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Zoroastrismo

O zoroastrismo, também chamado de mazdeísmo, mitraísmo ou parsismo, é uma religião monoteísta


fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada
como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. De acordo com os historiadores da religião,
algumas das suas concepções religiosas, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda
de um messias, viriam a influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Tem seus fundamentos fixados no Avesta e admite a existência de duas divindades (dualismo),
representando o Bem (Aúra-Masda) e o Mal (Arimã), de cuja luta venceria o Bem.

Índice

1 História

1.1 A religião pré-zoroastriana

1.2 Zoroastro

1.3 A época Aquemênida

1.4 A época arsácida e sassânida

1.5 A chegada do islão

2 Doutrinas e crenças

2.1 Textos religiosos

2.2 Escatologia individual

2.3 Sacerdócio

2.4 Locais de culto

2.5 Rituais

2.5.1 Práticas funerárias

2.5.2 Festas

3 O zoroastrismo hoje

Bibliografia

História
A religião pré-zoroastriana
A religião do Irã antes do surgimento do zoroastrismo apresentava semelhanças com a da Índia Védica,
dado que as populações que habitavam estes espaços descendiam de um mesmo povo, os arianos (ou
indo-iranianos). Era uma religião politeísta, na qual o sacrifício dos animais e o consumo de uma bebida
chamada haoma (em sânscrito: soma) desempenhavam nela um importante papel.
Os seres divinos enquadravam-se em duas classes, ambas de características positivas: os ahuras (em
sânscrito: asuras; "senhores") e os daivas (em sânscrito: deivas; "deuses").

Zoroastro
Zoroastro viveu na Ásia Central, num território que compreendia o que é hoje a parte oriental do Irã e a
região ocidental do Afeganistão. Não existe um consenso em torno do período em que viveu; os
académicos têm situado a sua vida entre 1750 e 1000 a.C. Sobre a sua vida existem poucos dados precisos,
sendo as lacunas preenchidas por lendas.

De acordo com os relatos tradicionais zoroastrianos, Zoroastro viveu no século VI a.C., pertencendo ao clã
Spitama, sendo filho de Pourushaspa e de Dugdhova. Era o sacerdote do culto dedicado a um determinado
ahura. Foi casado duas vezes e teve vários filhos. Faleceu aos setenta e sete anos assassinado por um
sacerdote.

Aos trinta anos, enquanto participava num ritual de purificação num rio, Zaratustra viu um ser de luz que
se apresentou como sendo Vohu Manah ("Bom Pensamento") e que o conduziu até à presença de Ahura
Mazda (Deus) e de outros cinco seres luminosos, os Amesha Spentas, sendo este o primeiro de uma série
de encontros com Ahura Mazda, que lhe revelou a sua mensagem.

As autoridades civis e religiosas opunham-se às doutrinas de Zoroastro. Após doze anos de pregação
Zoroastro abandonou a sua região natal e fixou-se na corte do rei Vishtaspa na Báctria (região que se
encontra no atual Afeganistão). Este rei e sua esposa, a rainha Hutosa, converteram-se à doutrina de
Zoroastro e o zoroastrismo foi declarado como religião oficial do reino.

O principal documento que nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os
Gathas, dezessete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais importante do
Avesta ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gathas assemelha-se à que é usada no Rig Veda,
o que situaria Zoroastro entre 1500-1200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa
sociedade dominada por uma aristocracia guerreira.

Para alguns investigadores, muito mais do que o fundador de uma nova religião, Zoroastro foi antes um
reformador das práticas religiosas indo-iranianas. Ele propôs uma mudança no panteão dominante que ia
no sentido do monoteísmo e do dualismo. Na perspectiva de Zoroastro, os ahuras passam a ser vistos
como seres que escolheram o bem e os daivas o mal. Na Índia, o percurso seria inverso, com os ahuras a
representarem o mal e os daevas o bem.

Zoroastro elevaria Ahura Mazda ("Senhor Sábio") ao estatuto de divindade suprema, criadora do mundo e
única digna de adoração.

Outro conceito religioso por si apresentado foi o dos Amesha Spentas ("Imortais Sagrados"), que podem
ser descritos como emanações ou aspectos de Ahura Mazda. Nos Gathas os Amesha Spentas são
apresentados de uma forma bastante abstrata; séculos depois eles serão transformados e elevados ao
estatuto de divindades. Cada Amesha Spenta foi associado a um aspecto da criação divina.

Os Amesha Spentas são:

Vohu Manah ("Bom Pensamento"): os animais;

Asha Vahishta ("Verdade Perfeita"): o fogo;

Spenta Ameraiti - ("Devoção Benfeitora"): a terra;

Khashathra Vairya - ("Governo Desejável"): o céu e os metais;


Hauravatat ("Plenitude"): a água;

Ameretat ("Imortalidade"): as plantas.

Os Gathas revelam também um pensamento dualista, sobretudo no plano ético, entendido como uma livre
escolha entre o bem e o mal. Posteriormente, o dualismo torna-se cosmológico, entendido como uma
batalha no mundo entre forças benignas e forças maléficas.

Atualmente os zoroastrianos dividem-se entre o dualismo ético ou o dualismo cosmológico, existindo


também outros que aceitam os dois conceitos. Alguns acreditam que Ahura Mazda tem um inimigo
chamado Angra Mainyu (ou Ahriman), responsável pela doença, pelos desastres naturais, pela morte e por
tudo quanto é negativo. Angra Mainyu não deve ser visto como um deus; ele é antes uma energia negativa
que se opõe à energia positiva de Ahura Mazda, tentando destruir tudo o que de bom foi feito por ele (a
energia positiva de Deus é chamada de Spenta Mainyu). No final Angra Mainyu será destruído e o bem
triunfará. Outros zoroastrianos encaram o dualismo no plano interno de cada pessoa, como a escolha que
cada um deve fazer entre o bem e o mal, entre uma mentalidade progressista e uma mentalidade
retardatária.

Os zoroastrianos acreditam que Zoroastro é um profeta de Deus, mas não é alvo de particular veneração.
Eles acreditam que através dos seus ensinamentos os seres humanos podem aproximar-se de Deus e da
ordem natural marcada pelo bem e justiça (asha).

A época Aquemênida
Entre a morte de Zaratustra e a ascensão do Império Aquemênida no século VI a.C. pouco se sabe sobre o
zoroastrismo, a não ser que se difundiu por todo o planalto iraniano.

Em 549 a.C. Ciro II derrota Astíages, rei dos Medos, e funda o Império Persa, que unia sob o mesmo ceptro
os Medos e os Persas. A dinastia à qual pertencia, os Aquemênida, adoptará o zoroastrismo como religião
oficial do império, mas será tolerante em relação às religiões dos povos que nele vivem. Foi o rei Ciro II
(dito O Grande) que libertou os Judeus do seu cativeiro e permitiu o regresso destes à Palestina.
Provavelmente o primeiro rei persa que reconheceu oficialmente esta religião foi Dario I, como mostra uma
placa de ouro na qual o rei se proclama devoto de Ahura Mazda.

Dario teve que combater um usurpador chamado Gautama, que se fazia passar por um filho de Ciro.
Gautama ordenou a destruição de santuários pagãos que seriam restaurados por Dario. Por causa deste
comportamento atribui-se por vezes a Gautama a adoção do zoroastrismo.

Os Medos possuíam uma casta ou tribo sacerdotal, conhecida como os Magi, que adotaram a religião de
Zaratustra, não sem introduzir alterações na mensagem original e incorporando antigas concepções
religiosas. Os Magi seriam a classe sacerdotal dos três grandes impérios persas. Casavam dentro do seu
grupo e expunham os corpos dos mortos às aves de rapina, duas práticas que viriam a ser adotadas pelos
zoroastrianos. Os sacerdotes recuperam os antigos sacrifícios e o uso do haoma. Os Amesha Spentas,
inicialmente abstratos no pensamento de Zaratustra, foram personalizados e antigas divindades passaram
a ser adoradas. Entre essas divindades (yazatas) estavam o Sol, a Lua, Tishtrya (deus da chuva), Vayu (o
vento), Anahita (deusa das águas) e Mitra.

Foram também erigidos grandes templos e altares de fogo ao ar livre. Artaxerxes II (404-358 a.C.) chegou
mesmo a ordenar a construção de templos em honra de Anahita nas principais cidades do império.
Durante este período foi também criado o calendário zoroastriano e desenvolveu-se o conceito do
Saoshyant, segundo o qual um descendente de Zarastustra, nascido de uma virgem, viria para salvar o
mundo.
A época arsácida e sassânida
Com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, em 330 a.C., o zoroastrismo sofreu um duro golpe, tendo
a classe sacerdotal sido dizimada e muitos templos destruídos. O incêndio da capital do império, Persépolis,
provocaria o desaparecimento de textos da religião conservados na biblioteca da cidade.

Durante o governo dos Selêucidas o zoroastrismo foi respeitado e geraram-se sincretismos entre este e a
religião grega (por exemplo, ocorreu uma associação de Zeus a Ahura Mazda). Mas um verdadeiro
renascimento do zoroastrismo só começa durante a dinastia dos Partos Arsácidas no século III a.C. Nesta
fase foi compilado o Vendidad, uma parte do Avesta que recolhe textos relacionados com medicina e
rituais de pureza.

No período da dinastia Sassânida (224 a.C. - 651 d.C.) o zoroastrismo foi completamente restaurado graças
à intervenção de Kartir e de Tansar. O zoroastrismo tornou-se a religião mais comum entre as massas,
sendo praticado numa vasta área que ia do Médio Oriente às portas da China. Nesta época assistiu-se à
formação de uma verdadeira "Igreja" zoroastriana centrada na Pérsia, foram banidas da prática religiosa as
imagens, criou-se o alfabeto avestano e novos textos passam a integrar o Avesta, tais como o Bundahishn e
o Denkard. Ao contrário do período Aquemênida, este período ficou marcado pela intolerância em relação
a outras religiões, tendo sido promovidas perseguições aos judeus e cristãos. O clero zoroastriano detinha
um grande poder e assegurava que cada novo monarca fosse zoroastriano; pesados tributos recaíam sobre
a população como forma de sustentar a forma de vida do clero.

A chegada do islão
Apesar da conversão da Pérsia ao Islão após a conquista dos árabes no século VII, o zoroastrismo
sobreviveu em algumas comunidades persas, agrupadas nas cidades de Yazd e Kerman. Os muçulmanos
consideraram os zoroastrianos como dhimmis, ou seja, praticantes do monoteísmo (à semelhança dos
judeus e dos cristãos) e como tal foram sujeitos a pesados tributos cujo objetivo era estimular a conversão
ao Islão.

No século X um grupo de zoroastrianos deixou a Pérsia e fixou-se na Índia, na região do Gujarate. Aqui
estabeleceram uma comunidade local que recebeu o nome de "Parsi" ("Persas" na língua gujarate) e que
permanece naquele território até aos nossos dias. Esta comunidade zoroastriana foi influenciada pelas
tradições locais e as suas particularidades levam a que se fale em Parsismo. Até 1477 os Parsis não
mantiveram contacto com os zoroastrianos que permaneceram no Irão. Nesse ano restabeleceu-se o
contacto sob a forma de troca de correspondência que durou até 1768.

No século XIX a conquista da Índia pelos britânicos levaria a um confronto entre os valores tradicionais dos
parses e os valores religiosos e culturais do Ocidente. John Wilson, um missionário cristão da Escócia,
atacou a religião dos Parses, alegando que o dualismo presente era contrário ao verdadeiro espírito
monoteísta. Martin Haug, um filólogo alemão, que viveu e ensinou em Puna durante a década de 60 do
século XIX, concluiu que apenas os Gathas eram as palavras originais do profeta Zaratustra. Estes
acontecimentos propiciaram o início de um movimento de reforma religiosa, que divide a comunidade
zoroastriana entre aqueles que pretendem um regresso a concepções que entendem como mais puras e
próximas da mensagem inicial, rejeitando o excessivo ritualismo, e os tradicionalistas.

Doutrinas e crenças
Os masdeístas não representam seus deuses em esculturas e não têm templos.
Deixou traços nas principais religiões mundiais como o judaísmo, cristianismo e islamismo através das
seguintes crenças:

 Imortalidade da alma
 Vinda de um Messias
 Ressurreição dos mortos
 Juízo final

A doutrina de Zaratustra foi espalhada oralmente e suas reformas não podem ser entendidas fora de seu
contexto social. O indivíduo pode receber recompensas divinas se lutar contra o mal em seu cotidiano,
como pode também ser punido após a morte caso escolha o lado do mal. Os mortos são considerados
impuros, então não são enterrados, pois consideram a terra, o fogo e a água sagrados, eles os deixam em
torres para serem devorados por aves de rapina.

Textos religiosos
O principal texto religioso do zoroastrismo é o Avesta. Julga-se que a atual forma do Avesta corresponde a
apenas uma parte de Avesta original, que teria sido destruído em resultado da invasão de Alexandre o
Grande.

O Avesta divide-se em várias seções, das quais a principal é o Yasna ("Sacrifícios"). O Yasna inclui os Gathas,
hinos que se julga terem sido compostos pelo próprio Zaratustra. O Vispered é essencialmente um
complemento do Yasna. O Vendidad é a seção que contém as regras de pureza da religião, podendo ser
comparado ao Levítico da Bíblia. Os Yashts são hinos dedicados às divindades.

Para além do Avesta existem os textos em palavi, escritos na sua maior parte no século IX.

Escatologia individual
A escatologia individual do zoroastrismo afirma que três dias após a morte a alma chega à Ponte Cinvat. A
alma de cada pessoa percepciona então a materialização dos seus atos (daena): uma alma que praticou
boas ações vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera.

Cada alma será julgada pelos deuses Mitra, Sraosha e Rashnu. As almas boas poderão atravessar a ponte,
enquanto que as más serão lançadas para o inferno; as almas que praticaram uma quantidade idêntica de
boas e más ações são enviadas para o Hamestagan, uma espécie de purgatório.

As almas elevam-se ao céu através de três etapas, as estrelas, a Lua e o Sol, que correspondem,
respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas ações. O destino final é o Anagra Raosha, o
reino das luzes infinitas.

Sacerdócio
Existem três graus de sacerdócio no zoroastrismo contemporâneo. O sacerdócio tende a ser hereditário,
embora não seja obrigatório que o filho de um sacerdote venha a seguir a profissão do pai.

Os sacerdotes de grau inferior recebem o nome de ervad, neste grau inicial é preciso conhecer de cor as
escrituras do zoroastrismo, bem como a lei; desempenham apenas uma função de assistente nas
cerimónias mais importantes da religião. Acima de si encontra-se o mobed e por sua vez acima deste o
dastur, que é responsável pela administração de um ou vários templos, por vezes comparado ao bispo do
cristianismo.
Locais de culto
Os templos religiosos do zoroastrismo, onde se desenrolam as cerimónias e se celebram os festivais
próprios da religião, são conhecidos como templos de fogo.

Estes edifícios possuem duas partes principais. A mais importante é a câmara onde se conserva o fogo
sagrado, que arde numa pira metálica colocada sobre uma plataforma de pedra. Os sacerdotes
zoroastrianos visitam o fogo cinco vezes por dia e procuram mantê-lo aceso, fazendo oferendas sândalo
purificado. Recitam também orações perante o fogo com a boca tapada por um tecido, de modo a não
contaminarem o fogo. Este respeito pelo fogo sagrado levou a que os zoroastrianos fossem chamados de
"adoradores de fogo", o que constitui um erro, na medida em que o fogo não é adorado em si, mas como
um símbolo da sabedoria e luz divina de Ahura Mazda. Os templos de fogo mais importantes do Irão e da
Índia mantêm uma chama de fogo sagrado a arder perpetuamente.

Rituais
O zoroastrismo não determina que os membros devam realizar um número obrigatório de orações por dia.
Os zoroastrianos podem decidir quando e onde desejam orar. A maioria dos zoroastrianos reza várias
vezes por dia, invocando a grandeza de Ahura Mazda. As orações são feitas perante uma chama de fogo.

O Navjote (ou Sedreh-Pushi como é conhecido entre os zoroastrianos do Irão) é uma cerimónia de iniciação
obrigatória destinada às crianças zoroastrianas que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade.
É importante que a criança já conheça as principais orações da religião.

Antes da cerimónia começar a criança toma um banho ritual de purificação (Naahn). Durante a cerimónia,
conduzida pelo mobed e na qual estão presentes familiares e amigos, a criança recebe o sudreh (ou sedra,
uma veste branca de algodão) e o kusti (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste
momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.

O casamento zoroastriano implica dois momentos distintos. No primeiro os noivos e os seus padrinhos
assinam o contrato de casamento. Segue-se a cerimónia propriamente dita durante a qual as mulheres da
família colocam sobre a cabeça dos noivos um lenço; simultaneamente dois cones de açúcar são esfregados
um contra o outro. O lenço é então cosido, simbolizando a união do casal. As festas do casamento podem
prolongar-se entre os três e os sete dias.

Práticas funerárias
Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deva ser rejeitado. Quando uma
pessoa morre o seu espírito deixa o corpo num prazo de três dias e o seu cadáver é impuro. Uma vez que a
natureza é uma criação divina marcada pela pureza não se deve polui-la com um cadáver.

Na prática esta crença implicou que os cadáveres dos zoroastrianos não fossem enterrados, mas colocados
ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio
(dokhma)

Após a morte um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No quarto
onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas durante três dias. Durante este tempo os vivos
evitam o consumo de carne.
Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto direto com o
defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem
consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem.

Por motivos vários (relacionados por exemplo com a diminuição da população de aves de rapina ou com a
ilegalidade desta tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada zoroastrianos residentes em
países ocidentais e até mesmo no Irão e Índia, optando-se pela cremação.

Festas
As comunidades zoroastrianas atuais regem-se por três calendários diferentes:

o Fasli (usado pelos Zoroastrianos Iranianos e alguns Parses);

o Shahanshahi (usado pela maioria dos Parses); e

o Qadimi (este último o menos utilizado de todos).

O que significa que as festas religiosas podem ser celebradas em diferentes dias, nestes calendários cada
mês e cada dia do mês recebe o nome de um Amesha Spenta ou de um Yazata. Os zoroastrianos celebram
seis festivais ao longo do ano - os Gahambars - cujas origens se encontram nas diferentes atividades
agrícolas dos antigos povos do planalto iraniano e nas estações do ano.

O Noruz é o Ano Novo Persa, celebrado no dia 21 de Março no calendário Fasli (os parses celebram o Noruz
em meados de Agosto). Por volta deste dia os zoroastrianos colocam nas suas casas uma mesa com sete
itens: um vaso com rebentos de lentilhas ou de trigo, um pudim, vinagre, maçãs, alho, pó de sumagre,
frutos da árvore jujube; outros elementos que enfeitam a mesa são moedas, o Avesta, um espelho, flores e
uma imagem de Zaratustra. O Noruz é celebrado com o uso de roupas novas, com o consumo de pratos
especiais, com a troca de presentes e com a celebração de cerimónias religiosas. O fogo tem nele um
significado especial. Seis dias depois do Noruz os zoroastrianos festejam o nascimento de Zaratustra.

O zoroastrismo hoje
A comunidade zoroastriana existente no mundo contemporâneo pode ser dividida em dois grandes grupos:
os Parses e os zoroastrianos iranianos. Para além destes existem também ocidentais convertidos à religião.
Segundo estimativas de 2004 o número de zoroastrianos era de 124 mil pessoas.

Na Índia os Parses são reconhecidos pelas suas contribuições à sociedade no domínio económico,
educativo e caritativo. Muitos vivem em Mumbai (Bombaim) e têm tendência para praticar a endogamia,
desencorajando o proselitismo religioso. Veem a sua fé como étnica.

Em geral os zoroastrianos iranianos mostram-se mais abertos a aceitar conversões. Concentram-se nas
cidades de Teerão, Yazd e Kerman. Falam uma variante da língua persa, o Dari (diferente do Dari falado no
Afeganistão). Receberam o nome de gabars, termo inicialmente com conotações pejorativas (no sentido de
"infiel"), mas que perdeu muito da sua carga negativa.

Uma diáspora zoroastriana pode ser encontrada em países como o Reino Unido, Canadá (6 mil pessoas),
Estados Unidos (11 mil pessoas) e Austrália (2700 pessoas) e nos países do Golfo Pérsico (2200 pessoas).

A UNESCO declarou o ano de 2003 como ano de celebração dos 3000 anos da religião e cultura
zoroastriana, numa iniciativa proposta pelo governo do Tadjiquistão.
Bibliografia

 BAUSANI, Alessandro - "Lo Zoroastrismo" in Le Grandi Religioni, dir. Angelo Solmi, Volume VI.
Milão: Rizzoli Editore, 1964.
 BOYCE, Mary - Zoroastrians: Their Religious Beliefs and Practices. New York: Routledge, 2002. ISBN
0-415-23903-6.
 SMART, Ninian - The World's Religions. Cambridge University Press, 1998. ISBN 0-521-63748-1.

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