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Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

I - INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

1.1 - Geometria das redes; grafos

Para descrever completamente uma rede elétrica precisamos relacionar não só os elementos ( geradores, resistores, indutores, capacitores, etc. ) que a compõem, como ainda, indicar a maneira pela qual estes elementos estão interligados. As interconexões entre estes elementos têm importância fundamental no estudo da rede, pois impõem vínculos correspondentes às duas leis de Kirchhoff.

A descrição dessas interconexões pode ser feita em termos puramente geométricos. Para isso, vamos, em primeiro lugar, abstrair da natureza ou tipo de cada bipolo, representando-o meramente por um segmento linear, terminado por dois pontos. Este segmento será designado por ramo ( lado, braço ou aresta ). A interconexão entre bipolos será representada pela união, por seus terminais, dos segmentos lineares representativos; os pontos de interconexão definem os nós ( vértices ou junções ).

Um grafo linear é um conjunto de nós e de ramos, tais que os ramos só admitem os nós como pontos comuns.

Se transpusermos para o grafo de uma rede os sentidos de referência positivos adotados para as correntes em todos os ramos, passamos a ter um grafo orientado.

A figura 1.1 mostra uma rede, seu grafo e o grafo orientado do mesmo circuito.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

1 v 1 v 9 2 v 3 3 v 8 v v 7 5
1
v 1
v
9
2
v
3
3
v 8
v
v 7
5
v
6
4
6
4
v
5
v
4
2
rede
1
1
9
3
2
3
8
5
6
7
4
4
2
6
5
1 1 9 3 2 3 8 5 6 7 4 2 6 5
1
1
9
3
2
3
8
5
6
7
4
2
6
5

grafo

grafo orientado

Fig. 1.1 - Exemplo de rede e seu grafo

As diferentes maneiras de se desenhar o mesmo grafo constituem grafos topológicos diferentes, como pode ser visto na figura 1.2

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3

2 3 1 9 8 1 7 4 6 6 5 4 2 5
2
3
1
9
8
1
7
4
6 6
5
4
2
5
2 3 3 9 1 8 1 7 6 5 4 4 5 2 6
2
3
3
9
1
8
1
7
6
5
4
4
5
2
6

Fig. 1.2 - Outros grafos da rede da figura 1.1

1.2 - Conceitos Fundamentais

Um grafo se diz conexo quando há sempre um caminho constituído por ramos entre dois quaisquer de seus nós. Grafos não conexos podem ser associados à circuitos que tenham indução mútua. Assim, o grafo correspondente ao circuito da figura 1.3 contem duas partes separadas.

R 1

1 3 1 3
1
3
1
3
M L 1 L 2 R 2 C 2 4 2 4
M
L 1
L 2
R 2
C
2
4
2
4

Fig. 1.3 - Grafo não conexo

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Dado um grafo, qualquer conjunto de ramos e nós dele extraído, constitui um subgrafo do grafo original. Um subgrafo constituído somente por um nó é chamado subgrafo degenerado.

Dentre os subgrafos que se podem extrair de um grafo, três tipos têm importância especial: as árvores, os laços e os conjuntos de corte.

Uma árvore de um grafo conexo, é um subgrafo, também conexo, que contém todos os nós do grafo original, e um número de ramos apenas suficiente para interligar todos os nós. De um grafo é possível extrair várias árvores ( figura 1.4 ). Todas as árvores têm, no entanto, o mesmo número de ramos.

1 1 1 1 9 3 2 3 2 3 5 8 4 2 4
1
1
1
1
9
3
2
3
2
3
5
8
4
2
4
2
4
5
6
4
5
6

Fig. 1.4 - Árvores da rede da figura 1.1

Verifica-se facilmente que se o grafo tem n t nós, suas árvores têm n = n t 1 ramos.

-

Escolhida uma árvore de um grafo, os ramos a ela pertencente são chamados ramos de árvore; os demais são denominados ramos de ligação. Sendo b o número total de ramos do grafo, o número l de ramos de ligação é dado por:

l = b

- n t

+ 1 = b - n

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Se um grafo tem n t

nós, ele tem n

n

t

t

2

árvores.

nós, e apenas um braço interligando cada par de

Laço ( ou percurso fechado ) de um grafo é qualquer subgrafo conexo tal que dois, e apenas dois, de seus ramos incidem em cada nó, e precisamente dois nós pertencem a cada ramo.

Intuitivamente, um laço é uma trajetória fechada, constituída com ramos do grafo e passando uma só vez em cada nó. A figura 1.5 mostra alguns laços do grafo representado na figura 1.1.

3 1 2 3 8 6 1 9 4 4 5 2 3 3
3
1
2
3
8
6
1 9
4
4
5
2
3
3

Fig. 1.5 - Laços da rede da fig. 1.1

O subgrafo da rede da figura 1.1 mostrado na figura 1.6 não é um laço, pois um de seus nós pertence a mais de dois ramos.

2 3 8 5 7 6
2
3
8 5
7
6

4

5
5

2

4
4
6
6

Fig. 1.6 - Subgrafo da figura 1.1 que não é laço

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É evidente que uma árvore não possui nenhum laço, por outro lado, se colocarmos um só ramo de ligação em uma árvore, fechamos um percurso; este percurso é chamado laço fundamental, associado com o ramo de ligação.

Um conjunto de corte, ou

um corte de um grafo

conexo, é um

conjunto de ramos tal que:

- sua remoção deixa dois subgrafos não conexos; - a remoção de todos eles, menos um, deixa ainda um subgrafo conexo.

No grafo da figura 1.1, constituem exemplos de corte os conjuntos de

ramos:

{1 e 9}, {3, 5, 8 e 9}, {3, 6, 7 e 9}, etc.

Certos cortes e laços apresentam importância por sua utilização nos métodos gerais de equacionamento de circuitos. Assim, há cortes que separam um nó do restante do grafo, como o primeiro e o terceiro exemplos anteriores. Em cada grafo existem, naturalmente, n cortes com essa propriedade.

Em grafos planos ( que podem ser representados sem cruzamento de ramos em uma superfície plana ), certos laços recebem o nome de malhas.

Kuratowski assegura que a condição necessária e suficiente para que um grafo seja planar, é que não contenha nenhum dos dois grafos indicados na figura 1.7 como subgrafos.

dos dois grafos indicados na figura 1.7 como subgrafos. Fig. 1.7 - Grafos não planares básicos

Fig. 1.7 - Grafos não planares básicos

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Na figura 1.1, as malhas são os laços formados pelos ramos: {1, 3 e 9}, {2, 6 e 7}, {3, 5 e 6} e {4, 5 e 8}, ou seja, para ser malha, o laço não pode conter nenhum ramo no seu interior. Entretanto, o laço formado pelos ramos {1, 2, 4, 7, 8 e 9} é normalmente denominado de malha externa do grafo.

Escolhida uma árvore, cada um de seus ramos define um corte fundamental, constituído por este ramo de árvore e por ramos de ligação.

Existem, então, n t - 1 cortes fundamentais associados a uma árvore. Assim, o grafo da figura 1.1 considerada a árvore formada pelos ramos {1, 2, 3, 4 e 5} e representada pela figura 1.4, tem os seguintes cortes fundamentais:{1 e 9}, {2 e 7}, {3, 6, 7 e 9}, {4 e 8} e {5, 6, 7 e 8}.

Por outro lado, escolhida a árvore, cada ramo de ligação define um laço fundamental, constituído por este ramo e ramos da árvore. No mesmo exemplo, são laços fundamentais: {6, 3 e 5}, {7, 2, 3 e 5}, {8, 4 e 5}, {9, 1 e 3}. O número de laços fundamentais é igual ao número de ramos de ligação, portanto, igual a b - n + 1 .

1.3 -Descrição Matricial de um Grafo Orientado; Matrizes de Incidência e Primeira Lei de Kirchhoff

Um grafo orientado pode ser convenientemente descrito por meio de matrizes. Como veremos mais tarde, tal descrição é básica para a formulação dos processos de análise de redes.

Dado um grafo conexo orientado de b ramos e n t

A a

nós, a matriz de

é constituída pelos elementos a ij ,

incidência

( matriz dos vértices )

tais que:

a ij

=

+ 1, se o ramo j incide no nó i e sua orientação sai do nó;

- 1, se o ramo j incide no nó i e sua orientação entra no nó;

0, se o ramo j não incide no nó i.

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Assim, a matriz A a terá n t linhas e b colunas. Evidentemente, a soma dos elementos de cada coluna desta matriz é nula, pois cada ramo sai de um nó e entra em outro.

1 1 9 3 2 3 8 5 6 7 4 4 2 6 5
1
1
9
3
2
3
8
5
6
7
4
4
2
6
5

Fig. 1.8 - Grafo orientado da figura 1.1

A matriz de incidência reduzida A a

para o grafo da figura 1.1,

novamente mostrado na figura 1.8, será dada por:

A a

 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

ramos

+1

 

0

0

0

0

0

0

0

-1

1
1

-1

0 +1

0

-1

0

0

-1

0

2
2

=

0

0

-1

0

0

-1 +1

0 +1

3
3

0

0

0

-1

0

0

0 +1

0

4
4

0 +1

0 +1 +1 +1

0

0

0

5
5

0

-1

0

0

0

0

-1

0

0

6
6
 

nós

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Definindo j 1 , j 2 ,

forma de um vetor coluna j ,

, j b as correntes dos bipolos de uma rede agrupadas em

j

=

j j

1

j

2

3

.

.

.

j

b

e sendo A a matriz de incidência reduzida obtida pela supressão de uma linha da matriz de incidência A a ( correspondente, por exemplo, ao nó de referência do método dos nós ), as equações independentes de correntes escritas para n t - 1 nós da rede pela primeira lei de Kirchhoff, são em forma matricial :

A . j

=

0

No grafo da figura 1.8, cancelando a linha de nó 5, obtemos a matriz de incidência reduzida:

A a correspondente ao

 

1

2

3

4

5

6

7

8

9

ramos

+1

0

0

0

0

0

0

0

-1

1
1

-1

0 +1

0

-1

0

0

-1

0

2
2

A

=

0

0

-1

0

0

-1 +1

0 +1

3
3
 

0

0

0

-1

0

0

0 +1

0

4
4

0

-1

0

0

0

0

-1

0

0

6
6
 
 
 
  nós

nós

0 0 -1 0 0 6       nós Universidade Federal do Pará Departamento de

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

e sendo

j =

j j

1

j

j

j

j

j

j

j

2

3

4

5

6

7

8

9

Temos

e sendo j = j j 1 j j j j j j j 2 3

e portanto:

-

j 1

j 1

- j 3

- j 4

- j 2

-

+

-

+

-

+1

0

0

-1

0 +1

0

0

-1

0

0

0

0

-1

0

j

9

=

0

j

3

-

j 5

j 6

+

j 7

j 8

j 7

=

=

0

0

0

0

0

-1

0

0

0

0

0

-1

-1

0

0

-1

0

0

-1 +1

0 +1

0

0

0 +1

0

0

0

-1

0

0

-

+

j 8

j 9

=

=

0

0

.

j 1

j 2

j 3

j 4

j 5

j 6

j 7

j 8

j 9

=

0

Estas são as equações correspondentes aos nós 1, 2, 3, 4 e 6 da rede da figura 1.8.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Como as n t - 1 equações de correntes traduzidas pela equação matricial A . j = 0 são linearmente independentes, pode-se afirmar que o posto ou característica da matriz de incidência reduzida é igual ao número -

de suas linhas, isto é, n t

1, onde n t

é o número de nós do grafo.

Notemos em conclusão, que as leis das correntes de Kirchhoff ( LCK ) podem ainda ser aplicadas a qualquer corte do grafo. Esta possibilidade será examinada posteriormente.

1.4 - Expressão Matricial da segunda Lei de Kirchhoff ( LTK - Lei das Tensões de Kirchhoff )

1.4.1 - Tensões Nodais e Relações com as Tensões de Ramos

Considerando a mesma rede da figura 1.8 e escolhendo o nó 5 como nó de referência; sejam e 1 , e 2 , e 3 , e 4 e e 6 as tensões dos demais nós medidas em relação ao nó de referência. Suponhamos ainda que estas tensões, designadas por tensões nodais, são as componentes do vetor coluna e n .

Indiquemos agora por

v 1

,

v 2

,

,

v b

as tensões dos ramos

relacionadas com a orientação dos ramos como indicado na figura 1.9.

v

r

a orientação dos ramos como indicado na figura 1.9. v r i r Fig. 1.9 -

i

r

Fig. 1.9 - Relação entre referências de corrente e de tensão

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Estas tensões serão componentes do vetor coluna v .

são linearmente independentes, pois estas

tensões não formam nenhum circuito fechado ao qual se possa aplicar a 2ª

lei de Kirchhoff.

As tensões e 1

,

e 2 ,

, e n

Isto posto, as tensões de ramos se exprimem em função das tensões nodais pela relação

v =

A t . e n

onde A t é a transposta da matriz de incidência reduzida A , a qual ,como já vimos, é obtida da matriz de incidência A a com a supressão da linha correspondente ao nó de referência.

Para o circuito da figura 1.8, as equações ficam:

v 1

v

v

v

v

v

v

v

v

2

3

4

5

6

7

8

9

 

1

-1

0

0

0

0

0

0

0

-1

0

1

-1

0

0

0

0

0

-1

0

=

0

-1

0

0

0

0

0

-1

0

0

0

0

1

0

-1

0

-1

0

1

0

-1

0

1

0

0

.

1

e

e

2

e 3

e

4

e

6

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

v

1

2

3

4

5

6

7

8

9

v

v

v

v

v

v

v

v

=

=

=

=

=

=

=

= e 4 - e 2 = e 3 - e 1

e 1 - e 2 - e 6 e 2 - e 3 - e 4 - e 2 - e 3 e 3 - e 6

A equação v = A t . e n não esgota as possibilidades de aplicação da

LTK; de fato, podemos aplicá - la ainda a qualquer laço do grafo ( no caso geral ) ou ainda a qualquer malha, no caso das redes planares. Examinaremos estas duas possibilidades.

1.4.2 - Matriz dos laços fundamentais ( B )

Comecemos pela expressão da 2ª lei de Kirchhoff em termos da matriz dos laços fundamentais B. Para construir tal matriz vamos, inicialmente, escolher uma árvore no grafo da rede.

A matriz dos laços fundamentais é constituída pelos elementos b ij , tais

que:

b ij

=

+ 1, se o ramo j pertence ao laço definido pelo ramo de ligação i, com sentido de referência concordante, no laço, com o ramo de ligação;

- 1, se o ramo j pertence ao laço definido pelo ramo de ligação i, mas com sentido de referência discordante, no laço, com o ramo de ligação;

0, se o ramo j não pertence ao laço definido pelo ramo de ligação

i.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Em resumo, as linhas da matriz B indicam os ramos que pertencem aos laços definidos por cada um dos ramos de ligação. Assim, para o grafo da figura 1.1, escolhida a árvore formada pelos ramos 1, 2, 3, 4 e 5 ( figura 1.10, com destaque em vermelho para os ramos de árvore, e pontilhado para os ramos de ligação ), a matriz dos laços fundamentais B é então:

1 9 3 8 5 7 6 4 2
1
9
3
8
5
7
6
4
2

Figura 1.10 - Árvore escolhida da rede da fig. 1.1

B =

1

0

1

0

0

2

3

4

5

6

7

8

9

0

1

0

1

1

0

0

0

1

1

0

1

0

1

0

0

0

0

1

1

0

0

1

0

0

1

0

0

0

0

0

1

ramos 6 7 8 9 ramos de
ramos
6
7
8
9
ramos de

ligação

Indicando o vetor v como o vetor coluna das tensões de ramo, verifica-se que pela 2ª lei de Kirchhoff

B . v = 0

Para o grafo em estudo, temos

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

0

0

1

0

0

1

0

0

1

1

0

1

e portanto,

-

v

- v

v

v

4

1

3

2

-

+

-

+

0

0

1

0

1

1

1

0

v 5

v 3

v 5

v 3

+

+

+

+

1

0

0

0

v 6

0

1

0

0

=

v 5 +

v

v

8

9

=

=

0

0

1

0

0

v 7

0

0

0

0

0

1

=

.

0

v

v

v

v

v

v

v

v

v

1

2

3

4

5

6

7

8

9

=

0

onde cada linha do produto matricial fornece a soma ordenada das tensões ao longo de um laço. É evidente que a matriz B, por sua construção, tem característica igual a l, número de ramos de ligação do grafo.

, i l as correntes dos l enlaces da árvore, e

usando a definição do vetor j usada para as correntes dos braços do grafo, afirmamos que

Definindo i 1 , i 2 , i 3 ,

j =

B t . i l

ou seja, as correntes de ramos se exprimem em função das correntes de laço através desta relação.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Para o exemplo

j

j

j

j

j

j

j

j

j

1

2

3

4

5

6

7

8

9

=

0

0

0

0

0

1

0

1

1

0

1

1

0

1

0

1

0

0

0

0

0

1

1

0

0

1

0

0

1

0

0

0

0

0

1

1

.

i

i

i

i

6

7

8

9

e portanto,

j

1

j

2

j

3

j

4

j

j

5

6

j

7

j

8

j

9

=

=

i 9

- i 7

=

=

=

=

=

=

=

- i 6 + i 7

i

8

- i 6 + i 7

i

6

i

7

i

8

i

9

+

-

i 9

i 8

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

1.4.3 - Matriz das Malhas ( M )

Finalmente vamos expressar a 2ª lei de Kirchhoff pala matriz das malhas. Como o conceito de malha s;o se aplica a redes planares, o número de malhas é igual a b - n t + 1, isto é, igual ao número de ramos de ligação de qualquer árvore.

Atribuindo o sentido de percurso horário, a matriz de malhas M é definida pelos elementos m ij tais que

de

m ij

=

+ 1, se o ramo

j

pertence `a malha i e os sentidos

ambos concordam;

de referência

- 1, se

o

ramo j

pertence `a malha i mas com sentidos

referência discordantes;

de

0, se o ramo j não pertence à malha i.

As colunas da matriz M indicam a que malhas pertence um ramo; no caso de ramos que pertencem somente a malhas não externas, temos na coluna correspondente, dois termos não nulos e iguais a +1 e -1; no caso de um ramo externo do grafo, teremos apenas um termo diferente de zero na respectiva coluna.

Note - se que estas propriedades são muito semelhantes às da matriz de incidência reduzida A; de fato veremos logo mais que estas duas matrizes são duais.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Para o grafo da figura 1.1, temos, considerando a figura 11:

9 1 I 3 5 7 III 8 II 6 IV
9
1
I
3
5
7
III
8
II 6
IV

4

2

Figura 11 - Malhas do grafo da figura 1.1

M

=

1

1

0

0

0

2

0

0

0

1

3

1

0

1

0

4

5

6

7

8

9

0

0

0

0

0

1

1

0

0

1

0

0

1

1

0

0

0

0

0

1

1

0

0

ramos 1 I II III IV
ramos
1
I
II
III
IV

malhas

Se indicarmos agora por v o vetor coluna constituído pelas tensões de ramo, a aplicação da LTK às l malhas da rede exprime - se por

M . v

= 0

De fato, cada linha do produto matricial fornecerá a soma ordenada das tensões de ramo ao longo da malha correspondente a essa linha de M. Para o exemplo:

0

0

0

1

0

0

0

1

0

1

0

1

0

1

0

0

0

1

0

1

0

0

1

1

0

0

0

1

0

1

0

0

0

0

0

1

.

v

v

v

v

v

v

v

v

v

1

2

3

4

5

6

7

8

9

= 0

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

Temos

- v 1

v

v

4

3

- v 2

-

-

+

+

v 3

v 5

v 5

v 6

-

v 9

=

0

0

0

0

+

-

+

v 8 =

v

6

v 7

=

=

O vetor j já definido, pode ser expresso em função do vetor coluna i m das correntes de malha da rede através da relação

j = M t . i m

( LCK )

o que significa que todas as correntes de braço podem ser expressas como uma combinação linear de correntes de malha e que a matriz que especifica essas combinações lineares é a transporta da matriz das malhas definida anteriormente.

Para o exemplo em estudo

j

j

j

j

j

j

j

j

j

1

2

3

4

5

6

7

8

9

=

1

1

0

0

0

0

0

0

1

0

0

0

1

1

0

0

1

0

0

0

1

0

1

0

0

0

1

0

1

0

0

0

1

1

0

0

.

i 1

i

i

i

2

3

4

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

E portanto,

j 1

=

- i 1

j

j

j

2

3

4

= - i 4

=

=

- i 1

i 2

+

i 3

j

5

j

6

j

j

7

8

j 9

=

=

=

=

=

-i

2

- i 3

i 4

i 2

-

i 1

+

+

i 3

i 4

1.4.4 - Matriz de Cortes Fundamentais ( Q )

Dado um grafo conexo com n t nós e b ramos, suponhamos escolhida uma certa árvore. A cada ramo de árvore podemos associar um certo número de ramos de ligação, de modo a constituir um conjunto de corte.

Na matriz de cortes fundamentais, cada linha é associada a um ramo de árvore e, portanto, a um corte fundamental.

Cada ramo do grafo ( incluídos os ramos da árvore ) é associado a uma coluna da matriz Q.

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

A matriz dos cortes fundamentais Q é constituída pelos elementos q ij , tais que

q ij

=

+ 1, se o ramo j pertencer ao corte definido pelo ramo de árvore i, e seu sentido de orientação concordar com o do ramo i;

- 1, se o ramo j pertencer ao corte definido pelo ramo de árvore i, e seu sentido de orientação não concordar com o do ramo i;

0, se o ramo j não pertencer ao corte definido pelo ramo de árvore

i.

Para o grafo da figura 1.1, considerando a árvore 1, 2, 3, 4 e 5 ( em destaque na figura 1.12 ),

a árvore 1, 2, 3, 4 e 5 ( em destaque na figura 1.12 ), Corte

Corte associado ao braço 1

Corte associado ao braço 3

Corte associado ao braço 5

Corte associado ao braço 4

Corte associado ao braço 2

Fig. 1.12 - Cortes associados aos ramos de árvore { 1,2,3,4,5 }

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

a matriz dos cortes fundamentais será:

Q

=

1

2

3

4

5

6

7

8

9

1

0

0

0

0

0

0

0

1

0

1

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1

0

0

1

1

0

1

0

0

0

1

0

0

0

1

0

0

0

0

0

1

1

1

1

0

ramos

1

2

3

4

5

1 1 − 1 1 0 ramos 1 2 3 4 5 ramos de árvore Indicando

ramos de árvore

Indicando por j o vetor coluna das correntes de ramo, verifica - se sem dificuldade que a aplicação da 1ª lei de Kirchhoff aos cortes fundamentais fornece a relação matricial

 

Q

.

j

=

0

Para o exemplo

 
 

1

0

0

0

0

0

0

0

1

 

0

1

0

0

0

0

1

0

0

0

0

1

0

0

1

1

0

1

.

0

0

0

1

0

0

0

1

0

0

0

0

0

1

1

1

1

0

E portanto

 

j 1 – j 9 = 0

 

j 2 + j 7 = 0

j 3 + j 6 – j 7 – j 9 = 0

j 4 – j 8 = 0

j 5 + j 6 – j 7 + j 8 = 0

j

j

j

j

j

j

j

j

j

1

2

3

4

5

6

7

8

9

= 0

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

, e q as tensôes dos q cortes definidos pelos

ramos de árvore, e usando a definição do vetor v usada para as tensões dos braços do grafo, afirmamos que

Definindo e 1 , e 2 ,e 3 ,

v =

Q t . e q

ou seja, as tensões de ramos se exprimem em função das tensões de corte através desta relação (LTK).

v

v

v

v

v

v

v

v

v

1

2

3

4

5

6

7

8

9

e portanto,

v 1 = v 2 = = = =

v

v

v

3

4

5

1

0

0 1

0

0

0

0

0

0

1

0

0

= 0

0

0

0

-1

e 1

e 2

e

e

e

3

4

5

0

0

1

0

0

1

-1

0

-1

0

0

0

1

0

0

0

-1

0

0

0

0

0

1

1

-1

1

0

.

e

e

e

1

2

3

e 4

e 5

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

v

v

v

v

6

7

8

9

e 3 + e 5

= e 2 - e 3 - e 5 = -e 4 + e 5 = - e 1 - e 3

=

1.5 - Dualidade; Redes Duais

Vamos agora estender o conceito de dualidade já examinado em casos simples ( Circuitos Elétricos I ) a redes mais gerais, embora planares.

tensão resistência capacitância carga elétrica circuito aberto nó nó de referência ( terra ) ramo de árvore laço ( percurso fechado ) série matriz de malhas

Conceitos Duais

corrente condutância indutância fluxo concatenado curto circuito malha “malha” externa ramo de ligação corte paralelo matriz de incidência reduzida

Basicamente a possibilidade de extensão provem da existência de grafos duais de um dado grafo planar

da existência de grafos duais de um dado grafo planar Fig. 1.13 – Grafo original Universidade

Fig. 1.13 – Grafo original

Circuitos Elétricos II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES

II Capítulo I – INTRODUÇÃO À TOPOLOGIA DAS REDES Fig. 1.14 – Construção do Grafo dual

Fig. 1.14 – Construção do Grafo dual

TOPOLOGIA DAS REDES Fig. 1.14 – Construção do Grafo dual Fig. 1.15 – Grafo dual Se

Fig. 1.15 – Grafo dual

Se o grafo for orientado o processo de construção do dual se completa atribuindo uma orientação aos ramos do grafo dual mediante uma convenção coerente. Por exemplo, girando de ¼ de volta, no sentido horário, as flechas indicativas da orientação dos ramos do grafo original sobre a interseção com o grafo dual.