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José Marcos – Constitucional - Raio X e Palavras Chave banca.

Jane Reis – Juíza Federal

Justiciabilidade inclusive dos Direitos Sociais

Se filia a uma corrente moderna de interpretação constitucional, reconhecendo o “papel


criativo do intérprete”. A norma é fruto de um ato de vontade, não um mero ato de cognição.

Categorias:

Dispositivos de Direito Fundamental – Enunciados normativos da CF que definem Direitos


Fundamentais.

Normas de Direito Fundamental – Preceitos genéricos e abstratos extraídos dos enunciados


normativos que tutelam Direitos Fundamentais. Podem ter estrutura de regras ou princípios.

Direitos Fundamentais em sentido estrito – Liberdades básicas, Direitos a algo (direitos sociais)
e normas de competência que limitam o poder político protegendo o cidadão.

Restringibilidade de Direitos Fundamentais: Intervenção do poder público sobre a esfera


privada.

Teoria Interna x Externa dos Direitos Fundamentais

Interna > somente CF pode restringir Direito Fundamental – Não admitem ponderação. Definir
o campo de proteção do direito. Se houver colisão, foi mal definido o campo de proteção.

Externa > admitem restrições externas e ponderação entre Direitos Fundamentais –


majoritário no Brasil. (Jane Reis) Ampliar o maior campo de incidência do Direito Fundamental
até que a ponderação aponte o seu limite. Não tem como definir aprioristicamente o campo
de proteção.

A ponderação viola o núcleo essencial do direito fundamental quando não passa no teste da
proporcionalidade (Alexy).

Direito Geral de Liberdade? Existe? 13874/2019 – Liberdade Econômica

Jane Reis sustenta um Direito Geral de Liberdade – art. 5º caput e inciso II.

Restrições a Direitos Fundamentais – Reserva de lei formal. Não pode limitar direito
fundamental por decreto nem regulamento. Art. 5º, II, CRFB.

É possível “empate” em ponderação de princípios? Caso aconteça, em princípio, deve-se


conferir deferência à administração pública ou à lei.

É possível a utilização de argumentos consequencialistas, pragmáticos (arts. 20 e 21 LINDB),


para restringir Direitos Fundamentais? É preciso que haja limite, cautela. A examinadora vê
com maus olhos o uso desse tipo de argumento para restringir Direitos Fundamentais.

Art. 27 da Lei nº 9868/99 – modulação de efeitos. Exemplo de pragmatismo.


Existe um risco para a democracia quando os direitos sociais são providos por decisões
judiciais. Os juízes, que não têm pedigree democrático, fazendo escolhas trágicas. Há, ainda, o
risco do paternalismo do Poder Judiciário. Arrefecimento da cidadania e da mobilização da
sociedade, os cidadãos param de se preocupar com o voto, com a cobrança das promessas
eleitorais.

Jane Reis é a favor de que o Judiciário entregue direitos prestacionais. Sobre isso, ela defende:

- Direitos Sociais são Direitos Fundamentais;

- Topografia: Os direitos sociais estão no Título II – Direitos Fundamentais;

- art. 5º, CRFB §2º - rol não é taxativo;

Ana Paula de Barcellos – Mínimo Existencial que justifica a intervenção do Poder Judiciário:
Saúde Básica, Educação Fundamental e Assistência aos Desamparados.

Jane Reis: O Mínimo Existencial foi criado na Alemanha porque lá a Constituição não traz
Direitos Sociais. Então ele serve para garantir Direitos. Contudo, está sendo “importado” para
o Brasil para restringir direitos, o que contrasta com a sua razão de ser.

Justiciabilidade de Direitos Sociais

Máxima efetividade – Direito Social é um direito como outro qualquer. Pode-se pedir em Juízo.

Minimalista – Direitos não nascem em árvore, têm custo. Só excepcionalmente pode o


Judiciário intervir, se estiver em risco o mínimo existencial.

Intermediária - Jane Reis – Direitos Sociais são normas vinculantes prima facie. Ponderação.
Diante das circunstâncias do caso concreto, verifica-se a possibilidade de entrega judicial do
direito social. Comandos de otimização – aplica-se na medida do possível.

Papéis do Judiciário - Barroso

Papel Contramajoritário – na defesa de Direitos Fundamentais e na defesa das regras do jogo


político democrático, está legitimado a desconstituir, anular, atos editados por instâncias
majoritárias.

Alexander Birkel – Dificuldade contramajoritária.

Papel Majoritário Representativo – A decisão da corte retrata os anseios da população. Há uma


coincidência entre a decisão da corte e aquilo que a população majoritariamente espera.
Criticado pela Jane Reis. Juiz não tem credencial democrática.

Vanguarda Iluminista – cabe ao Judiciário, em algumas situações, “empurrar” a história, forçar


os avanços civilizatórios.
Mariana Willeman – Tribunal de Contas

Accountability democrática

Direito Fundamental à boa Administração Pública

- Administração comprometida com resultados

- Administração Transparente e Imparcial

- Gestão eficiente e econômica de recursos públicos

- Administração Pública dialógica, aberta a consensos.

- Dever de prestar contas – accountability

“controlabilidade”

A Corte de Contas deveriam ser mais técnicas, as indicações políticas comprometem.

Poderes estatais neutrais (Diogo de Figueiredo – ex. OAB, MP, Tribunais de Contas). Órgãos
Constitucionalmente Autônomos.

Qualificação técnica, caráter não eletivo de seus membros. Independência que garanta
emancipação política.

Art. 31 §4º CRFB – veda criação de tribunais de contas municipais.

TCM/RJ – 7 conselheiros

Art. 73 §2º - Sumula 653 STF – 4 Legislativo – 3 Executivo

Competências coadjuvantes (suporte ao Poder Legislativo – art. 71, I e X c/c §1º) e autônomas.

Teoria de Atos de gestão x atos de governo. Parecer prévio meramente opinativo seria para
atos de governo. Para atos de gestão o tribunal de contas poderia julgar as contas do prefeito.

Ver art. 31 §2º - quórum para rejeitar parecer do TC – 2/3

STF disse que (1) RE729.744/MG. “O parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem
natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o
julgamento das contas anuais do Chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento
ficto das contas por decurso de prazo”. e

(2)RE848.826/CE. “Para os fins do art.1º, inciso I, alínea"g", da Lei Complementar 64, de 18 de


maio de 1990, alterado pela Lei Complementar 135, de 4 de junho de 2010*, a apreciação das
contas de prefeitos, tanto as DE GOVERNO quanto as DE GESTÃO, será exercida pelas Câmaras
Municipais, com o auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente
deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos vereadores.”

*Inelegibilidade por contas rejeitadas por irregularidade que configure ato doloso de
improbidade administrativa.
Art. 71, III, VIII – Competência Autônoma do TC

Aplicada a multa pelo TC, o particular não paga. O TC tem legitimidade para promover a
execução deste julgado? E o MP de Contas?

ARE 823347 – “Somente o ente público beneficiário possui legitimidade ativa para a
propositura de ação executiva decorrente de condenação patrimonial imposta por Tribunais
de Contas.” (CF art. 71 §3º ). A examinadora critica.

Possibilidade ou não dos TC exercerem controle de constitucionalidade (vale tb pra CNJ,


CNMP).

Democracia monitorada ou monitória. Watch Dogs. Controle periódico (eleições) e controle


permanente, pulverizado (MP, TC, OAB, CNJ, CNMP – Instituições Superiores de Controle).

A sobreposição de instâncias de controle, diz o professor, pode gerar um problema para a


eficiência.

Mutação Constitucional do 52, X – Tese GM – o Senado daria apenas publicidade às decisões


do STF. O professor diz que o STF não admitiu essa mutação. Barroso reconheceu que o
dispositivo é anacrônico, mas não aderiu.

Mariana Willeman entende que a EC 45/2004 – Sumula Vinculante enfraqueceu a necessidade


do Senado Federal. O professor discordou (precisa de 8 votos – 2/3 - Se aceitasse a mutação
do 52, X, bastava 6x5).

A quem cabe a última palavra na interpretação constitucional? Sumula Vinculante indica


supremacia judicial, algo que Mariana Willeman critica.

PEC 03/2011 – permitia a modificação do art. 49, V, da CRFB (poder de sustar atos que
exorbitem do poder regulamentar) para permitir ao legislativo sustar atos de outros poderes.
Foi arquivada porque trocou a legislatura. Em nosso modelo constitucional não é possível que
o legislativo desconstitua decisão judicial. Separação de poderes. A PEC seria válida se for
interpretada de forma estrita, ou seja, partindo da premissa de uma deslegalização ou
delegação legislativa, pois fala de atos que “exorbitem” do poder regulamentar.

Art. 96, parágrafo único da CF /37 (Polaca). Sempre que o STF declarasse uma lei
inconstitucional, o Presidente da República poderia provocar o parlamento a rever a decisão
do Supremo e o Parlamento poderia afastar a decisão do Supremo e reafirmar sua lei.

Constitucionalismo Popular. É preciso retirar a interpretação constitucional das cortes. Uma


categoria aristocrática de pessoas não interpreta a constituição melhor que o povo, titular do
poder constituinte. Moderada: Os tribunais não devem ter a última palavra. Link com Peter
Haberle: sociedade aberta dos intérpretes da constituição. Controle de Constitucionalidade
“fraco”. A Suprema corte é apenas mais um player nos diálogos constitucionais.

A última palavra não é do Supremo: EC 29 (progressividade do IPTU – emenda corretiva).


Criação da COSIP. Vaquejada (backlash).
Ausência de “humildade constitucional”: o STF entende que no caso de backlash por lei há
presunção de inconstitucionalidade.

Backlash – movimento de resistência de cumprimento de decisão judicial com providências


concretas para sua ineficácia.

Constitucionalismo Democrático – uma constituição só é legítima se os destinatários do texto


vêem aquele texto como a sua constituição.

Veto por Inconstitucionalidade – Cabe controle judicial? – STF ADPF 1 e ADPF 73 – Veto é ato
político e infenso a controle de constitucionalidade. Outra corrente entende que o Chefe do
Executivo não pode ter a última palavra sobre constitucionalidade. Mariana Willeman defende
o diálogo institucional constitucional, mas diz que o STF anda bem ao não aceitar ADPF, pois a
lei ainda está no processo de formação, não há um ato a ser impugnado por ADPF. Ela defende
que o Veto seja atacado por Mandado de Segurança (legitimidade dos parlamentares na
defesa do Devido Processo Legislativo Constitucional – MS 32033 e MS 24667).

Veto se apõe, e se rejeita.

É possível que a Administração se negue a cumprir uma lei flagrantemente inconstitucional?


Postura antidialógica do Chefe do Executivo, que se nega a cumprir, sobrepondo a supremacia
constitucional (jurisdicional) ao princípio da legalidade. Antes da CF/88 poderia, pois havia
monopólio das ADI pelo PGR. Na nova ordem constitucional, com ampliação de legitimação (e
no caso do Prefeito, ele pode entrar com Representação de Inconstitucionalidade no TJ. Min
GM diz que não. Agora ele precisa buscar o Judiciário. MC em ADI 221 – julgado antigo, mas
pós 88. Reconhece a possibilidade mas diz que o tema deve ser revisto. O STJ tem dois
julgados, um para cada lado. REsp 23121 (pode) e RMS 17996 (não pode). Mariana Willeman:
Pode, quando (i) lei viola direito fundamental; (ii) lei viola princípios constitucionais expressos
(iii) leis que violem fundamentos e objetivos da RFB; (iv) quando se estiver diante de uma lei
flagrantemente inconstitucional; (v) quando houver jurisprudência consolidada do STF (ou do
OE do TJRJ, no caso do MRJ).

Camara de Vereadores aprova lei flagrantemente inconstitucional. Como orientar a


Administração? 4 providências:
(1) Decisão do Chefe do Poder Executivo. O tema deve ser levado ao Prefeito. Não serve
Secretário.
(2) A decisão do Chefe do Poder Executivo deve estar acompanhada de seus fundamentos
(“considerandos”).
(3) Para efeito de controle e transparência, deve ser publicado no DO.
(4) Por razões de boa-fé e probidade deve ingressar com a Ação Direta cabível ou pelo
menos busque o reconhecimento de inconstitucionalidade judicial pela via incidental.

Paulo Mendonça

Sumula Vinculante é fonte de Direito? Para ele sim. Tem imperatividade. Tem
generalidade. Não tem abstração, é editada a partir de casos concretos.

Institucionaliza a supremacia judicial da interpretação constitucional.

Método Tópico-Problemático – Método de Interpretação Constitucional em que se parte


do problema – o problema é mais importante que o ordenamento. Crítica: arbitrariedade.
O que ocorre é que o método positivista falha quando não há solução no ordenamento.

Caso dos presídios em condições subumanas. A LEP somente concede remissão da pena
por trabalho ou por estudo. Barroso construiu solução dando remissão para presos em
condições subumanas, solução que vai ao encontro do problema melhor que uma mera
indenização. Não prevaleceu, no entanto.

Controle Judicial de Políticas Públicas:

- Risco democrático: art. 1º, parágrafo único CRFB.

- Déficit de legitimidade democrática dos juízes

- Legitimidade Contramajoritária

Juiz não tem responsabilidade política

- Risco: separação de poderes, limites das capacidades institucionais ( O judiciário não tem
conhecimentos técnicos em todos os ramos do Direito).

Evitar concentração de poderes e especialização de funções.

Art. 2º CRFB, art. 37 caput (eficiência)

Arts. 20 e 22 da LINDB – risco de efeitos sistêmicos

Microjustiça, visão de túnel.

Isonomia e Impessoalidade, art. 5º, caput e inciso I, CRFB, art. 37, e arts. 20 e 22 da LINDB.

Desmantelamento do planejamento público, subversão de critérios técnicos, escolhas


trágicas. Art. 2º, CRFB, art. 37 CRFB, art. 20 e 22 LINDB, art. 165 CRFB (planejamento
financeiro). Art. 1º, §1º LRF (ação planejada, responsabilidade fiscal).

Equilíbrio das contas públicas, reserva orçamentária, dinheiro não nasce em árvores. Art.
167, I e II, CRFB e LRF, art. 16 e 17
Jane Reis divide a reserva do possível fática (condições materiais) e reserva do possível
(orçamentária). (ex. 120 obras de contenção de encostas ao mesmo tempo).

Loteamento clandestino (a pessoa constrói escondido) x irregular (apresenta um


planejamento e depois executa diferente).

Art. 40 Lei 6.766/79 – regularizar loteamento – faculdade ou obrigação?

STJ REsp 1.164.893/SE – dever/poder de regularização, mas restrito às obras essenciais


(ruas, esgoto e iluminação pública de quem já mora), a serem implantadas em
conformidade com a legislação local.

ADMINISTRATIVO. LOTEAMENTO. REGULARIZAÇÃO. ART. 40 DA LEI LEHMANN (LEI


6.766/79). ESTATUTO DA CIDADE. DEVER MUNICIPAL. LIMITAÇÃO ÀS OBRAS ESSENCIAIS.
HISTÓRICO DA DEMANDA 1. Os autos tratam de parcelamento clandestino do solo urbano
em Sergipe, onde Gilberto Costa Santos passou a firmar compromissos de compra e venda
de lotes de área que denominou "Loteamento Porto do Gringo". 2. O acórdão recorrido
manteve condenação do loteador, da Empresa Municipal de Obras e Urbanização - EMURB
e do Município de Aracaju na obrigação de executar todas as obras de infraestrutura
necessárias à urbanização total do loteamento. 3. O munícipio recorrente alega, em
síntese, que o art. 40 da Lei 6.766/1979 estabelece faculdade do Poder Público, que
"somente se daria em excepcionalíssimas hipóteses, eleitas pelo Poder Público dentre suas
várias prioridades na implementação das políticas públicas". 4. A Segunda Turma deliberou
afetar o recurso à Seção.

[...]

17. No âmbito infraconstitucional, a atuação do governo local deve buscar garantir o


"direito a cidades sustentáveis" e evitar o parcelamento do solo inadequado em relação à
infraestrutura urbana, segundo determina o art. 2º, I e VI, "c", do Estatuto da Cidade.

18. O dever de regularizar loteamentos há de ser interpretado à luz dessas disposições


constitucionais e legais. A omissão do loteador não gera, por si, prioridade absoluta e
automática no confronto com outras demandas preexistentes e relativas à malha
urbana. Seria desarrazoado interpretar a lei federal de tal modo a nela enxergar uma
garantia de "fura-fila" no atendimento das carências sociais, sobretudo se, para
solucionar as eventualmente judicializadas, acabar-se por desamparar os mais pobres,
com igual precisão urbanístico-ambiental.

[...]

23. O que deve orientar a atuação do Município é, essencialmente, o interesse coletivo na


observância aos "padrões de desenvolvimento urbano" (art. 40, caput, in fine, da Lei
Lehmann), para cumprir as "funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus
habitantes" (art. 182, caput, da CF). Isso, como é fácil perceber, nem sempre é observado
ao se impor ao Município, simples e automaticamente, a imediata regularização de um
dado loteamento, quando houver situações mais graves e urgentes de degradação
urbana e de dignidade da pessoa humana em outros bolsões de pobreza.

[...]

26. Há um dever do Município de regularizar os loteamentos, inexistindo margem para


discricionariedade. O dever-poder, contudo, não é absoluto, nem mecânico ou cego,
competindo à Municipalidade cumpri-lo na forma dos padrões urbanístico-ambientais
estabelecidos na legislação local, estadual e federal. Naquelas hipóteses em que os óbices
legais não ensejem a regularização, a única solução é a remoção, de modo a garantir
habitação digna que respeite as exigências da lei.

[...]

30. Existe o poder-dever do Município de regularizar loteamentos clandestinos ou


irregulares, mas a sua atuação deve se restringir às obras essenciais a serem implantadas
em conformidade com a legislação urbanística local (art. 40, § 5º, da Lei 6.799/79), em
especial à infraestrutura essencial para inserção na malha urbana, como ruas, esgoto,
energia e iluminação pública, de modo a atender aos moradores já instalados, sem
prejuízo do também dever-poder da Administração de cobrar dos responsáveis os custos
em que incorrer a sua atuação saneadora.

31. Recurso Especial parcialmente provido para restringir a obrigação do Município de


executar as obras de infraestrutura somente àquelas essenciais nos termos da legislação
urbanística local, compreendendo, no mínimo, ruas, esgoto e iluminação pública, de
forma a atender somente os moradores já instalados, não havendo esse dever em
relação a parcelas do loteamento irregular eventualmente ainda não ocupadas.

(REsp 1164893/SE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em


23/11/2016, DJe 01/07/2019)

Enunciado Aprovado no Congresso Brasileiro de Procuradores Municipais (Out/2019)

Responsabilidade Subsidiária dos Municípios. Exegese do Art. 40 da Lei nº 6.766/79. É


responsabilidade do loteador a implantação de toda a infraestrutura necessária ao
empreendimento. Ao Município, em decorrência do poder-dever de fiscalizar e regularizar
loteamentos clandestinos ou irregulares, cabe tão somente a responsabilidade subsidiária
de viabilizar a execução das obras essenciais nas parcelas efetivamente ocupadas.

ADI 1842 – LC região Metropolitana

Conurbação – expansão das malhas urbanas até a sua continuidade

Região Metropolitana – Conurbação em torno de uma metrópole.

Aglomeração Urbana – Conurbação, mancha urbana contínua mas sem metrópole

Microrregião – Municípios vizinhos (sem conurbação, sem metrópole).

O Estado cria região metropolitana e avoca para si a titularidade de serviços, interferindo


nas competências municipais (ler a inicial do André Tostes).

Art. 326 do Plano Diretor – enterramento de fiação elétrica. LC 111/2011.

As concessionárias em 5 anos precisam enterrar a fiação elétrica.


ARE 764029

Qual o argumento das concessionárias? Elas alegam que são concessionárias federais. Que
o cumprimento dessas obrigações gerariam um desequilíbrio contratual.

Gestão de bem Municipal – a questão é de ordenamento do espaço Municipal.

Subsolo e Espaço Aéreo é bem municipal. RE 581947

O Município pode cobrar? Sim, Preço Público, contraprestação pecuniária.

RE 1005878 – Relatoria Gilmar Mendes

É possível usucapir área inferior a lote mínimo? RE 422349 – Depende: Somente no caso
da Usucapião especial Urbana, cujos requisitos estão na Constituição. Uma lei
infraconstitucional não pode impedir o exercício deste direito.

E as outros tipos de Usucapião, de matriz infraconstitucional? REsp 1667842 (repetitivo) e


REsp 1667843 (repetitivo) afetados pela 2ª Seção.

Lei 6766/79 art 4º, II, lote mínimo x Codigo Civil x lei municipal (art. 30 CRFB).

Uber e ou outros aplicativos

Proibir a atividade é inconstitucional > livre iniciativa

O Município só é competente para regulamentar nos limites do que foi permitido pela
União (Lei nº 12.587/2012, art. 11 – A, parágrafo único e 13.640/2018), ou pode, dentro da
proporcionalidade, fazer outras exigências, e até cobranças, pelo uso anormal da estrutura
viária, por exemplo? O tema está em aberto.

Controle de Constitucionalidade

Analisar primeiro a inconstitucionalidade formal. Tem vício de competência? Tem vício de


procedimento? Vício de iniciativa, na deliberação, na votação, na sanção, no veto, na
publicação ou promulgação? Se não falar no enunciado: “presume-se que as regras de
procedimento tenham sido atendidas”, ou “presume-se um regular processo legislativo”.

Só depois o vício material.

Art. 70 CF, funções estatais neutrais (TC, CNJ e CNMP) - legalidade ampla, incluindo
constitucionalidade – Sumula 347 – podem, incidentalmente.

A Súmula é anterior à CF/88 e há uma movimentação por sua revisão.

Na linha da Súmula – Min. Marco Aurélio – MC no MS 31439.

Decisão recente pleno: Pet 4656, Rel. Carmem Lucia, mantendo a Súmula 347.

Sentido contrário – Min. Gilmar Mendes – MS 25888


ADPF art 4º, §1º Lei 9882/99 – subsidiariedade. Se cabe Representação de
Inconstitucionalidade no TJ, pode entrar com ADPF? ADPF 449, julgamento do qual Celso
de Mello não participou.

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO E REGULATÓRIO. PROIBIÇÃO DO


LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE INDIVIDUAL DE PASSAGEIROS.
INCONSTITUCIONALIDADE. ESTATUTO CONSTITUCIONAL DAS LIBERDADES. PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS DA LIVRE INICIATIVA E DO VALOR SOCIAL DO TRABALHO (ART. 1º, IV),
DA LIBERDADE PROFISSIONAL (ART. 5º, XIII), DA LIVRE CONCORRÊNCIA (ART. 170, CAPUT),
DA DEFESA DO CONSUMIDOR (ART. 170, V) E DA BUSCA PELO PLENO EMPREGO (ART. 170,
VIII). IMPOSSIBILIDADE DE ESTABELECIMENTO DE RESTRIÇÕES DE ENTRADA EM
MERCADOS. MEDIDA DESPROPORCIONAL. NECESSIDADE DE REVISÃO JUDICIAL.
MECANISMOS DE FREIOS E CONTRAPESOS. ADPF JULGADA PROCEDENTE. 1. A Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental é cabível em face de lei municipal, adotando-
se como parâmetro de controle preceito fundamental contido na Carta da República,
ainda que também cabível em tese o controle à luz da Constituição Estadual perante o
Tribunal de Justiça competente. 2. A procuração sem poderes específicos para ajuizar a
Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental pode ser regularizada no curso do
processo, mercê da instrumentalidade do Direito Processual. 3. A Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental não carece de interesse de agir em razão da
revogação da norma objeto de controle, máxime ante a necessidade de fixar o regime
aplicável às relações jurídicas estabelecidas durante a vigência da lei, bem como no que
diz respeito a leis de idêntico teor aprovadas em outros Municípios. Precedentes: ADI
3306, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2011; ADI
2418, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2016; ADI 951
ED, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2016; ADI
4426, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2011; ADI 5287,
Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2016. [...] (ADPF 449,
Relator(a):  Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 08/05/2019, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-190 DIVULG 30-08-2019 PUBLIC 02-09-2019)

ADPF 503 – Lei do MRJ. Celso de Mello por decisão monocrática dizendo que não cabia
ADPF porque cabia RI.

Residência PGE/RJ – Questão:

Suponha a aprovação de lei estadual que majore os vencimentos dos servidores da


educação, conduta vedada pelo art. 8º, I, da LC 159/2017 (Regime de Recuperação Fiscal),
ao qual o Estado aderiu previamente.

Em tal hipótese, poderia a União promover o ajuizamento de ação direta interventiva? A


medida seria cabível na hipótese?

Arts. 34 a 36 a CRFB. Intervenção Federal. ADI Interventiva. Art. 36, III, Lei 12562/2011.

Art. 35, IV da CRFB.

A União não pode propor ADI Interventiva, somente o PGR. Art. 36, III CRFB.
Cabimento: recusa à execução de Lei Federal? Adequação, necessidade,
proporcionalidade. A própria LC tem previsão para o seu descumprimento (art. 13, I, da LC
159/17), não havendo necessidade de Intervenção Federal.

Questões PGM-Rio 2011 (Constitucional)

1) Descreva os mecanismos de controle de constitucionalidade que podem levar o


Supremo Tribunal Federal a proferir decisão com efeitos erga omnes acerca de uma lei
municipal.

Erga omnes não é a mesma coisa que vinculante.


- ADPF (lembra da ADPF 449?)
- RE em RI.
- RE com Repercussão Geral conhecida.
- Art. 52, X, controle concreto e incidental, Senado amplia.
- PSV: proposta de Súmula Vinculante 11.417/2016 – art. 3º, §1º - o Município é
legitimado para provocar o STF.
2) O Prefeito pretende assumir a gestão de um rio, no âmbito do território municipal,
para minimizar frequentes problemas de transbordamentos que afetam a população
local. A Procuradoria Geral do Município foi consultada sobre a matéria. Como
Procurador do Município, manifeste-se sobre:
a) os fundamentos que autorizariam a adoção da medida;
b) qual o ente federativo (ou entes federativos) com o qual ou (os quais) o Município
deverá entabular entendimentos;
c) os mecanismos para viabilizar a providência.

a) Art. 1º, art. 18, art. 30, V – os serviços públicos de interesse local. O
transbordamento legitimaria.
b) Se o rio for federal, art. 20, III, com a União. Se for um rio do Estado, art. 26, I, com
o Estado. Pode ser de uma gestão de Região metropolitana, também, e o
Município teria que entabular com a autoridade Metropolitana.
c) Art. 241 – consórcios, convênios de cooperação, gestão associada, transferência
total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens essenciais à continuidade dos
serviços transferidos. Se você caracterizar como saneamento básico, citar art. 3º,
I, 11.445/2007 (saneamento básico).

CONSTITUCIONAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE PRECEITO NORMATIVO


ESTADUAL. COEXISTÊNCIA DE PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO ABSTRATA NO STF E EM CORTE
ESTADUAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO DO TRIBUNAL ESTADUAL, AFIRMANDO A
INCONSTITUCIONALIDADE, POR OFENSA A NORMA DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO
REPRODUZIDA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EFICÁCIA LIMITADA DA DECISÃO, QUE NÃO
COMPROMETE O EXERCÍCIO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. LEI ESTADUAL 2.778/2002 DO ESTADO DO AMAZONAS. LIMITAÇÃO DE
ACESSO A CARGO ESTADUAL. RESTRIÇÃO DE COMPETITIVIDADE INCOMPATÍVEL COM A
CONSTITUIÇÃO. 1. Coexistindo ações diretas de inconstitucionalidade de um mesmo preceito
normativo estadual, a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça somente prejudicará a que
está em curso perante o STF se for pela procedência e desde que a inconstitucionalidade seja
por incompatibilidade com dispositivo constitucional estadual tipicamente estadual (= sem
similar na Constituição Federal). 2. Havendo declaração de inconstitucionalidade de preceito
normativo estadual pelo Tribunal de Justiça com base em norma constitucional estadual que
constitua reprodução (obrigatória ou não) de dispositivo da Constituição Federal , subsiste a
jurisdição do STF para o controle abstrato tendo por parâmetro de confronto o dispositivo da
Constituição Federal reproduzido. [...] 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
procedente. (ADI 3659, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em
13/12/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-094 DIVULG 07-05-2019 PUBLIC 08-05-2019)

Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA


DE LEGITIMIDADE RECURSAL DE AMICUS CURIAE. PRECEDENTES. NÃO CONHECIMENTO.
INTERVENÇÃO DE TERCEIRO (ASSISTÊNCIA). INVIABILIDADE. LEI 20.805/2013 DO ESTADO DE
MINAS GERAIS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS DE FUNDAMENTAÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
EMBARGOS REJEITADOS. 1. A jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL consolidou-se
no sentido de que amicus curiae não possui legitimidade para interpor recursos em sede de
controle abstrato de constitucionalidade. Precedentes. 2. O art. 7º da Lei 9.868/1999 e o art.
169, § 2º do RISTF afastam expressamente a incidência, no âmbito da Ação Direta de
Inconstitucionalidade, da intervenção assistencial de terceiro concretamente interessado. 3. O
acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente,
toda a controvérsia veiculada na inicial, que questionava a validade da Lei 20.805/2013 do
Estado de minas Gerais em confronto com competência legislativa da União para legislar sobre
trânsito e transporte (art. 22, XI, da CF). 4. Embargos de declaração não se prestam a veicular
inconformismo com a decisão tomada, nem permitem que as partes impugnem a justiça do
que foi decidido, pois tais objetivos são alheios às hipóteses de cabimento típicas do recurso
(art. 1.022 do CPC/2015). 5. Embargos de declaração da Associação Mineira dos Estampadores
de Placas Veiculares – AFAPEMG e da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas
Gerais – ACTRANS não conhecidos. Embargos de Declaração do Governador do Estado de
Minas Gerais rejeitados. (ADI 5774 ED, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal
Pleno, julgado em 11/11/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-260 DIVULG 27-11-2019 PUBLIC
28-11-2019)

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