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PRÉ-CÁLCULO

Conjuntos numéricos
Fabio Santiago

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

> Definir conjuntos numéricos e suas operações.


> Identificar as formas de representação de subconjuntos reais.
> Reconhecer operações com números reais.

Introdução
Neste capítulo, você aprenderá sobre a teoria dos conjuntos, bem como sobre
as operações que estão definidas entre eles. O estudo dos conjuntos numéricos
inicia-se pelo conjunto dos números naturais, prosseguindo até o conjunto
dos números reais, o qual é de suma importância para a matemática e para
inúmeras outras ciências por incorporar todas as operações fundamentais da
matemática.
Em um primeiro momento, são apresentados os diferentes conjuntos nu-
méricos, bem como as operações binárias que estão definidas em cada um
deles. Em um segundo momento, você identificará as diferentes formas de
representação de um subconjunto dos números reais: intervalar, geometria,
intervalos finitos e infinitos, que compreendem uma poderosa ferramenta
utilizada para solucionar diferentes problemas da matemática. Por fim,
as operações com o conjunto dos números reais serão estudadas com o auxílio
de ferramentas matemáticas que serão úteis ao longo de toda a sua trajetória,
seja em uma carreira totalmente ligada à área de exatas ou não.

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Conjuntos numéricos e suas operações


De modo intuitivo, o conceito de conjunto remete à ideia de coleção, agrupa-
mento, classe de objetos ou entes que compartilham de uma mesma carac-
terística. Nesse sentido, temos o conjunto das vogais, dos meses de um ano,
das cartas de um baralho de um mesmo naipe, entre tantas outras coleções ou
agrupamentos. No entanto, apesar dos inúmeros exemplos, matematicamente,
pouco nos é informado sobre a natureza de um conjunto e das operações que
atuam sobre ele. Nesse caso, faz-se necessário enunciar de modo formal um
conjunto e seus elementos.

Como observam Iezzi e Murakami (2013), na teoria dos conjuntos,


são consideradas três noções primitivas, ou seja, são aceitas sem
definição, a saber: conjunto, elemento e pertinência entre elemento e conjunto.
É comum indicar um conjunto por uma letra maiúscula, como A, B, C; por sua vez,
um elemento pertencente a determinado conjunto também pode ser indicado
por uma letra minúscula, ou seja, a, b, c.

Considere A um conjunto; além disso, considere o elemento a; caso esse


elemento pertença ao conjunto A, denota-se por x ∈ A, leia-se x é elemento de A,
ou x pertence ao conjunto A. Do contrário, caso x não seja elemento de A, denota-
-se por x ∉ A, leia-se: x não pertence ao conjunto A, ou x não é elemento de A.
A forma mais simples de representar um conjunto, como demonstram Iezzi
e Murakami (2019), é por meio dos pontos interiores a uma linha fechada e
não entrelaçada, como é mostrado na Figura 1.

Figura 1. Conjunto A, seus elementos e os elementos não pertencentes a esse conjunto.

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A partir da imagem anterior e dos conceitos já estudados, é possível afir-


mar que o conjunto A contém os elementos d, e, f, g, h, ou seja, d ∈ A, e ∈ A,
f ∈ A, g ∈ A, h ∈ A, ou ainda de outra forma, A = {d, e, f, g, h}. Por outro lado,
os elementos k, l, m não pertencem ao conjunto A; dessa forma, são repre-
sentados por l ∉ A, m ∉ A, k ∉ A.
Agora que vimos as três primitivas básicas sobre os conjuntos, é possível
avançar com os estudos na direção das operações entre conjuntos. Cabe
observar que, até agora, trabalhamos apenas com elementos e conjunto.
Essencialmente, são três as operações entre conjuntos, a saber: união inter-
cessão, diferença e complementar.
A primeira operação entre conjuntos que será apresentada é a união entre
conjuntos, também conhecida como reunião entre os conjuntos. Nesse sentido,
considere o conjunto A = {a, b, c, d} e o conjunto B = {e, f, g, h}.

A união do conjunto A com o conjunto B consiste no conjunto formado


pelos elementos pertencentes ao conjunto A ou ao conjunto B, sendo
matematicamente denotado por:

A ∪ B = {x|x ∈ A ou x ∈ B}

Nos casos em que A = {a, b, c, d} e B = {e, f, g, h}, a união de A com B, ou seja,


A ∪ B é dada por: A ∪ B = {a, b, c, d, e, f, g, h}.

A partir da formalização do conceito de união entre conjuntos, considere


os exemplos a seguir.

Exemplo 1:

Seja A = {a, b, c, d} e B = {a, b, c}, então, A ∪ B = {a, b, c, d} ∪ {a, b, c} = {a, b, c, d}

Exemplo 2:

Seja A = {a, b} e B = {c, d, e, f, g}, então, A ∪ B = {a, b} ∪ {c, d, e, f, g} = {a, b, c, d,


e, f, g}

Exemplo 3:

Seja A = ∅ o conjunto vazio e B = {c, d, e, f, g}, então, A ∪ B = ∅} ∪ {c, d, e, f, g}


= {c, d, e, f, g}

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Outra forma de representar a operação de união entre conjuntos A e B é por


meio da área hachurada do diagrama de Venn, como é mostrado pela Figura 2.

Figura 2. União dos conjuntos A = {d, e, f, g, h} e B = {d, l, m, h, k}.

A operação de união entre conjuntos satisfaz um conjunto de propriedades,


as quais serão apresentadas a seguir, considerando-se os conjuntos A, B e C.

1. A ∪ A = A (idempotente)
2. A ∪ ∅ = A (elemento neutro)
3. A ∪ B = B ∪ A (comutativa)
4. (A ∪ B) ∪ C = A ∪ (B ∪ C) (associativa)

Estudados os conceitos fundamentais sobre a operação de união entre


conjuntos, prosseguimos com o estudo da operação de interseção. Assim,
considere os conjuntos A = {a, b, c, d, e} e B = {a, b, k, l, m}.
A interseção do conjunto A com o conjunto B consiste no conjunto formado
pelos elementos pertencentes, de modo simultâneo, ao conjunto A e ao
conjunto B, sendo matematicamente denotado por:

A ∩ B = {x|x ∈ A e x ∈ B}

No caso em que A = {a, b, c, d, e} e B = {a, b, k, l, m}, a interseção de A com B,


ou seja, A ∩ B, é dada por: A ∩ B = {a, b}.

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Como observam Iezzi e Murakami (2013), se o elemento x pertence à


interseção dos conjuntos A e B, ou seja, x ∈ A ∩ B, isso significa que
x pertence a A e também x pertence a B. O conectivo colocado entre as duas
condições significa que elas devem ser satisfeitas ao mesmo tempo.

A fim de consolidar os conceitos vistos até esse ponto sobre a interseção


de conjuntos, considere os seguintes exemplos.

Exemplo 1:

Seja A = {a, b} e B = {b, c, d}, então, A ∩ B = {a, b} ∪ {b, c, d} = {b}

Exemplo 2:

Seja A = {a, b} e B = {a, b, c, d}, então, A ∩ B = {a, b} ∪ {a, b, c, d} = {a, b}

Exemplo 3:

Seja A = {a, b} e B = {c, d}, então, A ∩ B = {a, b} ∪ {c, d} = ∅


A operação de interseção entre os conjuntos A e B também pode ser
representada por meio da área hachurada do diagrama de Venn, como é
mostrado pela Figura 3.

Figura 3. Interseção dos conjuntos A = {d, e, f, g, h} e B = {d, h, l, m, k}.

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Considerando os conjuntos A, B e C, e seja U o conjunto universo, que


consiste naquele que contém todos os elementos de um dado assunto, valem
as seguintes propriedades, de acordo com Iezzi e Murakami (2013):

1. A ∩ A = A (idempotente)
2. A ∩ U = A (elemento neutro)
3. A ∩ B = B ∩ A (comutativa)
4. (A ∩ B) ∩ C = A ∩ (B ∩ C) (associativa)

Os autores citados observam ainda que as operações de união e interseção


entre conjuntos se inter-relacionam e satisfazem as propriedades a seguir.
Sejam A, B e C conjuntos, considere as operações de união (∪) e interseção
(∩). Então, são válidas as seguintes operações.

1. A ∪ (A ∩ B) = A
2. A ∩ (A ∪ B) = A
3. A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C)
4. A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C)

Além das operações entre conjuntos vistas até aqui, tem-se ainda a ope-
ração de diferença entre os conjuntos e de complementar, as quais serão
vistas nessa ordem.
A fim de compreender a diferença entre conjuntos, considere, inicialmente,
o conjunto A e o conjunto B quaisquer. A diferença entre o conjunto A e o
conjunto B consiste em todos os elementos do conjunto A que não pertencem
a B, sendo matematicamente denotada por:

A – B = {x|x ∈ A ou x ∉ B}

No caso em que A = {a, b, c, d} e B = {a, b, f, e}, a diferença de A e B, ou seja,


A – B, é dada por: A – B = {c, d}.
Os exemplos a seguir auxiliarão você a consolidar esse conceito.

Exemplo 1:

Seja A = {a, b} e B = {b, c, d}, então, A – B = {a, b} – {b, c, d} = {a}

Exemplo 2:

Seja A = {a, b, c} e B = {b, d}, então, A – B = {a, b, c} – {b, d} = {a, c}

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Exemplo 3:

Seja A = {a, b, c} e B = {a, b, c}, então, A – B = {a, b, c} – {a, b, c} = ∅


A Figura 4 ilustra o conceito de diferença entre o conjunto A e o conjunto B.

Figura 4. A diferença entre os conjuntos A = {d, e, f, g, h} e B = {d, h, l, m, k}.

Por fim, a última operação entre conjuntos estudada neste tópico será a
operação de complementaridade. Considere dois conjuntos A e B. O comple-
mentar do conjunto B, contido no conjunto A, consiste no conjunto formado
pelos elementos pertencentes A e que não pertencem a B. Nesse caso, é
importante observar que o conjunto B está contido em A. Matematicamente,
essa operação é denotada por:

C AB = A – B

No caso em que A = {a, b, c, d, e} e B = {a, b, c}, o complementar de B em


relação a A é dado por C AB = A – B = {d, e}.
A seguir, a fim de consolidar esses conceitos, seguem alguns exemplos.

Exemplo 1:

Seja A = {a, b, c, d, e, f} e B = {a, b}, então, C AB = A – B = {c, d, e, f}

Exemplo 2:

Seja A = {a, b, c, d, e, f} e B = {c}, então, C AB = A – B = {a, b, d, e, f}


A Figura 5 demonstra uma operação de complementariedade do conjunto
A ao conjunto B.

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A
B
a c

d
e

Figura 5. Complementar do conjunto B em relação ao conjunto A.

Identificadas cada uma das operações, serão apresentados os conjuntos


numéricos e a reação entre eles por meio do diagrama de Venn (Figura 6).
Em outro momento, serão definidas as operações entre eles.

Figura 6. Conjuntos numéricos ℕ (naturais), ℤ (inteiros), ℚ (racionais), 𝕀 (irracionais) e ℝ (reais).

Para finalizar, considere o exemplo a seguir que versa sobre interseção


de conjuntos.

Exemplo 1:

Considere os conjuntos A, B, C, além disso, assuma as seguintes proposições:

„ os conjuntos A, B e C têm simultaneamente em comum apenas 5


elementos;

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„ os números de elementos comuns apenas a A e B são 2;


„ os números de elementos comuns apenas a A e C são 3;
„ os números de elementos comuns apenas a B e C são 2;
„ o número total de elementos de B é 11;
„ o número total de elementos de A é 12;
„ o número total de elementos de C é 15.

Represente cada um dos conjuntos por meio do diagrama de Venn.


Inicialmente, considerando a primeira afirmação, tem-se:

Considerando, agora, as afirmações:

„ os números de elementos comuns apenas a A e B são 2;


„ os números de elementos comuns apenas a A e C são 3;
„ os números de elementos comuns apenas a B e C são 3.

Tem-se:

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Por fim, considerando as três últimas afirmações, tem-se:

„ o número total de elementos de B é 11;


„ o número total de elementos de A é 12;
„ o número total de elementos de C é 15.

Representação de subconjunto dos números reais ℝ


O conjunto dos números reais, matematicamente denotado por ℝ, é o mais
importante conjunto numérico da matemática, pois munido das operações
binárias de soma (+) e produto (*), obtém-se o corpo dos números reais.
A fim de compreender quais são os elementos que compõem esse conjunto,
faz-se necessário identificar outros dois conjuntos, a saber: o conjunto dos
números racionais ℚ e o conjunto dos números irracionais 𝕀, os quais serão
explanados a seguir.
O conjunto dos números racionais ℚ é definido em função do conjunto
dos números inteiros, assim, dado m ∈ ℤ e n ∈ ℤ*, onde ℤ* denota os intei-
ros não nulos, então, um elemento dos conjuntos dos racionais é dado por
q = m/n, formalmente, tem-se: ℚ = {q|q = m/n com m ∈ ℤ e n ∈ ℤ*}.
Como observa Galvão (2017), o conceito de fração para os gregos não era
exatamente um número, mas uma relação entre segmentos. Assim, dado um
segmento unitário u, a medida de outro segmento AB consistia no número de
vezes, dado em função do conjunto dos números naturais ℕ, que o segmento
u cabe em AB.
Não sendo possível encontrar um valor inteiro para o número de vezes
que u cabe em AB, obtinha-se uma fração m/n que é a razão entre os com-
primentos de AB e u. No entanto, essa linha de raciocínio não era extensível

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ao tentar medir o comprimento da diagonal de um quadrado, pois, como é


mostrado na Figura 7, o valor da diagonal ficava em função de ℓ .

Figura 7. Diagonal de um quadrado determinada pelo teorema de Pitágoras.

Ao assumir que é racional, é possível encontrar dois números inteiros


e positivos p e q tais que = , sendo a fração uma fração irredutível, ou
seja p e q primos entre si. Elevando ambos os lados da igualdade = ao
quadrado e com algumas manipulações algébricas, tem-se:

Assim, a partir da última igualdade, conclui-se que p2, portanto, p também


é par, nesse sentido, é possível escrever p como p = 2r com p ∈ ℕ, assim,
tem-se que:

p2 = 2q2 ⇒ (2r)2 = 2q2 ⇔ 4r2 = 2q2 ⇒ q2 = 2r2

A partir da última expressão, conclui-se que q também é par, nesse sentido,


sendo p e q, implica que a fração não é irredutível. Portanto, o absurdo a
que se chega deve-se ao fato de deduzir-se que fosse racional, o que nos
leva a desconsiderar e concluir que é racional.

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Portanto, todos os números que não podem ser representados na forma


de m/n com m ∈ ℤ e n ∈ ℤ* são denominados irracionais, sendo que esse
conjunto é matematicamente denotado por 𝕀. Assim, ao realizarmos a união
do conjunto dos números 𝕀 com os números racionais ℚ, é obtido o conjunto
dos números reais ℝ.
Apesar de parecerem simplistas os conceitos de construção dos números
reais, eles envolvem importantes resultados de análise numérica. A seguir,
tem-se uma pequena amostra da profundidade teórica desses resultados.

Como apresenta Lima (1977, p. 73–74), “[...] o conjunto ℚ dos números


racionais é denso em ℝ. Também o conjunto ℚ – ℝ, dos números
irracionais, é denso na reta. Com efeito, todo intervalo aberto contém nú-
meros racionais e irracionais.” Além disso, como observa Caraça (1989, p. 56):
“[…] um conjunto é denso se entre dois dos seus elementos quaisquer existir
uma infinidade de elementos do mesmo conjunto.”

Devido à densidade da reta real, como apresentado por Lima (1977) e Caraça
(1989), deve-se usar uma adequada representação para um subconjunto dos
números reais. A seguir, serão exemplificadas as seguintes formas:

„ intervalar;
„ gráfica;
„ conjunto.

Exemplo 1:

Considere que você deseja representar o subconjunto de ℝ, onde se tem


todos os valores de x contidos entre –4 com intervalo aberto nesse ponto, e
7 sendo fechado nesse extremo.

„ Notação intervalar: (–4, 7] ⊂ ℝ


„ Notação conjunto: {x ∈ ℝ|–4 < x ≤ 7}
„ Gráfico:
–4 7

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Exemplo 2:

Considere que você deseja representar o subconjunto de ℝ, onde se tem


todos os valores de x contidos entre 1 com intervalo fechado nesse ponto, e
4 sendo aberto nesse extremo.

„ Notação intervalar: [1, 4) ⊂ ℝ


„ Notação conjunto: {x ∈ ℝ|1 ≤ x < 4}
„ Gráfico: 1 4

Exemplo 3:

Considere que você deseja representar o subconjunto de ℝ, onde se tem


todos os valores de x contidos entre –∞ com intervalo aberto nesse ponto,
e 5 sendo aberto nesse extremo.

„ Notação intervalar: (–∞, 5) ⊂ ℝ


„ Notação conjunto: {x ∈ ℝ|–∞ < x < 5}
„ Gráfico:
–∞ 5

Exemplo 4:

As notações aqui apresentadas também podem ser empregadas para a repre-


sentação de intervalos disjuntos. Nesse sentido, considere o seguinte conjunto
A = {x ∈ x|–2 ≤ x < 8}, a representação do complementar de Ac, é dada por:

„ Notação intervalar: (–∞, –2) ∪ [8, +∞)


„ Notação conjunto: {x ∈ ℝ|x < –2 ou x ≥ 8}
„ Gráfico:
–2 8

O Quadro 1 traz as principais formas de se representar um subconjunto de ℝ.

Quadro 1. Subconjuntos de ℝ e suas representações

Tipo de intervalo Representação Observação

Intervalo fechado [a; b] = {x ∈ ℝ|a ≤ x ≤ b} Os limitantes a, b estão


incluídos no subconjunto

Intervalo aberto (a; b) = {x ∈ ℝ|a < x < b} Os limitantes a, b não estão


incluídos no subconjunto
(Continua)

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(Continuação)

Tipo de intervalo Representação Observação

Intervalo fechado [a; b) = {x ∈ ℝ|a ≤ x < b} O limitante a está incluído no


à esquerda subconjunto

Intervalo fechado (a; b] = {x ∈ ℝ|a < x ≤ b} O limitante b está incluído no


à direita subconjunto

Intervalo [a; ∞) = {x ∈ ℝ|x ≥ a} Todos os valores maiores ou


semifechado iguais a a

Intervalo (–∞; a] = {x ∈ ℝ|x ≤ a} Todos os valores menores ou


semifechado iguais a a

Intervalo (a; ∞) = {x ∈ ℝ|x > a} Todos os valores maiores do


semifechado que a

Intervalo (a; ∞) = {x ∈ ℝ|x < a} Todos os valores menores do


semifechado que a

É comum entre os estudantes a representação de forma incorreta


de um subconjunto dos números reais. Nesse sentido, evite o tipo
de representação mostrado a seguir.

(2, 5] = {3, 4, 5} = [3, 5]

Observe que as duas últimas igualdades são incorretas para representarem


o intervalo (2, 5] ⊂ ℝ.

Números reais e suas operações


Os números reais (ℝ) representam o conjunto de maior importância para a
matemática devido às suas inúmeras propriedades, entre elas, a de ser um
conjunto numérico denso. No entanto, de nada adianta se ter um conjunto
cujo número de elementos é enumerável se esses elementos não puderem ser
operacionalizados. Nesse ponto, o conjunto dos números reais mostra todo
o seu potencial, pois esse conjunto, quando munido das operações de soma
e produto, satisfaz a definição de um corpo algébrico. Para o conjunto dos
números reais, são válidas as operações/propriedades constantes no Quadro 2.

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Quadro 2. Propriedades do corpo dos reais

Propriedade Descrição

(A1) Fechamento sob adição Se a e b pertencem a ℝ, então, a + b


pertence a ℝ

(A2) Associatividade da Para todo a, b, c em ℝ, então, é válida a


adição igualdade a + (b + c) = (a + b) + c

(A3) Identidade aditiva Existe um unido 0 ∈ ℝ, tal que, a + 0 = 0 + a


= a para todo a ∈ ℝ

(A4) Inverso aditivo Para cada a ∈ 𝕊, existe um elemento a ∈ ℝ,


tal que, a + (–a) = (–a) + a = 0

(A5) Comutatividade da Para todo a, b ∈ ℝb, tem-se a + b = b + a


adição

(M1) Fechamento da Para todo a, b ∈ ℝ, tem-se a * b ∈ ℝ


multiplicação

(M2) Associatividade da Para todo a, b, c ∈ ℝ, tem-se (a * b) * c = a *


multiplicação (b * c) ∈ ℝ

(M3) Comutatividade da Para todo a, b ∈ ℝ, tem-se (a * b) = (a * b)


multiplicação ∈𝕊

(M4) Identidade da Existe um elemento 1 em ℝ, tal que, para


multiplicação todo a ∈ ℝ, tem-se a * 1 = 1 * a = a

(M5) Sem divisores por zero Para todo a, b ∈ ℝ, se a * b = 0, então, a = 0


ou b = 0

(M6) Inverso multiplicativo Para todo a ≠ 0 ∈ ℝ, existe um elemento


a-1 ∈ ℝ, tal que, a * a–1 = a–1 * a = 1

MD Distributividade Para todo a, b, c ∈ ℝ, é válida a igualdade


a(b + c) = a * b + a * c = b * c + c * a = (b + c) * a

A partir das propriedades anteriores, obtém-se as regras de potenciação


e radicação, as quais são ferramentas fundamentais para a matemática.

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Propriedades de potenciação. Dados m, n ∈ ℕ e a, b ∈ ℝ, tem-se:

A potenciação tem alguns casos especiais, os quais são apresentados


a seguir.
a1 = a
1n = 1
0n = 0
a0 = 1

Além das propriedades de potenciação, tem-se também as propriedades


das radiciações que constituem uma importante ferramenta matemática.
A seguir, são apresentadas essas propriedades.

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No que se refere às regras de radiciação, tem-se: dado a, b ∈ ℝ+, m


∈ ℤ, n, p ∈ ℕ*.

A seguir, você aprenderá a operacionalizar essas propriedades com uma


série de exemplos.

Exemplo 1:

Considerando que a expressão a seguir esteja bem definida, simplifique-a:

Exemplo 2:

Considerando que a expressão a seguir esteja bem definida, simplifique-a:

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Exemplo 3:

Considerando que a expressão a seguir esteja bem definida, simplifique-a:

Exemplo 4:

Considerando que a expressão a seguir esteja bem definida, simplifique-a:

Referências
CARAÇA, B. J. Conceitos fundamentais da matemática. Lisboa: Tip. Matemática, 1989.
GALVÃO, C. Conjuntos numéricos. Jandaia do Sul: UFPR, 2017. Notas de aula das disci-
plinas Pré-Cálculo e Matemática I, do curso de Computação, da Universidade Federal
do Paraná. Disponível em: https://docs.ufpr.br/~cegalvao/ensino/2017_1/JLC048/Con-
juntos_Numericos.pdf. Acesso em: 6 nov. 2020.
IEZZI, G.; MURAKAMI, C. Conjunto-elemento-persistência. In: IEZZI, G.; MURAKAMI, C.
Fundamentos de matemática elementar: volume 1: conjuntos e funções. 7. ed. São
Paulo: Atual, 2013. p. 18-19. Disponível em: https://www.doraci.com.br/downloads/
matematica/fund-mat-elem_01.pdf. Acesso em: 6 nov. 2020.
LIMA, E. L. Análise real. Rio de Janeiro: Instituto de Matemática Pura e Aplicada, 1977. v. 1

Leituras recomendadas
BISPO, C. A. F.; CASTANHEIRA, L. B.; SOUZA FILHO, O. M. Introdução à lógica matemática.
São Paulo: Cengage Learning, 2011.
CONJUNTOS NUMÉRICOS e a Reta Numérica – Professora Angela. [S. l.: s. n.]. 2017. 1 vídeo
(21 min). Publicado pelo canal Professora Angela Matemática. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=VdWrKjdUu98&ab_channel=ProfessoraAngelaMatem%C
3%A1tica. Acesso em: 6 nov. 2020.
NÚMEROS NATURAIS, inteiros, racionais, irracionais e reais. [S. l.: s. n.]. 2020. 1 vídeo
(9 min). Publicado pelo canal Professora Angela Matemática. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=1nXjvLXDH4k&ab_channel=ProfessoraAngelaMatem%C3
%A1tica. Acesso em: 6 nov. 2020.
O CONJUNTOS DOS NÚMEROS INTEIROS (Z). [S. l.: s. n.]. 2016. 1 vídeo (8 min). Publicado
pelo canal Professora Angela Matemática. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=fmiw3ksXOmk&ab_channel=ProfessoraAngelaMatem%C3%A1tica. Acesso
em: 6 nov. 2020.

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O CONJUNTO DOS NÚMEROS RACIONAIS. [S. l.: s. n.]. 2016. 1 vídeo (5 min). Publicado
pelo canal Professora Angela Matemática. Disponível em: https://www.youtube.com/
watch?v=1JT_0FyzPzA&ab_channel=ProfessoraAngelaMatem%C3%A1tica. Acesso em:
6 nov. 2020.
RETA REAL – Aula 6 – Curso de Conjuntos – Professora Angela. [S. l.: s. n.]. 2020. 1 vídeo
(12 min). Publicado pelo canal Professora Angela Matemática. Disponível em: https://
www.youtube.com/watch?v=wwqH-srELA4&ab_channel=ProfessoraAngelaMatem%C
3%A1tica. Acesso em: 6 nov. 2020.

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