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HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA

LATINA E NO BRASIL
CURSOS DE GRADUAÇÃO – EAD
História da Igreja na América Latina e no Brasil – Prof. Dr. Teodoro Hanicz

Meu nome é Teodoro Hanicz. Sou mestre e doutor em Ciências


da Religião pela PUC-SP e mestre em História da Igreja na
América Latina pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa
Senhora da Assunção, em São Paulo. Sou padre da Igreja
Católica Ucraniana de Rito Oriental e membro da Ordem de São
Basílio Magno. Atuo como professor na Faculdade de Teologia
de Curitiba e, também, em outras instituições.
e-mail hanicz@terra.com.br
Prof. Dr. Teodoro Hanicz

HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA


LATINA E NO BRASIL

Caderno de Referência de Conteúdo


© Ação Educacional Claretiana, 2010 – Batatais (SP)
Trabalho realizado pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP)

Cursos: Graduação
Disciplina: História da Igreja na América Latina e no Brasil
Versão: jul./2013

Reitor: Prof. Dr. Pe. Sérgio Ibanor Piva


Vice-Reitor: Prof. Ms. Pe. José Paulo Gatti
Pró-Reitor Administrativo: Pe. Luiz Claudemir Botteon
Pró-Reitor de Extensão e Ação Comunitária: Prof. Ms. Pe. José Paulo Gatti
Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Ms. Luís Cláudio de Almeida

Coordenador Geral de EaD: Prof. Ms. Artieres Estevão Romeiro


Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves

Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional


Preparação Revisão
Aline de Fátima Guedes Felipe Aleixo
Camila Maria Nardi Matos Rodrigo Ferreira Daverni
Carolina de Andrade Baviera
Talita Cristina Bartolomeu
Cátia Aparecida Ribeiro
Vanessa Vergani Machado
Dandara Louise Vieira Matavelli
Elaine Aparecida de Lima Moraes
Josiane Marchiori Martins Projeto gráfico, diagramação e capa
Lidiane Maria Magalini Eduardo de Oliveira Azevedo
Luciana A. Mani Adami Joice Cristina Micai
Luciana dos Santos Sançana de Melo
Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Luis Henrique de Souza
Luis Antônio Guimarães Toloi
Patrícia Alves Veronez Montera
Rita Cristina Bartolomeu Raphael Fantacini de Oliveira
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli Tamires Botta Murakami de Souza
Simone Rodrigues de Oliveira Wagner Segato dos Santos

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SUMÁRIO

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 9
2 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA DISCIPLINA............................................. 11
3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 21
4 E-REFERÊNCIAS ................................................................................................. 22

Unidade 1 – HISTÓRIA DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA: QUESTÕES


INTRODUTÓRIAS
1 OBJETIVOS......................................................................................................... 23
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 23
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 24
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 24
5 PROBLEMA TEÓRICO-METODOLÓGICO.......................................................... 25
6 PERIODIZAÇÃO.................................................................................................. 28
7 IDEOLOGIAS QUE SUSTENTARAM A CONQUISTA DA AMÉRICA E DO
DESCOBRIMENTO DO BRASIL.......................................................................... 30
8 A CRISTANDADE E O PADROADO..................................................................... 37
9 TEXTO COMPLEMENTAR................................................................................... 40
10 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 42
11 CONSIDERAÇÕES............................................................................................... 43
12 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................... 43

Unidade 2 – A EVANGELIZAÇÃO DOS ÍNDIOS E DOS NEGROS


1 OBJETIVOS......................................................................................................... 45
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 45
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 46
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 46
5 MÉTODOS EVANGELIZATÓRIOS....................................................................... 47
6 DEBATE EM TORNO DA EVANGELIZAÇÃO DOS ÍNDIOS.................................. 51
7 CICLOS EVANGELIZATÓRIOS............................................................................. 66
8 PADRE ANTÔNIO VIEIRA E A CRÍTICA AO SISTEMA COLONIAL
PORTUGUÊS....................................................................................................... 67
9 A QUESTÃO NEGRA: O GRANDE PARADOXO DA EVANGELIZAÇÃO............... 71
10 T EXTOS COMPLEMANTARES............................................................................ 74
11 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 77
12 CONSIDERAÇÕES............................................................................................... 77
13 E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 77
14 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS....................................................................... 78
Unidade 3 – A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA
1 OBJETIVOS......................................................................................................... 81
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 81
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 82
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 83
5 ORGANIZAÇÃO DA IGREJA NA AMÉRICA ESPANHOLA................................... 84
6 ORGANIZAÇÃO DA IGREJA NO BRASIL............................................................ 97
7 TEXTO COMPLEMENTAR................................................................................... 109
8 QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 113
9 CONSIDERAÇÕES .............................................................................................. 114
10 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS....................................................................... 114

Unidade 4 – A IGREJA E OS ESTADOS LIBERAIS ENTRE 1808 E 1930


1 OBJETIVOS......................................................................................................... 117
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 117
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 118
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 119
5 A CRISE DA CRISTANDADE................................................................................ 120
6 O MOVIMENTO DE REFORMA DA IGREJA NO BRASIL.................................... 123
7 IGREJA E REPÚBLICA NO BRASIL...................................................................... 133
8 O CONCÍLIO PLENÁRIO LATINO-AMERICANO................................................. 139
9 A RESTAURAÇÃO CATÓLICA NA IGREJA DO BRASIL E O PAPEL DOS
INTELECTUAIS LEIGOS...................................................................................... 141
10 T EXTOS COMPLEMENTARES............................................................................. 145
11 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 149
12 CONSIDERAÇÕES............................................................................................... 150
13 E-REFERÊNCIAS................................................................................................. 150
14 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ..................................................................... 151

Unidade 5 – A IGREJA NO BRASIL ENTRE 1930 E 1960


1 OBJETIVOS......................................................................................................... 153
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 153
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 154
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 155
5 A IGREJA NOS REGIMES POPULISTAS.............................................................. 155
6 A IGREJA NO GOVERNO DE GETÚLIO VARGAS............................................... 158
7 AS MANIFESTAÇÕES CATÓLICAS...................................................................... 160
8 A IGREJA E O ENSINO RELIGIOSO.................................................................... 162
9 LIGA ELEITORAL CATÓLICA (LEC)...................................................................... 164
10 A ÇÃO CATÓLICA................................................................................................. 166
11 O ESTADO NOVO E A IGREJA............................................................................ 169
12 CONCÍLIO PLENÁRIO BRASILEIRO.................................................................... 173
13 R EORGANIZAÇÃO DA IGREJA A PARTIR DE 1950............................................ 175
14 T EXTO COMPLEMENTAR................................................................................... 178
15 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 180
16 CONSIDERAÇÕES............................................................................................... 181
17 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS....................................................................... 181

Unidade 6 – O CONCÍLIO VATICANO II E A REFORMULAÇÃO ECLESIAL:


DE MEDELLÍN A APARECIDA
1 OBJETIVOS......................................................................................................... 183
2 CONTEÚDOS...................................................................................................... 183
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE................................................ 184
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE................................................................................ 185
5 PAINEL GERAL DA IGREJA NA AMÉRICA LATINA............................................. 186
6 A IGREJA E O CONCÍLIO VATICANO II (1962-1965).......................................... 189
7 A IGREJA E O REGIME MILITAR........................................................................ 192
8 COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE (CEBS).................................................... 195
9 TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.............................................................................. 198
10 T ENSÕES ENTRE A SANTA SÉ E A IGREJA DO BRASIL..................................... 202
11 R ELIGIOSOS NA IGREJA DO BRASIL................................................................. 206
12 T ENSÕES E DESAFIOS DA IGREJA EM UM MUNDO DE PROFUNDAS
TRANSFORMAÇÕES........................................................................................... 207
13 T EXTO COMPLEMENTAR................................................................................... 211
14 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS......................................................................... 219
15 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 219
16 E-REFERÊNCIA................................................................................................... 221
17 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS...................................................................... 221
Caderno de
Referência de
Conteúdo

CRC

Ementa––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Introdução à história da Igreja na América Latina e no Brasil: a questão teórico-
-metodológica e a produção da Igreja na América Latina e no Brasil. A periodi-
zação, as ideologias espanhola e portuguesa, a cristandade e o padroado. Mé-
todos evangelizatórios, debates, controvérsias e ciclos. A organização da Igreja
na América espanhola e no Brasil. A crise da cristandade. A Igreja e os Estados
Liberais entre 1808 e 1930. A reforma católica no Brasil. Igreja e República no
Brasil. A Igreja nos regimes populistas de 1930 e 1960. O Concílio Vaticano II e a
reformulação eclesial: de Medellín à Aparecida.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

1. INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo(a)! Você está iniciando o estudo da discipli-
na História da Igreja na América Latina e no Brasil, disponibilizada
em ambiente virtual.
O estudo que ora se inicia irá levá-lo a ter uma visão ampla
da trajetória histórica da Igreja na América Latina e no Brasil no
decurso de 500 anos. É importante anotar que o conteúdo de nos-
sa disciplina acompanha o continuum da história no decorrer dos
séculos, justamente para facilitar ao aluno uma melhor apreensão
10 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

e compreensão da evangelização, da organização e da evolução da


Igreja no continente sul-americano. Dito de outra maneira, uma
visão de como os homens da Igreja, clérigos ou leigos, pensaram a
Igreja para seu tempo.
Como você poderá observar nesta seção, denominada Ca-
derno de Referência de Conteúdo, encontraremos o conteúdo bá-
sico das seis unidades que dividem a presente disciplina. As três
primeiras unidades têm suas cargas horárias menores que as das
demais. Isto se justifica pela força de nosso propósito, que é en-
fatizar mais a Igreja no Brasil. Os conteúdos dos problemas tra-
tados nas três primeiras unidades abordam a época colonial, na
qual se pode observar uma certa acomodação da Igreja ao regime
colonial, tanto na América espanhola como no Brasil, por conta
dos modelos espanhol e português. As outras três unidades se-
quentes, concentradas nos séculos 19 e 20, mostram, justamente,
o contrário: a reviravolta, ou seja, a mudança de rumo que começa
a se esboçar, sobretudo, na Igreja do Brasil. Novos processos estão
em curso. É uma Igreja em movimento.
A primeira unidade aborda as questões introdutórias ao es-
tudo da Igreja na América Latina e no Brasil discutindo a questão
metodológica, a periodização e o substrato ideológico que impulsio-
nava os espanhóis e os portugueses para conquistar e descobrir no-
vos mundos. Resgatam-se os conceitos de Cristandade e Padroado.
A segunda unidade analisa os métodos evangelizatórios e o
debate que se constrói em torno da evangelização dos índios do
lado espanhol e lado português. Também coloca a questão negra
como um paradoxo da evangelização.
A terceira unidade enfoca a questão da organização da Igre-
ja. É um olhar para a estrutura hierárquica para como essa estru-
tura se implanta e se organiza para dar conta dos problemas do
Novo Mundo.
A quarta unidade trata da presença e da relação da Igreja
com os Estados liberais. A partir dessa unidade, o pêndulo do es-

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© Caderno de Referência de Conteúdo 11

tudo inclina-se e fixa-se na Igreja do Brasil justamente para captar


o início de um longo processo de mudança de rumo. Estamos fa-
lando do movimento de reforma e de seus desdobramentos em
um embate quase sem tréguas; antes com o Império brasileiro e
depois com a República.
A quinta unidade analisa a Igreja do Brasil e sua relação com
o Estado, tentando recuperar seu espaço e seu significado político,
como também tentando recolocar a fé católica na sociedade.
A sexta (e última) unidade discute o impacto que o Concílio
Vaticano II teve na América Latina e no Brasil.
Bom estudo!

2. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA DISCIPLINA

Abordagem Geral da Disciplina


Neste tópico, apresenta-se uma visão geral do que será es-
tudado nesta disciplina. Aqui, você entrará em contato com os
assuntos principais deste conteúdo de forma breve e geral e terá
a oportunidade de aprofundar essas questões no estudo de cada
unidade. Desse modo, essa Abordagem Geral visa fornecer-lhe o
conhecimento básico necessário a partir do qual você possa cons-
truir um referencial teórico com base sólida – científica e cultural
– para que, no futuro exercício de sua profissão, você a exerça com
competência cognitiva, ética e responsabilidade social. Vamos co-
meçar nossa aventura pela apresentação das ideias e dos princí-
pios básicos que fundamentam esta disciplina.
Vamos analisar a história da Igreja na América Latina e no
Brasil desde o século 16, procurando perceber a dinâmica e os
rumos da Igreja no território de colonização espanhola e no ter-
ritório de colonização portuguesa no decorrer dos cinco séculos
e nos diferentes momentos históricos. São movimentos distintos.
Analisaremos.
12 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

1) Problema teórico-metodológico. Periodização ou crono-


logia. Ideologia espanhola e portuguesa. Época Colonial.
Cristandade e padroado.
2) Métodos usados para evangelizar. Bartolomé de Las Ca-
sas. Juan Ginés de Sepúlveda. Nossa Senhora de Gua-
dalupe. Manuel da Nóbrega. José de Anchieta. António
Vieira.
3) A organização da Igreja na América espanhola. A or-
ganização da Igreja na América portuguesa. As ordens
religiosas masculinas e femininas. Dioceses. Concílios e
sínodos. Episcopado. Clero. Leigos.
4) A crise da cristandade. A Igreja nos Estados liberais. Re-
forma da Igreja no Brasil. Igreja e República. Concilio Ple-
nário Latino-americano. Restauração da Igreja no Brasil.
O papel dos intelectuais. Dom Leme.
5) Igreja e regimes populistas. A Igreja no governo de Getú-
lio Vargas. A Ação Católica. Concílio Plenário Brasileiro.
Reoganização da Igreja na década de 1950.
6) Igreja do Brasil e Concílio Vaticano II. Igreja e regime mi-
litar. Comunidades Eclesiais de Base. Teologia da Liberta-
ção. Igreja do Brasil e Santa Sé. Desafios da Igreja.
Como você pode observar o conteúdo é vasto, mas não é
difícil, é só seguir as orientações. Situe-se no seguinte tripé: cris-
tandade colonial, regimes ou governos liberais e regimes ou gover-
nos populistas. É um assunto interessante e você se sentirá cada
vez mais motivado para estudá-lo. Pois estudar a História da Igreja
na América Latina e no Brasil é entrar em contato com centenas
de milhares de atores eclesiásticos, religiosos e leigos construtores
dessa história. Some-se a eles e considere-se mais um importante
ator. Coragem! Vamos lá!

Glossário de Conceitos
O Glossário de Conceitos permite a você uma consulta rápi-
da e precisa das definições conceituais, possibilitando-lhe um bom
domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de co-
nhecimento dos temas tratados na disciplina História da Igreja na

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© Caderno de Referência de Conteúdo 13

América Latina e no Brasil. Veja, a seguir, a definição dos principais


conceitos desta disciplina:
1) Ação Católica: movimento laico da Igreja católica no Bra-
sil que tinha como finalidade organizar os leigos para
uma ação cristã mais efetiva na sociedade. Os católicos,
orientados pela Igreja, deveriam influenciar a realidade
brasileira liberal e secularizada.
2) Aldeamento: aldeias de índios. Os índios eram reunidos
em povoados ou aldeias com o objetivo de facilitar o
trabalho missionário, o controle da Coroa lusitana bem
como protegê-los da exploração dos colonos portugue-
ses. Aldear índios era reduzi-los em aldeias, um modelo
de redução ao estilo português.
3) Bárbaro: aquele que não é civilizado, inculto, atrasado,
selvagem, estranho. Os europeus diziam que os habitan-
tes da América eram bárbaros porque eram considera-
dos sem cultura, selvagens, estranho, foram do mundo e
da civilização européia.
4) Carta Pastoral: documento de uma autoridade religiosa
(papa, bispo ou pastor de uma Igreja) com o objetivo de
orientar os fiéis de uma determinada Igreja ou diocese.
5) CEHILA: Comissão de Estudos de História da Igreja Latino
Americana. Instituição responsável pelo fomento à pes-
quisa e produção da História da Igreja na América Latina.
6) Cisma: divisão, separação, ruptura, distanciamento, dis-
sidência, rompimento.
7) Confraria: associação de leigos com os mesmos objeti-
vos religiosos dentre o quais a manutenção de uma igre-
ja ou de um culto a determinado santo. Irmandade.
8) Cristandade: concepção de uma sociedade organizada
conforme os princípios cristãos. Estado e sociedade são
orientados e sustentados pela religião cristã. Disso resul-
ta a ideia de uma cultura cristã, de um mundo cristão.
9) Encomienda: sistema de distribuição de terra na Amé-
rica espanhola. A autoridade competente doava terras
aos colonizadores espanhóis com direito ao emprego de
mão-de-obra indígena. A encomienda transformou-se
num sistema de escravização dos índios.
14 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

10) Encomendero: colono espanhol dono de uma encomien-


da. Além das obrigações de cultivar a terra e pagar im-
postos para a Coroa espanhola, o encomendero tinha
como obrigação doutrinar e proteger os índios.
11) Eremita: pessoa que vive solitária, sozinha no ermo, re-
tirada da convivência social e do barulho da cidade. O
eremita também é conhecido como monge que vive um
ideal de vida religiosa.
12) Escolástica: sistema filosófico-teológico da Idade Média
que interpretava o homem e o mundo a partir de matri-
zes cristãs. Manteve-se até o final do século 18.
13) Galicanismo: doutrina francesa do século 17 que limita-
va a autoridade do papa e da Cúria romana em assuntos
relativos à Igreja católica da França. Entendia-se que a
Igreja católica da França deveria ser subordinada, obe-
diente e submissa ao Estado francês e não a Roma e ao
papa.
14) Gentio: diz-se de quem não é civilizado ou não pertence
à cultura dominante. No Brasil, o índio era chamado de
gentio pelos portugueses.
15) Guerra justa: o conceito de "guerra justa" foi usado pe-
los espanhóis e portugueses na época da colonização
para justificar e legitimar a guerra contra os povos do
continente americano
16) Iluminismo: movimento filosófico do século 17 caracte-
rizado pelo esforço de centralizar na razão a capacidade
humana de conhecimento. A razão é guia e luz do co-
nhecimento. Era contrário aos propósitos da escolástica.
17) Laicismo: concepção fundamentada na autonomia das
instituições públicas e da sociedade civil de toda inter-
ferência exercida por organizações religiosas. O laicismo
pressupõe uma cultura e um Estado sem a interferência
da religião e das instituições religiosas.
18) LEC – Liga Eleitoral Católica: foi uma organização política
da Igreja católica existente em 1932 e 1933 com o obje-
tivo de defender os interesses da Igreja católica diante
do Estado.

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© Caderno de Referência de Conteúdo 15

19) Liberalismo: sistema político que tem como base a li-


berdade do indivíduo. O liberalismo entende que o in-
divíduo deve ser livre em um estado livre e não admite
coersão do estado e de instituições religiosas.
20) Padroado: direito concedido aos monarcas espanhóis e
portugueses, por meio de bulas papais para administrar
a Igreja nos novos território descobertos. O monarca
tornava-se patrono, chefe e responsável pela Igreja. Em
contrapartida deveria promover a evangelização e a pro-
pagação da fé católica.
21) Pastoral Coletiva: carta pastoral (documento) assinada
pelos bispos da Igreja do Brasil destinada a orientar to-
dos os fieis da Igreja católica.
22) Populismo: modelo de governo que procura obter apoio
político nas massas populares, prometendo resolver to-
dos os problemas do povo.
23) Questão religiosa: conflito entre bispos católicos con-
servadores e o governo imperial brasileiro entre 1872 e
1875, cujo estopim foi a tentativa de expulsar os maçons
das irmandades por parte dos bispos.
24) Recolhimento: casa para mulheres leigas dispostas a vi-
ver a vida religiosa em comunidade, mas sem votos reli-
giosos solenes. O recolhimento era organizado à manei-
ra de convento, mas não era um convento propriamente
dito. Alguns recolhimentos se transformaram em con-
ventos.
25) Redução: concentração de índios em povoados para fa-
cilitar a evangelização e também o controle do Estado
sobre a sociedade indígena. A redução poderia ser fun-
dada pelos missionários e também pelo Estado.
26) Reforma católica: movimento de renovação da Igreja ca-
tólica do Brasil a partir de meados do século 19 encabe-
çado por alguns bispos como resposta às reformas de
tendência galicana e regalista promovidas pelo Império
brasileiro. É chamada também de romanização ou ultra-
montanismo.
27) Regalismo: interferência do poder civil na Igreja ou su-
premacia do poder civil sobre o poder eclesiástico. O Es-
16 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

tado atribui a si o direito de interferir na vida interna da


Igreja.
28) Romanização: processo iniciado em meados do século
19 por alguns bispos brasileiros que tinha como objeti-
vo reaproximar a Igreja do Brasil à Santa Sé, prestando
obediência e fidelidade incondicional ao papa. Reforma
católica. É o oposto de galicanismo.
29) Secularização: é o processo pelo qual o pensamento re-
ligioso e as instituições religiosas perdem o seu signifi-
cado e espaço na sociedade. A sociedade não mais se
autocompreende a partir de princípios religiosos.
30) Tábula rasa: palavra de origem latina que significa tábua
apagada, limpa, sem nenhum conteúdo. Era uma metá-
fora usada para dizer que os índios não tinham conheci-
mento acerca de nada e que sua mente não tinha conte-
údo nenhum, era como uma página em branco na qual
devia-se começar a escrever a história humana porque
não eram humanos. Os índios não tinham razão suficien-
te para serem evangelizados.
31) Ultramontanismo: do latim ultramontanus, significa
"além dos montes" e refere-se à centralização do poder
da Igreja em torno da Cúria Romana e do papa.

Esquema dos Conceitos-chave


Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais im-
portantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um Es-
quema dos Conceitos-chave da disciplina. O mais aconselhável é
que você mesmo faça o seu esquema de conceitos-chave ou até
mesmo o seu mapa mental. Esse exercício é uma forma de você
construir o seu conhecimento, ressignificando as informações a
partir de suas próprias percepções.
É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos
Conceitos-chave é representar, de maneira gráfica, as relações en-
tre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais
complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você
na ordenação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de
ensino.

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© Caderno de Referência de Conteúdo 17

Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se


que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esque-
mas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu conhecimen-
to de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos
significativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem es-
colar (tais como planejamentos de currículo, sistemas e pesquisas
em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se, ainda,
na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que es-
tabelece que a aprendizagem ocorre pela assimilação de novos
conceitos e de proposições na estrutura cognitiva do aluno. Assim,
novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem
pontos de ancoragem. 
Tem-se de destacar que "aprendizagem" não significa, ape-
nas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é preci-
so, sobretudo, estabelecer modificações para que ela se configure
como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante con-
siderar as entradas de conhecimento e organizar bem os materiais
de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos concei-
tos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez
que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas cog-
nitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é você
o principal agente da construção do próprio conhecimento, por
meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações internas
e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por objetivo tor-
nar significativa a sua aprendizagem, transformando o seu conhe-
cimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja, estabele-
cendo uma relação entre aquilo que você acabou de conhecer com
o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo (adaptado do
site disponível em: <http://penta2.ufrgs.br/edutools/mapascon-
ceituais/utilizamapasconceituais.html>. Acesso em: 11 mar. 2010).
Como poderá observar, esse Esquema oferecerá a você,
como dissemos anteriormente, uma visão geral dos conceitos mais
importantes deste estudo. Ao segui-lo, será possível transitar en-
18 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

tre os principais conceitos desta disciplina e descobrir o caminho


para construir o seu processo de ensino-aprendizagem.

Figura 1 Esquema dos Conceitos-chave da disciplina História da Igreja na América Latina


e no Brasil.

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© Caderno de Referência de Conteúdo 19

Se você está lembrado do tripé: cristandade colonial, regi-


mes ou governos liberais e regimes ou governos populistas, ele
oferece uma base cronológica para uma visão geral da História da
Igreja na América Latina e no Brasil. A cada um desses conceitos
estão atrelados fatos e acontecimentos distintos que lhe são pró-
prios. Como a história da Igreja é uma história em movimento,
cada época influenciou a ação da Igreja, a compreensão do mundo
de maneiras diferentes.
O Esquema dos Conceitos-chave é mais um dos recursos de
aprendizagem que vem se somar àqueles disponíveis no ambien-
te virtual, por meio de suas ferramentas interativas, bem como
àqueles relacionados às atividades didático-pedagógicas realiza-
das presencialmente no polo. Lembre-se de que você, aluno EaD,
deve valer-se da sua autonomia na construção de seu próprio co-
nhecimento.

Questões Autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem ser
de múltipla escolha, abertas objetivas ou abertas dissertativas.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como
relacioná-las com a prática do ensino de Teologia pode ser uma for-
ma de você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante a reso-
lução de questões pertinentes ao assunto tratado, você estará se
preparando para a avaliação final, que será dissertativa. Além disso,
essa é uma maneira privilegiada de você testar seus conhecimentos
e adquirir uma formação sólida para a sua prática profissional.

As questões de múltipla escolha são as que têm como resposta


apenas uma alternativa correta. Por sua vez, entendem-se por ques-
tões abertas objetivas as que se referem aos conteúdos matemá-
ticos ou àqueles que exigem uma resposta determinada, inalterada.
Já as questões abertas dissertativas obtêm por resposta uma in-
terpretação pessoal sobre o tema tratado; por isso, normalmente, não
há nada relacionado a elas no item Gabarito. Você pode comentar
suas respostas com o seu tutor ou com seus colegas de turma.
20 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

Bibliografia Básica
É fundamental que você use a Bibliografia Básica em seus
estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte, também, as biblio-
grafias complementares.

Figuras (ilustrações, quadros...)


Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte inte-
grante dos conteúdos, ou seja, elas não são meramente ilustra-
tivas, pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no
texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras com os con-
teúdos da disciplina, pois relacionar aquilo que está no campo vi-
sual com o conceitual faz parte de uma boa formação intelectual.

Dicas (motivacionais)
O estudo desta disciplina convida você a olhar, de forma
mais apurada, a Educação como processo de emancipação do ser
humano. É importante que você se atente às explicações teóricas,
práticas e científicas que estão presentes nos meios de comunica-
ção, bem como partilhe suas descobertas com seus colegas, pois,
ao compartilhar com outras pessoas aquilo que você observa, per-
mite-se descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a
ver e a notar o que não havia sido percebido antes. Observar é,
portanto, uma capacidade que nos impele à maturidade.
Você, como aluno dos Cursos de Graduação na modalidade
EaD, necessita de uma formação conceitual sólida e consistente.
Para isso, você contará com a ajuda do tutor a distância, do tutor
presencial e, sobretudo, da interação com seus colegas. Sugeri-
mos, pois, que organize bem o seu tempo e realize as atividades
nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em
seu caderno ou no Bloco de Anotações, pois, no futuro, elas pode-
rão ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produ-
ções científicas.

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© Caderno de Referência de Conteúdo 21

Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie


seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, discu-
ta a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às videoau-
las.
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os
conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram significativos
para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas,
pois esses procedimentos serão importantes para o seu amadure-
cimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na
modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando
sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a
esta disciplina, entre em contato com seu tutor. Ele estará pronto
para ajudar você.

3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ESCOLÁSTICA. In: Sacramentum mundi: enciclopédia teológica. Barcelona: Editorial
Herder, 1982, t. 2, p. 672-720.
GALICANISMO. In: Sacramentum mundi: enciclopédia teológica. Barcelona: Editorial
Herder, 1984, t. 3, p. 253-256.
LAICISMO. In: BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política. 5.ed.,
Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000, v.
2 (L-Z), p. 670-674.
LIBERALISMO. In: BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política.
5.ed., Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado,
2000, v. 2 (L-Z), p. 686-705.
POPULISMO. In: OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. Dicionário do pensamento social do
século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996, p. 591-592.
SECULARIZAÇÃO. In: : OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. Dicionário do pensamento social
do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996, p. 679-681.
22 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

4. E-REFERÊNCIAS
ENCOMIENDA. In: WIKIPEDIA. Disponível em <http//pt.wikipedia.org/wiki/encomenda>.
Acesso em: 16 maio 2012.
ENCOMENDERO. In: WIKIPEDIA. Disponível em <http//es.wikipedia.org/wiki/
encomenda>. Acesso em: 16 maio 2012.
DOUTRINA DA GUERRA JUSTA. In: WIKIPEDIA. Disponível em <http//pt.wikipedia.org/
wiki/doutrina_da_guerra justa>. Acesso em: 16 maio 2012.
PADROADO. In: WIKIPEDIA. Disponível em <http//pt.wikipedia.org/wiki/Padroado>.
Acesso em: 16 maio 2012.

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EAD
História da Igreja na
América Latina: Questões
Introdutórias
1
1. OBJETIVOS
• Analisar a história da Igreja partindo dos critérios sob os
quais ela é interpretada e escrita.
• Conhecer os critérios usados para classificar e dividir o
tempo.
• Compreender as causas do rápido avanço espanhol e do
lento progresso português.
• Analisar os significados dos conceitos de "cristandade" e
"padroado".

2. CONTEÚDOS
• O problema teórico-metodológico.
• A periodização.
• As ideologias que sustentaram a conquista da América e o
descobrimento do Brasil.
• A cristandade e o padroado.
24 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Antes de iniciar o estudo do conteúdo, visualize e men-
talize cada tópico para construir uma matriz mental da
estrutura da unidade, isto é, um "mapa geográfico" do
texto.
2) Consulte obras sobre a história da Igreja na América La-
tina. Observe as palavras-chave: história da evangeliza-
ção, história dos cristãos, história do cristianismo. Você
vai perceber que os enfoques são diferentes.
3) Os séculos 13 a 15 ficaram marcados pela crise do feu-
dalismo; pela passagem da economia agrária para a eco-
nomia mercantil. Refaça seus conhecimentos históricos
sobre esse assunto revisitando a história medieval.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta primeira unidade, convidamos você a refletir sobre os
problemas que envolvem a produção da história da Igreja no conti-
nente sul-americano, bem como a interpretação e a escrita da his-
tória da Igreja, que foram preocupações de um grupo de historia-
dores da Igreja que não estava satisfeito com o tipo tradicional de
se produzir história. Você relembrará, também, alguns conceitos
conhecidos, como "cristandade" e "padroado", que, na realidade
latino-americana, são ressignificados.
Lembre-se de que, para aproveitar melhor este estudo, é ne-
cessário que você acompanhe a bibliografia, leia os textos e faça
os exercícios indicados no Caderno de atividades e interatividades.
Bom estudo!

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 25

5. PROBLEMA TEÓRICO-METODOLÓGICO
Vamos iniciar nosso estudo sobre a história da Igreja na
América Latina e no Brasil abordando, sinteticamente, o problema
teórico-metodológico. Com base em quais critérios a história da
Igreja é interpretada e escrita?
A questão metodológica foi organizada e proposta pela CEHI-
LA (Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina e
no Caribe), que surgiu com a finalidade de produzir uma história
da Igreja partindo da óptica latino-americana.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Não vamos tratar, detalhadamente, o longo processo que resultou na criação da
CEHILA; isto você poderá fazer em seus estudos posteriores.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
A CEHILA surgiu em 1973, em Quito, no Equador, baseada
nos historiadores tradicionais e no âmbito da história eclesiástica
latino-americana. Seu fundador e primeiro presidente foi Enrique
Dussel. A Comissão surgiu com dupla finalidade:
1) Articular um grupo de historiadores e pesquisadores
para escrever uma história da Igreja de todo o continen-
te latino-americano.
2) Promover o estudo da história da Igreja na América Lati-
na sob uma óptica ecumênica e interdisciplinar baseada
na vida do povo pobre e marginalizado: indígenas, ne-
gros, camponeses, sem-terra, operários, mulheres etc.
Essa Comissão "germinou" e "nasceu" em um amplo mo-
vimento de renovação do cristianismo da Igreja, especialmente
da Igreja da América Latina, na segunda metade do século 20,
que passa pela Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM,
1955), pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e pela Conferência de
Medellín (1968). Considera-se, ainda, a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB, 1952), a Conferência dos Religiosos do
Brasil (CRB, 1954) e a Confederação Latino-Americana e Caribenha
de Religiosos e Religiosas (CLAR, 1958).
26 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

Congregando pesquisadores de todo o continente, a Comis-


são elaborou um grande projeto, dividido em oito áreas:
1) México.
2) Caribe.
3) América Central.
4) Colômbia-Venezuela.
5) Andino-Incaica.
6) Cone Sul.
7) Brasil.
8) Hispânicos nos Estados Unidos.
Além dessas áreas, foram desenvolvidos outros projetos
abrangendo os campos de História da Teologia, História do Cristia-
nismo, Arquivos, Pós-graduação em História da Igreja na América
Latina, entre outros.
Desde o início, a preocupação da CEHILA foi produzir uma
história não apologética, não elitista nem do tipo biográfica ou
crônica, mas uma história crítica, científica e interdisciplinar; não
uma história de gabinete, mas uma história a serviço das pastorais
sociais de Igrejas voltadas para os setores populares, ou seja, para
o povo; uma história partindo de uma situação real latino-ameri-
cana e caribenha. Era um novo paradigma interpretativo que vinha
se impondo.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Enfoques e perspectivas de interpretações diferentes decorrem dessa óptica,
dando origem a indagações, como por exemplo: como a CEHILA vê a história
da Igreja na América Latina? De qual história se deve falar? Da história da Igreja
como instituição? Da história da evangelização? Da história do cristianismo? Da
história dos cristãos? Em se tratando do lugar e dos destinatários, interpretar a
história partindo de quê? Quem será o destinatário? Do que será feita a interpre-
tação? Com base na fé ou na ciência? Seria uma história ecumênica? Levaria em
conta a questão do gênero e do diálogo interdisciplinar, ou seja, da comunicação
com outras ciências, tais como a Sociologia, a Política, a Economia, a Teologia,
a Antropologia etc.?
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 27

No alvoroço das discussões, das tentativas e das buscas por


um marco teórico de partida e por critérios para a construção e
a interpretação da história da Igreja na América Latina, a CEHILA
elegeu o pobre como a categoria hermenêutico-interpretativa da
ciência histórica – uma história da Igreja tendo o pobre como su-
jeito histórico decorrente de uma situação política, econômica e
social real, pela qual estava passando o continente latino-ameri-
cano da época. Entretanto, essa categoria traz grandes problemas,
relacionados, principalmente, à sua cientificidade. Levantam-se,
então, questões como: "pobre" é uma categoria científica? É pos-
sível submetê-la ao rigor da ciência, uma vez que ela está ligada às
questões de fé, de teologia e da Bíblia?
O grupo inicial da CEHILA dizia que sim, porque o pobre é o
expropriado, o explorado. Enrique Dussel (1992) diz que é possível
e defende, diante das críticas, que a interpretação da história que
a CEHILA faz, com base no pobre, é científica, pois "pobre" não é
uma categoria ideológica, mas interpretativa. Apesar de a palavra
"pobre" ser uma definição bíblica, é preciso partir da ciência para
interpretá-la, pois trata-se de um sujeito histórico e real com quem
a Igreja se comprometeu. Na realidade latino-americana, o pobre
é o dominado, o oprimido, o marginalizado e o alienado ao sistema
produtivo.
Eduardo Hoornaert (1994, p. 16), falando da produção da
história da Igreja e da metodologia do eixo de seu trabalho, diz:
[...] o eixo de nosso estudo é o pobre. Não só o pobre como perten-
cente a uma classe social, mas também o marginalizado por razões
de sexo, idade, raça, cultura, ou deficiência física. Numa herme-
nêutica a partir do pobre, tentamos descrever a história da Amé-
rica Latina ‘desde o reverso’ das condições ‘normais’, quais sejam:
a dominação dos grandes sobre os pequenos, do homem sobre a
mulher, do branco sobre o negro, do civilizado sobre o indígena, do
adulto sobre a criança, do patrão sobre o operário.

Nas últimas décadas, o debate em torno da categoria "po-


bre" tem se ampliado. Na II Conferência Geral da CEHILA, realizada
de 25 a 28 de julho de 1995, em São Paulo, discutiu-se questões,
28 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

como por exemplo: como compreender o cristianismo, o segui-


mento de Jesus, o paganismo e o sincretismo? Como entender o
fenômeno religioso, a globalização, as etnias, as culturas, o gênero
e o campo religioso em uma realidade global latino-americana?

6. PERIODIZAÇÃO
Com o debate teórico-metodológico, a CEHILA também discu-
tiu, desde o seu início, a questão da periodização, ou seja, da busca
por critérios para determinar as épocas, bem como para dividir e
classificar o tempo, a começar pelo descobrimento do continente.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Por que periodizar? Porque há momentos de corte na história, há momentos
que se diferenciam; os acontecimentos têm começo, auge e declínio. Periodizar,
então, resulta da necessidade em distinguir e compreender esses momentos,
movimentos e dinâmicas da história.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
O projeto da CEHILA, desde seu nascedouro, pressupunha
uma compreensão global e unificante da história da Igreja na Ame-
rica Latina no sentido de perceber seus grandes marcos e acon-
tecimentos, cujos sentidos político, social, econômico e religioso
eram, mais ou menos, os mesmos para todo o continente. Esses
grandes acontecimentos seguem uma trajetória política e histórica
pela qual passou a América Latina. Desse modo, a CEHILA propõe
uma tríplice distinção: épocas, períodos e fases.
a) As épocas são etapas maiores de tempo, que duram
séculos e que mantém uma estrutura fundamental do
mesmo tipo, como por exemplo, a época colonial ou a
republicana.
b) Os períodos são etapas mais curtas que são internas às
épocas.
c) As fases são momentos ocorridos dentro dos períodos,
mas ainda mais breves que estes, que servem para deli-
mitar acontecimentos e que podem esclarecer melhor o
contínuo histórico.

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 29

No entanto, na prática, às vezes, essa distinção não chega


a ser tão rígida. Frequentemente, mesmo entre os historiadores,
ocorre o uso do termo "período" em vez de "época". Você verá isto
nas leituras feitas no decorrer deste curso.
Seguindo esse critério, em 1973, adotou-se a seguinte perio-
dização geral para a história da Igreja na América Latina (DUSSEL,
1986, p. 65-66):
a) Primeira época: a cristandade americana (1492-1808)
1º período: a evangelização;
2º período: a organização da Igreja;
3º período: a vida cotidiana da cristandade americana.
b) Segunda época: a Igreja e os novos Estados (1808-1930)
4º período: a Igreja na emancipação;
5º período: a Igreja na formação dos novos Estados;
6º período: a reorganização da Igreja ante o Estado libe-
ral.
c) Terceira época: rumo a uma Igreja latino-americana
(1930 até os dias atuais)
7º período: o laicato e a questão social (1930-1962);
8º período: a Igreja do Concílio Vaticano II e do CELAM e
a libertação latino- americana (1962- ).
Para efeitos mais específicos em nosso estudo, vale a pena
perguntar: essa periodização também é válida para o Brasil? Sim,
com algumas ponderações. Se levarmos em conta a perspectiva
latino-americana, é evidente que a história da Igreja ou da evan-
gelização no Brasil se acomoda na periodização geral. Se levarmos
em conta os marcos específicos e a dinâmica própria da história da
Igreja no Brasil sem negar a perspectiva latino-americana, alguns
ajustes teriam de ser feitos, como por exemplo, a inclusão do pe-
ríodo imperial, uma vez que, entre os países latino-americanos, o
Brasil foi o único que teve regime imperial.
30 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Como você pôde notar, seguiremos a periodização geral sem nos preocupar com
as subdivisões menores, como os períodos, as fases, os momentos etc. Para um
estudo mais amplo dos problemas da periodização e dos critérios para a determi-
nação das épocas, dos períodos e das fases (tanto para a América Latina quanto
para o Brasil), sugerimos que consulte a bibliografia indicada.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

7. IDEOLOGIAS QUE SUSTENTARAM A CONQUISTA


DA AMÉRICA E DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL
Nesta unidade introdutória, é importante abordar o assun-
to das ideologias que "alimentaram" a conquista da América e o
descobrimento do Brasil, pois isto nos ajudará a entender melhor
algumas questões cruciais, referentes aos processos de coloniza-
ção, evangelização e organização da Igreja na época colonial da
América espanhola e do Brasil. Aqui, você poderá perguntar, por
exemplo: por que, no Brasil, a evangelização começou tão tarde,
há quase meio século depois do descobrimento? Por que a con-
quista espanhola avançou tão rápido e por que a Igreja também
se organizou nesse mesmo ritmo? Por que a criação da primeira
diocese no Brasil demorou tanto, quando na América espanhola
já se realizavam os primeiros Concílios? Deve-se buscar a resposta
nos substratos ideológicos espanhol e português, que eram como
o combustível movimentador da empresa conquistadora e coloni-
zadora de Portugal e da Espanha.

Na Espanha
Na Espanha, o movimento de expansão e de conquista en-
controu sustentação e legitimidade basicamente em dois substra-
tos ideológicos:
1) a ideologia expansionista;
2) a ideologia político-aristotélico.
Os espanhóis desembarcaram nas Antilhas em 1492. Em
pouco mais de 50 anos depois, por volta de 1540 a 1550, já tinham
ocupado o sul do continente americano meridional e estabelecido

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 31

uma rota de comunicação via terrestre entre o Pacífico e o Atlân-


tico. Em 50 anos de presença espanhola no Novo Mundo, o pé
espanhol já havia passado por toda a costa do Pacífico e pelos ter-
ritórios que hoje formam o Paraguai, a Argentina e o sul do Brasil,
como podemos observar na Figura 1.

Fonte: Aquino (1990, p. 64).


Figura 1 Focos de irradiação da conquista.

Esse avanço rápido pelas terras da América suscita muitas per-


guntas, como também impressiona a todos a velocidade e a agres-
sividade da invasão espanhola pelos territórios da América do Sul.
Você deve estar se perguntando: por que os espanhóis con-
quistaram o território latino-americano de maneira tão rápida?
Qual foi o combustível que moveu os conquistadores espanhóis?
Que ideologia inspirou a empresa ultramarina da Espanha do sé-
culo 16? Como se pode explicar a extraordinária rapidez desse pro-
cesso de conquista?
32 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

No início do século 8º, por volta de 711 d.C., os árabes con-


quistaram a Península Ibérica e ali permaneceram até o século
15. Esse longo tempo de permanência muçulmana na península é
caracterizado pelas guerras de reconquista do território espanhol
para os árabes. Era a Espanha cristã contra a Espanha muçulmana.
Em meados do século 13 (1225-1264), a Espanha cristã, incluindo
Portugal, reconquistou a metade dos territórios muçulmanos.
Aproximava-se o final do século 15. Granada ainda repre-
sentava o último reduto árabe na Espanha. Em janeiro de 1492,
os espanhóis reconquistam Granada. É a expulsão dos mouros da
Península Ibérica, é o fim da reconquista das fronteiras geográfi-
cas, mas não é o fim do movimento reconquistador, que haveria
de continuar para além do território espanhol e do Atlântico até
as Índias. A vitória espanhola sobre os mouros de Granada trou-
xe enorme euforia e realimentou novas expectativas. A Espanha
transformava-se em uma grande potência dominadora. Em agos-
to, Cristóvão Colombo partiu do porto de Palos para uma expedi-
ção que, tomando o rumo do Ocidente, pretendia chegar às Índias.
No dia 12 de outubro do mesmo ano, chegou em Santo Domingo.
Era a continuação natural da reconquista espanhola. Era a conti-
nuidade da lógica do movimento constante das fronteiras. Para os
espanhóis, a chegada à América não era outra coisa senão o alar-
gamento das fronteiras da Espanha. Portanto, a ideologia expan-
sionista está ligada à recuperação do território dos árabes (Figura
2).
Dentre as ideologias que sustentaram e justificaram a con-
quista, está, também, àquela que encontrou base no pensamento
e nas teses de Aristóteles, nos livros I e II de A Política, especifica-
mente. Nesses dois livros, o filósofo fala da relação entre senhor e
escravo, cidadão grego e bárbaro. O senhor e o cidadão grego são
superiores ao escravo e ao bárbaro. Estes devem ser governados,
pois carecem de suficiente razão humana para se autogovernarem.

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© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 33

Fonte: Ferreira (1995, p. 20).


Figura 2 Os espanhóis e o caminho para o Oriente.

Aristóteles pensa a pólis grega. Ele faz uma ideologização


conservadora das relações entre senhor e escravo partindo de uma
concepção naturalista para justificar a superioridade grega sobre
os povos conquistados pelos gregos. O cidadão grego é superior.
A civilização grega é superior. Os demais são bárbaros, escravos
e inferiores. O cidadão grego é o senhor. É senhor por natureza
e, portanto, cidadão. O escravo não é cidadão. Ser cidadão é ter
capacidade de pensar, de ter bens, de ter escravos e de ser livre.
Para os gregos, ser cidadão tem a ver com ser um homem com
cidadania e com humanidade.
O senhor é a razão. O escravo é a não razão; possui, apenas,
um lampejo de razão. Para tanto, deve agradar e servir ao senhor.
O senhor é a razão por natureza. O escravo é escravo por natureza.
É inferior por natureza, é instrumento para ser usado. Sua utilida-
34 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

de é, mais ou menos, a mesma que a dos animais. Por isso, para


eles, é útil e justo viver na servidão.
Os escravos são necessários para o bem estar e o equilíbrio
da pólis. Eles são as mãos e os pés que produzem condição de vida
ao senhor, para que este, por sua vez, pense a pólis. O escravo não
serve para produzir a ociosidade do senhor, mas, sim, sua liberda-
de para pensar. Ele é propriedade do senhor para o sustento da
economia doméstica. Ele é objeto.
Esse quadro ideológico foi absorvido pela Europa medieval,
principalmente pela Espanha. Aristóteles defendia a supremacia
do cidadão grego sobre os bárbaros. Na Espanha, prevalecia a su-
premacia cristã, a supremacia do cristão sobre o pagão, o bárbaro,
o infiel. Dessa supremacia cristã, decorrem interpretações no cam-
po da Política, da Ética, da Moral e da Justiça em relação aos povos
conquistados. Na unidade seguinte, vamos estudar essa suprema-
cia cristã espanhola e seus desdobramentos em relacionados à
compreensão do índio ao analisarmos os problemas em torno da
evangelização.

Em Portugal
Embora Portugal também tenha lutado contra os mouros
para livrar seu território, sua política foi desenvolvida em outra di-
reção. A formação do reino português, desde 1139, foi costurada
por alianças com a nobreza e com os comerciantes. Em 1385, D.
João de Avis, apoiado pelos comerciantes, pôs fim à casa de Bor-
gonha. A partir de então, o apoio dos comerciantes influenciará
os rumos e os interesses políticos tomados por Portugal nos sécu-
los seguintes, como também definirá as razões da conquista e da
exploração de novos mundos. A classe mercantil, que sustentava
o poder, projetará seus interesses econômicos sobre os territóri-
os descobertos e montará um sistema de exploração que busca
produtos de valor comercial, mas não a expansão, a ocupação e o
domínio territorial, como ilustra a Figura 3.

Claretiano - REDE DE EDUCAÇÃO


© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 35

Fonte: Ferreira (1995, p. 17).


Figura 3 Portugal nas explorações através do Atlântico durante o século XV.

Nas primeiras décadas de 1300, os portugueses lançam-se


ao mar. No decurso de 1340 a 1420, descobriram, exploraram e
colonizaram os arquipélagos atlânticos Canárias, Madeira e Aço-
res. Nos anos seguintes, desceram pela costa africana e, no final de
1400, dobraram o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, rumo
às Índias. Em 1500, a caminho para as Índias, Pedro Álvares Cabral
ancorou suas caravelas em um novo território desconhecido que,
mais tarde, recebeu o nome definitivo de "Brasil". A partir dessa
data, o Brasil é incorporado na rota comercial portuguesa, sendo,
apenas, um ponto de escala, sem que houvesse interesse direto
pela terra. Guillermo Giucci (1993, p. 14) sintetiza os interesses
lusitanos em relação ao descobrimento do Brasil com as seguintes
palavras:
A imponente armada cabralina de 1500, que se dirigia para a Ín-
dia, se contenta em Vera Cruz com a denominação do território,
com a celebração da missa, com a colocação da cruz cristã, com o
abandono dos condenados à morte e com o envio de uma nau a
Portugal para notificar o descobrimento. Até 1530, data da expe-
dição de Martim Afonso de Sousa, a posse efetiva da terra era uma
meta secundária, nunca o objetivo primordial das expedições que
chegavam ao Brasil.
36 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

O Brasil só foi integrado ao sistema colonizador português


em 1530. De 1501 a essa data, é, apenas, uma escala na rota para
as Índias. Durante os 30 primeiros anos os portugueses implanta-
ram um modelo de posse conhecido como feitoria, que tinha por
objetivo a defesa do território, não a colonização ou a exploração
imediata e direta da terra. O aparente desinteresse de Portugal
pela costa brasileira nesses primeiros anos tinha sua razão: o mer-
cado de especiarias das Índias era, comercialmente, mais interes-
sante e rentável. Aos portugueses, não interessava a terra, mas
o domínio dos mares e o monopólio do comércio marítimo. Por-
tugal tinha projetado na Ásia seu objetivo principal. O Brasil era
um objetivo secundário. Entre 1534 e 1536, D. João III implantou
o sistema de capitanias hereditárias. Das 14 capitanias formadas,
só duas prosperaram. Diante do fracasso, a Coroa vê-se obrigada
a se encarregar, diretamente, do processo de colonização e da ad-
ministração da colônia, nomeando um governador geral, Tomé de
Sousa, que desembarcou na Bahia em 1549 (Figura 4).

Fonte: Ferreira (1995, p. 18).


Figura 4 Os grandes navegadores portugueses.

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© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 37

8. A CRISTANDADE E O PADROADO
"Padroado" e "cristandade" são dois conceitos-chave para a
compreensão da história da Igreja na América espanhola e no Bra-
sil colônia. Assim, esses dois termos só podem ser compreendidos
em um contexto de história medieval.
"Cristandade" pressupõe a ideia de uma sociedade e de uma
cultura cristã, bem como a de um mundo cristão. Essa socieda-
de é unitária e fundamentada em princípios teológicos, ou seja,
o social, o cultural e o político convergem para um único princí-
pio criador, que é Deus. Talvez seja melhor dizer que a sociedade,
em seus aspectos social, cultural e político, é a "emanação de um
projeto divino" (AZZI, 1987, p. 56). Desenvolveu-se, então, a men-
talidade de fusão entre Estado e Religião. O chefe político era, ao
mesmo tempo, o chefe religioso, ideia essa emprestada do antigo
Império Romano, no qual o monarca era, também, a autoridade
máxima da religião. Dessa maneira, desde os séculos 4º e 5º, a
Europa passou a ser concebida como cristã. Cada monarca tinha
por obrigação adotar o cristianismo como religião oficial, o que
implicava defendê-lo e propagá-lo entre seus súditos. Aos poucos,
essa mentalidade ganhou força; o mundo passou a ser concebido
como cristão e, como católicos, os monarcas, cujos poderes, nessa
concepção, emanam de Deus. A Igreja era entendida como uma
instituição sob a tutela e a proteção do Estado. É a concepção de
uma sociedade hierarquizada e sacral, organizada conforme os pa-
drões cristãos. O formato de Estado e de sociedade é um formato
cristão.
Portugal (e também a Espanha) surge, como nação, nesse
contexto, absorve essa mentalidade e se organiza, politicamente
e culturalmente, de acordo com os padrões medievais que sus-
tentavam essa visão de mundo. Nos séculos 14 e 15, quando se
lança ao mar e descobre novos territórios e novos povos, Portugal
implanta, também, a visão cristã de mundo. Não foi diferente com
o Brasil. A partir de 1500 e durante os três séculos seguintes, o
38 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

modelo de Igreja e de sociedade que vigorou aqui, no Brasil, foi o


modelo da cristandade lusitana. Era um modelo medieval implan-
tado pela Coroa Portuguesa para justificar e legitimar seu domínio
sobre o território brasileiro. Toda a expressão religiosa lusitana ou
parte dela foi transplantada para o Brasil, e a sociedade brasileira
colonial, em seus aspectos religioso e cultural, organiza-se nesses
moldes.
Com o conceito de "cristandade", caminha o conceito de
"padroado". A origem de ambos, como já mencionado anterior-
mente, deve ser buscada no início do século 4º, com o imperador
Constantino e a questão da liberdade de culto para todas as religi-
ões do Império Romano, que foi sacramentada pelo Edito de Milão
em 313 d.C. A partir dessa data, os cristãos passaram a ter prote-
ção e os membros da hierarquia da Igreja, privilégios imperiais e
benefícios materiais. O imperador considera-se protetor da Igreja
e dos cristãos. Essa mentalidade ou esse modelo desenvolveu-se
durante a Idade Média, e a relação entre Igreja e Estado, papas e
imperadores, quase sempre foi conflituosa.

––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Para relembrar as tensões entre o papado e os imperadores, você deve revisitar
a disciplina História da Igreja Medieval.
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Em Portugal, a instituição do padroado está ligada à Ordem
de Cristo, fundada em 1319, herdeira da Ordem dos Templários,
que foi extinta entre 1310 e 1312. Como as ordens cavaleirescas
medievais tinham o caráter de combate ao infiel e de expansão da
fé católica por meio do domínio e da conquista de novos territó-
rios, algumas concessões deveriam ser feitas por parte da Igreja
(do papa). Dentre as concessões mais comuns, feitas por meio de
bulas, estava o controle da Igreja sobre os territórios conquista-
dos. Como ocorre na maioria dos casos, salvo raras exceções, o
grão-mestre da Ordem era o rei; então, este, além dos limites da
Ordem, também estendia e ampliava a concessão para o Estado
português, tornando-se, assim, protetor e patrono, exercendo fun-

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© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 39

ções civis e religiosas ao mesmo tempo. Essa evolução da outorga


das concessões da Ordem para a Coroa fez que o monarca agre-
gasse mais poderes e os ampliasse em relação à administração da
Igreja perante a Santa Sé. Assim, o monarca torna-se patrono (ou
padroeiro), protetor, administrador, árbitro e controlador da Igreja
nos novos territórios. Em contrapartida, era obrigado a propagar
a fé católica, a promover a evangelização e a zelar pela Igreja nos
domínios ultramarinos. Referindo-se a essas características, o his-
toriador britânico, Charles Ralph Boxer (1981, p. 224) diz que o
padroado:
Pode ser definido como uma combinação de direitos, privilégios
e deveres concedidos pelo papado à Coroa de Portugal como pa-
trona das missões e instituições eclesiásticas católicas romanas em
vastas regiões da Ásia e no Brasil. Estes direitos e privilégios advi-
nham de uma série de bulas e breves pontifícios, que começaram
com a bula Inter Caetera de Calixto III em 1456 e culminaram com
a bula Praecelsae Devotionis de 1514.

Sob essa concepção, o Brasil foi descoberto, colonizado e


evangelizado. As bulas papais davam à Coroa portuguesa o direi-
to de administrar e de legislar em matéria eclesiástica. A Igreja
permanecerá subordinada à Coroa em todos os seus aspectos or-
ganizacionais, desde a disciplina até à nomeação de bispos. Era
a Coroa que administrava os negócios eclesiásticos e os bens da
Igreja. Toda comunicação entre Roma e Brasil deveria, antes, pas-
sar por Lisboa (Figura 5). Era a Coroa que regulamentava a reunião
de conselhos e de sínodos diocesanos, a criação de dioceses e de
paróquias, bem como a formação e a manutenção do clero. Os
reis eram os chefes da Igreja no Brasil. Portanto, foi uma Igreja
dependente do Estado. Esse regime perdurou até a Proclamação
da República, em 1889.
40 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

Fonte: Ferreira (1995, p. 21).


Figura 5 Divisão, entre Espanha e Portugal, do mundo a ser descoberto.

9. TEXTO COMPLEMENTAR
As civilizações primitivas da Mesoamérica serão de grande
importância para completar o estudo desta unidade.

As Civilizações Primitivas da Mesoamérica––––––––––––––––


A pré-história remota, no caso das Américas, tem início por volta de 35.000 a.C.,
quando aparentemente o homem chegou pela primeira vez ao continente atra-
vés do estreito de Bering. Existem alguns testemunhos da provável presença
do homem, por volta de 20.000 a.C., na região ocupada pelo México atual. No
entanto, os fósseis humanos mais antigos, descobertos no sítio arqueológico
de Tepexpan, cerca de 40 quilômetros a nordeste de Cidade do México, datam
de no máximo 9.000 a.C. Durante um longo período habitaram a terra apenas
alguns bandos de caçadores e coletores de alimentos. Seriam necessários mais
três ou talvez quatro milênios para que o homem da Mesoamérica iniciasse, por
volta de 5.000 a.C., o processo que veio desembocar na agricultura. Achados
em várias cavernas de Sierra de Tamaulipas e em Cozcatlán (Puebla) mostram
como pouco a pouco os antigos coletores iniciaram o cultivo da abóbora, da pi-

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© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 41

menta malagueta, do feijão e do milho. A produção de cerâmica teve início mais


tarde, por volta de 2.300 a.C. Em várias partes do México central e meridional
e na América Central, começaram a proliferar aldeias de agricultores e artesãos
de cerâmica. Algumas dessas aldeias, situadas provavelmente em ambientes
mais adequados, como às margens de um curso d’água ou junto ao mar, experi-
mentaram muito cedo um crescimento populacional. Muitas vezes os habitantes
dessas aldeias espalhadas por um território tão vasto diferiam étnica e lingüis-
ticamente. Dentre esses, cedo se destacou um grupo em particular. Achados
arqueológicos revelam que uma série de mudanças extraordinárias começaram
a surgir, a partir de mais ou menos 1.300 a.C., numa região próxima ao golfo
do México, ao sul de Veracruz e no estado vizinho de Tabasco. Essa região era
conhecida desde os tempos pré-colombianos pelo nome de "Terra da Borracha",
Olman, terra dos olmecas.
Escavações feitas em centros olmecas, como, por exemplo, Tres Zapotes, La
Venta, San Lorenzo e outros, revelaram grandes transformações culturais. La
Venta, o maior dos centros, foi erguido numa pequena ilha, a poucos metros
acima do nível do mar, numa área pantanosa junto ao rio Tonalá, 16 quilômetros
antes de sua foz no golfo do México. Embora só se encontrasse pedra disponível
a 64 quilômetros do local, foram desenterradas na região uma série de colossais
esculturas de pedra (algumas delas com três metros de altura) e outros monu-
mentos.
Em La Venta, do mesmo modo que em outras localidades olmecas, começou a
desenvolver-se uma espécie de proto-urbanismo. É provável que os povos agri-
cultores que se fixaram nas proximidades de La Venta tenham experimentado,
junto com o crescimento populacional, vários estímulos a abandonar seu antigo
modo de subsistência. Suas realizações pressupõem mudanças em sua organi-
zação religiosa, política e socioeconômica.
Até onde sabemos, os olmecas foram os primeiros, na Mesoamérica, a erigir
grandes complexos de construções, principalmente para fins religiosos. Desse
modo, o centro de La Venta, habilidosamente planejado, incluía pirâmides re-
bocadas de barro, túmulos circulares e alongados, altares entalhados na pedra,
grandes compartimentos de pedra, fileiras de colunas de basalto, tumbas, sar-
cófagos, estelas, colossais cabeças de basalto e outras esculturas menores. A
existência de grandes praças públicas parece indicar que as cerimônias religio-
sas eram realizadas ao ar livre. Em alguns dos espaços abertos em frente dos
edifícios religiosos foram econtradas sob o piso, formando como que um antigo
pavimento, máscaras de jaguar, formadas de mosaicos verdes, provavelmente
para servirem de oferendas e, portanto, revestida de argila e adobe [...].
Os olmecas adoravam um deus-jaguar onipresente. Os elementos vinculados
ao simbolismo do que seria mais tarde o deus-chuva da Mesoamérica derivaram
provavelmente da máscar do deus-jaguar. Estelas e outros monumentos mos-
tram diversas representações de pássaros fantásticos, muitas vezes em associa-
ção com jaguares, serpentes ou seres humanos. As oferendas encontradas em
funerais são provas da existência de um culto aos mortos aliado a uma crença
na vida após a morte. Deve-se provavelmente aos olmecas que viviam ao longo
da costa do Golfo o início do calendário e da escrita na Mesoamérica, embora
tenha sido em Oaxaca (em locais que sofreram influência dos olmecas) que se
desenterraram os primeiros vestígios dessas obras.
Tudo isso, e a difusão precoce de elementos olmecas em localidades diferen-
tes, muitas delas longe dos centros de origem, parecem confirmar o caráter de
42 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

uma alta cultura-matriz. A influência olmeca aparece manifesta em muitos sítios


arqueológicos da região próxima ao golfo do México e no Planalto Central, em
Oaxaca, na terra dos maias e no oeste do México (Guerrero e Michoacán). Aqui
estavam os antecedentes do Período Clássico da Mesoamérica [...].
Por volta de 600 a.C., a influência da cultura olmeca começou a se fazer sentir
em locais como Tlatilco, Zacatenco e outros, nas proximidades do que séculos
mais tarde veio a ser Cidade do México [...]. As aldeias cresceram, dando lugar
a centros maiores.
Teotihuacán, a "metrópole dos deuses", constitui o melhor exemplo do apogeu da
civilização clássica no planalto central. Recentes achados arqueológicos no local
revelam não apenas a existência de um grande centro cerimonial, mas também
tudo o que está implícito na idéia de uma cidade [...]. Além das duas grandes pirâ-
mides e do Templo de Quetzalcóatl, foram descobertos outros recintos, palácios,
escolas e diferentes tipos de construção. Extensos bairros, onde os membros da
comunidade tinham suas residências, rodeavam o centro administrativo e reli-
gioso mais denso. As avenidas e ruas eram pavimentadas, e havia um sistema
de drenagem bem planejado. As pirâmides, os templos, os palácios e a maioria
das casas dos governantes ou dos membros da nobreza eram decorados com
pinturas murais nas quais estavam representados deuses, pássaros fantásticos,
serpentes, jaguares e várias plantas.
A metrópole de Teotihuacán, que em seu apogeu, por volta do século V ou VI
d.C., se estendia por cerca de vinte quilômetros quadrados, contava com uma
população de pelo menos 50 mil habitantes (LEÓN-PORTILLA, 1997, p. 27-30).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Sugerimos, neste tópico, que você procure responder às
questões a seguir, que tratam da temática desenvolvida nesta uni-
dade, bem como que as discuta e as comente.
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
testar seu desempenho. Se encontrar dificuldades em responder
a essas questões, procure revisar os conteúdos estudados para
sanar suas dúvidas. Este é o momento ideal para você fazer uma
revisão do estudo desta unidade. Lembre-se de que, na Educação
a Distância, a construção do conhecimento ocorre de forma coo-
perativa e colaborativa. Portanto, compartilhe com seus colegas
de curso suas descobertas.
Confira, na sequência, as questões propostas para verificar
seu desempenho no estudo desta unidade:

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© História da Igreja na América Latina: Questões Introdutórias 43

1) Ficou claro o problema teórico-metodológico?

2) Você teria alguma sugestão para periodizar a história da Igreja na América


latina e no Brasil?

3) Qual foi a função das ideologias na conquista da América e no descobrimen-


to do Brasil?

4) É possível detectar diferenças entre o padroado espanhol e padroado por-


tuguês? Quais?

5) Na sua opinião, faz sentido utilizar a categoria "pobre" para interpretar a


história da Igreja na América Latina hoje?

11. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, tivemos algumas ideias fundamentais sobre
os problemas que envolvem o estudo da história da Igreja na Amé-
rica Latina e no Brasil, desde a questão teórica até as ideologias
espanhola e portuguesa, que foram determinantes no processo de
ocupação do continente. Fizemos, ainda, uma revisão dos concei-
tos de "cristandade" e "padroado". Está feita a base para nosso
estudo.
Colocadas e discutidas as questões introdutórias, passemos
para a Unidade 2, na qual vamos discutir e analisar os problemas
que envolveram a evangelização dos povos nativos do Novo Mun-
do espanhol e lusitano.
Até lá!

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AQUINO, R. S. L. de. História das sociedades americanas. 4.ed., Rio de Janeiro: Ao Livro
Técnico, 1990.
ARAÚJO, C. R. Novos desafios para o estudo da história da Igreja: a religiosidade, o
gênero e o imaginário. ESPAÇOS. 7/2. Instituto Teológico de São Paulo: 1999.
______. Um balanço dos trinta anos de história da Igreja na América Latina: contribuições
à Teologia da Libertação. In: SUSIN, L. C. (Org.). Sarça Ardente: Teologia na América
Latina: Prospectivas. São Paulo: Paulinas, 2000.
AZZI, R. A cristandade colonial: um projeto autoritário. São Paulo: Paulinas, 1987. v. 1.
44 © História da Igreja na América Latina e no Brasil

BIDEGÁIN, A. M. História dos cristãos na América Latina. Petrópolis: Vozes, 1993, t. 1.


BOXER. C. R. O Império Colonial Português (1415-1825). Lisboa: Edições 70, 1981.
CEHILA. Para uma história da Igreja na América Latina: marcos teóricos – o debate
metodológico. Petrópolis: Vozes, 1986.
COUTINHO, S. R. Para uma história da Igreja no Brasil: os 30 anos da CEHILA e sua
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______ Hipóteses fundamentais da História Geral da Igreja na América Latina. In: CEHILA.
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1986.
FERREIRA, O. L. História do Brasil. 17.ed., São Paulo: Editora Ática, 1995.
GIUCCI, G. Sem fé, lei ou rei. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.
HOORNAERT, E. História do cristianismo na América Latina e no Caribe. São Paulo:
Paulus, 1994.
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diagnósticos e prospectivas. São Paulo: Paulinas, 2003.

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