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1.

Peguei na mão de alguém e processei a informação, como era meu colega, retribui
com aperto de mão. Esquematize a organização geral do sistema nervoso que envolve
essa situação, desde a percepção do toque até a interpretação! Explique com a Fisiologia
das Sinapses!
A região da pele que entra em contato no aperto de mão é denominada de pele glabra.
Nela, tem-se a presença de 4 tipos de mecanorreceptores (células sensoriais responsáveis
pela sensação do tato, pressão e vibração): Meissner, Merkel, Pacini e Ruffini. Cada um
com suas características de campo receptivo (grande ou pequeno), adaptação (rápida ou
lenta) e localização na pele (superficial ou profunda). Eles são os principais responsáveis
pela transdução dos sinais mecânicos em elétricos no aperto de mão. O estímulo promove a
abertura de canais de Na+ e gera um potencial eletrotônico. Posteriormente, mais canais de
Na+ são abertos, gerando uma onda despolarizante ao longo da célula. Se a despolarização é
suficiente para atingir o limiar excitatório, gera-se um potencial de ação que se propaga pelo
axônio e, ao chegar no terminal axonal, abre canais de Ca2+ voltagem dependentes. Nesse
sentido, íons de cálcio começam a entrar na célula, o que estimula o deslocamento de
vesículas contendo neurotransmissores em direção à membrana da célula pré-sináptica.
Logo após esse deslocamento, as vesículas se fundem com a membrana e, por exocitose,
liberam os NTs para a fenda sináptica para que eles se liguem aos receptores da membrana
pós-sináptica. Essa conexão permite a codificação da informação que é passada para a célula
pós-sináptica, gerando, nela, Potenciais Excitatórios Pós-Sinápticos (PEPS) ou Potenciais
Inibitórios Pós-Sinápticos (PIPS). A soma algébrica de PEPS e PIPS indicará se haverá
potencial de ação gerado na célula pós-sináptica. Existindo potencial de ação, o impulso
propagará pela via aferente, desde a medula espinal, tronco, encéfalo, tálamo e córtex motor –
local em que o estímulo será interpretado para, possivelmente, gerar uma resposta – retribuir o
aperto de mão.

2. Como o neurônio transmite a informação de uma célula a outra? O que


produzirá na célula pós-sináptica. Explique com a Fisiologia da Sinapse!

Os neurônios se comunicam por meio das sinapses e, por meio dessa comunicação,
passam informações que são responsáveis pelas respostas a um estímulo externo ou interno ao
nosso organismo. Esse fenômeno pode ser do tipo elétrico ou químico – este último,
dependente de neurotransmissores (NTs), componentes importantes quando falamos de
transmissão de informações. Nas sinapses elétricas, as células neuronais se encontram muito
próximas, conectadas pelas junções gap, formadas a partir das conexinas, proteínas
transmembranares encontradas em alguns neurônios. É importante salientar que sinapses
elétricas são extremamente rápidas e bidirecionais, presentes, sobretudo, na musculatura lisa
e cardíaca. Com relação às sinapses químicas, deve-se prestar atenção na importância dos
NTs, sintetizados pelos neurônios pré-sinápticos – como a acetilcolina, sintetizada a partir de
colina e acetil-CoA na região terminal axonal e armazenada em vesículas pré-sinápticas.
Ainda nesse contexto, a passagem de informação vai depender de alguns outros fatores:
primeiramente, é necessário que haja um potencial de ação que será responsável por abrir
canais de Ca2+ voltagem dependentes. A entrada de Ca2+ estimula o deslocamento das
vesículas que contêm NTs até a membrana pré-sináptica, momento em que essas estruturas se
fundem e, por exocitose, liberam esses NTs na fenda sináptica. A partir disso, os
neurotransmissores se ligam a receptores específicos, localizados na membrana pós-sináptica.
Dependendo do tipo de neurotransmissor e receptor, tem-se duas principais ações: Potencial
Excitatório Pós-Sináptico (PEPS) ou Potencial Inibitório Pós-Sináptico (PIPS) – as
membranas pós-sinápticas calculam algebricamente os PEPS e PIPS para determinar se
haverá Potencial de Ação ou não na célula pós-sináptica. Se os PEPS atingirem o valor limiar
excitatório, os potenciais de baixa voltagem geram um potencial de ação na célula
subsequente – despolarização da membrana pós-sináptica com abertura dos canais de Na +,
desencadeando mais uma vez o processo descrito. Se os PIPS sobressaírem nesse cálculo,
tem-se uma hiperpolarização na membrana pós-sináptica, com entrada de Cl - ou saída de K+.
É importante lembrar também que nem todo neurotransmissor que chega à fenda sináptica é
utilizado. Em alguns momentos, é necessário que haja uma inativação dessas substâncias.
Geralmente, essa inativação se dá por três principais meios: difusão dos NTs para fora da
sinapse, o que os afasta de seus respectivos receptores; inativação química por ação
enzimática – como a quebra da acetilcolina em colina e acetil-CoA pela acetilcolinesterase na
fenda sináptica; recaptação pré-sináptica por outros neurônios ou células gliais.

3. Como o seu amigo ouve o que você está falando e reconhece-o? Quais as bases
fisiológicas para essa modalidade sensorial?

A onda sonora caminha o aparelho auditivo pelo meato acústico e passa pela
membrana timpânica como uma onda mecânica até chegar ao Órgão de Corti, um receptor
do ducto coclear que contém as células ciliadas – células sensoriais eletromecânicas que
convertem os estímulos mecânicos em impulsos nervosos ao se despolarizarem. A
interpretação da onda sonora vai depender da movimentação dos estereocílios presentes no
ápice dessas células. Em sua base, percebe-se a presença de vesículas com
neurotransmissores, muito importantes para a geração de sinapses com os neurônios primários
e despolarização do nervo coclear (porção do vestibulococlear). As ondas sonoras que geram
ondas mecânicas no canal auditivo irão proporcionar também o movimento do Órgão de
Corti, cuja membrana basilar, ao se movimentar para cima, incide os estereocílios na
membrana tectória, movimentando-os para a esquerda, e, assim, abrindo canais de K+, o
que gera uma onda despolarizante na célula ciliada e libera vesículas com
neurotransmissores para o neurônio primário com a entrada de íons Ca 2+,
desencadeando, assim, um Potencial de Ação ao nervo coclear. A hiperpolarização é
intuitiva, ocorre quando a membrana basilar se movimenta para baixo, o que ocasiona o
deslocamento de estereocílios para a direita e promove o fechamento dos canais de K +.
Com a despolarização e passagem do potencial de ação para o neurônio primário, o impulso
nervoso se direciona até o córtex auditivo primário, no lobo temporal (giro superior do
lobo temporal), cuja onda sonora será interpretada, reconhecida e memorizada (o que permite
o reconhecimento de alguém pela voz) para, possivelmente gerar uma resposta motora. É
importante citar a característica ímpar da membrana basilar nesse processo: a tonotopia, isto é,
a capacidade de manter a integridade da informação, por meio de suas várias porções que
reconhecem comprimentos de ondas que variam de 5 a 1000 Hz.

4. Você comeu um pedaço de bolo de chocolate, como você reconhece o doce desse
pedaço que está em sua boca? Quais as bases fisiológicas para esse sentido?

A gustação detecta estímulos sensoriais químicos, isto é, seus receptores realizam a


transdução de sinal de substâncias químicas. Ao colocar um alimento na boca, suas
moléculas entram em contato com estruturas presentes em toda a língua, as papilas
gustatórias. Nessas papilas, nota-se a presença de botões gustatórios, formado por células
basais, de sustentação e gustatórias – essas últimas se conectam com neurônios primários
da via aferente. Na porção mais externa dos botões gustatórios, estão os poros gustatórios,
com receptores de membrana que são ativados pelas substâncias gustatórias. A
diferenciação de sabores ocorre justamente na ativação desses receptores: a depender da
substância química que entra no poro gustatório, alguns receptores serão ativados e outros
não, o que nos permite diferenciar o doce do amargo, por exemplo. Íons de Na+ ativam
receptores para detecção do sabor salgado, ao passo que aminoácidos, como o
glutamato, ativam receptores para o sabor umami. Com relação à transdução de sinal,
ela também se diferencia de acordo com os receptores: para aqueles associados aos sabores
amargo, doce e umami, tem-se receptores ligados à proteína G, ativada com a ligação da
substância ao receptor e gerando abertura de canais de cátion, permitindo a entrada desses
íons na célula, gerando, assim uma onda despolarizante que irá abrir canais de Ca +2
voltagem dependentes e liberar as vesículas com neurotransmissores nos terminais da
célula para os neurônios primários – ocorre, então, a PEPS que, ao atingir o limiar
excitatório, gera um potencial de ação a ser propagado até o córtex gustatório. Nas células
receptoras para o sabor salgado, a transdução de sinal é mais simples, pois em sua membrana
existem canais seletivos justamente para os íons sódios (os responsáveis pela diferenciação do
sabor salgado). Nesse sentido, quando a quantidade de Na + é maior na saliva do que no
interior das células, os canais desse íon se abrem, permitindo a sua entrada na célula e
gerando uma onda despolarizante – a partir daí, a fisiologia é semelhante aos demais
receptores. Para as células receptoras para o sabor azedo, existem dois mecanismos para a
transdução do sinal químico: o primeiro, semelhante ao mecanismo para o sabor doce,
ocasionado pela entrada de íons H+ no interior da célula. O outro mecanismo, por meio do
hidrogênio, ocorre pelo fechamento dos canais de K + - se há fechamento desses canais, seus
íons ficam presos no interior da célula, gerando, assim, uma onda despolarizante. A partir
daí, os sinais seguem pelos axônios dos neurônios primários, que passam pelos nervos
cranianos VII, VIII, IX e X, dirigindo-se para o tálamo por neurônios secundários e
chegando, enfim, ao córtex gustatório, por neurônios superiores – logo, interpretação do
sabor.

AZEDO E SALGADO = SEROTONINA


RESTO = ATP (POR CANAIS DE ATP)

5. Como você enxerga algo?

A visão consiste na transdução da energia luminosa em sinais elétricos.


Inicialmente, os raios luminosos passam pela córnea, camada anterior do olho responsável
por convergir esses raios até a retina, local de presença dos fotorreceptores – células que irão
realizar a transdução da energia luminosa em informações propagadas até o córtex visual.
Esses fotorreceptores se localizam ao fundo da retina e se dividem em cones e bastonetes. Os
primeiros, mais responsáveis pela diferenciação das cores e menos sensíveis à luz e, os
segundos, responsáveis pela formação da imagem e mais sensíveis à luz. Com o estímulo
luminoso, moléculas de retinal presentes nos discos que constituem os fotorreceptores
mudam de conformação (11-cis-retinal para todo-trans-retinal), fato que contribui para a
ativação da rodopsina e posterior ativação da proteína G de membrana (transducina). A
transducina ativada gera ativação da enzima fosfodiesterase-5, que quebra GMPc em
GMP. Como o GMPc está associado à abertura de canais de Na + na membrana da célula,
tem-se, a partir daí, menos canais de Na + abertos, ocasionando uma hiperpolarização da célula
e bloqueando a liberação de neurotransmissores que geram PIPS nos neurônios bipolares.
Logo, os neurônios bipolares passam a liberar neurotransmissores que geram PEPS nos
neurônios ganglionares, o que desenvolve um potencial de ação que se irá propagar pelos
neurônios superiores, medula espinal, tálamo e córtex visual na porção occiptal, a fim de
interpretar o estímulo luminoso inicial.

6. Como sentimos e diferenciamos o cheiro de algo?

A olfação realiza a transdução de sinais químicos em sinais elétricos. Quando


inspiramos o ar pelo nariz, uma quantidade de substâncias químicas voláteis entram pela
cavidade nasal, gerando, normalmente, uma sensação odorífera. Essas substâncias químicas
chegam ao epitélio olfatório, presente no teto da cavidade nasal e responsável pela
transdução dos sinais químicos em sinais elétricos. Nessa estrutura, encontram-se receptores
(neurônios olfatórios) que possuem prolongamentos dos axônios, denominados de cílios,
que se inserem no muco olfatório. Nos cílios, estão os receptores acoplados à proteína G,
com mais de 350 tipos de proteínas diferentes, ativadas de acordo com a substância
odorífera. Ao ligar-se no receptor, a substância química ativa a proteína G de membrana,
que libera sua subunidade α para a adenilato ciclase, enzima presente na membra do cílio e
que promove a conversão de ATP em AMPc, atuante na abertura de canais de Na+. A
partir daí, ocorre despolarização da célula, propagação do sinal pelo axônio e consequente
abertura de canais de Ca2+ voltagem dependentes que liberam neurotransmissores e
geram PEPS, potenciais de baixa voltagem e, posteriormente, ao atingir o limiar
excitatório, potenciais de ação propagados pelas próximas células. Esse sinal elétrico
percorre em direção ao nervo olfatório e passa pelo bulbo olfatório, local em que as células
mitrais recebem sinais específicos de apenas um tipo específico de neurônio (o que permite
o reconhecimento de vários odores). Depois, os sinais seguem para o córtex olfatório,
tálamo, hipotálamo ou formação hipocampal – este último, associado às informações de
memória, o que nos faz lembrar de alguém ou algo apenas pelo cheiro.

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