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Governo do Estado de São Paulo

Secretaria do Emprego
e Relações do Trabalho

Pr o g ra m a d e
Qualificação
C G
onteúdos erais
Profissional
Ca d e r n o  d o
Tra b a l h a d o r
Vo l u m e

3
Governo do Estado de São Paulo
Secretaria do Emprego
e Relações do Trabalho

Pr o g ra m a d e
Qualificação
C Gonteúdos erais
Profissional
Ca d e r n o  d o
Tr a b a l h a d o r
Vo l u m e

3
ÍNDICE

Caderno do trabalhador – Volume 3

Comunicar é preciso 9
Fazendo contas 55
ABC da informática 101

dados internacionais de catalogação na publicação (cip)


(bibliotecária silvia marques crb 8/7377)

P964
Programa de qualificação profissional / Conteúdos gerais
São Paulo : Fundação Padre Anchieta, 2010.
(Caderno do trabalhador, v. 3)
(vários autores, il.)
Programa de qualificação profissional da Secretaria do
Emprego e Relação do Trabalho-SERT
ISBN 978-85-61143-41-1
1. Trabalho – treinamento. 2. Trabalho – comunicação
3. Informática – noções básicas I. Título. II. Série.

Edição revista: 2010


(1-ª edição: 2008)
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Alberto Goldman
Governador

SECRETARIA DO EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO

Pedro Rubez Jehá (em exercício)


Secretário
Pedro Rubez Jehá
Secretário Adjunto
Luiz Antonio Monteiro Arcuri
Chefe de Gabinete
Juan Carlos Dans Sanchez
Coordenador de Políticas de Emprego e Renda
Antônio Sebastião Teixeira Mendonça
Coordenador de Políticas de Empreendedorismo
Diomedes Quadrini Filho
Coordenador de Políticas de Inserção no Mercado de Trabalho
Marcelo Oliveira de Mello
Coordenador de Operações
Coordenação do Projeto FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETa
CPER/SERT Presidente
Juan Carlos Dans Sanchez Paulo Markun
Fundação Padre Anchieta Vice-Presidente
Fernando José de Almeida
Fernando Moraes Fonseca Jr.
Fundação do Desenvolvimento Núcleo de Educação
Administrativo – Fundap Coordenador
José Lucas Cordeiro Fernando José de Almeida
Gerente
Apoio Técnico à Coordenação Monica Gardelli Franco
Fundação do Desenvolvimento Coordenador do Projeto
Administrativo – Fundap Fernando Moraes Fonseca Jr.
Maria Helena de Castro Lima, Selma Venco Equipe Editorial
Apoio à Produção Gerência editorial
Carlos Seabra
Fundação do Desenvolvimento
Administrativo – Fundap Secretaria editorial
Solange Mayumi Lemos
Isabel da Costa M. N. de Araújo,
José Lucas Cordeiro, Apoio administrativo
Laís Schalch, Acrizia Araújo dos Santos,
Maria Helena de Castro Lima, Ricardo Gomes, Walderci Hipólito
Selma Venco, Edição de texto
Walkiria Rigolon Fernanda Spinelli, Marcelo Alencar
CPER/SERT Leitura crítica
Alan Pereira de Oliveira, Adriano Botelho, José Bruno Vicentino,
Ana Paula Alves de Lavos, Evanisa Arone, Hugo Fortes,
Bianca Briguglio, Luciane Genciano,
Cesar Henrique Concone, Marco Antonio Queiroz Silva
Cibele Rodrigues Silva, Preparação
Vania Gomes Soares Luciana Soares, Tamara Castro
Revisão
Textos de referência Beatriz Chaves, Fernanda Bottallo, Vera Ayres
Airton Marinho da Silva, Identidade visual
Alan Pereira de Oliveira, João Baptista da Costa Aguiar
Ana Paula Alves de Lavos,
Arte e diagramação
Antonio Carlos Olivieri, Bianca Briguglio,
Carla Castilho
Clélia La Laina, Cleusa Helena Pisani,
Elaine Oliveira Teixeira, Pesquisa iconográfica
Fernanda Maria Macahiba Massagardi, Elisa Rojas,
Hugo Capucci Jr., Jaquelina Maria Imprizi, Renato Luiz Ferreira
Joana Scheidecker Rebelo dos Santos, Ilustrações
Laís Schalch, Leonor Gonçalves Simões, Beto Uechi, Felipe Cohen, Gil Tokio,
Maria de Souza Oliveira Tavares, Kellen Carvalho, Leandro Robles,
Maria Helena de Castro Lima, Lúcia Brandão
Renata Violante, Ricardo Mendes Antas Colaboradores
Junior, Roberto Cattani, Selma Venco, Eliana Kestenbaum, Gustavo Lico Suzuki,
Silvia Andrade da Silva Telles, Marcia Menin, Maria Carolina de Araújo,
Sonia Regina Martins, Walkiria Rigolon Paulo Roberto de Moraes Sarmento
Caro(a) trabalhador(a),

É com grande satisfação que a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho


(SERT) apresenta este material aos que procuram formação profissional.
Ao longo de sua história, esta Secretaria tem buscado oferecer ao trabalhador
a oportunidade de qualificar‑se para o ingresso ou a permanência no mercado
de trabalho, hoje cada vez mais exigente na formação dos profissionais. Nesse
processo estabeleceu vínculos com renomadas instituições formadoras na área
da educação profissional.
Este material didático foi elaborado a fim de ser utilizado pelos trabalhadores e
educadores em seus cursos ou oficinas de trabalho, trazendo, assim, subsídios
para a construção de novos programas de capacitação, que focalizem a formação
profissional, mas, sobretudo, a humana.
Os sete cadernos ora apresentados, tal como os demais materiais já
disponibilizados por esta Secretaria, estão dirigidos a você, trabalhador, e
também aos educadores, que os utilizarão no acompanhamento das aulas,
proporcionando, dessa forma, um melhor aprendizado, bem como um ensino
de qualidade.
Tenho certeza de que esse passo será o primeiro de uma longa caminhada na
direção de nosso maior objetivo: mais oportunidades de trabalho e trabalhadores
mais bem preparados.
Boa sorte!

Guilherme Afif Domingos


Secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho
Caro(a) trabalhador(a),

Gostaríamos de parabenizá‑lo(a) por sua iniciativa de buscar um programa de


qualificação profissional.
Seja qual for o motivo que o(a) trouxe aqui – procurar um trabalho, aperfeiçoar
aquilo que você já sabe fazer ou tentar mudar de profissão –, aprender, adquirir
novos saberes, aprimorar‑se é sempre bom; é um passo importante na vida
das pessoas.
O curso iniciado por você agora foi pensado para os trabalhadores que
– como você – estão com dificuldade de arrumar trabalho: seja em uma fábrica,
uma empresa, seja como autônomo, seja cuidando do próprio negócio.
Pensamos que, se passamos a saber um pouco mais, esse caminho, pode se
tornar mais fácil.
Estudando as características do mercado de trabalho e as mudanças que estão
acontecendo nessa área – tanto no mundo, como aqui no Brasil e no estado de
São Paulo –, a SERT preparou um programa de qualificação com duas partes.
A primeira, que chamamos de conteúdos gerais, trabalha os saberes básicos
necessários em qualquer ocupação.
São conteúdos que objetivam preparar você, trabalhador, para: ler melhor um
texto; refletir de forma crítica sobre ele; tirar conclusões sobre um fato; encontrar
soluções possíveis para determinado problema; entender o mercado de trabalho
e inserir‑se melhor nele; participar de um debate ou de um trabalho em equipe;
raciocinar de forma lógica, entre outros saberes.
Na segunda parte deste curso serão trabalhados os chamados conteúdos
específicos, relacionados ao aprendizado de determinada ocupação e escolhidos
de acordo com as características de cada região ou cidade.
Os cadernos que você está recebendo são voltados exclusivamente para os
conteúdos gerais.
Este caderno traz os temas Comunicar é preciso, Fazendo contas e ABC da
informática.
Em Comunicar é preciso, você encontrará um conjunto de ferramentas
relacionadas à linguagem, que têm como objetivo reforçar suas habilidades de
falar, escrever, ler, ouvir e se comunicar mesmo sem o uso de palavras.
No tema Fazendo contas, nosso intuito é auxiliá‑lo na compreensão de alguns
aspectos da matemática – fazer cálculos, tirar medidas, antecipar resultados
etc. – por meio de situações comuns na vida dos trabalhadores.
Finalmente, ao falarmos em ABC da informática, pretendemos que você entre
em contato com o mundo digital e possa conhecer um pouco mais sobre: o que
é um computador; em que ele pode ajudá‑lo; como usá‑lo para escrever um
texto e fazer uma planilha de cálculo ou uma pesquisa, entre outras coisas.
Com esses conteúdos, colocados à sua disposição, esperamos que você aproveite
o curso de qualificação que irá fazer e possa ampliar seus saberes para o mundo
do trabalho.

Juan Carlos Dans Sanchez


Coordenadoria de Políticas de Emprego e Renda
Comunicar
é preciso
Comunicar é preciso

Caro(a) trabalhador(a),
O tema deste módulo é comunicação. Veremos as várias formas de nos comunicarmos
no trabalho e na vida pessoal, assim como compreender um texto, redigir um bilhete
ou uma carta etc.
Nós nos comunicamos todos os dias, não é mesmo? E fazemos isso de modo tão na-
tural que, muitas vezes, nem nos perguntamos se estamos utilizando a melhor forma
de comunicação ou, ainda, se podemos falar ou escrever de determinada maneira em
qualquer situação. Você já pensou nisso? Tenha pensado ou não, é importante saber
como melhorar a escrita e a forma de falar.
Este módulo de comunicação é muito útil para todos e muito importante para quem
procura trabalho ou emprego.

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P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

Unidade 1 A linguagem falada e


a linguagem escrita

Nesta unidade vamos tratar das diferenças entre a


linguagem que se fala e a linguagem que se escreve.
Quando queremos nos comunicar, precisamos pensar
na situação em que estamos: o que vamos dizer? Para
quem? Como? Sabendo isso, podemos, então, escolher
a melhor maneira de nos expressarmos. Por exemplo:
você escreveria uma carta para sua(seu) namorada(o)
da mesma forma como escreveria para seu chefe?
Embora as duas cartas possam ter estrutura parecida
– ou seja, indicação de local e data, saudação, assunto,
despedida e assinatura –, a linguagem utilizada em
cada uma delas tem de ser adequada à situação.
Já pensou falar com seu chefe do mesmo jeito como
fala com seu amor? Isso também pode acontecer
quando precisamos decidir se vamos falar ou escrever.
É o que veremos a seguir.

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Comunicar é preciso

Vamos pensar: o que nos distingue dos outros animais?


Uma das diferenças é que, por sermos racionais (temos a capacidade de pensar, racio-
cinar), podemos escolher e planejar a melhor forma de nos comunicarmos com os
outros. Os animais irracionais, não.

É a linguagem que possibilita a comunicação. Ela pode ser:


• verbal, representada pela fala ou pela escrita;
• não verbal, como o código dos sinais de trânsito, das obras de arte
– em que as pessoas se expressam por meio de pinturas, esculturas…
– ou o vocabulário de sinais, usado, por exemplo, por surdos-mudos
e que aparece em alguns programas de TV.

Viu como nos comunicamos o tempo todo? Por gestos, movimentos, olhares, caretas,
desenhos, pela fala, pela escrita… Para cada situação há uma linguagem que facilita a
comunicação entre as pessoas.
É por meio da linguagem que expressamos pensamentos, saberes, ideias, dúvidas,
situações vividas, emoções etc.
Sempre que queremos nos comunicar devemos pensar e selecionar a linguagem mais
adequada para que os outros entendam o que pretendemos dizer.
Imagine a seguinte situação: você está dirigindo e vê um carro andando com a porta
aberta. O que você faz? Buzina para chamar a atenção do motorista e gesticula com a
mão para mostrar a ele que a porta está aberta, certo? Para agradecer, o motorista faz
outro gesto, levantando a mão, por exemplo.

Atividade 1 – Para diferenciar a linguagem que se fala da


linguagem que se escreve
Faça de conta que um colega lhe pediu para entregar o bilhete abaixo à sua chefe,
avisando que terá de faltar ao trabalho para ir ao médico.

Dona ludis,
nu m vo u tr ab ai á po rq ue vou tê de vortá nu dotor
Amanham
Joao por cauza da dor nas costas. Depois
levo
atestado.
Heleno
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1 Forme um grupo com mais dois colegas. Vocês vão discutir as questões a seguir.
a) Heleno fez bem ao avisar que faltaria ao trabalho?

b) A forma de avisar – por meio de um bilhete – foi a mais adequada? E a maneira


como a mensagem está escrita?
c) Ele poderia ter avisado de outro modo? Qual?

Quando temos algo a dizer, devemos pensar em qual é a melhor forma de nos co-
municar, se por escrito, por telefone ou pessoalmente. Sendo possível, parece mais
adequado um funcionário avisar o chefe pessoalmente de que vai precisar faltar ao
trabalho. Isso mostra responsabilidade e permite que o chefe se organize, evitando
prejudicar o serviço.
2 Agora, sozinho, pense: você escreveria o bilhete de outra forma? Como? Escreva‑o
de seu jeito, em seu caderno.
Ao decidirmos escrever em vez de conversar, conforme fez Heleno, temos de ficar
atentos à escrita correta das palavras. Hoje há cada vez mais textos para ler e também
precisamos escrever muito mais. Uma mensagem escrita corretamente ajuda o leitor
a compreender com mais facilidade o que queremos dizer, além de demonstrar nossos
conhecimentos sobre a linguagem escrita.
Quando escrevemos, é muito importante, ainda, que a nossa letra seja legível a fim de
que outras pessoas consigam entendê‑la. Isso também facilita a leitura.

Em sua opinião, sua letra é legível?


Ninguém consegue compreender um “garrancho”, como costumamos
chamar. Sua letra não precisa ser bonita, trabalhada, mas deve ser le‑
gível. Afinal, se escrevemos para nos comunicar, que sentido terá um
bilhete que ninguém consegue ler?
Para ter letra legível, só há uma saída: escrever, escrever, escrever.
Assim, é possível, aos poucos, melhorar o desenho da letra. Alguns
gostam de escrever com letra de forma:
HELENO
Outros preferem usar a “letra de mão”, conhecida também como letra
cursiva:
Heleno
Qual das duas você acha mais legível?

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Comunicar é preciso

Atividade 2 – Uma forma de comunicação para cada situação

Em uma conversa com amigos ou familiares, ficamos à vontade para, por exemplo,
usar gírias. Quando precisamos falar com alguém que conhecemos pouco ou fazer
uma apresentação a um grupo de pessoas no trabalho, na escola, numa associação do
bairro, devemos ficar atentos à nossa forma de falar.
1 Pense na seguinte situação: quando você está em casa e o telefone toca, como cos-
tuma atendê‑lo? Escreva abaixo.

2 Agora, imagine que você trabalha num escritório de engenharia chamado Enge-
peq. Escreva qual você acha que seria o jeito mais adequado de atender ao telefone.

Leia suas respostas em voz alta para os colegas, comparando‑as com as deles.
Esse exercício mostra que a forma como atendemos ao telefone também pode variar
de acordo com a situação em que nos encontramos. Geralmente, no local de trabalho,
devemos falar ao telefone de maneira mais formal e cortês do que quando estamos em
casa. O ideal é usar expressões como:
• por favor;
• bom dia ou boa tarde;
• obrigado (quando é um homem que fala) ou obrigada (quando é uma
mulher que fala);
• pois não.

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Comparando a linguagem que falamos com a que escrevemos, imagine que alguém
ligou para seu trabalho querendo falar com o gerente. Você avisa que ele não está no
momento e pergunta à pessoa se ela quer deixar algum recado. Ela responde:
— Ah, quero, sim. Aqui é o Mário. Diga para o Anselmo que a reunião de hoje à
tarde foi remarcada para amanhã, às 8 horas. Peça para ele me ligar dizendo se poderá
ir ou não.
Converse com seu professor sobre a melhor maneira possível de você escrever esse
recado.
3 Responda no caderno: que informações não poderiam faltar no recado?

4 Registre, também no caderno, como você deixaria o recado para o gerente Ansel-
mo. No trabalho precisamos, muitas vezes, escrever recados de ligações telefônicas
ou mesmo de um departamento para outro. É importante organizarmos bem os
recados escritos. Lembre‑se: use letra legível – para que as outras pessoas não te-
nham dificuldade de ler; seja claro nas informações que você quer passar (isto é,
na organização da mensagem); anote a data, o horário da ligação, quem ligou e
qual foi o recado. Se você não for entregá‑lo pessoalmente, anote seu nome para o
destinatário saber quem o escreveu.

andré sarmento

O bilhete
Usamos o bilhete quando queremos registrar mensagens curtas e para assuntos que
não sejam sigilosos (isto é, aqueles que todos podem conhecer). O bilhete deve trazer o
assunto principal de maneira clara e direta. Se o tema for confidencial ou mais longo, é
melhor esperarmos a pessoa para falar diretamente com ela ou deixarmos a mensagem
em um envelope fechado.

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Comunicar é preciso

Lembre‑se: no ambiente de trabalho, alguns bilhetes ou


Você conhece cordel?
cartas costumam conter mensagens importantes, como A literatura de cordel é
comunicados, informações com valores e números, soli- uma forma de expressão
citação de materiais, pedidos etc. popular do interior do
Nordeste, principalmen‑
Vimos que para escrever um bilhete é necessário clareza, te Pernambuco, Paraíba,
precisão, objetividade e, acima de tudo, transmitir a infor- Rio Grande do Norte e
mação corretamente, sem deixar nenhuma dúvida. Ou- Ceará. São aqueles ver‑
sos declamados em fei‑
tros textos, porém, dependendo de sua finalidade, podem ras públicas e impressos
ser construídos de formas diferentes. É o caso das poesias em pequenos folhetos
e letras de canções. de papel‑jornal, com ca‑
pa ilustrada, que ficam
Nesses textos, os versos costumam ser carregados de emo- expostos em varais de
ção: uma poesia sobre um amor não correspondido pode corda, daí o nome de lite‑
ser delicada, triste ou rancorosa. ratura de cordel.

Jarbas Oliveira/Folhapress
É importante conhecer o que é e como se escreve poesia
porque, podemos dizer, ela é um tipo de escrita viva, re-
digida sem utilidade prática, além de emocionar o leitor.
Em geral, os poemas são escritos em versos (linhas do poe­
ma), que formam estrofes (blocos de versos) e, geralmen-
te, apresentam rima.

Atividade 3 – Diferentes estilos de poesias


1 Leia o trecho do poema Aos poetas clássicos, de Patativa do
Assaré (nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva). Antônio Gonçalves da
Silva, o Patativa do Assa‑
Sou um caboco rocêro,
ré, nasceu em 5 de mar‑
Sem letra e sem istrução; ço de 1909, na Serra de
O meu verso tem o chêro Santana, no município
Da poêra do sertão; de Assaré, sul do Ceará.
Vivo nesta solidade Ele frequentou a escola
por apenas seis meses,
Bem distante da cidade mas recebeu premiações
Onde a ciença guverna. de várias universidades
Tudo meu é naturá, por seu talento para fazer
Não sou capaz de gostá versos. Morreu em julho
de 2002.
Da poesia moderna.

Do que trata o poema? Discuta a respeito com três


colegas e anote no caderno o que vocês concluíram.

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acervo iconographia
O poeta usou uma linguagem popular regional, ou seja,
ele escreveu da forma como falava. Pesquise na internet
ou na biblioteca outros textos de Patativa do Assaré, assim
você poderá conhecer mais o trabalho desse poeta.
2 Leia agora um outro tipo de poesia, escrita por Casimi-
ro de Abreu, e escreva no seu caderno uma poesia que
fale da sua infância.
Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho
O poeta Casimiro de
Da aurora da minha vida,
Abreu nasceu em Barra
de São João, atual distri‑ Da minha infância querida
to de Casimiro de Abreu Que os anos não trazem mais!
(RJ), em 1839. Filho de Que amor, que sonhos, que flores,
um rico comerciante por‑ Naquelas tardes fagueiras
tuguês, em 1843 seguiu
com o pai para Lisboa, À sombra das bananeiras,
em Portugal, onde per‑ Debaixo dos laranjais!
maneceu até 1857. Em
1859, publicou seu livro
No caso das poesias, escrever como se fala
de poemas As primave‑
ras. Morreu em 1860, aos não está errado. É uma questão de estilo!
21 anos, na mesma fazen‑ Mas alguns textos exigem a linguagem escri‑
da em que nasceu. ta formal, como veremos a seguir.

Como as leis são escritas


O texto em destaque na página ao lado trata de leis. As
leis não podem conter gírias, expressões regionais nem
palavras que estão na moda. São sempre redigidas de
maneira formal, obedecendo às regras de ortografia e
gramática da língua.

Ortografia é a escrita correta das palavras,


como você vai ver na Unidade 3.
Gramática é o conjunto de regras sobre o
uso adequado de uma língua.

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Comunicar é preciso

Quem escreve leis precisa antecipar as dúvidas que possam aparecer, explicando tudo
em detalhes. Esses textos usam uma linguagem que não estamos acostumados a ouvir
ou a ler. Além disso, é comum que eles citem leis anteriores, o que ajuda a complicar
um pouquinho mais o entendimento. Uma lei é organizada em artigos, parágrafos,
incisos e alíneas, e é essa forma de escrever que a diferencia de outros textos. Quando
precisamos entender um texto legal, podemos procurar a ajuda de um advogado ou
de um sindicato, por exemplo. As leis são muito importantes, pois tratam de nossos
direitos como cidadãos.

Atividade 4 – Entendendo a escrita da lei


Agora, com a ajuda de seu professor, leia atentamente o texto abaixo.
DECRETO No 3.361 DE 10 DE FEVEREIRO DE 2000.
Regulamenta dispositivos da Lei n o 5.859, de 11 de dezembro de 1972, que dis-
põe sobre a profissão de empregado doméstico, para facultar o acesso do empregado
doméstico ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e ao Programa do
Seguro‑Desemprego.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,
inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 5.859, de 11 de dezembro
de 1972, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 1.986‑2, de 10 de
fevereiro de 2000,
DECRETA:
Art. 1o – O empregado doméstico poderá ser incluído no Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço – FGTS, de que trata a Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, mediante requeri-
mento do empregador, a partir da competência março do ano 2000.
Art. 2o – A inclusão do empregado doméstico no FGTS é irretratável com relação ao res-
pectivo vínculo contratual e sujeita o empregador às obrigações e penalidades previstas na
Lei no 8.036, de 1990.
Art. 3o – O benefício do seguro‑desemprego de que trata a Lei no 5.859, de 11 de dezembro
de 1972, será concedido ao trabalhador, vinculado ao FGTS, que tiver trabalhado como
doméstico por um período mínimo de quinze meses nos últimos vinte e quatro meses, con-
tados da data de sua dispensa sem justa causa.

1 O que você achou da leitura que acabou de fazer? Foi fácil ou difícil? Discuta com
seus colegas de classe e escreva sua opinião no caderno.

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2 Releia o artigo 1o, localize as informações principais e compare‑o com o texto se-
guinte, reescrito com outras palavras.
Artigo 1o – Os empregados domésticos terão direito ao FGTS a partir de 20 de
março de 2000. Basta que seu empregador preencha o requerimento.
3 Agora é sua vez! Leia os artigos 2o e 3o, encontre as principais informações e, no
caderno, reescreva‑os com suas palavras.

A ordem alfabética

O conhecimento da ordem alfabética é muito importante para encontrarmos mais


rapidamente uma palavra no dicionário, o nome de uma rua num guia, o nome de
uma pessoa na lista de aprovados de um concurso, para organizarmos uma agenda
telefônica, entre outras possibilidades. Que tal exercitar esse conhecimento?

Atividade 5 – Organizando uma lista


1 Localize e sublinhe na relação a seguir as palavras: sapato, endereço, mesa.
cachorro endereço vassoura sapato mesa armário

2 Agora, localize e sublinhe as mesmas palavras na relação abaixo.

armário cachorro endereço mesa sapato vassoura

Viu como é mais fácil localizar palavras quando elas estão em ordem alfabética? Vamos
aprofundar um pouco esse conhecimento.

20
Comunicar é preciso

3 Escreva no caderno, em ordem alfabética, seu nome completo e os nomes de qua-


tro colegas de classe.
4 Imagine que você precisa fazer um cartaz com os nomes do quadro abaixo. Colo-
que‑os em ordem alfabética.
João da Silva – Carlos Alberto Marques – Joaquim Oliveira –
Carmem Souza – Albertina de Jesus – Márcio Jonas –
Renato Moia – Alberto Silvério – Aldo Bento – Elvira de Morais –
Elton da Cruz – Joana Altobeli – Marcos Luz

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P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

Dicionário, o pai dos inteligentes

andré sarmento
O dicionário é um grande aliado para quem pretende se
comunicar bem, seja falando, seja escrevendo. Muitas
pessoas dizem, popularmente, que o dicionário é “o pai
dos burros”. Mas pense bem: consultamos um dicio-
nário quando pretendemos escrever adequadamente
e compreender melhor o significado das palavras; isso
é coisa de pessoas inteligentes, que querem aprender
sempre mais, concorda?
No dicionário encontramos os vários sentidos que um
mesmo vocábulo pode ter. Ele está organizado em or-
dem alfabética a fim de facilitar a localização das pala-
vras que procuramos.

Atividade 6 – Usando o dicionário…


Procure no dicionário o que querem dizer as palavras listadas abaixo. Elas foram reti-
radas do texto da atividade 4, na ordem e na forma em que aparecem. Anote somente
o significado relacionado com o texto.

Facultar:

Confere:

Irretratável:

Penalidade:

Benefício:

22
Comunicar é preciso

Cuidado!
Não basta procurar no dicionário o que cada palavra quer dizer.
Por quê? Porque uma mesma palavra pode ter mais de um significado
e, portanto, precisamos buscar o sentido da palavra no texto do qual foi
extraída. Quer ver? “Corte a manga.”
Essa frase bem simples pode ser uma orientação para uma costureira
ou fazer parte de uma receita de sobremesa.
“Muitas janelas estão abertas.”
Seria uma observação de alguém que está usando um computador ou
de quem está com frio dentro de casa?

Atividade 7 – As gírias
1 Você tem o hábito de usar gírias? Escreva nas linhas abaixo as que você conhece ou
costuma usar.

2 Discuta com o professor e os colegas de classe como e quando você costuma falar gírias.

Quando estamos em situações mais formais – no ambiente profissional, na apresen-


tação de um trabalho escolar, falando com nossos superiores (chefe, professor, auto-
ridades etc.) –, não é apropriado usarmos gírias; devemos falar de forma que todos
compreendam o que estamos querendo dizer. A seguir, veja por quê.

23
P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

Você sabe o que significa


O que é gíria na gramática?
gueto? No passado, es‑ “É uma linguagem típica de um grupo social e pode se
se era o nome dado aos
caracterizar por bairro, gueto, profissão, idade, classe
lugares na Europa onde
viviam os judeus, que social e por diversas coisas”, explica o professor de lín-
foram expulsos de seus gua portuguesa Pasquale Cipro Neto. “A gíria sempre
lugares de origem e se existiu e sempre vai existir. A gíria não é nenhum
viram obrigados a morar problema. Agora, se a pessoa quiser se comunicar fora
em pontos isolados, sem
convívio com outras pes‑ do gueto dela, ela terá que se comunicar como a socie-
soas que não fossem da dade se comunica.”
mesma religião. Hoje, a
palavra gueto ganhou um
Portanto, se estiver em casa, numa roda de amigos ou num
novo sentido e pode ser estádio de futebol, você pode ficar tranquilo e utilizar gí-
usada como sinônimo de rias se quiser. Mas, no ambiente de trabalho, evite usá‑las.
tribo, que costuma deno‑
minar um grupo específi‑
co de pessoas. Atividade 8 – O que aprendemos até aqui
Vamos exercitar o que aprendemos nesta unidade? As
frases da coluna à esquerda do quadro abaixo estão em
linguagem falada. Escreva‑as em linguagem escrita, que é
mais formal, conforme o exemplo.

Linguagem falada Linguagem escrita


E aí, como é que tá? Olá, como vai?

A gente vamos no cinema.

A festa foi mó legal.

Cadê minha bolsa?

O cara ficou bravo.

24
Comunicar é preciso

Unidade 2 Você tem a palavra


“Quem não se comunica se trumbica.”
Fátima Pombo/Folha Imagem

Se você tem mais de 40 anos, provavelmente já ouviu


essa frase. Quem costumava dizê‑la era Chacrinha
(nome artístico de Abelardo Barbosa), famoso
comunicador da TV no período de 1956 a 1988.
O modo como nos comunicamos pode facilitar
ou dificultar nossa vida. Vimos na unidade 1 que,
quando queremos nos comunicar com alguém,
devemos considerar com quem vamos falar,
analisando qual a melhor forma de nos expressarmos.
É muito importante estarmos atentos à maneira como
falamos em público, para que todos possam entender
nossa mensagem. Não podemos nos comunicar
sempre da mesma forma. Por exemplo: quando vão ao
estádio de futebol ou a uma cerimônia de casamento,
as pessoas se comportam de jeitos diferentes. Nossa
linguagem deve se adequar à situação em que nos
encontramos, combinado?

Atividade 1 – Como repassar informações


Imagine a seguinte situação: seu chefe pede que você explique a um novo funcionário
as regras de uso do telefone.
1 Leia com bastante atenção as instruções a seguir. Depois, pense na melhor maneira
de informar essas regras ao novo funcionário e apresente oralmente sua explicação
para os colegas de classe.
• O telefone é restrito para ligações locais.
• Não são permitidas ligações particulares.
• Ligações para celulares devem ter a aprovação do gerente.
• As ligações devem ser breves.
• Todas as ligações que ultrapassarem 5 minutos precisam ser regis‑
tradas no livro de controle de ligações com data, hora e assunto da
conversa. O gerente deve assinar o livro após o preenchimento.
2 Registre no caderno como ficou sua apresentação.

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P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

Ditos populares

A pre
ssa é inimiga da perfeição
arão que d
Rir Cam o rm va
éom eao l e
elhor remédio C omer e nda
coça r é só c
omeçar
Água mole em pedra dura tanto b
ate até que fura
Manda
quem pode zo
, obedece quem tem juí

Algumas expressões que costumamos usar e ouvir têm origens interessantes que vale
a pena conhecer. Você já ouviu dizer: sem eira nem beira?
Há duas versões para o surgimento dessa expressão. Uma delas é que a palavra eira dá
nome a um terreno cimentado ou de chão batido onde, antigamente, os lavradores co-
locavam os grãos de cereais (trigo, por exemplo) para secar. Já a palavra beira refere‑se
à beirada, ao cantinho da eira. Quando uma eira não tinha beira, o vento levava os
grãos e tudo se perdia.
A outra explicação é que o telhado dos casarões antigos das pessoas ricas tinha três
partes: a eira, a beira e a tribeira. As casas mais pobres apresentavam telhados simples,
apenas com a tribeira, ficando, assim, sem eira nem beira.
Seja qual for a origem, essa expressão passou a significar “sem recursos, na miséria”.
Então, a frase “João não tem eira nem beira” quer dizer que João não tem dinheiro
suficiente para sobreviver.
Muitas vezes usamos essas combinações de palavras sem analisar seu sentido e aca-
bamos ofendendo as pessoas. Quando dizemos, por exemplo, “Pau que nasce torto
morre torto” ou “Filho de peixe peixinho é”, pensamos sobre o que exatamente esses
ditados populares querem dizer?

Atividade 2 – Uso de expressões


1 Você costuma utilizar esse tipo de expressão? Sim? Então escreva alguns exem-
plos no caderno.

26
Comunicar é preciso

2 Procurese lembrar de alguma situação em que você ou alguém usou um ditado


popular. Conte para o professor e os colegas.
3 Qual foi a situação contada na classe que você achou mais interessante? Escreva a
história no caderno.
4 Que outros ditados populares você conhece? Registre‑os no caderno. Anote tam-
bém o sentido em que eles são usados.

Diferentes formas de falar

Você já deve ter percebido que a língua portuguesa se apresenta de variadas formas,
com muitos sotaques e estilos diferentes. Quem vive no meio rural não fala igual ao
habitante da cidade. Paulistas, cariocas, mineiros, gaúchos, paraenses, baianos, ama-

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P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

zonenses, todos possuem seu jeito próprio de falar. Devemos respeitar essas diferen-
ças, lembrando que elas são vários retratos de nosso país e que nenhuma é melhor ou
mais correta que as demais.
Mas, em qualquer lugar do Brasil, quando vamos à escola ou começamos a trabalhar,
tomamos contato com outra linguagem: a linguagem formal, ou culta. Ela foi esco-
lhida como modelo nos ambientes de trabalho e nos meios de comunicação (rádio,
jornais, televisão), por exemplo. Assim, aprender a linguagem formal é ampliar seus
saberes sobre os modos de comunicação oral ou escrita.

Atividade 3 – Linguagem formal?


1 Considerando o uso da linguagem formal, leia as frases a seguir. Elas estão corretas?
Reescreva cada uma delas, corrigindo o que for necessário.
a) Ele quer que o relatório seje digitado hoje.

b) Esteje na reunião às 9 horas da manhã.

c) Ele pediu para mim fazer um recibo.

d) Eu vou estar enviando o meu currículo até amanhã.

28
Comunicar é preciso

e) Fazem dois anos que eu estou trabalhando.

f) O mendingo pediu pão com mortandela.

g) A gente vamos no centro.

h) Coloque menas farinha no bolo.

Como empregar a linguagem culta? Vamos tomar como exemplos as palavras seje e
esteje. Você já ouviu falar em conjugação de verbos? Um mesmo verbo pode ser usado
de várias formas, chamadas tempos verbais (“Eu ando”, “Você come salada?”).

Verbo é a palavra que indica ação, estado, fenômeno da natureza,


desejo. Por exemplo:
“Quero um mundo melhor.” (Quero indica um desejo.)
“O dia está bonito.” (Está indica estado.)
“Dançamos a noite toda.” (Dançamos indica ação.)
“Choveu muito ontem.” (Choveu indica um fenômeno da natureza.)

Um dos tempos para conjugarmos o verbo é o presente do subjuntivo. O nome dá


a impressão de que é coisa difícil, mas não é. Quer ver como se conjuga o verbo ser
nesse tempo?

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P r o g ra m a de Q u a l i f i c a ç ã o P r o f i s s i o n a l • C o n t e ú d o s G e ra i s

Para saber mais… Que eu seja


Acesse as aulas do Que tu sejas
professor Pasquale
Que ele seja
Cipro Neto: http://
j.mp/sert3001. Que nós sejamos
Que vós sejais
Que eles sejam

Exemplo:
• Para que eu seja marceneiro, preciso aprender me-
lhor o sistema métrico.
O mesmo acontece com o verbo estar.
Que eu esteja
Que tu estejas
Que ele esteja
Que nós estejamos
Que vós estejais
Que eles estejam

Exemplo:
• Para que eu esteja no trabalho às 8h00, preciso sair
de casa às 6h30.
E o que você acha da frase “Ele pediu para mim fazer
um recibo”? O correto é: “para eu fazer”. Veja outro
exemplo:
Curiosidade
Você sabia que certa vez • Tem alguma coisa para eu comer?
um radialista fez confu‑
são e trocou a palavra Perceba como a frase anterior é diferente da seguinte:
granizo (chuva de pedri‑ • Falta para mim ter um emprego.
nhas de gelo) pela palavra
granito (pedra usada em Não seria estranho falar: “Falta para eu ter um emprego”?
pisos e pias de cozinha)?
Ele disse: Mesmo quando usamos a linguagem formal, será que
“Uma chuva de granito podemos escrever de mais de um jeito? Veja os dois
atingiu a cidade”. exemplos abaixo:
Já pensou se chovesse
pedras de granito? • Nesta empresa tem 138 funcionários.
• Nesta empresa há 138 funcionários.

30
Comunicar é preciso

2 Converse com três colegas sobre qual dessas frases seria mais adequada para o dire-
tor de uma empresa usar durante uma entrevista ao jornal local.
3 Copie abaixo a frase que vocês consideraram mais adequada. Depois, discuta sua
escolha com o professor.

Dependendo da situação, os verbos ter (tem) e haver (há) querem dizer a mesma
coisa. Nesses casos, podemos utilizar um ou outro. Mas o verbo haver torna a comu-
nicação mais formal. As duas formas do exemplo estão corretas; é só uma questão de
analisar o que fica melhor em cada situação ou contexto.

Estrangeirismo
Existem muitas variações na língua falada e escrita. Com o passar do tempo, a lingua-
gem também se transforma.
Você já ouviu falar em estrangeirismo? É o uso de palavras ou expressões de outra
língua, de outro idioma, que passamos a usar como se fossem da língua portuguesa.
Confira o exemplo a seguir.
Se falamos: “Me dá um hot dog, moço!”, tanto o vendedor como qualquer outra pessoa
que estiver passando entenderá o pedido.
E isso não acontece apenas com expressões “importadas” do inglês. Usamos palavras
francesas, italianas…
Veja só: jiu-jítsu (japonês), abajur (do francês abat‑jour), pizza (italiano).
Algumas dessas palavras já fazem parte do nosso dicionário. Outras entraram em nos-
so vocabulário há pouco tempo e ainda não fazem parte do nosso dicionário.
No entanto, o uso exagerado de palavras estrangeiras acaba desvalorizando a língua
portuguesa.
Na letra de seu Samba do approach, Zeca Baleiro faz uma brincadeira com o uso exage-
rado de certos termos estrangeiros. Leia abaixo um trecho da letra da canção, que pode
ser ouvida no seguinte endereço eletrônico: http://j.mp/sert3002.

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Para saber mais… Samba do approach


Na França, as pessoas Zeca Baleiro
costumam pronunciar
as palavras estrangeiras Venha provar meu brunch
com sotaque local. Saiba que eu tenho approach
Esse hábito pode ser Na hora do lunch
uma forma de valorizar Eu ando de ferryboat…
o idioma do país, a
chamada língua mãe. Eu tenho savoir‑faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi‑tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash…

Interpretação de texto
Vamos ler agora um texto sobre o encontro da verdade
com a mentira. Ele tem tudo a ver com o falar, ou seja, a
oralidade, tema central desta unidade.

A verdade e a mentira
A verdade marcou um encontro com a mentira. A verda-
de chegou na hora, pontual e certa. A mentira chegou
atrasada, e se justificou: “Minhas pernas são curtas e
bambas. Mas não conte a ninguém”. A verdade nada
disse. Apenas sorriu.
A mentira prosseguiu: “O que você quer de mim? Eu sou
bonita, você é feia, eu sou jovem, você é velha, eu sou
extrovertida, você é tímida, eu sou agradável, você é de-
sagradável, eu sou, enfim, aquilo que as pessoas querem.
Posso ser qualquer coisa, estar em qualquer lugar, posso
fazer tudo o que quero e, francamente, não vejo o porquê
de estar aqui, nesse momento, perdendo meu tempo com
alguém que não é bem‑aceita em todos os lugares. O que
você quer de mim, afinal?”, disse a mentira com a voz
ligeiramente esganiçada.

32
Comunicar é preciso

A verdade, com voz límpida e cristalina, respondeu apenas: “Quero lhe dizer que,
apesar de sua beleza e formosura, eles querem a mim. As pessoas buscam a mim, mesmo
quando encontram você”. Na hora de ir embora, sempre apressada, a mentira botou o
casaco da verdade e saiu correndo. A verdade, para não passar frio, botou a roupa da
mentira. E todo mundo achou que a verdade era a mentira e a mentira era a verdade.
Mas foi só por um tempo: logo um vento soprou revelando as pernas curtas e bambas da
mentira disfarçada.
Diléa Frate, Histórias para acordar, São Paulo, Companhia das Letrinhas, 1996.

Atividade 5 – Roda de conversa


1 Vamos agora organizar uma roda de conversa sobre o texto. Cada um pode
expressar oralmente o que entendeu. Alguém conhece outra história pareci-
da? A turma deve sugerir o melhor ditado popular para ser colocado no final
da história.
2 No texto, a mentira disse que possui qualidades, enquanto a verdade só tem defei-
tos. Escreva no quadro as características citadas nessa comparação.

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Mentira Verdade

3 Por que você acha que, ao se atrasar para o encontro com a verdade, a mentira falou
que tem pernas curtas? Você já ouviu essa expressão? Explique no caderno o que
ela quer dizer.
4 A mentira afirma: “Posso estar em qualquer lugar”. Diariamente vemos televisão, ou-
vimos rádio, lemos notícias no jornal. Você acredita que tudo o que é dito ou escrito
nesses meios de comunicação seja verdade? Por quê? Escreva sua opinião no caderno.

Para expressar pontos de vista


Geralmente, quando conversamos, damos nossa opinião, expressando nossos pontos
de vista sobre diversos assuntos. Ao ouvirmos alguém comentar a atuação de um juiz
num jogo de futebol, logo queremos opinar também, não é? Essas conversas podem
até se transformar em discussão: um quer falar mais alto que o outro, todos falam ao
mesmo tempo, e a comunicação fica complicada porque ninguém mais se escuta.
Todos nós temos ideias a respeito do mundo. Mas podemos mudar de opinião de
acordo com a situação que estamos vivendo ou quando passamos a ter mais informa-
ções sobre determinado assunto.
Alguns assuntos são bastante polêmicos, ou seja, acabam gerando muitas opiniões
diferentes, ou controvérsias. Por exemplo: salários iguais para homens e mulheres,
mesmas oportunidades de emprego para brancos e negros e exploração do trabalho
infantil, entre outros.

34
Comunicar é preciso

A defesa de ideias
Você já deve ter assistido a um debate pela televisão ou mesmo ouvido algum pelo
rádio, certo? Em geral, nesses programas, duas ou mais pessoas discutem determinado
assunto, umas a favor, outras contra, e cada um dos participantes tem a oportunidade
de apresentar seu ponto de vista e defendê‑lo.

Atividade 6 – Ideias…
1 Forme um grupo com mais três colegas e debata com eles o tema escolhido por
seu professor. Lembrem‑se das regras de uma boa conversa: quando alguém estiver
falando, os outros precisam escutar com atenção. Todos devem ter a chance de
opinar. Vamos lá!
2 Escreva o tema proposto para a discussão em equipe.

3 Anote as opiniões de seu grupo, mostrando as principais discordâncias entre vocês.

Atividade 7 – Vamos organizar um debate?


1 Você e seus colegas de classe, com a ajuda do professor, vão escolher o tema da
conversa. Lembrem‑se de que deve ser um assunto polêmico. A leitura de jornais
pode ajudar nessa escolha, pois eles abordam questões atuais e de interesse geral.
a) Escolham dois alunos com opiniões contrárias para debater o tema.

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Para saber mais… b) O professor será o mediador do debate. É ele quem


Sempre que surge vai: apresentar o assunto; fazer as perguntas a cada
um assunto polêmico,
um dos debatedores; evitar que se desviem do as-
precisamos nos informar
a respeito dele para
sunto; controlar o tempo para que os dois tenham
definir nossa própria as mesmas oportunidades de se expressar e defender
opinião. Geralmente suas opiniões; encerrar o debate.
os jornais convidam
c) Dois alunos ficarão encarregados de registrar as
especialistas no tema
para darem seu parecer. principais ideias defendidas pelos debatedores: um
Eles escrevem um artigo deles anotará os argumentos do primeiro partici-
expressando ideias e pante; o outro, os argumentos do segundo.
argumentos contra o
d) Os demais alunos assistirão ao debate, podendo fa-
assunto ou a favor dele.
É importante zer perguntas aos participantes. Ao final, todos ana-
observarmos como lisarão a discussão.
esses textos são escritos,
2 Registre no caderno:
pois eles nos ajudam a
compreender como a) Qual foi o tema escolhido para o debate?
podemos expor e defender
b) Qual é a sua opinião a respeito do assunto debatido?
melhor nossas opiniões.
c) Quais foram os principais argumentos utilizados
para defender as opiniões?
3 Imagine agora que você tenha de defender, num deba-
te, a ideia de que não pode haver desigualdades sociais
entre brancos e negros nem entre homens e mulheres.
Que argumentos você usaria? Anote‑os no caderno.

36
Comunicar é preciso

Unidade 3 Registro escrito


reprodução

reprodução

Página de uma edição medieval da obra Manuscrito hebreu encontrado no Iraque no século XI.
Elementos, de Euclides, que data do ano 888.
Essa versão em grego foi escrita à mão.

A invenção da escrita foi uma grande conquista da


humanidade, pois permitiu que as pessoas tivessem outra
opção – além da fala – para se comunicar. Nesta unidade
reprodução

vamos tratar da escrita.


Precisamos da escrita em muitas situações do dia a dia:
preencher recibos, notas fiscais, fichas de solicitação de
emprego, fichas de cadastro para abertura de crediário,
envelopes e cheques; anotar receitas; fazer listas de
compra no supermercado etc. Assim, para que possamos
Escriba sentado sobre os
tornozelos. Egito, 4ª dinastia usá‑la de modo eficiente, é importante que ela seja clara
(2620‑2500 a.C.). Museu do
Louvre, Paris. No antigo e objetiva. Afinal, se não tomarmos cuidado com o que
Egito, o escriba era a pessoa
encarregada de copiar escrevemos, teremos muitos problemas. Veja um exemplo
manuscritos e redigir as leis,
por ordem do rei. na atividade 1.

Atividade 1 – Escrever e conferir


Fazia muito tempo Dona Maria queria colocar um lindo piso em sua cozinha. Espe-
rou receber o 13o salário de sua aposentadoria e chamou Seu José, um antigo conhe-
cido, para fazer o serviço. Antes de começar, Seu José mediu a cozinha e disse para
Dona Maria que necessitaria de 10 caixas de cerâmica, 1 metro de areia, 3 pacotes de

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rejunte para piso e 6 sacos de cimento. Então, Dona Maria pediu para ele tomar nota
desses materiais. Veja como ficou a lista que Seu José escreveu:

6 caixas de piso
3 metros de areia
10 sacos de cimento
1 pacote de rejunte para piso
Dona Maria é uma senhora muito atenta e logo percebeu que Seu José havia feito
alguma confusão. Então, foi conferir a lista com ele. Já pensou que prejuízo ela teria
se não fizesse isso?
Portanto, em situações como essa, é preciso ter muita atenção e conferir o que está
escrito.
Faça, agora, os exercícios a seguir.
1 Seu amigo pediu que você o ajudasse a preencher um cheque para pagar os remé-
dios que comprou na Farmácia Boa Saúde. A compra totalizou R$ 75,12. Preencha
o cheque para seu amigo. E não se esqueça de conferir!

38
Comunicar é preciso

2 Preencha o recibo abaixo com as informações fornecidas por seu Dica


Ao preencher documentos, use
professor. letra legível. Em alguns casos, é
pedido que o preenchimento se‑
ja realizado em letra de forma a
fim de facilitar a leitura. Atenção!
recibo Lembre‑se também de sempre
conferir o que você escreveu.

Recebi do(a) Sr(a)._______________________________________________________________

_______________________________________________________________________________

a importância de R$_ _________ ,_____ (____________________________________________

______________________________________________________________________________ )

referente a______________________________________________________________________

_______________________________________________________________________________

_ _____________________ , _______ de_ _____________ de________________

Nome _ __________________________________________________________

Assinatura________________________________________________________

Pontuação
A pontuação tem papel importante na escrita, pois ela ajuda a dar sentido ao
texto. Uma mesma frase pontuada de diferentes maneiras pode ganhar diferen-
tes sentidos.
Antigamente não existia pontuação, pois todo texto era lido para outras pessoas pelo
próprio autor, que sabia o sentido que queria dar ao que havia escrito. Mas, com o
passar do tempo, foi necessário criar os sinais de pontuação para que todos os leitores
compreendessem o sentido que o autor quis dar a cada texto.
Por muito tempo ensinou‑se que a vírgula é usada para uma pausa breve, na respira-
ção, e o ponto final, para uma pausa longa. Ainda que isso aconteça quando estamos
lendo, essas não são as funções da vírgula e do ponto final. Se fosse assim, já pensou
como seria o texto de uma pessoa que tem dificuldade para respirar?

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Atividade 2 – O lugar da pontuação


Alguma vez você já pensou em como a pontuação é importante para dar sentido ao
texto? Veja as frases abaixo, que contêm as mesmas sequências de palavras, mas estão
pontuadas de modos diferentes.
• Minha chave sumiu, não está na bolsa.
• Minha chave sumiu? Não, está na bolsa.
Agora é sua vez! Pontue de forma diferente cada uma das frases a seguir, dando‑lhes
sentidos diferentes.
a) Preciso ir ao banco mais tarde antes de ir para a escola

b) Preciso ir ao banco mais tarde antes de ir para a escola

Mensagem escrita
Quando deixamos uma mensagem escrita para alguém, precisamos pontuá‑la ade-
quadamente. Caso contrário, corremos o risco de não sermos compreendidos. Quer
ver um exemplo de como isso pode ocorrer?

40
Comunicar é preciso

Atividade 3 – Leia o seguinte recado:


• Valdomiro faça os depósitos depois do meio‑dia almoce mas antes termine e
entregue o relatório
1 Como você compreendeu o recado? Converse com seus colegas de classe; compa-
rem o que todos entenderam dessa mensagem escrita sem pontuação.
2 Quem deixou essas ordens desejava que o funcionário só fizesse os depósitos após
o meio‑dia e que o relatório fosse entregue antes de ele ir almoçar.
Forme dupla com um colega. Vocês devem pontuar o recado, deixando clara a
intenção de quem o escreveu.

Viu só como a falta de pontuação pode dificultar a compreensão de uma mensagem


escrita?
A pontuação faz parte do que chamamos de aspectos formais da linguagem
escrita e seu uso ou não depende da intenção de quem escreve o texto, que irá
se basear nas regras da gramática. As principais delas são as que dizem que não
devemos pontuar:
• entre o sujeito e o verbo;
• entre o verbo e seu complemento.
É errado escrever:
• Eu, saí correndo.
• O dia está, bonito.
É correto escrever:
• Eu saí correndo.
• O dia está bonito.
A questão é saber se a pontuação que você utiliza dá ao texto o sentido que você deseja.
Converse com seu professor sobre essas regras.

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Atividade 4 – Para aprender a pontuar


1 O texto a seguir não tem nenhuma pontuação. Pontue‑o como achar adequado,
dando sentido a ele. Se achar necessário, forme parágrafos. Reescreva o texto nas
linhas a seguir.
JÁ ESTÃO CLONANDO GENTE AS VACAS FICARAM LOUCAS JÁ
MANDO E‑MAIL COM IMAGEM E SOM TUDO EVOLUI NO MUNDO
MENOS O CHUVEIRO NÃO O CHUVEIRO EM SI MAS A REGULA‑
GEM DA TEMPERATURA NÃO EXISTIRÁ NINGUÉM NO MUNDO
PREOCUPADO COM ISSO

2 Agora compare a forma como você pontuou o texto com a de dois colegas. Todos
pontuaram do mesmo modo?

O texto que você acabou de pontuar foi extraído da crônica Chuveiro, escrita por
Mário Prata. Veja como ele decidiu usar a pontuação:
Já estão clonando gente. As vacas ficaram loucas, já mando e‑mail com imagem e som.
Tudo evolui no mundo. Menos o chuveiro. Não o chuveiro em si, mas a regulagem da
temperatura. Não existirá ninguém no mundo preocupado com isso?
Mário Prata, Minhas tudo, Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.

3 Compare a forma como você e o autor pontuaram o texto. Houve muitas


diferenças?

42
Comunicar é preciso

Na pontuação são utilizados outros sinais além da vírgula e do ponto-final: ponto de


exclamação, ponto de interrogação, dois‑pontos, ponto e vírgula, reticências, traves-
são, aspas. Ela envolve também o uso de letras maiúsculas e minúsculas e do parágrafo.
Uma forma de aprender a pontuar bem é ler bastante, um hábito que você deve culti-
var. Podemos ler para nos informar, emocionar, divertir, estudar etc.

Veja alguns exemplos de pontuação:


• Que conta cara! (ponto de exclamação)
• Como vai você? (ponto de interrogação)
• Estou trabalhando muito e não tenho tido tempo para descansar, ir
ao cinema, visitar os amigos, passear… (reticências)

Atividade 5 – A escrita correta das palavras


1 Escreva as palavras que seu professor vai ditar.

2 Agora, preste atenção à correção e tire suas dúvidas.

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REPROCUÇÃo

Algumas pessoas juntam palavras que são


escritas separadamente. Veja com atenção
as expressões abaixo e procure não se esque‑
cer de como devemos escrevê‑las.
Escrevemos separadamente
A partir
De repente
Em cima
Por isso

Os filmes nacionais Cen‑


tral do Brasil e Narrado‑
Ortografia
res de Javé enfocam a Para nos comunicarmos bem pela escrita, além de utilizar
realidade de cidadãos
letra legível, usar a pontuação de forma adequada e confe-
analfabetos que depen‑
dem da ajuda de quem rir sempre o texto depois de escrevê‑lo, temos também de
sabe ler e escrever para nos preocupar com a ortografia, ou seja, a escrita correta
se comunicar por meio das palavras.
de cartas e bilhetes. Vale
a pena conferir. Todos nós temos dúvidas sobre a escrita de algumas pala-
Central do Brasil
vras: se escrevemos com Z ou com S, se usamos X ou CH,
Direção: Walter Salles. e assim por diante… Quando isso acontece, a melhor saída
Ano de lançamento: 1998. é consultar o dicionário. Afinal, ele é o pai dos inteligentes!
Elenco: Fernanda
Montenegro, Vinícius
de Oliveira, Marília Pera, Atividade 6 – Teste seus conhecimentos
Sôia Lira, Othon Bastos, de ortografia
Matheus Nachtergaele,
Otávio Augusto, Stella Vamos ver se você entende do assunto?
Freitas, Caio Junqueira. 1 Leia as palavras abaixo e risque as que estiverem escritas
Duração: 112 minutos.
de forma errada.
Narradores de Javé
Direção: Eliane Caffé. mortadela – mortandela
Ano de lançamento: 2003. iogurte – iorgute
Elenco: José Dumont, cardaço – cadarço
Matheus Nachtergaele,
Nélson Dantas, travesseiro – trabisseiro
Rui Resende, Gero menas – menos
Camilo, Luci Pereira,
pobrema – problema
Nelson Xavier.
Duração: 100 minutos. bassoura – vassoura
largarto – lagarto

44
Comunicar é preciso

2 Fazer palavras cruzadas é um passatempo bem interessante que nos ajuda a man-
ter a memória ativa e a treinar a ortografia. Que tal começar a praticar agora
mesmo? Lembre‑se: use sempre letras de forma e escreva apenas uma letra em
cada quadradinho!

Continente O do carro Doidos; Drope;


de origem é aceso à malucos caramelo
dos negros noite

Planta Rua Dom,


contra (abreviatura) dádiva
mau-olhado

Sentido que Forma de


permite saudação
cheirar atual

Verbo saber
na 1a pessoa
do singular
do presente

Curiosidade
Você sabia que escritores e jornalistas não escrevem seus textos
de uma só vez? Eles escrevem, leem, revisam e escrevem de novo
de outro jeito até considerarem que o texto ficou bom. Quando
o livro ou a notícia estão prontos, passam ainda pelos revisores,
pessoas responsáveis pela correção ortográfica e gramatical. Está
vendo? Devemos aprender com eles a revisar nossos escritos antes
de enviá‑los a alguém.

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Unidade 4 Ampliação
dos horizontes
A vida moderna nos oferece várias possibilidades
de comunicação rápida com pessoas do mundo
todo. Podemos contatá‑las com eficiência e rapidez
por e‑mail, fax, telefone, internet, videoconferência…
Mesmo com todos esses meios eletrônicos, as formas
mais tradicionais de correspondência, como cartas,
bilhetes e requerimentos, ainda são bastante usadas.

kphoto
istoc

andré sarmento

Você já reparou que as cartas comerciais (de bancos, por exemplo), oficiais (de órgãos
públicos) e de cobrança usam linguagem formal? Geralmente, as instituições que as
enviam têm modelos prontos e mudam apenas os dados das pessoas que vão rece-
bê‑las, pois as mensagens são as mesmas. No trabalho, muitas vezes temos também de
escrever cartas utilizando modelos com linguagem formal.
O tipo de linguagem usada numa carta depende da situação. Veja.
• Linguagem informal – para as cartas pessoais, que são aquelas que escrevemos
para parentes, namorada(o) e amigos.
• Linguagem formal – para as cartas que escrevemos a autoridades, pessoas des-
conhecidas e empresas. Veja o exemplo a seguir.

46
Comunicar é preciso

Atividade 1 – Carta de
solicitação de emprego

1 Forme dupla com um colega de classe. Vocês vão imaginar a seguinte situação:
um amigo pediu ajuda para escrever uma carta solicitando emprego numa em-
presa. Ele mostrou para vocês outra carta como modelo. Leiam esse texto antes de
ajudá‑lo a fazer o dele.
Empresa Ramos e Silva
A/C Sra. Rosana de Almeida
Departamento de Recursos Humanos A/C é a abreviatura
de “aos cuidados de”.
Prezados Senhores,
Dirijo‑me a V.S.ªs com o intuito de preencher a vaga
de Assistente Administrativo existente nesta empresa.
Esclareço‑lhes que me encontro preparado para exer-
cer essa função, tendo em vista que já concluí o cur-
so profissionalizante de Assistente Administrativo.
Aproveito para anexar meu currículo, no qual poderão
ser constatados meu preparo, minhas aptidões e expe-
riências profissionais anteriores.
Agradeço a atenção.
Gervásio da Silva e Lima
2 Ajudem seu amigo a escrever a carta utilizando as seguintes informações:

Nome do amigo: Maurício de Andrade.


Nome da empresa: Merval Equipamentos Eletrônicos.
Vaga disponível: eletricista.
Experiência: trabalhou durante três anos como eletricista na empresa Elétrica
Correia & Filhos, Fios e Cabos.
Escrevam a carta no caderno.

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Na carta que serviu de modelo, foi usada a abreviatura V.S.ªs. Você sabe o que ela sig-
nifica? Significa Vossas Senhorias, que é um pronome de tratamento, ou seja, a forma
cerimoniosa que usamos no trato com pessoas.
Dependendo a quem nos dirigimos, devemos utilizar um ou outro pronome de tra-
tamento. Veja.

Pronomes de
Usamos para Abreviatura
tratamento
Vossa Alteza Príncipes, princesas, duques, duquesas V. A.
Vossa Eminência Cardeais V. Em.ª
Altas autoridades do governo e do
Vossa Excelência V. Ex.ª
exército
Vossa Magnificência Reitores de universidade V. Mag.ª
Vossa Majestade Reis, rainhas, imperadores, imperatrizes V. M.
Vossa Santidade Papa V. S.
Vossa Senhoria Tratamento cerimonioso V. S.ª
Senhor Tratamento formal Sr.
Senhora Tratamento formal Sra.
Você Tratamento familiar ou informal –

3 Agora, anote o pronome de tratamento que você usaria ao escrever para as pessoas
listadas abaixo.

Para o presidente da República:

Para o governador de seu estado:

Para o rei da Espanha:

Para o vereador em que você votou:

Para o papa:

Para seu tio:

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Comunicar é preciso

Carta de reclamação

Observe como foi escrita a carta a seguir.


Fortaleza, 20 de janeiro de 2010.
Loja Vem que é bom
Aos cuidados do Gerente da Loja Para saber mais…
Envio‑lhe esta carta para fazer a seguinte reclamação: Quando vamos enviar
uma carta pelo correio,
Em 19/12/2009, comprei de sua loja um televisor da
devemos escrever no
marca Flut. envelope o nome e
A entrega foi combinada para o dia 30 de dezembro. o endereço completo
O pagamento foi feito em dinheiro, conforme cópia do remetente e do
do comprovante que segue junto desta carta. destinatário.
Até agora, porém, não recebi a mercadoria, como foi Remetente – Aquele
que envia a carta. Você
prometido pela loja.
envia uma carta para seu
Dessa forma, peço que cumpram com sua parte, irmão que mora no Piauí.
entregando‑me o televisor imediatamente. Destinatário – Aquele
Caso eu não receba a mercadoria, procurarei um órgão que vai receber a carta.
de defesa do consumidor para que sejam tomadas as Seu irmão que mora
no Piauí recebe
devidas providências, conforme manda o Código de
uma carta sua.
Defesa do Consumidor. CEP – Sigla que
Atenciosamente, significa Código de
João da Silva Endereçamento Postal
e que faz parte do
endereço. Nas cidades
João da Silva citou na carta o Código de Defesa do Consu-
grandes, cada rua tem
midor. Você já ouviu falar dele? É uma lei que reúne regras seu CEP. Ele ajuda na
com o objetivo de garantir os direitos dos consumidores. localização de ruas
Mas, se você não conhecer seus direitos, como poderá rei- que podem ter o
vindicá‑los, como fez João? mesmo nome.

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Atividade 2 – Nossos direitos!


1 Reúna‑se em grupo com mais três colegas. Vocês devem pesquisar na internet ou
na biblioteca uma cartilha do Código de Defesa do Consumidor, que é um resumo
da lei em uma linguagem mais simples.
2 Discutam com o restante da classe e com o professor quais são os direitos do
consumidor.

Atividade 3 – As siglas
Em algumas situações, como a abertura de um crediário, por exemplo, somos recebi-
dos da seguinte maneira:
— Bom dia! O senhor trouxe RG, CPF, o comprovante de endereço e o número
do INSS?
1 Leia as nomenclaturas a seguir, que são bastante utilizadas, e, com a ajuda do pro-
fessor, escreva a sigla correspondente a cada uma delas. Aproveite também para
analisar com seus colegas o significado de cada nomenclatura.

Nomenclatura Sigla
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
Cadastro da Pessoa Física
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica
Confederação Brasileira de Futebol
Distrito Federal
Federação Brasileira de Bancos
Força Aérea Brasileira
Imposto de Renda
Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Instituto de Pesos e Medidas
Produto Interno Bruto
Programa de Integração Social
Registro Geral

50
Comunicar é preciso

2 Agora, encontre outras nomenclaturas e siglas em jornais ou revistas. Faça no ca-


derno um quadro como o do exercício anterior e apresente‑o para seus colegas.

Sigla é um tipo de abreviatura dos nomes de impostos, documentos,


instituições, partidos políticos, órgãos governamentais, departamen‑
tos etc. Por exemplo:
Departamento de RH – Departamento de Recursos Humanos
INSS – Instituto Nacional do Seguro Social
Nós nos deparamos com siglas diariamente nos jornais, nas revistas,
na televisão, em todos os lugares. Elas são importantes porque tornam
a comunicação mais rápida e muitas vezes não precisamos dizer ou
escrever todo o seu significado.

A defesa de ideias na forma escrita


Como vimos na Unidade 2, o debate é uma maneira de defender ideias em que se usa
a fala. Também podemos defender nossas convicções na forma escrita, expondo opi-
niões por meio de argumentos claros a fim de convencer aqueles com quem queremos
nos comunicar. Leia com atenção o seguinte texto.

Pobreza causa trabalho infantil


O trabalho infantil é repudiado por muitos, usufruído
por outros tantos e exercido por cerca de 3,8 milhões
de crianças e adolescentes no Brasil, o que vergonho-
samente o coloca como o terceiro país da América La-
tina que mais inviabiliza a infância, segundo dados Unicef é a sigla de Fun‑
do Unicef. As causas principais são a pobreza e o de- do das Nações Unidas
semprego crescentes, que acabam servindo como justi- para a Infância, um órgão
de defesa dos direitos
ficativa para aqueles que empregam esses jovens ou
das crianças presente no
mesmo os que se defrontam diariamente com meninos mundo todo.
vendendo balas nos sinais, engraxando sapatos nos
grandes centros, entregando panfletos nos calçadões ou
colhendo algodão nos campos. O fato é que muitos
desses pequenos cidadãos são a favor de seu direito de
trabalho, mas de forma digna, ao contrário da explo-
ração a que são sujeitados.
Fonte: www.comciencia.br.

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Atividade 4 – Interpretando o texto


Responda às questões a seguir no caderno.
1 O texto que você acabou de ler quer responder a uma pergunta, que chamamos
de ideia central. Converse com seus colegas e professor sobre a ideia central
desse texto.
2 Que informações o texto nos traz sobre a quantidade de crianças que exercem o
trabalho infantil no Brasil, segundo dados do Unicef?
3 Quais são os argumentos que o autor utiliza para informar o leitor sobre o traba-
lho infantil?

Jornal: um meio de comunicação


O jornal é um meio de comunicação escrito bastante acessível e, geralmente, de fácil
compreensão. Ele traz notícias nacionais e internacionais, classificados, horóscopo,
meteorologia, serviços e cadernos de esporte, economia, política e cultura, entre ou-
tros. Quem está à procura de trabalho costuma consultar a seção de classificados de
empregos, na qual diversas empresas anunciam vagas. Existem também anúncios de
compra e venda de automóveis, casas etc.

Atividade 5 – Os classificados
Para publicar um classificado, alguns jornais cobram uma taxa por número de li-
nhas. É por isso que, em geral, esses anúncios trazem textos curtos e, muitas vezes,
abreviaturas.
1 Pesquise em jornais alguns classificados de emprego ou de venda de automóveis.
2 Agora, use o espaço abaixo para elaborar um classificado como se estivesse venden-
do uma bicicleta.

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Comunicar é preciso

Chegamos ao fim do módulo que trata da comunicação, mas em todas as outras partes
deste livro a leitura e a escrita estão presentes. Ao exercitá‑las você terá a oportunidade
de continuar a refletir, comparar, analisar, estudar… A leitura é uma fonte inesgotá-
vel de saberes que ajudam a nos tornar pessoas cada vez melhores! Para encerrar este
módulo vamos ler um texto de Campos de Queirós…

Existe tarefa mais importante realizada pela


escola do que a de ensinar a ler e escrever?
Havia uma desconfiança: o mundo não terminava onde os céus e a terra se encon-
travam. A extensão do meu olhar não podia determinar a exata dimensão das coisas.
Havia o depois. Havia o lugar de o sol se aninhar enquanto a noite se fazia. Havia
um abrigo para a lua enquanto era dia. E o meu coração de menino se afogava em
desesperança. Eu que não era marinheiro nem pássaro – sem barco ou asa. Um dia
aprendi com Lili a decifrar as letras e suas somas. E a palavra se mostrou como
suspeitava, para permitir silêncio e diálogo. Com as palavras eu ultrapassava a linha
do horizonte. E o meu coração de menino se afagava em esperança. Ao virar uma
página do livro eu dobrava uma esquina, escalava uma montanha, transpunha uma
maré. Ao passar uma folha eu frequentava o fundo dos oceanos, transpirava em
desertos para, em seguida, me fazer hóspede de outros corações. Pela leitura tem-
perei minha pátria, bebi de minha cidade, enquanto, pacientemente, degustei dos
meus desejos e limites. Assim, o livro passou a ser o meu porto, a minha porta, o
meu cais, a minha rota. Pelo livro soube da história e criei os avessos, soube do
homem e seus disfarces, soube das várias faces e dos tantos lugares de se olhar. No
livro soube do Gênese e no livro leio novos testamentos do percurso. Ler é aventu-
rar‑se pelo universo inteiro.
Texto extraído da coletânea (módulo 3) do Programa de Formação de Professores
Alfabetizadores – BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental,
Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, MEC/SEF, 2005.

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