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| 2 FInanCIaDOrEs E ParCEIrOs Conectas agradece o apoio de seus principais financiadores: • Foundation Open

FInanCIaDOrEs E ParCEIrOs

Conectas agradece o apoio de seus principais financiadores:

• Foundation Open Society Institute

• Fundação das Nações Unidas

• Fundação Ford

• Fundo das Nações Unidas para a Democracia

• Oak Foundation

• Overbrook Foundation

• União Européia

a organização também gostaria de agradecer aos seguintes parceiros por sua contribuição com suas atividades:

• Ashoka Empreendedores Sociais - São Paulo

• Friedrich Ebert Stiftung - São Paulo

• Fundação Getúlio Vargas - São Paulo

• International Center for Transitional Justice - Nova Iorque

• International Service for Human Rights - Genebra

• Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP

Fotos de Camila asano, Daniela Ikawa, Eloisa Machado e leandro Vianna. Design de bruno luciano Villardo Martins

EQUIPE

Malak El Chichini Poppovic - Diretora Executiva Oscar Vilhena Vieira - Diretor Jurídico

ÁrEa InstItUCIOnal andre Degenszajn - Coordenador de Desenvolvimento Institucional Denise Conselheiro - assessora de Comunicação lucia nader - Coordenadora de relações Internacionais Marcelo Moisés - Programador Web

PrOgraMa sUl glObal Juana Kweitel - Coordenadora de Programa Daniela Ikawa - Coordenadora de Programa Pedro Paulo Poppovic - Editor da revista sur Camila asano - assistente de Programa Catharina nakashima - assistente de Programa thiago amparo - Estagiário

PrOgraMa DE JUstIça artIgO 1º Eloisa Machado - Coordenadora de Programa Humberto negrão - advogado Marcela Vieira - advogada Vivian sampaio - Estagiária Valcrécio Paganele (teo) - Estagiário

InstItUtO PrO bOnO Marcos Fuchs - Diretor Carolina bittencourt - advogada João Pedro brandão - advogado laura Mattar - advogada

PrOJEtO DIrEItO à saúDE Da MUlHEr nEgra Daniela Ikawa - Coordenadora de Projeto laura Mattar - Coordenadora de Projeto bruna angotti - Pesquisadora Iolanda Oliveira - Estagiária

aDMInIstraçãO Carlos augusto Pires - gerente administrativo Juliana gomes - assistente administrativa Maíra barreto - assistente administrativa

Conectas também conta com uma equipe de voluntários para cada um de seus projetos e recebe estudantes de graduação para estágios não-remunerados.

EstUDantEs EstrangEIrOs Fred Hasselquist (suécia), Julia stein (EUa), rosa Evangelina beltrán (EUa), Victoria schulsinger (França).

VOlUntÁrIOs andré Cavaller guzzi; andreza Poitena; bárbara Frossard Pagotto; Douglas de toledo Piza; Hugo M. E. reichenberger; Inês lafer; Ingrid leão; Isamar Escalona; Juliana de Moura gomes; Juliana de Paula bigatão; Patrícia gomes augustin; ricardo noryo Ywamoto.

VOlUntÁrIOs DO VII COlóQUIO IntErnaCIOnal DE DIrEItOs HUManOs Daniela Juliana de Mello, Fred Hasselquist, Ingrid leão, Iolanda barros de Oliveira, luisa Helena Oliveira Marques, Mariana brito, Mariana Parra, Marysol Franco góes, newton garcia teixeira Martins, Patrícia g. augustin, rafael giovanelli, raphael garcia, raquel Mozzer, renata gomes da silva, rosa Evangelina beltrán, samuel Friedman, severine Calza, Vinícius a. rodrigues Pinto

3 | carta dos diretores O ano de 2007 foi muito importante para a consolidação

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carta dos diretores

O ano de 2007 foi muito importante para a consolidação do trabalho desenvolvido pela Conectas na proteção e promoção dos direitos humanos.

Como parte do nosso Programa sul global, desenvolvemos uma campanha de advocacy inovadora, que reuniu diversas Ongs latino-americanas em defesa dos direitos humanos em um país da África – o Zimbábue. além disso, participamos da maioria das sessões do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da OnU em genebra e ainda organizamos um encontro em são Paulo com as demais Ongs que trabalham com o CDH para avaliar o papel da sociedade civil nesse Conselho durante o ano de 2007 e planejar ações conjuntas para 2008.

a consolidação de nossas atividades internacionais foi confirmada pelo sucesso do

VII

Colóquio Internacional de Direitos Humanos, que reuniu 56 ativistas de 26 países

do

sul global em são Paulo, de 3 a 10 de novembro de 2007.

além disso, o Programa de Direitos Humanos para a África lusófona alargou sua abrangência para também receber em 2008 participantes de guiné bissau.

Duas edições da revista sur - revista Internacional de Direitos Humanos foram publicadas em junho e dezembro de 2007. Uma delas, sobre justiça transicional, foi feita em parceria com o International Center for transitional Justice (ICtJ). também realizamos a primeira avaliação externa da revista e do perfil de seus leitores. Estamos felizes por informar que os resultados indicaram que 66% dos leitores que responderam consideraram a publicação excelente.

Em nosso Programa de Justiça, consolidamos nossas atividades no supremo tribunal Federal, participando como amicus curiae em diversos casos envolvendo

direitos fundamentais, como as ações sobre pesquisas com células-tronco, ações afirmativas e controle de armas. também denunciamos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos as condições subumanas da Cadeia Pública do Guarujá – que posteriormente foi fechada. somado a isso, nossas ações judiciais em favor

de adolescentes privados de liberdade no estado de são Paulo tiveram avanços

importantes, que culminaram em mudanças como o aumento substancial da

indenização concedida pela justiça pela morte desses adolescentes sob a custódia

do Estado e o fechamento de algumas das piores unidades de detenção da

Fundação Casa, antiga Febem.

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| 4 além disso, também progredimos na disseminação dos ideais pro bono : contribuímos para o

além disso, também progredimos na disseminação dos ideais pro bono:

contribuímos para o estabelecimento de iniciativas pro bono nos demais estados do brasil, além de são Paulo, e assim ganhamos apoio essencial da comunidade jurídica para a aprovação de uma resolução nacional que permitiria a prática pro bono. somente em 2007, mais de cinco escritórios de advocacia e 80 advogados aderiram ao Instituto Pro bono, afiliado à Conectas desde 2002.

As atividades de um novo projeto – Direito à Saúde da Mulher Negra – foram iniciadas em 2007. sua primeira fase consistiu na elaboração de materiais educacionais que serão utilizados em cursos de capacitação para mulheres residentes em dois bairros da periferia de são Paulo e também serão distribuídos para profissionais e organizações que trabalham com a temática.

nada disso seria possível sem a colaboração e o apoio de organizações parceiras, no brasil e em outros países dos hemisférios norte e do sul. nosso agradecimento a todos. Esperamos continuar o nosso trabalho conjunto em 2008!

Esperamos continuar o nosso trabalho conjunto em 2008! Malak Poppovic diretora executiva oscar Vilhena Vieira

Malak Poppovic

diretora executiva

continuar o nosso trabalho conjunto em 2008! Malak Poppovic diretora executiva oscar Vilhena Vieira diretor Jurídico

oscar Vilhena Vieira diretor Jurídico

ProGraMa sul Global

educação: inVestindo eM Pessoas

ProGraMa sul Global educação: inVestindo eM Pessoas 5 | suMário 9 o colóquio em 2007: “Fortalecendo

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suMário

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o

colóquio em 2007: “Fortalecendo os direitos Humanos no sul”

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Programa de direitos Humanos para a áfrica lusófona

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Pesquisa: conHeciMento Produzido no sul Global

sur – revista internacional de direitos Humanos

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a

exigibilidade dos direitos Humanos - uma análise comparativa:

Índia, brasil e áfrica do sul

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AdvocAcy: deFendendo direitos HuManos no sul Global Política externa e direitos Humanos

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ProGraMa de Justiça

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deFendendo direitos Pela litiGÂncia estratÉGica artigo 1º

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ProMoVendo a resPonsabilidade social no direito instituto Pro bono

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coMbatendo a discriMinação racial no sisteMa de saÚde PÚblica no brasil Projeto direito à saúde da Mulher negra

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7 | Conectas Direitos Humanos é uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, fundada

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Conectas Direitos Humanos é uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, fundada em São Paulo, Brasil, em outubro de 2001. Sua missão é promover o respeito aos direitos humanos e contribuir para a consolidação do Estado de Direito no Sul Global (África, Ásia e América Latina). Em janeiro de 2006, o Comitê das Nações Unidas para Organizações Não Governamentais aprovou o pedido de Status Consultivo da Conectas na ONU.

Para tanto, Conectas desenvolve programas que propiciam o fortalecimento de ativistas e acadêmicos em países do hemisfério sul e fomentam a interação entre eles e com as Nações Unidas. No Brasil e em âmbito regional, Conectas promove ações de advocacia estratégica e de interesse público.

Para atingir seus objetivos, Conectas desenvolve suas atividades por meio de dois programas:

1. Com seu Programa Sul Global, Conectas conduz pesquisas, capacita ativistas de direitos humanos, compartilha conhecimentos entre

acadêmicos e ativistas, promove alianças e cooperação sul-sul e prepara os ativistas para interagir com a ONU, um parceiro estratégico

importante na promoção dos direitos humanos.

2. O Programa de Justiça da Conectas atua em âmbito nacional e regional com o objetivo de proteger vítimas de violações de direitos

humanos por meio da litigância estratégica e do oferecimento de serviços de advocacia pro bono para grupos vulneráveis e organizações da sociedade civil.

Este relatório descreve as principais atividades, resultados e conquistas da Conectas em 2007.

Participantes do Colóquio de 2007

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9 | ProGraMa sul Global O Programa Sul Global busca mobilizar e fortalecer ativistas e

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ProGraMa sul Global

O Programa Sul Global busca mobilizar e fortalecer ativistas e acadêmicos de direitos humanos do hemisfério sul por meio da educação, pesquisa e advocacy. O objetivo do programa é ampliar a influência individual e coletiva das atividades da nova geração de defensores dos direitos humanos.

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| 10 educação: inVestindo eM Pessoas O Colóquio em 2007: “Fortalecendo os Direitos Humanos no Sul”

educação: inVestindo eM Pessoas

O Colóquio em 2007: “Fortalecendo os Direitos Humanos no Sul”

O objetivo do Colóquio Internacional de Direitos Humanos é fortalecer

o impacto individual e coletivo das atividades de ativistas de direitos humanos da América Latina, África e Ásia, e encorajá-los a assumir uma importância cada vez maior na promoção dos direitos humanos. O VII Colóquio foi realizado de 3 a 10 de novembro de 2007, em São Paulo, e reuniu 56 participantes de 26 países, 24 palestrantes e 20 voluntários. Os participantes foram escolhidos entre 370 inscrições recebidas.

Os gráficos abaixo representam a distribuição geográfica dos participantes e palestrantes do Colóquio de 2007:

[gráfico 1]
[gráfico 1]

[gráfico 2]

aValIaçãO PElOs PartICIPantEs

assim como em anos anteriores, a avaliação do VII Colóquio foi executada por uma consultoria externa, a Júnior Pública, da Fundação Getúlio Vargas. Os resultados mostraram que o objetivo principal do Colóquio foi atingido com sucesso. todos os aspectos avaliados receberam notas de bom à excelente. Comparada com o último ano, a avaliação geral permaneceu a mesma, atingindo a marca de 4,44 em uma escala de 1 a 5. Os grupos de trabalho e as apresentações regionais foram particularmente bem avaliados pelos participantes, e pontuaram acima da média comparados aos painéis da manhã. Em 2007, pela primeira vez, foi realizada uma avaliação qualitativa complementar. Foram feitas entrevistas com os participantes, aleatoriamente escolhidos, no início e no final do evento, comparando suas expectativas com a experiência real do encontro. Os resultados indicaram que o Colóquio superou suas expectativas.

O programa é distribuído em uma semana inteira, combinando palestras

de manhã e atividades relacionadas de tarde. Com base em avaliação feita

com participantes do encontro de 2006 e em consulta com o Conselho Consultivo do Colóquio, as palestras de 2007 trataram dos seguintes temas:

• A participação de ONGs do Sul no sistema internacional de

direitos humanos, especialmente no recém-criado Conselho de Direitos Humanos da OnU;

• O uso do sistema judiciário por ativistas de direitos humanos visando a transformação social;

• Aquisição de conhecimento e know-how para garantir a

sustentabilidade das organizações da sociedade civil do sul.

11 | simulação do Conselho de Direitos Humanos da OnU As atividades vespertinas foram elaboradas

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11 | simulação do Conselho de Direitos Humanos da OnU As atividades vespertinas foram elaboradas com

simulação do Conselho de Direitos Humanos da OnU

As atividades vespertinas foram elaboradas com o intuito de dar ao participante tempo e espaço para interação intensiva com os outros ativistas, além de ser uma oportunidade para aprimorar habilidades específicas e aumentar o impacto e eficácia de suas ações. Foram elas:

• Dois grupos de trabalho em Litigância em Direitos Humanos e

sistema de Direitos Humanos da OnU;

• O Open Space Forum ofereceu aos participantes a oportunidade

de falarem sobre temas de sua própria escolha, em um debate auto-gestionado;

• Visitas a ONGs em São Paulo (GAPA/Grupo de Apoio a Prevenção à

AIDS; MST/Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; Centro de Direitos Humanos de sapopemba e Instituto Pólis);

Workshops em Planejamento e Captação de recursos;

• Apresentações Regionais: uma das inovações de 2007 foram

as apresentações feitas pelos próprios participantes sobre os principais problemas de direitos humanos em suas regiões;

• Simulação do Conselho de Direitos Humanos: o grupo de

trabalho sobre o sistema de Direitos Humanos da OnU organizou

uma simulação do Conselho de Direitos Humanos que deu aos participantes a oportunidade de saber mais sobre o fórum de diplomacia internacional.

Durante o mês que antecedeu o Colóquio, pedimos aos participantes que lessem textos e artigos, preparando-os para os tópicos que foram discutidos durante o encontro.

Vii colóquio - conFerências da ManHã

são Paulo, de 03 a 10 de novembro

abertura: a reforma da onu bertrand ramcharan, IUHEI - graduate Institute of International studies, genebra, ex-alto Comissário da OnU para Direitos Humanos

Vozes do sul no novo conselho de direitos Humanos da onu Crescencia lucero, tFDP - task Force Detainees for Philippines, Filipinas Hassan shire, East and Horn africa Hr Defenders network, Uganda Katrine thomasen, IsHr – International service for Human rights, suíça Michael anthony, asian Commission for Human rights, China thami ngwenya, CCP - Center for Public Participation, África do sul

o direito como instrumento de transformação social basil Fernando, asian Commission for Human rights, China Oscar Vilhena Vieira, Conectas Direitos Humanos, brasil rodrigo Uprimny, DJs - Centro de Estudios de Derecho, Justicia y sociedad, Colômbia

temas contemporâneos de direitos humanos:

Protocolo facultativo à convenção contra a Tortura lukas Muntingh, CsPrI - Civil society Prison reform Initiative, África do sul convenção sobre os direitos da Pessoa com deficiência amita Dhanda, nalsar, Índia Normas da oNU sobre responsabilidade das empresas alexandre barbosa, Observatório social, brasil

Participantes nas conferências da manhã

social, brasil Participantes nas conferências da manhã grupo asiático preparando sua apresentação regional

grupo asiático preparando sua apresentação regional

grupo asiático preparando sua apresentação regional campanhas em direitos humanos nonhlanhla ngema, taC –

campanhas em direitos humanos nonhlanhla ngema, taC – treatment action Campaign, África do sul Jorge beloqui, gIV - grupo Incentivo à Vida, brasil Patrizia scanella, amnesty International, suíça Julie Middleton, Civicus, África do sul tamaryn nelson, Witness, EUa

Fortalecimento institucional bess rothenberg, Columbia University, EUa [apresentação em vídeo] anne travers, Consultora de Desenvolvimento, EUa andre Degenszajn, Conectas Direitos Humanos, brasil Macarena sabin Paz, CEls - Centro de Estudios legales y sociales, argentina

encerramento: Fortalecendo os direitos humanos no sul sueli Carneiro, Fundo brasil de Direitos Humanos, brasil Juana Kweitel, sur – revista Internacional de Direitos Humanos, brasil tafadzwa Mugabe, ZlHr – Zimbabwe lawyers for Human rights, Zimbábue

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| 12 Mantendo a troca de inForMaçÕes e a rede de cooPeração aPós o colóquio Conectas

Mantendo a troca de inForMaçÕes e a rede de cooPeração aPós o colóquio

Conectas mantém um portal interativo na internet (www.conectasur.org) em três línguas (inglês, português e espanhol) para ajudar os ativistas a manter contato após o término do Colóquio.

Um grupo de participantes do VII Colóquio decidiu utilizar o portal como ferramenta de comunicação para trocar informações, partilhar as dificuldades e agir conjuntamente contra violações de direitos humanos.

Para tanto, é elaborado um boletim eletrônico quinzenal enviado por e-mail

e composto pelas notícias que eles mesmos postaram no site - Boletim Conectasur.

Além disso, os participantes do grupo de trabalho da ONU estão trocando

informações sobre a análise da situação de seus países pelo novo Conselho

de Direitos Humanos. Conectas está dando suporte a organizações que

queiram participar do recém criado Mecanismo de Revisão Periódica Universal (UPR, por suas iniciais em inglês).

O grupo de trabalho em Litigância também está utilizando a internet para

trocar informações sobre precedentes jurídicos e para analisar meios de colaborarem em seus casos, como por exemplo, na elaboração de amicus curiae. Em 2008, o grupo ainda realizará encontros para promover a cooperação durante as audiências da Comissão Interamericana de Direitos

Humanos e da Comissão Africana de Direitos Humanos.

A organização do VII Colóquio foi possível graças ao apoio da Fundação

Open Society Institute (OSI) e Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA), Fundação Ford, Fundo das Nações Unidas para a Democracia (UNDEF), Fundação das Nações Unidas, Ashoka Empreendedores Sociais

e da Embaixada Suíça no Brasil. A Fundação Getúlio Vargas cedeu as

instalações para o encontro e o Centro Cultural da Juventude de São Paulo recebeu as atividades culturais da abertura.

iMPacto – a oPinião dos ParticiPantes

Em 2007, pela primeira vez, uma avaliação sobre o impacto do Colóquio foi realizada seis meses depois do evento. Foi enviado um questionário para

os participantes de 2006, incluindo questões a respeito do uso concreto dos conhecimentos adquiridos durante o Colóquio e exemplos de colaboração com os demais participantes. Um total de 33 dos 58 participantes respondeu: 91% afirmaram que utilizaram o conhecimento adquirido durante o Colóquio de maneira prática e deram exemplos; e mais de 80% responderam que mantinham contato com outros participantes para trocar informações e para construir parcerias entre suas organizações.

Portal Conectasur

com outros participantes para trocar informações e para construir parcerias entre suas organizações. Portal Conectasur

ParticiPantes de 2007

ParticiPantes de 2007 Cecilia Cassapi augusto, que trabalhou como diretora executiva da “associação Construindo

Cecilia Cassapi augusto, que trabalhou como diretora executiva da “associação Construindo Comunidades” na região de Huila, Angola, nos últimos 10 anos, realizou seu estágio no Instituto sócio-ambiental (Isa). O Isa é uma Ong brasileira com reconhecida atuação voltada ao meio-ambiente, às questões indígenas e ao direito à terra. Durante seu estágio, Cecilia visitou a região do Vale do ribeira (estado de são Paulo) para conhecer lideranças de comunidades quilombolas. De volta à angola, Cecilia está, entre outras atividades, trabalhando em um projeto para levar líderes comunitários brasileiros para angola para discutirem questões ligadas ao direito à terra.

para discutirem questões ligadas ao direito à terra. Maíra solange Hari Domingos, graduada em geografia em

Maíra solange Hari Domingos, graduada em geografia em 2006, realizou seu estágio no Coletivo Feminista em são

Paulo. Maíra continua colaborando com

a organização,

adaptando folhetos sobre saúde e sexualidade feminina à realidade e ao contexto moçambicanos. Com os conhecimentos práticos e acadêmicos adquiridos durante sua estadia no brasil, Maíra decidiu focar seu trabalho na Ong moçambicana Fórum Mulher na promoção dos direitos sexuais e direitos reprodutivos de mulheres com deficiência.

e direitos reprodutivos de mulheres com deficiência. Eduardo Madope, graduado em Direito em Moçambique,

Eduardo Madope, graduado em Direito em Moçambique,

trabalhou no Centro de Direitos Humanos da Universidade Eduardo Mondlane

e também no

Movimento Justiça para todos. Em seu estágio no brasil, Eduardo escolheu o Instituto Pólis, em que colaborou com campanhas para o estabelecimento de financiamento público para habitação popular. De volta ao seu país, está sedimentando um projeto de assistência jurídica para mulheres.

um projeto de assistência jurídica para mulheres. 13 | Programa de Direitos Humanos para a África

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Programa de Direitos Humanos para a África Lusófona

Em parceria com a Open Society Justice Initiative (OSJI), Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA) e um grupo de ONGs africanas, a Conectas realiza todo ano, desde 2004, um programa de intercâmbio em direitos humanos para ativistas de Angola e Moçambique.

Em 2007, Conectas recebeu três ativistas – dois vindos de Moçambique e

um de Angola. Durante os primeiros quatro meses do Programa (fevereiro

a julho), dedicaram a maior parte do tempo a atividades acadêmicas em programas de graduação e pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Durante a segunda parte do programa, realizaram estágios voluntários em ONGs brasileiras e participaram do VII Colóquio Internacional de Direitos Humanos. O estágio foi fundamental para ajudá-los a elaborar o projeto que irão desenvolver por um ano quando retornarem aos seus países de origem a partir dos conhecimentos e experiências adquiridos no Brasil.

Vale mencionar que os dois ativistas moçambicanos – Eduardo Madope

e Maíra Domingos – estão desenvolvendo um curso de formação sobre

direitos humanos similar ao reconhecido programa em governança e políticas públicas que cursaram na “Escola de Governo”, em São Paulo. A Conectas está auxiliando os ativistas na adaptação desse curso para o contexto e as necessidades de seu país.

Por fim, a coordenadora do projeto na Conectas, Daniela Ikawa, foi uma das palestrantes no primeiro Acampamento de Direitos Humanos para Países Lusófonos, seminário organizado pela Open Society Initiative for

Southern Africa que reuniu ativistas de direitos humanos da África lusófona em Angola em fevereiro de 2007.

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| 14 Pesquisa: conHeciMento Produzido no sul Global A Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos

Pesquisa: conHeciMento Produzido no sul Global

A Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos foi

lançada em 2004 com o intuito de estabelecer um canal de comunicação entre acadêmicos e ativistas dedicados à promoção e defesa dos direitos humanos, em especial os que trabalham com problemas específicos do Sul Global. É a única publicação acadêmica de direitos humanos desta natureza publicada semestralmente em três línguas – português, inglês e espanhol - com uma tiragem de 2700 exemplares. A Revista Sur é distribuída gratuita- mente para mais de 2000 pessoas ou organizações cadastradas em mais de 100 países e também está disponível online (visite www.revistasur.org).

A Revista Sur conta com um Conselho Consultivo composto por mais de

30 acadêmicos de diversos países que auxiliam na identificação de novos colaboradores e na revisão dos artigos.

conselHo consultiVo da reVista sur

Christof Heyns, Universidade de Pretoria, África do sul Emílio garcia Méndez, Universidade de buenos aires, argentina Fifi benaboud, north-south Centre of the Council of Europe, Portugal Fiona Macaulay, Universidade de bradford, reino Unido Flavia Piovesan, Pontifícia Universidade Católica de são Paulo, brasil J. Paul Martin, Columbia University, EUa Kwame Karikari, Universidade de ghana, ghana Mustapha Kamel al-sayyed, Cairo University, Egito richard Pierre Claude, Universidade de Maryland, EUa roberto garretón, ex-alto Comissário da OnU para os Direitos Humanos, Chile

Duas edições da Sur – Revista Internacional de Direitos Humanos foram publicadas em junho e dezembro de 2007 (veja a lista de artigos das edições nº 6 e 7).

A Revista Sur nº 7 foi a primeira experiência de parceria com outra

organização para a publicação de uma edição temática especial. Junto com o International Center for Transitional Justice (ICTJ), Conectas lançou um edital e selecionou artigos para compor um dossiê sobre justiça transicional. O resultado foi compensador, uma vez que a Revista atraiu um grande número de colaboradores que ainda não a conheciam.

Com o intuito de melhorar a comunicação entre acadêmicos e ativistas do Sul Global, algumas mudanças editoriais foram incluídas na última edição: uma nova seção incluiu uma listagem dos principais centros de direitos humanos do mundo, com uma pequena apresentação de seu trabalho, atividades acadêmicas, publicações e pesquisas; entrevistas com reconhecidos ativistas e pesquisadores; e, finalmente, a fotografia dos autores foi incluída nos artigos.

Dando continuidade à política de parcerias, a primeira edição de 2008, com o tema “Propriedade intelectual e acesso a medicamentos”, será produzida em parceria com a ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS.

a ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. artiGos da reVista sur n º 6 Upendra

artiGos da reVista sur n º 6

Upendra Baxi O Estado de Direito na Índia

Oscar Vilhena Vieira

a desigualdade e a subversão do Estado de Direito

Rodrigo Uprimny Yepes

a judicialização da política na Colômbia:

casos, potencialidades e riscos

Laura C. Pautassi Há igualdade na desigualdade? abrangência e limites das ações afirmativas

Gert Jonker e Rika Swanzen serviços de intermediação para crianças- testemunhas que depõem em tribunais criminais da África do sul

Sergio Branco a lei autoral brasileira como elemento de restrição à eficácia do direito humano à educação

Thomas W. Pogge Para erradicar a pobreza sistêmica:

em defesa de um Dividendo dos recursos globais

15 | Durante 2007, diversos debates para a apresentação da Revista Sur foram organizados com

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Durante 2007, diversos debates para a apresentação da Revista Sur foram organizados com alguns parceiros na Europa e nos EUA: Columbia University (março), Essex University (maio) e Utrecht University (agosto).

Essex University (maio) e Utrecht University (agosto). artiGos da reVista sur n º 7 Lucia Nader

artiGos da reVista sur n º 7

Lucia Nader

O papel das Ongs no Conselho de Direitos Humanos da OnU

Cecília MacDowell Santos ativismo jurídico transnacional e o Estado:

reflexões sobre os casos apresentados contra

o brasil na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Tara Urs

Vozes do Camboja: formas locais de responsabilização por atrocidades

sistemáticas

Cecily Rose e Francis M. Ssekandi

a procura da justiça transicional e os

valores tradicionais africanos: um choque de civilizações – o caso Uganda

Ramona Vijeyarasa Verdade e reconciliação para as “gerações roubadas”: revisando a história da austrália

Elizabeth Salmón G.

O

longo caminho da luta contra a pobreza

e

seu alentador encontro com os direitos

humanos

Entrevista com Juan Méndez Por Glenda Mezarobba

A Revista Sur é financiada pela Fundação Ford e pelo Programa das

Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDEF). A edição nº 7, como mencionado anteriormente, também recebeu apoio do International Center for Transitional Justice (ICTJ).

aValiação do PerFil dos leitores e da qualidade da reVista sur

Em 2007, pela primeira vez, a Revista Sur foi avaliada por seus leitores.

A pesquisa revelou que 66% consideram a Revista excelente e 34% a

julgaram como boa. Os resultados mostraram que a maioria de seus leitores são professores universitários (36,8%) ou trabalham em ONGs (31,2%), e utilizam a Revista principalmente com propósitos educacionais. Isso demonstrou que estamos atingindo nosso público alvo – acadêmicos e ativistas – e que a revista está sendo utilizada como instrumento para capacitar a nova geração de defensores dos direitos humanos.

“Os editores da Revista Sur se impuseram uma difícil missão: produzir uma revista acadêmica com qualidade científica e relevância para a prática dos ativistas de direitos humanos; e, ainda, atingir os melhores padrões internacionais durante seu desenvolvimento e falar com consistência para o Sul Global. Esta complexa mistura de ambições abre novos caminhos”. Robert Archer – International Council for Human Rights Policy – Suíça

“Eu fico muito satisfeita por receber e ler a Revista Sur. Ela traz perspectivas interessantes do mundo todo sobre importantes tópicos e assuntos em destaque na legislação e na prática dos direitos humanos. A qualidade da Revista é alta e o crédito por isso é de autores, editores e de toda a equipe. Mantenham o excelente trabalho!” Suzannah Linton - Universidade de Hong Kong - China

“A Revista Internacional de Direitos Humanos é uma contribuição única, visto a necessidade de compartilharmos e divulgarmos pensamentos críticos sobre direitos humanos e temas relacionados por todo o mundo. Junto com a expansão dos movimentos de direitos humanos, em paralelo a questões sobre “como fazer” em ética da política, a necessidade de avançarmos com rigor teórico se torna mais e mais importante. Publicando artigos relevantes de alta qualidade, de autores de diferentes culturas e latitudes, Sur faz uma importante contribuição para este objetivo”. José Zalaquett – Universidade Nacional do Chile – Chile

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| 16 A Exigibilidade dos Direitos Humanos – uma análise comparativa: Índia, Brasil e África do

A Exigibilidade dos Direitos Humanos – uma análise comparativa: Índia, Brasil e África do Sul

O projeto “Exigibilidade dos Direitos Humanos – uma análise comparativa:

Índia, Brasil e África do Sul” compara a efetivação de direitos humanos

e constitucionais pelas Cortes Supremas da Índia, Brasil e África do

Sul (IBAS, por suas iniciais). A pesquisa, desenvolvida por três equipes nacionais (veja quadro), busca entender como as cortes constitucionais do IBAS estão desempenhando seu papel na implementação desses direitos e

analisa quais estratégias e experiências têm sido mais efetivas para alcançar

o reconhecimento e respeito a esses direitos.

coordenadores da Pesquisa

brasil: Prof. Oscar Vilhena Vieira (Fundação Getúlio Vargas e Conectas Direitos Humanos) Índia: Prof. Upendra baxi (national academy of legal studies and research University, nalsar) África do Sul: Prof. Frans Viljoen (Centre for Human rights, Universidade de Pretoria)

Em maio de 2007, as três equipes se encontraram na Inglaterra para discutir

os resultados de suas pesquisas até aquela data. A reunião foi sediada no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford e contou com

a presença de reconhecidos acadêmicos de direitos humanos. O workshop

intitulado “Corte de Justiça: o papel das cortes constitucionais no Brasil, Índia e África do Sul na proteção de direitos” ofereceu a oportunidade para

que os pesquisadores apresentassem seus trabalhos iniciais e identificassem

os principais tópicos de comparação a serem incluídos na segunda etapa do projeto.

deFinição da MetodoloGia

Este projeto de pesquisa interdisciplinar parte de um plano comum de trabalho que traça as similaridades e diferenças entre os sistemas IBAS. Entretanto, a primeira parte da pesquisa foi dedicada à elaboração de três

artigos que descreveram a composição e contexto das cortes constitucionais

de cada um dos três países: estrutura e composição, relação da corte com o

sistema político, acessibilidade das cortes e as “performances deliberativas”. Os três artigos produzidos irão ajudar os pesquisadores a entender como o sistema dos outros países funciona e identificar as principais diferenças entre eles.

Além disso, as três equipes de pesquisa também analisaram a jurisprudência

de suas respectivas cortes constitucionais com o intuito de identificar

decisões paradigmáticas sobre tópicos previamente definidos. As decisões foram selecionadas com base em sua relevância e inovação.

seleção de teMas

seleção de teMas 17 | direitos teMas diGnidade HuMana e direito À Vida aborto, Pena de

17 |

direitos

teMas

diGnidade HuMana e direito À Vida

aborto, Pena de Morte, tortura, direito de Pessoas Presas e trabalHadores do seXo

reconHeciMento de

Gênero, raça/etnia e orientação seXual

direitos

direitos sociais

educação, saÚde, terra/Moradia, seGuridade social/beM-estar das Minorias: crianças, Pessoas coM deFiciência e indÍGenas

direito de liberdade

liberdade de eXPressão, inForMação, reliGião, as- sociação e asseMblÉia e reunião

direito À ProPriedade

 

direito À seGurança PÚblica

desarMaMento

estado de direito

acesso À Justiça e ao deVido Processo leGal, deMocracia, iGualdade PolÍtica, direito À Partici- Pação, direito ao Voto, direito À rePresentação e PluralisMo

Em 2007, as decisões brasileiras e sul-africanas foram pesquisadas e compiladas. As decisões indianas foram compiladas para a reunião em Delhi, Índia, de 27 a 29 de abril de 2008. O objetivo do encontro, organizado pelo Prof. Upendra Baxi, é discutir e compartilhar as descobertas de cada equipe de pesquisa e produzir relatórios para serem incluídos na publicação final, baseada nos comentários dos pesquisadores participantes.

Depois do encontro em Delhi, será publicado um livro contendo as avaliações de cada equipe (em inglês).

Este projeto é financiado pela Fundação Ford.

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| 18 AdvocAcy – deFendendo direitos HuManos no sul Global Política Externa e Direitos Humanos Conectas

AdvocAcy – deFendendo direitos HuManos no sul Global

Política Externa e Direitos Humanos

Conectas busca promover a incorporação dos princípios e padrões internacionais de direitos humanos na política externa dos governos do Sul. Em nível nacional, Conectas trabalha pela criação de mecanismos formais para a participação da sociedade civil no processo decisório da política externa. Em esfera internacional, busca promover uma colaboração inter- regional entre ONGs atuantes no sistema de direitos humanos da ONU, especialmente no recém-criado Conselho de Direitos Humanos, para garantir maior transparência e accountability por parte dos governantes.

Vozes do sul no conselHo de direitos HuManos da onu (cdH)

Por meio de seu status consultivo na ONU, Conectas tem participado das principais sessões do Conselho de Direitos Humanos da ONU desde sua criação. Em 2007, Conectas focou sua participação no CDH no processo de sua constituição institucional, ou seja, na transição da antiga Comissão de Direitos Humanos da ONU para o Conselho. Junto com outras ONGs nacionais e internacionais, Conectas trabalhou para garantir a efetividade e independência dos novos mecanismos desse órgão (incluindo a Revisão Periódica Universal e a revisão dos Procedimentos Especiais e seu código de conduta).

Durante a semana que antecedeu o VII Colóquio, Conectas organizou, em parceria com o International Service for Human Rights (ISHR), o “I Encontro Estratégico sobre a participação de ONGs no CDH da ONU” em São Paulo. O encontro contou com a participação de 27 organizações nacionais, regionais e internacionais de todos os continentes para avaliar sua participação no CDH e para elaborar uma agenda de atividades para 2008 (veja quadro com a lista de ONGs participantes).

As principais conclusões do encontro foram:

1)

trabalhando com o sistema de Direitos Humanos da OnU;

2)

respectivos países e junto a Estados-membros estratégicos no CDH;

3)

fortalecimento institucional com o intuito de estimular sua participação na OnU.

A importância da construção de uma rede inter-regional entre ONGs

a necessidade de fortalecer o trabalho das Ongs nas capitais, em seus

Fortalecer as Ongs do sul global por meio da troca de experiência e

encontro estratÉGico de onGs sobre a ParticiPação no conselHo de direitos HuManos:

são Paulo, brasil, 2 e 3 de novembro de 2007

ParticiPantes

african Center for Democracy and Hr studies (Gâmbia) anistia Internacional (reino Unido) Comissão asiática de Direitos Humanos (China) Cairo Institute for Human rights (Egito) CEls – Centros de Estudios legales y sociales (argentina) Center for Public Participation (África do sul) Civicus – World alliance for Citizen Participation (África do sul) Comisión Mexicana de Derechos Humanos (México) Commonwealth Human rights Initiative (Índia) Conectas Direitos Humanos (brasil) Corporación Humanas (Chile) Democracy Coalition Project (EUa) East and Horn of africa Human rights Defenders network (Uganda) FIDH – Fédération Internationale des Droits de l´Homme (França) Forum asia (thailand) Human rights Watch (EUa) HUrIsa - Human rights Institute of south africa (África do sul) IDl - Instituto de Defensa legal (Peru) International Commission of Jurists (suíça) International service for Human rights (suíça) Macarthur Foundation (EUa) Open society Institute (EUa) task Force Detainees for Philippines (Filipinas) Fundação Ford (brasil)

Quanto às prioridades para 2008, os participantes concordaram em desenvolver metas estratégicas para o novo mecanismo de Revisão Periódica Universal, para a proteção do sistema de Procedimentos Especiais e para assuntos relacionados à participação da sociedade civil no CDH.

Camila asano no lançamento das comemorações pelo 60º aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos

Camila asano no lançamento das comemorações pelo 60º aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos

aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos 19 | “Em 2007, a Conectas consolidou e expandiu

19 |

“Em 2007, a Conectas consolidou e expandiu o seu papel como

facilitadora de uma rede internacional de direitos humanos. Já tinha estabelecido uma reputação por sua credibilidade, integridade e pelo alcance de suas ações, que atingem diversas regiões mesmo sendo uma organização não-governamental com base em um só país. Agora trouxe

a força e a percepção dessa rede para o maior fórum internacional de

direitos humanos, particularmente para o novo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas” Chris Sidoti – Ex-Diretor Executivo do International Service for Human Rights (Suíça)

“Conectas tem nos ajudado bastante ao fornecer informações sobre os recentes desdobramentos do CDH, particularmente do UPR. Como facilitadora de uma rede de países da África, Ásia e América Latina, Conectas é instrumentalmente importante ao chamar a atenção do

Conselho para assuntos relacionados a esses países. E pelos membros da rede, que são organizações nacionais, foram capazes de envolvê-los em campanhas internacionais de direitos humanos e questões importantes como a petição para o Zimbábue. Conectas também nos ajudou dando

a oportunidade de irmos a uma sessão do CDH e ver em primeira mão

como o Conselho funciona” Carlo Cleofe - Task Force Detainees for Philippines (Filipinas)

Durante a 6ª sessão do CDH, em dezembro de 2007, Camila Asano, assistente de projeto da Conectas, foi convidada como representante da sociedade civil para discursar no lançamento das comemorações do 60º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Durante a visita ao Brasil da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louise Arbour, em dezembro de 2007, Conectas organizou seu encontro com diversas organizações da sociedade civil em São Paulo. No encontro com a Sra. Arbour, os participantes puderam descrever

os principais desafios que enfrentam em seus respectivos campos de trabalho

e discutiram meios para colaboração com o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

controle deMocrático da PolÍtica eXterna eM direitos HuManos – a eXPeriência brasileira

Em 2006, Conectas influenciou a Câmara dos Deputados a estabelecer um Comitê Nacional de Direitos Humanos e Política Externa (veja mais em www.dhpoliticaexterna.org.br), composto por membros do poder Executivo, Legislativo, Judiciário e representantes da sociedade civil organizada. Este Comitê pretende monitorar se as decisões da política externa brasileira atendem às normas constitucionais e internacionais de direitos humanos e incentivar a participação da sociedade civil em sua formulação, execução e acompanhamento.

Composta por membros da Comissão de Direitos Humanos do Congresso,

o Comitê realiza diversas atividades relacionadas com o poder Legislativo, como audiências públicas e requerimentos oficiais de informações junto ao Ministério das Relações Exteriores, com o objetivo de aumentar sua transparência. Em 2007, o Comitê de Política Externa se envolveu em todo

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| 20 o processo de consulta à sociedade civil relativo ao mecanismo de Revisão Periódica Universal

o processo de consulta à sociedade civil relativo ao mecanismo de Revisão Periódica Universal do CDH. A participação do Comitê de seu por meio de reuniões e submissão de informação e pareceres para o Ministério das Relações Exteriores e para a Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

Conectas foi eleita para a Secretaria Executiva do Comitê em 2006 e 2007

e acredita que essa iniciativa, da qual fez parte desde a criação, pode ser disseminada e adaptada em outros países do Sul Global, como ferramenta para fortalecer o controle democrático sobre a política externa. Esta iniciativa tem o apoio da Friedrich Ebert Stiftung – Brasil.

Pesquisas e PublicaçÕes

1) análise comparativa – brasil e áfrica do sul nas nações unidas

Em 2007, Conectas participou da pesquisa “A Atuação de Brasil e África do Sul na ONU: rumo a uma agenda comum em direitos humanos?”, patrocinada pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e pela Fundação Ford. O objetivo principal da equipe de pesquisa, composta por pesquisadores brasileiros da Conectas e pesquisadores sul-africanos (coordenados por Tamsanga Ngwenya, ex- participante do Colóquio) do Center for Public Participation em Durban, foi avaliar como e se a criação formal do IBAS pelos governos da Índia, Brasil e África do Sul teve impacto no comportamento dos dois últimos países com relação a direitos humanos nas Nações Unidas.

Os resultados das pesquisas indicaram que o Brasil e a África do Sul

mostraram interesses comuns e adotaram posicionamentos similares perante

o sistema de direitos humanos da ONU com regularidade, principalmente em temas relacionados a direitos econômicos e sociais (direito ao

desenvolvimento, eliminação da pobreza, luta contra a discriminação racial

e combate ao HIV/AIDS). Entretanto, também demonstrou que existe

um baixo nível de coordenação entre os dois países quanto às questões de direitos humanos relacionadas a resoluções específicas sobre países, tanto na antiga Comissão de Direitos Humanos quanto no atual Conselho de Direitos Humanos, ou até no Terceiro Comitê da Assembléia Geral da ONU. Em outras palavras, as conclusões preliminares são que a criação do IBAS, embora considerado um marco importante na história da cooperação Sul-Sul, ainda não teve impacto significativo sobre as políticas externas em questões relacionadas aos direitos humanos.

2) anuário 2007 “direitos Humanos: o brasil na onu”

Para garantir mais transparência e accountability na política externa brasileira relacionada aos direitos humanos, Conectas produziu a primeira edição do anuário “Direitos Humanos: o Brasil na ONU”. Essa publicação fornece dados sistematizados sobre os votos e proposições do Brasil no Conselho de Direitos Humanos e sobre as visitas e recomendações feitas pelos Relatores Especiais e pelos Comitês de Tratado da ONU ao Brasil, em 2007.

anuário 2007 - Direitos Humanos:

o brasil na OnU

Especiais e pelos Comitês de Tratado da ONU ao Brasil, em 2007. anuário 2007 - Direitos
21 | 3) artigo sobre o papel das onGs no cdH A Coordenadora do Projeto

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3) artigo sobre o papel das onGs no cdH A Coordenadora do Projeto de Política Externa e Direitos Humanos da Conectas, Lucia Nader, publicou um artigo intitulado “O papel das ONGs no Conselho de Direitos Humanos da ONU” na Revista Sur número 7, que traça um breve histórico do recém-criado CDH e sugere formas de ação das ONGs.

cooPeração inter-reGional: coalizão FrieNdS oF ZimbAbwe

Em 2007, Conectas, em parceria com o Zimbabwe Lawyers for Human Rights (ZLHR), conduziu uma campanha inter-regional africana e latino-americana de advocacy. A solicitação veio de um ex-participante do Colóquio e de colegas do Zimbábue que precisavam de ajuda para pressionar a ONU em busca de soluções para a crise de direitos humanos em seu país. Junto com a Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA), Conectas organizou um encontro para elaborar um plano de ação conjunta entre ONGs do Sul com atuação junto à política externa de seus próprios países e do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Dois ativistas zimbabuanos e um grupo de representantes de ONGs de diversos países latino-americanos – Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Venezuela – participaram do encontro em São Paulo (20 e 21 de junho de 2007), onde a coalizão Friends of Zimbabwe foi estabelecida.

Durante a 6ª Sessão do CDH, em dezembro de 2007, a coalizão organizou uma coletiva de imprensa, um seminário e fez um pronunciamento no Conselho sobre a situação dos direitos humanos no país. Uma missão de solidariedade ao Zimbábue foi organizada pela coalizão para acompanhar as eleições para a presidência zimbabuana em março de 2008.

Encontro de Ongs em são Paulo sobre a situação do Zimbábue

para a presidência zimbabuana em março de 2008. Encontro de Ongs em são Paulo sobre a

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23 | ProGraMa de Justiça O Programa de Justiça é composto por duas iniciativas interligadas,

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ProGraMa de Justiça

O Programa de Justiça é composto por duas iniciativas interligadas, além de um projeto piloto:

(1) Conectas hospeda o instituto Pro bono, que oferece assistência jurídica pro bono a ONGs e facilita o acesso à justiça de grupos vulneráveis cujos direitos fundamentais foram violados; (2) Por meio do artigo 1º, Conectas promove litigância estratégica em busca de reparação jurídica, tanto em instâncias nacionais como internacionais, por violações sistemáticas de direitos humanos; (3) Em 2007, o projeto Direito à Saúde da Mulher Negra foi incorporado ao Programa de Justiça, com a finalidade de combater a discriminação racial e de gênero no sistema de saúde do Brasil. As atividades do Artigo 1º e do Instituto Pro Bono se tornaram possíveis graças ao apoio da Fundação Oak e da Fundação Overbrook. O projeto Direito à Saúde da Mulher Negra é financiado pela União Européia.

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| 24 litiGÂncia estratÉGica eM deFesa de direitos Artigo 1° Criado em 2003, o projeto Artigo

litiGÂncia estratÉGica eM deFesa de direitos

Artigo 1°

Criado em 2003, o projeto Artigo 1º é desenvolvido por uma equipe de advogados especializada na defesa dos direitos humanos, nacional e internacionalmente. A equipe trabalha em parceria com comunidades e organizações de base, atuando juridicamente em casos estrategicamente escolhidos, com o objetivo de produzir jurisprudência em defesa dos direitos de grupos vulneráveis e alterar práticas institucionais violadoras de direitos humanos.

deFesa de GruPos VulneráVeis

A Constituição brasileira de 1988 é considerada uma das mais progressistas

da América Latina. Como uma de suas principais diretrizes é a promoção de direitos civis, políticos, econômicos e sociais, a Constituição identifica também uma série de direitos relacionados à proteção de grupos vulneráveis como crianças, adolescentes, mulheres, indígenas e pessoas vivendo em pobreza extrema. Além disso, o Brasil é signatário dos principais tratados internacionais de direitos humanos.

o Valor da Vida

O grande sucesso obtido pelo artigo 1º em 2007 foi o julgamento de suas demandas

legais, desenvolvidas desde 2003, relacionadas

a indenização por mortes de adolescentes privados de liberdade. Em dois casos

individuais propostos pela Conectas em 2003,

o tribunal de Justiça de são Paulo definiu

que as indenizações concedidas em casos de mortes desses adolescentes deveriam respeitar um mínimo de 500 salários mínimos. até essa decisão do tribunal estadual, a média das indenizações concedidas em casos de morte de adolescentes sob a custódia do Estado era de aproximadamente 30 salários mínimos, valor insignificante quando comparado às outras indenizações por dano

moral dadas pela justiça brasileira, indicando

a profunda desconsideração com a vida dos adolescentes privados de liberdade.

No entanto, há um abismo entre o que diz a lei e o que se vê na prática. As violações mais ostensivas de direitos humanos são cometidas pelos agentes

responsáveis pela aplicação dessas leis - detenções arbitrárias, maus-tratos

e execuções extrajudiciais são cometidos, sobretudo, por funcionários do

Poder Público. Esses abusos são sofridos principalmente pelos segmentos

menos favorecidos da sociedade, formado por um determinado perfil racial

e agravado pela corrupção institucional.

Em tais condições, é importante recorrer ao Judiciário para resolver a lacuna entre as leis na teoria e a verdadeira prática dos direitos humanos, já que os Tribunais podem representar um papel importante na garantia de direitos.

crianças e adolescentes em risco

Desde 2003, o Artigo 1° tem concentrado suas ações na defesa dos direitos de adolescentes privados de liberdade na Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, recentemente renomeada como Fundação CASA), cujas condições de detenção geraram inúmeras denúncias de violações de direitos humanos dentro de suas unidades, como superpopulação, tortura e execuções ilegais.

Trabalhando em parceria com uma das poucas organizações locais que tratam diretamente com o problema, a Associação de Mães e Amigos de Adolescentes em Risco (Amar) e com o apoio de outras ONGs que trabalham com direitos da infância, o Artigo 1º litiga para reformar

o sistema de privação de liberdade juvenil e coibir suas práticas mais

destrutivas. Desde 2003, o Artigo 1º tem concentrado seus esforços na prestação de assistência jurídica às famílias de adolescentes mortos ou torturados nas unidades de internação. Mais de 60% dos casos relativos

à morte de adolescentes em unidades da Febem foram conduzidos pelo

Artigo 1º, com dois objetivos principais: aumentar o valor das indenizações concedidas às famílias vítimas e pressionar o Poder Público a adotar medidas para prevenir a ocorrência destes crimes no futuro (veja quadro).

Federalização de GraVes ViolaçÕes de direitos HuManos

Conectas propôs uma série de processos judiciais, no foro nacional e internacional, sobre um caso de execução sumária de adolescente privado de liberdade, com o objetivo de obter o primeiro caso de deslocamento de competência da um processo da justiça estadual para a federal, como previsto desde 2005 pela Emenda Constitucional 45. Em 2007, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) se manifestou pela primeira vez sobre um caso de federalização de grave violação de direitos humanos e, apoiando a tese da Conectas, decidiu que a mera previsão de federalização não constitui um novo recurso às vítimas, já que apenas o Procurador Geral da República tem o poder de requisitá-la.

Geral da República tem o poder de requisitá-la. Cela superlotada na Cadeia Pública do Guarujá. Detentos

Cela superlotada na Cadeia Pública do Guarujá. Detentos de costas para a câmera por medo de retaliação

Detentos de costas para a câmera por medo de retaliação 25 | O projeto também lida

25 |

O projeto também lida com casos de tortura, que continua a ser uma prática

recorrente em diversas unidades de internação , apesar da sua ilegalidade, e ainda não tem recebido a devida reparação judicial. O Artigo 1º ingressou com o primeiro processo judicial contra a tortura de um adolescente privado

de liberdade e ainda trabalha em casos de tortura coletiva envolvendo

centenas de adolescentes.

Mesmo que a situação ainda esteja muito longe da ideal, é recompensador declarar que reformas têm sido adotadas para melhorá-la. Parte do crédito pode indubitavelmente ser atribuída ao exitoso trabalho do Artigo 1º na proteção dos direitos dos adolescentes e na promoção de mudanças nas condições de internação. Como a maioria dos casos conduzidos tinha uma dimensão paradigmática, as decisões judiciais favoráveis resultaram em mudanças em políticas públicas que beneficiaram centenas de vítimas em 2007.

O indicador mais eloqüente é a diminuição do número de adolescentes

mortos dentro das unidades da Febem. De 2003 a 2006, em média, um adolescente era morto todo mês dentro dessas unidades. As causas incluíam

a falta de condições de segurança nas unidades, o assassinato por agentes do

Estado ou por outros internos, suicídios, rebeliões e confrontos diretos com

a polícia. Em 2007, o número total de mortes caiu para dois casos no ano todo.

O número de rebeliões seguiu o mesmo padrão e as maiores unidades de

internação , que eram palco de violações em massa de direitos humanos,

foram fechadas ou estão em processo de substituição por unidades menores

e descentralizadas.

O fechamento em outubro de 2007 do Complexo Tatuapé (São Paulo), que

chegou a abrigar cerca de 3000 adolescentes, é um exemplo dessa situação.

O Complexo foi objeto de diversas ações e medidas judiciais, que incluem:

• proposição de ações para fechamento da unidade e concessão de

medidas cautelares por tribunais internacionais solicitando a reforma estrutural ou desativação do Complexo ;

• condenação do Estado em casos de morte de adolescentes (12 casos

em dois anos) e um aumento substantivo nos valores concedidos para indenização das famílias;

• afastamento de agentes públicos e funcionários responsáveis pelas violações de direitos humanos.

Como resultado dessas ações múltiplas, a unidade foi fechada e os detentos foram transferidos para unidades menores.

defesa dos direitos das pessoas presas

Nos últimos cinco anos, o Artigo 1° também empreendeu esforços pela mudança das condições desumanas de detenção em prisões e delegacias no país. O projeto ingressou com ações judiciais denunciando as condições precárias das unidades de detenção e a aplicação reduzida de formas de penas alternativas, como o trabalho comunitário. Em 2007, o Artigo 1º concentrou suas atividades no combate à detenção pré-judicial em cadeias públicas superlotadas e deterioradas.

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| 26 Vítimas de violência policial O Artigo 1° também atua no combate a execuções sumárias

Vítimas de violência policial

O Artigo 1° também atua no combate a execuções sumárias por agentes

do Estado, buscando a indenização das vítimas e a punição dos agressores. Uma pesquisa foi realizada com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) para investigar a atuação da polícia na morte de 492 pessoas em maio de 2006, durante as duas semanas seguintes à rebelião de facções criminosas nas prisões de São Paulo. Em 2007, Conectas compartilhou documentos e informações com o Relator Especial da ONU para Execuções Sumárias e Arbitrárias, Philip Alston, durante sua visita a São Paulo.

deFesa do direito a saÚde e do acesso a MedicaMentos

Desde 2005, Conectas tem sido membro atuante do Grupo de Trabalho

de Propriedade Intelectual (GTPI), da Rede Brasileira pela Integração dos

Povos (Rebrip), que reúne as mais importantes organizações que trabalham com direitos humanos e justiça social no país. O Artigo 1° tem trabalhado com os membros do GTPI na elaboração de estratégias jurídicas para

questionar o sistema de proteção da propriedade intelectual com relação

ao direito à saúde, e, principalmente, avaliar seu impacto para o acesso

universal a medicamentos, especialmente para pessoas vivendo com HIV/

AIDS.

Em 2007, o Artigo 1°, em colaboração com a Associação Interdisciplinar

de AIDS (ABIA) e o Instituto Pro Bono, organizou o seminário - “Patentes

Pipeline e o Acesso a Medicamentos” - com a perspectiva de debater o impacto das patentes pipeline na saúde e nas contas públicas.

Em 1º de dezembro de 2007, Dia Internacional de Prevenção e Combate

à AIDS, o Artigo 1° e outros membros do GTPI ingressaram com um

pedido para declarar a inconstitucionalidade do mecanismo pipeline. O

mecanismo pipeline foi uma ferramenta criada pela legislação brasileira

de propriedade intelectual que permitiu o registro das patentes que não

haviam sido reconhecidas no Brasil antes de 1996. Esses pedidos de

patentes foram submetidos apenas a uma análise formal e não foram objeto

de avaliação técnica para decidir se o produto condizia com os outros

requisitos da patente – novidade, inovação e aplicação industrial. Um total de 1182 patentes foram solicitadas pelo mecanismo pipeline, muitas das quais relativas a medicamentos essenciais para o tratamento de HIV/AIDS

e leucemia, prejudicando programas públicos de acesso gratuito a esses medicamentos.

coMbate À corruPção e Falta de transParência

Em suas várias ações judiciais sobre tortura, execuções sumárias e

discriminação, o Artigo 1º também agiu em busca do acesso à informação

e transparência, devido a uma resistência forte de parte das autoridades

em disponibilizar informações que deveriam ser públicas. Em 2007, o reconhecimento do direito de organizações de direitos humanos de obter informações de órgãos públicos ou de direitos coletivos foi consolidada pelos tribunais brasileiros.

O Artigo 1° também é parte da Rede Nacional de Controle Social e

Combate à Corrupção, composta por um grande número de ONGs e associações comunitárias cujo principal objetivo é monitorar os gastos públicos. Durante 2007, deu pareceres sobre controle orçamentário para mais de 30 organizações comunitárias.

orçamentário para mais de 30 organizações comunitárias. seminário sobre Patentes Pipeline e acesso a Medicamentos

seminário sobre Patentes Pipeline e acesso a Medicamentos

Capa da cartilha educativa

de 30 organizações comunitárias. seminário sobre Patentes Pipeline e acesso a Medicamentos Capa da cartilha educativa

casos ParadiGMáticos Junto ao stF

direitos das crianças e adolescentes

Conectas, em parceria com a amar (associação de Mães e amigos de adolescentes em risco), Fundação travessia

e a associação nacional de Centros de Defesa

da Criança e do adolescente (CEDECas), entre outras organizações, submeteu um amicus curiae em defesa do Estatuto da Criança e do adolescente (ECa). O objetivo foi defender um dos principais artigos do ECa, que obriga o

Judiciário a aplicar os princípios de brevidade

e excepcionalidade quando da aplicação de medida de internação a adolescentes.

acesso à Justiça e defensoria pública

Conectas, em associação com o Escritório de Direitos Humanos de Minas gerais, o Instituto terra, Cidadania e trabalho (IttC), o Instituto Pro Bono e a Ouvidoria da Defensoria Pública de são Paulo, submeteu um amicus curiae contra a ausência de Defensoria Pública no estado de santa Catarina. Dezenove anos após a nova Constituição, Santa Catarina é o único membro da federação que ainda não cumpriu suas obrigações constitucionais e não criou a Defensoria no estado.

constitucionais e não criou a Defensoria no estado. 27 | caPacitação de inteGrantes do MoViMento de

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caPacitação de inteGrantes do MoViMento de direitos HuManos

Um dos principais objetivos do projeto é despertar a consciência e capacitar os grupos vulneráveis para a defesa de seus direitos. Em colaboração com o ILANUD - Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente; AMAR - Associação de Mães e Amigos da Criança Adolescente em Risco; e CEDECA - Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Sapopemba, e com o financiamento da UNICEF, Conectas co-produziu, em 2007, uma cartilha para os familiares de adolescentes privados de liberdade, direcionada às suas dúvidas sobre os direitos dos jovens internos e sobre as funções de cada autoridade envolvida no processo. A cartilha foi elaborada com base em extensiva pesquisa sobre as principais dúvidas das mães e de outros familiares dos adolescentes. Os resultados preliminares mostram que os familiares não recebem informações sobre os direitos dos jovens e sobre o procedimento legal a ser seguido. A

cartilha será usada por organizações de base para conscientizar essas famílias

e torná-las protagonistas na efetivação dos direitos humanos.

Também em 2007, o Artigo 1º organizou um curso de capacitação, em colaboração com o Instituto Pro Bono e o Pangea (Centro de Estudos Socioambientais), para cerca de 30 líderes do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR). O curso de uma semana lidou com diversos temas de direitos fundamentais, com ênfase especial nas violações mais comuns no cotidiano dos catadores, como violência policial, falta de condições de trabalho, trabalho infantil e violência e preconceito contra a mulher – e em como o sistema judicial pode ser usado como instrumento para a defesa desses direitos.

ParticiPação no debate constitucional sobre direitos FundaMentais

Nos últimos 20 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF), como última instância legal superior aos tribunais federais e estaduais, se tornou um relevante espaço para o avanço da proteção de direitos fundamentais. Para

ampliar o debate constitucional, em 1999, foram aprovadas leis permitindo

a terceiros que apresentassem pareceres, chamados de amicus curiae, nos casos em trâmite no STF.

Conectas é hoje a organização com maior número de amicus apresentados ao STF – 31 até o final de 2007 – em uma grande variedade de casos, como ações afirmativas, direitos de pessoas com deficiência, desarmamento, antecipação terapêutica de parto, liberdade religiosa, trabalho escravo, democratização da mídia, financiamento da educação pública, dentre outros.

televisão digital e acesso à informação

Em parceria com o Intervozes e o Instituto Pro bono, Conectas apresentou um amicus contra o sistema brasileiro de televisão Digital, que acabou de ser determinado pelo governo brasileiro. De acordo com esse novo sistema, as companhias que já possuem uma concessão do sistema de tV aberta receberam o privilégio de gerenciar oito canais digitais, agravando o cenário de concentração de mídia existente no país.

Para ampliar o rol de atores no STF, sete novos amici foram submetidos pela Conectas com organizações parceiras em 2007. Os casos envolvem acesso à justiça, direitos das crianças, direito à educação, acesso à água e eletricidade, meio ambiente, televisão digital/acesso à informação e separação entre Estado e Igreja.

Nesse ano, os primeiros resultados das atividades da Conectas nessa área começaram a aparecer. A constitucionalidade do Estatuto do Desarmamento – lei criada em 2001 para desarmar a população civil – foi declarada em definitivo pelo STF em 2007. Conectas, em colaboração com duas outras organizações cuja missão é combater a violência urbana, Instituto Sou da Paz e Viva Rio, submeteu um amicus curiae sustentando a lei em favor do desarmamento, que foi aceito pelo Tribunal.

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| 28 audiência Pública no caso das células-tronco Em abril de 2007, o STF realizou a

audiência Pública no caso das células-tronco

Em abril de 2007, o STF realizou a primeira audiência pública de sua história. O objetivo foi reunir informações da comunidade científica para facilitar o entendimento dos fatos envolvidos com a pesquisa com células- tronco embrionárias para fins terapêuticos. A audiência fez parte da fase probatória do julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade, apresentada pelo Procurador Geral da República, que questionou a validade da Lei de Biossegurança brasileira. Essa lei autorizou o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas com fins terapêuticos, mas foi duramente criticada por aqueles que acreditam que ela fere o artigo 5º da Constituição Brasileira, que protege o direito à vida. Conectas foi recebida como amicus curiae no caso e argumentou que “o fato de o embrião ter vida biológica não quer dizer que ele deve ter o mesmo status jurídico que a vida humana. Moralmente falando, não devemos confundir o valor da vida de uma pessoa, que é completamente protegido pela Constituição, com o de um embrião, especialmente no caso de embriões que estão congelados há mais de três anos e são completamente inviáveis para a fertilização, como reconhecido pela lei”.

Monitoramento das decisões do supremo em direitos humanos: stF em Foco

Para fomentar o debate público sobre os casos envolvendo direitos humanos em trâmite no STF, Conectas criou um observatório do Tribunal, chamado de STF em Foco (www.stfemfoco.org.br), que irá monitorar, selecionar e sistematizar informações relevantes sobre os casos de direitos humanos que a Corte está analisando. O objetivo principal é servir como fonte de informação para todas as organizações dedicadas à defesa dos direitos humanos e incentivá-las a participar dos julgamentos do Tribunal.

www.stfemfoco.org.br

dedicadas à defesa dos direitos humanos e incentivá-las a participar dos julgamentos do Tribunal. www.stfemfoco.org.br
29 | ProMoVendo a resPonsabilidade social no direito Instituto Pro Bono O Instituto Pro Bono

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ProMoVendo a resPonsabilidade social no direito

Instituto Pro Bono

O

Instituto Pro Bono (IPB) iniciou suas atividades em 2001 com o objetivo

de

melhorar o acesso à justiça de grupos vulneráveis por meio da assistência

de

advogados que dedicam voluntariamente seu tempo a causas de interesse

público. Além disso, o IPB também dissemina o ideal pro bono pelo Brasil:

em razão de sua campanha junto à regional de São Paulo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), uma resolução estadual foi aprovada em agosto de 2002 permitindo a advocacia pro bono somente para organizações sem fins lucrativos que não têm como pagar por tal assistência jurídica. Atualmente, o Instituto mobiliza mais de 300 advogados dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo, que doam seu tempo e expertise para apoiar variadas causas de interesse público. Os atendimentos vão desde consultorias especializadas até a representação legal em juízo.

Os três gráficos abaixo mostram o número de advogados e escritórios de advocacia que aderiram ao IPB desde sua criação, bem como o número de organizações atendidas.

Número de advogados voluntários individuais registrados no IPb

de advogados voluntários individuais registrados no IPb Número de escritórios de advocacia registrados no IPb
de advogados voluntários individuais registrados no IPb Número de escritórios de advocacia registrados no IPb
Número de escritórios de advocacia registrados no IPb Número de ONGs beneficiárias do IPB
Número de escritórios de advocacia
registrados no IPb
Número de ONGs beneficiárias do IPB

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| 30 Os exemplos abaixo são ilustrativos do tipo de trabalho desenvolvido pelo IPB: InstItUtO gIrassOl:

Os exemplos abaixo são ilustrativos do tipo de trabalho desenvolvido pelo IPB:

InstItUtO gIrassOl: O Instituto trabalha com pessoas com necessidades alimentares e dietas especiais. O IPb propôs junto com o Ministério Público Estadual (MPE) diversas ações civis públicas visando garantir o acesso gratuito a medicamentos para este grupo vulnerável. à medida em que a justiça começou a decidir em favor das ações, o que implicou muitos custos ao Estado, a Secretaria de Estado de Saúde e o MPE contataram o IPb para debater o assunto. Em novembro de 2007, foi firmado um acordo entre as partes que resultou em uma resolução garantindo o acesso gratuito a medicamentos a todos os associados do Instituto girassol. Isto significa que um esforço que começou com ações individuais tornou-se uma política pública que beneficia centenas de pessoas.

eXPansão da Prática Pro boNo no brasil

assOCIaçãO brasIlEIra DE OstEOgEnEsIs IMPErFECta

(abOI): A Associação é a única organização nacional dedicada

a melhorar a vida das pessoas vivendo com Osteogenesis

Imperfecta (OI), uma grave doença congênita que afeta os ossos. Dado o seu caráter congênito, aqueles que possuem a doença

são impedidos de se beneficiar do sistema de seguridade social.

a associação solicitou a assistência do IPb para investigar a

possibilidade de ingressar com uma ação coletiva em benefício desse grupo. Depois de um encontro com um advogado pro bono, a estratégia adotada foi desenvolver um projeto de lei para submissão ao Congresso nacional, estendendo os benefícios da segurança social para as pessoas vivendo com doenças congênitas.

O ano de 2007 foi particularmente importante para a expansão das atividades

pro bono no Brasil. Com a exceção de São Paulo, que permite a prática pro bono exclusivamente para organizações sem fins lucrativos e não para indivíduos,

todos os demais estados brasileiros não têm uma previsão legal autorizando a prática pro bono. Nesse contexto, um dos objetivos centrais do Instituto Pro Bono é expandir a cultura pro bono no Brasil, autorizando sua prática em todo o território nacional, estendendo seus benefícios também a indivíduos além de ONGs. Assim, o IPB tem lutado por uma resolução nacional com um escopo

de beneficiários maior, na expectativa de melhorar o acesso à justiça de grupos

vulneráveis.

Depois de tentar por anos persuadir o Conselho Federal da OAB a autorizar a prática pro bono, em 2007, o IPB decidiu buscar outro caminho: trabalhar no âmbito local em diversos estados brasileiros. A idéia, que está tendo bastante sucesso, é convencer as OABs locais a autorizar formalmente a prática pro bono, criando assim um movimento crescente que pressione pela adoção de uma resolução nacional em favor da advocacia pro bono.

aPoio do iPb a iniciatiVas Pro boNo eM outros estados brasileiros Paraná: resolução pro bono deve ser em breve aprovada pela Oab local; rio de Janeiro: uma instituição pro bono — Instituto dos Defensores de Direitos Humanos – foi criada em dezembro de 2007; alagoas: depois de uma reunião com o IPb, o presidente da Oab local indicou um relator para elaborar um projeto de resolução seguindo o modelo da resolução pro bono de são Paulo; Pernambuco: um grupo de advogados, preocupado com as dificuldades de acesso à justiça de grupos vulneráveis, está trabalhando com o IPb para estabelecer uma organização similar para toda a região nordeste do brasil.

similar para toda a região nordeste do brasil. IPB & iniciativas pro bono no Brasil atuação

IPB & iniciativas pro bono no Brasil

atuação internacional do iPb

O Instituto Pro Bono participou de duas iniciativas internacionais em 2007.

Contribuiu para a discussão sobre a Declaração Pro Bono para as Américas, considerada tanto uma declaração de princípios quanto um plano de ação para um maior engajamento de advogados na prestação de serviços jurídicos para grupos vulneráveis no continente americano. Além disso, seu Diretor Executivo, Marcos Fuchs, fez parte do Comitê de Seleção do Pro Bono Award, concedido pela Latin Lawyer Magazine para o escritório de advocacia com maior comprometimento com a prática pro bono em toda a América Latina.

31 | coMbatendo a discriMinação racial no sisteMa PÚblico de saÚde no brasil Projeto Direito
31 | coMbatendo a discriMinação racial no sisteMa PÚblico de saÚde no brasil Projeto Direito

31 |

coMbatendo a discriMinação racial no sisteMa PÚblico de saÚde no brasil

Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra

Desenvolvido pela Conectas em parceria com o Geledés – Instituto da Mulher Negra, com financiamento da União Européia, o Projeto Direito à Saúde da Mulher Negra visa o combate à discriminação racial no sistema

público de saúde. Para alcançar este objetivo, o projeto promove o empoder- amento de mulheres, lideranças comunitárias, em dois bairros da periferia

de São Paulo (São Mateus e Cidade Tiradentes).

Produção de Material educacional

Durante 2007, o primeiro dos três anos do projeto, a equipe foram produzi-

dos materiais educacionais, na forma de cartilhas, para utilização em cursos

de capacitação que estão sendo realizados no primeiro semestre de 2008.

Esses cursos seguem a metodologia conhecida como “Promotoras Legais Populares”, ou seja, um programa de treinamento desenvolvido por uma organização feminista brasileira, Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero, para o empoderamento de mulheres.

conselHo consultiVo Em agosto de 2007, a equipe do projeto realizou um encontro com seu Conselho Consultivo, composto por sete mulheres com expertise em direitos humanos, gênero, raça e/ou saúde, para debater os objetivos do projeto e a metodologia a ser utilizada, bem como analisar o conteúdo do material educacional produzido. as sugestões e orientações para a implementação do projeto foram todas incorporadas.

inteGrantes do conselHo consultiVo:

alaerte leandro Martins - rede de Mulheres negras do Paraná Carmen Simone Grilo Diniz - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo Daniela ribeiro Ikawa - sur – revista Internacional de Direitos Humanos Fátima Oliveira – Faculdade de Medicina, Universi- dade Federal de Minas gerais leila linhares barsted – CEPIa – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e ação lucia Xavier - Criola Maria Betânia Ávila - SOS Corpo sueli Carneiro - geledés - Instituto da Mulher negra

Uma das mais importantes sugestões do Conselho foi incorporar mecanismos formais de controle social no monitoramento das políticas públicas de saúde. O projeto não deve criar novos mecanismos, mas utilizar os que já existem, como é o caso dos Conselhos de Saúde, que são compostos por representantes da sociedade civil e do governo, justamente com o objetivo de monitorar a imple- mentação destas políticas.

O material educacional aborda os seguintes temas: direito a saúde, discrimi-

nação racial, doenças prevalentes em mulheres negras, direitos sexuais e direitos reprodutivos e direitos das mulheres. Em conjunto, as cinco cartil- has constituem um Manual de Referência em Direito à Saúde da Mulher

Negra, que está sendo distribuído para as participantes dos cursos.

Além disso, também foram produzidos folhetos, com foco em um público mais amplo. Escritos em uma linguagem mais simples e acessível, serão utilizados pelas líderes capacitadas para conscientizar as mulheres em suas comunidades sobre os seus direitos.

Todos os materiais educacionais foram testados com um grupo de mulheres

da Cidade Tiradentes, que deverão participar dos cursos de capacitação.

Esse teste, realizado com a ajuda de duas especialistas em educação popular,

foi importante para adaptar o vocabulário do material para suas futuras usuárias.

subMissão de docuMento À 39ª sessão do coMitê cedaW/onu

Em julho de 2007, Conectas, em conjunto com o Geledés – Instituto

da Mulher Negra, submeteu à 39ª sessão do Comitê pela Eliminação de

Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher da ONU (CEDAW) um documento destacando o direito à saúde da mulher negra e os direitos reprodutivos. Com relação à saúde da mulher negra, o documento discu- tiu dois pontos principais. Primeiro, a omissão do Estado em promover

políticas específicas para doenças que afetam mais as mulheres negras que

as brancas, como miomas, hipertensão arterial, doença inflamatória pélvica,

diabetes mellitus e lúpus. O segundo ponto é a falta de estatísticas confiáveis

sobre raça/cor, havendo uma ausência de dados para embasar a elaboração

de políticas públicas focadas na população negra. As recomendações finais

do Comitê incluíram diversas das questões levantadas pela Conectas e pelo Geledés. Ambas as organizações irão monitorar o governo brasileiro quanto

ao cumprimento das recomendações feitas pelo CEDAW.

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32

| 32 relatório Financeiro 2006/2007 Conectas Direitos Humanos é composta por duas pessoas jurídicas, registradas como

relatório Financeiro 2006/2007

Conectas Direitos Humanos é composta por duas pessoas jurídicas, registradas como Associação Direitos Humanos em Rede e Sur – Rede Universitária de Direitos Humanos. Os relatórios abaixo se referem à cada uma das entidades.

associação direitos HuManos eM rede

Quadro I - Balanço patrimonial em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

atiVo

circulante Disponibilidades aplicações financeiras Outras contas a receber

não circulante

Permanente Imobilizado total do atiVo

2007

2006

(não auditado)

54

167

383

69

21

77

458

313

57

46

515

359

PassiVo

circulante Contas a pagar Obrigações sociais

Obrigações tributárias Empréstimos a pagar adiantamentos diversos

não circulante

Patrimônio social Patrimônio social superávit (Déficit) do exercício total do PassiVo

2007

2006

(não auditado)

3

3

23

6

12

5

43

65

60

103

117

242

321

170

(79)

515

359

Quadro II- Demonstração do superávit/déficit dos exercícios findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

2007

2006

(não auditado)

receitas Doações nacionais Doações do exterior receitas das doações desPesas gastos com os projetos Despesas com pessoal Despesas financeiras Despesas tributárias receitas financeiras desPesas das atiVidades

 

519

705

1500

544

2.019

1.249

 

-1.656

-1.188

-226

-150

-15

-4

-12

-6

60

20

-1.849

-1.328

suPeráVit (dÉFicit) do eXercÍcio

170

-79

33 | Quadro III- Demonstração das mutações do patrimônio social (em milhares de Reais) Parecer

33 |

Quadro III- Demonstração das mutações do patrimônio social (em milhares de Reais)

Parecer dos auditores indePendentes

à associação Direitos Humanos em rede

1.Examinamos o balanço patrimonial da associação dos Direitos Humanos em rede, levantado em 31 de dezembro de 2007, e as respectivas demonstrações de superávit, das

mutações do patrimônio social e das origens

e aplicações de recursos, correspondentes ao

exercício findo naquela data, elaborados sob a

responsabilidade de sua administração. nossa responsabilidade é expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis.

2.nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas brasileiras de auditoria e compreenderam: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e o sistema contábil e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgadas;

e (c) a avaliação das práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da entidade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.

3.Em nossa opinião, as demonstrações contábeis referidas no parágrafo 1 representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da associação dos Direitos Humanos em rede em 31 de dezembro de 2007, o superávit de suas operações, as mutações de seu patrimônio social e as origens e aplicações de recursos referentes ao exercício findo naquela data, de acordo com as praticas contábeis adotadas no brasil.

são Paulo, 14 de abril de 2008.

baKEr tIllY brasIl AUDITORES INDEPENDENTES S/S

CRC-2SP016754/O-1

 

PatriMônio

suPeráVit

total

social

acuMulado

em 31 de dezembro de 2005 (não auditado)

370

-49

321

transferência para patrimônio social

-49

49

Déficit do exercício

-79

em 31 de dezembro de 2006 (não auditado)

321

-79

242

transferência para patrimônio social

-79

79

superávit do exercicio

170

170

em 31 de dezembro de 2007

242

170

412

Quadro IV- Demonstração das origens e aplicações de recursos dos exercícios findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

2007

findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais) 2007 2006 (não auditado) oriGens de recursos
findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais) 2007 2006 (não auditado) oriGens de recursos

2006

(não auditado)

de dezembro (em milhares de Reais) 2007 2006 (não auditado) oriGens de recursos Das operações: superávit
de dezembro (em milhares de Reais) 2007 2006 (não auditado) oriGens de recursos Das operações: superávit

oriGens de recursos

Das operações:

superávit do exercício

total das origens

aPlicaçÕes de recursos

Déficit do exercício

aquisição de imobilizado

total das aplicações

auMento (redução) do caPital circulante lÍquido

deMonstração da Variação do caPital circulante lÍquido do eXercÍcio

ativo circulante:

- no final do exercício

   

- no início do exercício

Passivo circulante:

- no final do exercício

103

117

- no início do exercício

117

12

14

(105)

auMento (redução) do caPital circulante lÍquido

159

(71)

resultado do período ajustado

182

(64)

superávit (Déficit) do exercício

170

(79)

Depreciação

12

15

|

34

| 34 sur – rede universitária de direitos Humanos Quadro I - Balanço patrimonial em 31

sur – rede universitária de direitos Humanos

Quadro I - Balanço patrimonial em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

atiVos

circulante Disponibilidades aplicações financeiras Outras contas a receber

2007

2006

(não auditado)

9

10

181

6

142

196

152

não circulante

Permanente

Imobilizado total do ativo

4

6

200

158

PassiVos

2007

2006

circulante

(não auditado)

Contas a pagar Obrigações socias

12

4

2

1

Obrigações tributárias Credores diversos

4

6

5

10

 

23

21

não circulante

Patrimônio social Patrimônio social superávit (Déficit) do exercício

 

137

176

39

(39)

 

176

137

total do Passivo

199

158

Quadro II- Demonstração do superávit/déficit dos exercícios findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

2007

2006

(unaudited)

(não auditado)

receitas Doações nacionais Doações do exterior receitas das doações desPesas gastos com os Projetos Despesas com Pessoal Despesas tributárias resultado financeiro desPesas das atiVidades

 

125

376

674

251

799

627

 

-760

-649

-6

-14

-2

-3

8

-760

-666

suPeráVit (dÉFicit) do eXercÍcio

39

(39)

35 | Quadro III- Demonstração das mutações do patrimônio social (em milhares de Reais) Parecer

35 |

Quadro III- Demonstração das mutações do patrimônio social (em milhares de Reais)

Parecer dos auditores indePendentes

à sUr – rede Universitária de Direitos Humanos

1. Examinamos o balanço patrimonial da

sur - rede Universitária de Direitos Humanos, levantado em 31 de dezembro de 2007, e as respectivas demonstrações de superávit, das mutações do patrimônio social e das origens

e aplicações de recursos, correspondentes ao

exercício findo naquela data, elaborados sob a

responsabilidade de sua administração. nossa responsabilidade é expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis.

2. nossos exames foram conduzidos de acordo

com as normas brasileiras de auditoria e compreenderam: (a) o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume de transações e o sistema contábil e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgadas;

e (c) a avaliação das práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da entidade, bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.

3. Em nossa opinião, as demonstrações

contábeis referidas no parágrafo 1 representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da sur - rede Universitária de Direitos Humanos em 31 de dezembro de 2007, o superávit de suas operações, as mutações de seu patrimônio social e as origens e aplicações de recursos referentes ao exercício findo naquela data, de acordo com as praticas contábeis adotadas no brasil.

são Paulo, 14 de abril de 2008.

baKEr tIllY brasIl AUDITORES INDEPENDENTES S/S

CRC-2SP016754/O-1

em 31 de dezembro de 2005 (não auditado)

Déficit do exercício

em 31 de dezembro de 2006 (não auditado)

transferência para patrimônio social

superávit do exercicio

em 31 de dezembro de 2007

PatriMônio

suPeráVit

total

social

acuMulado

176

0

176

-39

-39

176

-39

137

-39

39

39

39

137

39

176

Quadro IV- Demonstração das origens e aplicações de recursos dos exercícios findos em 31 de dezembro (em milhares de Reais)

oriGens de recursos

2007

2006

(não auditado)

Das operações:

superávit do exercício

total das origens

aPlicaçÕes de recursos

Déficit do exercício

total das aplicações

auMento (redução) do caPital circulante lÍquido

deMonstração da Variação do caPital circulante lÍquido do eXercÍcio

ativo circulante

- no final do ano

   

- no começo do ano

Passivo circulante

- no final do ano

23

21

- no começo do ano

21

8

(2)

(13)

auMento (redução) do caPital circulante lÍquido

42

(37)

resultado do período ajustado

42

(37)

superávit (Déficit) do exercício

39

(39)

Depreciação

3

2

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36

| 36 conectas direitos HuManos rua PaMPlona, 1197 casa 4 são Paulo – sP 01405-030 -

conectas direitos HuManos

rua PaMPlona, 1197 casa 4 são Paulo – sP 01405-030 - brasil tel +5511 3884-7440 FaX +5511 3884-1122 www.conectas.org conectas@conectas.org