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Assembleia de Deus

Origem, implantação e militância (1911-1946)

Gedeon Alencar

São Paulo / 2010

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP-Brasil. Catalogação na fonte A368a Alencar, Gedeon Assembleia de Deus – origem, implantação e militância (1911-1946) / Gedeon Alencar ._ São Paulo: Arte Editorial, 2010 192 p.: 14x21cm ISBN 978-85-98172-85-9 1. Assembleia de Deus 2. Assembleia de Deus no Brasil 3. Daniel Berg 4. Pentecostalismo I. Título CDD 230

Copyright © 2010 por Ar te Editorial. Todos os direitos reservados. Coordenação editorial e projeto gráfico: Magno Paganelli Revisão: João Guimarães 1ª Edição: julho / 2010 Publicado no Brasil por Ar te Editorial

Rua Parapuã, 574 - Itaberaba 02831-000 - São Paulo - SP editora@arteeditorial.com.br www.arteeditorial.com.br

. 51 OS SUECOS VISIONÁRIOS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Dr. . . . . . . . . . . . 45 TABELA 1: Estimativas do crescimento do pentecostalismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 Um filho de escravo perturba o mundo evangélico • Babel ou Pentecostes. . . . . o líder • O estilo Vingren-Vingren DISSIDÊNCIA E OFICIALIZAÇÃO. . . . 19 Um parêntese pessoal • Justificativa do período (1911-1946) 1. . . Leonildo Silveira Campos. . . . . . . . . . . . . . . 48 SEGUNDA FASE: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA (1930-1946) . . . . . . . . 60 . . . . . .9 INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . PENTECOSTALISMO: ORIGEM. 47 ” PRIMEIRA FASE: A IMPLANTAÇÃO DA SEITA PENTECOSTISTA (1911-1930). . . . . . . . a mensagem se espalhou REFERENCIAIS TEÓRICOS. . . . . . . . . . . . . . . 45 PRIMEIRA FASE: PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO BRASILEIRO 2. . . . . . .SUMÁRIO Apresentação. . . . . 32 Três ideias clássicas sobre religião no Século 20 • Weber – o carisma e os adeptos • Niebuhr – a igreja dos deserdados renasce sempre? • Tillich – o “princípio protestante” está perdido? • Três visões sobre o pentecostalismo brasileiro • Leonard – um pentecostalismo sem leitura bíblica não terá futuro • Beatriz de Souza – o ajuste urbano • Cartaxo Rolim – alienação sacral CRESCIMENTO. . . . . . . . . . . . 27 A ORIGEM (MARGINAL) DO PENTECOSTALISMO. . . . . . . . . . . . . UMA ESTIMATIVA COMPROVADORA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Daniel Berg (1884-1963). . . . . . . . pelo Prof. . . . . . . . . . . 50 TERCEIRA FASE: A OFICIALIZAÇÃO DA DENOMINAÇÃO (1946 EM DIANTE). . . . . . . . . . . . . TEORIAS E CRESCIMENTO. . . . . . . . . . . 42 ESTATÍSTICAS: ALÉM DA TEORIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . o operário • Gunnar Vingren (18791933). . . . . . A IMPLANTAÇÃO DA “SEITA PENTECOSTISTA – 1911-1930.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E decide • Os missionários vêm da Suécia e não dos EUA • A ausência de registro norte-americano sobre a AD no Brasil • AD norte-americana versus AD brasileira • “Projeto brasileiro”? Que projeto? TABELA 6: “Igrejas sédes” e pastores em 1931 . . . . . . . . . . . . 79 IGREJAS CALVINISTAS CRESCEM MENOS QUE IGREJAS ARMINIANAS?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA – 1930-1946 . . . . . . . . . . . . . 89 AD – UM PROJETO BRASILEIRO? . . . 69 TABELA 4: Quadro estatístico da Igreja em Belém (1911-1914). . . . 85 SEGUNDA FASE: PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO BRASILEIRO 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .116 AS CONVENÇÕES. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 O nome “Assembleia de Deus” • A expansão aleatória TABELA 3: A expansão da AD em seus primeiros anos. . . . . . . . . . . . . . . 71 Batismos na AD Belém (1911-1914) • A crise da borracha ajuda na expansão da AD JORNAIS: O PRINCÍPIO DA MODERNIDADE. .113 TABELA 7: As ênfases teológicas nos textos . . . . . . . . 118 A Convenção de 1930: os suecos “entregaram” ou os brasileiros “tomaram”? • A versão sueca das “Igrejas Livres” e a construção da autonomia brasileira • Primeira (e única) dissidência teológica? OS MINISTÉRIOS . . . . . . . . . . As singularidades da mensagem pentecostal . . . . 107 O ethos sueco nordestino: uma visão sociológica • O ethos sueco nordestino: uma visão teológica O “MENSAGEIRO DE PAZ” COMO CONSOLIDAÇÃO DA IGREJA . . . . . . . . .6 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. . . . . . . . . . . . . . . 106 O ETHOS SUECO-NORDESTINO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Qual a ligação da Ad no Brasil com a dos EUA? • A Igreja Filadélfia de Estocolmo é quem sustenta. . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 TABELA 8: As Convenções da AD . . IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA TABELA 2: Versão assembleiana e versão batista da divisão. . . 76 A experiência pioneira de 1917: A Voz da Verdade • Som Alegre: uma dissidência carioca? • Uma palavra oficial: Boa Semente (1919-29) • As ênfases teológicas do Boa Semente TABELA 5: Tabulação do Jornal Boa Semente (1919-1929). . . . . . . . . . . . . . . . 127 Paulo Macalão: o alijado que estabeleceu um estilo . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . 132 A dissidência da cura: Cruzada nacional de Evangelização • O que é a AD na década de 50? 4. . 137 ALGUMS CARACTERÍSTICAS DO PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO. 157 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. . . . . . . . . . . . . . . . . O discurso de negação do mundo e o escatologismo 3. . . . . . . doutrinação homogênea 5. . . . . . . 181 3: Convocação da Convenção de 1930 em Natal. . . . . . . . Sistema eclesiástico assembleiano: episcopalismo vitalício NADA MAIS BRASILEIRO QUE UM ASSEMBLEIANO: OMISSO E FELIZ. Liderança diversificada. 159 ANEXO ANEXO ANEXO ANEXO 1: Pesquisa nas fontes primárias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A “síndrome de marginal” 2. . . . .SUMÁRIO 7 A CHEGADA DE NOVAS IGREJAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 185 4: Comparação entre as versões históricas assembleianas. . . . . . . . . CARACTERÍSTICAS DO PENTECOSTALISMO ASSEMBLEIANO BRASILEIRO. . 150 UMA IGREJA ALÉM DA “NORMALIDADE”. . . . . . A aversão a mudanças (ou “Não destruam nossos mitos”) 4. . . . 139 1. . 152 CONSIDERAÇÕES FINAIS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171 2: Presença missionária estrangeira no Brasil. 155 ABREVIATURAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

grifo do autor). fraternos e. resolvendo bem ou mal todos os desafios que ela teve. suecos e norte-americanos e brasileiros-suecosnorte-americanos. a AD alcançou todos os Estados e se fortaleceu por todo o país. inimigos. 1994:75). É necessário entender como funcionavam as convenções.) e externas (crise nas bolsas. “A AD mantém estreitos laços com as igrejas pentecostais norte-americanas. 1985:35. . Neste capítulo trataremos das relações entre suecos e brasileiros. construtores e mantenedores) não participa dessa tensão. Estado Novo. relação suecos x brasileiros x norte-americanos. em determinadas ocasiões. batizados. mas. “O pentecostalismo estava apenas na sua infância quando chegou ao Brasil um fator importante para sua autoctonia” (Freston. As relações institucionais dos líderes.90 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. AD – UM PROJETO BRASILEIRO? Qual a ligação da AD no Brasil com a dos EUA? “A influência dos EUA foi intensa” (Campos Jr. porque a igreja (seguidores. como ocorreu o desembocar do processo de fracionamento dessa igreja em ministérios distintos. começa a se fortalecer pelo estabelecimento de vários seminários e institutos bíblicos para a preparação de pastores. das quais depende quase totalmente em termos de educação teológica. Acresce uma gama de literatura traduzida amplamente difundida principalmente por meio da CPAD e Editora Betânia” (Bittencourt Filho. grifo do autor). Segunda Guerra Mundial). e a partir delas. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA (Convenção em Natal e todas as demais. 1995:139. que embora incipiente no Brasil. semente do divisionismo ministerial e expansão da igreja em todo o país etc. Getúlio Vargas.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 91 Esta afirmação de que o pentecostalismo brasileiro é um produto made in EUA está dentro da categoria de “estereótipos sociológicos” (Fry. é algo extraordinário. é a questão da música dos negros norte-americanos. caracterizados pelos improvisos. mas se o pesquisador assistir a reuniões durante alguns anos. “confirmando” ou perguntando algo ao pregador. Até hoje. mas esta “espontaneidade” é muito mais um exercício hermenêutico dos observadores. nunca se constituiu padrão assembleiano brasileiro. algo muito repetido nas análises sobre o pentecostalismo brasileiro. 128 . se comparada à Igreja Anglicana e muito mais à Católica. Fazer um arranjo musical em estilo popular de samba ou rock é um sacrilégio inaceitável na cultura assembleiana. teve uma postura muito conservadora quanto ao corpo. a participação é domesticada. Tornou-se senso comum e. econômicos. 129 Talvez para um pesquisador que assiste a três “cultos públicos”. liturgicamente (apesar de criticar muito as outras denominações de “frias e não darem liberdade ao Espírito”). em comunidades assembleianas diversas. 128 o ritual na tribuna é previsível. qualquer tipo de dança é reprimida e. a sua espontaneidade de ritmos e instrumentos. ninguém se preocupa em comprovar. 127 Estamos nos referindo às ADs tradicionais. vai perceber a “ritualização da espontaneidade”. 1975:84). Sobre o conceito de sacralidade na hinologia brasileira. (Arte Editorial. A AD.129 Aquele estilo das igrejas negras com dança e cânticos “negros espirituais” (gospel). pessoas batendo palmas e dançando no culto. ver Música Sacra. mas Nem Tanto. culturais? Como se deu esta dependência total da educação teológica? O contexto da frase de Campos Jr. quando e como se deu esta influência intensa? Quais os estreitos laços – teológicos. desde o início. 2010).127 cantam-se somente os hinos da Harpa Cristã dentro daquela música “sagrada como era antigamente”. e não às autônomas/independentes. de Milton Rodrigues Jr. o padrão de culto assembleiano é bem fechado e definitivo: em grande número de igrejas. duas “reuniões de oração” a participação “espontânea”. se verdade ou não. Onde.

Todos têm a liberdade. postura. permaneceram filiados à AD nos EUA. empregada doméstica ou a patroa) dar um testemunho. se posicionou contra a proposta de criação de seminários. em geral. Nem o Espírito. de – numa linguagem que Corten (1996:12) chama de “intervenção anárquica da palavra”. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA Temos que restringir esta “espontaneidade” com a possibilidade de qualquer um (analfabeto. o pr. depois se canta apenas três hinos da Harpa Cristã. Há décadas o culto “guiado” pelo Espírito Santo realiza-se – apenas – assim. João Kolenda Lemos. seminários foram tratados pejorativamente como “Fábricas de Pastores”131 e rejeitados por 130 IBAD – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus. por um pastor que chegara dos EUA. E ninguém se atreve a mudar. que ele chama de “Fábrica de pastores”. pastora assembleiana. é norte-americana. Anselmo Silvestre. Sua esposa. em 1958.130 Precisamos situar esta questão de modo mais claro. rir. falar ou pregar. pois. Hoje são considerados heróis. Durante décadas. Já Bittencourt fala da educação teológica. de Belo Horizonte. falar em línguas. e dá-se oportunidade para o conjunto de senhoras/jovens/crianças e alguns testemunhos. pelo perigo de alguns ficarem com as cabeças cheias e o coração vazio”. . ao se inscreverem nesse curso e noutros que surgiram a partir de então. tudo segue muito bem definido e restritivo: vestimenta. em 1966. e os assembleianos de “glorificação a Deus” – dar glórias. nos primeiros anos. muitos alunos. O culto começa apenas com uma oração. chorar. No mais. os “formados em teologia” tinham muita dificuldade de se inserirem no ministério pastoral. brasileiro. ritmos. em quaisquer momentos do culto. foram “disciplinados” por suas igrejas e. fundado em 1958 pelo Pr. descendente de alemães. depois se faz apenas uma leitura bíblica. usada ainda hoje.92 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. ritos. mas durante anos foram tratados como “desviados. gritar. embora no Brasil. Educação teológica sempre foi rechaçada. interditos etc. pelo fato de o primeiro seminário teológico brasileiro ter sido fundado. apesar (e também por isso) de vir dos EUA. letrado. liderança. 131 Esta é uma expressão corriqueira nos meios assembleianos. Ruth Doris Lemos (falecida em 2009). aleluias. rebeldes” e não foram excluídos da AD porque. Na Ata da 9ª Sessão da 18ª Convenção em Santo André.

hoje. Da sueca. com seus pais (depois foi morar nos EUA e lá 132 Hoje. talvez hoje tivéssemos algo pelo menos parecido com uma universidade digna deste nome. por exemplo. onde o ensino regular não chegou. ou estão. Todos os ministérios têm. sim. norte-americano. Temos hoje a Escola de Educação Teológica da Assembleia de Deus – EETAD.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 93 irem contra a “tradição da Assembleia”. e porque essa igreja nasceu e cresceu sem a existência deles. Apesar de os suecos terem chegado ao Brasil vindos dos EUA. mesmo que ineficaz. já não era mais membro de nenhuma denominação.132 Ademais. Durham. eles não foram enviados por alguma missão134 ou igreja norte-americana. portanto. “apenas da denominação do céu”. 133 Se os EUA tivessem investido em educação teológica no Brasil. algo muito comum. da qual são originariamente membros. a educação teológica virou febre na AD. ao seu despedir de sua igreja. P. mas não há nenhum registro ou indício histórico desta missão. mesmo que Gunnar Vingren fosse originalmente um pastor batista. dirigindo ou formando pastores assembleianos?). com carência de biblioteca e quadro docente funcionando precariamente. Léonard (1988:72) ao analisar a AD. equivalente ao Mackenzie (Presbiteriano) ou UMESP (Metodista). Os suecos eram autônomos. ironicamente. institucionalmente eles não têm nenhuma ligação com aquele país. 134 Um dos entrevistados falou de uma Missão Norte-americana que sustentava os missionários suecos no Brasil. E nenhum missionário norte-americano foi enviado para supervisionar e lhes dar qualquer tipo de suporte. diz que ela está ligada à Missão Escandinava. no meio assembleiano. um alemão que veio para o Brasil em 1904. Não há nenhum texto nos jornais e nenhum indício nas biografias de alguma ligação dos missionários com a igreja de H. . e que os “abençoa” na hora da partida. na tradição batista e presbiteriana. Na biografia de J. É uma escola teológica por correspondência para atingir os rincões deste país. quantos seminários foram fundados por missões norte-americanas133 (e quantos norte-americanos estiveram. que a implantou e a sustentou. mas foi um sonho do missionário Bernard Jonhson. em Campinas-SP. uma “Faculdade Teológica”. que não é projeto da AD norte-americana. como ele diz em seu diário. Kolenda.

Quais são os outros? Onde estão? Em nossa pesquisa foram encontrados os nomes de Paul Aemis e John Aemis. existem aqui oito casais de norte-americanos. Precisamos de um homem com experiência. o “representante das ADs nos EUA. 2) recomendar que os missionários norte-americanos organizassem uma obra separada no Brasil. mas eles “aparecem” sem nenhum dado ou informação além do registro que eram norte-americanos. há um trecho bem significativo para entendermos a questão suecos-norte-americanos-brasileiros. preferencialmente alguém que fale a língua. Já em 1962. Diretor de Missões da AD nos EUA. ligada às 135 Americanos no Brasil em 1938? Lawrence Olson chegou em 07/09/38.94 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. Trata-se de uma fala de Noel Perkins. aquele país deveria ser considerado campo deles” (idem. Então. 1984:85): “Temos um problema no Brasil. visto serem eles os pioneiros. segundo Read (1965:130). Mas qual é o problema? “Os missionários suecos tinham objeções à ida ao Brasil de missionários norte-americanos das ADs. . na História e os pastores entrevistados não os conheceram.P Kolenda para ser . tendo chegado primeiro ao Brasil. do qual já se disse. a fim de fazer uma sondagem da situação” (Brenda. em 1938. Read (1967:135) fala de Frank Stalter em 1934. segundo Perkins. Perkins convidou J. para ir ao Brasil e investigar certas condições existentes e depois nos aconselhar quanto ao modo de procedermos” (grifo do autor). 86). Sobre eles não há qualquer registro nos jornais. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA se tornou pastor da AD). o Departamento de Missões tinha as seguintes opções: 1) “aceitar o pedido dos missionários suecos e recomendar que os missionários135 das Assembleias de Deus da América do Norte no Brasil deixassem o país e fossem redistribuídos em outros países sul-americanos. Achavam que. é o único registro.

1967:123). o Sr. pelo menos nos primeiros anos. é desconhecida em qualquer livro de história da AD.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 95 Assembleias de Deus norte-americanas. Frank Stalter e esposa foram indicados pela Junta Norte-americana para trabalharem no Brasil. há um registro de que uma carta estava sendo enviada aos EUA. com a perspectiva de vencedores e responsáveis (?) pelo mundo. impulsionada pelo novo papel internacional americano” (Freston. grifo do autor). foi enviado à Alemanha com função idêntica). sem entrar em detalhes. a atenção norte-americana em geral. 136 “Em 1934. seria completamente desconhecido e se tornado mais um capítulo dos silêncios da história assembleiana. tratando do missionário Frank e seu caso.P Kolenda. 3) Achar um meio de cooperar com a obra existente das Assembleias de Deus. e missionária (católica protestante) em particular se volta para a América Latina. Se este missionário não tivesse aparecido no livro do Read. 1984:85. da qual os missionários suecos eram os pioneiros e edificar uma só obra forte das Assembleias de Deus no Brasil” (Brenda. J. realizada em Recife. parece ter acontecido. Os missionários foram pioneiros em muitas partes dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. a postura norte-americana mudou. independente da obra ali existente. . e empenharam-se mais na fundação de igrejas no solo brasileiro. nos jornais ou demais livros. 1996:72). 136 “Após a Segunda Guerra Mundial. Depois da Segunda Guerra Mundial. Esta informação do Read (1967:123) sobre o missionário Frank Stalter e sua esposa. onde foram instrumento para a multiplicação de igrejas” (Read. em 1938. sugeriu ao Departamento de Missões a terceira opção e assim. Na ata da 10ª Sessão da Convenção Geral. que foi pastor no Brasil de 1939 a 1952 (quando .

condenava o uso de automóveis. E decide. 138 O período é a década de 1940. 1984:89) Alguns entrevistados insinuaram que o estilo arrogante e opulento dos norteamericanos contrastava com a simplicidade e pobreza dos suecos. trabalhava como “autônomo” sem lhes dar satisfação? 3. quando chegou ao Rio de Janeiro em 1942.. 1999:37).. mas o mal-estar é patente em ambos os lados. .. Mas estes queridos irmãos 137 J. “A gestão financeira da igreja sofria indirectamente com o bloqueio cambial. Kolenda. (Vingren. durante a Segunda Guerra Mundial. Não sabemos o por quê. a princípio. pelo que as ofertas monetárias da Suécia estavam suspensas devido ao estado de guerra”138 (Barata.) A convenção deliberou também que uma comissão composta por Virgilio Smith e Gustavo Bergstron escrevesse uma carta a Frank Stalter dando ciência do assunto” (a grafia original foi mantida) O que fica implícito? 1. alugou um apartamento na praia de Copacabana e importou um Chevrolet dos EUA.P. mas Gunnar Vingren teve um carro entre 1925 e 1930 no Rio de Janeiro. em Estocolmo. portanto. “A Igreja Filadélfia. As Atas não detalham a questão. Seu ministério financeiramente mais confortável estava ameaçando os suecos?137 4. A Igreja Filadélfia de Estocolmo é quem sustenta. (Brenda. sabe que não é suficiente o sustento que recebo de lá. Aqui chegando. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA “Foi lida a carta que a convenção propôs fosse enviada para o secretário da missão “The General Council of the Assemblies of God (..96 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. Este missionário foi enviado pela AD nos EUA sem o “consentimento” dos suecos? 2. 1973:188) Um entrevistado informou que Paulo Leivas Macalão.) e explicado pelo presidente o seu conteúdo cujo carta foi aprovada unanimemente (.

A Convenção de 1930 foi uma demonstração da dependência da liderança sueca no Brasil a Lewis Pethrus.02. Quem era? 139 Veio de onde e com qual objetivo? Depois. Há um registro sintomático no jornal Boa Semente nº 64 (9/1926). Trata-se um relato cobrindo seis meses da viagem que ele fez entre o Brasil e Argentina. Mas nem mesmo os descendentes suecos souberam informar algo sobre sua existência. ou seja. como pelos missionários. participantes e objetivo. pastor da Igreja Filadélfia de Estocolmo. 1073:197). nº 58. diz simplesmente que o Dr. Flanklim chegou ao Brasil. 140 Na introdução da biografia de Daniel Berg há um registro sobre um livro escrito pelo Dr.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 97 têm tantos missionários para ajudar. 07. Gunnar Vingren registrou em seu diário o envio de oferta da Igreja Filadélfia de Estocolmo para seu sustento e a construção de templos. Numa nota (BS. que foram comprados com dinheiro sueco e doados aos brasileiros. Na Convenção de 1930. pois não informa a data exata. Nada mais óbvio que quem sustenta financeiramente também tome as decisões. Franklin chamado Entre pentecostais e santos abandonados na América do Sul. . da Suécia” (MP. de uma “Convenção de Missionários Suecos no Brasil”. tanto pelos trabalhadores brasileiros. o Pastor Lewis Pethrus. grafia original mantida). informa que ele foi um pastor auxiliar de Pethrus. e provavelmente o responsável pelo Departamento de Missões da Filadélfia. templos e casas de oração. que é um milagre poderem fazer tanto. uma das questões foram os prédios. local.00). fica claro que sua ligação (e dependência) é com esta igreja. O texto jornalístico tem muitos problemas. 3/1926). “Todos os assumptos foram discutidos com inteira liberdade. o jornal noticia a convenção “já” realizada. Que Deus os abençoe” (Vingren. 1o/1930. fazendo-se ouvir sempre. em entrevista (Recife. nº 1. A convenção ocorreu para decidir o quê? Existe algum outro registro dela?140 A biografia do Vingren também fala dessa 139 Ruth Carlson.

não se sabe ao certo e não há onde pesquisar. Se foi redigida alguma ata. a ligação e sustento oficial registrados os vinculam à Igreja Filadélfia. além dos missionários suecos. Manteve-se como uma “igreja livre”. . nem mesmo os descendentes dos suecos no Brasil. nada mais óbvio que a Igreja Filadélfia de Estocolmo. Alguns entrevistados. originalmente foi uma igreja batista que se pentecostalizou. parece não conseguir exatamente o que queria. ao se referirem à origem da AD. 1973:105). o colombiano Clímaco Bueno e havia também um evangelista brasileiro recebendo salários dos EUA (Vingren. pentecostal. Pethrus como sendo a AD na Suécia. Enfim. até hoje. A Missão Sueca sustenta. que mantém os missionários. 143 Conforme jornal mensal recebido pela misssionária Rute Carlson (entrevista. No Brasil. Igreja Filadélfia de Estocolmo. ela sustenta e tenta decidir. congregacional. mas pareceme óbvio: a reunião era de suecos com esse enviado de lá.98 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. Os missionários vêm da Suécia e não dos EUA “O missionário Daniel Berg veio ao nosso encontro no porto. porém. porque ninguém tem qualquer informação a respeito. Como isso se realizava. decida seus rumos. Olinda-PE).141 O jornal não diz como e o por que de os brasileiros terem sido dela alijados. e talvez tenha sido essa reunião que ocasionou o levante dos brasileiros para “convocar” a Convenção de 1930. Mas a despeito da ausência de documentos. 8/ 02/00.143 Portanto. fica muito claro que havia uma estrutura de poder sueco que liderava a AD no Brasil. mas nunca veio a ser Assembleia de Deus como diversos pesquisadores e pastores da AD142 confundem. falam da Igreja do Pr. ela se perdeu. quando chegamos no navio que nos trouxe de Nova Iorque 141 142 Ver anexo o texto da Convocação dos brasileiros. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA convenção e acrescenta apenas que ela aconteceu no Rio de Janeiro.

recebem o batismo com o Espírito Santo. a primeira dissidência da AD. por exemplo. finlandeses e nenhum norte-americano. pois esse era o único caminho de viagem. os norte-americanos é quem deveriam vir atrás de nós para aprenderem evangelizar. em contatos com a Assembleia. são “pentecostais suecos de doutrina”. p. desligam-se de suas igrejas e. 1988) . mas aqui se evidencia puramente uma questão econômica. porque enquanto a AD nos EUA tem 2 milhões de membros146 144 Não é a Igreja de Cristo nascida em 1932 em Mossoró. 1987: 23) Os dois primeiros missionários. 175) suecos. Em 1930. já pautados no “acordo Kolenda-EUA ”. no dia 14/08/98. nem alguma das diversas Igrejas de Cristo que levam este nome atualmente. temos (ver Anexo nº 2.145 A ausência de registro norte-americano sobre a AD no Brasil “Essa história da AD no Brasil viver atrás dos norteamericanos hoje é bobagem. os dois primeiros norte-americanos são O. foram contaminados pela “febre dos EUA ”. depois de 16 anos de pastorado na Suécia. poloneses.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 99 a Belém (Pará). Boyer e Virgilio Smith. fez questão de dizer que o “segredo do crescimento da AD no Brasil foi a firmeza da doutrina dos suecos. 146 Se o chute é exagerado em relação ao Brasil (25 milhões) acerta em relação aos EUA que segundo estimativas tem um número de membros aproximados. que chegou ao Brasil em 1946. Nills Taranger. norueguês. voltam ao Brasil em 1940. Eurico Bergston. via Estados Unidos”.S.144 No Nordeste. (Burgess. que já estavam no Brasil desde 1927 como missionários da Igreja de Cristo. filiados agora à AD nos EUA. Berg e Vingren. poucos meses antes de morrer (quando foi entrevistado). (Vingren. 145 Entrevista com pastor de 78 anos. como eles mesmos assumem. os demais usam os EUA apenas como passagem. Os demais. Oficialmente. retornam aos EUA. se não suecos de nascimento. finlandês.

passaram a constituir a maior comunidade de fé pentecostal da Terra”. . evidentemente. são menos importantes. Stanley Horward Frodsham (1941) em seu With Signs Following – the story of the pentecostal revival in the twentieth century.. há apenas pequenas biografias de Gunnar de Vingren e Daniel Berg148 (onde. de que é a maior igreja pentecostal do mundo. cit. há diversos verbetes sobre diferentes países que. 1998:13) (grifo do autor).. 149 Op. Chile. cit. Oliveira. maior rio. desperta a atenção de evangélicos do mundo inteiro (. mas muita informação sobre Lewis Pethrus149 (diversas fotos) e o movimento pentecostal da Suécia. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA nós temos 25 milhões. 82 anos). 721. é completamente desconhecido fora do Brasil. O discurso ufanista da AD brasileira hoje. (3 a história. citam a AD do Brasil).147 Não há um verbete sequer sobre a AD no Brasil no Dicionary of Pentecostal and Charismatic Movements (Burgess. Eles é que deveriam aprender de nós!” (pastor. Maior futebol. “Por que o Brasil? É inexplicável o fato de o Espírito de Deus haver eleito o então desconhecido e inóspito país sulamericano para abençoar a sua Igreja com o “sopro” que. Venezuela. em seus 24 capítulos. China e até o Egito. 872. afinal Deus é brasileiro! 148 Op. milhões de membros e congregados em todas as regiões do Brasil. quantitativamente. de algumas década a esta parte. Aliás. 1988). Por quê? 147 AD parece estar inserida nesta síndrome brasileira de querer ser o centro do mundo. maior carnaval. dedica amplo espaço à França.) Como resultado desta bênção singular. O vigésimo segundo capítulo é sobre a América do Sul – e nenhuma frase sobre o avivamento pentecostal no Brasil.100 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM.

São dois textos curtos sem maiores pretensões. de William W. mas constituições diversas e até mesmo contraditórias. Vingren ou a “maior igreja pentecostal do mundo”. informando que foi fundada pelos norte-americanos de origem sueca. . daí sua dificuldade de pesquisa. este o questionou sobre a ausência do Brasil em seu livro. Aliás. 151 Estatística. mas muito significativos em suas discrepâncias teológicas/institucionais dessas igrejas que têm o mesmo nome. A História da Igreja Cristã (1979) tem dois apêndices sobre a AD. sobre a AD em Portugal acontece algo ainda mais curioso: a história da AD no Brasil registra (1a história. em Is Latina América turning protestant? The politics of evangelical growth. O primeiro escrito por J. Menzies (1971) não cita – apenas citação – uma única vez Berg. nenhum capítulo sobre o Brasil. Stolll (1999). Conde.150 O Livro Latinoamérica en Llamas – historia y creencias del movimiento religioso más impresionante de todos los tiempos (Deiros. questionável. 1994) se refere à AD brasileira duas vezes: 1. ao que ele respondeu que a mesma se deu por não saber ler português. aliás nada sobre a AD no Brasil. mas ironicamente. Secretário Geral. pentecostalização) na América Latina. que numa conversa com Sotll. quando fala do crescimento do pentecostalismo informando que ela tem nove milhões de adeptos em 1984 (citando Wagner 1987). aliás. escreve um livro sobre o fenomenal crescimento do protestantismo (leia-se. Seria justificável se o Brasil não representasse (em quase todos os aspectos estatísticos) mais da metade da América Latina. Roswell Flower. 1960:36) o nascimento dessa igreja como fruto do trabalho 150 Ouvi de um professor.151 e 2.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 101 O “Anointed to serve “ the story of the Assemblies of God”. que pede para omitir seu nome. sobre a AD no EUA e o segundo por Joanyr de Oliveira sobre a AD no Brasil e em Portugal.

ao chegar em Portugal. o primeiro missionário brasileiro enviado a Portugal. AD norte-americana versus AD brasileira “Quando o Concílio Geral (título abreviado do Concílio Geral das Assembleias de Deus) veio a existir. no ano de 1913. não conseguimos as referências bibliográficas da mesma. em Hot Springs. e apesar das diversas tentativas. e. assim começou sua resposta. No entanto. em 1913. mas os portugueses dão o mérito da mensagem pentecostal aos suecos.. portanto. não fala do missionário Plácido nem da atuação de Berg. iniciou-se precariamente em Tondela. o segundo). e em 1934 organizava-se a primeira Assembleia de Deus em Lisboa”. mas dá o mérito ao sueco. Mas uma revista chamada Panorama Pentecostal (sem data e editora) tem uma reportagem sobre o início do movimento pentecostal naquele país e diz que José Plácido. Diante de uma pergunta sobre as crenças pentecostais. já havia entre os participantes um consenso doutrinário (. Na história da AD em Portugal. Estado de Arkansas. Portugal. só depois vem um “silêncio” inexplicável.9) traz uma foto do mesmo e diz que: “AD.152 Enfim..” (Horton. 1996:21). membro do Executivo e primeiro presidente geral (posteriormente chamado de superintendente geral).. definitivamente. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA missionário assembleiano brasileiro (em 1913 foi enviado o 1º missionário e em 1921. foi convidado para pastorear uma Igreja Batista e aceitou. 152 Em todas as histórias da AD. em abril de 1914.102 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM.. Bell.) com os temas da santidade wesleyana e de Keswick. que antes se chamara no Brasil e nos Estados Unidos da América de “Missão da Fé Apostólica”. quando foi visitado por Daniel Berg “ será esta a razão do silêncio sobre este missionário em todos os registros históricos? Recebi cópias xerográficas dessa revista. Línguas de Fogo (1999:7. N. Talvez isso seja um bom parâmetro para entendermos a presunção etnocêntrica dos norte. fala-se em José Plácido da Costa.. é sintomático que essa ausência de registros sobre a AD se dê em material publicado pela imprensa pentecostal norte-americana. na cidade de Portimão (. .americanos.) na capital do país. Qual o resultado dessa missão? Nenhuma palavra. em 1924 muito ao sul. permanecendo nela até 1930. faltando diversas folhas e as datas. E. numa tentativa de consolidar o “espírito missionário” da igreja. por meio do missionário Jack Härdstedt..

de construí-la nos moldes norte-americanos. as revelações. Mas duas ênfases distintivas são evidentes: a educação teológica e a institucionalização. as curas. Preocupam-se os norte-americanos em fundar escolas teológicas e em alguns casos antes mesmo da igreja. sem uma análise mais aprofundada. no entanto. Os livros de história da AD no Brasil privilegiam fenomenologicamente a história carismática. livramentos de perseguição. 1990) e Historia da las Asambleas de Dios del Perú (Hildago. seria forçada a mesma comparação entre a igreja de uma favela brasileira e uma megaigreja da metrópole. nunca esse modelo norte-americano foi cogitado pelos suecos. estaria mais próxima da verdade. algo. que causou problemas diversos. E. talvez. de fato. Belice e Panamá. posteriormente. evidentemente. Nicarágua. em tese. aliás. El Salvador. Guatemala. Dois bons exemplos são os livros já citados Siembra y cosecha – reseña histórica de la Asambleas de Dios de México y Centroamérica153 (Walker. o único estilo idêntico aos suecos no Brasil é a manutenção do poder em suas mãos. o batismo no Espírito Santo. as fundações de igrejas (mesmo escondendo as brigas dos ministérios) e não se reportam em nenhum momento a este modelo de instituição importado. já nas mãos de brasileiros. Acrescente-se ainda que este exercício é. Todas essas igrejas fundadas pela missão norte-americana têm sua história parecida e repetitiva em todos os países: um casal de missionários vem ao país implantar a denominação e. pelo contrário até o depreciam. a comparação de uma igreja brasileira com outra igreja latinoamericana. Honduras. Exatamente 153 Nesse livro estão inclusos os seguintes países: México. o coronelismo eclesiástico jamais permitiu a implantação de instâncias de poder que se lhe viessem rivalizar. . 1989). ou seja. Ademais. mera comparação. Costa Rica. as manifestações de dons. pois. toda comparação é deficiente.A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 103 Por razões óbvias.

algo impossível de ser feito pela AD no Brasil pela ausência de professores assembleianos com esta titulação. as diferenças que esta tem com a declaração das ADs no Brasil.D em teologia. Esta declaração – ou qualquer outra – nunca foi objeto de discussão em qualquer Convenção no Brasil. a liberação dos costumes. que têm em comum a doutrina pentecostal (mesmo que tivessem em comum também o racismo). A melhor exemplificação disto é o livro Teologia Sistemática – uma perspectiva pentecostal (Horton. Por sua visão teológica. quando é perguntada sobre uma desavença ocorrida com duas missionárias e Bruno Skolimowsky.154 que a AD nos EUA tem desde seu início. 1993. por isso seu crescimento não é fenomenal como na época de seu nascimento nem o é hoje.155 O carisma. brancas (portanto. congregacionais). A AD norte-americana nasceu do encontro fraterno de igrejas autônomas (Hurlbut. 1972). segregacionistas) e de classe média (Freston 1994. Olinda-PE) informa que até hoje a Igreja Filadélfia não admite mulher no pastorado e. a educação teológica ou mesmo uma estrutura administrativa nacional com o sistema congregacional de autonomia das igrejas locais. Já há uma direção nacional legalizada e requerida. No entanto. 1992). composta por mulheres (Freston. IMPLANTAÇÃO E MILITÂNCIA por este ethos sueco-nordestino é que nunca se cogitou da inclusão do ministério feminino. nos EUA a liderança pentecostal negra era. 1979). O primeiro capítulo Panorama Histórico é excepcional para nosso estudo. ele insiste em ver “afinidades e diferenças teológicas” em ambas. Estabelece-se a partir de uma estrutura eclesiástica racionalizada (Weber). com um status já estabelecido e uma doutrina previamente conhecida. já se inicia rotinizado. 155 Hollenweger (1976) publicou uma Declaração de Fé das Assembleias de Deus Norte-americanas apontando. Uma série de artigos sobre os mais diferentes temas da teologia escrito por diversos professores156 das Faculdades Teológicas Norteamericanas da AD. 156 Quase todos Ph. na sua maioria batistas (portanto.104 ASSEMBLEIA DE DEUS – ORIGEM. Nele se dá o desenvolvimento 154 Ruth Carlson (entrevista 8/02/00. Hollengewer. ela lembra que foi por causa “destas duas que a Missão não mais enviou moças solteiras”. 1996). no Ceará (Rego. neste caso. . em grande parte. as diferenças ou afinidades ocorrem – ou ocorreram – ocasionalmente. inclusive. Inversamente. 1942:78). Niebuhr.

pois se encontram nas principais cidades. é um primor de dissimulação da questão racista). clerical. aliás. o que não aconteceu pelo que se nota na tabela acima. carismática. Mas entregam o quê. os suecos “entregam” a direção do trabalho aos brasileiros. as controvérsias teológicas sobre a “segunda bênção” e a tensão entre os “pentecostais norteamericanos” e “pentecostais afro-americanos” (Horton. quando os primeiros enfatizam a escatologia. inicialmente. Questões – repetindo. portanto acostumados com uma igreja conservadora. eles precisavam mesmo assumir as principais igrejas. uma estrutura administrativa. adesão emocionada de dezoito batistas por causa de uma cura e da glossolalia e. Não há – nem se faz necessário? – uma diluição do poder. como consta nos livros de história oficial. a soma do visionarismo de dois suecos. majoritariamente. AD brasileira é. o cargo de superintendente (desde 1914). já que permanecem na liderança das principais igrejas? Se não são as principais é porque ainda não cresceram o suficiente. Na Convenção de 1930. segundo a versão oficial. há apenas uma liderança carismática para “transmitir a visão”. 1979). de católicos marginalizados do “catolicismo devocional” (Rolim. uma tradição teológica. .A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA 105 institucional da igreja: a organização do Concílio. centralizada. mas fatalmente serão. “Projeto brasileiro”? Que projeto? Se os brasileiros têm projeto nacional. e os segundos a reconciliação (o livro. ele é inviabilizado por um detalhe significativo: além de assumir o “trabalho” de forma genérica. que nunca foram discutidas ou tiveram alguma importância na AD brasileira. 1996:18). com um discurso dogmático.