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AO JUÍZO DA SEXTA VARA CÍVEL DA COMARCA DE CUIABÁ-MT.

“Simular é fingir, mascarar, camuflar,

esconder a realidade”
1
(Venosa, Sílvio de Salvo)

ANA CRISTINA NEIVA, qualificada nos autos, por intermédio de seu

procurador que ao final assina, vem, mui respeitosamente perante Vossa

Excelência expor e requerer o seguinte:

a) Breve considerações processuais:

1. Cuida-se o presente cumprimento de sentença destinado a dar efetividade

a comando judicial que já transitou em julgado, conforme esclarecido na petição

inicial, cujo valor em liquidação assim foi pontuado – id. 59648134 –:

2. Também, no bojo da causa de pedir do presente cumprimento de sentença

foi requerido, em sede de tutela de urgência, a intimação da GINCO

EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS – LTDA para prestar os seguintes

esclarecimentos:
2

3. Atendendo ao pedido, Vossa Excelência deferiu o seguinte:

4. Devidamente intimada da decisão supra, a GINCO – LTDA apresentou

manifestação no id. 85031649, destacando o seguinte:

5. Novamente, no id. 85658275, a GINCO - LTDA informa ao Juízo as

matrículas restantes solicitadas, bem como a realização de um segundo aditivo

contratual:
3

6. Por fim, o Executado, mesmo intimado, quedou-se inerte, deixando

transcorrer in albis o prazo para sua manifestação...

7. Eis, então, o itinerário processual até aqui.

b) Da Verdade e do Direito - Negócios Jurídicos: - MOACIR RAVAGNANI

x GINCO EMPREENDIMENTOS LTDA - animus fraudandi – omissão

dolosa – consilium fraudis –.

8. A Teoria Geral do Negócio Jurídico balizada pelos ensinamentos de

Pontes de Miranda, concebeu uma estrutura única para explicar os elementos

constitutivos do negócio jurídico. Trata-se do que se denomina de “Escada

Ponteana” ou “Escada Pontiana”, em que os elementos estruturantes situam-se em

três planos: o da existência, da validade e da eficácia.


9. No plano da existência, conforme ensinamento do Prof. Flávio Tartuce1,

constitui-se o suporte fático do negócio jurídico, os elementos mínimos

despedidos de qualquer adjetivo, ou seja, sem qualificação ou especificação, tais

como partes, vontade, objeto e forma.

10. Sob o mesmo magistério, segue-se que o negócio jurídico para ser válido,

necessariamente, deve qualificar ou adjetivar os elementos que constituem a sua

existência, conforme exigência plasmada no artigo 104 do Código Civil, in verbis:

Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:

I - agente capaz;

II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;

III - forma prescrita ou não defesa em lei. (grifamos)

11. E, por fim, quanto ao último elemento, a eficácia, onde estão os elementos

relacionados com a suspensão e resolução de direitos e deveres, caso da condição, do termo,

do encargo ou modo, da regras de inadimplemento negocial, do registro imobiliário, da

rescisão contratual, do regime de bens do casamento, entre outros2.

12. A base do exposto, se é por meio do negócio jurídico que se dá vida às

relações jurídicas tuteladas pelos direito3, a toda evidencia que não deve ser

utilizado para fins não colimados na lei e pelo sistema de justiça, é que emerge

uma série de ações fraudulentas engendradas pelo Executado com pleno

apoio, suporte, e mecanismo da GINCO EMPREENDIMENTOS - LTDA, quem,

valendo-se de sua estrutura imobiliária foi peça fundamental para

1 Tartuce, Flávio. V. 1. Lei de Introdução e Parte Geral; 12 ed.; 2016; p.347


2 Ibidem p. 348
3 Venosa, Silvio de Salvo; Direito Civil: parte geral; 16ªed;2016; p. 351
fraudar comando judicial e o presente cumprimento de

sentença.

13. Assim, conforme será exposto, os supostos “negócios jurídicos”


5
realizados entre o Executado e a GINCO– LTDA são natimortos e ineficazes para

produzir efeitos jurídicos que lhes são próprios, gerando, de consequência,

outros como o dever de indenizar decorrente da má-fé que o reveste com

prejuízos para terceiros, afinal, todo negócio jurídico deve obedecer aos

elementos essenciais da existência, validade e eficácia, cuja dedução lógica

simboliza a escada Pontiana.

14. Como efeito, ao analisar detidamente, desde o processo de conhecimento,

verifica-se o evidente consilium fraudis destinado à surrupiar patrimônio de


terceiros, em evidente descumprimento de DECISÃO JUDICIAL!

15. Isto porque, Moacir Ravagnani, ora Executado, ciente da incursão

processual consistente no reconhecimento e dissolução de união estável

cumulada com partilha de bens, sempre se antecipou à Justiça com o apoio

incondicional da GINCO EMPREENDIMENTOS – LTDA para mascarar o

patrimônio objeto da partilha.

16. É por isso que o Juízo de conhecimento, atendendo aos pedidos da

Exequente, deferiu ordens judiciais com o escopo de acoimar a burla patrimonial,

tal como foi levado a efeito em 03 de junho de 2015, quando determinou o

seguinte:
6

17. Assim, desde a fase de conhecimento, já havia indícios que revelavam

negócio destinado a fraudar a Lei – decisão judicial in concreto – valendo-se da

engenharia contratual fomentada pela GINCO – LTDA no processo de aquisição

das quotas de participação da AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY.

18. Nesse sentido, ao responder a ordem judicial proferida pelo Juízo

da Terceira Vara de Família e Sucessões, em 10 de agosto de 2015, a GINCO –

LTDA, informou que em meados de 2012 adquiriu as cotas de Moacir Ravagnani,

esclarecendo o seguinte:
19. O objeto do referido contrato de cessão de quotas, supostamente tecido em

13 de fevereiro de 2012, estabeleceu entre as partes o seguinte objeto e obrigações:

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20. Disse a GINCO – LTDA, que realizou o negócio jurídico com MOACIR

RAVAGNANI em meados de 2012, porém, o documento aportado aos autos data

da 13 de fevereiro de 2012, despedido de testemunhas ou mesmo de FIRMA

RECONHECIDA EM CARTÓRIO.
8

21. Eis, então, segundo a GINCO – LTDA, o primeiro negócio

jurídico.

22. Todavia, a alteração do CONTRATO SOCIAL DA AGROPECUÁRIA

MIRANTE DO PARY só ocorreu em 05 de novembro de 2012, conforme

demonstra a SEGUNDA ALTERAÇÃO anexada no id. 59653669, onde se

informou o seguinte NEGÓCIO JURÍDICO, in verbis:

23. Vê-se, então, a forma com que sucedeu o suposto primeiro negócio

jurídico entre o Executado e a GINCO – LTDA:

a) contrato de gaveta;

b) ocultação de informações essenciais às autoridades e a terceiros.

24. Referida constatação é para demonstrar ao Juízo que a GINCO – LTDA,

neste caso, foi useira e vezeira em articular com MOACIR RAVAGNANI uma
série de manobras destinadas a simular negócios inexistentes

com o fim de burlar terceiros, no caso, a Exequente!

25. Como se disse, o Executado sempre se antecipando as decisões judiciais,

conseguia junto com a GINCO EMPREENDIMENTOS – LTDA simular 9

negócios jurídicos para fraudar o sistema de justiça e os interesses da Exequente.

26. A corroborar essa conclusão, temos, após a RESPOSTA DA GINCO EM

AGOSTO DE 2015, uma decisão judicial datada de 16 de outubro de 2015, que

atendeu pedido formulado pela Exequente e determinou que a GINCO –

LTDA depositasse em Juízo 50% dos valores devidos a MOACIR

RAVAGNANI, oriundos, é claro, da aquisição das cotas da

AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY.


27. No id. 59674759, p. 06, consta o Ofício n. 1.238/2015 expedido à GINCO

LTDA comunicando-a sobre o conteúdo da decisão acautelatória, tendo sido

devidamente efetivada em 29 de outubro de 2015, conforme demonstra o

Aviso de Recebimento – AR.


10

28. Além mais, em 27 de outubro de 2015 a GINCO – LTDA também foi

notificada pela Exequente, tendo sido subscrito o recebimento pela então

advogada da empresa.
29. Assim, devidamente notificada, a GINCO – LTDA, em consórcio

fraudulento com MOACIR RAVAGNANI simulou negócio jurídico com o

fim de NÃO CUMPRIR ORDEM JUDICIAL e evitar que 50% (cinquenta por

cento) das COTAS DA AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY fossem 11

acauteladas pelo Juízo.

30. A GINCO – LTDA fez uma simulação porque conforme explicitado no

item 19 desta petição, ainda remanescia prestações no valor de R$ 56.690,00

(cinquenta e seis mil seiscentos e noventa reais) referente ao


pagamento das cotas da AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY.

31. Logo, com o escopo de alcançar a burla judicial e descumprir a ordem do

Juízo, é que a GINCO – LTDA peticiona nos autos em 11 de novembro de 2015,

respondendo ao OFÍCIO Nº. 1.238/2015 (item 27) aduzindo, em síntese, QUE

NÃO HAVIA QUALQUER VALOR DEVIDO AO SR.

MOACIR RAVAGANI, MOTIVO PELO QUAL NÃO IRIA

CUMPRIR A ORDEM JUDICIAL!

32. Excelência, a estória cobertura para justificar o não cumprimento da

decisão judicial consistiu num suposto ADITIVO CONTRATUAL – id.

85584633 –, supostamente CELEBRADO NO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2015


entre MOACIR RAVAGNANI e GINCO – LTDA:
12

33. Veja, Excelência, é com base no referido ADITIVO CONTRATUAL que a

GINCO – LTDA enganou e fraudou o sistema de justiça quando assim se

manifestou perante o Juízo da Terceira Vara de Família e Sucessões da comarca

de Cuiabá –MT, in verbis:


34. Segundo alegado pela GINCO – LTDA aquela obrigação originária no

valor de R$ 5.690.000,00 (cinco milhões seiscentos e noventa e mil

reais) a serem pagos em 100 prestações de R$ 56.690,00 (cinquenta


13
e seis mil seiscentos e noventa reais), foi novada e estabeleceu-se outra
obrigação, nos seguintes termos:
35. Então, quando a GINCO – LTDA é notificada pelo Juízo a depositar os

valores devidos a MOACIR RAVAGNANI, coincidentemente em 10 de

outubro realiza o dito aditivo contratual transformando a dívida

originária de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) em 01 (um)


14

apartamento e 09 (nove) terrenos localizados no FLORAIS DO

VALLE, alcançando-se, dessa forma, a burla ao sistema de justiça, além de

servir de instrumento para alcançar fins não colimados pela LEI!

36. Foi realizado naquele momento evidente simulação contratual, pois, para

além das coincidências temporais, veja-se, fugindo da prática comercial levada a

efeito nos diversos contratos, observa-se que, muito embora o dito aditivo tenha

sido lavrado em Cuiabá-MT, o RECONHECIMENTO DE FIRMA DE MOACIR

RAVAGNANI foi realizado perante o TABELIONATO DE NOTAS PEREIRA

BARRETO, do estado de São Paulo, no dia 14 de outubro de 2015. Vejamos:


37. Estranhamente, num momento em que se litigava bens patrimoniais e

MOACIR RAVAGNANI já ciente da busca por bens levada a efeito pela

Exequente, reconhece firma de sua assinatura em ESTADO e CIDADE diversa

do local em que se realizou o suposto negócio jurídico, máxime quando

HISTORICA e COSTUMEIRAMENTE era reconhecido firma na cidade e 15

comarca de Cuiabá-MT.

38. Mas, o ardil não limitou-se apenas a MOACIR! Era e ainda é

fundamental a participação da GINCO – LTDA, tanto que para

surtir efeitos jurídicos para terceiros, como forma de revestir de

legalidade o simulacro contratual, SOMENTE EM 09 DE NOVEMBRO


DE 2015 é que a GINCO – LTDA reconhece firma de sua assinatura!
39. Como se observa, depois de a GINCO – LTDA ser notificada para cumprir

ordem judicial é que houve o RECONHECIMENTO DA FIRMA de assinatura no

contrato, ou seja, 01 (um) mês após a suposta tessitura.

40. Ainda, a reforçar o engodo contratual, vale dizer, SIMULAÇÃO, sequer 16

as assinaturas das “ditas” testemunhas foram reconhecidas firmas, senão

vejamos:

41. Então, Excelência, temos o seguinte quadro esquematizado que explicita o

primeiro momento em que a GINCO – LTDA foi NOTIFICADA pelo Juízo até a

sua impossibilidade de cumprir ordem judicial:

i) 03 de junho de 2015 – Primeira decisão notificando a GINCO – LTDA

a apresentar o CONTRATO DE CESSÃO DE QUOTAS da

AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY;

ii) 10 de agosto de 2015 - A GINCO – LTDA informa e apresenta ao Juízo

o CONTRATO DE CESSÃO DE QUOTAS afirmando que realizou o

negócio jurídico em 13 de fevereiro de 2012 pelo valor de R$

5.690.000,00 (cinco milhões e seiscentos e noventa mil reais) a serem


pagos por meio de 100 (cem) prestações de R$ 56.690,00 (cinquenta e

seis mil e seiscentos e noventa reais);

iii) 24 de setembro de 2015 é formulado pedido ao Juízo para que a

GINCO – LTDA deposite a partir de OUTUBRO DE 2015 os valores


17
referentes as prestações de R$ 56.690,00 (cinquenta e seis mil e

seiscentos e noventa reais); (Id. 59674747 – p. 15/18)

iv) 10 de outubro de 2015 é realizado o SUPOSTO ADITIVO

CONTRATUAL em que se operou uma suposta NOVAÇÃO e

DAÇÃO em pagamento entre a GINCO – LTDA e MOACIR

RAVAGNANI;

v) 14 de outubro de 2015, MOACIR RAVAGNANI reconhece firma de

sua assinatura na cidade e comarca de PEREIRA BARRETO, estado de

São Paulo;

vi) 16 de outubro de 2015, o Juízo da Terceira Vara de Família e Sucessões

atende pedido e defere ordem para que a GINCO – LTDA deposite em

Juízo as prestações de R$ 56.690,00 (cinquenta e seis mil e seiscentos e

noventa reais);

vii) 27 e 29 de outubro de 2015, a GINCO – LTDA é notificada a cumprir a

ordem judicial;

viii) 09 de novembro de 2015, a GINCO –LTDA reconhece firma de sua

assinatura, na comarca de Cuiabá-MT, do suposto ADITIVO

CONTRATUAL;
ix) 11 de novembro de 2015, a GINCO – LTDA, em resposta ao Juízo

afirma que não pode depositar os valores em Juízo porque repassou a

MOACIR RAVAGNANI 01 (um apartamento) e 09 (nove) lotes no

condomínio FLORAIS DO VALLE.

18

42. Desses IX (nove) atos, Excelência, descortina-se a intensa

participação da GINCO – LTDA na manobra para ocultar patrimônio da

Exequente, vale dizer, SURRUPIAR bens adquiridos de uma MULHER!

43. Veja, a suposta NOVAÇÃO consistiu em reconhecer como quitado o valor

de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) acrescido das prestações de 13 de fevereiro

de 2012 a outubro de 2015, totalizando uma quitação de R$ 2.713.193,89 (dois

milhões setecentos e treze mil cento e noventa e três reais e oitenta e nove

centavos).

44. Como efeito, se considerarmos o valor total da dívida original, inclusive

reconhecida, no importe de R$ 6.000.000,00 (seis milhões), decotando-se o valor

pago a título de corretagem, ainda remanescia o valor de R$ 5.690.000,00, sendo

que deste, foi quitado o valor de R$ 2.713.193,89 (dois milhões setecentos e treze

mil cento e noventa e três reais e oitenta e nove centavos)!

45. Assim, o valor devido pela GINCO – LTDA até o dia 01 de outubro de

2015 era de R$ 2.976.806,11 (dois milhões novecentos e setenta

e seis mil oitocentos e seis reais e onze centavos)!

46. Eis, Excelência, o valor devido pela GINCO – LTDA!


47. Logo, como ocultar tamanho valor da Exequente?

48. Como fez a GINCO – LTDA com MOACIR


19
RAVAGNANI simulando um aditivo contratual, uma

pseudo novação, pois, JAMAIS, no ano de 2015, 09 (nove)

lotes no condomínio FLORAIS DA MATA em VÁRZEA

GRANDE e 01 (um) apartamento EQUIVALIAM a quantia

de R$ 2.976.806,11 (dois milhões novecentos e setenta e seis

mil oitocentos e seis reais e onze centavos)!

49. SIMULAÇÃO, FRAUDE, MASCARAMENTO,

BURLA AO SISTEMA DE JUSTIÇA!

c.2) Da Simulação contratual: causa de nulidade absoluta – vício social –

Violação da Lei na acepção concreta :

50. O Código Civil estabelece a simulação como causa de nulidade absoluta

baseada em vício social do negócio jurídico diferindo, portanto, dos vícios de

vontade, de modo que quando um contrato estiver em desacordo com a vontade

declarada e a vontade interna, reveladora da discrepância entre essência e a

aparência, inevitavelmente, os seus efeitos devem ser acoimados pela relevância

e natureza social de qualquer contrato.


51. Compreender que todo contrato interessa a sociedade decorre da

necessidade de o Estado apurar manifestações de vontade que porventura

estejam em desacordo com a Lei, prevenindo a burla ao Fisco e, sobretudo, a

ocorrência de crimes atinentes a lavagem de dinheiro. 20

52. Nesse sentido, in verbis:

“[...] A simulação tutela interesses sociais, inclusive públicos, na

higidez das declarações. Muito mais que o erro, o dolo, a coação, a

simulação implica a tutela de interesse de terceiros (muitas vezes a

simulação interfere em interesses contratuais de terceiros).[...]"

(NERY JUNIOR, Nelson. Código civil comentado. 2ª ed. Ed. Revista

dos Tribunais, 2017. Ebook edition. Art. 167)

53. Assim, a simulação em qualquer modalidade, gera a nulidade do negócio

jurídico, com efeitos ex tunc, ou seja desde então, sendo questão e matéria de

ordem pública.

54. O conceito de simulação estriba-se, segundo os excertos doutrinários, nos

seguintes aspectos, in verbis:

“[...] Na simulação, as duas partes contratantes estão combinadas e

objetivam iludir terceiros. Como se percebe, sem dúvida, há um

vício de repercussão social, equiparável à fraude contra credores,

mas que gera a nulidade e não anulabilidade do negócio celebrado,

conforme a inovação do art. 167 do CC. [...]” (Tartuce, Flávio. V. 1.

Lei de Introdução e Parte Geral; 12 ed.; 2016; p.419 )


[...] Simular é fingir, mascarar, camuflar, esconder a realidade.

Juridicamente, é a prática de ato ou negócio que esconde a real

intenção. A intenção dos simuladores é encoberta mediante

disfarce, parecendo externamente negócio que não é espelhado 21

pelos contraentes. As partes não pretendem originalmente o

negócio que se mostra à vista de todos; objetivam tão só produzir

aparência. Trata-se de declaração enganosa de vontade. A

característica fundamental do negócio simulado é a divergência

intencional entre a vontade e a declaração. Há, na verdade,

oposição entre o pretendido e o declarado. As partes desejam mera

aparência do negócio e criam ilusão de existência. Os contraentes

pretendem criar aparência de um ato, para assim surgir aos olhos

de terceiros. A disparidade entre o desejado e o manifestado é

produto da deliberação dos contraentes. [...] (Venosa, Silvio de

Salvo; Direito Civil: parte geral; 16ªed;2016; p. 547)

55. Arnaldo Rizzardo ao disciplinar sobre o tema, esclarece sobre a

configuração de contrato simulado, in verbis:

"a) É declaração bilateral da vontade, tratada com a outra parte, ou

com a pessoa a quem ela se destina. Importa o conhecimento da

vontade pela pessoa, vontade ignorada por terceiros.

b) Não corresponde à intenção das partes, as quais disfarçam seu

pensamento. (...)

c) É feita no sentido de iludir terceiros. Os ajustes aparentam ser

positivos e certos, mas formam negócios jurídicos fantasiosos,


imaginários, não queridos pelos interessados,(...)." (RIZZARDO,

Arnaldo. Contratos. 16ª ed. Forense, 2017. Kindle edition, pos. 1636)

56. Como efeito, ao analisar as cláusulas contratuais do SUPOSTO ADIVITO

manifestadas pela GINCO – LTDA e MOACIR RAVAGNANI a toda evidencia 22

estampa-se verdadeiro simulacro que não condiz com a realidade. Vale dizer,

não expressam a verdade.

57. Dessa forma, aplica-se ao caso o disposto no inciso II, do artigo 167 do

Código Civil, in verbis:

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que

se dissimulou, se válido for na substância e na forma.

§ 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas

daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;

II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não

verdadeira;

III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-

datados.

58. Assim, considerando que a situação fática se encaixa perfeitamente no

inciso II do § 1º, tem-se por necessária a nulidade do referido aditivo contratual

anexado pela GINCO – LTDA para não cumprir decisão judicial.

59. Conforme restou demonstrado o referido ADITIVO CONTRATUAL teve

como escopo mascarar, fingir, camuflar, e falsear a realidade negocial, o que


revela, segundo a doutrina de cepa, a denominada modalidade de simulação

objetiva, in verbis:

“[...] caso em que o vício social acomete o elemento objetivo do

negócio jurídico celebrado, o seu conteúdo. Celebra-se um negócio 23

jurídico, mas na realidade há outra figura obrigacional, sendo

mascarados os seus elementos verdadeiros. Vale relembrar o

seguinte exemplo: para burlar o fisco determinada pessoa celebra

um contrato de comodato de determinado imóvel, cobrando

aluguel do comodatário. Na aparência há um contrato de

empréstimo, mas na essência, trata-se de uma locação [...]” (Tartuce,

Flávio. V. 1. Lei de Introdução e Parte Geral; 12 ed.; 2016; p.423)

(g.n)

“[...] No inciso II dentro do artigo 167, cuida-se da simulação por

ocultação da verdade na declaração. É o que ocorre quando, por

exemplo, uma doação oculta venda ou um pacto de retrovenda

oculta empréstimo, ou quando na compra e venda o preço

estampado no título não é o realmente pago. Existe aí ocultação da

exata natureza do ato, que não se apresenta no mundo jurídico com

a devida seriedade [...]” (Venosa, Silvio de Salvo; Direito Civil:

parte geral; 16ªed;2016; p. 554) (g.n)

60. Nesse sentido, com base no contrato anexado aos autos pela própria

GINCO - LTDA, verifica-se que o preço estabelecido no negócio jurídico relativo

AS QUOTAS SOCIAIS DA AGROPECUÁRIA MIRANTE DO PARY, a toda

evidencia está muito aquém do preço de mercado. Isso porque, a GINCO –


LTDA, em tese, estaria DEVENDO a MOACIR RAVAGNANI, como dito no item

48, o total de R$ 2.976.806,11 (dois milhões novecentos e

setenta e seis mil oitocentos e seis reais e onze centavos),

em outubro de 2015. 24

61. A época, jamais, frise-se, jamais, o total de 09 (nove) lotes e 01 (um)

apartamento equivaliam a esse montante de DINHEIRO, o que retrata

verdadeira hipótese de preço vil e que ilustra o falseamento e a dissimulação do

negócio jurídico, típica hipótese de simulação sobre o conteúdo do negócio e ou

próprio objeto, in verbis:

“[...] Ocorre simulação sobre a natureza do negócio quando as

partes simulam doação, mas, na verdade, realizam compra e venda.

Há simulação sobre o conteúdo do negócio quando, por exemplo,

se coloca preço inferior ao real em compra e venda, para se

recolher menos imposto, ou quando se altera a data do documento

para acomodar interesses dos simulantes. [...]” (Venosa, Silvio de

Salvo; Direito Civil: parte geral; 16ªed;2016; p. 555) (g.n)

62. Como efeito, resta nítida a simulação destinada a reproduzir no negócio

contratual um fato inexistente, TUDO COM O FIM DE BURLAR ORDEM

JUDICIAL E OCULTAR PATRIMÔNIO DA EXEQUENTE.

63. Em verdade, pelo contexto com que se sucedeu o tramite da simulada

negociação, demonstrado está o animus fraudandi de MOACIR RAVAGNANI, e

que foi potencializado e concretizado com a PARTICIPAÇÃO FUNDAMENTAL


DA GINCO - LTDA ao anuírem e firmarem as cláusulas contratuais em

discussão, externando, dessa forma, o consilium fraudis, que é o fator

determinante e que explica a origem da simulação do negócio jurídico levado a

efeito.

25

64. Ademais, outro (s) fato (s) que revela a mancomunação dos Contratantes

– GINCO - LTDA & MOACIR, depreende-se das matrículas imobiliárias

anexadas nos autos para a GINCO – LTDA ocultar, em consilium fraudis, bens da

Exequente. Vejamos:

65. Diz o contrato ADITIVO o seguinte:

66. Contudo, ao analisar os respectivos imóveis, encontramos as seguintes

constatações:
a) IMÓVEL QUADRA 04, UNIDADE 16, com 419,75m² - id.

85031652:

26
27

b) IMÓVEL QUADRA 09, UNIDADE 20, com 413,67 m² - Id.

85031659:
28

c) IMÓVEL QUADRA 14, UNIDADE 11 com 432,21 m² - Id.

85031677:
29

67. Veja, Excelência, os imóveis citados na alíneas “a”, “b” e “c”, negociados

em 01 de dezembro de 2017, 27 de julho de 2020 e 06 de novembro de 2017,

respectivamente, foram todos negociados, anteriormente, no suposto ADITIVO

CONTRATUAL e, ao depois, revendidos para TERCEIROS! Ou seja,

ESTAMPADA e DEMONSTRADA a má-fé da GINCO—LTDA que serviu de

“TESTA DE FERRO” de MOACIR RAVAGNANI para ocultar patrimônio da

Exequente!

68. A demonstrar o consilium fraudis e a ciência inequívoca de que a GINCO –

LTDA perpetrou ação fraudulenta contra a Exequente, é que a mesma consignou

a INTERVENIENCIA E ANUÊNCIA DE MOACIR RAVAGANANI...

69. Deveria, então, como já de ciência da GINCO – LTDA ter aposto a

ANUÊNCIA DA EXEQUENTE, AFINAL, O IMÓVEL ERA DELA...


70. Também, a GINCO – LTDA em 12 de maio de 2016 negociou o

suposto LOTE 09, DITO NEGOCIADO COM MOACIR RAVAGNANI, com a

KASUAL INCOPORADORA, nos seguintes termos:

30
d) IMÓVEL QUADRA 14, UNIDADE 09 com 432,21 m² - Id.

85031671:

71. No mesmo engodo, também ocorreu com o referido imóvel:


e) IMÓVEL QUADRA 14, UNIDADE 10 com 432,21 m² - Id.

85031674:

31

72. Assim, dos referidos imóveis negociados, verificam-se as mesmas

articulações, o mesmo engodo, o mascaramento, a ocultação e a burla ao sistema

de justiça!

73. São tão evidentes as negociatas da GINCO-LTDA para subtrair em conluio

com MOACIR RAVAGNANI o patrimônio da Exequente que se destaca outro

engodo:

f) IMÓVEL QUADRA 12, UNIDADE 27, com 455,05M² - Id.

85031670:
32

74. Como se observa, um dito imóvel que foi repassado a MOACIR

RAVAGNANI em outubro de 2015, foi NEGOCIADO & VENDIDO pela GINCO

– LTDA, em 11 de setembro de 2020!

75. Eis, então, A PROVA DOCUMENTAL da FRAUDE levada a efeito pela

GINCO-LTDA ao responder ao Juízo de Família sobre a impossibilidade de se

cumprir decisão judicial...

76. Contudo, o engodo e as artimanhas para fraudar ordem judicial e o Juízo

contemplam outras ações! Isso porque, no Id. 85586794 consta o referido aditivo

contratual em que o Executado havia anuído em trocar DINHEIRO por lotes que

a época – 2015 – estavam avaliados em R$ 80.000,00(oitenta mil reais), que

totalizavam apenas R$ 720.000,00(setecentos e vinte mil reais), ocultando, assim

aproximadamente R$ 2.000,000 (dois milhões de reais).

77. Veja, Excelência, jamais àqueles ditos lotes urbanos consignados no

simulado aditivo contratual valiam à época a quantia de R$ 2.000,000 (dois

milhões de reais), de modo que eles foram INFLACIONADOS para

DESCUMPRIR ORDEM JUDICIAL E FRAUDAR OS BENS DA EXEQUENTE.


78. De bom alvitre ressaltar que 07 (sete) após o engodo, após a pandemia e

supervalorização dos terrenos em condomínio fechado, os respectivos lotes

valem próximos de 280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais) e sequer são

suficiente para tapar/cobrir os R$ 2.713.193,89 (dois milhões setecentos e treze mil


33
cento e noventa e três reais e oitenta e nove centavos), devidos na época.

79. É completamente desarrazoado admitir como verdade AQUELA

NEGOCIAÇÃO FEITA ENTRE MOACIR & GINCO-LTDA, evidenciando a

simulação contratual, pois ninguém em são consciência troca dinheiro por lotes

avaliados em 30% do valor devidos.

80. Ademais, a demonstrar a total complacência e ação da GINCO – LTDA em

servir de “testa de ferro”, na melhor acepção do jargão, no id. 85658278 há a


seguinte manifestação:
81. Mesmo tendo sido NOTIFICADA pelo JUÍZO em outubro de 2015 para

depositar em Juízo 50% (cinquenta por cento) da AGROPECUÁRIA MIRANTE

DO PARY, a GINCO – LTDA desobedece ORDEM JUDICIAL e ainda realiza

negócio jurídico de bens que não eram de MOACIR RAVAGNANI!

34

82. Novamente, agora no ano de 2022, a GINCO – LTDA apresenta outro

aditivo para ludibriar terceiros, fraudar a justiça, e ocultar patrimônio de

MOACIR RAVAGNANI, servindo de escudo para tanto...

83. Veja, que agora, diferentemente de outubro de 2015, o referido aditivo

contratual de permuta, supostamente celebrado em 2016, sequer consta FIRMA

RECONHECIDA....
35

84. Estampada, caracterizada, demonstrada as manobras, de todas as formas

e jeitos, para simular negócios jurídicos destinados a ocultar e subtrair bens da

Exequente, donde, a GINCO – LTDA em unidade de desígnios com MOACIR

RAVAGNANI, auferindo lucro em detrimento de bens e direitos de terceiros,

subjetivamente e objetivamente agiu para alcançar fins não albergados pela Lei!
85. Por tais razões, a GINCO - LTDA está a ocultar valores devidos a

Exequente, colaborando diretamente com a fraude, devendo de imediato serem

anulados os respectivos ADITIVOS CONTRATUAIS, conforme remansosa

jurisprudência, in verbis:

36

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO REIVINDICATÓRIA- CONTRATO

DE COMPRA E VENDA SIMULADO- DECLARAÇÃO DE

NULIDADE- IMPROCEDÊNCIA DA REIVINDICATÓRIA - (...) -

Verificada a existência de simulação impõe-se a declaração de

nulidade do negócio jurídico correspondente. Hipótese em que as

partes simularam contrato de compra e venda para evitar que a ex-

companheira do vendedor pudesse pleitear possível parte que lhe

cabia. (TJ-MG - AC: 10319110000431001 MG, Relator: Tiago Pinto,

Câmaras Cíveis / 15ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:

18/08/2017)

“a simulação é vicio social que tem o intuito de mascarar a real

vontade das partes, que em conluio visam enganar terceiros. Há

uma bilateralidade ilícita, em prejuízo de terceiro, que não faz parte

da avença” (TJMT,Ap 102.098/2017, Des. Carlos Alberto Alves da

Rocha, Terceira Câmara de Direito Privado, Julgado em 04/10/2017,

Publicado no DJE 11/10/2017).

“(...) A simulação se caracteriza pela necessária divergência

intencional entre a vontade real e a declaração formal, com o

propósito de enganar, simular a verdadeira vontade das partes

sempre em desfavor de terceiro, caso em que os termos formais do


negócio jurídico simulado não corresponde à verdadeira intenção

das partes, que o utilizam com o fim precípuo de ludibriar terceiro.

(...)” (TJMT - Terceira Câmara de Direito Privado - RAC 0003434-

05.2010.8.11.0021 – Desª. ANTONIA SIQUEIRA GONCALVES,

Julgado em 18/09/2019, Publicado no DJE 12/02/2020) 37

APELAÇÃO CÍVEL – EMBARGOS DE TERCEIRO – MEDIDA DE

ARROLAMENTO DE BENS – ALEGAÇÃO DE QUE OS BENS

AFETADOS PELA MEDIDA JJDICIAL FORAM TRANSFERIDOS

VÁLIDA E LEGITIMAMENE PELO AUTOR DA HERANÇA –

SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO – COMPROVAÇÃO

SATISFATÓRIA DO VÍCIO - DEPOIMENTOS TESTEMUNHAIS

(CPC, ART. 466) COMPLEMENTADA POR DOCUMENTOS –

SENTENÇA MANTIDA – RECURSO DESPROVIDO. (N.U

0003898-29.2005.8.11.0013, CÂMARAS ISOLADAS CÍVEIS DE

DIREITO PRIVADO, JOAO FERREIRA FILHO, Primeira Câmara

de Direito Privado, Julgado em 09/02/2021, Publicado no DJE

24/02/2021)

c.3) DO APARTAMENTO – UNIDADE CONDOMINIAL nº. 402, SOLAR

DO BOSQUE:

86. Como dito, no suposto e simulado negócio jurídico celebrado em outubro

de 2015 – id. 85586794 –, foi repassado a MOACIR RAVAGNANI a unidade

condominial nº. 402, do Edifício Solar do Bosque, como forma de pagamento

daqueles R$ 2.976.806,11 (dois milhões novecentos e setenta e seis mil


oitocentos e seis reais e onze centavos) relativos as cotas partes da Agropecuária

Mirante do Pary.

87. Contudo, Excelência, para o fim de fraudar os direitos da Exequente, a

titularidade do imóvel não foi transferida para MOACIR RAVAGNANI, estando, 38

ainda, sob domínio da GINCO – LTDA, e, portanto, protegendo o EXECUTADO!

88. Como consequência disso, a qualquer momento a GINCO – LTDA &

MOACIR RAVAGNANI podem, como fizeram, vender patrimônio da

EXEQUENTE valendo de uma simples anuência de MOACIR...

89. Basta, Excelência! Até quando a GINCO – LTDA utilizará de sua estrutura

empresarial e imobiliária para proteger o EXEQUENTE em detrimento do

patrimônio da Executada?

d) Da concessão de tutela de urgência: medidas acauteladoras – liminares:

90. Na conformidade da legislação processual vigente, a tutela de urgência

prevista no artigo 300, do Código de Processo Civil, é plenamente aplicável ao

caso para o fim de antecipar os efeitos colimados neste pedido, quais sejam o

reconhecimento da simulação dos aditivos contratuais anexados nos autos pela

GINCO – LTDA, eis que simulados, uma vez satisfeitos os seus requisitos.

91. Para tanto, a probabilidade4 do direito invocado de reconhecer a

simulação dos aditivos contratuais anexados nos Ids. 85658281 e 85586794, nessa

fase de cognição, decorre das provas documentais anexadas, exsurgindo, deste

4
“A probabilidade do direito deve estar evidenciada por prova suficiente, de forma que possa levar o juiz a
acreditar que a parte é titular do direito material disputado” (Curso Didático de Direito Processual Civil;
EdpídioDonizetti; pág. 469).
contexto, o quadro revelador do consilium fraudis da GINCO – LTDA & do

EXECUTADO, motivadora da simulacro levado a efeito no negócio jurídico que

teve e tem como escopo fraudar bens da Exequente, onde, mesmo após ordem

judicial permutou lotes...

39
92. Ademais, os aditivos contratuais tecidos expressam o intento de simular

para o fim de fraudar o direito da Exequente, a lei e ocultar a verdade negocial,

eis que houve ocultação patrimonial da EXEQUENTE na estrutura empresarial

da GINCO – LTDA, quem, valendo-se disso, revende com a anuência de

MOACIR RAVAGNANI os bens objeto da execução!

93. No que se refere a ineficácia ou demora na prestação jurisdicional5,

também, tal requisito resta plenamente perceptível, pois, as documentações

anexadas pela própria GINCO – LTDA nos ids. 85031649 e 85658275,

demonstram a dilapidação patrimonial da Exequente por meio da estrutura

empresarial e imobiliária, responsável pela venda dos terrenos equivalentes aos

R$ 2.976.806,11 (dois milhões novecentos e setenta e seis mil oitocentos e seis

reais e onze centavos), à época, o que revela o perigo da demora.

94. Ademais, a prosperidade dos efeitos projetados pelos simulados negócios

jurídicos, acarretam severos prejuízos a Exequente, quem, mesmo depois de

longa batalha judicial, inclusive perante o Superior Tribunal de Justiça, não está

recebendo o seu direito por AÇÃO DIRETA DA GINCO – LTDA.

5
“o perigo de dano ou o risco de que a não concessão da medida acarretará à utilidade do processo , trata-
se de requisito que pode ser definido como o fundado receio de que o direito afirmado pela parte, cuja
existência é apenas provável, sofra dano irreparável ou de difícil reparação”. ((Curso Didático de Direito
Processual Civil; EdpídioDonizetti; pág. 470).
95. Nesse diapasão, Excelência, está sob risco iminente os direitos da

Exequente, que estão sendo achacados pela manobra negocial levado a efeito pela

GINCO – LTDA, revelando, dessa forma, mais um motivo que revela o perigo da

demora.

40
96. Assim, uma vez preenchido o binômio probabilidade do direito e risco da

demora na prestação jurisdicional, requer a concessão de tutela de urgência para

o fim de reconhecer a simulação com fins de ocultação de patrimônio e,

consequentemente, a averbação da presente demanda, como medida urgente e

de grande valia ao sucesso da execução de sentença, junto e a margem das

respectivas matrículas imobiliárias, todas anexadas aos autos.

a) Matrícula 89.079 – id. 85031652

b) Matrícula 89.214 – id. 85031659

c) Matrícula 92.991 – id. 85031668

d) Matrícula 93.099 – id. 85031670

e) Matrícula 93.151 – id. 85031671

f) Matrícula 93.152 – id. 85031674

g) Matrícula 93.153 – id. 85031677

h) Matrícula 89.050 – id. 8569797

i) Matrícula 93.154 – id. 8568284

j) Matrícula 93.100 – id. 85658287

k) Matrícula 93.135 – id. 85658289

97. Igualmente, requer a inclusão da GINCO URBANISMO LTDA., pessoa

jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 05.808.790/0001-50, para

o fim de responder, patrimonialmente, pelos bens que ocultou da Exequente em

conluio com MOACIR RAVAGANANI, ora Executado.


98. Requer, outrossim, a apreciação do pedido de arresto da unidade

condominial nº. 402, do Edifício Solar do Bosque, formulado na petição inicial –

id. 59652346 -, eis que, conforme as imagens, atualmente, a Exequente sequer

possui moradia, pois, o Executado e a GINCO URBANISMO LTDA.,

expulsaram-na de seu apartamento, onde, atualmente, vive condições 41

penuriosas, totalmente despedida de um lar, minimamente digno e saudável.

99. Por fim, reitera o pedido de bloqueio do imóvel rural situado em Santo

Antônio de Leverger, formulado na petição elencada no id. 85584633.

Nestes termos,

P. deferimento.

Cuiabá-MT, 14 de junho de 2022.

(assinatura eletrônica)

DIOGO P. BOTELHO

OAB/MT 15.172

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