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INTRODUÇÃO À FILOSOFIA

O que é a filosofia?

É uma atividade intelectual reflexiva, movida pela curiosidade e pelo desejo de saber, que procura respostas
racionalmente válidas, partindo do conhecimento vulgar. Envolve duas dimensões:

- Teórica: direcionada para o conhecimento conceptual e para a verdade;


- Prática: direcionada para a ação e aplicação dos conceitos;

O que estuda a filosofia?

A filosofia estuda problemas em aberto procurando resolvê-los a partir do uso da razão a fim de os compreender
ou conferir-lhes um sentido.

Objetos de estudo: as nossas ideias e crenças básicas; Instrumentos: conceito, proposição e argumento;

Conceptual ou empírica?

A filosofia é conceptual porque trabalha com conceitos / ideias. Não é empírica pois não trabalha com
problemas que se possam resolver através da experiência ou observação.

Ceticismo ou dogmatismo?

A filosofia implica o espírito crítico porque consiste em analisar com objetividade as nossas ideias (ceticismo).
Recusa o dogmatismo, pois um dogma é algo em que acreditamos e aceitamos sem questionar.

Porque é que as respostas dadas são raramente consensuais?

As respostas dadas aos problemas filosóficos são raramente consensuais (iguais) porque cada um tem o seu
ponto de vista ou a sua opinião face a um dado problema.

Conceito / Termo: Ferramenta mais simples do conhecimento. Síntese representativa das características que
um objeto tem que ter para merecer esse nome (imagem mental).

Proposição: Segundo elemento da atividade de pensar no qual procuramos relacionar 2 ou mais conceitos,
afirmando ou negando uma determinada qualidade ou característica a um objeto (juízo).

Argumento: Elemento mais complexo do pensamento. Nele relacionam-se proposições, ou seja, desenvolve
operações mais complexas que virão apontar uma conclusão como necessária (raciocínio).

Verdade: Qualidade das proposições. O que procuramos fazer quando emitimos juízos acerca da realidade é
que eles descrevam corretamente algo que aconteceu ma realidade.

Validade: Qualidade dos argumentos. Verifica se a conexão entre as justificações torna obrigatória ou
necessária a conclusão. Quando ambas as premissas são verdadeiras, a conclusão não pode ser falsa, sendo
este, um argumento válido.

Solidez: Qualidade dos argumentos válidos. Serve para melhorar a qualidade de um discurso que, para ser
correto, o pensamento deve possuir argumentos válidos e sólidos, isto é, verdadeiros.

Cogência: Qualidade de um argumento válido, sólido e com premissas muito fortes.

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LÓGICA FORMAL / ARISTOTÉLICA

A lógica formal analisa os modelos corretos ou incorretos de um conjunto de premissas, ou seja, a forma dos
argumentos (modelos de inferência). Ocupa-se das proposições categóricas - compostas por dois termos
(sujeito e predicado) ligados por uma cópula (negada “S não é P” ou não “S é P”).

Tipos de proposições categóricas

- Tipo A - “todo o A é B” - universal / afirmativa


- Tipo E - “nenhum A é B” - universal / negativa
- Tipo I - “algum A é B” - particular / afirmativa
- Tipo O - “algum A não é B” - particular / negativa

Distribuição das proposições categóricas

- Tipo A - “todo o S é P” - sujeito distribuído / predicado não-distribuído


- Tipo E - “nenhum S é P” - sujeito distribuído / predicado distribuído
- Tipo I - “algum S é P” - sujeito não-distribuído / predicado não-distribuído
- Tipo O - “nenhum S não é P” - sujeito não-distribuído / predicado distribuído

Conectivas

Forma lógica Designação Formalização


não P negação1 ~P/¬P
PeQ conjunção P∧Q
P ou Q disjunção2 P∨Q
se P então Q condicional3 P→Q
P se e só se Q bicondicional P↔Q

Tabela de verdade

P Q P∧Q P∨Q P→Q P↔Q P ~P


V V V V V V V F
V F F V F F F V
F V F V V F
F F F F V V
nota: a conetiva principal é a última a ser considerada

1 única conetiva simples/unária


2disjunção inclusiva: é verdadeira se pelo menos uma das frases disjuntas for verdadeira / disjunção exclusiva: é verdadeira se apenas
uma das frases disjuntas for verdadeira
3 a negação da condicional não é outra condicional: negar “se A então B” é afirmar “A, mas não B”.

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Modelos de inferência

- Modus ponens (afirmação da antecedente) P → Q, P Ω Q

“Se o mal existe, Deus é malévolo. Dado que o mal existe, segue-se que Deus é malévolo.”

- Modus tollens (negação da consequente) P → Q, ~Q Ω ~P

“Se o mal existe. Deus é malévolo. Ora Deus não é malévolo logo o mal não existe.”

- Contraposição P → Q, Ω ~Q → ~P

“Se a arte é a expressão de emoções, Tolstoi tem razão. Logo, se Tolstoi não tem razão, a arte não é a
expressão de emoções.”

- Silogismo disjuntivo P ∨ Q, ~P Ω Q

“O mundo inteligível é uma realidade ou Platão está enganado. Ora, o mundo inteligível não é uma realidade
logo Platão está enganado.

- Silogismo hipotético P → Q, Q → R, Ω P → R

“Se a ética de Mill é demasiado exigente, está errada. Se está errada, temos de procurar uma alternativa. Logo
se a ética de Mill é demasiado exigente, temos de procurar uma alternativa.”

- Leis de Morgan ~(P ∧ Q), Ω ~P ∧ ~Q* / ~(P ∧ Q), Ω ~P ∨ ~Q**


* “Não é verdade que a arte seja emoção ou imitação. Logo a arte não é emoção nem imitação.”

** “Não é verdadeiro que Deus coexista com o mal. Logo, ou não existe Deus ou não existe mal.”

Falácias formais

- Falácia da afirmação da consequente P → Q, Q Ω P

“Se o mal existe Deus é malévolo. Dado que Deus é malévolo segue-se que o mal existe.”

- Falácia da negação da antecedente P → Q, ~Q Ω ~P

“Se o mal existe Deus é malévolo, Ora o mal não existe logo Deus não é malévolo.”

LÓGICA INFORMAL

A lógica informal tem como objeto de estudo o conteúdo dos argumentos e a intenção manifesta ou implícita
pelo orador quando se dirige a um auditório. Quando queremos justificar ou refutar um ponto de vista usamos
argumentos dedutivos ou argumentos não dedutivos. Foca-se nos argumentos não dedutivos.

Argumentos dedutivos Argumentos não dedutivos


- é possível determinar a sua validade pelo - não é possível determinar a sua validade pelo
estudo da sua forma lógica; estudo da dua forma lógica;
- o que a conclusão apresenta já está, de certa - a conclusão ultrapassa a informação que está
forma, nas premissas; presente nas premissas;
- a conclusão não é segura;
- previsões e generalizações;

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Argumentos indutivos

Processos de inferência cuja conclusão, ainda que não derive necessariamente das premissas, é, de alguma
forma, apoiada por estas.

- Generalizações: “Todos os A observados são B. Logo, todos os A são B.”


- Previsões: “Todos os A observados (até este momento) são B. Logo, todos os A observados (no futuro)
serão B.”

Critérios para a construção de bons argumentos indutivos:

- A amostra deve ser ampla;


- A amostra deve ser relevante (representativa do universo em questão);
- Não deve omitir informação relevante (a propósito da amostra);

Argumentos por analogia

São baseados numa comparação entre duas coisas supostamente semelhantes com o objetivo de estabelecer
algum tipo de afinidade entre as mesmas.

“A é como B em x e y. B é z. Logo, A também é z.”

Critérios para a construção de bons argumentos por analogia:

- As semelhanças apontadas devem ser relevantes à conclusão;


- A comparação apontada tem de ser relevante para suportar a conclusão;
- Não podem existir diferenças muito grandes entre os elementos comparados;

Argumentos de autoridade

São argumentos cuja conclusão é sustentada por um especialista ou por uma instituição confiável.

“A (uma fonte com a obrigação de saber) diz x. Logo, x é verdade.”

Critérios para a construção de bons argumentos de autoridade:

- O especialista invocado tem de ser publicamente conhecido na área ou tema;


- A fonte tem de ser citada;
- A fonte tem de ser imparcial relativamente ao tema / ideia que defende;
- A conclusão tem de ser consensual entre os especialistas dessa área;

Falácias informais

- Argumentos por falso dilema

Apresentam um dilema ou uma alternativa que não existe verdadeiramente ou não é relevante.

“As verdades são absolutas ou relativas. Dado que é evidente que não são absolutas, são relativas.”

- Falácia da petição de princípio (argumento circular)

As premissas pressupõem que a conclusão é verdadeira sem oferecer provas disso, ou seja, oferecem como
justificação aquilo que querem provar.

“Temos de admitir que não há verdades morais absolutas pois são todas relativas.”

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- Falácia de derrapagem (bola de neve)

Apresenta um conjunto de razões que influenciam quem ouve aceitando progressivamente cada uma delas
para que, no final, se veja obrigada a aceitar a conclusão. Estas razões são, quando consideradas
isoladamente, improváveis, mas juntas acabam por forçar a adotar a conclusão.

“Se vamos ao cinema vemos filmes violentos. Se vemos filmes violentos habituamo-nos à violência. Se nos
habituamos à violência tornamo-nos violentos. Se nos tornamos violentos tornamo-nos assassinos. Logo, se
vamos ao cinema tornamo-nos assassinos.”

- Falácia do boneco de palha

Ridiculariza ou caricatura ideias e as suas consequências do opositor.

“A ética utilitarista é inacreditável porque vê os seres humanos como animais exclusivamente em busca do
prazer.”

- Falácia ad hominem (ataque à pessoa)

Ataca o opositor e não as tuas ideias, escolhe aspetos da sua vida pessoal para diminuir a compreensão,
aceitação ou sucesso das ideias que defende.

“Não votes na Bárbara porque ela é benfiquista.”

- Falácia de apelo à ignorância

Pretendo provar uma conclusão pelo apelo ao que desconhece a respeito dessa conclusão, ou seja, pela
inexistência de conhecimento da verdade da coisa que conclui pela sua falsidade.

“Nenhum filósofo até hoje conseguiu provar que o Sporting será campeão. Logo, o Sporting nunca será
campeão.”

- Falácia post hoc, ergo propter hoc (falsa causa)

Resulta da convicção que dois eventos que ocorrem em sequência cronológica estão necessariamente
interligados através de uma relação de causa-efeito.

“Usei a minha caneta da sorte, em seguida tive uma boa nota. Portanto, a caneta é a causa da minha nota.”

PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

O que é o livre-arbítrio?

O livre-arbítrio corresponde à capacidade de poder exercer uma escolha depois de ponderadas diferentes
alternativas de forma racional, autónoma e consciente. Pode fazer-se a distinção entre ações livres (escolher
ficar em casa em vez de ir passear; dizer a verdade) e acontecimentos (piscar os olhos; ter o tique incontrolável
de mexer o braço).

Problema do livre-arbítrio

Será compatível o determinismo com o libertismo?

Será que o livre-arbítrio é uma ilusão? / Será que existem ações livres?

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Determinismo radical

Teoria incompatibilista - responde negativamente a ambas as questões.

Considera que as leis que regulam a natureza não são compatíveis com a existência do livre-arbítrio e defende
que não existem ações livres (o livre-arbítrio é uma ilusão).

“Se o determinismo é verdadeiro, não há livre-arbítrio. O determinismo é verdadeiro. Logo, não há livre-arbítrio.”

Argumentos

O determinista argumenta que todos os acontecimentos resultam da sequência de causas e efeitos traduzidos
pelas leis da natureza. Como as ações humanas fazem parte do Universo, também estão sujeitas à lei da
causalidade.

Estar causalmente determinado é não poder decidir nem poder querer outra coisa para além daquilo que
efetivamente decidimos ou queremos. Ou seja, parece-nos que somos livres desde que ninguém nos impeça
de fazer o que decidimos ou queremos. Temos a falsa sensação de que somos livres porque escolhemos fazer
uma coisa em vez de outra, desconhecendo as causas que determinam as nossas ações.

Ex: quando risco um fósforo espero que ele se acenda.

Objeções

- Objeção da responsabilidade moral

Estabelece uma relação entre a responsabilidade moral e a liberdade. Se não formos livres como poderemos
ser responsáveis pelos nossos atos? De que valem os castigos e prisões? É absurdo defender que não
poderemos ser castigados. Logo, o determinismo radical é falso.

- Objeção fenomenológica

Não é possível acreditar que temos livre-arbítrio porque isso faz parte do próprio processo de agir. Uma vez
que temos a liberdade de pensar também temos a liberdade de agir. Talvez seja possível acreditar que as
outras pessoas não têm livre-arbítrio, mas não relativamente a nós próprios porque, quando agimos, não
podemos pressupor liberdade e sentir que somos livres.

- Falta de provas empíricas

Não é possível provar que as ações humanas se baseiam numa cadeia causal que ignoramos, se não temos
consciência de tal cadeia.

Libertismo

Teoria incompatibilista - responde negativamente à primeira questão e afirmativamente à segunda.

Defende que não é possível compatibilizar o determinismo com o livre-arbítrio e que existem ações livres.

“Se temos livre-arbítrio, o determinismo é falso. Temos livre-arbítrio. Logo, o determinismo é falso.”

Argumentos

O libertista argumenta que, no ato de tomar uma decisão, o ser humano exerce o livre-arbítrio, não sendo
possível aceitar que as nossas decisões estão todas determinadas por acontecimentos anteriores. A ciência
não é capaz de prever o comportamento (tudo o que a ciência pode provar é que, à exceção da ação humana,
todos os acontecimentos estão determinados). O facto de sermos parte de um Universo determinista não
implica que as nossas ações também o sejam.

Para os libertistas, existem condicionantes (cultura, sociedade) que influenciam a escolha, mas não a
condicionam, ou seja, é o sujeito que escolhe a decisão final. Uma escolha só é verdadeiramente livre se
desencadear uma nova cadeia de acontecimentos (o sujeito é a primeira causa, sendo capaz de
autodeterminar-se).

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Objeções

- Dilema do libertista

As decisões tomadas por um sujeito têm origem ou numa deliberação anterior ou então é uma escolha
aleatória.

A liberdade não é aleatória então a escolha aleatória não prova a existência de livre-arbítrio.

A deliberação depende das crenças / desejos de cada indivíduo, sendo determinada pelos mesmos.

Compatibilismo / Determinismo moderado

Teoria compatibilista - responde afirmativamente a ambas as questões.

Considera que as ações livres podem ser compatíveis com o determinismo e que é inegável a existência de
livre-arbítrio.

Somos livres quando o que escolhemos e o modo como agimos resulta do que queremos e o que queremos
de qualquer coação, doença ou controlo artificial.

Argumentos

O ser humano é livre quando escolhe fazer o que deseja, ou seja, a escolha é o resultado causal da existência
de certas crenças e desejos que surgiram por um processo natural 1.

O ser humano não é livre quando não pode escolher fazer o que deseja por causa de constrangimentos
externos ou internos, ou seja, a ação não é causada pelas crenças e desejos que se formam normalmente,
mas sim por outros desejos ou crenças que foram formados sob coação (forçados por algo ou alguém).

A ação livre tem de ser considerada na condicional 2.

Objeções

Se aquilo que desejamos fazer se encontra determinado por acontecimentos anteriores, então as nossas ações
estão igualmente constrangidas por acontecimentos anteriores.

- Situação 1: O João escolhe ficar em casa em vez de ir ao cinema


- Situação 2: O João é obrigado pelos seus pais a ficar em casa a estudar.

O compatibilista defende que, na situação 1, a ação do João é livre porque nada o obrigou a escolher uma
coisa em vez de outra, mas defende que, na situação 2, a escolha do João não foi livre porque foi obrigado
pelos pais a ficar em casa.

Contudo, a única diferença entre 1 e 2 é o tipo de constrangimento em causa: na situação 2, o João é


constrangido pelos pais; na situação 1, é constrangido pelos acontecimentos anteriores.

Na situação 1, o João não tem consciência das causas que o fazem escolher ir ao cinema, mas o facto de não
ter consciência disso não implica que tais causas não existam. E, se tais causas existem, o João não poderia
ter escolhido outra coisa além do que efetivamente escolheu. Logo, está tão constrangido num caso como no
outro.

1 modo não coativo de transmissão e aquisição de crenças e desejos (processo de socialização e educação de um
indivíduo)
2 ação da condicional: a ação humana tem de ser considerada na perspetiva da verificação das circunstâncias em que

vai decorrer para a podermos identificar como livre ao encontrar obstáculos nessas circunstâncias.

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VALORES E VALORAÇÃO: A QUESTÃO DOS CRITÉRIOS VALORATIVOS

Valores: São padrões ou referências.

Valoração: Ato de atribuir valor.

Sujeito valorativo: Quem atribui valor.

Tipos de valores

Valores intrínsecos Valores extrínsecos


São fins de si mesmos; São meios para atingir outros fins;

Valores relativos Valores absolutos


Só valem para algumas pessoas ou numa Valem independentemente de todas as pessoas e
determinada época; de qualquer época;

Valores objetivos Valores subjetivos


Referem-se à realidade como ela é e não ao modo Dependem do gosto e do ponto de vista de cada
como o sujeito a interpreta (não dependem da pessoa;
opinião de cada pessoa);

Características dos valores

- Hierarquia: ordem entre os elementos de um conjunto que implica que uns sejam subordinados a
outros que lhes são superiores; a importância dos valores depende do contexto;
- (Bi)polaridade: os valores apresentam-se em qualidades opostas;
- Diversidade / Diferenciação: os valores aplicam-se a realidades diferentes, sendo por isso de tipologias
distintas (valores sensíveis, vitais, espirituais...)

Juízo de facto: descreve a realidade;

- Juízo descritivo: apresenta características da realidade; traduz corretamente as características da


mesma;

Juízo de valor: expressão / apreciação da realidade;

- Juízo normativo: expressa uma norma / regra que o indivíduo projeta sobre a realidade, objetos ou
comportamentos;

Problema da objetividade dos valores

- Subjetivismo

Considera que não é possível encontrarmos critérios objetivos para avaliar juízos de valor ou valores que uma
pessoa possa ter. Os valores estão dependentes da apreciação do sujeito, sendo ele o único capaz de avaliar
o significado e a verdade de um determinado juízo ou valor.

Objeções

Negligencia a possibilidade de se encontrarem consensos acerca de valores;

Desiste de resolver os conflitos de interesses na base do diálogo e da argumentação;

Esquece que o sujeito valorativo é um sujeito social, historicamente situado, que não valora aleatoriamente;

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- Objetivismo

Considera que é possível determinar critérios universais e objetivos para avaliar alguns juízos de valor. Os
valores valem por si mesmos, independentemente de pontos de vista, sentimentos ou gostos (o fundamento
dos valores é o objeto e não o sujeito).

Objeções

Ignora o contexto no qual ocorre a valoração, esquecendo que o mundo muda e que o sujeito muda com ele;

Defende uma tese sobre os valores que é puramente especulativa;

- Relativismo

Próxima do subjetivismo, defende impossibilidade de existirem critérios universais e objetivos para decidir a
importância dos valores. Não é o indivíduo, mas é a cultura ou uma determinada sociedade que decide a
correção ou incorreção dos juízos e valores.

ÉTICA E MORAL

Ética (plano teórico) Moral (plano prático)


Reflexão teórica e crítica sobre o fundamento e Conjunto de normas práticas de convivência
consciência de normas morais e sobre a social que indicam o que devemos fazer para
natureza do bem; agir bem;

Deontologia (ética kantiana)

Teoria ética que procura determinar o dever ao qual a nossa ação se deve conformar para ser correta. O valor
moral de uma ação reside na sua intenção e não nas suas consequências. A intenção tem valor moral (ou é
boa) quando o propósito do agente é cumprir o dever sem segundas intenções.

O bem último é a vontade boa e o critério de moralidade / lei moral é o imperativo categórico.

- Vontade boa (heterónoma) - Boa vontade (autónoma)


agir de forma a que se respeite integralmente e fazer as coisas porque se quer fazer, sem pedir
sem quaisquer benefícios o dever nada em troca, com um objetivo específico,
solidariedade

- Imperativo categórico - Imperativo hipotético


ordem que deve ser cumprida Ordem que deve ser cumprida sob condição
incondicionalmente (universal) (para se obter uma outra coisa)

Kant encontrou duas fórmulas para exprimir o imperativo categórico, com a finalidade identificar se a ação
moral que estamos a praticar está de acordo com a ação moral:

- Fórmula da Lei Universal

“Age apenas segundo uma máxima tal que possas querer ao mesmo tempo que se torne uma lei universal.”

O nosso dever moral básico consiste em praticar apenas ações que todos os outros possam ter como modelo.

- Fórmula da Humanidade

“Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e
simultaneamente como fim e nunca apenas como meio.”

Cada ser humano é um fim em si e não apenas um meio. Está moralmente errado instrumentalizar um ser
humano, usá-lo como simples meio para alcançar um objetivo. Os seres humanos têm valor em si mesmos,
que é algo absoluto (dignidade).

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Tipos de ações:

- Ações morais: concretizadas de acordo com o dever e por dever;


- Ações imorais: contrárias ao dever;
- Ações amorais: não têm na sua base qualquer consideração ao bem ou ao mal;
- Ações louváveis, mas moralmente incorretas: parecem ser respeitadoras do dever, mas são apenas
conforme o dever (ex: dizer a verdade para que me vejam como uma pessoa honesta);

Críticas

- Conflito de deveres

Em algumas circunstâncias cumprir uma obrigação moral pode implicar deixar de cumprir outra.

- Ignora as consequências

O cumprimento cego das obrigações morais pode conduzir a consequências desastrosas.

- Desvaloriza as emoções

Considera moralmente irrelevantes os aspetos emocionais das nossas ações (generosidade, solidariedade…)

Utilitarismo (teoria de John Stuart Mill)

É uma teoria ética naturalista / hedonista 3 porque, sendo próxima e de acordo com a natureza humana,
compreende que o comportamento humano é motivado pela procura do prazer e pela fuga da dor. Sem negar
os prazeres físicos, os prazeres de espírito / intelectuais são superiores.

Designa-se por utilitarista porque o que importa avaliar na sua investigação é se as consequências da ação
são úteis na concretização da felicidade para o maior número 4. Defende que o valor moral de uma ação
depende dos seus resultados / consequências. Rege-se pela ideia da imparcialidade pois, ao deliberar o que
vai fazer, o agente tem de ser imparcial, tendo em conta os interesses de todos os afetados pela ação, não
abrindo exceções.

Para Mill, não há ações boas ou más em si mesmas: só as suas consequências as tornam boas ou más.

O bem último é a felicidade e o critério de moralidade / lei moral são as consequências e a utilidade da ação.

Direitos e deveres

Se o valor moral depende apenas das consequências, então na avaliação moral não tidos em conta os direitos
dos envolvidos, mas unicamente os seus interesses, o que pode implicar a violação dos direitos das pessoas
(incluindo o direito à vida), não havendo direitos nem deveres absolutos (que seria nossa obrigação cumprir
independentemente da circunstância).

Normas morais comuns

São as regras que, na maioria das situações da nossa vida, cumprimos ou respeitamos (ex: não matar, não
roubar, não mentir...)

Mill considera que o princípio da utilidade é a regra mais importante e fundamental da moralidade pois, segundo
ele, as normas / regras morais comuns:

- São insuficientes para resolver algumas situações muito problemáticas do ponto de vista moral;
- Em algumas situações, entram em conflito e deixam-nos num impasse;
-

3 identifica a felicidade com o prazer


4 princípio da utilidade

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Críticas

- Justifica a prática de ações imorais

Ao apenas dar importância às consequências das ações, permite se desrespeitem regras morais básicas em
prol do maior número de felicidade;

- Excesso de imparcialidade

Não distingue os familiares e amigos na promoção da felicidade, o que poderia levar à destruição das nossas
relações pessoais;

- Exigência para com o agente moral

Seria mentalmente desgastante pensar sempre no bem-estar da maioria em tudo o que fazemos, renunciando
atividades de lazer por outras que contribuíssem para o benefício do maior número (ex: fazer atividades
solidárias em vez de ouvir música para relaxar; trocar a área profissional que gosto por outra mais benéfica
para o país).

JOHN RAWLS

Críticas de Rawls ao utilitarismo

- Falta de um princípio absoluto que sirva de critério universal para decidir o que é justo e injusto;
- Subordinação do indivíduo à sociedade, não lhe reconhecendo direitos fundamentais invioláveis;
- Subordinação da política à felicidade global, não tendo em consideração a forma justa ou injusta como
o bem-estar é distribuído;

Teoria da justiça

Uma sociedade é justa quando está indo bem-estar de todos os cidadãos e se rege por princípios aceitos por
eles. os princípios de uma sociedade justa são:

- Princípio da liberdade igual

O estado deve garantir a todos as liberdades básicas de forma igual, pelo que nenhum indivíduo deve ter mais
liberdade do que os outros;

A liberdade não pode ser sacrificada em nome do bem-estar maioria ou da Felicidade geral

- Princípio da igualdade de oportunidades

Todos os postos e posições sociais devem estar acessíveis a todos em condições de igualdade de
oportunidades

- Princípio da diferença

A sociedade deve promover a distribuição qual riqueza, exceto se a existência de desigualdades económicas
e sociais e gerar o maior benefício para os meios desfavorecidos

O propósito deste princípio é o de regular e corrigir as desigualdades (equidade);

A organização de uma sociedade político-social justa deve basear-se em princípios aceitos por pessoas livres
e racionais colocadas numa situação hipotética inicial de igualdade, que devem assentar nos princípios de
universalidade e imparcialidade.

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Obrigações do estado - organizar a sociedade de acordo com os princípios da justiça; harmonizar as liberdades
individuais com igualdade; respeitar os princípios da justiça.

Obrigações dos cidadãos - respeitar e obedecer às leis; nas situações em que ocorrem a violação das leis é
legítima a desobediência civil.

Véu da ignorância e posição inicial: Situação hipotética em que uma ou várias pessoas de libras irracionais
são colocadas na posição inicial, não sabendo nada sobre si ou sobre o que vão ser e receber, para escolher
os princípios sobre os quais a sociedade se vai reger. Segundo Rawls, isto cria as condições de uma escolha
imparcial e, por isso, justa.

Regra Maximin: escolher o mal menor, independentemente do bem maior.

Justiça como equidade: todos os seres humanos têm os mesmos direitos fundamentais, mas para assegurar
que todos possam gozar desses direitos, é preciso valorizar a equidade. entender a justiça como equidade é
entender que a justiça não é cega porque implica tratar igualmente o que é igual e desigualmente o que é
desigual, ou seja, exige ser aplicada de acordo com as circunstâncias.

Crítica de Nozick à teoria da justiça de Rawls

Para Nozick, cada um de nós tem direito ao que herdou, recebeu ou ganhou legitimamente, o direito à
propriedade é absoluto e não deve ser violado pelo Estado. Qualquer redistribuição do Estado é uma violação
deste direito. A não redistribuição de bens não viola qualquer direito e, por isso, não é injusta.

Liberalismo social (Rawls) Libertarismo (Nozick)


- Importância primordial de assegurar - Importância primordial no valor da liberdade
liberdades e oportunidades iguais para todos; individual e aos direitos de propriedade;
- Numa sociedade justa a propriedade deve ser - Numa sociedade justa o Estado não pode
redistribuída de forma a assegurar a liberdade interferir na liberdade individual;
igual para todos;

Crítica de Sandel à teoria da justiça de Rawls

Para Sandel, o bem comum não é uma síntese daquilo que cada um considera melhor (não é a soma das
preferências individuais). Só a comunidade permite encontrar, em conjunto, o modo de vida que define o bem
comum.

Argumenta que o véu da ignorância coloca as pessoas numa situação em que as mesmas só têm em conta os
próprios interesses e, por isso, mesmo que se chegue a um acordo entre elas, isso não quer dizer que seja
justo. Só assim o será se for bom e moralmente correto.

EPISTEMOLOGIA: A ORIGEM DO CONHECIMENTO

Conhecimento proposicional 5

- Conhecimento por contacto (ex: conhecer o jogo de xadrez)


- Conhecimento prático / saber-fazer (ex: saber jogar xadrez)
- Conhecimento proposicional / saber-que (ex: saber quem foi o campeão mundial de xadrez)

5 conhecimento partilhado (pode ser explicado aos outros); o importante não é acreditar naquilo que partilhamos, mas
sim sabermos aquilo que dizemos saber, tendo maneira de justificar o que acreditamos ser verdade

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Análise fenomenológica do conhecimento

O conhecimento é uma relação entre um objeto e um sujeito;

O sujeito é cognoscente (conhece o objeto);

O objeto é cognoscido (conhecido pelo sujeito);

Há uma correlação entre o sujeito e objeto;

O sujeito apreende o objeto e constrói uma imagem / representação do mesmo (conhecimento);

Teoria tradicional do conhecimento (teoria de Platão)

São necessários três elementos para haver conhecimento (sozinhos não são suficientes):

- Crença

Se alguém sabe que uma proposição é verdadeira, então tem de acreditar que é verdadeira;

- Verdade

Se alguém sabe que uma proposição é verdadeira, então a proposição tem de ser verdadeira;

- Justificação

Têm de haver provas que sustentem essa crença;

Crítica de Gettier à teoria tradicional do conhecimento

Gettier não questiona se a justificação, a crença e a verdade são necessárias ao conhecimento; afirma que
elas não são suficientes e que, mesmo conjuntamente satisfeitas, não implicam a existência de
conhecimento.

Contraexemplo à teoria tradicional do conhecimento

A partida de futebol entre a Alemanha e a Inglaterra está a ser transmitida no café ao fundo da minha rua e,
ao ouvir um coro de aplausos, convenço-me de que a Inglaterra marcou golo, e marcou mesmo. A minha
crença é verdadeira e justificada (o clamor dá-me boas razões para pensar que a equipa inglesa marcou). No
entanto, os aplausos vêm do bar da frente, que não têm televisão e onde está a decorrer um concurso de
karaoke. É mera coincidência que o cantor do bar tenha recebido aplausos pela sua atuação ao mesmo
tempo que a Inglaterra marcava golo. A minha crença verdadeira é, portanto, fruto da sorte e por essa razão
não equivale a conhecimento.

DESCARTES

Racionalismo

Identifica como fonte do conhecimento a razão / pensamento.

Para Descartes, a razão é a única fonte capaz de garantir um conhecimento capaz de resistir a qualquer dúvida
(ideias claras e distintas = evidentes).

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Dúvida como método

Descartes instituiu a dúvida como método, como instrumento de trabalho na busca de verdades indubitáveis
sobre as quais seja possível fundar um edifício de conhecimento seguro (universalmente sólido e logicamente
necessário). A dúvida cartesiana é:

- Metódica

Meio para alcançar a verdade (nunca aceitar como verdadeiro aquilo que não for claro, distinto e evidente);

- Provisória

O seu objetivo não é permanecer na dúvida, mas alcançar certezas de modo a reconstruir o edifício do saber
(visa ultrapassar o ceticismo);

- Universal

Nada pode escapar à dúvida (a dúvida pode estender-se a tudo)

- Hiperbólica

É excessiva / exagerada; consiste em duvidar por mínima que seja a razão para duvidar, assegurando que a
crença que resistir seja absolutamente verdadeira;

Níveis de aplicação da dúvida

- Informações dos sentidos

Os sentidos não são fontes seguras de conhecimento;

Descartes apresenta argumentos céticos para duvidarmos de todas as nossas crenças que se baseiam na
experiência empírica (os nossos sentidos não são completamente fiáveis);

Os sentidos enganam-nos em algumas ocasiões. Como é imprudente confiar naqueles que nos enganam
devemos rejeitar todas as nossas crenças empíricas, pois podem ser falsas;

- Mundo físico

Há razão para acreditar que o mundo físico é uma ilusão;

Descartes questiona a existência da realidade física independente do nosso pensamento. O problema é: como
encontrar razão para duvidar daquilo que parece tão evidente?

Argumento do sonho - nunca podemos distinguir por sinais seguros o sonho da vigília (estar acordado). É
possível que estejamos a sonhar quando pensamos estar acordados e, portanto, tudo o que pensamos estar
a observar não passa de uma ilusão

- Verdades racionais

Há razão para acreditar que o nosso entendimento confunde o verdadeiro com o falso;

Descartes põe em causa aquilo que até então era considerado o modelo do saber verdadeiro (conhecimento
matemático). Uma crença como 2+2=4 não é indubitável. Para mostrar que um cético poderia colocar em
questão crenças deste género, Descartes introduz o seguinte argumento:

Argumento do génio maligno - é uma espécie de Deus enganador e maligno que nos faz viver na ilusão; faz-
nos cometer erros de raciocínio (até na matemática);

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Tipos de ideias

- Ideias adventícias: surgem no mundo exterior através da experiência / sentidos (ex: sentir calor);
- Ideias fictícias: provêm da imaginação; são ilusórias (ex: sereia);
- Ideias inatas: com as quais nascemos e que não são produto da experiência; são indubitáveis e têm a
sua fonte exclusivamente na razão (ex: cogito);
Ideias inatas

- Penso, logo existo (cogito ergo sum)

Para duvidar é preciso pensar e para pensar é preciso existir;

O cogito é uma intuição racional e é uma verdade: absolutamente primeira, estritamente racional, “a priori”,
indubitável e evidente (ideia clara e distinta);

- Deus

Descartes sabe que muitas vezes se engana e que, por isso, não é um ser perfeito. A afirmação da sua
imperfeição traz subjacente a ideia de perfeição (para saber que é imperfeito tem de ter em si a ideia de
perfeição). Essa ideia não pode ter sido por si criada porque é um ser imperfeito (a imperfeição não pode gerar
a perfeição). Por isso, a ideia de perfeição só pode ter sido colocada nele por um ser perfeito: Deus.

Se Deus é perfeito tem de existir, pois a existência decorre necessariamente da perfeição. Um ser perfeito que
não existisse não poderia ser considerado perfeito.

Se Deus é perfeito não o pode querer enganar, o que garante a verdade das ideias claras e distintas. Com
Deus como garantia, Descartes pode deduzir outras verdades (ex: a existência do mundo) e construir o
conhecimento verdadeiro pois, se o nosso conhecimento provém da razão, a garantia da verdade desse
conhecimento é dada por Deus.

Críticas ao racionalismo cartesiano

- É exclusivista

Vê como única fonte do conhecimento “a priori”.

- É dogmático

A confiança desmesurada no poder da razão condu-lo ao dogmatismo;

- É circular

Para saber que as ideias claras e distintas são verdadeiras, tem de saber que Deus existe e é perfeito. Para
saber que Deus existe e é perfeito, tem de saber que as ideias claras e distintas são verdadeiras (petição de
princípio / argumento circular);

- Afirma a existência como predicado

Da perfeição de Deus, Descartes deduz a sua existência. Ora, a existência não é uma propriedade, é uma
condição de possibilidade para que Deus tenha uma propriedade. Kant objetou contra este argumento
afirmando que a existência não é um predicado.

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DAVID HUME

Empirismo

Defende que todo o conhecimento se baseia ou deriva da experiência sensível (“a posteriori”). Nega a
existência do conhecimento inato defendendo que, à nascença, o ser humano é como uma folha em branco e
que todos os conhecimentos derivam dos dados sensoriais que vamos adquirindo ao longo da vida.

Todas as crenças e ideias têm uma base empírica, impondo-se o objeto ao sujeito.6

Para Hume, a ideia de Deus (ser infinitamente inteligente, sábio e bom) é uma ideia complexa que procede de
ideias simples de seres inteligentes, sábios e bondosos, elevando essas qualidades através da imaginação.

Perceções

Os primeiros dados do conhecimento são impressões sensíveis sob a forma de perceções / representações,
correspondentes a qualquer conteúdo da experiência, que diferem em forma qualitativa:

Impressões Ideias
- correspondem aos dados da experiência atual; - correspondem a um produto da memória /
imaginação;
- referem-se a sensações externas (ex: cores, - são cópias / representações mais fracas das
sons) e aos nossos sentimentos (ex: paixões, impressões no pensamento;
ódio) que derivam imediatamente da realidade;
Ideias simples Ideias complexas
- envolvem a memória - envolvem a
(ex: recordação do imaginação /
cheiro de uma flor) combinação de ideias
simples (ex: sereia)

Associação de ideias (construção do conhecimento)

Segundo Hume, o nosso raciocínio funciona por associação de ideias, mas essa associação não é arbitrária.
Existem leis que dirigem essa combinação de ideias:

- Semelhança

Se dois objetos se assemelham, então a ideia de um conduz o pensamento ao outro (ex: a fotografia de alguém
conhecido conduz o nosso pensamento a essa pessoa);

- Contiguidade do espaço e/ou tempo

Se dois objetos são contíguos no espaço e/ou no tempo, a ideia de um leva facilmente à ideia do outro (ex: ao
falar da Torre Eiffel, lembramo-nos imediatamente de Paris);

- Causa ou efeito

Pensamos os objetos em função da relação de um com o outro. A causa traz-nos ao pensamento o efeito. O
efeito transporta o pensamento para a causa (ex: se virmos um terreno ressequido é provável que o nosso
pensamento seja conduzido à ideia de seca);

6princípio da cópia: todas as nossas ideias derivam de impressões, negando a existência de ideias inatas (ex: um cego
de nascença é incapaz de formar a ideia de amarelo porque nunca teve a impressão de amarelo)

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Tipos de conhecimento

Podemos obter dois tipos de conhecimento:

Conhecimento / relações de ideias Conhecimento / relações de facto


- “a priori” - “a posteriori”
- verdades necessárias; a sua negação é - a verdade das proposições é contingente; a
contraditória e logicamente impossível; sua negação não implica uma contradição;
- a verdade das suas proposições e a coerência - a verdade das suas proposições depende de
dos seus argumentos não dependem do exame empírico;
confronto com os factos / experiência;
- as suas proposições não nos são qualquer - as suas proposições têm como objetivo
conhecimento sobre o que se passa no mundo; descobrir o que se passa no mundo e dar-nos
conhecimentos sobre o que neste existe e
acontece;

Relação de causa e efeito

O raciocínio relativo às questões de facto e muito diferente do raciocínio matemático, pois tem um caráter
indutivo e assenta na relação de causa e efeito (relação de causalidade).

Hume afirma que a causalidade consiste numa conjugação constante entre géneros de acontecimentos ou
objetos observáveis. As relações causais consistem em meras regularidades observáveis. A causa e o efeito
estão conjugados, mas nunca conectados. A crença na regularidade causal do mundo é um produto do
hábito / costume (ex: vejo o Sol nascer todos os dias e, apesar de não ter bases racionais para a minha
crença, o hábito diz-me que é provável que o Sol nasça amanhã).

Conclusões céticasi

- A nossa crença na uniformidade da natureza é racional mente injustificada


- A nossa crença na realidade do mundo exterior é racionalmente injustificada

Esta crença submete a todas as nossas inferências causais (ex: inferimos que as cinzas se seguirão à
fogueira; que o arremesso da pedra fará o vidro quebrar-se). Acreditamos que a natureza é uniforme, que o
seu curso não vai mudar de um momento para o outro e que as regularidades observadas no passado
continuarão a verificar-se no futuro;

Esta crença é fruto do hábito (conhecimento probabilístico) e, portanto, não justificada;

Críticas ao empirismo

- É cético

Se todos os conhecimentos humanos provêm da experiência, este fica encerrado nos limites do mundo
empírico (o conhecimento do suprassensível torna-se impossível);

- É reducionista

Faz da experiência a única fonte do conhecimento;

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CONHECIMENTO VULGAR E CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Conhecimento vulgar (senso comum)

Fundado na experiência quotidiana e ligado à apreensão imediata. Preocupa-se mais com o reconhecer do
que com o conhecer. Não procura explicar a realidade, mas enquadrá-la num todo social coerente e estável.
Expresso numa linguagem vulgar, e não numa linguagem técnica e especializada, sendo a ambiguidade
possível. É um saber:

- Superficial e espontâneo

Resulta da necessidade de resolver problemas do quotidiano;

- Empírico, concreto e subjetivo

Surge da experiência de cada ser humano situado num tempo e num espaço concretos;

- Assistemático, crítico e dogmático

Não se fundamenta em nenhum estudo prévio, mas na acumulação de observações cujos resultados se
repetem;

Conhecimento científico

Encarrega-se dos aspetos mensuráveis e quantificáveis da realidade. Procura descrever e explicar fenómenos.
Pretende prever a ocorrência de novos fenómenos, partindo de hipóteses explicativas e estabelecendo
relações de causalidade entre os fenómenos observados. Portador de uma linguagem própria, técnica e
especializada, que evita ambiguidades. É um saber:

- Sistemático, metódico e objetivo


- Experimental, crítico, revisível e antidogmático

Não assume nada como absoluto ou definitivamente fechado, por mais seguro ou justificado que possa
parecer;

MÉTODOS CIENTÍFICOS

Método indutivo / baconiano

Segundo Bacon, o conhecimento humano é baseado numa metodologia sistemática de indagação empírica
assente na observação, experimentação e indução.

Afirmou que este método só poderia dar os frutos esperados se os seus praticantes fossem capazes de eliminar
quatro classes de “ídolos intelectuais”: ídolos da tribo (ilusões da perceção); ídolos da caverna (inclinações
pessoais); ídolos do mercado (ambiguidades linguísticas); ídolos do teatro (sistemas filosóficos dogmáticos).

Sistematização / etapas

- Observação dos fenómenos a investigar;


- Descoberta de relações entre os fenómenos, a partir da análise e interpretação dos dados observados;
- Generalização dessas relações;

Objeções

- A ciência real não parece proceder deste modo (sem uma teoria prévia que a sustente);
- O procedimento não permite lidar com a possibilidade de contraexemplos;

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Método hipotético-dedutivo

Galileu combinou a observação empírica e a dedução matemática na defesa deste método. Como cientista, o
seu papel é confrontar as hipóteses com os factos e verificar a sua verdade.

Sistematização / etapas

- Formulação de uma hipótese / teoria geral;


- Dedução de uma afirmação particular, proveniente da teoria formulada;
- Teste da afirmação por observação ou experimentação (se o resultado for negativo, a hipótese geral
tem de ser abandonada; se a hipótese se confirma, o enunciado transforma-se em lei universal);

Método experimental / científico simples

Sistematização / etapas

- Observação;
- Indução;
- Formulação de hipóteses;
- Dedução das consequências das hipóteses;
- Experimentação da teoria (se confirmada, produz uma generalização que permitirá fazer previsões
precisas, a lei; se não se verificar, esta hipótese é abandonada e tem de se contruir uma nova que
passará pelo mesmo processo);

Objeções

- A sua perspetiva é insatisfatória:

Os seus pressupostos acerca da natureza da observação são contestáveis, pois a observação: não é o ponto
de partida da ciência; nunca é completamente neutra e objetiva; é seletiva;

- Os seus pressupostos acerca da natureza dos argumentos indutivos são polémicos;

KARL POPPER

Problema da demarcação

Tem como objetivo fazer a distinção entre teorias científicas e não científicas; qual o melhor critério de
demarcação?

Para os positivistas:

- Tese central do positivismo lógico: um enunciado é científico se for verificável;


- Uso do método indutivo-experimental;
- Conhecimento factual estabelecido através da observação, incrementando o poder de previsão e
distinguindo a ciência da não ciência;

Para Popper:

- Tens a central de Karl Popper: um enunciado e científico se for falsificável;


- Uso do método hipotético-dedutivo;
- É impossível verificar a universalidade de qualquer teoria científica, por isso, a única coisa que
podemos fazer é refutar a universalidade das mesmas;
- Nunca se pode provar que uma teoria verdadeira, mas sim que é falsa;
- Uma teoria científica de se podem ser concebidos testes que provem que é falsa;
- A ciência progride por meio de conjeturas e refutações;

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Método das conjeturas e refutações / falsificacionismo

Usa o modelo hipotético-dedutivo em duas fases:

- Formulação de uma hipótese / teoria / conjetura;


- Realização de testes rigorosos que a tentam falsificar, de modo a eliminar os erros (tentativas de
refutação da teoria);
- Se a teoria for falsificada significa que está errada e que tem de se partir em busca de outra;
- Se a teoria não puder ser falsificada / refutada será aceite provisoriamente (corroborada);

Critério da falsificabilidade

Amanhã vai chover – falsificável

Amanhã vai ou não vai chover - não falsificável

Todo o cobre dilata quando é aquecido - falsificável

Há pedaços de cobre que dilatam quando são aquecidos - não falsificável

Pessoas do signo gêmeos têm tendência a adiar decisões importantes - não falsificável

THOMAS KUHN

De acordo com Thomas Kuhn a ciência não progride por acumulação de conhecimentos e sem conflitos; a
evolução do conhecimento científico ocorre através de revoluções científicas;

Conceitos estruturantes

Paradigma - conjunto de ideias / instrumentos que unem os membros de uma comunidade científica e com o
qual se prossegue qualquer investigação posterior.

Ciência normal - período de origem e desenvolvimento de uma tradição de pesquisa particular; não tem como
objetivo descobrir novos factos nem inventar novas teorias; a sua tarefa central e resolução de enigmas, de
modo a garantir o rigor e a precisão da teoria.

Comunidade científica - cientistas cujas investigações se baseiam em paradigmas partilhados; seguem as


mesmas regras e práticas científicas.

Revolução científica - abandono de um paradigma por outro incompatível 2; a adoção de um novo paradigma
leva ciência entrar no meio evolução cíclica em que se alterna 3 fases (normal, crítica e revolucionária).

Revoluções científicas

Quando surgem anomalias, na fase da ciência normal, que não podem ser ultrapassadas e se vão acumulando,
os fundamentos do paradigma são postos em causa, instaurando-se um período de crise.

A crise causada pela acumulação de anomalias pode originar alterações na prática científica, entrando se num
período de ciência extraordinária onde os cientistas procuram encontrar soluções para as mesmas, dentro do
paradigma vigente (ciência normal) ou fora (ciência extraordinária).

Segundo Kuhn, todas as crises terminam de uma das três maneiras:

- A ciência normal acaba por ser capaz de lidar com o problema que gerou a crise;
- O problema é etiquetado, mas abandonado e deixado para uma geração futura;
- Emerge um novo paradigma e batalha se pela sua aceitação;

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No último caso, dá-se uma revolução científica que põe fim à crise e mostra que a comunidade científica aderiu
a um novo paradigma, iniciando um novo período de ciência normal.

Problema da objetividade científica

Segundo Kuhn, a ciência não é imune à subjetividade, pois a escolha entre teorias rivais não se fundamentação
em critérios objetivos: quando os cientistas têm de escolher entre teorias rivais, mesmo comprometidos com
iguais critérios de escolha, podem chegar a conclusões diferentes. Há critérios objetivos que fazem com que
uma teoria seja um bom substituto de uma outra:

- Exatidão

As teorias devem estar de acordo com a observação e experiência;

- Consistência

As teorias não devem ser incoerentes internamente nem com outras teorias aceites;

- Alcance

As teorias devem ir além do observado;

- Simplicidade

As teorias devem unificar os fenómenos;

- Fecundidade

As teorias devem desvendar novos fenómenos ou novas relações entre fenómenos já conhecidos;

FILOSOFIA DA ARTE

Problema da definição de arte

O que é arte?

O que têm em comum todas as obras de arte?

Teorias essencialistas

As condições necessárias e suficientes da arte dependem das características internas dos objetos.

Arte como imitação (mimesis)

- Centra-se nos objetos representados

Esta teoria oferece critérios para classificar e valorar obras de arte: imitar e fazê-lo o melhor possível. Muitas
obras de arte imitam alguma coisa: pessoas, paisagens, objetos, etc.

Para Platão, a arte: Para Aristóteles, a arte:


- provoca o engano e a ilusão; - é verdadeira e é natural ao ser humano;
- é ilusão da verdade; - é invenção do real;
- é uma imagem fantasma, fabricada pelos artistas; - tem um efeito purificador e uma função
pedagógica;
Críticas:

- Os critérios de classificação e de valoração falham (há obras de arte que nada imitam e são
consideradas arte);
- Como saber se uma obra imita realmente o seu objeto?

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Arte como expressão

- Centra-se no artista

Segundo esta teoria, só há arte se houver expressão de emoções e sentimentos por parte do artista e se este
conseguir contagiar o auditório com as mesmas emoções e sentimentos que presidiam à produção da obra de
arte. Apresenta um critério de classificação abrangente e o seu critério de valoração é claro: quanto melhor
expressar os sentimentos melhor será. Vários artistas reconhecem que na origem das suas obras estão
sentimentos e emoções.

Segundo Lev Tolstoi, para que haja arte têm de ser representadas três condições:

- Particularidade do sentimento transmitido;


- Clareza na transmissão desse sentimento;
- Sinceridade no artista quanto à força com que experimenta os sentimentos que transmite;

Críticas:

- Torna-se difícil classificar como arte todas as obras que são consideradas como tal;
- O critério de valoração falha (como saber se uma obra exprime exatamente as emoções do artista?);
por outro lado, não há qualquer garantia que sentimos o mesmo que o artista perante a obra que ele
apresenta;

Arte como forma

- Centra-se no sujeito que aprecia a obra de arte

A teoria formalista, abandona a ideia de que há uma característica comum a todas as formas de arte. A
condição necessária e suficiente para que um objeto seja considerado arte é provocar emoção estética. Pode
incluir todo o tipo de obras de arte.

Para Clive Bell, a arte é tudo aquilo que provoca emoção estética no sujeito que a aprecia.

Críticas:

- Há quem nada sinta perante obras que são consideradas arte;


- O conceito de forma significante é de difícil explicação, uma teoria circular e elitista;

Teorias não essencialistas

As condições necessárias e suficientes da arte não dependem das características internas dos objetos.

Teoria institucional da arte

Segundo George Dickie, uma obra de arte é “um artefacto ao qual uma ou várias pessoas, agindo em nome
de uma certa instituição social (o mundo da arte), conferem o estatuto de candidato à apreciação”.

- Estética e arte são conceitos diferentes

A estética relaciona-se com a experiência individual; A arte relaciona-se com a prática cultural;

O contexto cultural em que uma obra é criada ou apresentada é o que faz com que ela seja reconhecida
como arte;

- O conceito de arte não tem sentido valorativo, mas de classificação

O sentido valorativo da arte é aquele pelo qual julgamos se uma obra é boa ou má arte;

O sentido classificativo é o que fornece um critério para separar o que é arte daquilo que não o é, não
importando o valor estético do objeto;

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- A atribuição do estatuto de arte não depende das características internas dos objetos

O que permite que uma obra seja considerada arte é a presença de determinadas condições (ser um
artefacto candidato à apreciação);

- No mundo da arte incluem-se artistas, galeristas, produtores, editores, etc

“Mundo da arte” não deve ser entendido como uma elite, uma vez que o conceito é usado para se referir à
natureza da arte e ao contexto institucional em que as práticas artísticas ocorrem e preparam para a
apresentação ao público;

Críticas:

- É considerada uma teoria pobre (incapaz de distinguir a boa da má arte, servindo apenas para
classificar artefactos como artísticos ou não artísticos);
- Redunda num círculo vicioso (um objeto de arte é um objeto que é inserido no mundo da arte para
ser apreciado como arte);
- Não reconhece como artistas aqueles que criam as suas obras fora dos circuitos institucionais.

Teoria histórica da arte

A natureza da arte reside em propriedades não manifestas associadas ao modo como se processa a sua
criação.

- Retrospetiva

Estabelece uma relação com a atividade e o pensamento humanos presentes ao longo da história da arte;

- Direito de propriedade

O artista não pode transformar em arte objetos que não lhe pertençam ou em relação aos quais não esteja
devidamente autorizado pelos seus proprietários;

- Intenção não passageira

Ter uma finalidade em mente e desenvolver ações para a atingir;

A relação retrospetiva entre o passado e o presente não se faz através das próprias obras, mas sim das
intenções não passageiras do artista;

Críticas:

- O direito de propriedade não pode existir como condição necessária para haver arte

Ex: se soubéssemos hoje que Da Vinci roubou os materiais com criou as suas obras, estaríamos dispostos a
rever o estatuto atribuído às mesmas?

- A condição de intencionalidade não passageira não é necessária para obter o estatuto de arte

Ex: existem manuscritos que deveriam ter sido destruídos depois da morte do seu autor. No entanto, foram
publicados e ninguém questiona o seu estatuto de obras de arte.

- História como condição necessária à arte

Se toda a arte, para o ser, tem de relacionar-se com a sua história, as obras primordiais não podem ser arte,
porque antes delas não há arte. Mas se não o são, como podem as obras seguintes ser arte?

- Levinson afirma que passa a existir uma relação entre o objeto e a história da arte, mas deixa por
explicar o que é em si mesma uma obra de arte;

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FILOSOFIA DA RELIGIÃO

Posições quanto à existência de Deus

- Ateísmo

Exclui a existência de Deus e de toda a forma de divindade, recusando a revelação e a fé como argumento a
favor de Deus;

- Agnosticismo

Admite Deus possa existir, mas inacessível ao conhecimento humano, daí a sua indiferença relativamente ao
problema;

- Teísmo

Admite a existência de Deus, enquanto ser absoluto e pessoal, criador do mundo e distinto dele;

- Panteísmo

Nega a existência de qualquer realidade transcendente, afirmando a imanência (Deus é tudo e tudo é Deus);

- Fideísmo

Põe em causa a ideia de uma harmonia entre a razão e a fé;

Sustenta a incapacidade da razão humana para atingir determinadas verdades considerando que elas só são
acessíveis através da fé (Deus é incompreensível à razão humana);

Argumento cosmológico (ou da causa primeira)

- defende a existência de Deus como causa primeira e necessária para todas as coisas, da qual todas as outras
causas dependem.

É um argumento “a posteriori” que decorre da relação causa-efeito observada nas coisas criadas.

Partindo da teoria da causalidade, consta-se que todos os acontecimentos da Natureza estão sujeitos a uma
causa anterior, tendo de haver algo que lhes tenha dado origem.

S. Tomás de Aquino exclui a possibilidade de uma regressão infinita de causas e, como não conseguimos
encontrar nada no Universo que seja causa de si mesmo, supõe-se que a sua causa estará fora dele. Deus
surge, assim, como o princípio de todas as causas (causa eficiente).

Críticas

- Assume uma posição contraditória

Ao afirmar que tudo aquilo que existe tem uma causa, e se o universo necessita de uma para existir, não temos
provas de que Deus não necessita também de uma causa;

Se Deus existe apenas por si só, o princípio da causalidade não é válido, pois significa que nem tudo aquilo
que existe tem necessariamente uma causa;

- Pressupõe que não há uma regressão infinita na série de causas e efeitos

Se aplicarmos isto em relação ao futuro teremos de supor a existência de um efeito final que não será a causa
de nada; o mais plausível é pensar que as causas e efeitos se prolongam infinitamente;

Em relação ao passado, podemos acreditar que essa série infinita da cadeia causal também é possível, o que
significa que o Universo pode existir desde sempre;

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- Pressupõe que Deus é a causa eficiente

Uma causa originária é certamente muito poderosa, porém não há razões para se pensar que é o Deus teísta;
Essa causa pode ser uma equipa de seres;

- A existência do mal

Um defensor deste argumento teria de responder ao problema do mal (coexistência de um Deus perfeito e do
mal);

Argumento teleológico

- defende a existência de Deus através da visão criacionista por analogia (assim como os artefactos foram
criados pelo homem com um propósito, o mundo, atendendo à sua finalidade e à sua ordem, também necessita
de um ser divino que lhe imprimiu a finalidade).

É um argumento “a posteriori” que parte do facto de no mundo existirem ordem e finalidade.

À semelhança de um relógio, concebido e fabricado de forma engenhosa por um relojoeiro humano, também
os seres e as coisas da natureza tiveram de ter um criador inteligente (um “relojoeiro divino”).

William Paley concluiu que é necessário recorrer a Deus para se compreender as manifestações do desígnio
que vemos na natureza. É necessário existir alguém que projetasse esse desígnio. Esse ser é Deus.

Críticas

- Baseia-se numa fraca analogia

A semelhança entre os objetos naturais e os objetos artificiais não é uma semelhança entre aspetos
verdadeiramente importantes ou relevantes, havendo também diferenças relevantes entre eles;

Trata-se de uma semelhança muito vaga, pelo que as suas conclusões também o serão;

- Perde a sua força quando confrontado com as conclusões da teoria evolucionista

Sem negar a existência de Deus, a teoria da evolução acaba por pôr em causa as explicações do argumento
teleológico, apresentando uma explicação alternativa.

- Não prova que o criador:

Seja único, podendo tratar-se de uma equipa;

É omnipotente, podendo argumentar-se que o Universo tem defeitos;

É omnisciente e sumamente bom (problema do mal);

Argumento ontológico

- defende a existência de Deus a partir do conceito que dele temos na nossa mente, como sendo o ser do qual
nada maior pode ser pensado.

É um argumento “a priori” que parte da análise do próprio conceito de Deus.

De acordo com Santo Anselmo, Deus é “algo maior do que o qual nada pode ser pensado”, logo não pode
existir apenas no intelecto. Se existir apenas no intelecto, pode pensar-se que existe na realidade e então, já
seria maior. Santo Anselmo está a afirmar que Deus é grandioso ou perfeito. Ora, é mais grandioso existir do
que não existir, constituindo a existência um dos aspetos de grandiosidade ou perfeição. Portanto, se Deus é
“algo maior do que o qual nada pode ser pensado”, existe necessariamente.

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Críticas

- Pode conduzir a consequências absurdas

Pode concluir-se que uma ilha perfeita existe apenas porque se pensou nessa ilha, concebida como a mais
excelente de todas as terras, maior do que a qual nada pode ser concebido;

- Pressupõe que a existência é uma propriedade ou um predicado

Se dissermos que Deus existe, não estamos a acrescentar qualquer predicado à essência divina;

Segundo Kant, a existência não é propriedade essencial (como poderiam ser a omnipotência ou a bondade);

- Efetua uma comparação ilegítima

A comparação entre o que existe na realidade e o que existe no pensamento é ilegítima, pois aquilo que é
pensado não área, peso ou volume no mesmo sentido em que o têm as coisas da realidade;

- Problema do mal

A existência do mal colide com a possibilidade de um Deus bom e perfeito;

Fideísmo de Pascal

Fideísmo moderado que não considera haver um conflito entre a razão e a fé, embora também não haja total
harmonia entre elas.

O argumento apostador de Pascal não procura propriamente demonstrar a existência de Deus, mas mostrar
as vantagens de “apostar” nessa existência sublinhando que a coisa mais racional a fazer será procurar
maximizar os ganhos e minimizar as perdas possíveis, sendo a melhor forma de o conseguir, acreditar em
Deus. Há quatro resultados possíveis:

Deus existe Deus não existe

Acreditar que Deus existe Ganha-se a vida eterna (ganho Perda de tempo em atos
infinito; religiosos e de alguns prazeres
mundanos (perda finita);
Não acreditar que Deus existe Perde-se a possibilidade da vida Liberdade de gozar os prazeres
eterna e corre-se o risco da da vida sem temer o castigo
condenação eterna (perda divino (ganho finito);
infinita);
Críticas

- Não podemos decidir acreditar que Deus existe

Para acreditar em algo é necessário estar convencido de que isso é verdade;

O argumento limita-se a dizer que é boa ideia acreditar que isso é verdade, não apresentando quaisquer dados
que levem a pessoa a ficar convencida;

Se a existência de Deus fosse contra os nossos sentimentos, Pascal sugere que agíssemos como se
acreditássemos que Deus existe;

- Pressupõe algo que o fideísmo nega

Se Deus é incompreensível para a razão humana, então não deveríamos ter condições para conhecer as suas
atitudes em relação aos crentes e aos descrentes;

- É inapropriado

Trata-se de um processo calculista, insincero e interesseiro para a obtenção da vida eterna;

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Argumento do mal de Leibniz

Problema do mal

Se Deus é um ser somente bom, omnisciente e omnipotente, como pode permitir a existência de mal no
mundo?

Leibniz

Deus escolheu e criou, de entre todos os mundos possíveis, o melhor de todos (com menos quantidade de
mal). A ocorrência de males no mundo pode ser necessária para a obtenção de bens maiores, que o
conhecimento limitado do ser humano não consegue perceber. Assim, nega a existência de males gratuitos,
sendo todos eles justificados por algo maior.

Críticas

- Demasiado otimista

O mundo contém uma quantidade de sofrimento demasiado grande para justificar o otimismo;

- Afirma a existência do melhor dos mundos

O mundo perfeito não existe, pode sempre melhorar;

- Livre-arbítrio

A existência de livre-arbítrio permite que as pessoas sejam capazes de exercer o mal;

io ceticismo de Hume é moderado pois, para ele, o avanço da ciência depende da crença no curso regular do Universo
e na existência destas relações de causalidade entre os fenómenos (mesmo que a relação causal entre os fenómenos
seja uma ficção, ela permite que a vida humana seja praticável)

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