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RESUMO D'OS LUSÍADAS

Canto I
Camões indica o assunto que se propõe versar: os feitos gloriosos dos Portugueses. Invoca as ninfas do Tejo, dedica o seu poema a el-rei D. Sebastião e dá início à narrativa com a frota já no oceano Índico, em obediência ao preceito clássico de iniciar a narração apenas quando a viagem já ia sensivelmente a meio (narração em media res). Entretanto, realiza -se o Consílio dos Deuses no qual Baco se manifesta contra os Portugueses que são defendidos por Vénus e Marte. A frota ancora em Moçambique. Libertos das maquinações de Baco, da traição do rei e da escaramuça da praia, os Portugueses prosseguem viagem, passam a costa de Quíloa e fundeiam ao largo de Mombaça.

Canto II
O rei de Mombaça convida a Armada Portuguesa a entrar no seu porto com o intento de a destruir. A frota é salva por Vénus e pelas divindades marítimas, indo aquela queixar-se a Júpiter da falta de protecção dispensada pelo Olimpo aos Portugueses. Júpiter manda Mercúrio à terra para preparar a recepção em Melinde e para inspirar ao Gama o caminh o que deve seguir. A Armada chega a Melinde onde é bem acolhida pelo rei que visita as naus e pede ao Gama que lhe conte a História de Portugal.

Canto III
Vasco da Gama começa a contar a História de Portugal, após uma invocação do Poeta a Calíope. Fica em D. Fernando (fim da primeira dinastia).

Canto IV
Vasco da Gama continua a narração da História de Portugal até à saída das naus do Restelo (1497).

Canto V
Vasco da Gama termina a narrativa da História de Portugal depois de ter referido, na sua viagem, vários episódios marítimos.

Canto VI
Oferecidas as festas pelo rei de Melinde, os Portugueses continuam a viagem para a Índia que avistam depois de terem suportado e vencido, com a ajuda de Vénus, a tempestade decretada pelos deuses marinhos instigados por Baco.

Canto VII

Por um lado. após o que se despede e prediz um regresso feliz à Pátria. Sebastião à prática de feitos sublimes no Norte de África. ANÁLISE DE EXCERTOS D'OS LUSÍADAS O Português não é realista. a bordo. Vasco da Gama sal a-se v oferecendo ouro e riquezas ao Catual e Camões aproveita a ocasião para tecer considerações sobre o ouro que corrompe tudo e todos. O Governador (Catual) acompanha Vasco da Gama ao palácio do rei que. um sentimento de inferioridade e uma autocrítica flageladora da nossa própria história. O Português tem o complexo da insularidade. o desconhecido. os Portugueses são recebidos pelas Ninfas com quem casam. Camões. Canto VIII Todo o Canto se passa na Índia. depois de ouvir um discurso. mitifica-se. uma imagem pessimista. diz-se. queixa -se da decadência em que vive a sua Pátria. Após o desembarque. depo is de referir o embarque dos Portugueses e a chegada a Portugal. Canto X Tétis e as restantes Ninfas oferecem um banquete aos Portugueses durante o qual são contadas as suas façanhas futuras. . e as relações com ele não são normais e isso explicaria a oscilação pendular. explica ao C atual as figuras representadas nas bandeiras. Tétis conduz Vasco da Gama a um monte onde descreve o orbe terrestre. O estrangeiro. Há assim tendência para mitificar quer o exterior quer o interior. Não tem noção das suas fronteiras. armar ciladas e. Depois do banquete. principalmente as regiões onde os Portugueses mais se notabilizarão. de conhecer a nossa. uma vez mais. porque nunca se assumiu nem assumiu as verdadeiras dimensões do seu espaço nacional. O Catual vai visitar a nau e ouve de Paulo da Gama o início da explicação das figuras pintadas nas bandeiras. Camões descreve a Ilha dos Amores que Vénus prepara para os Portugueses para descanso e prémio dos seus trabalhos e sofrimentos. O que explica a oscilação pendular é precisamente o sentimento de inferioridade. Termina o poema exortando D. Ou caímos na mania das grandezas ou então fazemos uma autocrítica tão feroz que nos diminuímos extremamente.Os Portugueses chegam a Calecut onde são recebidos com alegria. Durante muito tempo tivemos pouco contacto com o exterior e esse isolamento leva à impossibilidade de conhecer as outras nações e como tal. Canto IX Depois de narrar algumas peripécias acontecidas na Índia. Vasco da Gama aguarda a resposta do Samorim aos tratados propostos em nome do Rei de Portugal e Paulo da Gama. manda instalá-lo e aos seus no próprio palácio. Baco tenta. dessa forma. destruir a Armada Portuguesa levando os maometanos a subornarem o Catual. Este teme o seu rei e acaba por dar liberdade a Vasco da Gama. Vive uma ficção permanente.

Eles conseguiram elevar -se acima da condição humana.é a dor da ausência e o comprazimento da presença pela memória (implica que se esteja onde não se está). Os feitos dos portugueses são prometaicos. Saudade . pouco propício à acção. também podem imortalizar um indivíduo. são demiurgos. A função do plano mitológico é a de dar unidade ao poema (função estrutural). O saudosismo e o messianismo explicam esta nossa relação. Há um realismo substancial nas epopeias primitivas enquanto que nas outras é substituído pela fantasia gratuita. Não conseguimos racionalmente encarar a nossa realidade e o nosso presente. eles não só se expandiram como em terras longíquas edifcaram outro reino e o sublimaram. Somos passivos. são eleitos por Deus e agentes de Deus na terra. Estamos perdidos e só nos reencontramos procurando a idade do ouro das nossas raízes. Há da nossa parte uma falta de empenho em relação às coisas. Estrutura d'Os Lusíadas Os heróis geram a própria realidade. já não geram a realidade. a acção deles é sempre condicionada por aquilo que os deuses decidiram à partida. eles entraram numa dimensão divina que até então estava vedada aos homens. Os mitos são simples referências literárias aproveitáveis para a intriga. falamos muito mas nunca agimos.O que medeia a nossa relação com o real é a paixão. Vivemos obcecados pela nossa própria história. o que justifica a sua superioridade e lhes dá unidade à história. para além da espada. daí resultando uma profunda c ontradição na forma de ser português. As primeiras estâncias d' Os Lusíadas são muito reveladoras: I-1 "As armas« Taprobana" . Cristianizaram-no. A poesia. Aquilo que liga tudo e que é a grande justificação ideológica d' Os Lusíadas é o feito das Cruzadas. Os heróis não são verdadeiros heróis. a Viagem do Gama e o passado histórico em relação à viagem do Gama. a produção literária. O herói colectivo não interessa em si como conjunto de pessoas mas tem um espírito que corresponde aos feitos de algumas pessoas elevadas acima do herói colectivo. É doce-amargo. As epopeias de imitação surgem num momento em que já existe o estado-nação. A primeira estrofe fala da Índia. Assim os heróis são já agentes de um poder político que representam. são só aqueles que o merecem. Estabelece logo a relação entre a terra e o mar. o que nos leva já para um dos indícios em relação ao tipo de herói que ele quer cantar. Há uma relação entre ambos como entre os heróis dos dois lados. Esta é .os feitos heróicos e aqueles que os praticaram. N' Os Lusíadas há três planos narrativos: o dos deuses. I-2 Outro tipo de herói e as memórias daqueles reis que modificaram a história. andamos sempre à procura da nossa identidade.

provando o seu valor na guerra. "Maravilha fatal da nossa idade" . Sebastião é a segurança. a expansão marítima. a combater. Os heróis não são deuses. I-7 . ele canta principalmente o "peito ilustre lusitano". Se não for ele. Isto pode referir-se a duas coisas: aos feitos e ao canto épico. Ele vai fazer com que a fama do ilustre peito lusitano seja superior à dos antigos. faça corar de exaltação. que ajuda muito Marte pelo s espírito eu guerreiro. que incite os homens a avançar. O homem não é capaz de ultrapassar as suas limitações. Os heróis atravessam o mar. a eternidade. os feitos dos portugueses não serão cantados nem conhecidos. ele assume -se como modelo dos outros que estão bloqueados. Vai cantar uma coisa que é subjectiva e que ele próprio vai definir. O Pentecostes é uma réplica à Torre de Babel. I-6 D. Há um sentimento de inacabamento que nos leva a criar um ser com o qual gostaríamos de nos identificar. Herói . tornaram-se deuses em duas dimensões. I-3 Eneias e Ulisses . porque já outros atemorizaram os mouros. o garante da antiga liberdade lusitana e tem mais do que uma missão a cumprir. A palavra valor implica já uma conotação em relação àquilo que se vai contar. conquistar as almas para Deus. unem -se às deusas e têm acesso ao futuro. Portugal. Marte está ligado também à terra e afirma que os portugueses se tornarão grandes na terra e no mar. Aspira à universalidade. Neptuno (mar) e Marte (guerra) . tal como Roma. O "novo temor" pode ter outro sentido ou mais do que um sentido: novo porque ele é jovem. Ligação dos Portugueses em terra e no mar. Quer um canto igual à gente famosa. coarta -os.modelo de perfeição que o homem comum não se sente capaz de atingir. O percurso do herói é sempre uma mensagem didáctica. se não for pelo seu talento. começou a partir do nada e formou um império.confronta a epopeia portuguesa com a epopeia clássica.as Tágides. Pede ajuda para um estilo digno do que vai contar. vêem o funcionamento do cosmos. os portugueses vão suplantar os deuses. porque assume oreino pela primeira vez. O Sol e a luz estão ligados ao conhecimento enquanto que as trevas estão ligadas à ignorância. Pretende que o seu canto seja universal. o autor deste valor vai acabar com os valores antigos.é a viagem.ele é um prodígio destinado (fatal = de destino) para dar parte grande do mundo a Deus. daí que procure criar mitos e heróis. a humanidade dos heróis. I-4 Ele segue também o modelo clássico e arranja Ninfas no Tejo . I-5 Pede um som de batalha. As Ninfas são de água doce e estão sempre associadas ao amor e ao parto dos heróis. e ao valor que o poeta atribui a si próprio.uma ideia renascentista.

também é amado por Deus. Afonso IV (Salado) e D. o sol banha todo o império. Eles fizeram-se a si próprios e em consequência fizeram-se muito subidos: 1. os Portugueses também.1383-85 . O povo de que ele é rei. Mostra que os seus versos são bem metrificados. Amor à Pátria. os heróis ao fazerem fazem-se a si próprios.11 O que ele opõe às façanhas da imaginação são as façanhas verdadeiras.fez grande serviço ao rei e ao reino . Afonso V (África). Eles fazem e fazem-se. para além dos mouros e dos turcos. para se ser herói é preciso ser-se forte.A dinastia portuguesa é a eleita. simultaneamente.10 O que o leva a cantar a pátria é o patriotismo. As quinas do brazão representam as cinco chagas de Cristo. O rei personifica a pátria. a preferida de Cristo.ideia renascentista. I-8 Centro do mundo. os portugueses são os senhores do conhecimento. através deles ele vai mostrar o seu patriotismo . Afonso Henriques e D. Os feitos dos portugueses excedem todos. I . o amor à pátria. I . João I a Carlos Magno e a César. é o paradigma da pátria.12 Nuno Álvares Pereira . Afonso III (Algarve). ele verá um novo exemplo de amor. A pátria exprime-se em feitos valerosos. I . dos feitos que por sua vez caracterizam a pátria ideal. magnânimo mas não fraco. D. I . Alcançaram a superioridade. Fizeram -se táo subidos por armas. D. Revelaram sempre amor ao rei e à pátria. luz. I . Os fortes que se imortalizaram. I-9 Sede bondoso. exemplo de patriotismo. Os heróis realizam -se na terra e no mar. Todas as epopeias têm uma batalha que é importante. no entanto as duas realizações são diferentes.13 Contrapõe D. Os inimigos são também os hindus.14 Aqueles que fizeram a vossa bandeira sempre vencedora. . O amor aos feitos vai ser divulgado através dos versos. Por serem fortes são temidos e destemidos.Aljubarrota. o rei é a personificação da pátria.

I . Ganges.na terra. Mercúrio: o mensage iro dos deuses. finito. Indo. A Memória ligada à imortalidade. I . Olimpo: luminoso. mas animados e conduzidos por divindades.17 A casa dos Deuses pode ser o Olimpo ou o Céu. O que faz os heróis é a alma. Os Portugueses são simples marionetas nas mãos dos deuses que. Sebastião tornar-se-á rei dos mares. cristalino. O meio pode variar mas a atitude para o sucesso tem de ser a mesma. Começa a narrativa. João III (Paz. I . Alcançaram a consagração. Divindades ctónico/telúricas: na sua história descem ao mundo dos mortos. I . podem propiciar a imortalidade.dimensão em que não há tempo nem morte. I . os ventos não são entendidos como hoje. Baco. Sebastião para assumir o poder e será mais conhecido e poderoso através de um canto que o Poeta lhe fará. pela paz. Todo o mundo sinta o seu poder através da conquista de África e do Oriente. via láctea.20 Ligação entre a viagem do Gama e os deuses.tempo humano.2. a libertação do corpo. Bacanais: chegar a um estado de êxtase que propiciasse um encontro com as divindades. esses sim. Adamastor . Os deuses governam.16 Todos se curvam aos pés deles e D. É possível a eternidade mesmo sem combater.15 Diz a D. Atemporalidade . D. sujeito à morte. Cultura) e Carlos V (Guerra). I . combatendo através das armas conseguiram chegar à celebridade.19 As naus navegam com ventos favoráveis. conduzem a acção. O rei vê os nautas e estes sabem que estão a ser vistos por ele e isso vai fazer com que eles enfrentem tudo com mais valentia e rigor.18 A adjectivação ao canto é um novo atrevimento. efémero. Dois tempos: Cronos/Saturno . "cá famosas" .

como o Adamastor. terrível e inquietante. Ao vencê-los os Portugueses são a juventude que vai instaurar a Nova Ordem. 34 e 35) e de D. É um amor que em vez de o guiar o leva ao caos sem ele saber o que há-de fazer ou para onde há-de ir. . Quando os nautas vencem o monstro. mas é sempre um velho experiente exactamente da mesma forma que o é o Velho do Restelo. Esta Babel (Idade do Ferro) é dominada pela cobiça e o seu senhor é este Saturno impotente. comportamento próprio da sua brutalidade não sublimada. 30).os nautas . ele só sabe servir-se das armas. O Adamastor como impuro que é não pode amar no verdadeiro sentido do amor e quando o tenta o amor transforma-se em clausura do eu. O governo de Saturno é uma lógica de velhice. submetidos a ela. Uma coisa que é velha simbolicamente é representada por uma velhice num sentido negativo ligado à incapacidade de integrar novos caminhos A velhice . Há uma insistência na velhice dos senhores do mundo.é nocturno. Por outro lado quando o Adamastor diz que se vai vingar dos Portug ueses. Baco fá-lo em sacerdote. 28 e 29) . O amor dele é dos sentidos. conduz à impotência. 30-42) . a traição de alguns portugueses. do desejo de domínio material do mundo. y Desenvolvimento (est. os seus próprios fantasmas. ele é também o comandante da própria Natureza. A experiência deles contudo não chega. domínio e poder. Vencer a noite é vencer a nossa própria noite.descrição do toque da trombeta castelhana e os seus efeitos nas pessoas e na natureza. O Adamastor tenta conquistar a mulher pelas armas. João I (est. não espiritualizada. enfrentar e integrarmo -nos harmoniosamente na Natureza. os seus medos e as suas superstições.Quando se metamorfoseia em homem. a Idade de Ouro e isto porque a raça dos heróis é divina ou semi-divina e quando eles conquistarem o mundo vão precisamente fazer com que de novo o mundo seja governado pelo amor pelo conhecimento. ele é este tempo . Ele pede ajuda a Dóris mas fica numa situação de desespero sem saber o que fazer. Saturno aprisiona todos os que se situam no seu domínio. O mar comparado com o da Ilha dos Amores . Nuno (est.doce e calmo . 32 e 33) e a batalha com especial incidência nas figuras de D. Sião vai vencer Babel. O Indo e o Ganges são também velhos experientes.Cronos . à cristalização. de . torna-se prisão. Depois disso clarifica-se o caminho para a luz. A Batalha de Aljubarrota Divisão em partes y Introdução (est. vencem -se a si própiros. os jovens .descreve-se a batalha . liga-se à paralização. comia os próprios filhos com receio que eles viessem a ter tanto poder como ele. à impossibilidade de olhar para o futuro e de encontrar novos caminhos. Os Titãs quando se apaixonam por uma mulher e tentam conquistá -la são desvirilizados por ela.vão substitui-los ao criarem uma nova ordem. ele fá-lo lançando contra eles os ventos e o mar. nomeadamente a dos irmãos de D. não intelectualizada. Os Portugueses querem destronar o Adamastor.o início (est. pelo bem. o movimento e o ruído do combate (est. Nuno (est. 36 e 37) que conduzem à derrota castelhana. ele impõe a este mundo a sua própria natureza mas é vencido e castigado por Júpiter porque desejava imenso era extremamente ambicioso. 31). há uma insistência muito grande no desejo.é também a própria figura da ambição.

A batalha inicia-se e o herói destaca-se logo "Logo o grande Pereira. Camões descreve com riqueza de pormenores a batalha que garantiu a independência de Portugal. Visualização: est. lealdade. virtude. que não quer por outras vias/Entre as gentes deixar de si memória/Senão por armas sempre soberanas./Que ao coração acode o sangue amigo!/Que. 37. Caracterização do herói Atitudes e comportamento reveladores de equilíbrio. Sonoridades de raízes onomatopaicas: consoantes oclusivas (p. Levantamento oral das figuras de estilo que contribuem para a descrição da batalha y y y y y y y Hipérbole: est. treme. O 1º. Adjectivação expressiva: "Horrendo.y Conclusão (est. espedaçam-se. 31. que a verdura/Tinge co sangue alheio". 43-45) . a figura de estilo utilizada para descrever a acção do herói é a Hipérbole "Está ali Nuno. ideal cavalheiresco. 30. e Guadiana/Atrás tornou as ondas de medroso. d. dado pelo inimigo é descrito como "Horrendo. 32. 42) : "Com mortes. Personificação: est. c. O medo é manifesto nos que vão combater "Quantos rostos ali se vem sem cor. que quer ser lembrado pelas suas vitórias e parte em busca de novas glórias "Mas Nuno. mérito próprio. O seu intento foi conseguido e os portugueses continuaram a lutar "Porque eis os seus acesos novamente". 31. sangue e cutiladas"./Correu ao mar o Tejo duvidoso". justiça./Ouviu o Douro e a terra Transtagana. soam. fero. recrecem. O fragor da batalha é-nos transmitido através de sensações auditivas "estridentes« soam« atroam«" e visuais "espesso ar« voam« treme«". aliterações (s) e alternância de ritmos (binário e ternário). patente nas estâncias 42 e 43. coragem. g). 28. ingente e temeroso" e a figura de estilo usada é a Adjectivação. 35. em quem se encerra/Todo o valor primeiro se assinala". 38. b. Nuno Álvares Pereira destaca-se como aquele que mais luta e que está em todo o lado. nos perigos grandes. apouca". o temor/É maior muitas vezes que o perigo". fero. qual pelos outeiros/De Ceita está o fortissímo leão" e "Tal está o cavaleiro. atroam. é ele também quem instiga os companheiros para que não se deixem vencer e continuem a lutar como se pode ver na estância 38. Inês de Castro Alterações resultantes da poetização . Uso do Presente histórico: "voam. sinal de guerra "Deu sinal a trombeta Castelhana"./Pera as terras se passa transtaganas". Gradação decrescente (est. Todos vão descansar excepto o herói. t. O efeito produzido por esse sinal é transmitido através da personificação "Ouviu-o o Monte Artabro. ingente e temeroso« terríbil« duro« espesso« estridentes«". O ritmo da batalha vai crescendo e atinge o seu clímax "Aqui a fera batalha se encruece" para logo depois se dar a debandada dos castelhanos.desânimo e fuga dos Castelhanos e a vitória dos Portugueses. gritos. Houve portugueses que trairam a Pátria e lutam por Castela "Eis ali seus irmãos contra ele vão".

Pretende Camões. isto é. y y a intervenção da Fatalidade. é o primeiro a sentir o castigo. sobretudo através de contrastes: a alegria e o sossego (120-121) / a súbita desgraça (124-125). que já havia inspirado as "Trovas à Morte de Inês de Castro". Afonso IV. puro Amor («) deste causa à molesta morte sua" (estrofe 119). a existência de três grandes partes lógicas: Introdução (estrofes 118-119): Definição do momento e das condições em que se deu a morte de Inês (estrofe 118). que se faz sentir nas emotivas considerações do poeta que acompanham o desenvolvimento da acção: estrofe 119. a súplica / o castigo às mãos dos "algozes. y a presença do coro. como vítima do amor e não das razões de Estado. Afonso IV. também vítima do amor. 3-4). sobretudo. e desde os dois últimos versos da estrofe 130 até ao fim do episódio. de Garcia de Resende e cuja grandeza poética. a dor da condenada Inês que implora perdão. 3-4) e "Mas o pertinaz povo e seu destino/(Que desta sorte o quis) Ihe não perdoam" (130. . Não há referências à expulsão do país e à tensão das relações com D. y a observação da chamada "lei das três unidades": acção (morte de Inês). y Camões segue de perto a tradição oral e popular. do Destino: "Naquele engano de alma ledo e cego/Que a Fortuna não deixa durar muito" (120. um crime hediondo. a humanização das feras e da natureza / a desumanidade dos homens. como grande culpado. dar a Inês uma "morte nobre". y y y o   a existência da peripécia (súbita mudança de situação). tipicamente portuguesa.podemos mesmo considerar que as principais características da tragédia clássica estão presentes neste episódio: y o desenvolvimento de uma acção funesta que culmina com a morte da protagonista. a catástrofe. últimos quatro versos da estrofe 123. rodeada dos filhos perante D. . em vários momentos da acção. Inês é apresentada. A estrutura é marcadamente dramática . a inspiração dos sentimentos de terror e piedade. saberá aproveitar. Os cavaleiros arrancam das suas espadas e trespassam -lhe o peito. só tu. tempo (duração aproximada de um dia) e espaço (Coimbra). Dir-se-ia que o coração. à espada e de frente para os algozes. Identificação poetizada da causa dessa morte: "Tu. constituída pela morte da protagonista. apresentada pelo poeta como vitima inocente.y y y y y A morte de Inês é apresentada como o "assassinato" de uma inocente. a simplicidade frágil e desprotegida de Inês inocente/a brutalidade dos "horrificos algozes".

a sua inocência. "o murmurar do povo". es verso 4):      As causas da morte (estrofe 122. logo na abertura (estrofe 118). "a fantasia do filho que casar-se não queria". que o poeta logo condena ("« ó peitos carniceiros. é feita através do emprego de numerosos recursos estilísticos. capaz de catalizar emoções e atrair a simpatia do leitor. sobrecarregado com referências mitológicas e culturais. parte a estrofe 132). marcadamente retórico. Este discurso. sublinhada pelo pranto comovente das "filhas do Mondego" e pela animização da Natureza. assume uma atitude suplicante e prepara-se para implorar o perdão do Rei e avô de seus filhos (estrofes 124 -125). versos 1-4). sua antiga confidente (estrofe 135). A dramatização.  Inês lança mão de argumentos que entende mais convincentes para demov o Rei do er projecto de assassinar:  a compaixão das "brutas feras" e das "aves agrestes" pelas crianças em contraste com a crueldade dos homens. trazida pelos "horríficos algozes". parte e estrofe 123): as "namoradas estranhezas". Inês perante o Rei.  Discurso de Inês: súplicas e argumentos para demover o Rei da sua determinação (estrofes 126-129).       o exílio como alternativa à morte. 2ª. de forma a empresta-lhes uma grandeza trágica. que chora a morte de Inês. a orfandade dos seus filhos. esquece a situação psicológica desesperada da personagem e parece destinar-se apenas a manter o "estilo grandíloco" do poema. saber "dar vida. praticada pelos algozes. a condição de cavaleiro do próprio rei D. a sua situação de mãe.o Desenvolvimento (estrofes 120-132): felicidade despreocupada de Inês. Hesitação do Rei em contraste com a insistência do povo e o destino trágico que persegue Inês (estrofe 130. sabendo dar morte. deve também. em Coimbra./Feros vos amostrais e cavaleiros?") e compara com o cruel assassínio de Policena (estrofe 130. Afonso IV que. com clemência".  Desfecho trágico: imolação da vítima inocente. Recursos estilísticos usados . dominada pelo amor correspondido e pelas saudad do seu "Príncipe" (estrofes 120 a 122.  Conclusão: reprovação do poeta (estrofes 133 e 134). 2ª. tanto do acontecimento como da personagem.

na estrofe 130. 7) "ledo e cego" (120. Apóstrofe: y Nos versos 1 e 5 da estrofe 119 ("puro Amor".estrofe 134. 3) "O velho pai sisudo" (192. na estrofe 127 ("Ó tu«"). verso 1 ("linda Inês"). verso 3 ("puro Amor"). os olhos. "puro Amor. com isso. com que o ar serena. ao pretérito imperfeito do Desenvolvimento (maior presentificação de uma acção passada. 5 -8) y y y y y "Os brutos matadores" (132.Adjectivação: y y y y y y y y y "o caso triste e dino de memória" (118. com falsas e ferozes razões. com força crua" (119. 6) "E. 6) "Contra üa fraca dama delicada" (123. 6) "De teus fermosos olhos nunca enxuito" (120. Hipérbole: y y y "Que do sepulcro os homens desenterra" (118. com tristes e piedosas vozes" (194. verso 1 ("«ó Sol") e verso 5 ("ó côncavos vales"). 8) "os horríficos algozes" (124. verso 7 ("Ó peitos camiceiros"). que endoidece. na estrofe 120. "fero Amor"). contribui para acentuar o dramatismo e a vibração trágico -lírica do episódio. na estrofe 133. 3-5) "Um dos duros ministros rigorosos" (125. 1) "Se encarniçavam. em fonte pura As lágrimas choradas transformaram" (135. Ela. Na estrofe 135 retoma-se o pretérito perfeito inicial e. "cândida e bela" (134. 1) "molesta morte sua" (119. na estrofe 122. a consideração da acção como já passada. 1) "Mas o povo. no seu decorrer) e ao presente histórico (maior visualização do crime cometido) . à morte crua o persuade. 2). 3) "áspero e tirano" (119. por memória etema. férvidos e irosos". 5) "a mísera e mesquinha". Ao duro sacrifício se oferece" (131. quando . 3-4) Tempos Verbais: y Oscilam desde o pretérito perfeito da Introdução (estrofes 118-119). (Bem como paciente e mansa ovelha) Na mísera mãe postos. 4) "Põe-me em perpétuo e mísero desterro" (128) "Mas ela.

"Põe-me". "Mova-te". pelo "duro Pirro". Feros vos amostrais e cavaleiros? (130. sobretudo. Nas estrofes 131-132. posta em sossego" (120) "Eram tudo memórias de alegria" (120) "« engano de alma ledo e cego" (120) "doces sonhos que mentiam" (121) "Rei benino" (130) "contra hüa dama" (130) "o caso triste e dino de memória" (118) "Tal está morta a pálida donzela" (134) "Tirar Inês ao mundo determina" (123) "horríficos algozes" (124) "pertinaz povo" (130) . a execução de Inês pelos algozes com o assassinato de Policena. 7 -8) De facto. linda Inês. y Finalmente. na estrofe 134. deparamos com a belíssima comparação da "pálida donzela" já morta com uma "bonina que cortada/ Antes do tempo foi. filho de Aquiles. compara-se com efeito. "Vede") para sugerir apelo ou súplica da personagem. Antiteses: y Contribuem para realçar o carácter absurdo de alguns comportamentos e. Sabe também dar vida. 132 e 134 são também muito expressivas e caracterizam dois momentos importantes da acção e da personagem: a primeira refere-se à situação de Inês perante a morte e a segunda descreve-nos a protagonista já depois de morta. do sacrifício de Inês: "De noite. Trata-se de dois crimes hediondos com vários pontos de contacto. a estrutura do episódio assenta num contraste fundamental entre a felicidade amorosa de Inês (as "memórias de alegria") e a precipitação trágica dos acontecimento s: o o o y o o o o o o o o o o o o "A se lograr da paz com tanta glória" (118) "Estavas. filha de Príamo. em doces sonhos que mentiam. com clemência" (128. cândida e bela" pelas "mãos lascivas" de uma "menina". De dia em pensamentos que voavam" (121. último rei de Tróia. "Sabe". 2 -3) "Contra hüa dama ó peitos carniceiros. 5 -6) "A morte sabes dar com fogo e ferro.em associação com os modos imperativo ou conjuntivo (presente) ("« a estas criancinhas tem respeito". Comparações: y As estrofes 131.

medo." y y visualismo: "A noite negra e feia se alumia/C'os raios em que o Pólo todo ardia!" hipérboles: "Noto." (est. que derribaram« Tanto os mares. Surgimento da tempestade e sua descrição. que em cima as revolvessem. 6) Eufemismo: y "Tirar Inês ao mundo determina" (123. Áquilo queriam/Arruinar a máquina do Mundo. 7) Paradoxo: y "« üa donzela. que sustinha As obras com que Amor matou de amores Aquele que depois a fez Rainha. Fraca e sem força. 2-4) A Tempestade Estado de espírito dos navegadores ao longo do texto . Austro. 78). por vezes no superlativo absoluto sintético: "cruel« fortíssima« altíssimos« gritos vãos« furibundo« noite negra e feia« furiosas águas« Relampagos fulminantes« vento bravo as fúrias indinadas!" y sugestão de rápido movimento ascendente e descendente das ondas: "Agora sobre as nuvens os subiam/As ondas de Neptuno furibundo. Descrição: y grande variedade de adjectivos. 77) y descrição hiperbolizante da fúria e das consequências da tempestade: "Nunca tão vivos raios fabricou« Os dous que em gente as pedras converteram" (est./A noite negra e feia se alumia/C'os raios em que o Pólo todo ardia!" (est. Bóreas.aflição. 76)." (est. "Fugindo à tempestade e ventos duros. 79).84) . férvidos e irosos. "Assi dizendo." (est./Que nem no fundo os deixa estar seguros. coragem. Que ela dos olhos seus regadas tinha. os ventos. 2-8) y "« pensamentos que voavam" (191. 70-71). Se encarniçavam. que lutavam« Consigo os elementos terem guerra. Da tranquilidade passa-se à tempestade (est.o "Feros vos amostrais e cavaleiros?" (130) Metáfora: y "No colo de alabastro. "Quantos montes. então. 1) Sinédoque: y "« ó peitos carniceiros" (130. As espadas banhando e as brancas flores. No luturo castigo não cuidosos" (132. só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-la" (127./Agora a ver par ece que deciam/As íntimas entranhas do Profundo.

o reino vegetal (verdura. Onde uma mesa fazem. um lago. aquáticos: cisne. Adjectivação expressiva. por todos os meios salvar as naus e atingirem o objectivo proposto: a Índia. y A Ilha dos Amores Caracterização da Ilha Gradação ascendente (crescente) .tentar." Comparação hiperbólica: "A laranjeira tem no fruito lindo A cor que tinha Dafne nos cabelos". e depois tudo o que se vê na ilha: "As cereijas. Erguidos com soberba graciosa. as fontes. a combater a fé cristã a um naufrágio ali. terrestres. árvores de fruto«). y em que consiste a súplica do capitão e o que lhe sucede posteriormente . reino animal (animais voadores: passarinho. pedras«)." "Vinham as claras águas ajuntar-se. que se estende Tão bela quanto pode imaginar-se. purpúreas na pintura« Abre a romã. rouxinol.Vasco da Gama suplica a protecção divina alegando: a omnipotência divina já várias vezes posta à prova. arvoredo. veado. por vezes dupla: fresca e bela« Curva e quieta« fermosos outeiros« graciosa« alegre e deleitosa« Claras(«) e límpidas« alvas« A sonorosa linfa fugitiva« ameno« claras« bela« gentil« odoríferos e belos« lindo« fermosos« virgíneas« amados e queridos« etéreo« purpúreas« rubicunda« jucunda« roxos« verdes« piramidais« bela e fina« Hipérboles: y y "Três fermosos outeiros se mostravam. fontes. estatuto do narrador: não participante. o facto de ser preferível uma morte heróica e conhecida em África. carregada de adjectivos. gazela. mostrando a rubicunda/Cor« c'uns cachos roxos e outros verdes". lebre. Vasco da Gama. verdura. Usa uma linguagem apelativa. Sensações visuais (54-55): y y o que se vê ao longe: três outeiros. um vale. o facto de a viagem ser um serviço prestado ao próprio Deus. sem memórias.y reacção dos navegadores . y y desfecho dos acontecimentos: os portugueses conseguem salvar -se. fática. e finalmente o plano humano (os Argonautas) e o plano divino (as deusas). que arrosta com a fúria dos elementos e pede a protecção divina quando tudo parece perdido.primeiro a visão geral da ilha. existência ou não de um herói e suas razões: sim. arvoredo. depois o reino mineral (os outeiros. Sensações olfactivas (à medida que se aproximam da ilha) (56-62): .

loureiros. murta pinheiros e ciprestes. a cidreira. álamos. a laranjeira. Sensações auditivas (63-65): "« o níveo cisne canta Responde-lhe do ramo filomela" "Algumas doces cítaras tocavam.y "pomos odoríferos". Algumas. harpas e sonoras frautas". y y y . etc. os limões. Prémio pela descoberta. Sensações gustativas (58): y "sabores: cereijas« amoras« O pomo". Sensações tácteis: "A tapeçaria bela e fina Com que se cobre o rústico terreno". prémio aos heróis.

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