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LITERATURA

TRABALHO SOBRE O FILME

O GUARANI

GRUPO:

ARTHUR VILLAÇA DIEGO ZINE LEANDRO FERREIRA RENATO KOPEZYNSKI

TURMA 1001

podemos citar a cena em que D. liderados pelo ex-padre Loredano. escapa da morte. até que uma índia aimoré é morta por Diogo. Apesar de perturbados por um ex-padre que lidera uma conspiração e provoca muitos conflitos.O GUARANI (Brasil. o que provavelmente explica essa opção — identificada pelo ritmo. a reconhecida atriz Norma Bengell tem suas raízes no teatro. O caráter teatral é reforçado também pela fidelidade ao texto original. Por exemplo: em suas falas. uma vez que o índio se nega a viver na “taba dos brancos” — ele tem a convicção de que não se adaptaria ao modo de vida dos colonizadores: “Quando se arranca uma flor da mata. é fácil notar que a diretora Norma Bengell dá preferência à linguagem teatral na maior parte das cenas do filme. assim como acontece no romance de José de Alencar. Peri não pode viver na taba dos brancos. No entanto.” (Frase de Peri para Ceci. graças à ajuda de Peri. e consegue recuperar a liderança sobre eles. a família e os habitantes do forte vivem em paz com os nativos. Somente Cecília (Ceci). A tribo revoltada massacra a família e toda a guarnição portuguesa do forte. Além de sua experiência no cinema. 1996) Filme baseado no romance de José de Alencar Direção: Norma Bengell No Brasil do século XVII. O uso de recursos próprios do cinema fica restrito. utiliza-se um recurso literário bastante eficaz: Peri só emprega frases curtas — e sempre na terceira pessoa. inclusive quando ele se refere a si mesmo: . Após o massacre. para que suas falas não pareçam falsas. ela murcha. um índio goitacás que vive nas proximidades do forte e tem livre acesso a ele. filha de Dom Antônio. Exemplificando. uma família de colonizadores portugueses cujo patriarca é Dom Antônio vive numa fortaleza construída em terras habitadas pelos índios aimorés. E também o discurso de Loredano. praticamente. Peri mostra dominar a língua do homem branco de modo incomum — ele não comete erros. a Mata Atlântica) e às cenas de batalha. já amarrado e pronto para ser executado na fogueira. às tomadas que mostram a beleza do ambiente em torno da fortaleza (basicamente. filho de Dom Antônio. Ceci apaixona-se por Peri e vai viver com ele na mata. pela entonação de voz e pela movimentação dos atores em cena. Antônio enfrenta os amotinados. depois do massacre A respeito da direção.

Essa idéia é bastante reforçada pela religião. “Ele é um selvagem. São capazes de se devorarem uns aos outros. “Desde que chegou aqui salvando minha filha. percebe-se que o quanto essa idéia foi assimilada como verdadeira: Isabel. seu modo de ver o mundo. Antônio) Paralelamente ao romance entre Ceci e Peri. na crença de que se fortalecem. achava-se inferior à Cecília. Antônio. nota-se o preconceito: as qualidades de Peri são atribuídas a uma suposta “alma branca”. na cena em que ela confessa a Cecília seu amor por D. Antônio. Esse choque fica evidente quando eles expõem suas convicções. Na segunda. referindo-se a Peri) “Que homem veria graça em uma bastarda meio índia? (.” (D. Por exemplo: ao longo do texto encenado pelos atores. sua religião e seus costumes.) Tenho vergonha de ti. a antropofagia praticada pelos nativos do Brasil era um sinal de profundo respeito pelos adversários. o tema central do filme é o choque cultural entre o europeu e o indígena durante a colonização do Brasil. pois o católico se vê como um .“Peri é livre!” (resposta de Peri ao não aceitar as determinações de D. Antônio. Álvaro) Na primeira dessas duas falas. esposa de D. um sentimento de superioridade absoluta em relação ao índio que marcou o período colonial brasileiro. que praticava a antropofagia de modo cerimonial. Antonio. mesmo sendo filha de D. quase um animal!” (D. pois sua mãe era uma índia. visando adquirir a força e a bravura dos guerreiros inimigos capturados em batalha. Laureana..” (A mestiça Isabel. Assim. há diversos indícios da prepotência do colonizador.. o sentimento de superioridade do colonizador fica claramente expresso. ao contrário do que o colonizador pensava.” (D. logo no início do filme) Nesse trecho percebe-se o desprezo do colonizador português pela cultura do indígena. Vejamos alguns trechos: “Os aimorés têm paixão pela vingança. referindo-se a Peri) Nesse trecho. que é o eixo da narrativa. Peri demonstrou que tem alma de cavalheiro português no corpo selvagem. pois não parece razoável ao colonizador que o nativo apresente virtudes próprias. isto é.

Antônio para a fuga depois de “se converter” (Peri aceita porque seu único propósito era o de salvar Ceci. Quando D. em vários momentos. pecado. norteia todas as atitudes do colonizador. Quando os amotinados conspiram contra D. mas continua referindo-se a Deus como “o seu deus”. quando conversa com ela). e por isso entende que os pagãos (isto é. nota-se que a cruz e as imagens sacras sempre aparecem num plano acima dos atores.verdadeiro cristão. só recebe autorização de D. Todo o filme é pontuado por cenas em que a cruz está presente — seja nos crucifixos que as pessoas trazem ao pescoço. De qualquer maneira. representando a força superior que vem do céu para orientar as ações e as decisões dos homens. E mesmo Peri. fidelidade aos princípios católicos etc. Concluindo. juram fidelidade a Loredano empunhando suas armas de modo a formar uma cruz. mas não empolga — pelo contrário. fé. Antônio. Muitas vezes. seja nos objetos de adorno. o filme é interessante do ponto de vista histórico. são fartas as referências à religião: a todo instante alguém fala em Deus. chega a ser enfadonho. ****************************************** . A religião. Não queremos fazer uma análise do ponto de vista da História. coloca-as sobre a mesa formando uma cruz. tem seu valor como homenagem a José de Alencar e como patrimônio cultural do Brasil. aliás. argumentos como esse serviram pra justificar a violência contra os povos nativos dos territórios colonizados. cheio de virtudes. os nãocatólicos) são almas perdidas. para que ele parta em busca de reforços contra os aimorés. Quanto aos diálogos. Antônio dá uma pistola e uma espada ao filho. que necessitam de conversão — mesmo que à força. Como recurso cinematográfico. culpa. quando se oferece para tirar Ceci da fortaleza prestes a ser invadida pelos aimorés. mas o fato é que a influência da religião católica no cotidiano do colonizador é demonstrada ao longo de todo o filme — tanto nos diálogos como na fotografia.

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