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VIAJANTES, FOLCLORISTAS E A HISTÓRIA POPULAR. (Brasil, 1780-1850). XVII Encontro Regional de História. Campinas, 6 a 10 de setembro de 2004.

José Carlos Barreiro 1

As obras dos folcloristas e dos viajantes estrangeiros constituem vasto legado em que se encontram sistematizados vários aspectos da cultura oral e das manifestações populares brasileiras, embora as possibilidades dessa documentação não tenham ainda sido dimensionadas para a elaboração de uma História popular no Brasil.

Contudo, este quadro deve mudar com os novos métodos de compreensão das classes trabalhadoras no Brasil, cujos estudos demonstram cada vez mais que o seu conhecimento requer um amplo levantamento do universo etnográfico e cultural de onde elas provêm. É possível que os trabalhos de viajantes e também de folcloristas como Câmara Cascudo e Pereira da Costa ganhem uma dimensão nova no trabalho do historiador, uma vez que eles revelam informações e análises preciosas sobre o conjunto de práticas, ritos, relações de parentesco, costumes, crenças e sociabilidades referentes às populações pobres do Brasil. Este universo cultural e etnográfico do homem comum encontrado nesses livros é hoje indispensável para entendermos aspectos fundamentais do caráter nacional brasileiro e da formação das classes trabalhadoras no Brasil. Luis da Camara Cascudo, por exemplo, deixou uma vasta obra em que descreveu e sistematizou a cultura oral e as manifestações populares a partir de uma prática que jamais abandonou em toda a sua vida de estudioso: a de tomar nota dos falares de pessoas que não tinham acesso aos seus livros. Viajando por várias partes do Brasil e percorrendo cerca de 4.000 quilômetros pelo sertão do Congo, Guiné, Zambésia e Nigéria, vasculhou vestígios e raízes da cozinha, das festas, das danças, dos gestos, dos mitos, das superstições e dos costumes brasileiros, transpondo tudo isso para livros cuja amplidão de assuntos revela uma capacidade invejável de trabalho e organização de seus temas. Partindo das pesquisas de Silvio Romero, dos métodos do finlandês Antti Aarne e do norte-americano Stith Thompson, Camara Cascudo fez incursões as mais diversificadas pelos terrenos da cultura popular. Dentro de seu variado campo de estudos cabe destacar o interesse manifestado pelo que poderia ser extraído da

1 Prof. do Departamento de História da Unesp, Câmpus de Assis

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literatura de viagens para o conhecimento da cultura oral e das manifestações populares no Brasil. Como leitor contumaz dos viajantes, Camara Cascudo escreveu um livro sobre o Príncipe prussiano Maximiliano de Wied-Neuwied, por ocasião de sua estada no Brasil, de junho de 1815 a maio de 1817. Desde 1935 já se tinha notícia do ensaio escrito por Luis da Camara Cascudo, comentando o magnífico "Reise Nach Brasilien" de Maximiliano de Wied-Neuwied, antes mesmo do surgimento da versão brasileira sob o título de "Viagem ao Brasil" , traduzida por Edgar Sussekind de Mendonça e Flávio Poppe de Figueiredo, refundida

e anotada por Olivério Pinto e editada pela Nacional em 1940. Contudo, o ensaio ficou desaparecido durante quarenta anos até que em 1.976 seu autor é surpreendido com um telefonema da Livraria Kosmos Editora, informando tê-lo encontrado e manifestado interesse em editá-lo. O pequeno e valioso livro saiu a público naquele mesmo ano.

É sintomático que a partir dos anos setenta o eminente sono do ensaio de

Camara Cascudo não pudesse mais se prolongar. Com efeito, abriam-se naquele momento novas possibilidades de estudo e compreensão das classes trabalhadoras no Brasil. Ao invés de julga-las a partir de critérios e categorias para os quais elas não encontravam termos e não possuíam recursos, como via de regra se fazia até então,

os novos estudos demonstravam cada vez mais que o seu conhecimento requeria um amplo levantamento do universo etnográfico e cultural de onde provinham. Foi nessa linha de estudos que crenças e sociabilidades referentes às populações pobres de certas regiões do interior do Brasil e, sobretudo, dos índios Botocudos, começaram a ser estudadas por Câmara Cascudo, servindo-se em grande parte do livro do príncipe Maximiliano.

O livro de Camara Cascudo comentando o trabalho do Príncipe Maximiliano no

Brasil contém dez ilustrações. A capa traz o Príncipe de Wied de sobrecasaca, chapéu alto, ornado de penas de arara, ao lado do índio botocudo Quêck. A ilustração de

Quêck foi enviada a Camara Cascudo pelo Príncipe Frederico, atual Chefe da Casa dos Wied e constitui-se em uma cópia do retrato do índio, existente no Palácio de Neuwied. Trata-se de uma história instigante. Por ocasião de sua estada no Brasil e passando por Porto Seguro, o Príncipe Maximiliano comprou o índio Quêck de um professor de latim chamado Morreisa de Pinka. Voltando para sua terra natal Maximiliano levou consigo o índio, juntamente com um negro da Bahia. O negro morreu 3 anos depois, mas o índio conseguiu suportar por 12 doze anos o clima europeu, vindo a falecer de alcoolismo e pneumonia. Transformou-se em curiosidade viva da cidadezinha renana, sendo visitado frequentemente por professores e

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etnógrafos. Graças a Quêck, o professor Gottling, diretor do Ginásio de Neuwied escreveu um vocabulário comentando o idioma botocudo. As demais ilustrações vieram de coleção de Robert Bosch GmbH - Stuttgart, e revelam diversas fases da vida do índio no Brasil, apresentando-os dançando, guerreando, caçando, migrando em família, subindo em árvores e descansando em seus abrigos. Trata-se de um material iconográfico de inestimável valor cultural e científico. Camara Cascudo, escudando-se nos comentários de Ratzel sobre Maximiliano de Wied, lembra que ele foi o valorizador dos desenhos cuidados e das estampas bem gravadas, nítidas, de traços puros em papel forte, deixando às gerações posteriores uma idéia aproximada e visível do que fora observado e do processo de sua fixação artística. Tais comentários revelam que os desenhos feitos por integrantes de expedições científicas da primeira metade do século XIX estavam vinculados ao movimento de expansão das ciências naturais, cujo objetivo era fazer avançar o conhecimento a partir do método da observação que por sua natureza era extremamente classificatório e colecionista. Todavia, tal fascinação pelo "registro natural" bem como a excessiva valorização de seu caráter testemunhal e de ilustração tem levado à sua reprodução exaustiva nos livros didáticos e nos trabalhos científicos, sem muitos questionamentos. Hoje, contudo, a metodologia histórica fornece elementos para desvendarmos os códigos e significantes da linguagem do desenho, apontando para questões referentes às condições de percepção, memória, subjetividade do observador e relação que este estabelece com a imagem, e chegarmos, a partir do exame da iconografia indígena, a uma outra compreensão de sua identidade e cultura. Camara Cascudo ressalta ainda o quanto o Príncipe Maximiliano diferencia-se de muitos viajantes em relação às análises e apreciações que faziam sobre os indígenas, especialmente sobre os Botocudos. Estes índios fizeram-se conhecer pela boca dos viajantes estrangeiros, como extremamente bestiais. Por serem caracterizados como selvagens e violentos, empreendiam-se contra eles caçadas impiedosas em que eram dizimados como feras ou escravizados com toda a sua família. É possível que essa representação decorresse de um certo deslizamento e transferência das concepções sobre as "classes perigosas" vigentes na Europa, para o selvagem americano. Ao estudar os Botocudos o Príncipe estrangeiro repôs o selvagem em seu pedestal humano, despindo-o dos atributos de animalidade indômita e de fereza incurável. Isto não deve, contudo, obscurecer o fato de que o olhar do branco sobre o índio naquele momento resultava em relatos representando lugares de confronto de

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sentidos, articuladores da prática de uma violência simbólica definidora da história com

a qual ainda hoje nos identificamos enquanto brasileiros. Muitas vezes a verdadeira

identidade do índio acabava por acobertar-se pelo olhar colecionador do viajante, que queria ressaltar sobretudo o exotismo e a diversidade do universo tropical, bem como

coletar espécimes destinados a compor as imensas coleções armazenadas nos recém criados museus de história natural. Neste sentido, o Príncipe Maximiliano não fugiu aos ditames dos estudiosos da história natural. É o que revela o episódio da retirada do índio Quêck de seu habitat natural, apresentando-o na Europa como um exótico espécime à disposição da curiosidade e dos procedimentos de pesquisas das ciências físico-naturais de então. O livro de Camara Cascudo é também de grande valor por ser o resumo do trabalho etnográfico de um autor cujas obras hoje são raras e encontram-se em sua maioria apenas no idioma alemão. À época em que Câmara Cascudo escreveu o livro era possível encontrar somente a versão francesa do Reise nach Brasilien e o Voyage

dans l'interior de l'Amérique du Nord, versão do livro Reise in das Innere Nord America

in den Jahren 1832 bis 1834, estando as demais obras disponíveis apenas no idioma

original. Este último foi editado em dois volumes com um atlas e resume a viagem de Maximiliano aos Estados Unidos. Desta viagem Camara Cascudo obteve informações importantes através de Percy Alvin Martin, professor de História da Universidade de Stanford, Califórnia, incorporadas ao livro que Camara escreveu sobre Maximiliano. Para escrever seu livro Camara Cascudo consultou ainda, de Maximiliano de Wied Neuwied, os seguintes livros: Kupfer and Karten, atlas com gravuras representando indígenas, utensilios domésticos e guerreiros, cenas da vida primitiva e aspectos de viagem; Abbildungen zar Naturgeschichte Brasiliens, editado em Weimar, constituído por dezesseis cadernos com estampas representando animais. Cabe ressaltar, por fim, a importância de trabalhos como os de Camara Cascudo fazendo apreciações individuais sobre as obras dos viajantes estrangeiros

que passaram pelo Brasil ao longo do desenvolvimento da história de nosso país. As apreciações de conjunto sobre o trabalho dos viajantes carecem desses estudos individuais mostrando a riqueza dos relatos e as influências filosóficas presentes na visão de mundo de cada um deles, o que foi bastante bem feito por Camara Cascudo em relação a Maximiliano de Wied Neuwied. Se Câmara Cascudo, escudado em Maximiliano de Wied-Neuwied revelou aspectos fundamentais a respeito da cultura indígena no Brasil, caberia aqui lembrar também o folclorista Pereira da Costa, cujas devotadas pesquisas contribuíram para o conhecimento de aspectos importantes de certos rituais de protestos populares do Brasil de fins do século XVIII e século XIX. Trata-se de algo muito próximo do que o

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historiador Thompson descreveu para a Inglaterra do século XVIII e que ele

Thompson estudou-a por comparação com seu

correspondente francês, o charivari, e, sobretudo, acompanhou com uma erudição sem par a migração desses rituais para várias partes da Inglaterra e suas colônias, bem como para outras partes do mundo. Pôde então interpretá-los e aferir a sua importância nas lutas populares do século XVIII, e sua dimensão como componentes expressivos do vocabulário simbólico da época. Com Thompson, entramos no universo fascinante e ao mesmo tempo complicado da decifração do significado das rough music, termo comumente usado para denotar cacofonia rude, com ou sem ritual mais elaborado, normalmente empregado para dirigir zombarias ou hostilidades contra indivíduos que desrespeitavam certas normas da comunidade. Thompson desenvolveu uma percepção teórica bastante cuidadosa para apreender o significado das rough music, propondo um encaminhamento que negava qualquer valor a uma análise estritamente estruturalista, em que os elementos míticos do ritual se sobrepusessem ao processo social e o substituísse pela lógica formal. Por outro lado, estava também bastante atento à desintegração das propriedades míticas do ritual, que pudesse ser ocasionada por qualquer empirismo mais afoito (Thompson,

denominou de rough music

1991).

O estudo de Thompson sobre as rough music oferece algum amparo teórico e abre perspectivas imensas para o estudo das manifestações populares contra as formas excludentes com que as elites brasileiras encaminhavam a organização do estado brasileiro desde fins do século XVIII. Se os rituais vinculados às rough music inglesas e charivari franceses eram extremamente complexos e diversificados em suas formas, como reconhecia Thompson, o que dizer de formas expressivas dessa mesma natureza, que emergiam do interior de uma sociedade multi racial, como a brasileira, com componentes de vários povos e etnias integrando seu universo cultural? É sobre isso que, graças às informações de Pereira da Costa e de alguns viajantes estrangeiros poderemos refletir. Trata-se efetivamente de um grande desafio, entender como, no amplo movimento de povos e culturas que caracterizou o nascimento da modernidade, estas formas acomodaram-se ao caldo cultural brasileiro, ganhando vida própria. Os escritos de Pereira da Costa nos fazem reviver, em Pernambuco, no ano de 1798, os momentos que antecederam a partida de Dom Tomás, quando este deixava o governo da Província. Naquela oportunidade ouvia-se o povo cantar em versos jocosos, o fato do Governador ter sido “chifrado” por sua amante, Dona Brites. O povo

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cantava em versos que quando Dom Tomás partira, Dona Brites aparentou chorar de tristeza, mas disfarçadamente sorria, porque, tão logo Dom Tomás virara as costas ela já estava nos braços de Chiquinho da Ribeira, o arrematante de dízimos do mercado público do Bairro Santo Antônio, que D. Tomás construíra. Não se tem detalhes a respeito dessa zombaria hostil do povo contra seu Governador, exceto a de que os versos eram cantados com música própria. Contudo, eram versos fáceis de serem memorizados pela multidão, os chamados nominy 2 . Não há também informações a respeito do acompanhamento instrumental rude e primitivo que normalmente compunha esse tipo de ritual na Inglaterra e em outras partes do mundo em que foi encontrado. Sabendo, contudo, da forma draconiana com que o povo era tratado naquela província, é possível que essa zombaria fosse desencadeada de forma mais ou menos contida, para evitar reprimendas. De qualquer forma, tratava-se de uma manifestação popular que respondia aos maus tratos e abusos desfechados pelo Governador, ridicularizando-o no que havia de mais sagrado numa sociedade de tipo patriarcal: a traição e a infidelidade. Estes eram temas sempre explorados quando a plebe inglesa queria hostilizar seu rei ou autoridade importante do reino, caracterizando também os rituais franceses denominados charivari. Este ritual, zombando de D. Tomás e sua amante, tem estreita conexão com outro, que pudemos recolher do mesmo folclorista. Trata-se de um castigo imposto pelo Governador em questão a Simplício, um indivíduo do segmento social livre e sem posse da época. Por ter roubado uma tainha do viveiro do Governador, foi preso e condenado a trabalho forçado até secar o peixe furtado que trazia amarrado ao próprio pescoço. O crime de Simplício foi, neste episódio, considerado duplamente grave. Primeiramente, porque a ação criminal foi desencadeada contra o Governador, que personificava o poder de Estado. Em segundo lugar, o crime mereceu severa punição porque violava os preceitos judiciais burgueses relativos à propriedade privada, numa ordem social em que a mesma estava em pleno processo de constituição. Em ambos os rituais, aparece como componente importante a publicização tanto do castigo imposto a um homem comum, quanto a hostilidade dirigida ao Governador e sua amante. Trata-se de estratégias que derivam seus recursos da transmissão oral, numa sociedade que regula a sua autoridade e conduta moral através de formas teatrais, do espetáculo da justiça e da punição pública. É possível que o elemento da publicização dos castigos, instrumento comum das classes dominantes até inícios do

2 Eram versos tão fáceis de serem memorizados como as rimas infantis e que também permitiam que se acrescentassem improvisações apropriadas à vítima e à ocasião. Cf. Tompson, 1991, op.cit.

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século XIX, tenha se irradiado sobre a cultura popular e enriquecido seu vocabulário simbólico de contestação. Mas é preciso lembrar que não apenas os folcloristas são fontes em que encontramos registros desses rituais. Os viajantes estrangeiros são muitas vezes as fontes primárias de que se servem os próprios folcloristas. Debret, por exemplo, recolhe detalhes preciosos de certos rituais cercados de componentes culturais e religiosos mais especificamente portugueses. É este o caso do ritual da malhação do Judas. Trata-se de uma encenação com efeito teatral extraordinário, animado por um grupo bastante agitado e barulhento de pessoas, entremeadas por turbilhões de fumaças e petardos detonados. Dois bonecos compõem o cenário central, um representando Judas e outro o Diabo, que serve de carrasco. Desde a vinda da Corte portuguesa, as autoridades policiais tentavam impedir os ajuntamentos em torno de desses rituais, temerosas de protestos populares. Aqui também zombarias e hostilidades eram impingidas, sobretudo contra personagens importantes do governo, como foi o caso dos rituais do sábado de Aleluia de 1831, em que vários deles foram submetidos ao simulacro do enforcamento, inclusive o ministro intendente geral e o comandante das forças militares da polícia.(Debret, 1975, p. 190-192).

A rua era sempre o cenário principal utilizado pela população para ridicularizar

personagens que se destacavam nas fileiras dos infames. O viajante inglês Luccock assistiu e registrou no Rio de Janeiro, rituais cuja estratégia era a de introduzir letra jocosa com o nome do indivíduo visado, em música conhecida, geralmente que se tocava pelas ruas, como por exemplo a que acompanhava diariamente os militares no Rio de Janeiro, quando marchavam do quartel até o palácio. O ridículo foi aplicado de forma tão eficiente que o indivíduo visado às vezes perdia o cargo e tinha que desaparecer. Uma dessas reprimendas foi aplicada em inícios do século XIX a um ilustre membro das elites, como castigo por liderar uma reforma do catolicismo no Brasil (Luccock, 1975).

Estes não constituem os únicos exemplos de rituais de protestos que podem ser

encontrados na história da participação das classes subalternas e sua co-participação

na formação do estado e da nação no Brasil. Nem mesmo poderíamos dizer que se

tratam de manifestações desconectadas umas das outras. É mais plausível concebe-

las como parte da formação cultural complexa e multiforme das classes trabalhadoras

no Brasil.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARREIRO, J. C. – Imaginário e Viajantes no Brasil do Século XIX. Cultura e Cotidiano, Tradição e Resistência. São Paulo, Editora Unesp, 2002

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CASCUDO, Luis da Camara - O Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied no Brasil. Rio de Janeiro, Kosmos, 1977. THOMPSON, E. P. - The Making of the English Working Class. London, Penguin Books, 1968. Idem - Tradición, Revuelta y Consciência de Clase. Barcelona, Editorial Critica, 1989. Idem – Costumes em Comum. Trad. Rosaura Eichemberg. São Paulo, Companhia das Letras, 2001. WIED-NEUVIED, M. - "Voyage au Brésil dans les annés 1815-1816 et 1817, par S.ªS. Maximilien, Prince de Wied-Neuvied. Trad. De l'Allemand par J.B. Eyriès. Paris,Arthus Bertrand Librairie. 1821. 3 vol. Idem - Abbildungen zur Naturgeschichte Brasiliens. Weimar, 1821-1831. Idem - Kupfer und Karten. Frankfurt, a. M. 1822. Idem - Voyage dans l'interieur de l'Amérique du Nord. 1832, 1833 et 1834. Paris, 1840. Idem. - Reise nach Brasilien in den Jahren 1815 bis 1817. Frankfurt a. M., Heinrich Ludwig Bronner, 1820-1821. 2 vol.

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