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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE

SEGURANÇA DO TRABALHO

Proposta do Projeto: Analisar e construir conjunto de


documentos necessários para o desenvolvimento de um
determinado projeto de Engenharia

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1) COMEÇO DO PREVENCIONISMO NO MUNDO
A história do prevencionismo vem percorrendo uma longa estrada.
Embora haja relatos de algumas preocupações relacionadas ao tema des-
de antes de cristo, no Egito, o marco mais contundente do prevencionismo
é o estudo do médico Bernardino Ramazzini, médico italiano nascido em
Carpi, em 1633, considerado o Pai da Medicina do Trabalho pela contribui-
ção de seu livro: “As Doenças dos Trabalhadores”, publicado em 1700 e tra-
duzido para o português pelo Dr. Raimundo Estrela.
A revolução industrial trouxe consigo mudanças consideráveis na estrutu-
ra do trabalho. Na indústria têxtil surge a primeira máquina de tear. Com
novas máquinas surgem também novas atividades e demanda por novas
matrizes energéticas.
A revolução industrial criou a necessidade de preservar o potencial
humano como forma de garantir a produção.
Na Inglaterra, a preocupação com a prevenção de acidentes de tra-
balho e outros fatores de risco, que eram frequentes no ambiente das pri-
meiras fábricas, gerou a união de trabalhadores e homens públicos para a
concretização das bases da política prevencionista.

2) A CRIAÇÃO DAORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO


TRABALHO (OIT)
Em 1919, é criada a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Uma
organização de carácter universal, a OIT tem as suas origens na matriz so-
cial da Europa e da América do Norte, do século XIX. Estas regiões assistiram
ao nascimento da Revolução Industrial, que gerou um extraordinário de-
senvolvimento econômico, muitas vezes à custa de um sofrimento humano
intolerável e graves problemas sociais. A ideia de uma legislação interna-
cional do trabalho surgiu logo no início do século XIX, em resposta às preo-
cupações de ordem moral e econômica, associadas ao custo humano da
Revolução Industrial. Alguns industriais notáveis, entre os quais Robert Owen
e Daniel Le Grand, apoiaram a ideia de uma legislação progressista no do-
mínio social e laboral. No final do século XIX, os sindicatos começaram a
desempenhar um papel decisivo nos países industrializados, reivindicando
direitos democráticos e condições de vida dignas para os trabalhadores.
O argumento inicial era de natureza humanitária. As condições a que
se encontravam sujeitos os trabalhadores, cada vez mais numerosos e ex-
plorados sem qualquer consideração pela sua saúde, pela sua vida familiar
ou pelo seu desenvolvimento, eram cada vez mais intoleráveis. Esta preo-
cupação encontra-se claramente expressa no Preâmbulo da Constituição

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da OIT, segundo o qual existem condições de trabalho que implicam para
um grande número de pessoas, a injustiça, a miséria e privações.
O segundo argumento era de natureza política. Se as suas condições
de vida e de trabalho não melhorassem, os trabalhadores, em número
cada vez maior, devido ao processo de industrialização, criaram certamen-
te distúrbios sociais, podendo mesmo fomentar a revolução. O Preâmbulo
da Constituição refere que a injustiça gera um tal descontentamento que a
paz e a harmonia universais são colocadas em perigo.
O terceiro argumento estava relacionado com aspectos econômicos.
Em virtude dos inevitáveis efeitos de uma reforma social sobre os custos
de produção, qualquer setor econômico ou país que tentasse implemen-
tá-la, ficaria em desvantagem face aos seus concorrentes. No Preâmbulo
afirma-se que a não adoção por uma nação de um regime de trabalho re-
almente humano, é um obstáculo para os esforços das outras nações que
desejam melhorar a condição dos trabalhadores nos seus próprios países.
Estes argumentos foram consagrados no Preâmbulo da Constituição de
1919, que começa com a seguinte afirmação:
Só se pode fundar uma paz universal e duradoura com base na justiça
social.
Aprofundados na Declaração de Filadélfia, adotada em 1944, estes ideais
continuam a ser mais importantes do que nunca na atual época de globa-
lização e constituem ainda a base ideológica da OIT.

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3) PRIMEIRAS PREOCUPAÇÕES COM A PREVENÇÃO DE
ACIDENTES E O DESENVOLVIMENTO DESTA CULTURA

1:10:30 – para cada acidente sério, existem 10 acidentes menores e 30


acidentes com danos materiais;
1:10:30:600 – para cada acidente sério, existem 10 acidentes menores,
30 acidentes com danos materiais à propriedade e 600 acidentes menores
ou quase-acidentes.
Ele avaliou o nível de severidade dos acidentes e a frequência com
que eles ocorreram e determinou que cada acidente sério, é necessaria-
mente precedido de dez acidentes menores que, por sua vez, foram prece-
didos por trinta acidentes com danos materiais à propriedade de qualquer
tipo, os quais foram precedidos de seiscentos quase acidentes, causados
por más condições de trabalho ou por comportamentos de risco.
É importante lembrar que “quase acidentes” são eventos que, mesmo
não gerando lesão, apresentam ameaças à saúde ou integridade física do
trabalhador.
Nesse contexto, o primeiro ponto é compreender que essa proporção
só foi aplicável às empresas avaliadas por Bird e que ela mudará se a ava-
liação for feita para uma empresa de outro porte, de outro segmento e nos
dias de hoje. Caso você queira identificar a proporção de sua empresa, é
necessário realizar um cálculo exclusivo para ela, conforme as característi-
cas do seu próprio negócio.
Entretanto, independente da proporção identificada, segundo a teo-
ria, em toda pirâmide será possível identificar que são raros os eventos de
maior gravidade e corriqueiros os incidentes e os “quase acidentes” e que
eles ocorrem sob o chamado “efeito dominó”, onde um ocorre sob influên-
cia do outro.
Como eles ocorrem em maior volume, deverão receber maior aten-
ção. Isso porque ações preventivas com a finalidade de evitar acidentes
são mais bem-sucedidas, quando direcionadas a correção dos desvios, ou
eventos que levaram a um quase acidente.
Em outras palavras, deve existir uma maior preocupação com as situações
que colocam em risco a saúde dos trabalhadores, pois são elas as princi-
pais causadoras dos acidentes fatais, que dominam o topo da pirâmide.
A pirâmide de Bird, apresentada na figura 2, é uma ótima ferramenta
para analisar os riscos e elaborar ações preventivas, objetivando a melho-
ria contínua, a diminuição e até a eliminação de todos os eventos não de-
sejados e dos seus impactos relacionados!

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Isso o levou a crer que cada 30
mil desvios levam a 3 mil acidentes,
300 acidentes sem afastamento, 30
acidentes com afastamento e um aci-
dente fatal, conforme figura 3.

É possível notar que todas as pirâmi-


des têm como principal objetivo prevenir
e encontrar medidas para minimizar e/ou
eliminar os acidentes de trabalho.

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4) CONCLUSÃO
Iniciamos nossa jornada no mundo do prevencionismo, compreen-
dendo o contexto histórico em que este conceito surgiu. A partir daí, verifi-
camos de que forma este conceito se desenvolveu no Mundo e os princi-
pais marcos históricos nesta questão.

Em segundo momento, estudamos o prevencionismo, a partir da cria-


ção OIT, o momento histórico em que apareceu, bem como os preceitos
básicos que regem esta importante organização.

Por fim, começamos a ver alguns conceitos sobre acidentes de traba-


lho e de que forma estes acidentes impactam na vida das pessoas.

Agora é hora de iniciarmos o nosso projeto. A proposta é capacitá-lo


para que consiga identificar os preceitos que regem a segurança do traba-
lho, bem como os conceitos de prevencionismo no Mundo. Além disso, tam-
bém visa, capacitá-lo a entender de que forma esses conceitos surgiram
e são trabalhados no Brasil. Esgotando o tema história do prevencionismo,
o conteúdo passa a trabalhar as questões que regem as atribuições pro-
fissionais de um Engenheiro de Segurança do Trabalho, a partir do sistema
CONFEA/CREA.
Portanto, nesta fase você já está apto a dialogar sobre o prevencionismo,
em âmbito Mundial e sobre a criação da OIT. A partir destes conceitos, po-
demos começar a trabalhar estas questões.

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A proposta aqui é criar um texto, totalmente autoral, que vise compilar
as informações sobre o prevencionismo em âmbito Mundial. A ideia é con-
tar esta história de forma ilustrada, partindo do preceito que desejamos a
mudança de cultura, em relação aos aspectos que envolvem a segurança
do trabalhador, e que toda mudança de cultura surge da base. Então, pen-
sando nisso, vamos começar a criar um material que possa ser utilizado
com crianças e/ou jovens, de forma a mostrar a importância destes con-
ceitos e como isso pode, de fato, mudar a vida das pessoas.

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1) PREVENCIONISMO NO BRASIL
Na América Latina observa-se que os governos utilizam como principal
recurso para sair da etapa de subdesenvolvimento um acelerado proces-
so de industrialização em curto prazo. Embora este processo de industria-
lização traz inegáveis benefícios econômicos, traduzidos em progressivos
aumentos da renda per capita e daí melhores níveis de vida para a popu-
lação desses países, é necessário se considerar conjuntamente com esses
positivos benefícios econômicos, a agressão constante a que está exposto
o homem em seus meios de trabalho e sua comunidade.

De outra forma, devem entender-se que é antieconômico buscar o


desenvolvimento industrial de um país, sem resolver as consequências sa-
nitárias e sociais que este traz consigo. Obtém-se um resultado negativo,
quando se verifica que o custo das enfermidades e acidentes, superam os
novos bens produzidos.

A engenharia de Segurança deve ter como responsabilidade primária


a prevenção de doenças ocupacionais (ou profissionais) e acidentes no
trabalho. O médico complementa a ação preventiva e de controle, nes-
sas áreas específicas. Sendo, portanto, fundamental estudar o binômio ho-
mem-ambiente de trabalho, reconhecendo, avaliando e controlando os
riscos que possam afetar a saúde dos trabalhadores.

Nesse sentido, ao considerar-se a prevenção e redução de riscos para


a saúde dos trabalhadores deve praticar-se o princípio estabelecido pela
OIT, que declara:
“Segurança e Higiene no trabalho são conceitos individuais e deverão ser
tratados como dois aspectos de um mesmo problema, isto é, o da prote-
ção dos trabalhadores”.
Indubitavelmente, os programas de proteção para a saúde dos trabalha-
dores devem condicionar-se a serem planejados levando em conta, não só
a prevenção de acidentes e doenças profissionais, mas também a prote-
ção, fomento e conservação da saúde no sentido mais amplo, como defi-
nido pela OMS: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental
e social, e não somente a ausência de afecções ou enfermidades”.
Logo, a responsabilidade pela vida e saúde dos trabalhadores está
ligada ao trinômio Estado-Empresa-Trabalhador, já que os efeitos sobre a
saúde se manifestam nos três componentes, destacados a seguir:
ASPECTO SOCIAL: Para ilustrar o efeito dos acidentes de trabalho so-
bre a sociedade, um exemplo é dado a seguir. Supondo que um homem
viva até os 60 anos, trabalhando dos 15 aos 50 anos (35 anos de trabalho).
Quando criança ou aposentado sua produtividade é negativa, enquanto
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sua produção é de 10 unidades produtivas / ano no período em que tra-
balha. O consumo durante toda sua vida é de 5 unidades produtivas / ano.
Verificando o saldo de sua produção em toda sua vida tem-se:

S = 35 x 10 - 60 x 5 = + 50 unidades produtivas / ano.

Supondo que este indivíduo sofresse um acidente de trabalho aos 30 anos,

diminuindo sua produção para 5 unidades produtivas / ano, o saldo final

seria:

S = (30 - 15) x 10 + (50 - 30) x 5 - 60 x 5 = - 50 unidades produtivas / ano.

Destacam-se ainda outros problemas sociais decorrentes dos acidentes

de trabalho, tais como:

Desemprego,

Delinquência,

Mendicância, etc.

ASPECTO HUMANO: Para avaliar os danos causados ao ser humano de-


vido aos acidentes de trabalho, faz-se a seguinte pergunta: - Quanto vale
a vida de um homem? São muitos os acidentes que levam a morte ou dei-
xam sequelas que impossibilitam ou dificultam o retorno do homem ao tra-
balho, tendo como consequência a desestruturação do ambiente familiar,
em que tais infortúnios repercutem por tempo indeterminado. Lembra-se
que o “homem é a maior riqueza de uma nação”.

ASPECTO ECONÔMICO: O acidente de trabalho reduz, significativamen-


te, a produção de uma empresa, além de representar uma fonte de gastos
como: remédios, transporte, médico, etc. O prejuízo econômico decorre da
paralisação do trabalho por tempo indeterminado, devido a impossibilida-
de de substituição do acidentado, por um elemento treinado para aquele
tipo de trabalho e, ainda, a influência psicológica negativa que atinge os
demais trabalhadores, e que interfere no ritmo normal do trabalho, levando
sempre a uma grande queda da produção.

O trabalhador também sofre com este prejuízo, apesar da assistência


e indenizações recebidas por meio da Previdência Social, pois isto não o
garante, necessariamente, o mesmo padrão de vida mantido até a então.
Por isso, destaca-se um bom motivo para se investir na prevenção de aci-
dentes de trabalho.
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2) PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO NO BRASIL E AS PRI-
MEIRAS LEGISLAÇÕES
Do último quarto do século XIX até o final do século XX, a evolução da
indústria no Brasil teve três grandes fases, cada uma com características
distintas, embora matizadas em certos aspectos — especialmente na tran-
sição para as duas últimas fases.

É claro que há uma miríade de fatores condicionantes nesse processo


de evolução, cuja discussão será ensaiada na terceira seção adiante. Con-
tudo, busca-se apenas caracterizar em linhas gerais, as três fases em ter-
mos estritamente econômicos e no que se refere à orientação da política
econômica. Para isso, destacam-se em cada fase:
O desempenho da produção industrial, comparativamente aos do PIB e da
produção agrícola;

A natureza do desenvolvimento industrial (induzido ou autossustenta-


do);
O padrão de desenvolvimento alcançado (estruturalmente restrito ou cres-
centemente diversificado, tecnologicamente simples ou sofisticado), e
A postura da política econômica tendo em vista o desenvolvimento
industrial.

Na primeira fase, a produção industrial teve um crescimento signifi-


cativo, em parte explicado pela base ainda incipiente. A produção agrope-
cuária comandava o crescimento do PIB. Na segunda fase, o crescimento
da produção industrial passou a liderar o crescimento do PIB, com uma
taxa média anual equivalente a mais do que o dobro daquela da produção
agrícola. E, na terceira fase, a produção industrial ficou praticamente estag-
nada, ou mesmo negativa, em termos per capita, enquanto, a agropecuá-
ria manteve um desempenho expressivo, voltando a liderar o crescimento
do PIB. Entretanto, este cresceu a um ritmo medíocre, sobretudo quando
descontado o crescimento demográfico.
Mas pensando nisso: Como se caracterizou em linhas gerais cada uma
dessas fases?

A primeira foi uma fase de desenvolvimento industrial dependente da


agricultura de exportação, que induzia o crescimento da produção indus-
trial, à medida que criava mercado, gerava capacidade de importar e esti-
mulava a formação de capital.

Seu padrão de desenvolvimento era estruturalmente restrito, centra-

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do nas indústrias tradicionais produtoras de bens de consumo e alguns
insumos menos sofisticados, embora já estivesse ocorrendo uma pequena
diversificação em direção aos insumos pesados. A política econômica, em-
bora suscetível aos pleitos protecionistas da classe industrial emergente,
era inteiramente dominada pelos interesses da agricultura, os quais deti-
nham a hegemonia política na época.
Na segunda fase, mudou a natureza do desenvolvimento industrial.
O crescimento da produção industrial adquiriu dinamismo próprio, impul-
sionado primeiro pela substituição de importações (SI) e depois, cada vez
mais intensamente, pela expansão do mercado interno (consumo mais in-
vestimento) e, por fim, pelas exportações de produtos manufaturados sob
forte esquema de promoção, inclusive com subsídios.

O padrão de desenvolvimento industrial avançou, substancialmente,


em termos estruturais, convergindo para o padrão estrutural e tecnológico
das economias industrializadas, embora sem alcançá-lo inteiramente.
Por sua vez, a orientação da política econômica tornou-se francamente
industrializante, apesar da assistência à agricultura (em crise nos anos trin-
ta) e da persistência de políticas agrícolas com alguns subsídios. Estes, no
entanto, em alguns períodos, apenas compensaram outras formas de ex-
tração de renda da agricultura em benefício da indústria e das atividades
urbanas em geral.

Finalmente, na terceira fase, o dinamismo da produção industrial foi


enfraquecido por causas estruturais (fim da SI em escala significativa) e
por problemas conjunturais (crise macroeconômica). O padrão de desen-
volvimento industrial regrediu, e a política econômica centrou-se na es-
tabilização macroeconômica e em mudanças institucionais lato sensu
(liberalização comercial, abertura da economia ao capital estrangeiro, pri-
vatizações), abandonando-se qualquer orientação política de longo prazo,
especialmente quanto ao desenvolvimento industrial.

Agora, atente-se as informações a seguir:


Alguns marcos históricos acerca do início da Legislação sobre Saúde
e Segurança do Trabalhador no Brasil.

Em 15 de janeiro de 1919 é promulgada a primeira Lei nº 3724 sobre Aci-


dente de trabalho, já com o conceito do risco profissional. Esta mesma Lei
foi alterada em 5 de março do mesmo ano pelo Decreto 13.493 e em 10 de
julho de 1934, pelo Decreto 24.637. Em 10 de novembro de 1944, é revogada
pelo Decreto Lei 7.036 que dá às autoridades do Ministério do Trabalho a
incumbência de fiscalizar a Lei dos Acidentes do Trabalho.

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Em 01 de Maio de 1943 houve a publicação do Decreto Lei 5.452 que
aprovou a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, cujo capítulo V refere-se
à Segurança e Medicina do Trabalho.
Em 1953 a Portaria 155 regulamenta e organiza as CIPA´s e estabelece nor-
mas para seu funcionamento.
A Portaria 319 de 30.12.60 regulamenta o uso dos EPI´s.
A Lei 5.136 – Lei de Acidente de Trabalho – surge em 14 de setembro de 1967.
Em 1968 a Portaria 32 fixa as condições para organização e funcionamento
das CIPA´s nas empresas.
Em 1972 a Portaria 3.237 determina obrigatoriedade do serviço Especializa-
do de Segurança do Trabalho, regulamentada pela Lei 6.514 em 08 de junho
de 1978.

3) A CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS NO BRASIL


Eloy de Miranda Chaves (Pindamonhangaba, 27 de dezembro de 1875
— São Paulo, 19 de abril de 1964) foi um advogado formado pela Faculdade
de Direito do Largo São Francisco, empresário, banqueiro, proprietário rural
e político brasileiro.

Em 1921, o advogado, em viajava de trem, na antiga Estrada de Fer-


ro Sorocabana, e “ouviu de dois ferroviários informações de que os traba-
lhadores da ferrovia, principalmente aqueles que exerciam atividades mais
desgastantes, como foguistas e maquinistas, mesmo quando atingiam
uma idade avançada precisavam continuar trabalhando em razão da ne-
cessidade premente de sustentar a família. As locomotivas movidas a le-
nha exigiam a presença constante de um foguista, que alimentava conti-
nuamente a caldeira, sujeitando-se a temperaturas extremamente altas.”

Eloy Chaves procurou os ferroviários Francisco de Monlevade, Alfredo


William e Edmundo Navarro de Andrade, inspetor-geral, chefe de locomo-
ção e chefe do serviço florestal da Companhia Paulista, discutiu com eles
o assunto, “socorreu-se dos conselhos de Francisco Monlevade e Adolpho
Pinto”, foi para sua fazenda Ermida, em Jundiaí, onde também tinha uma
fábrica de porcelana, e lá concebeu e escreveu o projeto de lei que apre-
sentou à Câmara dos Deputados naquele mesmo ano de 1921, criando “em
cada uma das empresas de Estradas de Ferro existentes no País uma Caixa
de Aposentadoria e Pensões (a primeira CAP do Brasil) para os respectivos
empregados”, foi aprovado e virou lei em 24 de janeiro de 1923.

Eloy Chaves ocupou importantes cargos nas administrações públicas,


entre eles a Pasta da Justiça e da Segurança em 1913, na gestão do Conse-

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lheiro Rodrigues Alves. Em 1919, foi eleito novamente para a Câmara Federal
e apresentou em 1923, no Congresso, o projeto de Lei que, mais tarde, iria se
transformar no embrião da Previdência Social. O nome, naquela época, era
“Caixas de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários”. Essa lei, chamada de
“Lei Eloy Chaves” foi escrita em seu escritório na Fazenda Ermida e conferiu
a seu criador o título de “pai da previdência social”. Em 19 de Abril de 1964,
Eloy Chaves faleceu.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943 prescreveu a exis-


tência das empresas de Serviços Especializados em Segurança, em seu
artigo 164. No entanto, isso ocorreu somente através da portaria 3237, de
27/06/1972, do Ministério do Trabalho. Esta portaria teve várias alterações,
mas nenhuma substancial. Até que, em 1978, foi revogada, revisando o ca-
pítulo V da CLT – levada a efeito pela Lei 6514/77 – e a edição da portaria
3214/78, quando a matéria abordada pela 3237/72, passou a ser assunto
específico da NR4: Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho (SESMT), que diz:
“O SESMT é um setor que faz parte do organograma interno das empresas,
sendo que o mesmo está submetido às ordens da empresa contratante,
bem como à constante fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE), pois a sua estrutura, os seus profissionais e as suas respectivas finali-
dades estão submetidos à legislação de segurança do trabalho. Assim, não
é possível ter um SESMT constituído e estruturado fora das normas estabe-
lecidas pelo MTE.”.
Portanto, “Cabe assim ao SESMT, com o apoio do empregador e através da
ampla conscientização dos empregados, a implementação de uma polí-
tica de segurança do trabalho que propicie aos trabalhadores o direito ao
exercício de suas funções de forma segura e digna, evitando a exposição
dos mesmos a “condições prejudiciais à sua integridade física, moral e psi-
cológica” (Moraes, 2002).
Em 1972, a Portaria 3.237 determina obrigatoriedade do serviço Especializa-
do de Segurança do Trabalho.

No início da década de 70, a iniciativa do Banco Mundial em cortar os


financiamentos para o Brasil, caso o quadro de acidentes de trabalho não
fosse revertido, resultou na publicação das portarias nº 3236 e 3237, em 27
de julho de 1972. Segundo estimativas da época, 1,7 milhão de acidentes
ocorriam, anualmente, e 40% dos profissionais sofriam lesões.

O então ministro do Trabalho, Júlio Barata, além de assumir as imple-


mentações das portarias, que regulamentavam a formação técnica em
Segurança e Medicina no Trabalho, atualizou o artigo 164 da Consolidação

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das Leis Trabalhistas (CLT), que discorre sobre as condições internas de
uma empresa, em relação à saúde e a segurança, mas precisamente so-
bre a atuação e formação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
(CIPA).
Nesse contexto, no dia 27 de julho celebramos o Dia Nacional de Prevenção
de Acidentes de Trabalho. A data é símbolo da luta dos trabalhadores bra-
sileiros por melhorias nas condições de saúde e segurança no trabalho.
E, em 08 de Junho de 1978, a Lei 6.514 é regulamentada pela Portaria 3.214.

A Lei 6514 de 22 de setembro de 1977 altera a redação do Capítulo V,


do Título II da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) relativo à Segurança
e Medicina do Trabalho aprovada em 1 de maio de 1943.
Já a portaria 3214 de 08 de junho de 1978 aprova as Normas Regulamenta-
doras – NR’s do Capítulo V, Título II da CLT, relativas à Segurança e Medicina
do Trabalho.

4) CONCLUSÃO
Iniciamos nossa jornada no mundo do prevencionismo Nacional, com-
preendendo o seu contexto histórico de surgimento. A partir daí, verificamos
de que forma este conceito se desenvolveu no Brasil, e os principais marcos
históricos nesta questão.

Em segundo momento, compreendemos o processo de industrializa-


ção no Brasil e a relação deste processo com as preocupações no âmbito
da Segurança e Saúde do trabalhador.
Por fim, entendemos como se deu as consolidações das leis trabalhis-
tas no Brasil e verificamos alguns marcos históricos sobre a questão.
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A proposta desta 2ª fase é capacitá-lo para que consiga identificar os
preceitos que regem a segurança do trabalho, bem como os conceitos de
prevencionismo no Mundo. Além disso, também visa, capacitá-lo a enten-
der de que forma esses conceitos surgiram e são trabalhados no Brasil. Es-
gotando o tema história do prevencionismo, o conteúdo passa a trabalhar
as questões que regem as atribuições profissionais de um Engenheiro de
Segurança do Trabalho, a partir do sistema CONFEA/CREA.

Portanto, nesta fase você já está apto a dialogar sobre o prevencionis-


mo, em âmbito Mundial e sobre a criação da OIT.

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1) ENGENHEIRO DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO
CONTEXTO NACIONAL?
No Brasil, a profissão é regulamentada pela lei 7.410, de 27 de novem-
bro de 1985, que dispôs sobre a especialização, em nível de pós-graduação,
de engenheiros e arquitetos em engenharia de segurança do trabalho.

O engenheiro de segurança ou engenheiro de segurança do trabalho


é todo engenheiro, arquiteto ou agrônomo que possui curso de especializa-
ção em engenharia de segurança do trabalho. O engenheiro de segurança,
assim como, o Engenheiro de Segurança Industrial tem atribuição, de acor-
do com o CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, de controlar per-
das de processos, produtos e serviços ao identificar, determinar e analisar
causas de perdas, estabelecendo plano de ações preventivas e corretivas;
desenvolver, testar e supervisionar sistemas, processos e métodos produ-
tivos, gerenciar atividades de segurança do trabalho e do meio ambiente,
planejar empreendimentos e atividades produtivas e coordenar equipes,
treinamentos e atividades de trabalho.

Apesar do curso de graduação em Engenharia de Segurança do Tra-


balho ser bem recente, com reconhecimento e aprovação do MEC no ano
de 2014 (Portaria Nº 546, de 12 de setembro de 2014), a especialização já se
faz presente há muito tempo.
Inicialmente, antes do reconhecimento da graduação, o título de enge-
nheiro de segurança do trabalho, inclusive aceito pelo CREA, era advindo
de uma especialização (pós-graduação) feita após a conclusão de algum
curso de Engenharia ou Arquitetura.
Ou seja, para assinar projetos e realizar laudos como engenheiro de se-
gurança do trabalho é obrigatório que, antes da especialização, você seja
graduado em Engenharia ou Arquitetura (qualquer modalidade).

Caso contrário, sendo graduado em outra área, torna-se especialista


em segurança do trabalho, não possuindo embasamento legal para ela-
borar laudos, o que torna a formação sem finalidade no final das contas.

Reconhecidas pelo MEC, as especializações somam mais de 400 em


todo o país e ainda oferecem registro pelo CREA, mesmo com o surgimento
das graduações na área. Para muitos, essa ainda é a melhor opção atu-
almente. O curso de Engenharia de Segurança do Trabalho apresenta, no
caso da graduação, uma base formada pelas disciplinas de Matemática,
Física e principalmente Química.

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Porém, as áreas de ética, legislação e administração aplicadas em
Engenharia de Segurança do Trabalho estão presentes tanto na gradua-
ção quanto na pós-graduação.
Outras matérias mais específicas encontradas na grade são:

Controle de Ruído Industrial / Ventilação Industrial;


Prevenção e Controle de Riscos;
Higiene Industrial;
Legislação Trabalhista e Normas Técnicas e Regulamentadoras;
O Ambiente e Doenças no Trabalho / Psicologia do Trabalho;
Prevenção de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações;
Proteção do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;
Proteção, Monitoramento e Controle contra Incêndio e Explosões;
Toxicologia Industrial.

Para ambos, é necessário o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC),


contudo o estágio não é obrigatório nas especializações em muitas institui-
ções.
O engenheiro de segurança do trabalho pode atuar em diversas áreas,
como nas indústrias de construção civil, químicas e petroquímicas, minera-
doras, alimentícias, siderúrgicas, metalúrgicas e farmacêuticas.

Isso acontece pois é necessário, principalmente no ambiente de tra-


balho industrial, onde diversos acidentes podem acontecer, um cuidado
com a vida e com a saúde dos trabalhadores.
Sendo assim, o engenheiro de segurança irá realizar o planejamento de
prevenção a acidentes dentro da empresa, além de fiscalizar o cumpri-
mento das NRs (Normas Regulamentadoras).

É importante lembrar que não há preocupação apenas com a integri-


dade física e mental do funcionário, como também com o cuidado com o
meio ambiente, evitando vazamentos e outros percalços.

Dessa maneira, além de elaborar e supervisionar planos de prevenção


de riscos ambientais e acidentes, cabe ao profissional fiscalizar os equipa-
mentos de segurança e higiene do trabalho, gerar laudos técnicos, planejar
atividades de ergonomia e orientar a CIPA (Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes) da empresa.

Além disso, o engenheiro de segurança do trabalho também pode re-


alizar treinamentos e assessorar empresas que precisam de orientação no
ramo da sua especialidade, inspecionando as instalações, a produção e

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todos os componentes e materiais utilizados nos processos.

Vale lembrar que o cuidado com o trabalhador não é apenas se tra-


tando de grandes acidentes, mas também com pequenos danos que po-
dem surgir com o tempo, devido a fatores como a geração de ruídos, al-
gum contato com substância tóxica e trabalhos repetitivos e insalubres.

Há de se dizer que as dificuldades e os desafios dos profissionais de


segurança do trabalho são enormes e múltiplos. Vejamos algumas delas:
1) Primariamente, estes profissionais atuam como “bombeiros” apa-
gando incêndios. Incêndios estes decorrentes da baixa ênfase em segu-
rança de instalações industriais na fase de concepção, engenharia e pro-
jetos. Diferente da abordagem ambiental em que os empreendimentos
potencialmente poluidores e de alto potencial de impacto ambiental são
obrigatoriamente submetidos a um estudo de impacto ambiental e a um
processo rigoroso de licenciamento ambiental. Será que se tivéssemos a
mesma abordagem nos empreendimentos no que se refere a um “licen-
ciamento ocupacional” seríamos capazes de diminuir as perdas de vida e
qualidade de vida no trabalho?
2) Outro aspecto que dificulta o trabalho desses profissionais é a ar-
caica percepção por parte do empresariado de que segurança é centro
de custo! A começar por ser obrigado por lei a ter nos seus quadros profis-
sionais de segurança do trabalho. Como consequência tem-se a enorme
dificuldade de justificar e aprovar investimentos em prevenção e melhorias
no ambiente de trabalho. Sabidamente, prevenção requer recursos, mas
não é difícil demonstrar que segurança é um investimento e que, portanto,
prevenção é uma forma de melhorar a rentabilidade do negócio porque
gera retorno, gera lucro a médio prazo.
3) possivelmente em decorrência disto, uma fatia significativa das
empresas ainda adota a conduta essencialmente legalista e menos pre-
vencionista, com a crença de que segurança é de responsabilidade do
profissional de segurança e não dos gestores e donos de processos. A con-
sequência disto é que o profissional de segurança acaba se transforman-
do num “missionário” tentando convencer e conscientizar as pessoas das
empresas, inclusive os empregados, a importância do trabalho seguro, a
importância de preservar a sua própria vida e a sua qualidade de vida no
trabalho.
4) outro aspecto dificultador é a abordagem na condução da gestão
de segurança e na prevenção com foco na reatividade. Isto é, coloca-se
muita ênfase na investigação de incidentes, nas inspeções, no relato de
não conformidade ocupacional, no acompanhamento físico do trabalho
pelo profissional de segurança como “olheiro”, “fiscal”. Não que estas ações

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sejam irrelevantes, mas abordagem reativa não promove individualmente
o trabalho seguro.
5) é fundamental aprender com nossos erros! E um acidente é uma
caixa de erros! Mas só aprender errando é doloroso, cruel, dispendioso e
as conquistas de um ambiente de trabalho seguro por este caminho pode
durar uma eternidade.
6) A baixa cultura de antecipação dos problemas em relação à Se-
gurança é um desafio e uma barreira do trabalho do profissional de segu-
rança do trabalho. Antecipar significa ser proativo, gerenciar efetivamente
o risco, abandonar os indicadores reativos da segurança do trabalho (taxa
de frequência e taxa de gravidade) como orientadores das ações de pre-
venção e adotar indicadores de risco como instrumento de orientação es-
tratégica da abordagem de prevenção de acidentes. Sabidamente, várias
empresas no Brasil são certificadas em OHSAS 18001, e assim sendo, elas
têm necessariamente que evidenciar o mapeamento de perigos e a ava-
liação de risco. No entanto, sabemos também que inúmeros sistemas de
Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional apoiados nesta norma existem
apenas no papel e com o propósito maior de ostentar um certificado e não
necessariamente de prevenir acidentes e doenças ocupacionais.

2) ÉTICA PROFISSIONAL E O EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO


Ao desenhar a planta para a reforma da sala do terceiro andar do
Edifício Liberdade – um dos três que desabaram no Centro -, ou ao assumir
a obra do nono andar, no mesmo prédio, que mudou o banheiro de lugar,
a funcionária Cristiane Azevedo e o pedreiro Alexandre da Silva Fonseca
podem ter exercido ilegalmente a profissão de engenheiro, mas não come-
teram crime algum. Para a legislação brasileira, o exercício ilegal de profis-
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são só é crime no caso de médicos, dentistas e farmacêuticos. Para todas
as outras profissões – incluindo aí a engenharia civil -, trata-se apenas de
contravenção penal. O artigo 47 do decreto-lei 3.688 de 1941 (que trata de
contravenções) prevê para esses casos uma pena de prisão simples, de 15
dias a três meses, ou multa.

Talvez por causa de sua pequena gravidade para a lei, esse tipo de
delito seja tão comum: em um ano apenas (de janeiro de 2011 a janeiro de
2012), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) no-
tificou 1.948 pessoas e empresas por exercício irregular de profissão, o que
levou à emissão de 441 autos de infração. Na Justiça do Rio, no mesmo pe-
ríodo, por causa da mesma contravenção, deram entrada 1.462 processos
nos juizados especiais criminais. A maioria, no entanto, se referia a outras
categorias: foram ações contra falsos taxistas, professores de educação
física, servidores públicos e advogados.

– O exercício ilegal de profissão, previsto no artigo 282 do Código Pe-


nal, só vale para o caso de médicos, dentistas e farmacêuticos. Para o res-
tante, é mera contravenção – reforça o juiz Murilo Kieling, do III Tribunal do
Júri.
Especialista em processo penal, Kieling alerta, no entanto, que, apesar de
o exercício ilegal de profissão ser considerado apenas uma contravenção,
sua consequência poderá ser um crime grave:

– Se você monta um escritório de arquitetura sem ser arquiteto, isto é


uma contravenção. Mas, se isso gerar dano, é outro delito. E pode se agra-
var muito.
De acordo com o magistrado, o artigo 13 do Código Penal estabelece que o
crime é imputado não só a quem o causou pela ação, como também pela
omissão:

– Se o falso arquiteto faz a planta e a casa cai, matando alguém, en-


tão ele vai responder pela contravenção, mas também por homicídio dolo-
so. Os parágrafos 2 e 3 do artigo 13 estabelece que a omissão é penalmente
relevante quando o omitente (a pessoa que se omite) devia e podia agir
para evitar o resultado; quando, de alguma forma, assumiu a responsabili-
dade de impedir o resultado; ou quando, com seu comportamento anterior,
criou o risco da ocorrência do resultado.

Já em 2018, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania


(CCJ) aprovou o Projeto de Lei 6699/02, que acrescenta ao Código Penal o
crime de exercício ilegal das profissões de engenheiro, agrônomo e arqui-

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teto. O projeto, do ex-deputado José Carlos Coutinho, estabelece pena de
seis meses a dois anos de detenção para quem infringir a lei.
A proposta foi aprovada na forma do substitutivo apresentado pelo relator,
deputado Luciano Zica (PT-SP). O substitutivo apenas ajusta a redação do
projeto original, sem alterar o mérito.De acordo com o autor, é necessária
uma coerção maior para impedir que as pessoas exerçam ilegalmente es-
sas profissões.
Hoje, a contravenção penal é punida com prisão simples de 15 dias a três
meses ou multa.
Segundo a proposta, a pena será de seis meses a dois anos de detenção. O
projeto diferencia a situação de o crime ser cometido com intenção de lu-
cro, que pode acarretar multa de vinte salários mínimos, ou gratuitamente.

O relator afirmou que a prática dessas profissões é limitada aos pro-


fissionais que têm formação e qualificação adequadas porque se trata de
proteção da sociedade. “Seja na condução de uma obra, no cálculo estru-
tural de uma edificação ou mesmo na emissão de um receituário agronô-
mico, como o de uso de agrotóxicos, a responsabilidade e o conhecimento
técnicos se fazem necessários”, argumentou.
A proposta original incluía no rol de profissões também as atividades
de médico, dentista e farmacêutico. Porém, o Código Penal já prevê como
ilícito o exercício ilegal dessas profissões. Assim, o relator apresentou subs-
titutivo, acrescentando unicamente as atividades ainda não incluídas.

3) CONCLUSÃO
É dado o momento em que começamos a trilhar o caminho pelas
atribuições profissionais do Engenheiro de Segurança do Trabalho. A partir
daí, vimos as resoluções e leis que regulamentam a profissão.
Vimos também as consequências do exercício ilegal da profissão,
bem como os desafios que o Engenheiro de Segurança terá que enfrentar
no mercado e os documentos que constituem o conjunto de requisitos le-
gais para desenvolvimento de um projeto de Engenharia.
Nesta fase, a proposta é torná-lo capaz de identificar os requisitos le-
gais para um projeto de Engenharia, bem como o conjunto de atribuições
profissionais adquiridas através da formação em Engenharia de Segurança
do Trabalho.
A proposta aqui é criar um texto, totalmente autoral, que vise compilar
as informações sobre as atribuições do profissional de Engenharia de Se-
gurança, que deverá compor o banner que tem como intuito estabelecer
um olhar em crianças e jovens, no que diz respeito a importância da Segu-
rança e Saúde do Trabalhador.

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PROJETO
Descrição do Projeto: O Projeto será dividido em fases, onde teremos o
objetivo de aprendizagem de cada fase.

Fase 1 – Objetivo: Compreender os conceitos que regem as ações do


prevencionismo, destacando o surgimento dessas ações em contexto Mun-
dial.

Fase 2 – Objetivo: Identificar situações que podem motivar o desen-


volvimento de Normas Regulamentadoras, frente ao cenário Nacional.

Fase 3– Objetivo: Identificar os conceitos referentes às atribuições pro-


fissionais do profissional Engenheiro de Segurança do Trabalho, assim como
o conjunto de documentos necessários em um projeto desta natureza.

Entrega final: Sintetizar o contexto histórico profissional Engenheiro de


Segurança do Trabalho, desde o início do prevencionismo, até a atualidade.

O que o aluno irá entregar :

Fase 1: Assimilação do Aprendizado – Quiz 1


Fase 2: Assimilação do Aprendizado – Quiz 2
Fase 3: Assimilação do Aprendizado – Quiz 3
Entrega final: Desenvolver um banner, a partir do template disponibilizado
na plataforma, de maneira a compilar todos os conceitos trabalhados.
OBS.: Os arquivos devem ser enviados todos juntos para o e-mail
avaliacao@libanoeducacional.com.br

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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