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NAZARENA MAJONE

42

Giovanni Lauriola

A alma
eucarística
de Madre Nazarena

Filhas do Divino Zelo • Roma


NAZARENA MAJONE
Responsável: Ir. Rosa Graziano
Redação e Direção Administrativa:
Postulação M. Nazarena Majone
Circonvallazione Appia, 146 - 00179 Roma - Tel. 06.78.04.642
Tradução: CEEC – Província Nossa Senhora do Rogate - Rio de Janeiro - 2021
Apresentação
Este meu quarto livreto dedicado aos Escritos da Madre Nazarena visa destacar alguns
aspectos da rica e abundante doutrina ascética e doutrinal sobre o mistério eucarístico: o
primeiro mais transitório e o segundo mais atual. A diferença depende dos diferentes tempos
nos quais se vive não só na dimensão existencial, mas também na litúrgica. De fato, algumas
manifestações devocionais em torno da Eucaristia dependem justamente das diferentes
legislações sobre as regras relativas à celebração da Santa Missa e ao culto do Sacramento,
conforme destacado em alguns textos dos Escritos, que documentam aspectos da vida ascética
e devocional da Madre Nazarena.

Queremos destacar duas reflexões neste livreto, com o sugestivo título “A Alma
Eucarística da Madre Nazarena”: uma devocional, que diz respeito à maravilhosa síntese
entre a vida contemplativa e a vida ativa; e a outra doutrinal, a perfeita harmonia com algumas
ideias mães da teologia eucarística do mais qualificado defensor do primado absoluto de
Cristo, o Bem-aventurado franciscano João Duns Scotus, como já foi destacado nos livretos
anteriores, e como é também destacado de vez em quando neste trabalho.

Fatalidade ou Providência foi planejado para que este livrinho terminasse precisamente
na festa do Primado Universal de Cristo, que permeia o final do ano litúrgico e o início do
novo ciclo litúrgico, como um testemunho de que o Reinado de Cristo é verdadeiramente
soberano a tudo o que existe, nos céus e na terra, acima dos céus e sob a terra. O Reinado
Universal de Cristo também expressa a síntese mais perfeita das três características do mesmo
Primado: único Mediador, único Redentor e único Glorificador. Doutrina teológica que na sua
máxima simplicidade encontra eco em muitos textos da Madre Nazarena.

Esta coincidência de aspectos tão essenciais da alma eucarística da Madre Nazarena


torna sempre vivos e atuais os seus Escritos, que, na sua extrema simplicidade, revelam, para
além das contingências históricas, um rico patrimônio doutrinal suficientemente válido, para
ser seguramente recomendado às almas mais sensíveis e delicadas de “esposas” que
pretendem aumentar cada vez mais o vínculo esponsal com o Esposo de todos, Cristo Jesus.

O Autor
Premissa
O nascimento de algo na história humana nem sempre tem por trás de si, uma causa
segura e certa. Às vezes, simples intuições ou circunstâncias ocasionais podem determinar seu
nascimento e até mesmo o processo existencial. É assim que parece este livrinho em honra à
Madre Nazarena, que, cada vez penso nela, ao folhear ainda que distraído os seus Escritos,
fascina cada vez mais a minha mente e aquece o meu coração, que há mais de um ano da sua
volta ao céu ao seu esposo celestial (1939) e duas vezes seu nascimento para o mundo (1869).

Mesmo esta eventual proximidade histórica tem certa ascendência na minha vida, no
sentido de que a proximidade entre as datas de nascimento ao mundo para mim e do céu para
ela, deram origem a uma forma de simpatia transcendente que de vez em quando, sente a
necessidade de visitar algo de seus Escritos para encontrar algum meteoro perdido do meu
mundo pessoal. Lendo também distraidamente, especialmente a seção doutrinal dos Escritos,
frequente e de boa vontade parece que eu reencontro tanto a minha juventude, anterior ao
ingresso na Ordem Seráfica de Francisco de Assis, quando estava vagando pelas ruas e
lugares solitários, por igrejinhas do campo ou capelas afastadas nas grandes igrejas da cidade,
em busca de minha vida ou de minha vocação.

Os Escritos da Madre Nazarena frequentemente e de bom grado evocam em minha


psique memórias e ecos dos tempos passados aos pés do Crucifixo enegrecidos pelo tempo e
silenciado, por isto, talvez, mais sugestivos aos olhos contemplantes e ansiosos de saber o
porquê o querer estar sobre a Cruz a olhar do alto o genuflexo orante. Quantas vezes a
penumbra da capela dava a impressão viva e profunda que o Crucifixo falasse ao coração fixo
no seu rosto, sempre menos sofredor e sempre mais radioso e radiante de glória inexprimível.
E numa capela Pugliense, aos pés de um Crucifixo obscurecido pelo tempo e pela e escuridão
do ambiente, parece que nasceu a minha decisão vocacional. E quando um escrito consegue
evocar no fundo da alma a sua própria identidade, significa que é simples e essencial ao
mesmo tempo.

Esta é a razão pela qual frequentemente tomo em mãos, os Escritos da Madre Nazarena.
Agradeço-a do fundo do coração através de algumas reflexões pessoais, na esperança de que
possa iluminar sempre melhor os corações e as mentes dos leitores, para poder vislumbrar, se
possível, um caminho existencial e religioso seguro nas idas e vindas tortuosas do tempo
presente imerso em tantos sentidos, às vezes sem bússola.

 Esta reflexão foi amadurecida precisamente navegando no índice do volume. A atenção


é captada pela abundância de títulos com a palavra “Eucaristia” no índice analítico e também
pelo subtítulo “Alma eucarística”, dado a um conjunto de composições do índice geral. A
curiosidade, se diz, é de gênero feminino, e assim de curiosidade em curiosidade me encontrei
imerso neste “mar eucarístico”, do qual saio rejuvenescido e satisfeito, sobretudo pelo grande
poder evocativo que alguns textos tiveram na minha memória juvenil, em busca da estrada a
percorrer na vida.

Mesmo a determinação do título foi um laborioso conflito interior, não tanto no tempo,
mas na reflexão, onde o espaço e o tempo têm uma dimensão muito diferente. O pensamento
vem e vai, até que a mente em meditação presta atenção e começa a titular. Rapidamente
passei na cena de reflexão: “A devoção eucarística de Madre Nazarena”, “Madre Nazarena
Esposa da Eucaristia”, “Elementos eucarísticos na vida da Madre Nazarena”, “A Eucaristia e
a Madre Nazarena”... por fim, com um toque de simplicidade o pensamento focaliza sobre o
título do índice “Alma eucarística”, daí o título definitivo do livreto “A Alma Eucarística da
Madre Nazarena”, com a qual esta reflexão é apresentada aos amigos e simpatizantes do
carisma das Filhas do Divino Zelo, na esperança de contribuir para a difundir o bom odor da
Venerável Madre entre o Povo de Deus.
Introdução
Antes de analisar os textos específicos sobre a Eucaristia, usados por Madre Nazarena
em seus Escritos, parece apropriado pressupor duas de suas composições como introdução, o
“Nós dois Jesus” e a aspiração “antes da Comunhão”: uma como introdução geral indireta e a
outra como introdução específica e direta. A primeira é “uma composição poética de seis
estrofes”1, a outra é uma composição da Clarissa, Irmã Francesca Farnese, que Madre
Nazarena fez sua espiritualmente de tanto a recitar toda a tarde em espera da Comunhão do
dia seguinte2.

1. Nós dois Jesus


Retomando o convite exegético do redator dos Escritos de Madre Majone, Luigi Di
Carluccio3, que, nos documentos sob o título “Alma eucarística”, precede a oração “Nós dois
Jesus” com a motivação de que “o amor a Jesus ocupa todo o espaço no coração da Madre
Nazarena”, também eu a proponho com algumas breves palavras de reflexão geral, para o
particular, ver a cartilha específica4.

Desde a Eucaristia, como “mistério dos mistérios” (São Boaventura de Bagnoregio), e


como “a continuação da Encarnação” (Bem-aventurado João Duns Scotus), é o próprio Jesus
Cristo na sua realidade total e complexa que chama ao Seu seguimento para participar da
glória do Pai, como ensina São Paulo (Ef 1, 3-7). O seu apelo é muitas vezes comparado ao
mistério das núpcias, à relação de amor entre a Esposa e o Esposo, especialmente na visão
mística do amor da alma totalmente dedicada a Cristo, seu Esposo.

Parece natural prefaciar a multidão de títulos eucarísticos com este maravilhoso e


sublime entrelaçamento de amor esponsal entre Madre Nazarena e seu Esposo, Jesus, com
quem ela se identifica profundamente em todos os momentos existenciais da vida, anulando-
se completamente em seu Amor até participar de sua glória celeste. De toda a rica sinfonia
eucarística, a oração “Nós dois Jesus” é o leit motiv (motivo condutor) que acompanha toda a
sua existência religiosa, especialmente nos momentos difíceis de solidão e de silêncio
impostos, nos quais se prova ao máximo a virtude, como o ouro é purificado pelo calor do
cadinho.

Na oração “Nós dois Jesus”, Madre Nazarena traduz plasticamente e poeticamente a


ideia orientadora e exemplar da sua linear e profunda personalidade esponsal em todas as
facetas ricas e coloridas da Esposa apaixonadamente enamorada pelo Esposo: parece um
idílio de amor, cujo modelo espiritual é o Cântico dos Cânticos. Sem nenhuma ambição de
buscar as coordenadas histórico-geográficas da composição, nem de encontrar confirmações
em outros escritos, que, embora sejam bastante difundidos, gostamos de lê-lo, no entanto, - ut
iacet - assim como está suspenso entre o Céu e a terra, porque comunica melhor a ideia de

1
M. NAZARENA MAJONE, Escritos, editado por L. Di Carluccio, Roma 2006, p. 352.
2
M. NAZARENA MAJONE, Escritos, editado por L. Di Carluccio, Roma 2006, p. 353.
3
M. NAZARENA MAJONE, Escritos, editado por L. Di Carluccio, Roma 2006, p. 352.
4
G. LAURIOLA, A oração “Nós dois Jesus” de Madre Nazarena Majone numa perspectiva cristocêntrica, Roma
2008.
uma presença transcendente e imanente em sua vida, como o modelo sacerdotal de Cristo em
Melquisedeque5.

No desígnio divino revelado, em primeiro lugar está sempre a glorificação de Deus que
se realiza através da salvação do homem: nem Deus nem Cristo podem ser de qualquer
maneira condicionados ou ocasionados a agir. Soberana é e deve permanecer a liberdade de
Deus no mistério de Cristo, e de Cristo que para doar a graça à criatura racional deve primeiro
chamá-la do nada à existência, criando-a a sua imagem. De fato, o sentido técnico e reflexo da
expressão do Genesis “Em Princípio Deus criou”6, não é outro que “Em Cristo Deus criou” 7,
como foi interpretado com unanimidade pela Tradição8. Desta extrema liberdade veio o
primado do amor, como sombra, o amor livre do próximo, que, traduzido espiritualmente quer
dizer: do amor de Cristo em si se origina o verdadeiro amor ao próximo, certamente são
outros os termos a se utilizarem: filantropia, mútua ajuda, solidariedade...

Qual a diferença?

O amor na sua autenticidade produz “mérito”, enquanto o outro não!

A visão de “mérito” direciona certamente à ideia de prêmio, e, portanto, a um encontro


particular com o “nosso Tudo”, isto é, Cristo, que assim vem considerado na sua tríplice
função de Mediador, de Redentor e de Glorificador. Títulos que traduzem o termo do Primado
Universal e ontológico de Cristo, ou seja, o cristocentrismo absoluto, mesmo que a tradução
nem sempre aparece clara nas composições individuais ou que seja constantemente subjacente
a todos os escritos.

Interessante é ter recolhido a presença essencial da prospectiva cristocêntrica em


algumas composições mais significativas, especialmente aquelas nas quais são mais evidentes
às referências autobiográficas, com os quais é mais fácil individualizar a ideia da glorificação
de Deus, como quando escreve: “Cristo está em ato de agradecimento contínuo ao Pai”9,
rendendo “amor como amor”10. Da interpretação cristocêntrica geral emerge em toda a volta a
consequência antropológica de considerar o homem como imago Christi, que explica a alma
cada missão ou atividade apostólica. Significado que vem antecipado do enigmático dilema
evangélico entre “Marta e Maria”, como a resposta declarativa do Mestre: “Maria escolheu a
melhor parte”11!

Atrás do título da composição “Nós dois Jesus” parece bastante claro e evidente este
fundo do episódio evangélico das duas “irmãs” ou estilo de vida, quase enquadrado à escolha
cristocêntrica da Madre Nazarena que “ousa” como “virgem esposa” desejar e viver
totalmente a sua união com o seu amado Esposo, em um êxtase de amor.

5
Cf. Hb 5,6.
6
Gn 1,1.
7
Jo 1,3; Ef 1,3-12; Cl 1,15-18; Hb 1,3.
8
Cf. Dalle cristologie al cristocentrismo, (aos cuidados de G. Lauriola), AGA – Alberobello 2004, especialmente
p. 156-178.
9
Scritti, p. 325.
10
Scritti, p. 329.
11
Lc 10,38-42.
Madre Nazarena parece querer dizer: eu e tu, Jesus, somos uma só coisa! Como a união
esponsal entre Cristo e a Igreja12. Máxima imagem do amor e também sua concreta expressão:
a visão “esponsal” é muito cara à linguagem bíblica.

Árdua quanto inaudita é também a expressão esponsal de Madre Nazarena, justificável


somente como prova de amor, de grande amor, de grandíssimo amor. O exemplo o deduz do
amor infinito e personificado por Cristo na Eucaristia, que sintetiza e exprime na sua nua
realidade toda a aventura divino-humano-divina do mistério da Encarnação, centro e coração
do desígnio de Deus e da sua atuação: Mediador Redentor e Glorificador.

Nesta perspectiva cristocêntrica absoluta todo o mistério de Deus, Uno e Trino, junto ao
mistério da Encarnação do Verbo, vive e respira a máxima liberdade de amor, não sujeito a
nenhum condicionamento de algum tipo, muito menos ao pecado. Traduzido em termos
específicos significa afirmar em todos os cantos o Primado absoluto da Encarnação, para qual
a aventura de Cristo não é outra coisa que um livre jogo de amor de Deus, que desde sempre
predestinou Cristo: Deus doa Cristo, e Cristo doa a criação e tudo isto que lhe está conectado,
ou seja, a redenção e a glorificação, e perpetua, depois da sua Ascenção, este dom até à
consumação do tempo com e na Eucaristia, sacramento por excelência que assegura a sua real
presença no mundo e no homem.

Eis o texto da composição:

Nós dois Jesus


Vivamos em dois Jesus!
extensa a vida é triste e longa
e não há paz o coração sem ti,
mas se tu queres, Senhor que longa seja...
Não me deixe perdida.
Vivamos em dois Jesus!

Rezemos em dois Jesus!


A minha oração se inflama de teu amor Divino,
não sentirei as asperezas do caminho.
sobre o teu coração repousarei no entardecer.
Rezemos em dois Jesus!

E nos cansemos em dois Jesus!


Como é suave trabalhar contigo,
mesmo que seja no pranto.
E quanto mais o trabalho é pesado,
sentir que me ajudas, o doce, o Santo!
Oh, nos cansemos em dois Jesus!

Soframos em dois Jesus!

12
Ef 5,32.
Sobre a minha fronte a tua coroa...
e sobre as costas desejo a tua Cruz,
beberei a angústia e o ultraje do cálice
Jesus da tua dor profunda.
Oh, soframos em dois Jesus!

Amemos em dois Jesus!


Doce mistério é este amor
que todo o coração prende,
mas somente contigo, por ti,
o meu coração entende.
Amar chama-se este pensamento.
Amemos em dois Jesus!

Morramos em dois Jesus!


Em teu calvário contigo,
contigo, doce morrer de amor,
gozar o Céu Jesus,
sobre o teu coração
envolva-me Jesus,
no teu sudário.
Morramos em dois Jesus!

Na transcrição da oração amorosa ou ‘canção do cisne’ não foi respeitada a composição


poética, como vem afirmada na sua natureza de curadora dos Escritos, na apresentação da
mesma composição13. Por conta da presente reflexão pareceu suficiente a sua proposição mais
estrutural que formal, do momento que a análise não objetiva diretamente a forma poética mas
simplesmente o conteúdo. O seu valor poético se evidencia igualmente, porque a poesia está
menos na disposição das palavras, que, porém, tem seu significado técnico, tanto quanto na
imediação dos sentimentos que quer comunicar e fazer reviver no ânimo do leitor, quase que
os envolvendo neles mesmos, como para convidá-lo à imitação. E este, penso, foi respeitado
adequadamente.

2. “À noite diante da comunhão”


Esta segunda composição, que se apresenta nos Escritos como a primeira do subtítulo
“Alma eucarística”14, pertence à Venerável Irmã Francesca Farnese15, Clarissa do século
XVII. Como franciscana da segunda Ordem, ela certamente conhece as coisas mais
importantes da vida de São Francisco de Assis, especialmente o texto Dos Sagrados estigmas
de São Francisco16, onde na terceira consideração é apresentada ad litteram o esquema
estrutural da composição. Na verdade, se fala da conversa de Francisco no Monte De La

13
Scritti, p. 352.
14
Scritti, p. 354.
15
Nasceu em Parma em 1593 e morreu em Roma em 1651 aos 58 anos.
16
Em fontes Franciscanas, Assis 1977, n. 1896-1958, especialmente n. 1916.
Verna com o Senhor, que o está preparando para receber em seu corpo os sacrossantos
estigmas do Crucifixo.

Francisco, na terceira consideração sobre os estigmas, revela ao irmão Leão que Cristo
Jesus lhe mostrou duas luzes, uma para conhecer a si mesmo e outra para conhecer o Criador.
Com uma luz: “Quem é você, meu dulcíssimo Deus”? via “o abismo da infinita bondade,
sabedoria e poder de Deus”; com o outro: “O que sou eu”? via “o profundo choro de minha
covardia e miséria”. E então exclamou: “Quem és tu, Senhor de infinita bondade e sabedoria e
poder, que se digna visitar a mim que sou um verme vil e abominável”?17.

 Além do meu Deus “quem és Tu e quem sou eu”? É necessário também ter presente
uma das orações mais ousadas que sai do coração humano. Ainda em La Verna, Francisco
reza: “Ó meu Senhor Jesus Cristo, rogo que me dês duas graças antes de morrer: a primeira,
que em minha vida eu sinta na alma e no meu corpo, tanto quanto possível, aquela dor que Tu,
doce Jesus, suportaste na hora da tua mais amarga paixão; a segunda, que eu sinta no coração,
tanto quanto possível, aquele excessivo amor do qual Tu, Filho de Deus, estava disposto a
sustentar livremente tanta paixão por nós pecadores”18.

Estes e outros pensamentos fundamentais da mística franciscana estão na base desta


oração de preparação para receber a Eucaristia da Irmã Clarissa, que indiretamente também
passa a fazer parte do patrimônio espiritual de nossa Madre Nazarena, que a recita todas as
noites diante do tabernáculo da capela interna.

Esquematicamente ela pode ser dividida da seguinte forma: na primeira parte, além da
situação existencial do “amanhã...”, de certa forma, a pergunta “meu Deus e meu tudo” é
respondida: “o meu Criador...”; na segunda parte, ao invés, o correspondente humano é
respondido “quem sou eu”?, e isto é: “Uma criatura...”; a terceira parte expressa o motivo
dessa vinda no homem: “... para fazer a mim o bem”; e finalmente na conclusão tem a alegre
explosão do desejo de antecipar o encontro esponsal com o Esposo Jesus Amor.

Também é fácil identificar a tríplice característica da perspectiva cristocêntrica


universal da composição: A primeira parte ao apresentar o mistério de Cristo Eucaristia utiliza
atributos próprios do Cristo total: Criador ou Mediador, Redentor e Glorificador ou Glória do
Paraíso. É maravilhosa, portanto, a aplicação esponsal do “Esposo da minha alma e do meu
Amor”. Deste modo, o colorido cristocêntrico da oração torna mais segura doutrinariamente
àquela que tem as suas raízes na própria Palavra revelada, fonte de toda oração autêntica. E
assim está assegurado o seu pedido espiritual que renova a cada manhã, o encontro esponsal
que dá vida e energia para enfrentar as durezas e asperezas do trabalho quotidiano e também
aceitar com alma feliz e alegre as consequências da “maldade” humana, uma alusão talvez do
período romano.

 Aqui está o texto da composição: “Afetos e aspirações para a noite diante da


Comunhão”:

17
Fontes franciscanas, n. 1916.
18
Fontes franciscanas, n. 1919.
“Amanhã há de vir em mim
o meu Criador, o meu Redentor, o meu Deus,
o Esposo da minha alma, o meu Amor?
Jesus, glória e delícia do Paraíso,
virá amanhã no meu coração?
Oh, abençoada, que amanhã de manhã
receberei meu Amado!

Mas e quem sou eu que haverei de recebê-lo?


Uma criatura, a mais vil, a mais enferma
e indigna pecadora do mundo!

E por que virá a mim?


Certamente não por seu interesse,
mas para fazer a mim o bem,
para enriquecer-me com sua graça e com seus dons.

Ó amor! Ó Jesus Amor,


quero receber-te com o amor de toda a Igreja
militante, padecente e triunfante”19.

Como se pode ver, a referência à alma franciscana surge de vez em quando também nos
Escritos, provando que Padre Aníbal era fascinado pelos episódios biográficos do Poverello
de Assis e do Taumaturgo de Pádua, como documenta a história da Família do “Rogate” e
também a das Filhas do Divino Zelo, que, às vezes, são reconhecidas, como as Antonianas,
devido ao exercício do próprio carisma pelos mais necessitados e pobres.

O encerramento da composição tem todo o ar de uma canção de amor esponsal. Este


“receber-te” com todo o amor indica precisamente o desejo amoroso da Esposa pelo Esposo,
desejo carregado de completa eclesiologia, para exprimir melhor e em profundidade a união
de amor entre a Esposa, religiosa feita Igreja, e o Esposo Jesus, que ama a ponto de dar a
própria vida pela Esposa. Revive o grande mistério esponsal expresso por Paulo com a união
de Cristo e da Igreja. E o receber a Eucaristia no próprio coração marca precisamente este tipo
de amor e de transformação: o que recebe transforma-se no recebido.

3. O mistério da Eucaristia
Para melhor expressar o pensamento eucarístico de Madre Nazarena, parece apropriado
distinguir os dois aspectos essenciais da Eucaristia, a saber, o aspecto sacrificial e o aspecto
sacramental, ao qual está ligada grande parte da devoção da Madre expressa em seus Escritos,
que estamos colocando em evidência com cuidado e atenção para revelar sua alma eucarística
por excelência. Certamente, isso não significa que as referências eucarísticas presentes nos
Escritos possam constituir um complexo orgânico e sistemático para o mistério maior da fé,
19
Scritti, p. 354.
para dele derivar uma pequena “súmula” doutrinal. Não é intenção do escritor, propor esta
possibilidade, porque sabe que o clima em que se aplicam os numerosos textos eucarísticos é
totalmente espiritual e devocional. A distinção entre os dois aspectos, sacrificial e
sacramental, serve apenas para facilitar o agrupamento dos textos e torná-los mais atraentes
ao nosso espírito, que está sempre sedento de ordem e sistematicidade. Portanto, esse tem
valor didático e expositivo. Para a segurança e a garantia doutrinária basta saber que por trás
da formação e direção de Madre Nazarena está a grande personalidade do Padre Aníbal,
especialista nas coisas de Deus e nas coisas humanas.

a) A Eucaristia como um sacrifício

Entre os muitos textos eucarísticos usados pela Madre Nazarena em seus Escritos,
apenas dois parecem ter qualquer referência ao momento sacrificial da Eucaristia, já que fala
da Santa Missa como um sacrifício e banquete espiritual. Por conveniência, eles são relatados
em sua totalidade, de modo a facilitar o comentário relacionado. A transcrição do texto é
subdividida em estrofes numeradas para facilitar a leitura, modificando um pouco a pontuação
e também o comentário relativo. O primeiro texto é relatado como documento nº. 272:

1. "Como é conveniente nos ocuparmos,


durante a Missa,
do amor que nos mostram neste Mistério,
o Pai Eterno e
Jesus Cristo, seu Filho.

2. Deus Pai, na hora do sacrifício,


nos abre o seu ventre para nos dar seu Filho,
para ser nossa Vítima,
nosso Pontífice e nosso Mediador,
nosso Alimento, nossa Consolação
e nosso Tudo.

3. Deus Filho, aceitando esta missão,


dá-se a nós sem reservas,
se oferece e se imola por nós,
permanece conosco,
companheiro e consolador do nosso exílio,
suplemento de nossa [vontade]
e todos os nossos deveres para com o Pai,
modelo de toda virtude e santidade,
vida da nossa alma,
força da fraqueza,
gastando-se inteiramente por nós!

4. Ora, se Deus nos oferece isso


tanta prova de seu amor por nós,
o que é mais conveniente para nós,
tanto quanto de ocupar-nos desse amor,
assim nos estimulando a tornar
para este Pai assim tão bom,
a este Filho assim tão generoso,
amor por amor
em imitação dos espíritos benditos"20.

Como pode ser visto na transcrição, a composição pode consistir de quatro estrofes ou
partes, das quais a primeira serve como uma introdução e a última como uma conclusão,
enquanto a segunda e a terceira constituem juntos, o corpo doutrinário e devocional.

Na estrofe introdutória, pode-se notar a diferente sensibilidade litúrgica e cultural de se


considerar a Santa Missa. Desde sempre, até à reforma litúrgica do Vaticano II 21, salvo
qualquer exceção intermédia22, entre o presbitério e a nave da Igreja tinha um certo
distanciamento, também arquitetonicamente marcado pela balaustrada, para celebrar de
costas, pela língua latina... Todos esses elementos não ajudaram na compreensão da Santa
Missa no seu aspecto litúrgico de ação unitária do Povo de Deus, na distinção qualitativa do
sacerdócio ministerial e do sacerdócio comum. Desta separação entre o Povo e o Sacerdote,
também se deriva o uso que qualquer outra ação que poderia ser feita durante a Missa, como
ouvir a confissão de pecados, ler algo em particular, recitar o rosário, meditar sobre alguma
verdade ou mistério, precisamente para “ocupar” o tempo da celebração, cada vez mais
reservado apenas ao Sacerdote celebrante.

Também a nossa Madre Nazarena respira esta mentalidade, especialmente quando nos
convida a ocupar a mente, durante a Santa Missa, meditando sobre os dois principais
mistérios da fé, a Unidade e a Trindade de Deus e a Encarnação do Filho: “Quanto seja
conveniente ocupar-nos, durante a Missa, do Amor que nos mostram neste Mistério, o Eterno
Pai e Jesus Cristo seu Filho”. Observe a delicadeza do convite: “quanto seja conveniente”
elevar o próprio espírito à contemplação dos dois mistérios que a Eucaristia contém na sua
realidade; e a belíssima expressão utilizada, às vezes, por Madre Nazarena quando chama a
Eucaristia de “Obra-prima”23 realizada por Jesus. A Eucaristia, como Obra-prima de Jesus,
refere-se, por um lado, diretamente ao Pai que confia uma missão a Cristo Jesus, e dá o outro
lado ao mesmo Cristo Jesus que a cumpre com perfeição, garantindo a sua presença até o seu
cumprimento final com a sua vinda na Glória.

A primeira estrofe indica o momento em que o Pai intervém fora do amor trinitário para
nos dar a "Obra-prima" da Encarnação do Filho, Cristo Jesus, que recebe a missão de ser o
modelo perfeito da glorificação divina e da redenção humana. Os títulos indicam que este
mistério evidencia a dimensão antropológica ou o aspecto utilitário do mistério, isto é, os
meios pelos quais doa os frutos da sua salvação: “nossa Vítima”, “nosso Pontífice”, “nosso
Alimento”, “nossa Consolação”. Dois títulos, por outro lado, parecem abrir-se à visão
20
Scritti, p. 328-329, com alguns retoques muito leves.
21
Cf. Documento Sacrosanctum Concilium.
22
Ver, por exemplo, a reforma da semana santa de Pio XII de 1954.
23
Scritti, p. 361.
universal da ação de Cristo e, portanto, extensível também à dimensão da glorificação: “nosso
Mediador” e “nosso Tudo”.

Além do seu valor antropológico normal, florescem na esfera do transcendente e do


divino, pois o termo “Mediador”, além do significado imediato de mediação da graça,
também paulinamente implica o de mediação da existência, com referência indireta à
predestinação ou ao desígnio de Deus, revelado a Paulo 24; enquanto o termo “Todos” abrange
verdadeiramente toda a história da salvação, tanto na dimensão pré-histórica com a
predestinação quanto na dimensão meta-histórica com glorificação. Deste modo, surge
também gradualmente a perspectiva cristocêntrica absoluta, universal e cósmica da missão
dada a Cristo pelo Pai, grande mistério que se concretiza no momento sacrificial da Eucaristia
na Missa.

A segunda estrofe da Santa Missa revela o amor do Verbo Encarnado, Cristo Jesus, em
aceitar livremente o mandato divino e “inventar” a forma totalmente livre de o cumprir.
Ciente disso, Madre Nazarena usa expressões curtas e significativas para expressar o mistério
da escolha sacrificial de Cristo, destacando a força propositiva do sujeito: “se entrega a nós
sem reserva”, “se oferece e se imola por nós”, “fica conosco…”, como “modelo de toda
virtude e santidade”, fazendo-se “vida da nossa alma”, “força da nossa fraqueza” e
“entregando-se inteiramente por nós”.

É verdade que o primeiro sentido das expressões referentes às ações de Cristo tem um
caráter histórico, mas não exclusivo. A ação do doar-se e do oferecer-se de Cristo, de fato,
tem uma extensão para a glória a que aspira a alma crente, como se pode ver não só pelas
consequências da ação de Cristo Redentor, mas especialmente pela expressão “tudo em todos”
que faz elevar ao máximo a expansão de Cristo para o primeiro (predestinação) e depois
(glorificação) da história. A referência ao anterior “nosso Tudo” é bastante evidente, e sua
interpretação está em sintonia com o “Todo inteiro”. Assim, entre as duas estrofes, a segunda
e a terceira, há perfeita harmonia de conteúdo com uma perspectiva cristocêntrica profunda.

A quarta estrofe, que conclui a composição, é a intuição mais coerente da lei do amor,
como expressão da vontade ou da máxima liberdade, no sentido de que quanto mais o
reconhecimento do ser amado por alguém é responsável, mais a “excitação” desencadeia para
retribuir esse amor. Intuição que também traduz o provérbio popular “o amor com amor se
paga”, expresso pela Madre Nazarena com a expressão “amor por amor”.

O conteúdo desta bela resposta conclusiva da estrofe parece evocar muito de perto uma
importantíssima lei ontológica do amor que Duns Scoto descobriu e colocou na base de toda
ação divina ad extra. Assim, ele escreve: “Em primeiro lugar, Deus ama a si mesmo; em
segundo, Deus ama a si mesmo nos outros; em terceiro lugar, Deus deseja ser amado por
aqueles que podem amá-lo dignamente, e falo de um amor extrínseco a Ele; em quarto lugar,
Deus previu a união hipostática da natureza humana, destinada a amá-lo sumamente, mesmo
que ninguém tivesse pecado”25.
24
Ef 1,3-6.
25
DUNS SCOTO, Reportata Parisiensia, III, d. 7, q. 4, n. 4-5, em Antologia, (editado por G. Lauriola), ed.
AGA-Alberobello.
A distinção de “momentos” é apenas lógica, para facilitar nossa compreensão do
punctum temporis de Deus, em cujo momento presente tudo está presente. É a tentativa mais
corajosa em nível racional de tentar compreender o agir de Deus e oferecer uma explicação
mais compreensível para o motivo da Encarnação. E tudo isso, de acordo com o que dizem os
Provérbios: “Deus faz tudo para si mesmo” (Pv 16,4).

Deste modo, mesmo o raciocínio da Madre Nazarena, de querer “dar a este Pai tão bom,
este Filho tão generoso, amor por amor”, parece não só simpático, mas também
profundamente evocativo da intrínseca lei do amor, trazida à luz da profunda especulação de
Duns Scoto e simplesmente intuída por Madre Nazarena.

O segundo texto, reportado como documento nº. 273, também é transcrito para facilitar
a interpretação:

1. “Com o ardor filial de que tanto vos agrada, vos digo:


“Senhor, sozinha não consigo alcançar
aquela santidade perfeita que de mim quereis,
é problema vosso.
Eu me coloco em vossas mãos,
pensai Vós em santificar-me,
pensai Vós em me fazer o que quereis de mim,
digna de Vossos olhos”.

2. No altar, tudo nos fala da paixão


e da morte do Salvador:
a cruz domina o Tabernáculo
e é vista sobre todos os ornamentos sagrados;
a estola representa as correntes,
também Jesus foi amarrado à coluna;
o cinto, os flagelos com os quais fostes espancado;
o manustérgio, as cordas com as quais fostes amarrado;
o vai e vem do padre
de um lugar do altar ao outro,
recorda os diversos tribunais
diante dos quais o Redentor foi atraído.

3. A própria Missa é uma reprodução viva e real


do sacrifício do Calvário,
porque a vítima e o sacerdote são os mesmos”.

À primeira vista, a composição parece composta. Na verdade, é improvável que a


primeira estrofe introdutória se conecte com as outras estrofes; na verdade, parece quase
destacada e justaposta, como se tivesse sido tirada de uma outra composição. Assim como
recita a estrutura da primeira estrofe, isso não facilita a unidade da composição. Nem mesmo
o uso do discurso direto ajuda a resolver a unidade da composição e a unidade entre as
estrofes.

No entanto, uma certa unidade de conteúdo pode ser apreendida em um nível espiritual.
Com efeito, o desejo vivo e sincero de santidade expresso na primeira estrofe pode ser
correspondido pela própria fonte da santidade: a Eucaristia como “sacrifício do Calvário”.
Parece a única possibilidade de salvar a unidade estrutural da composição, que parece mais
intrínseca do que extrínseca.

O valor da estrofe inicial foi avaliado positivamente pelo editor dos Escritos da Madre
Nazarena, prof. Luigi Di Carluccio, que estabelece um confronto pacífico com a “pequena
via” espiritual de Santa Teresa do Menino Jesus, conhecido como o “estado passivo” da
alma26, que se abandona totalmente à vontade de Deus27.

A análise da segunda estrofe remete para o clima cultural da primeira estrofe da


composição anterior, no sentido de que existe uma lacuna entre o altar-celebrante e os fiéis
participantes. Predomina a leitura simbólica do altar e de tudo o que é sagrado ao seu redor:
estruturas, paramentos e movimentos. Certamente, tal leitura não favorece a compreensão do
mistério que se celebra sobre o altar, a não ser de forma indireta e com forte carga de fé nos
participantes e nos presentes.

Na terceira estrofe, a expressão “a missa é o sacrifício do Calvário” salta imediata e


esculturalmente, o que evidencia perfeitamente o valor sacrificial da eucarística realidade
“viva e real” do Gólgota, onde “vítima, altar e sacerdote” são um todo na pessoa de Cristo que
deseja e quer subir à Cruz para cumprir o mandato recebido e livremente aceito pelo Pai, antes
da fundação do mundo, ou seja, glorificar a Deus e redimir o homem.

b) A Eucaristia como um Sacramento

Nesta segunda parte da reflexão procuraremos destacar e iluminar alguns dos muitos
textos que se referem ao mistério eucarístico como sacramento no altar do tabernáculo, onde
se celebra o sacrifício do Calvário. Os dois aspectos da Eucaristia estão intimamente ligados
como partes de uma mesma realidade, considerada em dois momentos distintos: o primeiro, o
sacrificial, refere-se ao mistério da morte sangrenta de Jesus na cruz; o segundo, o
sacramental, considera presente a complexa realidade sacrificial sob as espécies de pão, para
permitir ao Povo de Deus exercer o culto de latria ou de adoração, de outra forma impossível
nesta terra.

O mistério sacramental da Eucaristia não só concretiza o fruto do sacrifício, mas


também atualiza a profecia feita por Jesus, de querer ficar conosco até o fim dos tempos, para
nos ajudar a viver nossa aventura humana em sua companhia com a fé n’Ele e com o amor
relacional com o próximo, porque, como Ele mesmo diz: “Sem Mim nada podeis fazer” 28
especificamente no que diz respeito à vida eterna e também no que diz respeito à vida terrena
de forma perfeita.
26
Scritti, p. 329.
27
Cf. G. LAURIOLA, Abandonada em Deus, Roma, 2008.
28
João 15,5.
Os muitos textos da Madre Nazarena sobre o mistério sacramental da Eucaristia
parecem indiretamente implicar um pensamento do Bem-aventurado João Duns Scoto quando
disse que sem a Eucaristia as nossas igrejas seriam construções geladas e frias, sem qualquer
calor e valor humano, porque lhes faltaria o coração que faz pulsar calorosamente o coração
dos fiéis, abertos ao mais nobre e profundo exercício do sentimento humano para com a
divindade, o ato de adoração a Deus. E na Eucaristia, como continuidade do mistério da
Encarnação, isto é, do verdadeiro Deus e do verdadeiro Homem, Cristo Jesus, que se pode
exercitar o culto de adoração e qualquer outro culto importante.

À luz destes brevíssimos acenos de teologia eucarística, se pode melhor interpretar os


muitos textos espalhados nos Escritos de Madre Nazarena, ainda que apenas alguns sejam
aqui considerados para convidar o leitor a se aproximar pessoalmente de tão rica fonte de
doutrina espiritual, sempre útil para orientar a vida para o mistério dos mistérios.

Dado que os textos que se referem à Eucaristia como sacramento são constituídos por
breves frases ou pensamentos, não é possível utilizá-los todos individualmente, nem repropô-
los para comentá-los, mas procuraremos organizá-los em grupos temáticos, de modo a poder
analisá-los no seu conteúdo específico que é sempre de um caráter mais devocional do que
doutrinário.
1. Antes e depois da Comunhão
Sob este título foram reunidos alguns textos que fazem referência direta à preparação
para receber a Eucaristia e também como agradecimento por tê-la recebido. Consistem em
breves jaculatórias ou simples pensamentos para incentivar toda a devoção ao Sacramento por
excelência, que constitui a alma de toda criatura racional e especialmente do religioso que
dela faz uma opção existencial. São transcritos alguns textos sobre os quais podemos chamar
a atenção:

“Todo o céu desce em mim,


se eu possuo somente a Ti.
Já te sinto no meu coração,
por meu Esposo, meu Senhor”29.

"Quando Tua alma está dilacerada pelo infortúnio,


tu tens a palavra mais eficaz para dizer a Jesus
na Sagrada Comunhão;
palavra que resume cada preparação

e todo agradecimento, e é esta:


“Eu sofro”.
Ele terá para ti a mais doce resposta de consolação:
Tua dor se transformará em alegria”30.

Juntamente com outros textos do mesmo teor, estas transcrições antes e depois da
Comunhão são indicativas da profunda fé e da calorosa devoção à Eucaristia que animava a
Madre Nazarena, tanto a ponto de marcar cada dia com breves invocações ou jaculatórias que,
certamente também musicáveis, eram como refrães a serem repetidos em qualquer momento
da jornada. Quase sempre é importante notar, a dimensão esponsal do encontro com Jesus
Eucaristia, o testemunho da sincera convicção de que realmente a Eucaristia é a mesma
pessoa de Cristo Jesus.

No segundo texto, parece ecoar toda a dimensão biográfica de Madre Nazarena durante
o período mais difícil de sua vida. Pensamento que é recordado todas as quintas-feiras durante
a visita ao Santíssimo Sacramento como motivo de reparação pela “solidão”. Um termo
certamente carregado de todas as amarguras humanas sofridas por Madre Nazarena na
“solidão romana”. Amargura resumida na proposição “Eu sofro”, como se quisesse dizer que
toda a sua vida, a cada momento do dia, fosse marcada pelo sofrimento espiritual, que se abre
à confiante esperança “a tua dor se transformará em alegria”. Retorna a perfeita alegria
franciscana...

29
Scritti, p. 357.
30
Scritti, p. 325.
2. Diante do Sacramento
Também sob este título estão agrupados alguns dos textos mais significativos que
Madre Nazarena recitava diante da Eucaristia, durante a clássica visita e sempre que o seu
pensamento era tomado pela recordação do mesmo Sacramento. Ao tornar próprios o
conjunto dos textos, feita pelo Curador dos Escritos, que propõem alguns para tornar mais
visível o amor esponsal de Madre Nazarena pelo Sacramento do silêncio e da palavra interior.

“Anjo meu, enquanto durmo,


Tu farás um caminho que vai de mim até Jesus
para levar a Ele as batidas do meu coração.
Ti quero, ó Jesus...

Ó Jesus Amor,
Eu quero te receber
com o amor de toda a Igreja
militante, padecente e triunfante.

Eu não falo,
porque vejo que esta é a tua vontade.
Tu me ordenaste, ó Deus, de silenciar.

Jesus, eu te adoro,
me aniquilo diante de Ti,
porque Tu és o meu Tudo
e eu sou o nada.

Meu Jesus eu te amo,


me ofereço para sempre,
como uma vítima do holocausto,
ao amor misericordioso do teu Sagrado Coração.
Abençoe-me, abrace-me, santifique-me.

Ó Jesus, meu Esposo, que eu seja toda tua.


Jesus, gostaria de ter milhões de corações para te amar”31.

Ó Jesus, Sacerdote dos Sacerdotes,


suscitai os Sacerdotes segundo o vosso Coração”32.

"Deus Altíssimo, Senhor Supremo,


Filho único do Eterno Pai,
Redentor dos homens,

31
Scritti, p. 366.
32
Scritti, p. 357.
Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem,
eu te adoro, me aniquilo diante de Ti,
pois Tu és o Tudo e eu sou o nada…”33.

“Ó generosidade divina, verdadeiramente a Eucaristia


é a vossa Obra-prima!
E, no entanto, eu vos amo tão pouco,
vos honro tão mal,
sou morna, tão fria para convosco!
Oh, me envergonho de mim mesma e exclamo:
“Misericórdia, meu Deus, perdão!”.
Quero, a partir deste momento,
voltar todo o meu coração a Vós para Vos amar”34.

"Ó Jesus Sacramentado,


ensina-nos a fazer a Vossa Vontade,
como vós fizestes a Vontade de vosso Pai”35.

Muito bela é a emoção que desperta o primeiro texto reproduzido. Madre Nazarena
deseja permanecer continuamente, mesmo durante à noite, na companhia de seu Esposo
celestial, Jesus Eucaristia, e inventa a bela imagem de seu Anjo da Guarda, sempre desperto e
vigilante, a se deslocar entre o leito e o altar e vice-versa, para levar suas mensagens de amor
e permanecer sempre unida ao silencioso Esposo. Uma belíssima imagem de amor que só uma
alma verdadeiramente enamorada poderia criar seguindo o exemplo do próprio Esposo
Divino.

O sentimento de preparação para receber a Eucaristia também é muito forte: ela quer
receber o Divino Esposo no seu coração com todo o amor da Igreja total, universal e
triunfante, como se quisesse dizer com o mesmo amor com que Jesus ama a sua Excelsa
Esposa, a Igreja. É uma forma de expressar o máximo do amor que um coração humano de
“Esposa” pode criar para dar ao seu Esposo celeste. Só o verdadeiro amor é criativo e não se
deixa encapsular na cotidianidade da vida, mas sempre se renova e se revigora como se fosse
o primeiro encontro amoroso. O segredo do amor é saber se renovar dia a dia, momento a
momento. E a Madre Nazarena mostra que possui esse indelével que provém de seu Esposo
celeste.

 Ainda mais fortemente autobiográfico parece a expressão do seu silêncio diante do


silêncio do tabernáculo: dois silêncios que se encontram no silêncio adorante da capela
eucarística. O silêncio do Esposo é de máximo amor, porque é divino e infinito, o silêncio da
Esposa, por outro lado, é aceitação da Vontade Divina expressa na máxima obediência à
autoridade constituída, como expressão da Vontade Divina. Diante do silêncio do Amor,

33
Scritti, p. 356.
34
Scritti, p. 361.
35
Scritti, p. 362.
Madre Nazarena não encontra nada além de silêncio amoroso. Assim, os dois silêncios se
encontram como dois Esposos em silêncio contemplativo.

 Decididamente de coloração franciscana é a profunda verdade expressa no outro texto


em que Madre Nazarena declara a verdade suprema sobre Deus e sobre si mesma. Deus é o
Tudo absoluto, e ela é o nada relativo, visto que é o objeto do amor de Deus em Cristo Jesus.
Na verdade, a expressão máxima da verdade de fé é reconhecer a totalidade de Deus em
absoluto, e a nulidade da criatura que subsiste unicamente por um ato de amor a Cristo Jesus.
Diante dessas verdades abissais, a única linguagem é o silêncio, o silêncio de si mesma, até ao
silêncio para amar e adorar o Amor.

Dos outros textos citados, pode-se dizer que quase todos expressam a mesma poderosa
imagem esponsal entre a Madre Nazarena e o Divino Esposo, presente na Eucaristia, a quem
ela dedica verdadeira e totalmente toda a sua vida, a ponto de até desejar “milhões de
corações” para aumentar o seu amor à enésima potência. Este é um sentimento nobre e
generoso de imaginar uma miríade de corações que amam infinitamente o infinito. O conjunto
de citações se encerra com uma profunda profissão de fé que remonta do mistério eucarístico
ao mistério trinitário de Deus pela mediação de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
Homem.

O outro texto reproduz uma belíssima definição da Eucaristia como a “Obra-prima” de


Jesus, diante da qual Madre Nazarena descobre toda a sua imperfeição e protesta que quer
converter todo o seu coração para amá-lo e venerá-lo. Quem sabe de onde virá essa
inspiração: Era conhecido através da teologia do Primado Universal de Cristo que o próprio
Cristo é a Obra-prima do Pai e a Virgem Maria a Obra-prima de Cristo. Hoje sabemos que a
Eucaristia também é a Obra-prima de Cristo. Obrigada Madre Nazarena!

O texto final reafirma um refrão clássico e muito caro à Madre Nazarena: o de fazer a
vontade divina. Não há nenhum escrito ou pensamento no qual não seja recitado ou cantado
tal refrão, que constitui o fio condutor de toda a vida da Venerável, como já mencionado em
outra parte36.

36
Cf. G. LAURIOLA, Abandonada em Deus, Roma, 2008.
3. Quinta-feira Eucarística
Na espiritualidade eucarística de Madre Nazarena, ocupa um lugar especial o dia da
“quinta-feira” inteiramente dedicado ao mistério da presença sacramental de Jesus na
Eucaristia. Muitas orações para qualquer necessidade eram orientadas para a quinta-feira
diante do Sacramentado.

A jornada eucarística de maio de 1927 ser tornou famosa, para pedir a cura de Pe.
Aníbal. Na carta circular também podemos notar algumas delicadezas que merecem a nossa
atenção.

Aqui estão alguns trechos:

“Foi pensado de fazer


para a cura do Padre,
um dia de Exposição com o Santíssimo.
Eu tenho que pedir permissão
a [para] isto [ao] Mons. Arcebispo
e esperamos fazê-lo no domingo, 15 de maio...
Vos peço de fazer tudo com o maior fervor
e de apresentar-vos muitas vezes diante
de Jesus Sacramentado
levado em procissão (sempre internamente),
para implorar a tão almejada cura...
Tendo presente as piedosas cenas do Evangelho,
alguém exclamará:
“Jesus, filho de Davi,
tenha piedade de nosso Padre”, alguns outros:
“Como curastes o cego de nascença,
[assim] curai o nosso Padre";
“Devolva-nos o nosso Padre saudável,
como devolvestes Lázaro para suas irmãs”...
Devemos comover aquele doce Coração,
chorar diante d’Ele
pela vida daquele
a quem tanto amamos e a quem chamamos de Pai…”37.

“Ó Jesus Sacramentado,
ensina-nos a fazer a Vossa Vontade,
como Vós fizestes a de Vosso Pai”38.

“Toda quinta-feira,
receber a comunhão em reparação

37
Scritti, p. 193-194.
38
Scritti, p. 203.
dos sacrilégios feitos pelos ímpios,
com o propósito de ultrajar
e insultar a Divindade...
A quinta-feira [seja] em reparação pelos sacrilégios,
das irreverências e profanações
e todos os maus tratamentos
que recebo no Santíssimo Sacramento”39.

“Motivos das visitas que a alma amorosa faz


ao seu amado Sacramentado...
Quinta-feira - Em reparação pela solidão”40.

"Eis, Senhor,
a necessidade de fazer no limiar do nosso coração
um outro guarda que,
ainda mais forte do que o orgulho,
consegue domesticá-lo, superá-lo, destruí-lo.
E este guardião sois Vós, ó Senhor;
Vós, que no adorável Sacramento Eucarístico,
ainda mais do que em Vossa vida mortal,
sois o seu dominador.
Venha, pois, ó Senhor,
oh, venha todos os dias na nossa alma!
Protegei Vós mesmo as nossas batalhas.
Prossiga, corte”41.

O primeiro texto pode ser dividido em três partes:

A convocação da jornada eucarística especial para pedir a cura de Padre Aníbal; os


métodos de celebração com as relativas autorizações; e a execução quase cênica da própria
celebração com referências a passagens evangélicas. A primeira parte nos remete à decisão de
recorrer à Eucaristia para pedir um milagre nas intenções do Padre. A expressão “foi pensado”
sugere uma postura bastante dolorosa espiritualmente, como uma decisão resultante de uma
discussão interna na comunidade e, especialmente, após uma intensa oração ao Espírito Santo
por inspiração. E a inspiração veio: “foi pensado” de convocar um dia de adoração diante de
Jesus Eucarístico. Diante do sofrimento, coloca-se o Amor, que tudo suporta, tudo supera e
tudo vence, porque é a Vida.

É importante notar também a delicadeza da Madre Nazarena, que apesar de ter decidido,
pretende pedir a devida autorização ao seu Bispo antes de prosseguir com a implementação da
jornada com as modalidades específicas. Para a ocasião, deviam preparar orações especiais
para serem recitadas durante todo o dia de exposição do Santíssimo Sacramento, que se

39
Scritti, p. 326-327.
40
Scritti, p. 327-328.
41
Scritti, p. 364.
encerraria com uma procissão dentro da casa, entoando orações e homenagens florais.
Durante a procissão cada um dos presentes poderia manifestar o que o seu coração desejava
expressar diretamente a Jesus, levado em solene procissão pelos espaços da casa.

Algumas modalidades parecem audaciosas durante as estações específicas ao longo da


procissão em que as mesmas situações sugestivas e comoventes deviam ser recriadas como as
histórias do Evangelho que falam de curas. A recriação do clima e das situações representa
uma característica do carisma de Padre Aníbal, também herdado por Madre Nazarena, de
recriar os lugares históricos do traço existencial do Divino Mestre e reviver as mesmas
situações em que realizou em benefício de tantos pedintes com insistência e confiança, até
ouvir a doce e amável palavra “sua fé te salvou”.

A situação geral do segundo texto parece ser mais ampla: “fazer a Vontade Divina”. O
conceito, já mencionado acima, está implícito que a Eucaristia é a continuidade da
Encarnação, de modo a religar à Vontade do Pai Eterno o próprio mistério da Encarnação,
como máxima obediência, primeiro quase anulando a Divindade na Humanidade, e então
escondendo a mesma Humanidade e Divindade sob as espécies eucarísticas. Assim, como
Cristo declarou no Getsêmani que queria fazer a Vontade do Pai e não a sua, também na
Eucaristia a mesma decisão continua: “Venho para fazer, ó Deus, a Tua Vontade”42.

O texto clássico da consagração da quinta-feira ao mistério da Eucaristia é muito


indicativo de todo o contexto da vida de oração da Madre Nazarena, que define o programa da
semana, dedicando cada dia a uma intenção e propósitos específicos, de tal forma que semana
após semana, todo o ano litúrgico é vivido rotativamente, sempre empenhado na oração e
especialmente na oração eucarística, pois toda a vida da Igreja e dos Sacramentos gira em
torno da Eucaristia, verdadeiramente entendida como fundamento e beleza da Igreja.

Como se vê, nestes textos se destaca a intenção “reparadora” da alma eucarística de


Madre Nazarena, que se conserva ao longo de sua vida, inclusive nos momentos mais difíceis,
pelo menos, pelo que se pode imaginar entre os “motivos das visitas que a alma amorosa faz
ao seu amado Sacramento”. Além da “solidão” em que se encontra, por vezes, o Santíssimo
durante o dia por motivos óbvios do tempo de trabalho das Irmãs, parece também ocultar um
certo velamento da situação autobiográfica da Madre Nazarena, que nisso manifesta “uma
intuição brilhante de delicadeza feminina”, como o editor dos Escritos também observa
explicitamente43.

Do último texto relatado, gostaria de sublinhar a expressão com que o Sacramento


Eucarístico é invocado por Madre Nazarena como “guardião do [seu] coração”, com direito a
guiá-lo contra o “orgulho” inato, para “domesticá-lo, vencê-lo e destruí-lo”. A ideia de
“guardião” lembra, precisamente os dias de final do ano litúrgico 44, o personagem bíblico do
Arcanjo Miguel, que, enquanto nos primórdios da história preservou a integridade de Cristo e
da Mãe Imaculada dos assaltos de Satanás, e assim, no final da história, salvaguardará a
integridade da fé dos crentes em Cristo. Portanto, além de ter um valor ascético, a expressão
42
Hb. 10,7
43
Cf. Scritti, p. 327.
44
Cf. Domingo XXXIII no tempo comum/ordinário / B.
“guardião do coração” esconde um verdadeiro e profundo valor teológico, como ensina o
beato João Duns Scoto.
Notas biográficas
21 de junho de 1869 Maria Majone nasce em Graniti/ME de Bruno e Maria
Falcone.

14 de outubro de 1889 É recebida por P. Anibal M. Di Francia no bairro Avignone,


em Messina.

18 de março de 1892 Profissão religiosa: recebe o nome de “Maria Nazarena das SS.
Virgem”.

2 de outubro de 1898 Sucede Melania Calvat, que por um ano, dirigiu as Irmãs. Ela
permanecerá Superiora das Filhas do Divino Zelo
ininterruptamente, até 1928.

12 de janeiro de 1902 Inaugura a primeira filial em Taormina/ME. Muitas outras


serão inauguradas na Sicília e na Península.

29 de janeiro de 1909 Após o terremoto de Messina, muda-se com as comunidades


de Messina para Oria e Francavilla F./BR e lá fica por alguns
anos para organizar as novas comunidades.

23 de março de 1909 É recebida em audiência privada por Pio X juntamente com o


Fundador, Pe. Palma e Madre Carmela D'Amore.

4 de maio de 1921 Com Padre Aníbal e dois sacerdotes é recebida em audiência


pelo Papa Bento XV.

1 de junho de 1927 A morte do Padre Aníbal deixa nela um vazio intransponível.

18 de março de 1928 No Capítulo Geral deixa a condução da Congregação e


transfere-se para Taormina como superiora dessa casa.

7 de outubro de 1932 Com a nova estrutura da Congregação é nomeada Vigária


Geral com residência em Messina na casa-mãe que dirigiu por
dois anos.

24 de janeiro de 1934 É transferida para Roma na Cúria Geral, onde na solidão reza,
expia pela salvação da Obra e se oferece como mãe, pelos
sacerdotes e pelas vocações.

25 de janeiro de 1939 Morre santamente após 4 meses de sofrimentos atrozes.

8 de janeiro de 1992 Começa o Processo de Canonização da Serva de Deus M.


Nazarena Majone.

11 de maio de 1992 Transladação de seus restos mortais de Roma para Messina, na


Igreja de Santa Maria do Espírito Santo, Casa Mãe das Filhas
do Divino Zelo.

1 de outubro de 1998 A Positio ou dossiê sobre a Madre Nazarena é entregue às


autoridades do Vaticano.

20 de dezembro de 2003 João Paulo II proclama heroicidade das virtudes de M.


Nazarena e a declara Venerável.
Índice
Apresentação

Premissa

Introdução

1. Antes e depois da Comunhão

2. Diante do Sacramento

3. Quinta-feira Eucarística

Notas Biográficas

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