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Ensino Básico na percussão: Princípios Orientadores e

Métodos de Iniciação

Rodrigo Rafael Oliveira, m47945

Departamento de Música, Escola de Artes, Universidade de Évora

MES_ENSMUSICA 508, Mestrado em Ensino

Professor Doutor Eduardo Lopes

Área de Docência II

2020/2021

Évora, 01 de julho, 2020


Resumo: Aprender um instrumento musical é uma experiência complexa, que obriga o
cérebro a integrar e a processar as informações de diversos sentidos. A aprendizagem de
um instrumento musical consta num grande desafio, tanto de um ponto de vista técnico
como musical. Neste desafio que é a aprendizagem, o professor tem um papel bastante
importante, sendo ele o principal agente de motivação. O professor deve dar o exemplo,
criar estratégias para superar as barreiras que vai encontrando ao longo do percurso e
estimular, sobretudo, a audição musical no aprendiz.

Palavra-Chave: Percussão; Professor; Aprendizagem

Abstract: Learning a musical instrumental are a complex experience that forces the brain
to composse and processing information from several senses. The learn of a musical
instrument envolves a great challenge so much of a tecnique or musical view. In this
challenge that is learning, the teacher have very important role, being him a principal
broker of motivation. The teacher must give the exemple, building strategies to overcome
the baries that he find along the route and encourage, mainly in a student musical audition.

Keywords: Percussion; Teacher; Learning.

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Introdução

No âmbito da disciplina Área de Docência II, orientada pelo Professor Doutor


Eduardo Lopes, é apresentado neste trabalho a importância de uma inovação no ensino
do instrumento musical, como também é sugerido uma proposta de reportório
instrumental para a conclusão deste ciclo de estudos.
A diversidade e multiculturalidade que encontramos no espaço escola, e todos os
documentos normativos (programas de disciplina) que exigem dos alunos um domínio
elevado de conhecimentos teórico-práticos merecem uma reflexão nos novos paradigmas
da educação. O Curso Básico de Música que se inicia por norma aos 10 anos de idade,
tem uma duração de 5 anos (1º ao 5º grau) que corresponde ao 2º e 3º ciclo do ensino
básico, isto é, do 5º ao 9º ano de escolaridade. Este curso pode ser frequentado em três
regimes de frequência, regime articulado, regime supletivo e ou regime integrado. No
regime articulado, estes cursos funcionam em articulação com as escolas regulares,
denominadas escolas de referência. Assim, o aluno frequenta dois estabelecimentos de
ensino distintos, em que o plano curricular do aluno integra as disciplinas da componente
geral, lecionadas na escola regular, e da componente vocacional de música lecionada na
escola vocacional. No regime supletivo o aluno também terá de frequentar dois
estabelecimentos de ensino, ou seja, a escola regular e a escola vocacional. No entanto o
plano de estudos do ensino vocacional de música é paralelo com o plano de estudos da
escola regular, isto é, não existe redução de disciplinas ou articulação de horários. O
regime integrado permite ao aluno, ter a formação geral e a formação vocacional no
mesmo estabelecimento de ensino e o plano de estudos tem o mesmo âmbito do ensino
articulado já referido anteriormente.
No final do curso, o aluno tem que realizar uma Prova Global, constituída por uma
vertente técnica e uma artística. Para efeitos de conclusão do curso o aluno deverá ter
aproveitamento a todas as disciplinas que integram o plano de estudos e é-lhe conferida
habilitação equivalente ao 9º ano de escolaridade e ao Curso Básico de Música, no ensino
vocacional.
Irei, portanto, começar por falar sobre princípios orientadores para o ensino da
percussão e apresentar uma proposta de metodologia, juntamente com uma breve análise
das obras.

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Índice
Princípios Orientadores ...................................................................................................................... 5
Recursos didáticos de apoio ao Ensino da Percussão, 2º e 3º ciclo: ...................................................... 6

Metodologia de Estudo........................................................................................................................ 7
Organização de uma aula de percussão ................................................................................................. 9

Objetivos educativos fundamentais .................................................................................................. 10


Objetivos Gerais ................................................................................................................................... 10
Objetivos Específicos ............................................................................................................................ 11
Competências a Desenvolver ................................................................................................................ 11
Recursos Didáticos Para o Segundo Ciclo (1º e 2º Grau) .................................................................... 12
Proposta Didática para Conclusão do Segundo Ciclo (1º e 2º grau) ................................................... 13
Recursos Didáticos Para o Terceiro Ciclo (Do 3º ao 5º Grau) ............................................................ 14
Proposta Didática para Conclusão do Terceiro Ciclo ......................................................................... 15
Breve Análise de Reportório para Conclusão do 3º Ciclo .................................................................... 17
Caixa: .............................................................................................................................................. 17
• Timpanos: ............................................................................................................................... 22
• Marimba: ................................................................................................................................ 24
• Vibrafone: ............................................................................................................................... 27
• Multipercussão: ...................................................................................................................... 29
Conclusão ............................................................................................................................................. 31
Referências Bibliográficas .................................................................................................................... 32

[Escreva aqui] 3
Índice de Figuras
Figura 1- Baquetas de percussão....................................................................................................6
Figura 2- Metrónomo digital..........................................................................................................6
Figura 3- Practice Pad...................................................................................................................6
Figura 4- Practice Pad...................................................................................................................6
Figura 5- Tonara.............................................................................................................................6
Figura 6- Sticking escala de Mi bemol maior.................................................................................8
Figura 7- Notação da escala de Mi bemol maior.............................................................................8
Figura 8- Sticking escala ½ tom/ tom.............................................................................................8
Figura 9- Drum Corps On Parade………………………………………………………………..17
Figura 10- Nomenclatura usada pelo compositor.........................................................................18
Figura 11- Início 1º Andamento....................................................................................................18
Figura 12- Início 2º Andamento....................................................................................................18
Figura 13- Início 3º Andamento....................................................................................................19
Figura 14- Representação do efeito de ressalto.............................................................................20
Figura 15- 2º Andamento (fox trot)..............................................................................................20
Figura 16- 2º Andamento (fox trot)..............................................................................................21
Figura 17- Disposição dos instrumentos......................................................................................22
Figura 18- Passagem inicial da repetição.....................................................................................23
Figura 19- Uso dos cabos das baquetas como forma de executar o instrumento, sendo necessário
um maior cuidado de forma a manter o som equilibrado e coerente............................................23
Figura 20- Início da obra..............................................................................................................24
Figura 21- Efeito de “Eco”...........................................................................................................24
Figura 22- Exemplo ilustrativo de independência entre mão esquerda e mão direita..................25
Figura 23- Parte coral da obra.......................................................................................................26
Figura 24- Distingue entre melodia e acompanhamento. Uso de diferentes abafamentos, como
anteriormente referido (slide dampening).....................................................................................27
Figura 25- Slide Dampening.........................................................................................................28
Figura 26- Dampening…………………………………………………………………………..28
Figura 27- Disposição dos instrumentos.......................................................................................29
Figura 28- Início da obra Rondo...................................................................................................30
Figura 29- Mudança de compasso presente na obra.....................................................................30
Figura 30- Uso de diferentes métricas em simultâneo..................................................................30
Figura 31- Ilustração do que é a melodia da obra, ou seja, aquilo que deverá ser mais presente.30

[Escreva aqui] 4
Princípios Orientadores

Com toda diversidade cultural e evolução da tecnologia, é dada uma relevante


importância a todas, ou quase todas, as áreas de ensino. Sabemos que toda aquisição de
conhecimentos é uma mais-valia para a geração do futuro. A sabedoria e a capacidade
critica são fundamentais para a liberdade de cada individuo. Por isso, acredito que este é
foco das escolas modernas, preocupando-se em fomentar conhecimento nos estudantes.
Cada vez mais o aluno tem um horário escolar preenchido, trabalhando tantas ou mais
horas que um adulto, o que pode surgir vários problemas a nível de saúde e bem-estar nos
jovens. As escolas focam-se em transmitir informação, mas fazem-no de forma pouco
consciente, não colocando o aluno na autorregulação da aprendizagem, podendo levar à
desmotivação e a uma rotina de estudo com base na memorização da matéria apreendida,
sem qualquer interesse ou curiosidade. Logo, pergunto-me qual o papel das escolas nos
dias de hoje? Com as novas tecnologias o aluno tem cada vez mais capacidade de ter
acesso a qualquer informação num curto espaço tempo, não precisando necessariamente
de tutor ou alguém que os acompanhe na aprendizagem das matérias. Surge, portanto,
outra pergunta. Qual o papel do professor atualmente? Será ensinar a matéria ou fomentar
a motivação na aprendizagem e capacidade de critica nos alunos? Eu acredito que o papel
do professor deverá focar-se em proporcionar debate em sala de aula e capacidade de
autocritica.
Mas como pode um professor motivar os seus alunos? Terá de os obrigar a gostar
de algo ou terá de os tentar convencer? Cada vez mais os alunos refugiam-se nas novas
tecnologias, perdendo grande parte do seu tempo em frente a um ecrã, algo que veio
agravar bastante devido à pandemia. Apesar de ser um acontecimento recente, vários
investigadores andam a tentar perceber como esta pode ser prejudicial. Enquanto docente
de percussão reparo que muitos deles refugiam-se cada vez mais nos pequenos desejos,
sem que os encarregados de educação consigam ter controlo sobre a situação. Muitos pais
tiveram de procurar outros empregos, deixando por vezes os educandos por conta própria,
não impondo limites ao uso destas tecnologias. Seria favorável que os professores de
todas as disciplinas pudessem auxiliar os alunos a usarem as tecnologias de forma
consciente. Portanto, eu acredito que cabe ao professor usar a tecnologia a favor da sua
área, ajudando os alunos a estudar e a organizar o seu tempo, de modo a evitar que se
percam neste mundo tecnológico.

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Recursos didáticos de apoio ao Ensino da Percussão, 2º e 3º ciclo:

• Baquetas;
• Metrónomo;
• Plataforma digital monotorização de estudo- Tonara1;
• Practice Pad2;
• Aplicações de apoio ao estudo.

Figura 3- Practice Pad


Figura 1- Baquetas de Percussão Metrónomo
Figura digital
2- Metrónomo
Digital
1

Figura 4- Practice Pad

Figura 5- Tonara

1
Tonara é uma plataforma digital que ajuda os professores a planear as suas aulas, de modo a motivar os seus alunos, estipulando
metas para alcançar os objetivos desejados, fazer partilha de gravações e praticar o instrumento como se o aluno tivesse a completar
um nível de um jogo.
2
Objeto circular e silencioso, feito à base de borracha e com um ressalto semelhante ao de uma pele. Tem como propósito auxiliar
os percussionistas na sua prática diária, principalmente quando estes não possuem condições para ter instrumentos musicais em
casa.

[Escreva aqui] 6
Metodologia de Estudo

Esta proposta para uma metodologia de estudo, tem como fundamento o uso de
estratégias para aumentar as capacidades cognitivas e musicais do aluno, como também
o desenvolvimento da autoeficácia, autorregulação e otimização do estudo da
performance musical. Como percussionistas, pessoas que tocam um ou mais instrumentos
batidos, agitados ou raspados, temos a dificuldade em conseguir dominar com facilidade
todos os instrumentos de percussão. Dentro de todos, os que são tocados com maior
regularidade é a marimba, vibrafone, caixa de rufo, pratos e bombo de concerto, tímpanos,
multipercussões, acessórios e outros instrumentos mais usados na música latina como
congas, bongós e cowbell. Devido a esta extensa variedade surge a pergunta, por qual
destes instrumentos devemos começar? Quais são os instrumentos que devemos de
trabalhar do 1º ao 5º grau? Possivelmente o instrumento que é o mais aconselhável para
começar o estudo da percussão será a caixa de rufo, visto ser um instrumento sem grandes
dificuldades de execução e proporcionar diferentes bases técnicas para os restantes
instrumentos. Com este instrumento o professor pode transmitir as bases de execução de
todos ou quase todos os instrumentos de percussão. Começando por ensinar a pegar nas
baquetas, coordenar pequenos movimentos alternados e dar a conhecer os movimentos
básicos para a execução do instrumento de percussão, up stroke3, down stroke4, full
stroke5 e tap stroke6. De seguida o professor irá inserir os rudimentos como auxílio à
prática e domínio dos conceitos técnicos dos restantes instrumentos. A seguir a
aprendizagem deste instrumento, possivelmente, o que seria mais sensato de aprender
devido à sua extensão e versatilidade seria a marimba. Na marimba, o aluno pode começar
por aplicar os diferentes conceitos aprendidos na caixa de rufo durante a execução do seu
reportório. Vamos começar por reparar na execução de uma escala. Por exemplo, se o
aluno precisar de executar a escala de Mi bemol Maior, poderá recorrer à técnica de golpe
de duplas (double stroke7), deixando uma mão nas laminas cromáticas e a mão oposta nas
laminas diatónicas, tal como mostra a figura 6.

3
Movimento para cima.
4
Movimento para baixo.
5
Movimento completo.
6
Movimento curto, encostado à pele.
7
Dois toques com a mesma baqueta.

[Escreva aqui] 7
Figura 6- Sticking escala de Mi bemol maior Figura 7- Notação da escala de Mi bemol maior

Outro exemplo é a execução da escala meio tom/ tom. Na execução desta escala
o aluno pode praticar a paradidle8 ao longo de toda a extensão do instrumento, como
podemos observar no exemplo abaixo.

Figura 8- Sticking escala 1/2 tom/ tom

A partir do momento em que o discente se sente confortável com estes dois


instrumentos, o professor poderá começar a introduzi-lo aos restantes, como caso da
multipercussão.
No entanto surge outra questão de importante relevância. Será preferível
aperfeiçoar e dominar os conceitos técnicos do instrumento ou aprender a linguagem...?
Sendo aulas de 45 minutos o professor debruçasse com uma grande dificuldade de
organização e progressividade de ensino. Para isso, é necessário que o professor procure

8
Movimento de alternada-dupla. Direita, Esquerda, Direita, Direita ou Esquerda, Direita, Esquerda,
Esquerda

[Escreva aqui] 8
peças ou métodos que poderão trabalhar ambos os aspetos. Na minha opinião seria
favorável que todos alunos começassem inicialmente por ganhar uma maior consciência
em relação à técnica, de modo a auxiliar na execução das peças e fomentar uma postura
adequada perante o instrumento.

Organização de uma aula de percussão

Percentagem de conteúdos a serem lecionados no 1º e 2º grau


Exercícios técnicos 30%
Domínio harmónico (escalas e arpejos) 30%
Leitura à primeira vista 10%
Reportório de aula 20%
Audição Musical 10%

Percentagem de conteúdos a serem lecionados no 3º, 4º e 5º grau


Exercícios técnicos 20%
Domínio harmónico (escalas e arpejos) 15%
Leitura à primeira vista 20%
Reportório de aula 40%
Audição Musical 5%

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Objetivos educativos fundamentais

Estes objetivos são uma proposta para este ciclo de estudos. É importante que o
professor utilize todos os recursos e estratégias de modo a dotar o aluno de ferramentas
para construir as suas próprias aprendizagens. Espera-se desenvolver capacidades no
aluno de autorregulação e otimização do seu estudo. A proposta de programa
instrumental apresentada neste trabalho tem como finalidade apresentar os objetivos,
conceitos e competências gerais da disciplina de percussão necessários para concluir o
curso básico do ensino de música. Este programa de cariz mais didático, foi elaborado a
pensar no desenvolvimento interpretativo, técnico e estilístico do aluno para os
diferentes instrumentos da área de percussão. Procura estabelecer níveis mínimos,
podendo o repertório em si ser adaptado a cada aluno, tendo em conta a diversidade que
o professor encontra nas salas de aula. Para incentivar e elevar os níveis motivacionais
nestas idades, o professor pode optar por estilos que os alunos mais se identifiquem,
contribuindo assim para o desenvolvimento da sua identidade como interprete. De
forma que estes se possam sentir mais realizados nos diferentes instrumentos e possam
usufruir não só das aprendizagens relacionadas aos conceitos, mas também que esta
aprendizagem seja prazerosa e estes possam ter fruição musical. No entanto deve ter em
consideração os objetivos do projeto educativo e do contexto escolar onde se insere.

Objetivos Gerais

Apreciar, executar e compreender a performance da música enquanto arte,


permitindo respostas e reconhecimentos estéticos, dentro de vários géneros e estilos
musicais, com organização, conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e
avaliação da linguagem musical ao nível semântico, sintático, discursivo, histórico,
estilístico e notacional.

[Escreva aqui] 10
Objetivos Específicos

Estimular as capacidades do aluno e favorecer a sua formação e o


desenvolvimento equilibrado de todas as suas potencialidades. Fomentar a integração do
aluno no seio da classe do instrumento tendo em vista o desenvolvimento da sua
sociabilidade. Desenvolver o gosto por uma constante evolução e atualização de
conhecimentos resultantes de bons hábitos de estudo. Fomentar a integração do aluno
no contexto escolar e na classe de percussão. Promover o desenvolvimento do gosto e
motivação pela música em geral, e pelos instrumentos de percussão em particular.
Fomentar o desenvolvimento no interesse pela atualização e evolução de
conhecimentos. Desenvolver os conteúdos musicais e técnicos da execução
instrumental. Desenvolver a musicalidade e interpretação. Fomentar a participação em
apresentações públicas.

Competências a Desenvolver

Coordenação psico-motora (entre os quatro membros), sentido de pulsação,


ritmo, harmonia, melodia, fraseado e polirritmias. Ter cuidado na qualidade do som
produzido nos diversos instrumentos de percussão, tendo a noção de cada instrumento
tem características próprias e todos são diferentes, tendo esse cuidado na sua execução.
Dominar os conceitos e movimentos de técnica base de duas e quatro baquetas.
Nomeadamente para duas baquetas movimento continuo, golpe completo, golpe para
cima, golpe para baixo, golpe duplo. Para quatro baquetas, movimento simples
alternado, movimento vertical duplo, movimento de rotação. Realização de diferentes
articulações, dinâmicas e utilização correta dos Stickings9 de forma a existir controle
nos movimentos. Fluência de leitura, agilidade e segurança na execução. Respeito pelo
andamento que as obras determinam, desenvolver a capacidade de concentração e
memorização. Ter a capacidade de abordar a ambiência e o estilo da obra,
desenvolvendo e fomentando a capacidade de formulação e apreciação crítica.
Despoletar e explorar repertório novo desenvolvendo também a capacidade de

9
Termo atribuído à escolha da coordenação de movimentos, usado durante o aprofundamento de uma obra.

[Escreva aqui] 11
diagnosticar problemas e resolvê-los. Os recursos e as propostas apresentadas poderão
ser substituídos por métodos e ou obras semelhantes.

Recursos Didáticos Para o Segundo Ciclo (1º e 2º Grau)

Compositor/Autor Métodos
Marimba Nebodja Zivkovick Funny mallets
Garwood Whaley Primary Handbook for mallets
Vibrafone E. Sejourné Les claviers parcourent le monde Vol I
Morris Goldenberg Modern School for Xylofone, Vibrafone and
Marimba
J. Delécluse Complete Méthode pour vibraphone
Caixa Mitchel Peters Elementary snare drum
Dexterity
Sigfried Fink Studies for Snare Drum
Tímpanos Richard Hockrainer Etude fur timpani – vol I
Multipercussão/Bateria R Joel Rothman on Delp Multi- pitch rhytms
Play rock and roll drums

[Escreva aqui] 12
Proposta Didática para Conclusão do Segundo Ciclo (1º e 2º grau)

Compositor/Autor Estudos/Obras Objetivo


Caixa Mitchel Peters Estudo 20 Domínio do movimento continuo;
Movimento duplo; Equilíbrio; Som;
Estudo 34 Articulação;
Domínio dos golpes para cima e para baixo,
dinâmicas (Acentuações), movimento
alternado
Vibrafone J. Delécluse Estudo em Sol Reconhecimento do teclado; Controle do
Maior pedal; Controle do abafamento; Noção de
fraseio; Noção de melodia
Marimba Garwood Whaley Primary Handbook Controlo das quatro baquetas; Controlo do
for mallets movimento vertical duplo; Noção de fraseio;
Noção de melodia e harmonia;
Desenvolvimento da memorização
Tímpanos Richard Hockrainer Estudo 6 Domínio da afinação de intervalos de quarta
perfeita: Equilíbrio entre a mão direita e mão
esquerda; Capacidade de abafamento da pele;
Movimento continuo; Capacidade de controlo
e Contraste dinâmico entre o Forte e o piano
Multipercussão Ron Delp Estudo 5 Noção de set-up e espaço; Controlo de
movimento alternado e duplo; Controlo e
equilíbrio dos vários timbres agudo e grave

[Escreva aqui] 13
Recursos Didáticos Para o Terceiro Ciclo (Do 3º ao 5º Grau)

Compositor/Autor Métodos
Marimba Bart Quartier 20 Children Song
L.H. Stevens Methóde of movement for Marimba
Mark Ford Marimba Études
James Moyer Four Mallet Methóde for Marimba
Vibrafone E. Sejourné Les claviers parcourent le monde Vol II
19 Études Musicales Pour Vibrafone
David Friedman Dampening and pedaling
Caixa Mitchel Peters Dexterity
Intermediate Studies for snare Drum
G.L. Stone Stick Control
Charles Wilcoxon 150 Rudimental solos
Modern Rudimental Swing Solos For the
Advanced drummer
Tímpanos Richard Hockrainer Etude fur timpani – vol I/vol II
Mitchel Peters Fundamental Solos For Timpani
Saul Goodman The Tunefull Timpanist
Multipercussão/Bateria Ron Delp Multi- pitch rhytms
Morris Goldenberg Studies in solo Percussion
Joel Rhothman Play rock and roll drums
Jackson Drumming from Top to Bottom
C, watts and M. Udow The comtemporany percussionist

[Escreva aqui] 14
Proposta Didática para Conclusão do Terceiro Ciclo

Compositor/Autor Estudos/Obras Objetivo


Caixa John S. Pratt Drum Corps on Domínio dos rudimentos de técnica básica de
Parade Marching Band; Combinação dos diferentes
golpes (movimento completo, para baixo, para
cima) movimento alternado e movimento duplo.
Warren Benson Three Dances Domínio dos golpes para cima e para baixo,
dinâmicas (Acentuações), movimento alternado;
Movimento duplo; Domínio de efeitos como o
rimshot (tocar no aro do instrumento); Domínio
de Polirritmias; Domínio de diferentes baquetas.
Vibrafone David Friedman Estudo 25 Controlo das quatro baquetas; Controlo do
pedal; Controle do abafamento; Noção de
fraseio; Noção de melodia e harmonia; Domínio
de diferentes Articulações (staccatto;Legatto);
Domínio de contrastes dinâmicos
Marimba Alice Gomez Marimba Controlo das quatro baquetas; Controlo dos
Flamenca diversos movimentos de técnica base (rotação,
vertical duplo, simples alternado); Noção de
fraseio; Noção de melodia e harmonia;
Desenvolvimento da memorização; Domínio
técnico de abertura e fecho das baquetas
permitindo a realização de diferentes intervalos
Tímpanos Saul Goodman Ballad For the Domínio da afinação de diferentes intervalos
Dance nomeadamente quartas, quintas e oitavas
perfeitas: Equilíbrio entre a mão direita e mão
esquerda; Capacidade de abafamento da pele;
Movimento continuo; Duplo; Trémulo;
Cruzamento de baquetas; Capacidade de
controlo e Contraste dinâmico entre diversas
dinâmicas; Domínio de transição de métrica
ternária/binária/ternária

[Escreva aqui] 15
Multipercussão Mitchel Peters Rondo Noção de set-up e espaço; Controlo de
movimento alternado e duplo; Controlo e
equilíbrio dos vários timbres agudo e grave;
Domínio de efeitos Domínio de Polirritmias;
Independência e coordenação dos membros
superiores

[Escreva aqui] 16
Breve Análise de Reportório para Conclusão do 3º Ciclo

Caixa:

Drum Corps on Parade de John S. Pratt

Obra de linguagem rudimentar, abordando um aspeto mais técnico do


instrumento, tendo como objetivo desenvolver a capacidade técnica do aluno.
Nesta obra será necessário trabalhar a sua resistência também, de forma a ser
capaz de tocar a obra de início ao fim com a extrema velocidade e grande “quantidade”
sonora que ela exige.

As Principais dificuldades presentes nesta obra:


A obra é toda ela composta por rudimentos e extremamente rítmica, usando
variados rudimentos.

Figura 9- Drum corps on parade

Assim, devido á extrema complexidade rítmica e técnica, será igualmente difícil


a execução das diferentes dinâmicas que o compositor indica, tornando mais complexa a
obra do ponto de vista musical, sendo necessário criar os diferentes contrastes necessários
à boa execução da obra.

Toda a obra apresenta a nomenclatura padrão neste tipo de linguagem:

R- Right Hand (Mão Direita)


L- Left Hand (Mão Esquerda)

No entanto usa uma nomenclatura específica do seu autor, que poderá ser um
obstáculo na fase inicial do seu estudo.

[Escreva aqui] 17
Figura 10 Nomenclatura usada pelo compositor

Material necessário: Caixa e Baquetas de Caixa.

Three Dances de Warren Benson

A obra é constituída por três andamentos bastante contrastantes:

• Cretan Dance:

Figura 11- Inicio 1º Andamento

Neste andamento é usado vários efeitos sonoros, produzindo diferentes timbres,


tais como estão representados na imagem anterior, Baqueta Direita na Esquerda, Baqueta
a tocar fora do centro do instrumento e Baqueta a tocar no centro do instrumento.

• Fox Trot:

[Escreva aqui] 18
Figura 12- Inicio 2º Andamento

Neste andamento começamos por usar a mão direita no Rim (Parte metálica do
instrumento em redor da pele) e mão esquerda no centro do instrumento, mas desta vez
executado com uma vassoura e não com uma baqueta. No entanto, durante o andamento
aparecem outros efeitos sonoros, como tocar na pela, mas mais junto ao Rim, raspar com
a baqueta no Rim ou deslizar com a vassoura na pele.

• Fandango.

Figura 13- Inicio 3º Andamento

No último andamento temos outra vez o som de baqueta com baqueta, a execução
“normal” do instrumento, ou seja, baqueta no centro da pele. Temos também um efeito
novo na obra, que consiste em pousar uma das baquetas em cima do Rim e da pele, para
que seja possível que a outra baqueta toque na primeira, de forma a aproveitar o ressalto
da pele e assim fazer quase como um tremolo apenas com uma mão, enquanto a outra
mão toca uma melodia.

[Escreva aqui] 19
Figura 14- Representação do efeito de ressalto

Em geral, todos estes andamentos e a obra em si é de caráter bastante contrastante


em comparação à primeira referida para caixa. Usando outro tipo de efeitos sonoros que
o instrumento possibilita, usando diferentes recursos (Baquetas distintas) e diferentes
formas de execução do instrumento, procurando assim os diferentes timbres do
instrumento.

Obra complexa a nível da coordenação motora, obrigando o uso das duas mãos de
forma independente.

Figura 15- 2º andamento (fox trot)

Apesar de se executar apenas um instrumento, neste caso é claro que deveremos


dar a intenção de que a obra se trata quase de um dueto entre dois sons bastante distintos,
devido ao diferente timbre que cada uma das mãos retirará do instrumento.

[Escreva aqui] 20
É necessário para esta obra uma procura incessante pelo melhor som possível,
para que todos os diferentes timbres do instrumento resultem entre eles.

Figura 16- 2º andamento (fox trot)

A obra é extensa, bastante diversificada no seu discurso e exige uma grande


capacidade de coordenação motora, tornando a obra mais abrangente do que a
anteriormente referida para caixa, Drum Corps on Parade, que apenas se foca numa
possibilidade sonora do instrumento.
O uso de nomenclatura especifica da obra tornará a leitura da mesma mais difícil
e mais trabalhosa também. O período de adaptação à escrita usada na obra deve ser o mais
reduzido possível, para que seja possível uma leitura o mais rápida e eficaz possível,
sendo para isso necessário realizar exercícios com o uso dos diferentes timbres e efeitos
sonoros presentes na obra.

Material necessário: Caixa, Baquetas de Caixa, Vassouras e Tabuleiro.

[Escreva aqui] 21
• Timpanos:

Ballad For the Dance de Saul Goodman

Aspetos principais a trabalhar nesta obra:


Disposição dos Instrumentos:

Figura 17- Disposição dos instrumentos

Acima está representado a disposição que será a mais adequada para a execução
da obra, sendo a Letra G- Sol, Letra A- Lá, Letra C-Dó e a Letra Eb -Mi bemol.
O principal objetivo será tornar o mais uniforme possível o som entre os diferentes
Tímpanos, que devido aos seus diferentes tamanhos e consequentemente diferente reação
do instrumento à execução de cada uma das notas que pelo músico é executada. Ao mesmo
tempo, será necessário incluir o timbre do prato suspenso nesta obra e que se torne
coerente com o resto da instrumentação.
Obra de caráter jazzístico, sendo que o objetivo será abordar uma diferente
linguagem musical, de forma a abordar diferentes linguagens musicais. Será possível
também trabalhar diferentes métricas rítmicas e diferentes divisões de compasso.
Será ainda possível trabalhar o uso de diferentes formas de percutir o instrumento,
como é o caso desta obra que exige ao intérprete que toque com os cabos da baqueta.

[Escreva aqui] 22
A principal dificuldade presente nesta obra é o uso de Stickings adequados a cada
uma das passagens presentes na obra, que devido à grande quantidade de espaço que esta
instrumentação exige, é importante escolher corretamente qual a mão mais adequada a
executar cada uma das notas, de forma a não tornar impossível a execução de algumas
das passagens.

Figura 18- Passagem inicial da Repetição

Como poderemos ver na imagem anterior e comparando com a figura 18, onde é
descrita aquela que será a disposição dos instrumentos mais aconselhável. Este será o
Sticking mais adequado para a boa execução desta passagem, de forma a não prejudicar
o discurso musical.

O uso de um instrumento pouco habitual que foi adicionado ao habitual conjunto


de Tímpanos, o Prato Suspenso, poderá também ser um obstáculo numa fase inicial do
estudo.

Figura 19- Uso dos cabos das baquetas como forma de executar o instrumento, sendo necessário um maior cuidado de
forma a manter o som equilibrado e coerente.

Material necessário: 4 Tímpanos, Prato Suspenso e Baquetas de Tímpanos com


cabo de madeira.

[Escreva aqui] 23
• Marimba:

“Marimba Flamenca” de Alice Gomez

Obra exigente a nível de quantidade sonora, ou seja, exige bastante som ao seu
executante, de forma a respeitar as indicações que nela aparecem, começando desde logo
no início com dinâmicas extremamente “altas” e com muitas acentuações.

Figura 20- Início da obra

Ao longo da obra é possível sentir uma semelhança ao “eco” várias vezes, ou seja,
uma primeira frase que é tocada de forma mais “visível”, mais presente, e em resposta
uma frase idêntica numa dinâmica inferior, dando esse efeito de “eco”, da segunda para
a primeira frase, como se pode ver logo no exemplo anterior, no início da obra, mas
também nas imagens seguintes:

Figura 21- Efeito de "Eco" (Mesma frase melódica duas vezes, mas a segunda uma dinâmica inferior para causar o
efeito de "eco")

[Escreva aqui] 24
Mais uma vez, uma obra que exige uma grande independência enorme entre a mão
esquerda e direita (mão esquerda toca o acompanhamento, que é um padrão rítmico e mão
direita executa a melodia).

Figura 22- Exemplo ilustrativo da independência entre a Mão esquerda (Acompanhamento) e Mão direita (Melodia)

É importante que o acompanhamento, o baixo, seja bastante fluído e que


naturalmente dê o balanço necessário à obra. Assim o executante deve ser capaz de
executar o baixo de forma independente a tudo o resto que toque na outra mão, de forma
a tornar tudo com um maior balanço.

Obra bastante rítmica, mas que em certa altura apresenta um género de um


“Coral”, sendo que de repente em vez de ser necessário um caráter extremamente rítmico,
é necessário alterar o nosso pensamento, de forma a conseguir produzir algo muito mais
melodioso e musical. Importante realçar as diferentes notas que são mais importantes à
progressão harmónica do “coral”.

[Escreva aqui] 25
Figura 23- Parte do coral da obra

Principais dificuldades presentes nesta obra:

As principais dificuldades da obra são como anteriormente referido a


independência necessária entre as duas mãos e a diferença de contexto que existe na obra,
sendo que a primeira parte e a parte final são partes bastante rítmicas, tendo no meio da
obra uma parte muito mais melodiosa, o “coral”. Será também difícil encontrar umas
baquetas que resultem de forma eficaz em ambas as partes, visto que não há a
possibilidade de trocar as baquetas no meio das partes.

Material necessário: Marimba de 4 Oitavas e 1/3 e 4 Baquetas de Marimba.

[Escreva aqui] 26
• Vibrafone:

Estudo 25 de David Friedman

Obra com uma grande independência melódica em relação à harmonia, sendo que
o compositor deixa bem claro quais as notas da harmonia e a melodia existente nesta obra.
Será importante deixar bem claro o que se trata de harmonia e o que se trata de melodia.
Abafamentos com o pedal, mas também o uso de Dampening e Slide Dampening serão
bastante trabalhados.

Principais dificuldades presentes nesta obra:

Independência da melodia e harmonia que é bastante complexo de realizar de


forma musical e coerente. Uso do pedal no sítio correto, de forma a não prejudicar uma
boa fluidez do discurso musical.

Figura 24- Distinção entre melodia e acompanhamento. Uso de diferentes abafamentos, como anteriormente referido
(slide Dampening)

[Escreva aqui] 27
Neste caso, a nota Mi será abafada com a mesma baqueta que
executa anteriormente a nota Ré.

Figura 25 - Slide Dampening

Abafamento com a baqueta, enquanto o pedal continua em baixo e sustém todas


as notas. Assim a ideia é criar um maior efeito de Legato.

Figura 26- Dampening

De realçar que este estudo está inserido num livro que foi escrito
propositadamente para trabalhar a questão de abafamento e do pedal, sendo que ao longo
do livro os estudos vão evoluindo de forma gradual e passando por estes diferentes
aspetos técnicos de forma isolada, até que depois de algum tempo se juntam e começam
a ser abordados em simultâneo nas mesmas obras.

Material necessário: Vibrafone e 4 baquetas de Vibrafone.

[Escreva aqui] 28
• Multipercussão:

“Rondo” de Mitchell Peters

Aspetos principais a trabalhar nesta obra:


A melhor disposição dos instrumentos para a boa execução da obra deverá ser a
seguinte:

Figura 27- Disposição dos instrumentos

Anteriormente está representado aquela que será a melhor disposição instrumental


para a boa execução da obra, sendo que de 1 até 4, de forma gradual está representado o
Tom mais grave até ao mais agudo.

O grande objetivo de executar uma obra de multipercussão neste nível é sobretudo


ajudar o aluno a ganhar uma maior noção espacial e ao mesmo tempo perceber que existe
diferentes formas de executar cada um dos instrumentos existentes na família de
Percussão, e assim quando usamos uma obra musical que insere vários instrumentos e
bastante distintos, é necessário perceber que cada um desses instrumentos terá que ser
executado de forma coerente. No entanto, e devido à grande dificuldade de encontrar
repertório adequado ao grau indicado e que seja possível de se fazer, devido à enorme
falta de condições a nível de material, que infelizmente ainda existe em inúmeras escolas
oficiais ainda não têm as condições mínimas para uma boa realização de um bom curso
de Percussão. Assim, e estando dentro do panorama das escolas de música atualmente,
optei por uma obra que não aborda muitos instrumentos distintos, mas que dentro do
panorama de multipercussão parece-me a mais adequada e com mais capacidades de ser
realizada.

[Escreva aqui] 29
A extrema velocidade da obra e os ritmos que nela estão presentes tornam a obra
extremamente veloz, o que torna mais difícil conseguir uma boa interpretação da mesma.

Figura 28- Início da obra Rondo

Tornar bastante definido todo o ritmo presente na obra, para que tudo fique bem
claro, mistura de ritmos ternários e binários serão uma constante, tendo inclusive que o
fazer em simultâneo, ou seja numa mão tocar ritmo binário e na outra mão a existência
de um ritmo ternário.

Figura 29- Mudança de compasso presente na obra

Figura 30- Uso de diferentes métricas em simultâneo

Tornar claro a melodia, ou seja, tornar bem audível as notas que são mais importantes e
que importa realmente ouvir, em detrimento do resto que é apenas acompanhamento.

Figura 31- Ilustração do que é a melodia da obra, ou seja, aquilo que deverá ser mais presente

Material necessário: 4 Tom-Toms e Baquetas de Caixa.

[Escreva aqui] 30
Conclusão

O alargamento da escolaridade obrigatória, as transformações socioeconómicas e


a democratização do ensino refletiram-se na orgânica das escolas vocacionais de música.
Hoje em dia, para além de ministrarem uma formação que permite seguir uma via
profissional, estas são procuradas essencialmente como complemento de uma formação
artística que no ensino regular ainda é insuficiente. Este novo paradigma no ensino
vocacional de música tem contribuído para a descaracterização das escolas vocacionais,
isto é, o aumento da população escolar, com diferentes expetativas e motivações aliado a
constantes reformas e legislações pouco coerentes, “fazem com que o ensino artístico
especializado careça de uma reflexão profunda.” (Rodriguez, 2014) Em suma, como
Fernandes (2007) refere o ensino especializado da música no presente é uma “realidade
social, cultural, educativa e formativa incontornável no contexto do desenvolvimento,
modernização e melhoria do sistema educativo.” (Fernandes et al. 2007 pp 23)
Deste modo os programas da disciplina devem ter em conta todas as
transformações sociais que temos vindo a assistir. É necessário que o professor de
instrumento faça uma reflexão sobre programa da disciplina. De modo que desenvolva a
parte teórica e técnica tentando ir ao encontro das espectativas do estudante de música. O
desenvolvimento de uma componente técnica sólida, pode prevenir lesões, contribuir para
o desenvolvimento de uma identidade musical durante este período do desenvolvimento
humano, fomentar e desenvolver a criatividade, musicalidade e a fruição musical no
aluno.

[Escreva aqui] 31
Referências Bibliográficas

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[Escreva aqui] 32
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