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1º Grupo

1. Filiação
1.1. Conceito de Filiação

A filiação é a ligação de uma pessoa a outra a partir do reconhecimento da


parentalidade da mesma, ou seja, a ligação do filho com os seus pais, seja
biologicamente ou por adopção.

1.2. Causas da Relação Jurídico Familiar


As fontes jurídico familiar são três nomeadamente, o parentesco, a afinidade, a
adopção e o casamento, porem para este capitulo importa-nos o parentesco, afinidade e
a adopção.1

De acordo com a lei da família, a relação jurídica familiar tem como fonte, a
procriação, o parentesco, o casamento, a união de facto, afinidade e a adopção.

1.2.1. Parentesco
Pode definir-se como o vínculo que liga as pessoas que descendem uma das outras ou
que provem de um tronco comum. O parentesco tem, assim, por base, as relações de
sangue.

Os efeitos do parentesco produzem-se, em qualquer grau, em linha recta, embora


quase não ultrapassem o sexto grau na colateral, vide artigo 13 da lei da família.

1.2.2. Afinidade
A afinidade é o vínculo que liga um dos cônjuges aos parentes (que não aos afins)
do outro cônjuge isto segundo o artigo 14 da lei da família. A fonte da afinidade é,
assim, o casamento. Não cessando, porém, com a dissolução deste nos termos do artigo
14 da lei da família.

1.2.3. A adopção
A adopção é (art. 16) o vínculo que, à semelhança da filiação natural, mas
independentemente dos laços de sangue, se estabelece legalmente entre duas pessoas. A
adopção é um vínculo de parentesco legal, moldado nos termos jurídicos da filiação
natural, embora com esta não se possa confundir, nem haja qualquer ficção legal a fazê-
lo.

1
António Maria Torres. (1999). Em defesa dos Direitos da Família, Ed. Rei dos Livre, Lisboa
São admitidas duas modalidades de adopção: a plena e a restrita. A adopção restrita
pode converter-se, a todo o tempo e a requerimento do adoptante, em adopção plena,
mediante a verificação de um certo número de condições.

A adopção plena, tal como a restrita, constitui-se mediante sentença judicial. Para
que a adopção seja decretada, é necessário preencherem-se os requisitos do art. 400 da
lei da família.

1.3. Efeitos da Adopção

Aquele que for adoptado é tido como filho do adoptante e automaticamente faz parte
da sua família, extinguindo assim a relação com a sua família natural ou a que pertencia,
não se alastrando no caso de impedimentos matrimoniais.

1.4. Tutela Filial


Trata-se de encargo legal ou judicial atribuído a alguém, que deverá administrar os
bens ou a conduta do tutelado.2

Nos dizeres de Carlos Roberto Gonçalves, "Poder familiar é o conjunto de


direitos e deveres atribuídos aos pais, no tocante à pessoa e aos bens dos filhos
menores".

Nota-se que o poder familiar é instituído no interesse dos filhos e da família, não
em proveito dos pais, em especial3

1.4.1. Objectivos da Tutela


De acordo com a lei da família, o objectivo da tutela é de defender os direitos do
incapaz, tendo em conta a protecção não só da própria pessoa como também do seu
património e a satisfação das obrigações do incapaz, isto nos termos doo artigo 343,
porem esta incapacidade deve ser decidida ou sentenciada pelo tribunal.

1.5. Fixação do Momento da Concepção


Quando nos referimos ao momento da concepção, pretende-se em termos legais,
determinar o tempo em que se pode considerar que a mulher concebeu. De acordo com
o artigo 217 da lei da família, o momento da concepção do filho é fixado dentro dos

2
Extraído do link: https://www.direitonet.com.br/dicionario/exibir/897/Tutela, do dia 2 de Maio de
2022, pelas 14h e 42 minutos
3
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/6447/Poder-Familiar-Conceito-caracteristica-conteudo-
causas-de-extincao-e-suspensao
primeiros 180 dias, ou seja, no período de 6 meses a pois cujo estes dias fazem parte dos
300 dias que precedem o seu nascimento.

Nos casos em que houve uma gravidez e antes do seu nascimento dentro dos 300
dias for abortada ou tiver outra gravidez, os dias que decorreram da primeira gravidez
não podem ser contados, neste contexto, através da acção especialmente intentada, por
qualquer interessado pode se requerer a prova de interrupção da gravidez. Vid. Artigo
218 da lei da família.

1.6. Prova e Regime da Filiação


A investigação de paternidade ou maternidade, quando se trata de criança
abandonada, pode ocorrer nos casos taxativos estabelecidos pela lei. Normalmente a
filiação se prova pelo registro do nascimento determinando a lei especial no caso
concreto o Código de Registo Civil, no artigo 222 da lei da família.

Aliados a prova de filiação, a lei da família nos remete ao artigo 126 e 127 do
código do registo civil para enaltecer de quem é a competência de lavrar o registo e
quais os requisitos a constarem no assento de nascimento, deste modo as alíneas d), e) e
f) importam os dados dos parentes a que pertence.

1.7. Regime da Filiação


No direito de família há um acentuado predomínio das normas imperativas
(cogentes), ou seja, normas que são inderrogáveis pela vontade dos particulares. Embora
em alguns outros casos a lei conceda liberdade de escolha e decisão aos familiares, a
disponibilidade é relativa, limitada.4

Porem ligado ao regime jurídico, pelo facto de haver o predomínio da vontade das
partes, no caso da prova da filiação dá-se por meio do código processual Civil, pois
envolve métodos, maneira de agir ou conjunto de medidas tomadas para chegar a prova
de filiação e este processo é feito por meio de normas do domínio privado pois os
instrumentos usados são de natureza privada, daí que o regime jurídico da filiação é
privado.

4
Extraido do link: https://www.google.com/search?q=Qual+%C3%A9+a+natureza+jur
%C3%ADdica+do+direito+de+fam%C3%ADlia%3F&sa=X&ved=2ahUKEwiA0-
uGx833AhVZSfEDHcVuAEIQzmd6BAgYEAU, aos 06 de Maio de 2022, pelas 16h e 20 minutos.
2º Grupo

1. Maternidade

1.1. Conceito de maternidade


A maternidade é a experiência pessoal de dar a luz a um filho protagonizado por
algumas mulheres em determinado momento de suas vidas. Ela determina a vida das
mães após a chegada, portanto, elas mudam como um ponto de reflexão de suas vidas.5

1.2. Estabelecimento da Maternidade


O nascimento deve ser declarado verbalmente, em qualquer conservatória do registo
civil ou, se o nascimento ocorrer em unidade de saúde onde seja possível declarar o
nascimento, até ao momento em que a parturiente receba alta da unidade de saúde,
mesmo que os pais não tenham a nacionalidade originária, e segundo o artigo 223 da lei
da família, a declaração de nascimento, imperioso é a identificação da mãe e esta
identificação também deverá ser indicada no acto do registo do menor.

1.2.1. Registo de nascimento: Dentro de um ano ou mais de um ano


     Nascimento ocorreu há menos de 1 ano, considera-se que é mãe a pessoa que como
tal foi indicada.

Se a declaração não for feita pela mãe, ou pelo pai marido da mãe, o conteúdo do
assento é sempre que possível comunicado à mãe pela Conservatória que lavra o
assento. Alicerçado peço artigo 225 da lei da família.

     Nascimento ocorreu há mais de um ano, a maternidade declarada considera-se


estabelecida se foi a mãe a declarante, se estiver presente no acto ou nele for
representada por procurador com poderes especiais, ou for exibida prova da declaração
de maternidade feita em escritura, testamento ou termo lavrado em juízo

A declaração de maternidade é levada ao assento de nascimento do filho, por


averbamento, ficando a constar o nome, idade, estado, naturalidade, residência habitual
e filiação da mãe.

Após o registo de declaração de maternidade é entregue certidão gratuita do assento.6

5
Informação extraída do link:https://conceitos.com/maternidade/, no dia 4 de Maio de 2022
6
Informação extraída do link: https://www.irn.mj.pt/sections/irn/a_registral/registo-civil/docs-do-civil/
estabelecimento-da/, no dia 4 de Maio de 2022
A acção declaratória de maternidade não dispõe sequer de um dispositivo legal próprio,
talvez em face da presunção mater semper certa est, que é determinada pela gravidez e
pelo parto. Porém, em face das modernas técnicas de reprodução assistida, não se pode
negar a possibilidade de ser questionada a maternidade.7

1.3. Sustentação da Maternidade


A obrigação de prover ao sustento dos filhos cessa, em regra, quando eles atingem a
maioridade ou se emancipam. No entanto, a lei determina que, se nessa altura o filho
não tiver completado a sua formação profissional, a obrigação manter-se-á pelo tempo
normalmente requerido para que a formação se complete. Ou seja, desde que o filho
manifeste capacidade e vá tendo aproveitamento escolar.8

Nos termos do artigo 238 da lei da família, estabelece que os menores ou mesmo todos
os incapazes independentemente da modalidade tem o direito de serem alimentados
desde a propositura da acção, presumindo deste modo que o tribunal considere provável
o reconhecimento da maternidade.

1.4. Declaração de Nascimento


Não basta existir. Há que provar a existência para se ter acesso a direitos e exercer a
cidadania. O reconhecimento, pelo Estado, da existência de seus cidadãos passa pela
necessidade de, ao nascer, o indivíduo ter seu primeiro contacto com a burocracia e,
com a ajuda de terceiros, ter a Certidão de Nascimento – documento que, em mãos,
comprova o Registo Civil de Nascimento, feito uma única vez em livro específico de
cartório.

Em Moçambique, o filho deve provar a maternidade cuja presunção vem do facto deste
ser tratado como tal nas relações familiares ou na sociedade, ou que a mãe declare por
meio de um documento escrito a sua maternidade, nos termos do artigo 234 da lei da
família. Em termos legais este registo deve ocorrer num prazo de 120 dias imediatos, na
conservatória, ou em casos de falta de conservatória próxima, pode se fazer tal registo
no posto de registo civil da área do lugar do nascimento ou da residência habitual do
registando, conforme o artigo 118 do código de registo civil, a quando da competência
para tal efeito, o numero 1 do artigo 119 do mesmo diploma faz menção as tais pessoas.

7
Maria Berenice Dias. (2015). Manual de Direitos das Famílias. 12ª ed. São Paulo, Ed: Afiliada
8
Informação extraída do link: https://www.direitosedeveres.pt/q/vida-pessoal-e-familiar/paternidade-e-
maternidade/os-filhos-mantem-o-direito-a-receber-apoio-financeiro-dos-pais-depois-de-atingir-a-
maioridade, no dia 10 de Maio de 2022
Passado o prazo estabelecido no artigo anterior, poderá incorrer uma sanção na medida
em que o respectivo dono for a se registar ou até mesmo a qualquer outro interessado,
nos termos do artigo 220 e 224 ambos do código de registo civil.

1.5. Impugnação De Maternidade


As acções de impugnação de maternidade destinam-se a eliminar do registo de
nascimento de uma criança ou jovem a menção a um progenitor que, de facto, não o é.

Só depois de ser retirada a filiação que não corresponde à verdade pode a


filiação verdadeira ser inscrita no registo.

Se depois de retirada do registo de maternidade que não corresponde à verdade, não


ocorrer a perfilhação ou a declaração de maternidade por parte de quem é o verdadeiro
progenitor, pode ser intentada uma acção de investigação de paternidade ou
maternidade.

O artigo 227 da lei da família estabelece que em casos de ocultar a verdade da


maternidade e houver um engano sobre o estabelecimento da maternidade, esta pode ser
impugnada em juízo pela pessoa declarada como mãe, pelo registado, mãe natural ou
até mesmo pelo Ministério Público.
3º Grupo
1. RECONHECIMENTO JUDICIAL DA MATERNIDADE
1.1. Reconhecimento judicial de maternidade:
Quando não resulte de declaração, a maternidade pode ser reconhecida em acção especialmente
intentada pelo filho para esse efeito, devendo este provar que nasceu da pretensa mãe. Neste
sentido, a maternidade presume-se quando o filho houver sido reputado e tratado como tal pela
pretensa mãe e reputado como filho pelo público e quando exista carta ou outro escrito no qual a
pretensa mãe declare inequivocamente a sua maternidade.

1.1.1. Prazo para a propositura da acção da maternidade


Importa referenciar para que tal acção tenha lugar não tem um determinado prazo pré
estabelecido, visto que a qualquer momento esta pode vir ter lugar, o legislador moçambicano
não estabeleceu um determinado espaço para tal efeito, que significa que a acção de
investigação de maternidade pode ser intentada a todo tempo.9

1.1.2. Filho nascido ou concebido na constância do matrimónio


Nestes tipos de casos trata-se de um tipo de acção especial de investigação da maternidade de
filho nascido ou concebido na constância do matrimónio da pretensa mãe, nesta senda a acção
de investigação deve ser também intentada contra o marido e duma vez que são casos
oficialmente, não se exceptua aqui aqueles dos outros filhos considerados perfilhantes.
Durante a menoridade do filho a acção pode ser intentada pelo marido da pretensa mãe, neste
caso deve ser contra a pretensa mãe e contra o filho e, se existir perfilhação, também contra o
perfilhante.10
Efeitos da filiação
 Quando a filiaçao se encontra estabelcida, produz efeitos tais como, desde logo, os pais
e filhos devem se mutuamente respeito (envolvendo consideraçao pela vida, pela
integridade fisica e pela personalidade moral) ;

 Aulio assumindo assim especial relevancia no crescimento do menor, na doença dos


progenitores e filhos e na velhice do progenitor e assistencia, compreendendo a
obrigaçao de prestar alimentos e a de contribuir, de acordo com os recursos proprios,
para os encargos da vida familiar.

9
Cfr. Artigo 236 da Lei de Família
10
Cfr. Artigo 233 da Lei em revista
À semelhança do que acontece com o casamento, a filiação também gera o direito ao nome,
sendo que o filho usará apelidos do pai e da mãe ou só de um deles, e à nacionalidade.

1.2. Responsabilidades parentais


Os filhos estão sujeitos às responsabilidades parentais, que consistem no conjunto de poderes-
deveres dos progenitores destinados a assegurar o bem-estar, moral e material, do menor.
Assim, compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao
seu sustento, dirigir a sua educação, representá-los, ainda que nascituros, e administrar os seus
bens. Por outro lado, os filhos devem obediência aos pais, mas estes devem ter em conta a sua
opinião nos assuntos familiares importantes e reconhecer-lhes autonomia na organização da
própria vida.

1.2.1. Fixação dos alimentos


Em relação à medida dos alimentos devidos, estes deverão ser proporcionais aos meios daquele
que houver de os prestar e também à necessidade daquele que houver de os receber. Mais, os
alimentos deverão ser fixados em prestações pecuniárias mensais, salvo acordo em sentido
contrário.
Enquanto os alimentos não forem fixados de modo definitivo, o titular desse direito
pode requerer a fixação da quantia mensal que deva receber, a título de alimentos provisórios,
enquanto não houver pagamento da primeira prestação definitiva. Se, depois da sua fixação
tribunal ou por acordo, as circunstâncias que determinaram a fixação dos alimentos se
alterarem, podem estes ser reduzidos ou aumentados, conforme os casos, ou podem outras
pessoas ser obrigadas a prestá-los.
Por outro lado, a obrigação de prestar alimentos cessa por completo nos seguintes casos:
morte do obrigado ou alimentado; quando aquele que presta alimentos não pode continuar a
prestá-los ou quando aquele que os recebe deixe de precisar deles; quando o alimentado viole
gravemente os seus deveres para com o obrigado. Note-se que, nos dois primeiros casos morte
do obrigado ou impossibilidade de continuar a prestar alimentos o alimentado pode sempre
exercer o seu direito em relação às restantes pessoas vinculadas.

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