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Módulo 5

AULA 4 - 07 dúvidas mais comuns dos eletricistas sobre


aterramento
Fala meus queridos, bem vindos a mais uma aula do minicurso de aterramento elétrico produzido pela Engehall.

Nas aulas anteriores respondi um bocado de dúvidas que os eletricistas tem quando falamos do assunto
aterramento! Muita gente acha complexo demais, que tem norma demais, e por isso existem muitas dúvidas.

Por isso nesta aula darei início a uma maratona de tira dúvidas sobre aterramento, vai lá buscar um café ou uma
água, senta direitinho aí, se ajeita na cadeira e vamos para as perguntas!
Turma esta é a pergunta que mais recebemos.
Tecnicamente a quantidade de hastes irá depender
da resistividade do solo, só que nem a NBR 5410
nem a NBR 5419 fazem referência a um valor de
resistência.

Então uma coisa já dá pra afirmar, se você


ouviu alguma vez alguém falando que A resistência
de aterramento medida deve ficar
abaixo de 10 ohms para garantir um bom aterramento, apaga essa informação da sua mente, isso é MITO!

Na norma a única recomendação é que ela fique o mais próximo de 0 ohms o possível, mas não fala nada sobre
abaixo de 10 ohms.
Bom, para saber a resistividade do solo antes
e depois do sistema de aterramento ser instalado, é
necessário a utilização de um equipamento chamado
TERRÔMETRO. Se você for fazer a medição antes
de fincar as hastes, você terá de fazer alguns
cálculos.

Eu vou ser sincero, não é complexo, mas é


trabalhoso, e até hoje não encontrei nenhum
programa que faça esses cálculos.

Assim eu prefiro e colocando as hastes e fazendo as medições bem como interligando esse aterramento junto ao
neutro ( BEP ).
Eu tenho esses dois modelos aqui na empresa, o tipo
estaca e um novo que chegou pra gente que é do tipo alicate,
para medir o laço de aterramento, ou seja com o alicate só dá
pra medir o cabo de aterramento quando se tem duas ou
mais hastes conectadas, uma haste apenas não dá pra
medir.

Olha só um trecho do vídeo em que eu ensino a


usar o terrômetro de estaca para medir um sistema de
aterramento, gravei esse lá no sistema que fiz no meu
sítio, confere aí:
Nesse modelo, o primeiro passo é curto circuitar as pontas, assim se juntas
todas as pontas ( garras jacaré ), depois no aparelho coloca a escala de 20 Ohms
e aperte o botão TESTE, no caso ele pode dar valores nessa medição, isso quer
dizer que ele está descalibrado.

Assim é só ir nessa rodinha e fazer a calibração


do equipamento, fazendo que o valor encontrado, fique
em zero ( 0 ), para que ao começar as medições não te
dê valores errados.

Após esse procedimento, desligue o equipamento, para só depois fazer as conexões


das hastes e realizar essas medições em seu sistema de aterramento.
Uma observação, segundo o manual do fabricante, recomenda molhar a
terra onde será fincada as hastes de teste ( que já vem junto com o equipamento
).

Assim conectamos a ponta de prova amarela ( garra jacaré ) em uma haste


com cerca de 10 metros.
E a ponta de prova vermelha, fixamos
na outra haste, cerca de 15 metros de
distância do equipamento, ambas alinhadas,
essas distâncias já vem determinadas no
manual do fabricante do equipamento.

Assim conectamos a ponta de prova VERDE ( garra jacaré ) em uma haste ( ELETRODO
) fincada no solo, para fazermos a primeira medição e encontrar qual valor de resistência
temos com esta haste.
Assim, coloque no equipamento em
EARTH VOLTAGE, e aperte o botão de TESTE, e
verifique se a tensão medida não é superior a 10V,
pois se isso ocorrer, a resistência de terra medida
não terá precisão.

Veja que o teste não detectou tensão.

Ao iniciar o teste, sempre começar pela resistência mais baixa, que no


caso desse equipamento, começa em 20 Ohms, 200 Ohms e 1000 Ohms.

No nosso caso a leitura teve de ser feita nas três escalas, onde só
conseguimos uma medição na maior escala ( 1000 Ohms ).

Onde encontramos o valor de 243 Ohms com apenas uma haste no


solo. Logo sabemos que necessita ser colocado mais hastes, nesse solo para
conseguirmos ter uma medição mais baixa possível.
Bom pessoal, essa foi então a medição prática usando o terrômetro de estacas, com uma haste só chegamos em
248 ohms, mas deu bom nesse sistema eu coloquei mais duas hastes e pra fechar fiz a equipotencialização entre o
sistema de aterramento com o neutro e também a fundação da minha varanda, isso fez baixar para menos de 5 ohms,
confere mais um trecho no qual mostro essa parte aí:

Após colocarmos mais duas hastes, deixando os itema


com 3 hastes , baixamos para 75 Ohms, assim derivamos o
neutro vindo do QM bem como interligamos a fundação da
casa, fazendo um BEP para chegarmos em um valor mais
próximo de zero.

No caso o aterramento do QM é um TN-C ( pois o


quadro de medição da CEMIG é obrigatório aterrar o neutro )
assim reforçamos o aterramento do QM da concessionária com
mais 3 hastes.

Assim dessa caixa saímos com cabos de neutro e terra


separados para o nosso quadro de distribuição.
Vejam, após conectar o neutro, o terra do QM e as 3
hastes que colocamos no solo encontramos o valor de 19
Ohms, que já não é ruim, se comparado a outros tipos de solo
encontrados pelo país, assim resolvemos tentar melhorar esse
aterramento.

resolvemos interligar esse aterramento a estrutura da


edificação, na ferragem da varanda, ao qual se tem tubulão em
toda a varanda, interligando toda ela.

Para realizarmos uma nova medição, é desconectado o neutro desse


sistema, bem como o cabo de aterramento que vai para o QDC.

Assim podemos realizar uma nova medição dessa resistência.


Assim chegamos no valor de 11 Ohms de resistência nas 3 hastes e na ferragem da
edificação.

Vejam, agora vamos interligar tudo, aterramento do QM,


as 3 hastes, o neutro e a estrutura da edificação, onde
teremos uma nova medição.

Até aqui o aterramento era TN-C, vindo do QM da concessionária, dessa caixa de inspeção para frente ele
passa a ser TN-S, onde o atual aterramento passa a ser um TN-C-S equipotencializado pois também está interligado a
estrutura da fundação ( fundação essa que foi feita nova ), vale ressaltar que descascar as ferragens não é permitido
em prédios ou casas antigas, somente se a construção for nova e for estar ciente que existe tais tubulões e
interligamento entre eles com ferragens, ou seja somente na fundação.

Ao se conectar o cabo de aterramento das hastes na edificação, o correto é usar solda exotérmica,
fizemos com um conector split bolt por não termos o equipamento no local naquele dia.
Pronto, tudo interligado, e a nova medição deu o valor de 4 Ohms,
excelente o valor, lógico, em algumas regiões dependendo da qualidade
do solo, terá valores menores ou muito maiores, pois sabemos que a
resistência do solo é diferente em cada local devido a termos solos
diferentes.

Poderíamos ter colocado mais uma haste e esse valor vir a ser
menor, como também poderia não sofrer alterações nesse valor, como o
valor de 4 Ohms já é bem baixo, já está uma resistência muito boa para
esse aterramento.

Show, creio então que com mais essa explicação prática vocês já entenderam o uso do Terrômetro, vamos
então para a próxima dúvida.
Pessoal o que pode acontecer em
alguns casos é a necessidade de tratamento
químico do solo devido a resistividade sofrer
pouca alteração a medida que vai se
cravando hastes e fazendo as medições,
para isso existem alguns produtos no
mercado como o gel químico para
aterramento, particularmente nunca usei,
por isso não tenho como dizer se é eficiente,
até já vi vídeos provando sua eficiência no
momento da medição, mas após um período
em contato com o solo creio que ele perde a
eficácia, mas é apenas uma opinião minha
mesmo.
A distância entre as hastes deve ser no mínimo
equivalente a altura da haste, por exemplo;

Se você comprou uma haste de 2,4m tem que


colocar as hastes a no mínimo 2,4m uma das outras,
pode colocar a 3 metros, 4, 5 metros, pode.

Porém eu faço em média a mesma distância, o


que não pode é a uma distância inferior, porque pode
ocorrer uma soma das correntes dissipadas ao solo, e
isso afeta com certeza o seu sistema!
Sim pessoal, existe a haste com rosca na
ponta, chamamos ela de haste prolongada.

Nossos parceiros do canal Electricity, fizeram um vídeo


mostrando a aplicação dela na prática e nos autorizaram
compartilhar com vocês aqui olha só:
Como funciona, colocamos a luva rosqueada na primeira
haste, onde colocamos um parafuso nessa luva para ajudar na
fixação de haste no solo, para não estragar sua rosca.

Após fincar a primeira haste, retire o parafuso da luva e


coloque a segunda haste rosqueado ela nessa luva que está na
haste já fincada no solo.
No primeiro teste realizado com
apenas uma haste, foi encontrado a
resistência de 49 Ohms.

Após colocarmos a segunda haste,


deixando as duas hastes conectados com a
luva, foi encontrado o valor de 29 Ohms.

Assim conseguiu baixar o valor da


resistência mesmo tendo um espaço
reduzido no local, onde foi usado duas
hastes com uma luva, cravando elas no
mesmo ponto usando haste rosqueáveis.

Top essa solução né não?


O cabo de alumínio, apesar de ser
permitido em captação e descidas
aparentes no sistema de SPDA, é
PROIBIDO ser enterrado no solo e em
reboco, por sofrer degradação
rapidamente, nesse caso o correto
sempre é usar cabos de cobre mesmo!
Para conectar a haste de aterramento ao condutor de aterramento,
como mencionei até em trechos do vídeo prático, utilizamos conectores
apropriados ou solda exotérmica. Nós até já fizemos um vídeo explicando
sobre a solda exotérmica no youtube, mostramos o passo a passo dela,
os produtos usados e tal.

Mas particularmente gostamos mais do modelo de conector grampo, achamos mais


fácil de trabalhar, só que vale lembrar que só pode usar conector em caixas de inspeção, se
for enterrar as conexões têm que usar solda exotérmica.

Agora para equipotencializar as estruturas metálicas ao sistema de aterramento,


utilizamos conectores específicos para cada situação, aí tem que consultar a recomendação
do fabricante do conector e escolher qual o mais adequado para seu projeto.
E pra finalizar uma informação muito importante: Antigamente muitas pessoas acreditavam que usar ferragens das
caixinhas das tomadas ou das tubulações já era o suficiente para criar um aterramento elétrico eficiente.

Na verdade no passado realmente isso era a prática mais usual, encontramos isso até hoje em algumas casas
mais antigas, entretanto, nos tempos atuais, as hastes de aterramento e principalmente a equipotencialização da
edificação são de fundamental importância, inclusive se você entregar uma instalação elétrica para seu cliente sem um
sistema de aterramento eficiente, você pode ser responsabilizado até criminalmente por isso em caso de um acidente
causado por falha da proteção que o aterramento deveria estar oferecendo!

Bom, mas esse assunto de responsabilidade a gente comenta na próxima aula porque é algo delicado e extenso, não
quero assustá-los ainda não rsrs, vamos ficando por aqui com mais essa aula, espero que tenham gostado, grande
abraço e até já!

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