou os braços sobre o rosto.
O ar ao redor dele se agitou, e quando olhou debaixo do braço,
as duas criaturas estavam lutando.
— Pare! — Gritou Jason, mas continuaram a lutar. Matt ficou
mais sangrento, mas Bael não ficou sem feridas.
Jason começou a pensar que Matt não iria derrotar Bael quando
Matt pegou um pedaço de madeira da cadeira que tinham quebrado e o
colocou no peito do demônio.
O cara desapareceu.
Assim como tinha aparecido.
Estava morto? Matt o matou ou o demônio voltou para onde
quer que tenha vindo?
Seu companheiro bufou para fora do seu nariz antes de voltar
para sua forma humana. Estava completamente nu e era tão impróprio
para Jason estar excitado, mas estava. Como não podia estar quando
estava envolvido por todo aqueles músculos?
Matt fungou para ele de uma maneira idiota.
— Ele te machucou?
Jason sacudiu a cabeça.
— Não foi muito educado, mas estou bem.
Gritou quando Matt o puxou e o jogou na cama. Era como se
uma fera tivesse sido liberada. Matt ficou louco quando rasgou as roupas
de Jason. Quando parou, Jason estava deixado em nada além da sua
cueca.
— O que você está fazendo?
Matt parou tempo suficiente para responder-lhe. Seu tom estava
cheio de raiva.
— Tirando seu maldito cheiro fora de você. Reivindicando o que
é meu.
— Acabou de lutar contra um demônio e demoliu o seu quarto e
quer fazer sexo?
Não que Jason o negasse.
— Bael está morto. O derrotei e agora estou reivindicando meu
maldito prêmio. Agora cale a boca e vire-se para que eu possa
estabelecer minhas raízes.
Seu domínio tinha o seu pênis ficando duro. Quem sabia que ser
mandado por aí era um dos seus fetiches?

— Você tem que aprender limites.


Matt mostrou seus caninos e, para seu espanto, aquele rosnado
pareceu excitar Jason. Seus olhos verdes brilhavam com luxúria.
— Quando se trata de você, não há limites. — Matt rebateu.
O pensamento de Bael tocando Jason, o que poderia ter
acontecido com o seu companheiro, tinha Matt pronto para matar
alguém. Ainda estava chocado como o inferno que derrotou Bael, mas
empurrou esses pensamentos de lado, suavizando seu toque, fazendo
Jason gemer por ele.
— Vai me deixar te beijar?
Traçou os dedos pelo pescoço de Jason e viu quando seu
companheiro engoliu em seco. Usou a outra mão para beliscar e puxar o
mamilo de Jason, então sorriu quando Jason engasgou.
— Me responda.
Jason segurou a parte de trás da cabeça de Matt, os dedos
emaranhados nos seus cabelos. Seu companheiro puxou-o para baixo
enquanto seus olhos ficavam escuros. Pelo canto dos olhos, Matt viu o
peito de Jason se expandindo e contraindo rapidamente. A veia do lado
do pescoço se esticou ao bater.
Matt deslizou a mão pelo peito de Jason enquanto ele sitiava a
boca do seu companheiro. Sua língua saqueou quando agarrou a ereção
em tenda sob o material fino da roupa íntima de Jason. O corpo de Matt
ficou tenso quando Jason torceu para se aproximar, puxando seus
quadris, esfregando seu pênis contra a mão de Matt.
— Merda, querido. Apenas... Merda.
Matt cobriu Jason enquanto agarrou o seu pênis, acariciou-o, e
dirigiu sua língua mais profunda.
Moveu o seu corpo até que estivesse entre as suas pernas,
triturando seus corpos juntos, amaldiçoando o material entre eles.
Beliscou a orelha de Jason.
— Você está pronto para ser fodido, não é?
Jason soltou um gemido baixo e lascivo enquanto arqueava as
costas. Isso não foi bom o suficiente.
— Me responda.
Matt segurou o pênis do seu companheiro com mais força e
puxou-o.
— Sim. — Jason assobiou. Suor cobria sua pele em uma fina
camada. Abriu mais as pernas quando Matt se colocou em uma posição
ajoelhada e arrancou a boxer de Jason. Jason apenas gemeu mais alto.
Era como se o homem estivesse em chamas e Matt fosse a única pessoa
capaz de apaga-las.
Matt cuspiu nos seus dedos e os deslizou entre as nádegas de
Jason, circulando o músculo pulsante, provocando, observando enquanto
Jason tentava se empalar.
— Quão ruim quer sentir o meu pau dentro de você? — Ele
pressionou a ponta de um dedo contra o músculo. — Diga-me, bebê.
Jason empurrou sua bunda para baixo, então gritou. O músculo
agarrou o dedo de Matt com tanta força que sentiu os seus olhos
começarem a brilhar. Tinha que sentir esse aperto no seu pênis. Matt
tinha que estar enterrado dentro de Jason e logo.
— Muito ruim. — Jason gemeu. Inclinou a cabeça para trás, os
músculos do pescoço se esticando. A visão era linda pra caralho. Matt
mexeu os dedos, torceu o pulso, esticou Jason até ele implorar pelo pau
de Matt.
Puxou os dedos e enfiou a cabeça do seu pênis no ânus de
Jason. Matt teve que apertar os dentes para se impedir de dar um soco.
Não ia machucar Jason, não importa o quanto quisesse estar dentro do
seu corpo confortável.
O sorriso sensual que curvou os lábios de Jason disse que
estava mais do que pronto para levar Matt no seu corpo.
Matt caiu nas suas mãos, colocando-as em ambos os lados da
cabeça de Jason. Beliscou o lábio inferior do seu companheiro e chupou
na sua boca enquanto seu lubrificante natural banhava o ânus de Jason.
Quando o surto de pré-sêmen aconteceu algumas vezes, Matt avançou
para dentro do seu companheiro.
Jason ofegou.
— Matt!
— Estou apenas começando com você, bebê.
Jason fechou os olhos, agarrou os ombros de Matt e depois
empurrou de volta. Seus gemidos suaves de necessidade ficaram mais
altos quando Matt apertou os dentes e recuou. Queria gritar para si
mesmo pelo incrível prazer da carne de Jason contra a dele.
Agarrou os quadris esbeltos de Jason enquanto se movia mais
forte, mais rápido e mais profundo.
Logo, Jason estava gemendo o seu nome, empurrando contra
ele, sua cabeça balançando contra os lençóis, arqueando quando seu
pênis explodiu.
O cheiro do clímax de Jason mandou Matt caindo ao longo da
borda. Seu pênis pulsou quando mordeu o ombro de Jason e as suas
bolas esvaziaram.
Jason ficou lá ofegante, coberto por uma espessa camada de
suor. Seu cabelo estava molhado e emaranhado na testa enquanto suas
pálpebras se fechavam.
Matt saiu do seu companheiro e caiu ao lado do seu corpo
esbelto. Puxou Jason em seus braços enquanto seu coração se ajustava
ao seu ritmo normal.
— Nunca mais me assuste assim.
Jason se mexeu até que ele estava de frente para Matt.
— Não é como se eu saísse e encontrasse problemas.
Quando Matt roçou os dedos sobre a bochecha macia de Jason,
ele sabia que não seria capaz de continuar se algo acontecesse com o
seu companheiro.
— Eu te amo.
Ficou atordoado quando as palavras escorregaram tão
facilmente entre os lábios. Isso não era o que queria dizer, mas Matt não
estava levando-as de volta. Quis dizer essas palavras. Sinceramente
amava Jason.
Os olhos verdes de Jason se iluminaram quando sorriu para
Matt.
— É melhor me amar mesmo, já que me engravidou. — Se
aconchegou mais perto e bocejou. — Também te amo, meu docinho.
Matt riu. Sim, finalmente encontrou a pessoa que se encaixava,
e não trocaria Jason pelo mundo. Poderia ter começado a pensar que o
seu companheiro era simples, mas era o homem mais bonito para Matt.
— Tão feliz que perguntou se poderia se entregar a mim. —
Acariciou o pescoço de Jason.
— Tão feliz que pulverizei a mim mesmo. — Jason balançou
enquanto ria e, para Matt, o som parecia casa.

Colton deixou a casa da sua mãe depois de consolá-la o melhor


que pôde. Só o tempo ajudaria a curar o seu coração partido. Embora
não tivesse certeza se até o próprio tempo poderia ajudá-la.
Perdeu seu pai e agora seu irmão tinha morrido. Sua mãe era a
única família que havia deixado. Rasgou seu coração que iria perdê-lo
também quando o Conselho colocasse as mãos sobre ele.
Em vez de ir para casa, Colton foi ao Grizzly para uma bebida.
Sabia que não conseguiria dormir. Não quando tinha uma sentença de
morte pendurada sobre a sua cabeça.
Mãe foda-se. Não conseguia pensar em uma maneira de sair
disso. Mesmo que decidisse correr, não havia lugar que pudesse se
esconder.
Quando se aproximou da porta da lanchonete, Colton sentiu
algo mexer no ar. Olhou ao redor, esperando encontrar um membro do
Conselho em pé em algum lugar atrás dele. Seriam os que viriam atrás
dele por matar um Mestre. Não um caçador de recompensas.
Ninguém estava lá, mas sentiu uma presença, uma muito forte
e poderosa.
— Mostre-se. — Rosnou para a noite escura. — Não se esconda
nas sombras como um covarde.
Colton sabia que o seu tempo era curto, mas seria amaldiçoado
se alguém jogasse jogos mentais com ele. Bo o jacaré sibilou e recuou,
como se tivesse medo de quem estava lá.
A sombra ao lado do prédio de madeira se moveu. Um estranho
entrou sob a luz de segurança. Era alto e elegante, e cabelos escuros e
sedosos caíam nos seus ombros. O cara pode ser lindo, mas o ar estava
pesado com letalidade.
— Quem diabos é você? — Colton conhecia todos os membros
do Conselho e esse cara não era um deles.
O estranho enfiou as mãos nos bolsos da calça. Usava um terno
finamente cortado, o tipo que custaria mais do que a maioria das
pessoas ganhava em um ano.
— Eu sou Lucian Veneto.
— E isso significa o que para mim?
Colton não estava com vontade de fazer um novo amigo. O
aroma de Lucian cheirava a vampiro. Mas não apenas qualquer vampiro.
Este era antigo. Havia um certo sabor no ar ao seu redor, velho,
autoritário.
— Você derrotou Magnus. — A declaração foi casual, mas o lobo
de Colton rosnou. Não iria descer sem lutar se Lucian estivesse aqui para
castigá-lo.
— Veio aqui pensando em exigir algum tipo de vingança? —
Tinha sua Glock puxada antes que Lucian pudesse piscar. — Vai ter que
entrar na fila, amigo.
Lucian parecia imperturbável com a arma apontada diretamente
para o coração.
— Pelo contrário. Você derrotou Magnus. Isso te faz o novo
Mestre em Mercury.
— Acho que não. — O cara tinha que estar fumando alguma
coisa. Não havia como Colton liderar os vampiros, muito menos o grupo
psicótico de Magnus.
— Está renunciando seu lugar de direito como Mestre?
— Prefiro apostar até o último deles. — Respondeu Colton.
— Você fala a verdade. — Lucian inclinou a cabeça para o lado.
— O Conselho não pode te tocar se for o novo Mestre.
Colton estava muito atordoado para falar. Esse cara era de
verdade? Encontrou uma brecha que salvaria a sua vida? Mesmo assim,
era uma brecha que Colton não estaria usando.
— Prefiro lidar com o Conselho do que governar um monte de
sanguessugas.
Lucian deu um passo à frente. Imenso poder sangrou do
vampiro, agitando o ar ainda mais forte. Um leve vento soprou e Colton
teve a sensação de que Lucian estava fazendo isso. Também tinha a
sensação de que estava realmente fodido.
Os olhos de Lucian se estreitaram. Quando o vampiro falou, a
suposição de Colton foi confirmada.
— Não estava te dando uma escolha, lobo.

Fim

Você também pode gostar