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A IMPORTÂNCIA DA INSERÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO DISCIPLINA CURRICULAR NO ENSINO FUNDAMENTAL

INSERTION OF THE IMPORTANCE OF ENVIRONMENTAL EDUCATION AS DISCIPLINE IN BASIC EDUCATION CURRICULUM

RESUMO

Francisca Dorotéa Taumaturgo Matias * Esdras Jedaias Souza** Ivone Saldanha de Souza*** Paula de Castro Alencar****

A interação entre o homem e o ambiente ultrapassou a questão da simples sobrevivência. No decorrer deste século, para se atender as necessidades humanas foi-se desenhando uma equação desbalanceada: retirar, consumir e descartar. Ao contrário de outros seres vivos que, para sobreviverem, estabelecem naturalmente o limite de seu crescimento e conseqüentemente o equilíbrio com outros seres e o ecossistema onde vivem a espécie humana tem dificuldade em estabelecer o seu limite de crescimento, assim como para relacionar-se com outras espécies e com o planeta. Fica evidente a importância de sensibilizar os humanos para que ajam de modo responsável e com consciência, conservando o ambiente saudável no presente e para o futuro. Entendendo-se por educação ambiental os processos por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Este trabalho aborda a importância da inserção da Educação Ambiental com disciplina curricular no Ensino Fundamental. Considerando a importância da temática ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e no espaço, sobressaem-se as escolas, como espaços privilegiados na inserção destas atividades em seu currículo. A escola dentro da Educação Ambiental deve sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente e as demais espécies que habitam o planeta, auxiliando-o a analisar criticamente os princípios que tem levado à destruição inconseqüente dos recursos naturais e de várias espécies. Este trabalho aborda a importância da inserção da Educação Ambiental com disciplina curricular no Ensino Fundamental. Desenvolvendo assim, as competências e valores que conduzirão a repensar e avaliar de outra maneira as suas atitudes diárias e as suas conseqüências no meio ambiente em que vivem.

Palavras-chave:

consciência.

Educação

Ambiental;

sustentabilidade;

currículo;

escola;

* Bióloga; pós-graduanda em Gestão Ambiental FVJ; Professora do EJA ** Pedagogo; pós-graduando em Gestão Ambiental FVJ; Secretário do Colégio Ebenézer. ***Bióloga; pós-graduanda em Gestão Ambiental FVJ; Professora de Biologia. **** Pedagoga; pós-graduanda em Gestão Ambiental FVJ;

ABSTRACT

The interaction between man and the environment passed the question of simple survival. Throughout this century, to meet human needs was by drawing an unbalanced equation: withdraw, consume and discard. Unlike other living things to survive, establish naturally limit their growth and consequently the balance with other living beings and the ecosystem in which the human species have difficulty in establishing their limit of growth, and to relate to other species and the planet. It is evident the importance to sensitize humans to act responsibly and conscientiously, keeping healthy environment for present and future. The understanding of environmental education processes through which the individual and the community social values, knowledge, skills, attitudes and skills aimed at environmental conservation and use of common people, essential to a healthy quality of life and its sustainability. This paper discusses the importance of integrating environmental

education with curriculum subject in elementary school.

Considering the importance

of environmental issues and integrated vision of the world, in time and space, the schools stand out, as privileged in the insertion of these activities into your

curriculum.

The school within the Environmental Education should sensitize the

student to seek values that lead to a harmonious coexistence with the environment and other species that inhabit the planet, helping them to critically analyze the principles that have led to the reckless destruction of natural resources and various species. This paper discusses the importance of integrating environmental education with curriculum subject in elementary school. Thus developing the skills and values that will lead to rethinking and otherwise evaluate their daily activities and their consequences on the environment in which they live.

Key

words:

consciousness.

INTRODUÇÃO

Environmental

education,

sustainability,

curriculum,

school;

A educação ambiental (EA) se constitui numa forma abrangente de educação,

que se propõe a atingir todos os cidadãos, através de um projeto pedagógico participativo permanente, procurando incutir no educando uma consciência critica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como critica a capacidade de captar a gênese e a evolução dos problemas ambientais.

A ação antropica na natureza tem nos mostrado que ao passar do tempo essa

pressão exercida sobre o planeta, não sufoca apenas os ecossistemas existentes na

biota terrestre, mas volta em forma de calor excessivo, doenças, escassez de água, desigualdade social, direcionando-se ao próprio ser poluidor e responsável pela degradação, o homem. A humanidade está cada vez mais envolvida com as novas tendências tecnológicas.

A modernização e o desenvolvimento a qualquer custo estão cortando essa

relação do homem com a natureza. Os cenários, tipo Shopping Center, parques de diversões super modernizados, jogos eletrônicos, o advento da internet e os relacionamentos virtuais, passam a ser normais na vida dos jovens e os valores relacionados a natureza não apresentam mais tanta importância no processo de

maturação principalmente das crianças e adolescentes, partes integrantes de uma sociedade organizada . Percebe que a formação da cidadania inicia-se ainda em casa com os valores

éticos repassados pela família e na escola, onde a professora é um referencial a ser contemplado. o processo de socialização e humanização da criança desperta nela a primeira noção de comunidade. Daí surge o relacionamento com o ser e com o meio onde está inserida. Dentro deste contexto, é clara a necessidade de mudança no comportamento do homem em relação à natureza, no sentido de promover sob um modelo de desenvolvimento sustentável 1 , a inserção de práticas pedagógicas e conservacionistas 2 , com reflexos positivos evidentes nessa relação home natureza. A EA implica um processo de conscientização sobre os processos socioambientais emergentes, que mobilizam a participação dos cidadãos na tomada de decisões, junto com a transformação dos métodos de pesquisa e formação, a partir de uma ótima holística e enfoques mais que interdisciplinares. A institucionalização da EA está levando a readaptar as consciências, atitudes

e capacidades em função do discurso dominante do desenvolvimento sustentado que a maioria dos países tem ostentado alcançar. Hoje, a participação das grandes empresas na busca por essa tão sonhada sustentabilidade é notável e ao mesmo tempo louvável, por isso acredita-se na necessidade da sistematização da EA no sentido de formar desde as bases da educação uma consciência ambiental mutua de respeito, solidariedade, responsabilidade e comprometimento, não apenas com a natureza e o meio ambiente, mas com todas as gerações que ainda estão por vir povoar esse lugar lindo, perfeito e maravilhoso, totalmente integrado em seus ecossistemas, que é chamado Terra. Neste sentido, o conceito de formação ambiental articula as formações ideológicas e conceituais com os processos de produção e aquisição de conhecimentos e saberes, num projeto histórico de transformação social. Este trabalho tem como objetivo, além de formar uma opinião favorável para que a EA seja considerada parte integrante no processo de formação de cidadania,

a importância da inserção desta como disciplina curricular no ensino fundamental.

O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A organização das Nações Unidas (ONU) denominou a década de 1960 como

a primeira década das Nações Unidas para o desenvolvimento, acreditando que a

cooperação internacional proporcionaria crescimento econômico pela transferência de tecnologia, experiência e recursos financeiros para resolver, assim, os problemas

dos países menos desenvolvidos. Na realidade, tais ações mostraram-se inócuas, uma vez que criaram uma total dependência não só econômica como também tecnológica dos menos desenvolvidos, acentuando as discrepâncias já existentes. Uma reavaliação do conceito de desenvolvimento orientou a Terceira Década das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1980-1990), quando buscaram-se estratégias de distribuição, visando a uma melhor repartição dos benefícios do eventual crescimento da economia mundial.

1 Uso de forma consciente pensando nas futiras gerações

2 - Práticas que abordem a conservação da natureza

A questão ambiental, fundamental para qualquer plano de desenvolvimento, começou a ganhar destaque nos meios de comunicação por volta de 1960. Na época, vários países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, consideraram inviável incluir grandes programas de conservação ambiental em seus programas nacionais, pois acreditavam que poluição e deterioração ambiental eram conseqüências inevitáveis do desenvolvimento industrial. Evidentemente, tal atitude foi conveniente para os países mais desenvolvidos, pois, ao mesmo tempo em que restringiam implantação de indústrias poluidoras do meio ambiente em seus territórios, tinham para quem transferir sua tecnologia e, assim, garantiam o suprimento de bens provindos dos países menos desenvolvidos, que permitiam a instalação dessas indústrias. No final dos anos 1960, a humanidade ganhou um aliado importante para a melhor compreensão da dinâmica terrestre, com as missões espaciais e a implantação de um sistema e a satélites para o sensoriamento remoto da Terra, o que possibilitou o monitoramento integrado dos vários processos atmosféricos e climáticos e forneceu a visão do planeta sob nova perspectiva global. Em 1972, na Conferencia das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano (em Estocolmo), foi reconhecido o inter-relacionamento entre os conceitos de conservação ambiental e o desenvolvimento industrial; foram discutidos os efeitos pelo subdesenvolvimento e surgiram as idéias de poluição e pobreza e ecodesenvolvimento. Na década seguinte, a ONU resolveu criar uma comissão para efetuar um amplo estudo dos problemas globais de ambiente e desenvolvimento, e, em 1987, essa comissão apresentou o Relatório Brundtland 3 , no qual foi introduzido o conceito de desenvolvimento sustentável. Este preconiza um sistema de desenvolvimento socioeconômico com justiça social e em harmonia com o sistema de suporte da vida na terra, ou seja, a partir daí começa a surgir um pensamento de conscientização e colaboração entre as Nações.

Um desprendimento de certas convicções e uma abertura para futuras negociações em busca de um prévio acordo entre países de culturas diversificadas, porém, com a mesma preocupação em relação a questão ambiental.

Portanto, passa-se a reconhecer a necessidade da manutenção do equilíbrio ambiental e do alcance da justiça social. Em tal cenário, haveria uma melhor qualidade de vida coletiva, com as necessidades básicas da humanidade atendidas, bem como alguns de seus “desejos” sem que houvesse comprometimento do suprimento de recursos naturais e da qualidade de vida das futuras gerações. (TAIOLLI, 2009, p.345)

Em 1992, foi realizada no Rio de Janeiro a Conferencia da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocasião em que o problema ocupou importante espaço nos meios de comunicação do mundo. Como resultado dessa conferencia, foi elaborada a Agenda 21, um documento de grande relevância que representa um compromisso político das nações para agir em cooperação e harmonia na busca do desenvolvimento sustentável.

3 - Relatório de Brundtland significa: Nosso futuro comum

Por outro lado, em 2002 ocorreu, em Johanesburgo, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, também chamada de Rio + 10, cujo objetivo foi fazer um balanço dos resultados da conferencia realizada na cidade do Rio de Janeiro. O encerramento dessa reunião foi marcado por uma generalizada decepção, com a constatação de que os problemas apontados na reunião anterior não só permaneciam como haviam se agravado. Os dois maiores problemas globais, quis sejam, o crescimento demográfico e a pobreza, estavam muito mais agudos em razão da nova ordem econômica que surgiu nas últimas décadas do século XX.

MEIO AMBIENTE x EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Nunca antes se debateu tanto sobre a temática meio ambiente e desenvolvimento no âmbito escolar. Com o advento de desequilíbrios ambientais, tais como: aquecimento global, derretimento das geleiras polares, derramamento de óleo no mar; a extinção de várias espécies de animais; desmatamento de florestas nativas; grande índice de queimadas; poluição dos rios; o homem atual se sente acuado e de mãos atadas diante de tamanha veracidade de acontecimentos, com isso surgiu a necessidade de despertar para o sentido do pertencimento, da valoração e do respeito ao nosso planeta. A inserção da educação ambiental na escola é realizada de forma sensível, concreta, permanente e atuante, por meio do professor, que deve acordar o aluno para o bom senso e para atividades que reflitam neles um modelo de vida real, como a adoção de práticas que garantem a sustentabilidade local. Assim, os alunos desenvolverão o potencial de questionador e critico como uma maneira de exercitar a cidadania diante de determinadas situações do cotidiano. Diante desse contexto, favorecer a “tomada de consciência” sobre as questões ambientais globais e persuadir o alunado a amadurecer um comportamento individual e coletivo faz jus ao reconhecimento da EA como ação pedagógica para beneficiar um desenvolvimento ambientalmente sustentável. Então não basta unicamente agis como formador, mas sim como transformador do entorno, de forma plural e significativa, com aplicação de um modelo de ação interdisciplinar e transdisciplinar na busca de ação por parte do homem e da reação por parte da natureza e sua repercussão no tocante á mudança de atitude e hábitos/comportamentos da sociedade. No entanto, essa abordagem, deve ir mais além, deve estar inserida dentro de uma estrutura conceitual na matriz curricular disciplinar. Suas práticas se revelam por meio de projetos e/ou atividades curriculares e extracurriculares de uma forma bem abrangente, em que o contexto espaço/tempo da escola é entrecortado por outros contextos que se articulam nas redes de saberes e fazeres vividas e construídas por alunos e professores. Desenvolver a EA no âmbito escolar, como disciplina curricular a ser desenvolvida no ensino fundamental, exige pesquisa orientada e definições dos objetivos e metas a serem alcançadas. São muitas as estratégias utilizadas para realização de um processo educativo, e se tratando de EA, nota-se que as oportunidades de utilização de material concreto nessa abordagem levarão o educando a vivenciar um fascinante mundo cheio de novas descobertas. O subsídio necessário para a formação dessa consciência ecológica, a própria natureza fornece. O meio ambiente é o principal laboratório de estudos para que o professor junto com os seus alunos possa agir e interagir, transformando e buscando sempre a ampliação dos saberes ligados a preservação dos recursos naturais, a reutilização de materiais recicláveis e a formação de um pensamento eco desenvolvimentista capaz de garantir a manutenção do planeta.

ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA A PRÁTICA DA EUCAÇÃO AMBIENTAL

Para LEFF (2005, p. 257) a EA traz consigo uma nova pedagogia que surge da necessidade de orientar a educação dentro do contexto social e na realidade ecológica e cultural onde se situam os sujeitos e atores do processo educativo. Um programa de EA para ser efetivo deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. Utiliza-se como laboratório, o metabolismo urbano e seus recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta. A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da comunidade ou do meio em que vivem alunos e professor. No ensino fundamental, principalmente nas séries iniciais, a abordagem deve ser mais concreta, porém nessa fase a educação se faz presente de uma forma construtivista, os alunos devem participar efetivamente de cada atividade realizada pelo professor. A participação ativa dos alunos é muito importante, para a formação da consciência ecológica. No quadro 1 apresenta algumas atividades lúdicas cuja participação e a colaboração do aluno para a realização da tarefa é essencial na busca da integração do mesmo com a Natureza.

Trabalho com texto

Atividades

 

Filmes

3 R’s(*)

práticas

 

paródias

Coleção de folhas

Os sem floresta

Papel machê

charges

Banco de sementes

Tarzan

Bichnhos de sucata

quadrinhos

Produção de mudas

Wall-e

Massa para modelar

fábulas

Terrária

A

era do gelo

Oficinas diversas

palavra-chave

Aquários

Vida de inseto

Mosiacos de casca de ovos

reportagens

Passeios didáticos

A

batalha dos

Embalagens para presentes

vegetais

contação de histórias

Jornal “teca”

Tá chovendo

Separação do lixo

hambúrguer

Quadro 1: Atividades de EA

Fonte: Coleção Eu Gosto Editora IBEP

Veja que no quadro 1 as atividades se encaixam perfeitamente na faixa etária de desenvolvimento dos de acordo com as séries iniciais, ou seja, do 1° ao 5° ano do ensino fundamental. Essas atividades propostas foram criteriosamente selecionadas para atender as necessidades do professor, no que diz respeito a meios pedagógicos específicos de abordagem, desenvolvidos por pedagogos e psicopedagogos, que auxilia no processo de envolvimento com a atividade, dando assim um retorno imediato para o professor. São atividades prazerosas e que levam o aluno a descobrir a importância que a natureza e o meio ambiente têm para que todos tenham uma vida saudável e feliz.

Sabe-se que a EA é um processo educativo e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade da vida e atuação consciente e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente, tendo em vista a qualidade de vida, coletiva e do planeta (LOUREIRO, 2002, P.69)

*3 R’s – refere-se a técnicas de reciclagem. Significa: reaproveitar; reciclar; reduzir.

Para Loureiro(2002) o tema EA deve ser encarado com seriedade. Mas

podemos como educadores nos tranqüilizar, pois o nosso papel é levar ás crias uma visão de meio ambiente de forma simples, como sinônimo de vida. E ensinar a amar

a vida em sala de aula é propor, em cada atividade, meios para que p aluno

descubra o encantamento pelo outro, pelo meio e por si mesmo. Esse caminho deve ser traçado inicialmente pela curiosidade de cada um, pois a curiosidade é um belo convite para conhecer e respeitar o meio ambiente. O

professor pode percorrer o caminho da curiosidade, da exploração e da descoberta através da prática da pergunta. As perguntas que ouvimos e fazemos em sala de aula podem encaminhar as atividades propostas durantes o trabalho de EA. Elas podem ser simples, tais como: Aonde vai essa borboleta? Onde mora essa formiga?

O que o pato come? Por que a flor murcha? Por que as pessoas ficam tristes? A

Terra é quente ou fria? De onde vem a chuva? Onde o sol fica durante a noite?

Essas perguntas não devem ser respondidas de imediato. É preciso aguçar o pensamento sobre todas as possibilidades de resposta. É importante para o

desenvolvimento cognitivo do aluno. Além disso, vai torná-lo um curioso pelos assuntos ambientais e vitais. Algumas atividades podem ser desenvolvidas, para auxiliar no esclarecimento de algumas questões, muitas vezes assuntos evidentes na mídia internacional. Veja:

- Contar histórias para criança entender o porquê de alguns fenômenos

naturais;

- Estimular a olhar uma árvore e observar cada um dos seus detalhes. O

professor pode estimular a imaginação de seus alunos perguntando: Quem pode morar em uma árvore? Que alimento a árvore pode oferecer e quem pode consumi-

lo? Quantos anos será que ela tem?

- Oriente como observar as nuvens e suas formas, essa atividade pode

ser um momento de muita criatividade e diversão;

- Estimular as crianças a observar pedras, folhas, a terra, a grama etc. e

fazer o registro dessas observações. Uma boa dica para delimitar o campo de observação, já que a criança é curiosa e observa tudo, é fazer uma lente, para que tenham um campo limitado de visão, e pergunte: O que é que você vê?

- Estimular a observação das mudanças espontâneas que ocorrem na

natureza. Dentre elas as variações do clima. O professor pode organizar uma seleção de fotos para explorar essas mudanças. Entrevistar moradores mais

antigos. Registra relatos de como a natureza e o espaço onde vivem vem se transformando devido a ação do homem;

- Ensinar as crianças a distinguir os elementos naturais dos artificiais.

Peça para que procurem coisas que não são naturais, como latas vazias, papéis e

outros materiais, que são jogados na natureza e as conseqüências dessa atitude.

- Planejar e organizar aulas-passeios, elas saio uma estratégia importante

de descoberta e exploração do meio ambiente. As crianças são fascinadas pelo novo.

Sob a orientação de professores e orientadores, cada uma das atividades apresentadas neste artigo pode ser facilmente adaptada, ou seja, o professor pode deixar que os alunos aprendam sobre o meio ambiente na sala de aula, no parque da escola, no quintal de casa ou em parques nacionais. É necessário encontrar a vida no outro, no meio e em si mesmo. No encontro surge o desejo de conhecer, conhecendo surge o desejo de amar e quando se ama se descobre o desejo de cuidar e preservar.

O quadro 2 apresenta alguns planejamentos, estratégias e objetivos a serem alcançados pelos profissionais de educação inseridos nesse processo de EA.

 

Estratégia

Ocasião para Uso

Objetivos

Discussão em classe (grande grupo).

Permite que os estudantes exponham suas opiniões oralmente a respeito de determinado problema.

Ajudar o estudante a compreender as questões; Desenvolve autoconfiança e expressão oral; Podem ocorrer dificuldades nos alunos de discussão.

Discussão em grupo (pequenos grupos com supervisor-professor).

Quando assuntos polêmicos são tratados.

Estímulo ao desenvolvimento de relações positivas entre alunos e professores.

Mutirão de idéias (atividades que envolvam pequenos grupos, 5-10 estudantes para apresentar soluções possíveis para um dado

Deve usado como recurso para encorajar e estimular idéias voltadas à solução de um certo problema. O tempo deve ser utilizado para produzir as idéias e não para

Estímulo à criatividade, liberdade; Dificuldades em evitar avaliações ou julgamentos prematuros e em obter idéias originais.

problema, todas as sugestões são anotadas. Tempo limite de 10

a

15 min.)

avaliá-las.

 

Trabalho em grupo: envolve

Quando se necessita

Permite que os alunos se responsabilizem por uma tarefa por longos períodos (2 a 5 semanas) e exercitem a capacidade de organização; Deve ser monitorada de modo que o trabalho não envolva apenas alguns membros do grupo.

a

participação de grupos de

executar várias tarefas ao mesmo tempo.

4-8 membros que se tornam responsáveis pela execução

de uma tarefa.

 

Debate: requer a participação de dois grupos para apresentar idéias e argumentos de pontos de vista opostos .

Quando assuntos controvertidos estão sendo discutidos e existam propostas diferentes de soluções.

Permite o desenvolvimento das habilidades de falar em público e ordenar a apresentação de fatos e idéias; Requer muito tempo de preparação.

Reflexão: o oposto do mutirão de idéias. É fixado um tempo aos estudantes para que sentem em algum lugar e pensem acerca de um problema específico.

Usado para encorajar o desenvolvimento de idéias em resposta a um problema. Tempo recomendado de 10 a 15 min.

Envolvimento de todos;

Não pode ser avaliado diretamente.

Projetos: os alunos, supervisionados, planejam, executam, avaliam e redirecionam um projeto sobre um tema específico.

Realização de tarefas com objetivos a serem alcançados a longo prazo, com envolvimento da comunidade.

As pessoas recebem e executam o próprio trabalho, assim como podem diagnosticar falhas nos mesmos.

Quadro 2: Estratégias e objetivos Fonte: UNESCO/UNEP/IEEP

O Quadro 2 mostra que as ações pedagógicas que geralmente são adotas para o ensino de outras disciplinas especificas, no entanto, essas técnicas pedagógicas podem ser aplicadas também na EA. Os níveis das atividades, como por exemplo, as discussões em grupo, são mais elevadas, por isso aplicar-se-á no ensino fundamental II, ou seja, nas séries finais do fundamental (6° ao 9° ano). É nesse momento que os alunos começam a despertar suas próprias indagações, com relação ao mundo e a si mesmos. Os

valores adquiridos nesse período de crescimento serão levados para a vida toda, por isso a EA tem um papel muito importante na formação de uma consciência preservacionista, onde o aluno tem a oportunidade de compreender sua relação com o meio, participar ativamente das mudanças ocorridas na sociedade com relação ao assunto abordado e contribuir como um cidadão do futuro, ciente de sua responsabilidade, na busca da sustentabilidade ambiental e social.

AÇÕES DIRETAS PARA A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A EA é subdividida em duas formas distintas, que podem ser aplicadas em diferentes ambientes. A necessidade e o público alvo definiram a forma como a EA poderá ser desenvolvida. Sendo ela formal e informal. A primeira, denominada de Educação Formal é um processo institucionalizado que ocorre nas unidades de ensino. Para ela existe um padrão pré-definido, com metas e objetivos a serem alcançados pelo professor. Seja na avaliação dos resultados ou simplesmente na execução de tarefas orientadas posteriormente. A segunda, denominada Informal se caracteriza por sua realização fora da escola, envolvendo flexibilidade de métodos e de conteúdos e um público alvo muito variável em suas características (faixa etária, nível de escolaridade, nível de conhecimento da problemática ambiental, etc.). Essa se torna mais fascinante, pois proporciona a vivência do assunto abordado pelo educador, ou neste caso, facilitador. A EA informal vai muito além do que se pode imaginar. Pode partir desde aulas de campo, passeios e se estender a protestos de entidades ambientais de proteção a natureza e campanha a favor da preservação ou uso consciente dos elementos naturais.

O quadro 3 abaixo mostra algumas ações que podem ser utilizadas para facilitar a prática da EA, seja a formal ou a informal.

Visitas a museus, criadouro científico de animais silvestres

Passeios em trilhas ecológicas

Parcerias com Secretarias de Educação de Municípios

Ecoturismo

Publicações periódicas

EA para funcionários

Atividades com a comunidade e campanhas de conscientização ambiental

Programas de orientação ambiental

Quadro 3: Ações para prática de EA Fonte: os autores.

As visitas a Museus, criadouro científico de animais silvestres, aquários etc. despertam a curiosidade dos alunos com relação aos estudos de espécies em extinção ou espécies já extintas. Esses estudos são importantes para que os alunos percebam as conseqüências das atitudes inconscientes que culminam na extinção de espécies belíssimas de animais silvestres e vegetações nativas. Os Passeios em trilhas ecológicas/desenhos: normalmente as trilhas são interpretativas; apresentam percursos nos quais existem pontos determinados para

interpretação com auxílio de placas, setas e outros indicadores, ou então pode-se utilizar a interpretação espontânea, na qual monitores estimulam as crianças à curiosidade a medida que eventos, locais e fatos se sucedem. Feitos através da observação direta em relação ao ambiente, os desenhos tornam-se instrumentos eficazes para indicar os temas que mais estimulam a percepção ambiental do observador As Parcerias com Secretarias de Educação de Municípios: formando Clubes

de Ciências do Ambiente, com o objetivo de executar projetos interdisciplinares que visem solucionar problemas ambientais locais (agir localmente, pensar globalmente). Os temas mais trabalhados são reciclagem do lixo, agricultura orgânica, arborização urbana e preservação do ambiente.

O Ecoturismo; quando da existência de parques ecológicos ou mesmo nos

locais onde estão localizadas as trilhas, há a extensão para a comunidade em geral.

Os visitantes são orientados na chegada por um funcionário e a visitação é livre, com acesso ao Museu, ao Criadouro de Animais e as trilhas ecológicas, além de

atividades esportivas radicais que podem ser desenvolvidas utilizando o espaço físico/ambiental do parque, tais como: rapel, tirolesa, travessia de rios e escaladas. Nas publicações periódicas, existe a abordagem de assuntos relativos aos recursos naturais da região e às atividades da área de ambiência da empresa. Existem revistas especializadas em assuntos científicos ambientais e em movimentos preservacionistas, além oferecer artigos relacionados a várias áreas de atuação como, por exemplo: Gestão Ambiental.

A EA para funcionários se desenvolve através de treinamento aplicado aos

funcionários da área florestal da empresa, orientando-os quanto aos procedimentos ambientalmente corretos no exercício de suas funções, fazendo com que eles se tornem responsáveis pelas práticas conservacionistas em seu ambiente de trabalho, chegando ao seu lar e à sua família. Pode também seguir a tendência dos 3R’s com relação ao produto final da empresa ou no aproveitamento de sobras de matéria- prima e na destinação do lixo acumulado produzido pela empresa ou pelos funcionários. Atividades com a comunidade e campanhas de conscientização ambiental têm o intuito de incrementar a participação da comunidade nos aspectos relativos ao conhecimento e melhoria de seu próprio ambiente, são organizadas e incentivadas diversas atividades que envolvem a comunidade da região, como caminhadas rústicas pela região. È também um momento de diagnosticar os principais problemas

ambientais que estão afetando a região e sua circunvizinhança. Nos programas de orientação ambiental a empresa e/ou escola desenvolve ainda outros programas para orientação ambiental como, por exemplo, fichas de visualização dos animais silvestres, orientação à comunidade para atendimento aos aspectos legais de caça e pesca produção e distribuição de cadernos, calendários e cartões com motivos ambientalistas. Esse diferencial no processo curricular brasileiro traria para a realidade o desejo de muitos educadores amantes da biodiversidade e da natureza. Inserir a EA nas escolas dando uma maior ênfase a questão ambiental.

O ensino tradicional básico falha não tanto por ser disciplinar, mas por não

impulsionar e orientar as capacidades cognitivas, inquisitivas e criativas do

aluno, e por estar desvinculado dos problemas de seu contexto sociocultural

e ambiental. Nestes níveis, a pedagogia ambiental deve fomentar um

pensamento da complexidade que seja crítico, participativo e propositivo.

(LEFF, 2005, p.261)

Compete ao profissional da educação adaptar essa tarefa ao diversos níveis

educacionais, objetivando a flexibilidade, a criatividade e a transversabilidade de assuntos derivados do levantamento de idéias proposto pela atividade. Contudo, precisamos entender o meio ambiente como resultados de todas as ações humanas. Segundo Newton “para toda ação tem uma ração”, logo, percebe-se que a natureza vem respondendo a ações antropicas de longas datas. Visto que a percepção ambiental surgiu como uma ferramenta para EA, isso possibilitou a mudança de pensamento, de ação e na forma de ver o mundo, e, por conseqüência, ao adquirir esse conhecimento haveria uma significativa melhora na qualidade de vida da população, do quanto de vista de quantidade de da qualidade,

a fonte mais importante do nosso conhecimento, além do conhecimento inato, e a

tradição. E essa tradição é trazida por meio de cada criança, cada aluno, de forma que o mais importante de tudo é saber o passado para compreender o futuro. Considerando os aspectos que envolvem as questões ambientais, educar é fazer co que o cidadão comum entenda suas ações e as conseqüências de tudo que ele faz ou possa vir a fazer, e que saiba que isso gera ou gerará um impacto no meio ambiente que o cerca. Veja no quadro 4 um calendário verde, ótimo para se programar com

antecedência e trabalha as datas em forma de oficinas, seminários, festas temáticas

e etc.

Mês

Data Comemorada

 

Fevereiro

2

- Dia mundial das zonas úmidas

 

Março

21

- Dia mundial da floresta

 

22

- Dias da água

Abril

 

15

- Dias da conservação do solo

 

22

- Dias da Terra

Maio

22

- Dias Internacional da biodiversidade

 

27

- Dias da mata atlântica

 

Junho

5

- Dias do meio ambiente

 

8

- Dia internacional dos oceanos

Julho

 

17

- dia de proteção ás florestas

 

Agosto

27

- Dia da limpeza urbana

 

Setembro

5

- Dia mundial da Amazônia

 

16

- Dia mundial de proteção a camada de

 

ozônio

20

- Dia internacional da limpeza das praias

 

21

- Dia da árvore

 

22

- Dia da fauna

Outubro

4 Dia internacional da ecologia

 

5 Dia internacional das aves

 

16

17

Dia mundial da alimentação

Dia

internacional da

pobreza

erradicação

da

Novembro

30

- Dia do estatuto da Terra

 

Dezembro

10 - Dia da declaração universal dos direitos humanos

Quadro 4: Calendário verde Fonte: Clube eu gosto. A revista do professor. Ed. IBEP

O quadro 4 é mais um subsídio que o professor pode utilizar para organizar o conteúdo que venha ser trabalhado durante o ano letivo. Algumas datas são de

relevância internacional e pode até constar nos livros didáticos utilizados pela escola. Além disso, o professor pode utilizar essas datas para planejar passeios ecológicos com seus alunos. Certamente os alunos irão gostar muito.

No mundo todo existem Organizações Não Governamentais (ONG’S) que constantemente atuam no combate as explorações e devastações provocadas pelo homem e também agem no sentido de educar as pessoas, formar opinião e alertar sobre o perigo que todos vivemos de perder esse bem tão precioso e necessário para a vida. A natureza. Essas são algumas ONG’s e Entidades envolvidas na questão ambiental:

Entidades ecológicas de preservação:

- Amazonia.org.br: A maior base de dados sobre a Amazônia na web,

atualizada diariamente com notícias, artigos, documentos, fotografias, vídeos, agenda de eventos;

- Ecovoluntário: Você poderia dizer que o Ecovolunteer Program funciona

como uma agência de viagens. Porém, as viagens que nós organizamos não são viagens comuns;

- Elo Ambiental: Organização sem fins lucrativos, iniciada por um grupo de ambientalistas em agosto de 1994;

- Greenpeace Brasil: O Greenpeace é uma organização não governamental

internacional sem fins lucrativos. É uma das mais importantes ONG’S relacionadas

com a preservação da natureza. Sua atuação é internacional e suas campanhas tem um alto grau de impacto na sociedade internacional;

- Instituto Pau Brasil de História Natural: Organização não governamental sem fins lucrativos, que tem como objetivo a pesquisa sobre meio ambiente e a implementação de programas de educação ambiental;

- Instituto Socioambiental: O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação

sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip);

- Projeto Apoema - Educação Ambiental - O WWF-Brasil, em parceria com o

Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais, elaborou uma lista de ONGs e

órgãos governamentais

-

espanhol);

Projeto

Tartarugas

Marinhas

(também

em

inglês

e

- Rede Ambiente: Meio ambiente e educação ambiental para profissionais da

área educacional, estudantes, jovens, crianças, ong’s, etc

parâmetros curriculares do MEC, experiências, ações ambientais, informações, tira-

teimas, eventos, unidades de conservação, etc

Temas conforme

;

- SOS Mata Atlântica - Famosa ONG sediada no Brasil. Site amplo e informativo;

- WWF - "Ecologia e gestão ambiental. É uma das maiores organizações não-

governamentais de ecologia do planeta". Leva a bandeira da preservação e de amor

a Natureza a mais de 80 países.

O trabalho dessas organizações é de fundamental importância. Seus

associados contribuem sem medir esforços para que os trabalhos e campanhas sejam executados com êxito.

A IMPLEMENTAÇÃO DA EA NO ÂMBITO ESCOLAR

Se existe inúmeros problemas que dizem respeito ao ambiente, isto se devem

em parte ao fato das pessoas não serem sensibilizadas para a compreensão do frágil equilíbrio da biosfera e dos problemas da gestão dos recursos naturais. Elas não estão e não foram preparadas para delimitar e resolver de um modo eficaz os problemas concretos do seu ambiente imediato, isto porque, a educação para o ambiente como abordagem didática ou pedagógica, apenas aparece nos anos 80. Somente a partir desta data os alunos têm a possibilidade de tomarem consciência das situações que acarretam problemas no seu ambiente próximo ou para a biosfera em geral, refletindo sobre as suas causas e determinarem os meios ou as ações apropriadas na tentativa de resolvê-los.

A Educação Ambiental, como componente essencial no processo de

formação e educação permanente, com uma abordagem direcionada para a resolução de problemas, contribui para o envolvimento ativo do público, torna o sistema educativo mais relevante e mais realista e estabelece uma maior interdependência entre estes sistemas e o ambiente natural e social, com o objetivo

de um crescente bem estar das comunidades humanas. As finalidades desta educação para o ambiente foram determinadas pela UNESCO, logo após a Conferência de Belgrado (1975) e são as seguintes: Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas com ele relacionados; uma população que tenha conhecimento; competências; estado de espírito; motivações e sentido de empenhamento que lhe permitam trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais, e para impedir que eles se repitam. Implementar a Educação Ambiental nas escolas tem se mostrado uma tarefa exaustiva. Existem grandes dificuldades nas atividades de sensibilização e

formação, na implantação de atividades e projetos e, principalmente, na manutenção

e continuidade dos já existentes. Os fatores como o tamanho da escola, número de

alunos e de professores, predisposição destes professores em passar por um processo de treinamento, vontade da diretoria de realmente implementar um projeto ambiental que irá alterar a rotina na escola, além de fatores resultantes da integração dos acima citados e ainda outros, podem servir como obstáculos à implementação da Educação Ambiental. Dado que a Educação Ambiental não se dá por atividades pontuais, mas por toda uma mudança de paradigmas que exige uma contínua reflexão e apropriação dos valores que remetem a ela, as dificuldades enfrentadas assumem características ainda mais contundentes. A Conferência de Tbilisi (1977) já demonstrava as preocupações existentes a esse respeito, mencionando, em um dos pontos da recomendação nº. 21, que deveriam ser efetuadas pesquisas sobre os obstáculos, inerentes ao comportamento ambiental, que se opõem às modificações dos conceitos, valores e atitudes das pessoas. A escola deve posicionar-se por um processo de inserção curricular que não seja hierárquico, agressivo, competitivo e exclusivista, mas que seja levado adiante

fundamentado pela cooperação, participação e pela geração de autonomia dos atores envolvidos. Projetos impostos por pequenos grupos ou atividades isoladas, gerenciadas por apenas alguns indivíduos da comunidade escolar como um projeto de coleta seletiva no qual a única participação dos discentes seja jogar o lixo em latões separados, envolvendo apenas um professor coordenador não são capazes de produzir a mudança de mentalidade necessária para que a atitude de reduzir o consumo, reutilizar e reciclar resíduos sólidos se estabeleça e transcenda para além do ambiente escolar. Portanto, devem-se buscar alternativas que promovam uma contínua reflexão que culmine na metanóia (mudança de mentalidade); apenas dessa forma, conseguiremos inserir, em nossas escolas, a verdadeira Educação Ambiental, com atividades e projetos não meramente ilustrativos, mas fruto da ânsia de toda a comunidade escolar em construir um futuro no qual possamos viver em um ambiente equilibrado, em harmonia com o meio, com os outros seres vivos e com nossos semelhantes.

CONCLUSÃO

Ao inserir uma proposta educação para o ambiente, estaremos facilitando aos alunos e à população uma compreensão fundamental dos problemas existentes, da presença humana no ambiente, da sua responsabilidade e do seu papel crítico como cidadãos de um país e de um planeta. Desenvolvendo assim, as competências e valores que conduzirão a repensar e avaliar de outra maneira as suas atitudes diárias e as suas conseqüências no meio ambiente em que vivem. Constata-se então que a partir do momento que as crianças recebam essas informações de uma forma mais dinâmica e constante, ainda no Ensino Fundamental, dentro das escolas como parte integrante de seu currículo, as chances dessa criança se tornar um cidadão ecologicamente correto e consciente de suas obrigações com a vida e a preservação da natureza, serão bem maiores.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- LOUREIRO, C.F.B. Educação ambiental e movimentos sociais na construção da cidadania ecológica e planetária. In: LAYRARGUES, P.P. E CASTRO, R.R.de. (Org.) Educação Ambiental: reaprendendo o espaço da cidadania. 2 ed. São Paulo: Cortez, 2002.

- LEFF, E. Saber Ambiental. Sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder.Tradução: ORTH,L.M.E.4ª ed. São Paulo: Vozes, 2005.

R.;

C.

M.;

Decifrando a Terra. 2ª Ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

- http://www.biologo.com.br/ong.html.

- Revista Ambiental Brasil. http:// www.ambientalbrasil.com.br

- Clube eu Gosto. A revista do professor. Especial Meio Ambiente. São Paulo. Ed. IBEP, 2010.