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UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA DE MAPUTO

FACULDADE DE ENGENHARIA E TECNOLOGIA


ENGENHARIA CIVIL

HIDROLOGIA
Precipitação

1
Introdução
• Atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra.
• Tem enorme importância na circulação da água,
desde que evapora até que precipita.
• É muito importante na redistribuição da energia
proveniente do Sol (que atinge a superfície do globo
de modo não uniforme, quer no espaço quer no
tempo).
• As características da atmosfera variam com o tempo
(estações do ano) e com o espaço (região que
envolve, latitude e, em cada latitude, com a altitude).

2
Características da atmosfera
• Há grandes variações das propriedades, a
caracterização é feita em termos médios.
• Considera-se a baixa atmosfera (primeiros 50 km) e a
alta atmosfera (mesosfera 50-80 km, termosfera 80-700
km, exosfera 700-10.000 km).
• Os processos de transporte de água e energia ocorrem
na baixa atmosfera onde se considera a troposfera (18
km sobre o Equador, 6 km sobre os Pólos), a tropopausa
e a estratosfera.
• A troposfera contém cerca de 75% da massa total da
atmosfera, é onde ocorrem os fenómenos
3
meteorológicos.
Características da atmosfera
• Na troposfera a temperatura decresce com a
altitude, tipicamente cerca de 6,5 C/km.
• Acima da troposfera a temperatura permanece
constante nos primeiros 15 km e depois cresce até
cerca de 0 ºC.
• As principais componentes gasosas da atmosfera
são azoto e oxigénio (cerca de 99%), vapor de água
e dióxido de carbono (gases de estufa), ozono (filtra
a radiação ultra-violeta) e as não gasosas, água
(líquida e sólida) e poeiras – importantes para a
precipitação. 4
Componentes da atmosfera
Componentes Permanentes(1) Componentes Variáveis(2)

Componente % em volume(3) Componente % em volume(3)

Azoto (N2) 78,084 Vapor de Água (H2O) <4


Oxigénio (O2) 20,946 Dióxido de Carbono (CO2) < 0,04
Árgon (Ar) 0,934 Ozono (O3) < 0,07 × 10-4
Néon (Ne) 18,2 × 10-4 Dióxido de Enxofre (SO2) < 1,0 × 10-4
Hélio (He) 5,2 × 10-4 Dióxido de Azoto (NO2) < 0,02 × 10-4
Crípton (Kr) 1,1 × 10-4 Monóxido de Carbono (CO) < 0,2 × 10-4
Xénon (Xe) 0,1 × 10-4
Hidrogénio (H2) 0,5 × 10-4 Água (Líq. e Gelo)
Metano (CH4) 2,0 × 10-4 Poeiras
Óxido de Diazoto (N2O) 0,5 × 10-4
Radão (Rn) 6,0 × 10-8
(1) As quantidades dos elementos desta coluna não apresentam variações significativas.
(2) As quantidades dos elementos desta coluna apresentam grandes variações no espaço e no tempo.
(3) Nas mesmas condições de pressão e temperatura. Equivalente à fração molar.

As componentes permanentes referem-se a ar seco. A percentagem de vapor de


água varia muito com o local.
5
Circulação atmosférica
• Uma parte da água que evapora nos oceanos é
transportada a longa distância pela circulação
atmosférica.
• Forças motrizes fundamentais da circulação
atmosférica:
• Rotação da Terra
• Transferência de energia entre o Equador e os Pólos.

6
Circulação atmosférica
• Balanço global da radiação
• Terra recebe radiação solar e emite calor por re-radiação
("back radiation") para o espaço, processos balanceados
em média ao valor de 210 W/m2.
• Aquecimento da Terra é desigual:
• no Equador, radiação solar é quase perpendicular à superfície,
valor médio de 270 W/m2.
• na região polar, radiação solar atinge a superfície segundo um
ângulo oblíquo, valor médio de apenas 90 W/m2.
• Radiação emitida é função da temperatura absoluta da
superfície, varia pouco entre o Equador e os Pólos, mais
uniforme do que a radiação recebida, causa desequilíbrio.7
Circulação atmosférica
• Balanço global da radiação
• Equilíbrio reposto essencialmente através da circulação
atmosférica, transfere energia do Equador para os Pólos
(valor médio de cerca de 4 x 109 MW).
• Circulação numa Terra imóvel (Circulação de Hadley)

8
Circulação atmosférica
• Rotação da Terra no sentido Oeste – Leste modifica
este modelo simplificado de circulação.
• Quando um anel de ar à volta do Equador se move em
direcção a um Pólo, o seu raio diminui. Para manter o
momento angular, a velocidade do ar em relação à
superfície da Terra aumenta, criando um vento com o
sentido de Oeste para Leste. Passa-se o oposto com um
anel de ar que se move dum Pólo para o Equador. Estes
efeitos são o resultado da chamada “ força de Coriolis”.
• Ventos alísios (trópicos, E-W), do Oeste (latitudes
intermédias W-E), polares (latitude acima de 60º, E-W).
9
Circulação atmosférica
• Circulação atmosférica caracterizada por três células
em cada hemisfério: célula tropical, célula intermédia
e célula polar.
• Célula tropical (Célula de Hadley)
• O ar aquecido sobe no Equador, dirige-se para o Pólo pela
camada superior da atmosfera, arrefece e desce para a
superfície próximo da latitude 30º. Junto da superfície
divide-se em dois ramos, um seguindo em direcção ao
Pólo e o outro retornando ao Equador.

10
Circulação atmosférica
• Célula polar
• O ar ascende próximo da latitude 60º, dirigindo-se para o
Pólo pela camada superior da atmosfera. Depois arrefece,
desce e regressa, próximo da superfície, à latitude 60º.
• Célula intermédia (Célula de Ferrell)
• Resultado da fricção das outras duas. Próximo da
superfície, o ar dirige-se para o Pólo, originando ventos de
Oeste. Na camada superior, choca com a massa de ar da
célula tropical.

11
Circulação atmosférica

12
Circulação atmosférica
• Distribuição irregular das superfícies dos oceanos e dos
continentes, com diferenças de propriedades térmicas, cria
uma variação espacial adicional na circulação atmosférica.
• A mudança anual do Equador térmico devido á rotação da
Terra à volta do Sol causa uma correspondente oscilação
no padrão de circulação das três células.
• Grande oscilação – trocas de ar entre células vizinhas são
mais frequentes e completas, sequência de anos húmidos.
• Pequena oscilação – centros estáveis de altas pressões
perto das latitudes 30º, extensos períodos secos.

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Circulação atmosférica sobre
Moçambique
• Principais factores que condicionam a circulação
atmosférica sobre Moçambique:
• baixas pressões da zona intertropical;
• células anti-ciclónicas do Índico e do Atlântico Sul;
• depressão de origem térmica que se forma na estação
quente sobre o planalto continental africano;
• ciclones tropicais no Canal de Moçambique.

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Circulação
atmosférica
sobre
Moçambique
em Janeiro
A – anti-ciclone
B – baixas pressões
E – massa de ar equatorial
Tmu – massa de ar tropical
marítimo
Tc – massa de ar continental

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Circulação
atmosférica
sobre
Moçambique
em Julho
A – anti-ciclone
B – baixas pressões
E – massa de ar equatorial
Tmu – massa de ar tropical
marítimo
Tc – massa de ar continental

16
Mudança de estado da água
• Capacidade térmica da água – quantidade de
energia necessária para fazer subir de 1 K a
temperatura de 1 kg de água = 4187 J/kg/K. Varia
muito pouco com a temperatura.
• Calor latente de vaporização – quantidade de
energia necessária para passar 1 kg de água do
estado líquido para o estado de vapor =
2502 – 2,4 (T – 273,15) kJ/kg, sendo T a
temperatura absoluta da água.
17
Tensão do vapor
• Tensão do vapor, e, é a pressão do vapor de água
numa dada massa de ar, em determinadas
condições de pressão atmosférica e de temperatura.
• Tensão do vapor saturado, esw, é a pressão do vapor
de água, quando a massa de ar, em dadas
condições de pressão atmosférica e de temperatura,
já não comporta mais vapor de água. É dada por
esw = 611,2 exp ((17,67 (T – 273,15))/(T – 29,6))

1818
Humidade do ar
• Humidade absoluta, ρv, é a relação entre a massa
de vapor de água e o volume de ar húmido que a
contém = massa volúmica do vapor de água (kg/m3).
• Humidade específica, qv, é a relação entre as
massas de vapor de água e de ar húmido que
existem em determinado volume de ar húmido.
• Humidade relativa, U, é a relação entre a massa de
vapor de água (mv) num determinado volume de ar e
a massa de vapor de água que saturaria esse
volume à mesma temperatura (mvs), U = e / esw .
19
Humidade do ar
• Razão de mistura, w, é a relação entre as massas
de vapor de água e de ar seco que existem num
dado volume de ar, w = 0,622 e / (pa – e).
• A razão de mistura varia entre 0 (ar seco) e perto de
0,04 (ar muito húmido).
• A razão de mistura, w, aproxima-se muito do valor
da humidade específica, qv.

20
Nuvens e precipitação
• As nuvens são formadas por gotas de água e
partículas de gelo, com génese no vapor de água da
atmosfera.
• Classificam-se segundo o aspecto:
• Cúmulos, com grande desenvolvimento vertical e
horizontal, de vários quilómetros.
• Estratos, com camadas estreitas e sobrepostas, de
centenas de quilómetros na horizontal.
• Cirros, com grande altitude, aspecto filiforme.
• Nimbos são nuvens que produzem precipitação.
• Combinações destes nomes (exº cúmulos-nimbos). 21
Nuvens e precipitação
• Formam-se gotas de água líquida a partir do vapor
de água quando a pressão excede ligeiramente a
tensão de saturação do vapor, por efeito de
partículas higroscópicas (sal proveniente do mar,
poeiras – núcleos de condensação).
• A pressão da água líquida à superfície das gotas
pequenas é superior à das gotas grandes. Gotas
pequenas vaporizam-se mais facilmente e esse
vapor contribui para o aumento das gotas grandes.
• O crescimento das gotas faz-se também por
coalescência.
22
Características das gotas
r = raio , µm, n = número por litro, u = velocidade terminal, cm/s

23
Nuvens e precipitação
• Tamanho típico das gotas que precipitam é entre 0,1
e 6 mm.
• Também se podem formar cristais de gelo.
• Dependendo das condições de temperatura na
queda, os cristais de gelo darão origem a chuva,
neve ou granizo.
• Precipitação implica que haja um processo de
contínua substituição do vapor condensado. Para
isso, é preciso que o ar se encontre em movimento
ascensional.
24
Tipos de precipitação
• Tipos de precipitação – classificam-se de acordo
com as causas do movimento ascensional:
• precipitação convectiva;
• precipitação orográfica;
• precipitação frontal;
• precipitação de convergência.

25
Precipitação convectiva
• Ocorre quando massas de ar são aquecidas
intensamente à superfície, adquirindo uma menor
massa volúmica do que o ar que se lhes sobrepõe.
• O ar menos denso tende a subir na atmosfera,
sofrendo um processo adiabático de arrefecimento.
• Convecção térmica é o movimento vertical
provocado pelas diferenças de temperatura das
massas de ar.
• Se o ar quente contiver muita humidade e a subida
for grande, formar-se-á um cúmulo – tempestades
com forte precipitação e trovoada. 26
Precipitação convectiva

27
Precipitação orográfica
• Ocorre quando massas de ar muito húmidas têm de
ultrapassar barreiras orográficas elevadas.
• Na fase inicial da subida, o processo de expansão
do ar é adiabático (redução da pressão, baixa de
temperatura).
• Depois de ultrapassada a barreira, o ar volta a
descer, sofrendo um processo adiabático de
compressão.
• A barlavento de tais barreiras, o ar é mais fresco e a
precipitação é maior do que a sotavento.
28
Precipitação orográfica

29
Precipitação frontal
• Ocorre na região de contacto de massas de ar
polares (frias e secas) e tropicais (quentes e
húmidas) a latitudes médias e subtropicais.
• Frente – região de separação das duas massas de
ar.
• Frente fria – o ar frio desloca-se por baixo do ar
quente, elevando-o rapidamente, numa superfiície
com grande curvatura.
• Frente quente – o ar quente, empurrado pela frente
fria, desloca-se suavemente sobre o ar frio ao longo
de uma superfície sem grande curvatura e declive. 30
Precipitação frontal
• A frente fria desloca-se com maior velocidade que a
frente quente, as duas frentes acabam por unir-se.
• Na frente fria, durante a fase de maturidade do
sistema, a turbulência é muito grande, e as
precipitações, muito intensas (tornados nos Estados
Unidos).

31
Precipitação frontal

Frente oclusa

32
Precipitação de convergência
• Ocorre quando o ar se desloca à superfície para
regiões de baixa pressão, como a zona de
convergência intertropical, donde pode sair apenas
por ascensão a camadas superiores, mas sem dar
origem a sistemas frontais.
• As maiores tempestades da Terra, os tufões, são
geradas nessa zona de convergência, sobre os
oceanos, quando a temperatura da superfície é
elevada, com velocidades de vento várias vezes
superior à dos ciclones dos sistemas frontais.
33
Precipitação de convergência
• Ciclones formados na zona nordeste do Oceano
Índico têm como características principais:
– Altas temperaturas;
– Movimento de rotação devido ao efeito de Coriolis,
turbilhões, ventos de mais de 120 km/h;
– Grande poder de destruição;
– Dissipam-se em terra.

34
Modelos simplificados de
precipitação
• Úteis para estimar quantidades de precipitação em
condições meteorológicas extremas.
• Água precipitável z1 p1 qv
W12    v dz   dp
z2 p2 g
W12 representa a água precipitável (kg m-2) entre os
níveis 1 e 2, z1 e z2, os níveis entre os quais a
coluna se desenvolve (m), ρv, a massa volúmica do
vapor de água (kg/m3), qv a humidade específica do
ar, podendo ser considerado aproximadamente igual
à razão de mistura, w. 35
Modelos simplificados de
precipitação
Água precipitável entre 1000 hPa e a
pressão indicada. Temperatura no
nível 1 é a do eixo das abcissas.

A relação entre a pressão (Pa) e a


altitude (m) é dada por

  p  0,19023 
z  443081    
  101325  
 

36
Modelo de precipitação orográfica

37
Modelo de precipitação orográfica

R  b   V  v dz   V  v dz 
z2 z4

 z1 z3 
R – massa de água precipitada (kg/s)
V – velocidade do vento (m/s)
ρv – humidade absoluta do ar saturado (kg/m3)
b – largura do volume de controlo (m)
R  b V12 W12  V34 W34 
Vij - velocidade média do vento na face ij (m/s)
Wij – água precipitável na face ij (kg/m2)

p12
V34  V12
p34 38
Para qualquer dos modelos referidos, pode calcular-se a intensidade de precipitação em mm h-1 (I) pela fórmula:

Modelos de precipitação de
convergência
Ver “Hidrologia e Recursos Hídricos”, pg 122-
126.
Para qualquer dos modelos referidos, pode
calcular-se a intensidade de precipitação I em
mm/h pela fórmula:
R
I  3 600
A

39
Precipitação artificial
• O processo consiste em lançar na atmosfera núcleos
de condensação.
• Os resultados são duvidosos, o processo não
consegue criar zona de baixas pressões.
• Por vezes é utilizada para evitar queda de granizo.
• Recente (Agosto de 2013) exemplo do Japão:
precipitação de 17,5 mm em 24 horas.

40
Precipitação vs. evaporação local
• Não há relação entre a precipitação e a evaporação
local.
• Água evaporada é transportada para longas
distâncias.
• Água que precipita provém de longas distâncias.
• Criação de novos grandes corpos de água (exº:
albufeira de Cahora Bassa) origina alterações do
micro-clima local.

41
Medição da precipitação
• P – altura = volume / unid. área, mm ou L/m2
• Medição local é feita por udómetro ou pluviómetro
(totalizador ou registador); medição por detecção
remota é feita por radar meteorológico ou satélite.
• Udómetro – tem um funil assente sobre suporte
cilíndrico, tendo no interior um recipiente acumulador
da água recolhida. Altura da boca do udómetro – 1,5
m acima do terreno, diâmetro da boca – 16 cm.
• Udómetro registador (udógrafo) – interpõe-se um
mecanismo de registo entre o funil receptor da
precipitação e o recipiente acumulador. 42
Udógrafo de sifão

43
Gráfico de um udógrafo de sifão

44
Udógrafo de báscula

A, B – Reservatórios do
balanceiro
C – Íman
D – Interruptor

Cada mudança corresponde


a 0,1 mm.

45
Gráfico de um udógrafo de báscula

46
Udógrafo digital
• O registo é feito em memória digital.
• A gigantesca capacidade das actuais
memórias electrónicas permite armazenar
dados de precipitação em intervalos de tempo
muito pequenos, por exemplo, de 1 minuto.
• Os avanços na tecnologia de comunicações
permitem associar o registo digital à sua
transmissão em tempo real para centros de
processamento. 47
Erros de medição
• Os erros de medição da precipitação devem-se a:
• alteração do campo de vento na proximidade do udómetro;
• evaporação da água;
• no udógrafo de sifão, não registo da precipitação enquanto
o sifão esvazia;
• no udógrafo de báscula, não registo preciso do início e fim
da precipitação;
• no udógrafo digital, dependência do mecanismo utilizado
para a medição da precipitação em cada intervalo de
tempo.

48
Localização de pluviómetros
• É importante que não haja obstáculos na
proximidade dos pluviómetros porque obstáculos
alteram o campo do vento e podem reduzir o volume
de água recolhido pelo pluviómetro.
• A distância mínima de um pluviómetro a qualquer
obstáculo, como uma árvore ou um edifício, deve ser
de duas vezes a altura desse obstáculo.

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Rede udométrica
• Recomendações de densidades mínimas da WMO
– Regiões de clima temperado ou mediterrânico, clima
tropical com pouco relevo – 600-900 km2/estação;
– Idem, áreas montanhosas – 100-250 km2/estação;
– Pequenas ilhas montanhosas – 25 km2/estação;
– Zonas áridas e polares – 1500-10000 km2/estação.
• Seria desejável que Moçambique tivesse 800 a 1000
postos pluviométricos mas tem apenas cerca de 300
(2016).

50
Radar meteorológico
• O radar é composto por:
– Transmissor – produz energia em determinada frequência;
– Antena – irradia a energia e intercepta-a depois de
reflectida;
– Receptor – detecta, amplifica e transforma os sinais
recebidos;
– Indicador de vídeo, onde os sinais são visualizáveis.
• A intensidade do sinal recebido cresce com a
intensidade da precipitação.
• Permite determinar a área onde ocorre precipitação.
51
Radar meteorológico

Receptor

52
Radar meteorológico
• A qualidade da medição da precipitação com radar
meteorológico é afectada por vários fenómenos:
– existência de ecos não provenientes da precipitação;
– ocultação total ou parcial do feixe emitido por elevações
do terreno ou por obstáculos elevados de outra natureza;
– atenuação da radiação pelos gases atmosféricos e pela
própria precipitação;
– propagação anómala do feixe emitido;
– presença de gelo em fusão na atmosfera, que intensifica a
reflexão da energia emitida.
53
Radar meteorológico
• Medidas do radar exigem calibração complexa e em
tempo real, com informação recolhida por udómetros
ou udógrafos instalados no terreno.
• Com o desenvolvimento da tecnologia, espera-se
poder definir com mais rigor o campo da
precipitação à superfície do terreno.
• O INAM dispõe de três radares meteorológicos
(Maputo, Xai-Xai, Inhambane), nem sempre estão
operacionais.

54
Radar meteorológico

55
Medição da precipitação por
satélite
• A informação recolhida por satélites geo-
estacionários permite estimar a precipitação
sobre áreas.
• Área mínima corresponde a 1 pixel da
imagem, actualmente cerca de 90 x 90 km2 .
• Há muita investigação em curso para
determinar a precisão das estimativas de
precipitação a partir dos dados de satélites.
56
Preenchimento de falhas
• É habitual haver falhas nos registos das séries das
variáveis hidrológicas:
• Avaria do equipamento;
• Ausência o leitor;
• Perda do registo.
• Por vezes, consegue-se estimar os valores
prováveis que teriam ocorrido nesses períodos de
falha.

57
Preenchimento de falhas
• Os métodos da razão normal e do US NWS estimam
a precipitação numa estação a partir dos valores de
estações vizinhas no período em falta.
• Método da razão normal – admite que a razão da
precipitação estimada e a precipitação média da
estação é igual à média dessas razões nas três
estações vizinhas mais próximas.

= Px [( P A ) + ( PB ) +( PC )]
Px
3 PA PB PC
58
Preenchimento de falhas
• Método do US NWS – a precipitação na estação no
período de falha é igual à média pesada das
precipitações em 4 estações próximas, uma em
cada quadrante, nesse período. Os pesos variam de
forma inversa exponencial com a distância.
N
 w iPi
i 1
P ( x , y)  N
 wi
i1
1
wi  
di 59
Preenchimento de falhas
• Para além dos métodos expeditos, pode
recorrer-se à técnica de correlação e
regressão lineares (estação com valores em
falta – variável dependente, estação próxima
– variável independente).

60
Precipitação intensa
• Intensidade média da precipitação, I – razão entre a
quantidade de precipitação e a duração do intervalo
de tempo em que ocorreu.
• Precipitação: ligeira < 1 mm/h, moderada 1 – 4
mm/h, intensa > 4 mm/h.
• Precipitações intensas originam inundações e
erosões do solo.

61
Recordes mundiais de precipitação
Duração Precipitação Intensidade média Local Data de início
(mm) (mm h-1)
1 min 38 2280 Barot, Guadalupe 26-10-1970
8 min 126 945 Fussen, Baviera 25-05-1920
15 min 198 792 Plumb Point, Jamaica 12-05-1916
20 min 206 618 Curtea-de-Arges, Roménia 07-07-1947
42 min 305 436 Holt, Missouri 22-06-1947
2h 10 min 483 223 Rockport, Virgínia Ocidental 18-07-1889
2h 45 min 559 203 D'Hanis, Texas 31-05-1935
4h 30 min 782 174 Smethport, Pensilvânia 18-07-1942
9h 1087 121 Belouve, La Réunion 28-02-1964
12h 1340 112 Belouve, La Réunion 28-02-1964
18h 30 min 1689 91 Belouve, La Réunion 28-02-1964
24h 1825 76 Foc Foc, La Réunion 15-03-1952
2d 2259 47 Hsin Liao, Taiwan 17-10-1967
3d 2759 38 Cherrapunji, Índia 12-09-1974
4d 3721 39 Cherrapunji, Índia 12-09-1974
8d 3847 20 Bellenden Ker, Queensland 01-01-1979
15 d 4798 13 Cherrapunji, Índia 24-06-1931
31 d 9300 13 Cherrapunji, Índia jul 1861
2 meses 12 767 9 Cherrapunji, Índia jun 1861
3 meses 16 369 7 Cherrapunji, Índia mai 1861
4 meses 18 738 6 Cherrapunji, Índia abr 1861
5 meses 20 412 6 Cherrapunji, Índia abr 1861
6 meses 22 454 5 Cherrapunji, Índia abr 1861
11 meses 22 990 3 Cherrapunji, Índia jun 1861
1 ano 26 461 3 Cherrapunji, Índia ago 1860 62
2 anos 40 768 2 Cherrapunji, Índia jan 1860
Recordes mundiais de precipitação
100000

10000
Precipitação (mm)

1000
Recorde Mundial
Recorde Português

1440; 292
2880; 299
360; 272
720; 276
100 Envolvente
60; 96
30; 59
5; 20

10

1
1

10

100

1000

10000

100000

1000000

10000000
Duração (min)

63
Recordes mundiais de precipitação
• Linha envolvente dos recordes mundiais de
precipitação P = 50 t0,5 , P – mm, t – min
• Intensidade média da precipitação mundial máxima
P
I   50 t 0,5 mm / min  3000 t 0,5 mm / h
t
• Intensidade média da precipitação diminui com a
duração.

64
Caracterização de precipitações
intensas
• Análise estatística de séries de máximos anuais da
quantidade de precipitação, P(t) – cada série para
um intervalo de tempo com a duração t.
• Ajustamento de uma função de distribuição de
probabilidade – valores de precipitação para
determinada duração e com um dado período de
retorno, P(t,T).
• Relação entre P, t e T – linhas de possibilidade
udométrica P(t,T) = a(T) tn(T); parâmetros a,n –
método do mínimo dos quadrados; 0 < n < 1.
65
Curvas IDF
• Curvas IDF (intensidade média – duração –
frequência) I(t,T) = a(T) t(n(T) – 1)
160
140
120
100
I (mm/h)

80
60
40
20
0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600
t (min)

Maputo Lisboa (IGIDL)


66
Curvas IDF
(anexo 11 do
RSPDADAR)

67
Curvas IDF do Anexo 11 do
RSPDADAR - críticas
• Não é conhecida a base de dados de
precipitação utilizada para derivar as curvas
IDF do Regulamento para Maputo e para os
valores de K para o resto do País.
• As curvas IDF devem ser revistas com
introdução de dados de anos recentes.
• Alternativa para os valores de K: usar o rácio
entre as precipitações de 24 h de Maputo e do
local em causa, para o mesmo T. 68
Precipitação máxima provável
• PMP – é a máxima precipitação fisicamente possível
para uma dada duração sobre uma dada área em
certa região geográfica numa determinada altura do
ano.
• Pode obter-se a PMP por diversos métodos:
– Usando modelos simplificados de precipitação;
– Multiplicando a precipitação intensa registada pela razão
entre a máxima humidade teoricamente possível e a
humidade registada;
– Usando a equação do factor de probabilidade.
69
Precipitação máxima provável
• Na utilização de modelos simplificados de
precipitação, deve considerar-se que o ar se
encontra saturado à entrada e seco à saída.
• Foi sugerido para Portugal tomar para PMP a P10000
ou 2,5 x P1000 .
• Ponce: usar a equação do factor de probabilidade,
xM  x  K s x com K = 15.
• Hershfield sugere tomar um K variável com média e
duração da chuvada.
70
Precipitação máxima provável
20
Fator de probabilidade, K (-)

16
24 h

6h
12
1h

5 min
8

4
0 100 200 300 400 500 600
Média da precipitação anual máxima (mm)

71
Precipitação sobre uma região
1
• Expressão geral: P  A P( x , y) dA
A
• Habitualmente, a precipitação é medida localmente
em udómetros ou udógrafos Pi  P(x i , y i )
• Ajusta-se uma função P(x,y) à precipitação medida
em vários postos.
• Método da média aritmética
1 N
P( x , y)  P   Pi
N i 1

72
Precipitação sobre uma região
4.6

1.6

6.2
4.1

4.5

9.1

4.1
9.7
1.3
5.0

8.2

73
Método dos polígonos de Thiessen
• A função P(x,y) é aproximada por segmentos de
área nos quais a função é constante e tem um valor
igual à medida efetuada no posto que os define.
• Cada um dos segmentos de área é definido pelo
lugar geométrico dos pontos da área que estão mais
próximos de um posto do que de qualquer outro
posto – área de influência desse posto.
• O posto que define uma determinada área de
influência pode estar situado fora da área em
análise. 74
Método dos polígonos de Thiessen
• O polígono de Thiessen associado a um dado posto
é constituídos pelas mediatrizes aos lados dos
triângulos que têm esse posto como vértice.
• A área de influência do posto resulta da intersecção
da área em análise com o respectivo polígono.
• A precipitação na área em análise é a média
ponderada das precipitações em cada um dos
postos com influência sobre a área em análise
Ai
P   Pi
i A
75
Método dos polígonos de Thiessen
4.6
1.6

6.2
4.1

4.5

9.1

4.1
9.7
1.3
5.0

8.2

76
Método das isoietas
• Isoietas são linhas de igual precipitação.
• Interpola-se entre postos com a precipitação medida
de modo a definir P(x,y) e poder traçar as linhas de
igual precipitação, P(x, y)  P
• Utiliza-se uma rede de triângulos e interpola-se
linearmente ao longo dos lados de cada triângulo.
• As isoietas obtêm-se unindo os pontos interpolados
de igual precipitação e podem depois ser suavizadas
ou arredondadas para obtenção de um melhor
aspecto visual.
77
Método das isoietas
• A precipitação na área em análise é a média
ponderada das precipitações entre sucessivas
isoietas P  P1
P
1
A
 2
A   A 1 
• A  – área onde precipitação > P
P1  P

78
Método das isoietas
4.6
4.6
1.6
1.6

6.2
6.2 4.1
4.1

4.5
4.5
9.1
9.1

4.1 4.1
9.7 9.7
1.3 1.3
5.0 5.0

8.2 8.2

79
Comparação entre os métodos de
Thiessen e das isoietas
• No método de Thiessen,os coeficientes de
ponderação não dependem dos valores registados
nos vários postos; as isoietas variam com os valores
registados.
• O método das isoietas é mais subjectivo mas
permite considerar factores como o relevo,
exposição aos ventos, etc.
• As isoietas dão uma imagem visual da precipitação
ao passo que o método de Thiessen apenas dá
valores.
80
Distribuição temporal da precipitação
• A distribuição 600

da precipitação 500

apresenta
400
grande
variabilidade
P (mm)
300

também no
200
tempo.
100

0
OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET

O gráfico de caixas dá os valores máximo e mínimo do registo,


os quantis de 75 e 25% e a mediana, o ponto negro é a média.81
Precipitação anual em Maputo
1800

1600

1400
Precipitação Anual (mm)

1200

1000

800

600

400

200

0
14 17 20 23 26 29 32 35 38 41 44 47 50 53 56 59 62 65 68 71 74 77 80 83 86 89 92 95 98 10
01 10
04
1 4
Ano

82
Precipitação mensal em Maputo
(gráfico de caixas de Tukey)
600

500

400
P (mm)

300

200

100

0
OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET 83
Distribuição
espacial da
precipitação
anual média

84
Distribuição espacial da precipitação
anual média
• A precipitação anual média em Moçambique é cerca
de 950 mm.
• A precipitação anual média em cada ponto de
Moçambique é influenciada por:
– Latitude – na região Sul é apenas cerca de 590 mm, no
resto do país atinge cerca de 1070 mm;
– Relevo – a precipitação é mais elevada nas regiões de
altitude (Alta Zambézia, montanhas de Manica, planaltos
de Lichinga, Angónia e Marávia);
– Distância ao litoral, sobretudo na região Sul.
85
Distribuição espacial da precipitação
anual média
• A variação com a latitude deve-se ao movimento da
FCITS e do anticiclone do Índico.
• Na região Sul, o relevo é pouco acentuado. O relevo
é o factor mais importante da precipitação em
Moçambique (Alta Zambézia, planaltos de Lichinga e
Mueda, zonas de altiplanos e montanhas do Norte
de Tete e Manica).
• As massas de ar húmido do oceano precipitam no
litoral. À medida que se caminha para o interior, a
precipitação diminui, só o relevo contraria esta
86
tendência.
Distribuição espacial da precipitação
anual média
• Se a precipitação é muito baixa na região Sul, como
se explicam as grandes cheias que ocorrem nos rios
dessa região – Limpopo, Incomáti, Umbelúzi,
Maputo?

87

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