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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

A dívida Externa de Moçambique

Beto de Tolias Antônio Binane


Cod. 708208829

Curso de Licenciatura em ensino de


Geografia

Cadeira: Geografia de Mocambique

Ano de Frequência: 3º ano

Pemba, 19 de Abril de 2022

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Aspectos  Introdução 0.5
Estrutura
organizacionais  Discussão 0.5
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Introdução  Descrição dos
1.0
objectivos
 Metodologia adequada
2.0
ao objecto do trabalho
 Articulação e domínio
do discurso académico
Conteúdo (expressão escrita 2.0
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e
 Revisão bibliográfica
discussão
nacional e
internacionais 2.
relevantes na área de
estudo
 Exploração dos dados 2.0
 Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA
 Rigor e coerência das
Referências 6ª edição em
citações/referências 4.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia

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Índice
Introdução...................................................................................................................................4

A dívida Externa de Moçambique..............................................................................................5

A dívida pública..........................................................................................................................5

A Relação entre Dívida Pública e o Crescimento Econômico....................................................5

A Evolução Da Dívida Pública De Moçambique.......................................................................6

Tipos de Dividas Publicas...........................................................................................................7

Dívida Pública Interna de Moçambique.....................................................................................7

Dívida pública Externa...............................................................................................................7

Conclusão....................................................................................................................................9

Referências Bibliográfica..........................................................................................................10

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Introdução

Este trabalho visa desenvolver o tema A dívida Externa de Moçambique. Moçambique têm
sido qualificado para o alívio da sua dívida pública externa no âmbito das várias iniciativas.
Porém, dados recentes indicam que o stock de Dívida Externa Pública do País situa-se aos
níveis da década 80/90 quando se deu a crise da dívida externa de Moçambique. Embora a
análise da sua sustentabilidade leve a conclusões diferentes das da década 80/90, o
acompanhamento dos níveis de endividamento actuais e a sua discussão não podem ser
adiados porque tem implicações importantes sobre a gestão e monitoria da dívida pública
externa.

O objectivo geral do trabalho é conhecer as dívidas externas de Moçambique. Sendo


sequenciado por seguintes objectivos específicos: dar o conceito da dívida pública; diferenciar
a dívida pública da dívida externa e apresentar subtipos da dívida pública externa.

No enquadramento metodológico, o trabalho obedece a seguinte sequencia metodológica:


com base no apoio do objectivo geral, esta pesquisa é exploratória; O uso dos manuais citados
no trabalho de acordo com as normas aconselhadas constitui a procedimentos técnicos, o
bibliográfico que se usou como caminho para alcançar os dados teóricos citados. Na medida
expositiva de clarificar os conceitos e concepções da dos autores, classifica-se como a
pesquisa explicativa.

Em termos organizacionais, o trabalho obedece a seguinte categoria, constituintes pré-


textuais, textuais e pós-textuais.

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A dívida Externa de Moçambique

A crise económica, que se começou a revelar brutalmente com a explosão e implosão da


bolha económica combinada com a “descoberta” da dívida pública ilegal, contraída ou
avalizada pelo governo moçambicano, entre 2013 e 2014, despoletou um amplo debate
público em contraste com o silêncio que, até então, dominava o governo, o parlamento, as
organizações internacionais e a maior parte dos analistas nacionais.

A dívida pública

A actual crise da dívida em que o Moçambique está mergulhado, agudizada pelo elevado
stock de dívida comercial e pela descoberta das dívidas ilícitas, tem trazido este tema
novamente para o centro do debate, principalmente no seio dos académicos, sociedade civil,
políticos, doadores e instituições internacionais.

Para Moutonho (2018) A dívida pública, compreende o conjunto de obrigações de natureza


financeira assumidas pelo poder público. Contrai- -se a dívida pública mediante a celebração
de operações de crédito (p. 258).

A dívida pública corresponde, portanto, a um estoque de obrigações financeiras, acumuladas a


partir dos déficits públicos observados em cada exercício e que causam uma variação positiva
em seu valor.

Para fechar, Lochagin (2017) conclui que “em seu sentido objetivo, a dívida pública são as
obrigações financeiras em que incorre o Estado quando, em um dado exercício fiscal, as
receitas são insuficientes para cobrir as despesas públicas” (p. 34).

Esta definição se desdobra em dois conceitos, um de fluxo e outro de estoque, ao qual


correspondem, respectivamente, a dívida pública nova e a dívida pública total. O termo é
usado para se referir ao acúmulo das referidas variações dos níveis de endividamento, ou seja,
ao estoque equivalente à soma das dívidas novas originadas no passado até determinado
instante.

A Relação entre Dívida Pública e o Crescimento Econômico

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A dívida pública ocupa a lista dos principais tópicos de discussão sobre a economia
moçambicana. A sua dimensão, evolução e sustentabilidade contribuíram para a repentina
alteração da caracterização da economia de um exemplo macroeconómico, em termos de taxa
de crescimento e outros indicadores, para uma economia com alto risco de insustentabilidade
da dívida e com baixo nível de crescimento económico (Massarongo & Chichava, 2018).

A maior parte da literatura, teórica e empírica, sobre a dívida pública tem concentrado a
discussão na relação entre dívida pública e crescimento económico. A questão central tem
sido avaliar até que ponto a contracção de empréstimos públicos estimula ou não o
crescimento do nível do produto.

Nas afirmações de Ibraimo (2018) existe uma relação negativa entre dívida pública e
crescimento económico. Este autor considera, fundamentalmente, as seguintes razões:

 A existência do efeito crowding-out sobre o investimento privado, como resultado do


aumento da demanda por crédito pelo Governo e o respectivo aumento das taxas de
juros praticadas nos mercados financeiros;
 A dívida pública é considerada um fardo intergeracional, pois implica menor stock de
capital para as gerações futuras;
 A dívida do Governo tem um efeito negativo sobre o crescimento económico, tanto no
curto como no longo prazo;
 O serviço da dívida pública tem um maior efeito negativo sobre a economia do que a
dívida;
 Existe uma forma de “U” invertido entre o rácio da dívida e o crescimento económico,
o que significa que, quanto maior for este rácio, menor será o crescimento económico

A Evolução Da Dívida Pública De Moçambique

A dívida pública de Moçambique cresceu exponencialmente nos últimos anos, depois de ter
experimentado uma significativa redução entre os finais da década de 1990 e meados da
primeira década de 2000. Assim, desde 2006, a dívida pública segue uma trajetória de
crescimento, que acelerou a partir de 2011.

Neste período, 2006 e 2011, segundo Massarongo e Chichava, (2018) o stock de dívida
pública aumentou de cerca de US$ 3,6 mil milhões para cerca de US$ 5 mil milhões em 2011,
portanto cerca de 30%, o que significou um aumento médio anual de Ŝ%. Em 2015, a dívida

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estava avaliada em cerca de US$ 11,6 mil milhões, o que representava um aumento de quase
duas vezes e meia em quatro anos (p. 18).

O crescimento médio anual da dívida foi a uma taxa quase três vezes e meia superior à taxa
média anual de crescimento do PIB corrente entre 2011 e 2015. O crescimento rápido do
stock da dívida total foi causado pelo crescimento simultâneo dos seus componentes interno e
externo.

Entre 2006 e 2015, a dívida interna passou de US$ 270 milhões para cerca de US$ 1,8 mil
milhões e, por sua vez, a dívida externa aumentou de US$ 3,2 mil milhões para cerca de US$
10 mil milhões, um aumento de 500% e 200% (Massarongo & Chichava, 2018, p. 19).

Tipos de Dividas Publicas

De todas as possíveis formas de classificação da dívida pública, interessa identificar os tipos


mais relevantes para os problemas internacionais de sua reestruturação.

Segundo Lochagin (2017) o critério distintivo mais frequente diz respeito ao local de emissão
da dívida pública, que permitirá classificá-la como interna ou externa. A reestruturação da
dívida soberana depende, porém, de outras noções relevantes, que exigem defini-la com
relação aos credores e quanto às garantias (p. 37).

Dívida Pública Interna de Moçambique

A dívida em moeda doméstica e perante credores internos se envolve em uma moldura


jurídico-institucional mais estável porque há normas de direito interno aplicáveis.

Segundo Branco, Ibraimo, Muianga e Semedo (2017):

A dívida pública interna de Moçambique aumentou 19 vezes, a uma taxa


média anual quatro vezes superior à do PIB. O peso da dívida pública interna
no stock total da dívida pública aumentou de 2% para 14%, e no serviço da
dívida passou de 2% para 90% desde 2009, por causa das altas taxas de juro
que tornam a compra da dívida pública lucrativa para o capital financeiro
doméstico (Branco, Ibraimo, Muianga & Semedo, 2017 p. 13).
O governo argumenta que a gestão da dívida é feita de acordo com standards internacionais de
sustentabilidade fiscal para economias semelhantes à de Moçambique, pelo que não existe
motivo de alarme.

Dívida pública Externa


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Quanto aos credores Será o estatuto jurídico das partes contratantes que determinará o direito
aplicável aos empréstimos públicos.

É Definida a dívida pública segundo Lochagin (2017) como aquela assumida pelo Estado, o
polo passivo da relação jurídica será ocupado por ele ou alguma de suas manifestações
regionais ou descentralizadas, bem como eventuais entidades do setor privado cujos débitos
possam ser de alguma forma atribuídos ao Estado. Assim presente um devedor, cabe
classificar as categorias de credores.

A dívida pública externa aumentou três vezes, a uma taxa média anual 40% mais rápida que a
do PIB.

Segundo dados do Governo de Moçambique, o stock da dívida pública total,


tanto quanto já foi descoberto e divulgado, é de cerca de 12 mil milhões de
USD, ou, aproximadamente 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.
Deste montante, cerca de 2 mil milhões de USD são de dívida pública
doméstica. Dos restantes 10 mil milhões de USD, dívida pública externa,
cerca de metade é dívida comercial, sendo a outra metade dívida oficial a
governos ou instituições multilaterais (Branco, Ibraimo, Muianga & Semedo,
2017).
A chamada “dívida ilegal”, que é parte dos valores do stock acima mencionados, inclui a
avalização, pelo Estado, da dívida contraída pelas empresas EMATUM (850 milhões de
USD), Proindicus (622 milhões de USD) e Mozambique Asset Management, MAM (535
milhões de USD), e pouco mais de 221 milhões de USD para ordem e segurança, totalizando
cerca de 2,2 mil milhões de USD.

Este montante é equivalente a 15% do PIB, 19% do stock de dívida pública total e cerca de
45% do stock de dívida pública externa comercial.

Esta dívida é ilegal, como afirmam Branco, Ibraimo, Muianga e Semedo, (2018) por, nos
quatro casos, não ter sido submetida à Assembleia da República para avaliação, aprovação e
monitoria, conforme manda o artigo 179 da Constituição da República, e, nos últimos três
casos, por os empréstimos e o seu serviço não estarem registados no orçamento do Estado,
como manda a lei.

As dívidas públicas externas podem ser classificadas em:

 Dívida Externa Bilateral: O empréstimo envolve dinheiro entre Governos

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 Dívida Externa Multilateral: Empréstimo que envolve dinheiro contraído de
instituições multilaterais para o financiamento de despesas públicas correntes e de
investimento.
 Dívida Pública Externa Comercial: O empréstimo é contraído tanto pelo Governo
como pelas empresas a bancos internacionais privados, envolvendo dinheiro.

Conclusão

Depois de uma descrição ou desenvolvimento do tema “A dívida Externa de Moçambique”


concluiu-se que:

A contestação quase generalizada da sociedade moçambicana em relação a intenção do


Governo em pagar os encargos financeiros resultantes da contração das chamadas dívidas
“ocultas” fundamentada na ilegalidade das mesmas, conforme determinado pelo Conselho
Constitucional, tem como pano de fundo as potenciais implicações negativas para o
crescimento e desenvolvimento do nosso país.

Este assunto voltou ao debate público, em finais de Outubro, na sequência do comunicado do


Ministério da Economia e Finanças que indicava que o Governo pagou cerca de 38 milhões de
dólares americanos aos credores dos Eurobonds no âmbito da restruturação das dívidas
“ocultas”.

O serviço de dívida externa (juros e outros encargos financeiros incorridos pelo para
amortizar as prestações da dívida junto de uma entidade credora internacional) envolve o uso
do dólar americano por ser a unidade monetária de referência em transacõess internacionais

O serviço da dívida externa contribuiu para a depreciação acentuada do metical em relação ao


dólar americano verificada, sobretudo, a partir de 2015. O serviço da dívida interna
influenciou a subida das taxas de juros passivas, tornando deste modo, o acesso ao crédito
para consumo e investimento bastante caro.

Portanto, em última instância a dívida pública levou à uma subida do nível geral de preços e,
portanto, para o encarecimento do custo de vida dos moçambicanos.

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Referências Bibliográfica

Branco, C. C.; Ibraimo, Y.; Muianga, C. & Semedo, I., (2017): Dívida pública, sistema
financeiro e mobilização de recursos, Lisboa: editora Universidade de Lisboa.

Ibraimo, Y. (2018), Efeitos macroeconómicos da dívida pública e do serviço da dívida: uma


análise empírica de Moçambique, Beira: editora IESE & UCM.

Lochagin, J. M. & Conti, G. L. (2017) Elementos Jurídicos Da Reestruturação Internacional


Da Dívida Pública, São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda.

Massarongo, F. & Chichava, S. (2018) Estrutura, Impacto e Significado da Dívida Pública


Moçambicana com os BRICS (2006-2015), Lisboa: editora Centro de Estudos
Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa.

Moutonho, N. V. (2018) Dívida Pública: Gerenciamento, Fiscalização E Controle No Brasil,


São Paulo: editora USP.

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