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DE LAURETIS, T. A tecnologia de gênero.

A autora reflete que a partir das discussões a respeito da representação do gênero em


nossa cultura, se criou uma atividade feminista (sobretudo a partir da década de 1960 e
1970) que verbalizou e atuou no cerne desta representação (a de gênero), criando
espaços de discussão entre mulheres para nortear a prática política de gênero.
“Mas o conceito de gênero como diferença sexual e seus conceitos derivados – a cultura
da mulher, a maternidade, a escrita feminista, a feminilidade, etc. – acabaram por se
tornar uma limitação, como que uma deficiência do pensamento feminista.” Página 206
A problemática, portanto, está no descritivismo relativo à diferença sexual entre
mulheres e homens. A autora diz que se, na prática, essa diferença permanecer como
unânime, haverá uma limitação no diálogo, levando-o, até mesmo, a ocupar o espaço
desta discussão nas vias patriarcais de representação.
“A primeira limitação do conceito de “diferença(s) sexual(ais)”, portanto, é que ela
confina o pensamento crítico feminista ao arcabouço conceitual de uma oposição
universal do sexo (...), o que torna muito difícil, se não impossível, articular as
diferenças entre mulheres e Mulheres, isto é, as diferenças entre as mulheres ou, talvez
mais exatamente, as diferenças nas mulheres.” Página 207
Uma segunda diferença é que o discurso a respeito da “diferença sexual” não sairia de
um espaço demarcado pela casa patriarcal; isto é, a “prisão domiciliar da linguagem”,
como diz a autora.
A partir dos anos 1980 a autora relata a forma que se vê o sujeito: não mais
exclusivamente pela diferença de gênero, mas por uma multiplicidade de significâncias:
por códigos linguísticos, representações culturais, raça e classe: “um sujeito, portanto,
múltiplo em vez de único, e contraditório em vez de simplesmente dividido”.
A autora, portanto, pensa que a descrição ou o uso dos conceitos de gênero deve ser
reinterpretada: ela cita Foucault e diz que assim como a sexualidade, o gênero é “o
conjunto de efeitos produzidos em corpos, comportamentos e relações sociais”, por
meio do desdobramento de “uma complexa tecnologia política”. (em aspas, Foucault).
“O gênero, como real, é não apenas o efeito de representação, mas também o seu
excesso, aquilo que permanece fora do discurso como um trauma em potencial que, se;
quando não contido, pode romper ou desestabilizar qualquer representação.” Página 209
“Assim, gênero representa não um indivíduo e sim uma relação, uma relação social; em
outras palavras, representa um indivíduo por meio de uma classe.” Página 211
De Lauretis vai observar que o gênero não é visto, popularmente, como uma construção
social, mas exclusivamente biológica; quando se percebe que gênero uma criança
nasceu, enquadra-se o seu gênero em virtude da genitália.
“As concepções culturais de masculino e feminino como duas categorias
complementares, mas que se excluem mutuamente, nas quais todos os seres humanos
são classificados formam, dentro de cada cultura, um sistema de gênero, um sistema
simbólico ou um sistema de significações que relaciona o sexo a conteúdos culturais de
acordo com valores e hierarquias sociais.” Página 211
Uma das questões do texto é a resultante das representações: a questão de gênero ainda
é representada a partir de uma binariedade, onde cada termo possui suas características
e, assim, se diferem. Portanto: “o trabalho da representação produz diferenças que não
podem ser previamente conhecidas”. Página 214
Outro ponto e a questão da diferenciação que se cultivou nas questões de gênero que
rebaixam as mulheres num caráter social e político. Coisas como “o lugar da mulher” e
o lugar atribuído à mulher torna-se “uma posição dentro da existência social em geral”.
“A construção de gênero é o produto e o processo tanto da representação quanto da
autorrepresentação.” Página 217
A autora fala a respeito da construção do “ser mulher” enquanto uma tecnologia de
gênero que busca engendar as mulheres, neste caso, nas relações sociais,
desmobilizando a construção política, social e representacional que há na criação da
identidade de gênero.
A ideologia em Althusser.
Parei no 3.

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