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A profissão farmacêutica

no Brasil
Profº. Eduardo Corsino
Descrição
A profissão farmacêutica no Brasil: histórico, formação, atuações e mercado.

Propósito
Compreender o processo histórico e os conceitos da profissão farmacêutica no Brasil, bem como os
propósitos da formação do profissional farmacêutico, suas áreas de atuação, o mercado de trabalho e o
acesso aos medicamentos, é fundamental para que o futuro profissional conheça a importância e a
responsabilidade da profissão, além das possibilidades de atuação no mercado.

Preparação
Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos um dicionário de termos técnicos em saúde para entender
os termos específicos da área.

Objetivos
Módulo 1

Processo histórico e conceitos da profissão


Processo histórico e conceitos da profissão
farmacêutica no Brasil
Identificar o processo histórico e os conceitos da profissão farmacêutica no Brasil.

Módulo 2

Habilidades, atitudes e competências


Identificar as habilidades, as atitudes e as competências necessárias no serviço farmacêutico.

Módulo 3

Áreas de atuação, perspectivas e desafios


Reconhecer as áreas de atuação e as perspectivas da profissão farmacêutica.

Módulo 4

Características do mercado e acesso aos


medicamentos
Distinguir as características do mercado farmacêutico e o acesso aos medicamentos no Brasil.

Introdução
Neste conteúdo, você verá o histórico da profissão farmacêutica, bem como seus conceitos e suas
definições. Também serão abordados os requisitos para a formação do profissional farmacêutico,
definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), além das áreas de atuação profissional. Além
disso, você também será apresentado ao mercado farmacêutico brasileiro e às características do
acesso ao medicamento.
1 - Processo histórico e conceitos da
profissão farmacêutica no Brasil
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar o processo histórico e
os conceitos da profissão farmacêutica no Brasil.

Definição, conceitos e histórico da profissão


farmacêutica no Brasil
Você sabia que a profissão farmacêutica está presente no Brasil desde o período colonial? Obviamente, com
a chegada dos europeus a nosso território, alguns costumes das aldeias e dos pajés, como o uso de plantas
medicinais, foram integrados aos conhecimentos para curar algumas doenças. Naquele período, os
medicamentos tradicionais vinham para o Novo Mundo principalmente por intermédio das embarcações
espanholas e portuguesas, e já chegavam aqui preparados. O tempo que demoravam para chegar e as
dificuldades de transporte incentivaram a vinda dos primeiros boticários a nosso país.

História da farmácia no Brasil


O boticário, nome dado aos profissionais do medicamento antes de se chamarem farmacêuticos, chegou ao
país no período colonial. Esses profissionais atuavam nas chamadas boticas, nome dos estabelecimentos
farmacêuticos muito similares ao que conhecemos hoje como farmácias de manipulação. A produção dos
medicamentos, naquela época, era realizada na presença dos pacientes, que chegavam ao estabelecimento
com suas receitas médicas.

Saiba mais
Os relatos históricos apontam, como primeiro boticário em nosso país, Diogo de Castro, que veio ao Brasil a
pedido do governador-geral daquela época, Thomé de Souza. A explicação desse evento se deu pela
percepção da Coroa portuguesa de que só havia medicamentos no Brasil quando algum tripulante de
alguma embarcação trazia consigo uma botica portátil.

Entretanto, nos colégios jesuítas já havia drogas e medicamentos preparados com plantas nativas. Assim, o
padre José de Anchieta, jesuíta nascido na Espanha, é considerado por muitos historiadores como o
primeiro boticário do Brasil, tendo executado suas atividades no primeiro boticário de Piratininga, atual
cidade de São Paulo.

Muitas boticas surgiram no país a partir do século XVI, na Bahia, em Olinda no Recife, no Maranhão, no Rio
de Janeiro, além de em São Paulo. Uma das mais conhecidas foi a chamada Botica do Mar, no Maranhão,
que abastecia, além de sua localidade, territórios que iam até Belém do Pará. Para os jesuítas, a botica mais
importante foi a da Bahia, que se tornou um centro de distribuição de medicamentos para diversos colégios
jesuítas, do norte ao sul do país.

A partir de 1640, boticas comerciais foram surgindo em nosso território e eram privativas de boticários,
segundo as leis portuguesas que regiam o Brasil. Esse comércio apresenta uma intensificação com a vinda
da Família Real para o Brasil. A figura dos boticários se manteve hegemônica até aproximadamente os anos
1900, com a abertura de escolas de farmácia e a graduação dos primeiros farmacêuticos em nosso país.

Boticários
As figuras dos boticários e dos farmacêuticos coexistiram por alguns anos, até que, em 1931, a profissão
farmacêutica foi regulamentada pelo governo brasileiro. A partir daí, somente farmacêuticos formados em
instituições de ensino regulares podiam exercer a profissão no país.

Boticas
Já as boticas deram origem a dois outros estabelecimentos: a farmácia e os laboratórios das indústrias
farmacêuticas, que tiveram suas expansões principalmente após a Segunda Guerra Mundial.

Assim, os diversos estabelecimentos farmacêuticos hoje existentes no Brasil tiveram suas histórias
iniciadas pelas boticas, consideradas um dos estabelecimentos mais antigos do mundo, uma vez que
relatos históricos apontam que a busca de produtos curativos e sua respectiva venda têm sido atividades
exercidas pela humanidade desde os primórdios da história.

Você verá a seguir, por meio de uma linha do tempo e de algumas imagens meramente ilustrativas, os
principais acontecimentos relacionados com a profissão farmacêutica no Brasil, desde seu descobrimento.

1553
Chegada de José Anchieta ao Brasil, fundando diversas boticas.

1640
Autorização dada às boticas para funcionar no ramo comercial.

1744
Início da fiscalização do ofício de boticário.
1808
Fundação da primeira faculdade de medicina e farmácia no Rio de Janeiro, com a chegada da
Família Real ao Brasil. Nessa época, as duas profissões eram unidas e recebiam a mesma
formação.

1825
Consolidação do curso de farmácia no ensino universitário.
1832
Reformulação do ensino médico e fundação do curso farmacêutico, mas ainda vinculado às
faculdades de medicina.

1839
Criação da primeira faculdade de farmácia independente do curso de medicina — a Escola de
Farmácia de Ouro Preto.

1857
Nova denominação das boticas, que passam a se chamar farmácias, em razão do Decreto nº
2.055, de 19 de dezembro de 1857, assinado pelo Marquês de Olinda, permitindo aos
farmacêuticos, e não aos boticários, exercer a função no país.
1886
Fim da figura do boticário.

1931
Aprovação do Decreto nº 20.377, de 8 de setembro de 1931, que regulamenta a profissão
farmacêutica no Brasil.

1960
1960
Criação do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e dos Conselhos Regionais de Farmácia
(CRF).

1962
Redefinição do currículo farmacêutico, incluindo análises clínicas, indústria farmacêutica e de
alimentos.

2002
Publicação da Resolução nº 2 da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação (CES/CNE), que institui as DCNs do curso de graduação em Farmácia.
2013
Publicação das resoluções do CFF que regulamentam as atividades clínicas e a prescrição
farmacêutica.

2014
Publicação da Lei nº 13.021/2014, que transforma as farmácias e drogarias em serviços de
saúde, representando um ganho para a saúde pública e a realização de uma reivindicação
antiga dos farmacêuticos.
2021
Publicação do novo Código de Ética Farmacêutica.

Personagens históricos da farmácia no Brasil e no


mundo
Até aqui, você viu os principais fatos que marcaram a história da farmácia no Brasil. Poucas pessoas têm
ideia de que a profissão é tão antiga. Além disso, existem outras curiosidades da profissão farmacêutica
que pouca gente sabe. Para você fazer parte do grupo que conhece de fato a história da farmácia, seguem
algumas curiosidades sobre a profissão, que você pode verificar ativando sua curiosidade no quiz a seguir.

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Mão na massa
Questão 1
Um poeta tornou-se farmacêutico pela Escola de Farmácia de Belo Horizonte, no ano de 1925. Entretanto,
não exerceu a profissão. Ao ser questionado por um amigo farmacêutico sobre por que havia se graduado
em farmácia, o poeta respondeu: "Porque eu gosto das pessoas".

Considerava-se inapto para exercer a profissão, e retratou isso em um de seus poemas, intitulado de "Final
de História”, publicado em 1968, e que dizia: “Vai Amorim: sê por mim o que jurei e não cumpro. Fico apenas
na moldura do quadro de formatura”. O Amorim do poema foi um de seus colegas de graduação, com quem
costumava escrever cartas sobre a profissão.

Qual o nome desse poeta?

A
A Carlos Drummond de Andrade.

B Fernando Pessoa.

C Vinicius de Moraes.

D Tomé Pires.

E John Pemberton.

Parabéns! A alternativa A está correta.


Carlos Drummond de Andrade, nascido em 1902, foi um famoso poeta, contista e cronista
Questão 2
brasileiro, e faleceu em 1987.
Um farmacêutico era considerado bastante talentoso, mas também um empresário respeitado. Criou
laboratórios, que estão em funcionamento até os dias atuais.

Graduou-se em medicina e farmácia pela Reform Medical College of Georgia, em Macon, no ano de 1850.
Também praticou a medicina e cirurgia em Rome e em Columbus, nos Estados Unidos da América. Ele
mantinha sua patente de tenente-coronel do Terceiro Batalhão Cavalaria Geórgia, e morreu aos 57 anos de
idade em 1888.

Qual o nome desse farmacêutico que também criou um tônico para o cérebro que hoje é um dos
refrigerantes mais conhecidos do mundo, a Coca-Cola?

A Caleb Bradham.

B John Pemberton.
C Cândido Fontoura.

D Carlos Drummond de Andrade.

E Alexander Flemming.

Parabéns! A alternativa B está correta.


John Pemberton, ainda com 19 anos de idade, graduou-se em Medicina e em Farmácia, que
naquela época eram unidas na mesma profissão. Participou da Guerra Civil Americana e, após seu
fim, resolveu criar uma bebida inovadora, com a finalidade de servir como medicamento para dor
Questão 3
de estômago. Assim, em 8 de maio de 1886, criou a bebida conhecida como Coca-Cola.
Um farmacêutico, em 1892, tornou-se oficial de gabinete do presidente do Estado, Dr. José Tomás da
Porciúncula, e entre os anos de 1893 e 1898 foi diretor-geral da Instituição Pública do Rio de Janeiro. Foi
possuidor de bibliotecas valorosas contendo clássicos brasileiros e portugueses, que foram doados à
Academia Brasileira de Letras. Teve um envelhecimento tranquilo e faleceu em 1937.

Quem foi esse farmacêutico que também ficou conhecido como um dos fundadores da Academia Brasileira
de Letras (ABL)?

A Cândido Fontoura.

B Olavo Bilac.

C Alberto de Oliveira.

D Alexander Flemming.

E Carlos Drummond de Andrade.


Parabéns! A alternativa C está correta.
Antônio Mariano Alberto de Oliveira foi um farmacêutico, professor e poeta, nascido em Palmital
de Saquarema, no estado do Rio de Janeiro, em 1857. Estudante de escola pública em
Saquarema, foi para Niterói, também no estado do Rio de Janeiro, onde se diplomou em Farmácia
Questão 4
em 1884. Foi amigo de Olavo Bilac, com quem manteve estreitas relações literárias e de amizade.
Essa mulher tornou-se conhecida por sua luta para condenação de seu agressor, por ter sido vítima de
violência doméstica. Atualmente lidera movimentos de defesa dos direitos das mulheres. No ano de  2006,
uma importante lei que leva seu nome foi aprovada e é considerada uma das mais importantes leis de
defesa das mulheres no mundo.

Fundou ainda um Instituto que leva seu nome e que é uma ONG sem fins lucrativos para lutar contra a
violência doméstica em mulheres. Além disso, foi indicada ao prêmio "Os Cem Maiores Brasileiros de Todos
os Tempos".

Quem é a biofarmacêutica que dá nome à lei que protege as mulheres da violência?

A Claude-Adolphe Nativelle.

B Alexander Flemming.

C Maria Luiza Torrezão.

D Maria da Penha Fernandes.

E Dora Akunyili.

Parabéns! A alternativa D está correta.


Maria da Penha Maia Fernandes nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1945, e formou-se farmacêutica-
bioquímica pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Federal do Ceará (UFC), em
1966. Também concluiu seu mestrado em Parasitologia em Análises Clínicas na Faculdade de
Questão 5
Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), em 1977.
Um farmacêutico realizou o ensino secundário em Bayonne, na França, porém tornou-se farmacêutico em
Paris, onde trabalhou com o químico Charles Moureu. Passou um período de estudos na Alemanha, onde
testemunhou o surgimento da indústria farmacêutica alemã. Retornou à França, onde criou um laboratório
de química farmacêutica. Foi descobridor do anestésico amilocaína (Stovaine, na patente francesa) e, em
1911, chefiou o novo serviço de química na Grande Maison no Instituto Pasteur, onde ficou famoso
mundialmente. O serviço tornou-se um centro de pesquisas quimioterápicas.

Quem é o farmacêutico francês que criou a moderna quimioterapia?

A Alexander Flemming.

B Cândido Fontoura.

C Henri Nestlé.

D Claude-Adolphe Nativelle.

E Ernest Furneau.

Parabéns! A alternativa E está correta.


Com sua grande visão, Ernest Fourneau, que faleceu em 1949, estabeleceu as leis fundamentais
Questão 6
da quimioterapia, que salva vidas humanas em todo o mundo.
Um farmacêutico graduou-se na Universidade de Rostock e, em 1909, obteve o registro de uma patente que
se tornou a primeira borracha sintética do mundo. Faleceu em Hanôver, em 1956.

Quem foi esse farmacêutico alemão que descobriu a borracha sintética?

A Fritz Hoffmann.
B Friedrich Sertürner.

C Hilaire Rouelle.

D Cândido Fontoura.

E Alexander Flemming.

Parabéns! A alternativa A está correta.


Fritz Hofmann, nascido em Kölleda, Alemanha, em 1866, foi um farmacêutico e a primeira pessoa
Questão 7
a sintetizar a borracha sintética.
Um importante farmacêutico também fundou, em 1894, um laboratório farmacêutico chamado Queiroz
Moura e Cia., destinado à fabricação de produtos farmacêuticos de origem vegetal. Foi também criador da
Escola Livre de Pharmacia, em 1898, que é a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São
Paulo (USP), atualmente.

Quem foi esse farmacêutico que também instalou a primeira fábrica de ácido sulfúrico no Brasil?

A Alexander Flemming.

B Luiz Manuel Queiroz.

C Jean Baptiste Christian Fusée-Aublet.

D José do Patrocínio.
E Cândido Fontoura.

Parabéns! A alternativa B está correta.


Em 1864, Luiz Manuel Pinto de Queiroz construiu, em São Paulo, a primeira fábrica de ácido
Questão 8
sulfúrico do Brasil. Por esse fato, é considerado o pioneiro da indústria química em nosso país.
Um farmacêutico fez mestrado e doutorado na área de Bioquímica pelo Instituto de Química da USP e pós-
doutorado em Imunologia e Biologia Molecular no National Institute for Medical Research, Inglaterra, entre
1989 e 1990. Chefiou o Departamento de Parasitologia, Microbiologia e Imunologia da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto da USP, entre 1995 e 1998. Sua equipe pesquisa a terapia gênica contra
tuberculose e desenvolveu uma vacina de DNA para essa doença.

Quem foi esse cientista-farmacêutico que também descobriu uma vacina de DNA contra a tuberculose?

A Célio Silva.

B Carlos Drummond de Andrade.

C Luiz Manuel Queiroz.

D Cândido Fontoura.

E Alexander Flemming.

Parabéns! A alternativa A está correta.


Célio Lopes da Silva é um farmacêutico atuante na pesquisa de vacina contra a tuberculose.
Nasceu no interior de São Paulo e estudou magistério. Graduou-se pela Faculdade de Ciências
Questão 9
Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), em 1976.
Um farmacêutico foi o criador de um alimento enriquecido com nutrientes essenciais para a infância, em
uma época em que as crianças da Suíça apresentavam sérios problemas de desnutrição, com vários
registros de óbitos.

Quem foi esse farmacêutico que criou uma farinha enriquecida com complementos alimentares para
auxiliar o combate à desnutrição infantil e desenvolveu uma das maiores indústrias do ramo alimentício do
mundo?

A John Pemberton.

B Caleb Bradham.

C Henri Nestlé.

D Cândido Fontoura.

E Alexander Flemming.

Parabéns! A alternativa C está correta.


Henri Nestlé nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 1814, e morreu em Glion, Suíça, em 1890. Foi o
fundador da famosa empresa multinacional Nestlé S.A., de alimentos, bebidas e chocolates, uma
Questão 10
das mais conhecidas do mundo atualmente, e criou a Farinha Láctea Nestlé.
Em 1898, um famacêutico criou um xarope para má digestão, com a mistura de extrato de noz de cola,
baunilha e óleos raros, e inicialmente chamou-o de "Brad's Drink", mas pouco tempo depois o renomeou,
chamando-o de Pepsi-Cola, devido à descoberta da ação da pepsina na época, que não fazia parte da
composição do seu xarope, e à cola presente em sua formulação. James Henry King, o assistente de Caleb,
foi a primeira pessoa a provar sua invenção.

Quem foi esse farmacêutico que desenvolveu um medicamento para a dispepsia que se tornou um dos
refrigerantes mais famosos do mundo, conhecido como Pepsi-Cola?

A Cândido Fontoura.
B John Pemberton.

C Henri Nestlé.

D Caleb Bradham.

E Alexander Flemming.

Parabéns! A alternativa D está correta.


Caleb Davis Bradham nasceu em Chinquapin, Condado de Duplin, em 1867, e faleceu em New
Bern, em 1934. Ficou famoso como inventor e farmacêutico norte-americano. Graduou-se pela
Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos da América. Voltou para a
Carolina do Norte, onde lecionou em uma escola pública por um ano, e abriu uma farmácia em
New Bern, com o nome de Bradham Drug Company, que abrigava uma fonte de soda, muito
História na vida prática
comum na época.

Muitos são os fatos históricos que marcam a profissão farmacêutica no Brasil. Assim, uma forma de você
vivenciar, na prática, as lembranças desses fatos marcantes na área da farmácia é visitar um dos vários
museus da farmácia em todo o território nacional. Você pode conhecer um pouco mais dessas histórias
visitando o museu mais próximo. Segue uma lista com alguns deles:

Museu Farmacêutico Moura (Pelotas/RS).


Museu de Ciências Farmacêuticas Dr. Paulo Queiroz Marques (São Paulo/SP).
Museu de Farmácia Antônio Lago (Rio de Janeiro/RJ).
Museu da Faculdade de Farmácia de Ouro Preto (Ouro Preto/MG).
Museu da Homeopatia François Lamasson (Ribeirão Preto/SP).
Acervo Histórico Farmacêutico do Instituto Histórico Geográfico de Santos (IGHS) (Santos/SP).
Museu do Perfume (Gramado/RS).
Farmácia Confiança (Solânea/PB).
Farmácia Casa Granado (Rio de Janeiro/RJ).
Farmácia Oswaldo Cruz (Fortaleza/CE).

Ainda que não haja um museu ou uma farmácia histórica perto de você, é possível vivenciar a história da
farmácia no Museu da Farmácia de Niterói, ou Museu da Farmácia Rolf Altenburg, em Niterói/RJ, criado em
2003. Ele é considerado o primeiro museu da farmácia brasileiro totalmente virtual. Seu acervo retrata a
cultura da farmácia, podendo ser acessado por todos os tipos de públicos.

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História da farmácia no Brasil
O especialista Eduardo Corsino apresentará os fatos históricos da profissão farmacêutica, utilizando
imagens relevantes ou peças históricas em gravação externa em museu. Vamos lá!

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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

História da farmácia no Brasil

play_arrow 2:25 min.

A história na vida prática

play_arrow 2:15 min.

MÓDULO 1

Vem que eu te explico!


História da farmácia no Brasil

play_arrow 2:25 min.

A história na vida prática

Falta pouco para atingir seus objetivos.


Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A cultura brasileira vem, desde muito tempo, utilizando o que chamamos de medicamentos fitoterápicos no
tratamento de muitas doenças. Esse segmento do mercado farmacêutico está bastante aquecido e passou
a ser um alvo nas estratégias das indústrias farmacêuticas para ampliação de suas participações no
mercado de medicamentos. Podemos dizer, então, que o uso da fitoterapia faz parte da cultura brasileira, e
suas origens estão relacionadas com qual período da história da farmácia no Brasil?

O uso de plantas medicinais está relacionado com a apropriação de costumes de aldeias


A
e pajés, desde o período colonial brasileiro.

O uso de fitoterapia é um costume recente na história brasileira, associado às tendências


B
modernas de comportamento e vida saudáveis.

O uso de fitoterápico está associado ao avanço da indústria farmacêutica, após a


C Segunda Guerra Mundial, que viu nas plantas medicinais uma fonte de obtenção de
matérias-primas.

A cultura brasileira não tem origens com a fitoterapia, sendo esse comportamento de uso
D importado da cultura norte-americana.

O uso de plantas medicinais como medicamentos fitoterápicos passou a ser incentivado e


ampliado com o advento da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual seu uso é
E
incentivado como parte integrante da Política Nacional de Assistência Farmacêutica, por
baratear a farmacoterapia.

Parabéns! A alternativa A está correta.


Com a vinda dos colonizadores portugueses para o território brasileiro, muitas doenças
começaram a se espalhar. Como não havia locais de produção, como as boticas, nem
profissionais do medicamento, como os boticários, a população de colonizadores passou a
adotar o uso de plantas medicinais utilizadas nas aldeias indígenas como fontes de
medicamentos. Isso acabou sendo incorporado aos costumes da população brasileira, até os dias
Questão 2
atuais.
Considerado um profissional essencial para a saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o
farmacêutico tem a característica de ser o profissional de saúde mais acessível à população, por estar
presente nos diversos estabelecimentos farmacêuticos, como farmácias, drogarias e ervanarias, espalhadas
pelos bairros das diversas cidades. Entretanto, ele nem sempre esteve presente na sociedade, pois, nos
primórdios da história do Brasil, esse papel era ocupado pelo boticário. Visto isso, podemos dizer que o
farmacêutico passa a ocupar seu papel na sociedade brasileira a partir de qual fato histórico da farmácia no
Brasil?

A criação da primeira escola de farmácia, na Universidade de Ouro Preto, distribuiu


A
farmacêuticos por todo o território nacional.

O padre José de Anchieta, como primeiro farmacêutico do Brasil, fundou em diversos


B estados brasileiros faculdades de farmácia, disponibilizando esse profissional em nível
nacional.

Em 1886, não havia mais boticários atuando no Brasil, o que estimulou a vinda dos
C
farmacêuticos para o país.
A aprovação da regulamentação da profissão farmacêutica no Brasil, por meio do Decreto
D nº 20.377/1931, foi o fato histórico que permitiu a atuação dos farmacêuticos no país,
tendo sido o começo de seu papel na sociedade.

Em 1808, com a chegada da Família Real, foi inaugurada a primeira faculdade de medicina
E e farmácia no Rio de Janeiro, de forma que começou a haver esses profissionais
disponíveis no Brasil.

Parabéns! A alternativa E está correta.


Apesar de a profissão farmacêutica e a médica não serem distintas no período em que a
faculdade de medicina e farmácia foi inaugurada no Rio de Janeiro, esse foi o primeiro fato
histórico que impulsionou a atuação dos profissionais farmacêuticos na sociedade brasileira.

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2 - Habilidades, atitudes e competências


Ao final deste módulo, você será capaz de identificar as habilidades, as
atitudes e as competências necessárias no serviço farmacêutico.
Formação do profissional farmacêutico:
Diretrizes Curriculares Nacionais
Para que você possa entender melhor como é pensado e estruturado o curso de graduação em Farmácia, é
preciso que conheça a DCN do curso, pois é ela que norteia as instituições de ensino em sua estruturação
do curso. Assim, você compreenderá os motivos da organização das disciplinas, as cargas horárias, além
dos estágios.

Anteriormente à publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), os cursos de


graduação eram regidos pelos chamados “currículos mínimos”. A referida lei teve como objetivo direcionar a
formação do nível superior para a cidadania, além de flexibilizar os currículos e as fronteiras da ciência no
exercício profissional.

A Resolução CNE/CES nº 1.133, de 7 de agosto de 2001, foi a primeira diretriz a ser


publicada e tratava dos cursos de Medicina, Enfermagem e Nutrição. Os demais
cursos da saúde, como o de Farmácia, passaram a ter suas DCNs entre 2002 e
2004.

O chamado currículo mínimo, que regia os cursos de Farmácia até então, passou por várias discussões, e o
Conselho Federal de Farmácia (CFF) realizou um fórum nacional para discutir a DCN desses cursos. Esse
fórum contribuiu para a Resolução CNE/CES nº 02/2002, que instituiu a DCN para esse curso.

O foco da formação farmacêutica, que era tecnicista, começou a mudar para uma área mais clínica, com a
abordagem da cidadania, adequando-se às novas demandas da sociedade apontadas pela OMS e pela
Federação Internacional de Farmacêuticos (FIP, na sigla em inglês). As mudanças no ensino farmacêutico
levaram a uma atualização da DCN do curso de Farmácia em 2017, por meio da Resolução nº 6, prevendo
eixos na formação profissional, que veremos adiante.

Diretrizes Curriculares Nacionais


A DCN de 2017 divide em três eixos a diretriz do curso de Farmácia, sendo eles: eixo Cuidado em Saúde,
eixo Tecnologia e Inovação em Saúde e eixo Gestão em Saúde. O referido documento, em seu art. 2º, define
os princípios, os fundamentos, as condições e os procedimentos da formação de farmacêuticos em todo o
país.

Ainda fica definido que o farmacêutico é um profissional de saúde, tendo sua formação focada nos
fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica, além de nas análises clínicas e toxicológicas,
em cosméticos e em alimentos, em favor do cuidado à saúde tanto individual quanto coletivamente.

Atenção!
Outro ponto importante destacado na DCN é quanto à formação humanista, crítica, reflexiva e generalista.
Com isso, o curso passa a ter uma característica de formar profissionais farmacêuticos que possam atuar
em todas as áreas da profissão, sem que para isso haja a necessidade de habilitação prévia, como havia
anteriormente com os currículos mínimos. Ainda nesse sentido, segundo o art. 4º, o curso de Farmácia teve
de se transformar quanto às metodologias de ensino, para que seja possível adquirir as características
humanistas, críticas e reflexivas.

Dessa maneira, as metodologias ativas de aprendizagem são as estratégias mais adequadas para favorecer
esse tipo de formação. Além dessas metodologias, a DCN prevê a participação ativa do aluno, a inter e a
transdisciplinaridade, a avaliação permanente do curso e a diversificação de cenários de ensino-
aprendizagem.

Com isso, você perceberá que, durante a formação, as aulas terão características diferentes dos modelos
normalmente apresentados nos ensinos fundamental e médio. Você poderá verificar essas diferenças nos
seguintes pontos:

1. Você terá aulas que integram os conteúdos teóricos e práticos de maneira interdisciplinar e
transdisciplinar.

2. Os conteúdos terão abordagem com prioridade nas necessidades de saúde de sua região e/ou
localidade.

3. Serão abordados cenários de práticas em saúde de forma colaborativa e multiprofissional.

4. As ações intersetoriais serão focadas nas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).

5. Você terá uma formação profissional com foco nas necessidades sociais.

6. Você aprenderá o cuidado em saúde, com atenção especial à gestão, à tecnologia e à inovação como
elementos estruturais da formação.

7. Você terá de tomar decisões com base na análise crítica e contextualizada das evidências científicas, da
escuta ativa do indivíduo e da coletividade.
8. Você terá de desenvolver características como liderança, ética, empreendedorismo, respeito,
compromisso, comprometimento, responsabilidade, empatia, gerenciamento e execução de ações, com
base na interação, na participação e no diálogo.

9. Você ainda precisará desenvolver o compromisso com o cuidado e a defesa da saúde integral do ser
humano. Para isso, condições como as socioeconômicas, políticas, culturais, ambientais, étnico-raciais,
de gênero, orientação sexual, necessidades da sociedade, bem como as características regionais,
deverão ser consideradas.

10. Você será instigado a resolver atividades que o capacitem para intervir na resolubilidade dos problemas
de saúde do indivíduo, da família e da comunidade.

11. Você será apresentado a conteúdos nos quais o medicamento e outras tecnologias são os instrumentos
para a prevenção de doenças, a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, dentro de um conceito
de Assistência Farmacêutica.

12. Você também terá seu aprendizado construído por meio de tecnologias de informação e comunicação
em suas diferentes formas, com foco nas relações interpessoais, na interação, na participação e no
diálogo, sempre com a finalidade do bem-estar do indivíduo e da coletividade.

13. Você será incentivado a manter uma educação permanente e continuada, responsável e comprometida
com sua própria formação.

Metodologias ativas de aprendizagem


Caracterizam-se como modelos de ensino, com a finalidade de desenvolver a autonomia e a participação
dos alunos de forma irrestrita. Assim, o processo educativo é melhorado com a evolução das práticas
pedagógicas.

Interdisciplinar
Área comum a mais de uma disciplina, ou que faz relação entre elas.

Transdisciplinar
Definição usada na educação que representa uma abordagem plural, visando à unidade do conhecimento.

Intersetoriais
Refere-se a um processo que deve resolver problemas de forma eficaz, por meio de ações de uma gestão
integrada entre diversos atores.

Além das características descritas, a DCN também discorre sobre a carga horária de referência do curso de
Farmácia, que é de 4 mil horas, podendo ser mais. Aqui, você deve atentar que a divisão dessa carga horária,
retirando-se a carga horária do estágio, deve ser distribuída da seguinte forma:

50% no eixo Cuidado em Saúde.

40% no eixo Tecnologia e Inovação em Saúde.

10% no eixo Gestão em Saúde.

Quanto aos estágios, devem ser sempre orientados por um docente farmacêutico e pelo preceptor, um
profissional habilitado na área do campo de estágio (como no caso de um laboratório de análises clínicas,
em que é possível ser supervisionado por farmacêuticos, médicos, biólogos ou biomédicos, já que todos
esses profissionais são habilitados a atuar nesse campo). Contudo, quando se tratar de área privativa da
profissão farmacêutica, essa preceptoria só poderá ser feita por farmacêutico. Ainda como ponto
importante sobre os estágios, você perceberá que são organizados de forma a terem complexidades
crescentes e que começam no início da graduação.

Outros pontos importantes quanto aos estágios também são apontados na DCN, podendo ser destacados:

O estágio poderá ser realizado na instituição de ensino ou fora dela, por meio de instituições
conveniadas.

A carga horária total dos estágios deve corresponder a 20% da carga horária total do curso, e esses
estágios devem obedecer à seguinte divisão:

60% do estágio na área de fármacos, cosméticos, medicamentos e assistência farmacêutica.

30% do estágio na área das análises clínicas, genéticas e toxicológicas e de alimento.

10% do estágio nas especificidades institucionais e regionais.


Há ainda a especificação, sob a regulamentação do curso feita pela DCN, de que os alunos do curso de
Farmácia devem realizar atividades complementares, como monitorias, estágios não obrigatórios,
programas de iniciação científica e de extensão, além de participar de eventos e cursos realizados em áreas
afins.

Atenção!
Toda essa estruturação dos cursos de Farmácia visa à formação de profissionais com habilidades e
atitudes necessárias às novas demandas da sociedade para a profissão farmacêutica. Dessa forma, você
deve compreender as habilidades, as atitudes e as competências que terá de adquirir durante o curso de
graduação, para desempenhar as atividades de farmacêutico no mercado de trabalho da atualidade.

Habilidades, competências e atitudes essenciais no


serviço farmacêutico
É importante que você fique atento às competências, às habilidades e às atitudes descritas no art. 6º da
DCN, em que são apontadas as articulações com as ciências humanas e sociais aplicadas, as ciências
exatas, as ciências biológicas, as ciências da saúde e as ciências farmacêuticas. Isso quer dizer que você
terá de passar por diversas cadeiras, em diferentes áreas do conhecimento, para obter os conhecimentos e
as características da profissão farmacêutica.

Você deve estar se perguntando: quais matérias ou conteúdos terei de aprender no


curso de Farmácia? Para obter essa resposta, você deve clicar nos links a seguir:

Ciências humanas e sociais aplicadas


Ciências exatas
Ciências humanas e sociais aplicadas
Ética e bioética, integrando a compreensão dos determinantes sociais da saúde, que consideram os fatores
sociais, econômicos, políticos, culturais, de gênero e de orientação sexual, étnico-raciais, psicológicos e
comportamentais, ambientais, do processo saúde-doença do indivíduo e da população.

Ciências exatas
Campos das ciências químicas, físicas, matemáticas, estatísticas e de tecnologia da informação, que
compreendem seus domínios teóricos e práticos, aplicados às ciências farmacêuticas.

Ciências biológicas

Ciências da saúde
Ciências farmacêuticas
Ciências biológicas
Bases moleculares e celulares, organização estrutural de protistas, fungos e vegetais de interesse
farmacêutico, processos fisiológicos, patológicos e fisiopatológicos da estrutura e da função dos tecidos,
dos órgãos, dos sistemas e dos aparelhos, e estudo de agentes infecciosos e parasitários, dos fatores de
risco e de proteção para o desenvolvimento de doenças, aplicados à prática, dentro dos ciclos de vida.

Ciências da saúde
Campo da saúde coletiva, organização e gestão de pessoas, de serviços e do sistema de saúde, programas
e indicadores de qualidade e segurança dos serviços, políticas de saúde, legislação sanitária, bem como
epidemiologia, comunicação, educação em saúde, práticas integrativas e complementares, que considerem
a determinação social do processo saúde-doença.

Ciências farmacêuticas
Assistência farmacêutica, serviços farmacêuticos e todas as suas atividades clínicas,
farmacoepidemiologia, farmacoeconomia, vigilância de produtos para a saúde, farmacologia, toxicologia,
segurança do paciente, química farmacêutica e medicinal, farmacognosia, fitoterapia e homeopatia,
farmacotécnica, tecnologia farmacêutica, cosméticos, radiofármacos, alimentos e outros produtos para a
saúde, planejamento e desenvolvimento de insumos e produtos para a saúde, controle e garantia da
qualidade, deontologia, legislação sanitária e profissional, análises clínicas, gestão de serviços
farmacêuticos, farmácia hospitalar, farmácia em oncologia e terapia nutricional, pesquisa e
desenvolvimento para a inovação, entre outros.

A partir das cinco grandes áreas dos conteúdos essenciais, a formação do farmacêutico deve ser integral.
Assim, é esperado que o aluno seja capaz de integralizar os conteúdos teóricos com a prática. Isso é
possível com o desenvolvimento das competências pelos alunos. Dessa forma, somado à combinação de
múltiplos componentes, como habilidades, atitudes e comportamentos, o aluno se tornará um profissional
competente e com as características esperadas no mercado de trabalho.

Mas você sabe o que são competências, habilidades e atitudes?

Competências
Competências são o somatório de habilidades e conhecimentos que permitem que uma pessoa tenha
atitude e atue em seu trabalho ou em alguma situação de forma eficaz.

Habilidade
A habilidade é a característica aprendida por meio de treinamento ou experiências, para alcançar um
resultado esperado. A habilidade envolve ideias (habilidades cognitivas), objetos (habilidades técnicas) ou
pessoas (habilidades interpessoais).

Atitude
A atitude é o que leva uma pessoa a decidir se exercita ou não a habilidade de determinado conhecimento.

De forma mais resumida, você pode pensar nesses conceitos como:

Conhecimento → saber o que é para ser feito.

Habilidades → saber como se faz.

Atitudes → querer fazer o que é preciso.

Competência → capacidade para realizar as três definições anteriores.

Reflexão sobre os conceitos


A DCN do curso de Farmácia traz para a formação avanços que tornam o egresso um profissional pronto
para o mercado, competente. Acompanhe agora o raciocínio seguinte.

Pense em conhecimentos, habilidades e atitudes como uma qualidade que forma a competência.

Um profissional muito habilidoso não necessariamente é uma pessoa muito competente. Esse indivíduo
pode ter habilidades, mas não ser competente o suficiente para executar um trabalho. Assim, para alguém
ser competente, precisa ser hábil para executar sua função.

Na vida real, em um jogo de futebol, um jogador pode ser extremamente habilidoso e driblar todos os
adversários. Porém, se esse jogador não consegue finalizar as jogadas, não será competente. Por outro
lado, um jogador que não tem um drible excepcional pode conseguir marcar gols e ser mais eficaz.
video_library
Habilidades, competências e atitudes
essenciais no serviço farmacêutico
Neste vídeo, o especialista explicará as principais habilidades e atitudes necessárias ao profissional
farmacêutico. Vamos lá!

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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

As Diretrizes Curriculares Nacionais

play_arrow 2:47 min.

Habilidades e atitudes essenciais no serviço farmacêutico

play_arrow 1:57 min.

MÓDULO 2

Vem que eu te explico!


As Diretrizes Curriculares Nacionais

play_arrow 2:47 min.

Habilidades e atitudes essenciais no serviço farmacêutico

play_arrow 1:57 min.

Falta pouco para atingir seus objetivos.


Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Um recém-formado no curso de Farmácia é convidado a participar de um processo seletivo em que lhe é
dada a tarefa de atuar com um grupo de trabalho para apresentar uma proposta de medicamento novo.
Durante a realização da tarefa, ocorreram as seguintes situações: o recém-formado ficou esperando que
alguém se pronunciasse para o início das atividades; um dos participantes do grupo, com mais idade,
adotou a postura de líder; o recém-formado aceitou a parte da tarefa que lhe foi dada pelo líder; todos
executaram sua parte nas tarefas; o recém-formado ficou esperando que lhe fossem dados comandos para
iniciar novas tarefas, porém não pediu ajuda ou perguntou nada para executá-las. No fim da dinâmica, o
recém-formado não foi aprovado para a próxima etapa da seleção. Tal resultado se deveu a quais motivos?

A O recém-formado não tinha conhecimento o suficiente para ocupar a vaga.

B O recém-formado tinha conhecimento, competência e atitudes, mas não tinha habilidade.

O recém-formado apresentou conhecimento e habilidades, mas não atitudes, na


C
realização das tarefas.

O recém-formado tinha conhecimento, habilidade e atitude desejada, mas não tinha


D
competência.
E O recém-formado tinha competência, habilidade e atitude, mas não tinha conhecimento.

Parabéns! A alternativa C está correta.


As competências de um profissional farmacêutico são determinadas pela somatória do
conhecimento, das habilidades e das atitudes, ou seja, saber o que é para ser feito, saber como se
faz e querer fazer ou ter iniciativa para fazer. Assim, como o recém-formado não tomou a
iniciativa ou a liderança do grupo e esperava por comandos para iniciar e concluir suas tarefas no
Questão 2
grupo, não demonstrou ter atitude.
O farmacêutico é um profissional de saúde, e sua atuação vem sendo cada vez mais ampliada e solicitada
pela sociedade. Para atender a essas demandas, como parte dos requisitos da formação profissional
farmacêutica, a DCN para esse curso determina que o egresso tenha algumas competências essenciais ao
desenvolvimento de sua profissão. Entre esses requisitos, está o conhecimento nas seguintes áreas:

Conhecimento que abrange a articulação das ciências humanas e sociais aplicadas,


A
ciências exatas, ciências biológicas, ciências da saúde e ciências farmacêuticas.

Conhecimentos específicos e pontuais nas áreas das ciências humanas e sociais


B aplicadas, ciências exatas, ciências biológicas, ciências da saúde e ciências
farmacêuticas.

Conhecimento articulado com a prática nas ciências exatas, ciências biológicas, ciências
C
da saúde e ciências farmacêuticas.

Conhecimento que abrange a articulação das ciências biológicas, ciências biomédicas,


D
ciências da saúde e ciências farmacêuticas.

E Conhecimento que abrange a articulação com as práticas das ciências farmacêuticas.

Parabéns! A alternativa A está correta.


A atuação do farmacêutico é bastante variada e vai muito além dos balcões das farmácias e
drogarias, sendo possível o vínculo com 135 áreas diferentes. Para isso, é preciso uma formação
diversificada, em que esse profissional tenha competências desenvolvidas com a articulação dos
conhecimentos de diversas ciências.

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3 - Áreas de atuação, perspectivas e desafios


Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer as áreas de atuação e
as perspectivas da profissão farmacêutica.

Áreas de atuação, perspectivas e desafios da


profissão farmacêutica
Conhecer como são as carreiras nas diversas áreas de atuação da profissão farmacêutica proporcionará a
você uma linha norteadora para a definição dos rumos da vida acadêmica. Você deverá conhecer as
diversas oportunidades que a profissão farmacêutica pode proporcionar e assim terá a possibilidade de
preparar um plano de formação e carreira voltado para a área de atuação que mais lhe interessa.

Para iniciar, você deve saber que, segundo resolução do CFF, atualmente, o farmacêutico pode atuar em 135
áreas. Isso quer dizer que, quando se formar, você poderá optar por atuar em muito mais lugares do que
apenas em farmácias, drogarias e hospitais.

Segundo a Resolução do CFF nº 572, de 25 de abril de 2013, as especialidades farmacêuticas são


agrupadas em dez linhas de atuação, sendo elas: alimentos; análises clínico-laboratoriais; educação;
farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão; práticas integrativas e complementares;
saúde pública; e toxicologia.

Quando um formando recebe o título de Bacharel em Farmácia, deve registrar-se em um dos Conselhos
Regionais de Farmácia, escolhendo uma das 135 áreas para atuar.

135 áreas
Temos 131 na CFF Nº 572, de 25/04/2013 e mais 4 adicionadas depois:

• Floralterapia (Resolução nº 611/2015);


Perfusão sanguínea (Resolução nº 624/2016);


Saúde Estética (Resoluções nº 573/2013, 616/2015 e 645/2017);


Vacinação (Resolução nº 654/2018).

Principais áreas de atuação do farmacêutico no Brasil


O farmacêutico dos dias atuais trabalha muito além do que apenas com o medicamento. Assim, algumas
áreas tradicionais de atuação, bem como outras bastante promissoras, são possibilidades reais no Brasil,
em que temos um mercado de trabalho em constante expansão. Veja a seguir as principais áreas de
atuação farmacêutica.

Farmácias comunitárias (farmácias e drogarias)


Sem dúvida, é a área de trabalho mais comum e tradicional dos farmacêuticos, além de ser a mais
conhecida. Segundo a legislação vigente, são consideradas estabelecimentos de saúde e devem ter a
presença de pelo menos um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.

Nesses estabelecimentos, o farmacêutico atende pacientes, dispensa medicamentos, realiza consultas,


administra medicamentos, faz curativos e nebulizações, além de realizar exames (testes rápidos, como os
de diabetes, gravidez, HIV, dengue, zika, sífilis e hepatite, e, mais recentemente, o teste para covid-19) e
outros cuidados farmacêuticos.
Farmácia magistral
Nessa área, o farmacêutico atua nas conhecidas farmácias de manipulação, formulando e produzindo
medicamentos, para atender a receitas específicas para os tratamentos dos pacientes. Além da
manipulação e do preparo de medicamentos, o profissional também atua no controle de qualidade e realiza
todas as atividades inerentes a uma farmácia comunitária.

Indústria farmacêutica
O farmacêutico industrial executa atividades como administração, controle de qualidade e atividades de
produção. Além disso, realiza atividades regulatórias, que envolvem a Vigilância Sanitária e os conselhos
regionais de farmácia. Podemos dizer que essa área abarca todas as fases da cadeia de produção de uma
indústria.

Entre as atividades mais comuns desempenhadas por farmacêuticos industriais, estão:

Gestão, controle e garantia da qualidade.

Toxicologia ocupacional no ambiente de trabalho.

Controle de qualidade microbiológica.

Pesquisa de alimentos.

Questões regulatórias.

Engenharia industrial.

Qualificação e validação.

Supervisão da cadeia de produção.

Farmacovigilância dos processos industriais.

Controle e análise da documentação técnica.

Pesquisa de substâncias e criação de novos compostos.


Gestão de tarefas relacionadas com o setor de programação e controle de produção, o registro de
produtos e o controle da qualidade.

Análise e supervisão da qualidade e do desenvolvimento de embalagens de produtos.

Atividades relacionadas com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Gerenciamento do setor de validação de processos.

Criação de fluxograma de execução para processos de produção e controle de qualidade.

Acompanhamento em etapas de auditoria sanitária.

Análises clínicas
O farmacêutico, quando está atuando em laboratórios de análises clínicas, exerce funções como realização
de exames laboratoriais, gerenciamento de laboratórios, assessoria em análises clínicas, garantia e controle
de qualidade dos laboratórios de análises clínicas e planejamento e gestão no setor.

Ainda nesse setor, ele pode especializar-se em alguma das áreas específicas das análises clínicas, como:
bioquímica, hematologia, microbiologia, imunologia, endocrinologia, parasitologia, micologia, citologia e
citopatologia, biologia molecular e controle interno e externo da qualidade laboratorial.

Farmácia clínica
Nessa área, o farmacêutico atua diretamente com pacientes e equipe de saúde, acompanhando, conciliando
tratamentos farmacológicos, realizando consultas e promovendo o uso racional do medicamento. A atuação
nessa área pode ser realizada em consultórios ou em outros serviços de saúde, como farmácias
comunitárias, clínicas e hospitais.
Educação médica
Nessa área, o profissional trabalha atendendo a comunidade médica, explicando e orientando a prescrição,
a utilização e o acompanhamento de medicamentos específicos. Atua fazendo apresentações particulares
nas clínicas e nos consultórios, ou então ministrando cursos, palestras e workshops em grandes hospitais
ou eventos médicos.

Radiofarmácia
O farmacêutico nuclear atua em hospitais, empresas privadas e centros de pesquisa. É o responsável pela
manipulação dos medicamentos chamados radiofármacos, ou seja, medicamentos radioativos, e pode
assumir cargos de coordenação. De forma geral, um farmacêutico nuclear desenvolve atividades como:

Manipula os radiofármacos.

Controla os processos farmacocinético e farmacodinâmico dos radiofármacos.

Acompanha e monitora os pacientes usuários de radiofármacos.

É responsável técnico de empresas que manipulam ou produzem os radiofármacos.

Realiza aquisição dos insumos farmacêuticos usados para a preparação dos radiofármacos.

Controla a qualidade dos radionuclídeos, radioquímicos, biológicos, microbiológicos e farmacológicos


dos insumos farmacêuticos e dos radiofármacos.

Atua na garantia da qualidade e faz pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas para os


radiofármacos.

Fraciona os radiofármacos e participa da elaboração dos protocolos clínicos dos radiofármacos.

Realiza o armazenamento, a distribuição e a dispensação desses e de outros medicamentos.

Realiza e supervisiona os ensaios de equivalência farmacêutica e bioequivalência com radiofármacos


genéricos e similares.

Gerencia o descarte de resíduos e rejeitos radioativos.

Farmácia oncológica
O farmacêutico oncológico trabalha com medicamentos para o tratamento de câncer. É uma área em
expansão, em que o profissional pode atuar em parceria com o farmacêutico nuclear.

Se você está se perguntando o que faz um farmacêutico oncológico, leia os itens a seguir:

1. Compõe a equipe multiprofissional para pacientes oncológicos.

2. Coordena o armazenamento, a conservação e o transporte de insumos farmacêuticos e medicamentos.

3. Realiza atividades de garantia da qualidade e controle da qualidade.

4. Avalia tecnicamente as prescrições médicas.

5. Realiza cálculos para checagem de doses.

6. Avalia compatibilidades físico-químicas.

7. Realiza o controle de qualidade de insumos farmacêuticos e medicamentos.

8. Manipula e prepara os medicamentos para serem administrados aos pacientes.

9. Atua como farmacêutico clínico oncologista.

10. Gerencia o descarte de resíduos.

11. Promove o uso racional dos medicamentos.

Pesquisa e desenvolvimento de produtos cosméticos


Essa é uma área da ciência farmacêutica dedicada aos novos produtos cosméticos. O farmacêutico atua na
pesquisa, no desenvolvimento e na produção, criando produtos para três diferentes vertentes da
cosmetologia: estética, conservadora e corretiva.

Farmacoeconomia
O farmacêutico gerente de farmacoeconomia realiza estudos econômicos e financeiros na área
farmacêutica. Avalia os processos produtivos de medicamentos em indústrias e laboratórios, e geralmente
colabora com o departamento de marketing. Além disso, realiza estudos que visam minimizar custos. Nessa
área, o farmacêutico pode atuar em grandes indústrias farmacêuticas, hospitais e clínicas, bem como em
áreas governamentais, como o Ministério da Saúde.

Perícia criminal
O perito criminal farmacêutico atua na elucidação de crimes. Para isso, utiliza conhecimentos em química,
biologia, farmacologia e análises clínicas para a investigação criminal, executando atividades como: perícia
em locais de crime; investigação policial, por meio da toxicologia forense; exames toxicológicos; necropsia;
investigação de falsificação ou adulteração de medicamentos; investigação de acidentes químicos; e
análise de instrumentos utilizados em crimes. As principais instituições em que esse profissional pode
trabalhar são a Polícia Federal e a Polícia Civil.

Acupuntura

O CFF regulamenta a atuação do farmacêutico nessa área por meio da Resolução nº 516/2009. Como é
uma área altamente especializada, é preciso que ele realize um curso de especialização para nela trabalhar.
Os principais locais de atuação são consultórios e clínicas privadas, hospitais e o SUS.

Docência
O farmacêutico também atua no ensino superior, no qual desenvolve atividades de docência, pesquisa e
extensão. É uma área promissora, em razão do grande número de instituições de ensino disponibilizando o
curso de Farmácia. O profissional dessa área pode trabalhar em faculdades, universidades e instituições de
ensino e pesquisa, bem como em cursos de pós-graduação.

Farmácia hospitalar
O farmacêutico hospitalar atua em todas as etapas do ciclo da assistência farmacêutica, desde a
padronização dos medicamentos utilizados no serviço de saúde, passando por aquisição, armazenamento,
distribuição, dispensação e acompanhamento dos medicamentos. As grandes áreas desenvolvidas pelo
farmacêutico hospitalar são a logística de medicamentos e a produção (em que são realizadas as
atividades dos sistemas de dispensação). Entretanto, o farmacêutico hospitalar não atua apenas na
farmácia em um serviço de saúde. Esse profissional também trabalha na coordenação de serviços como:
esterilização de materiais médico-hospitalares, hotelaria hospitalar, gerência de resíduos, núcleos de
segurança do paciente e gerências de risco, administração e direção do serviço de saúde, além de nas
diversas comissões dessas instituições.

Empregabilidade do farmacêutico no Brasil


Segundo o CFF, o mercado de trabalho para farmacêuticos é um segmento com ritmo aquecido de
contratações. Podemos dizer que essa profissão está no topo das contratações nos últimos anos, sendo a
terceira carreira que mais contratou formalmente, ou seja, com carteira assinada, no país, segundo o
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo federal. O número registrado de
contratações com carteira assinada foi de 39.149, no período entre setembro de 2020 e agosto de 2021,
com salários médios em torno de R$ 3.650,00.

O farmacêutico continua a ser um profissional com muita demanda no mercado de


trabalho brasileiro. A empregabilidade para esses profissionais, no Brasil, está
bastante diversificada. Você poderá ver na figura a seguir que as maiores
oportunidades de emprego estão na região Sudeste, seguida pelas regiões Sul,
Nordeste, Centro-Oeste e Norte, respectivamente, segundo o CFF.

Empregabilidade do mercado farmacêutico brasileiro (BRASIL, 2019).

Como a profissão farmacêutica apresenta grande variedade de áreas de atuação, os salários são muito
diversificados, de acordo com o setor e a região do país. Você pode conferir as médias salariais, por estado,
na tabela 1.

Estado Salário médio em R$ Teto salarial médio


Estado Salário médio em R$ Teto salarial médio

São Paulo 3.691,52 5.578,73

Rio de Janeiro 3.399,99 5.138,16

Minas Gerais 3.909,77 5.908,56

Paraná 3.211,14 4.852,76

Rio Grande do Sul 3.493,76 5.279,87

Santa Catarina 3.425,85 5.177,24

Bahia 3.961,52 5.986,77

Pernambuco 3.199,74 4.835,55

Goiás 4.028,06 6.087,33

Pará 2.992,69 4.522,64

Ceará 3.754,20 5.673,45

Maranhão 2.500,77 3.779,24

Espírito Santo 3.392,50 5.126,85

Mato Grosso 3.014,75 4.555,98

Distrito Federal 4.923,29 7.440,22

Paraíba 2.452,04 3.705,59

Mato Grosso do Sul 3.067,36 4.635,49

Amazonas 2.552,49 3.857,39

Rio Grande do Norte 2.725,36 4.118,65


Estado Salário médio em R$ Teto salarial médio

Rondônia 2.858,08 4.319,22

Tocantins 3.583,53 5.415,54

Piauí 2.502,01 3.781,12

Alagoas 2.999,48 4.532,90

Acre 2.173,89 3.285,24

Roraima 1.831,72 2.768,16

Sergipe 3.140,92 4.746,65

Amapá 2.398,60 3.624,84

Tabela 1 - Media salarial de farmacêuticos por estados do Brasil - 2021.

Extraído de Salario.com.br

Quando se trata de áreas mais específicas da atuação profissional farmacêutica, temos algumas diferenças
salariais, como você pode observar na tabela 2.

Especialidade Salário médio em R$

Farmacêutico
3.194,02
comunitário

Farmacêutico hospitalar 3.349,53

Farmacêutico clínico 3.349,53

Farmacêutico industrial 4.970,21

Farmacêutico analista
3.076,69
clínico
Especialidade Salário médio em R$

Farmacêutico
4.027,00
homeopata

Farmacêutico veterinário 3.194,02

Farmacêutico nuclear 3.486,36

Farmacêutico sanitarista 4.451,64

Farmacêutico
3.486,36
oncologista

Farmacêutico
2.084,47
acupunturista

Farmacêutico esteta 3.337,00

Farmacêutico gerente de
5.425,00
risco

Tabela 2 – Salários médios por área de especialidades farmacêuticas, 2021.

Extraído de Salario.com.br

Agora, você deve estar se perguntando: onde estão os grandes salários?

Os grandes salários, na profissão farmacêutica, dependem do cargo ocupado, do tempo de carreira e da


área de atuação. Logicamente que, para você conseguir os melhores salários da profissão, serão
necessários muito estudo e muita capacitação. O fato é que o mercado de trabalho cada vez mais exige do
profissional farmacêutico características muito além do conhecimento dos fármacos e medicamentos. Em
contrapartida, oferece salários bastante satisfatórios para aqueles profissionais que apresentam as
qualidades exigidas.

Qualidade do farmacêutico 7 estrelas


O mercado farmacêutico vem se modernizando, com novas tecnologias, descobertas, áreas de atuação e
novas exigências para os profissionais farmacêuticos atuarem.

Pensando nas novas perspectivas da profissão, no século XXI, a OMS descreveu as qualidades do que
chamou de “farmacêutico 7 estrelas”, sendo adotadas pela FIP — International Pharmaceutical Federation —
e, por conseguinte, por órgãos e entidades farmacêuticas pelo mundo. No Brasil, isso não foi diferente, e o
mercado de trabalho tem cada vez mais procurado profissionais farmacêuticos com tais qualidades.

A OMS definiu como farmacêutico 7 estrelas o profissional com as seguintes competências:

Cuidador expand_more

É o profissional que presta cuidados farmacêuticos em consonância com os demais membros da


equipe de saúde e integra os sistemas de saúde.

Tomador de decisões expand_more

É o profissional que atua definindo desde políticas nacionais de medicamentos até o plano de
cuidado de um paciente. É aquele que decide com a finalidade de garantir o uso racional dos
medicamentos.

Comunicador expand_more

É aquele que consegue comunicar-se tanto com seus pacientes quanto com a equipe de saúde, a fim
de promover os melhores resultados da terapia medicamentosa.

Responsável expand_more

É aquele capaz de gerir recursos humanos, físicos e financeiros da melhor forma possível, tendo o
paciente como foco central.

Estudante ao longo da vida expand_more


As diversas inovações na área da saúde trazem à tona a necessidade de atualizações permanentes
de conhecimento. Assim, o farmacêutico deve estar em constante aprendizado, para acompanhar os
avanços de sua profissão e das necessidades de saúde da população.

Professor expand_more

O farmacêutico tem a obrigação de atuar de maneira a contribuir para o uso racional do


medicamento. Para isso, deve estar sempre atento às necessidades dos pacientes e da equipe de
saúde, quando se tratar de informações para o uso racional de medicamentos.

Líder expand_more

Cada vez mais, o farmacêutico está sendo chamado a inserir-se nas equipes multiprofissionais de
saúde, tendo de exercer, por muitas vezes, um papel de liderança, visando à garantia dos melhores
resultados em saúde. Entretanto, não é apenas nas equipes multiprofissionais de saúde que o
farmacêutico deve exercer o papel de liderança. Nas farmácias e drogarias e até mesmo nas
indústrias farmacêuticas, esse profissional terá de liderar equipes no desenvolvimento dos trabalhos
cotidianos.

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Principais áreas de atuação do farmacêutico
Neste vídeo, o especialista Eduardo Corsino vai falar sobre as competências e habilidades que devem ser
desenvolvidas em cada uma das áreas de atuação.Vamos lá!
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Principais áreas de atuação do farmacêutico no Brasil

play_arrow 2:34 min.

Qualidade do farmacêutico 7 estrelas

play_arrow 1:40 min.

MÓDULO 3

Vem que eu te explico!

Principais áreas de atuação do farmacêutico no Brasil

play_arrow 2:34 min.

Qualidade do farmacêutico 7 estrelas

play_arrow 1:40 min.

Falta pouco para atingir seus objetivos.


Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
São muitas as áreas de atuação em que o farmacêutico pode desempenhar suas atividades profissionais no
Brasil. Em uma das áreas em grande expansão, o farmacêutico executa suas ações em contato direto com
os pacientes e as equipes de saúde, executando um papel importantíssimo, como educador e facilitador,
bem como prestando cuidados farmacêuticos com finalidades de prevenção, atenção e recuperação da
saúde. Essa área de atuação é chamada de

A ensino médico.

B indústria farmacêutica.

C farmácia magistral.

D farmácia clínica.

E farmácia hospitalar.

Parabéns! A alternativa D está correta.


A farmácia clínica, atualmente, é a área de atuação farmacêutica que mais se expande no país.
Nela o farmacêutico presta os cuidados aos pacientes e às comunidades, tanto na área hospitalar
Questão 2
quanto fora dela.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o farmacêutico um profissional de saúde essencial e
mais acessível à população. Espera-se dele uma atuação na resolução das necessidades de saúde da
população. Para alcançar os objetivos esperados para esse profissional em relação às questões de saúde, a
OMS descreveu algumas qualidades que são necessárias aos farmacêuticos, no âmbito de suas atividades.
Os profissionais que as têm são conhecidos como “farmacêuticos 7 estrelas”. De acordo com a descrição
da OMS, essas qualidades são

A cuidador, com atitude, comunicador, hábil, estudante ao longo da vida, professor e líder.

cuidador tomador de decisão comunicador responsável estudante ao longo da vida


cuidador, tomador de decisão, comunicador, responsável, estudante ao longo da vida,
B
professor e líder.

competente, com habilidade, comunicador, responsável, estudante ao longo da vida,


C
professor e líder.

cuidador, tomador de decisão, comunicador, responsável, estudante ao longo da vida,


D
professor, líder, hábil, competente e com atitude.

E cuidador, tomador de decisão, comunicador, responsável e líder.

Parabéns! A alternativa B está correta.


São sete as qualidades descritas pela OMS que fazem referência às necessidades da sociedade e
às posturas que o profissional deve adotar em sua vida profissional. Por se tratar de sete
qualidades, esse profissional acabou sendo denominado “7 estrelas”.

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4 - Características do mercado e acesso aos
medicamentos
Ao final deste módulo, você será capaz de distinguir as características do
mercado farmacêutico e o acesso aos medicamentos no Brasil.

Mercado farmacêutico e acesso aos


medicamentos no Brasil
Quando fazemos uma análise global, pode ser verificado que o mercado farmacêutico obteve US$ 1,74
trilhões em vendas no ano de 2020. Quando observamos o mercado brasileiro de medicamentos no mesmo
ano, verifica-se um movimento de R$ 76,98 bilhões. Isso corresponde a uma alta de 8,58% e a uma venda
equivalente a 4,7 bilhões de unidades (caixas), comparadas com o mesmo período do ano anterior.

O Brasil responde por em torno de 2% do mercado farmacêutico mundial,


apresentando o sétimo faturamento na comparação com as 20 principais
economias do mundo. Além disso, espera-se que o país alcance a quinta posição
nesse ranking em 2023. Quando fazemos uma comparação apenas na América
Latina, o Brasil é o principal mercado farmacêutico.

Outra consideração importante a verificar é que a indústria farmacêutica brasileira encerrou o ano 2019 com
mais de 90 mil empregos formais.

Como você pode perceber, atuar no ramo farmacêutico é atuar em um ramo trilionário, responsável por uma
importante parcela da economia e da geração de empregos em todo o mundo.

Características e terminologias do mercado


farmacêutico
Entre as características do mercado farmacêutico brasileiro, em 2019, o Brasil tinha 249 laboratórios
farmacêuticos regularizados. Entre eles, 101 (41%) de origem internacional e 148 (59%) de empresas
genuinamente brasileiras.

Apesar de não ser a maioria, as empresas multinacionais mantêm 51,6% do faturamento do mercado,
representando 34% das unidades vendidas, ou seja, representadas por caixas de medicamentos vendidas.
Já as empresas brasileiras representam 48,4% do faturamento desse mercado e 66% de caixas vendidas.

Pode-se ainda acrescentar como característica do mercado farmacêutico brasileiro a crescente participação
dos medicamentos genéricos, o que proporcionou às empresas brasileiras a liderança em número de
vendas. Nos últimos anos, esse segmento aumentou seu espaço no mercado brasileiro. Em 2020, já
representava 15% do faturamento do comércio varejista e 34,86% de todas as unidades de medicamentos
vendidos.

Entretanto, a partir do fim da década dos anos 2000, a indústria farmacêutica passou a sofrer um controle
de preços. Entre 2012 e 2020, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os produtos
farmacêuticos teve seu reajuste acumulado em torno de 46%, mediante uma elevação dos preços dos
demais produtos em torno de 63% no mesmo período.

Já quanto às características desse mercado na balança comercial, no ano 2020 as exportações da indústria
farmacêutica ficaram em torno de US$ 1,078 bilhão, enquanto as importações de produtos acabados,
semiacabados, vacinas, hemoderivados e demais produtos farmacêuticos chegaram em torno de US$ 7,059
bilhões.

Veja a seguir algumas características específicas de segmentos do mercado farmacêutico no Brasil.

Varejo

Pesquisas no setor do varejo farmacêutico demonstram que esse segmento está em crescimento no país,
tendo aumentado 7,1% em 2019. Outra característica dessa área é a marcante concentração em algumas
regiões do país, em que 75% desse segmento localizam-se em apenas oito estados brasileiros. Apesar
dessa concentração, ela não representa crescimento homogêneo nesses estados, tendo sua maior
expansão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e
Goiás. Apesar do avanço do associativismo (que é a associação de pequenas e médias farmácias), as redes
ainda predominam em grande parte do mercado.

Quando se fala de número de farmácias e drogarias no país, o Brasil apresenta certa similaridade com os
países desenvolvidos na relação de número de estabelecimentos por habitantes (1 para cada 3.300
habitantes, segundo o CFF), havendo grande variação entre os estados brasileiros, em que os do Norte e do
Nordeste têm média superior à do Brasil como um todo. O país está entre os dez países do mundo que mais
consomem medicamentos. Entretanto, o consumo per capita é considerado baixo em relação aos países
desenvolvidos.

Pesquisa e desenvolvimento

A indústria farmacêutica apresenta características específicas em relação às demais indústrias, quando se


trata de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Essa área da indústria tem se mostrado bastante lucrativa no
mundo, e, de fato, os medicamentos inovadores são os que trazem os lucros considerados extraordinários
ao mercado.

Os investimentos em P&D no setor farmacêutico superam os dos setores automobilísticos, de hardware e


de software em todo o mundo. Entretanto, há uma dissonância entre a relação de medicamentos novos e
inovadores e as reais necessidades da população mundial, principalmente quando se verificam as
necessidades de países em desenvolvimento. As indústrias farmacêuticas têm concentrado suas áreas de
P&D no desenvolvimento, principalmente, de medicamentos para câncer e doenças neurológicas, como o
Parkinson, e quase não se observa P&D de medicamentos para as denominadas doenças negligenciadas,
como malária e esquistossomose.

Ainda que o Brasil tenha uma indústria farmacêutica bastante diversificada, é considerada fraca em P&D.
Atua principalmente com importação de tecnologia e é extremamente dependente de matérias-primas
(fármacos e intermediários) de origem estrangeira, apresentando cerca de 82% de dependência nessa área.
O setor de P&D de medicamentos no país é considerado marginal, uma vez que praticamente só é
observado no meio acadêmico ou em áreas públicas de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz e o
Instituto Butantan, não havendo exemplos significativos na iniciativa privada, que seria o esperado para essa
área.

Indústria

Quando se fala mais especificamente sobre as indústrias farmacêuticas no país, verifica-se que elas têm se
tornado um grande atrativo para investidores estrangeiros, pois ainda há uma grande oportunidade de
crescimento na região da América Latina como um todo. Outro ponto a destacar é a característica de fusões
entre as empresas do setor, que estão ocorrendo nos últimos anos. Isso tem aquecido o mercado e formado
grandes empresas no país. Além disso, a indústria farmacêutica no Brasil tem apresentado, ao que parece,
certa organização. Enquanto as empresas transnacionais têm por foco medicamentos inovadores, as de
capital nacional (públicas ou privadas) parecem voltar-se para a produção de medicamentos mais
consagrados no mercado e a produção de genéricos, considerados seu “carro-chefe”.

Doenças negligenciadas
São aquelas que apresentam prevalência em condições de pobreza, além de contribuírem para sua
manutenção e para o quadro de desigualdade, representando grande entrave ao desenvolvimento dos
países.

Agora que você conhece um pouco sobre as principais características do mercado farmacêutico, é preciso
que entenda mais sobre as terminologias utilizadas por esse setor, no Brasil e no mundo.

Principais definições e conceitos do mercado farmacêutico

Apresentação
São as características correspondentes ao Código Nacional de Produtos (CNP), informado na
hora do registro, como concentração(ões) de princípio(s) ativo(s), forma farmacêutica,
embalagem e quantidade na embalagem.

Coeficiente de Adequação de Preço (CAP)


É um desconto mínimo obrigatório e atualizado anualmente, destinado aos entes da
administração pública.

Distribuidor
Empresas que realizam o comércio atacadista de medicamentos em suas embalagens
originais.

D i
Drogaria
São empresas de dispensação e comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos
e correlatos em suas embalagens originais.

Farmácia
Estabelecimento de prestação de serviços com a finalidade de prestar assistência
farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária, podendo haver processos de
manipulação e/ou dispensação de medicamentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou
industrializados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos farmacêuticos e correlatos.

Índice Herfindahl-Hirschman (HHI)


Índice utilizado para medir a concentração de mercado, ou seja, a verificação de monopólios.

Medicamento biológico
São produtos de moléculas complexas de alto peso molecular obtidas a partir de fluidos
biológicos, tecidos de origem animal ou procedimentos biotecnológicos, por meio de
manipulação, inserção de outro material genético (tecnologia do DNA recombinante) ou
alteração dos genes, que ocorre por irradiação, produtos químicos ou seleção forçada.

Medicamento biológico não novo


Medicamento biológico que contém molécula similar à de outro medicamento biológico já
comercializado.
Medicamento específico
São produtos farmacêuticos, tecnicamente obtidos ou elaborados com finalidade profilática,
curativa ou paliativa, não sendo passível a realização de ensaio de bioequivalência, em face
de um produto comparador.

Medicamento genérico
É o medicamento com o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica,
mesma via de administração, mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de
referência, apresentando eficácia e segurança equivalentes à do medicamento de referência,
podendo ser com este intercambiável.

Medicamento novo
Nome utilizado para medicamentos com princípios ativos novos, podendo ser sintéticos ou
semissintéticos, associados ou não.

Medicamento similar
É o medicamento que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, a mesma
concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica,
podendo diferir somente em características relativas a tamanho e forma do produto, prazo de
validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo, devendo sempre ser identificado por
nome comercial ou marca.

Preço de entrada

M i di t b d i li ã d é
Maior preço que um medicamento recebe quando sua comercialização no mercado é
autorizada.

Preço-fábrica
Preço máximo de venda estipulado pelas produtoras, importadoras ou distribuidoras de
medicamentos, destinado a farmácias, drogarias, hospitais e governos, quando não for
aplicável o CAP (ver anteriormente).

Preço máximo ao consumidor (PMC)


Maior preço que pode ser cobrado ao consumidor nas farmácias ou drogarias.

Preço médio praticado


É o valor obtido pelo quociente entre o faturamento e a quantidade de embalagens vendidas.

Produto
Refere-se ao nome comercial do medicamento.

Determinantes da oferta e do consumo de


medicamentos
Para você entender os fatores determinantes da oferta e do consumo de medicamentos no Brasil, é preciso
dizer que a oferta está intrinsecamente relacionada com P&D, e este com a estrutura e o perfil industrial
brasileiro. Em nosso país, temos três segmentos de produção, que podem ser classificados como nacional
público, nacional privado e de empresas de capital transnacional no setor, sendo este o predominante no
país.

Nessa perspectiva, alguns fatores passam a ser determinantes na oferta de cada


um desses segmentos. Vamos discutir o primeiro, ou seja, os fatores do segmento
nacional público.

Algumas instituições públicas brasileiras, como os laboratórios oficiais, militares e de instituições de


pesquisa, como Farmanguinhos, na Fiocruz, Rio de Janeiro, representam uma pequena parcela do mercado
produtor de medicamentos, porém suas ações são de importância ímpar no aporte de programas
específicos de saúde, como o tratamento do HIV.

Fiocruz.

A produção nas instituições públicas é dependente dos recursos públicos, ou seja, dos recursos do Tesouro
Nacional, e por isso sofre influência da disponibilidade do orçamento público. Este, por sua vez, é
dependente da arrecadação de impostos e da iniciativa política. Além desses fatores, ainda há
características bastante expressivas no segmento nacional público que dificultam a ampliação da oferta,
que são o parque tecnológico defasado e a proteção patentária, impedindo a produção de medicamentos
mais modernos e mais baratos.

Produção de medicamentos.

Quando se fala do mercado representado pelo segmento nacional privado, não há a influência da
dependência do Tesouro Nacional. Entretanto, ainda há, em grande parte, um parque industrial com certa
defasagem, dificultando a produção mais barata e mais eficiente de medicamentos, e a proteção patentária,
dificultando o acesso à produção de mais medicamentos. Outra característica desse segmento é o baixo
investimento em P&D.

O setor privado de produção de medicamentos tem preferido manter-se na produção de medicamentos já


consagrados no mercado, que utilizam tecnologias de produção já existentes. Muito disso se deve à falta de
políticas públicas que incentivem o setor privado em P&D, aos altos impostos cobrados nas importações de
equipamentos e sobre os produtos acabados, à não disponibilização de tecnologias mais novas por parte
dos países desenvolvidos, aos tratados internacionais que dificultam o acesso a determinados produtos
precursores, à falta de mão de obra qualificada, além de desvalorização da moeda corrente, com
consequente aumento no valor das matérias-primas importadas.

P&D na indústria farmacêutica.

Quando se observam as características que afetam a produção no segmento de capital transnacional, bem
como a oferta de medicamentos, temos como principais as condições desfavoráveis para aquisição de
matérias-primas, como eventos naturais e políticos que afetam sua produção, o aumento nos preços dos
insumos, o aumento nos valores dos impostos, a regulação mais rígida do setor, entre outras.

Comentário
Entretanto, algumas outras características das próprias empresas de capital transnacional, como a tentativa
de aumento de preços, reduzindo a oferta, a desistência de manter linhas de produção mais antigas, a
predileção por produção de medicamentos mais novos e inovadores, o apetite por maiores lucros com
consequente desinteresse em produzir medicamentos mais baratos, e a atuação na manutenção de
patentes por tempos considerados extremamente longos, dificultam principalmente a oferta de
medicamentos mais acessíveis à população e daqueles destinados às doenças negligenciadas.

Como podemos descrever os determinantes da oferta de medicamentos


no Brasil?

Em virtude das características apresentadas, você pode conferir a seguir um resumo dos determinantes que
afetam a oferta de medicamentos no Brasil, segundo Vieira e Santos (2020).
1. Parque tecnológico defasado.

2. Falta de políticas públicas de incentivo.

3. Altos impostos.

4. Dependência de recursos públicos.

5. Proteção patentária.

6. Baixo investimento em P&D.

7. Desvalorização cambial.

8. Tratados internacionais impeditivos.

9. Falta de transferência de tecnologia.

10. Falta de mão de obra qualificada.

11. Aumento de preços de matérias-primas.

12. Regulação rígida.

13. Redução de oferta como tentativa de aumento de preços.

14. Descontinuidade de produção.

15. Predileção por medicamentos inovadores.

16. Apetite por lucratividade.

Quanto aos determinantes que afetam o consumo de medicamentos, as características da população são
as maiores contribuintes nesse sentido. Basicamente, há uma hierarquia de fatores, que vão desde as
características socioeconômicas até a educação em saúde, afetando o consumo de medicamentos entre os
brasileiros.

Você pode verificar a seguir os determinantes que afetam o consumo e suas características.
Determinantes que afetam o consumo e suas características.

Exemplos na vida prática


Nos anos de 2014 e 2016, o Brasil sofreu com a falta de penicilina no mercado. Empresas produtoras do
medicamento alegavam ter dificuldade para importar matéria-prima para sua produção. Em razão do baixo
desenvolvimento do parque tecnológico nacional, não era possível a produção do insumo farmacêutico ativo
(IFA) nacionalmente, inviabilizando a produção do medicamento. Muitos estados ficaram desabastecidos
desse medicamento, e em alguns deles esse desabastecimento chegou a 100%. Isso impactou fortemente o
acesso ao medicamento e o seu consumo, levando a uma epidemia de sífilis em diversos estados
brasileiros, afetando não apenas a população adulta, mas também diversos recém-nascidos, que adquiriram
sífilis congênita, nascendo com diversas malformações.

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Mercado farmacêutico no Brasil e acesso aos
medicamentos
O especialista Eduardo Corsino apresentará o mercado farmacêutico no Brasil, comparado ao mercado
mundial, e traçará um paralelo com o acesso aos medicamentos e as políticas de saúde. Vamos lá!

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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Características e terminologias do mercado farmacêutico


3:30 min.
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Determinantes da oferta e do consumo de medicamentos

play_arrow 2:05 min.

MÓDULO 4

Vem que eu te explico!

Características e terminologias do mercado farmacêutico

play_arrow 3:30 min.

Determinantes da oferta e do consumo de medicamentos

play_arrow 2:05 min.

Falta pouco para atingir seus objetivos.


Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O mercado brasileiro apresenta características distintas que afetam a oferta dos medicamentos à
população. Entre essas características, estão os segmentos das indústrias farmacêuticas quanto a seus
capitais, sendo divididos entre transnacionais e nacionais (público e privado). Um fato curioso do mercado
brasileiro é que o segmento que mais vende unidades de medicamentos não é o que apresenta o maior
faturamento. Isso se deve a qual motivo?

A indústria farmacêutica nacional não tem como competir, em volume de produção, com
A
as transnacionais, e por isso vende menos medicamentos e recebe menos por isso.

f
A indústria nacional de capital privado tem seu foco em medicamentos consagrados no
B mercado e genéricos, que, apesar de terem a preferência dos consumidores, são
comercializados com preços mais baratos.

A indústria farmacêutica brasileira é composta, basicamente, por empresas


C
transnacionais, que vendem seus medicamentos a preços exorbitantes, em dólar.

As empresas farmacêuticas brasileiras são, basicamente, instituições governamentais,


D como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz, não sendo possível cobrar pelos
medicamentos produzidos.

As empresas farmacêuticas brasileiras vendem seus produtos em reais, enquanto as


E empresas farmacêuticas transnacionais vendem em dólar, e por isso faturam mais,
mesmo vendendo menos.

Parabéns! A alternativa B está correta.


Os medicamentos mais consumidos no Brasil são os para doenças crônicas e genéricos, que são
os principais medicamentos fabricados pela indústria farmacêutica nacional. Entretanto,
apresentam um menor valor de mercado, em comparação com medicamentos inovadores,
produzidos por indústrias farmacêuticas transnacionais. Devido a isso, mesmo com um menor
número de vendas, as transnacionais acabam faturando mais que as indústrias farmacêuticas
Questão 2
nacionais.
O acesso ao medicamento é um importante fator a ser considerado para a atenção integral em saúde,
prevista como uma das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, o acesso pode ser
comprometido por diversos fatores. Entre eles, podem ser citados baixo investimento em P&D, proteção
patentária, parque tecnológico defasado, renda familiar, idade e presença de doenças crônicas. A todos
esses fatores, chamamos, de forma geral:

A Determinantes que afetam a oferta e o consumo de medicamentos.

B Determinantes sociais de saúde.


C Características farmacoeconômicas.

D Determinantes do mercado farmacêutico.

E Características sociais de saúde.

Parabéns! A alternativa A está correta.


Algumas características do mercado farmacêutico brasileiro podem afetar o acesso aos
medicamentos por parte da população. O conjunto dessas características é chamado
determinantes que afetam a oferta e o consumo de medicamentos.

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Considerações finais
Neste conteúdo, você acompanhou alguns conceitos e a evolução da história da farmácia no Brasil. Além
disso, verificou as competências, as habilidades e as atitudes da formação do profissional farmacêutico nas
instituições de ensino superior.

Acompanhou ainda as áreas de atuação profissional do farmacêutico, de forma a reconhecer os principais


setores e salários praticados no país.

Por fim, você foi apresentado ao mercado trilionário farmacêutico, suas características e seus
determinantes que afetam o acesso ao medicamento no país.

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Podcast
Nesse podcast, o especialista Eduardo Corsino apresentará um resumo dos principais trechos apresentados
no conteúdo. Fará o desfecho falando sobre as perspectivas, os desafios e as oportunidades do mercado
farmacêutico. Vamos lá!

Referências
ARAÚJO, F. Q.; PRADO, E. M. Análise das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Farmácia. Revista Contemporânea de Educação, Rio de Janeiro, 2008.

ARRAIS, P. S. D.; BRITO, L. L.; BARRETO, M. L.; COELHO, H. L. L. Prevalência e fatores determinantes do
consumo de medicamentos no município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 2005.

BERMUDES, J. A. Z.; COSTA, J. C. S.; NORONHA, J. C. Desafios do acesso a medicamentos no Brasil. Rio de
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BRASIL. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. Departamento de Apoio Técnico e
Educação Permanente. Comissão Assessora de Farmácia Hospitalar. A profissão farmacêutica. São Paulo:
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, 2019.

FRENZEL, J.; EUKEL, H.; NEVILLE, M. Essential skills for pharmacy graduates reported by advanced
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KIM, J.H.; LEE, J. Y.; LEE, Y. S. Attitudes to proposed assessment of pharmacy skills in Korean pharmacist
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SATURNINO, L. T. M.; PERINI, E.; LUZ, Z. P.; MODENA, C. M. Farmacêutico: um profissional em busca de sua
identidade. Rev. Bras. Farm., 2012.

SVENSBERG, K.; SPORRONG, S. K.; LUPATTELLI, A.; OLSSON, E.; WALLMAN, A.; BJÖRNSDOTTIR, I. Nordic
pharmacy students’ opinions of their patient communication skills training. Am. J. Pharm. Educ., 2018.

VIEIRA, S. F.; SANTOS, M. A. B. O setor farmacêutico no Brasil sob as lentes da conta-satélite de saúde.
Brasília, DF: Ipea, 2020. (Texto para discussão).
Explore +
Pesquise o artigo Da história da farmácia e dos medicamentos, de Ricardo Fernandes de Menezes, e
aprofunde-se bem mais na história dessa profissão tão antiga e de grande relevância na história da
humanidade.

Continue explorando mais ainda e aproveite a leitura do artigo Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de
Farmácia de 2017: perspectivas e desafios, de Marina Oliveira Chagas e colaboradores, publicado em 2019,
para compreender um pouco mais sobre a normatização e a estruturação dos cursos de Farmácia no país.

Não deixe de ler também o artigo Atuação do farmacêutico na equipe multidisciplinar no tratamento
oncológico, de Deise Luciana Adriano e Michele de Oliveira Antunes, e entenda um pouco mais sobre essa
importante área de atuação profissional.

E ainda leia o artigo Panorama atual das políticas de medicamentos genéricos no Brasil: revisão
bibliográfica, de Linderson Ramos Malheiros e colaboradores, e aprofunde-se na discussão dos
medicamentos genéricos no mercado brasileiro.

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