Você está na página 1de 8

• CONCEITOS E CLASSIFICAÇÃO

➔ Conceito Histórico: “As constituições escritas são uma criação da época moderna. No entanto, todas as sociedades politicamente
organizadas, quaisquer que sejam as suas estruturas sociais, possuem certas formas de ordenação susceptíveis de serem designadas
por constituição”.
➔ Conceito Liberal: Uma constituição é dotada de fundamentos que se revelam na garantia de direitos e separação de poderes.
➔ Conceito Ideal: A Constituição deve ser caracterizada, principalmente, por um sistema de garantias da liberdade (reconhecimento de
direitos); princípio da divisão de poderes (garantia contra abuso de poderes) e documento escrito. princípio da divisão de poderes
(garantia contra abuso de poderes) e documento escrito.

➢ Elementos de uma Constituição: Garantia de direitos fundamentais; Separação de Poderes; Pacto fundamental a comunidade
política;

➢ Quanto a sua codificação:

- Codificadas: criadas em um determinado momento histórico, de forma sistematizada e escritas em um único documento;

- Não – Codificadas: são um conjunto de atos normativos, de práticas políticas, de decisões judiciais e outras ações mais que, juntas, formam
um conceito único de constituição.

➢ Quanto ao seu conteúdo e a sua forma:

- Constituições formais: remetem a um documento oficial, elaborado em um determinado momento, que regula as matérias que a autoridade
que o elaborou entendeu como necessárias à sua composição.

- Constituições materiais: abordam um conjunto de regras materialmente constitucionais.

➢ Quanto ao seu objetivo:

- Constituições garantistas: apenas estruturam e limitam o exercício do poder político, tendo como função estabelecer anteparos de proteção
do indivíduo contra o poder estatal e organizar o governo com base no compromisso com a moderação. Em regra, são sintéticas e liberais;

- Constituições programáticas ou dirigentes: prescrevem “metas” a serem alcançadas para a realização de um plano de desenvolvimento
econômico e social. Essas constituições definem o teor da atividade legislativa futura e devido a tanto o problema da legitimidade
intergeracional torna-se mais evidente.

➢ Quanto ao seu processo de elaboração:

- Constituições promulgadas: são as constituições que passam pela elaboração através de uma Assembleia Constituinte eleita por um processo
democrático.

- Constituições outorgadas: são elaboradas sem a participação popular, sendo impostas pelo governante. Normalmente, possuem traços
autoritários;

➢ Quanto ao seu processo de elaboração:

- Constituições cesaristas: elaborada unilateralmente pelo líder político e depois submetida à aprovação popular.

OBS: nem toda constituição promulgada de forma democrática terá conteúdo democrático.

➢ Quanto a sua maleabilidade:

- Constituições rígidas: preveem um processo de alteração de seu conteúdo mais difícil do que aquele previsto para as leis ordinárias.

- Constituições flexíveis: não possuem um processo próprio de alteração, podendo ser aplicado o mesmo utilizado nas leis em geral.

- Constituições semirrígidas: há uma parte flexível, cujo processo de alteração é o mesmo das leis ordinárias, e uma parte rígida, que só pode
ser alterada através de um método específico.

- Constituições super rígidas: são aquelas que não só preveem um procedimento mais difícil de emenda como também protegem determinadas
disposições contra qualquer tipo de alteração (e. g. cláusulas pétreas).

- Constituições imutáveis: não são suscetíveis a qualquer tipo de alteração formal.

➢ Supremacia Constitucional:

- Constituições substancialmente supremas: são aquelas que disciplinam questões fundamentais para a prática o poder político em uma
sociedade. Diante disto, é tida como a base para o exercício dos poderes constitucionalmente definidos.

- Constituições formalmente supremas: são aquelas que, por ocuparem a posição mais elevada em um sistema jurídico, possuem um método
de alteração mais complexo (rigidez constitucional).

• INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
➢ Interpretação das Normas Constitucionais:
- Interpretação linguística: busca analisar a estrutura textual a partir de sua literalidade.

- Interpretação sistemática: todo dispositivo deve ser interpretado levando em consideração o seu texto como um todo, (incluindo as fontes do
direito), de forma a promover a conexão entre as partes e assim promover a unidade da Constituição.

- Interpretação teleológica: guia os sentidos que os dispositivos constitucionais podem ter com base nos seus objetivos.

- Interpretação histórica/genética: todo o material legislativo que motivou, que compôs o contexto no qual aquele dispositivo foi criado deve
ser levado em consideração ao ser feita a sua interpretação.

➢ Eficácia das Normas Constitucionais (José Afonso da Silva):

- Eficácia plena: desde o momento da promulgação da Constituição Federal, essas normas possuem capacidade de produzir efeitos, os quais
não podem ser restringidos pelo legislador.

- Eficácia contida: são normas que possuem todos os elementos para produzir seus efeitos típicos, mas que podem ser restringidos pelo
legislador.

- Eficácia limitada: são normas de eficácia indireta e reduzida. São normas que carecem de regulamentação infraconstitucional.

OBS: Faz-se necessário que todo o desenho de uma sociedade se interaja para que seja possível uma norma reproduzir a sua eficácia jurídica
e social (análise sistêmica).

• MOVIMENTOS CONSTITUCIONAIS

- Inglês: Construído a partir do século XIII, disciplinou direitos estamentais, mas que serviram de parâmetros para futura irradiação aos demais
homens. A revolução gloriosa, fez surgir um balanceamento de forças políticas e sociais, permitindo a invenção do parlamento, fazendo surgir
a constituição mista (parlamento + rei). Prevalece a soberania do parlamento e não da constituição. Constituição parcialmente “costumeira”,
costumes + textos escritos e não codificados = Constituição inglesa. Essa falta de texto codificado faz dessa constituição, uma constituição
flexível.

- Francês: Constitucionalismo revolucionário, que busca o rompimento total, diferente do inglês com os esquemas dos direitos estamentais.
Poder constituinte garante direitos e molda o ambiente político. Constituição escrita e codificada.

- Norte - Americano: Constituição é um acordo celebrado pelo povo a fim de construir um governo vinculado a lei fundamental. Separação
dos poderes. Poder judicial assume o papel de verdadeiro defensor da constituição e guardião dos direitos e liberdades. Tendo o Estado Norte-
americano pesos e contrapesos embasados no federalismo.

- Neoconstitucionalismo: Trata-se de uma reação ao movimento positivista, principalmente àquele estabelecido através das Revoluções
Francesa e Americana, nas quais o constitucionalismo foi pautado na disciplina do poder estatal através de um conjunto de normas concentradas
em um documento único, escrito, elaborado em um determinado momento histórico por uma instituição que possui poderes para tanto. Visa
estabelecer uma conexão entre o Direito e a Moral através da interpretação dos princípios jurídicos de forma ampla, aos quais é reconhecido o
seu pleno caráter normativo. Nota-se nos Estados que passaram por esse movimento que seus textos constitucionais e os desenhos institucionais
neles estabelecidos sofreram alterações de forma a se adaptar a essa nova forma de olhar para o fenômeno constitucional. Uma das principais
diferenças diante do movimento constitucionalista é a releitura do princípio da separação dos poderes, tendo como base uma visão mais
favorável ao protagonismo do Poder Judiciário em defesa dos valores constitucionais, a qual antes era mais restringida pelos demais Poderes.

- Características do Neoconstitucionalismo: A reaproximação entre o Direito e a Moral; A constitucionalização do direito, com a irradiação
das normas e valores constitucionais, sobretudo aqueles que versam sobre os direitos fundamentais; A judicialização da política e das relações
sociais, com o deslocamento do poder da esfera do Legislativo e do Executivo para o Judiciário; O reconhecimento da força normativa dos
princípios jurídicos e a valorização de sua importância no processo de aplicação do Direito; A rejeição ao formalismo e o recurso mais frequente
aos métodos ou técnicas mais amplas de raciocínio jurídico, tais como a ponderação, o teste de proporcionalidade etc.

• CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988


➢ É composto por nove títulos e duzentos e cinquenta artigos, os quais se dividem da seguinte forma:

- Título I – Dos Princípios Fundamentais (arts. 1o a 4o );

- Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 5o a 17);

- Título III – Da Organização do Estado (arts. 18 a 43);

- Título IV – Da Organização dos Poderes (arts. 44 a 135);

- Título V – Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144);

- Título VI – Da Tributação e do Orçamento (arts. 145 a 169);

- Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira (arts. 170 a 192);

- Título VIII – Da Ordem Social (arts. 193 a 232);

- Título XIX – Das Disposições Constitucionais Gerais (arts. 233 a 250).


➢ Emendas Constitucionais

- Consistem no mecanismo técnico responsável pela alteração formal do texto da Constituição.

- Possuem um rito próprio, previsto no artigo 60 da CF/88.

- Podem ser propostas pelo Presidente da República, por 1/3 dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal ou por mais da
metade das Assembleias Legislativas dos estados, desde que cada uma delas se manifeste pela maioria relativa de seus componentes.

- Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não pode, em seu texto, objetivar a alteração de conteúdos sensíveis à ordem constitucional
vigente, tais como as cláusulas pétreas (art. 60, §4o da CF/88).

- A discussão de uma PEC deve ocorrer em dois turnos, em cada casa do Congresso, e ser aprovada se obtiver, em ambas as Casas Legislativas,
3/5 dos votos dos Deputados Federais (308) e dos Senadores (49).

➢ Elementos da Constituição:

- São responsáveis por agrupar os dispositivos constitucionais a partir da finalidade de cada um deles. José Afonso da Silva identificou cinco
categorias de elementos, são elas: elementos orgânicos, elementos limitativos, elementos socioideológicos, elementos de estabilização e
elementos de aplicabilidade da Constituição.

• PODER CONSTITUINTE

- Conceito: É o poder de criar um novo texto constitucional ou de alterar uma Constituição que já se encontra em vigência. Possui fundamento
no próprio poder político, a partir do qual o Estado recorre as suas prerrogativas a fim de consolidar normativamente seus princípios basilares.

- Poder Constituinte Originário: Trata-se de um fenômeno político a partir do qual o Poder Político se consagra na forma de uma norma jurídica
fundamental. Sua origem está nos movimentos políticos que almejam uma alteração no sistema constitucional vigente. Visa reorganizar o
Estado e a sua estrutura de poder até então constituída, de modo a promover mudanças institucionais. Titularidade: Em via de regra, é atribuída
a quem possui a legitimidade democrática para exercê-lo, ou seja, a quem possui a prerrogativa de práticas atos de soberania – o povo. A
Assembleia Constituinte criada com a finalidade de editar um novo texto constitucional possui única e exclusivamente tal função, sendo extinta
em seguida ou até mesmo reabsorvida pelas Casas Legislativas. É um poder ilimitado juridicamente, pois não possui qualquer relação
obrigatória com as disposições jurídicas previstas na ordem constitucional anterior. Contudo, ressalta-se que esse seu caráter ilimitado não
deve ser absoluto, visto que dificilmente um novo texto constitucional deixará de lado princípios basilares da constituição até então vigente ou
até mesmo das diretrizes do direito internacional as quais o Estado está subordinado.

- Características centrais: Inicial, ilimitado, incondicionado e indivisível.

➢ Consequências da criação de uma nova ordem constitucional:

- Recepção: quando a matéria de uma norma criada no sistema constitucional anterior é compatível com o recém criado, tendo como
consequência a sua revalidação e sua incorporação ao recém criado.

- Revogação: normas incompatíveis à nova Constituição deixam de operar com o advento da nova Carta;

➢ Consequências da criação de uma nova ordem constitucional:

- Repristinação: não é possível no âmbito constitucional, pois poderia proporcionar uma insegurança jurídica ao sistema.

- Aproveitamento de normas da antiga constituição compatíveis com o novo texto constitucional: não é possível pelo ordenamento jurídico em
vigor.

➢ Poder Constituinte Derivado Reformador:

- Trata-se de um poder já constituído, criado pelo próprio Poder Constituinte Originário e exercido dentro das limitações por este já definidas.

➢ Poder Constituinte Derivado Decorrente:

- É o poder atribuído aos entes federativos para a elaboração de suas Constituições, no caso dos estados, e de suas leis orgânicas, nos casos dos
municípios e do Distrito Federal. Esse poder só pode ser exercido dentro dos limites a ele atribuídos (auto-organização, autogoverno e
autoadministração).

• BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE

- A origem da ideia de bloco de constitucionalidade ocorreu na década de 70, na França, através de decisões proferidas pelo Conselho
Constitucional. O bloco de constitucionalidade refere-se às normas que possuem a estrutura constitucional, esteja no texto constitucional ou
fora dele. Os tratados internacionais sobre direitos humanos internalizados no sistema jurídico brasileiro pelo procedimento estabelecido no
próprio texto constitucional. No caso de conflito entre um tratado que verse sobre essa matéria e um preceito constitucional, prevalecerá a
norma mais favorável ao titular do direito.

➢ Estrutura:

- Artigo 5o, § 3o da CF/88: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) § 3o -
Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

- No ordenamento jurídico brasileiro, integram o bloco de constitucionalidade: A Constituição Federal; Os preceitos constantes nas emendas
constitucionais que não foram incorporados ao texto constitucional; Os princípios não escritos;

1) Disserte sobre os três movimentos constitucionais, correlacionando-os com suas principais características.

> Inglês: Construído a partir do século XIII, disciplinou direitos estamentais, mas que serviram de parâmetros para futura irradiação aos demais
homens. A revolução gloriosa, fez surgir um balanceamento de forças políticas e sociais, permitindo a invenção do parlamento, fazendo surgir
a constituição mista (parlamento + rei). Prevalece a soberania do parlamento e não da constituição. Constituição parcialmente “costumeira”,
costumes + textos escritos e não codificados = Constituição inglesa. Essa falta de texto codificado faz dessa constituição, uma constituição
flexível.

> Francês: Constitucionalismo revolucionário, que busca o rompimento total, diferente do inglês com os esquemas dos direitos estamentais.
Poder constituinte garante direitos e molda o ambiente político. Constituição escrita e codificada.

> Norte - Americano: Constituição é um acordo celebrado pelo povo a fim de construir um governo vinculado a lei fundamental. Separação
dos poderes. Poder judicial assume o papel de verdadeiro defensor da constituição e guardião dos direitos e liberdades. Tendo o Estado Norte-
americano pesos e contrapesos embasados no federalismo.

2) Assumindo o ordenamento jurídico como sistema hierarquizado, a posição superior das constituições decorre de quais
características?

As constituições possuem em comum a supremacia formal, ou seja, o fato de ocuparem o ápice da ordem jurídica, provendo fundamento de
validade para o restante do ordenamento. Kelsen propõe a imagem de uma pirâmide para representar a estrutura escalonada da ordem jurídica.
O fundamento de validade das sentenças judiciais é provido pelas leis; o fundamento de validade das leis, pela Constituição. A sentença judicial
é válida porque a Constituição concedeu ao legislador a respectiva competência legislativa. Portanto, a sentença é válida porque foi produzida,
ainda que indiretamente, em conformidade com a Constituição.

3) Disserte sobre o conceito ideal de Constituição a partir do desenvolvimento histórico gerado pelos movimentos inglês, francês e
americano, apontando semelhanças e diferenças entre tais modelos?

O papel das constituições é organizar o exercício do poder político e limitá-lo. Os documentos normativos que não tratam dessa matéria não
podem ser considerados constitucionais, mesmo que assim sejam intitulados. O constitucionalismo, como movimento político, só teria sentido
se a Constituição fosse concebida em conformidade com o seu conceito ideal com objetivos de racionalizar, limitar e moderar o poder político.
Com o predomínio do positivismo jurídico, a concepção ideal da constituição cedeu espaço a outras construções, mais focadas na forma
constitucional do que no seu conteúdo. A Constituição ideal para Canotilho tem quatro características: Deve ser escrita e positivada para
conferir maior segurança jurídica. Deve conter um catálogo ou sistema de direitos fundamentais individuais, liberdades negativas, representam
limitações ao poder do estado. Deve adotar um sistema democrático. Deve reconhecer o princípio da separação dos poderes.

4) Discorra sobre a necessidade de cláusulas pétreas à luz da trajetória constitucional brasileira.

As cláusulas pétreas são limitações materiais ao poder derivado reformador e têm por finalidade básica preservar a identidade material da
Constituição, proteger institutos e valores essenciais e permitir a continuidade do processo democrático. Com uma trajetória constitucional
bastante conflituosa onde o número de constituições foram crescendo com o passar do tempo, passando por dois períodos ditatoriais depois da
proclamação da república – Vargas e Militar, ter cláusulas pétreas é fundamental para a preservação do modelo democrático e plural que
queremos construir. É a nossa garantia que direitos básicos a dignidade humana não seja violada.

5) Leia as afirmativas a seguir.

I. Os estados da Federação editam suas constituições por meio do Poder _____.

II. O Poder constituinte _____ não pode desrespeitar o direito adquirido.

III. Encontram-se positivadas no artigo 60, § 4o, da Constituição da República limitações ao Poder Constituinte _____.

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas das afirmativas acima.


a) decorrente – derivado – derivado.

b) derivado – originário – derivado.

c) decorrente – originário – decorrente.

d) derivado – decorrente – originário.

e) decorrente – originário – derivado.

6) O constitucionalismo brasileiro, desde 1824, foi construído a partir de vertentes teóricas que estabeleceram continuidades e clivagens
históricas no que se refere à essência e à interrelação das funções estatais, tanto no plano vertical como no horizontal, bem como à
proteção dos direitos fundamentais. A partir dessa constatação, assinale a afirmativa correta.

a) A Constituição de 1824 adotou, de maneira rígida, a tripartição das funções estatais, que seriam repartidas entre o Executivo, o Legislativo
e o Judiciário.

b) A Constituição de 1891 dispôs sobre o federalismo de cooperação e delineou um Estado Social e Democrático de Direito.

c) A Constituição de 1937 considerou o Supremo Tribunal Federal o guardião da Constituição, detendo a última palavra no controle
concentrado de constitucionalidade.

d) A Constituição de 1946 foi promulgada e reinaugurou o período democrático no Brasil, tendo contemplado um rol de direitos e
garantias individuais.

e) A Constituição de 1937 é classificada como cesarista, pois foi convocado um plebiscito nacional para aprová-la.

7) Acerca do direito constitucional, assinale a opção correta

a) O Neoconstitucionalismo, ao promover a força normativa da Constituição, acarretou a diminuição da atividade judicial, dado o alto grau de
vinculação das decisões judiciais aos dispositivos constitucionais.

b) A interpretação da Constituição sob o método teleológico busca investigar as origens dos conceitos e institutos pelo próprio legislador
constituinte.

c) A derrotabilidade de uma norma constitucional ocorrerá caso uma norma jurídica deixe de ser aplicada em determinado caso
concreto, permanecendo, contudo, no ordenamento jurídico para regular outras relações jurídicas.

d) As várias reformas já sofridas pela CF, por meio de emendas constitucionais, são expressão do poder constituinte derivado decorrente.

e) De acordo com a doutrina dominante, a CF, ao se materializar em um só código básico, afasta os usos e costumes como fonte do direito
constitucional.

• EXTRA

➢ Constituição de 1824
▪ Foi o Primeiro projeto de constituição (“Projeto Antônio Carlos”), que possuía um caráter liberal, com exceção da manutenção da
escravidão. A Assembleia Constituinte que elaborou esse projeto foi dissolvida e seus integrantes ou foram presos ou foram exilados.
▪ A nova Assembleia Constituinte, sob a liderança de José Joaquim Carneiro Campos, fez algumas mudanças no projeto anterior. A principal
mudança foi a previsão do Poder Moderador.
▪ Para dar uma aparência legítima ao novo projeto de constituição, D. Pedro I envia o projeto para as câmaras municipais, pedindo que
encaminhassem sugestões. A maior parte das câmaras se manifestaram pedindo que o imperador jurasse o projeto como nova Constituição
do Brasil e assim foi feito. A única reação contrária veio de Pernambuco, onde Frei Caneca insurgiu contra o projeto, afirmando que era mau
e tirânico. Essa oposição levou a Confederação do Equador. Contudo, mesmo assim, em 25 de março de 1824 entrou em vigor a nova
constituição.
▪ Compromisso com o liberalismo conservador e com o semi-absolutismo – inspirada na Constituição francesa de 1814 de Luís XVIII;
▪ Rol de direitos individuais (art. 179). Entretanto, esses direitos eram “letra morta”. Por exemplo, a constituição previa o direito à liberdade,
mesmo com a escravidão ainda vigorando no país;
▪ Poder Moderador;
▪ Constituição outorgada, analítica e semirrígida;
▪ A forma de governo era a Monarquia hereditária (arts. 3o e 4o);
▪ O Monarca não poderia ser responsabilizado pelas consequências de seus atos (art. 99);
▪ A Religião oficial do Império era a religião católica, mas existia a liberdade de culto doméstico (art. 5°). Além disso, do instituído o regime
do padroado e a concessão do beneplácito.
▪ Voto censitário (arts. 92 a 96);
▪ Quatro poderes: Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário e Poder Moderador;
▪ Embora fosse previsto que o Judiciário era um poder independente, o imperador poderia suspender magistrados por queixas contra eles
recebidas (art. 154);
▪ Poder Moderador foi pensado a partir de uma deturpação da ideia proposta por Benjamin Constant – o Poder Moderador era a chave de
toda a organização política e poderia intervir nos demais poderes;
▪ Forma de estado unitária – o território nacional foi dividido em províncias (art. 2°);
▪ Previu a criação do Supremo Tribunal de Justiça, a qual cabia julgar recursos de revista, conflitos de jurisdição e ações penais contra certas
autoridades;
▪ Não existia nenhum mecanismo de controle judicial de constitucionalidade das leis.

➢ Constituição de 1891
▪ Motivos para a queda da Monarquia: 1. questão religiosa: a Igreja Católica começou a excluir maçons de sua diocese e interditar templos
ligados aos maçons; 2. questão militar: fim da Guerra do Paraguai e a opinião do exército brasileiro contra a escravidão e 3. a inconformidade
dos ex-proprietários de escravos que eram contra o fim da escravidão e estavam inconformados, pois não foram indenizados.
▪ No Governo provisório de Marechal Deodoro da Fonseca, foi publicado o Anteprojeto de Constituição sob a forma do Decreto no 10,
convocando eleição para a constituinte, direta, sem restrições censitárias, em 15 de setembro de 1890. Em 24 de fevereiro de 1891, foi
promulgada a Constituição.
▪ Ruptura do estado com a Igreja Católica (art. 72, §3°);
▪ Constituição rígida;
▪ Influenciada por valores liberais do constitucionalismo americano – contudo, a realidade era muito diferente desses valores, marcada pelo
coronelismo, pelo voto de cabresto e o arbítrio dos governos – idealismo constitucional;
▪ Forma Federada de Estado: federalismo dual – a federação era concebida como a “união perpétua e indissolúvel das suas antigas Províncias
(art. 1°). Interessante que já era previsto a autonomia dos Municípios, contudo eles não foram elevados à condição de entes federativos;
▪ Voto “universal” (excluídos os analfabetos, mendigos, as praças militares, os integrantes de ordens religiosas que impusessem renúncia à
liberdade individual e mulheres) e direto – art. 70;
▪ Institucionalização do STF, ainda no governo provisório, por meio do Decreto n° 510;
▪ Criação da Justiça Federal e da Justiça Estadual;
▪ Previsão do controle de constitucionalidade difuso e concreto inspirado no judicial review;
▪ Criação do habeas corpus;
▪ Sofreu apenas uma emenda constitucional (1926). A emenda caracterizou-se por seu viés centralizador e antiliberal. Dentre outras medidas,
ela ampliou as hipóteses de intervenção da União nos Estados; limitou o cabimento do habeas corpus aos casos de constrangimento ou ameaça
à liberdade de locomoção; proibiu o controle judicial sob a decretação do estado sítio ou sobre os atos praticados na sua vigência, sobre a
intervenção nos Estados e sobre posse, legitimidade e perda de mandatos políticos estaduais ou federais.

➢ Constituição de 1934

▪ O governo provisório de Getúlio Vargas foi instituído pelo Decreto n° 19.398/1930. Foramtomadas diversas medidas relevantes: a) criação
do código eleitoral; b) voto secreto; c) voto feminino; d) representação classicista; e) sistema proporcional e f) perfil social e interventor do
Estado brasileiro. Em 14 de maio de 1932, editou-se o Decreto n° 21.02, que fixou o dia 3 de maio de 1933 para as eleições da Assembleia, e
criou comissão (“Comissão do Itamaraty”) para elaboração do anteprojeto. Em março de 1934, a “Comissão dos 26”parecer e substitutivo do
anteprojeto da “Comissão do Itamaraty”.

▪ Inaugurou o constitucionalismo social no Brasil;

▪ Forma de Estado federal – Modelo Cooperativo inspirado na Constituição de Weimar – Entretanto, tinha uma tendência centralizadora;

▪ Poder Executivo – Não tinha mais a figura do Vice-Presidente;

▪ Criou-se a Justiça do trabalho, contudo essa pertencia à esfera do executivo;

▪ Poder Legislativo seria composto pela Câmara dos Deputados em colaboração com o Senado Federal (art. 22) – PODER LEGISLATIVO
UNICAMERAL – O Senado não participaria do processo legislativo, salvo temas definidos na constituição (atribuições do Senado – art. 88);

▪ A Câmara dos deputados era formada pelos representantes do povo e pelos representantes das profissões (eleitos pelas associações e também
tinha representantes dos empregadores);

▪ Foi previsto o controle de constitucionalidade com três inovações: 1) princípio da reserva do plenário; 2) competência do senado para
suspender normas declaradas inconstitucionais pelo Supremo e 3) criação de um mecanismo de controle de constitucionalidade preventivo
obrigatório das leis federais que decretava a intervenção federal nos Estados na hipótese de violação dos princípios constitucionais sensíveis
(art. 7);

▪ Criação do mandado de segurança e da ação popular;

▪ Ideia da função social da propriedade;

▪ Direito trabalhista (menos para o trabalhador rural);

▪ Previsão de direitos fundamentais negativos e positivos;

▪ Intervenção do Estado na economia;

▪ Constituição rígida com dois procedimentos de alteração: revisão e emenda;

▪ Existia um limite ao poder de reforma da constituição que era a vedação de projetos tendentes a abolir a forma republicana e federal de Estado
(art. 178, § 5°).
➢ Constituição de 1937

▪ Contexto histórico: Golpe de Estado.

▪ Principais características:

▪ Constituição outorgada. Para compensar a outorga, a Constituição prometia, no seu art.187, a convocação de um plebiscito nacional para
aprová-la;

▪ Modelo de estado autoritário e corporativista 9influenciada pela Constituição Polonesa de 1935);

▪ Supremacia do Executivo – (Presidente é a autoridade suprema do Estado) – o poder legislativo da união, dos estados e dos municípios foram
dissolvidos (art. 178) –haveria novas eleições após o plebiscito, contudo ele nunca ocorreu;

▪ O Presidente poderia confirmar ou não o mandato dos governadores ou nomear interventor;

▪ Poder Judiciário simplificado – mutilação dos órgãos - Exemplo: a constituição não fazia referência à Justiça Eleitoral e suprimia a Justiça
Federal de 1a e 2a graus;

▪ Art. 172 – Tribunal de Segurança Nacional;

▪ Eleições indiretas;

➢ Constituição de 1946

▪ Contexto histórico: Lei Constitucional de No 13 e No 15 de 1945. A Lei Constitucional de No 15, de 26 de novembro de 1945: o Congresso
Nacional teria poderes ilimitados para elaborar a Constituição do país. Em dezembro de 45 foram feitas eleições gerais e os eleitos foram os
constituintes. Em 2 de fevereiro de 1946, instalou-se a Assembleia Constituinte, que funcionaria de forma exclusiva. Até a promulgação da
nova Constituição, o Presidente Dutra desempenharia também as funções legislativas, nos termos estabelecidos pela Lei Constitucional No 15.

▪ Direito à greve e a livre associação sindical. Quanto ao direito de greve, a constituição reconheceu o direito, mas determinou que o exercício
fosse regulamentado por lei (art. 158);

▪ Constituição rígida;

▪ Intervencionista e nacionalista;

▪ A propriedade estava condicionada ao “bem-estar social” (art. 147);

▪ Foi marcada pelo déficit de eficácia.

▪A Emenda Constitucional N.4 de 61 instituiu o sistema de governo parlamentar. Tal emenda previa a consulta popular posterior. O referendo,
realizado em janeiro de 1963, restaurou os poderes tradicionais conferidos ao Presidente da República.

▪A EC No 6 de 63 revogou a EC No 4, restabelecendo o sistema presidencialista.

➢ Constituição de 1967

▪ Contexto histórico: Golpe Militar (1964). AI-4, editado por Castelo Branco, convocou o Congresso para se reunir extraordinariamente. Um
processo sem legitimidade. Uma Constituição formalmente promulgada, mas outorgada materialmente.

▪ Esse período histórico foi marcado pela passagem de poder entre os dois grupos de militares: os militares linha-dura (eram a favor da
radicalização do regime) e os militares moderados (pretendiam devolver o poder político aos civis assim que acabasse a ameaça comunista).
A constituição de 1967 foi promulgada pelos moderados.

▪ Ruptura com a ordem constitucional e com as garantias individuais e políticas. Embora houvesse a previsão de um rol de direitos, era
completamente insincero, uma vez que não eram aplicados);

▪ Eleições presidenciais indiretas;

▪ Houve uma hipertrofia do Executivo e, consequentemente, uma centralização do pacto federativo – embora a autonomia dos Municípios
estivesse formalmente consagrada, foi esvaziada pela previsão de escolha de prefeitos das capitais;

▪ A sistemática de controle de constitucionalidade, com as mudanças introduzidas pela Emenda n°16/65, foi mantida.

▪ Contexto: EC N.1 de 1969 outorgou a Constituição de 69.

▪ AI-5;

▪ Censura às publicações, eliminação das imunidades (processuais e materiais) dos parlamentares.


➢ Constituição 1988

▪ Entre 1954 e 1985, as eleições para o Congresso Nacional e para a Presidência ocorreram de forma indireta, ocasionando o inteiro controle
dos resultados pelos parlamentares do Colégio Eleitoral, que era composto por apoiadores do regime militar.

▪ Em 1985, diante do enfraquecimento do discurso conservador dos militares, houve a vitória da oposição, representada pelo candidato à
Presidência Tancredo Neves. Com a precoce morte do presidente eleito, assume seu vice José Sarney.

▪ Entre 1954 e 1985, as eleições para o Congresso Nacional e para a Presidência ocorreram de forma indireta, ocasionando o inteiro controle
dos resultados pelos parlamentares do Colégio Eleitoral, que era composto por apoiadores do regime militar.

▪ Em 1985, diante do enfraquecimento do discurso conservador dos militares, houve a vitória da oposição, representada pelo candidato à
Presidência Tancredo Neves. Com a precoce morte do presidente eleito, assume seu vice José Sarney.

▪ Forte participação popular através de audiências públicas;

▪ Formada por membros do Congresso Nacional, os quais constituíam uma maioria conservadora;

▪ Formada por 8 Comissões Temáticas e por uma Comissão Sistemática;

▪ Apresentação de emendas pelos parlamentares e pela população;

▪ Constituição promulgada;

▪ Texto analítico;

▪ Caráter superrígido;

▪ Constituição dirigente;

▪ Defesa do pluralismo;

OBS: todas as Constituições brasileiras são rígidas, com exceção da de 1824.

▪ Estado do Bem-Estar Social;

▪ Criação do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais;

▪ Definição da forma de estado (federalista) e do sistema de governo (presidencialismo) a partir do princípio da tripartição dos poderes;

▪ Criação do Mandado de Segurança Coletivo, do Habeas data, da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental e do Mandado de
Injunção.

- Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT): Trata-se de um regime provisório que disciplina a transição jurídica entre uma

ordem e outra;

- Preâmbulo: Remete à fonte de legitimação do poder constituinte e exprime uma síntese dos valores fundamentais da ordem constitucional.
Trata-se de uma mera declaração solene do ato de promulgação. Apenas a Constituição de 1967 não apresentou um preâmbulo.

Você também pode gostar