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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE RORAIMA

FUNDAMENTOS DA GINÁSTICA
PROFA. DRA. NILZA COQUEIRO PIRES DE SOUZA
ACADEMICOS: ALANA SILVA, DIRCEU FERNANDES E MÁRCIO GABRIEL.

GINÁSTICA ALEMÃ

BOA VISTA – RR
2022
Adolf Spiess
Nome importante da ginastica alemã, nasceu em 1810, em Lauterbach, Hesse,
e possivelmente morreu em 9 de maio de 1858. Mas antes de morrer, ele era um
ginasta e educador alemão, que ele escreveu para o desenvolvimento da ginástica
escolar para jovens dos dois sexos na Suíça e na Alemanha. Morava com seu pai
Johannn Spiess, concluiu um curso de teologia com a Universidade de Giessen, e
Adolf também morava junto com seus quatro irmãos adicionais, e ele era o mais velho
dos cinco, gostava de esportes, ele praticou esgrima na universidade e fez várias
excursões, em uma época que ele se mudou pra universidade Halle para continuar os
estudos, ele fez parte de um grupo de estudantes que praticavam esportes ao ar livre
duas vezes por semana, experiências que marcaram e o aproximaram mais ainda do
esporte, logo ele passou alguns tempos em Berlim, onde passou aprender mais sobre
os exercícios com Philipp Feddern.
Ele também mostrou habilidades para patinar, dançar, nadar, andar a cavalo e
ginástica, nas quais ele se destacou desde muito jovem. Um entusiasta do esporte,
ele criou um dos primeiros programas de educação física usados em escolas na
Alemanha. Quando ele retornou a Giessen em 1830 quando se formou virou professor
de ginástica, com algumas controversas ele se tornou tutor particular onde passou um
período breve em Assenheim, antes de mudar para Burgdorf (Suíça) como professor
de ginástica. Ele projetou programas para meninos e meninas, de acordo com suas
necessidades e de acordo com sua idade. “preocupa-se com a Ginástica nas escolas”
(OLIVEIRA, 1985, p.07). Spiess propõe que um período do dia seja dedicado ao
exercício físico, porém, sua sistematização de Ginásticas é mecânica e funcional
(MENEGHETTI, 2003), e mesmo assim é implantada nas escolas alemãs por volta de
1820. Suas aulas logo chamaram a atenção das autoridades escolares e, em 1835,
ele foi nomeado professor de ginástica na escola normal em Münchenbuchsee, onde
teve muito mais alunos de todas as idades. O autor acreditava que a ginástica deveria
ser reconhecida e tratada no mesmo grau de importância, que um período do dia deve
ser destinado ao trabalho na ginástica, ele era preocupado em renovar o método de
Guts para aplica-lo em ambiente escolar. preocupava- se com a ginástica na escola e
defendia a importância das atividades físicas todos os dias para os alunos.
Havia o movimento do TURNEN, nas praças públicas as atividades sociais
através das práticas corporais, prática que trouxe grandes repercussão positivas com
a população, e negativa com os políticos que proibiram por um longo período, com um
descrito do governo na cidade, houve a época em que não satisfeito com a proibição
eles previam a desconstrução das praças para atividade. O retorno do Turnen após a
sua proibição só foi acontecer por volta de 1840. A partir daí, ocorrem algumas
mudanças na sua versão original, ou seja, começa o processo de desportivização. Em
1942, passa a ser aceito como uma forma de competição, concentrando-se nos
exercícios com aparelhos, como a Barra, Barras Paralelas e Cavalo. O Turnen ainda
envolvia outras atividades não competitivas, mas a corrida e a natação não mais
faziam parte de seu programa. Importantes estudiosos da Ginástica Alemã como Adolf
Spiess afirmam que o movimento do Turnen foi o principal responsável pela Educação
Física Escolar na Alemanha, mais tarde, ele foi solicitado por outras escolas, então
seu plano de ensino logo foi estendido na Suíça e mais tarde a Alemanha chegou,
quando em 1842, enquanto escrevia este trabalho, ele visitou a Alemanha, onde
esperava apresentar suas ideias se tivesse o apoio, o que não era possível ao mesmo
tempo. No entanto, a pedido do ministro prussiano Eichhorn, ele escreveu um artigo
com todas as suas ideias. O artigo intitulado Pensamentos sobre o método a ser
seguido para tornar a ginástica um elemento integral na educação popular, foi bem
recebido e colocado em prática em pouco tempo em toda a Alemanha. É por isso que
Spiess é considerada a fundadora da ginástica escolar na Alemanha.

Johann Bernhard Basedow (Alemão-1723/1790)


Nascido na Alemanha em 1723 e falecido em 25 de julho de 1890, o influente
reformador educacional influenciou e defendeu o uso de métodos de ensino realista e
a introdução dos estudos da natureza, educação física e o treinamento manual
inserido nas escolas. Ele se tornou um médico que ingressou na universidade de
Leipzig, ele era brilhante, porém indisciplinado.
Em 1749 quando se tornou tutor de uma difícil criança aristocrática foi quando
começou inventar jogos com o auxílio ao ensino. Logo em 1753 como professor de
filosofia na Academia Dinamarquesa de soro, se fascinou pelos alunos com suas
palestras, mas alienou seus colegas por sua vida desenfreada e ataques à religião
organizada. Expulso da academia, obteve um posto semelhante no Ginásio de Altona,
mas desta vez não conseguiu impressionar seus alunos, que eram em sua maioria
aristocráticos e de famílias conservadoras.
Foi uma corrente que deu a base para o pensamento da escola fundada pelo
alemão Johann Berhard Basedow, o qual apreendeu das idéias de Rousseau,
especialmente o conceito pedagógico sobre a “natureza”; a obra de Rousseau (Emílio)
lhe deu consistência na forma de pensar, ratificando em sua escola o mesmo nível de
tratamento para a Educação Física e a Educação Intelectual, em que das 5 horas de
aula diárias, 2 eram para trabalhos manuais e 3 para recreação. Também foi
influenciado por Locke.
A contribuição de Basedow para as práticas corporais está na evidência posta
para o ideal educativo por ele pensado, no qual a razão opera a conduta individual e
coletiva da vida humana e da sociedade (GRIFI, 1989) Há divergências entre os
historiadores sobre a contribuição do trabalho de Basedow. Há pensadores que o
consagra como o pedagogo alemão mais notório do período iluminista, tendo ele
conduzido o movimento educativo na Alemanha do século XVIII. Mas para outros ele
foi precursor da linha doutrinária da Ginástica Alemã, que posteriormente se
consolidou com Guts-Muths.
Ponce (1990) diz que o discurso de Basedow afirmava que a Educação
consistia em formar “cidadãos do mundo”, premissa tão considerada pelos seus
analistas, mas que não leva em conta o contexto em que isso se dava. Primeiro, sua
escola se consistia por duas estruturas diferentes, uma maior para alunos das
camadas populares e outra menor para a classe rica e média, “porque” a diferença
entre essas classes sociais era grande. As classes superiores poderiam iniciar os
estudos mais cedo e, como chegariam mais longe que os outros, deveriam estudar
mais. Os “outros”, obedeceriam a uma finalidade natural de sua instrução, dedicando
metade do tempo escolar aos trabalhos manuais, para ganharem habilidade técnica,
já que seu trabalho não exigiria tanto o uso do cérebro, como para as classes
privilegiadas economicamente. Com tamanha clareza, fica explícito que a escola de
Basedow encaminhava formações diferenciadas de “Cidadãos do Mundo”, pois cada
camada social tinha um mundo determinado. Visando de como era na época do
renascimento, como ele era visto, o homem teria ganhado a imobilidade naquele
período, pois se sai de uma estaticidade secular para um movimento social.

Johann Cristoph Friedrich Guts Muts

Neste artigo, usamos o manual Gymnastik für die Jugend como fonte principal
de análise como base de seus estudos, buscando esboçar por meio da análise é uma
compreensão da forma de pensar e os meios que levam a ilustre figura de Johann
Christoph Friedrich Guts Muths sobre as questões da saúde e a jornada do
conhecimento e transposição do teórico para o prático da educação corporal.

Nascido na pequena cidade prussiana (Hoje Alemanha) de Quedlingburg, em


agosto de 1759, Johann Christoph Friedrich Guts Muths, cresceu lendo em meio a
trabalhos manuais e a livros, onde a literatura que mais se destacava era a chamada
“Acerra Philologica”, um conjunto de textos selecionados de célebres autores da
Antiguidade, traduzidos para o alemão, e que, segundo Leonard (1927), muito
provavelmente deve ter-lhe introduzido a ginástica praticada por gregos e romanos.

Vinte anos após seu nascimento, Guts Muths entra para Universidade de Halle,
onde aprende teologia, matemática, física, inglês, italiano e por fim pedagogia, curso
de interesse onde nutria apreço desde período ginasial, principalmente depois de
conhecer as obras “Elementarwerk” (1774) e “Methodenbuch” (1770), publicadas por
Basedow.

Em 1784, muda-se para Schnepfenthal, trabalhando como professor de


geografia e francês, entre outras eventuais disciplinas básicas, no Philantropinum
criado por Christian Gotthilf Salzmann.

Nos anos que seguintes a contar de 1786, assume-se como responsável da


educação corporal dos alunos de Schnepfenthal, onde prioriza diversos tipos de
atividades tais como marchas, equilíbrio, salto, arremesso dentre outros sempre
realizadas ao ar livre. Sete anos após, em 1793, edita o seu primeiro livro, o Gymnastik
für die Jugend, ou ginástica para a Juventude. Seu trabalho enaltece a saúde
adquirida através do aspecto motor já defendidos em outras teorias utilizadas pela
Medizinichepolizei ou polícia médica.

O método desenvolvido por Muths tem como foco um método sistemático de


educação física e dividiu seu sistema de exercícios em fundamentos de força, como
salto, corridas, lutas; Agilidade como, natação, lançamentos, escaladas, balanças e
equilíbrio e por fim os harmônicos, dança, marcha e ginastica. A escola alemã tem um
caráter extremamente nacionalista. Ela surge com a finalidade de preparar os corpos
para a guerra, para a defesa da pátria, tão logo para o país que acabara de enfrentar
as três guerras da Silésia (1740-1763) e considerando o levante de outros conflitos
como A guerra de Sucessão Austríaca proveniente da guerra da Silésia, não seria de
nenhuma anormalidade que fosse criada para esses moldes.
O sistema de educação vigente no período (fins do século XVIII, início XIX) é
visto por Guts Muths como o grande responsável pela inatividade corporal,
pelas doenças e inúmeros sofrimentos, uma vez que desobedece às leis da
natureza, rejeitando em seus planos o aperfeiçoamento das capacidades
físicas a partir dos exercícios físicos e formando, portanto, homens de muito
conhecimento, mas de corpo fragilizado

Por consequência dessa educação que negligencia as capacidades físicas,


observa-se, então, a formação de indivíduos fisicamente fracos, enfermos, inativos,
que não sabem escolher seus lazeres, e cuja mente é debilitada. Utilizando-se da
natureza Guts Muths cita:

“destrua as raízes das plantas mais saudáveis que elas inclinarão e


morrerão. Muitas excelentes qualidades da mente têm suas raízes, na
verdade, no corpo. Os vértices que adornam o ser espiritual, a mente,
definharão se negligenciarmos o solo destas plantas valiosas e, assim,
machucarmos suas raízes (GUTS MUTHS, 1800, p.81-82).

A solução encontrada por Guts Muths para reverter os problemas deste modo
de vida e educação corruptiva, é a ginástica: a religião e a moral de nada adiantam
quando se luta contra a fraqueza corporal, contra a inação, e todas as consequências
dela decorrentes.

Friedrich Ludwig Jahn

Jahn estudou teologia, história da Prússia e língua e literatura alemãs na


Universidade de Halle, mas não finalizou seus estudos. Após anos de andanças pelos
territórios germânicos, retornou a Berlim em 1809, onde passou a trabalhar como
professor no Gymnasium zum Grauen Kloster, mesma escola que frequentara anos
antes. Em 1811, fundou com seus alunos uma praça de ginástica na Hasenheide
(campo nos arredores de Berlim), onde praticavam exercícios físicos e jogos.
Fortemente ligado ao movimento nacionalista alemão, do qual também faziam parte
intelectuais como Johann Gottlieb Fichte e Ernst Moritz Arndt, Jahn identificava dois
grandes problemas para o desenvolvimento da Alemanha: sua fragmentação territorial
e o fato de grande parcela desses territórios encontrar-se sob domínio de tropas
napoleônicas. Assim, Jahn via os exercícios físicos como um meio para se edificar
uma população forte, unida e, principalmente, capaz de libertar a nação alemã do
domínio francês e lutar por sua unificação política. Nesse sentido, Pereira (1962)
afirma que a primeira finalidade do método jahniano era uma melhor "adaptação
social" do indivíduo e seu fortalecimento em benefício da "coletividade social".

As diferenças entre os autores podem ser observadas na primeira parte de A


ginástica alemã, manual escrito a partir das experiências de Jahn em sua praça na
Hasenheide. Enquanto Ginástica para a juventude se iniciava com uma crítica aos
modos de vida e ao sistema educacional alemães, o manual jahniano, publicado em
1816, se inicia com uma exaltação da cultura germânica. Em sua introdução, os
autores não discorrem sobre temas como a saúde, a natureza ou mesmo o exercício
corporal: a grande questão trabalhada por Jahn e Eiselen no início desse manual diz
respeito à língua alemã.

Jahn segue uma "tradição cultural alemã" (Campos, 1998) muito forte,
especialmente entre os representantes do movimento nacionalista, marcada por um
significativo "impulso seletivo e purificador" e que busca manter a cultura e língua
alemãs livres de influências estrangeiras. Nesse sentido, intitula-se como um
"intérprete do eterno espírito da língua alemã" e defende a tese de que é "um direito
incontroverso denominar um assunto alemão em língua alemã, uma obra alemã com
palavras alemãs" (Jahn e Eiselen, 1967, p. XX). Assim, substitui o
termo Gymnastik por Turnen, que, por sua vez, daria origem aos mais diversos
termos usados para se referir aos assuntos relacionados à ginástica .

Jahn relaciona 17 grupos de exercícios, além de descrever cinco jogos que


considera adequados para a ginástica. Sua ênfase ao apresentar os exercícios,
todavia, não recai sobre esclarecimentos dos benefícios que trariam para o corpo ou
sobre um ordenamento pedagógico de suas práticas. Com raras exceções, como em
algumas observações sobre o nadar, andar e correr, ou uma lista dos "melhores e
mais fáceis" exercícios para o aprendizado e a execução na barra fixa, seu manual
consiste majoritariamente da descrição dos exercícios propostos, que são
praticamente os mesmos relacionados por Guts Muths em Ginástica para a juventude.

17 exercícios ginásticos: andar, correr, saltar, exercícios no cavalo, exercícios


de equilíbrio, exercícios na barra fixa, exercícios nas barras paralelas, escalar,
arremessar, puxar, empurrar, levantar, transportar, esticar, lutar, salto com arco, salto
com corda.
5 jogos: homem de preto, corrida das barras, cavaleiro e burguês, corrida de
assalto e jogo de bola alemão.

7 outros exercícios: esgrima, nado, equitação, dança, exercícios de guerra, ficar


de cabeça para baixo, saltos mortais e patinação.

As diferenças, portanto, não residem nos exercícios propostos, mas na


fundamentação usada pelos autores. Enquanto Guts Muths transitava entre
conhecimentos da medicina e da pedagogia para pensar sua ginástica e compor sua
metodologia de trabalho, na qual fica clara a preocupação com questões como a
segurança dos praticantes e a busca por mostrar os benefícios dos exercícios, Jahn
traz à tona aspectos marcadamente políticos e vê no fortalecimento corporal o
caminho para a formação de uma comunidade capaz de defender os territórios
germânicos e lutar por sua unificação.

REFERÊNCIAS

MENEGHETTI, L. A ginástica geral e a formação universitária na FEFISA -


Faculdades Integradas. (Trabalho de Conclusão de Curso). Faculdades Integradas de
Santo André, 2003.
OLIVEIRA, V. M. Educação física humanista. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico,
1985.
GRIFI, Giampiero. História da Educação Física e do Esporte. 2ª ed. Porto
Alegre: Luzzatto, 1989.
PONCE, A. Educação e luta de classes. 10ª ed. São Paulo: Cortez Autores
Associados, 1990
QUITZAU, Evelise Amgarten. Da ‘Ginástica para a juventude’ a ‘A ginástica
alemã’: observações acerca dos primeiros manuais alemães de ginástica.
Revista brasileira de ciências do esporte. 2015; 37 (2) : 111-118. Disponível em: <Da
‘Ginástica para a juventude’ a ‘A ginástica alemã’: observações acerca dos primeiros
manuais alemães de ginástica (scielo.br)>. Acesso em 29/05/2022.

LEONARD, F. E. Um guia para a história da Educação Física. 2nd ed.


Philadelphia: Lea & Febiger, 1927.

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