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SALGUEIRO, ____DE____________DE 20____

PROFESSORA: CLAUDENICE SANTOS - DISCIPLINA: HISTÓRIA


ALUNO/A: ____________________________________- 9º

O Brasil na década de 1920


Na década de 1920, a população brasileira era formada por diversos grupos sociais. Alguns
desses grupos passaram a exercer grande influência sobre a política e a economia, Principalmente
em busca de ampliar sua participação nas decisões do país. A população rural também era grande
e constituía parte significativa da força de trabalho do país na época.

A sociedade urbana
Ao longo da década de 1920, o Brasil atravessava um momento de grave crise econômica.
A nascente burguesia industrial brasileira estava descontente com a política econômica do governo
federal, que era dominada pela oligarquia cafeeira e agroexportadora, e exigia medidas que
protegessem os produtos industrializados brasileiros e dificultassem a importação dos produtos
ingleses, franceses e estadunidenses.
Nesse contexto, a sociedade brasileira urbana era formada por grupos como industriais,
comerciantes, profissionais liberais, militares e operários. Esses grupos passaram a lutar por maior
representação política e pelo direito de participar das decisões econômicas.
A sociedade rural
Na mesma época em que parte da sociedade urbana brasileira se modernizava, grandes
áreas do interior do Brasil permaneciam organizadas com base na tradição rural. Veja a seguir
alguns desses grupos sociais.

Crise do governo das oligarquias


Na década de 1920 vários setores da sociedade brasileira mostravam-se insatisfeitos com o
governo oligárquico. Nesse contexto, uma série de levantes militares eclodiu pelo país entre os
anos de 1922 e 1924. Esses levantes, conhecidos como movimentos tenentistas, foram
realizados por jovens oficiais do Exército, a maioria proveniente das classes médias urbanas,
insatisfeitos com o governo oligárquico. Os tenentistas tinham por objetivo destituir as oligarquias
do poder — consideradas corruptas e atrasadas —, instituir reformas políticas e modernizar o
Exército.
Os tenentes criticavam o sistema eleitoral brasileiro, o crescimento da dívida externa, o
descontrole das finanças públicas e o privilégio dado aos grupos agroexportadores com as políticas
protecionistas do governo federal. Eles desejavam reformar as instituições republicanas,
principalmente por meio da centralização do poder e da defesa do nacionalismo.

A Coluna Prestes
Um dos movimentos de contestação ao governo oligárquico foi a Coluna Prestes (1925-
1927), uma longa marcha pelo interior do Brasil que percorreu mais de 24 mil quilômetros com um
efetivo que variou entre 800 e 1 500 homens. O capitão Luís Carlos Prestes assumiu o comando
da Coluna, que tinha o objetivo de estimular a revolta das unidades militares espalhadas pelo país.
Apesar do forte sentimento nacionalista, não havia um projeto revolucionário entre esses
militares, apenas a vontade de livrar o país da corrupção e do atraso político. Após vários combates
e manobras militares, os rebeldes se refugiaram na Bolívia, encerrando sua marcha.
Os efeitos da Grande Depressão no Brasil
A chamada Grande Depressão, crise econômica dos
Estados Unidos iniciada em 1929, agravou a difícil situação
econômica do Brasil, que era profundamente dependente da
exportação de produtos agrícolas, principalmente do café. A
diminuição internacional do consumo e a consequente queda dos
preços, que gerou a Grande Depressão, fizeram despencar as
exportações, levando grande parte dos agricultores brasileiros à
falência. Além disso, aceleraram a crise de poder que tirou as
oligarquias cafeeiras do
comando político do país. Fonte: Nosso Século : 1930-1945, São Paulo:
Abril Cultural, 1980. p. 21

A Revolução de 1930
Em 1930, por meio de um golpe de Estado, Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil
sob um Governo Provisório. Esse golpe, conhecido como Revolução de 1930, marcou o fim da
hegemonia política das oligarquias cafeeiras no país.
Ao assumir o poder, Vargas iniciou um processo de centralização política, suspendendo a
Constituição de 1891, fechando o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas estaduais e as
Câmaras municipais. Assim, ele passou a controlar os poderes Executivo e Legislativo, governando
por meio de decretos-leis. Com exceção de Minas Gerais, todos os governadores foram
substituídos por interventores federais, a maioria militares tenentistas. Em 1932, decretou um
novo Código Eleitoral, que estabelecia o voto secreto e o voto feminino.
A Revolução Constitucionalista de 1932
As relações entre o Governo Provisório e os políticos
paulistas estavam tensas, pois estes não aceitavam os
interventores indicados por Vargas. As forças oligárquicas
destituídas do poder se reorganizaram, formando a Frente Única
Paulista, que reunia as principais lideranças políticas do estado.
Essa união se deu em torno da campanha constitucionalista,
que reivindicava a elaboração de uma nova Constituição.
Em 9 de julho de 1932, após vários meses de agitação
política e manifestações de apoio popular, teve início o movimento revoltoso. A indústria paulista
rapidamente se adaptou à produção de armamentos, surpreendendo o Governo Provisório. Apesar
de mais bem equipada do que as tropas federais, a força pública paulista não pôde resistir à
campanha de Vargas, que reuniu forças de todo o Brasil. Após três meses de luta, os paulistas
foram derrotados, porém atingiram seu principal objetivo: a convocação de eleições para uma
Assembleia Constituinte. Decreto-lei: decreto lançado pelo presidente ou pelo
Congresso que tem validade de lei.
A Constituição de 1934 Interventor federal: pessoa nomeada pelo presidente
para exercer
A Assembleia Constituinte iniciou os trabalhos cargo administrativo do Estado.
em novembro de 1933. Vargas procurou dominar ao máximo o processo de elaboração da nova
Constituição. Em julho de 1934, foi promulgada a terceira Constituição brasileira. A Constituição de
1934 instituiu a Justiça do Trabalho, regularizou a jornada de trabalho em oito horas diárias e o
salário-mínimo. Foram confirmados
o voto direto e o voto feminino, embora analfabetos e soldados continuassem excluídos. O ensino
primário passou a ser obrigatório. Outra medida foi a nacionalização dos recursos do subsolo
brasileiro.
A participação feminina na política
A Constituição de 1934 incorporou em seu texto uma importante medida que existia como
decreto desde 1932. Essa medida regulamentou o processo de alistamento eleitoral no país, e por meio
dela, passou a ser autorizada a inscrição de mulheres como candidatas e eleitoras. A partir disso, foi
oficialmente eleita para a Assembleia Nacional Constituinte a primeira deputada federal brasileira: a
médica Carlota Pereira de Queirós.
Com o passar dos anos, as eleições incluíram cada vez mais candidatas mulheres. No entanto,
esse número ainda é menor se comparado ao dos homens. Para tentar transformar essa realidade, em
2014, foi lançada uma campanha pelo Congresso Nacional intitulada “Mulher na Política”. Seu objetivo
era estimular a candidatura de mulheres para que se efetive a representação feminina na política
brasileira e na garantia da igualdade de direitos. Nos últimos anos, iniciativas como cotas mínimas do
fundo eleitoral e do tempo de propaganda também têm buscado ampliar a participação feminina nos
espaços políticos.
O sujeito na história- Bertha Lutz
Bertha Maria Júlia Lutz nasceu no ano de 1894, em São Paulo. Ela teve um importante papel na
luta pelos direitos das mulheres brasileiras e na organização do movimento feminista. Obteve sua
formação na área de Biologia, em uma universidade francesa, e trabalhou no Museu Nacional do Rio de
Janeiro.
Quando estava na Europa, Bertha entrou em contato com o movimento sufragista, que lutava pelo
direito de voto feminino. Em 1922, ela fundou uma instituição chamada Federação Brasileira pelo
Progresso Feminino, responsável por promover o I Congresso Feminista no Brasil.
Em 1934, Bertha se candidatou a uma vaga no Congresso como deputada, mas não conseguiu se
eleger, ficando com a vaga de suplente. Dois anos depois, o deputado titular faleceu e Bertha assumiu o
cargo no Congresso. Várias medidas ganharam sua atenção, como a igualdade salarial, a diminuição da
jornada de trabalho, o maior tempo de licença-maternidade, entre outras.
Mesmo após o fechamento do Congresso, em 1937, Bertha se manteve na luta pelos direitos
femininos e chegou a representar o Brasil na Conferência Mundial da Mulher, no México, em 1975,
falecendo no ano seguinte.

Integralismo e comunismo
Após a promulgação da Constituição de 1934, Getúlio Vargas — que até então havia
governado o país por meio de decretos — foi eleito presidente do Brasil pela Assembleia
Constituinte, para um mandato de quatro anos. Os primeiros anos do governo Vargas foram
marcados pelo fortalecimento de dois grupos políticos de orientação ideológica distinta: o
integralismo e o comunismo.
A Aliança Nacional Libertadora
A partir da década de 1930, com a ascensão de partidos fascistas na Europa e a formação
do integralismo no Brasil, os comunistas se uniram e formaram uma nova organização política, a
Aliança Nacional Libertadora (ANL).
A ANL defendia a formação de um governo popular que garantisse a liberdade dos cidadãos,
a proteção às pequenas e médias propriedades, a nacionalização de empresas estrangeiras, o
cancelamento da dívida externa e a reforma agrária. Esse partido atraiu sindicatos e a classe média
urbana, representada por militares, intelectuais, profissionais liberais e estudantes. Luís Carlos
Prestes, que aderira ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) em 1934, tornou-se presidente de honra
da ANL. Entretanto, assim que a ANL foi criada, em 1935, o governo decretou a ilegalidade da
organização.
Com a ilegalidade da ANL, comunistas civis e militares, inspirados pelo tenentismo, iniciaram
um movimento revolucionário, tomando o poder na cidade de Natal, em 23 de novembro de 1935.
Nos dias seguintes, militares aderiram ao Levante Comunista, tomando quartéis no Recife e no
Rio de Janeiro.
Em poucos dias, no entanto, o movimento foi sufocado pelas tropas legalistas do Exército e
seus participantes foram presos. Nos anos seguintes, Vargas utilizou o exemplo do Levante
Comunista como justificativa para o aumento da perseguição a grupos políticos contrários ao seu
governo.

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