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Introdução

O presente trabalho ira tratar de assuntos relacionados aos esforços combinados, surge no
âmbito da avaliação da cadeira de Resistência dos Materiais, do curso Engenharia Civil na
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Zambeze.

Iremos discutir; Características dos Esforços Combinados, Efeitos combinados da força axial e
da flexão (Formula de Navier Generalizada) e Flexão Oblíqua

Dada a importância do trabalho, para assegurar as veracidades dos conteúdos aqui expostos,
foi privilegiada a metodologia de pesquisa bibliográfica e pesquisas já feitas sobre o mesmo
tema em forma de documentos escritos, os mesmos estão devidamente citados nas
referências bibliográficas, caso o leitor ache necessário aprofundar a leitura de forma mais
detalhada
Objectivos
Objectivos gerais

 Descrever Esforços Combinados e a determinação dos esforços internos

Objectivos específicos

 Definir esforços combinados, esforços normais, momento flector momento


torsor
 Determinar a diferença entre esforços combinados entre outros esforços
internos já estudados
 Determinar esforços combinados
Esforços Combinados

Esforço combinado é a actuação simultânea de cada medida estrutural (força axial, cortante,
momento flector ou momento torpor) em uma única estrutura.

Esforço normal – é a força que atua no eixo da estrutura, com tendência a comprimir ou
traicionar o elemento estrutural (perpendicular ao plano);

Momento flector - é a flexão que o elemento sofre como resultado de tensões normais de
sentidos opostos na mesma secção;

Momento de torção – é o torque que o elemento sofre como resultado de tensões tangenciais
de sentidos opostos.
Características dos Esforços Combinados

Em todos os casos de esforços estudados anteriormente analisava-se simplesmente um


esforço de cada vez. Na flexão transversal plana, no que diz respeito as secções da barra,
surgem simultaneamente duas forças interiores (momento flector e cortante), donde as
tensões normais que são produzidas por este momento são máximas, ao mesmo tempo as
tensões tangenciais provocadas pela cortante são nulas e vice-versa, motivo pelo qual estuda-
se o esforço cortante e o momento flector de forma isolada uma da outra.

Na verdade, na prática existem casos muito mais complicados que o citado acima, por exemplo
quando numa secção transversal atoarem simultaneamente varias forças interiores que se
devem considerar em conjunto durante os cálculos, estamos falando da combinação de três ou
mais forcas interiores numa única estrutura.

Da figura temos que, no plano há dois eixos e consequentemente um plano. Desta forma,
existem duas forças (cisalhamento e axial) e um momento. No espaço há três eixos e três
planos e, desta forma, existem três forças (duas de corte e uma axial) e três momentos (duas
dobras e uma torção).

.Efeitos combinados da força axial e da flexão (Formula de Navier


Generalizada)

A seguir podemos observar uma barra solicitada por uma força axial e momento flector em 𝑋 e
em 𝑌. Por baixo de cada barra está as expressões para calcular as tensões normais para cada
caso.
Se as três solicitações
actuarem em simultâneo e com isso aplicarmos o principio de superposição.

Então se tem:

𝑁 – Força axial que tem na secção onde vai se calcular 𝜎;

𝐴 – Área da secção transversal;

𝑀𝑥 – Momento flector em que x que tem na secção onde vai se calcular 𝜎;

𝐼𝑥 – Inércia da secção transversal a respeito desse x;

𝑌 – Distância do centro ao ponto de onde se vai calcular 𝜎, medida no eixo y;

𝑀𝑦 – Momento flector em y que tem na secção onde se vai calcular 𝜎.

𝐼𝑦 – Inércia da secção transversal a respeito do eixo de y;

𝑋 – Distância do centro ao ponto que se vai calcular 𝜎, a medida no eixo

Para definir os sinais é importante definir qual é o primeiro quadrante. Se sugere utilizar um
sentido ou um primeiro quadrante no qual não coincide com o da matemática, por ser
geralmente conveniente e empregue para os momentos fletor se esclarece que realmente se
pode tomar como primeiro quadrante qualquer dos 4, mas se recomenda usar um
permanente.
Definido o primeiro quadrante os momentos (𝑀𝑥 𝑒 𝑀𝑦), serão positivos, se tracionar esse
primeiro quadrante e negativo se comprimir. As coordenadas nos mesmos sempre serão
positivas, então usar o representado abaixo e “x” é positivo para a direita e “y” para baixo. O
axial ira com seu sinal tradicional usando (+), a tração e (-) na compreensão. Os valores de A,
Ix, Iy, sempre serão positivos por ter/ser características geométricas.

Como pode ser visto (x, y) são as coordenadas do ponto de onde vai se calcular as tensões
normais.

Determinação de tensões principais

𝜎𝑚𝑎𝑥: é o ponto mais traccionado, mas se toda a secção esta a compreensão é o menos
comprimido. Matematicamente é a tensão maior.

𝜎𝑚𝑎𝑥: é o ponto mais comprimido, mas se toda secção esta a tracção é o menos traccionado.
Matematicamente é a tensão menor ou a mais pequena. A diferença da flexão plana donde
tensão máxima ocorre em uma linha, quando há dois momentos de flexão ou flector, eles
ocorrem apenas em ponto:

Determinação de linha neutra

Como já se sabe, a linha neutra é aquela onde não existem tensões normais (𝜎=0). Pelo que se
iguala a zero a expressão de Navier Generalizada, e se obtém as coordenadas dessa:
Fazendo x=0 se determina y

Fazendo y=0 se determina x

Finalmente, “𝑥0” será o ponto onde a linha neutra corta o eixo x e “𝑦0” com uma recta y
prolongado rã se obtém graficamente a posição da linha neutra. Em um caso particular que
não existe a forca axial (𝑁=0) fazendo 𝑥=0, determina-se que 𝑦0=0 e fazendo 𝑦=0 se determina
que 𝑥0=0. Por agora só se sabe que a linha neutra passa pelo centro vá, mas não a sua
inclinação. Então se procede ao cálculo do ângulo forma com a horizontal (beta), que se torna
positivo se é medido a favor do sentido horário (saindo da horizontal até a linha neutra), e
negativo quando é medido contra o ponteiro do relógio (igualmente saindo da horizontal).

Caso de tracção ou compreensão excêntrica quando a carga axial se encontra aplicada fora do
centro ide na secção transversal, se translada a mesma ao centro e se colocam momentos que
geram esse movimento. Então se esta no mesmo caso anterior da secção combinada de axial
com um ou dois momentos flectores, empregando-se igualmente a expressão de Navier
generalizada. E isso se representa abaixo:

Já foram desenvolvidos métodos para determinar as distribuições de estreses em um membro


submetido a carga axial interna, força de cisalhamento, momento de flexão ou momento de
torção. No entanto, a seção transversal de um membro geralmente está sujeita a vários desses
tipos de cobranças simultaneamente e, consequentemente, o método de sobreposição, se
aplicável, pode ser usado para determinar a distribuição resultante do estreses causado pelas
cargas. Em aplicações, primeiro a distribuição do estreses devido a uma carga é determinada e,
em seguida, essas distribuições são superpostas para determinar a distribuição resultante do
estrese.

Existem quatro combinações possíveis de cargas: (1) axial e dobrada, (2) axial e torção, (3)
torção e flexão, e (4) axial, torção e flexão. Começará pelo caso (1) combinação de estresse
axial e de flexão, uma vez que é o mais simples como os esforços normais intervêm σ. Em
todos os outros casos, envolve esforços normais e nítidos, o que requer mais estudos.

Flexão Oblíqua

A flexão oblíqua aparece quando as cargas que atuam sobre o elemento estão contidas em um
plano que inclui o eixo longitudinal, mas a este não pertencem os eixos principais de inércia da
secção, ou seja, a barra de cargas transversais aplicadas no centro ide, a sua direcção para ele,
(mas não longitudinalmente que provoquem o axial) e que não coincidem com nenhum dos
dois eixos principais de inércia da secção transversal. Isso se ilustra na figura abaixo.

A carga que produz a flexão oblíqua se decompõe em duas, de forma que coincidam com os
dois eixos principais da inércia. Dai em diante a solução do problema é similar a quando atuam
dois momentos flectores e se emprega a expressão que se segue para o cálculo das tensões:

Efeitos combinados da flexão e a torsão

.Critérios de Resistência

A torção flectora é o fenómeno da qual de forma simultânea atuam momentos flectores e


torsões na secção transversal de um elemento. Para a análises da torção há que diferenciar se
a secção transversal é de forma circular ou não.
.Análises para determinação de 𝝈 e 𝝉 em secções Rectangulares com Flexão em um só plano,
existe ou não axial.

onde: 𝑎: lado maior do rectângulo;

𝑏: lado menor do rectângulo; 𝛼,

ɳ: coeficientes que dependem da relação 𝑎/𝑏 e estão tabelados; se a flexão transversal é a


respeito do eixo de I𝑚á𝑥 a expressão de 𝜏𝑚á𝑥 deve se multiplicar por ɳ. No caso contrário,
sendo a flexão a respeito do eixo de I𝑚𝑖𝑛, a expressão de 𝜏𝑚á𝑥 não é afectada por.

Toda carga transversal que a sua direcção não passe pelo centro vá, devido a essa

Excentricidade, produz torsão na secção transversal

Determinação das tensões principais

As tensões principais, produto da combinação de tensões normais e tangenciais em um ponto


se determinam por:

.Determinação dos deslocamentos

No plano existem dois eixos e um plano. Desta forma há duas forças (cortante e axial) e um
momento. Para determinar os deslocamentos usando a forma de Mohr se tem:
No espaço existem 3 eixo e 3 planos e desta forma há 3 forças (2 cortantes e uma axial) e 3
momentos (2 flectores e 1 torsor). Para determinar os deslocamentos usando a fórmula de
Mohr, considerando o eixo Z como o longitudinal (ou seja, o axial e o 𝑀𝑡𝑜𝑟 são desse eixo),
então ficaria:

O quinto e o sexto termos têm valores desprezíveis, porque de comum não se consideram.
Segundo se a força axial tem um valor considerável se usa o quarto término.

∆𝑘𝑚∶ Deslocamento

𝑃𝑘 : carga unitária quando se calcula o deslocamento linear;

𝑀𝑘 : Momento unitário quando se calcular o deslocamento angular;

𝑀𝑘𝑥 𝑒 𝑉𝑘𝑥 : acções interiores no eixo X devido a aplicação de 𝑃𝑘 ou 𝑀𝑘; 𝑀𝑘𝑦 𝑒

𝑉𝑘𝑦 : acções interiores no eixo Y devido a aplicação de 𝑃𝑘 ou 𝑀𝑘; 𝑁𝑘 𝑒 𝑁𝑚: força axial devido
a aplicação de 𝑃𝑘 e 𝑃𝑚 respectivamente; 𝑀𝑚𝑥 𝑒 𝑉𝑚𝑥 : acções interiores no eixo X devido a
aplicação de 𝑃𝑚; 𝑀𝑚𝑦 𝑒 𝑉𝑚𝑦: acções interiores no eixo Y devido a aplicação de 𝑃𝑚;

𝐸.𝐼 : rigidez da secção transversal e a flexão;

𝐸.𝐴 : rigidez ao afeito longitudinal produzido pelas forças axiais;

𝐺.𝐴 : rigidez ao afecto transversal produzido por forças cortantes;

𝐺. 𝐼𝑝 : rigidez ao afecto transversal produzido pelas torções;

𝐼𝑥 : inércia da secção transversal a respeito do eixo X;

𝐼𝑦 : inércia da secção transversal a respeito do eixo Y;

𝐼𝑝 : inércia da secção transversal da torção ou momento polar de inércia;

𝐸 : Módulo de elasticidade longitudinal ou Módulo de young ou Módulo de primeira ordem;

𝐺 : Módulo de elasticidade de segunda ordem ou Módulo de elasticidade transversal;


𝐴 : área da secção transversal;

𝜇 : coeficiente de Poisson ou coeficiente de deformação transversal.

Passos a seguir para usar fórmula de Mohr

1- Produto de cargas que atuam obter expressões de 𝑀𝑚𝑥 , 𝑀𝑚𝑦 e 𝑀𝑡𝑜𝑟.


2- Eliminam se todas as cargas que atuam, e no ponto onde se deseja calcular o
deslocamento coloca-se uma carga unitária na direcção do deslocamento e em qualquer
sentido. Se deseja calcular o ângulo de giro (deslocamento angular) se coloca um
momento unitário 𝑀𝑘=1 no lugar de 𝑃𝑘=1

.Critérios de desenho e revisão

Condições de resistência.

𝜎𝑒𝑞≤[𝜎] (para casos donde há trasão)

Corresponde com o maior valor medularmente entre Para obter 𝜎𝑚𝑎𝑥 em secções simétricas
os três termos da equação de Navier generalizada sempre se adicionam pelo que se pode
calcular de forma directa somando os mesmos, sem determinar previamente

Noção de problemas hiperestaticos

Neste caso de espaço, para determinar GH:

 O encastramento equivale a seis secções, três esforços e três momentos.  A articulação


equivale a três reacções, três forcas.  O apoio simples equivale a uma reacção no sentido do
mesmo, uma forca.

Para se utilizar o método das forcas, os passos a seguir são similares aos casos de Axial e
Flexão só diferenciando-se as expressões para determinar os coeficientes e os termos
independentes.

Exercícios resolvidos sobre Esforços combinados

Verificar a estabilidade dos pontos A, B e C na seção do engaste da estrutura mostrada ao lado,


considerando os critérios de Fresca e de von Mises. Considere:

P0 = 45 kN
L = 1 m S = 200 cm²

P1 = 8 kN h = 25 cm

Iz = 10.416,67 cm4

P2 = 4 kN

b = 8 cm

Iy = 1066,67 cm4

P3 = 3 kN
Máxima tensão admissível: e= 1,5 kN/cm²

1) Cálculo dos esforços internos (N, Qy, Qz, My,


Mz e T) na seção do engaste:

N = P0 + P1 = 45 + 8 = 53 [kN]

1.2) Cortante em y (Qy):

Qy = -P2 = -4 [kN]

1.3) Cortante em z (Qz):

Qz = P3 = 3 [kN]

1.4) Momento Fletor em y (My):

My = P1(b/2) + P3(L/2) = 182 [kN cm]

1.5) Momento Fletor em z (Mz):

Mz = P1(h/2) + P2(L) = 500 [kN cm]

1.6) Momento Torsor (T):


T = P3(h/2) = 37,5 [kN cm]

1) Cálculo dos esforços internos (N, Qy, Qz, My, Mz e T) na seção do en

N = 53 kN Qy = -4 kN Qz = 3 kN

My = 182 kN cm Mz = 500 kN cm T = 37,5 kN cm

2) Cálculo das tensões normais nos pontos A, B e C:

2.1) Ponto A: (y=12,5 cm; z = -4 cm)

3) Cálculo das tensões tangenciais nos pontos A, B e C:


3.1) Devidas ao Esforço Cortante em y (Qy):

3.2) Devidas ao Esforço Cortante em z (Qz):

3.3) Devidas ao Momento Torsor (T):

Como calcular em uma seção retangular?


3) Cálculo das tensões tangenciais nos pontos A, B e C:

3.3) Devidas ao Momento Torsor (T):

Quadro-resumo das tensões tangenciais nos pontos A, B e C:

4) Verificação dos critérios de falha nos pontos A, B e C:


Conclusão

No âmbito da realização do trabalho, pode-se perceber que os casos que normalmente


acontecem na prática envolvem a acção conjunta de vários esforços, a qual denominado
Esforços Combinados.

Por ser difícil através de ensaios de ordem pratica encontrar valores com uma tensão de
ruptura dos materiais quando sobre efeitos de esforços combinados surge em resposta os
Critérios de Resistência. Esses critérios visam basicamente, através de alguns métodos
estabelecidos pela experiencia suprir as deficiências de ensaios específicos para os casos de
solicitações combinadas.

Surge ainda no contexto de esforços combinados que se determinem os possíveis


deslocamentos que os elementos solicitados terão em resposta as solicitações.

Destacam-se para determinação dos parâmetros acima referidos através do Método


Energético as fórmulas de Navier e Mohr.
Bibliografia

Professor Luciano Rodrigues Ornelas de Lima, Capítulo 2 - Critérios de Resistência


(Escoamento/Plasticidade e Ruptura)

Prof. Dr. Nilson Tadeu Mascia, critérios de resistência, Universidade Estadual de Campinas
(faculdade de engenharia civil, departamento de estruturas), Campinas, Junho de 2006
(revisão 2017).

Prof. José Carlos Morilla, critérios de resistência, Universidade Santa Cecília, Engenharia
Mecânica, Resistência dos Materiais II.

ANSELMO, Marcelo Belleti; Metodologia para Segregação dos Efeitos de Forças e Momentos
em Linhas de Eixo Através da Análise de Esforços Combinados; Rio de Janeiro, 2015 pp. (27-30

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