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CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

Gabinete do Deputado Reginaldo Sardinha - Gab 05

PROJETO DE LEI Nº , DE 2022


(Autoria: Do Senhor Deputado REGINALDO SARDINHA )
Institui e inclui no Calendário Oficial
de Eventos do Distrito Federal o Dia
Distrital das Abelhas, a ser
comemorado anualmente no
primeiro dia da primavera.

A CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL decreta:

Art. 1º Fica instituído e incluído no Calendário Oficial de Eventos do Distrito Federal o


Dia Distrital das Abelhas, a ser comemorado anualmente no primeiro dia da primavera.

Art. 2º É facultado aos Poderes do Distrito Federal em parceria com a iniciativa


privada promover feiras, exposições, palestras, seminários, debates e outras atividades que
visem valorizar a existência das abelhas para o meio ambiente e a vida.

Art. 3º A data instituída por meio desta Lei contempla todos os tipos de abelhas,
inclusive as sem ferrão.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.

JUSTIFICAÇÃO

O presente Projeto de Lei tem por finalidade comemorar e valorizar a importância das
abelhas para o meio ambiente e a vida, inclusive para os seres humanos, não só pelo que
elas produzem, mas, principalmente, por seu papel na polinização das flores, assegurando,
com isso, a continuidade de espécies da flora e a produção de alimentos para os animais.
Artigo publicado pela Embrapa Meio-Norte aborda com severa propriedade a
relevância das abelhas na polinização, dizendo o seguinte:

" As abelhas e a polinização


Na maioria dos ecossistemas mundiais, as abelhas são os principais
polinizadores (BIESMEIJER & SLAA, 2006). Estudos sobre a ação das

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abelhas no meio ambiente evidenciam a extraordinária contribuição desses
insetos na preservação da vida vegetal e também na manutenção da
variabilidade genética (NOGUEIRA-COUTO, 1998).
Estima-se existir cerca de 20.000 espécies de abelhas, contudo este número
pode ser duas vezes maior, sendo necessário realizar estudos de
levantamento das abelhas e as interações abelha-planta nos diversos biomas
(ROUBICK, 1992). Entretanto, devido à redução das fontes de alimento e
locais de nidificação, ocupação intensiva das terras e uso de defensivos
agrícolas, as populações de abelhas silvestres têm sido reduzidas
drasticamente, colocando em risco todo o bioma em que vivem. Uma das
dificuldades em se promover a conservação das abelhas é a falta de
conhecimento sobre as mesmas.
Nas regiões tropicais, as abelhas sociais (Meliponina, Bombina e Apina)
estão entre os visitantes florais mais abundantes (HEITHAUS, 1979;
ROUBIK, 1992; BAWA, 1990). No Brasil, as abelhas sem ferrão (Meliponina)
são responsáveis pela polinização de 40 a 90% das espécies arbóreas
(KERR et. al., 1996); dessa forma, a preservação das matas nativas é
dependente da preservação dessas espécies. "

As abelhas prestam um serviço fundamental à humanidade e a biodiversidade, pois


são responsáveis pela polinização de aproximadamente 73% das plantas no mundo. Sem
polinização, não temos produção de alimentos. Em Santa Catarina, por exemplo, o impacto
econômico da apicultura vai muito além da produção de mel. Ele se reflete no ganho de
produtividade de culturas como maçã, pera e ameixa, graças ao trabalho de polinização das
abelhas. (fonte: EPAGRI-SC)
Embora a primeira imagem que muitos têm de abelha seja da espécie africanizada, a
Apis melífera , o Brasil conta com mais de 1,5 mil espécies descritas. E, por incrível que
pareça, são as abelhas nativas sem ferrão as principais polinizadoras das matas brasileiras,
contribuindo com a reprodução de 30% a 80% das espécies de plantas, dependendo do tipo
de bioma. Aliás, criar abelhas ainda se destina à produção de própolis, pólen, geleia real e
apitoxina. Esses produtos servem de matéria-prima para as indústrias farmacêuticas,
alimentícias e cosméticas e geram renda para milhares de famílias apicultoras. (fonte:
EPAGRI-SC)
Outro detalhe que não pode ficar para trás é o fato de que, embora a abelha tenha
sua imagem quase sempre associada ao ferrão, o Brasil possui cerca de 244 espécies nativas
polinizadoras que não possuem ferrão. São justamente essas abelhas que têm conquistado
maior espaço nas cidades desde o início da pandemia em 2020. A meliponicultura, o cultivo
das abelhas sem ferrão, é um conceito que existe há mais de 50 anos, mas começou a
ganhar maior visibilidade por meio de ações voltadas a espaços urbanos que pregam a
sustentabilidade e a conscientização sobre o valor destes insetos. Para o geneticista,
agrônomo e professor na Universidade de São Paulo, Warwick Kerr, falecido em 2018, os
insetos nativos sem ferrão são responsáveis pela polinização de até 90% das espécies da
Mata Atlântica. (fonte: https://forbes.com.br/forbesagro)
Em uma matéria reproduzida pela Federação de Meliponicultores do Distrito Federal
(FEMEL/DF), escrita por Gabriela Glette e originalmente publicada no site razoesparaacreditar.
com, está dito que "Desde que passaram a ser consideradas os seres vivos mais importantes
do planeta, inúmeras iniciativas vem surgindo com o objetivo de salvar as abelhas, cujas
populações vinham diminuindo drasticamente nos últimos anos. E o Brasil não fica atrás, já
que o governo do Distrito Federal anunciou a construção do maior corredor de abelhas do
mundo . Com o objetivo de preservar as espécies nativas do inseto polinizador, o Bosque
das Abelhas será um grande corredor ecológico de 10 quilômetros de extensão com mais de
45 mil árvores do cerrado. O caminho começa no Parque da Cidade e vai até o Parque
Nacional de Brasília. A construção foi iniciada em novembro de 2020 a partir do plantio de
espécies do cerrado para que as abelhas possam se desenvolver em seu ambiente natural.

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“Aqui teremos cedrinho, jatobá, ipês, barrigudas, aroeiras, alecrim do campo, jenipapo…
Serão mais de 30 tipos de mudas diferentes”, explica Luiz Lustosa, presidente do instituto e
da Federação de Meliponicultura do DF. ".
Ou seja, Brasília vem adquirindo uma consciência positiva sobre a necessidade de
preservação das abelhas, inclusive com muitos moradores criando-as em suas residências
(casas e apartamentos). Estamos falando, nesse caso, em abelhas sem ferrão, logicamente.
Conforme Marco César Douetts Gouveia, servidor público e morador do Setor
Sudoeste, em Brasília, que começou recentemente a criar em seu apartamento abelhas sem
ferrão das espécies Jataí ( Tetragonisca angustula ) e Mandaçaia (Melipona mandacaia) , a
iniciativa tem sido gratificante, pois, tanto ele quanto a esposa, passaram a desenvolver um
passatempo superinteressante, uma vez que a criação dos bichinhos tem sido um
aprendizado diário, e tem, ao mesmo tempo, servido como atividade de lazer e
entretenimento para ambos, e, sobretudo, vem sendo uma excelente forma de contribuição
para a proteção do meio ambiente, já que as abelhas saem pelas janelas de sua casa para
realizar o seu ofício natural, qual seja preservar a vida vegetal e a manutenção da
variabilidade genética, por meio da polinização.
Quanto ao aspecto legal da propositura, observando a Constituição Federal,
especialmente os arts. 23, VI, VII e 24, VI, concluiremos pela competência do Distrito Federal
para legislar sobre o presente tema, senão vejamos:
“Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios:
(....)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas
formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
(....)
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
(....)
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e
dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;”

Mais adiante, no Capítulo VI, do Meio Ambiente, a nossa Carta Magna versa o
seguinte no art. 225, VII, in verbis :
“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para
as presentes e futuras gerações.
(....)
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies
ou submetam os animais a crueldade.”

Por sua vez, a Lei Orgânica do DF é também firme na defesa do meio ambiente, de
forma a assegurar que todos dele possam usufruir sem, no entanto, comprometer a sua
qualidade. Para tanto é bastante prestarmos atenção ao que apregoa o art. 278:

“Art. 278. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,


bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gerações.

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Diante de todo o exposto, rogo aos nobres Pares o apoio para a aprovação deste
Projeto de Lei.

Sala das Sessões, em.......................................

Deputado REGINALDO SARDINHA


Autor

Praça Municipal, Quadra 2, Lote 5, 2º Andar, Gab 5 - CEP: 70094902 - Brasília - DF - Tel.: (61)3348-8052
www.cl.df.gov.br - dep.reginaldosardinha@cl.df.gov.br

Documento assinado eletronicamente por REGINALDO ROCHA SARDINHA GOES - Matr. Nº 00156,
Deputado(a) Distrital, em 19/06/2022, às 22:13:51 , conforme Ato do Vice-Presidente e da Terceira
Secretária nº 02, de 2020, publicado no Diário da Câmara Legislativa do Distrito Federal nº 284, de 27
de novembo de 2020.

A autenticidade do documento pode ser conferida no site


https://ple.cl.df.gov.br/#/autenticidade
Código Verificador: 45468 , Código CRC: effc1fb6

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