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AULA 3

MAIS DICAS DE PREVENÇÃO


DE ACIDENTES
Nesta aula, vamos conhecer mais algumas temáticas da segurança infantil: as medidas de prevenção
de queimaduras, intoxicações (envenamentos) e acidentes com armas de fogo. É hora de se concentrar,
pois nossa aula está começando.
Como pais, familiares e responsáveis, queremos estar presentes em todos os momentos do
desenvolvimento de nossos filhos, protegendo-os constantemente. Mas lembre-se: cuidar e evitar o
perigo não significa sufocar a criança ou impedir sua autonomia e expressão. Brincar, experimentar
e descobrir o mundo faz parte de um crescimento saudável. Daí a importância de interferirmos
positivamente frente a situações de risco, observando sempre quatro elementos-chave:

Diálogo;
Apoio e confiança;
Limites;
Respeito.

Já que falamos em brincar, sugerimos a leitura do texto Brincadeiras Seguras. A seguir, apresentamos um
trecho desse artigo que destaca aos pais, mães, familiares e responsáveis as principais recomendações
sobre a escolha de brinquedos que não representem risco à saúde da criança.

BRINCADEIRAS SEGURAS
Trecho do artigo gentilmente cedido pela Revista Mãe

Papais e mamães, atenção!

Vocês já conhecem o processo de “selagem” de um brinquedo antes de chegar às mãos do seu filho,
o que garante a sua segurança. Mesmo assim, nunca é demais saber quais são as recomendações e
proibições quanto a cada tipo de brinquedo, dos aquáticos aos sonoros, dos mordedores aos móbiles
e às bonecas de pano. Confira a seguir.

Um dos campeões de bilheteria, os bichinhos de pelúcia devem ter o enchimento não-granulado e


isento de impurezas. Fibra sintética ou fibra de algodão são os melhores, pois mesmo que o bichinho
descosture ou rasgue e a criança coma o recheio, não há maiores consequências. De qualquer forma,
as costuras devem ser firmes o suficiente para não abrirem à toa. É importante também que o
brinquedo não solte pelos e que os olhos, o nariz e a boca estejam muito bem travados. Se o bichinho
emitir algum som, o compartimento das pilhas deve ter uma trava segura. Outra possibilidade é que
ele só possa ser aberto por um adulto com o auxílio de um acessório. O perigo, neste caso, reside na
possibilidade de que a criança coloque a pilha na boca, pois ela contém elementos altamente tóxicos.

Os chamados brinquedo educativos, como blocos de montar, não estão livres do controle de segurança.
Até os três anos, a maior preocupação é quanto ao tamanho das peças. Nenhum componente pode

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ser menor do que o chamado “cilindro reto truncado”,
um objeto que simula a garganta de uma criança
nessa faixa etária. O diâmetro não pode ser inferior a
31,75mm e o comprimento 25,4mm do lado menor e
57,15mm do maior. Também são realizados ensaios
mecânicos para verificar a resistência a tração, torção,
mordida, impacto etc. O essencial é que o brinquedo
não se desfaça nem solte lascas ou produza arestas
que possam ferir. O terceiro ponto é a toxicologia:
elementos como chumbo, cromo e mercúrio são
tóxicos e seus teores não podem ultrapassar o máximo
previsto pela norma.

Quando o assunto são mordedores ou massageadores de gengiva, se forem à base de PVC (vinil), há
um teste especifico que mede o teor de D.E.P.H., um plastificante utilizado para amolecer o PVC. Essa
concentração jamais pode ultrapassar os 3%, pois se trata de uma substância cancerígena. Além disso,
o mordedor é submetido aos demais testes rotineiros de toxicologia.

Nos móbiles, a preocupação especial fica por conta do cordão que o amarra no berço. Seu comprimento
não deve ser superior a 30 centímetros para que o bebê não se amarre no mesmo. Embora não
obrigatório, é aconselhável que o fabricante instrua os pais a retirarem o móbile do berço quando a
criança completar cinco meses. A partir dessa idade, o bebê começa a ensaiar posturas mais eretas,
podendo alcançar o móbile.

Quanto aos brinquedos sonoros, é medida a emissão de som, que deve estar dentro de padrões
aceitáveis. Isso significa o limite de 85 decibéis para ruídos constantes (que duram mais de um
segundo) e 100 decibéis para ruídos instantâneos. Brinquedos com som acima desses índices são
reprovados.

Brinquedos infláveis, como bexigas, são submetidos a testes de toxicologia e de abuso mecânico
previsível com crianças por perto.

Quanto aos brinquedos aquáticos, aqueles que suportam 1,5 kg sem afundar, se forem de vinil,
necessitam passar pelo ensaio de D.E.H.P.

Os famosos (e aparentemente inocentes) patinhos de plástico que passeiam pela banheira enquanto
o bebê toma banho merecem muita atenção. Eles passam por rigorosos testes quanto à toxicologia,
pois são muito convidativos para serem colocados na boca. Por isso, é preciso ter certeza de que não
soltam nenhuma substância tóxica na boca do pequeno.

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Livros de pano também são analisados. Se forem grandes a ponto de a criança se deitar sobre os
mesmos, é necessário que o tecido seja permeável, poroso o suficiente para a criança respirar mesmo
se fechando nele.

A utilização de fantoches deve sempre ser acompanhada por um adulto. Por exemplo, os fantoches
de dedo são peças pequenas facilmente engolidas. Se for o caso de fantoches de tecidos, os mesmos
devem ser suficientemente porosos para evitar asfixia.

Bonecas de pano e outros brinquedos recheados, além de seguirem as mesmas normas dos bichinhos
de pelúcia, ainda devem ser examinados quanto à sua inflamabilidade. Isso porque fios de lã em
cabelos de bonecas, por exemplo, são altamente inflamáveis. O fabricante evita problemas utilizando
um antichamas atóxico.

Quanto aos materiais com que são confeccionados os brinquedos, além dos de PVC, os de madeira
passam por um teste especial, para averiguar a presença do pentaclorofenol, um fungicida
extremamente tóxico. Se for de plástico rígido, o objetivo é detectar a presença de metais pesados de
acordo com a cor do material. Quer dizer: se um brinquedo possui várias partes de cores diversas, são
realizados tantos testes quanto sejam as cores. A presença de metais pesados também é verificada
em papéis, instrumentos gráficos (lápis, crayon, giz) e PVC.

Em massas de modelar, há ensaios biológicos para checar uma eventual toxidade. Por fim, na
maquilagem para bonecas, pesquisa-se a sensibilização da mucosa oral, a irritabilidade e a eventual
presença de metais pesados. A tinta que recobre qualquer brinquedo deve ser totalmente atóxica.

Quanto às formas, há duas reconhecidamente perigosas e proibidas: as arestas cortantes e as


pontas agudas.

OS TRÊS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA

Antes de assinar o cheque e levar para casa um lindo urso de pelúcia ou um móbile superoriginal,
papais e mamães preocupados com a segurança de seus pequenos devem atentar para os
seguintes itens:

Exija o selo de certificação de segurança do INMETRO.


Verifique a faixa etária para a qual o brinquedo se destina.
Leia cuidadosamente todas as instruções de uso contidas na embalagem,
especialmente as advertências.

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1) QUEIMADURAS

A cozinha é o lugar de maior risco para as crianças se queimarem, principalmente por causa do
fogão e do forno. Portanto, a primeira dica é manter os pequenos longe desse ambiente.

Confira a seguir mais atitudes que podem prevenir queimaduras nas crianças.

Enquanto estiver cozinhando, deixe as panelas com o cabo voltado para dentro do fogão.

Não guarde alimentos, como doces e biscoitos, em prateleiras ou armários sobre o fogão.

Guarde fósforos, isqueiros, velas, recipientes com álcool e outros produtos inflamáveis em
armários trancados e longe do alcance das crianças.

Mantenha comidas e líquidos quentes fora do alcance das crianças.

Nunca segure líquidos quentes ou fume quando estiver com um bebê muito próximo ou no
seu colo.

Evite usar toalha comprida na mesa, pois uma criança pode puxá-la, causar um acidente e se
queimar com utensílios e comidas que ainda estejam quentes.

Antes do banho da criança, teste a temperatura da água movendo a mão por toda a banheira,
para ter certeza de que não há nenhum ponto muito quente.

Mantenha longe das crianças eletrodomésticos como aquecedores, ferro de passar roupa e
secador de cabelo, entre outros, seja na hora de usar ou de guardar. Guarde-os sempre em
locais onde as crianças não possam alcançá-los.

Não sobrecarregue uma tomada ligando vários aparelhos ao mesmo tempo.

Nunca deixe uma criança perto de velas, churrasqueiras e fogueiras.

Não permita que crianças manuseiem ou brinquem com bombinhas e fogos de artifícios, pois
elas podem se queimar gravemente e até perder partes do seu corpo.

Cuidado com as velas!

As velas em uso devem ficar dentro de recipientes não inflamáveis e que as mantenham em
pé e firmes.

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Não deixe velas acesas perto de tecidos, móveis e estruturas de madeira.

Apague as velas ao sair de casa.

Procure substituir velas e candeeiros por lanternas.

Para evitar queimaduras infantis por choque elétrico, é preciso:

Ter cuidado com instalações elétricas improvisadas e fios desencapados;

Proteger ou encobrir as tomadas, de modo que os pequenos não possam


acessá-las;

Ensinar as crianças a brincar com pipas longe de postes e fios elétricos de alta tensão.

O perigo do álcool líquido

por quê?
• O álcool líquido faz o fogo se espalhar rapidamente e causa
Não use álcool
queimaduras gravíssimas, além do risco de explosão. Para
líquido para acender
evitar esses perigos, use álcool em gel.
fogo ou mesmo
como produto de • O álcool líquido vendido para limpeza não tem ação
limpeza.
desinfetante. Portanto, prefira detergente, sabão e outros
produtos específicos.

PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

É importante fazer inspeções periódicas em sua casa ou trabalho para eliminar potenciais riscos de
incêndio, como problemas nas instalações elétricas.

Ensine às crianças os perigos de um incêndio e como escapar dele.

Algumas atitudes podem salvar vidas, como:

Designar uma saída de emergência;


Instalar detectores de fumaça e testá-los mensalmente para comprovar seu bom funcionamento.

Para escapar de um incêndio, as principais orientações são:

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Arraste-se embaixo da fumaça para evitar intoxicação;
Toque nas portas antes de abri-las – se estiverem quentes, use uma saída alternativa;
Para se livrar de chamas ou ultrapassá-las, caia no chão e role de um lado para outro;
Nunca volte para um ambiente em chamas.

2) INTOXICAÇÕES

PARA PREVENIR ACIDENTES

Não deixe remédios e produtos tóxicos de higiene ou limpeza


à vista ou ao alcance das crianças – esses produtos devem
sempre ficar em locais altos e trancados à chave.

Não crie novas soluções de limpeza misturando diferentes


produtos designados para outro fim – esse tipo de mistura
pode ser ainda mais nociva à criança.

Sempre leia atentamente os rótulos e bulas, seguindo


corretamente as instruções para dar remédios às crianças.

Não use produtos tóxicos perto das crianças.

Evite tomar medicamentos na frente das crianças, pois elas tendem a imitar os adultos.

Não guarde nenhum produto químico fora da embalagem original, para evitar confusão –
imagine o estrago que pode causar uma garrafa de refrigerante cheia de alvejante.

Dê preferência a embalagens com tampas de segurança, que sejam mais difíceis de a


criança abrir.

Sobretudo se você mora em área rural, verifique periodicamente dentro de sapatos e armários
e embaixo de móveis se há cobras, escorpiões e aranhas.

Ensine a criança a nunca colocar na boca folhas, caule, casca, nozes ou sementes de
qualquer planta.

Quando adquirir um brinquedo para a criança, certifique-se que ele é atóxico, ou seja, não
contém componentes tóxicos.

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Jogue fora medicamentos com data de validade vencida e outros venenos potenciais.

Conheça as substâncias e plantas tóxicas mais comuns e confira em quais produtos domésticos
elas estão presentes.

SUBSTÂNCIAS TÓXICAS MAIS COMUNS

Ácidos e bases
Ácido muriático, água sanitária, alvejante, amoníaco, cal virgem, clareador de pelos, detergente em
grãos (usado em máquina lava-louça), descolorante, desinfetante, limpador de fogão, limpador de
metal, removedor de calos e verrugas etc.

Derivados do petróleo
Aguarrás, álcool combustível, inseticida solúvel em solvente orgânico, diluente de tinta, fluido de
isqueiro, gasolina, naftalina líquida, polidor/cera de assoalho ou mobília, polidor de metal solúvel em
solvente orgânico etc.

Plantas tóxicas
Arruda, avelós, aroeira, bico-de-papagaio, cambará, chapéu-de-napoleão, cinamomo, confrei, coroa-
de-cristo, comigo-ninguém-pode, copo-de-leite etc.

Confira a lista completa em https://sinitox.icict.fiocruz.br/plantas-toxicas.

Outras substâncias comuns


Água oxigenada, álcool (usado em limpeza de casa), anticongelante (polietileno glicol), bebidas
alcóolicas (principalmente junto com outras substâncias), bituca de cigarro, caixa de palito de fósforo,
detergente comum, desodorante etc.

A intoxicação (ou envenenamento) pode ser causada pela ingestão de vários tipos de produtos tóxicos,
como remédios, substâncias químicas, plantas e agrotóxicos. Basta um momento de distração, e
pronto: a criança alcança a prateleira do banheiro e bebe o pote de água oxigenada.

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Como agir nesses casos? A primeira providência é buscar com urgência o socorro médico e, depois,
adotar as atitudes a seguir:

Tente descobrir a substância ingerida, porque o melhor tratamento depende disso;

Peça orientação por telefone ao Centro de Controle de Intoxicação (CCI) de sua cidade;

Nunca induza o vômito na pessoa intoxicada, pois isso pode causar um desgaste desnecessário
no trato digestivo da vítima, além de não resolver o problema. Vomitar pode piorar a situação,
ainda mais em casos de envenenamento por produtos corrosivos (ácidos e bases) e derivados
de petróleo;

Caso haja vômito espontâneo, procure fazer com que a vítima vomite em um balde, para que o
material possa ser analisado pelos médicos;

Não permita que a vítima beba qualquer líquido, nem sequer água, leite ou azeite;

Caso a vítima apresente convulsões, não tente imobilizá-la nem segurar sua língua, apenas
garanta que ela não vai esbarrar em algo e se machucar ainda mais;

Em caso de parada respiratória, apresse a ida ao hospital; não adianta fazer respiração boca a
boca em caso de intoxicação;

Deite a vítima de lado, com a cabeça apoiada sobre o braço, para evitar que ela se sufoque com
vômitos involuntários;

Se a pessoa estiver com frio, agasalhe-a;

Preste muita atenção em cada reação da vítima, pois suas descrições serão essenciais na hora
do atendimento médico – observe se está fria ou quente, se saliva, se vomita, se parece confusa
ou sonolenta.

E NUNCA SE ESQUEÇA!
Procure levar para o médico o produto que causou envenenamento – pode ser o resto do produto,
sua embalagem, sua bula, um ramo da planta tóxica etc.

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3) ACIDENTES COM ARMAS DE FOGO

Quanto aos acidentes com armas de fogo, o melhor modo de preveni-los é não ter armas em casa. Se
a sua profissão exige o uso de armas, deixe-as fora do alcance das crianças. Os menores de oito anos
não têm sequer condições de distinguir uma arma de verdade de um brinquedo. Portanto, toda arma
de fogo deve ser guardada travada, sem munição e em local trancado e inacessível aos pequenos. As
munições devem ficar em lugar separado e também trancado. Para mais informações, acesse o link:
http://www.ic.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=13

PARA ENVOLVER OS PEQUENOS

Agora que você já aprendeu essas novas lições de prevenção,


é hora de transmitir as informações aos pequenos. Para
isso, nada melhor do que uma boa história. Em nosso
material de apoio aos familiares e responsáveis, separamos
histórias infantis sobre queimaduras e intoxicações. Elas
podem ser usadas para introduzir uma conversa sobre
esses temas com as crianças. Escolha as que sejam mais
adequadas à faixa etária e à realidade de seu(s) filho(s)
e use a imaginação para tornar essa atividade divertida
e prazerosa. Vale usar chapéus diferentes, fazer vozes
variadas, dar uma interpretação envolvente, e tudo mais
que vier à sua cabeça!

Depois de conhecer tantas medidas preventivas ao longo do nosso curso, sua tarefa é acessar o
resumo de prevenção de acidentes em casa, disponível em: http://criancasegura.org.br/categoria-
dica/ambiente/domesticos/

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MATERIAIS DE APOIO AOS
FAMILIARES E RESPONSÁVEIS

AULA 3 MAIS DICAS DE PREVENÇÃO


DE ACIDENTES
HISTÓRIAS INFANTIS – TEMA: PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS

CRIANÇA NA COZINHA ACABA EM QUEIMADURA

Eu não disse que esta casa é um perigo? Uma ameaça pras crianças e pros gatos também.
Aquela moça que trabalha aqui nem olha o que esses dois ficam fazendo. A mãe deles fica fora
o dia todo. E os dois, quando não estão na escola, estão aprontando, e eu sempre acabo no
meio das confusões. Ioiô Dora e Tom me põem louco.

Sabe aquela coisa chamada microondas? Pois é! Aquilo é uma arma mortal. Estava eu, bem
deitado na cadeira da cozinha, onde entra um raio de sol quentinho, quando o Tom resolveu
esquentar leite pra fazer chocolate. Ligou aquela máquina, tirou a xícara de leite do microondas
e veio sentar-se ao meu lado. Quando ele foi colocar o chocolate em pó no leite, aquela coisa
explodiu na sua cara. Acho que o leite se revoltou e esparramou-se pra todo lado. Eu só senti
aquela dor e corri assustado pra debaixo da cama pra lamber meu corpo ardido. Só depois é que
ouvi os berros do Tom, e os berros ainda mais altos daquela doidinha que trabalha aqui:

— Minha Virgem Maria, o que você fez, menino? Ai meu Jesus, o que eu faço agora?

O Tom queimou o rosto. Ouvi a mãe dele dizer que “ainda bem que não pegou nos olhos”.

Não tô falando que esta casa é uma ameaça pros gatos?

PERIGO NA COZINHA

Na casa do menino de pernas-de-saracura e pulga na cueca, era assim: no domingo, era dia de a
mãe fazer comida, enquanto todos conversavam na cozinha.

Era assim: uma festa todos os domingos.

O pai cortava a carne, picava cheiro-verde e tomate maduro. A mãe refogava a cebola, que
soltava um aroma doce no ar. Preparava o pudim de laranja e fervia a água pro macarrão.

A menina pequenina passou por ali. Trocou um livro com o menino. O menino estava radiante.
Ele queria ler aquela história. Saiu correndo. Com um pulo das suas pernas longas, logo estaria
no quarto. Hércules, seu cachorro magricela, veio atrás, pulando também.

No caminho pro quarto, passou pela cozinha. Pegou um pedaço de tomate para si, um pedaço
de carne para Hércules. O pai falou:

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— Não!

Sempre correndo, o menino e seu cachorro passaram perto do fogão.

O cabo da panela, com a água do macarrão, entrou no seu caminho. A panela levou uma queda,
do fogão para o chão. No trajeto, saltou sobre o menino, feito cachoeira de água fumegante.

E o menino de pernas-de-saracura e pulga na cueca agora pulava de dor.

A vovó de chapéu roxo com bolinhas amarelas me contou essa história. Contou também como
ela voltou no tempo, a tempo de o menino fazer tudo diferente e não mais se queimar.

Foi assim:

A menina pequenina passou por ali. Trocou um livro com o menino. O menino estava radiante.
Ele queria ler aquela história. Tranquilamente, se dirigiu pro quarto. Hércules, seu cachorro
magricela, foi atrás, abanando o rabo.

No caminho pro quarto, passou pela cozinha. Pegou um pedaço de tomate para si, um pedaço
de carne para Hércules. O pai perguntou:

— Vai ler?

O menino disse:

— Sim.

Sem pressa, o menino de pernas-de-saracura e pulga na cueca parou na porta da cozinha,


sentiu cheirinho do pudim de laranja mandou um beijo para sua mãe e disse para seu cachorro
magricela:

— Vamos, Hércules, pro quarto, já!

HISTÓRIAS INFANTIS – TEMA: ENVENENAMENTOS OU INTOXICAÇÕES

A VOVÓ DE CHAPÉU ROXO CUIDANDO DO BEBÊ

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A menina pequenina que usava óculos tinha uma irmãzinha muito mais pequenina que ela. Era
um bebê. A mãe das pequeninas foi as compras, e a menina ficou cuidando do bebê.

Bebês são tão rápidos. Com suas quatro patinhas, ops! Quatro perninhas, eles exploram todos
os cantos da casa. Entram em armários, sobem nas mesas, nas janelas, na cama, entram até na
casinha do gato.

A pequena menina não dava conta de cuidar da sua irmã.

Quando o bebê fica chateado, ele chora tanto. A pequena menina ficou tonta, com tanto choro
do bebê. A menina só queria um tiquinho de sossego. Tirou seus óculos e sentou um bocadinho
no sofá. Esfregou os olhos cansados de só vigiar. Fechou os olhos. O bebê estava ali. Ela podia
ouvir a sua voz. Por um momento, a menina pequenina sonhou que tinha asas e podia voar. Lá
de cima cuidava do bebê.

— O bebê! Onde está o bebê? — disse a menina levantando-se sobressaltada.

A menina colocou seus óculos e, com olhos esgazeados, procurou pela irmã.

´´Embaixo da mesa? Não está. No berço? Não está. No sofá? Não está. As janelas... corre... as
janelas. Não, não está! Não é possível. O bebê sumiu. Epa! Que faz a porta da pia da cozinha
aberta? Será?``

Lá estava o bebê.

´´Como esta danadinha conseguiu entrar aqui? O bebê está chupando bolinha? Bala de coco?
Tem alguma coisa errada. Embaixo da pia não é lugar pra bala de coco. Oh! Não. É aquela
bolinha fedida que mamãe usa para espantar as traças. E agora? O que fazer!``

A menina pequenina tinha medo e começou a chorar.

— Psiuuuuuuuu... vai ficar tudo bem.

A menina ouviu uma voz. Com olhos embaçados, procurou por ela. Na cadeira de balanço,
repousava a vovó de chapéu roxo com bolinhas amarelas. Suas mãos entre luvas encarnadas
seguravam o bebê. Ele dormia. Agora tudo estava bem.

Bicho-papão
Saia do telhado
Deixe esta criança
Dormir sossegada.

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