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Capitulo 2.

TEORIAS DA ADMINISTRACAO E A SUA APLICABILIDADE

A Época
A segunda década do século XX foi tumultuada. A Primeira Guerra Mundial (1914-1917) envolveu a
Europa e os Estados Unidos em operações militares conjuntas. Em seguida, os meios de transporte
tiveram enorme expansão, com a indústria automobilística, as ferrovias e o início da aviação militar, civil e
comercial. As comunicações também passaram por enorme expansão do jornalismo e do rádio em ondas
médias e curtas. E na Europa, surgiu a Teoria Clássica da Administração.

1. Administração Cientifica
A Teoria Clássica, segundo Chiavenato (2003) está fundamentada na escola que foi denominada de
Administração Científica. Sua origem remonta ao ano de 1903, ou seja, começo do século XX e após
surgidas as consequências da Revolução Industrial, que trouxe o crescimento acelerado e desorganizado
das empresas e a necessidade de aumentar a produção de bens, reduzindo a imprevisão, melhorando a
eficiência e aumentando a competitividade.

A Obra de Taylor

Frederick Winslow Taylor (1856-1915), o fundador da Administração Científica, nasceu na Filadélfia, nos
Estados Unidos. Veio de uma família qualquer de princípios rígidos e foi educado com forte mentalidade
de disciplina, devoção ao trabalho e poupança. Iniciou sua carreira como operário na Midvale Steel Co.,
passando a capataz, contramestre até chegar a engenheiro, quando se formou pelo Stevens Institute. Na
época, vigorava o sistema de pagamento por peça ou por tarefa. Os patrões procuravam ganhar o máximo
na hora de fixar o preço da tarefa, enquanto os operários reduziam o ritmo de produção para
contrabalançar o pagamento por peça· determinado pelos patrões. Isso levou Taylor a estudar o problema
de produção para tentar uma solução que atendesse tanto aos patrões como aos empregados.

Primeiro período de Taylor

O primeiro período de Taylor corresponde à época da publicação de seu livro Shop Management (1903),
sobre as técnicas de racionalização do trabalho do operário, por meio do Estudo de Tempos e Movimentos
(Motion-time Study). Taylor começou por baixo, junto com os operários no nível de execução, efetuando
um paciente trabalho de análise das tarefas de cada operário, decompondo os seus movimentos e
processos de trabalho para aperfeiçoá-los e racionalizá-los. Verificou que o operário médio e com o
equipamento disponível produzia muito menos do que era potencialmente capaz. Concluiu que se o
operário mais produtivo percebe que obtém a mesma remuneração que o seu colega menos produtivo,
acaba se acomodando, perdendo o interesse e não produzindo de acordo com sua capacidade. Daí a
necessidade de criar condições de pagar mais ao operário que produz mais. Em essência, Taylor diz, em
Shop Management, que:

1. O objetivo da Administração é pagar salários melhores e reduzir custos unitários de produção.

2. Para realizar tal objetivo, a Administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa e experimentos
para formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle das operações
fabris.

3. Os empregados devem ser cientificamente selecionados e colocados em seus postos com condições de
trabalho adequadas para que as normas possam ser cumpridas.

4. Os empregados devem ser cientificamente treinados para aperfeiçoar suas aptidões e executar uma
tarefa para que a produção normal seja cumprida.

S A Administração precisa criar uma atmosfera de íntima e cordial cooperação com os trabalhadores para
garantir a permanência desse ambiente psicológico.

Segundo período de Taylor

Corresponde à publicação do seu livro The Principies of Scientific Management (1911), quando concluiu
que a racionalização do trabalho operário deveria ser acompanhada de uma estruturação geral para tornar
coerente a aplicação dos seus princípios na empresa como um todo. A partir daí, desenvolveu seus
estudos sobre a Administração geral, a qual denominou Administração Científica, sem deixar de lado sua
preocupação quanto à tarefa do operário. Para Taylor, as indústrias de sua época padeciam de três males:
1. Vadiagem sistemática dos operários, que reduziam a produção acerca de um terço da que seria
normal.
Há três causas determinantes da vadiagem no trabalho:

a. O engano disseminado entre os trabalhadores de que o maior rendimento do homem e da máquina


provoca desemprego.

b. O sistema defeituoso de Administração que força os operários à ociosidade no trabalho a fim de


proteger seus interesses pessoais

c. Os métodos empíricos ineficientes utilizados nas empresas, com os quais o operário desperdiça
grande parte de seu esforço e tempo.

2. Desconhecimento, pela gerência, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua
realização.

3. Falta de uniformidade das técnicas e dos métodos de trabalho.

Princípios da Administração Científica

A preocupação de racionalizar, padronizar e prescrever normas de conduta ao administrador levou os


engenheiros da Administração Científica a pensar que tais princípios pudessem ser aplicados a todas
as situações possíveis. Um princípio é uma afirmação válida para uma determinada situação; é uma
previsão antecipada do que deverá ser feito quando ocorrer aquela situação. Dentre a profusão de
princípios defendidos pelos autores da Administração Científica, os mais importantes são:

Para Taylor, a gerência deve seguir quatro princípios a saber:

1. Princípio de planeamento. Substituir no trabalho o critério individual do operário, a improvisação e


a actuação empírico-prática, por métodos baseados em procedimentos científicos. Substituir a
improvisação pela ciência através do panejamento do método de trabalho.
2. Princípio de preparo Selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões e
prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado.
Preparar máquinas e equipamentos em um arranjo físico e disposição racional.
3. 3. Princípio do controle. Controlar o trabalho para se certificar de que está sendo executado de
acordo com os métodos estabelecidos e segundo o plano previsto. A gerência deve cooperar com
os trabalhadores para que a execução seja a melhor possível.
4. Princípio da execução. Distribuir atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho
seja disciplinada.
Apreciação Crítica da Administração Científica

1. Mecanicismo da administração científica

A Administração Científica restringiu-se às tarefas e aos fatores diretamente relacionados com o cargo e a
função do operário. Embora a organização seja constituída de pessoas, deu-se pouca atenção ao
elemento humano e concebeu-se a organização como "um arranjo rígido e estático de peças" ou seja,
como uma máquina: assim como construímos uma máquina como um conjunto de peças e especificações
também construímos uma organização de acordo com um projeto. Daí a denominação "teoria da máquina"
dada à Administração Científica.

2. Superespecialização do operário
Na busca da eficiência, a Administração Científica preconizava a especialização do operário por meio da
divisão e da subdivisão de toda operação em seus elementos constitutivos. As tarefas mais simples - o
resultado daquela subdivisão - podem ser mais facilmente ensinadas e a perícia do operário pode ser
incrivelmente aumentada. Por outro lado, alcança-se uma respeitável padronização no desempenho dos
operários, pois na medida em que as tarefas vão se fracionando, a maneira de executá-las torna-se
padronizada. Essas "formas de organização de tarefas privam os operários da satisfação no trabalho, e, o
que é pior, violam a dignidade humana". O taylorismo demonstrou que a maneira espontânea com que os
trabalhadores executavam suas tarefas era a mais fatigante, a menos econômica e a menos segura. "Em
lugar dos erros do passado, o taylorismo propõe uma verdadeira racionalização; é esse seu papel positivo.
Uma nova ordem de coisas. O taylorismo propõe diminuir o número de atribuições de cada indivíduo e
especializar as atribuições de cada chefe. Isso é a negação de apreender a situação total em cada nível.
Trata-se de uma decomposição analítica das funções, a recusa de reconhecer os grupos e a negação da
visão da situação a cada nível." Contudo, a proposição de que "a eficiência administrativa aumenta com a
especialização do trabalho" não encontrou amparo.
3. Visão microscópica do homem

A Administração Científica visualiza cada empregado individualmente, ignorando que o trabalhador é um


ser humano e social. A partir de sua concepção negativista do homem - na qual as pessoas são
preguiçosas e ineficientes - Taylor enfatiza o papel monocrático do administrador: "A aceleração do
trabalho só pode ser obtida por meio da padronização obrigatória dos métodos, da adoção obrigatória de
instrumentos e das condições de trabalho e cooperação obrigatórias.

4. Ausência de comprovação científica

A Administração Científica é criticada por pretender criar uma ciência sem o cuidado de apresentar
comprovação científica das suas proposições e princípios. Em outros termos, os engenheiros americanos
utilizaram pouquíssima pesquisa e experimentação científica para comprovar suas teses. Seu método é
empírico e concreto, no qual o conhecimento é alcançado pela evidência e não pela abstração.

5. Abordagem incompleta da organização

A Administração Científica é incompleta, parcial e inacabada, por se limitar apenas aos aspectos formais
da organização, omitindo a organização informal e os aspectos humanos da organização. Essa
perspectiva incompleta ignora a vida social interna dos participantes da organização. As pessoas são
tomadas como indivíduos isolados e arranjados de acordo com suas habilidades pessoais e com as
demandas da tarefa a ser executada. Também omite certas variáveis críticas, como o compromisso
pessoal e a orientação profissional dos membros da organização, o conflito entre objetivos individuais e
organizacionais etc.

6. Limitação do campo de aplicação

A Administração Científica também ficou restrita aos problemas de produção na fábrica, não considerando
os demais aspectos da vida da organização, como financeiros, comerciais, logísticos etc. Além disso, o
desenho de cargos e tarefas retrata suas concepções a respeito da natureza humana (homem econômico)
e se fundamenta em uma expectativa de estabilidade e previsibilidade das operações da organização.

7. Abordagem prescritiva e normativa


A Administração Científica se caracteriza pela preocupação em prescrever princípios normativos que
devem ser aplicados como receituário em todas as circunstâncias para que o administrador possa ser
bem-sucedido. Essa abordagem prescritiva e normativa padroniza situações para poder prescrever a
maneira como elas deverão ser administradas. É uma abordagem com receitas antecipadas, soluções
enlatadas e princípios normativos que regem o como fazer as coisas dentro das organizações. Essa
perspectiva visualiza a organização como ela deveria funcionar ao invés de explicar seu funcionamento.

8. Abordagem de sistema fechado

A Administração Científica visualiza as organizações como se elas existissem no vácuo ou como se


fossem entidades autônomas, absolutas e hermeticamente fechadas a qualquer influência vinda de fora
delas. É uma abordagem de sistema fechado que, como veremos em capítulos posteriores, se caracteriza
pelo fato de visualizar somente aquilo que acontece dentro de uma organização, sem levar em conta o
meio ambiente em que ela está situada. Outra característica da abordagem de sistema fechado é a
maneira de ver tudo o que acontece dentro de uma organização sob o ponto de vista de algumas variáveis
mais importantes apenas, omitindo-se outras cuja influência não seja bem conhecida no conjunto.

9. Pioneirismo na administração

A Administração Científica constitui o ponto de partida da administração nos seguintes aspectos:

1. É o primeiro esforço científico para analisar e padronizar os processos produtivos com o objectivo de
aumentar a produtividade e a eficiência.

2. Obteve enorme êxito na racionalização das empresas da época.

3. Complementou a tecnologia da época, desenvolvendo técnicas e métodos que racionalizaram a


produção logrando forte aumento da produtividade.

2. Teoria clássica da administração


Henri Fayol. Foi outro grande pensador e autor, e um dos fundadores da Teoria Clássica, de (1841-1925),
engenheiro francês, nascido em Constantinopla, e radicado em Paris – França, formado em engenharia de
minas, foi contratado para trabalhar na empresa mineradora e metalúrgica francesa Comambault.
Na Teoria Clássica, ao contrário, partia-se do todo organizacional e da sua estrutura para garantir
eficiência a todas as partes envolvidas, fossem elas órgãos (como seções, departamentos etc.) ou
pessoas (como ocupantes de cargos e executores de tarefas). A micro abordagem no nível individual de
cada operário com relação à tarefa é enormemente ampliada no nível da organização como um todo em
relação a sua estrutura organizacional. A preocupação com a estrutura da organização como um todo
constitui, sem dúvida, uma substancial ampliação do objeto de estudo da TGA. Fayol, um engenheiro
francês, fundador da Teoria Clássica da Administração, partiu de uma abordagem sintética, global e
universal da empresa, inaugurando uma abordagem anatômica e estrutural que rapidamente suplantou a
abordagem analítica e concreta de Taylor.

Segundo Chiavenato (2003), Fayol, em seu livro “Administração Geral e Industrial”, apresenta seis
funções básicas que considera essenciais à toda empresa, que são as funções: • Técnicas – produção
de bens ou serviços da empresa;

• Comerciais – compra, venda e troca de bens;

• Financeiras – procura e gerenciamento de capitais;

• Segurança – proteção e preservação de bens;

• Contábeis – inventários, registros, balanços, custos e estatísticas;

• Administrativas – coordenam e comandam as outras cinco, constituindo-se na mais importante.

Os 14 Princípios Gerais da Administração, segundo Fayol, são:

1. Divisão do trabalho. Consiste na especialização das tarefas e das pessoas para aumentar a
eficiência.

2. Autoridade e responsabilidade. Autoridade é o direito de dar ordens e o poder de esperar


obediência. A responsabilidade é uma consequência natural da autoridade e significa o dever de
prestar contas. Ambas devem estar equilibradas entre si.

3. Disciplina. Depende de obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito aos acordos


estabelecidos.
4. Unidade de comando. Cada empregado deve receber ordens de apenas um superior. É o princípio
da autoridade única.

5. Unidade de direção. Uma cabeça e um plano para cada conjunto de atividades que tenham o
mesmo objetivo.

6. Subordinação dos interesses individuais aos gerais. Os interesses gerais da empresa devem
sobrepor-se aos interesses particulares das pessoas.

7. Remuneração do pessoal. Deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e para a
organização em termos de retribuição.

8. Centralização. Refere-se à concentração da autoridade no topo da hierarquia da organização.

9. Cadeia escalar. É a linha de autoridade que vai do escalão mais alto ao mais baixo em função do
princípio do comando.

10. Ordem. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. É a ordem material e humana.

11. Equidade. Amabilidade e justiça para alcançar a lealdade do pessoal.

12. Estabilidade do pessoal. A rotatividade do pessoal é prejudicial para a eficiência da organização.


Quanto mais tempo uma pessoa permanecer no cargo, tanto melhor para a empresa.

13. Iniciativa. A capacidade de visualizar um plano e assegurar pessoalmente o seu sucesso.

14. Espírito de equipe. A harmonia e a união entre as pessoas são grandes forças para a organização.

1. Conceito de Administração

Fayol define o ato de administrar como: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. As funções
administrativas envolvem os elementos da Administração, isto é, as funções do administrador, a saber:
1. Prever. Visualizar o futuro e traçar o programa de ação.
2. Organizar. Constituir o duplo organismo material e social da empresa.
3. Comandar. Dirigir e orientar o pessoal.
4. Coordenar. Ligar, unir, harmonizar todos os atos e esforços coletivos.
5. Controlar. Verificar que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas.

Esses são os elementos da Administração que constituem o chamado processo administrativo:


são localizáveis no trabalho do administrador em qualquer nível ou área de atividade da empresa. Em
outros termos, tanto o diretor, o gerente, o chefe, como o supervisor- cada qual em seu respectivo nível -
desempenham atividades de previsão, organização, comando, coordenação e controle, como atividades
administrativas essenciais.

Quadro 4.1. As funções do administrador segundo Fayol.

1. Previsão. Avalia o futuro e o aprovisionamento dos recursos em função dele.


2. Organização. Proporciona tudo o que é útil ao funcionamento da empresa e pode ser dividida
em organização material e organização social.
3. Comando. Leva a organização a funcionar. Seu objetivo é alcançar o máximo retorno de
todos os empregados no interesse dos aspectos globais do negócio.
4. Coordenação. Harmoniza todas as atividades do negócio, facilitando seu trabalho e sucesso.
Sincroniza coisas e ações em proporções certas e adapta meios aos fins visados.
5. Controle. Consiste na verificação para certificar se tudo ocorre em conformidade com o plano
adotado, as instruções transmitidas e os princípios estabelecidos. O objetivo é localizar as
fraquezas e erros no intuito de retificá-los e prevenir a recorrência.

A. precação Crítica da Teoria Clássica

As críticas à Teoria Clássica são numerosas. Todas as teorias posteriores da Administração se


preocuparam em apontar falhas, distorções e omissões nessa abordagem que representou durante
várias décadas o figurino que serviu de modelo para as organizações. As principais críticas à Teoria
Clássica são:

1. Abordagem simplificada da organização formal

Os autores clássicos concebem a organização em termos lógicos, formais, rígidos e abstratos, sem
considerar seu conteúdo psicológico e social com a devida importância. Limitam-se à organização
formal, estabelecendo esquemas lógicos e preestabelecidos, segundo os quais as organizações
devem ser construídas e governadas. Nesse sentido, são prescritivos e normativos: como o
administrador deve conduzir-se em todas as situações através do processo administrativo e os
princípios gerais que deve seguir para obter a máxima eficiência. A preocupação com as regras do
jogo é fundamental.

2. Ausência de trabalhos experimentais

A Teoria Clássica pretendeu elaborar uma Ciência de Administração para estudar e tratar a
Administração substituindo o empirismo e a improvisação por técnicas científicas. Porém, os autores
clássicos fundamentam seus conceitos na observação e no senso comum. Seu método é empírico e
concreto, baseado na experiência direta e no pragmatismo e não confrontam a teoria com elementos
de prova. Suas afirmações se dissolvem quando postas em experimentação. As idéias mais
importantes são catalogadas como princípios, o que provocou críticas, pois o princípio utilizado como
sinônimo de lei deve, como esta, envolver um alto grau de regularidade e consistência, permitindo
razoável previsão em sua aplicação, tal como acontece nas outras ciências.

3. Extremo racionalismo na concepção da Administração

Os autores clássicos se preocupam com a apresentação racional e lógica das suas proposições
sacrificando a clareza das suas ideias. O abstracionismo e o formalismo são criticados por levarem a
análise da Administração à superficialidade, à super simplificação e à falta de realismo. A insistência
sobre a concepção da Administração com um conjunto de princípios universalmente aplicáveis
provocou a denominação Escola Universalista. Alguns autores preferem, pelo espírito pragmático e
utilitarista, a denominação Teoria Pragmática.

O pragmatismo do sistema leva-o a apelar à experiência direta e não-representativa para obter


soluções aplicáveis de modo imediato.

4. "Teoria da máquina"

A Teoria Clássica recebe a denominação de teoria da máquina pelo fato de considerar a organização
sob o prisma do comportamento mecânico de uma máquina: a determinadas ações ou causas
decorrem determinados efeitos ou consequências dentro de uma correlação determinística. A
organização deve ser arranjada tal como uma máquina. Os modelos administrativos correspondem à
divisão mecanicista do trabalho, em que a divisão do trabalho é a mola do sistema. A abordagem
mecânica, lógica e determinística da organização foi o fator que conduziu erradamente os clássicos à
busca de uma ciência da Administração.

5. Abordagem incompleta da organização

Tal como aconteceu com a Administração Científica, a Teoria Clássica preocupou-se apenas com a
organização formal descuidando-se da organização informal. O foco na forma e a ênfase na estrutura
levaram a exageros. A teoria da organização formal não ignorava os problemas humanos da
organização, porém não conseguiu dar um tratamento sistemático à interação entre pessoas e grupos
informais, nem aos conflitos intra-organizacionais e ao processo decisório.

6. Abordagem de sistema fechado

A Teoria Clássica trata a organização como se ela fosse um sistema fechado, composto de algumas
variáveis perfeitamente conhecidas e previsíveis e de alguns aspectos que são manipulados por meio
de princípios gerais e universais. Contudo, apesar de todas as críticas, a Teoria Clássica é a
abordagem mais utilizada para treinamento de neófitos em Administração, pois permite uma
abordagem sistemática e ordenada.

3. Teoria de Relações Humana


Teoria das Relações Humanas é a corrente administrativa iniciada com a Experiência de Hawthorne e que
enfatiza as pessoas, os grupos e a organização informal em contraposição aos pressupostos formais da
Teoria Clássica da Administração.
As Origens da Teoria das Relações Humanas

A Teoria das Relações Humanas tem suas origens nos seguintes fatos:

1. A necessidade de humanizar e democratizar a Administração, libertando-a dos conceitos rígidos e


mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano. Nesse
sentido, a Teoria das Relações Humanas se revelou um movimento tipicamente americano e voltado para
a democratização dos conceitos administrativos.

2. O desenvolvimento das ciências humanas, principalmente a psicologia, bem como sua crescente
influência intelectual e suas primeiras aplicações à organização industrial. As ciências humanas vieram
demonstrar a inadequação dos princípios da Teoria Clássica.

3. As idéias da filosofia pragmática de John Dewey2 e da Psicologia Dinâmica de Kurt Lewin" foram
fundamentais para o humanismo na Administração. Elton Mayo é o fundador da escola. Dewey e Lewin
também contribuíram para sua concepção.3 A sociologia de Pareto foi fundamental.

4. As conclusões da Experiência de Hawthorne, realizada entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton
Mayo, que puseram em xeque os principais postulados da Teoria Clássica da Administração.

Decorrências das teorias das Relações Humanas

o advento da Teoria das Relações Humanas trouxe uma nova linguagem que passou a dominar o
repertório administrativo: fala-se agora em motivação, liderança, comunicação, organização informal,
dinâmica de grupo etc. Os conceitos clássicos de autoridade, hierarquia, racionalização do trabalho,
departamentalização, princípios gerais de Administração etc. passam a ser contestados ou deixados de
lado. Subitamente, explora-se o reverso da medalha.

O engenheiro e o técnico cedem lugar ao psicólogo e ao sociólogo. O método e a máquina perdem a


primazia em favor da dinâmica de grupo. A felicidade humana passa a ser vista sob um ângulo diferente,
pois o homo economicus cede o lugar para o homem social. Essa revolução na Administração ocorreu nos
prenúncios da Segunda Guerra Mundial, ressaltando o caráter democrático da Administração.
A ênfase nas tarefas e na estrutura é substituída pela ênfase nas pessoas.

Com a Teoria das Relações Humanas, surge uma nova concepção sobre a natureza do homem: o homem
social, que se baseia nos seguintes aspectos:

1. Os trabalhadores são criaturas sociais complexas, dotados de sentimentos, desejos e temores. O


comportamento no trabalho – como o comportamento em qualquer lugar – é uma consequência de muitos
fatores motivacionais.

2. As pessoas são motivadas por necessidades humanas e alcançam suas satisfações por meio dos
grupos sociais com que interagem. Dificuldades em participar e em se relacionar com o grupo provocam
elevação da rotatividade de pessoal (turnover), abaixamento do moral, fadiga psicológica, redução dos
níveis de desempenho etc.

3. O comportamento dos grupos sociais é influenciado pelo estilo de supervisão e liderança.

O supervisor eficaz é aquele que possui habilidade para influenciar seus subordinados, obtendo lealdade,
padrões elevados de desempenho e alto compromisso com os objetivos da organização.

A Influência da Motivação Humana

A motivação procura explicar por que as pessoas se comportam. A Administração Científica baseava-se
na concepção do homo economicus, segundo a qual o comportamento do homem é motivado
exclusivamente pela busca do dinheiro e pelas recompensas salariais e materiais do trabalho.

A Experiência de Hawthorne teve o mérito de demonstrar que a recompensa salarial – mesmo quando
efetuada em bases justas ou generosas – não é o único fator decisivo na satisfação do trabalhador dentro
da situação de trabalho. Elton Mayo e equipe propuseram uma nova teoria da motivação antagônica à do
homo economicus: o ser humano é motivado, não por estímulos salariais e econômicos, mas por
recompensas sociais e simbólicas.

1. Teoria de campo de Lewin Kurt Lewin em suas pesquisas sobre o comportamento social já se referia ao
importante papel da motivação. Para explicar a motivação do comportamento, elaborou a teoria de campo,
que se baseia em duas suposições fundamentais:
a. O comportamento humano é derivado da totalidade de fatos coexistentes.

b. Esses fatos coexistentes têm o caráter de um campo dinâmico, no qual cada parte do campo depende
de uma inter-relação com as demais outras partes.

O comportamento humano não depende do passado ou do futuro, mas do campo dinâmico atual e
presente. Esse campo dinâmico é "o espaço de vida que contém a pessoa e o seu ambiente psicológico".
Para Lewin, toda necessidade cria um estado de tensão no indivíduo e uma predisposição à ação.

Quando um objeto exeqüível é encontrado, ele adquire uma valência positiva e um vetor é despertado
para dirigir locomoção para o objeto. Quando a tensão é excessiva (muita fome, por exemplo), ela pode
tumultuar a percepção do ambiente e desorientar o comportamento do indivíduo. Se surge uma barreira,
ocorre a frustração pelo não alcance do objetivo, provocando aumento da tensão e levando a um
comportamento ainda mais desorientado. Lewin foi o principal inspirador dos autores da Escola das
Relações Humanas.

2. Necessidades humanas básicas

o homem é considerado um animal dotado de necessidades que se alternam ou se sucedem conjunta ou


isoladamente. Satisfeita uma necessidade, surge outra em seu lugar e, assim por diante, contínua e
infinitamente. As necessidades motivam o comportamento das pessoas dando-lhe direção e conteúdo. Ao
longo de sua vida, o homem evolui por três níveis ou estágios de motivação: na medida em que cresce e
amadurece, vai ultrapassando os estágios mais baixos e desenvolvendo necessidades de níveis mais
elevados. As diferenças individuais influem na duração, na intensidade e na possível fixação em cada um
desses estágios.

Os três níveis ou estágios de motivação correspondem às necessidades fisiológicas, psicológicas e de


auto - realização.

a. Necessidades fisiológicas

São as necessidades primárias, vitais ou vegetativas, relacionadas com a sobrevivência do indivíduo. São
inatas e instintivas. Situadas no nível mais baixo, as necessidades fisiológicas são também comuns aos
animais. Exigem satisfação periódica e cíclica. As principais necessidades fisiológicas são as de
alimentação sono, atividade física, satisfação sexual, abrigo e proteção contra os elementos e de
segurança física contra os perigos. Se um indivíduo tem fome, procura alimento; porém, quando come
regularmente, a fome deixa de ser uma motivação importante.

b. Necessidades psicológicas

São necessidades secundárias e exclusivas do homem. São aprendidas e adquiridas no decorrer da vida
e representam um padrão mais elevado e complexo de necessidades. Raramente são satisfeitas em sua
plenitude.

As principais necessidades psicológicas são:

1. Necessidade de segurança íntima. É a necessidade que leva o indivíduo à autodefesa, procura de


proteção contra o perigo, ameaça ou privação. Conduz a uma busca incessante de ajustamento e
tranquilidade pessoal em direção a uma situação segura para o indivíduo.

2. Necessidades de participação. É a necessidade de fazer parte, de ter contato humano, de participar


conjuntamente com outras pessoas de algum evento ou empreendimento. A necessidade de participação
foi analisada por Elton Mayo na explicação do comportamento em grupo. A aprovação social, o
reconhecimento do grupo, o calor humano, a vontade de fazer parte de um grupo são necessidades que
levam o homem a viver em grupo e socializar-se. Dentro do grupo social existem a simpatia (que leva à
coesão social) e a antipatia (que leva à dispersão social), dependendo da maneira como essa necessidade
é satisfeita ou não.

3. Necessidade de autoconfiança. É decorrente da auto-avaliação e auto-apreciação de cada indivíduo.

Refere-se à maneira pela qual cada pessoa se vê e se avalia, ao auto-respeito e à consideração que tem
para consigo mesma.

4. Necessidade de afeição. É a necessidade de dar e receber afeto, amor e carinho.

c. Necessidades de auto-realização

São as necessidades mais elevadas e decorrem da educação e da cultura da pessoa. São raramente
satisfeitas em sua plenitude, pois o ser humano procura maiores satisfações e estabelece metas
crescentemente sofisticadas. A necessidade de auto-realização é o corolário de todas as necessidades
humanas.

4. Ciclo motivacional
O comportamento humano é motivado. A motivação é a tensão persistente que leva o indivíduo a alguma
forma de comportamento visando à satisfação de uma ou mais necessidades. Daí o conceito de ciclo
motivacional: o organismo humano permanece em estado de equilíbrio psicológico (equilíbrio de forças
psicológicas, segundo Lewin), até que um estímulo o rompa e crie uma necessidade.

Essa necessidade provoca um estado de tensão em substituição ao estado de equilíbrio anterior. A tensão
conduz a um comportamento ou ação para alcançar a satisfação da necessidade. Quando a necessidade
é satisfeita, o organismo retoma ao estado de equilíbrio inicial até que outro estímulo sobrevenha.Toda
satisfação representa uma liberação de tensão ou descarga tensional.

5. Frustração e compensação
A satisfação das necessidades nem sempre é plenamente alcançada. Pode existir uma barreira ou
obstáculo que impeça a satisfação da necessidade. Toda vez que a satisfação é bloqueada por uma
barreira, ocorre frustração. A frustração impede que a tensão existente seja liberada e mantém o estado
de desequilíbrio e tensão. A frustração pode conduzir a reações comportamentais, como:

a. Desorganização do comportamento. A conduta da pessoa frustrada pode se tornar repentinamente


ilógica e sem explicação aparente.

b. Agressividade. A pessoa frustrada pode tornar- se agressiva. A liberação da tensão acumulada pode
ocorrer por meio de agressividade física, verbal, simbólica etc.

c. Reações emocionais. A tensão retida pela não satisfação da necessidade pode provocar formas de
reação, como ansiedade, aflição, estados de intenso nervosismo, insônia, distúrbios circulatórios,
digestivos etc.

d. Alienação e apatia. O desagrado pela não-satisfação da necessidade pode ocasionar reações de


alienação, apatia e desinteresse pelo alcance dos objetivos frustrados como mecanismo inconsciente de
defesa do ego.

Daí. a importância de evitar a frustração no comportamento das pessoas.


1. Conclusão

Apesar de todas as críticas, a Teoria Clássica ainda é a abordagem mais utilizada para os
iniciantes em administração, pois permite uma visão simples e ordenada. Também para a execução de
tarefas administrativas rotineiras, a abordagem clássica disseca o trabalho organizacional em categorias
compreensíveis e úteis. Os princípios proporcionam guias gerais que permitem ao administrador manipular
os deveres do cotidiano do seu trabalho com mais segurança e confiança. Contudo, em uma era de
mudança e instabilidade como a que se atravessa, a abordagem clássica mostra-se rígida, inflexível e
conservadora, pois ela foi concebida em uma época de estabilidade e permanência. Em resumo, a Teoria
Clássica ainda tem a sua utilidade no mundo de hoje, como se verá adiante. Ela é indispensável na
compreensão das bases da moderna administração.

Para entender a abordagem Clássica é necessário compreender a época e o contexto que se caracterizou
pelo predomínio de um modelo de administração adequado para aquela situação.
TEORIA NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO

Teoria Neoclássica é a corrente administrativa que se caracteriza pelo renascimento da Teoria Clássica,
devidamente atualizada e redimensionada de acordo com o espírito pragmático e que se baseia no
processo administrativo e na ênfase nos resultados e objetivos.

O termo Teoria Neoclássica é, na realidade, um tanto quanto exagerado. Os autores aqui abordados
(Peter F. Drucker, Ernest Dale, Harold Koontz, Cyril O'Donnell, Michael Jucius, William Newman, Ralph
Davis, George Terry, Morris Hurley, Louis Allen, sem contar os autores da escola da Administração por
Objetivos), muito embora não apresentem pontos de vista divergentes, também não se preocupam em se
alinhar dentro de uma organização comum. Em resumo, os autores neoclássicos não formam
propriamente uma escola bem definida, mas um movimento relativamente heterogêneo que recebe várias
denominações: Escola Operacional ou Escola do Processo Administrativo. Preferimos a denominação
teoria para melhor enquadramento didático e facilidade de apresentação.

Características da Teoria Neoclássica

As principais características da Teoria Neoclássica são as seguintes:

1. Ênfase na prática da administração.

2. Reafirmação dos postulados clássicos.

3. Ênfase nos princípios gerais de administração.

4. Ênfase nos objetivos e nos resultados.

5. Ecletismo nos conceitos.

Vejamos cada uma dessas características.

Administração como Técnica Social

Para os neoclássicos, a "Administração consiste em orientar, dirigir e controlar os esforços de um grupo de


indivíduos para um objetivo comum. E o bom administrador é, naturalmente, aquele que possibilita ao
grupo alcançar seus objetivos com o mínimo dispêndio de recursos e de esforço e com menos atritos com
outras atividades úteis"

Princípios Básicos de Organização

1. Divisão do trabalho.

2. Especialização.

3. Hierarquia.

4. Amplitude administrativa.

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