Você está na página 1de 580

Vocabulário da

Vocabulário da

Psicanálise
aplanche e Pontalis
Laplanche e Pontalis

m a r t i n s fontes
Mertins Pontes
sei_o martins
jo Pnad(a
"Na
“Na medida
medida em em que
que aq psicanálise
psicanálise
renovou
RSS Tee TRaMs)
compreensão
rr Toei tea eo da
maioria
maioria dos
dos fenómenos
fenômenos
psicológicos e psicopatológicos,
psicológicos e psicopatológicos,

ee mesmo
mesmo a q do
do homem
homem em geral,
em geral,
seria
seria possível,
possível, num num manual manual
alfabético
ulfubetico que se quepropusesse
se propusesse
abarcar
abarcar o o conjunto
conjunto dasdas
contribuições
contribuições psicanalíticas,
psicanalíticas, tratar tratar
não
não apenas
apenas dada libido
libido ee da da
transferência,
transferência, masmas dodo amor
amor ee do do
sonho,
sonho, dada delinquência
delinquencia ou ou dodo
surrealismo.
surrealismo, A A nossa
nossa intenção
intenção foi foi
completamente diferente:
completamente diferente;
preferimos deliberadamente
preferimos deliberadamente
analisar
qnaltisar oo aparelho nocional
aparelho nocional
da
da psicanálise,
psicanálise, isto é,.o istoconjunto
é, o conjunto
dos
dos conceitos
conceitos por ela
por ela
progressivamente elaborados
progressivamente elaborados
para
para traduzir
traduzir as
as suas descobertas.
suas descobertas.
Este
Este Vocabulário
Vocabulario visa,visa, não
não qa tudo
tudo
oo que
que àa psicanálise
psicanálise pretende pretende
explicar,
explicar, mas antes aquilo
mas antes àquilo de de que
que
ela se serve para explicar."
ela se serve pora explicar.”

Laplanche e Pontalis
Laplanche e Pontalis

CAPA Marcos Lisboa


Vocabulário
Vocabulário da Psicanálise
da Psicanálise
Laplanche
Laplanche e Pontalis
e Pontalis

SOB AA DIREÇÃO
SOB DIREÇÃO DE
DE
DANIEL LAGACHE
DANIEL LAGACHE

TRADUÇÃO
TRADUÇÃO
PEDRO TAMEN
PEDRO TAMEN

m a r t i n s fontes
martins Fortes
seuD martins
seLto martins
Título original:
Tínlo ariginal; VOCABULAIRE
VOCABULAIRE DE DE
LA LA PSYCHANALYSE.
PSYCHANALYSE.
Copyright
Copyright ©
O by
by Presses
Presses Universitaires de France,
Universitaires de France. Paris, 1987.
Paris. 1987,
Copyright
Copyright ©O 1982,
1982. Livraria
Livraria Martins
Marins Fontes
Fontes Editora Ltda.,
Editora Lido.
São
Sãa Paulo,
Paulo. para
para aa presente edição.
presente edição.

Publisher
Publisher Evandro
Evondro Mendonça
Mendonça Martins Martins
Fones Fontes
Coordenação editorial
Coordenação editorial Vanessa Faleck
Vanessa Faleck
Revisão
Revisão para
para aa edição brasileira
edição brasiteiru Luis
Luis Lorenzo Rivera
Lorenzo Rivera
Supervisão técnica
Supervisão desta edição
técnica desta edição Dr.
Dr, Luis
Luis Carlos Menezes
Cartos Menezes
Preparação dos originais
Preparação dos originais Maurício Balthazar
Maurício Balthozar Led! Leal
Revisão
Revisão gráfica
gráfica Coordenação de
Coordenação de Maurício Balthazar
Maurício Bolthazar Lea! Leal
Produção
Produção gráfica
gráfica Sidnei Simonetti
Sidnei Simonelli
Composição
Composição Ademilde
Ademilde L. da Silva
L, da Silva
Arte-final
Arte-fnal Moacir
Moacir Katsumi Matsusaki
Katsumt Matsusaki

Dados
Dados Internacionais
Interaacionois de de Catalogação
Catalogação na na Publicação
Publicação (CIP) (CIP)
(CâmaraBrasileira
Câmara BrasileiradodoLivro,
Livro,SP,
SP,Brasil)
Brasil)
Laplanche,
Laplanche, Jean Jean
Vocabulário
Vocabulário da da psicanálise
psicanálise/ /Laplanche
Laplancheé ePontális
Pontalis; sob
; soba direção
a direção
de Daniel Lagache
de Daniel Lagache ;: tradução
tradução Pedro
Pedro Tamen:
Tamen. —4º ed. - São
- 4 a ed: São Paulo
Paulo ;:
Martins
Manins Fontes,
Fontes, 2001.
2001.
Título original:
Título original: Vocabulaire
Vocabulaire dede lala psychanalyse.
psychanalyse.
ISBN 978-85-336-1396-2
ISBN 978-85-336-1396-2
1.1, Psicanálise
Psicanálise—- Dicionánios
DicionáriosJ, I.Pontalis,
Pontalis,J,J.B..B.,1924-
1924-[T.II.Lagache,
Lagache,
Daniel.
Daniel. III IU Título.
Título.

01-0700
01-0700 CDD-616.891703
CDD-616.891703
índices paracatálogosistemático:
Índices para catálogo sistemático:
1.1. Dicionários
Dicionários : :Psicanálise
Psicanálise 616.891703
616.891703
2.2. Psicanálise
Psicanálise : :Dicionários
Dicionários 616.891703
616.891703

Todos
Todos os direitos desta
os direitos desta edição reservados àà
edição reservados
Martins
Martins Editora
Editora Livraria Ltda.
Livraria Lido.
Av.
Av. Dr.
Dr. Arnaldo, 2076
Amúitdo, 2076
01255-000
01255-000 São São Paulo
Paulo SP Brasil
SP Brasil
Tel: (11)3116
Tel: 0000
(11) 3116 0000
info
info @ emartinsfontes. com. br
Bemartinsfontes.com.br
www. martinsfontes-selomartins. com. br
wwmurtinsfontes-selomartins.com.br
PREFÁCIO
PREFÁCIO

RAZÕES
RAZÕES E
EH ISTÓRIA DESTA
HISTÓRIA DESTA OBRA
OBRA
AÀ aversão
aversão contra
contra aa psicanálise exprime-se àsàs vezes
psicanálise exprime-se vezes em em sarcasmosdini-
sarcasmos diri-
gidos
gidos àà sua sua linguagem.
linguagem. E É claro
claro queque osos psicanalistas
psicanalistas não não desejam
desejam oo uso uso abu-
abu-
sivo
sivo ou ou intempestivo
intempestivo de de palavras
palavras técnicas para disfarçar
técnicas para disfarçaraaconfusão
confusãododopen- pen-
samento.
samento. Mas, Mas, como
como os os ofícios
ofícios ee as as ciências,
ciências, também
tambémaapsicanálise
psicanálisenecessi-
necessi-
tata de
de palavras
palavras próprias. Métododedeinvestigação
próprias. Método investigaçãoe ededetratamento,
tratamento,teoria teoriadodo
funcionamento
funcionamento normal normal ee patológico
patológico do do aparelho
aparelho psíquico,
psíquico,como comosesepoderia
poderia
ter
ter formulado
formulado aa novidade
novidade das das suas
suas descobertas
descobertas ee das das suas
suas concepções
concepções sem sem
recorrer a termos novos? Além do mais, pode-se
recorrer a termos novos? Além do mais, pode-se dizer que qualquer desco- dizer que qualquer desco-
berta
berta científica
científica nãonão se
se forma
forma moldando-se
moldando-se ao ao senso
senso comum,
comum, mas mas para
para além
além
dele ou contra ele; o escândalo da psicanálise não
dele ou contra ele; o escândalo da psicanálise não é tanto o lugar que con- é tanto o lugar que con-
cedeu à sexualidade como a introdução da fantasística
cedeu à sexualidade como a introdução da fantasística inconsciente na teo- inconsciente na teo-
ria
ria dodo funcionamento
funcionamento mental mental do do homem
homem em em luta
luta com
com o o mundo
mundo ee consigo
consigo
mesmo;
mesmo; aa linguagem
linguagem comumcomum não não tem
tem palavras
palavras para
para designar
designar estruturas
estruturas ee
movimentos
movimentos psíquicos psíquicos que que nãonão existem
existem aos aos olhos
olhosdodosenso
senso comum;
comum;foi foi pre-
pre-
ciso,
ciso, pois,
pois, inventar
inventar palavras
palavras cujo cujo número
número ——entre entreduzentas
duzentase etrezentas
trezentas——
varia
varia com com oo rigor
rigor da
da leitura
leitura dosdos textos
textos ee com
com osos critérios
cniténos do do tecnicismo
tecnicismo dos dos
termos. Além da consulta dos escritos psicanalíticos,
termos. Além da consulta dos escritos psicanalíticos, poucos recursos exis- poucos recursos exis-
tem
tem parapara apreender
apreender oo sentido
sentido dessas
dessas palavras:
palavras: glossários
glossários no nofinal
final das
dasobras
obras
didáticas,
didáticas, definições nos vocabulários ou dicionários de psicologia e dede
definições nos vocabulários ou dicionários de psicologia e psi-
psi-
copatologia publicados nos últimos vinte ou trinta
copatologia publicados nos últimos vinte ou trinta anos, mas praticamente anos, mas praticamente
pouco
pouco ou ou nenhum
nenhum instrumento
instrumento de de trabalho
trabalho especializado
especializado ee completo;
completo; aa obra obra
que
que maismais se se aproximou
aproximou foi foi oo Handwõrterbuch
Handwôrterbuch der der Psychoanalyse,
Psychoanalyse, do do Dr.
Dr. Ri-Ri-
chard
chard F. F. Sterba,
Sterba, cuja
cuja redação
redação foi, foi, pelas
pelas circunstâncias, interrompida nana le-le-
circunstâncias, interrompida
tra
tra L L ee cuja
cuja impressão
impressão parouparou no no termo
termo "Grõssenwahn".
“Grôssenwahn". "Não “Não sei",
sei”, escreveu-
escreveu-
me
me o Dr. Richard F. Sterba, “se isto se refere à minha megalomania ou
o Dr. Richard F. Sterba, "se isto se refere à minha megalomania ou
àà dede Hitler'';
Hitler”; o o Dr. Sterba teve
Dr. Sterba teve aa amabilidade
amabilidade de de me
me enviar
enviar os os cinco
cinco fascí-
fascí-
culos
culos destadesta obra,
obra, que
que éé rara,
rara, senão
senão inacessível (Internationaler Psychoa-
inacessível (Internationaler Psychoa-
nalytische Verlag, 1936-1937); cite-se ainda um livro
nalytische Verlag, 1936-1937); cite-se ainda um livro de espínto completa- de espírito completa-
mente
mente diferente,
diferente, coletânea alfabéticadedetextos
coletânea alfabética textos freudianos
freudianos traduzidos
traduzidos para para
oo inglês
inglês ee publicada
publicada por por Fodor
Fodor ee Gaynor
Gaynor em em 1950
1950 com
com um um prefácio
prefácio de de Theo-
Theo-
dor
dor Reik
Reik (Fodor
(Fodor N. N. ee Gaynor
Gaynor F., F., Freud: Dictionary of
Freud: Dictionary of Psychoanalysis,
Psychoanalysis, prefá- prefá-
cio
cio de de Theodor
Theodor Reik,Reik, Nova
Nova Iorque,
Iorque, Philosophical
Philosophical Library,
Library, 1950,
1950, XII+Xl +208 208
páginas).
páginas).
VOCABULÁRIO DA
VOCABULÁRIO DAPSICANÁLISE
PSICANÁLISE
OO principal
principal da da terminologia
terminologia técnica técnica da da psicanálise
psicanáliseé éobra obradedeFreud; Freud;foi- foi-
sese enriquecendo
enriquecendo ao ao mesmo
mesmo tempo tempo com com as as suas
suas descobertas
descobertas ee com com o seu
o seu
pensamento.
pensamento. Ao Ão contrário
contrário do do queque aconteceu
aconteceu na na história
históriadadapsicopatologia
psicopatologia
clássica, Freud pouco foi buscar no latim e no
clássica, Freud pouco foi buscar no latim e no grego; recorreu, evidente- grego; recorreu, evidente-
mente, à psicologia, à psicopatologia, à neurofisiologia
mente, à psicologia, à psicopatologia, à neurofisiologia do seu tempo; mas do seu tempo; mas
foi sobretudo no alemão que ele foi procurar as
foi sobretudo no alemão queele foi procurar as suas palavras e fórmulas, suas palavras e fórmulas,
aproveitando
aproveitando os os recursos
recursos ee comodidades
comodidades que que aa sua
sua própria
própnia língualíngualhe lheofere-
ofere-
cia.
cia. E E acontece
acontece que que éé difícil
difícil uma
uma tradução
tradução fiel, fiel, ee aa terminologia
terminologia analítica analítica
dádá então
então umauma impressão
impressão insólita
insólita que que aa língua
línguadedeFreud Freudnão nãodá, dá, seseososrecur-
recur-
sos
sos da
da língua
língua do do tradutor
tradutor não não forem
forem sempre
sempre explorados;
explorados; em em outros
outros casoscasos
éé aa simplicidade
simplicidade da da expressão freudiana que
expressão freudiana que torna imperceptívelooseu
torna imperceptível seu tec-
tec-
nicismo. A verdadeira dificuldade não está aí,
nicismo, À verdadeira dificuldade não está aí, pois só acessoriamente se pois só acessoriamente se
trata de uma dificuldade de ordem linguística.
trata de uma dificuldade de ordem linguística. Se o Freud escritor se mos-Se o Freud escritor se mos-
trou
trou inventivo,
inventivo, aa verdade
verdade é é que
que sese preocupou
preocupou pouco pouco com com aa perfeição
perfeição do do seu
seu
vocabulário. Sem enumerar os tipos de dificuldades
vocabulário. Sem enumerar os tipos de dificuldades que se encontram, po- que se encontram, po-
demos limitar-nos a dizer que com a terminologia
demos limitar-nosa dizer que com a terminologia analítica acontece o mes- analítica acontece o mes-
momo que
que comcom muitas
muitas outras
outras linguagens:
linguagens: são são frequentes
frequentes aa polissemia
polissemia ee as as so-
so-
breposições semânticas;nem
breposições semânticas; nemsempre
semprepalavras
palavrasdiversas
diversasinvocam
invocamidéias ideiasmuito
muito
diferentes.
diferentes.
Lutamos
Lutamos então então com com as as palavras,
palavras, mas mas não não pelas
pelas palavras.
palavras. Por Por trás
trás dasdas
palavras,
palavras, éé preciso
preciso encontrar
encontrar fatos,fatos, ideias,
idéias, aa organização
organização conceituai
conceitual da da psi-
psi-
canálise. Tarefaque
canálise. Tarefa quetanto
tantoaalonga
longaeefértil
fértilevolução
evoluçãododopensamento
pensamentodedeFreud Freud
como
como aa vastidão
vastidão de de umauma literatura
literatura cujoscujos títulos enchem jájá nove
títulos enchem nove volumes
volumes
dada bibliografia
bibliografia de de Grinstein
Grinstein tornam
tornam laboriosa.
laboriosa. Além Além disso,disso, como como asas idéias,
ideias,
as palavras não se limitam a nascer, elas têm
as palavras não se limitam a nascer, elas têm um destino; algumas caem um destino; algumas caem
em desuso ou são menos utilizadas, cedendo a
em desuso ou são menos utilizadas, cedendo a sua frequência a outras que sua frequência a outras que
correspondem a novas orientações da investigação
correspondem a novas orientações da investigação e da teoria. No entanto, e da teoria. No entanto,
oo essencial
essencial da da terminologia freudiana resistiu
terminologia freudiana resistiu ao ao tempo;
tempo; as as inovações,
inovações, aliás aliás
pouco
pouco numerosas,
numerosas, implantaram-se
implantaram-se nela nela semsem lhe lhe alterar
alterar aa organização
organização ee aa
tonalidade.
tonalidade. Logo,
Logo, um um vocabulário
vocabulário não não podepode limitar-se
limitar-se aa definições
definições que que dis-
dis-
tingam
tingam os os diversos
diversos sentidos
sentidos de que os
de que os termos
termos psicanalíticos
psicanalíticos se se puderam
puderam re- re-
vestir; é preciso um comentário apoiado em referências
vestir; é preciso um comentário apoiado em referências e citações que jus- e citações que jus-
tifiquem
tifiquem as as propostas
propostas apresentadas.
apresentadas. Esse comentárioimplica
Esse comentário implica uma uma extensa
extensa
consulta da literatura, mas sobretudo o conhecimento
consulta da literatura, mas sobretudo o conhecimento dos escntos freudia- dos escritos freudia-
nos,
nos, já que éé exatamente
já que exatamente nos escritos freudianos
nos escritos freudianos que que sese encontram
encontram as as ba-
ba-
ses da conceituação e da terminologia, e visto que
ses da conceituação e da terminologia, e visto que as dimensões da literatu- as dimensões da literatu-
ra desafiam as
ra desafiam as possibilidades
possibilidades de de umum investigador
investigador isolado isolado ou ou de de uma equipe
uma equipe
pouco
pouco numerosa.
numerosa. Depois,Depois, tal tal vocabulário
vocabulário não nãopodepode assentar
assentar apenasapenas nana eru- eru-
dição, exige
dição, exige especialistas
especialistas familiarizados
familianzados com com aa experiência
experiência psicanalítica.
psicanalítica.No No
entanto, uma
entanto, uma orientação
ortentação para para além
alémdas daspalavras,
palavras,dingida
dirigidaaos aosfatos
fatoseeàsàsidéias,
ideias,
não nos
não deve levar
nos deve levar aa cair
cair num dicionário dede conhecimentos.
num dicionário conhecimentos. Finalmente, Finalmente,
trata-se de recensear acepções, de esclarecê-las
trata-se de recensear acepções, de esclarecê-las umas através das umas através das outras,
outras,
de lhes assinalar as dificuldades sem pretender decidir, inovando pouco —
de lhes assinalar as dificuldades sem pretender decidir, inovando pouco —
por exemplo, para
por exemplo, para propor traduções mais
propor traduções mais fiéis.
fiéis. O O método
métodoconveniente
convenienteé éan-an-
tes
tes de
de mais
mais nada
nada histórico-crítico,
histórico-crítico, como Vocabulairetechnique
como oododo Vocabulaire techniqueetetcriti- criti-
VI
VI que
que de
de la
la philosopkie,
philosophie, de
de André
André Lalande.
Lalande. Eram
Eram estas
estas asas intenções
intenções iniciais
iniciais
PREFÁCIO

quando,
quando, por por volta
volta dede 1937-1939,
1937-1939, se se c omeçou aa executar
começou executar Oo projeto
projeto dede um um
vocabulário
vocabulário da da psicanálise.
psicanálise.OsOsdados dadosrecolhidos
recolhidosperderam-se;
perderam-se;asascircuns- circuns-
tâncias, outrastarefas,
tâncias, outras tarefas, aaausência
ausênciadede documentação,
documentação, condenaram
condenaram ooprojeto projeto
ao
ao adormecimento, senão ao abandono, adormecimento incompleto na me-
adormecimento, senão ao abandono, adormecimento incompleto na me-
dida
dida emem que
que as as preocupações
preocupações terminológicas
terminológicas não nãoestiveram
estiveram ausentes
ausentes dededi-di-
versos
versos trabalhos.
trabalhos. O O despertar
despertar só se consumou
só se consumou em em 1958, sempre no
1958, sempre no espírito
espírito
histórico-crítico do Vocabulaire de la philosophie, de
histórico-crítico do Vocabulaire de la philosophre, de Lalande, embora com Lalande, embora com
diferentes modalidades.
diferentes modalidades.
Depois
Depois de de alguma
alguma tentativas,
tentativas, as as necessidades
necessidades da da tarefa
tarefa ee oo desejo
desejo de de
atingir
atingir o fim encontraram
o fim encontraram uma uma resposta
respostana na colaboração
colaboração de de J.J. Laplanche
Laplanche ee
de
de J.-B.
J.-B. Pontalis.
Pontalis. A À consulta
consulta da da literatura
hteratura psicanalítica
psicanalítica ee aa reflexão
reflexão sobresobre
os
os textos,
textos, aa redação
redação dos dos projetos
projetos de de artigos,
artigos, aa revisão desses projetos
revisão desses projetos ee 6 o
seu
seu acabamento
acabamento exigiram
exigiram deles deles perto
perto de oito anos
de oito anos dede trabalho,
trabalho, trabalho
trabalho fe- fe-
cundo,
cundo, decerto,
decerto, mas mas t ambém avassalador
também avassalador ee por por vezes
vezes fastidioso.
fastidioso. ÀA maior maior
parte dos projetos de artigos foram lidos e discutidos
parte dos projetos de artigos foram lidos e discutidos entre nós, e guardo entre nós, e guardo
vivas
vivas recordações
recordações da da animação
animação daquelas
daquelas conversas durante as
conversas durante quais o
as quais bom
o bom
entendimento
entendimento não não temia
temia as as divergências
divergências de de pontos
pontos de de vista
vista ee emem nada pre-
nada pre-
judicava
judicava um um rigor
rigor sem
sem concessões.
concessões. Sem Sem oo esforço
esforço de de “pioneiros”
"pioneiros" como como La- La-
planche
planche ee Pontalis,
Pontalis, oo projeto
projeto concebido
concebido há vinte anos
há vinte anos não
não sese teria
teria transfor-
transfor-
mado
mado neste
neste livro.
livro.
No decurso destes
No decurso destes anosanos dede labor, sobretudo dos
labor, sobretudo dos últimos,
últimos, aa onentação
orientação
da obra
da obra não deixou de
não deixou de sofrer
sofrer alterações,
alterações, oo que que éé sinal
sinal não
não dede fraqueza,
fraqueza, mas mas
de vitalidade.
de vitalidade. Foi assim que
Foi assim que Laplanche
Laplanche ee Pontalis
Pontalis centraram
centraram cada cada vezvez mais
mais
as suas
as suas pesquisas
pesquisas ee aa sua sua reflexão
reflexão nos escritos freudianos,
nos escritos recorrendo
freudianos, recorrendo
naturalmente aos primeiros textos psicanalíticos
. naturalmente aos primeiros textos psicanalíticos e ao Projeto para e ao Projeto para uma uma
psicologia científica
psicologia científica de 1895, que acabava de ser publicado. O fato de se de se
de 1895, que acabava de ser publicado. O fato
ter conferido aa maior
ter conferido maior importância
importância ao ao nascimento
nascimento das das idéias
ideias ee dos dos termos
termos
não diminuiu, porém,
não diminulu, porém, aapreocupação
preocupaçãocom comooseu seudestino
destinoeecom comooseu seualcan-
alcan-
ce. OO Vocabulário
ce. Vocabulário da psicanálise da psicanálise
apresenta assim aapresenta marca pessoalassim ademarca La- pessoal de La-
planche
planche ee de de Pontalis,
Pontalis, semsem trair
trair os
os princípios
princípios que que inspiravam
inspiravam ooprojeto projeto ini-
ini-
cial da
cial da obra.
obra.
A sua
À sua finalidade
finalidade foi foi ee continua
continua sendo
sendo aa dede preencher
preencher uma lacuna, satis-
uma lacuna, satis-
fazer uma necessidade
fazer uma necessidade por por nós sentida, por
nós sentida, por outros
outros reconhecida
reconhecida ee raramen-raramen-
te negligenciada.
te Deseja-se que
negligenciada. Deseja-se que seja útil,queque
seja útil, se se torneumuminstrumento
torne instrumento de de
trabalho para os pesquisadores e para os estudantes
trabalho para os pesquisadores e para os estudantes de psicanálise, tal de psicanálise, tal
como para
como outros especialistas
para outros especialistas ou ou para
para osos curiosos.
curiosos. PorPor mais trabalho ee cons-
mais trabalho cons-
ciência que
ciência que tenhamos
tenhamos posto posto na sua elaboração,
na sua elaboração, os os leitores
leitores informados,
informados,aten- aten-
tos ee exigentes
tos exigentes por por certo
certo descobrirão
descobrirão nele lacunas, erros
nele lacunas, erros de de fato
fato ou ou dede
interpretação;
interpretação; se se esses
esses leitores
leitores nosnos comunicarem
comunicarem suas suas críticas,
críticas, elas elas não
nãosese
perderão, antes serão
perderão, antes serão acolhidas
acolhidas calorosamente
calorosamente ee estudadas
estudadas com com interesse.
interesse.
Por outro
Por outro jado,
lado, oo objeto,
objeto, oo conteúdo
conteúdoeeaaforma Vocabulário
formadodo Vocabulário parecem não parecem não
impedir sua
impedir sua tradução
tradução para para outras
outras línguas.
línguas.Observações,
Observações,criticas,
críticas,traduções
traduções
irão responder
irão responder aa uma uma segunda
segunda ambição:
ambição: aa de de que Vocabulário
que oo Vocabulário da psica- da psica-
nálise
nálise seja seja
não nãoapenas apenas um "instrumento
um “instrumento de trabalho",
de trabalho”, mas mas também tambum ém um
"documento de
“documento de trabalho”.
trabalho".
VI
D.L.
D. L.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO

OO presente trabalho incide


presente trabalho incide sobre
sobre osos principais conceitos da
principais conceitos da psicanálise
psicanálise
ee implica um certo número
implica um certo número de opções: de opções:
1?
1º NaNa medida
medida em em queque aa psicanálise renovou aa compreensão
psicanálise renovou compreensão dada maio- maio-
ria dos ffenômenos
na dos enómenos psicológicos
psicológicose epsicopatológicos,
psicopatológicos,e mesmo e mesmoa do a dohomem
homem
emem geral,
geral, seria
seria possível,
possível, num num manual
manual alfabético
alfabéticoque quesesepropusesse
propusesseabarcarabarcar
oo conjunto
conjunto das das contribuições
contribuições psicanalíticas,
psicanalíticas, tratartratar não
não apenas
apenas dada libido
libido ee
dada transferência,
transferência, mas do amor
amor ee do sonho, da da delinquência
delinquência ou ou do surrealis-
———— . — —

mas do do sonho, do surrealis-


mo.
mo. A À nossa
nossa intenção
intenção foi completamente diferente:
foi completamente diferente: preferimos deliberada-
preferimos deliberada-
mente
mente analisar
analisar o o aparelho
aparelho nocional
nocional da da psicanálise,
psicanálise, isto isto é,é, oo conjunto
conjunto dos dos
conceitos por ela progressivamente elaborados para
conceitos por ela progressivamente elaborados para traduzir as suas des- traduzir as suas des-
cobertas.
cobertas. O que este
O que Vocabulário
este Vocabulário visa não évisa tudonãoo que
é tudo o que a psicanálise
a psicanálise preten- preten-
de explicar, mas aquilo de que ela se serve
de explicar, mas aquilo de que ela se serve para explicar. para explicar.
2?
2? A À psicanálise nasceu háhá quase
psicanálise nasceu quasetrês
trêsquartos
quartosdedeséculo.
século.OO“movimen-
"movimen-
to" psicanalítico conheceu uma história longa e
to” psicanalítico conheceu uma história longa e tormentosa, criaram-se tormentosa, criaram-se
grupos de analistas
analistas em em numerosos
numerosos países, onde aadiversidade
diversidade dos dosfatores
fatores
“E -—————— 0

grupos de países, onde


culturais
culturais nãonão podia deixar de
podia deixar de repercutir
repercutir nas nas próprias concepções. Em
próprias concepções. Em vez vez
de
de recensear
recensear aa multiplicidade,
multiplicidade, pelo pelo menos aparente, das
menos aparente, das acepções diversas
acepções diversas
através
através do dotempo
tempoeedodoespaço,
espaço,preferimos
preferimosretomar
retomarnanasuasuaoriginalidade
originalidadepró- pró-
pria
pna asas noções
noções às às vezes
vezes jájá insípidas
insípidas eeobscurecidas,
obscurecidas, ee atribuir
atribuir porpor esse
esse fato
fato
uma
uma importância privilegiada aoao momento
importância privilegiada momento dada sua sua descoberta.
descoberta.
3? Este preconceito levou-nos a nos referirmos,
32 Este preconceito levou-nos a nos referirmos, quanto quanto ao essencial,
ao essencial,
àà obra
obra primordial de Sigmund Freud. Uma pesquisa,
primordial de Sigmund Freud. Uma pesquisa, mesmo parcial, leva- mesmo parcial, leva-
da a efeito através da massa imponente da literatura
da a efeito através da massa imponente da literatura psicanalítica só con- psicanalítica só con-
tribui para verificar at
é que ponto a grande maioria
tribui para venficar até que ponto a grande maioria dos conceitos por ela dos conceitos por ela
utilizados encontra a sua origem nos escritos freudianos.
utilizados encontra a sua origem nos escritos freudianos. Também neste T am bém neste
sentido nosso Vocabulário
sentido oo nosso Vocabulário se distingue se distingue de um empreendimento
de um empreendimento de inten- de inten-
ções enciclopédicas.
ções enciclopédicas.
Esta mesma preocupação
Esta mesma preocupação de de reencontrar
reencontrar as as fundamentais contribuições
fundamentais contribuições
conceituais
conceituais implica tomarmos em
implica tomarmos em consideração
consideração outrosoutros autores
autores alémalém de de
Freud. Foi
Freud. Foi assim
assim que,
que, para citarmos apenas
para citarmos apenas um exemplo, apresentamos
um exemplo, apresentamos um um
certo
certo número
número de de conceitos
conceitos introduzidos
introduzidos por por Melanie
Melanie Klein.
Klein.
4?
4º No No campo
campo da da psicopatologia,
psicopatologia, aa nossa escolha guiou-se
nossa escolha guiou-se por por três
três
princípios:
princípios:
a) Definir
a) Definir os os termos criados pela
termos criados pela psicanálise,
psicanálise, quer querOoseu seuusousosesetenha
tenhacon-con-
servado (ex.:
servado neurose dede angústia),
(ex.: neurose angústia), quer não quer (ex.: histeria
nãohisteria
(ex.: de retenção)', I&
de retenção);
VOCABULÁRIODA
VOCABULÁRIO DAPSICANÁLISE
PSICANÁLISE
b)
b) Definir
Definir os os termos
termos utilizados
utilizados pela
pela psicanálise numa acepção
psicanálise numa acepção queque difere
difere
ou
ou já diferiu da
já diferiu da acepção
acepção psiquiátrica geralmente admitida
psiquiátrica geralmente admitida (ex.: paranóia,
(ex.:paranóia,
parafrenia);
parafrenia);
c)c) Definir
Definir osos termos
termos que
que têm
têm exatamente
exatamente aa mesma
mesma acepção em psicanálise
acepção em psicanálise
e€ na
na clínica psiquiátrica, mas que possuem um valor axial nananosografia
clínica psiquiátrica, mas que possuem um valor axial nosografia
analítica; por exemplo: neurose, psicose, perversão. De fato fazíamos
analítica; por exemplo: neurose, Psicose, perversão. De fato fazíamos ques- ques-
tão de fornecer,
tão de fornecer, pelo
pelo menos,
menos, balizas
balizas para
para oo leitor
leitor pouco familiarizado
pouco fainiliarizado
com aa clínica.
com clínica.

*
x

Os artigos são
Osartigos são apresentados
apresentados por por ordem
ordem alfabética. Para acentuar
alfabética. Para acentuar asas re- re-
lações existentes entre os diferentes conceitos, recorremos
lações existentes entre os diferentes conceitos, recorremos a duas conven- a duas conven-
ções: expressão ver
ções: aa expressão ver este
este termo significa que
termo significa que oo problema
problema encarado
encarado éé igual-
igual-
mente
mente abordado ou tratado, às vezes de maneira mais completa, no
abordado ou tratado, às vezes de maneira mais completa, artigo
no artigo
para
para que que sese remete;
remete; o o asterisco
asterisco * * indica
indica simplesmente
simplesmente que que o o termo
termo aa queque
está aposto éé definido
está aposto definido no Vocabulário.
no Vocabulário. Gostaríamos Gostaríamos assim deo convidar
assim de convidar lei- o lei-
tor
tor aa estabelecer
estabelecer por por sisi mesmo relações significativas
mesmorelações sigmficativas entre
entre as as noções
noções ee aa
orientar-se
onientar-se nas nas redes
redes de de associações
associações da linguagem psicanalítica.
da linguagem Pensamos
psicanalítica. Pensamos
ter
ter evitado
evitado assim
assim umauma dupla
dupla dificuldade:
dificuldade: oo arbítrio
arbítrio aa que
que uma
uma classificação
classificação
puramente
puramente alfabética
alfabética poderia
poderia conduzir
conduzir ee oo obstáculo,
obstáculo, mais mais frequente,
frequente, dodo
dogmatismo ligado aos enunciados de feição hipotético-dedutiva:
dogmatismo ligado aos enunciados de feição hipotético-dedutiva: Deseja- Deseja-
mos que possam assim surgir séries, relações internas,
mos que possam assim surgir séries, relações internas, “pontos nodais” "pontos nodais"
diferentes
diferentes daqueles
daqueles em que se
em que se baseiam
baseiam as as apresentações
apresentações sistemáticas
sistemáticas da da
doutrina freudiana.
doutrina freudiana.
Cada
Cada termo
termo éé objeto
objeto de de uma
uma definição
definição ee de um comentário.
de um comentário. ÀAdefiniçãodefinição
tenta condensar aa acepção
tenta condensar acepção do do conceito,
conceito, tal tal como
como ressalta
ressalta do do seu
seu uso
uso rigoro-
rigoro-
so na
so na teoria
teoria psicanalítica. comentário
psicanalítica. OOcomentário representa representa a partee essen-
a parte crítica crítica e essen-
cial
cial dodo nosso estudo. OO método
nosso estudo. método que que aqui
aqui utilizamos
utilizamos poderia
poderia ser ser definido
definido
por
por trêstrês palavras:
palavras: história,
história, estrutura
estrutura ee problemática. História:sem
problemática. História: sem nos nos
restringirmos
restningirmos aa uma uma ordemordem de de apresentação rigorosamente cronológica,
apresentação rigorosamente cronológica,
quisemos
quisemos indicarindicar para cada um
para cada um dosdos conceitos
conceitos as suas origens
as suas origens ee as as princi-
princi-
pais fases da sua evolução. Tal demanda das origens
pais fases da sua evolução. Tal demanda das ongens não tem, em nosso não tem, em nosso
entender, um interesse de simples erudição: é impressionante
entender, um interesse de simples erudição: é impressionante ver os con- ver os con-
ceitos fundamentais esclarecerem-se, reencontrarem
ceitos fundamentais esclarecerem-se, reencontrarem as suas arestas vivas, as suas arestas vivas,
os
os seus
seus contornos,
contornos, as as suas
suas recíprocas articulações,quando
recíprocas articulações, quandoososconfrontamos
confrontamos
de novo com as experiências que lhes deram
de novo com as experiências que lhes deram origem, com os problemasorigem, com os problemas
que
que demarcaram
demarcaram ee infletiram
infletiram aa sua evolução.
sua evolução.
Esta
Esta investigação
investigação histórica, embora apresentada
histórica, embora apresentada isoladamente
isoladamente para para cada
cada
conceito,
conceito, remete
remete evidentemente
evidentemente para para aa história do conjunto
história do conjunto do do pensamen-
pensamen-
toto psicanalítico.
psicanalítico. Não Não pode
pode pois
poisdeixar
deixar dedeconsiderar
considerar aasituação
situaçãodededetermi-
determi-
nado
nado elemento
elemento relativamente
relativamente à à estrutura
estrutura em que se
em que se situa. Por vezes,
situa. Por vezes, pare-
pare-
ce
ce fácil descobrir esta
fácil descobrir esta função,
função, pois
pois éé explicitamente
explicitamente reconhecida
reconhecida na na litera-
litera-
tura
tura psicanalítica.
psicanalítica. Mas, Mas,frequentemente,
frequentemente, asascorrespondências,
correspondências,asasoposições,
oposições,
as relações, por mais indispensáveis que sejam para
as relações, por mais indispensáveis que sejam para a apreensão de um a apreensão de umcon-
con-
XX ceito na
ceito sua originalidade,
na sua originalidade, são são apenas
apenas implícitas; para citar
implícitas; para citar exemplos
exemplos parti-
parti-
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO

cularmente
cularmente eloquentes,
eloquentes, aa oposição
oposição entre
entre "pulsão"
“pulsão” ee "instinto",
“instinto”, necessária
necessária
para a compreensão da teoria psicanalítica,
para a compreensão da teoria psicanalítica, em nenhum lugar em nenhum lugar ééformulada
formulada
por
por Freud: a oposição entre “escolha por apoio” de objeto (ou anaclítica) ee
Freud: a oposição entre "escolha por apoio" de objeto (ou anaclítica)
"escolha
“escolha narcísica
narcísica de de objeto”,
objeto", embora
embora retomada
retomada pela pela maior
maior parte
parte dos
dosauto-
auto-
res, nem sempre é relacionada com aquilo que em
res, nem sempre é relacionada com aquilo que em Freud a esclarece: o Freud a esclarece: o
"apoio"
“apoio” ou ou "anáclise"
“anáclise” das das “pulsões
"pulsões sexuais”
sexuais" sobresobre asas funções
funções dede “auto-
"auto-
| conservação";
conservação”: aa articulação
articulação entre "narcisismo" ee “auto-erotismo”,
entre “narcisismo” "auto-erotismo", sem sem aa
| qual
qual nãonão se
se pode situar estas
podesituar estas duas
duas noções, perdeu rapidamente
noções, perdeu rapidamente aa suasua primi-
primi-
tiva
tiva nitidez,
nitidez, ee isto
isto at
é no
até no próprio Freud. Por
próprio Freud. Por fim,
fim, certos
certos fenômenos
fenómenosestrutu-
estrutu-
rais
rais são
são muito
muito mais desconcertantes: não
mais desconcertantes: não éé raro que na
raro que na teoria
teoria psicanalítica
psicanalítica
k aa função
função de de determinados
determinados conceitos
conceitos ouou grupos
grupos de de conceitos
conceitos se se ache,
ache, numa
numa
| fase posterior, transferida para outros elementos do sistema. Só uma inter-
fase posterior, transferida para outros elementos do sistema. Só uma inter-
pretação
pretação nosnos pode
pode permitir
permitir reencontrar,
reencontrar, através
atravésdedetais taispermutas,
permutas,certas
certases-es-
truturas
truturas permanentes
permanentes do do pensamento
pensamento ee da da experiência
experiência psicanalíticos.
psicanalíticos.
OO nosso comentário tentou, a propósito
nosso comentário tentou, a propósito das dasnoções
noçõesprincipais
principaisque que1aia
encontrando,
encontrando, dissipar ou, pelo menos, esclarecer as suas ambigúidades ee
dissipar ou, pelo menos, esclarecer as suas ambiguidades
explicitar
explicitar eventualmente
eventualmente as as suas
suas contradições;
contradições; éé raro que estas
raro que estas não desem-
não desem-
boquem
boquem numanuma problemática suscetíveldedeser
problemática suscetível serreencontrada
reencontradaaoaonível níveldadapró-
pró-
pria experiência.
pria experiência.
De
De uma
uma perspectiva
perspectiva maismais modesta,
modesta, esta discussão permitiu-nos
esta discussão permitiu-nos pôr
pôr emem
evidência
evidência um um certo
certo número
número de de dificuldades
dificuldades propriamente
propriamente terminológicas
terminológicas
ee apresentar
apresentar algumas
algumas propostas destinadas aa estabelecer
propostas destinadas estabelecer aa terminologia
terminologia de de
língua francesa, aa qual
língua francesa, qual éé ainda
ainda com
com muita
muita frequência
frequência pouco
pouco coerente.
coerente.
*
*

No
No início de cada
início de cada artigo,
artigo, indicamos equivalentesem
indicamosososequivalentes emlíngua
línguaalemã (D.),
alemã(D.),
inglesa (En.),
inglesa (Es), italiana
espanhola (Es),
(En.), espanhola (I.) ee portuguesa
italiana (1) portuguesa (1).
(1).
As
As notas
notas ee referências
referências vão vão colocadas
colocadas no no fim de cada
fim de Às notas
artigo. As
cada artigo. notas
são
são indicadas
indicadas por
por letras
letras gregas, as referências
gregas, ee as referências por
por números.
números.
As
Às passagens
passagens citadas foram traduzidas
citadas foram traduzidas (2)(2) pelos
pelos autores
autores bem como os
bem como os
títulos das obras
títulos das obras aa que
que sese faz
faz referência
referência nono decorrer
decorrer do
do texto.
texto. [Na
[Na edição
edição
brasileira,
brasileira, procuramos
procuramoscitarcitar as
as obras de Freud
obras de Freud com os títulosque
com ostitulos que elas
elas rece-
rece-
beram na Edição Standard brasileira quando não havia conflito
beram na Edição Standard brasileira quando não havia conflito com a tra- com a tra-
dução proposta pelos autores.]
dução proposta pelos autores.]

J.JL
L. eJ.-B.P.
e J.-B. P.

1. Na
1. Na nossa
nossa tradução, substituímosevidentemente
tradução, substituímos evidentementeooequivalente
equivalenteportuguês
portuguêspela
pelaexpres-
expres-
são francesa (F.).
são francesa Aliás,manteve-se
(F.). Aliás, manteve-seememgeral
gerala aterminologia
terminologiaportuguesa
portuguesaproposta
propostapela
pelaedição
edição
original; apenas,
original; apenas, normalmente
normalmente por virtude de
por virtude de discrepâncias
discrepânciasentreentreaalinguagem
linguagem psicanalítica
psicanalítica
utilizada
utilizada em Portugal ee no
em Portugal no Brasil
Brasil [ver
[ver "Nota
“Nota do editor para
do editor para aa edição
edição brasileira"], se modifi-
brasileira''], se modifi-
caram
caram ou se acrescentaram
ou se acrescentaram algumas
algumas variantes,
variantes, por sugestões do
por sugestões do tradutor,
tradutor, que
que tiveram
tiveram oo acordo
acordo
do
do psicanalista
psicanalista Dr.
Dr. João dos Santos,
João dos cuja gentil
Santos, cuja gentil colaboração
colaboração vivamente agradecemos. (N.
vivamente agradecemos. T.)
(N. T.)
2. Dessa
Dessa tradução
tradução francesa resultou logicamente
logicamente aa versão portuguesa queque propomos.
propomos.
(NT)
NT.)
2. francesa resultou versão portuguesa
XI
XI
!
i

i
NOTA
NOTA DO EDITOR PARA
DO EDITOR PARA AA EDIÇÃO
EDIÇÃO BRASILEIRA
BRASILEIRA

b AA atual
atual edição
edição éé aa primeira
primeira versão
versão brasileira daquele texto
brasileira daquele texto revisto
revisto ee
adaptado
adaptado àà linguagem
linguagem do do país
país eeààterminologia
terminologia psicanalítica
psicanalíticaconsagrada
consagradaen-en-
tre
tre nós.
nós. NaNa adaptação
adaptação brasileira
brasileira aa terminologia
terminologia proposta
proposta pelo
pelo tradutor
tradutor só só
foi
foi alterada
alterada em função de
em função de uso consagrado ee unívoco
uso consagrado unívoco dosdos termos.
termos. Procura-
Procura-
mos
mos sempre consultar as
sempre consultar as traduções
traduções brasileiras
brasileiras existentes,
existentes, dando especial
dando especial
atenção
atenção às às obras
obras de Freud. No
de Freud. No caso
caso dada existência
existência dede vários termos dedeuso
vários termos uso
corrente para o mesmo conceito lançamos mão da remissão.
corrente para o mesmo conceito lançamos mão da remissão. Usamos tam- Usamos tam-
bém
bém esseesse recurso
recurso nono caso
caso de
de conflito
conflito entre os termos
entre os termos usuais
usuais ee aqueles pelos
aqueles pelos
quais o rigor conceituai e a fidelidade ao pensamento
quais o rigor conceitual e a fidelidade ao pensamento freudiano nos freudiano nos
levaram
levaram aa optar.
optar. Sempre,
Sempre, no no entanto,
entanto, aa fundamentação
fundamentação teórica apresenta-
teórica apresenta-
da
da pelos autores para
pelos autores para aa tradução
tradução dos conceitos de
dos conceitos de Freud
Freud teve
teve — evidente-
— evidente-
mente
mente — peso determinante
— peso determinante nas nas decisões
decisões sobre
sobre aa fixação
fixação dada terminologia
terminologia
psicanalítica proposta nesta
psicanalítica proposta nesta versão
versão dodo vocabulário.
vocabulário.OsOsverbetes
verbetesacrescidos
acrescidos
nesta
nesta edição
edição brasileira
brasileira com
com aa única finalidade dede esclarecer
única finalidade esclarecer ambigiiidades
ambiguidades
de
de vocabulários apresentam-se sempre
vocabulários apresentam-se sempre entreentre colchetes.
colchetes.
AA revisão técnica foi realizada pelo Dr. Luiz
revisão técnica foi realizada pelo Dr. Luiz Carlos Carlos Menezes,
Menezes, que que con-
con-
tou t
a m bém com a colaboração dos seguintes especialistas
tou também com a colaboração dos seguintes especialistas (tradutores e psi- (tradutores e psi-
à canalistas), consultados a propósito de alguns verbetes: Paulo
canalistas), consultados a propósito de alguns verbetes: Paulo Sérgio Roua- Sérgio Roua-
net (a quem
net (a quem devemos
devemos aa sugestão
sugestão do do uso
uso de
de "a
“a posteriori'' como equivalente
posteriori” como equivalente
de Nachtràglichkeit), Paulo
de Nachtrâplithkeit), CésarSouza,
Paulo César Souza, Cláudia
CláudiaBerliner,
Berliner,Miriam
MiriamSchnai-
Schnai-
derman,
derman, Manoel Berlinck, Renato
Manoel Berlinck, Renato Mezan
Mezan ee Ricardo
Ricardo Goldenberg,
Goldenberg, aa quemquem
agradecemos
agradecemos aa valiosavaliosa participação.
participação.

XII
I

i
AGRADECIMENTOS
AGRADECIMENTOS

Agradecemos
Agradecemos aa todos todos aqueles
aqueles que que exprimiram
exprimiram oo seu seu interesse
interesse porpor esta
esta
obra e contribuíram para a
obra e contribuíram para a sua elaboração. sua elaboração.
OO Vocabulaire allemand-anglais,reeditado
Vocabulaire allemand-anglais, reeditadoemem19431943por porAlix
AlixSTRACHEY,
STRACHEY,
foi
foi para nós, desde longa data, um instrumento de trabalho dos mais úteis,
para nós, desde longa data, um instrumento de trabalho dos mais úteis,
embora
embora escasso.
escasso. Mas Mas comocomo havemos
havemos de de prestar
prestar homenagem
homenagem àà Standard Standard
Edition
Edition of of the
the Complete
Complete Psychological
Psychological Works Works ofof Sigmund
Sigmund Freud,Freud, traduzi-
traduzi-
da
da ee publicada
publicada sob sob aa direção
direção do do Prof.
Prof. James STRACHEY, ee com
James STRACHEY, com aa colabora-
colabora-
ção
cão de de Anna FREUD ee aa assistência
Anna FREUD assistência de de Alix STRACHEY ee Alan
Altx STRACHEY TYSON, senão
Alan TYSON, senão
afirmando
afirmandoo o interesse
interesse com com que que acolhemos
acolhemos cada cada um
um dosdos seus
seus volumes?
volumes? As Às
traduções
traduções ee anotações, aparato crítico,
anotações, oo aparato crítico, osos indices,
índices,fazem
fazemdessadessagrande
grandeobra obra
uma
uma incomparável
incomparável fonte fonte de de referências
referências parapara aa investigação.
investigação.
Quanto à escolha dos equivalentes estrangeiros, oo Vocabulário
Quanto à escolha dos equivalentes estrangeiros, Vocabulário da psica- da psica-
nálise beneficiou-se ainda do concurso
nálise beneficiou-se ainda do concurso do Dr. Angel GARMA, do Dr. Angel GARMA,do Dr.do Fidias
Dr. Fidias
R. CESTIO e da Dra. Maria LANGER para os equivalentes
R. CEsTIO e da Dra. Maria LANGERpara os equivalentes espanhóis; do espanhóis; do Dr.Dr.
Elvio FACHINELLI (Milão), tradutor italiano de Freud,
Elvio FACHINELLI (Milão), tradutor italiano de Freud, com a assistência de com a assistência de
Michel DAVID, leitor
Michel DAVID, leitor de
de francês
francês na na Universidade
Universidade de de Pádua,
Pádua, parapara osos equi-
equi-
valentes
valentes italianos;
italianos; da da Sra.
Sra. Elza
Elza RIBEIRO HAWELKA ee do
RIBEIRO HAWELKA do Dr.
Dr. Durval
Durval MAR-MAR-
CONDES para
CONDES para os Os equivalentes
equivalentes portugueses.
portugueses.
Do princípio ao
Doprincípio ao fim,
fim, aa Sra.
Sra. Elza
Elza RIBEIRO
RIBEIRO HAWELKA, colaboradora téc-
HAWELKA, colaboradora téc-
nica
nica da da Cadeira
Cadeira de de Psicologia
Psicologia Patológica
Patológica da da Faculté
Faculte desdes Lettres
Lettres etet Scien-
Scien-
ces
ces Humaines
Humaines de de Paris
Paris (Sorbonne),
(Sorbonne), foi foi uma
uma auxiliar
auxiliar dedicada,
dedicada, notável pela
notável pela
sua diligência, pelo seu cuidado e pela sua experiência
sua diligência, pelo seu cuidado e pela sua experiência de diversas línguas. de diversas línguas.
AÀ mesma
mesma dedicação
dedicação nos nos foi
foi testemunhada
testemunhada por por Françoise LAPLANCHE, desde
Françoise LAPLANCHE, desde
aa primavera de 1965, e, a partir de janeiro de 1966,
primavera de 1965, e, a partir de janeiro de 1966, por Evellyne CHATEL-por Évellyne CHATEL-
I E R , colaboradora
LLIER, colaboradora técnica
técnica do do Centre
Centre National
National dede lala Recherche
Recherche Scientifi-
Scientifi-
que,
que, agregada
agregada ao ao Laboratório
Laboratório de de Psicologia
Psicologia Patológica.
Patológica.
AÀ obra
obra recebeu
recebeu assim
assim oo apoioapoio direto
direto ee sobretudo
sobretudo indireto
indireto da da Faculte
Faculté
des
des Lettres
Lettres etet Sciences
Sciences Humaines
Humaines de de Paris
Paris (Sorbonne)
(Sorbonne) ee do do Centre
Centre Natio-
Natio-
nal
nal dede lala Recherche
Recherche Scientifique.
Scientifique.
Não
Não podemos
podemos esquecer
esquecer aa estimulante
estimulante acolhida
acolhida queque osos editores
editores da da Pres-
Pres-
ses
ses Universitaires
Universitaires de de France
France dispensaram
dispensaram desde desde 1959
1959 ao ao projeto
projeto de de umum Vo-Vo-
cabulário da psicanálise,
cabulário da psicanálise, boa acolhida que boanão
acolhida que nãoquando
se desmentiu se desmentiu
as dr- quando as di-
mensões
mensões da da obra
obra atingiram
atingiram quase quase oo dobro
dobro das
das previsões
previsões iniciais.
iniciais.

XV

e
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIBLIOGRÁFICAS
EE ABREVIATURAS
ABREVIATURAS

As
As referências
referências bibliográficas figuram
bibliográficas figuram no
nofim
fimdedecada
cadaartigo.
artigo.Segue-se
Segue-seaaexplica-
explica-
ção
ção das
das abreviaturas
abreviaturas utilizadas.
utilizadas.

I.I. -— OBRAS
OBRAS DE DE FREUD
FREUD
G.W.
G.W.... Gesammelte Werke, 18 vol., Londres, Imago,
... Gesammelte Werke, 18 vol., Londres, Imago, 1940-1952.
1940-1952.
S.E.
S.E....... TheThe Standard
Standard Edition
Edibon of of the
the Complete
Complete Psychological
Psychological Works
Works of of Sigmund
Sigmund
Freud,
Freud, ed. ed. porpor James STRACHEY, 24
James STRACHEY, 24 vol.,
vol., Londres,
Londres, Hogarth
Hogarth Press,Press,
1953-1966.
1953-1966.
No
No caso
caso particular
particular de de 1887-1902,
1887-1902, Aus Aus denden Anfângen
Anfàngender derPsychoanalyse,
Psychoanalyse,e dee de1895, 1895,
Entwur einer
Entwurf Psychologie:
einer Psychologie:
Al.
Al...... remete
remete para para Aus Aus den Anfàngen der
den Anfingen der Psychoanalyse,
Psychoanalyse,Briefe BriefeananWilhelm
Wilhelm
Fliess, Abhandlungenund
Flhess, Abhandiungen undNotizen
Notizenaus ausden
denJahren
Jahren1887-1902,
1887-1902,Londres,Londres,
Imago,
Imago, 1950;1950;
Ing.
Ing....... remete
remete para para The The Origins
Origins ofof Psychoanalysis, Londres, Imago,
Psychoanalysis, Londres, Imago, 1954.1954.
Fr. ...
Fr.... Como
Como não existe edição francesa de obras completas, tivemos de con-
não existe edição francesa de obras completas, tivemos de con-
tentar-nos com
tentar-nos com remeter
remeter para para asas traduções
traduções francesas
francesas existentes. Segue-
existentes. Segue-
sese aa respectiva
respectiva lista,
lista, com
com oo título
títulodos dosdiversos
diversosvolumes
volumesououdas dasrevistas
revistas
em
em que que figuram:
figuram:
[A
[A versão brasileira da
versão brasileira da S.E.
S.E. foifoi publicada
publicada por Imago, Rio
por Imago, Rio de de Janei-
Janei-
ro,
ro, com
com otítulo
títuloEdiçãoEdiçãoStandard
Standardbrasileira
brasileiradasdasobras
obraspsicológicas
psicológicascom- com-
pletas
pletas de de Sigmund
Sigmund Freud.] Freud.)
1887-1902 Aus
1887-1902 Aus den Anfàngen der
den Anfângen der Psychoanalyse
Psychoanalyse(La (Lanaissance
naissancededela lapsychoanalyse,
psychoanalyse,
lettres
lettres àà Wilhelm
Wilhelm Fliess, Fliess, notes etetplans),
notes plans), Pans,
Paris, P.U.F.,
P.U.F., 1956.
1956. [E.S.B.:
[E.S.B.:
Extratos dos documentos dirigidos a Fliess, vol.
Extratos dos documentos dirigidos a Fliess, vol. 1, p. 243 (N. E. Br.).]I, p. 243 (N. E. Br.).]
1893 Úberden
1893 Ober den psychischen psychischen Mechanismus
Mechanismus hysterischer
hysterischer Phiinomene, Phãnomene,
em col. com em col. com
BREUER (Les
J.J. BREUER (Les mécanismes
mécanismes psychiquespsychiques des phénomênes des phénomènes
hystériques),hystériques),
in in
Études
Études sur "hystérie,sur Vhystérie,
Paris, P.U.F.,Paris, 1956, P.U.F.,
pp. 1-13.1956, pp. 1-13.
[E.S.B.: o me- Sobre o me-
Sobre[E.S.B.:
canismo psíquico
canismo psíquico dos fenómenos
dos fenômenos histéricos:
histéricos: comunicação preliminar, vol. comunicação preliminar, vol.
II,
IN, p.p. 43
43 (N.
(N. E.E. Br.).]
Br.)
1895 Studien
1895 Studien úber úiber Hysteric Hysterie (Études
(Études sur Vhystérie),
sur V'hystérie), em col. com J. BREUER, em col. com J. BREUER,
Paris,
Paris, P.U.F.,
P.U.F., 1956. [E.S.B.: Estudos
1956. [E.S.B.: sobreaahisteria,
Estudos sobre histeria,vol.vol.II,II,pp.
pp.4343ss.ss.
(N.
(N. E. E. Br.).]
Br).
1895 Entwurf
1895 Enhyurfeiner einer Psychologie (Esquissed'une
Psychologie (Esquisse d'unepsychologie
psychologiescientifique),
scientifique), in La
im La
naissance
naissance de de lalapsychanalyse,
psychanalyse,lettres lettresà àWilhelm
WilhelmFhess,
Fliess,notes
notes et plans,
et plans, Pa-Pa-
ris, P.U.F., 1956,
ns, P.U.F., 1956,pp. pp.307-396.
307-396.[E.S.B.: Projetopara
[E.S.B.:Projeto parauma umapsicologia
psicologia cien-
cien-
tífica,
Hfica, vol. vol. I, p.I,381 p. 381
(N. (N. E. Br.).]
E. Br).
1900 Die
1900 Die Traumdeutung (La science
sciencedes desrêves),
rêves),ads
Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1950.
1950.[E.S.B.:
[E.S.B.:
Traumdeutung (La
AA interpretação
interpretação de de sonhos,
sonhos,vols.vols.IVIVe eV(N. V (N.E.E.Br).)
Br.).] XVII
XVI
VOCABULÁRIODA
VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
1901 Úber
1901 Uber den den Traum Traum (Le rêve
(Le réve et sonetinterprétation),
son interprétation), Paris, Gallimard,Paris, 1925.Gallimard, 1925.
[E.S.B.: Sobre osos sonhos,
[E.S.B.: Sobre sonhos,vol. vol.V,V,p.p.671 671(N.(N.E.E.Br).)
Br.).]
1901 Zur
1901 Zur Psychopathologie
Psychopathologie des desAlltagslebens
Alltagslebens(Psychopathologie
(Psychopathologie delavie
de la quoti-
vie quott-
dienne), Paris, Payot,
dienne), Paris, Payot, 1948. [E.S.B.: AA psicopatologia
1948. [E.S.B.: psicopatologiadadavida vidacotidiana,
cotidiana,
vol.
vol VI VI(N.(N. E. E. Br.)]
Br.)
1904 Die
1904 Freudschepsychoanalytische
Die Freudsche psychoanalytischeMethode Methode (La(La méthode
méthode psychanalytique psychanalytique
de de
Freud),
Freud), io Delalatechnique
in De techniquepsychanalytique,
psychanalytique,Pans, Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1953, 1953,pp.pp.
1-8.1-8.
[E.S.B.: O
[E.S.B.: O método
método psicanalítico psicanalítico
de Freud, vol. VII, de Freud,
p. 257 (N. vol. E.VII,Br))
p. 257 (N. E. Br.)]
1904 Úber
1904 Psychotherapie
Uber Psychotherapie (De la(De la psychothérapie),
psychothérapie), in De la technique psychanaly- in De la technique psychan
tique,
tique, Paris,
Paris, P.U.F.,
P.U.F., 1953,
1953, pp.pp. 9-22.
9-22. [E.S.B.: Sobre aa psicoterapia,
[E.S.B.: Sobre psicoterapia,vol. vol.
VII,
VII, p. p. 267
267 (N.(N. E.E. Br.).]
Br).
1905 Bruchstúck
1905 einer Hysterie-Analyse
Bruchstâck einer Hysterie-Analyse (Fragment(Fragment
d'une analyse d'uned'hystérie:
analyse d'hystérie
Dora),
Dora), inin CingCinqpeychanalyses,
psychanalyses,Paris, Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1954,
1954,pp.1:91.
pp. 1-91. [E.S.B.:
[E.S.B.: Frag-
Frag-
mento
mento da da análise
análise de umde umdecaso
caso de histeria,
histeria, vol. VII, vol.p.VII,
5 (N. p. E.5 (N. E. Br.).]
Br.).]
1905 Drei Abhandlungen
1905 Drei Abhandlungen zur zur Sexualthegrie
Sexualtheorie(Trois (Troisessais
essaissursurla lathéorie
théorie de la se-de la se-
xualitê), Paris, Gallimard,
xualité), Paris, Gallimard, col. col. “Idées”,
"Idées",1962. 1962.[E.S.B.:
[E.S.B.:Três Trêsensaios
ensaiosso-so-
bre
bre aa teoria
teoriadadasexualidade,
sexualidade,vol.vol.VII, VII,p.p.129129(N.E.
(N.E.Br.).]
Br.).]
1905 Der
1905 Der WitzWitz und seine Beziehung
und seine Beziehungzum Unbewussten(Le(Lemo!
cum Unbewussten motd'esprt
despritetetsesses
rapports
rapports avec avecVinconscient),
Vinconscient),Paris, Paris,Gallimard,
Gallimard,1953. [E.S.B.:OsOschistes
1953.[E.S.B.: chistes
ee sua
sua relação
relação com como oinconsciente,
inconsciente,vol.vol.VUL VIII(N.(N.E. E.Br)]
Br.)]
1906 Tatbestandsdiagnostik
1906 Tatbestandsdiagnostik und undPsychoanalyse
Psychoanalyse(La(Lapsychanalyse
psychanalyse et Vétáblisse-
et Nétabtisse-
ment
ment des faits en
des faits en matigre
matière judiciaire
judiciaire por par une
une méthode
méthode diagnostique),
diagnostique), in in
Essais
Essats de de psychoanalyse appliquée,
psychoanalyse appliquée, Paris, Gallimard,
Paris, Gallimard, 1933, pp.1933, 43-58.pp. 43-58.
[E.S.B.:
[E.S.B.: 4 A psicanálise
psicanálise e a determinação
e a determinação dos fatos nos dosprocessos
fatos nosjurídicos,
processos jurídicos,
vol.
vol. IX,
IX, p.p. 105
105 (N. (N. E.É. Br.).]
Br).
1907 Der
1907 Der Wahn
Wahn und unddiedie Triume
Trâume in W. Jensens
in W. Jensens “Gradiva” "Gradiva"
(Délires et(Delires
réves dans et rêves dans
lala "Gradiva"
“Gradiva” de deJensen),
Jensen),Paris,
Paris,Gallimard,
Gallimard,1949. 1949.[E[E.S.B.: Delírios
.S.B.: Delírios e so- e so-
nhos
nhos na na “Gradiva”
"Gradiva"dedeJensen, Jensen,vol. vol.IX,IX,p.p.1717(N.(N.E.E.Br.).]
Br.).]
1907 Zwangshandlungen
1907 Zwangshandiungen und undReligionstibungen
Religionsúbungen (Actes obsédants et (Actes obsédants
exercices re- et exe
ligieux),
ligieux), in Uavenir d'une
in L'avenir d'uneillusion,
illusion, Paris,
Paris, Denoêl
Denoél&&Steele, Steele,1932,1932,pp.pp.
157-183. [E.S.B.: Atos
157-183. [E.S.B.: Atos obsessivos
obsessivos eepráticas
práticas religiosas,religiosas,
vol. IX,vol. p. 121IX, p. 121
(N.
(N. E.
E. Br.).]
Br.).]
1908 Der
1908 Der Dichter
Dichter und und des
das Phantasieren
Phantasieren(La (Lacréation
création lititrairelittéraire
el le rêve éveillo), et le rêve éveille
Essais de
inin Essais de psychanalyse
psychanalyseapbpliquée,
appliquée, Paris, Gallimard,
Paris, Gallimard, 1933, pp. 1933, 69-82.pp. 69-82.
[E.S.B.: Escritores
[E.S.B.: criativoseedevaneio,
Escritores criativos devaneio,vol. vol.[X,IX,p.p.149149(N.(N.E.E.Br.).)Br.).]
1909 Analyse der
1909 Analyse derPhobie
Phobre exneseinesfunfjãhrigen
fiinfjâhrigen Knaben Knaben(Analyse
(Analysed'une d'unephobie
phobied'un d'un
petit
petit garçon
garçon de cing deans:
cinqLeans:petitLe Hans),
petit Hans),
mw Cing Cinq psychanalyses,
in psychanalyses, Paris, Paris,
P.U.F.,
PU.F., 1954,1954, pp.pp. 93-198.
93-198. [E.S.B.: Análise
[E.S.B.: Análise de uma defobia
uma em fobiaumemmenino
um menino
de
de cinco anos,vol.
cinco anos, vol.X,X,p.p. 1515(N. (N.E.E.Br.).]
Br.).]
1909 Bemerkungen
1909 Bemerkungen úber úber eineneinen FaliZwangsnenrose
Fall von von Zwangsneurose (Remarques(Remarquessur un surcas un cas
de névrose
de névrose obsessionnelle:
obsesstonnelle: E hommeL'homme aux rats),aux rats),psychanalyses,
in Cing in Cinq psychanalyses,
Pa- Pa-
ris, P.U.F., 1954,
ns, P.U.F., 1954, pp.pp. 199-261.
199-261. [E .S.B.: Notas
[E.S.B.: sobre um
Notas sobre um casocasodedeneurose
neurose
obsessiva,
obsessiva, vol.vol. X,X, p.p. 159
159 (N.
(N. E.E. Br).)
Br.).]
1909 Úber
1909 Psychoanalyse,
Dder Psychoanalyse, reed.reed.
com com o títuloo título Cinq leçons
Cing leçons sur la psychanalyse,
sur la psychanalyse,
aa seguir Psychologiecollective
seguir aa Psychologie collectiveetetanalyse
analysedudumoi, moi,Paris,
Paris,Payot,
Payot,1950,1950,
pp.
pp. 117-177. [E.S.B.: Cinco
117-177. [E.S.B.: liçõesdedepsicanálise,
Cinco lições psicanálise, vol. XI, p. 13vol. (N.XI, p. 13 (N. E. Br.).]
E. Br.).]
1910 Beitrãge
1910 Beitrãge 2ur zur Psychologie
PsychologiedesdesLiebeslebens:
Liebeslebens: I. Úber
1. Uber einen besonderen
einen besonderen Typus Typus
der
der Objektwahl
Objektwahl beim beimManne
Manne(Contribution
(Contributionà laà lapsychologre
psychologie de ladelavie
vie amou-amou-
reuse:
reuse: 1I.D'un
D'untype typeporticulier
particulierdedechoixchoixobjectal
objectaichezchez Vhomme),
"homme), in R.F.P.,
in RFP,
1936,
1936, 9, 9, n?
nº 1, 1, pp.
pp. 2-10. [E .S.B.: Um
2:10. [E.S.B.: Um tipo especialdedeescolha
tipo especial escolhadedeobjeto objeto
feita pelos homens
feita pelos homens(Contribuições
(Contribuiçõesà psicologia
à psicologiado do amoramor D, 1),
vol.vol.
XI,XI, p. 149
p. 149
(N.
(N. E.
E. Br.).]
Br.).]
1910 Die
1910 Die zukúnftigen
zukiinftigen Chancen Chancen der psychoanalytischen Therapie (Perspectives
XVIII
XVvOI d'avenir
d'avenir de de lala Ihérapeutique
thérapeutique
der psychoanalytischen
analytique), analytique),
Therapie (Perspectives
in De la techniquein De lapsycranalytt-
technique psyóianaly
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS B IBLIOGRÁFICAS EEABREVIATURAS
BIBLIOGRÁFICAS ABREVIATURAS
que, Paris, P.U.F.,
que, Paris, P.U.F., 1953,
1953, pp. pp. 23-34.
23-34. [E[E.S.B.:
.S.B.: As As perspectivas
perspectivasfuturasfuturasdada
terapêutica psicanalítica,
terapêutica psicanalítica, vol. XI, p. vol. 127 XI,(N. p.
E. 127
Br). (N. E. Br.).]
1910
1910 Úber
Uber “wilde” "wilde"Psychoanalyse
Psychoanalyse (A propos (A propôs de la psychanalyse
de la psychanatyse dite “sauvagedite ”), "sauvage"),
mDela
in De la technique psychanalytique,Paris,
technique psychanalytique, Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1953,
1953,
pp.pp. 35-42.
35-42. [E.S.B.:
[E.S.B.:
Psicanálise
Psicanálise “silvestre”, "silvestre",
vol. XI, p.vol. 207XI,(N.p.E.207Br.)(N. E. Br.).]
1910
1910 Eine Kindheitserinnerungdes
Eine Kindheitserinnerung Leonardodada Vinci
des Leonardo Vinci(Un(Unsouvenir
souvenird'enfance
d'enfance
de Leonarddede Vinct),
de Léonard Vinci),Pans,
Paris,Gallimard,
Gallimard,1927. 1927.[E.S.B.: LeonardodadaVin-
[E.S.B.:Leonardo Vin-
cici ee uma
uma lembrança
lembrança da sua infância, da sua infância,
vol. XI, p. 59 vol. (N. E. XI,Br).
p. 59 (N. E. Br.).]
1910
1910 Úber
Uber den den Gegensinn
Gegensinn der derUrworieUrworte(Des(Dessenssens opposés
opposés dans les mots dans les mots
primitifs),
brimibifs), in in Essais
Essais de psychanalyseappliquée,
de psychanalyse appliquée, Paris, Gallimard,
Paris, Gallimard, 1933, 1933,
pp.
pp. 59-68.
59-68. [E.S.B.:
[E.S.B.: À A significação
significaçãoantitética
antitética das palavrasdas palavras
primitivas, primitivas,
vol. vol.
XI,
XI, p. p. 141
141 (N.
(N. E.E. Br.).]
Br).
1911
1911 Psychoanalytische Bemerkungenúber
Psychoanalytische Bemerkungen úber einen einen autobiographisch
autobiographisch beschriebe-beschriebe-
nen Fall
nen Fali von
vonParanota
Paranóia (Dementia (Dementia
paranoides) paranoides)
(Remarques (Remarques
bsychanalyti- psychanalyti-
ques sur
ques sur V'autobiwpraphie
Vautobiographied'un d'uncascasde de paranóia
paranoia (Dementia(Dementia
paranoides): paranoides):
Le Le
Président
Président Schreber), Schreber),
in Cing in Cinq psychanalyses,
psychanalyses, Pams, P.U.F., Paris, 1954,
P.U.F.,pp.1954, pp.
263-324. [E.S.B.: Notas
263-324. [E.S.B.: Notas psicanalíticas
psicanalíticas sobre um relato sobreautobiográfico
um relato autobiográfico
de de
um
um caso casodedeparanóia
paranóia (Dementia (Dementia paranoides),
paranoides), vol. XII, vol.p. 23XII,(N.p.E.23Br).(N. E. Br.).]
1911
1911 Die Handhabungder
Dre Handhabung der Traumdeutung
Traumdeutungininder derPsychoanalyse
Psychoanalyse(Le(Lemantement maniement
de
de l'interprétation
Vinterprélation des rêves en des rêves en psychanalyse),
psychanalyse), im De la technique in Depsycha-
la technique psycha-
nalytique,
nalytique, Panis,Paris, P.U.F.,
P.U.F., 1953, 1953, pp.pp. 43-49. [E.S.B.: OO manejo
43-49. [E.S.B.: manejodadainter- inter-
pretação
pretação de desonhosna
sonhos napsicanálise,
psicanálise, vol. XII, p.vol. 121XII,(N. p.
E. 121Br). (N. E. Br.).]
1912
1912 ZurDynamikder
Zur Dynamik der Úbertragung(Ladynamiquedu
Ubertragung (La dynamique du transfert), in De la tech-transferi), mDela tech-
nique psychanalytique,Paris,
nique psychanalytique, Paris,P.JU.F.,
P.U.F.,1953, 1953,pp.pp.50-60. [E.S.B.:ÀAdiná-
50-60.[E.S.B.: dinâ-
mica dada transferência,
mica transferência,vol. vol.XII,XII,p.p.133133(N.(N.E.BrJ.)
E. Br.).]
1912
1912 Beitrãge
Beitráge zur zur Psychologie
PsychologiedesdesLiebeslebens:
Liebeslebens:II.II.Uber Úber die allgemeinste
die aligemeinste Er- Er-
niedrigungdes
ntedrigung desLiebeslebens
Liebeslebens(Contribution
(Contributionà laà lapsychologte
psychologie de ladelavie
vie amou- amou-
reuse:
reuse: IH. II.Considérations
Considérations sur le plus commun sur le plus commun desderavalements
des ravalements la vie de la vie
amoureuse), ininRF.P.,
amoureuse), R.F.P., 1936,
1936,IX, IX,nºn?1,1,pp. pp.10-21.
10-21.[E.S.B.:
[E.S.B.:Sobre Sobrea aten-ten-
dência universal
dência universalààdepreciação
depreciaçãonanaesfera esfera
do do amor
amor (Contribuições
(Contribuições à psicolo-
à pstcolo-
gia do
gia do amor
amor Ih,II), vol.
vol. XI,
XI, p. p. 163
163 (N.(N. E.E. Br.).]
Br).]
1912
1912 Ratschlâge
Ratschlage fiir den Arzt fúr bei
dender Arztpsychoanalytischen
bei der psychoanalytischen
Behandlung Behandlung
(Conseils (Conseils
aux médicins
aux médicins sur le traitement
sur le traitement psychanalytique),
psychanalytique), mDela technique
in De la technique psycha- psycha-
nalytique, Paris.
nalytique, Paris. P.U.F.,
P.U.F., 1953, 1953, pp.pp. 61-71.
61-71. [E.S.B.: Recomendaçõesaosaos
[E.S.B.: Recomendações
médicos
médicos que exercem
que exercem a psicanálise,
a psicanálise, vol. XII, p. 149 (N. vol.E.XII,Br).p. 149 (N. E. Br.).]
1912
1912 Einige Bemerkungen uber
Einige Bemerkungen úber den Begriff
den Begriff des Unbewussten
des Unhewussten in derin der Psychoa-
Psychoa-
nalyse (Quelques
nalyse (Quelquesobservations
observationssursurle leconceptconcept d'inconscient
d'inconscient en psychanaly-
en psychanaly-
se), inin Métapsychologie,
se), Métapsychologie, Paris, Galbmard, Paris, Gallimard,
1940, pp. 9-24. 1940,[E.S.B.:pp. Uma9-24. [E.S.B.: Uma
nota sobre
nota sobreooinconsciente
inconscientenanapsicanálise,
psicanálise, vol. XII, p. vol. 327 XII,
(N. E.p. 327
Br.).)(N. E. Br.).]
1912
1912 Totem und
Totem und Tabu
Tabu (Totem
(Totem etet tabou),
tabou),Pans,Paris,Payot,
Payot,1947.
1947.[E.S.B.:
[E.S.B.:Totem Totem
ee tabu,
tabu, vol.
vol. XII,
XIII, p.p. 17
17 (N.
(N. E. E. Br.)
Br.).]
1913
1913 Zur
Zur Einleitung
Einleitung der der Behandlung
Behandlung (Le (Le début
début du traitement),
du traitement), in De in la De la techni-
techni-
que psychanalytique,Paris,
que psychanalytique, Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1953, 1953,pp. pp.80-104.
80-104.[E.S.B.:
[E.S.B.:SobreSobreo o
início
inteto do tratamento
do tratamento (Novas (Novas recomendações
recomendações sobre asobre
técnica a da
técnica
psicanálise da psicanálise
I), vol.
D, vol. XII,
XII p.p. 164 (N. E.
164 (N. Br.).]
E. Br).
1913
1913 Die Dispositionzur
Die Disposition zurZwangsnenrose
Zwangsneurose(La(Laprédisposition
prédisposition à la névrose obses- à la névrose obses-
sionnelle), iminRF.P.,
sionnelle), R.F.P, 1929,3,
1929, 3, nºn? 3,3, pp.pp.437-447. [E.S.B.:ÀA disposição
437-447. [E.S.B.: disposição
à neurose
à neuroseobsessiva,
obsessiva,vol. vol.XII,
XII,p.p.399 399(N.(N.E.E.Br.).]
Br.).]
1914
1914 Zur Geschichte
Zur Geschichteder derbsychoanalytischen
psychoanalytischenBewegung Bewegung(Contribution
(Contribution à Vhistoi-
à "histor-
re
re du du mouvement
mouvement psychanalytique),
psychanalytique), imin Essais Essais dede Psychanalyse,
Psychanalyse,Paris, Paris,
Payot,
Payot, 1936 1936 (12
(1? ed.,),
ed.,), pp. [E.S.B.: AA história
266-320.[E.S.B.:
pp. 266-320. história do movimento
do movimento psi- psi-
canalítico,
canalítico, vol. XIV, vol.p. XIV,
16 (N.p.E.16Br.) (N. E. Br.).]
1914
1914 Erinnern, Wiederholen und
Erinnem, Wiederholen undDurcharbeiten
Durcharbeiten(Remémoration,
(Remémoration, repétition et répétition et
élaboration),
élaboration), 'mDelapsychanalytique,
in De la technique technique psychanalytique,
Paris, P.U.F,, Paris,
1953, P.U.F.,
pp. i953,BIX pp. XIX
VOCABULÁRIODA
VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
105-115.
105-115. [E.S. B.: Recordar,
[E.S. B.: repetire eelaborar
Recordar, repetir elaborar(Novas
(Novasrecomendações
recomendações so- so-
bre
bre aa técnica
técnica da psicanálise
da psicanálise ID, vol. XII, p. II), 193vol.(N. XII,
E. Br.)p. 193 (N. E. Br.).]
1915
1915 Triebe
Triebe und und Triebscincksale
Triebschicksale(Les (Lespulstons
pulsionset etleurs
leursdestins),
destins),in Métapsycho-
in Métapsycho-
logie, Paris, Gallimard,
logie, Paris, Gallimard, 1952,1952, pp.pp. 25-66.
25-66.[E.S.B::
[E.S.B.: Os Osinstintos
instintoseesuas suasvi-vi-
cissitudes,
cissitudes, vol. vol. XIV,
XIV, p.p. 137
137 (N.
(N. E.E. BrJ.]
Br.).]
1915
1915 Mitteilung
Mitteilung eines der psychoanalytischen
eines der psychoanalytischenTheorie Theoriewidersprechenden
widersprechenden Faltes
Falles
von Paranóia
von Paranoia (Un cas(Un cas de paranóia
de paranoia qui contredisaitqui contredisait
la thtorie la théorie psychanal
psychanalyti-
que
que de de cette
cette affection),
affection),mninRF.B.,
R.F.P.,1935, 1935,8,8,nºn?1,1,pp.pp.2-11.
2-11.[E.S.B.:
[E.S.B.:Um Um
caso
caso de deparanóia
paranóia que contraria
que contraria a teoria psicanalítica
a teoria psicanalítica da doença, vol. RIV, da doença, vo
p.
p. 297 297 (N.(N. E.E. Br.).]
Br)).)
1915
1915 Die
Die Verdrángung
Verdringung (Le refoulement), (Le refoulemenf), in Métapsychologie,
in Métapsychologie, Paris, Gallimard, Paris, Ga
1952,
1952, pp. pp. 67-90. [E.S.B.: Repressão,
67-90. [E.S.B.: Repressão, vol. vol. XIV,
XIV, p.p. 169169 (N.(N. E.E. BrJ.]
Br.).]
1915
1915 Das
Das Unbewusste
Unbewiusste (L (Uinconscient), Métapsychologie,
inconscient), iminMétapsychologie, Panis, Gallimard, Paris, Gallimard,
1952,
1952, pp. pp. 91-161. [E.S.B.: O
91-161. [E.S.B.: inconsciente,vol.
O inconsciente, vol.XIV,
XIV,p.p.191 191(N.(N.E.E.BrBr.).]
).]
1915
1915 Bemerkungen
Bemerkungen úúber úber die Úbertragungsliebe
die Ubertragungsliebe (Observations sur amour (Observations
de sur lamour
transferi),
transferi,, in mDela techniquepsychanalytique,
De la technique psychanalytique,Paris, Paris,P.U.F.,
P.U.F.,1953, 1953,pp.pp.
116-130. (E .S.B.: Observações
116-130. [E.S.B.: Observações sobre sobreo amor
o amortransferencial
transferencial (Novas(Novas recomen-
recomen-
dações
dações sobre sobrea atécnica
técnica da psicanálise
da psicanálise HD, vol. XII, p. III), 208 vol.
(N. E.XII,BrJ.]
p. 208 (N. E. Br.).]
1915
1915 Zeitgemãsses
Zeitgemisses úber úber Krieg Krieg
und undTod Tod (Considérations
(Considérations actuelles sur la guerre actuelies sur la guerre
etet lala mort),
mort), in in Essais
Essais de de psychanalyse,
psychanalyse,Pans, Paris,Payot,
Payot,1951,1951,pp. pp.219-250.
219-250.
[E.S.B.: Reflexões
[E.S.B.: Reflexões para paraosostempos
temposdedeguerra guerrae emorte,
morte,vol.vol.XIV,XIV,p.p.311 311
(N.
(N. E. E. Br.).]
Br).]
1916
1916 Einige
Etnige Charaktertypen
Charaktertypen aus ausder
derpsychoanalytischen
psychoanalytischenArbeit Arbeit(Quelques
(Quelques types
types
de caracteresdégagés
de caractêres dégagés par la psychanalyse),
par la psychanalyse), in Essais de Essais de Psychanalyse,
in Psychanalyse, Pa- Pa-
ris,
ris, Gallimard,
Gallimard, pp. pp. 105-136. E.S.B.: Alguns
105-136. [[ E.S.B.: Alguns tipostipos dede caráter
caráter encontra-
encontra-
dos
dos no no trabalho psicanalítico,
trabalho psicanalítico, vol. RIV, p.vol. 351XIV,(N. p.E. 351
Br).(N. E. Br).]
1916-1917
1916-1917 Vorlesungen
Vorlesungen zur zurEinfdhrung
Einfúhrung in die Psychoanalyse
in die Psychoanalyse (Introduction(Introduction
à la psycha- à la psycha-
nalyse),
nalyse), Panis,Paris, Payot,
Payot, 1951.
1951. [E.S.B.: Conferênciasintrodutórias
[E.S.B.:Conferências introdutórias sobre psi- sobre psi-
canálise,
canálise, vols. XV vols.e XVI(N.
XV e XVI (N. E. Br.).]
E. Br.)
1917
1917 Úber Triebumsetzungen
Uber Triebumsetzungen insbesondere
insbesondere der Analerotik
der Analerotik (Sur les (Sur les transforma-
transforma-
tions
tons des despulsions,
pulsions,particulitrement
particulièrementdans dansl'érotisme
Vérotisme anad, in RF.P., anal), 1928,
in RF.P., 1928,
2,2,nº
n? 4,4, pp.
pp. 609-616.
609-616. [E.S.B.:
[E.S.B.: As As transformações
transformaçõesdodoinstinto instintoexemplifica-
exemplifica-
das
das no no erotismo anal, vol.
erotismo anal, vol. XVI,
XVII, p.p. 159 159 (N.(N. E.E. Br.)
Br.).]
1917
1917 Trauer
Trauer und Melancolie (Deuil
und Melancolie (Deuil et et mélancolie),
mélancolie), in Métapsychologie,
m Métapsychologie, Paris,
Gallimard,
Gallimard, 1952, 1952, pp.pp. 189-222. [E.S.B.: Luto
189-222. [E.S.B.: Luto ee melancolia,
melancolia, vol. vol. XIV,
XIV,
p.p. 275275 (N.
(N. E.E. Br.).]
Br.)
1917
1917 Metapsychobgische
Metapsychologische Ergânzung Ergànzungzur Traumlehre(Complément
zur Traumlehre (Complément métapsycho- métapsyc
bgique
logique àà la doctrinedes
la doctrine desréves),
rêves),in inMétapsychologie,
Métapsychologie, Paris, Gallimard, Paris, 1952, Gallimard, 1952,
pp.
pp. 162-188.
162-188. [E.S.B.: Suplementometapsicológico
[E .S.B.: Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos, à teoria
vol. dos sonhos, vol.
XIV,
XIV, p. p. 253
253 (N.
(N. E.E. Br.).]
Br.)
1917
1917 Eine
Eine Schwierigkeit
Schwierigheit der der Psychoanalyse
Psychoanalyse(Une (Unedifficulté
difficulté de la psychoanaly-
de la psychoanaly-
se),
se), in in Essais
Essais de de psychanalyse appliquée,
psychanalyse appliquée, Paris, Gallimard,
Paris, Gallimard, 1933, pp.1933, pp.
137447. [E.S.B.: Uma
137-147. [E.S.B.: dificuldadenonocaminho
Uma dificuldade caminhodadapsicanálise,
psicanálise, vol. XvO, vol. XVII,
p.p. 171171 (N.
(N. E.E. Br.).]
Br).
1917
1917 Beitràge
Beitrãge zur zur Psychologie
Psychologiedes desLiebeslebens:
Liebeslebens:HI.IIIDasDasTabu TabudasdasVirginitar
Virginitãt
(Contribution
(Contribution ààlalapsychologie
psychologiededela lavievieamoureuse:
amoureuse: HJ. III
Le Letaboutabou
de ladevir-
la vir-
ginité),
gintté, in RFP, in RF.P, 1933, 6,1, n?pp.1,2-17.
1933,6,nº pp. 2-17.
[E.S.B.:[E.S.B.:
O tabu Odatabuvirgindade
da virgindade
(Contribuições
(Contribuições ààpsicologia psicologiadodoamor amorID, III),vol.
vol.XI,XI,p.p.179179(N.(N.E.E.Br).)Br.).]
1918
1918 Aus
Aus der der Geschichte
Geschichte einer einerinfantilen
infantilenNeuroseNeurose(Extrail
(ExtraitdedePhistoire
Vhistoired'uned'une
névrose
névrose infantile: infantile:
L'homme Uhomme
aux loups),aux loups), Cinq psychanalyses,
mn Cinginpsychanalyses, Paris, Paris,
P.U.F.,
PU.F, 1954, 1954, pp.pp. 325-420. [E.S.B.: História
325-420. [E.S.B.: História de uma de neurose
uma neurose infantil,infantil,
vol.
vol. XVII,XVII, p. p. 19
19 (N.
(N. E. E. Br.).]
Br.)
1918
1918 Wege
Wege der der psychoanalytischen
psychoanalytischenTherapie Therapie(Les (Lesvotes
voies nouvelles
nouvelles de ladethtrapeu-
la thérapeu-
XX tique psychanalytique),inmDela
tique psychanalytique), techniquepsychanalytique,
De la technique psychanalytique, Paris,
Paris, P.U.F.,
PLU.F.,
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS B IBLIOGRÁFICAS EEABREVIATURAS
BIBLIOGRÁFICAS ABREVIATURAS
1953,
1953, pp. pp. 131-141.
131-14). [E.S.B.: Linhas de
[E .S.B.: Linhas de progresso
progressonanaterapia
terapiapsicanalítica,
psicanalítica,
vol.
vol. XVII,
XVII, p. p. 201
201 (N.(N. E. E. Br.).]
Br.)
1919
1919 "Ein
“Ein KindKind wird wird geschlagen”
geschlagen"(“On ("Onbalbatununenfant?,
enfant"),ininRFP, R.F.P.,1933, 1933,6, 6,
n?
nº 3-4,
3-4, pp.pp. 274-297. [E .S.B.: "Uma
274-297. [E.S.B.: criança
“Uma criança é espancada":
é espancado": uma contn- uma contri-
buição
buição ao aoestudo
estudodadaorigemorigemdasdasperversões
perversões sexuais,
sexuais, vol.vol.
XVII,XVII,p. 225 p. 225(N. (N.
E. Br.).]
E. Br.).)
1919
1919 Das Unheimliche
Das Unheimliche (L (L'inquietante étrangeté),
inquiétante Etrangetê), in Essais de Essais de psychanalyse
in psychanalyse ap- ap-
pliquée,
bliguée, Pans, Gallimard,Paris, Gallimard, 1933, pp. 1933, pp. 163-211.
163-211. [E.S.B.: [E.S.B.: O "estranho",
O “estranho”, vol. vol.
XVII,
XVII, p. p. 275
275 (N. (N. E.E. Br.).]
Br.)
1920
1920 Úber die psychogenese
Uber die psychogenese einer einer
FallesFaties von weiblicher
von weiblicher Homosexualitãt
Homosexualilãt (Psycho-(Psycho-
genèse
genêse d'un d'uncas casd'homosexualité
d'homosexualité féminine), in RF.P., féminine), 1933,6, nºin2,R.F.P., pp. 1933, 6, n? 2, pp.
130-154. [E.S.B.: A
130-154. [E.S.B.: A psicogênese
psicogênese de deum umcasocasodedehomossexualismo
homossexualismonuma numa
mulher,
mulher, vol. vol. XVIII,
XVIM, p. p. 185
185 (N.(N. E. E. Br.).]
BrJ.]
1920
1920 Jenseits
Jenseits des des Lustprinzips
Lustprinzips (Au-delà (Au-delà du du principe plaisir), imin Essais
principe dede plaisir), Essais dede
psychanalyse,
psychanalyse, Paris, Paris, Payot,
Payot, 1951,1951, pp.pp. 5-75.
5-75. [E.S.B.:
[E.S.B.:Além Além do princípio
do princípio
de prazer, vol.
de prazer, vol. XVII,
XVIII, p.p. 17 17 (N.
(N. E.E. Br.).)
Br.).]
1921
1921 Massenpsychologieund
Massenpsychologie undIch-Analyse
Ich-Analyse(Psychologie
(Psychologie collective
collective et analyse
et analyse du du
moi),
mo?), in Essais dedepsychanalyse,
in Essais psychanalyse,Paris, Paris,Payot,
Payot,1951,
1951,pp.pp.76-162.
76-162.[E.S.B.:
[E.S.B.:
Psicologia
Psicologia de degrupo
grupoee aa análise
análise do ego,dovol. ego,XVII,
vol. XVIII,
p. 91 (N.p. 91E. (N. Br). E. Br.).]
1922
1922 Úber
Uber einige einige neurotische
neurotische Mechanismen
Mechanismen bei Eifersucht,
bei Eifersucht, Paranoia Paranóia
und Ho- und Ho-
mosexualitãt
mosexualitãt (De (Dequelques
quelquesmécantsmes
mécanismes névrotiques dans névrotiques
la salouste, la pa- dans lajalousie, la pa-
ranóia et 1'homosexuaUté),
ranoia et Vhomosexualité), in R.F.P., 1932,5, nºin3, RF.P, 1932, [E.S.B.:
pp. 391-401. 5, n? 3, pp. 391-401. [E.S.B.:
Alguns mecanismos neuróticos no ciúme,
Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na parandia e no homossexualts- na paranóia e no homossexualis-
mo,
mo, vol.vol. XVIII,
XVIII, p. p. 271
271 (N.(N. E. E. Br.).]
BrJ.]
1923
1923 Das Ich
Das Ich und
und das das Es título LeLemoi
(com oo titulo
Es (com moietetlelesot),
soi),ininEssais
Essaisdedepsycha-
psycha-
nalyse, Paris, Payot,
natyse, Panis, Payot, 1951,
1951, pp. pp.163-218. [E.S.B.:OOego
163-218.[E.S.B.: egoe eo oid,id,vol.vol.XIX,
XIX,
p.p. 23
23 (N.(N. E. Br.).]
E. Br)
1923
1923 Eine
Eine Teufelsneurose
Teufelsneurose im imstebzehnten
siebzehntenJahrhundert
Jahrhundert(Une (Unenévrose
névrose demonia- demonia-
que au
que au XVII
XVIFe siècle),
sicle), in Essais dedepsychanalyse
in Essais psychanalyseappliquée,
appliquée, Paris, Galli- Paris, Galli-
mard,
mard, 1933,1933, pp. pp. 213-254.
213-254.[E.S.B.:
[E.S.B.: Uma Umaneurose
neurosedemontaca
demoníaca do século XVII, do século XVII,
vol. XIX, p.p. 91
vol. XIX, 91 (N.
(N. E. E. Br.).]
Br.).]
1924
1924 Das õkonomischeProblem
Das ókonomische ProblemdesdesMasochismus
Masochismus(Le(Leproblême problème économique
économique du du
masochisme),
masochisme), ininRF.P., RF.P, 1928,2.nº
1928, 2, n?2,2,pp. 211-223. [E.S.B.:OOproblema
pp.211-223.[E.S.B.: problema
económico
econômico do masoquismo, do masoquismo,
vol. XIX, vol. p. 199XIX,(N. p.E.199 (N. E. Br.).]
Br.).)
1924
1924 Der
Dey Untergangdes Òdipuskomplexes(Le
Untergang des Odipuskomplexes (Ledéclin
déclin du complexe
du complexe d'CEdipe), d'CEdipe),
in in
RF.P,
RFP, 1934, 1934, 7, n? 3,3, pp.
7,nº pp. 394-399.
394-399. [E.S.B.:
[E.S.B.: A A dissolução
dissoluçãododocomplexo complexo
de
de Édipo,
Édipo, vol. XIX, vol. XIX,p. 217 p. (N.
217 E.(N.Br.).)
E. Br.).]
1925
1925 Die
Die Verneinung
Verneinung (La (La négation),
négation), in RFP, in RF.P,
1934, 7,nº 1934,2, 7,pp.n?174-177.
2, pp. 174-177.
[E.S.B.: A
[E.S.B.: A negativa,
negativo, vol. vol. XIX,
XIX, p. 295 (N.
p. 295 (N. E. Br.).]
E. Br.).)
1925 Selbstdarstellung (Ma (Ma vie vie efet lalapsychanalyse),
psychanalyse),Paris, Paris,Gallimard,
Gallimard,1949. 1949.
===

1925 Selbstdarstellung
[E.S.B.:
[E.S.B.: Um Um estudoestudo autobiográfico,
autobiográfico, vo). XX, p. vol. 17 (N. XX,E. p.Br).
17 (N. E. Br.).]
1926
1926 Die Frage
Die Frage der der Latenanalyse
Laienanalyse (com (comootítulo Psychanalyseet etmédicine),
títuloPsychanalyse medicine),in in
Ma
Ma vie vie etet lala psychanalyse,
psychanalyse,Paris, Paris,Gallimard,
Gallimard,1949, 1949,pp.pp.117-239.
117-239.[E.S.B.:[E.S.B.:
A questão
A questão da da análise
análise leiga, leiga,
vol. XX, vol. p.XX,211p.(N.211E.(N.BrJ.)E. Br.).]
1926
1926 Hpmmung,
Hemmung, Symptom Symptom und undAngst
Angst Unhibition,
(Inhibition,symptôme
symptôme et angoisse), et angoisse),
Pa- Pa-
ris, P.U.F.,1965
ris, P.U.F., 1965(nova
(novaed.). ed.).[E.S.B.: Inibições,sintomase
[E.S.B.:Inibições, sintomasansiedade,
e ansiedade, vol.vol.
XX, p.
XX, p. 107
107 (N. (N. E. Br.).]
E. Br).)
1927
1927 DieZukunfteinerUlusum
Die Zukunft einer Nhuston (L (Lavenird'une
'avenir d'une illusion), Paris,Denoêl
illusion), Paris, Denoel&&Stee- Stee-
le,
le, 1932. [E.S.B.: OO futuro
1932. [E.S.B.: futuro de de uma
uma ilusão,
ilusão, vol.
vol. XXI,
XXI, p.p. 1515(N. (N. E.E. Br.).]
Br.).]
1930
1930 Das Unbehagenininder
Das Unbehagen derKultur
Kultur (Malaise
(Malaisedans danslalacipilisation),
civilisation),Paris,Paris,De-De-
noel
noêl & & Steele,
Steele, 1934.1934. [E [E.S.B.:
.S.B.: O O mal-estar
mal-estarnanacivilização,
civilização,vol. vol.XXI,
XXI,p.p.8181
(N. E.
(N. E. Br.).]
Br)
1932
1932 Neue
Neue FolgeFolgeder der Vorlesungen
VorlesungenzurzurEinfâhrung Einfúhrung in die Psychoanalyse
in die Psychoanalyse (Nou- (Nou-
velles conférences
velles conférences sur la psychanalyse),
sur la psychanalyse), Paris, Gallimard,Paris, 1936.
Gallimard,
[E.S.B.: 1936. [E.S.B.:
XXI XXI
VOCABULÁRIO DA
VOCABULÁRIO DA PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
Novas
Novas conferências introdutórias
conferências introdutórias sobre psicanálise,
sobre psicanálise, vol. XXII, p. 45 (N. vol. XXII, p. 15 (
E.
E. Br.).]
BrJ]
1937 Die endlicke
1937 Die und die
endiiche und die unendiiche
unendlicheAnalyse
Analyse(Analyse
(Analyseterminêe
terminée et analyse etin-
analyse in-
terminable),
terminable), in inRF.P, 1938-1939,10-11,
RF.P., 1938-1939, n? 1,1, pp.
10-11, nº pp.3-38.
3-38.[E.S.B.: Análi-
[E.S.B.:Análi-
sese terminável e interminável,
terminável e interminável, vol. XXIII, p. 247vol. (N.XXIII,
E. Br.).]p. 247 (N. E. Br.).]
1938 Abriss
1938 Abriss derder Psychoanalyse (Abrégé
Psychoanalyse (Abrégé de psychanalyse),
de psychanalyse), Paris, P.U.F.,
Paris, P.U.F., 1950. 1950.
[E.S.B.: Esboço
[E.S.B.: de psicanálise,
Esboço de psicanálise, vol. XXIII, p. 168 vol.(N.XXIII,
E. Br.)p. 168 (N. E. Br.).]
1939 DerMann
1939 Der Mann Moses und die
Moses und die monotheistische
monotheistischeReligion
Religion(Moise
(Moise et monothéis-
et le le monothéis-
me), Paris, Gallimard,
me), Pans, Gallimard, 1948. Moisés
[E.S.B.: Moisés
1948. [E.S.B.: e o monoteísmo,
e o monoteísmo, vol. XXIN, vol. XXIII,
p.p. 16
16 (N.
(N. E.
E. Br.).]
Br)).)

II.
Il. -— OUTROS
OUTROS AUTORES AUTORES
Karl ABRAHAM. Remetemos
Karl ABRAHAM. Remetemos para para aa edição
edição francesa
francesa (Fr.) das CEuvres
(Fr.) das completes
CEuvres complêtes
em
em 22 vol.,
vol. Paris,
Paris, Payot,
Payot, 1965-1966.
1965-1966.
Joseph BreuER. Nos
Joseph BREUER. Nos Studien
Studien úber Hysterie
úber Hysterie (Estudos
(Estudos sobresobre a histeria,
a histeria, 1895)1895) publica-
publica-
dos
dos com
com S. FREUD, J.
S. FREUD, J. BREUER
BREUERé é autor
autor de de dois
dois c apítulos: “Fráulem
capítulos: "FràuleinAnna
Anna O”O"
ee "Theoretisches" (Considerações teóricas).
“Theoretisches" (Considerações Paraestes
teóricas). Para estestextos,
textos,Al.
Al.remete
remeteparapara
aa edição
edição original dos Studien
original dos Siudien úberúber Hysterie,
Hysterie, Leipzig
Leipzig und und
Wien,Wien, Deuticke,
Deuticke, 1895;1895;
S.E.
S.E. remete
remete para
para aa Standard
Standard Edition;
Edition: Fr.Fr. remete
remete para
para osos Études sur Vhystérie,
Etudes sur !'hystérie,
Paris,
Panis, P.U.F.,
PUL.F., 1956.
1956.
Sandor FerENczI. Remetemos
Sandor FERENCZI. Remetemos para para osos três
três volumes
volumes de de llíngua
íngua inglesa,
inglesa, Londres,
Londres,
Press: First
Hogarth Press:
Hogarth First Contr:
Contr.: First
First Contributions
Contributions totoPsycho-analysis,
Psycho-analysis,1952; Further
1952;Further
Contr.: FurtherContributtons
Comtr.: Further Contributionsto tothetheTheory
Theoryandand Technique
Technique of Psycho-analysis,
ofPsycho-analysis, 1950; 1950;
Fina! Contr:
Final Comtr.: Final
Final Contributions
Contributions totothe theProblems
Problemsand andMethods
MethodsofofPsychoanalysis,
Psychoanalysis,
1955.
1955. [As
[As obras
obras completas
completas de de Ferenczi
Ferenczi estão
estão emem curso
curso dede publicação
publicação pela
pela
Livraria
Livraria Martins
Martins Fontes
Fontes Editora
Editora (N.
(N. E.E. Br.).]
Br.)
Melaine KLEIN, Contributions:
Melaine KLEIN, ContributionstotoPsycho-analysis,
Contributions: Contributions Psycho-analysis,Londres,
Londres,Hogarth
Hogarth
Press, 1950. [Contribuição
Press, 1950. (Contribuição ààpsicanálise,
psicanálise, Ed. Mestre Ed.JouMestre
(N. E.Jou
Br.)(N. E. Br.).]
KLEIN (M.), HEIMANN
KLEN(M.), HEBMANN (P.), ISAACS (J.),
(P.), ISAACS (J.), RIVIERE (J.), Developments:
RIVIERE(].), Developmentsinin
Developments: Developments
Psycho-analysis, Londres, Hogarth
Psychoanalysis, Londres, Hogarth Press,
Press, 1952. [Osprogressos
1952. [Os progressosdadapsicanálise,
psicanálise,
Ed.
Ed. Guanabara/Koogan
Guanabara/Koogan (N. (N. E.
E. Br.).]
Br)).]

III.
NL -— REVISTAS
REVISTAS E EC OLETÂNEAS
COLETÂNEAS
Bui. Psycho.: Bulletin de Psychologie, editado
Bul. Psycho.: Bulletin de Psychologie, editado pelo pelogrupo
grupodedeestudos
estudosdedePsicologia
Psicologia
da
da Universidade
Universidade dede Paris.
Paris.
I.J.P.:
IJP.: International Journal ofofPsycho-analysis.
International Journal Psycho-analysis.
Psa.
Psa. Read.:
Read.: The
The Psycho-analytic Reader,edit.
Psycho-analytic Reader, edit.por
porRobert
RobertFLIESS, Londres,Hogarth
FLIESS,Londres, Hogarth
Press,
Press, 1950.
1950.
Psycho-analytic Study ofof the
Psychoanalytic Study the Child,
Child, Nova
Nova Iorque,
Iorque, LU.P.
I.U.P.
RF.P: Revue Française
RFP. Revue de Psychanalyse.
Françoise de Psychanalyse.

XXII
XXII
AB-REAÇÃO
A B -R E A Ç Ã O

— F.: abréaction. —
= D.: Abreagieren. — — En.\
En.: abreaction. —
— Es.: abreacción. —

T.: abreazione.
/.:

• e Descarga
Descarga em emocional pela qual
ocional pela qual um
um su
sujeito se lib
jeito se liberta do afeto
erta do afeto ** liga­
liga-
ddo
o à recordação dde acontecimento
e um acon traumático,
tecim en to trau m ático, ppermitindo assim
erm itin d o assim
que
qu torne
e ele não se torn e ou não continue sen sendo patogênico.
do patogên .
ico A A ab-reação,
que
qu e ppode ser
o d e se provocada no
r provocada no d
decorrer da p
eco rrer da psicoterapia, principalmente
sico tera p ia , prin cipalm en te
sob
so b hipnose, e pproduzir
ro d u zir então um efeito de catarse *, tam também
bém popode sur-
d e su r­
ggir
ir dde
emmodo espontâneo,
odo espon separada do tra
tâneo, separada traumatismo
u m a tism o inicial ppor
o r um inin-­
tervalo
terva mais
lo m ais ou mmenos .
longo.
en os longo

= A
■ À noção
noção de
de ab-reação
ab-reação não
não pode
pode ser
ser compreendida
compreendida sem sem nosnos referirmos
referirmos
sintomahistérico,
à teoria de Freud sobre a gênese do sintoma comoele
histérico, tal como ele a expôs
em Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos (Über (Uber den psychis-
Phânomene, 1893) (1a,
chen Mechanismus hysterischer Phànomene, (la, a). A persistência do
afeto que
afeto que se
se liga
liga aa uma
uma recordação
recordação depende
depende dede diversos
diversos fatores,
fatores, ee o o mais
mais
importante deles está ligado ao modo como o sujeito reagiu a um determi­ determi-
nado acontecimento. Esta reação pode ser constituída por reflexos voluntá­ voluntá-
rios ou involuntários, pode ir das lágrimas à vingança. Se tal reação for su-
ficientemente importante, grande parte do afeto ligado ao acontecimento
ficíentemente
desaparecerá. Se
desaparecerá. Se essa
essa reação
reação for
for reprimida
reprimida (;unterdrückt),
(unterdriickt), oo afeto
afeto se
se conser­
conser-
vará ligado
vará ligado àà recordação.
recordação.
A ab-reação é assim o caminho normal que permite ao sujeito reagir
aa um
um acontecimento
acontecimento ee evitar
evitar que
que ele
ele conserve
conserve umum quantum
quantum de de afeto*
afeto*
demasiado irrlportante.
demasiado importante. NoNo entanto,
entanto, éé preciso
preciso que
que essa
essa reação
reação seja
seja “ade­
“ade-
quada” para
quada” para que
que possa
possa ter
ter um
um efeito
efeito catártico.
catártico.
A ab-reação pode ser espontânea, isto é, seguir-se ao acontecimento
com um
com um intervalo
intervalo tão
tão curto
curto que
que impeça
impeça queque aa sua
sua recordação
recordação se se carregue
carregue
de um afeto demasiado importante para se tornar patogênico. Ou então a
ab-reação pode ser secundária, provocada pela psicoterapia catártica, que
permite ao doente rememorar e objetivar pela palavra o acontecimento
traumático, e libertar-se assim do quantum de afeto que o tornava patogê­ patogê-
nico. Freud, efetivamente, nota já em 1895: “É na linguagem que o ho­ ho-
mem acha
mem acha um
um substituto
substituto para
para oo ato,
ato, substituto
substituto graças
graças aoao qual
qual oo afeto
afeto pode
pode
ser ab-reagido
ser ab-reagido quase
quase da
da mesma
mesma maneira.”
maneira.” (16)
(1h) 1
AB-REAÇÃO
AB-REAÇÃO

Uma ab-reação
Uma ab-reação total
total não
não éé a a única
única maneira
maneira pela pela qual
qual oo sujeito
sujeito pode
pode se se
desembaraçar da
desembaraçar da recordação
recordação de de um
um acontecimento
acontecimento traumático:
traumático: a a recorda­
recorda-
ção pode
ção pode ser
ser integrada
integrada numa
numa sériesérie associativa
associativa que que permita
permita a a correção
correção do do
acontecimento, que
acontecimento, que oo faça
faça voltar
voltar ao
ao seu
seu lugar.
lugar. JáJá em
em Estudos
Estudos sobre
sobre a a histe-
histe­
ria (Studien
ria (Studien über
úber Hysterie,
Hysterie, 1895)
1895) Freud
Freud descreve,
descreve, às às vezes,
vezes, como
como um um pro-
pro­
cesso de
cesso de ab-reação
ab-reação umum verdadeiro
verdadeiro trabalho
trabalho de de rememoração
rememoração ee de de elabora­
elabora-
ção psíquica, em
ção psíquica, em que
que oo mesmo
mesmo afetoafeto sese acha
acha reavivado
reavivado correlativamente
correlativamente
àà recordação
recordação dos dos diferentes
diferentes acontecimentos
acontecimentos que que o o suscitaram
suscitaram (lc).(10).
À ausência
A ausência de de ab-reação
ab-reação tem tem como
como efeito
efeito deixar
deixar subsistir
subsistir no no estado
estado
inconsciente ee isolados
inconsciente isolados do
do curso
curso normal
normal do do pensamento
pensamento grupos
grupos de de repre-
repre­
sentações que
sentações que estão
estão nana origem
origem dos dos sintomas
sintomas neuróticos:
neuróticos: “As“As representa­
representa-
ções que
ções que se
se tomaram
tornaram patogênicas
patogênicas conservam
conservam a a sua
sua atividade
atividade porque
porque nãonão são
são
submetidas ao
submetidas ao desgaste
desgaste normal
normal pelapela ab-reação
ab-reação ee porque
porque a a sua
sua reprodução
reprodução
nos estados
nos estados associativos
associativos livres
livres éé impossível.”
impossível.” (1 (1d)
d)
Breuer ee Freud
Breuer Freud procuram
procuram distinguir
distinguir as as diferentes
diferentes espécies
espécies de de condi­
condi-
ções que
ções que não
não permitem
permitem ao ao sujeito
sujeito ab-reagir.
ab-reagir. UmasUmas estariam
estariam ligadas
ligadas nãonão àà
natureza do
natureza do acontecimento,
acontecimento, mas mas ao ao estado
estado psíquico
psíquico que
que este
este encontra
encontra no no
sujeito: pavor,
sujeito: pavor, auto-hipnose,
auto-hipnose, estado
estado hipnóide*;
hipnóide*; outras
outras estão
estão ligadas
ligadas aa cir-
cir­
cunstâncias, geralmente
cunstâncias, geralmente de de natureza
natureza social,
social, que
que obrigam
obrigam o o sujeito
sujeito a reter
a reter
as suas
as suas reações.
reações. Finalmente,
Finalmente, pode pode tratar-se
tratar-se dede um
um acontecimento
acontecimento que que “...
"... oo
doente quis
doente quis esquecer
esquecer ee que
que recalcou,
recalcou, inibiu,
inibiu, reprimiu
reprimiu intencionalmente
intencionalmente fo­ fo-
ra do
ra do seu
seu pensamento
pensamento consciente”
consciente” (1^). (le). Estas
Estas três
três espécies
espécies de de condições
condições
definem os
definem os três
três tipos
tipos de
de histeria:
histeria: histeria
histeria hipnóide*,
hipnóide*, histeria
histeria dede retenção*
retenção*
ee histeria
histeria de de defesa*.
defesa*. Sabe-se
Sabe-se que que Freud,
Freud, logo
logo após
após aa publicação
publicação de de EEstu-
stu­
dos sobre
dos sobre aa histeria,
histeria, irá
irá manter
manter apenas
apenas esta
esta última
última forma.
forma.

x

Enfatizar exclusivamente
Enfatizar exclusivamente a a ab-reação
ab-reação nana eficácia
eficácia da
da psicoterapia
psicoterapia éé
antes de
antes de mais
mais nada
nada uma
uma característica
característica do
do período
período chamado
chamado do do método
método
catártico. No
catártico. No entanto,
entanto, aa noção
noção continua
continua presente
presente nana teoria
teoria do
do tratamento
tratamento
psicanalítico, por
psicanalítico, por razões
razões de
de fato
fato (presença
(presença em
em qualquer
qualquer tratamento,
tratamento, em em
diversos graus
diversos graus conforme
conforme osos tipos
tipos de
de doentes,
doentes, de
de manifestações
manifestações de de descar-
descar­
ga emocional)
ga emocional) ee por
por razões
razões de
de direito,
direito, na
na medida
medida emem que
que qualquer
qualquer teoria
teoria
do tratamento
do tratamento leva
leva em
em consideração
consideração não
não apenas
apenas a a rememoração,
rememoração, mas
mas a a repe­
repe-
tição. Noções
tição. Noções como
como asas de
de transferência*,
transferência*, perlaboração*,
perlaboração*, atuação*,
atuação*, impli­
impli-
cam uma
cam uma referência
referência àà teoria
teoria da
da ab-reação,
ab-reação, ao
ao mesmo
mesmo tempo
tempo que
que conduzem
conduzem
aa concepções
concepções do do tratamento
tratamento mais
mais complexas
complexas dodo que
que as
as da
da pura
pura ee simples
simples
liquidação do
liquidação do afeto
afeto traumatizante.
traumatizante.

4 (a)
▲ (x) O
O neologismo
neologismo abreagieren
abreagieren parece
parece ter
ter sido
sido forjado
forjado por
por Breuer
Breuer ee Freud
Freud aa partir
partir do
do verbo
verbo
reagieren empregado
reagieren empregado transitivamente
transitivamente ee do
do prefixo
prefixo ab,
ab, que
que compreende
compreende diversas
diversas significações,
significações,
particularmente distância
particularmente distância no
no tempo,
tempo, separação,
separação, diminuição,
diminuição, supressão,
supressão, etc.
etc.

(1) BREUER
(1) B reuer(J.)
(J.)e eFREUD(S.).
F reud (S.).—- a)a)Cf
Cf.G.W.,
G.W.,I,I,819;S.E.,
81-9; S.E.,11,310;
II, 3-10;Fr.
Fr.,1-7.
1-7.—- D)b)GW.
G.W..
I, 87;
I, 87, S.E.,
S.E., II,
11, 8;
8; Fr.,
Fr., 5-6.
5-6. -— c)
)G.W.,
G.W., I,1, 223-4;
223-4; S.E.,
S.E., II,
II, 158;
158; Fr.,
Fr., 125.
125. -— d)
) G.W.,
G.W., I,1,90;
90; S.E.
S.E.
22 H, 11;
II, 11; Fr.,
Fr.,8.
8. -— é)
2) G.W.,
G.W., I, 1, 89;
89; S.E.
S.E. II,
II, 10;
10; Fr.,
Fr., 7.
7.
ABSTINÊNCIA (REGRA
ABSTINÊNCIA (REGRA DE—)
DE—)

ABSTINÊNCIA
A (REGRA
B S T IN Ê N C IA (R DE
EGRA D —))
E —

= D
= D.: Abstinenz (Grundsatz
.: Abstinenz (Grundsatz der —). —
der —). — F.
F.:: abstinence
abstinence (règle
(rêgle d’
d' —). — En.:
—). — En.: abstinen-
abstinen-
ce (rule
ce (rule of
of —). — Es.:
—). — Es.: abstinência
abstinencia (regla
(regia de —). —
de —). — LI: astinenza
astinenza (regola
(regola di —).
di — ).

• e Regra
R egra da prática analítica
da prática analítica segundo
segundo aa qualqual o tratamento
o tra ta m en to ddeve ser
ev e se r
conduzido
co n du zido dde e tal m modo
odo quque e o
o ppaciente
a cien te encontre
en con tre o m menos
en os possível
p o ssív e l de
de
satisfações
sa substitutivas
tisfa çõ es su para os
b stitu tiv a s para os seu
seuss sin
sintomas.
tom as. ImImplica para o
plica para o ana­
ana-
lista o
lista o ppreceito
receito dde se recusar
e se recu sa r aa satisfazer
sa tisfa zer osos p
pedidos
ed id o s do
do ppaciente
a cien te ee aa
ppreencher
ree n c h e r efetivamente
efetiva m en te os os ppapéis
a p éis que
qu e eeste tende
ste ten d e aa lhe impor.
lh e im por. A À regra
regra
dde
e abstinência, em em cecertos
rto s casos
casos e emem certo
certos smmomentosdo tratamento,
o m en to s do tratam en to,
ppode
o d e constituir-se especificamente
co n stitu ir-se especificam em indicações
en te em indicações rela relativas
tiva s aa com
compor-
por­
tamentos
ta repetitivos
m en to s re p e titiv o s do sujeito
do su que
jeito qu e dificultam
dificu ltam oo trabalho
trabalho de rememo-
d e rem em o-
ração e
raçâo e de
d e elaboração.
elaboração.

m
u A À justificação
justificação dessa regra é
dessa regra de ordem
é de ordem essencialmente
essencialmente econômica.
econômica. 0O ana­ana-
lista deve
lista deve evitar
evitar queque as quantidades de
as quantidades libido liberadas
de libido liberadas pelopelo tratamento
tratamento se se
reinvistam imediatamente em
reinvistam imediatamente em objetos
objetos exteriores;
exteriores; elas devem ser,
elas devem ser, tanto
tanto quan­
quan-
to possível,
to possível, transferidas
transferidas parapara a a situação analítica. A
situação analítica. A energia libidinal
energia libidinal
encontra-se aí
encontra-se aí ligada
ligada pela
pela transferência,
transferência, ee qualquer
qualquer possibilidade
possibilidade de de des­
des-
carga
carga queque não
não seja
seja aa expressão
expressão verbal
verbal lhelhe éé recusada.
recusada.
Do ponto
Do ponto de vista dinâmico,
de vista dinâmico, a a mola
mola propulsora
propulsora do do tratamento
tratamento tem tem ori­
ori-
gem na
gem na existência
existência de de um
um sofrimento
sofrimento por por frustração; ora, este
frustração; ora, tende a
este tende a atenuar-
atenuar-
se à
se à medida
medida que que os
os sintomas
sintomas dão dão lugar
lugar a a comportamentos
comportamentos substitutivos
substitutivos maismais
satisfatórios. Seria pois
satisfatórios. Seria pois importante
importante manter
manter ou ou restabelecer
restabelecer aa frustração
frustração pa­pa-
ra evitar
ra evitar aa estagnação
estagnação do do tratamento.
tratamento.
A noção
A noção de abstinência está
de abstinência está implicitamente
implicitamente ligadaligada ao ao próprio
próprio princípio
princípio
do método analítico,
do método analítico, na medida em
na medida em queque este
este faz
faz da
da interpretação
interpretação o o seu
seu ato
ato
fundamental, em
fundamental, em lugar
lugar de
de satisfazer
satisfazer as as exigências
exigências libidinais
libidinais do paciente.
do paciente.
Não é
Não de admirar
é de admirar que que seja
seja a a propósito
propósito de de uma
uma exigência
exigência particularmente
particularmente
premente, aquela
premente, aquela própria
própria aoao amor
amor de de transferência,
transferência, que que Freud
Freud aborda
aborda ex­ex-
plicitamente, em
plicitamente, em 1915,
1915, a a questão
questão da da abstinência: “Quero propor
abstinência: “Quero propor a a regra
regra
de que
de que éé preciso
preciso manter
manter nosnos doentes
doentes necessidades
necessidades ee aspirações,
aspirações, comocomofor-for­
ças que
ças que impelem
impelem para para oo trabalho
trabalho ee para
para aa mudança,
mudança, ee evitarevitar calá-las
calá-las com
com
sucedâneos.” (1)
sucedâneos.” (1)
Foi com
Foi com Ferenczi que os
Ferenczi que os problemas
problemas técnicos
técnicos colocados
colocados pela pela observân­
observân-
cia da
cia regra de
da regra de abstinência
abstinência tiveram
tiveram que passar para
que passar para o primeiro plano
o primeiro plano das
das
discussões analíticas.
discussões analíticas. Ferenczi
Ferenczi preconizava
preconizava em certos casos
em certos casos medidas
medidas ten­ten-
dentes a
dentes a afastar
afastar as as situações substitutivas encontradas
situações substitutivas encontradas pelo pelo paciente
paciente no no tra­
tra-
tamentoee fora
tamento fora dele. Freud, na
dele. Freud, na sua comunicação final
sua comunicação final aoao Congresso
Congresso de de Bu-
Bu­
dapeste (1918),
dapeste (1918), aprovava
aprovava em em seus princípios estas
seus princípios medidas e
estas medidas justificava-as
e justificava-as
teoricamente: “Por
teoricamente: “Por mais cruel que
mais cruel possa parecer,
que possa devemosfazer
parecer, devemos fazer oo possível
possível
para que
para que o sofrimento do
o sofrimento do doente
doente não desapareça prematuramente
não desapareça prematuramente de de modo
modo
acentuado. Quando
acentuado. Quando esse
esse sofrimento
sofrimento se se atenua,
atenua, porque
porque os os sintomas
sintomasse desa-
se desa­
gregaram ee perderam
gregaram perderam oo seuseu valor,
valor, somos
somos obrigados
obrigados aa recriá-lo
recriá-lo noutro
noutro pon­
pon-
to sob
to sob aa forma
forma de de uma privação penosa.”
uma privação penosa.” (2) (2)
Para esclarecer
Para esclarecer aa discussão
discussão sempre
sempre atualatual em torno da
em torno noção de
da noção de absti­
absti- 33
AÇÃO ESPECÍFICA
AÇÃO ESPECÍFICA

nência, parece
nência, parece que
que havería
haveria interesse
interesse em
em distinguir
distinguir nitidamente,
nitidamente, por
por um
um la-
la­
do, aa abstinência
do, abstinência como
como regra
regra que
que se
se impõe
impõe ao ao analista
analista —— simples
simples conse-
conse-
quência da
qüência da sua
sua neutralidade
neutralidade — — e,
e, por
por outro,
outro, as
as medidas
medidasativas pelas quais
ativas pelas quais
se pede
se pede ao
ao paciente
paciente que
que ele
ele mesmo
mesmo se se mantenha
mantenha numnum certo
certo estado
estado de
de abs-
abs­
tinência. Tais
tinência. Tais medidas
medidas vãovão desde
desde certas
certas interpretações,
interpretações, cujo
cujo caráter
caráter insis­
insis-
tente pode
tente pode equivaler
equivaler a a uma
uma injunção,
injunção, até as interdições
até as interdições formais.
formais. Estas,
Estas, em­
em-
bora não
bora não visem
visem proibir
proibir ao
ao paciente
paciente qualquer
qualquer relação
relação sexual,
sexual, incidem
incidem geral-
geral­
mente em
mente em certas
certas atividades
atividades sexuais
sexuais (perversões)
(perversões) ouou em
em certos
certos modos
modos de de
atuação de
atuação de caráter
caráter repetitivo
repetitivo que
que parecem
parecem paralisar
paralisar oo trabalho
trabalho analítico.
analítico.
E em
E em relação
relação aa recorrer
recorrer aa essas
essas medidas
medidas ativas
ativas que
que aa maioria
maioria dos
dos analistas
analistas
se mostra
se mostra muito
muito reservada,
reservada, sublinhando
sublinhando particularmente
particularmenteoo risco
risco que
que oo ana-
ana­
lista corre
lista corre de
de ser
ser então
então assimilado
assimilado a a uma
uma autoridade
autoridade repressiva.
repressiva.

(1) F
(1) FREUD(S.), Bemerkungen über
reud (S.), Bemerkungen iúber die
die Übertragungsliebe,
Ubertragungslicbe, 1915.
1915. G.W.,
G.W., X,
X, 313;
313: S.E.,
S.E., XII,
XII,
165; Fr.,
165; Fr., 122-3.
122-3.
(2) F
(2) FreuD(S.), Wege derpsychoanalytischen
reud (S.), Wege der psychoanalytischen Therapie,
Therapie, 1918.
1918. G.W.,
G.W., XII,
XII, 188;
188; S.E.,
S.E., XVII,
XVII,
163; Fr.,
163; Fr., 136.
136.

AÇÃO
A ESPECÍFICA
ÇÃO E S P E C ÍF IC A

= D
= D.:.: spezifische
spezifische Aktion.
Aktion. ——FF.:.: action
action spécifique.
spécifique. —
— En.
En.:: specific
specific action.
action. —
— Es.
Es.::
acción especifica.
acción especifica. —
— /.:
Z.: azione
azione specifica.
specifica.

• e T Termo
erm o uutilizado
tilizado ppor Freud
or F em alguns
reud em alguns ddos seus
o s seu s pprimeiros escritos
rim e iro s esc rito s
ppara
a ra ddesignar
esign ar oo conjunto
conjunto dodo p
processo necessário
ro ce sso n ecessário àà resolu
resolução
ção dada ten-
ten ­
são
sã interna
o in criada pela
tern a criada pela nnecessidade:
ecessidade: in intervenção externa
terven ção ex adequada
tern a adequ ada e e
conjunto
con das reações
jun to das reações pré-form
pré-formadas
adas dodo organism
organismo que
o qu e ppermitem
e rm ite m a
a rea-
re a ­
lização
liza do a
çã o do .
ato.
to

s É
■ É principalmente
principalmenteno seu Projeto
no seu Projeto para
para uma
uma psicologia
psicologia científica
científica (E
(Entwurf
ntw urf
einer Psychologie,
einer Psychologie, 1895)
1895) queque Freud
Freud utiliza
utiliza a a noção
noção de
de ação
ação específica:
específica: oo prin-
prin­
cípio de
cípio de inércia*,
inércia*, que,
que, porpor postulado
postulado de de Freud,
Freud, regula
regula o o funcionamento
funcionamento do do
aparelho neurônico,
aparelho neurônico, complica-se
complica-se desdedesde que
que intervenham
intervenham as as excitações
excitações en-en-
dógenas. Com
dógenas. Com efeito,
efeito, oo organismo
organismo não não pode
pode escapar
escapar delas.
delas. Pode
Pode descarregá-
descarregá-
las de
las de duas
duas maneiras:
maneiras:
a) de
a) de forma
forma imediata,
imediata, por por reações
reações não não específicas
específicas (manifestações
(manifestações emo­emo-
cionais, gritos, etc.), que constituem uma resposta inadequada, porque
cionais, gritos, etc.), que constituem uma resposta inadequada, porque as as
excitações continuam a afluir;
b) de
b) de forma
forma específica,
específica, que que éé a
a única
única que
que permite
permite umauma resolução
resolução dura-
dura­
doura da
doura da tensão.
tensão. Freud
Freud forneceu
forneceu o o seu
seu esquema,
esquema, fazendo
fazendo intervir
intervir parti-
parti­
cularmente aa noção
cularmente noção de delimiar, em Sobre
limiar, em Sobre osos critérios
critérios para
para sese destacar
destacar da
da neu-
neu-
rastenia uma
rastenia uma síndrome
sindrome particular
particular intitulada
intitulada “neurose
“neurose dede angústia
angústia”” (Über
(Uber die
die
Berechtigung, von
Berechtigung, von der
der Neurasthentie einen bestimmten
Neurasthenie einen bestimmten Symptomenkomplex
Symptomenhomplex ais als
“Angstneurose” abzutrennen,
“Angstneurose” abzutrennen, 1895)1895) (1a).
(la).
Para que
Para que a a ação
ação específica
específica ouou adequada
adequada se se realize,
realize, éé indispensável
indispensável a a
4 presença de
presença de um
um objeto
objeto específico
específico ee de
de uma
uma série
série de
de condições
condições externas
externas(for-
(for-
AÇÃO ESPECÍFICA
AÇÃO ESPECÍFICA
necimento de
necimento de comida
comida nono caso
caso da
da fome).
fome). Para
Para oo lactente,
lactente, dado
dado o o seu
seu desam­
desam-
paro original
paro original (ver:
{ver: desamparo),
desamparo), o o auxílio exterior torna-se
auxílio exterior torna-se aa condição
condição prévia
prévia
indispensável
indispensável àà satisfação
satisfação da
da necessidade. Freud pode
necessidade. Freud também designar
pode também designar
por ação
por ação específica,
específica, algumas
algumas vezes,
vezes, oo conjunto
conjunto dos
dos atos-reflexos
atos-reflexos pelos
pelos quais
quais
o
o ato
ato éé consumado,
consumado, outras
outras aa intervenção
intervenção exterior,
exterior, ou
ou ainda
ainda esses
esses dois
dois
tempos.
Esta ação
Esta ação específica
específica éé pressuposta
pressuposta pela
pela vivência de satisfação*.
vivência de satisfação*.

*

Poder-se-ia interpretar
Poder-se-ia interpretar a
a concepção
concepção freudiana
freudiana da ação específica
da ação como
específica como
o esboço de
o esboço uma teoria
de uma do instinto*
teoria do instinto* (o:).
(«). Como
Como conciliá-la
conciliá-la com
com aa da
da pulsão
pulsão
sexual, tal
sexual, tal como
como emerge
emerge da obra de
da obra de Freud?
Freud? A
A posição
posição do problema evoluiu,
do problema evoluiu,
para Freud, nos
para Freud, nos anos de 1895-1905:
anos de 1895-1905:
1) Em
1) Em Projeto
Projeto para
para uma
uma psicologia científica, aa sexualidade
psicologia científica, sexualidade éé classifica-
classifica­
da entre
da entre as as “grandes
“grandes necessidades”
necessidades7 (2); (2); ela
ela exige,
exige, tal
tal como
como a a fome,
fome, uma
uma
ação específica
ação específica {ver:
(ver: pulsões
pulsões de de autoconservação).
autoconservação).
2) Note-se
2) Note-se queque emem 1895 Freud ainda
1895 Freud ainda nãonão tinha
tinha descoberto
descoberto a a sexualida-
sexualida­
de infantil. O que ressalta da expressão ação específica dessa época éé uma
de infantil. O que ressalta da expressão ação específica dessa época uma
analogia entre
analogia entre oo ato sexual do
ato sexual do adulto
adulto ee a satisfação da
a satisfação da fome.
fome.
3) No
3) No artigo
artigo acima
acima citado, contemporâneo do
citado, contemporâneo Projeto, éé exatamente
do Projeto, exatamente aa
propósito do
propósito do adulto
adulto queque aa ação
ação específica
específica necessária
necessária àà satisfação
satisfação sexual
sexual éé
descrita. Mas,
descrita. Mas, ao ao lado
lado dos elementos de
dos elementos comportamento que
de comportamento que constituem
constituem
uma espécie
uma espécie de montagem orgânica,
de montagem orgânica, Freud
Freud introduziu
introduziu condições
condições “psíqui­
““psíqui-
cas” de
cas” de origem
origem histórica
histórica enquadradas
enquadradas naquilonaquilo a a que
que ele
ele chama
chama a a elabora­
elabora-
ção da
ção da libido
libido psíquica
psíquica (1 (1h).
b).
4) Com
4) Com a a descoberta
descoberta da da sexualidade infantil, altera-se
sexualidade infantil, altera-se a a perspectiva
perspectiva {ver:
(ver:
sexualidade). Freud
sexualidade). Freud passa
passa a a criticar
criticar aa concepção
concepção que que define
define a a sexualidade
sexualidade
humana pelo
humana pelo ato
ato sexual
sexual adulto,
adulto, comportamento
comportamento que que seria
seria invariável
invariável no no seu
seu
desenvolvimento, no
desenvolvimento, no seu
seu objeto
objeto ee nono seu
seu fim.
fim. “A
“A opinião
opinião popular
popular temtem idéias
idéias
bem determinadas
bem determinadas sobre sobre aa natureza
natureza e as características
e as características da da pulsão
pulsão sexual.
sexual.
Esta estaria
Esta ausente durante
estaria ausente durante aa infância,
infância, aparecería
apareceria na na puberdade,
puberdade, em em es­es-
treita relação
treita relação comcom o processo de
o processo maturação, manifestar-se-ia
de maturação, manifestar-se-ia sob sob aa forma
forma
de uma
uma atração
atração irresistível exercida
exercida por um um dos sexos
sexos sobre o o outro, ee o o
seu objetivo
seu objetivo seria
seria a a união
união sexual,
sexual, ou ou pelo
pelo menos
menos osos atos
atos que
que conduzem
conduzem a a
esse
esse objetivo.”
objetivo.” (3) (3)
Freud mostra
Freud mostra em em Três
Três ensaios
ensaios sobre
sobre a teoria da
a teoria sexualidade {Drei
da sexualidade (Dre: Abhand-
Abhand-
lungen zur
lungen Sexualtheorie, 1905)
zur Sexualtheorie, 1905) como
como no no funcionamento
funcionamento da da sexualidade
sexualidade da da
criança
criança as as condições
condições orgânicas
orgânicas suscetíveis
suscetíveis de de causar
causar um um prazer
prazer sexual
sexual são
são
pouco específicas. Se
pouco específicas. Se podemos
podemosdizer que elas
dizer que elas se
se especificam
especificam rapidamente,
rapidamente,
isso acontece
isso acontece em em função
função dede fatores
fatores dede ordem
ordem histórica.
histórica. Afinal,
Afinal, nono adulto,
adulto,
as condições
as condições da da satisfação
satisfação sexual
sexual podem
podem ser ser bem determinadas para
bem determinadas este
para este
ou aquele
ou aquele indivíduo,
indivíduo, como
como sese o o homem
homem atingisse
atingisse através
através da da sua
sua história
história um
um
comportamento que
comportamento que sese pode
pode assemelhar
assemelhar a a uma
uma montagem
montagem instintual.
instintual. EÉ exa­
exa-
tamente esta
tamente esta aparência
aparência que está na
que está na origem
origem da “opinião popular”,
da “opinião popular”, taltal como
como
Freud a
Freud a descreveu
descreveu nas nas poucas
poucas linhas
linhas acima
acima citadas.
citadas. 55
ACTING OUT
ACTING OUT

4 (a)
▲ (o) Nesta
Nesta perspectiva,
perspectiva, podería
poderia estabelecer-se
estabelecer-se uma
uma aproximação
aproximação entre
entre aa teoria
teoria freudiana
freudiana
da ação
da ação específica
específica ee aa análise
análise do
do processo
processo instintual
instintual pela
pela psicologia
psicologia animal
animal contemporânea
contemporânea (es-(es­
cola etologista).

(1) FrEUD
(1) F reud (S.).
(S.). -— a)
à) Cf
Cf. G.W., I, 334.5;
G.W., I, S.E., III,
334-5; S.E., HI, 108.
108. -— b)
d) C
Cff G.W.,
G.W., 333-9;
333-9; S.E.,
SE,,
HI, 106-12.
III, 106-12.
(2) Cf
Cf. F
Freud Aus
reud (S.), A Anfângen der Psychoanalyse, 1887-1900. AL.,
us den Anfàngen AL, 381; Ingl., 357;
Fr., 317.
(3) FREUD(S.), Dyei Abhandlungen zur Sexualtheorie, 1905. G.W., V, 33; S.E., VII, 135;
F reud (S.), Drei
Fr., 17.
Fr., 17.

ACTING
A C T IN G OUT
OUT


e Termo
T erm o usado em p
usado em psicanálise
sican álise para designar
para design ar as
a s ações
ações que
qu e apresen-
a p resen ­
tam, quase
tam , qu sempre,
ase sem um caráter
pre, um impulsivo,
ca rá ter im pu lsivo, relativamente
rela tiva m en te em
em ruptura
ru p tu ra
com sistemas
com os siste m a s de motivação
de m otivação hhabituais do su
abitu ais do sujeito,
jeito, relativamente iso--
rela tiv a m e n te iso
lável
lá no decurso
vel no decurso das
dassuas atividades, ee que
suas atividades, que tom
toma ammuitas vezes uma
u itas vezes for-
uma for­
mma a aauto ou h
u to ou hetero-agressiva. Para o
etero-agressiva. Para o psican
psicanalista,
alista, oo apa
aparecimento
recim en to do do
acting out é a m marca emergência
arca da em ergência do recalcado .
recalcado. Quando apareceaparece no
ddecorrer
eco rrer de uma análise (durante a sessãosessão ou fora dela), o acting out tem tem
dde
e sser
e r compreendido
com preen dido nana sua conexão com
sua conexão com a transferência,
a transferên cia, e frequen-
e freq u en ­
temente como
te m e n te com uma ten
o uma tentativa para ignorá-la
ta tiva para ignorá-la radicalm
radicalmente.
en te.

= Otermo
■ inglês acting
O termo inglês acting outout foi
foi adotado
adotado pelos
pelos psicanalistas
psicanalistas de de língua fran-
língua fran­
cesa, ee essa
cesa, essa adoção coloca, de
adoção coloca, de início, problemas terminológicos:
início, problemas terminológicos:
1º Na
1? Na medida
medida em em que
que a a expressão
expressão to to act
act out
out (forma
(forma substantiva:
substantiva: acting
acting
out) éé empregada
out) empregada em em inglês
inglês para
para traduzir
traduzir o o que
que Freud
Freud denomina
denomina agieren,
agieren,
ela deve
ela deve recobrir toda a
recobrir toda a ambigiúidade
ambigüidade daquilodaquilo queque éé deste
deste modo
modo designado
designado
por Freud
por Freud (ver:
(ver: atuação).
atuação). Assim,
Assim, o acting out
o acting out do Dicionário geral
do Dicionário geral dos
dos termos
termos
psicológicos ee psicanalíticos
psicológicos psicanalíticos de English ee English
de English English contém
contém aa seguinte defini-
seguinte defini­
ção: “Manifestação,
ção: “Manifestação, em em uma situação nova,
uma situação nova, de um comportamento
de um comportamento inten- inten­
cional apropriado
cional apropriado aa umasituação
uma situação mais antiga, aa primeira
mais antiga, primeira representando
representando sim­ sim-
bolicamente a
bolicamente a segunda.
segunda. Cf. Transferência, que
Cf. Transferência, que éé uma
uma forma
forma dede acting out.”
acting out."
2º A
2? A definição
definição anterior
anterior está
está em
em contradição
contradição com com aa acepção
acepção do do acting
acting
out admitida
out admitida com com mais
mais freqüência,
frequência, que que diferencia
diferencia ou ou até
até contrapõe
contrapõe o o terre­
terre-
no da
no transferência ee o
da transferência o recurso
recurso ao ao acting out, ee vê
acting out, vê neste
neste uma
uma tentativa
tentativa de de
ruptura da
ruptura da relação
relação analítica.
analítica.
3º A
3? À propósito
propósito do verbo inglês
do verbo inglês toto act
act out, faremos algumas
out, faremos algumas observações:
observações:
a) To
a) To act, quando empregado
act, quando empregado transitivamente,
transitivamente, está está impregnado
impregnado de de sen­
sen-
tidos que
tidos que pertencem
pertencem ao ao domínio
domínio do do teatro:
teatro: to
to act
acta play =
a play representar uma
= representar uma
peça; to
peça; to act
act aa part
part = desempenhar um
= desempenhar um papel,
papel, etc.
etc. OO mesmo
mesmo acontece
acontece com com
oo verbo transitivo to
verbo transitivo to act
act out.
out.
b) A
b) A posposição
posposição de de out
out introduz
introduz duasduas diferenciações:
diferenciações: exteriorizar,
exteriorizar, mos­mos-
trar o
trar o que
que éé suposto
suposto ter
ter dentro
dentro de de si,
si, ee realizar
realizar rapidamente,
rapidamente, até até a a consu­
consu-
mação da
mação da ação
ação (diferenciação
(diferenciação que que voltamos
voltamos a a encontrar
encontrar em em expressões
expressões
como to
como to carry
carry out
out = = levar
levar a a bom
bom termo;
termo; to to sell
sell out
out == vender,
vender, etc.).
etc.).
c) O
c) sentido original,
O sentido original, puramente
puramente espacial,
espacial, do do pospositivo
pospositivo out out chegou
chegou
66 aa levar
levar alguns
alguns psicanalistas
psicanalistas a a entenderem
entenderem erradamente
erradamente actingacting out
out como
como o o
ACTING OUT

ato realizado fora da sessão analítica ee aa contraporem expressão aa um


contraporem aa expressão um
acting in que aconteceria no decorrer da sessão. Se
da sessão. quisermos explicar
Se quisermos esta
explicar esta
falarmosde
oposição, convirá falarmos de acting out outside ofpsychoanal
out outside o f psychoanalysis de acting
ysis ee de acting
psychoanalysis ou
out inside ooff psychoanalysis ou in
in the analytic situation.

4? Parece difícil encontrar, em francês, uma expressão que
uma expressão to-
traduza to­
que traduza
nuances precedentes
das as nuancès (houve quem
precedentes (houve propusesse agissement
quem propusesse actua-
agissement ee actua-
lacte (passagem ao
tion). A expressão passage à V'acte ao ato), que éé oo equivalente
ato), que equivalente
frequentemente utilizado, tem entre
mais freqüentemente outros o
entre outros inconveniente de
o inconveniente dejá ter
já ter
na clínica psiquiátrica, na qual se
sido adotada naclínica se tende de forma
reservá-la de
tende aa reservá-la forma
atos impulsivos violentos, agressivos,
exclusiva para atos delituosos (assassínio,,
agressivos, delituosos(assassínio
suicídio, atentado
suicídio, atentado sexual, etc); oo sujeito
sexual, etc); passa de
sujeito passa uma representaç
de uma ão, de
representação, de
tendência, ao ato
uma tendência,
uma propriamentee dito. Por
ato propriament outro lado, esta expressão
Por outro expressão
não comporta,
não comporta, no seu uso
no seu qualquer referência
clínico, qualquer
uso clínico, uma situação
referência aa uma trans-
situação trans­
ferencial.
ferenciai.
x
*

Do ponto
Do ponto de vista descritivo,
de vista descritivo, aa gama
gama dosdos atos
atos que
que agrupamos
agrupamos geral-
geral­
mente
mente sobsob aa rubrica
rubrica do
do acting
acting out
out éé muito
muito extensa,
extensa, incluindo
incluindo aquilo
aquilo aa que
que
a
a clínica psiquiátrica chama
clínica psiquiátrica chama “passagem
“passagem ao ao ato” (ver acima),
ato” (ver acima), mas
mas também
também
formas
formas muito mais discretas,
muito mais desde que
discretas, desde que nelas
nelas se
se encontre aquela caracte­
encontre aquela caracte-
rística impulsiva,
rística impulsiva, mal
mal motivada
motivada aos
aos olhos
olhos do próprio sujeito,
do próprio sujeito, que
que rompe
rompe comcom
o seu comportamento
o seu habitual, mesmo
comportamento habitual, mesmo que que aa ação em causa
ação em seja secunda-
causa seja secunda­
riamente racionalizada;
riamente racionalizada; tal
tal característica
característica assinala
assinala para
para o o psicanalista
psicanalista oo re­
re-
torno do
tomo recalcado; podem-se
do recalcado; também considerar
podem-se também como acting
considerar como acting out
out certos
certos
acidentes acontecidos
acidentes acontecidos aoao sujeito
sujeito embora
embora ele ele se sinta estranho
se sinta estranho àà produção
produção
desses acontecimentos.
desses acontecimentos. Essa Essa extensão
extensão coloca
coloca evidentemente
evidentemente oo problema
problema da da
delimitação do
delimitação do conceito
conceito de acting out,
de acting out, mais
mais ou ou menos
menos vago
vago ee variável
variável con-
con­
forme os
forme os autores, relativamente a
autores, relativamente a outros
outros conceitos
conceitos emitidos
emitidos por Freud, par­
por Freud, par-
ticularmente o
ticularmente o ato
ato falho
falho ee os chamados fenômenos
os chamados fenômenos de de repetição
repetição (q).
(a). O
O ato
ato
falho também
falho também éé pontual, isolado, mas,
pontual, isolado, mas, pelo menos nas
pelo menos suas formas
nas suas formas mais
mais
características, a
características, sua natureza
a sua natureza dede compromisso
compromisso fica fica evidente;
evidente; inversamen-
inversamen­
te, nos fenômenos de de repetição vivida
vivida (“compulsão
(“compulsão de de destino”,
destino”, por
por exem-
exem­
plo), os
plo), os conteúdos recalcados retornam
conteúdos recalcados retornam frequentemente
freqüentemente com com grande fideli-
grande fideli­
dade
dade em umasituação
em uma pela qual
situação pela qual oo sujeito
sujeito não reconhece ser
não reconhece ser o
o responsável.
responsável.

x

Umadas
Uma contribuições da
das contribuições da psicanálise foi relacionar
psicanálise foi relacionar oo aparecimento
aparecimento des­des-
se ato
se impulsivo com
ato impulsivo com aa dinâmica
dinâmica do tratamento ee com
do tratamento com aa transferência.
transferência. Este
Este
éé o
o caminho
caminho nitidamente
nitidamente indicado
indicado por
por Freud,
Freud, que
que sublinhou
sublinhou aa tendência
tendência de de
certos pacientes
certos pacientes para fazerem “atuar”
para fazerem “atuar” (agieren)
(agieren) fora da análise
fora da análise as
as moções
moções
pulsionais despertadas
pulsionais por ela.
despertadas por Mas, na
ela. Mas, na medida
medida emem que,
que, como
como sese sabe,
sabe, ele
ele
descreveu
descreveu mesmo
mesmo aa transferência
transferência para
para a
a pessoa
pessoa do
do analista como uma
analista como uma for­
for-
ma de
ma “atuação”,, não
de “atuação” diferenciou com
não diferenciou clareza nem
com clareza nem articulou os fenômenos
articulou os fenômenos
de repetição
de repetição na transferência ee os
na transferência do acting
os do out. A
acting out. A distinção
distinção por
por ele intro-
ele intro­
duzida parece responder
duzida parece responder aa preocupações predominantemente técnicas,
preocupações predominantemente técnicas, pois
pois 77
AFANISE

oo sujeito que faz


sujeito que faz atuar conflitos fora
atuar conflitos do tratamento
fora do tratamento éé menos
menos acessível à to-to­
mada de
mada de consciência
consciência dodo seu
seu caráter
caráter repetitivo e pode, independentemen
independentemente te
de qualquer controle
de qualquer controle ee de
de qualquer interpretação do analista, satisfazer até
oo fim,
fim, até
até oo ato
ato consumado,
consumado, as suas pulsões recalcadas: “Não é de modo
nenhum
nenhum desejável
desejável que
que o independentemente da transferência, atue
o paciente, independentemente
(agiert) em vez
(iagiert) em vez de
de se
se recordar; o ideal, para o nosso objetivo, será que ele
se comporte
se comporte tãotão normalmente
normalmente quanto possível fora do tratamento e que só
manifeste as suas reações anormais na transferência.” (1)
Umadastarefas
Uma fundamentara
das tarefas da psicanálise seria procurar fundamentar a distinção
entre transferência e acting out em outros critérios, diferentes dos critérios
actingout
puramente técnicos,
puramente técnicos, ou
ou mesmo puramente espaciais
mesmo puramente (o que
espaciais (o que se
se passa
passa no
no con­
con-
sultório do
sultório do analista ou fora
analista ou fora dele);
dele); isto
isto suporia particularmente uma
suporia particularmente uma refle­
refle-
xão renovada sobre os conceitos de ação, de atualização, e sobre aquilo que
especifica os diferentes modos de comunicação.
Só depois de esclarecidas teoricamente as relações entre o acting a d in g out
e a transferência analítica poderiamos
poderíamos indagar se as estruturas assim evi- evi­
denciadas podem ser extrapoladas para além de qualquer referência ao tra­ tra-
tamento, isto é, perguntar se os atos impulsivos da vida cotidiana não se
poderão esclarecer
poderão depois de
esclarecer depois de referidos
referidos aa relações
relações de tipo transferenciai.
de tipo transferencial.

4 (a)
A (o) Essa delimitação será necessária se quisermos conservar uma especificidade para a
noção e não dissolvê-la numa concepção de conjunto que faz surgir a relação mais ou menos
estreita de qualquer empreendimento humano com as fantasias inconscientes.

FreUD
(1) F Abrisss der Psychoanalyse, 1938. G.W., XVII, 103; S.E., XXIII, 177;
reud (S.), Abris
Fr., 46.

AFANISE
A F A N IS E

— R:
= D.: Aphanisis. — F.: aphanisis. — En.: aphanisis. —
— En.\ — Es.: afânisis.
afánisis. —
— [.: afanisi.


e Term
Termo introduzido
o introdu zido ppor desaparecimento
o r E. Jones: desaparecim desejo sexual.
ento do desejo sexu al.
Segundo e
este
ste aautor,
u to r, a afanise seria, nnos
os dois sexos, objeto
o b jeto dde
e um te-­
um te
mor
m mais
or m fundamental
ais fu n dam en tal que
qu e o tem
temor
o r da castração.

m Jones introduz o termo grego oupávioiç


m apávioic (ato de fazer desaparecer, desa­
desa-
parecimento) relacionado com a questão do complexo de castração (1 (la).
a). Se-
Se­
gundo ele, mesmo no homem, a abolição da sexualidade e a castração não
coincidem (por exemplo: ““...
... muitos homens desejam ser castrados por ra-ra­
zões eróticas, entre outras, de modo que a sua sexualidade certamente não
desaparece com o abandono do pênis”) (16); (1b); se é verdade que parecem
confundir-se, é porque o temor da castração é a forma por que se apresenta
concretamente (ao lado das idéias de morte) a idéia mais geral de afanise.
Na mulher, é no temor da separação do objeto amado que poderiamos
poderíamos
descobrir o temor da afanise.
Jones introduz a noção de afanise no quadro das suas pesquisas sobre
8 a sexualidade feminina. Enquanto Freud centrava a evolução sexual da me-
AFETO
AFETO

nina, como a do menino, no complexo de castração ee na prevalência do


na prevalência do
Jonestenta
falo, Jones tenta descrever a evolução da menina de
de um
um modo
modo mais
mais especí-
especí­
fico, que dá ênfase a uma sexualidade que possui de início os
de início seus objeti-
os seus objeti­
vos e a sua atividade próprios.
vos e a sua atividade próprios.
O denominador comum da sexualidade da menina e do do menino deveria
menino deveria
ser procurado aquém do complexo de castração, na afanise.

(1) C
(1) Cff JonEs (E.), Early
Jones (E.), Early Development
Development of Female Sexuality,
of Female 1927. In
Sexuality, 1927. In Papers on Psycho-
Papers on Psycho-
Analysis, Baillière,
Analysis, Bailliêre, Londres,
Londres, 5?52 ed.,
ed., 1950. — a)
1950. — a) 438-51.
438-51. —
— b)
5) 439-40.
439-40.

AFETO
A FETO

= D.: Affekt. — — En.\


— F.: affect. — En.: affect. —
— Es.: afecto. — I.: affetto.
— /.:


e Term
Termoque
o que aa psicanálise foi buscar
psican álise foi bu scar na terminologia
na term inologia psicológica
psicológica ale-
ale­

m ã e que exexprime qualquer
p rim e qu alqu er estado
esta d o afetivo, ppenoso
en o so ou desagradável,
vago ou qualificado, qquer se a
u er se apresente sob a form
p resen te sob forma a dde descarga
e uma descarga
maciça, quer
m aciça, qu como
er com o tonalidade geral. Segundo F Freud,
reud, toda pupulsão
lsâo se
exprime
ex registros,
p rim e nos dois reg do afeto
istro s, do afeto e da represen
representação.
tação. O afeto é a
expressão
ex qualitativa
p ressã o qu alitativa da ququantidade
an tidade ddee energia
energia pupulsional
lsion al e das
das suas
variações.

E A
■ À noção de afeto assume grande importância logo nos primeiros traba­ traba-
lhos de
lhos Breuer ee Freud
de Breuer Freud (Estudos
(Estudos sobre
sobre aa histeria
histeria [Studien tber Hysterie,
[Studien über Hlysterie, 1895])
1895])
sobre a psicoterapia da histeria e a descoberta do valor terapêutico da ab-
À origem do sintoma histérico é procurada num acontecimento trau­
reação. A trau-
mático a que não correspondeu uma descarga adequada (afeto coartado).
Somente quando a evocação da recordação provoca a revivescência do
afeto que estava ligado aa ela na origem é que a rememoração encontra a
sua eficácia terapêutica.
Da consideração da histeria resulta portanto, para Freud, que o afeto
não está necessariamente ligado à representação; a sua separação (afeto
sem representação,
sem representação, representação
representação sem
sem afeto)
afeto) garante
garante aa cada
cada um
um diferentes
diferentes
destinos. Freud indica possibilidades diversas de transformação do afeto:
“Conheço três mecanismos: 1?
"Conheço 1º o da conversão dos afetos (histeria de con­ con-
versão); 2º
2? o do deslocamento do afeto (obsessões); e 3º transforma-
3? o da transforma­
ção do afeto (neurose de angústia, melancolia).” (1)
A partir
A partir desse
desse período,
período, aa noção
noção de
de afeto
afeto éé utilizada
utilizada em
em duas
duas perspecti­
perspecti-
vas: pode ter apenas um valor descritivo, designando a ressonância emo­ emo-
cional
cional de uma experiência geralmente forte. Mas Mas aa maior parte das vezes
ela postula uma teoria quantitativa dos investimentos, a única que pode tra­ tra-
duzir a autonomia do afeto em relação às suas diversas manifestações.
A questão é tratada sistematicamente por Freud nos seus escritos me-
tapsicológicos (O recalque [Die Verdràngung,
Verdrângung, 1915]; O inconsciente [Das Un-
1915). O
bewusste, 1915]). O afeto é aí definido como a tradução subjetiva da quanti­quanti-
dade de energia pulsional. Freud distingue aqui nitidamente o aspecto sub- 9
AGIR

jetivo do
jetivo do afeto
afeto ee os
os processos
processos energéticos
energéticos queque oo condicionam.
condicionam. Note-se
Note-se que,
que,
paralelamente ao termo afeto, ele emprega “quantum de afeto” afeto”** (Affektbe-
trag), entendendo designar assim o aspecto propriamente econômico: o quan­ quan-
tum de afeto ”... “... corresponde à pulsão na medida em que esta se separou
da representação
da representação ee encontra
encontra uma
uma expressão
expressão adequada
adequada à à sua
sua quantidade
quantidade em em
processos que
processos que se se tornam
tornam sensíveis
sensíveis para
para nós
nós como
como afetos”
afetos” (2a,
(2a, a).
o).
Não se
Não se vê
vê muito
muito bembem como
como o o termo
termo ”afeto”
“afeto” podería
poderia conservar
conservar qual­
qual-
quer sentido
quer sentido fora
fora dede qualquer
qualquer referência
referência àà consciência
consciência dede si;
si; Freud
Freud coloca
coloca
aa questão:
questão: será
será legítimo
legítimo falar
falar de
de afeto
afeto inconsciente?
inconsciente? (3a).
(3a). Recusa-se
Recusa-se aa esta­
esta-
belecer um paralelismo entre o chamado afeto “inconsciente” (sentimento
de culpa
de culpa inconsciente,
inconsciente, por por exemplo)
exemplo) ee as
as representações
representações inconscientes.
inconscientes. Exis­
Exis-
te uma diferença notável entre a representação inconsciente e o sentimen­ sentimen-
to inconsciente: “A representação inconsciente, uma vez recalcada, perma­ perma-
nece no
nece no sistema
sistema Ics Ics como
como formação
formação real,
real, enquanto
enquanto que
queali, para o
ali, para o afeto
afeto in­
in-
consciente, só
consciente, só corresponde
corresponde um um rudimento
rudimento queque não
não conseguiu
conseguiu desenvolver-
desenvolver-
sse.” (3h) (ver: recalque; repressão)
e .” (3b)
Note-se por
Note-se por fim
fim que
que Freud
Freud formulou
formulou umauma hipótese
hipótese genética
genética destinada
destinada
a traduzir o aspecto vivido do afeto. Os afetos seriam “reproduções de acon­ acon-
tecimentos antigos
tecimentos antigos de de importância
importância vital
vital ee eventualmente
eventualmente pré-individuais”
pré-individuais”
comparáveis a ”... “... acessos histéricos universais, típicos e inatos” (4).

4 (a)
▲ (o) Em outras passagens, a distinção é negligenciada, visto que Freud, a propósito da his­
his-
desa-
teria de conversão, não fala de uma conversão do quantum de afeto que condicionaria o desa­
parecimento do afeto subjetivo, mas simplesmente de “desaparecimento total do quantum de
(2h).
afeto” (2b).

FREUD
(1) F reud (S.), A Aus Anfângen der Psychoanalyse, 1887-1902. Al.,
us den Anfàngen AL, 95; Ingl., 84;
767.
Fr., 76-7.
FreUD(S.),
(2) F Verdrângung, 1915. -— a) G.W., X, 255; S.E., XIV, 152; Fr., 79-80.
reud (S.), Die Verdràngung,
-— b)
BD) G.W.,
GW., X, X, 258;
258; S.E.,
S.E., XIV,
XIV, 155;
155; Fr.,
Fr., 85.
85.
(3) F
(3) FREUD (S.), Das
reud (S.), Das Unbeimsste,
Unbewusste, 1915.
1915. -— a)
a) Cf.
Cf G.W.,
G.W., X,
X, 276-7;
276-7; S.E.,
S.E., XIV,
XIV, 178;
178; Fr.,
Fr., 113-4.
1134.
-— b)
BD) G.W.,
G.W., X, X, 277;
277; S.E.,
S.E., XIV,
XIV, 178;
178; Fr.,
Fr. 114-5.
114-5.
FREUD
(4) F reud (S.), Hemmung, Symptom und Angst, 1926. G.W., XIV, 163; S.E., XX, 133;
Fr., 57.

AGIR
A G IR

Ver:
V Atuação
er: A tu a ç ã o

[Nesta edição brasileira optamos pelo termo atuar, que se impôs entre
nós na prática psicanalítica como equivalente de agieren.]

AGRESSIVIDADE
A G R E S S IV ID A D E

Aggressivitãt. —
= D.: Aggression, Aggressivitát. — F.: agressivité. —
— En.
En.:\ aggressivity, aggressi-
10
10 — Es.: agresividad. —
veness. — — /.:
IL: aggressività.
aggressivita.
AGRESSIVIDADE
AGRESSIVIDADE


e Tendência
Tendência ou conjunto de
ou conjunto de tendências
tendências que se atualizam
que se atualizam em compor-
em com por­
tamentos
ta m en to s reais
reais ou fantasísticos
ou fa n ta sístico s que
qu e visam
visam prejudicar
p reju d ica r o outro,
o ou tro, destruí-
destru í-
lo, constrangê-lo,
constrangê-lo, humilhá-lo,
hum ilhá-lo, etc.
e tc . A
A agressão
agressão conhece outras ou tra s modali-
m odali­
dades
d a d es além
além dada ação
açâo mmotora
otora violenta
violenta ee destru
destruidora;
idora; não
nâo existe compor-
e x iste com por­
tamento,
ta m en to , quer
qu er negativo
n egativo (recusa
(recusa dde e auxílio,
auxílio, por exemplo)
p o r exem plo) quer
q u er positi-
p o siti­
vo, simbólico
vo, sim bólico (ironia,
(ironia, ppor
o r exemplo)
exem plo) ou efetivamente
ou efetiva concretizado,
m en te con cretizado, que que
não possa
nâo funcionar como
p o ssa funcionar com o agressão.
agressão. A psicanálise
A psican álise atribuiu
atribu iu uma uma im-
im ­
portância
po rtâ n cia crescente
crescen te àà agressividade,
agressividade, mostrando-a
m ostran do-a em em operação
operação desdedesd e
cedo
cedo no no desenvolvimento
d esen vo lvim en to do sujeito
do su jeito e e sublinhando
su blinhando o ommecanismo
ecan ism o com com-­
plexo
p le x o da sua união
da sua com a
união com sexualidade
a sexu alidade ee da sua separação
da sua separação dela.dela. E Esta
sta
evolução
evolu das id
ção das idéias
éias culmina com a
culm ina com a tentativa
ten ta tiva de
d e pprocurar
ro cu ra r na agressivi-
na agressivi­
ddade um substrato
a d e um pulsional
su b stra to pu lsion al único
único ee fundamental
fu n dam en tal na noção de
na noção d e pulsão
pu lsâo
dde
e mmorte.
o rte.

s Segundo um
■ Segundo modo de
um modo ver corrente,
de ver Freud só
corrente, Freud só tardiamente teria reco­
tardiamente teria reco-
nhecido
nhecido aa importância
importância da da agressividade.
agressividade. E E não
não foi
foi ele
ele mesmo
mesmo que que propa-
propa­
gou essa idéia?
gou essa idéia? “Por
“Por que”,
que”, pergunta ele, “precisamos
pergunta ele, “precisamos de tanto tempo
de tanto tempo antes
antes
de
de nos
nos decidirmos
decidirmos aa reconhecer
reconhecer uma uma pulsão
pulsão agressiva?
agressiva? Por
Por que hesitamos
que hesitamos
em
em utilizar,
utilizar, para
para aa teoria,
teoria, fatos que eram
fatos que evidentes ee familiares
eram evidentes familiares aa qualquer
qualquer
pessoa?”
pessoa?”(1a) Na realidade,
(1a) Na realidade, as
as duas
duas questões
questões que
que Freud
Freud formula
formula aqui mere-
aqui mere­
cem
cem serser separadas,
separadas, porque,
porque, sese éé verdade
verdade queque a hipótese de
a hipótese uma “pulsão
de uma “pulsão
de agressão” autônoma,
de agressão” emitida por
autônoma, emitida por Adler logo em
Adler logo 1908, foi
em 1908, foi durante mui-
durante mui­
to tempo recusada
to tempo recusada por Freud, em
por Freud, contrapartida não
em contrapartida seria exato
não seria exato dizer
dizer que
que
a
a teoria psicanalítica, antes
teoria psicanalítica, antes da “virada de
da “virada de 1920”,
1920”, sese recusava
recusava aa levar
levar em
em
consideração
consideração os os comportamentos
comportamentos agressivos.
agressivos.
Seria fácil demonstrá-lo
Seria fácil demonstrá-lo aa diversos
diversos níveis.
níveis. Primeiro
Primeiro no no tratamento,
tratamento, on-
on­
de
de desde muito cedo
desde muito cedo Freud
Freud encontra
encontra aa resistência
resistência comcom a a sua
sua marca
marca agres-
agres­
siva:
siva: ““...
...oo sujeito, até aquele
sujeito, até instante tão
aquele instante tão bom,
bom, tão
tão leal,
leal, torna-se
toma-se grosseiro,
grosseiro,
falso
falso ou revoltado, simulador,
ou revoltado, simulador, atéaté oo momento
momento em em que
que lhe
lhe digo
digo isso
isso ee em
em
que
que consigo
consigo assim vergar o
assim vergar o seu
seu caráter” (2). Mais
caráter” (2). Mais ainda,
ainda, Freud,
Freud, desde
desde oo
Caso
Caso DoraDora (Fragmento
(.Fragmento da da análise
análise dede um
um caso
caso de de histeria
histeria [Bruchstiick
[Bruchstück einer
einer
Hysterie-Analyse, 1905]),
Hysterie-Analyse, 1905), vê vê na
na intervenção
intervenção da da agressividade
agressividade um um traço
traço pró-
pró­
prio do
prio do tratamento psicanalítico: “...o
tratamento psicanalítico: “... o doente
doente no no decorrer
decorrer de de outros trata-
outros trata­
mentos
mentos só só evoca
evoca transferências
transferências ternas
temas ee amigáveis
amigáveis em favor da
em favor da sua cura
sua cura
[...].
[...]. Na
Na psicanálise,
psicanálise, em contrapartida, todas
em contrapartida, todas as as moções, incluindo as
moções, incluindo hos-
as hos­
tis, devem
tis, devem serser despertadas,utilizadas
despertadas, utilizadas pela pela análise
análise ao se tomarem
ao se tornarem conscien-
conscien­
tes”
te (3). À
s” (3). À primeira
primeira vista,
vista, foi
foi como resistência que
como resistência que a a transferência surgiu
transferência surgiu
a
a Freud,
Freud, ee essa resistência deve-se
essa resistência deve-se emem grande
grande medida àquilo a
medida àquilo a que
que ele
ele cha­
cha-
mará
mará transferência negativa {ver:
transferência negativa (ver: transferência).
transferência).
A
A clínica impõea
clínica impõe a idéia de que
idéia de que as tendências hostis
as tendências hostis são
são particularmente
particularmente
importantes
importantes em em certas
certas afecções
afecções (neurose
(neurose obsessiva, paranóia). A
obsessiva, paranóia). noção de
A noção de
ambivalência*
ambivalência* vem vem exprimir
exprimir aa coexistência
coexistência no no mesmo
mesmo planoplano dodo amor
amor ee do do
ódio, senão ao
ódio, senão ao nível
nível metapsicológico
metapsicológico mais mais fundamental,
fundamental, pelo pelo menos
menos na na ex-
ex­
periência. Citemos
periência. Citemos aindaainda aa análise
análise feita
feita por Freud do
por Freud chiste, em
do chiste, em que
que eleele
declara
declara que que este,
este, “...
“ ... quando
quando nãonão éé oo seu
seu próprio
próprio fim,fim, isto
isto é, inocente, só
é, inocente, só
pode pôr-se
pode pôr-se aa serviço
serviço de de duas tendências [...];
duas tendências ou éé um
[...]; ou um chiste hostil (que
chiste hostil ser-
(que ser­
ve àà agressão,
ve agressão, àà sátira,
sátira, àà defesa),
defesa), ouou então
então éé um um chiste
chiste obsceno...”
obsceno...”(4) (4) 1
11

e
AGRESSIVIDADE
AGRESSIVIDADE

A propósito
A propósito disso
disso Freud
Freud falafala por
por diversas
diversas vezes
vezes de de “pulsão
“pulsão hostil”,
hostil”, “ten­
“ten-
dência hostil”
dência hostil”.. Por
Por fim,
fim, o o complexo
complexo de de Édipo
Edipo éé descoberto
descoberto logo logo dede início
início
como conjunção
como conjunção de de desejos
desejos amorosos
amorosos ee hostishostis (é (é mesmo
mesmo apresentado
apresentado pela pela
primeira vez
primeira vez em em A 4 interpretação
interpretação de de sonhos
sonhos [Die[Die Traumdeutung,
Traumdeutung, 1900] 1900] sobsob
aa rubrica
rubrica “Sonhos
“Sonhos de de morte
morte das das pessoas
pessoas queridas”);
queridas”); a a sua
sua elaboração
elaboração pro-pro­
gressiva leva
gressiva leva a a atribuir,
atribuir, cada
cada vezvez mais,
mais, um um papel
papela estes dois
a estes dois tipos
tipos dede dese-
dese­
jo nas
jo nas diferentes
diferentes constelações
constelações possíveis.
possíveis.
À variedade,
A variedade, a a extensão,
extensão, a a importância
importância dessesdesses fenômenos
fenômenos exigiam
exigiam uma uma
explicação ao
explicação ao nível
nível da
da primeira
primeira teoria
teoria das
das pulsões.
pulsões. Esquematicamente,
Esquematicamente, pode- pode-
se dizer
se dizer queque a a resposta
resposta de de Freud
Freud se se escalona
escalona em em diversos planos:
diversos planos:
1º Se
1? Se ele
ele se
se recusa
recusa a a hipostasiar,
hipostasiar, por por trás
trás dessas
dessas tendências
tendências ee compor­
compor-
tamentos agressivos,
tamentos agressivos, uma uma pulsão
pulsão específica,
específica, éé porque
porque lhe lhe parece
parece queque taltal
concepção redundaria
concepção redundaria em em beneficiar
beneficiar uma uma só só pulsão
pulsão com com aquilo
aquilo queque para
para
ele caracteriza
ele caracteriza essencialmente
essencialmente a a pulsão,
pulsão, istoisto é,
é, o o fato
fato dede ser
ser umum impulso
impulso
aa queque não
não se se pode
pode fugir,
fugir, exigindo
exigindo do do aparelho
aparelho psíquico
psíquico um um certo
certo trabalho
trabalho
ee pondo
pondo em em movimento
movimento a a motricidade.
motricidade. Neste Neste sentido,
sentido, parapara realizar
realizar os seus
os seus
objetivos, mesmo
objetivos, mesmo que que “passivos”
“passivos” (ser (ser amado,
amado, ser visto, etc.),
ser visto, etc.), aa pulsão
pulsão exi-
exi­
ge uma
ge umaatividade
atividade que que pode
pode ter ter que
que vencer
vencer obstáculos:
obstáculos: “toda “toda pulsão
pulsão é é umum
fragmento de
fragmento de atividade”
atividade” (5a). (5a).
2º Sabe-se
2? Sabe-se que,que, nana primeira
primeira teoria
teoria dasdas pulsões,
pulsões, as as pulsões
pulsões sexuais
sexuais têmtêm
como opostas
como opostas as as pulsões
pulsões de de autoconservação.
autoconservação. Estas, Estas, de de modo
modo geral,
geral, têmtêm
por função
por função a a manutenção
manutenção ee a a afirmação
afirmação da da existência
existência individual.
individual. Neste
Neste qua-
qua­
dro teórico,
dro teórico, a a explicação
explicação de de comportamentos
comportamentos ou ou dede sentimentos
sentimentos tão tão mani-
mani­
festamente agressivos
festamente agressivos comocomo o o sadismo
sadismo ou ou o o ódio,
ódio, porpor exemplo,
exemplo, éé procura-
procura­
da num
da num mecanismo
mecanismo complexo
complexo dos dos dois
dois grandes
grandes tipostipos dede pulsões.
pulsões. A A leitura
leitura
de Pulsões
de Pulsões ee destinos
destinos das
das pulsões
pulsões {Triebe
(Triebe und und Triebschicksale,
Triebschicksale, 1915) 1915) mostra
mostra
que Freud
que Freud tem tem à à sua
sua disposição
disposição uma uma teoria
teoria metapsicológica
metapsicológica da da agressivi­
agressivi-
dade. A
dade. À aparente
aparente mutação
mutação do do amor
amor em em ódio
ódio éé apenas
apenas uma umailusão;
ilusão; o o ódio
ódio
não éé um
não um amoramor negativo;
negativo; tem tem a a sua
sua gênese
gênese própria,
própria, cujacuja complexidade
complexidade éé
mostrada por
mostrada por Freud,
Freud, para
para quem
quem a a tese
tese central
central éé a a de
de que
que “os
“os verdadeiros
verdadeiros
protótipos da
protótipos da relação
relação de de ódio
ódio nãonão provêm
provêm da da vida
vida sexual,
sexual, masmas da da luta
luta dodo
ego pela
ego pela suasua conservação
conservação ee afirmação”
afirmação” (56). (55).
3º Por
3? Por último,
último, nono domínio
domínio das das pulsões
pulsões de de autoconservação,
autoconservação, Freud Freud es- es­
pecifica, quer
pecifica, quer como
como função,
função, quer quer mesmo
mesmo como como pulsão
pulsão independente,
independente, a a ati-
ati­
vidade de
vidade de garantir
garantir o o seu
seu domínio
domínio sobresobre o o objeto
objeto (Bemàchtigungstrieb)
(Bemáchtigungstrieb) (ver: {ver:
pulsão de
pulsão de dominação).
dominação). Com Com estaesta noção,
noção, ele ele parece
parece indicar
indicar uma
uma espécie
espécie de de
campo intermediário
campo intermediário entre entre aa simples
simples atividade
atividade inerente
inerente aa todatoda função
função ee
uma tendência
uma tendência para para a a destruição
destruição pela pela destruição.
destruição. A A pulsão
pulsão de de dominação
dominação
éé uma
uma pulsão
pulsão independente,
independente, ligada ligada a a um
um aparelho
aparelho especial
especial (a (a musculatura)
musculatura)
ee aa uma
uma fase
fase definida
definida da da evolução
evolução (fase(fase sádico-anal).
sádico-anal). Mas, Mas, porpor outro
outro lado,
lado,
““... causar danos
... causar danos ao ao objeto
objeto ou ou aniquilá-lo
aniquilá-lo lhe lhe éé indiferente”
indiferente” (5c), (Dc), pois
pois aa con-
con­
sideração pelo
sideração pelo outro
outro ee pelo
pelo seuseu sofrimento
sofrimento só só aparecem
aparecem no no retomo
retorno maso-
maso­
quista, tempo
quista, tempo em em que
que a a pulsão
pulsão de de dominação
dominação se se torna
torna indiscemível
indiscernível da da exci­
exci-
tação sexual
tação sexual que que provoca
provoca {ver: (ver: sadismo
sadismo — — masoquismo).
masoquismo).

12
12 *

AGRESSIVIDADE

Com a última teoria das pulsões, a agressividade desempenha um pa­ pa-


pel mais importante e ocupa um lugar diferente na teoria.
À teoria explícita de Freud a respeito da agressividade pode resumir-
A
se assim:
se assim: “Uma
“Uma parte
parte [da
[da pulsão
pulsão de
de morte]
morte] éé posta
posta diretamente
diretamente aa serviço
serviço
da pulsão sexual, onde o seu papel é importante. E É isso o sadismo propria­
propria-
acompanhaesse
mente dito. Outra parte não acompanha esse desvio para o exterior, mantém-
se no organismo, onde está ligada libidinalmente pelo auxílio da excitação
acompanhar[...]
sexual de que se faz acompanhar [...]; reconhecemos aí o masoquismo ori­ ori-
ginário, erógeno.” (6)
Freud reserva o nome de pulsão de agressão* (Aggressionstrieb), na
maioria das vezes, à parte da pulsão de morte voltada para o exterior com
o auxílio específico da musculatura. Note-se que esta pulsão de agressão,
talvez como a tendência para a autodestruição, só pode ser apreendida, se­ se-
gundo Freud,
gundo Freud, na
na sua
sua fusão
fusão com
com aa sexualidade
sexualidade (ver:
(ver: fusão
fusão —
— desfusão).
desfusão).
O dualismo pulsões de vida — — pulsões de morte é freqüentemente
frequentemente assi­
assi-
milado pelos psicanalistas ao da sexualidade e da agressividade, e o pró- pró­
prio Freud caminha por vezes nessa direção (16). (1). Tal assimilação exige di­ di-
versas observações:
1º Os fatos que Freud invoca em A
1? Além
lém do princípio do prazer (Jenseits
Lustprinzips, 1920) para justificar a introdução da noção de pulsão de
des Lustprinzips,
morte são fenômenos em que se afirma a compulsão à repetição*, e esta
não está seletivamente relacionada com comportamentos agressivos.
2º Quando, para Freud, no campo da agressividade, certos fenômenos
2?
assumem uma
assumem uma importância
importância cada
cada vez
vez maior,
maior, trata-se
trata-se sempre
sempre daqueles
daqueles que
que
testemunham uma auto-agressão: clínica do luto e da melancolia, “sen­ “sen-
timento de culpa inconsciente”, “reação terapêutica negativa”, etc.,
fenômenos que
fenômenos que oo levam
levam aa falar
falar das
das “misteriosas
“misteriosas tendências
tendências masoquis­
masoquis-
tas do
tas do ego”
ego” (7).
(7).
3º Do ponto de vista das noções em jogo, pulsões de vida ou Eros es­
3? es-
tão muito
tão muito longe
longe dede serem
serem apenas
apenas umauma nova
nova denominação
denominação parapara abranger
abranger
aquilo a que antes se chamava sexualidade. Sob o nome nomede de Eros*, com efeito,
Freud designa o conjunto das pulsões que criam ou mantêm unidades, de
modo que
modo que nele
nele são
são afinal
afinal englobadas
englobadas não não só
só as
as pulsões
pulsões sexuais,
sexuais, enquanto
enquanto
tendem a conservar a espécie, mas ainda as pulsões de autoconservação
que visam manter e afirmar a existência individual.
49 Correlativamente, a noção de pulsão de morte não é simplesmente
4?
anteriormen-
um conceito genérico que engloba indistintamente tudo o que anteriormen­
te fora descoberto como manifestações agressivas, e apenas isso. Efetiva­ Efetiva-
mente, uma parte daquilo a que se pode chamar luta pela vida pertence
a Eros; inversamente, a pulsão de morte chama chamaa a si,
si, e indubitavelmente
de maneira mais incontestável, aquilo que Freud tinha reconhecido, na se­ se-
xualidade humana, como específico do desejo inconsciente: sua irredutibi-
lidade, sua insistência, seu caráter desreal e, do ponto de vista econômico,
sua tendência à redução absoluta das tensões.

*
★ 13
13
AGRESSIVIDADE
AGRESSIVIDADE

Pode-se perguntar em que a noção de agressividade se renovou depois


de 1920. Poder-se-ia responder
responder que:
1º Alarga-se o campo em que se reconhece a agressividade em ação.
1?
Por um lado, a a concepção de uma pulsão destrutiva suscetível de se voltar
para o exterior, de retornar para o interior, faz dos avatares do sadomaso-
quismo uma realidade
realidade muito complexa, que que pode traduzir numerosas mo- mo­
dalidades da
dalidades da vida
vida psíquica.
psíquica. Por
Por outro lado, a
outro lado, a agressividade
agressividade jájá não
não se
se aplica
aplica
apenas às relações com o objeto ou consigo mesmo, mas às relações entre
as diferentes instâncias (conflito entreentre o superego e o ego).
2º Localizando
2? Localizando a a origem
origem dada pulsão
pulsão de
de morte
morte nana própria
própria pessoa,
pessoa, fazen­
fazen-
do da auto-agressão
auto-agressão o o próprio
próprio princípio
princípio da agressividade, Freud destrói
destrói aa
noção de agressividade, classicamente descrita, ee já há há muito tempo, comocomo
modode
modo de relação com
com outrem, violência exercida sobre outrem. Talvez con­ con-
venha contrapor aqui a originalidade da teoria de Freud a certas declara­ declara-
ções suas sobre
ções suas sobre a a maldade natural do
maldade natural do homem
homem (8).
(8).
3º E, finalmente, a última teoria das pulsões permitirá especificar
3? especificar me­me-
lhor aa agressividade
agressividade emem relação àà noção de de atividade?
atividade? Como
Como notou
notou Daniel
Lagache, “à
Lagache, “à primeira
primeira vista,
vista, a
a atividade
atividade surge
surge como
como umum conceito
conceito muito
muito mais
mais
extenso
extenso do que psicológi-
que a agressividade; todos os processos biológicos ou psicológi­
cos são formas
cos são formas dede atividade.
atividade. Agressividade,
Agressividade, portanto,
portanto, não conota, em
não conota, prin-
em prin­
cípio,
cípio, mais do que certas formas de de atividade”
atividade” (9). Ora,
Ora, na
na medida
medida em que
Freud tende a localizar do lado de Eros tudo o que é da ordem dos compor­ compor-
tamentosvitais,
tamentos vitais, convida-nos a interrogarmo-nos sobre o que que define
define oo com-
com­
portamento agressivo; aqui o conceito fusão — — desfusão pode conferir um
elemento de resposta. Com efeito, não exprime apenaso apenas o fato de existirem,
em proporções variadas, amálgamas pulsionais, mas a idéia de que a des­ des-
fusão
fusão é, no fundo,
é, no fundo,oo triunfo
triunfo da
da pulsão
pulsão de
de destruição
destruição nana medida
medida em em que
que esta
esta
visa destruir os conjuntos que, inversamente, Eros tende a criar e manter.
Nesta perspectiva, a agressividade seria exatamente uma força radicalmente
desorganizadora e fragmentante. Assim, essas características foram subli­ subli-
nhadas pelos autores que, como Melanie Klein, insistem no papel predomi­ predomi-
nante desempenhado pelas pulsões agressivas desde a primeira infância.

x

Tal concepção, como se vê, vai contra a evolução em psicologia do sen- sen­
tido dos termos forjados a partir do radical agressão. Em inglês, English
e English, no seu Dicionário geral dos no-
dos termos psicológicos e psicanalíticos, no­
taram que aggressiveness
aggressiveness tinha acabado por
por perder, numa acepção
acepção enfra-
enfra­
quecida, toda conotação de hostilidade, a ponto de se tornar sinônimo de
“espírito empreendedor”, “atividade”; o
empreendedor”, “energia”, “atividade”; o termo aggressivity es-
es­
taria
taria em contrapartida menos gasto,
gasto, inscrevendo-se melhor na na série “ag-
“ag-
gression”, “to (o).
“to aggress” (a).

A (o) Do ponto de vista terminológico, notemos que na linguagem de Freud se encontra


▲ (a)
14 um só termo, Aggression, para designar tanto as agressões como a agressividade.
ALTERAÇÃO DO EGO ou ALTERAÇÃO DO EU

(1) F
(1) FrEUD (S.), Neue
reud (S.), Neue Folge
Folge der
der Vorlesungen
Vorlesungen zurzur Einführung
Einfiúhrung in
in die
die Psychoanalyse,
Psychoanalyse, 1933.
1933.
-— a)
0)G.W.,
G.W., XV, 110; S.E., XXII, 103; Fr., 141. -— b) db) Cf. G.W., XV, 109 ss.; S.E., XXII, 103
ss.; Fr., 141 ss.
FREUD
(2) F reud (S.), AAus Anfângen der Psychoanalyse, 1887-1902. Carta de 27-10-1897:
us den Anfãngen
Al, 241; Ingl., 226; Fr., 200.
Al.,
FREUD
(3) F (8), G.W., V, 281; S.E., VII, 117; Fr., 88.
reud (S.),
FREUD
(4) F Bezichung zum Unbewussten, 1905. G.W., VI, 105;
reud (S.), Der Witz und seine Beziehung
S.E., VII, 96-7; Fr., 109.
FreUD(S.).
(5) F reud (S.). -— a) G.W., X, 214; S.E., XIV, 122; Fr., 34. -— b) 5) G.W., X, 230; S.E.,
XIV, 138; Fr., 63. -— c) ) G.W., X, 231; S.E., XIV, 139; Fr., 64.
FREUD
(6) F ôkonomische Problem des Masochismus, 1924. G.W., XIII, 376; S.E.,
reud (S.), Das õkonomische
XIX, 163-4; Fr., 216.
(7) F
(7) FREUD
reud (S.), G.W., XIII, 11;11; S.E., XVIII, 14; 14; Fr.,
Fr., 13.
13.
(8) Cf F
(8) FREUD (S.), Das Unbehagen in der Kultur, 1930.
reud (S.), 1930.
LAGACHE
(9) L l'agressivité, in Bull
agache (D.), Situation de 1’agressivité, Bull. Psychol., 1960, XIV, n?
nº 1, pp. 99-112.

ALO-EROTISMO
A L O -E R O T ISM O

D.:
=D .: Alloerotismus. —— F.
F.:: allo-érotisme. —
— En.
En.:: allo-erotism. —
— Es.
Es.:: aloerotismo.
— /.:
— I: alloerotismo.


e T Termo vezes
erm o às ve utilizado
zes u tilizado ppor auto-erotismo:
o r oposição a au to-erotism o: atividade
sexual
sex u a l que encontra a sua satisfação graças a um objeto exterior.

És Freud,
■ Freud, quando
quando em
em 1899
1899 usa
usa pela
pela primeira
primeira vez
vez oo termo
termo “auto-erotismo”
“auto-erotismo”
(ver este termo), emparelha-o com alo-erotismo, que se subdivide por sua vez
em homo-erotismo (satisfação encontrada graças a um objeto do mesmo
sexo: homossexualidade) e em hetero-erotismo (satisfação encontrada gra­ gra-
ças a um objeto do outro sexo: heterossexualidade) (1). Este termo, pouco
usado, foi retomado por E. Jones.

FREUD
(1) Cf F Aus
reud (S.), A Anfângen der Psychoanalyse, 1887-1902. AL,
us den Anfãngen AL., 324; Ing., 303;
Fr., 270.

ALTERAÇÃO
A DO EGO
L T E R A Ç Ã O DO EGO oou ALTERAÇÃO
u A DO E
L T E R A Ç Ã O DO EUU

Ichverânderung. —
= D.: Ichverãnderung. — F.: altération du moi. —— En.: alteration of the ego. —

Es.:: alteración dei
Es. del yo. —
— /.:
FI: modificazione delLio.
delVio.

•e CConjunto
onjunto das lim limitações
itações e das aatitudes adquiridas
titu d es anacrônicas adqu iridas ppe-

lo ego d
lo durante defensivo,
u ra n te as fases do conflito defen repercutem
sivo, e que rep ercu tem ddesfa-
esfa­
voravelmente
vo ra v elm en te n nas suas
as su as ppossibilidades
o ssib ilid a d es dde
e adaptação.

8 A
m À expressão “alteração do ego” aparece exatamente no princípio e no
fim da obra de Freud, em dois contextos bastante diferentes.
Em Novas observações sobre as psiconeuroses de defesa (Weitere Bemer- E
15
ALTERAÇÃODO
ALTERAÇÃO DO EGO ou ALTERAÇÃO DO EU

kungen Über
kungen Úber die
die Abwehr-Neuropsychosen,
Abwehr-Neuropsychosen, 1896) 1896) Freud,
Freud, aa propósito
propósito da
da para­
para-
nóia, distingue, do delírio como retorno do recalcado, um delírio secundá­ secundá-
rio, o delírio de interpretação, também chamado delírio “combinatório” ou
assimilação”. Esta seria a marca de uma adaptação do ego à
delírio “de assimilação”.
idéia delirante: o paranóico acabaria por ser um espírito falso na sua tenta­ tenta-
tiva de atenuar as contradições entre a idéia delirante primária e o funcio­ funcio-
namento lógico do pensamento.
Em Análise terminável e interminável (Die endliche und die unendliche
Analyse, 1937), Freud trata de forma formarelativamentesistemática
relativamente sistemática daquilo que
““...
... se costuma designar de modo tão indeterminado pela expressão ‘alte­ “alte-
ração do
ração do ego’
ego” ”” (1
(1a). Prolongando aa obra
a). Prolongando obra de
de Anna
Anna Freud
Freud sobre
sobre os
os mecanis­
mecanis-
mos de defesa, que havia sido publicada recentemente (1936), ele mostra
como estes, originariamente constituídos para enfrentarem perigos inter­ inter-
nos determinados, podem acabar por “fixar-se no ego” e constituir “... mo­ mo-
dos reacionais regulares do caráter” que o sujeito repete ao longo da sua
vida, utilizando-os
vida, utilizando-os como
como instituições
instituições anacrônicas
anacrônicas mesmo
mesmo queque aa ameaça
ameaça pri­
pri-
mitiva tenha desaparecido (16). (1h). O enraizamento de tais hábitos defensivos
leva aa “distorções”
leva “distorções” (Verrenkungen)
(Verrenkungen) ee “limitações”
“limitações” (Einschrànkungen).
(Einschrânkungen). O O tra­
tra-
balho terapêutico
balho terapêutico torna-os
torna-os particularmente
particularmente manifestos,
manifestos, uma
uma verdadeira
verdadeira re­re-
sistência opondo-se à descoberta das próprias resistências.
À alteração do ego deveria ser sobretudo comparada a uma montagem
A
de comportamento, podendo mesmo, como mostrou a escola etologista acer­ acer-
comportamentosinstintuais,
ca dos comportamentos instintuais, funcionar “no vazio”, ou até criar arti­ arti-
ficialmente para si situações motivadoras: o ego “... vê-se impelido a ir bus­ bus-
car na realidade as situações que possam substituir aproximativamente o
perigo originário”
perigo originário” (lc).
(1c). O
O que
que Freud
Freud tem
tem aqui
aqui em
em vista
vista éé algo
algo diferente
diferente da da
repercussão direta do conflito defensivo no ego (o próprio sintoma pode ser
considerado como uma modificação do ego, um corpo estranho dentro de­ de-
le; assim, a formação reativa também modifica o ego).
Estes dois textos em que Freud fala das alterações do ego têm mais
de um ponto em comum. A À alteração do ego é concebida em ambos os osca-ca­
sos como secundária, distanciada do conflito e daquilo que traz a marca do
inconsciente. Neste
inconsciente. Neste sentido,
sentido, ela
ela oferecería
ofereceria uma
uma dificuldade
dificuldade especial
especial ao
ao tra­
tra-
tamento, pois a elucidação do conflito tem pouca influência sobre as modi­ modi-
ficações inscritas no ego de forma irreversível, a tal ponto que houve quem
as comparasse a “perturbações lesionais do organismo” (2). Por outro la­ la-
do, a referência à psicose, central no primeiro texto, está igualmente pre­ pre-
sente no segundo: o ego de todo ser humano ““... ... aproxima-se do [ego] do
psicótico nesta ou naquela das suas partes, em maior ou menor proporção”
(1d).
(ld).

(1) F
(1) FrEUD (S,). -— a)
reud (S.). 4) G.W.,
G.W., XVI,
XVI, 80;
80; S.E.,
S.E., XXIII,
XXIII, 235;
235; Fr.,
Fr., 21.
21. -— b)
D) G.W.,
G.W., XVI,
XVI, 83;
83;S.E,,
S.E.,
XXI, 237;
XXIII, 237; Fr.,
Fr., 24.
24. -— c)0) G.W.,
GW., XVI,
XVI, 83;
83; S.E.,
S.E., XXIII,
XXUI, 238;
238; Fr.,
Fr., 24.
24. -— d)
d) G.W.,
G.W., XVI,
XVI, 80;
80;
S.E., XXIII,
S.E., XXIII, 235;
235; Fr.,
Fr., 21.
21.
NAcHT
(2) Cf. N acht (S.), Causes et mécanismes des déformations névrotiques du moi, 1958. In
16 RFP, 2, 199-200.
R.F.P.,
AMBIVALÊNCIA
AMBIVALÊNCIA

ALVO
A L V O PULSIONAL
P U L S IO N A L

Meta
Ver: M eta pulsional
p u ls io n a l

AMBIVALÊNCIA
A M B IV A L Ê N C IA

= D.: Ambivalenz. —
— F.: ambivalence. — En.:\ ambivalence. —
— En. — Es.: ambivalência.
ambivalencia.
— /.:
— E: ambivalenza.


e Presença simultânea,
sim ultânea, nana relação comcom um um m mesmo tendên-
esm o objeto, de tendên­
cias, de
d e atitudes
a titu d es e dde sentimentos
e sen opostos,
tim e n to s op fundamentalmente
o sto s, fu amor
n dam en talm en te o am or
e o ódio.
ó dio .
m■ Freud
Freud emprestou
emprestou oo termo
termo “ambivalência”
“ambivalência” de Bleuler, que
de Bleuler, que oo criou
criou (1).
(1).
Bleuler considera a ambivalência em três domínios. Voluntário (Ambiten-
denz): o sujeito quer ao mesmo tempo comer e não comer, por exemplo.
Intelectual: o sujeito enuncia simultaneamente uma proposição e o seu con­ con-
trário. Afetivo:
trário. ama ee odeia
Afetivo: ama odeia emem umum mesmo
mesmo movimento
movimento a mesma pessoa.
a mesma pessoa.
Para Bleuler, a ambivalência é um sintoma preponderante da esquizo­ esquizo-
frenia (2), mas ele reconhece a existência de uma ambivalência normal.
A originalidade da noção de de ambivalência, relativamente ao que já fora
descrito como complexidade de sentimentos ou flutuações de atitudes, re­ re-
side, por um lado, na manutenção de uma oposição do tipo sim-não, em
que a afirmação e a negação são simultâneas e indissociáveis; e, por outro
lado, no fato de que essa oposição fundamental pode ser encontrada em
diversos setores da vida psíquica. Bleuler acaba por privilegiar a ambiva­ ambiva-
lência afetiva, e é este o sentido que orienta o seu uso por Freud.
O termo aparece em Freud pela primeira vez em A A dinâmica da trans-
trans­
Ubertragung, 1912), para traduzir o fenômeno
ferência (Zur Dynamik der Übertragung,
de transferência negativa: ““... ... nós a encontramos ao lado da transferência
terna, muitas vezes ao mesmo tempo, e tendo como objeto uma só pessoa.
intençõesafetivas
[...] É a ambivalência das intenções (Gefuhlsrichtungen) que nos
afetivas (Gefühlsrichtungen) nosper-
per­
mite compreender melhor a aptidão dos neuróticos
neuróvicos para porem a sua trans­
trans-
ferência a serviço da resistência”
resistência”(3).
(3). Mas a idéia de uma conjunção do amor
e do ódio encontra-se anteriormente, por exemplo nas análises do Pequeno
Hans (4) e do Homem dos ratos: “Trava-se uma batalha no nosso protago­ protago-
nista entre o amor e o ódio dirigidos à mesma pessoa.” (5)
Em Pulsões e destinos das pulsões (Triebe und Triebschicksale, 1915),
Freud fala de ambivalência a propósito do par de opostos atividade-
passividade*: “...“...aa moção pulsional ativa coexiste com a moção pulsional
(6a). Esta utilização muito ampla do termo “ambivalência” é ra­
passiva” (6tf). ra-
mesmotexto,
ra. No mesmo texto, é a oposição “material” amor-ódio, em que é visado
um único e mesmo objeto, que permite fazer ressaltar mais nitidamente
a ambivalência.
A ambivalência pode sobretudo ser evidenciada em certas afecções (psi­ (psi-
coses, neurose obsessiva) e em certos estados (ciúme,(ciúme, luto).
luto). Caracteriza cer- 17
17
AMBIVALÊNCIA
AMBIVALÊNCIA

tas fases da evolução libidinal em que coexistem amor e destruição do


objeto (fases sádico-oral e sádico-anal).
Neste sentido, ela torna-se, para Abraham, uma categoria genética, que
permite especificar a relação de objeto própria de cada fase. A fase oral
primária é qualificada de pré-ambivalente: “[A sucção] é na verdade uma
incorporação, mas que não põe fim à existência do objeto” (7). Para esse
autor, a ambivalência só aparece com a oralidade sádica, canibalesca*, que
implica uma hostilidade para com o objeto; depois o indivíduo aprende a
po-
poupar o seu objeto e a salvá-lo da destruição. Por fim, a ambivalência po­
de ser superada na fase genital (pós-ambivalente). Nos trabalhos de Mela-
nie Klein, na esteira dos de Abraham, a noção de ambivalência é essencial.
Para ela, a pulsão já de início é ambivalente: o “amor” do objeto não se
separa da sua destruição; a ambivalência torna-se então uma qualidade do
próprio objeto, contra a qual o sujeito luta, clivando-o em objeto* “bom”
ee “mau”:
“mau”: umum objeto
objeto ambivalente,
ambivalente, ao
ao mesmo
mesmo tempo
tempo idealmente
idealmente benéfico
benéfico ee
poderia tolerar.
essencialmente destruidor, não se podería
x
*
2
O termo “ambivalência” é muitas vezes utilizado em psicanálise com
uma acepção muito ampla. Pode efetivamente servir para designar as ações
e os sentimentos resultantes de um conflito defensivo em que entram em
jogo motivações incompatíveis; visto que aquilo que é agradável para um
sistema é desagradável para outro, pode-se qualificar de ambivalente qual­ qual-
compromisso”. Mas o termo “ambivalência” pode en­
quer “formação de compromisso”. en-
tão conotar todas as espécies de atitudes conflituais de maneira vaga. Para
que conserve o valor descritivo, e mesmo sintomático, que originalmente
conviria recorrer a ele na análise de conflitos específicos, em que a
teve, conviría
componente positiva
componente positiva ee aa componente
componente negativa
negativa da
da atitude
atitude afetiva
afetiva estão
estão si­
si-
multaneamente presentes, indissolúveis, e constituem uma oposição não dia­ dia-
lética, insuperável para o sujeito que diz ao mesmo tempo sim e não.
Para explicar a ambivalência, em última análise, será preciso postular,
como implica a teoria freudiana das pulsões, um dualismo fundamental? É
assim que a ambivalência do amor e do ódio se explicaria pelas suas evolu­ evolu-
ções específicas: o ódio encontra a sua origem em pulsões de autoconser-
vação (“o
vação (“o seu
seu protótipo
protótipo está
está nas
nas lutas
lutas do
do ego
ego para
para se
se manter
manter ee se
se afirmar”)
afirmar”)
(6h); o amor encontra a sua origem nas pulsões sexuais. A
(6b); À oposição das pul­
pul-
sões de vida e das pulsões de morte da segunda concepção de Freud iria
enraizar de maneira ainda mais clara a ambivalência num dualismo pulsio-
nal (ver: fusão — — desfusão).
Note-se que Freud, no final da sua obra, tende a dar à ambivalência
maior importância
maior importância na na clínica
clínica ee na
na teoria
teoria do
do conflito.
conflito. O
O conflito
conflito edipiano,
edipiano,
nas suas raízes pulsionais, é concebido como conflito de ambivalência (Am-
bivalenz KKonflikt),
onflikt), uma vez que uma das suas principais dimensões é a opo­ opo-
sição entre “... um amor fundamentado e um ódio não menos justificado,
ambos dirigidos à mesma pessoa” (8). Nesta perspectiva, a formação dos
118
8 sintomas neuróticos é concebida como a tentativa de conseguir uma solu-
AMBIVALENTE, PRÉ-AMBIVALENTE,
AMBIVALENTE, PRÉ-AMBIVALENTE, PÓS-AMBIVALENTE
PÓS-AMBIVALENTE

ção para
ção para tal
tal conflito:
conflito: éé assim
assim que
que aa fobia
fobia desloca uma das
desloca uma das componentes,
componentes,
o ódio, para um objeto substitutivo; a neurose obsessiva tenta recalcar a
moção hostil
moção hostil reforçando
reforçando aa moção
moção libidinal
libidinal sob
sob aa forma
forma de formação reativa*.
de formação reativa*.
Esta diferença de foco na concepção freudiana do conflito é interessante
pelo fato de enraizar o conflito defensivo na dinâmica pulsional e por inci­ inci-
tar aa procurar
tar procurar por
por trás
trás do
do conflito defensivo, na
conflito defensivo, na medida
medida em que este
em que este põe
põe
em jogo as instâncias do aparelho psíquico, as contradições inerentes à vi­ vi-
da pulsional.

(1) Cf B
(1) Cf. BLEULER
leuler (E.), Vortrag úber
(E.), Vortrag über Ambivalenz, 1910. In
Ambivalenz, 1910. In Zentralblatt
Zentralblatt fiir Psychoanalyse,
für Psychoanalyse,
1, 266.
(2) Cf.
(2) Cf B BLEULER
leuler (E.), Dementia praecox
(E.), Dementia praecox oder
oder Gruppe
Gruppe der
der Schizophrenien,
Schizophrenien, Leipzig
Leipzig ee Viena,
Viena,
1911.
(3) FREUD
(3) F (S.), G.W.,
reud (S.), G.W., VII,
VIH, 372-3;
372-3; S.E.,
S.E., XII,
XII, 106-7;
106-7; Fr., 589.
Fr., 58-9.
(4) Cf FrEUD
F reud (S.), Analyse der Phobie eines fü fiunf jáhrigen Knaben, 1909. G.W., VII,
n f jãhrigen
243-377; S.E.,
243-377; S.E., X, X, 5-149;
5-149; Fr.,
Fr., 93-198.
93-198.
FREUD(S.),
(5) F reud (S.), Bemerkungen über úber einen Fali
Fall von Zwangsneurose, 1909. G.W., VII, 413;
S.E., X, 191; Fr., 223.
(6) F
(6) FreUD(S.), Triche und
reud (S.). Triebe und Triebschicksale,
Triebschicksale, 1915.
1915. -— a)a) G.W.,
G.W., X,
X, 223-4;
223-4; S.E.,
S.E., XIV,
XIV, 131;
131;
Fr., 51. -— b)b») G.W., X, 230; S.E., XIV, 138; Fr., 63.
(7) ABRAHAM
(7) A braham (K.), (K.), Versuch
Versuch einer
einer Entwicklungsgeschichte
Entwicklungsgeschichte der Libido aufGrund
der Libido auf Grund derder Psychoa-
Psychoa-
nalyse seelischer Stôrungen,
Stõrungen, 1924. Fr., II, 276.
(8) FREUD
(8) (S.), Hemmung,
F reud (S.), Symptom und
Hemmung, Symptom Angst, 1926,
und Angst, 1926, G.W.,
G.W., XIV, 130; S.E.,
XIV, 130; XX, 102;
S.E., XX, 102;
Fr., 20.
Fr., 20.

AMBIVALENTE,
A PRÉ-AMBIVALENTE,
M B IV A L E N T E , P R É -A M B IV A L E N T E , PÓS-AMBIVALENTE
P Ó S-A M B IV A L E N T E

D.:: ambivalent, prá-ambivalent,


= D. prã-ambivalent, post-ambivalent. —
—F F.:
.: ambivalent, préambivalent,
postambivalent. — — En.\
En.: ambivalent, prae-ambivalent, post-ambivalent. — — Es.:
ambivalente, preambivalente, postambivalente. — — I7:: ambivalente, preambivalente,
postambivalente.
postambi valente.


e Termos
Term os introduzidos ppor K.. A
or K Abraham: qualificam, do pon
braham : qualificam ponto
to de vista ,
com o o
da relação com objeto, ,
b jeto a evolução das fases libidinais. A A fase oral
no
n seu p
o seu primeiro estágio (sucção) seria pré-am
rim eiro estágio pré-ambivalente; ambivalên-
bivalen te; a am bivalên ­
apareceria no segundo
cia aparecería segundo estágio (m (mordedura) culminar
ordedura) para culm fase
inar na fase
anal, continuar
continuar na fase fálica e só desaparecer depois da fase de latên-
com a instau
cia, com instauração amor
ração do am objeto genital.
o r de objeto

m■ Remetemos
Remetemos oo leitor para oo artigo
leitor para artigo de
de K. Abraham Versuch
K. Abraham einer Ent-
Versuch einer E n t­
auf Grund
wicklungsgeschichte der Libido aufG rund der Psychoanalyse seelischer Stôrun-
Stõrun­
gen (Esboço de uma história do desenvolvimento da libido na psicanálise das
terturbações psíquicas, 1924).
perturbações
Podemos, além disso, referir-nos ao quadro ontogenético apresentado
por R. Fliess (1).
(Ver:
( Ver: ambivalência e os artigos consagradosàs
consagrados às diferentes fases dadali-
li-
bido.)
bido.)

FLIESS
(1) F (RJ), The Psycho-Analytic
liess (R.), Psvcho-Analytic Reader, 1950; 254-5. 19
19

e
AMNÉSIA
AMNÉSIA INFANTIL
INFANTIL

AMNÉSIA
A M N É S IA INFANTIL
IN F A N T IL

= D.
= D.:: infantile Amnesie. —
infantile Amnesie. F.:: amnésie
— F. amnésie infantile.
infantile. —
— En.: infantile amnesia.
En.: infantile — Es
amnésia. — Es.:
.:
amnesia infantil. —
amnésia infantil. — [:
/.: amnesia
amnésia infantile.
infantile.

•e A Amnésia
m n ésia quequ e geralmente
g era lm en te cobre
cobre os fatos
os fa to s ddos
o s pprimeiros
rim eiro s anos
an os da
vida. Freud
vida. F reud vê vê nela
nela algo
algo diferente
diferen te do efeito de
do efeito d e uma
uma incapacidade
in capacidade fun-fun­
cional
cional quequ e a criança teria
a criança teria d
dee registrar
reg istra r as
as suas
su as impressões;
im p ressõ es; elaela resulta
resu lta
do recalque
d o reca lqu e quque incide
e in na sexualidade
cide na sexu alidade infantil
infantil ee se
se estende
este n d e à
à quase
qu ase to-
to ­
talidade
ta lid a d e dos acontecimentos
d o s acon tecim en tos da infância. O
da infância. O campo
cam po abrangido pela
abran gido pela
amnésia infantil encontraria
am nésia infantil encontraria oo seu limite
seu lim temporal
ite tem poral no no declínio
declínio do com-­
do com
pplexo
le x o de
d e Édipo
É dipo ee en
entrada
trada nono perío
períodod o dde latência.
e latência.

m
■ A À amnésia
amnésia infantil não éé uma
infantil não uma descoberta
descoberta da da psicanálise. Mas, diante
psicanálise. Mas, diante
da aparente
da aparente evidência
evidência dodo fenômeno,
fenômeno, Freud
Freud não
não se
se contentou
contentou comcom uma
uma ex-
ex­
plicação pela imaturação
plicação pela imaturação funcional;
funcional; apresentou
apresentou uma uma explicação
explicação específica.
específica.
Tal como a
Tal como a amnésia histérica, a
amnésia histérica, a amnésia
amnésia infantil pode de
infantil pode de direito
direito ser
ser dissi-
dissi­
pada: não
pada: não sese trata
trata de uma abolição
de uma abolição ou
ou de
de uma
uma ausência
ausência dede fixação
fixação das
das re-
re­
cordações, mas
cordações, mas dodo efeito
efeito de
de um recalque (1).
um recalque (1). Freud,
Freud, de resto, vê
de resto, vê na amné-
na amné­
sia
sia infantil
infantil aa condição dos recalques
condição dos recalques ulteriores,
ulteriores, ee em particular da
em particular da amnésia
amnésia
histérica. (Sobre
histérica. (Sobre aa questão
questão da
da amnésia infantil ver
amnésia infantil ver especialmente
especialmente a a referên­
referên-
cia abaixo indicada.)
cia abaixo indicada.)

(1) Cf FrEvD(S.),
Cf. F reud (S.), Drei Abhandlungen zur
zur Sexualtheorie,
Sexualtheorie, 1905. G.W.,
G.W., V, 175-7; S.E., VII,
VII,
174-6; Fr., 66-9.

ANÁCLISE
A N Á C L IS E

Ver: A
Ver: Apoio
p o io

ANACLÍTICA
A (DEPRESSÃO
N A C L ÍT IC A (D —))
EPR ESSÃ O —

= Anlehnungsdepression. —
= D.: Anlehnungsdepression. —F.:
F.: dépression anaclitique. —
dépression anaclitique. anaclitic depres-
—En.: anaclitic depres-
sion. — Es.: depresión
sion. — depresión anaclítica.
anaclítica. —
— 1: depressione
depressione anaclitica.
anaclitica.


e E Expressão criada por
x pressão criada por R René
ené Spitz (1): pertu
S p itz (1): perturbações
rb a çõ es que evocam cli­
que evocam cli-
nicamente
nicam ente as as da depressão no adulto
adulto ee que
que aparecem
aparecem progressivamente
progressivam en te
na criança que
na criança sofreu privação
qu e sofreu privação dada mmãeãe depois
depois de
d e ter tido com
te r tido com ela,
ela, ppelo
elo
menos
m en o s ddurante
u ra n te os
os seis pprimeiros meses
rim eiro s m eses ddee vida, uma relação normal.
relação norm al.

m
■ Oleitor
O leitor deverá consultar o
deverá consultar verbete seguinte,
o verbete onde encontrará
seguinte, onde observa-
encontrará observa­
ções terminológicas
ções terminológicas sobre
sobre oo adjetivo
adjetivo anaclítico.
anaclítico.
Quanto ao quadro
Quanto ao quadro clínico
clínico da depressão anaclítica,
da depressão anaclítica, éé assim
assim descrito por
descrito por
R. Spitz
R. Spitz (2a):
(2a):
“Primeiro
“Primeiro mês.
mês. — As crianças
— As crianças tornam-se
tomam-se chorosas,
chorosas, exigentes,
exigentes, ee agarram-
agarram-
20
20 se ao
se ao observador
observador que
que entra
entra em
em contato
contato com
com elas.
elas.
ANACLÍTICO

més. — Recusa de contato. Posição patognomônica


“Segundo mês. patognomônica(as crian-
(as crian­
ças deixam-se ficar a maior parte do tempo deitadas de bruços no berço).
Insônia. Continua a perda de peso. Tendência para contraírem doençasin-
doenças in-
tercorrentes. Generalização do atraso motor. Rigidez da expressão facial.
“Depois do
“Depois do 3º mês. —
3? mês. —A A rigidez
rigidez do
do rosto
rosto estabiliza-se.
estabiliza-se. Os
Os choros
choros ces­
ces-
sam e são substituídos por raros gemidos. O atraso aumenta e torna-se le- le­
targia.
“Se, antes de ter passado um período crítico situado entre o fim do 3?3º
e o fim do 5?
5º mês, a mãe for devolvida à criança, ou se se consegue achar
um substituto que seja aceitável para o bebê, o distúrbio desaparece com
surpreendente rapidez.”
Spitz considera “a estrutura dinâmica da depressão anaclítica essen­
essen-
cialmente diferente da depressão no adulto” (2h).
(2b).

(1) SSprrz of the Child, I.U.P.,


pitz (R.-A), Anaclitic Depression, in The Psycho-Analytic Study ofthe LU.P.,
Nova Iorque, II, 1946, 313-42.
(2) SSpiTZ
pitz (R.-A), La premiêre
première année de la vie de lenfant, P.U.F., Paris, 1953. —
— a) 119-21.
— tí)
— b) 121; [Ed. bras. O primeiro ano de vida, Martins Fontes, S. Paulo, 4?42 ed., 1987 —— a tradu­
tradu-
ção francesa citada pelos autores difere parcialmente da versão brasileira feita a partir do ori­
ori-
202.)
ginal inglês; ver ed. bras. p. 202.]

ANACLÍTICO
A N A C L ÍT IC O

= D.: Anlehnungs. —
— F.: — En.
F. \ anaclitique. — En.:\ anaclitic, attachment. —
— Es.: anaclí-
— L: anaclitico ou per appoggio.
tico. —

Ver: A
Ver: Apoio
p o io ee E
Escolha
s c o lh a de
d e oobjeto por
b je to p o r aapoio
p o io

a anaciítico (do grego àvaxAívo,


■ 1) O adjetivo anaclitico àvaxÀivco, deitar-se sobre, apoiar-se
em) foi introduzido na literatura psicanalítica de língua inglesa e retomado
por tradutores
por tradutores franceses
franceses para
para traduzir
traduzir oo genitivo
genitivo Anlehnungs-
Anlehnungs- emem expres-
expres­
sões como Anlehnungstypus der Objektwahl (traduzido geralmente por “ti­ “ti-
po de escolha anaclítica de objeto”). Mas o que escapa necessariamente
ao leitor que lê as obras de Freud em tradução é que o conceito de Ahleh-
nung constitui uma peça fundamental da primeira teoria freudiana das pul-
sões; Freud refere-se a ele em muitas outras ocasiões além daquelas em
“anaclítica”: encontramos, por diversas ve­
que trata da escolha de objeto “anaclítica”: ve-
zes, ou a forma substantiva Anlehnung, ou formas verbais como sich an
(etwas) anlehnen. Ora, estas formas são traduzidas para o inglês e para o
francês de maneira variável («),(a ), de modo que o conceito de Anlehnung
A nlehnung não
foi nitidamente apreendido pelos leitores de Freud.
Portanto, surge hoje uma questão de terminologia. O termo “anaclíti-
co” já
co” já faz parte do vocabulário internacional da psicanálise; não seria pos­ pos-
sível suprimi-lo. Mas em francês o substantivo anaclise (anáclise), que tra­ tra-
duziria
duziría Anlehnung, não é admitido (@ (8).). Os termos
termosanaclise, (aná-
anaclise, anaclitique (aná­
clise, anaclitico)
anaclítico) apresentam,aliás,
apresentam, aliás, o inconveniente de serem palavras eru- 221
1
ANAGÓGICA (INTERPRETAÇÃO
ANAGÓGICA (INTERPRETAÇÃO -—))
ditas forjadas
ditas forjadas artificialmente,
artificialmente, enquanto
enquanto A Anlehnung pertence àà linguagem
nlehnung pertence linguagem
comum. Por
comum. Por isso
isso os
os autores
autores deste
deste Vocabulário
Vocabulário propuseram
propuseram como como equiva­
equiva-
lente étayage
lente étayage (apoio),
(apoio), que
que já
já foi
foi utilizado
utilizado por
por certos
certos tradutores
tradutores (particular­
(particular-
mente por
mente por B.
B. Reverchon-Jouve
Reverchon-Jouve na na sua
sua tradução
tradução francesa
francesa dosdos Três
TYês ensaios
ensaios
sobre aa teoria
sobre teoria da
da sexualidade
sexualidade [Drei
[Drei Abhandlungen
Abhandlungen zur zur Sexualtheorie,
Sexualtheorie, 1905])
1905])
ee que
que tem
tem aa vantagem
vantagem de de poder
poder encontrar-se,
encontrar-se, tal
tal como
como A Anlehnung,
nlehnung, nana for­
for-
ma verbal:
ma verbal: ss'étayer sur (apoiar-se
’étayer sur (apoiar-se em).
em). Até
Até aa expressão
expressão consagrada
consagrada “tipo
“tipo
de escolha
de escolha anaclítica
anaclítica dede objeto”
objeto” deveria
deveria ser
ser substituída
substituída porpor “tipo
“tipo de
de esco­
esco-
lha de
lha de objeto
objeto por
por apoio”.
apoio”.
2) O
2) O termo
termo “anaclítico”
“anaclítico” éé às
às vezes
vezes utilizado
utilizado num
num sentido
sentido menos
menos rigoroso,
rigoroso,
que não
que não está
está diretamente
diretamente relacionado
relacionado comcom oo uso
uso do
do conceito
conceito nana teoria
teoria freu­
freu-
diana, por
diana, por exemplo
exemplo na na expressão
expressão depressão
depressão anaclítica
anaclítica** ((anaclitic depression).
<anaclitic depressiori).

4 (a)
▲ (o) Por exemplo, no que se refere à forma verbal, pelos equivalentes de: estar ligado a,
estar baseado em, apoiar-se em, etc.
(8) Em contrapartida, não existe em alemão um adjetivo formado
(0) formadoa a partir de Anlehnung
ee que
que corresponda
corresponda a
a anaclítico.
anaclítico.

ANAGÓGICA
A (INTERPRETAÇÃO
N A G Ó G IC A (IN —))
TERPRETAÇÃO —

D.:: anagogische Deutung. —


= D. — RF.:: interprétation anagogique. — — En.\
En.: anagogic
— Es.
interpretation. — Es.:: interpretación anagógica. — — I.: interpretazione anagogica.


e E Expressão usada p
x pressão usada por Silberer: m
o r Silberer: modo
odo dde interpretação
e in das fo
terp reta çã o das forma-
rm a ­
ções sim
ções simbólicas (mitos,
bólicas (m sonhos, etc.)
itos, sonhos, etc.) que
que explicitaria
explicitaria a a sua
sua significa­
significa-
ção mmoral Como
o ral universal. Com o orienta o sím símbolo
bolo para “ideais eelevados”,
le v a d o s”,
estaria,
esta então,
ria , en em oposição
tão, em oposição à à in
interpretação analítica, qu
terp reta çã o analítica, que reduziria
e red u ziría osos
símbolos
sím conteúdo
b o lo s ao seu con teú do pparticular
a rticu la r e sexual.

m A
■ À noção
noção dede interpretação
interpretação anagógica
anagógica (do(do grego
grego àváy<;
àváyc=levar para o
= levar para o al­
al-
to) pertence
to) pertence à à linguagem
linguagem teológica,
teológica, onde
onde designa
designa a a interpretação
interpretação “que “que sese
eleva do
eleva do sentido
sentido literal
literal para
para umum sentido
sentido espiritual”
espiritual” (Littré).
(Littré). Surge
Surge como
como a a
fase mais
fase mais evoluída
evoluída do do pensamento
pensamento de de Silberer
Silberer sobre
sobre o o simbolismo.
simbolismo. Foi Foi de­
de-
senvolvida em
senvolvida em Problemas
Problemas da da mística
mística ee do
do seu
seu simbolismo
simbolismo (Probleme
(Probleme derder Mystik
Mystik
und ihrer
und threr Symbolik,
Symbolik, 1914).
1914). Silberer
Silberer encontra
encontra umauma dupla
dupla determinação
determinação nas nas
parábolas, ritos,
parábolas, mitos, etc.;
ritos, mitos, etc.; por
por exemplo,
exemplo, o o mesmo
mesmo símbolo
símbolo queque representa
representa
em psicanálise
em psicanálise a a morte
morte dodo pai
pai éé interpretado
interpretado anagogicamente
anagogicamente como como “mor­
““mor-
te do
te do velho
velho Adão”
Adão” em em nós
nós (lá).
(la). Esta
Esta oposição
oposição vemvem juntar-se
juntar-se à à do
do “fenôme­
“fenôme-
no material”
no material” ee do do “fenômeno
“fenômeno funcional”
funcional” (ver(ver este
este termo)
termo) nono sentido
sentido mais
mais
amplo que
amplo que Silberer
Silberer acabou
acabou por por lhe
lhe dar.
dar.
A diferença
A diferença entre
entre “funcional”
“funcional” ee “anagógico”
“anagógico” está está apenas
apenas em em queque
““...
...oO verdadeiro
verdadeiro fenômeno
fenômeno funcional
funcional descreve
descreve o o estado
estado ouou o o processo
processo psí­
psí-
quico atual,
quico atual, enquanto
enquanto a a imagem
imagem anagógica
anagógica parece
parece indicar
indicar umum estado
estado ouou um
um
processo que
processo que deve
deve ser
ser vivido
vivido (erlebt
(erlebt werden
werden soll)”
sol” (16).
(1h). AA interpretação
interpretação ana­ana-
gógica tendería,
gógica tenderia, pois,
pois, para
para a a formação
formação de de novos
novos símbolos
símbolos funcionais
funcionais cada
cada
222
2 vez mais
vez mais universais,
universais, representando
representando os os grandes
grandes problemas
problemas éticos
éticos da
da alma
alma
ANÁLISE DIDÁTICA
ANÁLISE DIDÁTICA

humana. Silberer julga,


humana. Silberer aliás, verificar
julga, aliás, verificar essa
essa evolução
evolução nos
nos sonhos
sonhos no
no decor-
decor­
rer
rer do
do tratamento psicanalítico (1c).
tratamento psicanalítico (lc).
Freud
Freud ee Jonescriticaram
Jones criticaram essaessa concepção.
concepção. Freud
Freud vê
vê na
na interpretação
interpretação
anagógica
anagógica apenas
apenas um
um regresso
regresso às às idéias
idéias pré-psicanalíticas que tomam
pré-psicanalíticas que tomam por
por
sentido
sentido último
último dos
dos símbolos
símbolos oo que
que nana realidade
realidade deriva
deriva deles
deles por
por formação
formação
reativa*, racionalização,
reativa*, etc. (2).
racionalização, etc. Jones aproxima
(2). Jones aproxima aa interpretação anagógi-
interpretação anagógi­
ca
ca da significação “prospectiva”
da significação “prospectiva”atribuída por Jung
atribuída por Jung ao simbolismo: “Admite-
ao simbolismo: “Admite-
se
se que
que oo símbolo
símbolo éé aa expressão
expressão de um esforço
de um esforço que visa um
que visa um ideal moral ele-
ideal moral ele­
vado, esforço que,
vado, esforço que, por
por não atingir esse
não atingir esse ideal,
ideal, detém-se no símbolo;
detém-se no supõe-
símbolo; supõe-
se,
se, no
no entanto,
entanto, que
que oo ideal
ideal final está implícito
final está no símbolo
implícito no símbolo ee éé simbolizado
simbolizado
por ele.” (3)
por ele.” (3)

(1)
(1) Cf
Cf. SILBERER
S ilberer (H.), Probleme der
(H.), Probleme der Mystik
Mystik und ihrer Symbolik,
und ihrer Symbolik, Hugo Heller, Viena
Hugo Heller, Viena ee
Leipzig, 1914. —
Leipzig, 1914. — a)
a) 168.
168. — db) 155.
— b) 155. —— o) 153.
c) 153.
(2)
(2) Cf.
Cf FFreUD
reud (S.),
(S.), Traum
Traum und Telepathie, 1922.
und Telepathie, 1922. G.W.,
G.W., XIII,
XIII, 187; S.E., XVIII,
187; S.E., XVIII, 216.
216.
(3)
(3) JonEs
Jones (E.),
(E.), The
The Theory
Theory of Symbolism, 1948.
of Symbolism, 1948. In
In Papers
Papers on
on Psycho-analysis,
Psycho-analysis, Bailhêre,
Baillière,
Londres,
Londres, 52 ed., 1950,
5? ed., 1950, 136136 (Cf,
{Cf, para
para aa crítica do conjunto
crítica do da teoria
conjunto da teoria de Silberer, todo
de Silberer, todo oo
cap.
cap. IV).
IV).

ANÁLISE DIDÁTICA
A N Á L IS E D ID Á T IC A

= D.: Lehranalyse,
= D.: didaktische Analyse.
Lehranalyse, didaktische Analyse. —
—F.: analyse didactique.
F.: analyse didactique. —
— En.\
En.: training
training
analysis. — Es.:
analysis. — Es.: análisis
análisis didáctico.
didáctico. —
— Z:
/.: analisi
analisi didattica.
didattica.


e P Psicanálise
sicanálise a que
a qu e se submete
se su b m e te aquele
aqu ele que
qu e se
se destina ao exercício
destin a ao exercício da
da
profissão de
profissão psicanalista ee que
de psicanalista que constitui
con stitu i aa viga mestra
viga m estra da
da sua
sua formação.
form ação .
m À
■ A descoberta da psicanálise
descoberta da psicanálise está
está intimamente ligada àà exploração
intimamente ligada exploração pes-
pes­
soal
soal que
que Freud
Freud realizou
realizou sobre si mesmo
sobre si mesmo (ver:
(ver: auto-análise).
auto-análise). Percebeu
Percebeu logo
logo
de início que
de início que somente pelo conhecimento
somente pelo conhecimento do
do próprio inconsciente se
próprio inconsciente se podia
podia
chegar àà prática
chegar prática da
da análise.
análise. No
No Congresso
Congresso de
de Nurembergue,
Nurembergue, em em 1910,
1910, Freud
Freud
afirma
afirma que
que uma
uma Selbstanalyse
Selbstanalyse (literalmente análise de
(literalmente análise de si
si próprio)
próprio) éé aa condi-
condi­
ção
ção exigível para que
exigível para “... o médico
que “...o possa reconhecer
médico possa reconhecer em
em si
si aa contratransfe-
contratransfe-
rência
rência ee dominá-la” (1). Freud
dominá-la” (1). Freud estaria
estaria pensando aqui na
pensando aqui na auto-análise,
auto-análise, ou
ou
em
em uma
uma psicanálise
psicanálise exercida
exercida por
por um
um terceiro?
terceiro? OO termo
termo Selbstanalyse
Selbstanalyse não
não
permite uma
permite resposta. A
uma resposta. A partir
partir do
do contexto
contexto éé lícito
lícito pensar que se
pensar que se trata
trata an-
an­
tes de
tes de uma
uma auto-análise,
auto-análise, mas,
mas, se nos reportarmos
se nos reportarmos ao ao relatório do Congres­
relatório do Congres-
so apresentado por
so apresentado por Otto Rank (2),
Otto Rank Freud tinha
(2), Freud tinha em
em vista
vista igualmente
igualmente aa insti­
insti-
tuição
tuição da análise didática.
da análise didática. Seja
Seja como for, parece
como for, parece que
que aa seus
seus olhos,
olhos, naquela
naquela
data,
data, oo valor
valor insubstituível
insubstituível da
da análise
análise didática
didática relativamente
relativamente àà auto-análise
auto-análise
não estava ainda
não estava firmemente estabelecido.
ainda firmemente estabelecido.
Esse
Esse valor
valor formativo
formativo de
de uma análise pessoal
uma análise pessoal éé reconhecido
reconhecido com
com mais
mais
nitidez
nitidez em
em Recomendações aos médicos
Recomendações aos médicos que
que exercem
exercem aa psicanálise
psicanálise (Ratschlige
(Ratschlãge
fir
fü r den
den Arat bei der
A rzt bei der psychoanalytischen Behandiung, 1912);
psychoanalytischen Behandlung, 1912); esse valor éé rela-
esse valor rela­
cionado com a
cionado com a teoria
teoria segundo
segundo aa qual
qual o analista “...
o analista “... deve voltar para
deve voltar para o o in-
in­
consciente do doente,
consciente do emissor, o
doente, emissor, o seu
seu próprio
próprio inconsciente como órgão
inconsciente como re-
órgão re­
ceptor” (3tf).
ceptor” (3a). Para isto, o
Para isto, o analista
analista tem de ser
tem de ser capaz
capaz de se comunicar
de se comunicar mais
mais 23
23
ANÁLISE DIDÁTICA
ANÁLISE DIDÁTICA

livremente com
livremente com oo seu
seu próprio
próprio inconsciente
inconsciente (ver: atenção flutuante),
(ver: atenção flutuante), ee éé pre­
pre-
cisamente isso
cisamente isso que
que a análise didática
a análise deve em
didática deve em princípio
princípio permitir;
permitir; Freud
Freud pres­
pres-
ta homenagem
ta homenagem àà escola escola de de Zurique
Zurique por por ter
ter "...
“... apresentado
apresentado a a exigência
exigência se­ se-
gundo a
gundo qual quem
a qual quem quiser
quiser praticar
praticar análises sobre outros
análises sobre outros devedeve primeiro
primeiro
submeter-se
submeter-se aa uma uma análise
análise realizada
realizada por por alguém
alguém com experiência” (3h).
com experiência” (3b).
Foi em
Foi em 1922,
1922, no Congresso da
no Congresso da Associação Psicanalítica Internacional,
Associação Psicanalítica Internacional,
dois anos
dois anos após
após a a fundação
fundação do do Instituto
Instituto dede Psicanálise
Psicanálise de de Berlim,
Berlim, que que se
se apre­
apre-
sentou a
sentou a exigência
exigência da da análise
análise didática
didática para
para todo
todo ee qualquer
qualquer candidato
candidato a a
analista.
analista.
Parece
Parece que que foi Ferenczi quem
foi Ferenczi quem maismais contribuiu
contribuiu para salientar a
para salientar função
a função
da análise
da análise didática,
didática, na na qual
qual vêvê aa "segunda
“segunda regraregra fundamental
fundamental da da psicanáli­
psicanáli-
sse”
e ”(4). Para Ferenczi,
(4). Para Ferenczi, aa análise
análise didática
didática nãonão éé menos
menos completa
completa nem nem menos
menos
profunda
profunda do do que
que aa análise
análise terapêutica:
terapêutica: "Para“Para resistir
resistir firmemente
firmemente aa essa essa in-
in­
vestida geral do
vestida geral do paciente,
paciente, éé preciso
preciso queque o o analista
analista também
também tenha tenha sido
sido plena
plena
ee completamente
completamente analisado.
analisado. FaloFalo isso
isso porque
porque muitas
muitas vezes
vezes se se julga
julga suficiente
suficiente
que um
que um candidato
candidato passe,
passe, porpor exemplo,
exemplo, um um ano
ano familiarizando-se
familiarizando-se com com os os
principais mecanismos naquilo
principais mecanismos naquilo aa queque se
se chama
chamaaa sua sua análise
análise didática.
didática. Quanto
Quanto
ao seu progresso
ao seu progresso ulterior, confia-se no
ulterior, confia-se no que
que virá
virá a a aprender
aprender no no decorrer
decorrer da da
própria experiência. Já
própria experiência. Já afirmei
afirmei muitas vezes, em
muitas vezes, em ocasiões
ocasiões anteriores,
anteriores, que que
em princípio
em princípio não não posso
posso admitir qualquer diferença
admitir qualquer diferença entreentre umauma análise
análise tera­
tera-
pêutica ee uma
pêutica uma análise
análise didática,
didática, e e quero agora acrescentar
quero agora acrescentar a a seguinte
seguinte idéia:
idéia:
enquanto
enquanto nem nem todos
todos os empreendimentos com
os empreendimentos com finsfins terapêuticos
terapêuticos precisam
precisam
ser levados até
ser levados até a profundidade que
a profundidade que temos
temos em em vista
vista quando
quando falamos
falamos de uma
de uma
terminação
terminação consumada
consumada da da análise,
análise, o o próprio analista, do
próprio analista, qual depende
do qual depende a a
sorte de
sorte tantas outras
de tantas outras pessoas,
pessoas, deve conhecer ee controlar
deve conhecer controlar mesmomesmo as fra-
as fra­
quezas mais
quezas mais secretas
secretas do seu caráter,
do seu caráter, e isto éé impossível
e isto impossível sem sem uma
uma análise
análise
plenamente
plenamente acabada.”
acabada.” (5) (5)
Às exigências
As exigências formuladas
formuladas por por Ferenczi
Ferenczi são são hoje
hoje amplamente
amplamente aprova­aprova-
das (cx);
das (a); tendem
tendem a a fazer
fazer da da análise
análise pessoal
pessoal daquele
daquele que que sese destina
destina à à análise
análise
algo em
algo em que
que se se dilui
dilui a aquisição de
a aquisição conhecimentos pela
de conhecimentos pela experiência,
experiência, aspec­
aspec-
to que
to que oo termo
termo didático
didático põe indevidamente em
põe indevidamente em primeiro
primeiro plano.
plano.
O problema
O problema simultaneamente
simultaneamente teórico teórico ee prático
prático inerente
inerente à à própria
própria no­no-
ção ee à
ção à institucionalização
institucionalização da da análise
análise didática
didática — — isto
isto é,
é, como
como podepode umauma
análise ser
análise ser de de saída orientada para
saída orientada para uma finalidade específica,
uma finalidade específica, para para uma
uma
“representação-meta”
"representação-meta” tão tão pregnante
pregnante como como a a de
de obter
obter de de uma
uma instituição,
instituição,
onde aa avaliação
onde avaliação do do analista
analista didata
didata desempenha
desempenha um um papel importante, aa
papel importante,
habilitação para
habilitação para exercer
exercer a a sua
sua profissão?
profissão? — — éé objeto
objeto de discussões que
de discussões que pros­
pros-
seguem sempre
seguem sempre no no movimento
movimento psicanalítico
psicanalítico (/?).(8).

A (a)
▲ (a) Freud,
Freud, por
por seu
seu lado,
lado, permaneceu
permaneceu bastante
bastante reservado
reservado quanto
quanto às
às possibilidades
possibilidades ofereci­
ofereci-
das pela análise
das pela didática; em
análise didática; em Análise
Análise terminável
terminávelee interminável
interminável {Die
(Die endliche
endliche und
und die unendliche
die unendliche
Analyse, 1937),
Analyse, 1937), mantém
mantém ainda
ainda quea análise didática,
que a análise didática, “...
“... por razões práticas,
por razões práticas, só
só pode
pode ser
ser cur-
cur­
ta ee incompleta;
ta incompleta; aa sua finalidade principal
sua finalidade principal éé permitir
permitir ao
ao analista
analista que
que ensina
ensina avaliar
avaliar se
se oo candi­
candi-
dato está
dato está apto
apto aa prosseguir
prosseguir nos
nos seus
seus estudos. Ela desempenhou
estudos. Ela desempenhouaa suasua função
função quando
quando permitiu
permitiu
ao aluno
ao aluno convencer-se
convencer-se de de modo seguro da
modo seguro da existência do inconsciente,
existência do inconsciente, quando
quando lhelhe permitiu
permitiu ad­
ad-
24
24 quirir acerca
quirir de si
acerca de si mesmo,
mesmo, graças
graças àà emergência
emergência do recalcado, noções
do recalcado, noções que, sem a
que, sem a análise,
análise, per-
per-
ANÁLISE DIRETA
ANÁLISE DIRETA

maneceriam inacreditáveis para ele, e quando lhe mostrou numa primeira amostra a técnica
que só
que só foi
foi validada pela atividade
validada pela atividade psicanalítica”
psicanalítica” (6).
(6).
(8)
(0) Sobre Sobre
os problemas colocados
os problemas pela formação
colocados analítica
pela formação e a suae história
analítica no movimento,
a sua história no movimento,
ver:
ver: Balint,
Balint, On
On the
the Psycho-analytic Training System
Psycho-analytic Training (Sobre oo sistema
System {Sobre deformação
sistema de formação psicanalítica)
psicanalítica) (7).
(7).

(1) FREUD
(1) F (S.), Die
reud (S.), zukiinftigen Chancen
Die zukünftigen Chancen der
der psychoanalytischen
psychoanalytischen Therapie, 1910. G.W.,
Therapie, 1910. G.W.,
VII,
VIII, 108;
108; S.E., XI; 144-5;
S.E., XI; 144-5; Fr.,
Fr., 27.
27.
(2) Citado in:
(2) Citado in: Kovacs
K ovacs (V.) Training and
(V.), Training and Control-analysis,
Control-analysis, LJ.P.,
I.J.P., XVII,
XVII, 1936, 346-54.
1936, 346-54.
(3)
(3) FrEUD
F reud (S.).
(S.). —
- a)a) G.W., VIII, 381;
G.W., VIII, S.E., XII,
381; S.E., XII, 115;
115; Fr., 66. —
Fr., 66. - 6)
b) G.W., VIII, 382;
G.W., VIII, 382; S.E.,
S.E.,
116; Fr.,
XII, 116; Fr., 67.
67.
(4) FERENCZI
(4) F erenczi (S.), Die Elastizitát
(S.), Die der psychoanalytischen
Elastizitãt der psychoanalytischen Technik, 1927. —
Technik, 1927. — In:
In: Final
Final contr.,
contr.,
88-9.
88-9.
(5) FERENCZI(S.),
(5) F Das Problem
erenczi (S.), Das Problem der Beendigung der
der Beendigung der Analyse,
Analyse, 1928.
1928. In:
In: Final
Final contr., 83-4.
contr., 83-4.
(6)
(6) FREUD
F reud (S.), G.W., XVI,
(S.), G.W., XVI, 94-5;
94-5; S.E.,
S.E., XXIII,
XXIII, 248;
248; Fr.,
Fr., 34.
34.
(7)
(7) Cf
Cf BBALINT
alint (M.),
(M.), in LJP., 1948,
in I.J.P., 1948, 29, 163-73.
29, 163-73.

ANÁLISE
A N Á L IS E DIRETA
D IR E T A

=
= D.: direkte
direkte Analyse.
Analyse. — analyse directe.
— F.: analyse directe. —
— En.:
En.\ direct
direct analysis. — Es.: aná-
analysis. — aná-
lisis directo.
lisis directo. —
— Z.:
/.: analisi diretta.
analisi diretta.


e Método
M étodo de de psicoterapia analítica das
psico tera p ia analítica das psicoses
p sico ses preconizado
precon izado por p o r J.
J .
N. Rosen.
N. R Seu nome
osen. Seu n om e é é tirado
tirado da
da utilização
utilização de
d e “interpretações
“in te rp re ta çõ es diretas”
d ire ta s”
fornecidas
forn ecidas aos
aos ppacientes
a cien tes ee que se caracterizam
qu e se caracterizam do do segu
seguinte modo:
in te m odo:
a) incidem sobre
a) incidem conteúdos
so b re con teú dos inconscientes
in con scien tes que
qu e oo sujeito
su jeito exprime
exprim e
verbalmente
verb a lm en te ou não (mímica,
ou não (m ím ica, posição,
posição, gestos,
g esto s, comportamento);
com portam en to);
b)
b) não
não exigem
exigem a
a análise das
das resistências;
resistên cias;
c)
c) não recorrem necessariamente
não recorrem necessariam en te à
à mediação
m ediação de
d e elos
elos associativos.
asso cia tivo s .
Este
E ste método
m éto d o compreende,
com preende, além disso, uma
além disso, uma série
série dde
e pprocessos téc-
ro cesso s téc­
nicos destinados
destin ados a a estabelecer
estabelecer uma estreita relação afetiva,
afetiva, de de “incons-
“incons­
ciente
cien te a
a inconsciente”,
in co n scien te”, na
na qualo
qual o terapeuta
terapeu ta “deve
“d ev e tornar-se
tornar-se para o pa- pa­
ciente
cien te a
a figura
figura maternal que
m atern al qu e não cessa de
não cessa d e dar
dar ee proteger”
p r o te g e r ” (Ia).
(la).

m Este
■ Este método
método foifoi exposto
exposto ee enriquecido
enriquecido por J. N.
por J. N. Rosen
Rosen aa partir
partir de
de 1946.
1946.
O
O termo
termo “direto” caracteriza sobretudo
“direto” caracteriza sobretudo um um tipo
tipo de
de interpretações.
interpretações. Estas
Estas
fundamentam-se
fundamentam-se na na teoria segundo a
teoria segundo a qual
qual nas psicoses, ee particularmente
nas psicoses, particularmente
na
na esquizofrenia,
esquizofrenia, oo inconsciente
inconsciente dodo sujeito, desbordando as
sujeito, desbordando as defesas,
defesas, sese ex-
ex­
prime
prime aa descoberto
descoberto em suas palavras
em suas palavras ou ou seus
seus comportamentos.
comportamentos. A À interpre-
interpre­
tação direta
tação direta não
não faria
faria mais
mais do
do que
que explicitar
explicitar mais claramente o
mais claramente que o
o que sujei-
o sujei­
to
to já sabe. Sua
já sabe. eficácia não
Sua eficácia não está
está ligada,
ligada, portanto,
portanto, aa um progresso no
um progresso no in-
in-
sight, mas ao
sight, mas ao estabelecimento
estabelecimento ee consolidação
consolidação de de uma transferência positi-
uma transferência positi­
va:
va: oo paciente
paciente sente-se
sente-se compreendido
compreendido por um terapeuta
por um terapeuta aoao qual atribui aa com­
qual atribui com-
preensão todo-poderosa de
preensão todo-poderosa de uma
uma mãemãe ideal; tranquúiliza-se com
ideal; tranqüiliza-se com palavras
palavras queque
visam
visam o conteúdo infantil
o conteúdo infantil das
das suas
suas angústias
angústias mostrando
mostrando aa inanidade
inanidade delas.
delas.
Além
Além dasdas interpretações,
interpretações, aa análise
análise “direta”,
“direta", nono sentido
sentido amplo
amplo dodo termo,
termo,
compreende
compreende um um certo
certo número
número de de processos
processos ativos, muito afastados
ativos, muito afastados da neu-
da neu­
tralidade
tralidade queque éé de
de regra na análise
regra na análise dosdos neuróticos,
neuróticos, sendo finalidade de
sendo finalidade de to-
to­
dos eles
dos eles fazer
fazer oo terapeuta
terapeuta penetrar
penetrar no universo fechado
no universo fechado do do psicótico.
psicótico. As-
A s­
sim
sim éé que
que o terapeuta conseguiria
o terapeuta desempenhar a
conseguiría desempenhar função de
a função de uma
uma mãe
mãe ter-
ter- 225
5
ANGÚSTIA ANTE
ANGÚSTIA ANTE UM
UM PERIGO
PERIGO REAL
REAL

na e protetora, reparando progressivamente as frustrações graves que o su­ su-


jeito teria
jeito teria sofrido
sofrido sempre
sempre nana infância
infância por
por causa
causa de
de uma
uma mãe
mãe de
de instinto
instinto ma­
ma-
ternal pervertido
ternal pervertido (lft).
(1h).
(Ver também:
(Ver também: interpretação
interpretação direta;
direta; matemagem.)
maternagem.)

ROSEN
(1) R Nº), Direct Analysis. Seleded
osen (J. N.), Selected Papers. Grune and Stratton, Nova Iorque, 1953,
L'analyse
Trad. fr. L ’analyse directe, P.U.F., Paris, 1960. —— a) Ing., 139; Fr., 122. —
— b)
d) Cf. cap. IV: “The
perverse mother” (A mãe perversa).

ANGÚSTIA
A ANTE
N G Ú S T IA A UM
NTE U PERIGO
M P REAL
E R IG O R EAL
D.:
=D — F.
.: Realangst. — F.:: angoisse devant un danger réel. —— En.:
En.: realistic anxiety. —

angustia real.
Es.: angustia real. —
— Z: angoscia
angoscia di
di fronte
fronte aa una
una situazione
situazione reale.
reale.


e Term
Termo (Realangst) utilizado
o (Realangst) utilizado ppor Freud no
o r Freud no quadro
quadro dada sua
sua segunda
segunda teo-teo­
ria da
ria da angústia:
angústia: angústia
angústia p perante um perigo
era n te um perigo ex
exterior que
te rio r qu e cconstitui
o n stitu i ppa-

ra o
ra O su
sujeito uma am
jeito uma ameaça real.
eaça real.

m O
m Otermo alemão Realangst
termo alemão Realangst éé introduzido
introduzido em em Inibição,
Inibição, sintoma
sintoma ee angústia
angústia
(Hemmung, Symptom
(Hemmung, Symptom und und AAngst, 1926). Pode
n g st, 1926). Pode prestar-se
prestar-se aa diversos
diversos mal­
mal-
entendidos que
entendidos que o o equivalente
equivalente que que propomos
propomos procura
procura evitar.
evitar.
1º Em
1? Em Realangst,
Realangst, RealReal éé substantivo;
substantivo; não não qualifica
qualifica a a própria
própria angústia,
angústia,
mas aquilo
mas aquilo que
que a a motiva.
motiva. A À angústia
angústia ante
ante umum perigo
perigo real
real opõe-se
opõe-se à à angús­
angús-
tia ante
tia ante a a pulsão.
pulsão. Para
Para determinados
determinados autores,
autores, ee em em particular
particular para
para Anna
Anna
Freud, a
Freud, a pulsão
pulsão só só seria
seria ansiógena
ansiógena na na medida
medida em em que
que ameaçasse
ameaçasse suscitar
suscitar
um perigo
um perigo real;
real; aa maior
maior parte
parte dos
dos psicanalistas
psicanalistas sustentam
sustentam a a existência
existência dede
uma ameaça
uma ameaça pulsional
pulsional geradora
geradora de de angústia.
angústia.
2º A
2? A tradução
tradução por por “angústia
“angústia anteante oo real”
real” teria
teria oo inconveniente
inconveniente de de dar
dar
aa entender
entender que que éé aa realidade
realidade como
como taltal o
o motivo
motivo de de angústia,
angústia, ao ao passo
passo que
que
se trata
se trata dede certas
certas situações.
situações. EisEis por
por que
que propomos
propomos o o equivalente
equivalente de de “an-
“an­
gústia ante
gústia ante um um perigo
perigo real”.
real”.
Sem entrar
Sem entrar na na teoria
teoria freudiana
freudiana da da angústia,
angústia, note-se
note-se que
que o o âmbito
âmbito dodo
termo A
termo Angst, em alemão
n g st, em alemão ee no no seu
seu emprego
emprego freudiano,
freudiano, nãonão éé exatamente
exatamente
oo mesmo
mesmodo termo “angústia”.
do termo “angústia”. Expressões
Expressões correntes
correntes como
como ichich habe
habe AAngst
ngst
vor... são
vor... são traduzidas
traduzidas por por “tenho
“tenho medo
medo de...”.
de...”. A A oposição
oposição freqüentemente
frequentemente
admitida entre
admitida entre o o medo,
medo, queque teria
teria um
um objeto
objeto determinado,
determinado, ee a a angústia,
angústia, que
que
se definiría
se definiria pelapela ausência
ausência de de objeto,
objeto, não
não sese ajusta
ajusta com
com exatidão
exatidão àsàs distin­
distin-
ções freudianas.
ções freudianas.

ANGÚSTIA
A AUTOMÁTICA
N G Ú S T IA A U T O M Á T IC A

D.:
=D — F.
.: automatische Angst. — F.:: angoisse automatique. —
—EEn.: —
n . : automatic anxiety. —
Es.: angustia automática. —
Es.: — L: angoscia automatica.•


e R Reação
eação dodo su
sujeito sempre
jeito sem que se
p re que se encontra
encontra num
numa situação trau
a situação traumá-
m á-
226
6 tica, isto
tica, isto é,
é, su
submetido
b m e tid o aa um
um afluxo
afluxo dde excitações, de
e excitações, de origem
origem extern
externaa
ANULAÇÃO ((—
ANULAÇÃO RETROATIVA)
- RETROATIVA)

ou interna,
ou interna, que
que éé in
incapaz
capaz dde dominar.
e dom A angústia
inar. A angústia au
automática opõe-se
tom ática opõe-se
para
pa Freud
ra F ao sinal
reud ao sinal dde angústia*.
e an gústia*.

m A
■ À expressão
expressão foi
foi introduzida
introduzida nana reformulação
reformulação feita
feita por
por Freud
Freud da
da sua
sua teoria
teoria
da angústia
da angústia emem Inibição,
Inibição, sintoma
sintoma ee angústia
angústia (Hemmung,
(Hemmung, Symptom
Symptom und
und Angst,
Angst,
1926); pode
1926); pode ser
ser compreendida
compreendida por por comparação
comparação com com aa noção
noção de
de sinal
sinal de
de an­
an-
gústia.
gústia.
Em ambos
Em ambos os os casos,
casos, “... como
como fenômeno
fenômeno automático
automático ee como
comosinal de
sinal de
alarme, aa angústia
alarme, angústia deve
deve ser
ser considerada
considerada como
como umum produto
produto do
do estado
estado dede
desamparo psíquico
desamparo psíquico dodo lactente,
lactente, que
que éé evidentemente
evidentemente a a contrapartida
contrapartida do do
seu estado
seu estado de
de desamparo
desamparo biológico,,
biológico” (1).
(1). A
A angústia
angústia automática
automática éé uma
uma res­
res-
posta espontânea
posta espontânea do do organismo
organismo aa essa
essa situação
situação traumática
traumática ou ou àà sua
sua re­
re-
produção.
produção.
Por “situação
Por “situação traumática"
traumática” deve-se
deve-se entender
entender umum afluxo
afluxo incontrolável
incontrolável
de excitações
de excitações variadas
variadas demais
demais ee intensas
intensas demais.
demais. Esta
Esta éé uma
uma idéia
idéia muito
muito
antiga em
antiga em Freud;
Freud; nósnós aa encontramos
encontramos nosnos seus
seus primeiros
primeiros escritos
escritos sobre
sobre aa
angústia, onde
angústia, onde esta
esta éé definida
definida como
como resultante
resultante de
de uma
uma tensão
tensão libidinal
libidinal
acumulada ee não
acumulada não descarregada.
descarregada.
A expressão
A expressão “angústia
“angústia automática"
automática” indica
indica um
um tipo
tipo de
de reação;
reação; nada
nada diz
diz
da origem
da origem interna
interna ouou externa
externa das
das excitações
excitações traumatizantes.
traumatizantes.

(1) F
(1) FREUD (S.), G.W.,
reud (S.), G.W., XIV,
XIV, 168;
168; S.E.,
S.E., XX,
XX, 138;
138; Fr.,
Fr., 62.
62.

ANULAÇÃO
A (— R
N U L A Ç Ã O (— RETROATIVA)
E T R O A T IV A )

= D
= D.:.: Ungeschehenmachen.
Ungeschehenmachen. — —F F.:.: annulation
annulation rétroactive.
rétroactive. —
— En
En.:.: undoing
undoing (what
(what has
has
be done). — — Es
Es.:
.: anulación retroactiva. — — IZ.:
.: rendere non accaduto ou annulla-
mento retroattivo.


e M Mecanismo psicológico p
ecanism o psicológico pelo qual o
elo qual o su
sujeito se esforça
jeito se esforça ppor fazer
o r fa com
zer com
que
qu pensamentos,
e pen sa m en tos, palavras, ggestos
e sto s e aatos
to s ppassados não tenham
a ssa d o s nâo tenham acon­
acon-
tecido; utiliza
tecido; utiliza para
para isso
isso um
um ppensamento
en sa m en to ou ou umum com
comportamento com
p o rta m en to com
uma significação
uma significação oposta.
oposta.
Trata-se aqui
Trata-se aqui de
de uma
uma com
compulsão
pulsão de de tipo
tipo “m
“mágico”, particularmente
ágico”, particularm ente
característica
ca da n
racterística da neurose obsessiva.
eu rose obsessiva.

= A
■ À anulação
anulação éé rapidamente
rapidamente descrita
descrita por
por Freud
Freud em
em O O homem
homem dosdos ratos;
ratos;
analisa aí
analisa aí “...
“... atos
atos compulsivos,
compulsivos, em em dois
dois tempos,
tempos, em
em que
que o
o primeiro
primeiro tempo
tempo
éé anulado
anulado pelo
pelo segundo
segundo[...]. A sua
[...]. A sua verdadeira
verdadeira significação
significação reside
reside no
no fato
fato
de representarem
de representarem o o conflito
conflito de de dois
dois movimentos
movimentos opostos
opostos ee de
de intensidade
intensidade
quase igual,
quase igual, oo que,
que, segundo
segundo a a minha
minha experiência,
experiência, éé sempre
sempre a a oposição
oposição en­
en-
tre o
tre o amor
amor ee o o ódio"
ódio” (1(la).
a).
Em Inibição,
Em inibição, sintoma
sintoma ee angústia
angústia {Hemmung,
(Hemmung, Symptom
Symptom undund AAngst, 1926),
ngst, 1926),
este processo
este processo éé ressaltado
ressaltado por por Freud
Freud sob
sob o
o termo
termo Ungeschehenmachen
Ungeschehenmachen (lite­
(lite-
ralmente: tornar
ralmente*. tornar não
não acontecido);
acontecido); vê vê nele,
nele, com
com o o isolamento,
isolamento, uma
uma forma
forma
de defesa
de defesa característica
característica da da neurose
neurose obsessiva
obsessiva ee qualifica-a
qualifica-a de
de processo
processo má­
má-
gico; mostra
gico; mostra como
como ela
ela atua
atua especialmente
especialmente nosnos rituais
rituais obsessivos
obsessivos (2a).
(24). 27
27
ANULAÇÃO ((—
- RETROATIVA)

Anna Freud cita a anulação retroativa no seu inventário dos mecanis­ mecanis-
mos de defesa do ego (3); e é geralmente como mecanismo de defesa do
ego que ela é definida na literatura psicanalítica (4a).(44).
quea
Notemos que a anulação retroativa se apresenta sob modalidades bas­ bas-
tante diversas. Às vezes um comportamento é anulado pelo comportamento
diretamente oposto
diretamente oposto (é
(é oo caso
caso do
do ‘‘homem
“homem dosdosratos”, que torna
ratos”, que torna aa pôr
pôr num
num
caminho uma pedra que num primeiro tempo tinha retirado para que não
houvesse perigo de o carro da amiga bater nela); outras vezes é o mesmo
ato que é repetido, mas com significações, conscientes ou inconscientes,
opostas; outras ainda, o ato de anulação é contaminado pelo ato que pre­ pre-
tende apagar. Veja-se o exemplo dado por Fenichel (4b), (44), que ilustra essas
duas últimas modalidades: um sujeito censura-se por ter esbanjado dinheiro
ao comprar o jornal; gostaria de anular essa despesa, fazendo com que
lhe reembolsassem a importância gasta; não ousando fazêdo, fazê-lo, pensa que
comprar outro
comprar outro jornal
jornal oo aliviará.
aliviará. Mas
Mas aa banca
banca dede jornais
jornais está
está fechada;
fechada; en­
en-
tão o sujeito joga no chão uma moeda do mesmo valor do jornal.
sequências, Freud fala de sintomas “difásicos”
Para exprimir essas seqüências, “difásicos”:: “A
uma ação que põe em execução uma determinada injunção sucede-se ime­ ime-
diatamente outra que detém ou anula a primeira, mesmo que não chegue
ao ponto de pôr em execução o seu contrário.” (2b) (2h)
Antes de classificar a anulação retroativa entre os mecanismos de de­ de-
fesa do ego é preciso ainda observar o seguinte: deve-se considerar o ‘‘se­ “'se-
gundo tempo” como um simples produto da defesa? A variedade dos exem exem-­
plos clínicos leva a uma resposta ponderada. Com efeito, vem vemosos a maioria
intervêm nos dois tempos, parti­
das vezes que as motivações pulsionais intervém parti-
cularmente sob a forma da ambivalência* amor-ódio; às vezes é até o se­ se-
gundo tempo que melhor evidencia a vitória da pulsão. Em um exemplo
como o de Fenichel, é exatamente o comportamento no seu conjunto que
forma um todo sintomático.
Note-se, aliás, nesta perspectiva, que Freud, numa época em que
ainda não se acentuam os mecanismos de defesa do ego, parece fazer
intervir a ação defensiva apenas numa racionalização que dissimula se se-­
cundariamente a totalidade em jogo (1&). (1h).
poderíamos distinguir aqui duas concepções, que aliás opõem-
Por fim, poderiamos
se apenas como dois níveis de interpretação ou dois níveis do conflito
psíquico*: uma que acentua o conflito interpulsional em que se reencon­ reencon-
tra, em última análise, a ambivalência do amor e do ódio, e a outra que
situa o conflito entre as pulsões e o ego, podendo este encontrar um alia­ alia-
do numa pulsão oposta àquela com que se protege.

x

conviria ligar o mecanismo


Podemos perguntar se não conviría mecanismode re-
de anulação re­
frequente, como retratar-se
troativa a um comportamento normal muito freqüente,
228
8 de uma afirmação, reparar um dano, reabilitar um condenado, atenuar o
APARELHOPSÍQUICO
APARELHO PSÍQUICO

significado de um pensamento, de uma palavra ou de um ato por uma umane-


ne­
gação que pode até ser antecipada (exemplo: “não vá julgar que...”), etc.
Notemos todavia que em todos esses casos se trata de atenuar ou de
anular a
anular a significação,
significação, o
o valor
valor ou
ou as
as conseqüências
consequências de
de um
um comportamento.
comportamento.
A anulação retroativa — — no sentido patológico —— visa a própria realidade
do ato que se procura suprimir radicalmente, fazendo como se o tempo
não fosse
não fosse irreversível.
irreversível.
Claro que tal distinção pode parecer esquemática; não é ao pôr em
ação significações opostas que o sujeito tenta anular até o próprio ato? No
entanto, a
entanto, clínica mostra
a clínica mostra que
que o
o obsessivo
obsessivo não
não se
se satisfaz
satisfaz com
com um
um trabalho
trabalho
de desinvestimento* ou de contra-investimento*. O que ele visa é a im­ im-
possível
possível anulação do acontecimento (Geschehen) passadopassado como
como tal.
tal.

FrEUD(S.),
(1) F tber einen Fali
reud (S.), Bemerkungen übereinen Fall von Zwangsneurose, 1909. — — a) G.W., VII,
VIH,
414; S.E.,
414; S.E., X,X, 192;
192; Fr.,
Fr., 224.
224. -— b)
b) Cf.
Cf. G.W.,
G.W., VII,
VII, 414;
414; S.E.,
S.E., X,
X, 192;
192; Fr.,
Fr., 224.
224.
(2) F
(2) FREUD(S.).
reud (S.). -— a)
a) C
Cf.f G.W.,
G.W., XIV,
XIV, 149-50;
149-50; S.E.,
S.E., XX,
XX, 119-20;
119-20; Fr.,
Fr., 41-2.
412. -— b)D) G.W.,
G.W,,
XIV, 142;
XIV, 142; S.E.,
S.E., XX,
XX, 113;
113; Fr.,
Fr., 33.
33.
Cf.f F
(3) C FREUD(A.),
reud (A.), Das Ich und die Abwehermechanismen, 1936, ed. Imago, Londres,
1946, 36;
1946, 36; P.U.F.,
P.U.F., Paris,
Paris, 1949,
1949, 38-9.
38-9.
Cf. por exemplo F
(4) Cf FENICHEL (0.), The Psychoanalytic Theory of Neurosis, Norton, Nova
enichel (O.),
Iorque, 1945, ed. fr., P.U.F., 1953. -— a) Ingl., 153-5; Fr., 189-92. -— b)b)Ingl.,
Ingl., 154; Fr., 190-1.

APARELHO
A PSÍQUICO
PARELHO P S ÍQ U IC O

D.:
=D — F.
.: psychischer ou seelischer Apparat. — F.:: appareil psychique. —
— En.
En.:: psychic
ou mental apparatus. — — Es.: aparato psíquico. — — /.:
IL: apparato psichico ou
mentale.


e E Expressão
x p ressã o quque ressalta
e re certas
ssa lta ce características
rta s ca que
ra c te rística s qu e aa teoria
teoria freu
freu-­
diana aatribui psiquismo:
trib u i ao psiqu ism o: a sua capacidade dde transmitir
e tra trans-
n sm itir e de trans­
formar
fo uma energia
rm a r uma energia ddeterminada
eterm in a d a ee aa sua
sua diferen
diferenciação
ciação emem siste
sistemas
m as
instâncias.
ou in stân cias.

m Em
■ Em A4 interpretação
interpretação de
de sonhos
sonhos (Die
(Die Traum
Traumdeutung, 1900), Freud
deutung, 1900), Freud define
define
o aparelho psíquico por comparação com aparelhos ópticos; procura as­ as-
sim, segundo
sim, segundo as as suas
suas próprias
próprias palavras,
palavras, ” “... tornar compreensível
... tornar compreensível a a com­
com-
plicação do
plicação do funcionamento
funcionamento psíquico,
psíquico, dividindo
dividindo este
este funcionamento
funcionamentoee atri­
atri-
buindo cada
buindo cada função
função específica
específica aa uma
uma parte
parte constitutiva
constitutiva do
do aparelho”
aparelho” (1(la).
a).
Um texto como este exige algumas observações:
1) Ao falar de aparelho
Ao falar psíquico,
de aparelho FreudFreud
psíquico, sugere a idéia
sugere de uma
a idéia certacerta
de uma
organização, de
organização, de uma
uma disposição
disposição interna,
interna, mas
mas fazfaz mais
mais dodo que
que ligar
ligar dife­
dife-
rentes funções
rentes funções a a “lugares
“lugares psíquicos”
psíquicos” específicos;
específicos; atribui
atribui aa estes
estes uma
uma da­
da-
da ordem
da ordem que
que acarreta
acarreta uma
uma sucessão
sucessão temporal
temporal determinada.
determinada. A A coexistên­
coexistên-
cia dos
cia dos diferentes
diferentes sistemas
sistemas que
que compõem
compõem o o aparelho
aparelho psíquico
psíquico não
não deve
deve
ser tomada no sentido anatômico que lhe seria atribuído por uma teoria
das localizações cerebrais. Implica apenas que as excitações devem se­ se-
guir uma
guir uma ordem
ordem que
que fixa
fixa oo lugar
lugar dos
dos diversos
diversos sistemas
sistemas (2).
(2). 29
APOIO
APOIO

“aparelho” sugere a idéia de uma tarefa, ou mesmo de


2) O termo ‘‘aparelho’’
um trabalho.
um trabalho. Freud
Freud extraiu
extraiu o
o esquema
esquema que que prevalece
prevalece aqui
aqui de
de uma
uma deter­
deter-
minada concepção do arco reflexo segundo a qual este transmitiría transmitiria inte­
inte-
gralmente a energia recebida: '‘O “O aparelho psíquico deve ser concebido
como um
como um aparelho
aparelho reflexo.
reflexo. O
O processo
processo reflexo
reflexo continua
continua sendo
sendo oo modelo
modelo
((Vorbild)
Vorbild) de todo o funcionamento psíquico.” (lè) (1h)
Em última
Em última análise,
análise, aa função
função dodo aparelho
aparelho psíquico
psíquico éé manter
manter ao ao nível
nível
mais baixo possível a energia interna de um organismo (ver: princípio de
constância). A
constância). À sua
sua diferenciação
diferenciação em em subestruturas
subestruturas ajudaajuda aa conceber
conceber as as
transformações da
transformações da energia
energia (do
(do estado
estado livre
livre ao
ao estado
estado ligado)
ligado) (ver:
(ver: elabora­
elabora-
ção psíquica)
ção psíquica) ee oo funcionamento
funcionamento dos dos investimentos,
investimentos, contra-investimentos
contra-investimentos
ee superinvestimentos.
superinvestimentos.
3) Estas
3) Estas breves
breves observações
observações indicam
indicam queque oo aparelho
aparelho psíquico
psíquico tem
tem pa­
pa-
ra Freud
ra Freud umum valor
valor dede modelo,
modelo, ou,
ou, como
comoele próprio dizia,
ele próprio dizia, de
de ‘‘ficção’
“ficção”’ (lc).
(10).
Este modelo,
Este modelo, como
como no no primeiro
primeiro texto
texto acima
acima citado,
citado, ouou ainda
ainda nono primeiro
primeiro
capítulo do Esboço de psicanálise (Abriss der Psychoanalyse, 1938), pode ser
físico; em
físico; em outros
outros pontos
pontos pode
pode ser
ser biológico
biológico (a(a 'Vesícula
“vesícula protoplásmica”
protoplásmica”
do cap.
do cap. IV
IV de
de A
Além
lém dodo princípio
princípio do
do prazer
prazer [Jenseits
[Jenseits des
des Lustprinzips, 1920]).
Lustprinzips, 1920]).
O comentário
O comentário da da expressão
expressão "aparelho
“aparelho psíquico”
psíquico” remete
remete para
para uma
uma apre­
apre-
ciação de conjunto da metapsicologia freudiana e das metáforas que põe
em jogo.
em jogo.

(1) F
(1) FrEUD(S.).
reud (S.). -— d)
à) G.W.,
G.W., II-III,
IL-III, 541;
541; S.E.,
S.E., IV-V,
IV-V, 536;
536; Fr.,
Fr., 441.
441. -— b)
b) G.W.,
G.W., II-III,
ILIII, 604;
604;
S.E., V-V,
S.E., V-V, 598;
598; Fr.,
Fr., 448.
448. -— c)
co) G.W.,
G.W., II-III,
ILIII, 604;
604; S.E.,
S.E., IV-V,
IV-V, 598;
598; Fr.,
Fr., 448.
448.
(2) Cf.
(2) Cf. por
por exemplo
exemplo F FREUD(S.),
reud (S.), AAus den Anfàngen
us den Anfângen der
der Psychoanalyse,
Psychoanalyse, carta
carta aa W.
W. Fliess
Fliess
de 6-12-1896.
de 6-12-1896.

APOIO
A P O IO

D.:: Anlehnung. —
= D. — F.: étayage. —
— En.: anaclisis. —
— Es.
Es.:: apoyo ou anáclisis. —

If.:.: appoio ou anaclisi.

• e T Termo
erm o in introduzido
tro d u zid o ppor
or FFreud para d
reu d para designar
esig n a r aa relação
relação p primitiva
r im itiv a
ddas
a s ppulsões sexuais
u lsõ e s sex com as p
u a is com pulsões
u lsõ e s ddee aautoconservação;
u tocon servação; aass ppulsões u lsõ e s
sexuais,
sex que
u a is, qu só secu
e só secundariamente se torn
n d a ria m en te se tornam am in independentes, apóiam--
d e p e n d e n te s, apoiam
sseennas funções
a s fu n ções vvitais que
ita is qu lhes
e lh fornecem
es forn ecem uma fo fonte
n te orgânica, um uma a ddi-

reção
reçã o e um oobjeto. Em con
b jeto . Em consequência,
seqü ên cia, falar-se-á ta também
m b ém dde e aapoio
poio pa-
pa­
ra ddesignar fato
esig n a r o fa to dde sujeito
e o su je ito se aapoiar sobre
p o ia r so b re o oobjeto
b je to ddas
a s ppulsões
u lsõ e s
dde autoconservação
e au tocon servação na na sua
sua escolha
escolha d de um o
e um objeto
b jeto dde amor;
e am or; éé aa isso
isso que
qu e
FFreud chama
reu d cham tipo
a tip o dde escolha d
e escolha dee oobjeto
b jeto ppor apoio.
o r apoio.

a Quanto
m Quanto à à tradução
tradução do do termo
termo alemão
alemão A Anlehnung por apoio,
nlehnung por apoio, remetemos
remetemos
para o
para o verbete
verbete anaclítico,
anacliítico, onde
onde oo leitor
leitor encontrará
encontrará considerações
considerações termino­
termino-
lógicas.
lógicas.
A idéia
A idéia de
de apoio
apoio éé uma
uma peça
peça fundamental
fundamental da
da concepção
concepção freudiana
freudiana da da
30 sexualidade. Presente
sexualidade. Presente desde
desde aa primeira
primeira edição
edição de
de Três
Três ensaios
ensaios sobre
sobre aa teo-
teo-
APOIO
APOIO

ria da sexualidade (Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie, 1905), foi se afir­ afir-
mando progressivamente
mando progressivamente nos nos anos
anos seguintes.
seguintes.
Em 1905,
Em 1905, na sua primeira
na sua primeira elaboração
elaboração teórica
teórica da da noção
noção dede pulsão,
pulsão, Freud
Freud
descreve a
descreve a estreita
estreita relação
relação existente
existente entreentre a a pulsão
pulsão sexual
sexual ee certas
certas gran­
gran-
des funções
des funções corporais.
corporais. EssaEssa relação
relação éé particularmente
particularmente evidente
evidente na na ativi­
ativi-
dade oral
dade oral do
do lactente:
lactente: no no prazer
prazer encontrado
encontrado na na sucção
sucção do do seio,
seio, “ “...
...aa satis­
satis-
fação da
fação da zona
zona erógena
erógena estava
estava a a princípio
princípio estreitamente
estreitamente associada
associada à à satis­
satis-
fação da
fação da necessidade
necessidade de de alimento’’
alimento” (\a (la). A função
). A função corporal
corporal fornece
fornece à à se­
se-
xualidade a
xualidade a sua
sua fonte
fonte ou ou zona
zona erógena;
erógena; indica-lhe
indica-lhe imediatamente
imediatamente um um ob­ob-
jeto, o
jeto, o seio;
seio; por
por fim,
fim, causa-lhe
causa-lhe um um prazer
prazer queque não
não éé redutível
redutível à à pura
pura ee sim­
sim-
ples satisfação
ples satisfação da da fome,
fome, umauma espécie
espécie de de prêmio
prêmio de de prazer:
prazer: “ “... em breve
... em breve
a necessidade de repetir a satisfação sexual irá separar-se da necessidade
de nutrição”
de nutrição” (lb).(1h). AA sexualidade,
sexualidade, portanto,
portanto, só só se
se torna
torna autônoma
autônoma secun­ secun-
dariamente e,
dariamente e, uma
uma vezvez abandonado
abandonado o o objeto
objeto exterior,
exterior, funciona
funciona no no modo
modo
auto-erótico (ver:
auto-erótico (ver: auto-erotismo).
auto-erotismo).
O apoio
O apoio aplica-se
aplica-se também
também nos nos casos
casos das das outras
outras pulsões
pulsões parciais:
parciais: “A “A
zona anal,
zona anal, tal
tal como
como a a zona
zona labial,
labial, éé apropriada,
apropriada, pela pela sua
sua situação,
situação, a a permi­
permi-
tir um
tir um apoio
apoio para
para a a sexualidade
sexualidade em em outras
outras funções
funções corporais.”
corporais.” (lc) (1c)
Finalmente, já
Finalmente, já em
em 1905,
1905, ao ao longo
longo de todo o
de todo o capítulo
capítulo sobre
sobre a a “desco­
“desco-
berta do
berta do objeto”
objeto”,, a a gênese
gênese da da escolha
escolha de de objeto
objeto descrita
descrita por
por Freud
Freud éé jus­jus-
tamente aquela
tamente aquela queque mais
mais tarde
tarde eleele qualificaria
qualificaria comocomo “tipo
“tipo dede escolha
escolha de de
objeto por
objeto por apoio”
apoio”** (lrf).
(1d).
Nosanos
Nos anos dede 1910-12,
1910-12, nos nos textos
textos ondeonde Freud
Freud distingue
distingue a a grande
grande opo­opo-
sição entre
sição entre pulsões
pulsões sexuais*
sexuais* ee pulsões
pulsões de de autoconservação*,
autoconservação*, a a noção
noção de de
apoio está
apoio está sempre
sempre presente;
presente; designa
designa a a relação
relação originária
originária dasdas duas
duas gran­
gran-
des espécies
des espécies de de pulsões:
pulsões: “ “...
...aas pulsões sexuais
s pulsões sexuais encontram
encontram os os seus
seus primei­
primei-
ros objetos
ros objetos apoiadas
apoiadas em em valores
valores reconhecidos
reconhecidos pelas pelas pulsões
pulsões do do ego,
ego, taltal co­
co-
mo as
mo as primeiras
primeiras satisfações
satisfações sexuais
sexuais são são experimentadas
experimentadas apoiando-se
apoiando-se nas nas
funções corporais
funções corporais necessárias
necessárias à à conservação
conservação da da vida”
vida” (2).
(2).
À oposição introduzida por Freud em 1914 entre dois
A oposição introduzida por Freud em 1914 entre dois tipos
tipos dede escolha
escolha
de objeto
de objeto não não traz
traz modificações
modificações à à noção
noção de de apoio:
apoio: limita
limita apenas
apenas a a exten­
exten-
são da
são da escolha
escolha de de objeto
objeto porpor apoio
apoio à à qual
qual sese vem
vem cpor
cpor umum outro
outro tipo
tipo dede
escolha de
escolha de objeto,
objeto, narcísica*.
narcísica*.
Em 1915,
Em 1915, porpor fim,
fim, nana terceira
terceira edição
edição de de Três
Três ensaios,
ensaios, Freud
Freud põe põe me­
me-
lhor em
lhor em evidência,
evidência, através
através de de alguns
alguns aditamentos,
aditamentos, o o termo
termo A Anlehnung
nlehnung ee
aa amplitude
amplitude que que atribui
atribui a a ele.
ele. ÉÉ assim
assim queque faz
faz dodo “apoio
“apoio sobre
sobre uma uma das das
funções corporais
funções corporais importantes
importantes para para a a vida”
vida” (1^)
(1e) uma
uma dasdas três
três característi­
característi-
cas essenciais
cas essenciais da da sexualidade
sexualidade infantil.
infantil.

x

Parece que,
Parece que, até
até hoje,
hoje, a
a noção
noção de
de apoio
apoio não
não foi
foi plenamente
plenamente apreendida
apreendida
na obra
na obra de
de Freud;
Freud; quando
quando vemos
vemos intervir
intervir esta
esta noção,
noção, éé quase
quase sempre
sempre na
na
concepção de
concepção de escolha
escolha de
de objeto,
objeto, que,
que, longe
longe de
de defini-la
defini-la por
por inteiro,
inteiro, supõe
supõe
que ela
que ela esteja
esteja no
no centro
centro de
de uma
uma teoria
teoria das
das pulsões.
pulsões. 31
31
APOIO
APOIO

O seu
O seu sentido
sentido principal
principal é, é, com
com efeito,
efeito, estabelecfer
estabelecer uma uma relação
relação ee umauma
oposição entre
oposição entre as as pulsões
pulsões sexuais
sexuais ee as as pulsões
pulsões de de autoconservação.
autoconservação.
1º A
1? A própria
própria idéia
idéia dede que
que originariamente
originariamente as as pulsões
pulsões sexuais
sexuais tomam
tomam
das pulsões
das pulsões de de autoconservação
autoconservação as as suas
suas fontes
fontes ee os os seus
seus objetos
objetos implica
implica
que existe
que existe uma
uma diferença
diferença de de natureza
natureza entre entre as as duas
duas espécies
espécies de de pulsões;
pulsões;
as primeiras
as primeiras encontram
encontram todo todo o o seu
seu funcionamento
funcionamento predeterminado
predeterminado pelo pelo
seu aparelho
seu aparelho somático,
somático, ee o o seu
seu objeto
objeto éé imediatamente
imediatamente fixado; fixado; as as segun­
segun-
das, pelo
das, pelo contrário,
contrário, definem-se
definem-se em em primeiro
primeiro lugarlugar por
por umum certo
certo modo
modo de de
satisfação que,
satisfação que, dede início,
início, nãonão passa
passa de de umum ganho
ganho obtido
obtido à à margem
margem (L (Lust-
ust-
nebengewinn) do
nebengewinn) do funcionamento
funcionamento das das primeiras.
primeiras. Essa Essa diferença
diferença essencial
essencial
éé atestada
atestada em em Freud
Freud pelopelo emprego
emprego repetido,
repetido, para para falar
falar das
das pulsões
pulsões de de au­
au-
toconservação, de
toconservação, de termos
termos comocomo função
função ee necessidade.
necessidade. Segundo
Segundo esta esta linha
linha
de pensamento,
de pensamento, podemospodemos perguntar
perguntar se, se, numa
numa terminologia
terminologia mais mais rigorosa,
rigorosa,
não conviría
não conviria designar
designar aquilo
aquilo a a que
que Freud
Freud chama
chama “pulsões
“pulsões de de autoconser­
autoconser-
vação” pelo
vação” pelo termo
termo necessidades,
necessidades, diferenciando-as
diferenciando-as melhor, melhor, assim,
assim, dasdas pul­
pul-
sões sexuais.
sões sexuais.
2º A
2? À noção
noção de de apoio,
apoio, ajudando
ajudando a a compreender
compreender a a gênese
gênese da da sexualida­
sexualida-
de, permite
de, permite definir
definir o o lugar
lugar desta
desta nana teoria
teoria dede Freud.
Freud. Muitas
Muitas vezesvezes se se cen­
cen-
surou o
surou o pansexualismo
pansexualismo de de Freud,
Freud, ee este
este defendeu-se
defendeu-se dessa dessa acusação
acusação invo­ invo-
cando a
cando a constância
constância do do seu
seu dualismo
dualismo pulsional;
pulsional; a a concepção
concepção de de apoio
apoio per­
per-
mitiria uma
mitiría uma resposta
resposta mais mais diferenciada.
diferenciada. Em Em certo
certo sentido,
sentido, a a sexualidade
sexualidade
pode ser
pode ser encontrada
encontrada em em toda
toda parte,
parte, nascendo
nascendo no no próprio
próprio funcionamento
funcionamento
das atividades
das atividades corporais,
corporais, ee também,
também, como como Freud
Freud indica
indica em em Três
Três ensaios,
ensaios,
em todas
em todasas espécies de
as espécies de outras
outras atividades
atividades — — intelectuais,
intelectuais, por por exemplo
exemplo —; —;
mas, por
mas, por outro
outro lado,
lado, ela
ela apenas
apenas se se separa
separa secundariamente,
secundariamente, ee raramente raramente
éé encontrada
encontrada como como função
função absolutamente
absolutamente autônoma. autônoma.
3º Um
3? Um problema
problema que que muitas
muitas vezes
vezes se se debate
debate em em psicanálise
psicanálise — — deve­
deve-
rá supor-se
rá supor-se a a existência
existência de de umum “amor
“amor de de objeto
objeto primário”
primário” ou ou então
então admitir-
admitir-
se que
se que a a criança
criança começa
começa por por umum estado
estado de de auto-erotismo
auto-erotismo ou ou de
de narcisismo*?
narcisismo*?
— encontra
— encontra em em Freud
Freud uma uma solução
solução maismais complexa
complexa do do que
que geralmente
geralmente se se
afirma. As
afirma. As pulsões
pulsões sexuais
sexuais satisfazem-se
satisfazem-se de de forma
forma auto-erótica
auto-erótica antes antes de de
percorrerem aa evolução
percorrerem evolução que que asas leva
leva àà escolha
escolha de de objeto.
objeto. Mas,
Mas, em em contra­
contra-
partida, as
partida, as pulsões
pulsões de de autoconservação
autoconservação estão estão de de início
início emem relação
relação com com oo
objeto; assim,
objeto; assim, enquanto
enquanto a a sexualidade
sexualidade funciona
funciona apoiando-se
apoiando-se sobre
sobre elas,
elas, exis­
exis-
te, igualmente
te, igualmente para para asas pulsões
pulsões sexuais,
sexuais, uma uma relação
relação comcom oo objeto;
objeto; só só quan­
quan-
do se
do se separam
separam éé que que a a sexualidade
sexualidade se se torna
torna auto-erótica.
auto-erótica. “Quando,
“Quando, origi­origi-
nariamente, a
nariamente, satisfação sexual
a satisfação sexual estava
estava aindaainda ligada
ligada à à absorção
absorção de de alimen­
alimen-
tos, a
tos, a pulsão
pulsão sexual
sexual tinha
tinha um um objeto
objeto sexual
sexual forafora dodo próprio
próprio corpo:
corpo: o o seio
seio
materno. Só
materno. Só mais
mais tarde
tarde oo perde
perde [...].
[...]. AÀ pulsão
pulsão sexual
sexual torna-se
torna-se então,
então, viavia
de regra,
de regra, auto-erótica
auto-erótica [...].
[...). Encontrar
Encontrar o o objeto
objeto é, é, no
no fundo,
fundo, reencontrá-lo.”
reencontrá-lo.”
(19)
d /)

(1) F
(1) FreUD(S.).
reud (S.). -— a)
a) G.W.,
G.W., V,
V, 82;
82; S.E.,
S.E., VII,
VII, 181-2;
181-2; Fr.,
Fr., 74.
74. -— b)
D) G.W.,
G.W., V,
V,82; S.E,,
82; S.E.,
VII, 182;
VII, 182; Fr.,
Fr., 75.
75. -— c)
0) G.W.,
G.W., V,
V,86; S.E., VII,
86; S.E., VII, 185;
185; Fr.,
Fr., 79.
79. -— d)
) Cf.
Cf. G.W.,
G.W., V,
V, 123-30
123-30 ee n
n.l,
.l,
p. 123 (acrescentada em 1915); S.E., VII, 222-30 e n. 1, p. 22; Fr., 132-40 e n. 77, p. 185.
32
32 -— é)
GW.
G.W., V,V,83;S.E., VII, 182;
83; S.E., VII, 182; Fr.,
Fr., 76.
76. -—/ A) G.W., V,
) G.W., V, 183;
183; S.E.,
S.E., VII,
VII, 222;
222; Fr.,
Fr., 132.
132.
A POSTERIORI (subst., adj. e adv.)

(2) FrEUD(S.), Beitráge zur Psychologie des Liebeslebens, 1910. G.W., VIII, 80; S.E., XI,
F reud(S.), Beitràge
180-1; Fr.,
.180-1; Fr., 12.
12.

A POSTERIORI
A P (subst.,
O S T E R IO R I (s u b s t ., adj.
ad j. e
e adv.)
a d v .)

= D.: Nachtrãglichkeit
Nachtráglichkeit (subst.), nachtrãglich (adj. eadv.). — F.: après-coup
e adv.). — aprês-coup (subst.,
ad;. adv.).
adj. e adv ). — En.: deffered action, deffered (adj.).
—En.\ (ad;.). —
— Es.: posteridad, posterior,
posteriormente. — — /.:
Z.: posteriore (ad;.),
(adj.), posteriormente (adv.).

e
• Termos
T frequentemente
erm os fre utilizados
q u e n te m e n te u tiliza d o s por
p o r Freud
F reu d com
com relação à sua
concepção da temtemporalidade
poralidade e da causalidade psíquicas. psíqu icas. Há experiên-
experiên ­
cias, impressões,
im p ressõ es, traços
tra ço s mnésicos
m n é sico s ** que
qu e são ulteriormente
u lte rio rm en te remodela-
rem o d ela ­
dos
d o s em
em função ded e experiências
ex p eriên cia s nnovas,
ovas, do acesso
acesso a outro
o u tro grau de de-
de­
senvolvimento. Pode
sen vo lvim en to . P o d e então
en tão ser-lhes conferida,
ser-lh es con ferida, além
além ddee um nnovo
ovo sen-
sen ­
tido,
tid o , uma eficácia ppsíquica.
síq u ica .

m
■ O Otermo
termo nachtrâglich
nachtrãglich é de uso repetido e constante em Freud, que mui­mui-
tas vezes o emprega sublinhado. Encontramos também, e no início, a for­ for-
ma substantiva Nachtráglichkeit,
Nachtrâglichkeit, que demonstra que, para Freud, essa no­ no-
ção de “a posteriori” faz parte do seu aparelho conceituai,
conceitual, apesar de não
ter apresentado uma definição dela, e menos ainda uma teoria do conjun-conjun­
to. J. Lacan teve o mérito de chamar a atenção para a importância desse
termo. Note-se a propósito que as traduções francesas e inglesas de Freud,
não optando por um equivalente único, não permitem verificar seu uso.
pretendemos
Não pretendem os propor aqui uma teoria do a posteriori
posteriori,, mas apenas
sublinhar brevemente
sublinhar brevem ente oo seu
seu sentido
sentido ee o
o seu interesse quanto
seu interesse quanto à à concepção
concepção
freudiana da
freudiana temporalidade ee da
da temporalidade da causalidade psíquicas.
causalidade psíquicas.
1. A noção começa por impossibilitar uma interpretação sumária que
reduza a concepção psicanalítica da história do sujeito a um determinis­
determinis-
mo linear que considere unicamente a ação do passado sobre o presente.
Muitas vezes censura-se a psicanálise por reduzir ao passado infantil o
conjunto das ações e dos desejos humanos; essa tendência estaria se agra-agra­
vando cada
vando vez mais
cada vez mais com
com aa evolução
evolução da psicanálise; os
da psicanálise; os analistas
analistas estariam
estariam
voltando a um passado cada vez mais remoto; para eles, todo o destino
do homem estaria decidido desde os primeiros meses, e mesmo desde a
vida intra-uterina...
Ora, Freud acentuou desde o início que o sujeito modifica a posteriori
os acontecimentos passados e que essa modificação lhes confere um sen- sen­
tido e mesmo uma eficácia ou um poder patogênico. Em 6-12-1896, escre- escre­
vea
ve a W. Fliess: ... estou trabalhando a hipótese de que o nosso mecanis-
mecanis­
mo psíquico se tenha estabelecido por estratificação: os materiais presen-
presen­
formade
tes sob a forma de traços mnésicos sofrem de tempos em tempos, em fun­ fun-
ção de novas condições, uma reorganização, uma reinscrição” (la).(1 a).
2. Esta idéia poderia levar a pontos de vista segundo os quais todos
os fenômenos que encontramos em psicanálise se situam sob o signo da
retroatividade, e mesmo da ilusão retroativa. É assim que Jung fala de 333
3
A POSTERIORI (subst., adj. e adv.)

fantasias retroativas
fantasias retroativas ((Zurickphantasieren). Segundo ele,
Zurückphantasieren ). Segundo ele, oo adulto
adulto reinter-
reinter-
preta o seu passado nas suas fantasias, que constituemconstituem outras tantas ex- ex­
pressões
p simbólicas
ressões sim dos seu
bólicas dos seuss problemas
problemas atuais.
atuais. NNesta concepção, a
esta concepção, rein-
a rein-
terpretação éé para
terpretação para oo sujeito
sujeito um
um mmeio de fugir
eio de fugir das
das “exigên
“exigências da realida-
cias da realida­
de”
d presente, refugiando-se
e '’ presente, refugiando-se num num passado
passado imaginário.
imaginário.
Numaperspectiva
Numa diferente, aa noção
perspectiva diferente, noção de
de aa posteriori
posteriori poderia
poderia igualm
igualmente
ente
evocar uma concepção da temporalidade colocada em primeiro plano pela
evocar uma concepção da temporalidade colocada em primeiro plano pela
filosofia ee retomada
filosofia retomada pelas
pelas diferentes
diferentes tendências
tendências dada psicanálise
psicanálise existencial:
existencial:
aa consciência
consciência constitui
constitui oo seu
seu passado,
passado, rem
remodela constantemente
odela constantem ente seu
seu sen-
sen ­
tido, em
tido, em função
função do
do seu
seu “projeto".
“projeto”.

x

A concepção
A concepção freudiana
freudiana de de aa posteriori
posteriori apresenta-se
apresenta-se de de forma
forma muito
muito
mais definida.
mais definida. Poderiamos,
Poderíamos, ao ao que
que parece,
parece, agrupar
agrupar assim
assim oo que
que aa especifica:
especifica:
1. Não
1. Não éé oo vivido
vivido emem geral
geral que
que éé rem
remodelado
odelado aa posteriori,
posteriori, m masas antes
antes
oo que,
que, no
no mmomento
om ento emem que
que foi
foi vivido,
vivido, não
não pôde
pôde integrar-se
integrar-se plenam
plenamente
ente
num contexto
num contexto significativo.
significativo. O Om modelo dessa vivência
odelo dessa vivência éé oo acontecim
acontecimentoento
traumatizante.
traum atizante.
2. A
2. A remodelação
remodelação a a posteriori
posteriori éé acelerada
acelerada pelo
pelo aparecimento
aparecimento de de acon-
acon­
tecimentos ee de
tecimentos de situações,
situações, ou ou por
por uma
uma maturação
maturação orgânica,
orgânica, que
que vãovão per-
per­
mitir ao
mitir ao sujeito
sujeito oo acesso
acesso a a um
um novo
novo tipo
tipo de
de significações
significações ee aa reelaboração
reelaboração
das suas experiências anteriores.
3. A
3. A evolução
evolução da da sexualidade
sexualidade favorece
favorece eminentemente,
eminentemente, pelaspelas defasa-
defasa-
gens temporais
gens temporais que que implica
implica nono homem,
homem, o o fenômeno
fenômeno do do a a posteriori.
posteriori.
Esses
E pontos de
sses pontos de vista
vista seriam
seriam ilustrados
ilustrados por
por num
numerosos textos
erosos tex to s em
em que
que
Freud usa
Freud usa oo term
termo nachtrágiich. Dois
o nachtràglich. Dois ddesses textos parecem
esses textos parecem-nos
-nos particu-
particu­
larmente
larm demonstrativos.
ente dem onstrativos.
No Projeto
No Projeto para
para uma
uma psicologia
psicologia científica
científica (.E
(Entwurf einer Psychologie,
n tw u rf einer Psychologie,
1895), Freud,
1895), Freud, quando
quando estuda
estuda oo recalque
recalque histérico,
histérico, pergunta:
pergunta: por
por que
que oo re-
re­
calque incide
calque incide preferencialmente
preferencialmente sobre sobre aa sexualidade?
sexualidade? Mostra
Mostra com
com um um
exemplo como
exemplo como o o recalque
recalque supõe
supõe dois
dois acontecimentos
acontecimentosnitidamente separa-
nitidamente separa­
dos na
dos na série
série temporal.
temporal. O O primeiro,
primeiro, no no tempo,
tempo, éé constituído
constituído porpor uma
uma cena
cena
sexual (sedução por um adulto), mas que não tem então para aa criança criança
significado sexual.
significado sexual. O O segundo
segundo apresenta
apresenta certas
certas analogias
analogias comcom oo primeiro,
primeiro,
que podem
que podem ser ser superficiais;
superficiais; mas
mas desta
desta vez,
vez, pelo
pelo fato
fato de
de que
que nesse
nesse meio
meio
tempo surgiu
tempo surgiu a a puberdade,
puberdade, a a emoção
emoção sexual
sexual éé possível,
possível, emoção
emoção que
que o su-
o su­
jeito ligará
jeito ligará conscientemente
conscientemente a a este
este segundo
segundo acontecimento,
acontecimento, quando
quando na na rea-
rea­
lidade éé provocada
lidade provocada pelapela recordação
recordação do do primeiro.
primeiro. O O ego
ego não
não pode
pode utilizar
utilizar
aqui as
aqui as suas
suas defesas
defesas normais
normais (evitação
(evitação por
por meio
meio dada atenção,
atenção, por
por exemplo)
exemplo)
contra esse
contra esse afeto
afeto sexual
sexual desagradável:
desagradável: “A “A atenção
atenção éé dirigida
dirigida para
para as
as per-
per­
cepções porque
cepções porque sãosão elas
elas que
que habitualmente
habitualmente são são ocasião
ocasião dede uma
umaliberação
liberação
de desprazer.
de desprazer. Mas Mas aqui
aqui éé um
um traço
traço mnésico
mnésico ee nãonão uma
uma percepção
percepção que,
que,
de modo
de modo imprevisto,
imprevisto, libera
libera certo
certo desprazer,
desprazer, ee oo ego
ego percebe
percebe isso
isso tarde
tarde de-
de­
mais.” (16)
mais." (1h) O
O ego
ego utiliza
utiliza então
então o o recalque,
recalque, modo
modo de de “defesa
“defesa patológica”
patológica"
334
4 em que
em que ele
ele opera
opera segundo
segundo o o processo
processo primário.
primário.
A POSTERIORI
A POSTERIORI (subst.,
(subst., adj.
adj. ee adv.)
adv.)

Vemos assim
Vemos assim queque o recalque encontra
o recalque encontra aa sua sua condição
condição geral
geral nono “atraso
“atraso
da puberdade”
da puberdade” que que caracteriza,
caracteriza, segundo
segundo Freud,Freud, aa sexualidade
sexualidade humana:humana:
“Qualquer
“Qualquer adolescente
adolescente tem traços mnésicos
tem traços mnésicos que que sósó pode compreender com
pode compreender com
o
o aparecimento
aparecimento de de sensações propriamente sexuais.”
sensações propriamente sexuais.” (Lc) “O aparecimen-
(lc) “O aparecimen­
to tardio da
to tardio puberdade torna
da puberdade torna possíveis processos primários
possíveis processos primários póstumos.”
póstumos.” (\d) (1d)
Nesta perspectiva,
Nesta perspectiva, só só aa segunda
segunda cena confere àà primeira
cena confere primeira oo seu seu valor
valor
patogênico: “Recalca-se
patogênico: “Recalca-se uma uma recordação
recordação que que só só se
se tornou traumatismo
tornou traumatismo
a posteriori.” (1c)
aposteriori.” A noção
(lc) A noção de de a posteriori está
a posteriori por isso
está por intimamente ligada
isso intimamente ligada
à primeira elaboração
à primeira elaboração freudiana
freudiana da da noção
noção de defesa*: a
de defesa*: a teoria
teoria da
da sedução*.
sedução*.
Poder-se-ia objetar
Poder-se-ia objetar queque aa descoberta
descoberta da sexualidade infantil,
da sexualidade infantil, feita
feita um
um
pouco
pouco maismais tarde
tarde por Freud, tira
por Freud, tira todo
todo o valor desta
o valor desta concepção.
concepção. A A melhor
melhor
resposta aa tal
resposta tal objeção estaria em
objeção estaria em O O Homem
Homem dos dos Lobos,
Lobos, onde
onde éé constante-
constante­
mente invocado o
mente invocado mesmo processo
o mesmo processo do do aa posteriori,
posteriori, masmas defasado
defasado nos pri-
nos pri­
meiros anosda
meiros infância. Está
anos da infância. Está nono centro
centro da análise apresentada
da análise apresentada por por Freud
Freud
do sonho
do sonho patogênico
patogênico nas nas suas
suas relações
relações com com aa cena
cena originária*;
originária”; o homem
o homem
dos lobos
dos lobos sósó compreende
compreende oo coito coito “...
“ ...nnaa época
época do do sonho,
sonho, aosaos 44 anos,
anos, ee não
não
na época
na época em em queque oo observou.
observou. Com Com um um anoano ee meio
meio recolheu
recolheu as as impressões
impressões
que pôde
que compreender a
pôde compreender a posteriori,
posteriori, na na época
época do do sonho,
sonho, graças
graças ao ao seu
seu de-
de­
senvolvimento, àà sua
senvolvimento, sua excitação
excitação sexual
sexual ee àà suasua procura
procura sexual”
sexual” (2a).
(2a). O O so­
so-
nho, na
nho, na história
história dessa neurose infantil,
dessa neurose infantil, é, é, como Freud demonstra,
como Freud demonstra, o o mo­
mo-
mento desencadeador
mento desencadeador da da fobia:
fobia: “...
“ ... oo sonho
sonho confere
confere àà observação
observação do do coito
coito
uma eficácia
uma eficácia aa posteriori”
posteriori” (2b).(2b).
Freud
Freud acrescentou
acrescentou em em 1917
1917 duas
duas longas
longas discussões
discussões à à observação
observação do do
Homem dos
Homem dos Lobos,
Lobos, em em que
que sese mostra
mostra abalado
abalado pela tese junguiana
pela tese junguiana da fanta-
da fanta­
sia retroativa. Admite
sia retroativa. Admite que, que, sendo
sendo na análise o
na análise o resultado
resultado de uma recons­
de uma recons-
trução, a
trução, a cena
cena originária
originária poderia
podería muitomuito bem bem terter sido
sido construída
construída pelo pelo pró­
pró-
prio sujeito,
prio sujeito, mas
mas nem
nem porisso
por isso insiste
insiste menos
menos em em que
que a a percepção
percepção forneceu
forneceu
pelo menos indícios,
pelo menos indícios, ainda
ainda que
que nãonão passasse
passasse de de uma
uma cópula
cópula de cães... Mas,
de cães... Mas,
sobretudo, no
sobretudo, no mesmo
mesmo momento
momento em em queque parece
parece atenuar
atenuar as as suas
suas preten-
preten­
sões
sões quanto
quanto àà segurança
segurança que que pode
pode ser ser fornecida
fornecida por uma base
por uma base dede realida­
realida-
de
de — — quese revela tão
que se revela tão friável
friável à investigação —,
à investigação —, introduz
introduz umauma noção
noção nova,
nova,
a
a das fantasias originárias,
das fantasias originárias, istoisto é,é, um
um aquém,
aquém, uma uma estrutura
estrutura que que em em últi-
últi­
ma análise
ma fundamentaa
análise fundamenta fantasia, transcendendo
a fantasia, transcendendo simultaneamente
simultaneamente oo vi- vi­
vido
vido individual
individual ee oo imaginado
imaginado (ver: fantasia originária).
(ver: fantasia originária).

x

Os textos
Os textos queque discutimos mostram que
discutimos mostram que não
não éé possível reduzir a
possível reduzir a con-
con­
cepção freudiana
cepção freudiana do do Nachtrâglich
Nachtrãglich àà noção
noção dede “ação diferida”,, se
“ação diferida” se por isso
por isso
entendermos uma
entendermos umadistância temporal variável,
distância temporal variável, devida
devida aa umum efeito
efeito de adi-
de adi­
ção, entre
ção, entre as
as excitações
excitações ee aa resposta.
resposta. AÀ tradução
tradução por vezes adotada
por vezes adotada na na
Standard Edition de
Standard Edition de deferred
deferred action
action poderia
poderia autorizar tal interpretação.
autorizar tal interpretação. OsOs
editores da
editores da S.
S. E.
E. citam
citam (2c) uma passagem
(2c) uma passagem dos
dos Estudos sobre a
Estudos sobre a histeria
histeria (Stu-
(Stu-
dien úber Hysterie,
dien über Hysterie, 1895)
1895) emem que,
que, aa propósito
propósito dada chamada
chamada histeria
histeria de
de
retenção*, Freud
retenção*, Freud falafala da “eliminação aa posteriori
da “eliminação posteriori dos
dos traumatismos
traumatismos acu­acu-
mulados” (3a)
mulados” (3a) durante
durante umum certo período. Aqui
certo período. Aqui oo aa posteriori
posteriori poderia
poderia emem 35
35
ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO

primeira análise
primeira análise ser
ser compreendido
compreendido comocomo uma
uma descarga
descarga retardada,
retardada, masmas
note-se que
note-se que para
para Freud
Freud trata-se
trata-se de
de uma
uma verdadeira
verdadeira elaboração,
elaboração, de
de um
um “tra­
“'tra-
balho de
balho de memória”
memória” queque não
não éé a
a simples
simples descarga
descarga dede uma
uma tensão
tensão acumula­
acumula-
da, mas
da, mas um
um conjunto
conjunto complexo
complexo de de operações
operações psicológicas:
psicológicas: “Ela
“Ela [a[a doen­
doen-
te] toma
te] torna a
a percorrer
percorrer todos
todosos dias cada
os dias cada expressão,
expressão, chora
chora sobre
sobre elas,
elas, consola-
consola-
se delas,
se delas, por
por assim
assim dizer
dizer àà sua
sua vontade...”
vontade...” (36)
(3h) Melhor
Melhorseria, na nossa
seria, na nossa opi­
opi-
nião, elucidar
nião, elucidar o
o conceito
conceito dede ab-reação*
ab-reação* pelo
pelo de
de aa posteriori
posteriori do
do que
que reduzir
reduzir
oo aa posteriori
posteriori aa uma
uma teoria
teoria estritamente
estritamente econômica
econômica da da ab-reação.
ab-reação.

(1) F
(1) FrEUD(S.), Anfângen der Psychoanalyse, 1887-1902.
reud (S.), Aus den Anfãngen 1887-1902. — — a) Al.,
Al., 185;
185; Ingl.,
Ingl.,
173; Fr.,
173; Fr., 129.
129. -— b)d) AL,
Al., 438;
438; Ingl.,
Ingl., 416;
416; Fr.
Fr. 369.
369. -— c) AL,
AL, 435;
435; Ingl.,
Ingl., 413;
413; Fr.,
Fr., 367.
367. -— d)
Al., 438;
Al., 438; Ingl.,
Ingl., 416;
416; Fr.,
Fr., 369.
369. -— é)e) AL,
AL. 435; Ingl., 413;
435; Ingl., 413; Fr.,
Fr., 366.
366.
FREUD
(2) F reud (S.), AAus der Geschichte
us der Geschichte einer
einer infantilen
infantilen Neurose
Neurose,, 1918 (1914). — — a)a) G. W.,
XII, 64,
XII, 64, n.n. 4;
4;S. E., XVII,
S. E., XVII, 37-8,
37-8,n. 6; Fr.,
n. 6; Fr., 350,
350,n.3.
n. 3. -— b)
5) Cf. G.
G. W.,
W., XII,
XII, 144;
144; S.
S. E.,
E., XVII,
XVII,
109; -— c)
109; 9 G.
G. W.,
W., XII,
XII, 72,
72, n.;
n.; S.
S. E.,
E., XVII,
XVII, 45,45, n.;
n.; Fr.,
Fr., 356,
356, n.
n.
(3) F
(3) FREUD(S.).
reud (S.). -— d)
4) G.
G. W.,
W., I,I, 229;
229;S. E., II,
S. E., II, 162;
162; Fr.,
Fr., 129.
129. -— b)
5) G.
G. W.,
W.,1,229;S. E,,
I, 229; S. E.,
II, 162;
II, 162; Fr.,
Fr., 129.
129.

ASSOCIAÇÃO
A S S O C IA Ç Ã O

= D.:
D.: Assoziation. —— F.: association. —
— En.\
En.: association. —
— Es.
Es.:: asociación. —

T.: associazione.
/.:

•e T Termo
erm o eemprestado do a
m p re sta d o do associacionismo
ssociacion ism o ee qu que designa
e design a qqualquer li-
u a lq u er li­
£gação en
gação entre dois ou
tre dois ou m mais elementos
ais elem psíquicos,
en tos psíqu icos, cujacuja série
série coconstitui uma
n stitu i uma
cadeia
ca d eia aassociativa.
sso cia tiva .
Àss vvezes
à e ze s oo te
termo
rm o éé usado
usado p para designar
ara desig n a r ooss eelementos
le m e n to s aassim
ssim aasso-
sso ­
ciados.
cia d o s. AAp propósito do tra
r o p ó s ito do tratamento,
ta m e n to , éé aa esta
esta ú última
ltim a aacepção
cepção qque ue n nos
os
rreferimos
e fe rim o s ququando falamos,
an do falam os, ppor exemplo,
o r ex em p lo , ddasa s “a“associações
sso cia çõ e s ddee ddeter-
e te r ­
mminado
in a d o sosonho”,
n h o ”, ppara
a ra ddesignarmos,
esign arm os, n naquilo
aqu ilo qu que e oo su
sujeito fala, o
je ito fala, o qu
que e
eestá em con
s tá em conexão
exão aassociativa com e
sso cia tiva com esse
sse sonsonho.
ho. N No fundo,
o fu n do, o te termo
rm o “a “as-s­
ssociações” designa
o c ia ç õ e s” design a oo con
conjunto do m
ju n to do material verbalizado
a te ria l ve rb a liza d o nno o ddecorrer
e c o rre r
da se
da sessão psicanalítica.
ssã o psica n a lítica .

m Um
m Um comentário
comentário exaustivo
exaustivo do
do termo
termo “associação”
“associação” exigiría
exigiria uma
uma pes­
pes-
quisa histórico-crítica
quisa histórico-crítica que
que seguisse
seguisse a a difusão
difusão dada doutrina
doutrina associacionista
associacionista
na Alemanha
na Alemanhano século XIX,
no século XIX, aa sua
sua influência
influência nono pensamento
pensamento do do “jovem
“jovem
Freud”,, ee mostrasse,
Freud” mostrasse, principalmente,
principalmente, como
como elaela foi
foi integrada
integrada ee transfor­
transfor-
mada pela
mada pela descoberta
descoberta freudiana
freudiana das
das leis
leis do
do inconsciente.
inconsciente.
Limitamo-nos às
Limitamo-nos às observações
observações seguintes
seguintes acerca
acerca deste
deste último
último ponto:
ponto:
1. Não
1. Não sese pode
pode compreender
compreender o o sentido
sentido ee oo alcance
alcance dodo conceito
conceito de de as­
as-
sociação em
sociação em psicanálise
psicanálise sem
sem uma
uma referência
referência à à experiência
experiência clínica
clínica de
de onde
onde
saiu oo método
saiu método dasdas associações
associações livres.
livres. Os
Os Estudos
Estudos sobre
sobre aa histeria
histeria (Studien
(Studien
uúber Hysterie,
über Hysterie, 1895)
1895) mostram
mostram como
como Freud
Freud foi
foi levado
levado a a seguir
seguir cada
cada vez
vez mais
mais
as suas
as suas pacientes
pacientes nono caminho
caminho das
das associações
associaçõeslivres que estas
livres que estas lhe
lhe indica­
indica-
vam. ((Ver
vam. Ver oo nosso
nosso comentário
comentário aa “associação
“associação livre”
livre”.) Do ponto
.) Do ponto dede vista
vista da
da
teoria das
teoria das associações,
associações, oo que
que ressalta
ressalta dada experiência
experiência de de Freud
Freud nesses
nesses anos
anos
36
36 de descoberta
de descoberta da da psicanálise
psicanálise pode
pode esquematizar-se
esquematizar-se do do seguinte
seguinte modo:
modo:
ASSOCIAÇÃO
ASSOCIAÇÃO

a) Uma“idéia
a) U m a "idéia que ocorre” ((Einfall)
que ocorre” Einfall) ao sujeito, aparentem
ao sujeito, aparentemente de for-
ente de for­
ma
m isolada, éé sempre,
a isolada, sem pre, nana realidade,
realidade, um elemento
um elem que remete,
ento que consciente-
rem ete, consciente­
mente
m ou não,
ente ou não, para
para outros elementos.
outros elem Descobrem-se
entos. D assim séries
escobrem -se assim séries associa­
associa-
tivas que
tivas que Freud
Freud designa
designa comcom diversos termosfigurados:
diversos term linha (Linie),
os figurados: linha (Linze), fio
fio
(Faden), encadeamento
(Faden), encadeam (Verkettung), trem
ento (Verkettung), trem ((Zug), etc. Essas
Zug ), etc. E ssas linhas
linhas tecem
tecem
verdadeiras
verdadeiras redes, que com
redes, que compreendem “pontos nodais”
preendem "pontos nodais” (Knotenpunkten)
(Knotenpunkteri) on- on­
de muitas
de m uitas delas
delas se cruzam.
se cruzam.
b) As
b) As associações,
associações, do do modo como se
modo como se encadeiam
encadeiam no no discurso
discurso do do sujei­
sujei-
to, correspondem,
to, correspondem, segundo Freud, a
segundo Freud, a uma
uma organização
organização complexa
complexa da da me­
me-
mória. Ele comparou
mória. Ele comparou esta esta aa um sistema de
um sistema de arquivos
arquivos ordenados
ordenados segundo
segundo
diferentes modos de
diferentes modos classificação que
de classificação que se
se poderíam
poderiam consultar
consultar seguindo
seguindo di­di-
versos caminhos
versos caminhos (ordem
(ordem cronológica, ordem por
cronológica, ordem por assuntos,
assuntos, etc.)
etc.) (1
(la). Essa
a). Essa
organização supõe que
organização supõe que a a representação*
representação* ((Vorstellung)
Vorstellung) ouou o
o traço
traço mnésico*
mnésico*
(Erinnerungsspur) de
(Erinnerungsspur) de um
um mesmo
mesmo acontecimento
acontecimento podepode ser
ser reencontrado
reencontrado em em
diversos conjuntos
diversos conjuntos (a (a que
que Freud
Freud chama
chama ainda
ainda "sistemas
“sistemas m mnésicos”).
nésicos”).
c) Essa organização
c) Essa organização em em sistemas
sistemas éé confirmada
confirmada pela
pela experiência
experiência clíni­
clíni-
ca: existem
ca: existem verdadeiros
verdadeiros "grupos
“grupos psíquicos separados” (lè),
psíquicos separados” (1b), isto
isto é,
é, com­
com-
plexos de
plexos representações clivados
de representações clivados do
do curso
curso associativo:
associativo: “As representa-
"As representa­
ções isoladas
ções isoladas contidas
contidas nesses
nesses complexos
complexos ideativos
ideativos podem
podem voltar
voltar conscien-
conscien­
temente ao
temente ao pensamento, como notou
pensamento, como Breuer. Só
notou Breuer. Só a a sua
sua combinação
combinação bem bem
determinada fica
determinada fica banida
banida dada consciência.” (1c) Freud,
consciência.” (lc) Freud, aoao contrário
contrário de de
Breuer, não
Breuer, não vêvê no
no estado
estado hipnóide*
hipnóide* a a explicação
explicação última
última desse
desse fato,
fato, mas
mas
nem por
nem isso deixa
por isso deixa de
de afirmar
afirmaraa idéia
idéia de
de uma
uma divagem*
clivagem* (Spaltung)
(Spaltung) nono seio
seio
do psiquismo.
do psiquismo. O O grupo de associações
grupo de separado está
associações separado está na origem da
na origem noção
da noção
tópica de
tópica inconsciente.
de inconsciente.
d) Num
d) Num comcomplexo associativo, a
plexo associativo, “força” de
a "força” de um
um elem
elemento não perma­
ento não perma-
nece
n ligada aa ele
ece ligada ele de
de modo
m odo imutável.
im utável. O Om mecanismo das associações
ecanism o das associações depen-
depen­
de de
de de fatores
fatores econômicos
económicos:: aa energia
energia de de investim
investimento desloca-se de
ento desloca-se de um
um ele­
ele-
mento
m para outro,
ento para outro, condensa-se
condensa-se nos nos pontos
pontos nodais,
nodais, etc.
etc. (independência
(independência do do
afeto* em
afeto* em relação
relação àà representação).
representação).
e) Decididamente,
e) D ecididam ente, oo discurso
discurso associativo
associativo nãonão éé regido
regido passivam
passivamente
ente
porleis
por leis gerais como
gerais com o as que oo associacionism
as que associacionismo definiu: oo sujeito
o definiu: sujeito não
não éé um
um
“polipeiro de
"polipeiro de im
imagens”.
agen s” . O agrupamento
O agrupam das associações,
ento das associações, seu
seu isolamento
isolam ento
eventual, suas
eventual, suas "falsas
“falsas conexões”, sua possibilidade
co n ex õ e s” , sua possibilidade de de acesso
acesso àà consciên­
consciên-
cia, inscrevem
cia, inscrevem-se na dinâmica
-se na dinâmica do conflito defensivo
do conflito defensivo próprio
próprio de
de cada um.
cada um.
2.0
2. O Projeto para uma
Projeto para uma psicologia
psicologia científica
científica (E
(Entwurf einer Psychologie,
ntw urf einer Psychologie,
1895)
1895) esclarece
esclarece oo uso
uso freudiano
freudiano da da noção
noção dede associação
associação ee mostra,
mostra, do
do pon­
pon-
to de
to de vista especulativo, como
vista especulativo, com o aa descoberta
descoberta psicanalítica
psicanalítica dodo inconsciente
inconsciente
vem dar
vem um novo
dar um novo sentido
sentido aos
aos pressupostos
pressupostos associacionistas
associacionistas emem que
que Freud
Freud
se apóia:
se apóia:
a)
a) O funcionamento
O funcionamento das associações
das associações é concebido comocomo
é concebido uma uma
circula-
circula­
ção
ção dede energia
energia nono interior
interior dede umum “aparelho
"aparelho neurônico” estruturado de
neurônico” estruturado de
forma complexa
forma complexa numnum escalonamento
escalonamento de de bifurcações
bifurcações sucessivas.
sucessivas. Cada
Cada
excitação toma, em
excitação toma, em cada
cada cruzamento,
cruzamento, umum determinado
determinado caminho
caminho dede prefe­
prefe-
rência
rência aa outro,
outro, em
em função
função das
das "facilitações”
“facilitações” deixadas pelas excitações
deixadas pelas excitações pre­
pre-
cedentes. A
cedentes. A noção
noção de
de facilitação*
facilitação* não
não deve
deve ser compreendida sobretudo
ser compreendida sobretudo 337
7
ASSOCIAÇÃO LIVRE (MÉTODO OU REGRA DE -—)
)

como uma passagem mais fácil de uma imagem para outra, mas como um
processo de
processo de oposição
oposição diferencial:
diferencial: tal
tal caminho
caminho sósó éé aberto
aberto ou
ou facilitado
facilitado em
em
função da não-facilitação do caminho oposto.
b) Nas hipóteses de que
Nas hipóteses deFreud parte,parte,
que Freud não senãotrata de imagens
se trata no sen-
de imagens no sen­
tido de uma marca psíquica ou neurônica semelhante ao objeto real. No
começo tudo é apenas “neurônio” e “quantidade” (2).
Não se pode deixar de aproximar esta concepção, que pode parecer
muito distante da experiência pelo seu caráter mecanicista e pela sua sualin-
lin­
guagem neurofisiológica, da constante oposição, na teoria psicológica de
Freud, entre
Freud, entre aa representação
representação ee oo quantum
quantum de de afeto*.
afeto*. Como
Como oo neurônio,
neurônio,
a representação é o elemento discreto, descontínuo, de uma cadeia. Como
ele, o
acontece com ele, o significado dela depende do complexo que forma com
funcionamen-
outros elementos. Nesta perspectiva, poder-se-ia comparar o funcionamen­
to do “aparelho neurônico” ao da linguagem tal como é analisada pela lin-
gúística estrutural: é constituído por unidades descontínuas que se orde­
güística orde-
nam em
nam em oposições
oposições binárias.
binárias.

(1) BBREUER
reuer (J.) e F FREUD(S.).
reud (S.). -— a)
q) G.W., I, 291 ss.; S.E., II, 288 ss.; Fr., 233 ss. -—
db) C
b) Cf.f por
por ex.
ex. G.W.,
G.W., I,
1, 92
92 ee 289;
289; S.E.,
S.E., II,
II, 12
12 ee 286;
286; Fr.,
Fr.,9e 231. -— c)
9 e 231. o) G.W.,
G.W., I,
1, 187
187 (nota);
(nota);
S.E., II,
S.E., II, 214-5;
214-5; Fr.,
Fr., 171.
171.
(2) C
(2) Cf.f F
FREUD(S.).
reud (S.). -— Al.
Al. 379-86;
379-86; Ing.,
Ing., 355-63;
355-63; Fr.,
Fr., 315-21.
315-21.

ASSOCIAÇÃO
A LIVRE
S S O C IA Ç Ã O L (MÉTODO
IV R E (M OU
ÉTO DO O REGRA
U R DE
EGRA D —))
E —

= D.: freie Assoziation. —— R:


F.: libre association. —
— En.\
En.: free association. —
— Es.:
— /.:
asociación libre. — LI: libera associazione.

•e M Método
étodo que co consiste em ex
n siste em exprimir indiscriminadamente
p rim ir in discrim in adam en te to todos
d o s os
ppensamentos que
en sa m en to s qu ocorrem ao espírito, q
e ocorrem quer
u er a ppartir
a r tir dde elemento
e um elem en to
dado (palavra, núm número, imagem
ero, im agem de um sonho, qualquer representação),
qquer
u er dde forma
e form a espontânea.

m O
m O processo
processo de
de associação
associação livre
livre éé constitutivo
constitutivo dada técnica
técnica psicanalítica.
psicanalítica.
Não é possível definir uma data exata de sua descoberta, que se deu de
modo progressivo entre 1892 e 1898, e por diversos caminhos.
1º Como
1? Como éé demonstrado
demonstrado pelos
pelos Estudos
Estudos sobre
sobre aa histeria
histeria (Studien
(Studien überHyste-
úber Hyste-
investiga-
rie, 1895), a associação livre emana de métodos pré-analíticos de investiga­
ção do inconsciente que recorriam à sugestão e à concentração mental do
paciente em uma determinada representação; a procura insistente do ele- ele­
mento patogênico desaparece em proveito de uma expressão espontânea
do paciente. Os Estudos sobre a histeria põempoem em evidência o papel desem­ desem-
penhado pelos pacientes nesta evolução (a).
2º Paralelamente,
2? Paralelamente, Freud
Freud utiliza
utiliza oo processo
processo de de associação
associação livre
livre na
na sua
sua
auto-análise e particularmente na análise dos seus sonhos. Aqui, é um ele­ ele-
mento do sonho que queserve
serve de ponto de partida para a descoberta das ca- ca­
38
38 deias
deias associativas que levam aos pensamentos do sonho.
ASSOCIAÇÃO LIVRE
ASSOCIAÇÃO LIVRE (MÉTODO
(MÉTODO OU
OU REGRA
REGRA DE
DE -—)
)

3º As experiências da escola de Zurique (1) retomaram, dentro de uma


3?
perspectiva psicanalítica, as experiências mais antigas feitas pela escola de
Wundt e que consistiam no estudo das reações e dos tempos temposde (va-
de reação (va­
riáveis segundo o estado subjetivo) a palavras indutoras. Jung põe em evi­ evi-
dência o fato de que as associações que assim se produzem são determina­ determina-
das pela
das pela “... totalidade
totalidade das
das idéias
idéias em
em relação
relação aa um
um acontecimento
acontecimento parti­
parti-
emocional”
cular dotado de uma coloração emocionar’ (2), totalidade à qual dá o nome
de complexo*.
de complexo*.
Freud, em A A história do movimento psicanalítico (Zur Geschichte der
psychoanalytischen Bewegung,
psychoanalytischen Bewegung, 1914),
1914), admite
admite oo interesse
interesse dessas
dessas experiências
experiências
“para se
“para se chegar
chegar aa uma
uma confirmação
confirmação experimental
experimental rápida
rápida das
das constatações
constatações
psicanalíticas e para mostrar diretamente ao estudante esta ou aquela co­ co-
nexão que um analista apenas pode relatar” (3).
4º Talvez
4? Talvez convenha
convenha ainda
ainda fazer
fazer referência
referência aa uma
uma fonte
fonte que
que oo próprio
próprio
Freud indicou
Freud indicou em
em Uma
Uma nota
nota sobre
sobre aa pré-história
pré-história da
da técnica
técnica analítica
analítica (Zur
(Zur Vor-
Vor-
geschichte der
geschichte der analytischen
analytischen Technik,
Technik, 1920):
1920): oo escritor
escritor Ludwig
Ludwig Bõrne,
Bôrne, que
que
Freudleu
Freud leu na juventude, recomendava, para alguém “se tornar um escritor
original em três dias”, escrever tudo o que ocorre ao espírito, e denunciava
os efeitos da autocensura sobre as produções intelectuais (4).

x

termo“livre”
O termo “associaçãolivre”
“livre” na expressão “associação livre” exige as seguintes ob- ob­
servações:
1º Mesmo nos casos em que o ponto de partida é fornecido por uma
1?
palavra indutora (experiência de Zurique) ou por um elemento do sonho (mé­ (mé-
todo de
todo de Freud
Freud em
em AA interpretação
interpretação de
de sonhos
sonhos [Die
[Die Traumdeutung,
Traumdeutung, 1900]),
1900), pode-
pode-
se considerar “livre” o desenrolar das associações, na medida em que esse
desenrolar não
desenrolar não éé orientado
orientado ee controlado
controlado por
por uma
uma intenção
intenção seletiva;
seletiva;
2º Essa “liberdade” acentua-se no caso de não ser
2? Essa “liberdade” acentua-se no caso de não ser fornecido
fornecido qualquer
qualquer
associaçãolivre
ponto de partida. É nesse sentido que se fala de regra de associação livre
como sinônimo de regra fundamental*;
3º Na verdade, não se deve tomar liberdade no sentido de uma inde-
3?
terminação: a regra de associação livre visa em primeiro lugar eliminar a
seleção voluntária dos pensamentos, ou seja, segundo os termos da primei­ primei-
ra tópica freudiana, pôr fora de jogo a segunda censura (entre o consciente
e o pré-consciente). Revela assim as defesas inconscientes, quer dizer, a
ação da
ação da primeira
primeira censura
censura (entre
(entre oo pré-consciente
pré-consciente ee o o inconsciente).
inconsciente).
associaçõeslivres
Por fim, o método das associações livres destina-se a pôr em evidência
uma ordem determinada do inconsciente: “Quando as representações-metas*
(Zielvorstellungen) conscientes são abandonadas, são representações-metas
ocultas que
ocultas que reinam
reinam sobre
sobre oo curso
curso das
das representações.”
representações.” (5) (5)

A (a)
▲ (o) Cf.
Cf sobretudo o que Freud nos relata da sua doente Emmy von N. Respondendo à
solicitação insistente de Freud, que busca a origem de um sintoma, diz “... que ele não deve
ficar sempre perguntando de onde vem isto ou aquilo, mas deixá-la contar o que tem para 39
39
ATENÇÃO (UNIFORMEMENTE)
ATENÇÃO (UNIFORMEMENTE) FLUTUANTE
FLUTUANTE

contar” (6a).
contar” (6a). Sobre
Sobre aa mesma
mesma doente,
doente, Freud
Freud nota
nota que
que ela
ela parece
parece “... ter-se
ter-se apropriado
apropriado do
do seu
seu
processo”: “As
processo”: “As palavras
palavras que
que me
medirige [...] não
dirige [...] não são
são tão
tão inintencionais como parecem;
inintencionais como parecem; reprodu­
reprodu-
zem antes
zem antes com
com fidelidade
fidelidade as
as recordações
recordações ee asas novas
novas impressões
impressões que
que agiram
agiram sobre
sobre ela
ela desde
desde
aa nossa
nossa última
última conversa
conversa ee emanam
emanam muitas
muitas vezes,
vezes, de
de modo
modo inteiramente
inteiramente inesperado,
inesperado, de
de remi-
remi-
niscências patogênicas
niscências patogênicas de
de que
queela se liberta
ela se liberta espontaneamente
espontaneamente pelapela palavra.”*(66)
palavra.” (6b)

(1) Cf.
(1) Cf. JJune
ung (C.(C. G.),
G.), Diagnostische
Diagnostische Assoziationsstudien,
Assoziationsstudien, 1906.
1906.
(2) J
(2) Jung (C€. G.)
ung (C. G.) ee RRickLIN (F.), Diagnostische
icklin (F.), Diagnostische Assoziationsstudien,
Assoziationsstudien, II Beitrag:
Beitrag: Experimen-
Experimen-
telle Untersuchungen
telle Untersuchungen über úber Assoziationen
Assoziationen Gesunder,
Gesunder, 1904.
1904. N.N. p.
p. 57.
57.
(3) F
(3) FREUD (S.), G.W.,
reud (S.), G.W., X, X, 67;
67; S.E.,
S.E., XIV,
XIV, 28;
28; Fr;
Fr; 285.
285.
(4) F
(4) FREUD (S.), G.W.,
reud (S.), G.W., XII,XII, 311;
311; S.E.,
S.E., XVIII,
XVIII, 265.
265.
(5) F
(5) FREUD (S.), G.W.,
reud (S.), G.W., II-III,
ILIII, 536;
536; S.E.,
S.E., V,
V, 531;
531; Fr.,
Fr., 437.
437.
(6) F
(6) FREUD (S.), Studien
reud (S.), Studien über
úber Hysterie,
Hysterie, 1895.
1895. —
— a)a) G.W.,
G.W., I,I, 116;
116; S.E.,
S.E., II,
II, 63;
63; Fr.,
Fr., 48.
48. —

bd) G.W.,
b) G.W., I,
I, 108;
108; S.E.,
S.E., II,
II, 56;
56; Fr.,
Fr., 42.
42.

ATENÇÃO
A (UNIFORMEMENTE)
T E N Ç Ã O (U FLUTUANTE
N IF O R M E M E N T E ) F LUTUANTE

= D.
= D.:: gleichschwebende
gleichschwebende Aufmerksamkeit.
Aufmerksamkeit. — — F.
F.:: attention
attention (également)
(également)flottante. —
flottante. —
En.: (evenly)
En.\ (evenly) suspended
suspended (ou [evenly]
[evenly] poised)
poised) attention.
attention. —— Es.: atención
atención (pareja-
(pareja-
mente) flotante.
mente) flotante. —
— /.:
Z.: attenzione
attenzione (ugualmente)
(ugualmente) fluttuante.
fluttuante.

•e Segundo
Segundo F Freud,
reud, mmodo comoo
odo com analista d
o o analista deve escutar
e v e escu ta r oo analisando:
analisando:
não d
não deve
e v e pprivilegiar
rivileg ia r aa priori
priori qu
qualquer elemento
alqu er elem en to dodo discu
discurso dele, o
rso dele, o qu
quee
implica
im p lica ququee ddeixe funcionar o
eix e funcionar ommais livremente
ais livrem en te ppossível
o ssív e l aa sua
sua pró
própria
p ria
aatividade inconsciente ee suspenda
tivid a d e inconsciente suspenda as as mmotivações
otivações queque dirigem
dirigem h habitual-
abitu al­
mente
m e n te aa atenção.
atenção. Essa
Essa recom
recomendação técnica con
endação técnica constitui
stitu i oo correspon
corresponden-
den ­
te da
te da regra
regra da da associação
associação livrelivre p
proposta ao analisando.
ro p o sta ao analisando.

m Esta
■ Esta recomendação
recomendação essencial,
essencial, que
que define
define a a atitude
atitude subjetiva
subjetiva do do psica­
psica-
nalista quando
nalista quando escuta
escuta o
o seu
seu paciente,
paciente, foi
foi enunciada
enunciada ee comentada
comentada por por Freud
Freud
sobretudo em
sobretudo em Recomendações
Recomendações aos aos médicos
médicos que
que exercem
exercem aa psicanálise
psicanálise (Ratschlàge
(Ratschlige
ffúr den A
ü r den Artz bei der
rtz bei der psychoanalytischen
psychoanalytischen Behandlung,
Behandlung, 1912).
1912). Consiste
Consiste numa
numa
suspensão tão
suspensão tão completa
completa quanto
quanto possível
possível dede tudo
tudo aquilo
aquilo que
que aa atenção
atenção habi­
habi-
tualmente focaliza:
tualmente focaliza: tendências
tendências pessoais,
pessoais, preconceitos,
preconceitos, pressupostos
pressupostos teóri­
teóri-
cos, mesmo
cos, mesmo os os mais
mais bem
bem fundamentados.
fundamentados. “Tal “Tal como
como o o paciente
paciente deve
deve con­
con-
tar tudo
tar tudo o o que
que lhe
lhe passa
passa pelo
pelo espírito,
espírito, eliminando
eliminando todas
todas as
as objeções
objeções lógicas
lógicas
ee afetivas
afetivas queque pudessem
pudessem levá-lo
levá-lo aa fazer
fazer uma
uma escolha,
escolha, assim
assim o o médico
médico deve
deve
estar apto
estar apto a a interpretar
interpretar tudo
tudo o o que
que ouve
ouve a a fim
fim de
de que
que possa
possa descobrir
descobrir aíaí
tudo o
tudo o que
que oo inconsciente
inconsciente dissimula,
dissimula, ee isto
isto sem
sem substituir
substituir pela
pela sua
sua própria
própria
censura a
censura a escolha
escolha a a que
que o o paciente
paciente renunciou.”
renunciou.” (Ia)(1a)
É esta
É esta regra
regra que,
que, segundo
segundo Freud,
Freud, permite
permite ao ao analista
analista descobrir
descobrir asas co­
co-
nexões inconscientes
nexões inconscientes no no discurso
discurso dodo paciente.
paciente. Graças
Graçasa ela, o
a ela, o analista
analista pode
pode
conservar na
conservar na memória
memória uma uma multidão
multidão de de elementos
elementos aparentemente
aparentemente insigni­
insigni-
ficantes cujas
ficantes cujas correlações
correlações só só aparecerão
aparecerão posteriormente.
posteriormente.
A atenção
A atenção flutuante
flutuante levanta
levanta problemas
problemas teóricos
teóricos ee práticos
práticos que
que oo termo
termo
já indica
já indica nana sua
sua aparente
aparente contradição.
contradição.
1º O
1? O fundamento
fundamento teórico
teórico do
do conceito
conceito fica
fica evidente
evidente quando
quando encaramos
encaramos
440
0 aa questão
questão pelo
pelo lado
lado do
do analisando:
analisando: as
as estruturas
estruturas inconscientes,
inconscientes, tais
tais com
comoo
ATENÇÃO
ATENÇÃO (UNIFORMEMENTE)
(UNIFORMEMENTE) FLUTUANTE
FLUTUANTE

Freud
Freud as descreveu, surgem
as descreveu, surgem através
através dede múltiplas deformações; por
múltiplas deformações; por exem-
exem­
plo, essa “transmutação
plo, essa “transmutação de de todos os valores
todos os psíquicos” (22)
valores psíquicos” (2a) que
que redunda
redunda
em
em que
que se
se dissimulem muitas vezes,
dissimulem muitas vezes, por
por detrás
detrás dos
dos elementos
elementos aparente-
aparente­
mente mais
mente insignificantes, os
mais insignificantes, os mais importantes pensamentos
mais importantes pensamentos inconscien­
inconscien-
tes. A atenção
tes. A flutuante éé assim
atenção flutuante assim aa única
única atitude objetiva, enquanto
atitude objetiva, enquanto adapta-
adapta­
da a
da um objeto
a um objeto essencialmente deformado. Note-se,
essencialmente deformado. Note-se, aliás,
aliás, que
que Freud,
Freud, sem
sem
empregar
empregar ainda
ainda aa expressão
expressão “atenção flutuante”, tinha
“atenção flutuante”, tinha descrito
descrito já
já em
em AA
interpretação
interpretação de sonhos (Die
de sonhos Traumdeutung, 1900)
(Die Traumdeutung, 1900) uma
uma atitude mental aná­
atitude mental aná-
loga em
loga em que
que via
via aa condição
condição da da auto-análise
auto-análise dos sonhos (2b).
dos sonhos (20).

2? Dolado
Do lado dodo analista,
analista, em contrapartida, aa teoria
em contrapartida, teoria da
da atenção
atenção flutuante
flutuante
levanta problemas
levanta problemas difíceis.
difíceis.
Pode-se conceber
Pode-se conceber queque oo analista,
analista, pela
pela mesma
mesma razão
razão que
que oo analisando,
analisando,
procure suprimir
procure suprimir aa influência
influência que
que os
os seus
seus preconceitos conscientes, ou
preconceitos conscientes, ou mes-
mes­
mo as
mo suas defesas
as suas inconscientes, poderiam
defesas inconscientes, poderíam exercer
exercer sobre
sobre aa sua
sua atenção.
atenção.
É
É para
para eliminar
eliminar oo mais possível essas
mais possível essas defesas que Freud
defesas que Freud preconiza,
preconiza, aliás,
aliás,
a análise didática,
a análise visto que
didática, visto que “...
“... todo
todo recalque não liquidado
recalque não liquidado constitui
constitui oo que
que
Stekel
Stekel qualificou, com razão,
qualificou, com razão, de
de punctum caecum nas
punctum caecum nas suas
suas faculdades de
faculdades de
percepção
percepção analítica”
analítica” (15).
(16).
Mas
Mas Freud
Freud exige
exige mais:
mais: aa finalidade
finalidade aa atingir
atingir seria
seria uma
uma verdadeira
verdadeira
comunicação
comunicação de de inconsciente
inconsciente a a inconsciente
inconsciente (a):
(a): “O inconsciente do
“O inconsciente do ana-
ana­
lista deve comportar-se
lista deve comportar-se para
para com
com oo inconsciente
inconsciente emergente
emergente dodo doente
doente
como,
como, no no telefone,
telefone, oo receptor
receptor para com o
para com transmissor.” (Lc)
o transmissor.” (lc) Foi
Foi aa isto
isto
que
que Theodor Reik chamou
Theodor Reik mais tarde,
chamou mais tarde, metaforicamente,
metaforicamente, “ouvir com o
“ouvir com o
terceiro ouvido” (3).
terceiro ouvido” (3).
Ora,
Ora, como
como oo próprio
próprio Freud
Freud indicou
indicou aa propósito
propósito da associação livre*,
da associação livre*,
a
a suspensão
suspensão dasdas “representações-metas”*
“representações-metas”* conscientes
conscientes sósó pode
pode ter como efei­
ter como efei-
to
to aa sua substituição por
sua substituição por “representações-metas”
“representações-metas”inconscientes
inconscientes (2c). Daqui
(2c). Daqui
resultaria uma
resultaria uma dificuldade
dificuldade especial
especial para
para oo analista
analista quando
quando este
este se
se coloca
coloca
na atitude
na de atenção
atitude de atenção flutuante:
flutuante: como
como pode
pode a a sua
sua atenção não ser
atenção não ser orientada
orientada
pelas suas
pelas suas próprias motivações inconscientes?
próprias motivações inconscientes? A A resposta seria indubita­
resposta seria indubita-
velmente
velmente que que aa equação
equação pessoal
pessoal do
do psicanalista
psicanalista não
não só
só éé reduzida
reduzida — — pela
pela
sua análise didática —, como também deve ser apreciada e controlada pela
sua análise didática —, como também deve ser apreciada e controlada pela
auto-análise
auto-análise da contratransferência.
da contratransferência.
De um modo
De um modo geral,
geral, éé preciso
preciso compreender
compreender a a regra
regra da atenção flutuan­
da atenção flutuan-
te
te como uma regra
como uma regra ideal, que, na
ideal, que, na prática,
prática, encontra
encontra exigências
exigências contrárias:
contrárias:
como
como conceber, por exemplo,
conceber, por exemplo, aa passagem
passagem àà interpretação
interpretação ee àà construção*
construção*
sem
sem que
que em
em dado momento o
dado momento o analista
analista comece
comece aa privilegiar um certo
privilegiar um certo mate-
mate­
rial, aa compará-lo,
rial, compará-lo, aa esquematizá-lo, etc.?
esquematizá-lo, etc.?

*

No movimento
No psicanalítico contemporâneo
movimento psicanalítico contemporâneo poderiam
poderíam ser identificadas
ser identificadas
diferentes orientações
diferentes quanto àà questão
orientações quanto questão da
da atenção
atenção flutuante,
flutuante, aa qual, note-
qual, note-
se,
se, não voltou aa ser
não voltou ser formulada por Freud
formulada por no quadro
Freud no quadro da da segunda
segunda tópica.
tópica.
a) Alguns autores,
a) Alguns autores, na
na esteira
esteira de
de Th. Reik (Joc.
Th. Reik cit.), tendem
(loc. cit.), tendem a a atribuir
atribuir
àà escuta
escuta de
de inconsciente
inconsciente aa inconsciente
inconsciente oo sentido
sentido de uma empatia
de uma empatia (Einfiih-
(Einfüh- 441
1
ATIVIDADE-PASSIVIDADE
ATIVIDADE-PASSIVIDADE

lung) que
lung) que se
se produziría
produziria essencialmente
essencialmente aa um
um nível
nível infraverbal.
infraverbal. AA contra-
contra-
transferência, longe de se opor à comunicação, que é então descrita como
uma percepção, atestaria o caráter profundo desta.
abranda-
b) Para outros, a regra técnica da atenção flutuante exige um abranda­
mento das funções inibidoras e seletivas do ego; ela não implica qualquer
valorização do que é sentido, mas simplesmente uma “abertura” do analis­ analis-
ta aos
ta aos incitamentos
incitamentos do
do seu
seu próprio
próprio aparelho
aparelho psíquico,
psíquico, abertura
abertura destinada
destinada
aa evitar
evitar aa interferência
interferência das
das suas
suas compulsões
compulsões defensivas.
defensivas. Mas
Mas oo essencial
essencial
do diálogo psicanalítico prossegue de ego para ego.
c) Finalmente,
c) Finalmente, numa
numa perspectiva
perspectiva teórica
teórica que
que acentua
acentua aa analogia
analogia entre
entre
os mecanismos
os mecanismos do do inconsciente
inconsciente ee os
os da
da linguagem
linguagem (Lacan),
(Lacan), seria
seria esta
esta se­
se-
melhança estrutural entre todos os fenômenos inconscientes que seria pre­ pre-
ciso deixar funcionar o mais livremente possível na atitude de escuta psica-
nalítica.
nalítica.

A (a)
▲ (o) Sobre esta questão, citemos duas passagens de Freud: “... todos possuem no seu pró­pró-
prio inconsciente um instrumento com que podem interpretar as expressões do inconsciente
outros"(4). “O Ics
nos outros”(4). Jcs de um indivíduo pode reagir diretamente sobre o de outro sem passa­
passa-
gem pelo
gem pelo Cs. Isso
Isso exige
exige uma
uma investigação
investigação mais
mais rigorosa,
rigorosa, especialmente
especialmente para
para decidir
decidir se
se aa ativi­
ativi-
dade pré-consciente desempenha ou não qualquer papel nisso. Mas, descritivamente falando,
incontestável.”(5)
o fato é incontestável. ”(5)

(1) F
(1) FREUD (S.). -— a) G.W.,
reud (S.). G.W., VIII,
VII, 381;
381; S.
S. E.,
E., XII,
XII, 115;
115; Fr.,
Fr., 66.
66. —— b)
5) GG W.,
W., VIII,
VIII, 382;
382;
S.E., XII,
S.E., XII, 116;
116; Fr.,
Fr., 67.
67. -— c)
) G.W.,
G.W., VIII,
VII, 381;
381; S.E.,
S.E., XII,
XII, 115-;
115-; Fr.,
Fr., 66.
66.
FrEUD
(2) F reud (S.), Die Traumdeutung, 1900. -— a) G.W., II-III,
(S.), ILIII, 335; S.E., IV, 330; Fr., 246.
-— b)
GW.G.W.,II, 108; S.E.,
II-III, 108; S.E., IV,
IV, 103;
103; Fr.,
Fr., 79.
79. -— c)
o) Cf.
Cf G.W.,
G.W., II-III,
IL, 533;533; S.E.,
S.E., V,
V, 528-9;
528-9; Fr.,
Fr., 435.
435.
(3) R
(3) Rei (Th.), Listening with the Third Ear. The Inner Experience ofa
eik (Th.), of a Psychoanalyst
Psychoanalyst,, Gro-
Gro-
ve Press, Nova Iorque, 1948.
reud (S.), Die Disposition zur Zwangsneurose, 1913. G.W., VIII, 445; S.E., XII, 320;
FREUD
(4) F
Fr, in
Fr., in R.F.P.,
RFP. 1929,
1929, III,
HI, 3,
3, 441.
441.
reud (S.), Das Unbewusste, 1915. G.W., X, 293; S.E., XIV, 194; Fr., 142-3.
FrEUD
(5) F

ATIVIDADE-PASSIVIDADE
A T IV ID A D E -P A S S IV ID A D E

D.:: Aktivitát-Passivitát.
= D. Aktivitãt-Passivitát. —
— F.
F.:: activité-passivité. —
— En.\
En.: activity-passivity. —

Es.:: actividad-passividad. —
Es. — [.: attività-passività.
attivita-passivita.

•e UmUmdosd o s ppares
a res dde
e oopostos
p o sto s fundamentais
fu n dam en tais na vida ppsíquica. Especifi-
síq u ic a . E specifi­
tipos
ca tip o s ddeterminados
eterm in a d o s de m metas*
e ta s * ou oobjetivos
b jetivo s ppulsionais. Considera-
u lsio n a is. C onsidera­
da dde
e um pponto
o n to dde
e vista gengenético,
ético, a oposição aativo-passivo
tivo -p a ssivo seria ppri-
r i­
mordial
m o rdial emem relação
relação àsàs oposições
oposições p posteriores nas qu
o ste rio re s nas quais ela vem
ais ela vem sese in
in-­
tegrar: fálico-castrado e m masculino-feminino.
asculino-fem inino.

m Se
■ Se para
para Freud
Freud atividade
atividade ee passividade
passividade qualificam
qualificam principalmente
principalmente mo­
mo-
dalidades da
dalidades da vida
vida pulsional,
pulsional, isso
isso não
não implica
implica que
que se
se possam
possam opor
opor pulsões
pulsões
ativas a
ativas a pulsões
pulsões passivas.
passivas. Muito
Muito pelo
pelo contrário,
contrário, Freud
Freud marcou,
marcou, principal­
principal-
mente na
mente na sua
sua polêmica
polêmica com
com Adler
Adler (ver:
(ver: pulsão
pulsão de
de agressão),
agressão), que
que a