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Prefeitura Municipal de Curitiba

Secretaria Municipal da Educação


Superintendência de Gestão Educacional
Departamento de Ensino Fundamental

INTEGRANDO SABERES:
APROXIMAÇÕES ENTRE LÍNGUA PORTUGUESA
E MATEMÁTICA NO 2º ANO

AMBIENTE EDUCATIVO

Curitiba, 2018
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA

Rafael Greca de Macedo

SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO


Maria Sílvia Bacila Winkeler

SUPERINTENDÊNCIA EXECUTIVA
Oséias Santos de Oliveira

DEPARTAMENTO DE LOGÍSTICA
Maria Cristina Brandalize

DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO, ESTRUTURA E INFORMAÇÕES


Elizabeth Dubas Laskoski

SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO EDUCACIONAL


Elisângela Iargas Iuzviak Mantagute

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL


Elidete Zanardini Hofius

DEPARTAMENTO DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL


João Batista dos Reis

DEPARTAMENTO DE INCLUSÃO E ATENDIMENTO EDUCACIONAL


ESPECIALIZADO
Gislaine Coimbra Budel

COORDENADORIA DE PROJETOS
Andrea Barletta

COORDENADORIA DE EQUIDADE, FAMÍLIA E REDE DE PROTEÇÃO


Jeanny Rose Manccini de Oliveira

DEPARTAMENTO DE ENSINO FUNDAMENTAL


Simone Zampier da Silva

GERÊNCIA DE CURRÍCULO
Luciana Zaidan Pereira
INTRODUÇÃO

Ao considerarmos o desafio diário de proporcionar momentos de


aprendizagem significativa e de qualidade aos(às) nossos(as)1 estudantes, nos
remetemos ao planejamento diário.
A ação de planejar vai além dos objetivos, conteúdos e critérios, pois
perpassa diferentes aspectos que estão presentes no dia a dia da sala de aula.
Um desses aspectos é o ambiente educativo. Conforme os Parâmetros e
Indicadores de Qualidade
Para as crianças e os estudantes, o espaço não é apenas um lugar
físico, mas, também, representa emoções, lembranças, relações, que
marcam profundamente suas vidas e contribuem para as suas
aprendizagens e o seu desenvolvimento. Para Forneiro (1998, p.
232), ‘[...] o termo ambiente refere-se ao conjunto do espaço físico e
as relações que se estabelecem no mesmo (os afetos, as relações
interpessoais entre as crianças, entre crianças e adultos, entre
crianças e sociedade, em seu conjunto)’ (CURITIBA, 2016).

Desta forma, neste caderno, refletiremos sobre o ambiente educativo,


considerando as interações que ocorrem no espaço escolar, bem como os
materiais que podemos utilizar diariamente a fim de propiciar essas relações
em busca de uma educação de qualidade.

1
Na Introdução fizemos a escrita do documento destacando-se os atores do processo educativo em suas formas
masculina e feminina. Deste ponto em diante, apresentaremos apenas a marca do masculino, conforme seu
predomínio na Língua Portuguesa, para facilitar a leitura do material, sem, contudo, desconsiderar a importante
caracterização de gênero desejada nos tempos atuais.
AMBIENTE EDUCATIVO

Quando entro em sala de aula devo estar sendo um ser


aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos
alunos, as suas inibições; um ser crítico e inquiridor,
inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e
não a transferir conhecimento. É preciso insistir: este
saber necessário ao professor – que ensinar não é
transferir conhecimento - não apenas precisa ser
apreendido por ele e pelos educandos nas suas razões
de ser – ontológica, política, ética, epistemológica,
pedagógica, mas também precisa ser constantemente
testemunhado, vivido (FREIRE, 1996, p. 47).

Todo adulto, que foi um dia aluno, guarda consigo lembranças mais ou
menos precisas de sua escolaridade. Quais são as suas?

Analise as imagens abaixo que retratam os diferentes espaços


escolares.

Alunas da 4.ª série primária da Escola Alunos do Instituto Moderno de Ensino –


Curso Primário – (1.º Ano) – década de 30 –
São Vicente de Paulo, 1954.
Santa Rita do Sapucaí – MG

Modelo de sala de aula típica, sem identificação local.


Leia o texto a seguir.

Foi uma vez...


Uma vida escolar que teve início em 1965.
No contexto brasileiro vamos nos deparar com os governos autoritários.
Momento de fechamento, de policiamento, de limites rígidos e incontestáveis.
Na escola só havia meninas e, mais tarde, meninas-moças.
A alfabetização pela imagem era defendida pela “Pedagogia Moderna”,
em que aprender a ler e escrever era entendido como a decodificação de
fonemas e grafemas.
Usava-se uma cartilha que era pautada por assuntos que tentavam fazer
a relação com a vida social, porém, permeados por palavras e textos cujo
sentido era artificializado.
Não havia a preocupação com o trabalho grupal, o ensino estava voltado
para o indivíduo.
Para as meninas, futuras mulheres, estava reservado o lar. A
sexualidade ou assuntos referentes ao tema não eram abordados na escola e
raríssimas vezes em casa.
A televisão era a novidade e as imagens eram em preto e branco.
As tarefas de casa eram realizadas sob a consulta em enciclopédias:
Barsa, Delta-Larousse, Grandes Vultos da Nossa História...
Os trabalhos, escritos à mão em folhas de papel almaço e, um pouco
mais tarde, datilografados.
A moralidade, ou conjunto de regras, era rígido.
Aulas de Educação Moral e Cívica tratavam apenas de enaltecer
grandes vultos da História ou fatos atuais (daquele momento) como a chegada
do Homem à Lua.
Campanhas de vacinação contra a varíola entravam na escola.
Preocupação com o uso do uniforme, cumprimento da saia, altura da
meia. Casacos amarrados à cintura eram proibidos. Maquiagem, nem pensar.
Havia um uniforme especial para a prática da Educação Física.
A escola era impecável. Limpa, organizada. Com uma ampla biblioteca
visitada raríssimas vezes pelos alunos, sempre acompanhados de seus
professores.
[...] As salas, organizadas com carteiras e assentos que formavam uma
unidade, eram fixadas ao chão com parafusos e enfileiradas. Entre 35 a 40
carteiras. Umas atrás das outras. Um quadro de giz.
[...] Em 1988 a nova constituição é lançada. A democracia começa a se
instalar.
(PORTILHO, 2011, p. 165-167)

Depois de observar as imagens e ler o texto você percebe semelhanças


com as salas de aula e rotina da unidade escolar que atua?

O que seu estudante do 2.º ano vê em seu ambiente escolar?


No ciclo de alfabetização a sala de aula:

[...] deve se constituir como um espaço no qual as


crianças ficarão imersas no processo de apropriação da
leitura e da escrita da língua materna, bem como da
linguagem matemática, com ampla exposição dos alunos
aos materiais impressos que nos envolvem
cotidianamente e possibilitam explicitar a função social
da escrita (BRASIL, 2014, p. 6).

Desse modo, um dos objetivos desse caderno é apontar possilidades


para organização do trabalho pedagógico entendendo a sala de aula como um
ambiente formativo. Veremos a importância da presença, nesse espaço, de
materiais que remetam à função social da escrita e da Matemática.

Organização das carteiras em sala de aula

A organização das carteiras, na sala de aula, contribui significativamente


para “a criação de um ambiente propício e favaróvel à aprendizagem, a
problematização, a dialogicidade e à comunicação pela leitura e escrita,
também em Matemática” (BRASIL, 2014, p. 18).
Nesse sentido, a decisão sobre a organização das carteiras precisa ser
pensada com antecedência, pois está relacionada a atividade planejada para
aquele dia.

E. M. Nova Esperança (NRE-PR)

Como trabalhamos com uma concepção interacionista de linguagem, o


ideal para o processo de alfabetização, é que os estudantes realizem trocas
constantes. O professor pode pensar em possíveis agrupamentos de acordo
com o nível de escrita da turma. Sempre lembrando que o agrupamento por
meio de níveis de escrita próximos podem contribuir para que os estudantes
avancem em suas hipóteses sobre o sistema de escrita alfabética.

E. M. CEI Julio Moreira (NRE-SF)

Realizar atividades fora do ambiente de sala e explorar outros espaços


da escola sempre irá contribuir para que as propostas se tornem mais lúdicas e
prazerosas.

E. M. CEI Julio Moreira (NRE-SF)


Planejamento

Espera-se que o estudante, ao final do segundo ano, esteja lendo e


produzindo textos. Para que isso ocorra de forma efetiva, orienta-se que o
professor faça uso do Plano Curricular da SME, bem como dos cadernos de
encaminhamentos produzidos em 2017.
Para que o estudante de segundo ano faça uso do sistema de escrita
alfabética com funcionalidade, sugere-se que o professor proponha desafios
para a leitura e escrita diariamente, ou seja, atividades que agucem a
curiosidade dos estudantes em ler e escrever. Ex: uso de tirinhas, adivinhas,
desafios, etc.

E. M. CEI Julio Moreira (NRE-SF)

Nenhuma sala de aula será homogênea, portanto no momento de


planejamento é importante contemplar os diferentes níveis de escrita. Para que
isso ocorra, é necessário que o professor tenha como rotina de trabalho aplicar
a sondagem periódica2 para toda a turma, verificando em qual nível de escrita
encontra-se cada um dos estudantes.
A partir dessa informação, é necessário planejar atividades que
contemplem os diferentes níveis de escrita e pensar em como organizar a
turma de forma que essa heterogeneidade contribua com a troca e o
compartilhar de saberes entre os estudantes.

2A sondagem periódica tem por objetivo diagnosticar em qual nível de escrita os estudantes
estão. Sugere-se que sejam realizadas ao menos uma vez por mês para o registro da evolução
da escrita do estudante.
E. M. CEI Nair de Macedo (NRE-PN)

Registros nos cadernos

Qual a finalidade do registro escrito na escola?

A expressão escrita, normalmente feita nos cadernos, organiza e


imprime características à dinâmica escolar. Rotineiramente, na escola, são
propostas atividades em que os estudantes, trabalhando individualmente ou
com seus pares, têm a possibilidade de deixar marcado o que vem sendo
realizado com o auxílio de materiais manipuláveis ou oralmente. Esses
registros compostos por textos, esquemas ou desenhos são úteis para o
entendimento dos estudantes e funcionam como uma espécie de diário, onde é
possível se voltar sobre o que foi produzido e perceber o que ainda é preciso
fazer.
As atividades realizadas no caderno precisam ter um sentido para o
estudante, ou seja, estarem em consonância com as práticas vivenciadas em
sala de aula. Assim, os estudantes são incentivados a registrar suas produções
e os caminhos percorridos por eles podem apontar para o professor as
(in)compreensões surgidas no decorrer do processo.
E. M. CEI Julio Moreira (NRE-SF)

Organização do espaço físico

 Alfabeto
O alfabeto3 é um instrumento de consulta para que os estudantes se
apropriem do Sistema de Escrita Alfabética. Se o uso desse instrumento não
for funcional, ele se tornará apenas uma lista de letras e um objeto decorativo
na sala de aula.
É importante que este alfabeto seja realimentado de acordo com o uso e
contexto em sala de aula de maneira que desperte a curiosidade da criança em
consultá-lo. Cabe lembrar que o uso de uma única imagem como referencial
fixo correspondente às letras do alfabeto, pode levar o estudante a relacionar
as letras apenas ao som das palavras utilizadas.

Outro cuidado, tanto na organização do alfabeto, como na sala de aula


em geral, é a não utilização de imagens estereotipadas para representar

3 A SME utiliza um modelo de alfabeto padrão, o mesmo encontra-se disponível em:


http://www.educacao.curitiba.pr.gov.br/conteudo/alfabeto/7789
animais, objetos ou outros elementos. Sugere-se sempre o uso de uma foto
real para facilitar a compreensão do estudante.

E. M. Nova Esperança (NRE-PR)

 Quadro numérico
É um material exposto na parede das salas do Ciclo de Alfabetização
(1.º ao 3.º ano), no campo visual de todos os estudantes. O quadro numérico
apresenta diferenças nos anos iniciais, conforme se amplia o trabalho
sistematizado com a numeração. No 2.º ano, começa com o 0 (zero) no início,
devido a ampliação conceitual relacionada a esse número, e dezenas exatas à
esquerda.

E. M. CEI Nair de Macedo (NRE-PN)


 Relógio
O relógio constitui instrumento de medida essencial para a leitura de
horas e a organização do tempo nas atividades escolares. Nas salas 2.º anos,
o trabalho com a leitura de horas (com horas e minutos) em relógio analógico,
destaca-se pela organização de ambas as unidades de medida.

 Cartazes com os textos trabalhados


É importante que o professor utilize cartazes com os textos trabalhados
em sala de aula, sempre diversificando os gêneros textuais. O mesmo texto
pode ser utilizado mais de uma vez com diferentes objetivos. Esse material
passa a compor o ambiente como um instrumento de consulta dos estudantes.
As produções coletivas também podem ser expostas, tendo em vista que
o estudante participou da produção e será mais fácil para ele fazer uso do texto
que ele mesmo produziu. Outro aspecto importante é selecionar os textos, que
estão em uso naquele momento, para evitar que os estudantes fiquem
expostos à poluição visual em sala de aula e os textos expostos percam a
funcionalidade.

 Calendário anual
O calendário anual caracteriza-se como um importante elemento para
compor o ambiente educativo das salas de aula dos anos iniciais, pois além de
constituir-se material de consulta para todos, permite aos estudantes
acompanharem a marcação da passagem do tempo durante o ano letivo,
sendo também um recurso para o trabalho com as relações matemáticas.

E. M. CEI Nair de Macedo (NRE-PN)

Cabe destacar o objetivo do trabalho com calendário: marcação de


tempo e relações matemáticas. Nesse caso, pensando na ênfase do uso
pedagógico do calendário convencional, é necessário que o mesmo apresente
todos os meses em um único cartaz e esteja livre de estereótipos.

Uso social do número

É importante que os estudantes reconheçam as diferetes funções dos


números.
Com relação ao número, de forma bastante simples,
pode-se dizer que é um indicador de quantidade
(aspecto cardinal) que permite evocá-lo mentalmente
sem que ele esteja fisicamente presente. É também um
indicador de posição (aspecto ordinal), que possibilita
guardar o lugar ocupado por um objeto, pessoa ou
acontecimento numa listagem, sem ter que memorizar
essa lista integralmente. Os números também são
usados como códigos, o que não tem necessariamente
ligação direta com o aspecto cardinal, nem com o
aspecto ordinal (por exemplo, código: número de
telefone, de placa de carro etc.) (BRASIL, 1997, p. 67).
O professor poderá pedir para que os estudantes apresentem exemplos
do uso do número em sua vida, deste modo eles podem se tornar o ponto de
partida para o ensino desse conceito.

Materiais manipuláveis

O que são materiais manipuláveis?


São instrumentos que podem auxiliar os estudantes a descobrir, a
entender ou consolidar conceitos fundamentais nas diversas fases da
aprendizagem, transpondo para o concreto o que antes era abstrato.
Frequentemente os professores buscam por recursos auxiliares e
diferentes formas de promover experiências de aprendizagem enriquecedoras.
Sem dúvida, há uma diversidade de materiais manipuláveis sendo usados
como suporte na organização do processo de ensino- aprendizagem e, embora
esses materiais permitam exploração, experimentação e manipulação por parte
do estudante, sendo usados também para despertar interesse, é preciso
pensar sobre seu uso.
Nacarato (2005) afirma que o problema não está na utilização de
materiais manipuláveis, mas na maneira como são utilizados, uma vez que é
comum o uso inadequado ou pouco exploratório. Esse alerta também é feito no
caderno deformação do PNAIC (Organização do trabalho pedagógico), que
objetiva entre outras questões apontar possibilidades para a organização do
trabalho pedagógico:
Geralmente a expectativa da utilização de materiais
manipuláveis por parte de professores está na
esperança de que as dificuldades de ensino possam ser
amenizadas pelo suporte da materialidade. Contudo, a
simples manipulação de objetos não leva à compreensão
dos conteúdos, podendo até mesmo causar problemas
com a conceituação. Não é incomum que se acredite
que, apenas manipulando um ábaco ou outro material
manipulável, o aluno está aprendendo a contar ou a
fazer contas. De fato, o uso de um material manipulável
somente é eficiente se utilizado adequadamente
(BRASIL, 2014, p. 10).

Cabe destacar que qualquer material deve ser usado de forma


cuidadosa, pois o material em si só não garante uma aprendizagem
significativa. O papel do professor é de extrema importância, pois cabe a ele o
planejamento de situações que potencializem o uso dos materiais manipuláveis
na aula.
O professor desempenha um papel de extrema importância no que diz
respeito à utilização dos materiais didáticos na sala de aula, na medida em que
será ele o responsável pela determinação do momento e da razão do uso de
um determinado material.
O uso de alguns recursos pode contribuir com o ambiente alfabetizador,
mas para que isso ocorra satisfatoriamente é imprescindível que os estudantes
tenham acesso, utilizem e criem diferentes palavras, por meio do uso de
materiais manipulativos, como o alfabeto móvel.
É importante proporcionar aos estudantes o contato com materiais que
circulem em sua comunidade, como panfletos, jornais, propagandas, etc;
observando as características de cada gênero textual. Quando os estudantes
consultam materiais de leitura que fazem parte do seu cotidiano e outros que
eles participaram da construção, como textos, listas de palavras e os
referenciais expostos no alfabeto, torna-se desnecessária a utilização de
materiais prontos como o silabário.
O acesso a materiais de leitura é essencial nesse ambiente. Devemos
lembrar que muitas crianças só têm acesso a eles na escola. Para isso, várias
estratégias são viáveis, como a caixa da leitura, canto da leitura, leitura deleite
diária, disponibilização de livros no período de recreio, etc.

E. M. Miguel Krug (NRE-PR)


E. M. Campo Mourão (NRE-PR)

E. M. CEI Julio Moreira (NRE-SF)

Não é necessário que haja a preocupação por parte do professor em


“decorar” a sala de aula de acordo com aquilo que considera bonito. É
importante que o ambiente seja construído juntamente com os estudantes e
sempre reorganizado e realimentado conforme houver necessidade.
Ensinar é um ato intencional e a complexidade do processo de
alfabetização impulsiona o professor a sempre buscar alternativas para
organizar suas aulas. Portanto, organizar e reorganizar a dinâmica da
alfabetização, de modo a proporcionar experiências significativas que envolvam
os estudantes, que possibilitem o explorar, o experimentar, o manipular e o
desenvolvimento da observação, favorecendo novas aprendizagens, exige
planejamento e estudo.
Portanto, em relação ao papel do professor no ciclo da alfabetização:
O que se espera [...] é que os professores sintam-se
encorajados a fazer uso dessas coisas que estão
presentes em nossos afazeres diários, em nosso mundo
“ao redor”, e explorem situações matemáticas possíveis
e desejáveis de serem levadas para dentro das salas de
aula. É importante que o tempo vivido na escola não seja
visto como um tempo “de reclusão”, como se a vida
estivesse “lá fora”, enquanto dentro da escola estivesse
“o conhecimento” isolado do mundo. A escola é também
um espaço de disciplina, de concentração, de esforços
concentrados e coletivos, mas é lamentável que esse
espaço não ajude na percepção de que coisas como
estas não precisam necessariamente ser sentidas como
“ruins” ou “impostas”. Quando falamos de alfabetização
[...] estamos nos referindo a crianças entre seis e oito
anos de idade, que estão na escola e frequentemente
não conseguem ficar sentadas “ouvindo” por muito
tempo, são saudavelmente “ativas” e “curiosas”.
Professores e a escola muito terão a ganhar se
souberem mobilizar essas energias na direção da
construção de algo que essas crianças sempre manterão
com elas: a vontade de aprender mais e a consciência
de estarem aprendendo (BRASIL 2014, p. 25-26).

Sem dúvida, as regras e técnicas operatórias, assim como os aspectos


simbólicos da matemática serão contemplados, de uma forma ou de outra, no
ensino da disciplina. No entanto, um ensino que incida sobre o sentido da
matemática no ciclo de alfabetização marca positivamente os primeiros passos
ao longo da trajetória escolar, que tem por meta “permitir ao sujeito utilizar as
ideias matemáticas para compreender o mundo no qual vive e instrumentalizá-
lo para resolver as situações desafiadoras que encontrará em sua vida na
sociedade” (BRASIL, 2012, p. 60).
Levar a criança a compreender e saber utilizar o sistema alfabético de
escrita é função da alfabetização que associada ao letramento ensina a ler e a
escrever no contexto das práticas sociais da leitura e escrita, de modo que o
indivíduo se torne simultaneamente alfabetizado e letrado. (Soares, 1998 –
p.12).

Ambiente Educativo em Geografia

Para criar um ambiente educativo adequado para aprendizagem dos conteúdos


de Geografia sugere-se que alguns materiais referentes à área estejam
disponíveis para o manuseio e observação direta dos estudantes. Entre eles
estão: o globo terrestre, mapas, bússola, relógios com horários de diferentes
cidades do mundo (de acordo com a curiosidade dos estudantes), livros
paradidáticos sobre conteúdos geográficos, jornais e revistas técnicas que
despertem a curiosidade e interesse dos estudantes.
Ambiente Educativo em Ciências

Considerando o ambiente educativo em Ciências, podemos elencar diferentes


materiais que podem contribuir para as reflexões do dia a dia, como cartazes,
folders, painéis, mural de notícias sobre questões relacionadas às Ciências, a
destinação de um “Canto para Ciências” com revistas e livros específicos,
como a revista Ciência Hoje, além de materiais que podem ser trazidos para a
sala de aula em vários momento, como o telúrio (planetário) e o microscópio.

Vale lembrar das questões dos resíduos em sala de aula. É possível


providenciar duas lixeiras para a separação do lixo orgânico do reciclável, pois
com isso estaremos incentivando a cultura da reciclagem e colocando os
estudos em prática.

Uma dica valiosa a ser observada é a necessidade de deixarmos as janelas


abertas, evitando, é claro, no período de inverno, as correntes de ar. Dessa
forma estaremos prevenindo a transmissão de doenças infectocontagiosas
(gripe e outras viroses) tão comuns em algumas época do ano. A prevenção
também faz parte da aprendizagem e o ambiente adequado ao que se estuda é
muito mais educativo. Outras questões a serem consideradas em sala são
relativas à luminosidade, ventilação, higiene do ambiente e a problematização
sobre as roupas utilizadas pelos estudantes adequadas à temperatura do dia
ou momento.

Ambiente Educativo em Arte

O ambiente escolar é um local que possibilita a experiência estética, que pode


ser proporcionada por diferentes imagens.

Dentre essas imagens, podemos destacar o Material Museu na Escola que é


composto de obras que fazem parte do acervo da cidade de Curitiba com
diferentes formas artísticas como: desenho, pintura, gravura, escultura, cartaz,
fotografia, arte mural e objeto, e tem como objetivo despertar o olhar sensível e
reflexivo por meio do contato com reproduções de diferentes obras.

As imagens podem ser apresentadas para os estudantes de diversas formas:


dispostas em diferentes espaços da escola, em jogos, brincadeiras e rodas de
apreciação, provocando assim a curiosidade sobre o que está representado na
imagem, as sensações que ela transmite, as cores, o lugar e as lembranças a
que remete, oportunizando inúmeras descobertas e interpretações, aguçando a
experiência estética do olhar.
Sugestões de leituras – artigos e livros

Alfabetizando sem o ba-bé-bi-bó-bú. São Paulo: Scipione, 1998. Luiz Carlos


Cagliari.
O livro reúne as contribuições teóricas e práticas
necessárias a todos os educadores que desejam
modificar seu fazer pedagógico no dia a dia em sala de
aula. A série é dirigida aqueles que buscam interagir
com os estudantes, participando vivamente de seu
desenvolvimento global.

No artigo “Eu trabalho primeiro no concreto”, a Prof.ª Dra. Adair


Mendes Nacarato, docente da Universidade São
Francisco, discute a presença de materiais
manipuláveis no ensino de Matemática ao longo
do tempo. Por meio de uma análise crítica
dimensiona significados desse tipo de recurso do
ponto de vista da prática do professor e da
aprendizagem do aluno, bem como, discutido seu alcance e seus limites.
Disponível em:
<https://dc2d101b-a-62cb3a1a-s-sites.googlegroups.com/site/oficinadotiao/a-arte-de-resolver-
problemas/arquivos/RevEdMat_gamo.pdf?attachauth=ANoY7crkpDZVDO1mNO3n7zr562HhCp
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Acesso em 23/02/2018.
A Matemática nos anos iniciais do
ensino fundamental: tecendo fios do ensinar e
do aprender. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
Adair Mendes Nacarato; Brenda Leme da Silva
Mengali; Cármen Lúcia Brancaglion Passos
Neste livro, as autoras discutem o ensino
de matemática nas séries iniciais do ensino
fundamental num movimento entre o aprender e o
ensinar. O foco central da obra está nas situações matemáticas desenvolvidas
em salas de aula dos anos iniciais. A partir dessas situações, as autoras
discutem suas concepções sobre o ensino de matemática a alunos dessa
escolaridade, o ambiente de aprendizagem a ser criado em sala de aula, as
interações que ocorrem nesse ambiente e a relação dialógica entre alunos-
alunos e professora-alunos que possibilita a produção e a negociação de
significado.

A experiência Matemática no ensino básico.


Lisboa: 2008.
Ana Maria Boavida; Ana Luísa Paiva; Graça
Cebola; Isabel Vale; Teresa Pimentel.

Disponível em:

<http://www.esev.ipv.pt/mat1ciclo/2008%202009/experiencia_matematicaEB.pdf>
Este livro, escrito por uma equipe de pesquisadoras portuguesas
direciona-se a professores que atuam no ciclo da alfabetização. Tem como
objetivo contribuir para que o professor possa criar condições favoráveis ao
aprofundamento matemático, didático e curricular. Centra-se no processos
matemáticos transversais e vários temas intrínsecos ao trabalho do professor
que ensina Matemática: resolução de problemas, conexões matemáticas,
comunicação matemática e argumentação em matemática.
REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão


Educacional. Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa:
Organização do Trabalho Pedagógico / Ministério da Educação, Secretaria
de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. – Brasília:
MEC, SEB, 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais:


Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Brasília, DF: Secretaria
de Educação Fundamental, 1997.

CABO FRIO. Alfabetização Matemática. Disponível em:


http://proalfacabofrio.blogspot.com.br/2011/06/alfabetizacao-
matematica_21.html Acesso: 21/02/2018.

CAGLIARI, L. C. Alfabetizando sem o ba-be-bi-bo-bu. Ed. Scipione. São


Paulo. 1998.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessário à Prática


Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

MORETTI, V. D.; SOUZA, N. M. M. Educação Matemática nos Anos Iniciais


do Ensino Fundamental: Princípios e Práticas Pedagógicas. 1ª edição –
São Paulo: Cortez, 2015.

NACARATO, A. M. Eu Trabalho Primeiro no Concreto. Revista da Educação


Matemática, 2005.

PORTILHO, E. M. L. Alfabetização: Aprendizagem e Conhecimento na


Formação Docente. Curitiba: Champagnat, 2011.

SOARES, M. Um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.


FICHA TÉCNICA
DEPARTAMENTO DE ENSINO FUNDAMENTAL
Simone Zampier da Silva

GERÊNCIA DE CURRÍCULO
Luciana Zaidan Pereira

PEDAGOGA DO CURRÍCULO
Viviane da Cruz Leal Nunes

EQUIPE DA GERÊNCIA DE CURRÍCULO


Adriane Alves da Silva
Ana Paula Ribeiro
Angela Cristina Cavichiolo Bussmann
Daniela Gomes de Mattos Pedroso
Dircélia Maria Soares de Oliveira Cassins
Elaine Smyl
Fabíola Berwanger
Haudrey Fernanda Bronner Foltran Cordeiro
Jacqueline Mascarenhas Cercal
Justina Inês Carbonera Motter Maccarini
Karin Willms
Kelly Cristhine Wisniewski de Almeida Colleti
Lígia Marcelino Krelling
Lilian Costa Castex
Magaly Quintana Pouzo Minatel
Marcos Alede Nunes Davel
Santina Célia Bordini
Simone Cristine Vanzuita
Vanessa Marfut de Assis

ELABORAÇÃO
Equipe SME e NREs
Adriana Rodrigues da Rocha Santos (Língua Portuguesa – NRE PN)
Adriane Alves da Silva (Língua Portuguesa – SME)
Amanda Tracz Pereira Leite (Língua Portuguesa – NRE BQ)
Ana Lucia Maichak de Gois Santos (Língua Portuguesa – NRE BV)
Ana Paula Ribeiro (Matemática)
Carla Marcela S. Machado dos Passos (Matemática – NRE CJ)
Cristiane Lopuch Nogueira (Língua Portuguesa – NRE MZ)
Daniela Cristina Pereira Nogueira (Língua Portuguesa – NRE CIC)
Ed Carlos da Silva Rocha (Matemático – NRE BV)
Fabiana Farias Xavier Weisheimer (Matemática - NRE CIC)
Greici de Camargo Margarida Língua Portuguesa – NRE CIC)
Haudrey Fernanda Bronner Foltran Cordeiro (Língua Portuguesa - SME)
Janaina Aparecida Rabelo de Almeida (Matemática – NRE TQ)
Justina Inês Carbonera Motter Maccarini (Matemática - SME)
Kátia Giselle Alberto Bastos (Matemática – NRE PN)
Laura Camillo Mariano Costa – NRE PR)
Luciane Krul (Matemática – NRE SF)
Magaly Quintana Pouzo Minatel (Língua Portuguesa - SME)
Rosania Kasdorf Rogalsky (Matemática – NRE BQ)
Roseli Aparecida H. Bueno Barbaresco (Língua Portuguesa – NRE CJ)
Salete Pereira de Andrade (Matemática – NRE BN)
Sirlene de Jesus dos Santos da Silva (Matemática – NRE CIC)
Suellen Rodrigues de Oliveira Mazzolli (Matemática – NRE MZ)
Sumaia de A. Moura Guimarães (Língua Portuguesa – NRE BN)
Vania Gusmão Dobranski (Língua Portuguesa – NRE SF)
Wanessa Borges Pires Comin (Língua Portuguesa – NRE TQ)

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