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AO JUÍZO DO SEGUNDO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA

COMARCA DE CUIABÁ – MT.

ENOCK CAVALCANTI DA SILVA, qualificado nos autos,

por intermédio de seu procurador que ao final assina, vem, mui

respeitosamente perante Vossa Excelência para, no prazo legal e nos

termos do artigo 30 da Lei 9.099/95, apresentar CONTESTAÇÃO,

em face dos pedidos formulados em ação de indenização por danos

morais proposta por ROSELY CONCEIÇÃO DE ARRUDA FERRI,

mediante as razões de fato e de direito a seguir expostas:

a) Síntese processual:

1. Novamente, repetindo os mesmos fatos e argumentos tecidos

nos autos da ação nº. 1018789-49.2020.8.11.0001 que tramitou

perante este Juízo, busca-se tutela de urgência cumulado com


pedido de danos morais para retirar do sistema opiniões e matérias

relativas a passeata realizada no dia 19 de abril de 2020, onde a

Requerente desfilou à baila clamando pelo AI-5 e fechamento das

instituições democráticas à frente do 44º Batalhão de Infantaria


2

Motorizada com o seguinte tema, aqui retratado fotograficamente:

2. Com base neste evento é que a Requerente alega ter sido

ofendida moralmente pelo Contestante em virtude de opinião

reportada em sua página eletrônica, com o argumento de ser

pejorativo o título “Devemos ter piedade da velha senhora que

perdeu o rumo”.
3. Destaca que o Contestante em sua página do Facebook com o

intuito de “degradar” a imagem da Requerente marcou diversos

jornalistas em sua postagem, “o bafão da velha senhora”, o que


3

provocou comentários de internautas que a seu juízo “denegriram” a

sua imagem, justificando, dessa forma, a pretensão de ser

indenizada por danos morais.

4. Audiência de conciliação realizada em 14 de fevereiro de 2022,

sem êxito.

5. O pedido de tutela de urgência não foi analisado.

6. Eis a síntese processual.

b) Do mérito da contestação:

7. Em recente episódio que pautou o debate público nacional

acerca dos limites da liberdade de expressão, o youtuber e sócio

apresentador do programa “Flow podcast”, Bruno Aiub, o Monark,

foi excluído da sociedade empresarial após defender abertamente a


“legalização de um partido nazista no Brasil1”, motivando,

ainda, o seu indiciamento por apologia ao nazismo2, previsto na Lei

nº. 7.716/89.

8. Pois bem, longe de igualar a defesa da legalização de um

partido nazista em solo nacional com aqueles que bailam em

avenida pública e à frente de um quartel3, clamando pela volta do

AI-5 e o fechamento da Suprema Corte, fato é que ambos

comportamentos possuem a mesma razão: “aniquilar a

Democracia e os direitos fundamentais”.

9. Ao argumento de estarem exercendo a liberdade de expressão,

tanto aqueles que apologizam o nazismo quanto aqueles que

defendem a supressão dos direitos fundamentais, ventilam para

além de ideias, ações destinadas ao sepultamento do Estado

Democrático de Direito, inclusive, engendrando uma rede de

disseminação de mentiras, cujo propósito é a propagação das

1
https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/02/08/flow-anuncia-a-demissao-do-apresentador-
monark-apos-apologia-ao-nazismo.htm, acessado em 15 de fevereiro de 2022.
2
https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2022-02-09/policia-sp-investigar-monark-flow-podcast-
apologia-nazismo.html, acessado em 15 de fevereiro de 2022.
3
https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=469571&edt=37&noticia=novo-ai-5&edicao=1,
acessado em 15 de fevereiro de 2022.
mesmas ideias defendidas no dia 19 de abril de 2020 à frente

do quartel em Cuiabá-MT.

10. É por tais eventos que o Supremo Tribunal Federal com o fim 5

de impor freios a manipulação da liberdade de expressão instaurou

o inquérito4 das “Fake News”, cuja relatoria é do Ministro Alexandre

de Moraes, tudo para o fim de encerrar a névoa totalitarista que

encobre a sociedade brasileira pautando o debate político.

11. Tais episódios, incluindo aquele em que a Requerente

participou no dia 19 de abril de 2020, traz à baila o pensamento de

Karl Popper em a “Sociedade Aberta e Os seus inimigos” que, em

síntese, ensina o paradoxo da tolerância: a tolerância ilimitada leva

ao desaparecimento da tolerância.

“Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são

intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante

contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a

tolerância junto destes”.

4
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/6-pontos-para-entender-a-investigacao-de-fake-news-no-stf-
que-chegou-a-bolsonaro/, acessado em 15 de fevereiro de 2022.
12. Portanto, defender legalização de partido nazista como fez

Bruno Aiub, o Monark ou mesmo pedir, clamar e passear para a

instituição de um AI-5 e fechamento do Supremo Tribunal Federal,

isto é, de todo o Poder Judiciário como fez a Requerente não 6

podem ser tolerados e devem ser de todas as formas

energicamente censurados, até mesmo para que a própria


Requerente, e outros, sigam tendo a oportunidade democrática de

recorrerem ao Judiciário para pacificar suas possíveis demandas.

13. Assim, Excelência, é nessa quadra que a Requerente busca

condenar o Contestante por sua opinião publicada em seu sítio

eletrônico em que realizou uma crítica contundente e satírica

daqueles que hasteiam a bandeira da intolerância e do totalitarismo.

14. O Supremo Tribunal Federal já enfrentou matéria similar ao

presente caso e assegurou ao exercício do jornalismo o direito à

expender críticas em tom contunde e desfavorável5 a qualquer

pessoa ou autoridade!

15. A opinião do Contestante, jornalista independente, teve como

escopo contrastar o discurso de ódio – “hate speech” – contra a

5
Pet 3.486/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO
Democracia com a volta de um novo AI-5 externado pela

Requerente. Este foi o objeto da opinião publicada!

16. Não se objetivou causar dor, sofrimento, aflição ou mesmo a


7
degradação da persona Rosely, o que descaracteriza, dessa forma, o

ânimo de ofender e difamar, pressupostos da responsabilidade por

dano moral.

17. Nesse sentido, no Recurso Extraordinário nº. 722.744/DF, de

relatoria do Min. CELSO DE MELLO, a Suprema Corte assim

ponderou, in verbis:

18. Como efeito, a acidez crítica ilustrada pela expressão “bafão”

traduz a ideia de baixaria, comportamento vergonhoso, um

escândalo, que foi o que efetivamente aconteceu naquele dia 19 de


abril de 2020 com a ativa participação da Requerente. Logo, o fato

existente e verdadeiro sobre o qual foi narrado pelo Contestante não

pode ser passível de condenação cível, eis que albergado pela

liberdade de expressão, segundo melhor intelecção do Supremo


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Tribunal Federal.

19. A ideia trazida pelo Contestante em sua página foi um convite

à promover uma reflexão sobre o comportamento da Requerente

que publicamente e acintosamente, em total desrespeito às milhares

de vítima do Ato Institucional nº. 5, bailou em delírio com sua grei

por ditadura e eliminação do outro, na melhor acepção da lógica

neofascista que fecunda esses comportamentos.

20. Aliás, o convite a reflexão, feito diligentemente pelo jornalista,

em seu mister, citou expoentes cuiabanos, jornalistas e advogados,

que foram perseguidos pelo AI-5 que a Requerente verberou no

putsch da lavapés da qual participou ativamente.


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21. Acaso não é uma vergonha defender tais atos?

22. Como luva, portanto, é o respectivo precedente do Supremo

Tribunal Federal, in verbis:

LIBERDADE DE INFORMAÇÃO - DIREITO DE CRÍTICA -


PRERROGATIVA POLÍTICO-JURÍDICA DE ÍNDOLE
CONSTITUCIONAL - MATÉRIA JORNALÍSTICA QUE EXPÕE FATOS
E VEICULA OPINIÃO EM TOM DE CRÍTICA - CIRCUNSTÂNCIA QUE
EXCLUI O INTUITO DE OFENDER - AS EXCLUDENTES ANÍMICAS
COMO FATOR DE DESCARACTERIZAÇÃO DO “ANIMUS
INJURIANDI VEL DIFFAMANDI” - AUSÊNCIA DE ILICITUDE NO
COMPORTAMENTO DO PROFISSIONAL DE IMPRENSA -
INOCORRÊNCIA DE ABUSO DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO
DO PENSAMENTO - CARACTERIZAÇÃO, NA ESPÉCIE, DO
REGULAR EXERCÍCIO DO DIREITO DE INFORMAÇÃO - O DIREITO
DE CRÍTICA, QUANDO MOTIVADO POR RAZÕES DE INTERESSE
COLETIVO, NÃO SE REDUZ, EM SUA EXPRESSÃO CONCRETA, À
DIMENSÃO DO ABUSO DA LIBERDADE DE IMPRENSA - A
QUESTÃO DA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO (E DO DIREITO DE
CRÍTICA NELA FUNDADO) EM FACE DAS FIGURAS PÚBLICAS OU
NOTÓRIAS - JURISPRUDÊNCIA – DOUTRINA - JORNALISTA QUE
FOI CONDENADO AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO CIVIL POR
DANOS MORAIS - INSUBSISTÊNCIA, NO CASO, DESSA
CONDENAÇÃO CIVIL - IMPROCEDÊNCIA DA “AÇÃO
INDENIZATÓRIA” – VERBA HONORÁRIA FIXADA EM 10% (DEZ 10
POR CENTO) SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CAUSA -
RECURSO DE AGRAVO PROVIDO, EM PARTE, UNICAMENTE NO
QUE SE REFERE AOS ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. - A liberdade de
imprensa, enquanto projeção das liberdades de comunicação e de
manifestação do pensamento, reveste-se de conteúdo abrangente, por
compreender, dentre outras prerrogativas relevantes que lhe são
inerentes, (a) o direito de informar, (b) o direito de buscar a informação,
(c) o direito de opinar e (d) o direito de criticar. - A crítica jornalística,
desse modo, traduz direito impregnado de qualificação constitucional,
plenamente oponível aos que exercem qualquer atividade de interesse da
coletividade em geral, pois o interesse social, que legitima o direito de
criticar, sobrepõe-se a eventuais suscetibilidades que possam revelar as
pessoas públicas ou as figuras notórias, exercentes, ou não, de cargos
oficiais. - A crítica que os meios de comunicação social dirigem às pessoas
públicas, por mais dura e veemente que possa ser, deixa de sofrer, quanto
ao seu concreto exercício, as limitações externas que ordinariamente
resultam dos direitos de personalidade. - Não induz responsabilidade
civil a publicação de matéria jornalística cujo conteúdo divulgue
observações em caráter mordaz ou irônico ou, então, veicule opiniões em
tom de crítica severa, dura ou, até, impiedosa, ainda mais se a pessoa a
quem tais observações forem dirigidas ostentar a condição de figura
pública, investida, ou não, de autoridade governamental, pois, em tal
contexto, a liberdade de crítica qualifica-se como verdadeira excludente
anímica, apta a afastar o intuito doloso de ofender. Jurisprudência.
Doutrina. - O Supremo Tribunal Federal tem destacado, de modo
singular, em seu magistério jurisprudencial, a necessidade de preservar-
se a prática da liberdade de informação, resguardando-se, inclusive, o
exercício do direito de crítica que dela emana, por tratar-se de
prerrogativa essencial que se qualifica como um dos suportes axiológicos
que conferem legitimação material à própria concepção do regime
democrático. - Mostra-se incompatível com o pluralismo de idéias, que
legitima a divergência de opiniões, a visão daqueles que pretendem
negar, aos meios de comunicação social (e aos seus profissionais), o
direito de buscar e de interpretar as informações, bem assim a
prerrogativa de expender as críticas pertinentes. Arbitrária, desse modo,
e inconciliável com a proteção constitucional da informação, a repressão
à crítica jornalística, pois o Estado – inclusive seus Juízes e Tribunais –
não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias e sobre as
convicções manifestadas pelos profissionais da Imprensa. Precedentes 11
do Supremo Tribunal Federal. Jurisprudência comparada (Corte
Européia de Direitos Humanos e Tribunal Constitucional Espanhol).
(AI 705630 AgR, Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em
22/03/2011, DJe-065 DIVULG 05-04-2011 PUBLIC 06-04-2011 EMENT VOL-02497-02 PP-

00400 RT v. 100, n. 909, 2011, p. 435-446)

23. A lume do exposto, é de todo inconstitucional qualquer sanção

cível sobre a matéria publicada pelo colunista.

24. De igual modo, ombreando a opinião do Contestante, a

OAB/MT exarou nota de repúdio às ideias defendidas por essa grei,

in verbis:

"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes


eleitos ou diretamente". Assim estabelece o parágrafo único do primeiro
artigo da Constituição da República. O Estado Democrático Brasileiro,
estabelecido na primeira linha da Carta Magna, norteando todos os
pilares da nação é representado por três poderes independentes e
harmônicos. O poder emanado do povo é exercido, de forma
representativa, por escolha em voto soberano e universal, de
representantes para os cargos nos Poderes Executivo e Legislativo, sendo
neste segundo concentrada a representatividade difusa, sendo o
pluralismo político um dos fundamentos da República Federativa do
Brasil destacado no artigo 1º da Constituição Federal. A Lei 8.906/94,
elaborada, sancionada, aprovada e submetida ao controle de
constitucionalidade de todos os poderes do Brasil determina, no inciso I
do seu artigo 44, que é finalidade da Ordem dos Advogados do Brasil
defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático de
Direito, os direitos humanos e a justiça social. Portanto, diante de seu
dever legal, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso
(OAB-MT) reitera que trabalha de forma permanente e intransigente em
defesa da Constituição e seus preceitos. Acima de qualquer dever legal,
está ainda a consciência cidadã que faz da Ordem, em todo seu histórico 12
de luta pelas liberdades individuais e garantias sociais, representante da
sociedade civil organizada, colocando-se, assim, vigilante contra
qualquer ato atentatório à quaisquer dos princípios fundamentais do
Estado Democrático de Direito. Por mais excepcional e delicado que seja
o momento vivenciado em todo o mundo em razão da pandemia
provocada pelo coronavírus, as adversidades não nos permitem esquecer
um dos momentos mais sombrios de nossa história recente, quando
direitos foram brutalmente cassados de cada cidadã e cidadão brasileiro.
Pelo contrário, a situação excepcional nos exige um Estado fortalecido,
onde a sociedade tenha a garantia de exercer seu poder, com direitos
respeitados e assegurados. É inaceitável e inadmissível, portanto, ainda
que por meio de manifestação de parte da população, o afastamento de
qualquer preceito constitucional e democrático, o que nos faz repudiar
veementemente qualquer menção ao Ato Institucional 5 (AI-5),
dissolução de poderes constituídos e cerceamento de direitos e
liberdades individuais.”

25. Referida nota de repúdio além de ser pertinente, ilustra o quão

abominável é o comportamento daqueles que se expõem

publicamente a defender ideais e ações antidemocráticas.

26. Assim, incabível, senão dizer, intolerável reconhecer como

ofensa ou mesmo ato ilícito as publicações subscritas pelo

Contestante que tinham como escopo abordar a temática do


totalitarismo e convidar a reflexão de seus leitores a censurar

àqueles que desejam o fim da democracia.

27. Não há no folhetim inverdades sobre o fato envolvendo a


13
Requerente, eis que o noticiado se deu em via pública, com ampla

divulgação nas redes sociais e passeata pelas principais avenidas de

Cuiabá-MT, motivo de cobertura jornalística por diversos outros

veículos da capital.

28. O folhetim abordou em seu tema a participação de uma pessoa

pública, afinal, a Requerente é jornalista e autora de colunas sociais

em jornais de destaque no Estado há vários anos. Vale dizer é pessoa

que faz do seu ofício falar de coisas públicas, da vida alheia, da

vida social de Cuiabá-MT e Mato Grosso, de modo que é


pessoa afeta e acostumada à exposição pública. Por sua vez, o

folhetim discorreu sobre fato que se deu na esfera pública, distante

do seu ambiente privado ou íntimo.

29. O folhetim tratou sobre tema de interesse público, afinal,

denunciar, noticiar, repudiar e emitir juízo negativo as

manifestações atentatórias a Democracia e ao Estado Democrático

de Direito, com horripilante ideias neofacistas é dever cívico, pois,


como destacado, “a tolerância ilimitada leva ao

desaparecimento da tolerância” (Popper).

30. A exaltação da barbárie não pode ser premiada com a


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condenação daqueles que a denunciam na defesa intransigente dos

direitos fundamentais!

31. Pela doutrina e jurisprudência de escol, o dano moral é

conceituado e exclusivamente como aquele que abala a honra e a

dignidade humana, sendo exigido para sua configuração um

impacto psicológico, humilhação ou severo constrangimento, o que

não resta evidenciado no fato apurado.

32. Ora, quem se dispõe a protagonizar um show de intolerâncias

em via pública, clamando pelo fim da democracia e, inclusive,

fechamento do STF e de todo nosso Poder Judiciário, certamente se

expõe ao crivo da crítica popular se sujeitando a suas diversas

conotações.

33. Assim, não há se falar em abalo ou dano moral, pois, repisa-se,

o direito fundamental a liberdade de expressão garante ao jornalista

o direito a expender crítica em tom contundente contra quaisquer

pessoas ou autoridades!
34. Por sua vez, sobre os comentários levados a efeito pelos

internautas na página do Facebook do Contestante, totalmente

incabível a pretensão, afinal, gize-se que àquele que

deliberadamente em praça pública com chapeleta circense pede o


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AI-5, certamente estará sujeita a críticas de diversas conotações,

afinal, repisamos, tal fato fora reportado por diversos meios de

comunicação.

35. Portanto, não merece acolhimento a pretensão da Requerente,

devendo pelas razões expostas ser julgado improcedente o pedido

de condenação cível do Contestante.

c) Da tutela de urgência:

36. Sobre o pedido de tutela de urgência formulado é de todo

incabível, pois a mesma matéria e pedido já fora julgado nos autos

da ação nº. 1018789-49.2020.8.11.0001 que tramitou neste Juízo, cuja

decisão liminar fora considerada violadora de direito líquido e certo

nos autos do Mandado de Segurança nº. 1000389-38.2020.8.11.9005,

julgado pela Turma Recursal, em decisão assim ementada, in verbis:

MANDADO DE SEGURANÇA. ATO JUDICIAL. LIMINAR DEFERIDA.

DETERMINAÇÃO DE RETIRADA DE MATÉRIA VEICULADA EM

SÍTIO ELETRÔNICO. LIBERDADE DE EXPRESSÃO E INFORMAÇÃO.


DIREITO FUNDAMENTAL POSITIVADO COM GARANTIA DE

CLÁUSULA PÉTREA. IMPOSSIBILIDADE DE CENSURA POR ÓRGÃO

DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SITUAÇÃO EXTENSÍVEL AO

JUDICIÁRIO. NÃO-VERIFICAÇÃO APRIORÍSTICA DE EXCESSOS

QUE JUSTIFIQUEM A RETIRADA LIMINAR. CONFIGURAÇÃO DE 16

DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SEGURANÇA CONCEDIDA. Mandado

de Segurança impetrado contra decisão do juízo a quo que deferiu a

retirada de matéria veiculada em sítio eletrônico. Objeto do mandamus

é o deferimento da liminar, com a concessão da segurança para

suspender o ato judicial coator praticado. Liminar deferida

determinando a suspensão da decisão atacada. A Constituição Federal

em seu art. 5º assegura direitos e deveres individuais e coletivos, os quais

ressalto os incisos IV, V, IX, X, XIII, XV e art. 220, § 1º. É livre a

manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato, art. 5º, IV da

CF.A liberdade de informação e de expressão é um direito humano da

primeira dimensão, com a finalidade de limitar a atividade estatal à

atuação de imprensa. Não verificação de situação excepcional apta a

sustentar o ato coator. Impossibilidade de censura por Órgão Público.

No julgamento da ADPF 130, o STF proibiu enfaticamente a censura de

publicações jornalísticas, bem como tornou excepcional qualquer tipo de

intervenção estatal na divulgação de notícias e de opiniões) Rcl 22328,

Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em

06/03/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-090 DIVULG 09-05-2018

PUBLIC 10-05-2018). O uso abusivo da liberdade de expressão deve ser

apurado entre outros meios na esfera dos danos morais, caso seja

configurado. Segurança concedida para ratificar a liminar.


37. A guisa do exposto, o pedido de tutela de urgência deve ser

indeferido.

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d) Dos Pedidos:

Diante de todo o exposto requer seja recebida e processada a

presente Contestação para o fim de julgar improcedente todos

os pedidos formulados.

Requer, por fim, sejam todos os atos de comunicação processual

endereçadas exclusivamente em nome de Diogo Peixoto

Botelho, OAB/MT 15.172.

N. Termos,

P. Deferimento.

Cuiabá-MT, 18 de fevereiro de 2022.

(assinatura eletrônica)

DIOGO PEIXOTO BOTELHO

OAB/MT nº. 15.172

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