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UNIDADE I

Direitos da Criança,
Adolescente e Idoso

Profa. Ma. Silmara Quintana


Ementa

 Evolução sócio-histórica da criança e do adolescente e a trajetória de uma teoria da situação


irregular a uma teoria da proteção integral. Compreensão da condição peculiar de
desenvolvimento e garantia de proteção integral ofertada pelas medidas protetivas e
socioeducativas, para crianças e adolescentes. A extensão do cuidado e proteção
para a pessoa idosa.
Unidade I

1. A trajetória da proteção para crianças, adolescentes e terceira idade.

2. A trajetória do reconhecimento da criança e adolescente enquanto sujeitos de direitos.

3. A efetividade do sistema de garantia de direitos para a criança e o adolescente.

4. A organização das políticas de proteção social para crianças e adolescentes.


Proteção Social

 Proteção Social.

 Década de 1930 – Era Vargas.


 Ações pontuais e emergenciais.
 Campanhas sanitárias.
 Especificamente para classe trabalhadora (CLT, saúde, educação, lazer) – 5 S.
 Década de 1960 – ditadura – classe trabalhadora – proteção para controle social.

Ministério da Previdência Social (1974)


composto pela Legião Brasileira de Assistência
Social, pela Fundação Nacional de Bem-Estar
do Menor e pela Central de Medicamentos
Seguridade Social

Proteção social
frente às situações
de vulnerabilidade e
de risco social.
Aspectos Legislativos – Política de Assistência Social

 CF/88 – título VIII: Da ordem Social – capítulo I, no seu artigo 193 que “a ordem social tem
como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e justiça social
(Brasil, 1988)”.
Loas – Lei 8.742/1993 alterada pela Lei 122.045/2011

"Art. 2º A assistência social tem por objetivos:


I - a proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e à prevenção da
incidência de riscos, especialmente:
a) a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
b) o amparo às crianças e aos adolescentes carentes;
c) a promoção da integração ao mercado de trabalho;
d) a habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua integração à
vida comunitária; e
e) a garantia de 1 (um) salário mínimo de benefício mensal à
pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem não
possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la
provida por sua família;
Loas – Lei 8.742/1993 alterada pela Lei 122.045/2011

"Art. 2º A assistência social tem por objetivos:


 II – a vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a capacidade protetiva
das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos;

 III – a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das
provisões socioassistenciais. Parágrafo único. Para o enfrentamento da pobreza, a
assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos
sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a
universalização dos direitos sociais."
Criança e Adolescente

Idade
Antiguidade Idade Média Idade Moderna
Contemporânea
 Sem identidade e  Não há  Meninos –  Trabalho infantil e
autonomia, sentimentos em escolarização consumista
 especialmente as relação à criança,  Meninas –  Educação –
meninas  segue conforme trabalhos prisão disciplinar
casta social domésticos

BRASIL

Criados distantes das famílias (pobres e ricos)

Indígenas – desaculturamento
Interatividade

A Constituição Federal traz a seguridade social de caráter universal num novo patamar de
cuidado e atenção a partir de um novo paradigma. Como entender esse novo paradigma?
Resposta

 A proteção social aos sujeitos sociais na lógica da garantia dos direitos sociais.

 A proteção social se concretiza a partir de serviços, programas e projetos da rede


intersetorial de políticas sociais.
Brasil – Criança e Adolescente

Rodas dos Expostos


Santas Casas Período Roda dos
colonial - expostos –
Asilos colégios Bahia 1726 – Esmoleres –
Igreja abandonados cuidar dos
Câmaras internos,
Considerados católica – por questões internos,
seminários,
mão de obra santas casas econômicas entretanto
asilos, ou de
barata de chegou a se
escolas de moralidade –
misericórdia ter 90% de
aprendizes preparados mortandade
artífices, para o
educandários trabalho
Período Assistencialista e Caritativo (1554-1874)

Lei do Ventre Idade penal –


livre – 14 anos – Polícia da
responsabilidade Código penalidade Asilo – família –
até 14 anos de Criminal
Crianças, invasiva,
cuidar, posterior 1830 –
Sistema adolescentes crimina-
ressarcimento abrigamento
prisional – com idosos lizadora,
até 21 anos das e trabalho
Adolescentes julgadora
despesas –
escravista com adultos
Período Filantrópico – Higienista (1874-1924)

Cuidado
Metade do do Estado:
Código
séc. XIX – - “menor
Abolição da preocu-
penal
abandona-
Ampliação Trabalho (1890) –
escravatura da Roda infantil –
pação
idade
do, menor
1903 –
mortali- delinquen-
Início do capitalismo dos legislação
dade
penal de
te, menor
Escola
Expostos não 14 para 9 Correcio-
infantil – desvalido,
e Santas implemen- anos – nal
atenção menor
Casas tada Teoria de
da vicioso”
Disserni-
puericul- (RIZZINI,
mento
tura 1995, p.
115)
Período Assistencial (1924-1964)

1942 –
Criança e adolescente LBA – 1943 –
1941 – SAM famílias
Serviço de Decreto-lei
Sujeito de direito Assistência disseminou a
de
pracinhas
nº 6026
Código
ao Menor – “desmetodo
1927 –
Ou Código de crianças de logia”, em
de guerra.
Posterior-
Penal –
jovens entre
1946
famílias 1944 eram 33 Funda-
Menores – mente a
objeto de direito Juiz de cursos pobres e educandários, 1957 –
pobreza.
14 e 18 anos
autores de
ção
profissio- crianças e passados 10 Lei de Leão
Menor – Perdurou ato
nalizantes adolescen- anos, eram adoção XIII –
criminali- até a infracional
tes autores 300 Rio de
zação da década de eram
de ato educandários. Janeiro
pobreza 1990, julgados
infracional – Caráter
estando
prática desumano pelo critério
em vários da periculo-
institucional municí-
repressora sidade.
pios e
Estados
Fase Institucional (1964-1990)

1979 Código de Menores


Doutrina de Situação Irregular
Proteção aos direitos da 1959 –
Política Fundação
1973 –
criança – ONU 1948 –
Declaração
Nacional do
Bem-Estar
Nacional do
Bem-Estar
Fundação
Situação irregular/caráter dos Direitos Paulista de
Declaração do Menor do Menor
das Promoção
dos Direitos (PNBEM) (Funabem) –
preventivo Humanos
Crianças –
criminali- modelo
Social do
sujeito de Menor
zação da carcerário e
direitos (Promenor)
pobreza repressivo
Constituição Federal (1988-2011) – Cap. VII – Da Família, da Criança, do
Adolescente, do Jovem e do Idoso
 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e
ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
 Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da
legislação especial.
 Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos
maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.

1989 1990 ECA


Convenção ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
Internacional ADOLESCENTE
sobre os Direitos Doutrina de proteção integral
das Crianças
ECA Lei 8.069/1990 – Direitos

 Sujeito social de direito


Primeiro Direito à vida, à saúde Garante a subsistência da criança e do
elenco e à alimentação. Adolescente.

Segundo Direito à dignidade, ao Refere-se à integridade física e psicológica


0 –12 anos criança elenco respeito, à liberdade. da criança e do adolescente.
12 – 18 anos adolescente
Refere-se ao direito de ser criado em
Terceiro Direito à convivência
ambiente salubre e educado no seio
elenco familiar e comunitária.
familiar e comunitário.

Quarto Direito à educação, à Corresponde ao desenvolvimento pessoal


elenco cultura, ao lazer. e social da criança e do adolescente.

Corresponde à participação de adolescente


Direito à em situação de aprendiz, em cursos
Quinto
profissionalização e à profissionalizantes na forma de técnico
elenco
proteção no trabalho. profissional e exercícios de trabalho, desde
que no horário contrário à escola.
Proteção Integral

 A proteção integral da criança e do adolescente tem por escopo garantir que uma pessoa,
com menos de 18 anos, possa exigir e ter assegurados quaisquer direitos inerentes do ser,
ou seja, mesmo que não atingido seu desenvolvimento mental e psíquico completamente,
esta pessoa tem direito à vida, saúde, educação, liberdade, respeito, cultura e a viver com
dignidade (BRASIL, 1990).

Lei 13.257/2016
– Estatuto da Primeira Infância

Sinase – Sistema Nacional de Atendimento


Socioeducativo

PNCFC – Plano Nacional de Convivência


Familiar e Comunitária

Lei de Adoção
Interatividade

O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – altera a visão que se tem de criança e


adolescente, sendo que esses passam a ser reconhecidos como:
Resposta

 Crianças e adolescentes passam a ser reconhecidos como sujeito social de direitos, em


desenvolvimento, demandando atenção, cuidado, proteção e afeto por parte da família,
comunidade e Estado.
Sistema de Garantia de Direitos

 Proteção integral.
 Medidas protetivas.
 Medidas socioeducativas.

 Pessoa em desenvolvimento.

Sistema de
Atendimento
socioeducativo

Fonte:
https://www.mpac.mp.br/mpac-
realiza-curso-sobre-garantia-
de-direitos-de-criancas-e-
adolescentes/
Sistema de Garantia de Direitos

 Articulação, monitoramento
dos atores que compõem
a rede intersetorial de
proteção à criança e
ao adolescente.

Fonte: http://www.crianca.mppr.mp.br/pagina-235.html
Intersetorialidade – Sistema de Garantia de Direitos
CMAS – FMAS
CMS
CMDCA – FMDCA PROMOÇÃO CME
CONSEG

ESPORTES SUAS PROTEÇÃO

3 ESFERAS GOVERNO
CONTROLE SOCIAL
SUJEITO
EDUCAÇÃO SUS
SOCIAL

SISTEMA
CULTURA JUDICIÁRIO HABITAÇÃO

MUNICIPALIZAÇÃO FINANCIAMENTO
DEFESA
Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e
Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC)
 Centralidade da família nas  Respeito à diversidade étnico-cultural, à
políticas públicas; identidade e orientação sexuais, à equidade
 Primazia da responsabilidade do Estado de gênero e às particularidades das
no fomento de políticas integradas de condições físicas, sensoriais e mentais;
apoio à família;  Fortalecimento da autonomia da criança, do
 Reconhecimento das competências da adolescente e do jovem adulto na
família na sua organização interna e na elaboração do seu projeto de vida;
superação de suas dificuldades;  Garantia dos princípios de
excepcionalidade e provisoriedade dos
Programas de Famílias Acolhedoras e de
Acolhimento Institucional de crianças e de
adolescentes;
- Reordenamento dos programas de
Acolhimento Institucional.
- Adoção centrada no interesse da criança e
do adolescente.
Proteção Social – PNAS – Suas

 Matricialidade sociofamiliar
 Seguranças:
 Acolhida Alta
 Convívio Complexidade
Proteção
 Autonomia Social
Especial
 Renda
Média Complexidade

Proteção
Social
Básica
Básica
Medida Protetiva

 Assistência Social – Proteção Social Básica.


 Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

De 6 a 15 anos De 15 a 17 anos

Espaço de convivência,
Até 6 anos formação para a Contribui para o retorno
participação e cidadania, ou permanência dos
adolescentes e jovens
Desenvolvimento de desenvolvimento do na escola, por meio do
atividades com protagonismo e da desenvolvimento de
crianças, familiares e autonomia das crianças atividades que
comunidade. e adolescentes, a partir estimulem a convivência
dos interesses, social, a participação
demandas e cidadã e uma formação
potencialidades dessa geral para o mundo do
faixa etária. trabalho.
Medida Protetiva

 Jovem Aprendiz
 Lei n. 10.097, de 19 de dezembro de 2000, Decreto n. 5.598, de 01 de dezembro de 2005,
Portarias do Ministério do Trabalho (MTb) n. 723/2012 e 1005/2013, Resolução CNAS nº
33/2011 e demais normativas legais relacionadas à promoção da inserção ao mundo do
trabalho, por meio da aprendizagem profissional.

 Catálogo Nacional de Programas de Aprendizagem Profissional (Conap) – Versão atualizada


em maio de 2018.

Fonte:
http://www.trabalho.gov.br/images/Documentos/Apre
ndizagem/Manual_da_Aprendizagem2017.pdf
Medida Protetiva

II – Serviços de Proteção Social Especial de Média Complexidade:

a) Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi);


b) Serviço Especializado em Abordagem Social;
c) Serviço de Proteção Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de
Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC);
d) Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias;
e) Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.
Medida Socioeducativa

1. Advertência
2. Reparação do dano
3. Meio aberto
a) LA
SUS (Sistema Único
b) PSC Sistema
de Saúde)
Educacional Sinase
4. Meio fechado – Segurança Sistema Nacional
de Atendimento
a) Semiliberdade Socioeducativo (Sistema Único
b) Privação de liberdade Sistema de Justiça e Suas da Assistência
Segurança Pública Social)

Fonte: http://www.conselhodacrianca.al.gov.br/sala-de-imprensa/publicacoes/sinase.pdf

JUSTIÇA RESTAURATIVA
Medida Protetiva

 Proteção especial de alta complexidade


 crianças e adolescentes: ocorre em situações de medida de proteção previstas no artigo 98
do Estatuto da Criança e Adolescente – ECA (Lei 8069 de 13 de julho de 1990) “em situação
de risco pessoal e social, cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente
impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção”.

Serviço Descrição Público


Apadrinhamento
Abrigo
Afetivo Cça. e adol. (0-18 anos) Até 20 cça./adol.
Institucional

Casa Lar Cça. e adol. (0-18 anos) Até 10 cça./adol.

Família
Cça. e adol. (0-18 anos) Específico da família
Acolhedora

República Jovens 1 (8-21 anos) Até 6 jovens


Medida Protetiva – Saúde

PIC
Plano Primeira Infância

Portal da Prefeitura
www.campinas.sp.gov.br
Fonte: https://aps.saude.gov.br/noticia/2351
Medida Protetiva – Educação

 Lei 9394/1996 – LDB Lei de Diretrizes e E se organiza:


Bases da Educação Nacional 1. Educação Infantil
 Art. 1º Educação compreendida como 2. Educação Fundamental – séries
processo de formação humana. iniciais – fundamental I, e seres
finais – fundamental II
 Art. 2º educação é dever da família e do
Estado. Tem por finalidade o pleno 3. Ensino Médio
desenvolvimento do educando, seu 4. Educação profissional Técnica e
preparo para o exercício da cidadania e a Nível Médio
qualificação para o trabalho. 5. Educação profissional e
Tecnológica
6. Educação Superior
7. Educação de Jovens e Adultos
Chat

Olá, aluno(a)!
Você está percebendo que trabalhamos nessa disciplina na lógica da universalidade,
intersetorialidade e de garantia de direitos. Te convido a conversarmos mais sobre as medidas
socioeducativas no chat. Estou te esperando!
ATÉ A PRÓXIMA!
UNIDADE II

Direitos da Criança,
Adolescente e Idoso

Profa. Ma. Silmara Quintana


Ementa

 Evolução sócio-histórica da criança e do adolescente e a trajetória de uma teoria da situação


irregular a uma teoria da proteção integral. Compreensão da condição peculiar de
desenvolvimento e garantia de proteção integral ofertada pelas medidas protetivas e
socioeducativas para crianças e adolescentes. A extensão do cuidado e proteção para a
pessoa idosa.
Unidade II

1. A atenção à pessoa idosa.

2. O envelhecimento no Brasil.

3. Avanços conquistados pelos idosos a partir da Constituição de 1988.

4. Intersetorialidade nas políticas sociais.


Envelhecimento

“Toda pessoa que esteja


numa alta faixa etária em Aspectos
que se evidenciam Grécia capitalismo Velhice – culturais,
termo pós- políticos e
mudanças naturais e • respeitados • desrespeito econômicos
Revolução
específicas de ordem • Velhos para Burguesa e relativos a
física e psíquica”. o mercado Industrial valores,
produtivo preconceitos
(OLIVEIRA, 1999, p. 23) e sistemas
simbólicos
que
permanecem
nas histórias
das
sociedades.
Representação social do idoso

Fonte:
https://www.portaldoenvelheci
mento.com.br/abrigamento-de-
pessoas-nao-idosas-em-ilpis/

Fonte:
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/02/videos
/1472817171_749067.html

Fonte:
https://w
ww.portal
Fonte: https://www.sesc-
doenvelh
sc.com.br/blog/assistencia/-fpolis--
ecimento
sesc-prainha-abre-grupo-de-danca-
.com.br/3
circular-para-adultos
418-2/
Família

 Estatuto do idoso Lei nº 10.741/2004.

 Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar


ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade,
ao respeito e à convivência familiar e comunitária (ESTATUTO DO IDOSO, 2007).
Aspectos do desenvolvimento da pessoa idosa

1. vê a família numa perspectiva de perda de autonomia, de funções e da própria


capacidade de ação. Em contrapartida vê um Estado cada vez mais intrusivo, cada vez
mais regulador da vida privada;
2. pensa que a invasão do Estado na família tem se realizado através não de uma redução
de funções, mas, ao contrário, de uma sobrecarga de funções e
3. vê o Estado como um recurso para a autonomia da família em referência
à parentela e à comunidade, e autonomia dos indivíduos em
relação à autoridade da família (MIOTO, 2006).
Psicológicos
Biológicos
Fisiológicos
Cronológicos

Sociocultural
Envelhecimento mundial

 No mundo, processo gradual acompanhado de crescimento socioeconômico constante


durante muitas décadas e gerações. Índice de Envelhecimento (IE) para 3 categorias de
idosos, Mundo: 1950-2100
 Países em desenvolvimento, 180

Idosos/Jovens de 0-14 anos (%)


processo lento desconectado 160

do crescimento socioeconômico. 140


120
100
Fonte:
https://www 80
.portaldoen
velheciment 60
o.com.br/o-
indice-de- 40
envelhecim
ento-no-
20
brasil-e-no- 0
mundo/

1956

2022

2088
1950

1962
1968
1974
1980
1986
1992
1998
2004
2010
2016

2028
2034
2040
2046
2052
2058
2064
2070
2076
2082

2094
2100
Perda da qualidade de vida

 A ausência de renda ou renda hipossuficiente afetam seriamente seu acesso a alimentos


nutritivos, moradia adequada e cuidados de saúde. Transporte
Dificuldades diante das mudanças físicas: com desconto
- de papel social; ou gratuito
- de estilo de vida (status);
• Baixa autoestima; Atendimento
• Ansiedade, depressão e agressividade; preferencial
• Lidar com luto; Médico e
• Relacionamento familiar; remédios
• Sexualidade; acessíveis Direito à
• Violência. abrigo e
moradia
Direito à Educação,
Cultura, Esporte e
Lazer Direito à
participação,
na vida familiar
Fonte: e comunitária
http://www.ossantacatarina.org.br/index.p
hp/tecendo-a-rede-em-cidade-ademar/
Interatividade

A pessoa idosa, em alguns casos, perde sua independência e autonomia, demandando pelo
apoio e acompanhamento da família. As legislações preveem que a família se responsabilize
pela atenção demandada, mas, além da família, quem é corresponsável pelos cuidados e
atenção a essa pessoa?
Resposta

 A família acompanha a história de vida da pessoa idosa, as pessoas que pertencem à


comunidade na qual está inserida ofertam apoio, cuidado e atenção, mas cabe ao Estado
efetivar a proteção social através de serviços, programas e projetos que lhe garantam seus
direitos com dignidade.
Violência contra a pessoa idosa

 Abuso é um ato único ou repetido, ou a falta de uma ação apropriada, que ocorre no âmbito
de qualquer relacionamento em que haja uma expectativa de confiança, que cause dano ou
angústia a uma pessoa mais velha.
TIPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO
“O maltrato ao idoso é um ato
(único ou repetido) ou Abuso sexual 5,3
omissão que lhe cause dano Negligência ao vestir 22,1
ou aflição e que se produz em Maus-tratos físicos
qualquer relação na qual 40,7
Isolamento
exista expectativa de 44,2
confiança” (MINAYO, Alimentação
46
2005:48). Negligência à alimentação
Negligência à saúde 46,9
Maus-tratos psicológicos 54,9
Negligência à higiene pessoal 57,5
Abuso financeiro 59,3

Fonte: Adaptado de: http://www.primeiranoticia.ufms.br/politica/lei-preve-elaboracao-


de-banco-de-dados-sobre-violencia-contra-idosos/999/
Legislação – seguro social idoso

Lei Eloy 1934 – CF 1946 – CF 1960 – Lei 1974 –


Chaves (1923) Direitos • Previdência
Orgânica da 1967 – CF Ministério
Seguro • Caixas de trabalhistas Previdência
trabalhadores Social Previdência da
Social aposenta- em favor da Previdência
dorias e da indústria • 35 anos de social –
velhice contributiva Social
pensões contribuição
Alemanha • Ferroviários • Trabalhador e 55 anos de Funrural – Sinpas –
e marítimos urbano idade trabalhador Assistência
Inglaterra • 1963 – Sesc
• Período • 1943 – CLT rural e
getulino - – centros de previdência
ditatorial -1º convivência
política – idosos
social no • 1966 – IAPs -
Brasil INPS
Constituição Federal

Título VIII – da ordem social capítulo II – Da seguridade social


 Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos
Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à
previdência e à assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social,
com base nos seguintes objetivos:
I. universalidade da cobertura e do atendimento;
II. uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III. seletividade e distributividade na prestação dos benefícios
e serviços;
IV. irredutibilidade do valor dos benefícios;
V. equidade na forma de participação no custeio.
Constituição Federal 1988 – Saúde

 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

CADERNETA DE SAÚDE
DA PESSOA IDOSA
9
Fonte: https://www.ivcf20.com.br/produto.php?id=96&t=Caderneta-de-Saude-do-Idoso
CF – 1988 – Previdência Social

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência
Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a:

I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; ...


... I – cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho
e idade avançada; ...
... V – pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e
dependentes, observado o disposto no § 2º...
... I – 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62
(sessenta e dois) anos de idade, se mulher, observado tempo
mínimo de contribuição; ...
Constituição Federal 1988 – Assistência Social

 Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de
contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:

I – a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

III – a promoção da integração ao mercado de trabalho;

V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e


ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la
provida por sua família, conforme dispuser a lei.
Loas Lei n. 8.742/1993

 Art. 2º – a assistência social tem, dentre seus objetivos, da proteção à família, à


maternidade, à infância, à adolescência e à velhice.
I – e “a garantia de 1 (um) salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou
de tê-la provida por sua família – BPC.

Fonte:
https://www.saojos
e.sc.gov.br/index.p
hp/sao-
jose/noticias-
desc/beneficiarios-
do-bpc-tem-ate-
dezembro-2018-
para-fazer-
inscricaeo-no-
cadastr
Estatuto do Idoso – Lei nº 10.741

 Art. 2º – O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-lhe, por lei ou por outros
meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental
e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e
dignidade (BRASIL, 2003).
DIREITOS E GARANTIAS DO IDOSO

Fonte: TRANSPORTE SAÚDE


https://www.opovo.com.br/noticias/ TRABALHO
atividade/2017/05/apos-mais-de- COLETIVO Atendimento preferencial no Sistema
uma-decada-do-estatuto-do-idoso-
direitos-tem-avancos-ma.html É proibida a Reserva de 10% dos Único de Saúde
discriminação por idade assentos para os idosos
Distribuição de remédios, próteses e
A idade é critério de Duas vagas gratuitas órteses deve ser gratuita
desempate em concurso para idosos com renda
público, sendo igual ou inferior a dois Planos de saúde não podem reajustar
favorecido o mais velho salários mínimos nos mensalidades de acordo com a idade
Fixação de limite transportes coletivos
máximo de idade na interestaduais Idoso internado ou em observação em
contratação de 50% de desconto no qualquer tem direito a acompanhante
empregados valor da passagem
Interatividade

Muitas são as violências contra a pessoa idosa, sendo que a mais presente é a violência
financeira, em grande porcentagem cometida por pessoas próximas e com vínculo familiar.
Entretanto existem violências que são geradas por outras violências ou violações de direitos.
Se analisarmos o desenvolvimento das políticas públicas e sua pouca implementação e
fiscalização, a quem se deve atribuir como o maior violador de direitos da pessoa idosa?
Resposta

 Um Estado que cria leis, mas que não as implementa, desprotege seus cidadãos.

 O maior violador de direitos é o próprio Estado, quando fragmenta e fragiliza as políticas


públicas sociais.
PNAS – Suas

 Acolhida
 Convivência familiar e comunitária
PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA E ESPECIAL
 Participação social
 Prioridade no atendimento Fortalecimento
dos vínculos
 Prevenir vulnerabilidades e riscos familiares e

Escala de risco e
PSB CRAS

vulnerabilidade
Sociais comunitários

 Matricialidade sociofamiliar
CREAS e
PSE CENTRO
Média POP

Instituições de
PSE acolhimento
Ausência de vínculos
familiares e Alta Família
comunitários Acolhedora
Fonte:
http://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/2019/Curs
o%20de%20Prote%C3%A7%C3%A3o%20social%20no%20SUAS.pdf
Proteção Social – Básica

 Vulnerabilidades e riscos sociais.

 Serviço de proteção e atendimento integral à família (Paif): É o serviço baseado no


respeito à heterogeneidade dos arranjos familiares, aos valores, crenças e identidades das
famílias. Fundamenta-se no fortalecimento da cultura do diálogo, no combate a todas as
formas de violência, de preconceito, de discriminação e de estigmatização nas
relações familiares.
Proteção Social – Básica

 Os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos: podem ser realizados em grupos,


organizados a partir dos ciclos de vida e percursos da vida dos usuários, podendo se dividir
em grupos para crianças de até 6 anos, crianças e adolescentes de 06 a 15 anos,
adolescentes de 15 a 17 anos e idosos.

Pessoas Idosas
desenvolvimento de atividades que
contribuam no processo de envelhecimento
saudável, no desenvolvimento da autonomia
e de sociabilidades, no fortalecimento dos
vínculos familiares e do convívio
comunitário e na prevenção de situações de
risco social.
Proteção Social – Básica

 Serviço de Proteção Social Básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosos: tem
por finalidade a prevenção de agravos que possam provocar o rompimento de vínculos
familiares e sociais dos usuários, (...) prevenindo situações de risco, a exclusão
e o isolamento.
Proteção Social Especial de Média Complexidade

Serviço Paefi – Serviço de Proteção e atendimento especializado a famílias e indivíduos.

 Descrição: Serviço de apoio, orientação e acompanhamento a famílias com um ou mais de


seus membros em situação de violação de direitos, conforme público-alvo específico.

 Compreende: atenções e orientações direcionadas para a promoção de direitos, a


preservação e o fortalecimento de vínculos familiares, comunitários e sociais e para o
fortalecimento das famílias diante do conjunto de condições que as vulnerabilizam e ou as
submetem a situações de risco pessoal e social.
Proteção Social Especial de Média Complexidade

 Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias
direcionado às pessoas nessas condições, mas que estejam em situação de dependência,
que requeiram cuidados permanentes ou temporários e que suas limitações tenham sido
agravadas por violações de direitos. O serviço visa à inclusão social e a melhoria da
qualidade de vida dos participantes.
Proteção Social Especial de Média Complexidade

Centro Dia

 Oferece atenção integral à pessoa com deficiência e idosas em situação de dependência


durante o dia e, ao mesmo tempo, serve de apoio às famílias e aos cuidadores familiares na
diminuição do estresse decorrente dos cuidados prolongados na família. É, portanto, uma
alternativa coletiva de cuidados pessoais, complementar aos cuidados das famílias.
Proteção Social Especial de Alta Complexidade

Serviço de acolhimento institucional para pessoas idosas

 Acolhimento para pessoas idosas com 60 anos ou mais, com diferentes necessidades e
graus de funcionalidades, com atendimento personalizado e em pequenos grupos, que não
dispõem de condições para permanecer na família, ou para aqueles que se encontram com
vínculos familiares fragilizados ou rompidos, em situações de negligência familiar ou
institucional, sofrendo abusos, maus-tratos e outras formas de violência, ou com a perda da
capacidade de autocuidado.
Proteção Social Especial de Alta Complexidade

ILP – Instituição de Longa permanência

 Acolhimento em regime integral, previsto na proteção social especial de alta complexidade,


para atender idosos em situação de abandono ou negligência, em caso de suspensão
temporária ou quebra de vínculo familiar e comunitário.
Dimensões de Avaliação de Comunidades e Cidades

4 – Participação

5 – Respeito e
inclusão social 7 – Oportunidades
de aprendizagem

6 – Comunicação
e informação
3 – Moradia
8 – Saúde,
apoio e
cuidado 2 – Transporte
e mobilidade
urbana

1 – Ambiente físico
Fonte: Adaptado de: http://mds.gov.br/assuntos/brasil-amigo-da-pessoa-idosa/dimensoes
Intersetorialidade para atenção à pessoa idosa

Intersetorialidade
Rede de atenção intersetorial

Educação
Assistência
Conselhos Social
de Direito

Unidade de referência
Fonte: ou contrarreferência
http://www5.ensp.fiocruz.br/bibliot
eca/dados/txt_594481029.pdf
Sistema de Justiça e Profissionalização,
Segurança Pública Trabalho

Saúde Conselho
Tutelar
Esporte,
Cultura e Lazer
Chat

Olá aluno(a)!
Espero que esteja conseguindo entrar no universo da atenção à pessoa idosa. Nós, assistentes
sociais, temos muito a oferecer, então te convido a discutir um caso comigo. Te aguardo no
chat.
Referências

 OLIVEIRA, Rita de Cássia da Silva. Terceira idade: do repensar dos limites aos sonhos
possíveis. São Paulo: Paulinas, 1999.
 MIOTO, Regina Célia Tamaso. Trabalho com famílias: um desafio para os assistentes
sociais. In: Revista Textos & Contextos. Vol. 4, No 2, 2006.
 MINAYO, Maria Cecília de Souza. Violência contra idosos: o avesso do respeito à
experiência e à sabedoria. In: Cartilha da Secretaria Especial dos Direitos Humanos,
2ª edição, 2005.
ATÉ A PRÓXIMA!

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