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MANUAL

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MÓDULO 3553 – Saúde Mental na 3ª Idade LOCAL E - Learning PÁG 1/38


FORMADOR Nuno Machado INÍCIO 23/03/2021 FIM 01/04/2021

Índice
Caracterização da Formação.....................................................................................................2
Público-Alvo......................................................................................................................................2
Modalidade de Formação.................................................................................................................2
Forma de Organização.....................................................................................................................2
Objectivo Geral.................................................................................................................................2
Objectivos Específicos......................................................................................................................2
Desenvolvimento das Sessões de Formação....................................................................................2
1.1.A saúde mental na 3.ª idade.................................................................................................3
1.1.Definição......................................................................................................................................3
1.2.Promoção.....................................................................................................................................5
1.3.Saúde mental e comunidade.....................................................................................................11
2.Psicopatologia da pessoa idosa.............................................................................................15
2.1.O normal e o patológico............................................................................................................15
2.1.1.Conceito de doença mental...................................................................................................................15
2.2.Envelhecimento normal e patológico.......................................................................................22
2.3.Depressão na pessoa idosa........................................................................................................23
3.Recursos comunitários de apoio...........................................................................................27
3.1.Respostas sociais à velhice........................................................................................................27
3.1.1.Saúde e comunidade..............................................................................................................................27
3.1.2.O hospital e o seu papel face à pessoa idosa.........................................................................29
3.1.3.Outros recursos......................................................................................................................30
3.1.3.1.Família...............................................................................................................................................30
3.1.3.2.Apoio domiciliário.............................................................................................................................32
3.1.3.3.Lares...................................................................................................................................................34
Bibliografia................................................................................................................................37
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Caracterização da Formação
Público-Alvo
Formação Modular para empregados e desempregados

Modalidade de Formação
Modular certificada

Forma de Organização
E - Learning

Objectivo Geral
Capacitar os formandos com conhecimentos, competências, técnicas e procedimentos a adotar
no âmbito da Saúde Mental na 3ª Idade.

Objectivos Específicos
Aplicar as técnicas e competências na prestação de cuidados de saúde mental na 3º Idade.

Desenvolvimento das Sessões de Formação


No desenvolvimento das sessões de formação o formador deve:
Acompanhar e capacitar os formandos com os conhecimentos adequados, as competências e
as técnicas de comunicação escrita e oral para o desenvolvimento da atividade.
Compreender e atenuar as dificuldades dos formandos ajudando-os com os métodos
pedagógicos que ache adequados.
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1.1.A saúde mental na 3.ª idade


1.1.Definição

O conceito de saúde e de doença, tal como todos os outros conceitos, são produzidos pela
sociedade, sendo, consequentemente, conceitos relativos e dependentes dos padrões
dominantes nas sociedades.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, saúde é “um estado positivo de completo bem-
estar físico, mental e social e espiritual”. Esta definição contraria a do modelo médico que
associa a saúde à “ausência de doença” ou de qualquer tipo de distúrbio biológico.
A doença tem repercussões em todas as dimensões do indivíduo (física, psicológica e social)
despoletando desequilíbrio. Desta forma, o contexto familiar, laboral e outros aos quais o
indivíduo pertence é afetado, daí decorre o facto do tratamento da doença não se poder
circunscrever ao indivíduo.
Apesar de a saúde mental ser um dos aspetos mais importantes da vida do ser humano, ela é
ainda um conceito impreciso, difícil de definir e em torno do qual não existe um verdadeiro
consenso.
Pode ser definida como: “A saúde mental é um equilíbrio da vida psíquica que se caracteriza
por uma auto-avaliação realista e uma boa capacidade de controlar as tensões normais a que
uma pessoa tem de fazer face.”
É um estado que permite ao indivíduo desenvolver-se de maneira ótima no plano físico,
intelectual e emocional, desde que a sua evolução seja compatível com a dos outros. Em geral
as definições de saúde mental giram em torno de dois conceitos: a saúde mental é uma
maneira de ser; a saúde mental é uma soma de virtualidades.

Entre os critérios que permitem definir a saúde mental, encontramos:


 O conhecimento e a aceitação de si próprio (sentido crítico) e dos outros;
 A perceção justa do ambiente e da realidade (bom senso);
 A capacidade de se manter sereno e de se interessar pela vida;
 As aptidões para a integração (acesso à maturidade).
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A explicação das causas associadas à doença mental estrutura-se em três perspectivas


predominantes:
 A da causalidade orgânica, que explica a perturbação mental como alterações,
quantificáveis e observáveis, do próprio organismo. Esta teoria valoriza os fatores
biológicos, incluindo os hereditários
 A da causalidade psicológica, que focaliza a explicação em fatores pessoais e nos
sentimentos, emoções, pensamentos e comportamentos. Enfatiza os aspetos
psicológicos de casa indivíduo relacionando-os com a sua história de vida
 A da causalidade social, que perspetiva a perturbação mental enquanto elemento
inseparável do contexto em que surge. Os fatores sociais, segundo esta corrente, são
determinantes na explicação do surgimento e evolução da doença. Desta forma,
propõe-nos uma abordagem sistémica que inclui a dimensão laboral, familiar, afetiva,
escolar, entre outras.
A análise da doença mental atendendo apenas a uma destas perspetivas é insuficiente e não
permite uma abordagem holística. Daqui decorre a necessidade de se adotar uma perspetiva
psicossocial que explica a doença mental com a interação dos fatores acima mencionados.
As perturbações mentais caracterizam-se por alterações do modo de pensar e do humor ou por
comportamentos associados à angústia pessoal e/ou deterioração do funcionamento.
Uma incidência de comportamento anormal ou um curto período do estado de anormalidade
não determinam por si só a presença de uma perturbação mental, é necessário que essa
anormalidade seja sustentada e que resultem em certa deterioração ou perturbação do
funcionamento pessoal.
Estes fatores não aparecem num período determinado da existência, mas estão sempre
presentes e persistem ao longo de toda a vida. O envelhecimento mental não parece ligado à
idade, mas antes a uma baixa de perceção de si.
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1.2.Promoção

A promoção da saúde mental é uma estratégia global e um conjunto de atividades positivas


que têm como objetivo:
a) Aumentar o valor e a visibilidade da saúde mental, nos diferentes níveis de sociedades, dos
grupos comunitários e nos indivíduos;
b) Proteger, manter e promover a saúde mental.

Uma eficaz promoção de saúde mental deverá resultar na promoção do bem-estar, menos
sofrimento humano, uma menor incidência e prevalência dos distúrbios mentais e de
comportamento, uma melhor utilização dos serviços, uma melhor qualidade de vida, uma
melhoria do funcionamento social, uma integração social reforçada, e outros resultados
relacionados.
Os objetivos da promoção de saúde mental estão concentrados em torno de três grandes temas
que abordam quer os componentes de saúde mental do indivíduo, mas também, os
componentes sociais da saúde mental, e ainda, os componentes da própria sociedade:
As questões que dizem respeito à capacidade de cada pessoa em lidar com o seu mundo
interior – resiliência emocional – em pensar e sentir, em gerir a sua vida e em enfrentar riscos;
As questões que se relacionam com a capacidade de cada pessoa em lidar com o seu mundo
social – cidadania – um sentimento de pertença, a participação, o reconhecimento da
diversidade e a responsabilidade mútua;
As questões que se relacionam com as comunidades saudáveis – que liga o emocional e o
social através de um sentimento de interligação e do desenvolvimento de estruturas saudáveis.

Neste sentido, a promoção da saúde mental:


É um esforço interdisciplinar e sócio cultural orientado para a realização de condições que
promovam o bem-estar psicológico dos indivíduos, dos grupos e das comunidades;
É um longo processo desde a gestação passando pelo parto, pela primeira infância, pela
segunda infância e pela adolescência até à idade adulta e à velhice;
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 Foca fundamentalmente as competências, tais como sentir-se seguro, a autonomia, a


adaptabilidade, a capacidade em lidar com “stressores”, criando relações íntimas
sustentáveis, a auto consciência, a auto-estima, a preocupação com os outros, a auto
confiança, as competências sociais, a responsabilidade social e a tolerância;
 Implica a criação de condições no contexto individual, social e ambiental que
permitam um ótimo desenvolvimento psicológico e psicossocial;
 Pode, como um dos seus resultados, prevenir os distúrbios mentais e de
comportamento dos transtornos mentais.

As pessoas mais velhas enfrentam riscos específicos em relação à saúde mental.


Assim, meios concretos para promover a saúde mental deste grupo etário devem estar
disponíveis. Devem incluir:

Promover a participação social:


 Possibilitar o envolvimento nas atividades sociais da comunidade é uma medida
importante para apoiar a saúde mental das pessoas idosas.
 Proporcionar oportunidades de participação na tomada de decisão política, económica
e cultural da comunidade e a aprendizagem ao longo da vida são meios que garantem a
participação social.

Prevenir a solidão e o isolamento social:


 Muitos idosos vivem sozinhos e podem sentir-se sós, especialmente se tiverem
dificuldades em sair da sua casa.
 Portanto, programas que procuram ajudar a pessoa mais velha na sua vida quotidiana
(numa filosofia befriending) devem ser organizados pela comunidade, num recurso aos
meios públicos, às instituições religiosas ou ao voluntariado.
 Diferentes tipos de clubes, centros recreativos e outras redes sociais podem evitar a
solidão e o isolamento.
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Proporcionar oportunidades para uma vida independente:


 Os sentimentos de independência e autonomia são também importantes para as pessoas
mais velhas.
 Estes podem ser reforçados, por exemplo, através do apoio à criação das chamadas
soluções “casa inteligentes”, pelo fornecimento de equipamento para facilitar a
comunicação e a mobilidade, e, ainda em muitos casos, proporcionando oportunidades
de emprego na velhice e incentivando os trabalhadores mais velhos a permanecer no
mercado de trabalho.

Proporcionar serviços sociais e de saúde adequados:


 A saúde mental e a saúde em geral estão fortemente interligadas, especialmente na
idade mais avançada. Uma má saúde física é um claro fator de risco para problemas de
saúde mental.
 Portanto, é importante estabelecer um sistema de cuidados sociais e de saúde para
fornecer a todos os idosos serviços de saúde primários e de especialidade com elevada
qualidade dos, incluindo um acesso fácil a serviços psiquiátricos, assim como todos os
necessários serviços e benefícios sociais.

Combater o “agismo”:
 As atitudes negativas e depreciativas em relação à velhice, em geral, e às pessoas mais
velhas, em particular, continuam a prevalecer na nossa sociedade.
 Portanto, os políticos devem assegurar que os direitos humanos são respeitados no que
diz respeito às pessoas idosas. Nenhum tipo de discriminação deve ser tolerado.
 É importante Construir Boa Saúde Mental: Orientações baseadas no conhecimento
existente que os idosos tenham a oportunidade de participar nos processos de decisão
social, cultural, económico e político da sociedade.

Na realidade, as pessoas afetadas por problemas de saúde mental são muitas vezes
incompreendidas, estigmatizadas, excluídas ou marginalizadas, devido a falsos conceitos, que
importa esclarecer e desmistificar, tais como:
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 As doenças mentais são fruto da imaginação;


 As doenças mentais não têm cura;
 As pessoas com problemas mentais são pouco inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis
ou perigosas.

Estes mitos, a par do estigma e da discriminação associados à doença mental, fazem com que
muitas pessoas tenham vergonha e medo de procurar apoio ou tratamento, ou não queiram
reconhecer os primeiros sinais ou sintomas de doença.
O tratamento deverá ser sempre procurado, uma vez que a recuperação é tanto mais eficaz
quanto precoce for o tratamento.
Mesmo nas doenças mais graves é possível controlar e reduzir os sintomas e, através de
medidas de reabilitação, desenvolver capacidades e melhorar a qualidade de vida.
Ao longo da vida, todos nós podemos ser afetados por problemas de saúde mental, de maior
ou menor gravidade.
Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa e o envelhecimento,
ou acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de familiar próximo, o divórcio, o
desemprego, a reforma e a pobreza podem ser causa de perturbações da saúde mental.
Fatores genéticos, infeciosos ou traumáticos podem também estar na origem de doenças
mentais graves.

CARACTERÍSTICAS DE UMA PERSONALIDADE MENTALMENTE SAUDÁVEL:

1. Eficácia e competência funcional


Levar a termo os seus projetos, ser autónomo e conservar a independência psicológica no
trabalho, ter uma perceção ajustada da realidade e comprometer-se em outros projectos além
dos seus.

2. Criatividade e capacidade de apreciar as experiências novas


Ter o espírito aberto e ser capaz de criar para si próprio um novo estilo de vida.
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3. Harmonia interior
Gostar de si e aceitar-se, gostar dos outros e apreciar a natureza, querer ter uma vida pessoal e
desligar-se das coisas menos importantes.

4. Compaixão nas relações com os outros


Identificar-se com os outros e ser capaz de intimidade, de autenticidade, de transparência, de
pertença e de disponibilidade.

5. Transferência
Estar em comunhão com o meio, estabelecer uma relação com outra pessoa, e viver
experiências místicas com Deus ou a natureza.
Podemos acrescentar a estas características valores como a originalidade do julgamento,
riqueza das emoções, facilidade de aceitação dos outros e não imutabilidade do sistema de
valores.
Os idosos mentalmente saudáveis respondem por vezes de maneira muito diferente aos
critérios de maturidade. Vejamos como é que as características da personalidade, se podem
aplicar a pessoas de idade mentalmente saudáveis.

1. Aceitar os seus limites e forças pessoais e possuir uma identidade sólida.


O idoso faz questão das suas crenças e não se deixa persuadir com facilidade a modificar o seu
comportamento ou a empreender novas experiências. Conhece-se e aceita-se como é.
Tem habitualmente a capacidade de decidir por si as escolhas a fazer, o que é bom para si.
“Sei que a minha escolha parece ridícula, mas é a que mais me convém”.

2. Atingir o mais alto nível de potencial possível e atualizar-se.


O envelhecimento impõe muitas vezes alguns limites. No entanto, se for encorajado e lhe
derem a possibilidade, o idoso pode empreender novas atividades e delas tirar prazer.
Esta atualização pode realizar-se através de ocupações como a entreajuda ou pela participação
em experiências novas (viagens, atividade física, etc.).
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3. Resistir ao stress, conservar a energia, manter o equilíbrio das suas forças intra-
psíquicas e desenvolver uma filosofia de vida.
Mesmo que o idoso não procure as situações geradoras de stress, ele é capaz de lhes fazer face
e de se adaptar sem agitação ou ansiedade excessiva.
Uma filosofia de vida mais realista permite-lhe adotar atitudes de calma e paciência em vez de
estratégias fúteis de evitamento que o impedem de conservar as suas energias.

4. Demonstrar autonomia, independência, e ser capaz de fazer escolhas.


Quando um idoso não pede ajuda e decide não empreender atividades muito exigentes,
conserva-se muitas vezes mais alerta e atento.

De facto, são muitas vezes as pessoas mais próximas que reagem mal aos desejos de
autonomia das pessoas idosas.

5. Perceber a realidade social sem a deformar, estar atento ao que se passa e ser capaz de
reconhecer o valor de outrem.
O idoso não está divorciado do resto do mundo. Mantém-se em contacto com a realidade e é
capaz de responder a perguntas sobre a atualidade.
Em geral, avalia bem o tempo investido e a energia consagrada pelos parentes ou pessoas que
o tratam. Quando é tratado com dignidade é afetuoso, paciente, generoso e mostra-se
interessado.

6. Controlar o ambiente, trabalhar, ter atividades recreativas, resolver problemas e


adaptar-se à vida.
Regra geral os idosos escolhem as atividades que lhes convêm. Podem muito bem
tomar parte em atividades recreativas e divertir-se com elas.
As suas escolhas no campo das atividades recreativas ou outras não devem ser comparadas
com as de adultos mais jovens.
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Resumindo, a saúde mental do idoso baseia-se na sua auto-realização, ultrapassagem dos


limites, expressão das emoções e das ideias, autenticidade e abertura de espírito. As condições
essenciais são o amor e a aceitação de si e dos outros, a capacidade de viver com profundidade
experiências humanas “aqui e agora”, sentido de responsabilidade e uma liberdade refletida.
A saúde mental do idoso é, então, tributária da hereditariedade e do meio, da interdependência
entre a maturação física e psicológica, da conservação das habilidades psicológicas e da sua
capacidade de resolver conflitos.
A imagem mais simples do idoso mentalmente saudável é a de uma pessoa que mantém com
os outros laços afetivos satisfatórios, não reage às situações de maneira automática, suporta
bastante bem o stress e não constitui um fardo para si próprio e para os outros.

1.3.Saúde mental e comunidade

O modelo de Saúde Mental Comunitária, defendido pela OMS, pressupõe a manutenção dos
doentes na sua comunidade de pertença. Este modelo de tratamento implica algumas
mudanças, tais como:
 Criação de uma rede de serviços que prestem cuidados diferenciados
 Integração no Serviço Nacional de Saúde, ou seja, os serviços de saúde mental devem
estar integrados nos Hospitais Gerais e Centros de Saúde
 Continuidade na prestação de cuidados, o que implica a existência de uma equipa que
acompanha a pessoa com doença mental no decorrer do seu projeto terapêutico
 Articulação com as estruturas comunitárias, direcionando os recursos numa ação
concertada, reforçando as redes de suporte social e o estabelecimento de parcerias
 Direcionar a intervenção não só para a pessoa com doença mental grave mas também
para as suas famílias, numa perspetiva da reabilitação psicossocial
 Impulsionar a participação dos utentes e suas famílias no planeamento e avaliação dos
serviços.
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A intervenção comunitária tem como principal objetivo a integração nos contextos


comunitários e não nas estruturas e/ou serviços.
Este modelo inspira-se nos princípios da saúde mental comunitária que advoga que as pessoas,
independentemente do diagnóstico e de qualquer outra vulnerabilidade, devem manter-se na
comunidade com acesso aos recursos disponíveis.
Este processo faz-se através das redes de suporte, dos grupos de ajuda mútua e da participação
em contextos diversificados. Este modelo requer o desenvolvimento de competências técnicas
específicas capazes de conduzir os profissionais a uma compreensão holística das múltiplas
necessidades das pessoas com doença mental, identificando precocemente vulnerabilidades
associadas à cronicidade destas patologias.
Os cuidados de saúde mental na comunidade são potencialmente mais humanos e mais
terapêuticos do que os cuidados hospitalares mediante a concretização de condições prévias. O
planeamento de serviços tem de ser baseado nas realidades biopsicossociais de forma a dar
uma resposta completa e apropriada ás especificidades da população.
A intervenção em contexto comunitário dever ser não apenas local e acessível, mas também
estar estruturada de tal forma que possibilite uma resposta diferenciada às diversas
problemáticas apresentadas por esta população. Deve reger-se por princípios orientadores que
estruturem toda a ação.
Destes princípios importa destacar: diagnóstico, intervenção precoce, participação de utentes e
família, envolvimento das estruturas comunitárias e a articulação com os Cuidados de Saúde
Primários (CSP).
As pessoas com experiência de doença mental grave e suas famílias apresentam um conjunto
de necessidades complexas e mutáveis que implicam o envolvimento de diversos profissionais
num diagnóstico e intervenção precoce, que permita não apenas o controlo de sintomas, mas
também a melhoria dos resultados e consequentemente da qualidade de vida, sustentado num
plano de intervenção holístico e integrado.

Atendendo à evolução crónica das perturbações mentais graves a questão da continuidade de


cuidados torna-se crucial.
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A passagem dos utentes para a comunidade repercutiu-se em grandes custos para as famílias
que não foram acompanhados pelo desenvolvimento efetivo de estratégias que aliviam-se a
sobrecarga familiar.
O trabalho em parceria com as famílias e a sua inclusão no projeto terapêutico devem fazer
parte dos pressupostos que orientam a intervenção dos técnicos, este pressuposto estende-se às
estruturas comunitárias que devem estar envolvidas nas políticas de saúde mental. Uma outra
linha de orientação na intervenção comunitária é a articulação com os Cuidados de Saúde
Primários.
Na prática da saúde mental comunitária a participação de utentes e das famílias é
indispensável porque um dos objetivos a prosseguir é o aumento da sua autonomia e do
controlo sobre as decisões que afetam as suas vidas.
O desenvolvimento do modelo comunitário e a consequente implementação de estruturas
comunitárias reforça a importância do desenvolvimento dos suportes pessoais e comunitários
de forma a fortalecer as redes naturais às quais o indivíduo pertence, a identificar o potencial
de suporte social das instituições comunitárias, a melhorar a articulação entre as redes de
suporte comunitário e os serviços de saúde mental e a investigar as redes e os sistemas de
suporte comunitário formais e informais.
O suporte social pode ser avaliado pela integração social de um indivíduo no seu meio e pela
rede de serviços e pessoas que lhe são acessíveis, de acordo diversos autores, é um fator capaz
de proteger e promover a saúde e que o apoio social exerce uma função mediadora,
contribuindo para a manutenção da saúde.

As redes sociais apresentam como características:


 Intensidade: número de funções ou serviços recíprocos prestados pelas interações entre
os componentes da rede:
 Durabilidade: grau de durabilidade dos laços;
 Multidimensionalidade: número de funções diferentes contida em cada interação;
 Reciprocidade: ajuda recebida e prestada;
 Densidade: número de funções realizadas em cada interação em relação ao número
total de funções da rede;
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 Dispersão: facilidade do indivíduo em estabelecer interações com os vários membros


da rede;
 Frequência: frequência do estabelecimento de interações com os elementos da rede;
 Homogeneidade: partilha de afinidades sociais pelos elementos da rede.

Uma rede pessoal ativa e responsável desempenha uma função protetora (doença), facilitadora
(procura de recursos) e aceleradora (no processo de cura). Por outro lado, no caso de doenças
de evolução prolongada, como as psicoses, pode ocorrer a deterioração na qualidade da
interação social e a diminuição da extensão da rede social pessoal.
As redes sociais desempenham um papel fundamental na saúde dos indivíduos. A presença de
familiares ou amigos próximos reduz as situações potenciadoras de tensão; as relações sociais
contribuem para dar um sentido mais consistente à vida dos indivíduos o que estimula a
prevenção e a manutenção da saúde e favorece comportamentos corretivos em relação à saúde
e atividades saudáveis.
É evidente que quase todos os sectores da sociedade têm conexões com ou influenciam a
saúde mental da população. Deste modo, a saúde mental da população é, em muitos aspetos,
afetada pela forma como as políticas sociais, em geral, são organizadas e conduzidas.
Para além de saúde e da segurança social, os seguintes sectores são de especial importância: a
educação, o emprego, a habitação, o ambiente, a cultura e o desporto, a justiça e o sistema
prisional, os meios de comunicação e a economia. Numa política de saúde mental abrangente
as tarefas e responsabilidades de todos estes sectores devem ser consideradas.
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2.Psicopatologia da pessoa idosa


2.1.O normal e o patológico

2.1.1.Conceito de doença mental

Com o avançar da idade vão ocorrendo alterações estruturais e funcionais a nível físico,
cognitivo e sensorial, que embora variem de um indivíduo para outro, são encontradas em
todos os idosos e são próprias do envelhecimento normal.
Muitas das mudanças profundas desta fase de vida culminam em incapacidades de naturezas
diversas. Nem sempre é fácil estabelecer os limites entre senescência e senilidade, ou seja,
entre modificações peculiares do envelhecimento e as decorrentes de processos mórbidos mais
comuns em idosos.
Isto deve-se, por um lado, à grande variabilidade de comportamentos individuais durante a
vida, e por outro, ao facto de as pessoas idosas não se apresentarem com as manifestações
clássicas observáveis em indivíduos jovens.
A idade traz consigo maior fragilidade e por consequência mais doença, tanto física como
psíquica. Porque é que algumas pessoas envelhecem de maneira saudável e outras não?
Porque é que alguns mantêm as suas capacidades mentais e neuro comportamentais intactas e
outros desenvolvem demências (como Alzheimer)?
Estes porquês mantêm-se em grande parte sem resposta, no entanto o sistema nervoso, quando
em falha, com lesão e com os efeitos do envelhecimento afirma-se como o responsável de
variadas falhas do organismo, como ao nível de funções viscerais, respiratórias, sensoriais
(audição e visão, p.e), cognitivas, assumindo um importante papel no envelhecimento
somático e na sobrevivência do organismo.
Vários autores abordam estes diversos declínios que acompanham a velhice. Mencionam
tendências gerais do envelhecimento ao nível físico, ao nível de aptidões cognitivas e ao nível
da saúde mental.
Aspetos relativos ao nível físico são caracterizados como um declínio relativo a um indivíduo
menos robusto e capaz, com défices posturais, lentificação de movimentos e de reflexos que
aumentam a predisposição para limitações de mobilidade e propensão a quedas.
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Ao nível de aptidões cognitivas mencionam-se aspetos da inteligência relativamente estáveis


ao longo da vida (cristalizada), como o vocabulário, informação e compreensão, tendo em
conta que a execução de tarefas percetivo-motoras (inteligência fluida) novas e rápidas podem
começar a apresentar um comprometimento a partir dos cinquenta anos.
A atenção ao nível da capacidade de filtração de informação, repartição por múltiplas tarefas
ou desvio do foco de um tópico para o outro encontra-se menos ativa, bem como a linguagem
e capacidades visuais e auditivas que se constituem como parte essencial para a execução de
uma boa comunicação interpessoal.
A compreensão de mensagens novas e complexas tornam-se mais difíceis, o discurso do idoso
torna-se mais repetitivo (reflexo tanto de problemas de memória de curto prazo como
reduzidas oportunidades de conversação).
Também as habilidades visuo-espaciais, o raciocínio, funções de execução e rapidez
apresentam um declínio mais acentuado a partir dos sessenta, setenta anos. Relativamente à
memória e aprendizagem constituirão a maior percentagem de queixas cognitivas da
população idosa, se bem que a capacidade da memória de longo prazo normalmente é
mantida.
Em psiquiatria geriátrica a co morbilidade é a regra e não a exceção nos idosos. As
perturbações psíquicas resultam muitas vezes de causas físicas, tanto cerebrais como
sistémicas, ou são agravadas por estas. E o inverso é igualmente verdadeiro: a doença mental
acarreta frequentemente má alimentação, deficiente higiene e exposição a fatores de risco
responsáveis pela deterioração do estado geral.
Também fatores sociais como o isolamento e a dependência económica são causa e
consequência do adoecer físico e mental. Deste modo, a etiologia multifatorial vem a ser uma
característica própria das doenças na idade avançada.
Existem algumas patologias que se podem antecipar como o reequilibrar do funcionamento
biopsicossocial do advento da velhice, dependente de alterações do funcionamento físico e
cognitivo.
Vários autores mencionam que, excetuando a demência, considerada como patologia
específica da velhice, muitas outras de origem mental aparecem na velhice com menor grau de
incidência e gravidade do que noutras fases da vida. Isto explica-se por uma seleção natural
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em que os casos mais graves padeceram e, os mais resilientes, melhoraram e estabilizaram as


respetivas patologias.
Os indivíduos idosos com perturbações mentais constituem um subgrupo considerável da
população idosa e as estimativas de diagnóstico são maiores nos grupos hospitalizados,
principalmente nos de longo internamento, do que nos grupos de comunidade.
Os doentes idosos estão sujeitos ao mesmo amplo espectro de perturbações mentais que os
adultos mais novos, no entanto, na população idosa alguns estados apresentam uma maior
prevalência e morbilidade.
Muitos indivíduos idosos sem perturbações mentais graves, experimentam reacções de
adaptação a stresses pessoais, ao luto, síndromes dolorosos e alterações do sono. Medidas
educativas e outras intervenções dirigidas evitam o desencadear de situações psíquicas ou
médicas mais graves.
Os indivíduos idosos com perturbações mentais constituem um subgrupo considerável da
população idosa e as estimativas de diagnóstico são maiores nos grupos hospitalizados,
principalmente nos de longo internamento, do que nos grupos de comunidade.
Os doentes idosos estão sujeitos ao mesmo amplo espectro de perturbações mentais que os
adultos mais novos, no entanto, na população idosa alguns estados apresentam uma maior
prevalência e morbilidade.
Muitos indivíduos idosos sem perturbações mentais graves, experimentam reacções de
adaptação a stresses pessoais, ao luto, síndromes dolorosos e alterações do sono.

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS MAIS COMUNS EM IDOSOS:


 Demência
o Demência tipo Alzheimer
o Demência vascular
 Doença de Parkinson
 Esquizofrenia
 Transtornos depressivos
 Transtorno bipolar (do humor)
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 Transtorno delirante
 Transtornos de ansiedade.

Demência
Demência é um comprometimento cognitivo geralmente progressivo e irreversível. As
funções mentais anteriormente adquiridas são gradualmente perdidas.
Com o aumento da idade a demência torna-se mais frequente. Acomete 5 a 15% das pessoas
com mais de 65 anos e aumenta para 20% nas pessoas com mais de 80 anos.

Os fatores de risco conhecidos para a demência são:


 Idade avançada
 História de demência na família
 Sexo feminino

Os sintomas incluem alterações na memória, na linguagem, na capacidade de orientar-se. Há


perturbações comportamentais como agitação, inquietação, andar a esmo, raiva, violência,
gritos, desinibição sexual e social, impulsividade, alterações do sono, pensamento ilógico e
alucinações.
Na maioria das vezes as demências são causadas por doenças degenerativas primárias do
sistema nervoso central (SNC) e por doença vascular.
Cerca de 10 a 15% dos pacientes com sintomas de demência apresentam condições tratáveis
como doenças sistémicas (doenças cardíacas, renais, endócrinas), deficiências vitamínicas, uso
de medicamentos e outras doenças psiquiátricas (depressão).
As demências são classificadas em vários tipos de acordo com o quadro clínico, entretanto as
mais comuns são demência tipo Alzheimer e demência vascular.

Demência tipo Alzheimer


De todos os pacientes com demência, 50 a 60% têm demência tipo Alzheimer, o tipo mais
comum de demência. É mais frequente em mulheres que em homens.
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É caracterizada por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A
memória é a função cognitiva mais afetada, mas a linguagem e noção de orientação do
indivíduo também são afetadas. Inicialmente, a pessoa pode apresentar uma incapacidade para
aprender e evocar novas informações.
As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão (pensamento, sentimento,
ideia ou sensação intrusiva e persistente) e desconfianças, surtos de raiva com risco de atos
violentos.
A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo podendo ser encontrada longe de casa em
uma condição de total confusão. Aparecem também alterações neurológicas como problemas
na marcha, na fala, no desempenhar uma função motora e na compreensão do que lhe é falado.
O diagnóstico é feito com base na história do paciente e do exame clínico. As técnicas de
imagem cerebral como tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser úteis.
O tratamento é paliativo e as medicações podem ser úteis para o manejo da agitação e das
perturbações comportamentais. Não há prevenção ou cura conhecidas.

Doença de Parkinson
A doença de Parkinson é uma desordem do cérebro que leva a agitação (tremores) e
dificuldade no andar, nos movimentos do corpo e na coordenação
A doença geralmente desenvolve-se após os 50 anos. É um dos mais comuns distúrbios do
sistema nervoso do idoso.
O distúrbio pode afetar um ou ambos os lados do corpo. Os sintomas podem ser leves no
início. Por exemplo, o paciente pode ter um tremor leve ou uma ligeira sensação de que uma
perna ou pé está endurecida e se arrasta.

Os sintomas incluem:
 Movimentos automáticos e vagarosos
 Dificuldade em iniciar ou movimento contínuo, por exemplo, começar a andar ou sair
de uma cadeira
 Diminuição do equilíbrio e passos pequenos
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 Falta de expressão no rosto


 Dores musculares e nas articulações (mialgia)
 Músculos rígidos ou duros (geralmente nas pernas)
 Agitação, tremores
 Voz baixa e arrastada
 Posição inclinada

Não há cura conhecida para a doença de Parkinson. O objectivo do tratamento é controlar os


sintomas.

Mudanças no estilo de vida podem ser úteis para a doença de Parkinson:


• Boa nutrição e saúde geral
• Exercícios físicos
• Períodos de descanso
• Tratamento de fisioterapia, fono-audiologia e terapia ocupacional

A doença de Parkinson é progressiva, vai piorando com o tempo, que pode perdurar por
décadas, levando o idoso numa fase mais avançada a ficar imobilizado, restrito ao leito e à
poltrona, causando todas as mazelas que uma imobilidade pode afetar num idoso.

Transtornos depressivos
A idade avançada não é um fator de risco para o desenvolvimento de depressão, mas ser viúvo
ou viúva e ter uma doença crónica estão associados com vulnerabilidade aos transtornos
depressivos. A depressão que inicia nessa faixa etária é caracterizada por vários episódios
repetidos.
Os sintomas incluem redução da energia e concentração, problemas com o sono
especialmente despertar precoce pela manhã e múltiplos despertares, diminuição do apetite,
perda de peso e queixas somáticas (como dores pelo corpo). Um aspeto importante no quadro
de pessoas idosas é a ênfase aumentada sobre as queixas somáticas.
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Pode haver dificuldades de memória em idosos deprimidos que é chamado de síndrome


demencial da depressão que pode ser confundida com a verdadeira demência. Além disso, a
depressão pode estar associada com uma doença física e com uso de medicamentos.
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2.2.Envelhecimento normal e patológico

Atingir a velhice significa que foi possível sobreviver e adaptar-se com mais ou menos saúde
mental e consequentemente maior ou menor bem-estar a desafios específicos de outras fases
da vida. A velhice pode ser um período de múltiplas perdas e transição de papéis, requerendo
adaptação a mudanças do funcionamento físico, morte do cônjuge, família e amigos.
O processo de envelhecimento ao longo da velhice, traz ele próprio desafios adaptativos que
lhe são peculiares. Tais desafios reportam-se a aspetos de ordem física, psicológica e social.
Devido a isto, esta fase de vida postula-se como um momento de risco para o equilíbrio e
bem-estar físico e psicológico.
O organismo humano, desde a sua conceção até à morte, passa por diferentes fases. O
envelhecimento manifesta-se por declínio das funções dos diversos órgãos, linear ao longo do
tempo e com a impossibilidade de definição de um ponto exato de transição.
Se é fácil reconhecer algumas manifestações comuns em idosos, como as manifestações
físicas, é impossível afirmar se estas são exclusivamente dependentes do envelhecimento,
tendo em conta que fatores genéticos e ambientais podem estar presentes, o que justifica o
facto de duas pessoas não envelhecerem do mesmo modo.
Os gerontólogos acentuam que a velhice vive-se primeiro que tudo no corpo, não significando
que o indivíduo esteja atento imediatamente aos seus sinais e a estes reaja.
Como sinais entendam-se os cabelos embranquecidos, a pele mais seca e com menor
elasticidade, rugas, deterioração visual e auditiva, lentidão de reflexos, menor capacidade
respiratória, menor equilíbrio e resistência, cansaço e recuperação física mais lenta, menor
eficácia do sistema imunitário para proteger o corpo de infeções e de uma maneira geral a
perda de saúde física.
Muitas destas manifestações de velhice representam o envelhecimento primário, gradual e
universal, mas outras referem-se ao envelhecimento secundário, associado a doença e
tradutores de excertos de história de vida.
Diversos sinais de envelhecimento e da velhice, alguns inerentes à deterioração cognitiva e
física, interferem na capacidade funcional associada à autonomia do funcionamento executivo
do dia-a-dia, desde atividades que se reportam à auto-suficiência no cuidado de si próprio e
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que se inserem no contexto domicilio, até outras que implicam deslocação, com ou sem
transportes, como compras, visitas ou consultas médicas.
Deste modo, existe toda uma expressão de envelhecimento e velhice materializada na
aparência dos indivíduos, sendo um critério para o mundo dos outros, utilizado para justificar
a denominação de pessoa idosa.
Neste seguimento, de desafios e reelaboração da identidade, faz sentido distinguir entre
envelhecimento normal, ótimo e patológico.
Envelhecimento normal diz respeito à ausência de patologias tanto ao nível mental como
biológico; o envelhecimento ótimo/ com sucesso corresponde a um estado de envelhecimento
ideal, visto que as capacidades biológicas e psicológicas permitem uma adaptação no âmbito
social e pessoal bastante satisfatória.
O envelhecimento patológico apresenta um carácter degenerativo e associa-se a doenças
crónicas, tanto do foro psíquico como físico, bem como a doenças típicas da velhice de
desorganização biológica.
O envelhecimento normal e ótimo são indicadores de sanidade mental, sendo que o último se
traduz numa melhor qualidade de vida, visto que o indivíduo procura de modo ativo melhorar
o seu funcionamento e desempenho, refletindo-se numa melhoria no desenvolvimento do
bem-estar psicológico.
No entanto, nenhum ser humano consegue atingir uma velhice bem-sucedida por si só se
desprezar as circunstâncias sociais e ambientais envolventes. Tem que se ter em consideração
os fatores sócio históricos e adaptativos, ou seja, tem que se ter em conta uma perspetiva
ecológica.

2.3.Depressão na pessoa idosa

A depressão é uma perturbação do humor que não deve ser confundida com sentimentos de
alguma tristeza (o «estar em baixo» ou «desmoralizado»), geralmente reativos a
acontecimentos da vida, que passam com o tempo e que, geralmente, não impedem a pessoa
de ter uma vida normal.
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Na depressão, os sintomas tendem a persistir durante certo tempo e podem incluir, em arranjos
variáveis, os seguintes:
 Sentimentos de tristeza, vazio e aborrecimento;
 Sensações de irritabilidade, tensão ou agitação;
 Sensações de aflição, preocupação com tudo, receios infundados, insegurança e
medos;
 Diminuição da energia, fadiga e lentidão;
 Perda de interesse e prazer nas atividades diárias;
 Perturbação do apetite, do sono, do desejo sexual e variações significativas do peso;
 Pessimismo e perda de esperança;
 Sentimentos de culpa, de autodesvalorização e ruína, que podem atingir uma dimensão
delirante;
 Alterações da concentração, memória e raciocínio;
 Sintomas físicos não devidos a outra doença (ex. dores de cabeça, perturbações
digestivas, dor crónica, mal-estar geral);
 Ideias de morte e tentativas de suicídio.

A depressão é considerada hoje em dia, um problema de saúde importante que afecta pessoas
de todas as idades, levando a sentimentos de tristeza e isolamento social que muitas vezes têm
como desfecho o suicídio. Contudo, é nas idades avançadas que ela atinge os mais elevados
índices de morbilidade e mortalidade, na medida em que assume formas incaracterísticas,
muitas vezes difíceis de diagnosticar e, consequentemente, de tratar.
A depressão é um estado tão importante como os défices cognitivos nos adultos mais velhos.
Na comunidade, as percentagens de indivíduos idosos cujos sintomas satisfazem os critérios
do diagnóstico de depressão major e perturbação distímica são baixos, o que pode ser
explicado por critérios tradicionais que não fazem justiça à prevalência dos sintomas nesta
população.
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Em hospitais, pelo menos 25% dos doentes idosos têm perturbações de humor e 50% das
admissões de idosos em hospitais psiquiátricos são devidas a situações de depressão. A
depressão geriátrica apresenta uma improbabilidade de remissão espontânea.
A deterioração da saúde, as mudanças físicas, sensoriais e cognitivas, a “partida” dos filhos, a
morte do cônjuge e dos entes queridos e todas as transições que acompanham a fase da
velhice tornam esta população mais vulnerável a este tipo de patologias.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 30% a 35% da população idosa nos
países industrializados apresentam algum tipo de distúrbio mental e que um em cada dez
idosos sofre de depressão. A maioria sofre de distúrbios depressivos ou neuróticos tendo uma
natureza maioritariamente psicossocial.
A depressão no idoso apresenta diversas formas de apresentação clínica com queixas
funcionais e sintomas mais específicos: psicótica, psicogénica, somatogénica, mascarada,
endógena, com alteração cognitiva (pseudodemência depressiva), causada por uma situação
geral do foro médico, no âmbito de uma perturbação bipolar do humor.
A depressão na população idosa, muitas vezes, não é identificada devido a situações de co-
morbilidade em situações médicas com sintomas semelhantes. Mesmo os próprios idosos são
mais propensos a queixar-se de sintomas físicos e menos da descrição de vivências de disforia
e variâncias de humor.
Para agravar, acrescenta-se o facto de os funcionamentos deficitários de demência e delirium
serem mais prevalentes nesta população, tornando a distinção entre depressão e demência
difícil devido aos sintomas comuns como distúrbio de sono, anedonia/apatia, queixas de
lacunas de memória.
Tanto entre o sexo feminino como masculino, na população idosa, as taxas de depressão e
outros distúrbios psiquiátricos são mais altos em pacientes institucionalizados do que em
idosos em comunidade.
Um dos principais instrumentos de medida da depressão é a Geriatric Depression Scale
(GDS), uma escala de auto-avaliação criada para colmatar algumas das lacunas de outras
escalas, de fácil aplicação, que exige poucos esforços da pessoa idosa e é livre de itens
somáticos.
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A depressão tem sido identificada como uma das causas do acréscimo de risco de mortalidade
nos idosos. Está associada a condições de comorbidade psiquiátrica, défice cognitivo e
deficiência física nas mulheres, sendo a sua deteção e tratamento imperativas na população
idosa feminina.
Investigações demonstram que as intervenções tradicionais que incluem medicação
antidepressiva, dinâmicas psicológicas cognitivas, breves, comportamentais, bem como
psicoterapias interpessoais são bem-sucedidas no alívio de sintomas depressivos e tratamento
de outros diagnósticos psiquiátricos nos idosos.
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3.Recursos comunitários de apoio

3.1.Respostas sociais à velhice


3.1.1.Saúde e comunidade

Apesar da maioria dos idosos poder viver de modo saudável e independente, uma minoria
substancial necessitará de cuidados continuados devido a défices cognitivos associados à
idade. A institucionalização surge, muitas vezes, como forma de conhecer e preencher as
necessidades desta minoria.
A institucionalização engloba um conjunto de serviços que existem num cuidado continuado
de vinte e quatro horas, como no caso de indivíduos que se encontram incapazes de
desempenhar até as tarefas mais básicas de cuidados pessoais e que necessitam de
acompanhamento médico permanente para lidar com a progressão da doença e outros
problemas de saúde. Ou seja, é muito improvável que um idoso com este tipo de necessidades
consiga viver autonomamente sem este tipo de cuidados.
Os indivíduos que necessitam deste tipo de cuidados são identificados como idosos frágeis, e
possuem três características que os distinguem da restante população idosa capaz de viver
autonomamente: idade avançada, incapacidade, e poucos recursos para viver de modo
independente.
Resumindo, a incapacidade física e cognitiva é um importante determinante da necessidade de
institucionalização. Também os recursos influenciam a decisão da institucionalização.
Como exemplo, está a importância do apoio formal e informal. Investigações sugerem que
idosos que vivem sem um companheiro correm um maior risco de necessitar de cuidados
formais e informais, amplificando a perda da independência funcional.
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Apesar da maioria dos idosos preferirem viver independentemente, a sua saúde física pode
levar à consideração de uma institucionalização que forneça um ambiente mais protector e de
suporte.
Características da transição para esta fase de vida como perdas que levam à solidão,
desespero, e isolamento podem levar a condições psicopatológicas como a depressão,
aumentando a predisposição para a necessidade de serviços de tratamento continuado.

O modelo de institucionalização e serviços é definido pelos múltiplos domínios do cuidar:


contexto, escolha do consumidor e serviço:
 O primeiro componente salienta o contexto de vida e envolve a distribuição do espaço
privado versus o espaço partilhado.
 O segundo componente envolve a natureza do controlo nomeadamente o espaço
incluindo quem entra, onde se localiza, o horário das tarefas de cuidar, e a
oportunidade de recusa de tratamento. Aqui o tratar otimiza a escolha e liberdade
individual.
 O terceiro componente engloba a natureza e disponibilidade de serviços.

A institucionalização é uma resposta social a uma situação normativa da vida. Nos últimos 15-
20 anos, a variedade de opções de institucionalização para idosos tornaram-se uma resposta a
uma necessidade significante da sociedade e desejo de prolongar o período de vida em que o
individuo se mantém autónomo e independente.
Numa fase inicial de declínio, um baixo nível de tratamento com poucos serviços é mais
adequado para colmatar as necessidades dos idosos que geralmente tentam manter-se o mais
independentes e autossuficientes quanto possível.
Quando o declínio físico ou cognitivo avança para estados mais severos, a assistência direta
das atividades diárias e dos serviços profissionais são necessários e constituintes dum alto
nível de tratamento.
As residências assistidas podem satisfazer as necessidades para os que apresentam níveis
moderados de declínio, enquanto infra-estruturas hospitalares são mais apropriadas para os
que apresentam necessidades médicas severas.
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Tomadas de decisões relativas à institucionalização ou a um viver autónomo são frequentes na


presença de lesões, declínio e necessidade de assistência. Muitas vezes o idoso decide por sua
vontade institucionalizar-se para uma maior assistência das suas necessidades. Noutros casos,
a decisão é encorajada ou persistida pela família e amigos.

A qualidade de vida em instituição é, em geral, mais baixa do que em comunidade,


provocando mudanças rápidas no equilíbrio psicofísico do idoso.

3.1.2.O hospital e o seu papel face à pessoa idosa

O hospital inclui uma grande variedade de unidades/serviços que apresentam características


muito diferentes, apesar de inter-relacionados, tornando-a uma organização heterogénea e
complexa.
O contacto dos utentes com o hospital, sobretudo quando em situação de internamento, é uma
experiência significativa acompanhada por um conjunto de sentimentos, quase sempre
marcantes, pois o hospital é um mundo à parte.
A hospitalização por sua vez, constitui quase sempre um trauma para o utente e sua família,
provocando com frequência desde a admissão, medos, angústias, fantasmas, que cada
indivíduo exprime de acordo com a sua personalidade.
Durante o internamento ocorrem procedimentos (simples e rotineiros para o profissional) que
promovem o sentimento de despersonalização no doente, em particular, pela dificuldade em
manter a privacidade e individualidade.
O seu tempo define-se pelas rotinas do contexto e a comunicação com o exterior é limitada.
Estes procedimentos podem ser vivenciados como ameaçadores, geradores de ansiedade,
trazendo desconforto, insegurança e stress.
O utente geralmente está apreensivo e, a atitude da equipa de saúde envolvida na admissão
pode fazê-lo sentir-se mais confortável. Uma receção acolhedora, com demonstração de
verdadeiro interesse, fá-lo sentir-se como um indivíduo único com valor e dignidade.
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Fornecer informação aos doentes e suas famílias, envolvê-los, comunicar com eles, satisfaz
várias necessidades a diferentes níveis, tendo repercussões positivas para os utentes e famílias,
para as instituições de saúde a nível financeiro e para a humanização dos cuidados:
 A nível médico-legal, permite o consentimento informado;
 A nível psicológico, ajuda a lidar com a doença, reduz os estados depressivos, o stress
e a ansiedade, preserva a dignidade e o respeito, promove o sentimento de segurança,
aumenta a adesão e o compromisso, a aceitação dos procedimentos terapêuticos e a
responsabilidade do utente/doente”;
 A nível médico-institucional – reduz o número de dias de internamento, o número de
medicamentos ingeridos e facilita a recuperação do doente”.

Para que a família possa desempenhar na totalidade a sua função de prestadora de cuidados, os
profissionais de saúde devem procurar compreender e avaliar as necessidades sentidas pelos
familiares e criar condições para que a família e o utente possam verbalizar os seus
sentimentos, receios e angústias. Este é um tempo oportuno para o ensino do familiar
cuidador, em especial se estiver previsto o regresso a casa do utente.
Particularmente no âmbito da saúde mental, de modo a poderem garantir a continuidade dos
cuidados no domicílio após a alta hospitalar do idoso dependente, é importante que o cuidador
informal seja considerado como parceiro, e sujeito de cuidados, sendo-lhe disponibilizada
informação e acompanhamento.

3.1.3.Outros recursos

3.1.3.1.Família

Embora alguns dos cuidados prestados aos idosos sejam provenientes do sistema formal, ou
seja das instituições, é através do sistema informal que é possível manter o idoso no seu meio
ambiente com a satisfação das suas necessidades 24 horas por dia.
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Os representantes do sistema informal são aqueles que proporcionam a maior parte dos
cuidados e apoio a quem padece de uma doença ou requer ajuda para atividades de vida diária,
sem receber remuneração, podendo ou não manter um laço familiar
Neste sentido, as redes de apoio informal visam a ajuda concreta às pessoas idosas, sendo
normalmente constituídas pelo cônjuge, familiares (filhos, netos, primos, sobrinhos …),
amigos e vizinhos, que tendem a possibilitar a permanência do idoso na sua casa ou em
ambiente familiar.

A família é a primeira unidade social onde o indivíduo se insere, que contribui para o seu
desenvolvimento, socialização e formação da personalidade. Para além da família ser vista
como a natural cuidadora dos idosos, por vezes, esta acaba por ocupar, de modo involuntário,
o papel de principal cuidador dos seus idosos, devido à insuficiente existência de estruturas e
equipamentos de apoio à população.
As pessoas com redes mais alargadas obtêm mais apoio nos momentos de doença, daí que o
tamanho da rede deva ser alimentado ao longo da vida. No entanto, o tamanho das redes
sociais e das trocas de apoio social diminuem com a idade.
Neste contexto, grande parte dos idosos a família representa a rede social, sendo esses
vínculos principalmente estabelecidos por familiares multigeracionais, que constituem os
prestadores de cuidados. Existem ainda idosos cuja rede social é mais diversificada, onde os
familiares coexistem com outro tipo de vínculo.
Os cuidados prestados pelas famílias cobrem o conjunto de necessidades que contribuem para
a saúde e o bem-estar das pessoas idosas, proporcionando-lhes suporte psicológico,
emocional, financeiro e cuidados e assistência nas atividades básicas e instrumentais de vida
diária.
A prestação de cuidados a pessoas idosas varia com uma série de fatores ligados à pessoa
idosa (tipo e grau de dependência), ao prestador de cuidados (idade, disponibilidade), à
história passada e atual do relacionamento mútuo, entre outros.
As políticas sociais e as políticas comunitárias devem ser aproximadas, no sentido de
promover esferas de solidariedade direta e redes de apoio, dado que os cuidados às pessoas
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idosas e aos familiares que cuidam exigem, sobretudo, uma solidariedade de base e uma ajuda
eficaz, combinada e adaptada.
Para que a ajuda seja eficaz, deverá ser precoce e girar à volta dos eixos como sejam a
informação, formação, suporte, alívio e intervenção psicoterapêutica, indo de encontro às reais
necessidades do cuidador principal.
Sem uma rede de apoios, cuidar em casa é uma tarefa impossível, já que o êxito dos cuidados
domiciliários não depende apenas da disponibilidade das famílias ainda que ela seja
importante, mas também dos serviços de apoio necessários para realizar essa prestação sem
criar novas discriminações.
Na realidade, o desejável será que, desde que estejam asseguradas as condições necessárias
formais e informais, a pessoa idosa permaneça no seu domicílio, preservando, o carácter de
intimidade que caracteriza o autocuidado da saúde.

3.1.3.2.Apoio domiciliário

Atualmente, para muitas pessoas idosas, as redes de apoio informal são incapazes de
preencher as necessidades existentes, quer devido à inadequação da rede, quer porque as suas
necessidades ultrapassam a capacidade de apoio proveniente desse sistema.
A resposta social de SAD consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados
no domicílio, a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro
impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das
necessidades básicas e/ou as atividades de vida diárias.

Esta resposta social tem como objetivos gerais:


 Contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e famílias;
 Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização.

Os objetivos específicos são:


 Assegurar aos indivíduos e famílias a satisfação das necessidades básicas;
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 Prestar cuidados de ordem física e apoio psicossocial aos indivíduos e família, de


modo a contribuir para o seu equilíbrio e bem-estar;
 Colaborar na prestação de cuidados de saúde.

Em termos organizacionais podem apresentar da seguinte forma:


a) Desenvolver-se a partir de uma estrutura criada com essa finalidade ou a partir de
uma estrutura já existente – lar, CD ou outra;
b) Deve progressivamente organizar-se no sentido de proporcionar um apoio contínuo
nas 24 horas e uma atuação de emergência, sempre que necessário.

Devido ao envelhecimento progressivo da população ocorrem com maior frequência situações


de vulnerabilidade física e psíquica, que possibilitam o aparecimento de situações patológicas
crónicas, que originam, na maioria dos casos, dependência dentro de limites nem sempre
controláveis pelo próprio e ou seu agregado familiar, como é o caso das demências.
Para que haja um aproveitamento das sinergias desenvolvidas no contexto do serviço de apoio
domiciliário, tendo em consideração as pessoas, os colaboradores, a estrutura e o
funcionamento, torna-se necessário, que resulte deste conjunto uma intervenção pautada por
critérios de qualidade, de que se destacam os seguintes:
 Ter em consideração o superior interesse das pessoas em situação de dependência,
especialmente quando se planifica o trabalho, o que exige uma articulação muito
próxima com os clientes, pessoas próximas dos mesmos e entidades parceiras. Há que
estabelecer uma parceria forte com o cliente e pessoa próxima, a fim de recolher a
informação necessária sobre as necessidades, expectativas, capacidades e
competências, com a finalidade de se poder delinear o plano de desenvolvimento
individual.
 Desenvolver os cuidados ao nível da qualidade das relações que o cliente vai
estabelecer com os colaboradores do serviço de apoio domiciliário e entidades
parceiras
 Reconhecer que todos os clientes necessitam de se sentir incluídos, de ter um
sentimento de pertença, de se sentir valorizados e importantes para aderir ao processo
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de cuidados. Este sentimento é possível de ser construído através do respeito mútuo e


através de relações afetivas calorosas e recíprocas entre o cliente, colaborador de
referência e os cuidadores.
 Compreender a individualidade e personalidade de cada cliente, de forma a criar um
ambiente que facilite a interação, a criatividade e a resolução de problemas por parte
dos clientes. Só desta forma o cliente se pode sentir bem no âmbito dos cuidados a
prestar pelo Serviço de Apoio Domiciliário, se os mesmos tiverem em conta a sua
maneira de ser e estar.

Isto implica…
 Pensar o cliente como um ser afetivo e ativo que gosta de ser respeitado na sua
maneira de ser e estar;
 Criar um ambiente calmo, flexível e responsável que possa ser adaptado aos interesses
e necessidades de cada cliente, promovendo o acesso a um leque de oportunidades de
escolhas e que lhe permita continuar o seu desenvolvimento individual, de forma
confiante e com iniciativa;
 Estabelecer relações que encorajem o cliente a participar de forma activa nas
atividades selecionadas para a prestação de cuidados, de entre as disponíveis
internamente;
 Criar condições para a continuidade das ações que forem escolhidas pelo cliente ou
proporcionar oportunidade de acesso a atividades desenvolvidas por entidades
externas;
 Dinamizar ações que proporcionem oportunidades para que o cliente possa comunicar
os seus sentimentos e pensamentos (p.e. através da possibilidade de estar sozinho com
o colaborador de referência).

3.1.3.3.Lares
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O Lar de Idosos é uma resposta social desenvolvida em alojamento coletivo, de utilização


temporária ou permanente, para idosos em situação de maior risco de perda de independência
e/ou autonomia. Têm como população alvo pessoas com 65 anos ou mais de idade cuja
situação não possibilite a permanência no meio habitual de vida, ou pessoas com idade
inferior a 65 anos em condições excecionais.

Tem como objetivos:


 Atender e acolher pessoas cuja situação social, familiar, económica e/ou de saúde, não
permita uma outra resposta alternativa;
 Proporcionar serviços adequados à satisfação das necessidades dos residentes;
 Proporcionar alojamento temporário como forma de apoio à família (por exemplo,
doença de um dos elementos);
 Prestar os apoios necessários às famílias dos idosos, para a preservação e
fortalecimento dos laços familiares.

Para a maioria dos idosos permanecer nos seus domicílios significa a manutenção da sua
independência; no entanto, devido a múltiplos motivos a institucionalização surge. O processo
de institucionalização em lar tem inerente o simbolismo de quem sai da sua casa e
compreende um conjunto de etapas: decidir em prol da institucionalização, escolha do lar e
adaptação/integração na nova residência.
Para que o idoso se possa sentir bem no âmbito dos serviços prestados pela Estrutura
Residencial, isto é, se forem tidos em conta a sua maneira de ser e estar, a identidade, os
hábitos de vida, as crenças religiosas, a cultura, as condições de vida, entre outros aspetos.

Isto implica…
• Pensar o cliente como um ser afetivo e ativo, que, independentemente da sua
situação, possui um projeto de vida e tem o direito de ser respeitado na sua identidade
e individualidade. Personalizar os serviços, gerindo de forma flexível e individualizada
cada projeto de intervenção, constituiu-se como um imperativo;
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• Organizar dinâmicas de trabalho que proporcionem oportunidades para que o cliente


possa comunicar os seus sentimentos e formular posicionamentos pessoais, sobre o que
o envolve;
• Criar um ambiente calmo, flexível e responsável, adaptado aos interesses e
necessidades de cada cliente, permitindo-lhe continuar o seu desenvolvimento
individual;
• Orientar a prestação de serviços continuamente para o cliente, diagnosticando as suas
necessidades e expectativas, os seus potenciais de desenvolvimento e criando
oportunidades para a sua otimização.

No âmbito da saúde mental, os lares são parceiros privilegiados na prestação de cuidados


continuados, ou seja, o conjunto de intervenções sequenciais integradas de saúde e ou de
apoio social, decorrente de avaliação conjunta, centrado na recuperação global e entendida
como o processo terapêutico e de apoio social, ativo e contínuo, que visa promover a
autonomia melhorando a funcionalidade da pessoa em situação de dependência, através da sua
reabilitação, readaptação e reinserção familiar e social.
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Bibliografia
 AA VV., Manual de boas práticas – um guia para o acolhimento residencial de pessoas
mais velhas, Instituto da Segurança Social, 2005

 Ramilo, Teresa, Manual de psicologia do idoso, Instituto Monitor, 2000

 Ribeiro, Óscar, Manual de Gerontologia Aspectos biocomportamentais, psicológicos e


sociais do envelhecimento, Ed. Lidel, 2012

 Spar, James, La Rue, Asenath, Guia Prático de Psiquiatria Geriátrica, Ed. Climepsi,
2005

 Teixeira, Liliana, Solidão, depressão e qualidade de vida em idosos, Tese de mestrado


em Psicologia, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa, 2010

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